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TCC - MBA EM GESTÃO ESTRATÉGICA DE COOPERATIVAS
TÍTULO: A Gestão Estratégica como Fator de Sustentabilidade e Competitividade nas Cooperativas Brasileiras
RESUMO O presente trabalho tem como objetivo analisar a importância da gestão estratégica nas cooperativas, com foco em sua contribuição para a sustentabilidade organizacional e para a competitividade no mercado. Parte-se da premissa de que, mesmo sendo entidades voltadas ao interesse coletivo, as cooperativas enfrentam os mesmos desafios das empresas tradicionais em termos de gestão, eficiência e inovação. A metodologia utilizada é de natureza qualitativa, com abordagem teórico-bibliográfica. O referencial teórico contempla os fundamentos do cooperativismo, os princípios da gestão estratégica, bem como os instrumentos de planejamento e controle. Conclui-se que a adoção de práticas estratégicas adequadas é essencial para a perenidade das cooperativas, sendo estas desafiadas a equilibrar seus valores sociais com as exigências de um mercado cada vez mais competitivo.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão estratégica, cooperativas, planejamento, sustentabilidade, competitividade.
1. INTRODUÇÃO
O cooperativismo tem se mostrado uma importante forma de organização econômica e social, desempenhando papel relevante no desenvolvimento de comunidades e na promoção da inclusão produtiva. No entanto, o crescimento e a sustentabilidade dessas organizações requerem a aplicação de ferramentas modernas de gestão, dentre as quais se destaca a gestão estratégica.
No contexto de mercados dinâmicos e competitivos, a estratégia torna-se um fator crítico de sucesso. Para as cooperativas, que combinam objetivos econômicos com finalidades sociais, a adoção de um pensamento estratégico estruturado é fundamental. Este trabalho tem como foco discutir a contribuição da gestão estratégica para o fortalecimento das cooperativas, abordando conceitos, princípios e ferramentas de planejamento e controle.
2. FUNDAMENTOS DO COOPERATIVISMO
Segundo a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), as cooperativas são associações autônomas de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais comuns. Os princípios cooperativistas incluem adesão livre, gestão democrática, participação econômica dos membros, autonomia, educação, cooperação entre cooperativas e interesse pela comunidade.
No Brasil, o setor cooperativista é regulado pela Lei nº 5.764/71, que define a Política Nacional do Cooperativismo. As cooperativas estão presentes em diversos segmentos, como crédito, agronegócio, saúde, transporte, trabalho e consumo.
3. GESTÃO ESTRATÉGICA: CONCEITOS E EVOLUÇÃO
A gestão estratégica refere-se ao processo de formulação, implementação e avaliação de estratégias que visam garantir o alcance dos objetivos organizacionais. Segundo Ansoff (1990), a estratégia é um conjunto de regras de tomada de decisão que orientam o comportamento da organização frente ao ambiente.
Porter (1989) introduziu o conceito de vantagem competitiva, destacando três estratégias genéricas: liderança em custo, diferenciação e enfoque. Mintzberg (2000), por sua vez, contribuiu com a visão da estratégia como um processo emergente e dinâmico.
4. FERRAMENTAS DE PLANEJAMENTO E CONTROLE ESTRATÉGICO
Diversas ferramentas são utilizadas no planejamento estratégico, destacando-se:
· Análise SWOT: identifica forças, fraquezas, oportunidades e ameaças.
· Matriz BCG: avalia o portfólio de produtos ou serviços.
· Balanced Scorecard (BSC): desenvolvido por Kaplan e Norton, permite o monitoramento de indicadores financeiros e não financeiros.
· Mapa Estratégico: representa visualmente os objetivos organizacionais interligados.
Para as cooperativas, a aplicação dessas ferramentas exige adaptação às suas características singulares, como a participação democrática e a natureza não lucrativa.
5. APLICAÇÃO DA GESTÃO ESTRATÉGICA EM COOPERATIVAS
Estudos apontam que cooperativas que adotam o planejamento estratégico têm maior probabilidade de se manterem sustentáveis e competitivas. A elaboração de um plano estratégico envolve a participação dos associados, a definição de missão, visão e valores, bem como o estabelecimento de metas e indicadores.
A governança também desempenha papel fundamental, garantindo transparência, responsabilidade e eficiência na tomada de decisão. A adoção de boas práticas de governança corporativa em cooperativas é um diferencial competitivo.
6. DESAFIOS E OPORTUNIDADES
Entre os desafios enfrentados pelas cooperativas estão a resistência à mudança, a carência de lideranças capacitadas, limitações tecnológicas e dificuldades de acesso a mercados. Por outro lado, as oportunidades residem na digitalização, no fortalecimento da economia solidária, no apoio de políticas públicas e no aumento da consciência social sobre consumo responsável.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gestão estratégica se revela como um instrumento fundamental para que as cooperativas possam enfrentar os desafios contemporâneos e explorar novas oportunidades. O alinhamento entre os princípios cooperativistas e as práticas de gestão estratégica é possível e desejável, garantindo não apenas a sobrevivência, mas também a prosperidade dessas organizações.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Fernando Augusto de N. Cooperativismo e Associativismo. Brasília: OIT/UnB, 2009.
ANSOFF, H. Igor. Estratégia empresarial. São Paulo: Atlas, 1990.
BIALOSKORSKI NETO, Sérgio. Cooperativas: Governança e Gestão. São Paulo: Atlas, 2010.
KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. A organização orientada para a estratégia. Rio de Janeiro: Campus, 2004.
MINTZBERG, Henry. Safari de Estratégia: Um Roteiro pela Selva do Planejamento Estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2000.
PORTER, Michael E. Vantagem Competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1989.
SCHNEIDER, Sergio. A construção da economia solidária no Brasil. São Paulo: Editora da UNESP, 2007.
SISTEMA OCB. Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2023. Brasília: OCB, 2023.

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