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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
ELLEN THAYNNÁ MARA DELGADO BRANDÃO E MILENA BARBOSA DE MELO
U N I D A D E 3
O Direito é um ramo com uma grande extensão de
disciplinas, todas tendo fundamental importância.
Estudaremos nesta Unidade uma dessas disciplinas, o
Processo Civil. Entre os variados conteúdos que essa
disciplina tem, nesta Unidade iremos tratar do
litisconsórcio e da intervenção de terceiro.
UNIDADE 3| INTRODUÇÃO
Fonte: Pixabay
1. Entender o conceito e a classificação do litisconsórcio.
2. Aplicar o princípio da intervenção de terceiros.
3. Discernir sobre casos de denunciação da lide.
4. Identificar o chamamento ao processo, o amicus curiae e o incidente de 
desconsideração da pessoa jurídica. 
UNIDADE 3 | OBJETIVOS
O litisconsórcio se refere às partes do processo. De
acordo com Neves (2016, p. 241), “a doutrina é
pacífica em conceituar o litisconsórcio como a
pluralidade de sujeitos em um ou nos dois polos da
relação jurídica processual que se reúnem para litigar
em conjunto”. Assim, no litisconsórcio haverá mais
de um autor ou mais de um réu.
LITISCONSÓRCIO 
Fonte: Pixabay
Gonçalves (2018) indica que são dois os fundamentos apontados para que a lei autorize
e estimule a formação de litisconsórcio. O primeiro fundamento é a economia
processual, pois com um único processo haverá uma única instrução e uma só sentença,
sendo, assim, mais econômico. O segundo fundamento é a harmonização dos julgados,
sendo esse fundamento a razão principal para formação do litisconsórcio.
Para que o litisconsórcio seja formado, é necessário que os autores ou os réus tenham
alguma afinidade em comum, estando em situação semelhante. Se as suas ações
fossem protocoladas separadamente, correria o risco de serem distribuídas em juízos
diferentes, havendo, assim, o risco de serem obtidos resultados diferentes, risco esse
que é evitado com o litisconsórcio.
Sabendo que o litisconsórcio é a possibilidade de
haver a reunião de autores ou de réus no processo,
é importante questionarmos: sempre poderá haver
essa reunião de autores e réus?
A resposta para essa pergunta é não, isso porque
existem situações em que a lei não permite essa
reunião, pois poderão gerar situações atípicas e que
podem ser consideradas prejudiciais para o
processo.
HIPÓTESES DE CABIMENTO 
Fonte: Pixabay
Dessa forma, o art. 113 do Código de Processo Civil traz em seu texto que podem litigar
no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, as seguintes hipóteses:
Se entre os sujeitos houver comunhão de direitos ou de obrigações – quando existe
pluralidade de autores ou de réus, dessa relação jurídica surgirá direitos e obrigações
em que a sua titularidade será de mais de um sujeito, sendo estes habilitados a litigar
em litisconsórcio.
Havendo conexão pelo pedido ou pela causa de pedir. De acordo com o art. 55 do
Código de Processo Penal, são consideradas conexas duas ou mais ações quando for
comum entre elas o pedido ou a causa de pedir. Dessa forma, é permitido que haja a
formação de litisconsórcio quando há mesmo pedido ou mesma causa de pedir.
Existir afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito – de acordo com
Neves (2016), nesse ponto não se exige a identidade de fatos, pois se assim exigisse,
seria caso de conexão, assim, basta para se admitir o litisconsórcio e a afinidade, ou
seja, a semelhança de questões por um ponto que se tenha em comum de fato ou de
direito.
Para que haja a classificação de qualquer matéria jurídica, devem ser considerados
critérios. De acordo com Neves (2016), na classificação do litisconsórcio são utilizados
quatro critérios, sendo eles:
Posição processual na qual foi formado.
Momento de sua formação.
Sua obrigatoriedade ou não.
O destino dos litisconsortes no plano material.
Critérios utilizados para a classificação do litisconsórcio:
Ativo, passivo e misto (pluralidade de autores e réus).
Inicial (formado desde a propositura da ação) e ulterior (formado após a propositura da
ação).
Necessário (formação obrigatória) e facultativo (formação se dá por escolha das
partes).
Unitário (quando o juiz se encontrar obrigado a decidir de maneira uniforme para todos
os litisconsortes) e simples (sempre que for possível uma decisão com o conteúdo
diferente para cada um dos litisconsortes).
O prazo para os litisconsortes que têm diferentes procuradores, de escritórios de
advocacia diferentes, é contado em dobro.
De acordo com Almeida e Faria (2019), ocorre a
intervenção de terceiro quando alguém ingressa na
relação processual já existente, evitando, assim, que a
sentença possa surtir efeitos, ainda que reflexos, com
relação a quem não participou da relação processual.
Assim, o terceiro é aquele que não é parte originária
do processo.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
Fonte: Pixabay
Gonçalves (2018) diz que só se justificará a intervenção de um terceiro que possa,
devido ao processo em andamento, ter sua esfera jurídica atingida pela decisão judicial.
Dessa forma, não é admitido que um terceiro ingresse na demanda sendo
absolutamente alheio ao processo, em que os interesses não possam, de qualquer
maneira, ser afetados.
As formas de intervenção de terceiro estão contidas no Código de Processo Civil, sendo
elas: a assistência, a denunciação da lide, o chamamento ao processo, o incidente de
desconsideração da personalidade jurídica e o amicus curiae.
A intervenção de terceiros pode ser classificada em
duas categorias, sendo elas intervenção de
terceiros voluntária e provocada. Adequar-se a uma
dessas categorias depende da iniciativa do ingresso
do terceiro no processo.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS VOLUNTÁRIA E 
PROVOCADA 
Fonte: Freepik
Os casos de intervenção voluntária são aquelas situações em que a intervenção cabe ao
próprio terceiro, sendo ele quem a manifesta, podendo citar como exemplo desse tipo
de intervenção a assistência. Já no que diz respeito à intervenção provocada, a iniciativa
para intervenção não vem do terceiro, mas sim de uma das partes, que solicita que o
juiz convoque o terceiro, nesse tipo podemos citar como exemplo a denunciação da lide
(GONÇALVES, 2018).
Uma das possibilidades de intervenção de terceiro é a assistência. Ela pressupõe o
ingresso de terceiro em um processo que ele até então não figurava em nenhum dos
polos (ativo ou passivo).
Ela é sempre voluntária, de acordo com Gonçalves (2018), assim, a iniciativa de ingresso
deve sempre partir do próprio terceiro. Não é permitido que o juiz mande intimar, a
pedido da parte, o terceiro para que assuma a condição de assistente.
A assistência simples é o tipo tradicional de assistência. Quando você se deparar com a
expressão “assistência”, sem nenhum complemente, é a assistência simples.
É o mecanismo pelo qual se admite que um terceiro, que tenha interesse jurídico em
que a sentença seja favorável a uma das partes, possa requerer o seu ingresso, para
auxiliar aquele a quem deseja que vença” (GONÇALVES, 2018, p. 236).
O segundo tipo de assistência é a litisconsorcial. Nas palavras de Gonçalves (2018), esse
tipo de assistência trata-se de uma forma de intervenção de terceiros atribuída ao
titular ou cotitular da relação jurídica que está sendo discutida em juízo. Só pode existir
na legitimidade extraordinária, pois só assim é possível que o terceiro seja titular ou
cotitular da relação jurídica discutida em juízo.
O assistente litisconsorcial atua quando há legitimidade extraordinária, pois somente
quem poderá assumir a condição de assistente é o substituto processual. Dessa forma,
de acordo com Gonçalves (2018), o assistente litisconsorcial tem a condição de
litisconsorte facultativo unitário ulterior.
De acordo com Neves (2016), a denunciação da lide
serve para que uma das partes que compõe a
demanda traga um terceiro ao processo, que tem
responsabilidade de ressarci-la pelos eventuais
danos que poderão vir com o resultado da
demanda. Assim, o direito regressivo é o fator
principal que traz legitimidade à denunciação da
lide.
DENUNCIAÇÃO DA LIDE
Fonte: PixabayAinda de acordo com Neves (2016), a denunciação da lide é uma demanda incidental,
regressiva, eventual e antecipada.
A denunciação da lide é considerada incidental porque será instaurada em processo já
existente.
É considerada regressiva porque é fundada no direito de regresso da parte contra o
terceiro.
No que se refere a ser eventual, ela é assim considerada porque guarda uma evidente
relação de prejudicialidade com a demanda originária.
Ela é considerada antecipada porque no confronto entre o interesse de agir e a
economia processual, o legislador prestigiou a economia processual.
São as hipóteses de cabimento da denunciação da
lide: risco de evicção e o direito de regresso
decorrente de lei ou contrato.
HIPÓTESES DE CABIMENTO
Fonte: Pixabay
Risco de evicção: o inciso I, do art. 125, diz que é cabível a denunciação da lide do
alienante sempre que terceiro reivindicar a coisa, sendo possibilitado ao adquirente
exercer o direito que da evicção resulta.
De acordo com Neves (2016), isso significa que, quando demandado o adquirente de
coisa, sua perda em decorrência de decisão judicial lhe gerará um dano que deverá ser
ressarcido pelo sujeito que alienou a coisa.
Direito de regresso decorrente de lei ou contrato: no que diz respeito ao inciso II do art.
125, ele autoriza a denunciação da lide a pessoa que estiver obrigada, por lei ou por
contrato, a indenizar em ação regressiva o prejuízo de quem for vencido no processo.
Desse modo, essa hipótese é mais ampla, sendo a forma mais frequentemente utilizada
de denunciação da lide.
A denunciação da lide pode ser requerida pelo autor ou pelo réu.
De acordo com o art. 126 do Código de Processo Civil, o réu, após ser citado, deverá
apresentar a sua contestação, devendo nesse instrumento requerer a denunciação da
lide.
O autor denuncia a lide quando ele estiver temendo os prejuízos de uma possível
improcedência do seu pedido, assim, ao denunciar, ele quer exercer o direito de
regresso contra o terceiro que tem obrigação de responder a esses prejuízos.
Gonçalves (2018) diz que o chamamento ao processo
é uma forma de intervenção de terceiros por meio do
qual o réu, que é fiador ou devedor solidário, que está
fazendo parte originalmente da demanda, trará para
compor o polo passivo, em litisconsórcio com ele, o
afiançado ou os demais devedores solidários.
CHAMAMENTO, AMICUS CURIAE E DESCONSIDERAÇÃO 
DA PESSOA JURÍDICA
Fonte: Pixabay
Assim como na denunciação da lide, no chamamento ao processo, a relação jurídica
será integrada devido ao pedido do réu, sem a necessidade de haver concordância por
parte do terceiro chamado. Dessa forma, a mera citação válida já é suficiente para que
haja o chamamento ao processo.
As hipóteses de cabimento do chamamento ao processo estão contidas no art. 130 do
Código de Processo Civil, sendo elas:
Do afiançado, na ação em que o fiador for réu – esse requisito trata da hipótese do
autor da demanda ter demandado contra o fiador. Dessa forma, poderá o fiador chamar
ao processo o devedor principal.
Dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles – Neves (2016) diz
que ao demandar um ou alguns fiadores, é permitido que haja o chamamento ao
processo dos demais, que responde com ele solidariamente perante o credor que foi o
autor da demanda.
Dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o
pagamento da dívida comum – essa é a hipótese da dívida solidária entre os devedores
principais, em que o credor não demandou contra todos.
O procedimento do chamamento ao processo é determinado pelo art. 131 do Código de
Processo Civil, em que o chamamento ao processo deve ser requerido pelo réu na sua
contestação, devendo a citação ser promovida no prazo de trinta dias. Caso não seja
efetuada a citação nesse prazo, ficará sem efeito o chamamento.
De acordo com Gonçalves (2018), o amicus curiae
corresponde a um terceiro que ingressa na demanda
com a intenção de fornecer subsídios à justiça para o
julgamento da causa.
AMICUS CURIAE 
Fonte: Pixabay
Ele não tem interesse jurídico próprio que possa ser atingido pelo desfecho da demanda
que está em andamento, ele tem um interesse institucional, que convém que ele
manifeste no processo, para que possa ser considerado na hora do julgamento.
Neves (2015) aponta que são três os requisitos para a intervenção do amicus curiae no
processo, sendo elas: a relevância da matéria, as especificidades do tema objeto da
demanda e a repercussão social da controvérsia.
O amicus curiae pode ser determinado de ofício, requerido por alguma das partes ou a
requerimento do próprio terceiro (GONÇALVES, 2018).
Para que ocorra o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, já devemos
presumir que esteja em curso uma ação que foi ajuizada pelo credor em face da pessoa
jurídica que, nesse caso, é o devedor. O juiz não pode decretar a desconsideração de
ofício.
OBRIGADA !

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