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AULA 1 
TECNOLOGIAS, SISTEMAS E 
MATERIAIS ECOEFICIENTES 
Profª Marcia Luiza de Carvalho Klingelfus 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
A sustentabilidade é uma relação entre sistemas dinâmicos humanos de 
tipo econômico e sistemas dinâmicos ecológicos maiores e normalmente 
de mudança mais lenta, uma relação que a vida humana pode continuar 
indefinidamente, os indivíduos podem florescer, e as diferentes culturas 
podem desenvolver-se; mas também é uma relação na que os efeitos 
das ações humanas seguem estando dentro de certos limites para não 
destruir a saúde e a integridade dos sistemas auto organizativos que 
proporcionam o contexto ambiental para estas atividades. (Norton, 1992, 
p. 25) 
Se nos encontramos aqui é porque nossas aspirações com respeito a uma 
melhora contínua e mais consciente de nosso trabalho e a necessidade de 
descobrir novas formas de entender a vida já não se satisfazem com certas 
afirmações sobre o desenvolvimento, buscando manter nossos padrões atuais de 
necessidades evitando que as futuras gerações sejam comprometidas. Porque 
entendemos que nosso processo de desenvolvimento está em constante 
crescimento, alimentado por uma demanda sempre maior de pessoas, de matéria-
prima, de necessidades, de inovações e tecnologias, de mercado e riquezas, em 
um circuito sem horizonte, sempre com maiores limitações de tempo, economia e 
recursos. 
Buscamos um fazer, talvez, como o que Norton (1992, p. 25) descreve 
acima, em que as relações possam seguir indefinidamente, permitindo um 
florescer humano em um contexto auto-organizado. A fórmula para conseguir tal 
sistema que se alimenta e protege e persiste ainda se está desenhando, mas o 
conhecimento das diversas causas e das implicações das nossas decisões faz 
parte de um conjunto comum de obrigações sobre as quais nós, profissionais, já 
não podemos alegar ignorância. 
Na relação entre sistemas dinâmicos como os humanos e os ecológicos, 
existem ritmos diferentes, e a saúde entre eles depende de uma boa relação, o 
que está sob nossa responsabilidade. Tanto o domínio da técnica quanto a 
percepção antropológica ou da história de nossas construções e seus contextos 
nos trouxeram um importante acervo de saberes cultural-construtivos e nos 
colocam em um papel de cocriadores de um novo olhar e conceber a arquitetura 
e a construção. É preciso construir alternativas coerentes com o que sonhamos, 
com o que precisamos e com o que podemos fazer de nossos espaços 
construídos, sempre conscientes sobre o passado, atuantes no presente e 
comprometidos com o futuro. 
 
 
3 
Nesta disciplina, veremos alguns dos processos e ferramentas que podem 
ajudar em nossas decisões projetuais e construtivas no âmbito das tecnologias, 
sistemas e materiais, alinhados com a proposta de equilíbrio e respeito ao meio 
ambiente, bem como com a eficiência do edifício em seus términos de conforto e 
prestação, e à saúde do espaço como um todo. 
Nesta aula, veremos alguns princípios de desenho com base em uma visão 
ecológica e da Teoria Geral de Sistemas e conheceremos o processo de desenho 
da Biomímesis, estabelecendo relação com a construção. 
Futuramente, traremos os conceitos da Arquitetura Bioclimática como 
metodologia inicial de projeto, tentando mostrar a importância da relação com o 
entorno. A bioconstrução e a bioarquitetura serão apresentadas posteriormente, 
como um enfoque integral de construir, trazendo o conceito de salutabilidade. Nas 
outras aulas, a temática será sobre a norma brasileira de desempenho e outras 
ferramentas de desenho, e, ainda, veremos materiais e sistemas construtivos, 
fechando nossos estudos sobre tecnologias e perspectivas de futuro. 
TEMA 1 – O DESENHO ECOLÓGICO E A SUSTENTABILIDADE 
Se queremos desenhar de maneira coerente com o meio ambiente e obter 
benefício próprio como saúde, eficiência e fonte infinita de recursos, é necessário, 
como mínimo, que nos situemos e passemos a considerar alguns aspectos sobre 
essa natureza, pois, como o nome propõe, a ecologia trata de estudar as 
interações entre os seres vivos – que são muitos - e o meio ambiente onde vivem. 
O mesmo fazemos quando projetamos espaços específicos (um hospital, por 
exemplo), pesquisamos esses espaços e suas necessidades para dar resposta 
da melhor forma possível, criando um ambiente funcional, agradável e viável. 
Não nos tornamos especialistas em saúde, mas aprendemos o que é 
necessário para projetar com sabedoria porque nesse espaço existem ciclos de 
funcionamento, que envolvem a ideia de manter um equilíbrio interno e uma 
demanda constante sem que seus fluxos se contradigam e a obra acabe em 
fracasso por mau desempenho de suas funções. É o mesmo quando tratamos de 
desenhar com ecoeficiência, que significa projetar com a natureza, não só 
utilizando de seus benefícios, mas também cooperando em sua vitalidade e 
favorecendo sua regeneração, para que juntos mantenhamos ciclos de 
crescimento ou riqueza. 
 
 
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Portanto, quando começamos um projeto, nada mais natural que estudar 
seu entorno e sua finalidade, para, dentro das circunstâncias reais, propor o que 
resultará mais conveniente levando em consideração sempre as necessidades do 
usuário. Só que, nesta disciplina, veremos que a satisfação do usuário está 
conectada de forma bilateral com toda a biosfera em que se insere. 
Dentro dessa proposta, é possível garantir um espaço com prestações não 
só funcionais ou estéticas, mas também ecoeficientes, bem como o respeito a 
uma nova e mais abrangente maneira de ver a sustentabilidade. 
Seguramente todos já devem ter refletido e se perguntaram: o que é 
ecoeficiência? Deixamos aqui a reflexão para que, logo mais, avançando nesta 
disciplina, possamos construir um debate com propriedade. 
Em uma síntese do pensamento ecológico, citaremos Commoner (1973), 
um pioneiro ecologista que, já em 1971, descrevia alguns dos paradigmas atuais 
sobre o estado de nossa relação com a natureza. Em seu livro O círculo que se 
fecha, expõe quatro princípios sobre a ecologia, em que, além de fazer ver a 
complexidade de nossos sistemas vivos, também chama a atenção sobre ciclos e 
a inteligência dos sistemas complexos naturais: 
1. Todas as coisas estão relacionadas com as demais. 
A biosfera é uma rede complexa, em que cada uma das partes que a 
compõem está ligada às outras por uma densa malha de inter-relações. 
2. Todas as coisas vão para algum lugar. 
Todo o ecossistema pode ser pensado como a superposição de dois ciclos: 
o da matéria e o da energia. O primeiro é mais ou menos fechado; o 
segundo tem características diferentes porque a energia se perde e não é 
recuperável. 
3. A natureza é sábia. 
Sua configuração atual reflete cerca de 5 mil milhões de anos de evolução 
por tentativa e erro: é por isso que os seres vivos e a composição química 
da biosfera refletem restrições que limitam severamente sua faixa de 
variação. 
4. Nada é de graça. 
Não há ganho que não custou algo; para viver você tem que pagar o preço. 
Podemos então fazer uma aproximação com a arquitetura para construir e 
entender nossas intervenções dentro de um processo vivo para desenvolver 
sistemas em equilíbrio com a natureza. 
 
 
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TEMA 2 – TEORIA DE SISTEMAS 
A abordagem sistêmica vem sendo explorada já desde os anos 50 em 
áreas tão diferentes como a indústria ou a empresa, a militar ou a administração. 
Com o incremento da demanda no mercado e na economia, a necessidade de 
solucionar problemas inéditos e definir estratégias mais eficientes vem crescendo 
como ciência e aplicabilidade. Presenciamos uma retomada de sua importância 
como forma de percepção e organização dos fenômenos cada vez mais 
complexos ante o estado crítico meio ambiental em que nos encontramos e com 
um retorno ao pensamento orgânico. 
No dia a dia de nossa formação e trabalho, comprovamos como um espaço 
construído é muito mais que suas partes ou elementos pensadosseparadamente 
e como um edifício ganha caracteristicas próprias na medida em que seu uso 
acontece, juntamente com seu entorno e seus usuários. Por meio desse conjunto, 
ampliados na percepção do sutil, e nesta simbiose, adquire não a forma que 
idealizamos, mas a forma que realmente é. 
A Teoria Geral de Sistemas (TGS), cujo primeiro modelo é atribuído a 
Ludwig Von Bertalanffy (1977), emerge na medida em que pretendemos lidar com 
a complexidade dos sistemas, e descobrimos que, ao interagirem, resultam em 
processos dinâmicos. Ao levar isso em consideração para o projeto de nossos 
espaços, podemos dizer que um determinado material, por exemplo, ao ser 
aplicado com um objetivo, forma um sistema que, por sua vez, só resultará 
otimizado quando outros sistemas desse espaço o complementem como um 
mecanismo com função e resultado. Estudando essas relações, verificamos por 
meio da TGS que existe uma estrutura organizativa para que isso aconteça, com 
níveis de resposta, variação e adaptação, conservação de identidade, autonomia, 
interação entre elementos, regras de organização e crescimentos, condições de 
conservação, de estados futuros e de sua provável desorganização e destruição. 
Dois conceitos importantes da TGS são sistema e ambiente. 
Um sistema é um conjunto de partes, componentes e atributos definidos 
em um limite ou fronteira. Esses sistemas estão em constante evolução. 
O ambiente é a área de acontecimentos que influenciam seu 
comportamento. Nas relações sistema e ambiente temos o input (entrada) e 
output (saída) de recursos – energia, matéria, informação – que são necessários 
para dar início ao ciclo de atividades do sistema. Um sistema é aberto quando 
 
 
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importa e processa esses recursos do seu ambiente e essa é uma característica 
própria dos sistemas vivos. Está mantendo intercâmbios permanentes com seu 
ambiente para criar o equilíbrio de suas funções. Essa troca são os fluxos 
energéticos, materiais ou informativos. Mediante esses mecanismos de 
retroalimentação, os sistemas regulam seus comportamentos de acordo aos 
efeitos reais. Esse aprendizado ou autorregulação dos dispositivos internos que 
reagem ante informações de mudanças no ambiente objetiva uma melhor 
resposta a determinada situação. Quando existe uma programação para que, com 
esses intercâmbios e novas informações, seja possível continuar desenvolvendo 
e crescendo, incluindo modificar os paradigmas iniciais, existe o pensamento 
complexo. 
2.1 Sistemas auto-organizados 
Para entender o fenômeno da auto-organização, devemos compreender 
primeiro a importância do padrão (qualidade) e da estrutura (quantidade) onde 
acontece. A ideia de um padrão de organização – uma configuração de relações 
características de um determinado sistema – é determinante na compreensão da 
vida, porque é nele que as propriedades sistêmicas se caracterizam e se 
perpetuam. Se a interferência no padrão acontece de modo definitivo, o organismo 
vivo pode morrer. 
James Lovelock (2006) propôs em 1979 a ideia de que o planeta Terra, 
como um todo, é um sistema auto-organizador vivo e, portanto, pode persistir 
mesmo com todas as adversidades. Segundo a Teoria de Gaia (Lovelock, 2006) 
é a vida que cria as condições necessárias para sua própria permanência. A Terra, 
com sua estrutura e forma, faz parte do ciclo contínuo da vida, que a modifica, 
fazendo com que se adapte às constantes interações desse próprio processo. 
2.2 Autopoiesis: o padrão da vida 
Maturana e Varela (1996) dizem que a característica fundamental de uma 
rede viva é que está se alimentando continuamente. E esse é seu modo específico 
de organização. A autopoiesis é um padrão de rede em que a função de cada 
componente é participar na produção e transformação de outros componentes da 
rede, de tal modo que se está construindo continuamente. É produzida por seus 
componentes e ao mesmo tempo os produz. Trata-se de é um sistema 
 
 
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sustentável, inteligente e perfeito porque, ao mesmo tempo que tem essa 
capacidade de autogestionar-se, de produzir seus componentes, é também capaz 
de alimentar-se de informação e energia externa. Seu comportamento, porém, 
não é imposto desde fora, mas sim estabelecido com base no próprio sistema. 
Nesses sistemas existe um constante intercâmbio de matéria e energia. Pelas 
interações com o meio, os organismos vivos se mantêm e se renovam 
continuamente, utilizando recursos do meio, incluindo a habilidade para formar 
novas estruturas e padrões de comportamento. Com essa inteligência, 
percebemos um processo autônomo, auto-organizado, que troca informação e 
outros recursos com o exterior, mas aprende desse processo também, gerando 
evolução e eficiência. Não parece perfeito para nossos sistemas construtivos? 
2.3 Propriedades emergentes 
Uma característica muito interessante dos sistemas complexos é que estes 
envolvem as situações que nascem com base na relação dos próprios 
componentes do sistema e não estão especificamente em nenhum deles. Surgem 
no decorrer do processo e no próprio desenvolvimento ou amadurecimento dessa 
interação. Em nossos espaços construídos ou em nossas cidades, mesmo em 
nossas relações, podemos ver como acontecem as propriedades dinâmicas 
resultantes de nossas interações culturais e sociais, ou das interações dos 
sistemas que projetamos com os usuários. A partir daqui, é como nos 
relacionamos com essas propriedades, com resiliência, aprendendo e 
melhorando, ou tentando manter um processo que está em autofagismo. 
TEMA 3 – BIOMÍMESIS 
O desenho biomimético (ou a biomímesis) propõe a observação da 
natureza no processo de criar soluções inovadoras, desenhando tecnologias 
sustentáveis adaptadas às nossas necessidades e sendo aplicado a qualquer 
área do conhecimento. Nos sistemas naturais existe uma ordem e um equilíbrio, 
que, mesmo não constantes em função dos diversos fatores que intervêm – 
entrada de informação e retroalimentação –, se mantêm em uma ordem contínua 
dentro de limites e interdependências lógicas. Por meio dessa observação, 
identificamos padrões que nos ajudam em nossas decisões no caminho do 
ecologicamente correto, hoje pautadas por uma série de fatores limitantes como 
 
 
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o uso irracional da água, a indisponibilidade de recursos naturais, a dependência 
de modelos energéticos contaminantes, a geração contínua de resíduos sem 
destinação correta etc. 
3.1 Abordagens na arquitetura 
Na arquitetura e ao longo de sua história, tivemos muitos exemplos do 
construir com diferentes abordagens sobre a natureza: 
• A arquitetura vernácula utiliza os materiais locais disponíveis e a 
observação de seu entorno próximo, transformando esse saber em 
tecnologia apropriada. Exemplos dessa arquitetura podem ser as yurtas na 
Mongólia ou as casas flutuantes no Peru; 
• A arquitetura orgânica incorpora a forma natural, trazendo as curvas, as 
proporções e elementos da natureza em seus componentes para uma 
proximidade com a natureza. Exemplos dessa arquitetura encontramos nas 
obras de Rudolf Steiner ou Antoni Gaudí; 
• A biônica e a biomímesis muitas vezes se confundem, pois ambas 
procuram copiar modelos naturais para resolver problemas de ordem 
prática. Entretanto, na minha visão, a biônica está mais próxima da simples 
transferência de modelos, e a biomímesis trabalha com base na 
observação para integrar o objeto ou produto com um objetivo mais 
sustentável. Como exemplo, aplica soluções construtivas imitando o 
funcionamento de esqueletos animais em suas estruturas ou sistemas de 
captação e conservação do calor. Exemplos dessa arquitetura são as obras 
de Santiago Calatrava, como a Cidade das Artes e Ciências em Valência; 
• A biofilia, cujo objetivo é recuperar a sensação de bem-estar da relação 
humano – é a natureza recriando o elemento natural no espaço, como a 
vegetação ou a presença da água. Muito na moda agora, encontramos 
exemplos nos murosajardinados, jardins internos ou paredes de água 
corrente; 
• A bioarquitetura e a bioconstrução propõem uma visão integrada entre 
o meio ambiente e as necessidades do ser humano para criar espaços de 
menor impacto ambiental e mais saudáveis. Exemplos de bioarquitetura 
vão desde pequenas casas feitas com adobe, passando pelas modernas 
 
 
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construções em bambu na Colômbia ou México, e principalmente nas 
construções mais autônomas e de baixo impacto ambiental. 
Todas essas áreas de conhecimento convergem para uma mesma 
necessidade: um modo consciente de fazer e viver dando resposta às nossas 
necessidades e respeitando nossa relação intrínseca com o meio natural que 
fazemos parte. 
A biomímesis contempla também esses aspectos, estudando a fundo como 
acontecem as interações em nível biológico (estruturas, padrões, processos, 
relações etc.) dos seres vivos, propondo uma conexão continuada com a 
natureza, ou seja, uma maneira integral de inspirar-se na natureza, para então, 
no campo da arquitetura por exemplo, projetar e desenvolver soluções com base 
nessa interação, e obter materiais, sistemas, espaços e edifícios mais eficientes, 
resistentes e de baixo impacto, mas sempre com muito respeito. O que vem 
acontecendo de maneira geral tanto na indústria quanto na arquitetura é um 
estudo baseado nessa natureza, mas de maneira não tão direta nos princípios 
sistêmicos. São exemplos os estudos baseados nas teias de aranha construídas 
para reproduzir sua incrível resistência, a organização das colmeias, o conforto 
térmico nos ninhos de barro ou nos cupinzeiros, ou ainda a aerodinâmica dos 
pássaros. São infinitas as possibilidades, pois todo nosso entorno natural está o 
tempo todo funcionando e se transformando para aprender e superar os desafios 
que lhe são impostos. E esse aprendizado com a possibilidade de não perder suas 
características de identidades e seguir é o que chamamos de resiliência. Em todos 
os âmbitos, desde a produção de materiais, na medicina, na comunicação e 
especificamente na construção, cada vez somos mais observadores dos 
exemplos que a natureza oferece com tanta perfeição. 
Janine M. Benyus (2012), que certamente foi quem mais popularizou e 
ampliou o conceito, não deixa dúvidas: 
A biomímesis marca o começo de uma era baseada não no que 
podemos extrair da natureza, mas no que podemos aprender de ela”, 
complementando: “mudar a forma de aprender sobre a natureza para 
aprender da natureza requer um novo método de investigação, um novo 
par de lentes e, sobre tudo, uma nova humildade (Benyus, [S.d.]) 
A capacidade de ver a natureza como ela realmente funciona implica uma 
visão esclarecedora sobre como fazemos parte desse funcionamento e sobre as 
coisas que fazemos e como replicam no meio. Com essa consciência e humildade 
ante um sistema tão bem organizado, já aprendemos que a observação dessa 
 
 
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natureza procurando inspiração para resolver nossos “problemas” é sabedoria. 
Mas só na medida em que esse processo signifique troca e equilíbrio, não 
exploração. Não podemos nos esquecer de onde vem essa informação, muito 
menos das consequências que produz. Neste momento estamos falando de 
sustentabilidade, não só física, mas ética e moral. 
A biomímesis aborda essa troca desde uma perspectiva de conexão com a 
natureza e de aprendizagem com esse meio natural que existe há milhões de 
anos, aperfeiçoando-se constantemente, explorando oportunidades no seu 
próprio habitat, respeitando os limites, utilizando matérias primas locais e 
transformando-as em combustível para sistemas que dão continuidade a essa 
vida, quase sempre com a energia solar, as propriedades da água ou as 
qualidades do ar, e, além disso, são capazes de melhorar e regenerar a si 
mesmos. Não é isso o que queremos para nosso mundo humano? 
TEMA 4 – METODOLOGIA BIOMIMÉTICA 
O desenho biomimético contempla um processo de criação de quatro 
etapas: 
1. A primeira será estabelecer o que queremos, o objetivo projetual. Quanto 
mais claro, melhor, de maneira que devemos estudar o contexto em que 
vamos trabalhar para então definir quais as características – funções que 
deve ter nosso produto final; 
2. Uma vez definidas essas funções, perguntamos de qual maneira a natureza 
responderia a essa situação para chegar a esse resultado. Se o objetivo for 
geral, deverá ser dividido em partes ou funções para conseguir simplificar 
o processo e fazer as perguntas corretas. Para auxílio na definição de 
funções e redação das perguntas corretas, existe uma planilha chamada 
taxonomia biomimética, que organiza a biologia em funções; 
3. Definidas funções e perguntas, o passo seguinte é observar a natureza. 
Da observação vem o imitar. Mas para entender realmente o processo 
talvez seja necessário alguma informação mais científica ou especializada 
– bibliografia ou especialistas; 
4. A partir daqui, o processo de desenho acontece com criatividade e 
conhecimento. Como num projeto de arquitetura, ele pode mudar quantas 
vezes seja necessário até a definição final. São realizados protótipos, 
maquetes e simulações, para então poder avaliar resultados e seguir 
 
 
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desenvolvendo e aprimorando o invento. Várias soluções podem fazer 
parte do desenho. Em verdade, o processo é similar a qualquer 
desenvolvimento de projeto, mas o ponto de partida é que esse projeto terá 
um resultado com base em uma ação concreta da natureza, que responde 
a uma determinada função que desejamos materializar em nosso trabalho. 
A ideia é sempre seguir os princípios de observar, imitar, aprender e 
replicar as formas e os processos da natureza, entendendo todo o processo de 
vida e aprendendo de suas propriedades emergentes. 
Figura 1 – Metodologia biomimética 
 
Fonte: DesignLens..., 2016. 
TEMA 5 – EXEMPLOS DE DESENHO BIOMIMÉTICO 
Para fechar esta aula, veremos alguns exemplos do desenho e aplicação 
biomimética nas variadas áreas para nos inspirar! Você pode conhecer muitos 
outros nos sites indicados durante a aula e aprofundar seu conhecimento com o 
Biomimicry Institute e a ferramenta Ask Nature. 
 
 
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1. Roupas de natação ou tintas para barcos ou carros inspirados na pele dos 
tubarões que possuem dentículos que facilitam seu movimento com menor 
força; 
2. Hélices de geradores eólicos ou de aviões inspirados nas nadadeiras das 
baleias jubarte, pela sua aerodinâmica que permite fazer curvas em alta 
velocidade; 
3. O velcro foi inventado em 1948 por Georges de Mestral e é um dos mais 
famosos inventos desenvolvidos e extraídos de um elemento natural: a 
bardana. Consiste em duas faixas de tecido, uma com ganchos e outra 
com argolas, que se engancham e produzem um fechamento e se soltam 
facilmente. 
Figura 2 – Bardana (Arctium lappa) 
 
Crédito: KajzrPhotography/Shutterstock. 
Figura 3 – Velcro 
 
Crédito: Daniel Brasil/Shutterstock. 
 
 
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4. Carro biomimético da Mercedez Benz. 
O projeto deste carro se inspira no Peixe-Cofre (Ostraction Meleagris). 
Devido ao seu corpo em forma de cubo, este peixe apresenta uma 
aerodinâmica extraordinária. Ele é também um exemplo único de 
combinação de rigidez e leveza. Sua pele consiste de várias placas 
ósseas hexagonais que resultam em uma grande resistência, baixo 
peso, e um baixo coeficiente de arrasto. (Garcia, [S.d.]) 
5. Sistemas captadores de água inspirados no besouro do deserto da 
Namibia. 
Um tipo de besouro encontrou uma forma peculiar de sobreviver. 
Quando a neblina da manhã se aproxima, a espécie Stenocara 
gracilipes, também conhecida como Besouro da Namíba, coleta 
gotículas de água em seu dorso esburacado e, em seguida, deixa a 
umidade rolar para a boca, permitindo-lhe beber em uma área sem água 
corrente. (Dizikes, 2011) 
6. Inspiração do Teatro Las Palmas e o Projeto Forest Sahara. Uma 
membrana que filtra água sem gasto de energia, sem pressão e sem 
químicos. 
Ainspiração: as proteínas aquaporinas que estão nas membranas 
celulares de diversos organismos. 
A solução: as proteínas (aquaporinas) são replicadas em laboratório e 
inseridas em uma membrana artificial. Essas proteínas têm sítios 
específicos para a ligação com moléculas de água. Quando uma molécula 
de água se liga no sítio, as proteínas mudam sua conformação, conduzindo 
as moléculas de água para o outro lado da membrana (Ecycle, [S.d.]). 
7. Tecnologia Swarm Logic® de eficiência energética, inspirado na inteligência 
do enxame de abelhas melíferas, que coordena os comportamentos 
individuais da colmeia para organizar-se em conjunto com mais eficiência. 
Esse sistema interliga em uma rede sem fio os controles do edifício fazendo 
uma distribuição otimizada do consumo de energia (Swarm..., 2020). 
8. Biomimetic Land Ocean Tratment System (B.L.O.T.S.): 
À medida que o nível do mar sobe, as regiões costeiras e as cidades 
sofrem cada vez mais inundações. Estima-se que em 2100 o nível do 
mar poderá subir 30 centímetros. B.L.O.T.S. procurou inúmeros 
organismos para se inspirar na gestão da água para encontrar uma 
maneira adaptável e resiliente de lidar com a inundação de água na 
infraestrutura. O B.L.O.T.S. o sistema absorve, redireciona, filtra e 
armazena a água da inundação. O sistema é adaptável a qualquer 
situação, seja em uma rua inundada, playground ou prédio, e pode ser 
utilizado por qualquer pessoa. (Biomimicry, [S.d.]) 
 
 
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9. Projeto de transformação para a cidade de Amsterdã por meio da 
observação dos padrões de desempenho ecológicos locais. O grupo de 
assessoria Biomimicry 3.8 estudou o ecossistema local de Amsterdã para 
identificar padrões em seus habitats nativos saudáveis, para criar uma 
ferramenta de transformação para combinar o bem-estar e a saúde da 
cidade aos interesses de desenvolvimento, segundo os modelos naturais 
locais (Biomicry, [S.d.]b). 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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ECYCLE. Disponível em: . Acesso em: 25 fev. 2021. 
GARCIA, P. N. Peixe-Cofre X Mercedes-Benz. MCISUS, [S.d.] Disponível em: 
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(Doutorado em Construcción y Tecnologías Arquitetónicas) – Universidad 
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