Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

Participação na aula “Abuso sexual de crianças e adolescentes: trauma e transmissão psíquica” 
Noelle Tavares Ferreira 
 
A violência sexual contra crianças e adolescentes apresenta causas múltiplas e complexas. Ela 
está relacionada com questões sociais, econômicas e culturais e deve ser analisada com cuidado. No 
texto, as autoras enfatizam que o abuso sexual pode ser definido como o envolvimento de crianças e 
adolescentes em atividades sexuais que não compreendem em sua totalidade e com as quais não 
estão aptos a concordar. Desta forma, as crianças por não compreenderem a totalidade do o que 
aquilo significa, tem sua vulnerabilidade atacada, numa tentativa de anulação do sujeito. Assim, 
como explicita Malgarim e Benetti (2010) “a criança abusada sexualmente deixa de ser sujeito e 
passa a ser submetida e anulada” (p.125). 
No filme “Um olhar do paraíso", a personagem principal é abusada sexualmente e assassinada 
por seu vizinho, que passa despercebido pela investigação criminal, mostrando que os abusos 
sexuais podem ocorrer nas mais diversas esferas, sejam elas intrafamiliares ou extrafamiliares. 
Outro ponto importante, é a questão da dificuldade que as vítimas têm em contar para alguém sobre 
as experiências de abuso. Como pode ser visto no texto base, fatores como a dinâmica do segredo e 
o vínculo próximo com o agressor também contribuem para maior duração dos abusos 
intrafamiliares. Em muitos casos, as vítimas conseguem revelar a violência sofrida apenas na 
adolescência ou na vida adulta, devido ao medo de serem culpabilizadas pelo abuso e 
responsabilizadas pela desestruturação da família. De acordo com Habigzang, Ramos e Koller 
(2011), o tempo de duração do abuso sexual está relacionado com o contexto em que ocorre a 
violência. Abusos sexuais extrafamiliares tendem a ter menor tempo de duração em comparação aos 
abusos ocorridos no contexto intrafamiliar, pois a criança necessita de um tempo maior para 
perceber que os comportamentos do agressor são abusivos. 
Em suma, se mostra extremamente necessário que um adulto intervenha e faça valer as leis 
que protegem a criança, pois a mesma se mostra incapaz de fazer esta articulação entre o que é certo 
e o que errado. Segundo Lima e Alberto (2010), às crianças com nenhum ou baixo nível de apoio 
familiar apresentam significativamente maiores níveis de psicopatologia e distúrbios psicológicos 
do que as crianças de mães apoiadoras e apoiadoras ambivalentes. Importante salientar, que as mães 
são extremamente apoiadoras quando o agressor é o ex-esposo ou o ex-companheiro, e menos 
apoiadoras quando o agressor é o companheiro atual 
Dentro da psicanálise, há um entendimento de que a existência da violência sexual em 
determinados grupos familiares está inscrita por um emaranhado de conteúdos inconscientes (os não 
ditos ou mal ditos) que não encontrando um caminho possível de simbolização, se reatualizam em 
diferentes gerações, como um destino inevitável dentro do grupo familiar. Importante salientar, que 
Malgarim e Benetti (2010) enfatizam que é comum em alguns processos de transmissão vir 
marcados principalmente pelo negativo, “aquilo que não se contém, aquilo que não se retém, aquilo 
que não se lembra: a falta, a doença, a vergonha, o recalcamento, os objetos perdidos, ainda 
enlutados” (p. 130). Desta forma, a transmissão psíquica transgeracional contém os aspectos 
traumáticos, patológicos e sintomáticos que não são passíveis de modificações porque não há 
espaço de transcrição transformadora. Aquilo que se transmite é relativo a eventos traumáticos 
passados que não tiveram representação, não puderam ser pensados devido ao horror, à vergonha e 
demais sentimentos despertados por tais experiências (Padilha & Barbieri, 2020). No filme Volver 
(2006), por exemplo, pode-se perceber as questões geracionais em 3 gerações de uma família, esta 
família é permeada de violências, abusos e não ditos. 
 De acordo com Brasil (2021), 20% a 35% dos agressores sexuais foram abusados 
sexualmente quando criança e 50% deles foram vítimas de maus-tratos físicos combinados com 
abuso psicológico. Assim, para o agressor, o abuso sexual infantil representa uma forma de 
descarrega a tensão, a agressividade ou o sadismo sobre uma vítima que não pode lhe oferecer 
resistência. A colocação do autor remete ao entendimento de que o abuso sexual infantil, de fato 
pode ser associado ao abuso de poder, dado que o agressor se aproveita da fragilidade e 
incapacidade de reação de sua vítima. Neste contexto, a criança se torna um objeto submetido aos 
desejos de um outro adulto. Malgarim e Benetti (2010), apontam que nesse momento a criança é 
confrontada com o excesso e é este excesso que a remete à experiência de desamparo e trauma, que 
são marcas de suas experiências mais primitivas, assim, seguindo esta premissa, no ato sexual com 
o adulto a criança se torna objeto e não sujeito. 
Os efeitos do abuso e a respectiva severidade variam de acordo com alguns pontos, tais como 
a idade da vítima, a duração do abuso, o grau de violência, a diferença de idade entre perpetrador e 
vítima, o relacionamento entre eles, a ausência ou não de figuras parentais protetoras e, finalmente, 
o grau do segredo e de ameaças que a vítima sofreu. As consequências dos maus-tratos são 
devastadoras, ocasionando sequelas físicas e psicológicas, afetando, também, o desenvolvimento 
cognitivo das vítimas. Muitas vezes essas consequências se estendem até a vida adulta, tornando a 
pessoa insegura, frustrada, depressiva, culpada, déficit de amor próprio dentre outras condições 
deprimentes na maioria dos casos. Como é difícil superar o sentimento ferido de saber que as 
pessoas que supostamente deveriam proteger, abusam ou são coniventes com atos de violência 
sexual (Carvalho, 2020). 
Pensando no contexto da pandemia, a casa pode não ser uma opção tão segura para aqueles 
que já vivenciavam a violência doméstica. Mais de 70% dos casos de violência sexual contra 
crianças ocorrem na própria casa das vítimas e desta forma, isolar é uma tática de controle bastante 
utilizada pelos agressores, uma vez que, sem a rede social de apoio, é mais fácil manter a violência 
escondida dentro de casa. No Brasil, no mês de março de 2020, foi identificado um aumento de 
17% no número de ligações notificando violência contra a mulher logo após a adoção da medida de 
distanciamento social (Marques, de Moraes, Hasselmann, Deslandes, & Reichenheim, 2020). 
Contudo, as notificações desses fatos podem vir a não acontecer, tendo em vista que as 
escolas, principais porta-vozes na denúncia das violações, estão fechadas e a maior parte das 
crianças não consegue romper o ciclo de violência sozinha. Além disso, a interrupção da rotina 
escolar aumenta a exposição das crianças ao risco de negligência e maus tratos, bem como abuso e 
violência dentro de casa. Este grupo tem 1,5 vezes mais chance de ser vítima de abuso sexual e 4 a 
10 vezes maior probabilidade de ter vivenciado maus tratos (Marques, de Moraes, Hasselmann, 
Deslandes, & Reichenheim, 2020). 
 
Referências: 
Brasil. (2021). Abuso sexual contra crianças e adolescentes (abordagem de casos concretos em uma 
perspectiva multidisciplinar e interinstitucional). Ministério da Saúde. Recuperado de: 
https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2021/maio/CartilhaMaioLaranja2021.pdf 
Carvalho, A.O. (2020). Abuso sexual infantil e as consequencias no ambito sexual das vitimas. 
(Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário UNIFAAT). Recuperado 
de http://186.251.225.226:8080/handle/123456789/260 
Habigzang, L.F., Ramos, M.S., & Koller, S.H. (2011). A revelação de abuso sexual: as medidas 
adotadas pela rede de apoio. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 27(4), 467-473. Doi 
https://doi.org/10.1590/S0102-37722011000400010 
Lima, J.A. & Alberto, M.F.P. (2010). As vivências maternas diante do abuso sexual intrafamiliar. 
Estudos de Psicologia,15(2), 129-136. Doi: 10.1590/S1413-294X2010000200001 
Malgarim, Bibiana Godoi, & Benetti, Silvia Pereira da Cruz. (2010). O abuso sexual no contexto 
psicanalítico: das fantasias edípicas do incesto. Aletheia, (33), 123-137. Recuperado de 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942010000300011&lng=
pt&tlng=pt. 
Marques, E. S., de Moraes, C. L., Hasselmann, M. H., Deslandes, S. F., & Reichenheim, M. E. 
(2020). A violência contra mulheres, crianças e adolescentes em tempos de pandemia pela 
COVID-19: Panorama, motivações e formas de enfrentamento. Cadernos de Saúde Pública, 
36(4). doi: 10.1590/0102-311X00074420 
Padilha, C.R. & Barbieri, V. (2020). Transmissão psíquica transgeracional: uma revisão da 
literatura. Tempo psicanalítico, 52(1), 243-270. Recuperado de 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-48382020000100010&lng=
pt&tlng

Mais conteúdos dessa disciplina