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Medição de Vazão Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DISCIPLINA: IT 503 – FUNDAMENTOS DE HIDRÁULICA Seropédica - RJ ❑ Introdução e Princípios Básicos; ❑ Propriedades Físicas dos Fluidos; ❑ Estática dos Fluidos; ❑ Hidrodinâmica; ❑ Medição de Vazão; ❑ Condutos Forçados; ❑ Bombas Hidráulicas; e, ❑ Condutos Livres. Programa da Disciplina Escada hidráulica ❑ Hidrometria; ❑ Medição direta da vazão; ❑ Vertedores; ❑ Flutuador; ❑ Venturi; ❑ Tubo de Pitot; ❑ Orifícios e Bocais; ❑ Calhas medidoras (Parshall e WSC); e ❑ Medidores eletromagnéticos. Tópicos da Aula É a parte da Hidráulica que estuda os métodos de medição da vazão, aplicados a condutos forçados como também a condutos livres. Tais medidas são realizadas para diversos fins, dentre eles pode-se citar: o abastecimento de água, lançamento de esgotos, instalações hidrelétricas, obras de irrigação, defesa contra inundações, entre outros. Podem ser divididos em três grupos: métodos diretos; métodos baseados na relação área-velocidada; e , médotos que empregam uma contração da seção de escoamento. Hidrometria Medição Direta da Vazão Método volumétrico: Consiste na determinação do tempo necessário para encher um recipiente de volume conhecido. Este método é aplicável a pequenas vazões (Q 10 L s-1); devem ser feitas pelo menos três medições do tempo e trabalhar com o valor médio. 𝑄 = 𝑉𝑜𝑙 𝑡 Q – vazão, m3 s-1; Vol – volume do recipiente, m3; e, t – tempo, s. 𝑄𝑚𝑒𝑑 = 𝑄1 + 𝑄2 + 𝑄3 3 Exemplo 2: Vazão em sulco de Irrigação A – 4 cm ; b – N.A.; c – fundo do sulco; d- trincheira; e – recipiente; f – calha ou cano; g- dique Exemplo 1: Vazão em canalizações de pequenos diâmetros. Método Gravimétrico: Consiste na pesagem de um determinado volume de fluido coletado em um determinado tempo. Hidrômetro: São aparelhos empregados para à medição da quantidade de água que escoa em intervalos de tempo longos. Utilizados em instalações prediais e industriais. Medem até 800 L s-1. 𝑄 = 𝑝𝑒𝑠𝑜 𝑡𝑒𝑚𝑝𝑜 = 𝑝𝑒𝑠𝑜 𝛾 𝑥 𝑡 Q – vazão, m3 s-1; peso - N; γ – peso específico, N m-3; e, t – tempo, s. Medição Direta da Vazão Vertedores Denomina-se vertedores a equipamentos simples, que nada mais são do que aberturas feitas na parte superior de uma parede ou uma placa, através da qual escoa o líquido cuja vazão se quer medir (PERES, 2006). São utilizados para a medição e controle da vazão de pequenos cursos d’água, canais, nascentes, e galerias (Q ≤ 300 L s-1); extravasadores de barragens; decantadores e ETA; ETE. Partes constituintes: d ≥ 4H Distância desde o fundo do canal até a soleira do vertedor = altura da soleira (p); Profundidade do curso d’água a jusante do vertedor (p’); Lâmina de água acima da soleira do vertedor = carga hidráulica (H). AZEVEDO NETTO et al. (1998). Classificação dos vertedores: Vertedores 1. Quanto a forma: (b)(a) 2. Quanto a altura relativa da soleira: (a) simples: retangular, triangular, trapezoidal, circular, entre outros; (b) compostos: seções simples combinadas. (a) vertedores completos ou livres (p > p’); (b) vertedores incompletos ou afogados (p p’): o lençol cai livremente à jusante do vertedor, onde atua a pressão atmosférica. Esta é a situação que tem sido mais estudada e deve por isso ser observada quando na instalação do vertedor; Vertedores incompletos ou afogados (pVertedores Vertedor Trapezoidal de parede delgada (Cipolletti): São os mais utilizados para medir a vazão de canais de irrigação. O seu tipo mais comum é o vertedor Cipollette, cuja característica principal é apresentar o talude das faces inclinadas de 1:4 ( 1 horizontal : 4 vertival). Segundo especialistas, este arranjo tem a função de compensar, e até mesmo anular o efeito da contração lateral da lâmina ao escoar sobre a crista. A vazão é dada pela soma das vazões do vertedor retangular e triangulares: 2 5 Q 2 3 Q H 2 tgCg2 15 8 LHCg2 3 2 Q 21 += 2 3 QQ LH 2 tgC L H 5 4 Cg2 3 2 Q 21 += CQ 2 3 QLHCg2 3 2 Q = Experimentalmente obtêm-se CQ = 0,63, assim: 𝑄 = 1,86𝐿𝐻 Τ3 2 Vertedores Cipolletti considerou: CQ = 0,63; 0,08 3H; largura do canal (B) > 7H; e, largura de cada contração > 2H. 𝑄 = 1,518𝐷0,693𝐻1,807 Vertedor Circular : Vertedor Trapezoidal de parede delgada (Cipolletti): ❑ Mais eficiente para pequenos valores de H; ❑ Fácil construção e instalação; ❑ Não requer nivelamento da soleira; ❑ Pouco empregado. Q – vazão, m3 s-1; D – diâmetro, m; e, H – carga hidráulica, m. Vertedores Vertedor Retangular de parede espessa: Tem espessura suficiente para que se estabeleça o paralelismos entre as linhas de corrente, o que confere uma distribuição hidrostática da pressão. Segundo o Princípio de Bélanger, a altura sobre a soleira se estabelece de maneira a produzir uma vazão máxima. Aplicando Bernoulli entre (0) e (1) para a linha de corrente AB, chega-se a: 𝑄𝑡ℎ = 𝐿 2𝑔 𝐻ℎ2 − ℎ3 Τ1 2 Bélanger observou que: ℎ = 2 3 𝐻 Assim, para um fluido real: 𝑄 = 0,385 2𝑔𝐶𝑄𝐿𝐻 Τ3 2 Observações empíricas levam a um CQ = 0,91, tem-se : 𝑄 = 1,55𝐿𝐻 Τ3 2 Esse vertedor, geralmente, compõe uma estrutura hidráulica (como, vertedor de barragem). Vertedores Recomendações de instalação e operação: ✓ Deve-se escolher um trecho do canal retilíneo à montante, com pelo menos 20 H de comprimento; na prática, pelo menos 3 metros; ✓ A altura da soleira deve ser, no mínimo, igual a 3H (permite velocidade de aproximação = 0); e da face a margem deve-se ter a distância mínima de 2H; ✓ A soleira deve estar em nível, e apresentar corte em bizel a jusante; ✓ A veia líquida deve ser livre; ✓ A carga H deve ser medida a montante do vertedor a uma distância de 5H a 10H. Na prática se adota uma distância de 1,5 m; ✓ A relação H/Lpor atrito externo e viscosidade. th V v v C = )hh(g2Cv 10V −= )hh(g2ACvAQ 10CVC −== ACA CC =∴ )hh(g2ACCQ 10CV −= CVQ CCC = Na prática pode-se adotar CQ =0,61. Na prática pode-se adotar CV =0,985. )hh(g2ACQ 10Q −= Orifícios e Bocais AZEVEDO NETTO et al. (1998). Orifícios e Bocais Orifício com escoamento livre e paredes delgadas: h1= 0 ghACQ Q 2= Orifício com grandes dimensões: Nestes casos não se pode admitir que todas as partículas atravessam o orifício com a mesma velocidade. Adicionalmente a carga é variável em cada trecho elementar de espessura dh. 𝑄 = 2 3 𝐶𝑄𝐴 2𝑔 ℎ2 Τ3 2 − ℎ1 Τ3 2 ℎ2 − ℎ1 h2 h h1 AZEVEDO NETTO et al. (1998). Orifícios e Bocais Bocais: São constituídos por peças tubulares adaptadas aos orifícios, com a finalidade de dirigir o jato. (bocal = entre 2d e 3d). Classificação geral: AZEVEDO NETTO et al. (1998). ❑ Comprimento de 1,5 a 3,0 D – bocais; ❑ Comprimento de 3,0 a 500 D – tubos muito curtos; ❑ Comprimento de 500 a 4.000 D – tubulação curtas; ❑ Comprimento ˃ 4.000 D – tubulação longa; Figura. Diferentes tipos de bocais. A vazão nos bocais é determinada aplicando-se a fórmula geral para os orifícios pequenos Orifícios e Bocais AZEVEDO NETTO et al. (1998). Exemplo 3: De quanto aumentará a vazão, quando adaptarmos um bocal cilíndrico externo ao orifício da figura abaixo? Dados: CQ (orifício) = 0,61; CQ (bocal) = 0,82). Orifícios e Bocais Exemplo 4: Um orifício fornece a vazão de 5 m3 h-1 a uma pressão de 2,5 kgf cm-2. Calcule a nova vazão que o mesmo deverá fornecer quando a pressão for 3,5 kgf cm-2. 2/3 B Calhas Medidoras Calhas Parshall São medidores de regime crítico, onde se verifica o escoamento permanente não-uniforme. Constitui-se basicamente de três seções: uma seção com paredes laterais convergentes e o fundo nivelado, uma seção com paredes paralelas e o fundo com declividade (garganta), e uma seção (à jusante) com paredes laterais divergentes e o fundo em aclive. PERES (2006). Calhas Medidoras Calhas Parshall Tabela. Dimensões padronizadas da calha Parshal (mm) e valores limites de vazão (L s-1) em função da largura da garganta. Sua vazão pode variar de 0,3 L s-1 até 85.000 L s-1. A largura da garganta (W) é indicada para designar o tamanho do Parshall, o qual vai depender da vazão a ser medida. W (mm) A B C D E F G´ K N Vazões (L s-1) Mín. Máx. 76 (3”) 466 457 178 259 381 152 305 25 57 0,85 53,8 152 (6") 621 610 294 393 457 305 610 76 114 1,52 110,4 229 (9") 880 864 380 575 610 305 457 76 114 2,55 251,9 305 ( 1') 1370 1340 601 845 915 610 915 76 229 3,11 455,6 457 (1½') 1449 1420 762 1026 915 610 915 76 229 4,25 696,2 610 (2') 1525 1496 915 1207 915 610 915 76 229 11,89 936,7 915 (3') 1677 1645 1220 1572 915 610 915 76 229 17,26 1426 1220 (4') 1830 1795 1525 1938 915 610 915 76 229 36,79 1921 1525 (5') 1983 1941 1830 2303 915 610 915 76 229 62,80 2422 1830 (6') 2135 2090 2135 2667 915 610 915 76 229 74,40 2929 2135 (7') 2288 2240 2440 3030 915 610 915 76 229 115,4 3440 2440 (8') 2440 2392 2745 3400 915 610 915 76 229 130,7 3950 Calhas Medidoras Calhas Parshall A vazão em medidores com descarga livre é determinada pela seguinte equação: Q - vazão (m3 s-1); Ha - altura do nível d´água no ponto A (m); e W - largura da garganta (m). Submergência limite para ocorrência de descarga livre: Hb/Ha ≤ 0,6 para Parshall de 3”, 6” e 9” (polegadas); Hb/Ha ≤ 0,70 para Parshall de 1’ a 8’ (pés). Podem ser operadas sob duas condições de descarga, sendo-as: livre ou afogada. Na condição de descarga livre o nível da água na saída não afeta o nível da água na crista do vertedor, assim, basta a leitura de Ha para determinação da vazão. Quanto a descarga afogada deve-se realizar a medida das duas cargas hidráulicas (Ha e Hb) para se determinar a vazão. Q = 2,2W𝐻𝑎 Τ3 2 AZEVEDO NETTO et al. (1998). Calhas Medidoras Calhas WSC Medidor crítico desenvolvido pelo Washington State College (USA), adaptando-se bem para as medidas de vazão em sulcos de infiltração e de canais de pequeno porte. Difere dos medidores Parshall por apresentar uma garganta na forma triangular, com uma abertura de 60°. As calhas WSC são padronizadas em três diferentes tamanhos: ❑ Calha pequena (tipo A): aplicada para medir vazão em sulcos de infiltração; ❑ Calha média (tipo B): aplicada para medir vazão em sulcos de infiltração e pequenos canais; ❑ Calha grande (tipo C): aplicada para medir vazão em canais de grande porte. AZEVEDO NETTO et al. (1998). Calhas Medidoras Calhas WSC Calha do tipo A. Mede vazões variando de 0,067 a 1,67 L s-1. Calhas Medidoras Calhas WSC Necessitam ser calibradas, sendo a sua relação funcional dada pela equação abaixo: AZEVEDO NETTO et al. (1998). Q - vazão; H - carga hidráulica na seção convergente; e a e b - coeficientes empíricos para cada modelo de calha. Q = a𝐻𝑏 Para uma estimativa preliminar, segundo PERES (2006), pode-se aplicar a equação abaixo: Q – vazão (L s-1); H - carga hidráulica na seção convergente (cm). Q = 0,0055𝐻2,54 Medidores Eletromagnéticos São equipamentos que introduzem a formação de um campo eletromagnético no interior da tubulação que se deseja medir a vazão. Quando um líquido se desloca perpendicularmente a um campo eletromagnético ocorre a geração de uma força eletromotriz, cuja intensidade é proporcional a velocidade de escoamento e a intensidade do campo magnético gerado pelo medidor (Lei de Faraday) 𝐸 = 𝑢 𝑥 𝐵 E – intensidade do campo elétrico; u – velocidade do fluido condutor; e, B – indução magnética. eletroímã eletrodos Tubo não condutivo Medidores Eletromagnéticos Vantagens: ❑ Permite a automação na medição da vazão; ❑ Ausência de perda de carga; ❑ Medição independe da temperatura, viscosidade, densidade e turbulência do líquido; ❑ Bidirecionalidade. Limitações: ❑ Fluido necessita ser condutivos (mínimo de 5 μS cm-1); ❑ Custo. Recomenda-se instalar esse equipamento em trecho reto do tubo, variando de 5 a 50 diâmetros do tubo a jusante do medidor, e de 5 e 10 diâmetros a montante o medidor. “Amo a liberdade. Por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as tive ” John Lennon Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50