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Semelhante à capacidade de percepção e de função motora, a emoção também é mediada por circuitos neuronais dentro do encéfalo (Ledoux & Damasio, 2014). A organização neural da emoção humana, segundo Tucker, Derryberry & Luu (2000), abrange múltiplos níveis, desde os reflexos adaptativos elementares advindos do tronco encefálico inferior, a complexa integração visceral e somática do hipotálamo e tálamo e também o controle de memória e cognição das redes límbico-corticais. No tronco encefálico estão localizados vários núcleos de nervos cranianos, viscerais e somáticos, além de centros viscerais como o centro respiratório e o vasomotor. A ativação destas estruturas por impulsos nervosos de origem telencefálica ou diencefálica ocorre nos estados emocionais, resultando nas diversas manifestações que acompanham a emoção, tais como o choro, as alterações fisionômicas, a sudorese, e salivação, o aumento do ritmo cardíaco, etc. Além disto, as diversas vias descendentes que atravessam ou se originam no tronco encefálico vão ativar os neurônios medulares, permitindo aquelas manifestações periféricas dos fenômenos emocionais que se fazem por nervos espinhais ou pelos sistemas simpático e parassimpático sacral. Deste modo, o papel do tronco encefálico é principalmente efetuador, agindo basicamente na expressão das emoções, como é o caso do choro, da sudorese, do aumento da frequência cardíaca, entre outros. Contudo, existem dados que sugerem que a substância cinzenta central do mesencéfalo e a formação reticular podem ter, também, um papel regulador de certas formas de comportamento agressivo (Machado, 2011). Cabe lembrar também, que no tronco encefálico origina-se a maioria das fibras nervosas monoaminérgicas do sistema nervoso central, destacando-se aquelas que constituem as vias serotoninérgicas, noradrenérgicas e dopaminérgicas. Estas vias projetam-se para o diencéfalo e telencéfalo e, deste modo, exercem ação moduladora sobre os neurônios e circuitos nervosos existentes nas principais áreas encefálicas relacionadas com o comportamento emocional. É especialmente importante a via dopaminérgica mesolímbica, que se projeta especificamente para áreas altamente relevantes à regulação dos fenômenos emocionais, como o sistema límbico e a área pré-frontal. Em síntese, embora os centros encefálicos mais importantes para a regulação das emoções não estejam no tronco encefálico, estes centros sofrem influência de neurônios nele localizados, através das vias monoaminérgicas que aí se originam (Machado, 2011). Deste modo, pode inferir que o tronco cerebral é a região responsável pelas "reações emocionais", na verdade, apenas respostas reflexas, de vertebrados inferiores, assim como também em humanos. As estruturas envolvidas são a formação reticular e o locus cérulus, uma massa concentrada de neurônios secretores de norepinefrina. É importante assinalar que, até mesmo em humanos, essas primitivas estruturas continuam participando, não só dos mecanismos de alerta, vitais para a sobrevivência, mas também da manutenção do ciclo vigília-sono. Além disso, outras estruturas do tronco cerebral, como os pares cranianos quando estimulados por impulsos do córtex e do estriado, tendem a responder, em forma de alterações fisiológicas dos estados afetivos: expressões de raiva, alegria, tristeza, ternura e etc. Já o Tálamo, é uma estrutura constituída por massa cinzenta, localizada entre o córtex cerebral e o mesencéfalo. O tálamo apresenta funções como a regulação da consciência, regulação do sono e o estado de alerta. Suas funções no sistema límbico estão mais associadas à sua característica de comunicação entre demais componentes desse sistema, e não a uma atividade própria. O tálamo é responsável por ligar estruturas corticais localizadas na área frontal com o hipotálamo, e ainda liga os corpos mamilares do hipotálamo ao giro cingulado. Tem-se presente na literatura que lesões ou estimulações do núcleo dorsomedial e dos núcleos anteriores do tálamo já foram correlacionadas com alterações da reatividade emocional no homem e em animais. Ao que parece, entretanto, a importância destes núcleos na regulação do comportamento emocional decorre de suas conexões. O núcleo dorsomedial liga-se ao córtex da área pré-frontal ao hipotálamo e ao sistema límbico. Os núcleos anteriores ligam-se ao corpo mamilar e ao córtex do giro do cíngulo, fazendo parte de circuitos do sistema límbico (Barreto & Silva, 2010). Referências Barreto, J. E. F., & e Silva, L. P. (2010). Sistema límbico e as emoções. Revista Neurociências, 18(3), 386-394. https://doi.org/10.34024/rnc.2010.v18.8466 Ledoux, J., & Damasio, A. (2014). Emoções e sentimentos. Fundamentos da neurociência. Rio de Janeiro: Artmed. cap. 48, p. 938–951. Machado, V. (2011). A influência da emoção na memória e no aprendizado. Dissertação de mestrado, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Recuperado de http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/t206953.pdf Tucker, D. M., Derryberry, D., & Luu, P. (2000). Anatomy and Physiology of Human Emotion: Vertical Integration of Brainstem, Limbic, and Cortical Systems. In J. Borod (Ed.), Handbook of the Neuropsychology of Emotion. New York: Oxford. Recuperado de https://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.570.4316&rep=rep1&type=pdf