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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
ELLEN THAYNNÁ MARA DELGADO BRANDÃO E MILENA BARBOSA DE MELO
U N I D A D E 2
O Direito é um ramo com uma grande extensão de
disciplinas, todas tendo fundamental importância.
Estudaremos nesta Unidade uma dessas disciplinas, que é
o Processo Civil. Entre os variados conteúdos que essa
disciplina tem, nesta Unidade iremos tratar da do
processo e da competência.
UNIDADE 2| INTRODUÇÃO
Fonte: Pixabay
1. Entender o procedimento e a relação jurídica processual.
2. Identificar os princípios processuais.
3. Compreender o que vem a ser competência relativa e absoluta e os critérios para
fixação de competência.
4. Diferenciar as espécies de competência.
UNIDADE 2 | OBJETIVOS
Podemos concluir que o processo e o
procedimento são diferentes, pois o
processo compreende o conjunto dos atos
que prolongam no tempo, estabelecendo,
assim, uma relação perdurável entre as
pessoas que compõe a relação processual;
em contrapartida, o procedimento
compreende a forma pela qual a lei
determina que os atos serão encadeados.
PROCEDIMENTO E RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL
Fonte: Elaborada pelas autoras com base em 
Neves (2016).
Petição Inicial Recebimento Citação do réu
Resposta
Saneamento ou 
julgamento 
antecipado 
Provas
JULGAMENTO
“A relação jurídica do processo é formada pelo demandante, demandado e pelo Estado-
juiz, sendo essa a estrutura mínima que se verifica normalmente no caso concreto”
(NEVES, 2016, p. 101).
Ainda de acordo com Neves (2016), a relação jurídica de direito processual tem algumas
características, sendo elas:
Autonomia – mesmo não existindo relação jurídica de direito material, existirá a relação
jurídica de direito processual, sendo ele autônomo.
Complexidade – a relação jurídica processual se torna complexa devido às situações
jurídicas que são verificadas durante o trâmite procedimental.
Dinamismo – as relações jurídicas processuais estão em constante movimento, pois elas
são continuadas, se desenvolvendo durante o tempo.
Unidade – os atos praticados durante a relação jurídica processual pelas partes estão
todos interligados de forma lógica, sendo um ato dependente do outro.
A relação jurídica de direito processual também
deve preencher determinados requisitos para que
possa ser válido, chamado pressupostos
processuais. Estes devem ser analisados antes de o
juiz responder o pedido do autor.
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
Fonte: Pixabay
Os pressupostos processuais são: investidura, imparcialidade, capacidade de ser parte,
capacidade de estar em juízo, capacidade, demanda, petição apta e citação válida.
Existem os pressupostos processuais negativos, devido ao fato de o vício ser verificado
pela presença do pressuposto processual, sendo eles: coisa julgada material,
litispendência, perempção, convenção e arbitragem.
De acordo com o art. 5°, inciso LIV, da
Constituição Federal “ninguém será privado da
liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal” (BRASIL, 1988). Esse é o artigo garantidor
do princípio do devido processo legal, sendo
considerado a base para os demais princípios.
PRINCÍPIOS PROCESSUAIS
Fonte: Pixabay
De acordo com Gonçalves (2018), o princípio do devido processo legal é analisado por
duas óticas, sendo elas:
Devido processo legal substancial – se refere à elaboração e à interpretação das normas,
sendo uma autolimitação ao poder estatal, evitando que a atividade legislativa seja
abusiva e irrazoável, que não pode editar normas que ofendam a razoabilidade e
afrontem as bases do regime democrático.
Devido processo legal formal – é onde se encontra a definição tradicional do princípio.
Diz respeito à tutela processual, isto é, ao processo, às garantias que devem ser
respeitadas e às regras da lei que devem ser obedecidas.
O art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal diz
que “aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e a ampla defesa,
com os meios e recursos a ela inerentes”
(BRASIL, 1988).
CONTRADITÓRIO
Fonte: Pixabay
De acordo com Neves (2016), existem duas formas de comunicação de atos processuais
reconhecidas pelo Código de Processo Civil, sendo elas resultantes do contraditório:
Intimação – responsável pela ciência a alguém dos atos e dos termos do processo, de
acordo com o art. 269 do Código de Processo Civil, devendo ser realizada por meio
eletrônico sempre que possível.
Citação – é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para
integrar a relação processual, nos termos do art. 238 do Código de Processo Civil. A
citação pode ser feita pelo correio; por oficial de justiça; pelo escrivão ou chefe de
secretaria, se o citando comparecer em cartório; por edital ou por meio eletrônico.
Gonçalves (2018) diz que sem a devida fundamentação, as partes, os órgãos superiores
e a sociedade não conheceriam o motivo pelo qual o juiz ter tomado aquela decisão,
sendo assim, a fundamentação é indispensável para a fiscalização da atividade judiciária,
assegurando a transparência.
Isonomia: sabe-se que nem todas as pessoas são iguais, assim, o legislador e o juiz
devem considerar as peculiaridades de cada sujeito.
Publicidade: todos os julgamentos do Poder Judiciário serão públicos, assim, o
princípio da publicidade garante o controle do comportamento no processo do juiz,
dos advogados, do promotor e das partes.
Duração razoável do processo: as partes têm o direito de obter, em prazo razoável, a
solução integral do mérito.
Boa-fé: aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de
acordo com a boa-fé.
Instrumentalidade das formas: sempre que um ato processual tiver uma forma
prevista em lei, deve ele ser praticado de acordo com essa formalidade legal, sob
pena de nulidade.
Duplo grau de jurisdição: garante a parte do direito de buscar o reexame da causa
por órgão jurisdicional superior.
De acordo com Becker (2018), a competência é a
delimitação da jurisdição em um determinado
espaço territorial específico. Dessa forma, muitas
pessoas afirmam que a competência é o limite da
jurisdição.
COMPETÊNCIA 
Fonte: Pixabay
De acordo com Becker (2018), a competência é fixada no momento em que a ação é
proposta, e é considerada proposta a ação no momento em que ela é protocolada. No
caso do réu, a propositura da ação ocorre somente após dele ser devidamente citado,
de acordo com o art. 312 do Código de Processo Civil.
Para que possamos entender o sistema de competência, precisamos, primeiramente,
diferenciar o que vem a ser competência relativa e absoluta.
De acordo com Neves (2016), as regras de
competência relativa dizem respeito à vontade das
partes, por meio da criação de normas que buscam
proteger as partes da demanda, viabilizando a elas
a opção por sua aplicação ou não no caso
concreto. Por serem mais flexíveis, a lei poderá
modificar suas regras.
COMPETÊNCIA RELATIVA E ABSOLUTA
Fonte: Freepik
Já nas regras de competência absoluta, suas razões são de ordem pública, em que a
liberdade das partes é desconsiderada, devido ao interesse público prevalecer sobre o
particular. Não havendo flexibilidade, as normas devem ser aplicadas sem nenhuma
ressalva ou restrição.
Deve-se identificar em que categoria (competência relativa ou absoluta) a norma se
encontra, pois disso resultará consequências.
Devemos ressaltar que são casos de competência relativa a fixação do valor da causa,
para que seja visto se é de competência do juizado especial ou da justiça comum e a
fixação do foro, que em regra, é no domicílio do réu, tendo exceções no Código de
Processo Civil.
A competência relativa é a proteção dos interesses particulares, sendo fundada na
garantia constitucional da liberdade.
O autor não pode alegar a incompetência relativa. Tendo em vista que é ele que propõe
a demanda, é na hora da propositura que ele deve se manifestar a respeito da
competência relativa. Há, assim, a preclusão lógica por parte do autor.
Quanto à competência absoluta, ela é fixada em relação à matéria,em razão da pessoa
e em razão da função. Isso é determinado pelo legislador no art. 62 do Código de
Processo Civil ao trazer no texto que a competência determinada em razão da matéria,
da pessoa ou da função é inderrogável por convenção das partes.
De acordo com Neves (2016), existem cinco
espécies de competência, sendo três de
competência absoluta, que são funcional, em
razão da matéria e em razão da pessoa; e existem
duas relativas, que são territorial e valor da causa.
As competências relativas podem
excepcionalmente adquirir a função de absoluta.
ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA
Fonte: Pixabay
A competência territorial é aquela em que é determinado o foro competente para
ingressar com a demanda. A competência funcional diz respeito à competência
hierárquica. No que se refere à competência em razão da matéria, vimos que ela é
determinada devido à natureza da causa.
Já a competência em razão da pessoa é considerada uma competência absoluta,
existindo suas regras na Constituição Federal, nas constituições estaduais e nas leis de
organização judicial, sendo considerada para fixação dessa competência a pessoa que
será processada e julgada.
Por fim, a competência em razão do valor da causa envolve as competências dos
juizados especiais. Vimos que o Juizado Especial Estadual tem competência para julgar
as causas até 40 salários-mínimos; e os Juizados Especiais Federal e da Fazenda Pública,
as causas de até 60 salários-mínimos.
De acordo com Gonçalves (2018), a conexão é um
mecanismo processual que permite que haja a
reunião de duas ou mais ações em andamento,
para que tenham um julgamento conjunto.
CAUSAS DE PRORROGAÇÃO DE COMPETÊNCIA: 
CONEXÃO E CONTINÊNCIA 
Fonte: Pixabay
Haverá conexão de um processo quando houver em comum ou o pedido ou a causa de
pedir. Assim, mesmo que dois processos tenha, as mesmas partes, não contendo nele o
mesmo pedido ou a mesma causa de pedir, não haverá conexão.
Neves (2016) ressalta que a continência é uma espécie de conexão. Para que exista o
fenômeno da continência entre duas ações, de forma obrigatória deverá haver a
identidade de causa de pedir, o que, por si só, já as torna também conexas.
A continência vai além da conexão, pois exige mais requisitos para que seja configurada
no caso concreto.
Gonçalves (2018) ressalta que a reunião só se dará por meio da continência se a ação
que for continente, ou seja, se a ação mais ampla, for proposta posteriormente à ação
contida.
OBRIGADA !

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