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EXMO. SR. DR. DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE 
JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – RJ 
 
Proc. de origem: … 
 
Agravante: ADEMAR, brasileiro, veterinário, portador da carteira de identidade nº …, 
expedida pelo ...UF, CPF nº .., residente e domiciliado na Rua [endereço completo], por 
sua advogada infra-assinada (instrumento de mandato anexo), vem, respeitosamente, 
interpor o presente AGRAVO DE INSTRUMENTO com pedido de tutela 
antecipada recursal, com fulcro no art. 1.015, I e V, do Código de Processo Civil, em 
face da r. decisão interlocutória proferida nos autos da Ação de Obrigação de Fazer c/c 
Indenização por Danos Morais que move em desfavor das Empresas GELATO e 
CASAS RIO GRANDE, pelos fundamentos a seguir expostos. 
 
1 – DO CABIMENTO E TEMPESTIVIDADE 
 Nos termos do art. 1.015, I e V, do CPC, é cabível agravo de instrumento contra 
decisões que indeferem tutela provisória e gratuidade de justiça que é o caso. Além 
disso, a decisão foi disponibilizada em 15/08/2024, passando o primeiro dia útil ser 
16/08/2024 (sexta-feira), não havendo feriados no mês, sendo o prazo final em 
17/09/2024 (15º dia útil), conforme art. 1003, caput e § 5º e 224, caput, parágrafos 1º, 2º 
e 3º do CPC, normas inframencionadas. 
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que 
versarem sobre: 
I - tutelas provisórias; 
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de 
sua revogação; 
Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os 
advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria 
Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão; 
§ 5º Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos 
e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. 
Art. 224. Salvo disposição em contrário, os prazos serão contados excluindo 
o dia do começo e incluindo o dia do vencimento. 
§ 1º Os dias do começo e do vencimento do prazo serão protraídos para o 
primeiro dia útil seguinte, se coincidirem com dia em que o expediente 
forense for encerrado antes ou iniciado depois da hora normal ou houver 
indisponibilidade da comunicação eletrônica. 
§ 2º Considera-se como data de publicação o primeiro dia útil seguinte ao da 
disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico. 
§ 3º A contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir ao da 
publicação. 
 
 
2 - DO PREPARO 
Primeiramente o agravante requer a gratuidade de justiça por não ter 
condições de arcar com as custas do processo, conforme veremos abaixo, teve o 
requerimento de JG negado pelo juízo a quo, contudo, possui renda líquida de R$ 
1.300,00 mensais, dessa forma, não possui condições de arcar com as custas 
judiciais sem prejuízo próprio, documentos probatórios e declaração de 
hipossuficiente econômico, constantes no processo original, consoante o disposto no 
art. 5º, incisos LV e LXXIV da Constituição Federal. Informa ainda, a dispensa do 
preparo em 2º grau, conforme artigo 99, § 7º do CPC. Dessa forma, o agravante deixa 
de efetuar o preparo vez o requerimento de gratuidade de justiça. 
Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição 
inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou 
em recurso. 
§ 7º Requerida a concessão de gratuidade da justiça em recurso, o recorrente 
estará dispensado de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao 
relator, neste caso, apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar prazo para 
realização do recolhimento. 
3 - DAS PEÇAS OBRIGATÓRIAS 
Salienta-se em atenção ao disposto no art. 1017, § 5º, do CPC/15, que deixa 
de incluir cópias das peças já constantes dos autos eletrônicos. 
Art. 1.017. A petição de agravo de instrumento será instruída 
I - obrigatoriamente, com cópias da petição inicial, da contestação, da petição 
que ensejou a decisão agravada, da própria decisão agravada, da certidão da 
respectiva intimação ou outro documento oficial que comprove a 
tempestividade e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e 
do agravado; 
II - com declaração de inexistência de qualquer dos documentos referidos no 
inciso I, feita pelo advogado do agravante, sob pena de sua responsabilidade 
pessoal; 
III - facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis. 
§ 5º Sendo eletrônicos os autos do processo, dispensam-se as peças 
referidas nos incisos I e II do caput, facultando-se ao agravante anexar 
outros documentos que entender úteis para a compreensão da 
controvérsia. 
3 – BREVE SÍNTESE E DA DECISÃO AGRAVADA 
 O Agravante adquiriu, em 05/03/2024, uma geladeira da marca Negativa, 
produto de última geração, na loja Casas Rio Grande, especializada em 
eletrodomésticos. Ocorre que, tão logo o produto foi instalado em sua residência, ao ser 
conectado à rede elétrica, passou a expelir forte fumaça e desligou-se 
automaticamente, sem retornar ao funcionamento, comprometendo o sistema de 
refrigeração. Mesmo após imediato contato com a loja, que agendou visita técnica para 
o dia 15/03/2024, nenhum técnico compareceu, tampouco houve resposta da empresa, 
configurando descaso com o consumidor. 
 Diante da omissão das rés, o Agravante propôs ação judicial requerendo: o 
conserto do produto; indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00, de 
forma solidária; tutela antecipada de urgência para o imediato conserto da geladeira; e 
o deferimento da gratuidade de justiça, diante de sua situação econômica. 
 Entretanto, o juízo da 2ª Vara Cível da Comarca de Barra Mansa/RJ, em 
decisão única de 08/08/2024, indeferiu a tutela antecipada sob o argumento de que a 
geladeira não constitui bem essencial, e rejeitou o pedido de gratuidade de justiça, 
com base exclusivamente na renda bruta do autor, desconsiderando as inúmeras 
despesas comprovadamente descritas. 
 
3.1 – DO DIREITO À GRATUIDADE DE JUSTIÇA 
 O juízo de primeiro grau indeferiu o pedido de justiça gratuita com base 
exclusivamente na renda bruta do autor, em afronta ao art. 98 do CPC. O Agravante 
recebe renda mensal de R$ 12.000,00, mas arca com: pensão alimentícia para três 
filhos e ex-esposa; financiamento da casa própria; tratamento de saúde da 
companheira, com medicamentos e exames de alto custo; despesas mensais do lar, 
incluindo alimentação, energia, água, e combustível. 
 Após todos esses compromissos, restam apenas R$ 1.300,00 mensais, montante 
claramente insuficiente para arcar com as custas judiciais sem prejuízo da própria 
subsistência, razão pela qual requer a reforma da decisão. 
 Nessa toada, conforme entendimento do STJ sobre o tem, o relator, ministro Og. 
Fernandes, ressaltou que a recorrência a parâmetros objetivos deve ser admitida tão 
somente em caráter suplementar, isto é, não se prestando ao indeferimento de plano do 
pedido de gratuidade, mas para justificar o procedimento previsto no art. 99, parágrafo 
2º, do CPC, permitindo que o juiz intime a parte requerente para comprovar a situação 
de miserabilidade jurídica perante o caso concreto, fixando a seguinte tese, in verbis: 
 
1 — É vedado o uso de critérios objetivos para indeferimento imediato da 
gratuidade judiciária requerida por pessoa natural; 
2 — Verificada existência nos autos de elementos aptos a afastar a presunção 
de hipossuficiência econômica da pessoa natural, o juiz deverá determinar 
ao requerente comprovação de sua condição, indicando de modo preciso as 
razões que justificam tal afastamento, nos termos do artigo 99, parágrafo 2º, 
do CPC; 
3 — Cumprida a diligência, a adoção de parâmetros objetivos pelo 
magistrado pode ser realizada em caráter meramente suplementar e desde 
que não sirva como fundamento exclusivo para indeferimento do pedido da 
gratuidade. 
 Dessa forma a análise deve ser feita de maneira concreta e individualizada, com 
o objetivo de evitar abusos e garantir que o benefícioseja concedido de forma justa e 
eficiente, afetando os REsp 1.988.686, REsp 1.988.687 e REsp 1.988.697. 
 
 
 
3.1 – DA NECESSIDADE DA TUTELA ANTECIPADA RECURSAL 
 A geladeira é bem essencial à vida moderna, sobretudo considerando o clima 
tropical do Brasil, a conservação de alimentos e medicamentos, e o fato de que a sua 
ausência causa graves transtornos à dignidade do consumidor. A urgência se faz 
presente, pois o produto está inoperante há mais de 60 dias, e as rés se omitem em 
prestar qualquer tipo de assistência técnica, conforme entendimento doutrinar, 
vejamos: 
O produto essencial é aquele que possui importância para as atividades 
cotidianas do consumidor não sendo razoável exigir que o consumidor 
deixe seu produto essencial para conserto pelo prazo de 30 dias, quando 
o bem é fundamental para desenvolver suas atividades. (BENJAMIM, 
MARQUES, BESSA, 2007) 
 No presente caso e nas documentações acostadas, conclui-se que se encontram 
presentes os requisitos que autorizam a concessão da TUTELA DE URGÊNCIA, nos 
termos do caput c/c parágrafos 1° e 2° todos do artigo 300 do Código de Processo Civil. 
No tocante ao que dispõe o parágrafo 3° do artigo 300 do NCPC, verifica-se in 
casu que o indeferimento da tutela almejada causaria danos ainda mais graves do que 
seu deferimento, por se cuidar de produto essencial, tratando-se, portanto, de verdadeira 
hipótese de irreversibilidade recíproca, caso em que se faz possível à antecipação da 
tutela jurisdicional, a luz do princípio da proporcionalidade na ponderação da relevância 
dos interesses envolvidos. 
Quanto ao segundo requisito legal, qual seja, o fundado receio de dano 
irreparável ou de difícil reparação, tem-se que gravíssimas serão as consequências 
decorrentes da demora quanto ao conserto da geladeira que é destinada a manutenção 
dos alimentos in natura, essencial à subsistência do agravante e de sua família. Em 
assim sendo, verificam-se o periculum in mora e o fumus boni iuris, razão pela qual 
merece acolhido o pleito para antecipação dos efeitos da tutela inaudita altera parte. 
Dessa forma, há verossimilhança nas alegações, comprovada pela nota fiscal da 
compra (doc. anexo) e pelas trocas de mensagens com a loja, e perigo de dano 
irreparável, pois o autor segue arcando com despesas alimentares, médicas e 
familiares, sem poder usufruir do bem adquirido, requer assim que seja consertado o 
bem, sob pena de multa diária pelo descumprimento, no valor de R$ 100,00 (cem reais), 
conforme disciplinado no artigo do CPC, in verbis: 
Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada 
na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de 
execução, desde que seja suficiente e compatível com a obrigação e que se 
determine prazo razoável para cumprimento do preceito. 
 
4 – DOS PEDIDOS 
Diante do exposto, requer que o presente Agravo de Instrumento seja 
conhecido e no mérito provido nos seguintes termos: 
1. Que seja concedido a Gratuidade de Justiça para o agravo; 
2. Seja reformada a decisão agravada, para deferir a gratuidade de justiça, 
nos termos do art. 98, §1º do CPC; 
3. seja concedida a tutela antecipada recursal, para que as rés sejam 
compelidas a consertar imediatamente o eletrodoméstico, sob pena de 
multa diária de R$ 100,00 (cem reais). 
Termos em que, pede deferimento. 
Barra Mansa/RJ, 17 de setembro de 2024. 
Advogado(a) 
 OAB/[UF]

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