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TECNOLOGIAS, SISTEMAS E 
MATERIAIS ECOEFICIENTES 
Profª Marcia Luiza Klingelfus 
AULA 6 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Nesta aula, vamos estudar os temas de ecodesenho, ciclo de vida e 
critérios de análise de sustentabilidade, de produtos e materiais. Vamos 
entender por que o ciclo de vida está presente em todas as análises em torno da 
sustentabilidade, o que diz a norma brasileira sobre ele e suas principais 
características, verificando como todas as ferramentas que vimos se aplicam e se 
complementam. 
Um processo de desenvolvimento ecológico pode ser parcial e responder 
apenas a uma demanda, mas uma visão ecológica, que considera, respeita e 
promove o meio ambiente, deve ser construída e, se necessário, sobre novas 
estruturas. Apesar da complexidade que envolve os ecossistemas, podemos 
começar com pequenos movimentos, alterando nossa pegada ecológica, 
estabelecendo critérios a nossos clientes, pedindo o certificado de origem de 
determinado material, não utilizando produtos tóxicos e poluentes ou de empresas 
cuja responsabilidade social seja duvidosa. Podemos contribuir de maneira 
consciente para a determinação de melhores práticas na construção e na indústria 
em geral. Somos projetistas, mas também somos consumidores e agentes de 
informação. 
O mercado oferece inúmeras soluções, chamadas de ecoeficientes, e 
caminhos possíveis – a tendência é só aumentar. É fundamental saber escolher 
e especificar, diferenciar o que vai fazer o movimento certo ou a solução mais 
óbvia. Pesquisas de mercado apontam que os consumidores estão cada vez mais 
conscientes, têm mudado seus hábitos para produzir menos impacto no ambiente 
e estão atentos à questão do trabalho escravo e do uso de animais em laboratório, 
procurando por empresas eco e socialmente responsáveis. 
A ideia, então, não é apresentar resultados e modelos, o que é possível 
fazer com apenas um clique, mas mostrar quais recursos estão à nossa 
disposição, para que nós mesmos digamos como serão utilizados. 
TEMA 1 – ECODESENHO 
“Ecodesenho pode ser compreendido como um processo integrado no 
projeto e desenvolvimento de produto, que visa reduzir impactos ambientais e 
melhorar continuamente o desempenho ambiental dos produtos, durante todo o 
 
 
3 
seu ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até o fim da vida” (ABNT, 
2014b). 
Ecoeficiência é a visão mais geral dessa ação, cujo objetivo final é o 
resultado prático da aplicação desses produtos, sistemas e desenhos. Em alguns 
segmentos, como o industrial, o conceito está ligado à economia e considera seu 
custo-benefício. É a consequência desejada do desenvolvimento sustentável. 
A primeira seria uma das pontas do processo, em que o ecodesenho faz 
parte da primeira etapa do produto, e a ecoeficiência, a outra ponta, como 
resultado da aplicação em todo o ciclo de vida dos parâmetros, que vamos ver de 
maneira prática. 
1.1 Estratégias do ecodesenho 
As estratégias de ecodesenho são baseadas em: 
• Seleção de materiais de baixo impacto: limpos, renováveis, reciclados, 
recicláveis, com baixo teor de energia, não tóxicos etc. 
• Redução do uso de materiais: peso, volume etc. 
• Otimização das técnicas de produção: técnicas alternativas, redução das 
fases de produção, menor consumo de energia, consumo de energia 
renovável, menor produção de resíduos, menor consumo de produto etc. 
• Otimização do sistema de distribuição: embalagens mínimas, mais limpas 
e reutilizáveis; eficiência energética. 
• Redução do impacto durante a utilização: redução do consumo de energia, 
utilização de fontes renováveis, diminuição das perdas de energia, da 
dependência e das distâncias nos transportes etc. 
• Otimização da vida-média: duração, confiabilidade, fácil manutenção e 
reparo, modulação. 
• Otimização do fim de vida do produto: reutilização, fácil restauração, 
reciclagem, tratamento seguro de resíduos. 
• Responsabilidade social aplicada à cadeia de produção. 
Além dessas estratégias, o processo deve ser desenvolvido de forma a 
melhorar o meio, onde quer que esteja atuando, ou seja, conseguir o balanço 
positivo. Não devemos limitar-nos a não impactar, mas, sim, impactar 
positivamente, seja para regenerar o meio, promover o conforto e a saúde ou 
 
 
4 
educar nas interações. Então, a estratégia é superar antigos conceitos para dar 
um salto de qualidade. 
A construção civil no Brasil pertence a uma área um pouco resistente a 
inovações e carente de mão de obra especializada suficiente para levar a cabo 
todas essas mudanças. 
1.2 Benefícios do ecodesenho 
Desenvolvimento de produtos, sistemas, serviços e processos que: 
• Não agridem a saúde ou a beneficiam. 
• Não agridem o meio ambiente e ajudam a melhorar a condição deste. 
• São éticos. 
• Contribuem para o desenvolvimento de um modelo econômico sustentável. 
• Contribuem para a consolidação do econegócio e do mercado verde. 
• São fabricados em escala industrial e podem atender a demandas 
crescentes. 
• Têm custo competitivo. 
• Retiram do meio ambiente resíduos que, de outra forma, comprometeriam 
o uso do solo, o lençol freático, a atmosfera e as condições de saúde das 
comunidades. 
• Atingem a população dos grandes centros urbanos, sem necessidade de 
serem usados apenas em áreas rurais ou com área verde disponível. 
• Permitem inovação nos projetos de arquitetura e maior diversidade de 
materiais. 
• Contam com especificação técnica e são testados de acordo com os 
mesmos parâmetros dos produtos convencionais. 
• Ajudam a economizar no custo final da obra. 
• Contribuem para a educação ambiental dos usuários e vizinhos. 
• Valorizam o patrimônio do proprietário ou acionista. 
TEMA 2 – ECOPRODUTO 
Produto ecológico é todo artigo de origem artesanal ou industrializada, de 
uso pessoal, alimentar, residencial, comercial, agrícola e industrial, que não seja 
poluente nem tóxico, mas seja benéfico ao meio ambiente e à saúde dos seres 
 
 
5 
vivos, contribuindo para o desenvolvimento de um modelo econômico e social 
sustentável. 
O uso de matérias-primas naturais renováveis, obtidas de maneira 
sustentável ou por biotecnologia não transgênica, bem como o reaproveitamento 
e a reciclagem de matérias-primas naturais ou sintéticas por processos 
tecnológicos limpos (sem a emissão de poluentes e sem o uso de insumos 
agressivos, como o cloro), permite classificar um produto como aceitável ou 
recomendável segundo critérios ambientais. 
Podemos classificar os ecoprodutos com relação à origem e à tecnologia 
envolvida: 
• Orgânicos perecíveis (produtos orgânicos e alimentícios em geral, tais 
como hortifrutigranjeiros, laticínios, café, cereais e carne verde). 
• Não perecíveis ou duráveis – aqueles que podem ser adquiridos prontos 
para uso e não são perecíveis ou que, por meio de tratamento adequado, 
têm sua vida útil prolongada, como fibras naturais, madeira e derivados. 
Exemplos: telha ecológica, roupa de algodão orgânico, tijolo de solo-
cimento, miniestação de tratamento de água e esgoto, cosméticos não 
testados em animais etc. 
• Tecnologias ambientais – sistemas ou equipamentos utilizados no 
segmento industrial para obter-se uma produção mais limpa e menos 
invasiva com relação ao meio ambiente. 
• Tecnologias sustentáveis – sistemas ou equipamentos comercializados 
como produtos de consumo direto para indivíduos/comunidades com 
aplicações de uso individual ou unifamiliar ou para utilização em ambientes 
comerciais, como os empregados para tratamento de efluentes domésticos 
(miniestações), equipamentos para geração de energia solar (fotovoltaico), 
aquecedores solares, aerogerados (energia eólica), biodigestores etc. 
• Tecnologias eco-smart – tecnologias ecointeligentes: dispositivos que, 
utilizados no ambiente construído, contribuem para gestão e redução do 
consumo de energia elétrica e água, por exemplo. 
TEMA 3 – ANÁLISE DO CICLO DE VIDA 
A análise do ciclo de vida (ACV)é uma ferramenta amplamente utilizada 
para medir o impacto de determinado material, produto ou processo no meio 
 
 
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ambiente. Com ela, todo o ciclo, desde a origem até o seu completo descarte 
(retorno à natureza), é avaliado. Tal análise permite, tanto ao especificador quanto 
ao usuário, ter informações reais e avaliar o produto em suas diversas etapas, 
assim como obter maior transparência por parte do fabricante ou fornecedor. 
Esse processo é complexo pela grande quantidade de variáveis e agentes 
envolvidos. Muito se tem estudado para chegar a procedimentos-padrões 
mundiais que realmente traduzam a necessidade de todo o mercado e que 
possam ser aplicados em qualquer setor. Com a ACV, é possível quantificar de 
forma objetiva e científica, com resultados comprovados, o impacto causado, 
corrigindo esse fator de desempenho. De posse dessa informação, a indústria 
entra em um processo de seleção, que exige mudanças por parte dos 
responsáveis que querem ser competitivos e entregar um produto correto e 
saudável. Esse conceito é tão importante porque qualifica e quantifica a “obra”, 
independentemente de a qual área pertença, de maneira precisa e sistemática, 
sempre que a análise obedecer às normas de cada país e for acessível. 
3.1 Ciclo de vida de um material 
O ciclo de vida de um material se refere ao período entre origem (extração) 
e “morte” (retorno à natureza ou descarte final). A primeira fase do ciclo de 
utilização de um material implica na sua extração ou na obtenção da matéria de 
origem para sua fabricação, o processo de fabricação e comercialização e o uso 
que é feito dele. A segunda fase acontece depois do seu consumo, na gestão do 
descarte ou da reutilização. Serão avaliadas: 
• As entradas – matérias-primas e energia. 
• As saídas – emissões várias, resíduos, águas residuais e demais possíveis 
subprodutos. 
• E o conjunto dos processos durante sua vida útil – extração, produção, 
distribuição, uso, manutenção e final de vida. 
A forma como ele será reutilizado e a contínua reintrodução em novos 
ciclos ou nele mesmo é um fator importante, pois define o quanto está sendo 
sustentado seu processo de vida. O ciclo dos materiais pode ser aberto ou 
fechado, dependendo dos resíduos que geram e de como eles são reutilizados, 
como matérias-primas ou secundárias, ou se serão devolvidos ao meio sem 
possibilidade de aproveitamento. Quando o resíduo pode ser aproveitado e 
 
 
7 
introduzido em um novo ciclo de utilização – ou novo material –, o ciclo é fechado, 
pois não há desperdício desse material no ambiente e se evita, também, a 
extração de nova matéria-prima. Esse material pode ser reutilizado alterando ou 
não suas propriedades de origem. 
3.2 Normas de avaliação do ciclo de vida 
No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) é a 
responsável pela normativa aplicável, desenvolvida com base na ISO 
(International Organization for Standardization), da qual a série 14000 trata do 
tema da gestão ambiental. Dentro dela, a análise do ciclo de vida está 
especificamente em: 
• ABNT NBR ISO 14040, de 2009 e revisada em 2014, Gestão ambiental – 
Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura. 
• NBR ISO 14044, de 2009 e revisada em 2014, Gestão ambiental – 
Avaliação do ciclo de vida – Requisitos e orientações. 
• ABNT ISO/TS 14071 de 2018 – Gestão ambiental – Avaliação do ciclo 
de vida – Processos de análise crítica e competências do analista: 
requisitos adicionais e diretrizes para a ABNT NBR ISO 14044:2009. “Esta 
Especificação Técnica fornece especificações adicionais para as ABNT 
NBR ISO 14040:2009 e ABNT NBR ISO 14044:2009. Ela fornece requisitos 
e diretrizes para a realização de uma análise crítica de qualquer tipo de 
estudo de ACV e as competências requeridas para a análise crítica” (ABNT, 
2014a). 
3.3 Princípios de uma ACV 
Para a correta gestão de uma ACV, a norma recomenda considerar os 
seguintes princípios: perspectiva do ciclo de vida ou visão global do processo do 
produto, sua extração e aquisição de matérias-primas, manufatura, uso, 
tratamento de fim de vida até a disposição final, para assim poder identificar e 
evitar as cargas ambientais; foco nos aspectos e impactos ambientais, excluindo 
os econômicos e sociais; abordagem estruturada em uma unidade funcional, que 
definirá o objeto de estudo, e interativa – a inter-relação dos resultados de diversas 
fases; transparência e completeza, considerando o ambiente natural, a saúde 
 
 
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humana e os recursos; e; finalmente, a prioridade por decisões científicas e, em 
último caso, uma avaliação embasada em escolha de valores. 
3.4 Metodologia de uma ACV 
A ABNT NBR ISO 14044:2009 detalha os requisitos para a condução de 
uma ACV e determina que esse estudo é composto por quatro fases, conforme 
veremos a seguir. 
3.4.1 Definição de objeto e escopo 
O escopo da análise depende do objeto e do uso pretendido, e o objetivo 
determinará a profundidade e a abrangência que terá. 
É preciso integrar o conceito de fronteira do sistema: “conjunto de critérios 
que especificam quais processos elementares devem fazer parte de um sistema 
de produto” (ABNT, 2014a). Esses critérios são fundamentais para conseguir fazer 
a correta avaliação. Recomenda-se levar em consideração itens como aquisição 
de matérias-primas e insumos, entradas e saídas na cadeia de produção, 
distribuição e transporte, energias utilizadas, água e emissão de poluentes, 
manutenção, resíduos, recuperação de produtos, embalagens, logística, entre 
outros. 
3.4.2 Inventário e análise 
“Trata-se de um inventário dos dados de entrada e saída associados ao 
sistema em estudo” (ABNT, 2014a) e envolve a coleta de dados necessários. 
O ICV é o inventário do ciclo de vida, um estudo reduzido, com apenas uma 
análise de inventário e uma interpretação. Esse tipo de análise pode ser usado 
como parte de outros estudos, segundo a norma: “é uma entre várias técnicas de 
gestão ambiental (por exemplo, avaliação de risco, avaliação de desempenho 
ambiental, auditoria ambiental e avaliação de impacto ambiental) e pode não ser 
a técnica mais apropriada para todas as situações” (ABNT, 2009). 
Os dados levantados na etapa anterior (qualitativos e quantitativos) devem 
ser analisados (análise do inventário) com o máximo de cuidado e transparência 
possíveis, segundo o procedimento recomendado na Figura 1. 
 
 
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Figura 1 – Procedimentos simplificados para análise de inventário da NBR ISO 
14044 
 
Fonte: Sanchez Júnior, 2009. 
3.4.3 Avaliação de impactos 
Na sequência, então, é realizada a avaliação dos possíveis impactos do 
ciclo de vida (AICV), como o que a produção, o consumo e as emissões podem 
provocar sobre o meio ambiente. O objetivo desta fase é “prover informações 
adicionais para ajudar na avaliação dos resultados” (ABNT, 2009) dentro da 
questão ambiental. Então, será feita a revisão dos objetivos e o realinhamento do 
estudo. 
Resumidamente, nesta etapa é importante definir, organizar e classificar as 
categorias de impacto, os indicadores de categoria e os modelos de 
caracterização. 
 
 
 
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3.4.4 Interpretação 
Nesta fase final, é feita a interpretação dos resultados, e as conclusões são 
definidas com as recomendações para a tomada de decisões. Os produtos desta 
fase podem ser em forma de recomendações, manuais, informes etc. 
É importante evidenciar que essas recomendações têm como destino final 
o meio ambiente, e nele os indivíduos. A ACV se faz com o intuito de verificar o 
desempenho de determinado produto ou processo com relação ao meio ambiente, 
cada vez mais com indicadores seguros de ações sustentáveis ou não. 
3.5 Aplicações 
As aplicações são muitas, pois dependem também da característica do 
produto ou sistema que está sendo avaliado, e estão principalmente relacionadas 
à gestão e à melhoria meio ambiental. Das aplicações citadas na norma, temos: 
• Desenvolvimentoe aperfeiçoamento de produtos. 
• Planejamento estratégico. 
• Elaboração de políticas públicas. 
• Marketing. 
• Sistemas de gestão ambiental e avaliação de desempenho ambiental, 
informação e comunicação ambiental. 
• Avaliações de riscos. 
É uma grande oportunidade de estarmos em um processo de adaptação 
constante ao meio, melhorando as capacidades e qualidades dos produtos. Em 
conjunto com outras ferramentas, como os estudos de impacto ou as certificações, 
e com políticas públicas alinhadas à sustentabilidade, pode-se alavancar uma 
mudança significativa no mercado. 
Outro resultado é a minimização do chamado greenwashing, uma forma de 
propaganda enganosa, à qual estamos submetidos continuamente, seja por 
omissão de dados ou por enaltecimento de outros, sendo necessária a 
responsabilidade em toda a cadeia de vida do produto. 
TEMA 4 – ANÁLISE DE CRITÉRIOS DE SUSTENTABILIDADE 
Com base em um levantamento como da classificação anterior ou de outros 
critérios de sustentabilidade (por exemplo, os que vimos no tema ACV), podemos 
 
 
11 
classificar os produtos de acordo com seu grau de sustentabilidade como mais ou 
menos sustentáveis. É sempre importante analisar o conjunto desses critérios e 
avaliar o contexto, pois muitas vezes, embora um material não seja ecológico, 
pode ser um recurso sustentável para determinado caso. 
Relembrando alguns critérios: 
• Ser renovável ou não esgotar os recursos naturais. 
• Ser benéfico à saúde dos seres vivos e do ecossistema. 
• Não contaminar o ar, a água ou a terra no processo produtivo e no pós-uso. 
• Não gerar resíduos na produção ou no uso. 
• Ser de matéria-prima natural, biodegradável, reciclada ou reciclável. 
• Conter insumos que contribuam para um elevado desempenho ambiental 
do produto. 
• Contribuir para a promoção de uma cultura da sustentabilidade. 
• Não consumir grandes quantidades de energia para sua produção e/ou 
funcionamento ou utilizar fontes de energia renovável. 
• Conter especificação técnica com diferencial ambiental e desempenho 
ambiental. 
• Conter a menor quantidade possível de embalagens, de preferência 
recicladas e biodegradáveis. Em último caso, recicláveis. 
• Ser não poluente, não tóxico, benéfico ao meio ambiente e à saúde 
humana, animal e vegetal, contribuindo para o desenvolvimento de um 
modelo econômico e social sustentável. 
4.1 Quanto ao impacto ambiental 
Marcio Araújo, em um artigo sobre materiais, fala a respeito da 
classificação do material segundo seu impacto ambiental em seu ciclo de vida: 
Assim sendo, materiais de origem renovável são sempre mais 
ecológicos que aqueles de origem sintética, mesmo quando estes são 
reciclados. Ainda nesta escala descendente, há produtos que, sem ser 
ecológicos, por serem menos impactantes em relação ao meio ambiente 
que seus similares convencionais, são considerados de baixo impacto 
ambiental, uma vez que em seu ciclo de vida geram menos poluentes e 
desperdício e também porque são a opção menos pior disponível no 
mercado. 
São considerados produtos de baixo impacto ambiental aqueles que: 
• Requerem matérias-primas ou insumos não renováveis em sua 
composição, mas que ainda assim trazem algum benefício quanto a 
preservação do meio ambiente ou de algum recurso finito (água e 
energia); 
 
 
12 
• Apresentam baixa emissividade de COVs 
• Não possuem similar ecológico no mercado, sendo, portanto, a única 
ou a opção menos agressiva ao meio ambiente e à saúde humana. 
Como exemplo: 
• Tintas ou vernizes à base d'água ou produtos base d'água em geral 
(colas e resinas). Estas tintas, normalmente, têm baixo nível de 
emissão de compostos orgânicos voláteis (C.O.V./ V.O.C.). 
• Lâmpadas fluorescentes compactas - contêm mercúrio, mas 
reduzem sensivelmente gastos com energia. 
• Telhas de fibra celulósica com manta asfáltica - são consideradas de 
baixo impacto ambiental, pois, embora o produto de origem 
petroquímica não seja renovável ou biodegradável, seu uso contribui 
para a retirada de resíduos (celulose) do meio ambiente. 
4.2 Quanto ao uso de matérias-primas 
A matéria-prima de um produto vai determinar em grande parte sua 
sustentabilidade, pois relaciona fonte (renovável ou não), extração (dependência 
energética), necessidade de processos industriais e, também, características 
relacionadas ao uso, como a não existência de elementos tóxicos em seus 
componentes. 
Produtos originados de matéria-prima natural renovável (origem vegetal), 
obtida de maneira sustentável, com baixo dispêndio energético, são 
extremamente sustentáveis. São produtos que podem ser utilizados no natural, 
como a madeira, as pedras, as fibras vegetais (fibra de coco, bananeira, dendê 
etc.) e o algodão, sempre que a origem seja controlada. Podem passar por um 
processo de fabricação ou beneficiamento, como resinas e colas vegetais, tintas 
de origem vegetal ou mineral-vegetal, derivados da madeira etc. 
Os metais são de origem natural, mas suas características de extração e 
consumo energético fazem com que não sejam considerados ecológicos. 
Entretanto, a indústria metaleira defende a sua reciclabilidade e outras prestações 
que otimizam o processo da construção. 
4.3 Quanto à reutilização e à reciclabilidade 
Alguns materiais podem ser reutilizados com o mesmo uso inicial ou de 
uma nova maneira, sem haver um processo industrial, a depender de suas 
características de durabilidade, das condições de uso e também das prestações 
a que ser chegar no novo uso. Na construção civil, temos um grande setor, que é 
o uso de materiais de demolição, em que materiais são reutilizados após 
manutenção ou adequação simples. Podem ser portas, luminárias, dormentes, 
instalações etc. 
 
 
13 
Outros materiais permitem a reciclabilidade, ou seja, o aproveitamento de 
seus resíduos na transformação de outro material. A reciclagem pode ser pré-
consumo, com aproveitamento dos resíduos do próprio processo de fabricação, 
antes de chegar ao consumidor; ou pós-consumo, com todo o processo de 
reciclagem, desde a separação até o novo processo de fabricação. No primeiro 
caso, temos como exemplos a indústria de plásticos, vidros ou papéis. O 
aproveitamento dos resíduos se faz antes de que se tenha mistura ou 
contaminação decorrente do uso, e sua principal vantagem é a eliminação de 
resíduos na fase de produção. A importância da reciclagem pós-consumo é o 
aproveitamento de todo tipo de material descartado pelo consumidor e que terá 
um novo ciclo de vida, sem ser devolvido ao meio ambiente. Nesse caso, temos 
todos os envases de plástico, papel, metal etc. dos produtos que consumimos e 
também partes de equipamentos e utensílios que já não têm uso. Exemplos 
conhecidos deste tipo são as telhas feitas com embalagens de leite ou de pasta 
dental, as inúmeras adaptações do PET (isolantes, embalagens, roupas etc.) e o 
reaproveitamento do alumínio (latas), o que gera economia energética no seu 
novo ciclo. 
4.4 Quanto ao consumo de energia 
Este é um critério fundamental, visto que a eficiência energética é objetivo 
prioritário de sustentabilidade. O consumo de energia acontece em todo o CV, 
desde extração, transporte, fabricação, instalação etc. Os materiais naturais e 
menos processados têm sua energia de produção associada a uma fonte natural 
e renovável, o sol, enquanto outros produtos, como os metais ou as cerâmicas, 
necessitam de grandes gastos energéticos em sua fabricação, portanto possuem 
grande energia embutida. Então, os esforços poderiam ser a transição desta 
demanda energética para o uso de fontes 100% renováveis. 
TEMA 5 – ALTERNATIVAS NA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL 
Vamos refletir sobre alternativas construtivas que podem ser muito 
interessantes no caminho de inovação e sustentabilidade. Esta reflexão é 
necessária porque estamos no paradigma do impacto da construção civil há 
décadas e pouco muda, e essa responsabilidade só vai deixar de existir quandoformos capazes de criar um novo conceito de construir. Sem perder de vista a 
 
 
14 
visão da construção amiga do meio ambiente e responsável socialmente, a 
construção seca e a construção modular podem trazer grandes vantagens e 
mudanças ao setor. Já comentamos esses dois sistemas na aula sobre 
bioconstrução, e aqui se reforça a necessidade de adaptá-los de modo a utilizar 
materiais sustentáveis, mas, ainda assim, parecem soluções bem acessíveis se 
desenvolvidas com consciência ambiental. O desafio é aliar este pensamento de 
futuro e tecnologia com o princípio eco lógico. Precisamos de mais Investimento 
em pesquisa, educação e qualificação de profissionais. 
5.1 Construção modular 
Falamos rapidamente sobre ela anteriormente. É interessante pensar na 
construção modular como um avanço dentro da construção civil, já que esse 
sistema pode proporcionar maior efetividade em uma obra, uma vez que minimiza 
os resíduos, agiliza o tempo de obra, mas necessita de um maior planejamento 
inicial para não acontecerem surpresas ao longo do caminho. Como já alertamos, 
é necessário avaliar quais materiais serão utilizados, de onde vêm, qual é a 
empresa fornecedora, se há compatibilidade com o projeto etc. para saber se é 
uma opção minimamente sustentável, mas é uma opção que está crescendo no 
mercado e vale a pena ser considerada. O que antes era utilizado somente para 
galpões, fábricas ou indústrias, hoje se converteu em usos bem mais abrangentes. 
A estrutura dos módulos normalmente é metálica, portanto, já carrega um 
impacto importante. Ao mesmo tempo, seu material concede dimensões maiores, 
flexibilidade em vãos e praticidade na montagem das peças. Acabamentos, 
encaixes e materiais podem variar. 
Além da rapidez, “é possível construir um prédio de 2000m2 em apenas 90 
dias. Outras obras menores, de 60m2 são inauguradas em apenas 20 dias” 
(Degani, 2019). Além da facilidade no processo, a grande vantagem está na 
eliminação de resíduos, tanto em obra, quando as perdas são mínimas, como nos 
materiais, uma vez que o processo de fabricação pode contemplar o reuso. Os 
módulos podem ser reaproveitados no “desmanche” do edifício. A indústria desse 
setor defende que o desperdício em materiais é cinco vezes menor que o de uma 
construção convencional. 
 
 
 
 
15 
5.2 Wood framming e a construção com madeira 
Já comentado anteriormente, o uso da madeira como técnica construtiva 
parece ganhar força novamente. Na verdade, em países do norte da Europa e nos 
EUA, é uma técnica bastante utilizada. A madeira como fonte renovável, 
certificada, é uma opção bastante realista para o Brasil, não só por suas 
qualidades físicas, mas por sua versatilidade e beleza. Em sistemas como o 
woodframe, representam alternativas bem reais. 
5.3 Uso de “velhos” materiais com um novo olhar 
O uso de materiais naturais ou lowtech foi muito associado a limitações 
econômicas e a status social, mas isso foi modificado significativamente, porque 
o lowtech pode ser uma opção por muitas razões. Materiais como o bambu, a 
terra, o algodão e a vegetação em geral estão sendo revisitados de uma maneira 
contemporânea com muita eficiência. 
5.4 Inovação na indústria dos plásticos 
Existem materiais, como plásticos, vidros, metais e concreto, nos quais a 
substituição por materiais ecológicos é difícil. Mesmo assim, a indústria está 
buscando uma compensação sustentável para equilibrar seus impactos e 
conseguir maiores prestações ambientais. Sabemos do grande impacto que os 
plásticos produzem tanto em seu ciclo de produção como no seu uso ou descarte, 
mas eles estão em toda parte em um edifício, e precisamos de soluções 
sustentáveis. Apesar da grande vantagem da tecnologia que vem transformando 
e inovando na indústria, convém analisar os componentes químicos que são 
agregados ou que persistem em processos de reciclagem para saber seu impacto 
quanto a toxicidade e contaminação do meio. Por isso, é preciso pesquisar e exigir 
sempre a ACV. Vejamos algumas inovações: 
Plástico com ciclo de vida útil controlado d2w 
Consiste em um aditivo de tecnologia inglesa, que é misturado ao 
plástico em seu processo de fabricação. Dessa forma, a degradação da 
embalagem é acelerada. Por ser aprovado pela ANVISA, pode ser usado 
em embalagens para alimentos, medicamentos e cosméticos. 
Hidro-Biodegradável 
É fabricado normalmente a partir do amido e sua degradação inicial 
acontece por hidrólise, ou seja, quebra de uma molécula através da 
água. Não é indicado para embalar alimentos. 
Hidrossolúvel 
 
 
16 
É dissolvido inteiramente, apenas ao entrar em contato com a água. 
Apesar de não ser tóxico, é destinado à embalagem de produtos 
químicos. 
Plástico Antimicrobiano d2p 
Possui elementos químicos adicionados ao plástico comum, que 
permitem a proteção de alimentos contra bactérias e fungos. 
Sacos de lixo biodegradáveis e antimicrobiano 
Possui degradação acelerada, pelo fato de ser produzido com as 
características da tecnologia d2w, além disso, ele é antimicrobiano. 
Bioplásticos 
Assim chamados porque são feitos de plantas como a batata, a cana de 
açucar ou o milho. Que além de ser biodegradável, utiliza matéria prima 
natural e renovável. (Rosa, 2020) 
Terminamos com a revolução que o pensamento 4.0 pode representar na 
indústria e na construção civil. Já estamos diante desse acontecimento, 
conectados à informatização e à inteligência artificial. Esse movimento impacta de 
maneira efetiva os procedimentos e, consequentemente, os resultados, pois 
contribui com novas tecnologias e sistemas cibernéticos, rapidez, maior 
produtividade, economia de recursos etc. Temos o BIM (Building Information 
Modeling, ou modelagem da informação da construção), o geoprocessamento, as 
impressões 3D, os chips de inteligência e muito mais. Saibamos conectar aos 
princípios ecológicos que vimos no início da disciplina essa nova visão, que pode 
transformar tecnologicamente e ao mesmo tempo alinhar-se à mentalidade verde 
de desenvolvimento. 
 
 
REFERÊNCIAS 
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14040: 
Gestão ambiental: avaliação do ciclo de vida: princípios e estrutura. Rio de 
Janeiro, 2009. 
_____. NBR ISO 14044: Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida – 
Requisitos e orientações. Rio de Janeiro, 2014a. 
_____. ABNT ISO/TS 14071: Gestão ambiental – avaliação do ciclo de vida – 
processos de análise crítica e competências do analista: requisitos adicionais e 
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_____. NBR ISO 14006: Sistemas da gestão ambiental – Diretrizes para 
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https://www.sienge.com.br/blog/construcao-modular/
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