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Tópico 04 Biologia Celular Ribossomos, Retículo Endoplasmático Granular ou rugoso (RER), Retículo Endoplasmático Agranular ou Liso (REL) 1. Introdução No módulo 1 foi abordado que as proteínas são as macromoléculas biológicas formadas pela união de vários aminoácidos. No nosso corpo, depois da água, as proteínas são as biomoléculas que estão em maior abundância. Elas possuem uma diversidade de funções no organismo, tais como enzimas (pepsina), proteínas estruturais (queratina), de defesa (anticorpos), de transporte (hemoglobina), reguladoras (insulina), contráteis (miosina), entre outras. Mas você já se perguntou onde e como elas são formadas? E os lipídeos? Você sabe onde e como eles são formados? Lembra que no módulo 1 você estudou que os lipídeos são compostos orgânicos muito heterogêneos, insolúveis em água, que formam a reserva nutritiva da célula (triglicerídeos), tem papel estrutural nas membranas celulares (fosfolipídeos e colesterol), função reguladora ou hormonal (hormônios esteroides), além de atuarem como isolantes térmicos e elétricos (mielina). Você sabe que tanto os lipídeos como as proteínas são biomoléculas, ou seja, moléculas da vida e que fazem parte do nosso corpo, e agora você vai conhecer como eles são produzidos nas organelas: ribossomos, retículo endoplasmático granular ou rugoso e retículo endoplasmático agranular ou liso. Vamos estudar um pouco mais sobre essas três organelas produtoras de biomoléculas essenciais à vida? Retículo endoplasmático rugoso e liso. 2. Sistema de endomembranas Como vimos anteriormente, as células eucariotas são formadas por diversas organelas, sendo muitas destas organelas delimitadas por membranas. Desta forma, todas as organelas que apresentam membranas biológicas em sua constituição são denominadas de organelas membranosas. Entre elas podemos destacar as mitocôndrias, lisossomos, peroxissomos, complexo de Golgi e os retículos endoplasmáticos liso (REL) e rugoso (RER). Neste módulo, vamos falar especificamente de RER e REL. Então, é importante você saber que estas duas organelas fazem parte do chamado sistema de endomembranas da célula. Mas o que vem a ser este sistema de endomembranas? Durante o processo evolutivo, a célula eucariota adquiriu membranas internas que a tornaram compartimentalizada, ou seja, compartimentos menores (organelas) com composição química e funções completamente distintas dentro da célula. Mas qual a importância desta compartimentalização para a célula? Este sistema de endomembranas foi capaz de separar os processos metabólicos que ocorrem dentro da célula. Desta forma, cada organela delimitada por membrana, apresenta uma função específica. E estas organelas podem se comunicar através de pequenas vesículas transportadoras. Desta forma, o sistema de endomembranas é o maior compartimento celular, pois se distribui por todo o citoplasma sendo formado por cisternas, sáculos e túbulos que se comunicam entre si. Quais as organelas que compõem este sistema de endomembranas? Podemos dizer que o sistema de endomembranas é formado pelo RER, REL, complexo de Golgi, lisossomos e endossomos, sendo que cada uma destas organelas apresenta uma função específica. Por exemplo, RER é responsável pela síntese de proteínas, REL pela síntese de lipídeos, complexo de Golgi pelo processamento de proteínas e lipídeos, síntese de polissacarídeos e transporte vesicular, endossomas participam da formação de vesículas e lisossomos fazem a digestão intracelular. Sistema de endomembranas. Agora que você já entendeu o que é o sistema de endomembranas e a sua importância na célula eucariota, vamos falar sobre uma das organelas que compõe este sistema: o retículo endoplasmático. 3. Retículo Endoplasmático Todas as células eucariotas apresentam retículo endoplasmático que é constituído por uma rede tridimensional de vesículas achatadas, redondas e túbulos que se intercomunicam, denominadas de cisternas, que se distribuem por todo o citoplasma e que tem como principais funções a síntese de proteínas (RER) e de lipídeos (REL). Portanto, encontramos dois tipos de distintos de retículo endoplasmático nas células eucariotas: o retículo endoplasmático rugoso (RER) e o retículo endoplasmático liso (REL). Como o retículo endoplasmático é uma organela membranosa, sua membrana apresenta duas faces: uma citosólica, voltada para o citoplasma e outra luminal, voltada para a luz do retículo. Além disso, como outras membranas biológicas, a membrana do retículo é assimétrica, ou seja, a composição da monocamada luminal é diferente da composição da monocamada citosólica, uma vez que lipídeos e proteínas estão distribuídos de maneira diferente. O RER e o REL apresentam uma importante diferença morfológica que só foi possível descobrir com o advento da microscopia eletrônica. A face citosólica do RER é recoberta por ribossomos, enquanto que a face citosólica do REL não apresenta ribossomos. Existe uma teoria para explicar a origem do retículo endoplasmático segundo a qual este surgiu a partir de expansões da carioteca que, por sua vez, se originou de invaginações da membrana plasmática. Acredita-se que o REL se originou do RER pela perda de ribossomos. Esta teoria tem como base o fato da membrana do RER ser contínua à carioteca. Retículo endoplasmático rugoso e liso. Como vimos, o retículo endoplasmático é uma organela encontrada em todas as células eucariotas, formando um labirinto de túbulos que representam metade das membranas de uma célula. O conteúdo das cisternas do retículo endoplasmático varia dependendo do tipo, função e estado fisiológico de uma célula. Geralmente, o principal produto de secreção de uma célula, é o componente mais abundante encontrado em seu retículo endoplasmático. Por exemplo, nos hepatócitos encontramos lipoproteínas, nos linfócitos encontramos anticorpos, nas células β pancreáticas encontramos insulina, nas células da glândula suprarrenal encontramos hormônios esteroides, entre outras. A partir de agora, vamos falar especificamente sobre as características e funções de cada tipo de retículo endoplasmático: o rugoso (RER) e o liso (REL). PARA SABER MAIS! 4. Retículo Endoplasmático Rugoso (RER) ESTRUTURA E FUNÇÃO O RER é formado por sáculos achatados dispostos paralelamente e interconectadas. Quanto maior a dilatação das cisternas, maior é a atividade do RER. Como falamos anteriormente, a principal função do RER é a síntese de proteínas. Sendo assim, o RER é bastante desenvolvido em células que apresentam síntese proteica ativa. As proteínas sintetizadas pelo RER podem atuar fora e dentro da célula, ou ainda fazer parte da composição de membranas celulares. O RER se diferencia morfologicamente do REL pela presença de ribossomos aderidos à face citosólica de sua membrana fazendo com que o mesmo apresentasse aparência rugosa ou granular quando esta estrutura foi visualizada com o auxílio de um microscópio eletrônico. Mas o que são e para que servem esses ribossomos? Os ribossomos são pequenas estruturas celulares diretamente responsáveis pela síntese de proteínas. A informação necessária para uma proteína ser produzida está contida no DNA da célula em sequências de nucleotídeos denominadas de gene. Dentro do núcleo da célula eucariota, os genes passam por um processo O resumo da tese Jane Messias Sanders (2016) relata que “O retículo endoplasmático (RE) é uma organela vital para as células eucarióticas, envolvido na síntese, modificação e enovelamento de proteínas, homeostase do cálcio e metabolismo de lipídios. “ Para conhecer mais sobre o que diz a tese, clique aqui. conhecido como transcrição, onde a sequência de nucleotídeos do DNA vai ser convertida em uma sequência de nucleotídeo de mRNA. Este, por sua vez, será exportado para o citoplasma da célula e sua sequência de nucleotídeos será utilizada como um código genético que vai determinar a sequência de aminoácidos de uma proteína. Aochegar ao citoplasma da célula, o mRNA será reconhecido pelo ribossomo e este iniciará a síntese proteica. Desta forma, podemos dizer que a síntese de proteínas consiste em unir aminoácidos de acordo com a sequência de nucleotídeos presentes no mRNA, em um processo conhecido como tradução. Os ribossomos podem ser encontrados de forma livre no citoplasma da célula, mas também podem estar ligados à face citosólica do RER. Eles são constituídos por duas subunidades: uma maior e uma menor. Então fica a dúvida: todas as proteínas das células são sintetizadas pelos ribossomos que se encontram ligados ao RER? Estrutura dos ribossomos aderidos ao RER. A resposta para a pergunta anterior é não! Existem proteínas que são sintetizadas por ribossomos que se encontram livres no citoplasma, mas também existem proteínas que são sintetizadas por ribossomos que se encontram aderidos à face citosólica da membrana do RER. Como acabamos de ver, todos o mRNA transcritos no núcleo são exportados para o citoplasma onde são reconhecidos por ribossomos citosólicos (livres no citoplasma). Proteínas que permanecerão solúveis no citoplasma ou que serão direcionadas para organelas como núcleo, mitocôndria e peroxissomos são, geralmente, sintetizadas por ribossomos livres. Já proteínas que farão parte da composição de membranas celulares (plasmática, retículo e complexo de Golgi), assim como proteínas que serão secretadas pela célula ou armazenadas nos lisossomos são, geralmente, sintetizadas por ribossomos aderidos à membrana plasmática. Portanto, um fator importante na determinação da localização intracelular da síntese proteica é o destino da proteína que será sintetizada. Principal via de síntese de proteínas em eucariotos. Existe alguma diferença estrutural entre os ribossomos livres no citoplasma e os aderidos à membrana do RER? Não! Estruturalmente todos os ribossomos da célula são iguais. Mas então como que a célula sabe o local em que uma proteína será sintetizada? O que define se a síntese de proteínas vai ocorrer livre no citoplasma ou associada ao RER é uma sequência sinal. Quando o mRNA chega ao citoplasma e é reconhecido pelo ribossomo, este inicia o processo de tradução, fazendo a ligação de aminoácidos com base na informação genética contida no mRNA. Quando a proteína que está sendo sintetizada precisa passar pelo RER, em seu código existe uma sequência hidrofóbica de aproximadamente 20 aminoácidos na extremidade N-terminal que constitui um sinal e, por isso, é denominada de sequência sinal. Esta sequência consiste na primeira parte da proteína sintetizada e a direciona o ribossomo para a membrana do RER. Todos os ribossomos que se encontram associados à membrana do RER já iniciaram a síntese proteica no citoplasma. Assim, são denominados de polirribossomos, pois consistem em ribossomos que iniciaram a tradução do mRNA. Quando a sequência sinal é sintetizada, uma proteína citoplasmática, chamada partícula reconhecedora do sinal (PRS), se liga à sequência sinal para sinalizar que esta é uma proteína cuja síntese deverá ocorrer associada ao RER. Na membrana do RER existe um receptor para a PRS. Assim, quando a PRS se liga na sequência sinal, a síntese proteica é interrompida e o ribossomo (junto com a sequência sinal) é direcionado para a membrana do RER, onde se liga ao receptor de PRS. Considerando que uma proteína não é capaz de atravessar diretamente a bicamada lipídica, após se ligar ao receptor de PRS na membrana do RER, a cadeia polipeptídica é transferida para dentro do RER passando por um tipo de poro através da membrana, denominado canal de translocação ou translocon. Desta forma, o ribossomo continua a síntese da proteína de forma que esta atravesse a membrana e adentre a luz do RER. Ao final da síntese, a sequência sinal é clivada pela ação de uma enzima associada ao translocon, denominada peptidase sinal, e o peptídeo é transferido à luz do RER. Sendo assim, a sequência sinal não é encontrada na proteína madura, uma vez que foi clivada durante sua síntese do RER. Síntese de proteínas em ribossomos aderidos ao RER. Até este momento, vimos como são sintetizadas proteínas que devem ficar solúveis na luz do RER. Resumidamente, o transporte de proteínas para o lúmen do RER ocorre enquanto ela ainda está sendo sintetizada pelo ribossomo, portanto enquanto a proteína está ligada ao ribossomo. Para que o ribossomo seja direcionado para a membrana do RER, a PRS se liga ao peptídeo sinal. Na membrana do RER existe um receptor de PRS que se encontra intimamente ligado ao translocon. Quando a PRS se liga em seu receptor na membrana do RER, o translocon se abre permitindo a transferência do peptídeo sinal e, consequentemente, da cadeia polipeptídica nascente para o lúmen do RER. À medida que novos aminoácidos são adicionados à sequência da proteína nascente, o peptídeo sinal é clivado pela ação da peptidase sinal e rapidamente degradado dentro do RER. Quando o ribossomo termina de traduzir a sequência do mRNA em uma sequência de aminoácidos, ele libera a cadeia polipeptídica no lúmen do RER, o translocon se fecha e o ribossomo se solta da membrana do RER voltando a fazer parte do estoque citoplasmático de ribossomos da célula. Além das proteínas solúveis, que atravessam a membrana e ficam livres na luz do RER, existem também proteínas integrais da membrana do RER que são sintetizadas por ribossomos aderidos à membrana desta organela. Toda proteína transmembrana possui sequências ricas em aminoácidos hidrofóbicos, uma vez que, por serem proteínas integrais, elas apresentam segmentos que atravessam toda a bicamada lipídica. Da mesma forma que as proteínas solúveis, as proteínas integrais de membrana começam a ser sintetizadas por ribossomos livres no citoplasma, mas uma sequência sinal direciona o ribossomo para a membrana do RER. A diferença é que quando uma proteína é integral da membrana, ela possui outros dois tipos de sequência internas, conhecidas como sequência-âncora de finalização de transferência e sequência de sinal de ancoragem. Estas duas sequências hidrofóbicas representam segmentos que cruzam a membrana do RER em uma proteína integral de membrana madura. A sequência sinal sinaliza a transferência da cadeia polipeptídica nascente para a luz do RER, entretanto quando os aminoácidos que compõem a sequência-âncora de finalização da transferência são ligados à cadeia polipeptídica nascente, a transferência da proteína no canal é interrompida, uma vez que esta sequência, formada por aminoácidos hidrofóbicos, será um domínio transmembrana da proteína que está sendo sintetizada. Neste momento, o translocon se abre e o segmento transmembrana que acabou de ser sintetizado se desloca lateralmente na bicamada lipídica deixando o translocon que se fecha novamente para que a síntese proteica seja finalizada. Exemplos destes tipos de proteína integral de membrana são o receptor de insulina, o receptor de hormônio do crescimento e o receptor de LDL. Já as proteínas que apresentam sequência sinal de ancoragem não possuem sequência sinal, uma vez que a sequência sinal de ancoragem funciona tanto como sequência sinal, que direciona o ribossomo para o RER, como uma sequência de ancoragem que ancora a proteína na membrana do RER. Exemplos deste tipo de proteína integral de membrana são o citocromo P450 e o receptor de transferrina. Síntese de proteínas integrais de membrana no RER. As proteínas que passam pelo RER, geralmente, são processadas podendo sofrer quatro tipos diferentes de modificações: 1. Glicosilação 2. Formação de pontes dissulfeto 3. Dobramento e montagem de subunidades 4. Clivagens proteolíticas específicas Resumidamente, a função destes processos é promover o correto dobramento da proteína, permitindo que a proteína passe da estrutura primária para secundária, terciária e quaternária, assim como deixar a proteína estruturalmente mais estável para que não seja degradadadurante o processo de exportação para o meio extracelular. Além disso, a adição de glicídeos (carboidratos) à proteína, conhecida como glicosilação, permite que a célula sintetize uma variedade muito grande de glicoproteínas que serão utilizadas nos processos de comunicação celular. Agora que vimos como as proteínas são sintetizadas no RER, vamos falar um pouco sobre células especializadas na produção de proteínas? CÉLULAS ESPECIALIZADAS EM PRODUÇÃO PROTEÍNAS No nosso organismo existem muitas células especializadas na síntese de proteínas. Por exemplo, as células acinares, os plasmócitos, os fibroblastos, entre outras. Como vimos anteriormente, nestas células, o RER apresenta-se bastante SAIBA MAIS Agora que você já conheceu a estrutura e aprendeu as funções do retículo endoplasmático rugoso, você consegue imaginar que existem doenças que podem ser causadas pelo mal funcionamento desta organela? Como vimos, uma função do retículo endoplasmático rugoso é participar do dobramento correto das proteínas. Estudos recentes têm demonstrado que defeitos no dobramento de proteínas apresentam impacto relevante na incidência de várias doenças, como por exemplo, diabetes. Clicando aqui, você encontra o resumo (em inglês) do artigo intitulado “ER stress and disease”, publicado no The FEBS Journal, importante revista científica. Neste artigo de revisão, o autor apresenta resultados que demonstram que o mal funcionamento do retículo endoplasmático causado pelo estresse, leva a uma falha no dobramento de proteínas sintetizadas no RER resultando em doenças metabólicas (diabetes), inflamatórias e neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson) coletivamente denominadas doenças conformacionais. Nesta revisão, o autor mostra moléculas envolvidas na regulação do funcionamento do RER e que poderiam funcionar como alvo para drogas no tratamento de diferentes doenças conformacionais. desenvolvido, uma vez que este é o local de produção destas proteínas. As células acinosas são as células secretoras encontradas em diferentes órgãos do corpo humano. No pâncreas, as células acinosas são aquelas que produzem e secretam enzimas digestivas (suco pancreático) no interior do intestino auxiliando na digestão de alimentos para posterior absorção. Estas células apresentam forma piramidal, sendo que grande parte de seu citoplasma é preenchido por RER. O RER sintetiza as enzimas que são, posteriormente, armazenadas em vesículas de secreção, denominadas grânulos de zimogênio, para serem secretadas dentro do intestino delgado. Célula acinosa Os plasmócitos são células especializadas na produção de anticorpos (imunoglobulinas) que são moléculas formadas por proteínas do tipo globulina e que têm como função atuar na defesa do organismo contra patógenos. Nos plasmócitos, as globulinas são sintetizadas por polirribossomos aderidos ao RER, sendo assim, nestas células, o RER é bastante desenvolvido. Quando visualizados ao microscópio, os plasmócitos apresentam forma ovóide com núcleo ligeiramente deslocado. 5. Retículo Endoplasmático Agranular (LISO) ESTRUTURA O retículo endoplasmático liso (REL) também é chamado de agranular, porque não possui o granulo chamado ribossomo aderido a membrana sobre o lado citosólico, diferenciando assim do reticulo endoplasmático rugoso (RER) estudado no item 3. A sua membrana dá continuidade à membrana do RER. Reticulo endoplasmático rugoso (A) e o retículo endoplasmático liso (B). O REL é formado por uma rede de túbulos cilíndricos interligados e, como já dissemos, sem a presença dos ribossomos aderidos à membrana. O volume e a distribuição espacial do REL variam nos diferentes tipos de células, de acordo com as diversas funções de cada tipo de célula presente no organismo. Mas, quais seriam essas funções? De uma forma geral, o REL possui várias funções tais como, síntese de lipídios e hormônios esteroides, desintoxicação com a transformação de compostos tóxicos lipossolúveis ou insolúveis em compostos hidrossolúveis, armazenamento do mineral cálcio nas células do músculo estriado. Então vamos ver com mais detalhes as funções do REL nas diversas células do organismo no item a seguir. CÉLULAS ESPECIALIZADAS E AS FUNÇÕES DO REL Você lembra que no módulo 2 estudamos sobre a membrana plasmática? Lembra que ela é formada por proteínas e lipídios nas células animais? Então, onde são sintetizados os fosfolipídios, glicolipídios e colesterol que são os principais lipídios constituintes da membrana plasmática? Se você está pensando: no REL, acertou! Membrana plasmática formada por dupla camada de fosfolipídios e por proteínas. O REL tem como principal função a síntese e transporte de lipídios. É na face citosólica da membrana do REL que ocorre a segunda fase da síntese dos fosfolipídeos. A primeira fase ocorre no citosol onde dois ácidos graxos da CoAs acil graxas são ligados a um glicerolfosfato formando ácido fosfatídico. Na segunda fase, quando o ácido fosfatídico é ancorado na membrana do REL, uma fosfatase o converte em diacilglecerol. Um grupo apical polar é transferido da citosina difosfocolina ao grupo hidroxila formando os fosfolipídios. O movimento dos fosfolipídeos da face citosólica para face interna (exoplasmática) é mediada pelas proteínas flipases permitindo, deste modo, um crescimento uniforme da membrana. São esses fosfolipídios que serão utilizados na formação de todas as membranas que compõem a célula. O colesterol, principal esterol em células animais, é sintetizado principalmente no fígado. Ele é sintetizado por enzimas presentes no citosol e na membrana citosólica do REL. A partir do precursor acetil-CoA ocorrem várias reações bioquímicas tendo como produto final o colesterol. Ele será enviado posteriormente para as membranas celulares e das organelas e ainda será aproveitado para outras reações que ocorrem no REL como, por exemplo, a formação de ácidos biliares no fígado e os hormônios esteroides produzidos nos espermatozoides, ovários e nas suprarrenais. FIQUE SABENDO! A aterosclerose é deposição na camada interna da artéria de colesterol, outros lipídios e material da matriz extracelular causando a obstrução. Ela é a principal responsável pelas doenças cardiovasculares e segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são a primeira causa de mortes em todo mundo. Conheça mais sobre o perfil socioeconômico e os hábitos alimentares de pacientes portadores de aterosclerose no Colesterol na artéria. O colesterol e os fosfolipídios são transportados do REL para a próxima organela, que é o complexo de golgi (será estudada no próximo módulo), por meio de vesículas que “brotam” dele para depois ser distribuído por toda a célula. A biossíntese de hormônios esteroides tem como precursor o colesterol produzido nas membranas do REL. Estes hormônios são sintetizados nas gônadas e no córtex da glândula adrenal. Na síntese desses hormônios tem a participação da organela mitocôndria (já estudada no módulo 4) e as membranas do REL. Logo, o colesterol produzido pelo REL é carregado pelas proteínas transportadoras para as membranas mitocondriais onde vai sofrer hidroxilação e clivagem lateral por meio da cadeia transportadora de elétrons do citocromo P450, formando assim a pregnenolona. Esta é transportada para membrana do REL onde ocorrem novas hidroxilações e isomerização originando a progesterona, e esta vai formar, por exemplo, aldosterona, que é um mineralcorticoide, cortisol que é um glicocorticoide, e andrógenos e estrogênios que são os hormônios sexuais. Os mineralcorticoides, responsáveis pelo controle da reabsorção de íons inorgânicos pelos rins, e os glicocorticoides, que auxiliam na regulação da gliconeogênese e Brasil lendo o artigo: “Hábitos e perfil socioeconômico do paciente aterosclerótico no Brasil”, clicando aqui. na redução da resposta inflamatória, são hormônios sintetizados na glândula adrenal. Já os andrógenos, a progesteronae os estrogênios são hormônios sexuais produzidos nos testículos, ovários e placenta. Síntese dos hormônios esteroides nas glândulas suprarrenais. O REL é bem desenvolvido nas células do fígado (hepatócitos), órgão este que, dentre outras funções, atua no glicogenólise, ou seja, na quebra do glicogênio em glicose, processo este importantíssimo para manutenção do nível de glicose no sangue (glicemia). Esta glicose vai ser utilizada para produção de energia pela célula (reveja, no módulo 4, essa produção de energia realizada pela mitocôndria). Nas membranas do REL há a enzima glicose-6-fosfatase que vai atuar na transformação de glicogênio em glicose. Ela vai remover o grupo fosfato presente nas glicoses, tornando-as assim possíveis de realizar a passagem do meio intracelular para a corrente sanguínea e, assim, fornecer esse monossacarídeo para as células do organismo. Armazenamento e liberação da glicose O fígado é o órgão responsável pelo processo de desintoxicação e neutralização de toxinas, tais como o álcool, medicamentos, drogas psicotrópicas, herbicidas, conservantes e corantes alimentares. Neste processo realizado pelo REL dos hepatócitos, as substâncias tóxicas (hidrofóbicas) sofrem modificações na sua estrutura, e são transformadas em substância mais solúveis em água, facilitando, assim, sua eliminação do organismo, principalmente pela via renal. Na membrana do REL há um complexo enzimático conhecido como citocromo P450 (CYP) que atua nos processos de acetilação, conjugação, metilação e oxidação, tornando as substâncias tóxicas em inócuas. Estudos mostram que o consumo constante de substâncias tóxica, por exemplo, de drogas (sedativos e barbitúricos) promovem uma proliferação na quantidade de REL e suas enzimas associadas a desintoxicação nas células hepáticas aumentando a taxa de desintoxicação, o que acaba levando as pessoas a aumentar a tolerância as drogas, e para que elas possam ter o efeito desejado precisam, cada vez mais, ingerir maiores quantidade. Além disso, o aumento de tolerância a uma droga pode causar tolerância a outras como, por exemplo, certos antibióticos. Além do fígado, o pulmão, os rins, a pele, o cérebro e o intestino realizam destoxificação celular mediada pelo citocromo P450, mas o fígado é o principal local de destoxificação. Metabolismo hepático dos fármacos. O REL nas células musculares recebe o nome de retículo sarcoplasmático e nele a rede de túbulos é longitudinal e cobre as miofilamentos (actina e miosina). O retículo sarcoplasmático tem como função armazenar, em seu interior, o cálcio (Ca ) que participa da contração muscular. Quando a célula muscular está relaxada, a quantidade de cálcio no citoplasma é baixa, porém quando ela recebe um impulso elétrico ocorrem alterações na permeabilidade da membrana do retículo e o cálcio, que está dentro do retículo sarcoplasmático, é liberado para o citoplasma. No citoplasma, o cálcio se liga a troponina, que remove a tropomiosina do sítio de ligação da actina com a miosina (lembra-se desses nomes)? Vimos no módulo 3, permitindo, assim, a contração dos miofilamentos. Quando cessa o estímulo, o excesso de cálcio retorna para o interior do reticulo por um +2 processo ativo. Hoje em dia, fala-se tanto em reciclagem e reutilização, e as células já fazem isso há muito tempo. Músculo esquelético com suas estruturas, sendo uma delas o retículo sarcoplasmático 6. Conclusão O retículo endoplasmático é uma organela exclusiva das células eucariotas. Ele é formado por uma complexa rede contínua de PARA SABER MAIS! Saiba mais sobre a contração muscular lendo o artigo: “Biologia molecular: o movimento de contração muscular e a importância do cálcio”, clicando aqui. membranas e ocupa a maior parte do citoplasma. Existem dois tipos de retículo, o rugoso (RER) e o liso (REL), que têm como principal função a síntese de proteínas e lipídios, respectivamente. Os ribossomos livres sintetizam proteínas no citosol, enquanto os que estão grudados no RER sintetizam para dentro do lúmen do retículo. São organelas que possuem funções diversas dependendo do tipo de célula do organismo. 7. Referências COOPER, G.M.; HAUSMAN, R.E. A célula: uma abordagem molecular. Tradução de Maria Regina Borges-Osório. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. 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