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Estima-se que de 5 a 10% da população apresente ansiedade, medo ou fobia em relação ao tratamento 
odontológico. Em crianças, essa incidência pode chegar a, aproximadamente, 40%. O medo em Odontologia é 
real, profundo e difícil de ser superado. Quanto mais invasivo o procedimento, maiores o medo e as 
consequências associadas a ele. Pacientes com medo acabam por adiar o tratamento odontológico, agravando as 
condições bucais e comprometendo sua qualidade de vida. 
Para suplantar tais dificuldades, varias técnicas farmacológicas e não farmacológicas de abordagem são 
sugeridas. A seleção de uma ou outra técnica estará na dependência da habilidade do profissional em trabalhar 
com elas, bem como de fatores culturais e de preparo acadêmico dos profissionais envolvidos. Este capítulo se 
aterá às técnicas farmacológicas que utilizam a sedação e a anestesia geral, apesar de se acreditar que aquelas são 
complementares às não farmacológicas. O uso de fármacos não exclui, na grande maioria dos casos, a 
necessidade de se trabalhar com técnicas como falar-mostrar-fazer, modelagem, reforço positivo, distração etc. A 
opção pelo uso de técnicas farmacológicas deverá ter como foco principal o bem-estar da criança, sempre com a 
parceria dos pais. 
 
 
 
 
• Analgesia: diminuição ou eliminação da dor no paciente consciente 
• Sedação: estado de atividade funcional reduzida 
• Anestesia local: eliminação de sensações, especialmente a dor, em determinada região do corpo, com 
aplicação tópica ou injeção local/regional de uma droga. 
A Academia Americana de Pediatria e a Academia Americana de Odontopediatria (2006) definem o continuun 
da sedação como: 
 
• Sedação leve: estado de depressão mínima da consciência, induzido ou não por fármacos. Existe a capacidade 
de manter em função as vias respiratórias de forma independente e de responder prontamente a estímulos 
físicos e comando verbal. Ventilação espontânea adequada, função cardiovascular preservada. Sinônimo: 
ansiólise 
• Sedação moderada: estado de depressão da consciência induzido por fármacos. Existe a capacidade de manter 
em função as vias respiratórias de maneira independente e responder prontamente a estímulos físicos e 
comando verbal. Ventilação espontânea adequada, função cardiovascular preservada. Sinônimos: cônscio- 
sedação, analgesia relativa, sedação consciente 
• Sedação profunda: procedimento que leva a um estado de depressão da consciência no qual o paciente não é 
facilmente reanimado, acompanhado de perda parcial dos reflexos de proteção, incluindo incapacidade de 
responder prontamente a estímulos físicos e comando verbal e de manter em função as vias respiratórias 
• Anestesia geral: procedimento que leva a um estado de inconsciência controlada, acompanhada por perda total 
de reflexos de proteção, incluindo incapacidade de manter em função as vias respiratórias de maneira 
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independente e de responder a comando verbal. 
 
A progressão de um estágio a outro é contínua e não existe um ponto preciso de transição entre eles, daí o 
termo continuun de sedação. Portanto, um mesmo fármaco administrado em diferentes doses tem o potencial de 
produzir diferentes estágios de sedação. 
Entretanto, existe urna diferença fundamental entre a sedação pela mistura de oxigênio e óxido nitroso (estágio 
1, planos 1 e 2) e a anestesia geral (estágio 3) utilizada na prática médica, conforme mostra o trabalho clássico de 
Guedel (1953). 
A anestesia inalatória divide-se em quatro estágios, conforme indicado na Tabela 45.1. 
O médico anestesista, para a obtenção da anestesia geral, visa a atingir o estágio 3 o mais rápido possível 
(anestesia cirúrgica), estando o estágio 1, mais especificamente os planos 1 e 2, em comum, fora de seu objetivo. 
O paciente, durante a anestesia geral para tratamento odontológico – necessitando de médico anestesista e 
ambiente hospitalar –, encontra-se inconsciente, imóvel e, por certo tempo, sem ansiedade e dor, permitindo 
assim a atuação clínica. 
Por estar inconsciente, o paciente está impossibilitado de interagir com o profissional, inviabilizando o 
emprego de técnicas não farmacológicas de abordagem comportamental. A sedação leve e moderada leva a um 
estado de depressão de consciência, em que a colaboração e a sugestibilidade do paciente estão aumentadas; 
portanto, essa técnica é considerada uma complementar às técnicas não farmacológicas. 
 
 
 
 
Um fármaco ideal para sedação é aquele que apresenta uma série de características em termos de segurança, 
custo-benefício, acessibilidade etc. Infelizmente, nenhum dos medicamentos utilizados para sedação em 
Odontologia consegue agregar todas as características favoráveis, e a decisão de escolha dependerá de várias 
condições, como idade do paciente, grau de ansiedade e nível de sedação desejável. Uma revisão sistemática 
recente concluiu que os estudos existentes não são suficientes ou adequados para responder qual fármaco 
sedativo é melhor, quando se considera o desfecho o comportamento da criança. 
Os agentes sedativos podem ser classificados de acordo com a via de administração – enteral (via trato 
digestivo) ou parenteral (inalatória, oral, intravenosa, intramuscular, intranasal, transdermal) – ou a classe do 
fármaco – sedativos-hipnóticos, analgésico, dissociativos, agentes inalatórios e antagonistas. Os mais utilizados 
em Odontologia são os agentes inalatórios (p. ex., mistura de óxido nitroso-oxigênio) e sedativo-hipnóticos (p. 
ex., benzodiazepínicos). 
A realização da sedação em um paciente deve obedecer a três etapas realizadas em sequência: avaliação 
pré-operatória, sedação propriamente dita e avaliação pós-operatória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A avaliação pré-operatória é importante para se conhecer as condições sistêmicas do paciente, determinar os 
fatores de risco para a realização da sedação, orientar os responsáveis e discutir os detalhes do procedimento. 
Durante a anamnese, é importante se ater a possíveis anormalidades nos sistemas cardiovascular, pulmonar, 
renal, hepático e endócrino, já que comprometimentos nesses órgãos podem adiar ou inviabilizar a 
sedação/anestesia geral. Também deve-se avaliar a presença de distúrbios neuromusculares, medicamentos em 
uso, alergias a fármacos e experiências pregressas negativas com sedação/anestesia geral. De maneira geral, 
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apenas pacientes ASA (Society of Anasthesiologists) 1 e 2 podem realizar sedação ambulatorial. Uma avaliação 
de outros profissionais da área da saúde (p. ex., pediatra, neurologista, anestesista) pode ser recomendada em 
casos de crianças com necessidades especiais ou com anormalidades anatômicas nas vias respiratórias. Uma 
anamnese criteriosa reduz significativamente complicações durante a sedação ou a anestesia geral. 
De acordo com a legislação vigente no Brasil, não se recomenda associar fármacos depressores do sistema 
nervoso central (SNC) em ambiente ambulatorial, devendo o cirurgião-dentista fazer uso de apenas um fármaco. 
Portanto, durante a anamnese deve-se avaliar se o paciente já faz uso rotineiro de outros medicamentos 
depressores do SNC e, caso isso ocorra, é preciso entrar em contato com o médico da criança antes de lançar 
mão da técnica. 
O exame do paciente inclui a avaliação dos sinais vitais basais: saturação de oxigênio, frequência cardíaca e 
respiratória, pressão arterial, temperaturae peso. 
Recomenda-se jejum prévio de alimentos sólidos e fórmulas de leite infantil de 6 h e de líquidos claros (água, 
suco, chá) de 2 h em razão do risco de aspiração durante a sedação/anestesia geral. 
O termo de consentimento livre e esclarecido deverá ser assinado previamente à realização da sedação ou 
anestesia geral. O termo de consentimento deve incluir informações relativas aos objetivos da sedação/anestesia 
geral, riscos e benefícios, efeitos adversos, bem como as alternativas de tratamento. 
Sedação via inalatória com mistura óxido nitroso-oxigênio (N2O-O2) 
O gás de óxido nitroso (N2O) tem sido utilizado na Odontologia desde 1844, quando Horace Wells primeiro 
descreveu seus efeitos para controle da dor. Naquela época, o gás era administrado puro e, em razão disso, 
apresentava como efeito indesejável a hipoxia grave e até mesmo o óbito. 
Atualmente, o óxido nitroso medicinal tem sido utilizado em associação com o oxigênio (mínimo de 30%) e 
com a finalidade principal de sedação (efeito relaxante). Por apresentar efeito analgésico limitado, recomenda-se 
utilizar anestésico local para o controle da dor. 
Com o avanço da técnica, tornou-se o método de sedação ambulatorial de eleição para uso em 
Odontopediatria. A Associação Americana de Odontologia reconhece que a mistura de óxido nitroso-oxigênio é 
a mais segura das técnicas de sedação em Odontologia. Nunca foi relatado qualquer caso de morte com o uso da 
mistura de óxido nitroso-oxigênio em consultório odontológico, quando utilizado como fármaco único. 
O N2O é um gás inorgânico, administrado via inalatória (máscara nasal), não inflamável, incolor e com cheiro 
adocicado. O mecanismo farmacológico de ação do óxido nitroso não é totalmente conhecido. O efeito 
ansiolítico envolve a ativação do receptor GABAA e pode imitar a ação do óxido nítrico no SNC. Não sofre 
biotransformação, não se combina com a hemoglobina, é transportado livremente no sangue e é eliminado pelos 
pulmões. Dessa forma, é indicado para pacientes com problemas renais e de fígado. Quando administrado em 
uma concentração de 20 a 50%, dependendo da resposta individual, o paciente permanece acordado, mas calmo 
e capaz de obedecer às instruções verbais. 
De acordo com o Conselho Federal de Odontologia – CFO (Resolução no 51/04), estão aptos a utilizar a 
técnica de sedação com a mistura O2/N2O apenas os profissionais que realizarem um curso de capacitação de 96 
h ou que comprovarem utilizar a técnica há mais de 5 anos. De posse do certificado, o profissional poderá 
requerer seu registro e sua inscrição de habilitado no CFO. 
A sedação leve e moderada é uma forma muito boa de viabilizar o tratamento odontológico, apresentando 
efeito positivo duradouro, já que os pacientes submetidos a essa técnica, associada ao condicionamento 
psicológico, após algum tempo, passam a aceitar o tratamento de forma convencional, sem a dependência do 
recurso farmacológico. 
 
Vantagens 
 
• Segurança: provoca depressão do SNC, com mínimo efeito sobre o sistema respiratório; não há risco 
significativo de perda dos reflexos protetores. Não existem relatos de casos de mortalidade, morbidade grave 
ou reações alérgicas quando a mistura de óxido nitroso-oxigênio é utilizada isoladamente 
• Rápida indução: atinge o SNC, onde terá o seu efeito após 2 a 3 min 
• Flexibilidade: permite controle imediato da profundidade da sedação, mudando a concentração dos gases 
• Rápida eliminação (reversibilidade): a recuperação do paciente é rápida, com o gás sendo eliminado do 
organismo em cerca de 3 a 5 min após o término da administração 
• Possibilidade de ser gradativamente dosado (profundidade da sedação é dose-dependente): em virtude de ter a 
capacidade de ser administrado em pequenas doses incrementais até que se obtenha o efeito clínico desejado, a 
segurança da técnica é aumentada em razão dessa qualidade. 
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Desvantagens 
 
• Alto custo: exige a realização de curso de capacitação profissional, bem como a compra do equipamento e dos 
gases 
• Pouco potente: o óxido nitroso é um gás com propriedades anestésicas fracas 
• Exposição ocupacional crônica pela equipe de trabalho: a exposição contínua, e a longo prazo, ao gás de N2O 
pode produzir deficiência de vitamina B12, malformações embrionárias (inativação da cobalamina, com 
consequente interferência na formação de DNA levando ao risco de fetotoxicidade, distúrbios neurológicos e 
anemia megaloblástica) e abortos. Dessa forma, mecanismos de exaustão do gás no ambiente de trabalho são 
mandatórios. 
 
Indicações e contraindicações 
 
A sedação inalatória com N2O/O2 é particularmente indicada para: 
 
• Pacientes pediátricos leve ou moderadamente apreensivos, mas em condições de seguir instruções simples 
• Pacientes com distúrbios físicos e/ou mentais com espasmos 
• Pacientes com reflexo de ânsia pronunciado 
• Pacientes com comprometimentos sistêmicos, hipertensos ou cardíacos controlados 
• Quando houver a necessidade de anestesia em vários quadrantes. 
 
O emprego da sedação por óxido nitroso e oxigênio, em razão do seu potencial ansiolítico (relaxante), atua 
como coadjuvante nas técnicas de condicionamento psicológico, pois o paciente encontra-se consciente e com 
sugestibilidade e cooperação aumentada, além de minimizar o desconforto físico e a dor, aumentar a tolerância 
para procedimentos mais longos e reduzir o reflexo de vômito. Essa mistura gasosa tem sido utilizada em casos 
de emergências médicas, endoscopia gastrintestinal, procedimentos médicos dolorosos e, principalmente, na 
Odontologia. 
A técnica tem contraindicação absoluta para: 
• Pacientes com doenças obstrutivas do sistema respiratório (p. ex., doença pulmonar obstrutiva crônica, 
enfisema pulmonar, tuberculose, asma grave) 
• Pacientes com transtornos psiquiátricos graves (p. ex., psicose) 
• Pacientes dependentes de drogas 
• Pacientes classificados nos grupos de risco: ASA 3 a ASA 5 
• Quando do uso de alguns medicamentos (p. ex., blacofeno) 
• Doenças da orelha média (p. ex., otite média aguda e perfuração da membrana do tímpano) 
• Primeiro trimestre de gestação 
• Em casos de deficiência da enzima metionina sintetase ou de outros defeitos do metabolismo da vitamina B12. 
 
Particularmente em Odontopediatria, é importante ressaltar que crianças que resistem ao uso da máscara, pela 
pouca idade, maturidade, ou por problemas cognitivos, comportamentais e de personalidade graves, não são boas 
candidatas a esse tipo de sedação, sendo considerado uma contraindicação relativa. O efeito sedativo também é 
limitado ou mesmo ausente quando da dificuldade de respirar adequadamente pelo nariz. 
 
 
O equipamento utilizado é próprio para a sedação por N2O/O2, sendo composto por: dispensador de gases 
(fluxômetro), cilindros com os gases de oxigênio (verde) e de óxido nitroso (azul), mangueiras, balão 
reservatório e máscara nasal com dispositivo de exaustão (Figuras 45.1 a 45.3). O equipamento tem vários 
dispositivos de segurança indispensáveis, como presença de alarme; código de cores para os gases; não 
fornecimento de N2O caso o tanque de O2 esteja vazio ou por qualquer outro problema no fornecimento de O2; 
fornecimento contínuo de O2 de no mínimo 30%; válvula de emergência para fornecimento de ar atmosférico 
caso necessário; e válvula na máscara nasal para evitar retorno do gás expirado. 
 
 
 
No início de cada consulta, os equipamentos deverão ser vistoriados pelo profissional seguindo-se um protocolo 
predeterminado: observação e controle do conteúdo dos cilindros de oxigênio e óxido nitroso; verificação do 
funcionamento dos dispositivos de segurança, principalmente o que corta o fornecimento de óxido nitroso, casohttps:1/jigsaw. vita1source. com/api/vO/books/9788527728881/print?fr.. 
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o oxigênio não esteja presente; e controle de vazamentos do equipamento. 
Após avaliação pré-operatória em consulta prévia e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, 
o paciente é colocado na cadeira odontológica. Adapta-se a máscara no nariz da criança e ajusta-se o volume de 
gases (ℓ) que serão utilizados. Inicia-se a fase a pré-oxigenação administrando oxigênio puro por 2 a 3 min. 
Parte-se para a fase de indução, com a administração do N2O em incrementos de 10 a 10% até atingir a 
concentração desejada (em média 40%). Nessa etapa, o paciente estará acordado, relaxado, confortável e capaz 
de manter a boca aberta e responder aos comandos verbais e manter os reflexos protetores. A 
saturação de oxigênio, a frequência cardíaca e a pressão arterial deverão permanecer normais. O 
paciente pode sentir parestesia das extremidades, relaxamento físico e mental, sensação de flutuação e 
euforia, indiferença ao ambiente e tempo, sensação de calor, audição alterada, 
analgesia e sonolência. O procedimento odontológico é então executado (fase de manutenção). O uso 
do isolamento absoluto é recomendado, como em todo tipo de trabalho clínico em crianças, e o uso 
da máscara nasal não é impedimento. Ao final, administra-se 100% de oxigênio puro por, 
aproximadamente, 5 min (fase de pós-oxigenação) para evitar uma possível hipoxia de difusão. Nessa 
etapa, o paciente já se encontra em condições normais e pode ser dispensado. Recomenda-se evitar 
atividades físicas de imediato (Figuras 45.4 e 45.5). 
 
 
 
 
Figura 45.1 Esquema dos componentes do equipamento de sedação por N2O-O2. 
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Figura 45.2 Dispensador de gases (fluxômetro). 
 
 
 
 
Figura 45.3 Máscara nasal com válvula de segurança que impede a reinalação dos gases expirados. 
 
A taxa de sucesso da técnica, quando administrada sem associação de outros fármacos sedativos, gira em torno 
de 50 a 55% em crianças pré-escolares e de 80 a 90% em crianças maiores. Quando o desfecho for desfavorável, 
a sedação profunda ou anestesia geral deverá ser considerada opção de tratamento. 
Os efeitos colaterais têm sido mínimos e pouco frequentes, limitados a uma possível cefaleia, náuseas e/ou 
vômito. Esses efeitos podem ser minimizados por meio do monitoramento do tempo do procedimento, 
velocidade de indução, flutuação na concentração dos gases e reversão da sedação. 
 
 
Apenas um dentista treinado poderá administrar a sedação via oral (VO) em consultório. A sedação VO em 
crianças pode provocar uma série de desfechos adversos e o dentista deverá estar preparado para resolvê-los. O 
principal deles está relacionado com a depressão respiratória, que pode levar à hipoxemia, à apneia e predispor a 
criança a uma série de condições deletérias. Uma simples infecção das vias respiratórias superiores (p. ex., gripe) 
provoca hipersecreção e edema, diminuindo a habilidade de a criança manter as vias respiratórias desobstruídas, 
principalmente se utilizou um sedativo por VO. Nessa situação, a sedação deve ser adiada por 2 semanas. A 
obesidade também parece ser um fator a ser considerado. Em um estudo retrospectivo recente, foi observada uma 
porcentagem maior de efeitos adversos (hipoxia, náuseas/vômitos, apneia e sedação prolongada) após a sedação 
VO em crianças obesas. A resistência da criança em ingerir o sedativo e a possibilidade de ocorrerem náuseas e 
vômito pode tornar a sedação inefetiva. O dentista também deve estar ciente de que a resposta ao fármaco é 
variável de criança para criança, e o paciente pode facilmente passar de um estágio de sedação leve para 
moderada ou profunda, com potencial perda dos reflexos protetores. 
 
 
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Figura 45.4 Paciente com máscara nasal. Observar que esta não atrapalha o acesso bucal. 
 
O fármaco de administração VO ideal para ser utilizado em crianças é o midazolam, duas vezes mais potente 
que o diazepam, e, por ser solúvel em água, pode ser misturado a sucos para a administração oral. Também 
apresenta vida média curta. A dose recomendada é de 0,25 a 0,50 mg/kg, até um máximo de 20 mg, dependendo 
do efeito desejável. Seu efeito pode ser revertido com o antagonista flumazenil. Uma resposta paradoxal, 
caracterizada por agitação, choro e hiperexcitabilidade pode aparecer em 1 a 15% das crianças. Apesar de ser 
considerado o fármaco de eleição quando da administração VO, uma revisão sistemática recente concluiu que 
existe uma fraca evidência científica de que o midazolam melhore o comportamento das crianças. 
 
 
As crianças devem ser monitoradas até que não apresentem riscos de depressão respiratória, apresentem sinais 
vitais estáveis e estejam alertas e possam conversar. 
 
 
 
 
Figura 45.5 Paciente sob sedação sendo submetido a procedimento restaurador. 
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Monitoramento durante a sedação 
As crianças que recebem sedação devem ser monitoradas antes, durante e após a finalização do procedimento 
clínico. O monitoramento clínico visual é importante. O profissional deve avaliar constantemente coloração da 
pele, pupilas, movimento do tórax durante a respiração e respostas a contato verbal. O monitoramento dos 
parâmetros fisiológicos permite detectar precocemente alteração na saturação de oxigênio, frequência cardíaca e 
pressão arterial. No Brasil, é obrigatória a utilização de oxímetro de pulso e aferição da pressão arterial para 
monitoramento dos parâmetros fisiológicos antes, durante e após a realização da sedação (Figura 45.6). 
Atualmente, tem sido sugerida a utilização do monitor BIS (índice biespectral), que permite avaliar diretamente 
o grau de sedação, entretanto os resultados em termos de efetividade do método ainda são inconclusivos. O 
capnógrafo é outro método de monitoramento não invasivo. Ele permite a detecção mais precoce de depressão 
respiratória, se comparado ao oxímetro de pulso; por essa razão, a Academia Americana de Pediatria recomenda 
seu uso durante a sedação profunda em crianças. 
O efeito adverso mais sério e comum de ocorrer durante a sedação é o comprometimento respiratório, sendo 
imperativa uma atenção especial para as vias respiratórias. Saturação de oxigênio menor que 95%, enquanto o 
paciente estiver calmo e quieto, deve ser investigada imediatamente. O dentista e sua equipe também devem ser 
treinados em suporte básico ou avançado de vida, e qualquer intercorrência deve ser prontamente detectada e 
tratada. O profissional que administra a sedação deve ter habilidade de socorrer o paciente em um nível mais 
profundo do que aquele inicialmente almejado, ou seja, se teve a intenção de realizar uma sedação mínima, 
deverá ser capaz de intervir em um caso de sedação moderada e assim por diante. 
 
 
 
 
O tratamento odontológico sob anestesia geral tem gerado, ao longo do tempo, várias críticas e reflexões. No 
entanto, esse tipo de conduta deverá ser adotado sempre que houver o fracasso no manejo do paciente ou quando, 
mesmo com o uso de recursos farmacológicos, o tratamento não for aceito pelo paciente. 
 
 
 
 
Figura 45.6 Oxímetro de pulso de mesa. 
 
Deve-se estar ciente, porém, de que os problemas odontológicos não se resumem a um único tratamento. É 
muito importante lidar com o lado psicológico do medo para que a criança possa enfrentar tratamentos futuros 
com tranquilidade. 
O esclarecimento aos pais sobre a promoção de saúde bucal e instituição de procedimentos preventivos 
simples, indolores e mais eficazes é uma necessidade. 
A experiência clínica vem de encontro a trabalhosna literatura, que relatam que grande parte dos pais não se 
lembra de todas as instruções preventivas dadas durante o tratamento. 
Estudos mostram que os pacientes que necessitaram ser tratados com o auxílio de anestesia geral ou sedação 
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são mais vulneráveis a problemas odontológicos futuros e que é necessário o aumento de cuidados preventivos. 
Acredita-se que a anestesia geral na Odontologia tem um importante papel desde que haja uma real 
necessidade, e não simplesmente usada como meio mais “fácil” para a resolução de um problema imediato. 
 
 
 
O profissional deverá fazer a história clínica, o exame físico e os exames laboratoriais para avaliar a saúde do 
paciente. Como saber se o paciente é saudável? Um paciente que apenas não fica doente não é o suficiente para 
se presumir que é saudável, e a falta de sintomas não significa paciente sadio. Mesmo pacientes com boa saúde 
podem apresentar problemas que devem ser conhecidos pelo anestesista, como problemas respiratórios, história 
anestésica e refluxo gástrico, entre outros. Quem deve determinar se o paciente está apto ou não para poder ser 
submetido a uma anestesia geral é o anestesista. 
No caso de pacientes indicados para tratamento odontológico sob anestesia geral, estes serão classes I (1) e II 
(2) da classificação citada. 
A Sociedade Americana de Anestesistas (ASA) classificou os pacientes de acordo com suas enfermidades, 
assim têm-se: 
 
• Classe I: pacientes sem alterações orgânicas, fisiológicas, bioquímicas ou psicológicas. Não há alterações 
sistêmicas 
• Classe II: pacientes com transtornos sistêmicos leves ou moderados, causados pela condição que será tratada 
cirurgicamente ou por outro fenômeno fisiopatológico 
• Classe III: pacientes com alterações orgânicas muito intensas ou transtornos patológicos de qualquer causa, 
mesmo que não seja possível definir o grau de incapacidade orgânica 
• Classe IV: pacientes com transtornos gerais graves, que põem em perigo sua vida e que não são 
corrigidos por cirurgia 
• Classe V: pacientes moribundos com poucas possibilidades de sobreviver, mas são submetidos à cirurgia como 
último recurso. 
A cooperação do paciente para o tratamento odontológico é fator essencial para o sucesso. Quando a 
comunicação é impedida por fatores, como falta de maturidade do paciente, problemas de ordem física ou 
mental, ou problemas psicológicos, tem-se sempre como opção o tratamento odontológico sob anestesia geral. 
Antes de a anestesia geral ser indicada, deve-se considerar se realmente não há e não poderá ser obtida a 
colaboração do paciente. O trabalho a ser realizado deve ser suficientemente importante para que se justifique 
uma anestesia geral. 
O tratamento deverá promover cura integral, e as restaurações devem apresentar qualidade compatível com as 
necessidades biológicas e mecânicas da cavidade bucal. 
 
• Pacientes com necessidades especiais: de maneira geral, todos os pacientes que apresentem alguma doença e 
que tenham recebido aval do anestesiologista para execução da anestesia geral (Figura 45.7) 
• Crianças rebeldes (extremamente não cooperativas ou medrosas): quando não for possível o tratamento 
mesmo com o auxílio de pré-medicação, anestesia local e após várias tentativas 
 
 
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Figura 45.7 Paciente com paralisia cerebral sendo submetido à anestesia geral. 
 
• Crianças de pouca idade: quando há necessidade de tratamento muito extenso sem a devida compreensão 
sobre o mesmo. Geralmente, trata-se de um paciente com um quadro de destruição dentária grave pelo uso de 
mamadeiras açucaradas. A orientação aos pais sobre a necessidade de mudança desse hábito é fator primordial 
para o sucesso do tratamento 
• Pacientes alérgicos aos anestésicos locais: essa é uma condição felizmente rara, mas há casos nos quais o 
anestésico local, mesmo em pequenas doses, apresenta sinais e sintomas de intoxicação e não poderá ser usado 
• Pacientes hemofílicos: esses pacientes deverão antes de qualquer intervenção ser acompanhados pelo 
hematologista. A anestesia local deve ser evitada, pois, como no caso de bloqueio alveolar inferior, pode 
causar hemorragia nos espaços faríngeos laterais, nos quais é difícil aplicar medidas de controle. 
 
 
Algumas providências devem ser adotadas para evitar problemas. Essas providências dizem respeito aos pais ou 
responsáveis, ao hospital, ao anestesista e ao próprio paciente e ao auxiliar. 
 
Pais ou responsáveis 
As pesquisas mostram que as técnicas para o controle do paciente menos aprovadas pelos pais são aquelas que 
usam drogas ou imobilização da criança. 
No entanto, muitas vezes, com o intuito de “proteger” o filho diante de um problema de comportamento, os 
pais veem na intervenção sob anestesia geral uma possibilidade de solução fácil para o caso. 
O esclarecimento sobre a necessidade de exames laboratoriais, às vezes, é suficiente para se conseguir pais 
mais colaboradores na tentativa de tratamento no consultório. 
Deverá haver uma explicação sobre o trabalho a ser realizado, o porquê da indicação da anestesia geral, os 
riscos que esta implica e o tempo de duração, os custos, esclarecimentos sobre a dieta pré e pós-operatória, saúde 
geral do paciente e, ainda nessa ocasião, é importante que sejam transmitidos aos pais conceitos sobre a 
formação da cárie dentária, escovação, dieta, enfim, um programa ou ainda uma orientação preventiva para que 
realmente se possa ter, senão a solução, pelo menos a melhora do quadro odontológico do paciente. 
É importante deixar claro que algumas vezes, mesmo com o máximo empenho do profissional, nem sempre na 
anestesia geral pode-se obter o restabelecimento completo da dentição como seria possível no tratamento em 
condições habituais, em razão da peculiaridade desse tipo de atendimento. 
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Hospital 
Quanto ao hospital, não resta a menor dúvida de que deverá preencher uma série de quesitos importantes, os 
quais permitam que o clínico sinta-se seguro em aí trabalhar. 
Portanto, deve ser bem equipado do ponto de vista odontológico, ser bem conceituado no meio médico e ter 
equipes de infraestrutura, como enfermagem e serviço de anestesia, e ser capaz de solucionar as possíveis 
emergências nesse campo. 
É necessário conhecer o funcionamento burocrático do hospital, bem como do centro cirúrgico. No caso 
específico de cirurgiões-dentistas, é importante que o equipamento disponível do hospital seja verificado e se há 
necessidade de adaptações. O odontólogo deverá estar ciente de que o seu trabalho será diferente daquele 
executado em consultório, pois o paciente estará deitado e, apesar de a mesa cirúrgica ter movimentos de 
inclinação e a altura poder ser regulada, a posição de trabalho do profissional não será semelhante à usual. 
 
Anestesista 
O anestesista deverá estar habituado à anestesia pediátrica. Quando possível, deverá estar familiarizado com o 
trabalho odontológico. Caso contrário, o cirurgião-dentista deverá informar sua posição de trabalho, bem como 
definir seu movimento para que o anestesista possa posicionar seu equipamento. Há a necessidade de integração 
entre os profissionais, pois é um trabalho de equipe. 
 
Auxiliar 
O auxiliar odontológico poderá ser o mesmo que atua no consultório, por estar acostumado à manipulação do 
instrumental, dos medicamentos e materiais. Ele deverá ter conhecimento da sala cirúrgica e de seu 
funcionamento. O cirurgião-dentista deve levar seu próprio pessoal auxiliar, pois não poderá contar com a 
enfermagem do hospital,pelo fato de estes não estarem habituados a tais procedimentos. 
 
Pacientes 
 
 
Assim como na sedação, deve-se realizar o interrogatório familiar, contendo informações como as doenças 
familiares, as enfermidades associadas, as alergias, os medicamentos em uso e as cirurgias anteriores. 
A avaliação da saúde geral do paciente deverá ser feita pelo pediatra, que gerará relatórios a respeito. Os 
exames geralmente pedidos são hemograma, coagulograma e eletrocardiograma. 
O pediatra, na ocasião, poderá pedir outros exames laboratoriais mais específicos, de acordo com a 
necessidade do paciente. Outra medida deverá ser o pedido de exame radiográfico panorâmico para que se possa 
elaborar o plano de tratamento. 
Nos casos em que há indicação de anestesia geral pela absoluta falta de colaboração da criança, é muito difícil 
obter um bom exame odontológico radiográfico, daí a necessidade do exame panorâmico como complementar. O 
planejamento adequado do trabalho reduzirá o tempo necessário para a realização deste, o que significa 
segurança e economia. 
Para que a anestesia geral possa ser ministrada, o paciente deve apresentar o nível de hemoglobina normal, 
não haver apresentado nenhum processo respiratório agudo nas últimas 48 h, não ter sido vacinado nos últimos 
20 dias e apresentar-se em jejum. 
O jejum pré-anestésico terá que ser observado rigorosamente pelos pais. Isso se deve ao fato de que se, 
durante a anestesia geral, o paciente vomitar, o material poderá ser aspirado, correndo-se o risco de causar 
problemas pulmonares que podem levar a óbito. O jejum deverá ser, para sólidos, de 12 h e, para líquidos, de, 
pelo menos, 6 h. 
 
 
O paciente deverá ser visitado pelo anestesista antes de ser encaminhado ao centro cirúrgico. Nessa ocasião, 
haverá a troca de informações entre os responsáveis e o anestesista. É necessário um exame clínico apurado no 
qual serão também avaliados a pressão arterial, o pulso, a temperatura e os exames laboratorias com o objetivo 
de traçar um perfil das condições orgânicas do paciente. 
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Na ocasião, poderá ser ou não indicado um medicamento pré-anestésico. 
A finalidade desse medicamento é obter a sedação do paciente, evitando-se, desse modo, a tensão emocional, 
bem como proporcionar um campo de trabalho seco e a diminuição da quantidade de anestésico utilizado, 
obtendo-se assim um despertar mais rápido. É preciso levar em consideração que o paciente deverá permanecer 
no hospital por pouco tempo. 
A indicação e a prescrição do tipo e dose do medicamento cabem ao médico anestesista. Alguns fármacos são 
mais utilizados na pré-medicação. Entre eles, têm-se: 
 
• Benzodiazepínicos (p. ex., diazepam, midazolam) 
• Agentes anticolinérgicos (p. ex., atropina) 
• Agentes anti-histamínicos (p. ex., hidroxizina). 
 
Existe uma ampla variedade de medicação pré-anestésica que poderá ser utilizada e não há um consenso sobre 
o uso ideal. 
 
 
 
O equipamento deverá ser testado previamente. O cirurgião-dentista deverá levar todo o material de uso no 
consultório, tanto o instrumental quanto os medicamentos e materiais. O instrumental será disposto na ordem de 
trabalho estabelecida pelo profissional. Deve-se manter essa organização até o encerramento do ato 
operatório, pois a falta de método implica grande perda de tempo, o que, no caso, é prejudicial e 
desnecessário. O material deverá estar organizado para não haver perda de tempo, isto é, amalgamador 
já abastecido, fotopolimerizador instalado, bolinhas 
de algodão previamente preparadas, dique de borracha para o isolamento absoluto já cortada, furada e 
colocada no arco de Young ou Otsby, fio dental cortado, matrizes individuais já prontas. Tudo o que 
puder ser feito previamente o será para diminuir o tempo de trabalho. 
Para o tratamento, deve-se ter como objetivo a cura definitiva e, em caso de dúvida, o tratamento mais radical 
deverá ser o eleito, desde que seja seguida uma linha de bom senso. 
A sequência de trabalho deverá ser o quadrante de maior para o de menor dificuldade. Essa preferência se dá 
porque, caso haja algum problema e não possa ser concluído o trabalho, o tratamento mais importante já foi 
realizado. Pelo mesmo motivo, a queixa principal deve ser a primeira a ser atendida. 
Com o intuito de facilitar o trabalho do cirurgião-dentista, recomenda-se que ele seja acompanhado por outro 
profissional e um auxiliar odontológico. O colega auxiliar deverá estar habituado aos procedimentos do centro 
cirúrgico. A ajuda deste proporciona menos tempo de trabalho, menos movimentação e, portanto, melhores 
resultados. 
 
 
Ao chegar ao hospital, o clínico deve se informar a respeito do quarto onde está o paciente e visitá-lo antes de 
este ser encaminhado ao centro cirúrgico. Esse procedimento, além de tranquilizar os pais ou responsáveis, 
servirá para reforçar a imagem do cirurgião-dentista com relação ao paciente. Isso é muito importante, pois a 
criança estará em um local totalmente estranho, sendo psicologicamente tranquilizador “encontrar uma pessoa 
conhecida”. Saindo do quarto, o clínico e seus auxiliares dirigem-se ao vestiário do centro cirúrgico. 
A entrada no centro cirúrgico deverá ser feita sempre pelo vestiário, onde sua roupa será trocada pela 
apropriada, que consta de gorro, máscara, camisa, calça e protetor para os pés. 
Essas roupas não são esterilizadas, mas lavadas em água quente, sendo de circulação restrita ao centro 
cirúrgico. Com as roupas, recebe-se a chave de um armário onde serão deixados roupas e objetos pessoais. 
Após trocar a roupa, o profissional deverá colocar o gorro, tomando o cuidado para cobrir completamente o 
cabelo. A máscara deverá ser colocada cobrindo a boca e o nariz e será ajustada de modo a não permitir o escape 
de gotículas salivares pelas bordas laterais. 
As máscaras descartáveis de polipropileno, rayon ou poliéster são as mais eficazes. 
O protetor para os pés é colocado sobre os sapatos. Após a troca de roupa, o profissional estará pronto para 
entrar no centro cirúrgico e informar-se do número da sala onde fará a intervenção. No caso específico do 
cirurgião-dentista, este deverá ir à sala estabelecida, verificar o equipamento e dispor o seu material ou orientar 
para que seu auxiliar o faça. 
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A importância da assepsia da mão vem se consolidando desde 1891, quando Schimmelbush traçou as normas 
técnicas para o preparo das mãos para a cirurgia. 
A higienização das mãos é feita com água e sabão. O sabão utilizado pode ser do tipo comum ou preparados 
próprios, como o Fisohex e Chlorohex, que contêm agentes antissépticos (Figura 45.8). 
 
 
 
 
 
Figura 45.8 A e B. Antissepsia das mãos feitas com escova e solução/sabão antisséptico. Existe todo um ritual de 
higienização, começando pela extremidade (unhas) e terminando nos braços. Retirada do sabão com água 
corrente, deixando a água correr das mãos para os cotovelos. 
Uma vez aberta a torneira – por alavancas ou botões acionados com o pé –, molham-se mãos e 
antebraços com água, fazendo com que esta escorra das mãos para os cotovelos. Isso é fundamental e 
será seguido durante todo o procedimento para evitar que a solução já contaminada dos cotovelos 
escorra sobre as mãos e os punhos. 
Primeiro, deve-se ensaboar cada braço com a mão oposta, como uma simples lavagem higiênica e retira-se o 
sabão como sempre no sentido mão-cotovelo. Pega-se uma escova esterilizada, ensaboa-se toda a área da pele a 
ser tratada e começa-se a escovação pelas mãos na seguinte sequência: escova-se uma face, depois a outra, as 
áreas interdigitais e sob as unhas. Troca-se a escova de mão e repete-se o processo no lado oposto. Apósa 
escovação de mãos e punhos, deverá se proceder à escovação dos antebraços. Deve-se ter cuidado de não mais se 
escovar as mãos e os punhos já preparados. O sabão será retirado no sentido já descrito. 
O tempo requerido para a escovação é 7 min, segundo Price. 
A antissepsia é completada com álcool a 70% ou solução alcoólica iodada. Primeiro, são mergulhadas as mãos 
em uma bacia contendo tais soluções, o segundo passo é levantar as mãos em forma de concha, que, repleta de 
solução, é levantada acima dos cotovelos para que a solução escorra nessa direção. 
O uso de soluções do tipo Fisohex dispensa o enxague final e o uso de álcool, devendo o excesso ser retirado 
com compressa seca. As mãos devem ficar levantadas acima dos cotovelos e o álcool escorrendo destes. A 
secagem será feita com compressa esterilizada na seguinte sequência: com uma das faces da compressa, 
enxugam-se a mão e o punho, e, em seguida, faz-se o mesmo com a outra mão na outra face da compressa. Isso 
terminado, com movimentos helicoidais massageia-se pelo respectivo antebraço, enxugando-o até o cotovelo. 
Vira-se a compressa e é repetida a secagem do antebraço oposto. Dispensa-se a compressa. 
Quando o antisséptico utilizado for a solução alcoólica iodada, não se deve usar a compressa, a secagem será 
feita com a evaporação do álcool e deixará sobre a superfície da pele o iodo, aproveitando assim sua ação 
residual. 
O passo seguinte é a colocação do avental, que ao se pegar pelas duas pontas, ficará à frente na posição de ser 
vestido. Após a paramentação, o enfermeiro amarrará os vários cordões do avental. 
Na sequência, vem agora o calçamento das luvas. Pega-se uma das luvas pela parte do punho virado do avesso 
e calça-se a mão oposta. Com a mão enluvada, pega-se a outra luva também pelo punho, enfiam-se os dedos da 
mão e já se calça a outra mão. Só agora, com ambas as mãos já calçadas, são ajustadas as luvas. Primeiro, 
ajeitam-se os dedos e, depois, cobre-se o punho do avental com a própria luva. Nesse momento, o profissional 
está adequadamente paramentado para o início do trabalho. 
 
 
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Anestésicos inalatórios 
Os anestésicos inalatórios são divididos em dois tipos: gasosos e líquido orgânicos voláteis. 
O anestésico inalatório gasoso mais utilizado é o óxido nitroso (N2O). No entanto, esse agente anestésico é 
pouco potente e não apresenta atividade como relaxante muscular, mas, por ser um poderoso analgésico, é 
bastante utilizado em combinação com outros agentes anestésicos. 
O anestésico volátil de referência é o halotamo, que foi introduzido em 1956. No entanto, a introdução de 
novos agentes, como o enflurano, o isoflurano e outros, tem reduzido seu uso. 
 
Anestésicos intravenosos 
Os anestésicos intravenosos mais comumente utilizados são: 
 
• Barbitúricos (p. ex., tiopental): apresentam como a vantagem mais importante a indução rápida e agradável da 
anestesia e são bastante utilizados para induzir o paciente ao sono 
• Benzodiazepínicos (p. ex., midazolam): apresentam como vantagens propriedades sedativas, ansiolíticas, 
anticonvulsivantes e relaxante muscular 
• Propofol: esse agente anestésico intravenoso tem sido bastante utilizado para a indução e manutenção da 
anestesia. Apresenta como vantagem o não comprometimento da função hepática e renal e proporciona uma 
recuperação anestésica mais rápida quando comparado com o tiopental. 
Analgésicos opioides 
 
• Cetamina 
• Etomidato. 
 
 
 
Essa manobra oferece muitas vantagens, entre elas a garantia de a via respiratória estar sempre desobstruída e a 
possibilidade de retirar as secreções da árvore traqueobrônquica, pois o paciente sob anestesia não apresenta o 
reflexo da tosse, bem como facilita a regulação da respiração e pode-se colocar o paciente na posição desejada, 
sem o risco de alteração das vias respiratórias. Outro fator importante é que o anestesista poderá se colocar à 
certa distância da cabeça do paciente e ainda continuar regulando a respiração. O anestesista seleciona um tubo 
com “Cuff”, um balãozinho inflável que selará a traqueia, impedindo que detritos, sangue ou, ainda, secreções 
sejam aspirados pelo paciente durante a cirurgia. 
Os dois tipos de intubação são: orotraqueal e nasotraqueal (Figuras 45.9 a 45.11). O mais utilizado e 
recomendado é a intubação nasotraqueal, por deixar livre a cavidade bucal, facilitando, assim, o 
trabalho. Quando o paciente tiver as adenoides hipertrofiadas, poderá dificultar ou ainda impedir a 
passagem do tubo por via nasal, casos em que a intubação deverá ser orotraqueal. Após a intubação, 
deverá ser colocada uma gaze cativa (gaze com fio) úmida na região da glote para maior segurança 
contra a aspiração de detritos. 
Os olhos do paciente devem ser protegidos, ou melhor, fechados para prevenir uma possível ulceração da 
córnea pela falta de lubrificação, pois ele não tem reflexo de piscar. 
 
 
Nessa ocasião, o cirurgião-dentista deverá iniciar o tratamento. Previamente a isso, realiza-se a antissepsia do 
campo operatório. Coloca-se um abridor de boca tipo tesoura, tendo-se o cuidado de não abrir muito a boca do 
paciente, pois este está com a musculatura relaxada e poderá haver luxação da articulação temporomandibular, o 
que terá como resultado um pós-operatório doloroso. 
 
 
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Figura 45.9 Intubação nasotraqueal. 
 
 
 
 
Figura 45.10 Intubação orotraqueal. Nem sempre este método é o mais indicado em Odontologia, porque parte da 
cavidade bucal fica ocupada pela sonda. 
 
O tratamento odontológico será feito com o uso de isolamento absoluto (dique de borracha), sempre que 
possível, visando à proteção do paciente e à comodidade do profissional. O grampo que mais bem se adapta às 
circunstâncias descritas é o grampo 14 de Ivory. Esse grampo deve ter a preferência porque dificilmente se 
desloca, há boa adaptação ao dente, independentemente da destruição coronária que possa haver no dente. A 
posição desse grampo não impede o livre acesso da alta rotação. 
O isolamento da arcada dentária superior é total, toda a arcada é isolada. Nessa ocasião, a boca se manterá 
aberta pelos grampos. O isolamento dentário inferior é feito por hemiarcadas. No entanto, há a possibilidade de 
fazer o isolamento das arcadas superior e inferior ao mesmo tempo. Acredita-se que a opção deverá obedecer à 
habilidade e à preferência. 
Depois de realizar os tratamentos endodônticos e a parte de Dentística, passa-se à colocação das próteses, e, 
por último, serão feitas as cirurgias necessárias e as suturas com fio reabsorvível. 
A cabeça do paciente fica elevada durante o tratamento da arcada dentária inferior e fletida na arcada dentária 
superior, como se o paciente estivesse sentado. 
A posição do cirurgião-dentista será aquela que melhor lhe convier, pois a mesa permite elevar ou abaixar o 
paciente, bem como posições laterais cefaloaclive ou cefalodeclive. O equipamento odontológico é móvel, 
podendo ficar na posição que proporcionar mais conforto ao profissional. 
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Durante os procedimentos, o médico anestesista deve estar atento aos seguintes sinais: 
 
 
 
 
 
Figura 45.11 Intubação nasotraqueal. Esse tipo de intubação permite total liberdade para atuar na cavidade bucal. 
 
• Pulso e pressão arterial 
• Monitoramento (i. e., todos os equipamentos usados que mantêm a anestesia sob controle) 
• Coloração das extremidades 
• Pupila do paciente. 
 
O anestesista deve, durante o tratamento, ser informado sobre quanto tempo ainda será necessário para a 
realização do trabalho. Quando se está terminando o tratamento, avisa-se ao anestesista,proporcionando ao 
paciente um despertar mais rápido. 
Terminado o tratamento odontológico, retira-se a gaze cativa que foi colocada na região da glote, e o paciente 
passa aos cuidados do anestesista. Este fará a laringoscopia para observar se não há restos dentários, coágulos e 
resíduos. A seguir, é feita a aspiração para a retirada desses elementos. 
 
 
 
Segue-se a extubação, que será feita quando os reflexos e os sinais de atividade muscular estiverem presentes. É 
essencial que a traqueia e a faringe estejam limpas de secreções. As secreções serão aspiradas na parte superior 
das vias respiratórias. A seguir, é feita uma aspiração rápida no tubo endotraqueal. Antes da retirada do tubo, 
administra-se oxigênio ao paciente para que fique uma reserva nos pulmões. Nesse momento, o tubo pode ser 
retirado (Figuras 45.12 e 45.13). 
 
 
O paciente será transferido da mesa cirúrgica para a maca. Essa remoção deverá ser feita com todo o cuidado 
para evitar tensionar ligamentos e músculos em um indivíduo totalmente relaxado. Quando inconsciente, deve 
ser colocado na posição de decúbito lateral para protegê-lo da obstrução aérea ou aspiração de material gástrico 
(Figuras 45.14 e 45.15). O paciente ficará em observação durante um período que, em geral, é de 30 min e 
depois será levado ao quarto. 
Geralmente, não há complicações pós-operatórias. Podem ocorrer complicações como: 
 
 
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Figura 45.12 Extubação do paciente. 
 
 
 
 
Figura 45.13 Aspiração das secreções nasais após a retirada da sonda. 
 
 
 
 
Figura 45.14 Paciente na sala de repouso e início dos cuidados pós-operatórios. 
 
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Figura 45.15 Fase de cuidados pós-operatórios. Paciente fica em observação e pode ser colocado em posição de 
decúbito lateral. 
• Sangramento nasal, especialmente em crianças com adenoides hipertrofiadas 
• Arritmias cardíacas 
• Rouquidão: após a retirada do tubo, alguns podem ficar roucos, mas voltam ao normal após algum tempo 
• Epistaxe: sangramento nasal por traumatismo da sonda endotraqueal 
• Apneia 
• Hipertermia. 
 
O paciente só será encaminhado ao quarto quando estiver em condições normais. O despertar dependerá da 
quantidade de anestésico utilizado, bem como o tipo deste e ainda o metabolismo próprio de cada indivíduo. É 
muito importante que o clínico dê instruções aos pais quanto ao despertar e sua alimentação. Deve-se deixar 
prescrito um antiemético, no caso de vômito, bem como um analgésico. 
As instruções aos pais servirão para esclarecer que a criança poderá vomitar, daí a necessidade da posição de 
decúbito lateral. A alimentação líquida pode ser dada logo que a criança acorde e se apresente disposta; no 
entanto, a alimentação sólida só deverá recomeçar 12 h após a anestesia geral. 
No caso da Odontopediatria, na qual a anestesia geral é utilizada quase sempre para a realização de 
reabilitação bucal, não há motivos para a permanência no hospital; por esse motivo, a alta será dada pelo 
cirurgião-dentista, logo que a criança acorde em boas condições. Caso tenha havido alguma complicação durante 
a anestesia geral, a alta deverá ser dada após o anestesista ter visto o paciente. 
 
 
 
Alguns profissionais partem do princípio de que o condicionamento após a anestesia geral é mais fácil, pois o 
paciente não mais apresenta problemas odontológicos. Acredita-se que esta afirmação não é real pelos seguintes 
motivos: a criança não tem dimensão real de que seu problema odontológico foi resolvido; não houve contato 
suficiente entre o profissional e o paciente para que fosse trabalhado seu medo; e mesmo as crianças que não 
apresentam problemas dentários podem ter “medo de dentista”. O que na realidade pode ser facilitado é que o 
tratamento que requer a colaboração do paciente já foi executado. Nessa ocasião, deve ser feita uma aproximação 
entre o profissional e o paciente. 
O polimento das restaurações e a aplicação tópica de flúor são formas interessantes de introduzir o paciente ao 
tratamento odontológico. Será ainda a oportunidade para que seja orientado à criança e aos pais a higienização 
bucal correta, bem como o uso do fio dental. Os pais deverão ainda ser orientados quanto aos hábitos alimentares 
de seus filhos, sua dieta. Assim, pode-se dizer que a anestesia geral, bem indicada, apresenta bons resultados, no 
entanto sempre deverão ser analisados os riscos que tal procedimento implica. O cirurgião-dentista deverá tomar 
todas as precauções, visando principalmente à segurança e ao conforto do paciente. 
 
 
 
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Independentemente da técnica utilizada, os objetivos são sempre a reabilitação e a saúde do paciente. A opção 
pela sedação ou anestesia geral depende das indicações e contraindicações de cada uma. Não deve ser uma 
escolha pessoal, tanto no que diz respeito ao profissional quanto ao paciente. 
A sedação leve e moderada apresenta vantagens como viabilizar o condicionamento psicológico, mínimos 
riscos, ambiente ambulatorial. No entanto, quando a necessidade de tratamento for muito extensa, em paciente 
com pouca idade ou pacientes com necessidades especiais, em que a colaboração não possa ser obtida, a sedação 
fica impossibilitada. 
Na anestesia geral, tem-se a possibilidade de realização do tratamento na maioria dos pacientes, obtendo-se a 
reabilitação deste de forma imediata. Muitas vezes, o medo é decorrente de um quadro odontológico grave que 
gera dor e ansiedade. Quando resolvido, o emprego de técnicas não farmacológicas viabilizando uma futura boa 
comunicação entre profissional e paciente será bem-sucedido. 
Quando é necessário o uso de técnicas farmacológicas para a realização do tratamento, os pacientes devem 
estar cientes de que há a necessidade de manutenção da saúde bucal restabelecida, instituindo-se um programa 
preventivo como parte integrante dessa intervenção, por se tratar de pacientes de alto risco. 
 
 
 
 
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