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Experimentação É uma parte da estatística probabilística que estuda o planejamento, execução, coleta de dados, análise e interpretação dos resultados provenientes de experimentos. A experimentação oferece suporte probabilístico ao pesquisador permitindo fazer inferências sobre o comportamento de diferentes fenômenos da natureza, com grau de incerteza (margem de erro) conhecido. Sampaio I.B.M., 2015 Origem Boa parte da formalização que existe hoje em experimentação se deve a Sir Ronald A. Fisher (1890-1962), um estatístico que trabalhou na Estação Experimental de Agricultura de Rothamstead, na Inglaterra. É a origem agrícola da experimentação que explica o uso de vários termos técnicos. Sampaio I.B.M., 2015 Observação do fenômeno L Raciocínio dedutivo L Formulação de hipótese E Instalação do experimento E Colheita de resultados E Compactação dos resultados E Teste de hipótese E + L Conclusão tentativa Passos da metodologia científica e as intervenções da estatística (E) e da lógica (L) no decorrer de uma pesquisa Abelha Produção Ambiente Produção Conceitos básicos da experimentação ✓Experimento ou ensaio ✓Tratamento ✓Unidade experimental (parcela) ✓Variável resposta ✓Delineamento experimental Experimento ou ensaio: é um trabalho previamente planejado, que segue determinados princípios básicos e no qual se faz a comparação dos efeitos dos tratamentos. Tratamento: é o método, elemento ou material cujo efeito desejamos medir ou comparar em um experimento. Exemplos: variedades de milho espaçamentos para uma cultura métodos para o controle da mosca-das-frutas materiais dos recipientes para a produção de mudas níveis de proteína na ração cruzamentos entre raças métodos para o controle de parasitos protocolos hormonais de inseminação artificial Tipos de tratamento Qualitativo Quantitativo espécies de eucalipto densidades de semeadura na cultura do arroz métodos de preparo de solo níveis de nitrogênio para a cultura do trigo métodos de irrigação na cultura do melão doses de um herbicida para controlar plantas invasoras na cultura do sorgo tipos de adubos químicos na cultura da soja espaçamentos entre fileiras para a cenoura sistemas de plantio na cultura do milho tempos e temperaturas para secagem de grãos fungicidas para controlar o agente causador da mancha púrpura em alho doses de um inseticida para controlar a lagarta do cartucho na cultura do milho raças de caprino de corte temperaturas para o crescimento microbiano rações para alimentação de suínos doses de um vermífugo para suínos vermífugos para o controle de verminose níveis de lisina na nutrição de frangos de corte vacinas para controle da aftosa em bovino níveis de cálcio na ração de poedeiras tipos de manejo em bovino de leite níveis de ureia adicionados à silagem Unidade experimental: é a unidade que vai receber o tratamento e fornecer os dados que deverão refletir seu efeito. Exemplos: tubo de ensaio ou vaso com uma planta fileira de plantas canteiro de plantas piquete com gramíneas um animal ou um grupo deles placa de Petri com um meio de cultura sêmen coletado de um animal produto fabricado Variável resposta: é a variável mensurada ou atributos usados para avaliar o efeito de tratamentos. Tratamento Variável resposta espécies de eucalipto diâmetro do caule níveis de nitrogênio para uma forrageira altura das plantas métodos de irrigação na cultura do melão produção de melão tempos e temperaturas para secagem de grãos umidade métodos para a quebra da dormência % de sementes germinadas doses de um inseticida para controlar a lagarta do cartucho na cultura do milho % de lagartas mortas temperaturas para o crescimento microbiano número de microrganismos raças de caprino de corte maciez da carne vacinas para controle da aftosa em bovino quantidade de anticorpos produzidos níveis de ureia adicionados à silagem ganho de peso tipos de manejo para vacas leiteiras produção de leite Delineamento experimental: é o plano utilizado na experimentação e implica na forma como os tratamentos serão designados às unidades experimentais e em um amplo entendimento das análises a serem feitas quando todos os dados estiverem disponíveis. Exemplos: Delineamento inteiramente casualizado (DIC) Delineamento em blocos casualizados (DBC) Delineamento em quadrado latino (DQL) Experimentos fatoriais Experimentos em parcelas subdivididas, etc. Princípios básicos da experimentação ✓Repetição das unidades experimentais ✓Casualização das unidades experimentais ✓Controle local Princípios básicos da experimentação ✓Repetição das unidades experimentais Princípios básicos da experimentação ✓Casualização das unidades experimentais A A AAA A A A B BBBBB BB Princípios básicos da experimentação ✓Controle local AB B BB AA A AB AA A B BB B Réplicas Duplicatas Triplicatas Quadruplicatas Análise microbiológica PRODUTO ASPECTOS VISUAIS E FORMATOS TOQUE OU TEXTURA FRAGRÂNCIA SABOR ASPECTOS SONOROS EMOÇÕES OU SENTIMENTOS Análise sensorial de alimentos Avaliação de aditivos aplicados a camas de frango Avaliação de dietas Avaliação de manejos Avaliação de fertilizantes Avaliação de cultivares Avaliação de consórcios Avaliação de consórcios Avaliação de híbridos de milho Avaliação de cobertura vegetal no solo No delineamento inteiramente casualizado (DIC), também denominado ensaio randômico, a distribuição dos tratamentos às unidades experimentais é feita inteiramente ao acaso. O DIC utiliza apenas os princípios básicos da repetição e da casualização. Como não faz restrições na casualização, o uso do DIC pressupõe que as unidades experimentais estão sob condições homogêneas. Estas condições homogêneas geralmente são obtidas em locais com ambientes controlados tais como laboratórios, estufas e casas de vegetação. Delineamento inteiramente casualizado O delineamento em blocos casualizados (DBC) utilizada os princípios básicos da repetição, casualização e do controle local. O uso do controle na casualização só é recomendado quando as unidades experimentais não são ou não estão sob condições homogêneas devido à influência de um ou mais fatores. Para utilizar este princípio, é necessário inicialmente dividir as unidades experimentais em blocos de unidades de tal forma que dentro de cada bloco haja homogeneidade e um número de unidades igual ao número de tratamentos do experimento. A distribuição dos tratamentos às unidades é feita então, por sorteio, dentro de cada bloco. Delineamento em blocos casualizados Delineamento experimental: inteiramente casualizado (DIC) Tratamento: Comparação de 3 tipos de anestésico local (A, B e C) com 4 repetições Unidade experimental: 12 animais com características físicas semelhantes Variável resposta: tempo de anestesia Princípios básicos: Repetição Casualização Delineamento experimental: blocos casualizados (DBC) Tratamento: Comparação de 4 tipos de ração para suínos (A, B, C e D) com 3 repetições Unidade experimental: 12 animais de mesma raça e sexo, sendo divididos em 3 grupos (blocos) de idade e peso semelhantes Variável resposta: ganho de peso Princípios básicos: Repetição Casualização Controle local Bloco 1 Bloco 2 Bloco 3 A B A A BC B CD C D D Bloco 1 Bloco 2 Bloco 3 Delineamento experimental: blocos casualizados (DBC) Tratamento: Comparação de quatro variedades de mandioca (A, B, C e D) com 3 repetições Unidade experimental: 12 faixas de terra, sendo divididas em três áreas (blocos) de fertilidades semelhantes Variável resposta: produção Princípios básicos: Repetição Casualização Controle local A A A B B B C C C D D D Bloco 1 Bloco 2 Bloco 3 Delineamento em quadrado latino destes blocos deve conter I unidades experimentais. Ao final são necessários I2 unidades experimentais. Cadauma destas I2 unidades experimentais é classificada segundo cada um dos dois fatores perturbadores. Uma vez formados os blocos, distribui-se os tratamentos ao acaso com a restrição que cada tratamento seja designado uma única vez em cada um dos blocos dos dois fatores perturbadores. Na representação de um DQL, os níveis de um fator perturbador são identificados por linhas e os níveis do outro fator perturbador são identificados por colunas em uma tabela de dupla entrada. No delineamento em quadrado latino (DQL), além dos princípios da repetição e da casualização, é utilizado também duas vezes o princípio do controle na casualização para controlar o efeito de dois fatores perturbadores que causam variabilidade entre as unidades experimentais. Para controlar esta variabilidade, é necessário dividir as unidades experimentais em blocos homogêneos de unidades experimentais em relação a cada fator perturbador. O número de blocos para cada fator perturbador deve ser igual ao número de tratamentos. Por exemplo, se no experimento estão sendo avaliados I tratamentos, deve ser formado para cada fator perturbador I blocos e cada um Delineamento experimental: quadrado latino (DQL) Tratamento: Comparação de 4 tipos de ração (A, B, C e D) para cães de 4 raças e de 4 idades distintas Unidade experimental: 16 animais formados por 4 raças e 4 idades distintas Variável resposta: ganho de peso Princípios básicos: Repetição Casualização Duplo controle local Raça 1 Raça 2 Raça 3 Raça 4 C B D A A C B D A A D D B B C C Idade 1 Idade 2 Idade 3 Idade 4 L1 A D C B L2 B A D C L3 C B A D L4 D C B A C1 C2 C3 C4 L2 B A D C L1 A D C B L4 D C B A L3 C B A D C3 C2 C4 C1 D A C B C D B A B C A D A B D C Casualização no delineamento em quadrado latino Reposicionando A, B, C e D nas colunas Sorteando as linhas Sorteando as colunas Casualização para 4 tratamentos representados pelas letras A, B, C e D BANZATO, D. A., KRONKA, S. N. Experimentação agrícola. 4. ed. Jaboticabal: FUNEP, 2013. 237 p. BARBIN. D. Planejamento e análise estatística de experimentos agronômicos. 2. ed. Viçosa: Mecenas, 2013. 214 p. FERREIRA, P. V. Estatística experimental aplicada às ciências agrárias. Viçosa: UFV, 2018. 588 p. AVIVA, P., WATSON, P. Estatística em ciência animal e veterinária. 2. ed. São Paulo: Roca, 2009. 248 p. SAMPAIO, I. B. M. Estatística aplicada à experimentação animal. 4. ed. Belo Horizonte: FEPMVZ, 2015. 265 p. Bibliografia