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Tópico 04
Biologia Celular
Ribossomos, Retículo
Endoplasmático Granular ou
rugoso (RER), Retículo
Endoplasmático Agranular
ou Liso (REL)
1. Introdução
No módulo 1 foi abordado que as proteínas são as
macromoléculas biológicas formadas pela união de vários
aminoácidos. No nosso corpo, depois da água, as proteínas são
as biomoléculas que estão em maior abundância. Elas possuem
uma diversidade de funções no organismo, tais como enzimas
(pepsina), proteínas estruturais (queratina), de defesa
(anticorpos), de transporte (hemoglobina), reguladoras
(insulina), contráteis (miosina), entre outras. Mas você já se
perguntou onde e como elas são formadas?
E os lipídeos? Você sabe onde e como eles são formados?
Lembra que no módulo 1 você estudou que os lipídeos são
compostos orgânicos muito heterogêneos, insolúveis em água,
que formam a reserva nutritiva da célula (triglicerídeos), tem
papel estrutural nas membranas celulares (fosfolipídeos e
colesterol), função reguladora ou hormonal (hormônios
esteroides), além de atuarem como isolantes térmicos e elétricos
(mielina).
Você sabe que tanto os lipídeos como as proteínas são
biomoléculas, ou seja, moléculas da vida e que fazem parte do
nosso corpo, e agora você vai conhecer como eles são produzidos
nas organelas: ribossomos, retículo endoplasmático granular ou
rugoso e retículo endoplasmático agranular ou liso.
Vamos estudar um pouco mais sobre essas três organelas
produtoras de biomoléculas essenciais à vida?
Retículo endoplasmático rugoso e liso.
2. Sistema de
endomembranas
Como vimos anteriormente, as células eucariotas são formadas
por diversas organelas, sendo muitas destas organelas
delimitadas por membranas. Desta forma, todas as organelas
que apresentam membranas biológicas em sua constituição são
denominadas de organelas membranosas. Entre elas podemos
destacar as mitocôndrias, lisossomos, peroxissomos, complexo
de Golgi e os retículos endoplasmáticos liso (REL) e rugoso
(RER). Neste módulo, vamos falar especificamente de RER e
REL. Então, é importante você saber que estas duas organelas
fazem parte do chamado sistema de endomembranas da célula.
Mas o que vem a ser este sistema de endomembranas? Durante o
processo evolutivo, a célula eucariota adquiriu membranas
internas que a tornaram compartimentalizada, ou seja,
compartimentos menores (organelas) com composição química e
funções completamente distintas dentro da célula. Mas qual a
importância desta compartimentalização para a célula? Este
sistema de endomembranas foi capaz de separar os processos
metabólicos que ocorrem dentro da célula. Desta forma, cada
organela delimitada por membrana, apresenta uma função
específica. E estas organelas podem se comunicar através de
pequenas vesículas transportadoras. Desta forma, o sistema de
endomembranas é o maior compartimento celular, pois se
distribui por todo o citoplasma sendo formado por cisternas,
sáculos e túbulos que se comunicam entre si.
Quais as organelas que compõem este sistema de
endomembranas? Podemos dizer que o sistema de
endomembranas é formado pelo RER, REL, complexo de Golgi,
lisossomos e endossomos, sendo que cada uma destas organelas
apresenta uma função específica. Por exemplo, RER é
responsável pela síntese de proteínas, REL pela síntese de
lipídeos, complexo de Golgi pelo processamento de proteínas e
lipídeos, síntese de polissacarídeos e transporte vesicular,
endossomas participam da formação de vesículas e lisossomos
fazem a digestão intracelular.
Sistema de endomembranas.
Agora que você já entendeu o que é o sistema de
endomembranas e a sua importância na célula eucariota, vamos
falar sobre uma das organelas que compõe este sistema: o
retículo endoplasmático.
3. Retículo Endoplasmático
Todas as células eucariotas apresentam retículo endoplasmático
que é constituído por uma rede tridimensional de vesículas
achatadas, redondas e túbulos que se intercomunicam,
denominadas de cisternas, que se distribuem por todo o
citoplasma e que tem como principais funções a síntese de
proteínas (RER) e de lipídeos (REL). Portanto, encontramos dois
tipos de distintos de retículo endoplasmático nas células
eucariotas: o retículo endoplasmático rugoso (RER) e o retículo
endoplasmático liso (REL).
Como o retículo endoplasmático é uma organela membranosa,
sua membrana apresenta duas faces: uma citosólica, voltada
para o citoplasma e outra luminal, voltada para a luz do retículo.
Além disso, como outras membranas biológicas, a membrana do
retículo é assimétrica, ou seja, a composição da monocamada
luminal é diferente da composição da monocamada citosólica,
uma vez que lipídeos e proteínas estão distribuídos de maneira
diferente.
O RER e o REL apresentam uma importante diferença
morfológica que só foi possível descobrir com o advento da
microscopia eletrônica. A face citosólica do RER é recoberta por
ribossomos, enquanto que a face citosólica do REL não
apresenta ribossomos.
Existe uma teoria para explicar a origem do retículo
endoplasmático segundo a qual este surgiu a partir de expansões
da carioteca que, por sua vez, se originou de invaginações da
membrana plasmática. Acredita-se que o REL se originou do
RER pela perda de ribossomos. Esta teoria tem como base o fato
da membrana do RER ser contínua à carioteca.
Retículo endoplasmático rugoso e liso.
Como vimos, o retículo endoplasmático é uma organela
encontrada em todas as células eucariotas, formando um
labirinto de túbulos que representam metade das membranas de
uma célula. O conteúdo das cisternas do retículo endoplasmático
varia dependendo do tipo, função e estado fisiológico de uma
célula. Geralmente, o principal produto de secreção de uma
célula, é o componente mais abundante encontrado em seu
retículo endoplasmático. Por exemplo, nos hepatócitos
encontramos lipoproteínas, nos linfócitos encontramos
anticorpos, nas células β pancreáticas encontramos insulina, nas
células da glândula suprarrenal encontramos hormônios
esteroides, entre outras.
A partir de agora, vamos falar especificamente sobre as
características e funções de cada tipo de retículo
endoplasmático: o rugoso (RER) e o liso (REL).
PARA SABER MAIS!

4. Retículo Endoplasmático
Rugoso (RER)
ESTRUTURA E FUNÇÃO
O RER é formado por sáculos achatados dispostos paralelamente
e interconectadas. Quanto maior a dilatação das cisternas, maior
é a atividade do RER. Como falamos anteriormente, a principal
função do RER é a síntese de proteínas. Sendo assim, o RER é
bastante desenvolvido em células que apresentam síntese
proteica ativa. As proteínas sintetizadas pelo RER podem atuar
fora e dentro da célula, ou ainda fazer parte da composição de
membranas celulares.
O RER se diferencia morfologicamente do REL pela presença de
ribossomos aderidos à face citosólica de sua membrana fazendo
com que o mesmo apresentasse aparência rugosa ou granular
quando esta estrutura foi visualizada com o auxílio de um
microscópio eletrônico. Mas o que são e para que servem esses
ribossomos?
Os ribossomos são pequenas estruturas celulares diretamente
responsáveis pela síntese de proteínas. A informação necessária
para uma proteína ser produzida está contida no DNA da célula
em sequências de nucleotídeos denominadas de gene. Dentro do
núcleo da célula eucariota, os genes passam por um processo
O resumo da tese Jane Messias Sanders (2016) relata
que “O retículo endoplasmático (RE) é uma organela
vital para as células eucarióticas, envolvido na síntese,
modificação e enovelamento de proteínas, homeostase
do cálcio e metabolismo de lipídios. “
Para conhecer mais sobre o que diz a tese, clique aqui.
conhecido como transcrição, onde a sequência de nucleotídeos
do DNA vai ser convertida em uma sequência de nucleotídeo de
mRNA. Este, por sua vez, será exportado para o citoplasma da
célula e sua sequência de nucleotídeos será utilizada como um
código genético que vai determinar a sequência de aminoácidos
de uma proteína. Aochegar ao citoplasma da célula, o mRNA
será reconhecido pelo ribossomo e este iniciará a síntese
proteica. Desta forma, podemos dizer que a síntese de proteínas
consiste em unir aminoácidos de acordo com a sequência de
nucleotídeos presentes no mRNA, em um processo conhecido
como tradução.
Os ribossomos podem ser encontrados de forma livre no
citoplasma da célula, mas também podem estar ligados à face
citosólica do RER. Eles são constituídos por duas subunidades:
uma maior e uma menor. Então fica a dúvida: todas as proteínas
das células são sintetizadas pelos ribossomos que se encontram
ligados ao RER?
Estrutura dos ribossomos aderidos ao RER.
A resposta para a pergunta anterior é não! Existem proteínas
que são sintetizadas por ribossomos que se encontram livres no
citoplasma, mas também existem proteínas que são sintetizadas
por ribossomos que se encontram aderidos à face citosólica da
membrana do RER. Como acabamos de ver, todos o mRNA
transcritos no núcleo são exportados para o citoplasma onde são
reconhecidos por ribossomos citosólicos (livres no citoplasma).
Proteínas que permanecerão solúveis no citoplasma ou que serão
direcionadas para organelas como núcleo, mitocôndria e
peroxissomos são, geralmente, sintetizadas por ribossomos
livres. Já proteínas que farão parte da composição de
membranas celulares (plasmática, retículo e complexo de Golgi),
assim como proteínas que serão secretadas pela célula ou
armazenadas nos lisossomos são, geralmente, sintetizadas por
ribossomos aderidos à membrana plasmática. Portanto, um fator
importante na determinação da localização intracelular da
síntese proteica é o destino da proteína que será sintetizada.
Principal via de síntese de proteínas em eucariotos.
Existe alguma diferença estrutural entre os ribossomos livres no
citoplasma e os aderidos à membrana do RER? Não!
Estruturalmente todos os ribossomos da célula são iguais. Mas
então como que a célula sabe o local em que uma proteína será
sintetizada? O que define se a síntese de proteínas vai ocorrer
livre no citoplasma ou associada ao RER é uma sequência sinal.
Quando o mRNA chega ao citoplasma e é reconhecido pelo
ribossomo, este inicia o processo de tradução, fazendo a ligação
de aminoácidos com base na informação genética contida no
mRNA. Quando a proteína que está sendo sintetizada precisa
passar pelo RER, em seu código existe uma sequência
hidrofóbica de aproximadamente 20 aminoácidos na
extremidade N-terminal que constitui um sinal e, por isso, é
denominada de sequência sinal. Esta sequência consiste na
primeira parte da proteína sintetizada e a direciona o ribossomo
para a membrana do RER.
Todos os ribossomos que se encontram associados à membrana
do RER já iniciaram a síntese proteica no citoplasma. Assim, são
denominados de polirribossomos, pois consistem em ribossomos
que iniciaram a tradução do mRNA.
Quando a sequência sinal é sintetizada, uma proteína
citoplasmática, chamada partícula reconhecedora do sinal
(PRS), se liga à sequência sinal para sinalizar que esta é uma
proteína cuja síntese deverá ocorrer associada ao RER.
Na membrana do RER existe um receptor para a PRS. Assim,
quando a PRS se liga na sequência sinal, a síntese proteica é
interrompida e o ribossomo (junto com a sequência sinal) é
direcionado para a membrana do RER, onde se liga ao receptor
de PRS.
Considerando que uma proteína não é capaz de atravessar
diretamente a bicamada lipídica, após se ligar ao receptor de
PRS na membrana do RER, a cadeia polipeptídica é transferida
para dentro do RER passando por um tipo de poro através da
membrana, denominado canal de translocação ou translocon.
Desta forma, o ribossomo continua a síntese da proteína de
forma que esta atravesse a membrana e adentre a luz do RER.
Ao final da síntese, a sequência sinal é clivada pela ação de uma
enzima associada ao translocon, denominada peptidase sinal, e o
peptídeo é transferido à luz do RER. Sendo assim, a sequência
sinal não é encontrada na proteína madura, uma vez que foi
clivada durante sua síntese do RER.
Síntese de proteínas em ribossomos aderidos ao RER.
Até este momento, vimos como são sintetizadas proteínas que
devem ficar solúveis na luz do RER. Resumidamente, o
transporte de proteínas para o lúmen do RER ocorre enquanto
ela ainda está sendo sintetizada pelo ribossomo, portanto
enquanto a proteína está ligada ao ribossomo. Para que o
ribossomo seja direcionado para a membrana do RER, a PRS se
liga ao peptídeo sinal. Na membrana do RER existe um receptor
de PRS que se encontra intimamente ligado ao translocon.
Quando a PRS se liga em seu receptor na membrana do RER, o
translocon se abre permitindo a transferência do peptídeo sinal
e, consequentemente, da cadeia polipeptídica nascente para o
lúmen do RER. À medida que novos aminoácidos são
adicionados à sequência da proteína nascente, o peptídeo sinal é
clivado pela ação da peptidase sinal e rapidamente degradado
dentro do RER. Quando o ribossomo termina de traduzir a
sequência do mRNA em uma sequência de aminoácidos, ele
libera a cadeia polipeptídica no lúmen do RER, o translocon se
fecha e o ribossomo se solta da membrana do RER voltando a
fazer parte do estoque citoplasmático de ribossomos da célula.
Além das proteínas solúveis, que atravessam a membrana e
ficam livres na luz do RER, existem também proteínas integrais
da membrana do RER que são sintetizadas por ribossomos
aderidos à membrana desta organela. Toda proteína
transmembrana possui sequências ricas em aminoácidos
hidrofóbicos, uma vez que, por serem proteínas integrais, elas
apresentam segmentos que atravessam toda a bicamada lipídica.
Da mesma forma que as proteínas solúveis, as proteínas
integrais de membrana começam a ser sintetizadas por
ribossomos livres no citoplasma, mas uma sequência sinal
direciona o ribossomo para a membrana do RER. A diferença é
que quando uma proteína é integral da membrana, ela possui
outros dois tipos de sequência internas, conhecidas como
sequência-âncora de finalização de transferência e sequência de
sinal de ancoragem. Estas duas sequências hidrofóbicas
representam segmentos que cruzam a membrana do RER em
uma proteína integral de membrana madura.
A sequência sinal sinaliza a transferência da cadeia polipeptídica
nascente para a luz do RER, entretanto quando os aminoácidos
que compõem a sequência-âncora de finalização da transferência
são ligados à cadeia polipeptídica nascente, a transferência da
proteína no canal é interrompida, uma vez que esta sequência,
formada por aminoácidos hidrofóbicos, será um domínio
transmembrana da proteína que está sendo sintetizada. Neste
momento, o translocon se abre e o segmento transmembrana
que acabou de ser sintetizado se desloca lateralmente na
bicamada lipídica deixando o translocon que se fecha novamente
para que a síntese proteica seja finalizada. Exemplos destes tipos
de proteína integral de membrana são o receptor de insulina, o
receptor de hormônio do crescimento e o receptor de LDL.
Já as proteínas que apresentam sequência sinal de ancoragem
não possuem sequência sinal, uma vez que a sequência sinal de
ancoragem funciona tanto como sequência sinal, que direciona o
ribossomo para o RER, como uma sequência de ancoragem que
ancora a proteína na membrana do RER. Exemplos deste tipo de
proteína integral de membrana são o citocromo P450 e o
receptor de transferrina.
Síntese de proteínas integrais de membrana no RER.
As proteínas que passam pelo RER, geralmente, são processadas
podendo sofrer quatro tipos diferentes de modificações:
1. Glicosilação
2. Formação de pontes dissulfeto
3. Dobramento e montagem de subunidades
4. Clivagens proteolíticas específicas
Resumidamente, a função destes processos é promover o correto
dobramento da proteína, permitindo que a proteína passe da
estrutura primária para secundária, terciária e quaternária,
assim como deixar a proteína estruturalmente mais estável para
que não seja degradadadurante o processo de exportação para o
meio extracelular. Além disso, a adição de glicídeos
(carboidratos) à proteína, conhecida como glicosilação, permite
que a célula sintetize uma variedade muito grande de
glicoproteínas que serão utilizadas nos processos de
comunicação celular.
Agora que vimos como as proteínas são sintetizadas no RER,
vamos falar um pouco sobre células especializadas na produção
de proteínas?
CÉLULAS ESPECIALIZADAS EM
PRODUÇÃO PROTEÍNAS
No nosso organismo existem muitas células especializadas na
síntese de proteínas. Por exemplo, as células acinares, os
plasmócitos, os fibroblastos, entre outras. Como vimos
anteriormente, nestas células, o RER apresenta-se bastante
SAIBA MAIS
Agora que você já conheceu a estrutura e aprendeu as
funções do retículo endoplasmático rugoso, você
consegue imaginar que existem doenças que podem ser
causadas pelo mal funcionamento desta organela? Como
vimos, uma função do retículo endoplasmático rugoso é
participar do dobramento correto das proteínas.
Estudos recentes têm demonstrado que defeitos no
dobramento de proteínas apresentam impacto relevante
na incidência de várias doenças, como por exemplo,
diabetes. Clicando aqui, você encontra o resumo (em
inglês) do artigo intitulado “ER stress and disease”,
publicado no The FEBS Journal, importante revista
científica. Neste artigo de revisão, o autor apresenta
resultados que demonstram que o mal funcionamento
do retículo endoplasmático causado pelo estresse, leva a
uma falha no dobramento de proteínas sintetizadas no
RER resultando em doenças metabólicas (diabetes),
inflamatórias e neurodegenerativas (Alzheimer,
Parkinson) coletivamente denominadas doenças
conformacionais. Nesta revisão, o autor mostra
moléculas envolvidas na regulação do funcionamento do
RER e que poderiam funcionar como alvo para drogas
no tratamento de diferentes doenças conformacionais.
 desenvolvido, uma vez que este é o local de produção destas
proteínas.
As células acinosas são as células secretoras encontradas em
diferentes órgãos do corpo humano. No pâncreas, as células
acinosas são aquelas que produzem e secretam enzimas
digestivas (suco pancreático) no interior do intestino auxiliando
na digestão de alimentos para posterior absorção. Estas células
apresentam forma piramidal, sendo que grande parte de seu
citoplasma é preenchido por RER. O RER sintetiza as enzimas
que são, posteriormente, armazenadas em vesículas de secreção,
denominadas grânulos de zimogênio, para serem secretadas
dentro do intestino delgado. 
Célula acinosa
Os plasmócitos são células especializadas na produção de
anticorpos (imunoglobulinas) que são moléculas formadas por
proteínas do tipo globulina e que têm como função atuar na
defesa do organismo contra patógenos. Nos plasmócitos, as
globulinas são sintetizadas por polirribossomos aderidos ao
RER, sendo assim, nestas células, o RER é bastante
desenvolvido. Quando visualizados ao microscópio, os
plasmócitos apresentam forma ovóide com núcleo ligeiramente
deslocado.
5. Retículo Endoplasmático
Agranular (LISO)
ESTRUTURA
O retículo endoplasmático liso (REL) também é chamado de
agranular, porque não possui o granulo chamado ribossomo
aderido a membrana sobre o lado citosólico, diferenciando assim
do reticulo endoplasmático rugoso (RER) estudado no item 3. A
sua membrana dá continuidade à membrana do RER.
Reticulo endoplasmático rugoso (A) e o retículo endoplasmático liso (B).
O REL é formado por uma rede de túbulos cilíndricos
interligados e, como já dissemos, sem a presença dos ribossomos
aderidos à membrana. O volume e a distribuição espacial do
REL variam nos diferentes tipos de células, de acordo com as
diversas funções de cada tipo de célula presente no organismo.
Mas, quais seriam essas funções?
De uma forma geral, o REL possui várias funções tais como,
síntese de lipídios e hormônios esteroides, desintoxicação com a
transformação de compostos tóxicos lipossolúveis ou insolúveis
em compostos hidrossolúveis, armazenamento do mineral cálcio
nas células do músculo estriado.
Então vamos ver com mais detalhes as funções do REL nas
diversas células do organismo no item a seguir.
CÉLULAS ESPECIALIZADAS E AS
FUNÇÕES DO REL
Você lembra que no módulo 2 estudamos sobre a membrana
plasmática? Lembra que ela é formada por proteínas e lipídios
nas células animais? Então, onde são sintetizados os
fosfolipídios, glicolipídios e colesterol que são os principais
lipídios constituintes da membrana plasmática? Se você está
pensando: no REL, acertou!
Membrana plasmática formada por dupla camada de fosfolipídios e por
proteínas.
O REL tem como principal função a síntese e transporte de
lipídios. É na face citosólica da membrana do REL que ocorre a
segunda fase da síntese dos fosfolipídeos. A primeira fase ocorre
no citosol onde dois ácidos graxos da CoAs acil graxas são
ligados a um glicerolfosfato formando ácido fosfatídico. Na
segunda fase, quando o ácido fosfatídico é ancorado na
membrana do REL, uma fosfatase o converte em diacilglecerol.
Um grupo apical polar é transferido da citosina difosfocolina ao
grupo hidroxila formando os fosfolipídios. O movimento dos
fosfolipídeos da face citosólica para face interna (exoplasmática)
é mediada pelas proteínas flipases permitindo, deste modo, um
crescimento uniforme da membrana. São esses fosfolipídios que
serão utilizados na formação de todas as membranas que
compõem a célula.
O colesterol, principal esterol em células animais, é sintetizado
principalmente no fígado. Ele é sintetizado por enzimas
presentes no citosol e na membrana citosólica do REL. A partir
do precursor acetil-CoA ocorrem várias reações bioquímicas
tendo como produto final o colesterol. Ele será enviado
posteriormente para as membranas celulares e das organelas e
ainda será aproveitado para outras reações que ocorrem no REL
como, por exemplo, a formação de ácidos biliares no fígado e os
hormônios esteroides produzidos nos espermatozoides, ovários e
nas suprarrenais.
FIQUE SABENDO!
A aterosclerose é deposição na camada interna da
artéria de colesterol, outros lipídios e material da matriz
extracelular causando a obstrução. Ela é a principal
responsável pelas doenças cardiovasculares e segundo
dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), elas
são a primeira causa de mortes em todo mundo.
Conheça mais sobre o perfil socioeconômico e os hábitos
alimentares de pacientes portadores de aterosclerose no

Colesterol na artéria.
O colesterol e os fosfolipídios são transportados do REL para a
próxima organela, que é o complexo de golgi (será estudada no
próximo módulo), por meio de vesículas que “brotam” dele para
depois ser distribuído por toda a célula.
A biossíntese de hormônios esteroides tem como precursor o
colesterol produzido nas membranas do REL. Estes hormônios
são sintetizados nas gônadas e no córtex da glândula adrenal. Na
síntese desses hormônios tem a participação da organela
mitocôndria (já estudada no módulo 4) e as membranas do REL.
Logo, o colesterol produzido pelo REL é carregado pelas
proteínas transportadoras para as membranas mitocondriais
onde vai sofrer hidroxilação e clivagem lateral por meio da
cadeia transportadora de elétrons do citocromo P450, formando
assim a pregnenolona. Esta é transportada para membrana do
REL onde ocorrem novas hidroxilações e isomerização
originando a progesterona, e esta vai formar, por exemplo,
aldosterona, que é um mineralcorticoide, cortisol que é um
glicocorticoide, e andrógenos e estrogênios que são os
hormônios sexuais. Os mineralcorticoides, responsáveis pelo
controle da reabsorção de íons inorgânicos pelos rins, e os
glicocorticoides, que auxiliam na regulação da gliconeogênese e
Brasil lendo o artigo: “Hábitos e perfil socioeconômico
do paciente aterosclerótico no Brasil”, clicando aqui.
na redução da resposta inflamatória, são hormônios sintetizados
na glândula adrenal. Já os andrógenos, a progesteronae os
estrogênios são hormônios sexuais produzidos nos testículos,
ovários e placenta.
Síntese dos hormônios esteroides nas glândulas suprarrenais.
O REL é bem desenvolvido nas células do fígado (hepatócitos),
órgão este que, dentre outras funções, atua no glicogenólise, ou
seja, na quebra do glicogênio em glicose, processo este
importantíssimo para manutenção do nível de glicose no sangue
(glicemia). Esta glicose vai ser utilizada para produção de
energia pela célula (reveja, no módulo 4, essa produção de
energia realizada pela mitocôndria). Nas membranas do REL há
a enzima glicose-6-fosfatase que vai atuar na transformação de
glicogênio em glicose. Ela vai remover o grupo fosfato presente
nas glicoses, tornando-as assim possíveis de realizar a passagem
do meio intracelular para a corrente sanguínea e, assim, fornecer
esse monossacarídeo para as células do organismo.
Armazenamento e liberação da glicose
O fígado é o órgão responsável pelo processo de desintoxicação e
neutralização de toxinas, tais como o álcool, medicamentos,
drogas psicotrópicas, herbicidas, conservantes e corantes
alimentares. Neste processo realizado pelo REL dos hepatócitos,
as substâncias tóxicas (hidrofóbicas) sofrem modificações na sua
estrutura, e são transformadas em substância mais solúveis em
água, facilitando, assim, sua eliminação do organismo,
principalmente pela via renal. Na membrana do REL há um
complexo enzimático conhecido como citocromo P450 (CYP)
que atua nos processos de acetilação, conjugação, metilação e
oxidação, tornando as substâncias tóxicas em inócuas. Estudos
mostram que o consumo constante de substâncias tóxica, por
exemplo, de drogas (sedativos e barbitúricos) promovem uma
proliferação na quantidade de REL e suas enzimas associadas a
desintoxicação nas células hepáticas aumentando a taxa de
desintoxicação, o que acaba levando as pessoas a aumentar a
tolerância as drogas, e para que elas possam ter o efeito desejado
precisam, cada vez mais, ingerir maiores quantidade. Além
disso, o aumento de tolerância a uma droga pode causar
tolerância a outras como, por exemplo, certos antibióticos. Além
do fígado, o pulmão, os rins, a pele, o cérebro e o intestino
realizam destoxificação celular mediada pelo citocromo P450,
mas o fígado é o principal local de destoxificação.
Metabolismo hepático dos fármacos.
O REL nas células musculares recebe o nome de retículo
sarcoplasmático e nele a rede de túbulos é longitudinal e cobre
as miofilamentos (actina e miosina). O retículo sarcoplasmático
tem como função armazenar, em seu interior, o cálcio (Ca ) que
participa da contração muscular. Quando a célula muscular está
relaxada, a quantidade de cálcio no citoplasma é baixa, porém
quando ela recebe um impulso elétrico ocorrem alterações na
permeabilidade da membrana do retículo e o cálcio, que está
dentro do retículo sarcoplasmático, é liberado para o citoplasma.
No citoplasma, o cálcio se liga a troponina, que remove a
tropomiosina do sítio de ligação da actina com a miosina
(lembra-se desses nomes)? Vimos no módulo 3, permitindo,
assim, a contração dos miofilamentos. Quando cessa o estímulo,
o excesso de cálcio retorna para o interior do reticulo por um
+2
processo ativo. Hoje em dia, fala-se tanto em reciclagem e
reutilização, e as células já fazem isso há muito tempo.
Músculo esquelético com suas estruturas, sendo uma delas o retículo
sarcoplasmático
6. Conclusão
O retículo endoplasmático é uma organela exclusiva das células
eucariotas. Ele é formado por uma complexa rede contínua de
PARA SABER MAIS!
Saiba mais sobre a contração muscular lendo o artigo:
“Biologia molecular: o movimento de contração
muscular e a importância do cálcio”, clicando aqui.

membranas e ocupa a maior parte do citoplasma. Existem dois
tipos de retículo, o rugoso (RER) e o liso (REL), que têm como
principal função a síntese de proteínas e lipídios,
respectivamente. Os ribossomos livres sintetizam proteínas no
citosol, enquanto os que estão grudados no RER sintetizam para
dentro do lúmen do retículo. São organelas que possuem funções
diversas dependendo do tipo de célula do organismo.
7. Referências
COOPER, G.M.; HAUSMAN, R.E. A célula: uma abordagem
molecular. Tradução de Maria Regina Borges-Osório. 3. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2007.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Biologia celular e
molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012
LODISH, H. et al. Biologia celular e molecular. Tradução
de Adriana de Freitas Schuck Bizarro et al. 7. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2014.
NELSON, D.L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de
Lehninger. 6. ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2014.
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