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CENTRO UNIVERSITÁRIO CHRISTUS Curso de Odontologia HELLIENARA PAIVA GOMES, LUCAS ALVES DE CARVALHO LIMA, MARIA CLARA BESSA JORGE, MARIA EDUARDA BARBOSA SOUSA, MAYANE MACEDO COLARES E YAMILI VITÓRIA DOS SANTOS SOBRINHO SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR CASO DR. SIRIUS FORTALEZA-CE 2025 HELLIENARA PAIVA GOMES, LUCAS ALVES DE CARVALHO LIMA, MARIA CLARA BESSA JORGE, MARIA EDUARDA BARBOSA SOUSA, MAYANE MACEDO COLARES E YAMILI VITÓRIA DOS SANTOS SOBRINHO SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR CASO DR. SIRIUS Trabalho apresentado às disciplinas de Farmacologia Clínica, Patologia Geral, Odontogenética. Pré-Clínica I e Saúde Coletiva II do Curso de Odontologia da Unichristus, Campus Parque Ecológico, como requisito parcial para a obtenção de nota. FORTALEZA-CE 2025 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo analisar criticamente o caso clínico do cirurgião-dentista recém-formado Dr. Sirius Saints à luz dos conteúdos abordados nas disciplinas do terceiro semestre do curso de Odontologia. O caso envolve falhas éticas, técnicas e legais na prática clínica, com destaque para aspectos relacionados à biossegurança, infraestrutura do consultório, prescrição medicamentosa, manejo clínico e fatores genéticos. As disciplinas analisadas incluem Saúde Coletiva II, Odontogenética, Pré-Clínica I, Patologia Geral e Farmacologia. A partir da análise integrada, busca-se demonstrar a importância da formação teórico-prática e da atuação profissional responsável para a promoção da saúde e segurança dos pacientes. Palavras-chave: Biossegurança; Formação profissional; Saúde pública; Prescrição medicamentosa; Desenvolvimento dentário; Pericoronarite. ABSTRACT This paper aims to analyze the case of Fernanda and her son Júlio, who faces health and social challenges, including cleft lip and palate, eating difficulties and parasitosis. The mother, Fernanda, a former crack addict, seeks support from health and social services to care for her son. The analysis covers the disciplines of microbiology and immunology, with emphasis on the diagnosis of parasitosis and eosinophilia, anatomy and head and neck, in the context of cleft repair surgery, oral histology and embryology, explaining the processes of fetal development and tissue repair, in addition to the scientific methodology, when applying the case study and the therapeutic protocol adopted. It also discusses public health, considering the difficulties in accessing health services and the role of the multidisciplinary team in the comprehensive care of families in situations of social vulnerability. The study reflects on the importance of holistic and multidisciplinary care, integrating physical, emotional and social aspects for the well-being of the child and the family. Keywords: Biosafety; Professional training; Public health; Drug prescription; Tooth development; Pericoronitis. INTRODUÇÃO A prática odontológica vai muito além de restaurar dentes ou tratar infecções bucais. Envolve lidar com pessoas em sua complexidade — suas dores, suas histórias, seus contextos sociais e emocionais. Ser dentista exige, portanto, mais do que habilidades manuais: requer conhecimento científico, sensibilidade, ética e preparo para tomar decisões conscientes que impactam diretamente a vida do outro. Neste trabalho, propomos uma análise crítica do caso do Dr. Sirius Saints, um jovem cirurgião-dentista recém-formado, que inicia sua trajetória profissional em um cenário desafiador: um consultório improvisado na periferia de Fortaleza, sem regularização, e com recursos humanos e materiais limitados. Seu atendimento à paciente Jhenifer, portadora de um quadro agudo de pericoronarite e outros comprometimentos bucais e sistêmicos, traz à tona uma série de questões clínicas, éticas, legais e humanas. O objetivo aqui é relacionar esse caso clínico com os conteúdos estudados nas disciplinas do terceiro semestre de Odontologia — Saúde Coletiva II, Odontogenética, Pré-Clínica I, Patologia Geral e Farmacologia — refletindo como o conhecimento teórico, quando verdadeiramente compreendido e aplicado, pode transformar a qualidade do cuidado oferecido. Através dessa análise, esperamos promover uma reflexão não apenas sobre o que se aprende, mas sobre o porquê e para quem se aprende a ser cirurgião-dentista. FARMACOLOGIA CLÍNICA 1. Introdução O caso clínico apresentado envolve o cirurgião-dentista recém-formado Dr. Sirius Santos, que atua em um consultório com diversas irregularidades sanitárias, estruturais e éticas. A partir da situação vivenciada, é possível relacionar condutas clínicas e farmacológicas importantes, especialmente porque o profissional atende uma paciente pediátrica cardiopata com válvula protética, além de realizar orientações a um paciente com lesão bucal suspeita e grande acúmulo de cálculo dentário. A seguir, cada ponto será correlacionado com a farmacologia odontológica aplicada. 1.1 Anestésicos Locais No atendimento da paciente M. S. X. pediátrica portadora de válvula cardíaca protética, candidata à ulectomia dos elementos 11 e 21, a seleção do anestésico local exige atenção. Em crianças de 20 kg, a dose máxima de lidocaína 2% com epinefrina 1:100.000 é de aproximadamente 4,4 mg/kg, o que corresponde a 88 mg, equivalente a 2 carpules. Entretanto, para procedimentos curtos como ulectomia, geralmente meio carpule é suficiente. Em pacientes com valva protética, anestésicos com vasoconstritor são permitidos, desde que utilizados com cautela, pois a epinefrina auxilia no controle do sangramento. Deve-se evitar soluções puras sem vasoconstritor, pois aumentam absorção sistêmica. Além disso, um ambiente sem esterilização adequada, como descrito no caso (uso de detergente doméstico, estufa em vez de autoclave), eleva o risco de infecções. Assim, o uso do anestésico deve ser acompanhado de técnica rigorosa, agulhas estéreis e condições mínimas de biossegurança, o que não ocorre no consultório do Dr. Sirius. 1.2 Farmacologia Aplicada a Pacientes Especiais A paciente M.S.X. pediátrica cardiopata portadora de válvula protética é considerada de alto risco para endocardite infecciosa. Procedimentos como ulectomia geram sangramento e exigem profilaxia antimicrobiana obrigatória, o que mostra a insegurança do dentista ao planejar o cuidado. O protocolo recomendado pela AHA indica amoxicilina 50 mg/kg, 30–60 minutos antes do procedimento, e, em caso de alergia, clindamicina 20 mg/kg. A farmacologia aplicada a pacientes especiais também abrange considerações sobre metabilização e doses máximas em crianças. Em um consultório sem ventilação adequada, com pouca iluminação e desorganização, existe risco aumentado de erros de cálculo de dose e falhas na administração farmacológica. No caso do pai da paciente M.S.X que apresenta uma lesão bucal com história de tabagismo e progressão clínica, há necessidade de avaliação diferencial para câncer bucal. A farmacologia é envolvida porque lesões ulceradas extensas podem contraindicar determinados medicamentos tópicos irritantes, e também porque pacientes com câncer podem futuramente necessitar medicamentos antifúngicos ou antivirais decorrentes de imunossupressão ou mucosite. 1.3 Cálculo de Doses no Atendimento O cálculo de dose segura de anestésico para a criança de 20 kg é fundamental, uma vez que o risco de toxicidade sistêmica por anestésico aumenta em pacientes pediátricos. Como discutido, o limite máximo para lidocaína 2% com epinefrina é de 88 mg (aprox. 2 carpules). Caso fosse utilizado articaína 4%, a dose máxima seria ainda menor (aprox. 7 mg/kg), implicando limite aproximado de 140 mg (1 carpule e meio). Portanto, a falta de experiência do dentista, somada às condições inadequadas de biossegurança, cria um cenário de risco elevado para erro. A mesma lógica se aplica à profilaxia antibiótica: a dose de amoxicilina 50 mg/kg para a criança exigiria 1.000 mg (1 g) administrados 1 hora antes do procedimento. O cálculo preciso é essencial, especialmente em consultóriossem equipe treinada e sem farmacovigilância. 2. Prática de Prescrição I: AINES, Antibióticos e Analgésicos de Ação Central A realização de ulectomia e a dor pós-operatória exigem planejamento medicamentoso adequado. Para a paciente M. S.X. pediátrica, o analgésico de escolha é o paracetamol (10–15 mg/kg) ou ibuprofeno (quando não houver contraindicação). AINES são úteis, porém devem ser evitados em crianças com risco de sangramento ou doenças sistêmicas graves. Os antibióticos se tornam essenciais no caso devido ao risco de endocardite infecciosa, e seriam prescritos também em caso de sinais de infecção local. O consultório de Sirius, entretanto, apresenta sérias falhas de esterilização, indicando que a prescrição poderia se tornar frequente, de forma inadequada, caso não houvesse correção da infraestrutura. Para o pai da paciente, com grande acúmulo de cálculo e possível lesão traumática ou potencialmente maligna, a prescrição inicial se limita a analgésicos, evitando antibióticos desnecessários até diagnóstico definitivo. 2.1 Prática de Prescrição II e IV: Antifúngicos e Antivirais As condições precárias de biossegurança do consultório aumentam o risco de infecções cruzadas, incluindo candidíase oral (necessitando antifúngicos como nistatina ou fluconazol) e infecções virais como herpes simples, exigindo antivirais como aciclovir. Embora não estejam diretamente relacionadas à ulectomia, essas prescrições se tornam mais prováveis em ambientes onde esterilização inadequada ocorre — como no caso descrito, com materiais “lavados” apenas com detergente de cozinha e esterilizados em estufa a 200 °C, método já ultrapassado e ineficaz. Lesões bucais ulceradas crônicas, como as apresentadas pelo pai da menina, podem ser confundidas com infecções virais ou fúngicas, e a farmacologia auxilia no diagnóstico diferencial, reforçando a importância de avaliação clínica adequada antes de qualquer prescrição. ODONTOGENÉTICA A Odontogenética estuda como fatores genéticos, epigenéticos e ambientais interagem para determinar tanto o desenvolvimento dos tecidos bucais quanto a susceptibilidade às doenças orais. No caso analisado no consultório do Dr. Sirius, observamos dois pacientes cujas condições clínicas permitem uma reflexão direta sobre os principais mecanismos genéticos envolvidos na prática odontológica: uma criança de 7 anos, portadora de válvula cardíaca protética, necessitando de ulectomia dos dentes 11 e 21; e seu pai, que apresenta uma lesão branca crescente em língua, além de grande acúmulo de cálculo e sinais de inflamação periodontal. Esses achados permitem compreender como a genética influencia a resposta imunológica, o risco de doenças periodontais, a predisposição ao câncer bucal e até a forma como o paciente metaboliza medicamentos. Assim, o caso integra, de forma prática, diversos tópicos essenciais da Odontogenética. A herança multifatorial ocorre quando uma condição clínica surge a partir da combinação de muitos genes e de fatores ambientais. Cada gene contribui apenas com uma pequena parcela do risco, e somente quando somado a elementos externos, como hábitos de vida, exposição ao tabaco, dieta e higiene bucal, a doença realmente se manifesta. Esse tipo de herança explica por que duas pessoas expostas às mesmas condições podem apresentar resultados completamente diferentes, já que cada indivíduo possui um conjunto único de predisposições genéticas. No caso analisado, o pai apresenta periodontite, grande formação de cálculo e uma lesão branca em língua. Esses achados refletem perfeitamente um quadro multifatorial. A higiene oral inadequada e o tabagismo passado representam os fatores ambientais, enquanto variantes genéticas ligadas à inflamação e ao reparo tecidual contribuem para agravamento da doença periodontal e maior vulnerabilidade da mucosa oral. Assim, o caso demonstra como fatores genéticos e ambientais se somam para determinar a severidade das doenças orais. A periodontite observada no pai da criança apresenta forte influência genética, porque a severidade da inflamação e a rapidez da destruição periodontal dependem do perfil genético de cada indivíduo. É importante diferenciar duas formas: a periodontite crônica e a periodontite agressiva, pois ambas envolvem mecanismos genéticos distintos. A periodontite crônica, que é a forma mais comum, evolui lentamente ao longo do tempo e está associada a variantes genéticas que modulam a resposta inflamatória. Polimorfismos nos genes IL-1, IL-6 e TNF-α podem aumentar a produção de citocinas pró-inflamatórias, fazendo com que indivíduos como o pai respondam de maneira exagerada ao biofilme. Isso ajuda a explicar por que ele apresenta tanta inflamação e acúmulo de cálculo, mesmo quando outras pessoas com níveis semelhantes de placa não desenvolvem um quadro tão intenso. Ou seja, a genética amplifica a severidade da doença. Já a periodontite agressiva possui evolução muito rápida e está associada a defeitos funcionais nos neutrófilos, especialmente na quimiotaxia e na fagocitose. Embora o pai não apresente sinais clínicos suficientes para ser enquadrado nessa categoria, a intensidade do cálculo e da inflamação indica que ele pode carregar predisposições genéticas que aumentam o risco de progressão, caso não seja tratado adequadamente. Assim, a condição periodontal do pai demonstra claramente como fatores genéticos influenciam tanto a intensidade da inflamação quanto o ritmo de evolução da doença. A lesão branca presente na língua do pai da criança é sugestiva de leucoplasia, uma lesão potencialmente maligna. O risco de transformação dessa lesão depende tanto do histórico de tabagismo quanto de fatores genéticos que alteram o funcionamento normal das células da mucosa oral. Alguns genes, como TP53 e CDKN2A, são responsáveis por controlar o ciclo celular e reparar danos no DNA. Quando esses genes sofrem alterações, a mucosa oral perde parte da sua capacidade de corrigir os danos provocados pelos carcinógenos do cigarro. Por isso, mesmo que o paciente tenha reduzido ou parado de fumar, as mutações acumuladas permanecem e continuam representando risco de malignização. No caso do pai, o crescimento progressivo da lesão indica que a mucosa pode estar apresentando falhas nos mecanismos de reparo celular, favorecendo o acúmulo gradual de mutações. Por esse motivo, a biópsia é essencial, pois permite identificar se há displasia e avaliar o potencial de transformação maligna. A farmacogenômica estuda como as variações genéticas individuais influenciam a forma como cada pessoa metaboliza e responde aos medicamentos. Essa área é essencial na Odontologia moderna, pois ajuda a entender por que determinados fármacos funcionam bem em alguns pacientes, mas apresentam pouca eficácia ou causam reações adversas em outros. As diferenças acontecem principalmente por variações em enzimas metabólicas, transportadores e receptores presentes no organismo. No caso analisado, a criança portadora de válvula cardíaca protética é um exemplo claro de como a farmacogenômica pode interferir diretamente na prática clínica. Antes da ulectomia, ela pode precisar de antibioticoprofilaxia para prevenir endocardite bacteriana, e a forma como metaboliza esse antibiótico depende de enzimas do citocromo P450, como CYP2D6 e CYP3A4. Algumas crianças metabolizam medicamentos muito rapidamente, o que reduz sua eficácia; outras metabolizam lentamente, aumentando o risco de efeitos tóxicos. Portanto, entender que essa variação existe é fundamental para ajustar doses quando necessário e garantir que o tratamento seja eficaz e seguro. No caso do pai, a farmacogenômica também se mostra relevante. Caso ele necessite de analgésicos ou anti-inflamatórios após procedimentos periodontais ou após a biópsia da lesão branca, a maneira como seu organismo converte esses medicamentos pode ser influenciada por variantes genéticas. Por exemplo, pacientes com alterações em CYP2D6 podem metabolizar a codeína de maneira insuficiente ou excessiva. Isso pode resultar em analgesia ineficaz ou, ao contrário,em níveis elevados do medicamento no sangue, trazendo riscos. Além disso, alterações em genes relacionados ao transporte e eliminação de fármacos podem interferir na resposta a anti-inflamatórios não esteroidais usados na fase pós-operatória. A condução dos dois pacientes envolve avaliação clínica cuidadosa e integração de conhecimentos genéticos. No pai, a lesão branca em língua precisa ser avaliada por meio de biópsia incisional e exame histopatológico para identificar se há displasia ou risco de transformação maligna. Podem ser utilizados exames complementares, como imunohistoquímica, que ajudam a identificar alterações celulares relacionadas ao câncer bucal. Paralelamente, o tratamento periodontal deve ser iniciado com raspagem e alisamento radicular, seguido de acompanhamento periódico, já que o paciente apresenta fatores genéticos e ambientais que favorecem inflamação intensa. Na criança, portadora de válvula cardíaca protética, a ulectomia deve ser realizada com cuidado e com avaliação prévia da necessidade de antibioticoprofilaxia. É importante monitorar a erupção dos dentes 11 e 21 e orientar sobre higiene oral, considerando que a resposta inflamatória e a cicatrização também sofrem influência do componente genético. O caso apresentado evidencia de forma prática como a Odontogenética está diretamente ligada ao atendimento clínico diário. A análise da criança e de seu pai demonstra que fatores genéticos, ambientais e epigenéticos atuam simultaneamente na determinação da saúde bucal, influenciando desde a resposta inflamatória até a susceptibilidade a doenças complexas, como periodontite e câncer bucal. A presença de uma lesão branca em língua e de uma inflamação periodontal acentuada no pai, somada à necessidade de antibioticoprofilaxia e cuidados especiais na criança, reforça a importância de compreender como as variações genéticas afetam o risco de doenças e o metabolismo de medicamentos. Dessa forma, o caso ilustra que o conhecimento em Odontogenética não é apenas teórico, mas essencial para o diagnóstico, a tomada de decisões clínicas e a escolha do tratamento mais seguro e eficaz para cada paciente. PRÉ-CLÍNICA I No caso clínico de Dr Siriús, o dentista observa que o pai da paciente infantil apresentava acúmulo significativo de cálculo dentário e biofilme em diversos sextantes. Esse achado conecta-se diretamente às características normais e patológicas do periodonto, visto que um periodonto saudável apresenta gengiva firme, contorno regular e ausência de sangramento. A presença de cálculo rompe esse equilíbrio, funcionando como fator irritativo ao periodonto. De acordo com as referências de Pré-clínica e da matéria periodontia, o cálculo promove um ambiente propício à inflamação e deve ser removido assim que identificado, o que se aplica diretamente à condição observada no pai da paciente. A formação de cálculo relatada no caso também está relacionada aos conteúdos teóricos sobre cálculo dental, que explicam que a mineralização do biofilme ocorre rapidamente e é favorecida por fatores salivares e hábitos de higiene inadequados. O pai da paciente relata dificuldade alimentar devido a uma lesão lingual, mas o caso não menciona hábitos de higiene oral, que, aliado ao depósito expressivo de cálculo, sugere provável falha no controle diário do biofilme. Assim, a constatação feita pelo dentista deveria ter desencadeado a aplicação imediata dos protocolos de exame periodontal, que fazem parte do conteúdo de Pré-Clínica I. Esse exame deveria incluir sondagem periodontal, inspeção tátil com explorador, avaliação de mobilidade e registro das condições gengivais, permitindo identificar o grau de comprometimento periodontal antes da intervenção com os exames, tais como, IPV, ISS e PSR. Apenas a inspeção visual realizada pelo dentista não atende aos requisitos mínimos de um diagnóstico periodontal completo, como preconizado na disciplina. Ao detectar cálculo em alguns sextantes, o profissional deveria ter acionado o plano de tratamento periodontal, que envolve: exame periodontal detalhado, remoção mecânica dos depósitos supra e subgengivais, orientação de higiene oral e reavaliação. No caso descrito, o dentista orientou sobre a formação do cálculo, mas não deu continuidade ao manejo periodontal indicado. A partir do achado clínico, os conteúdos de instrumentais periodontais tornam-se diretamente aplicáveis ao caso. O dentista deveria ter utilizado sondas periodontais para averiguar profundidade de sulco e presença de sangramento, e exploradores para confirmar extensão do cálculo. Em seguida, deveria selecionar os instrumentais de raspagem adequados, como curetas universais, curetas Gracey e raspadores supragengivais. Esses instrumentais fazem parte da rotina de instrumentação periodontal, que é o principal recurso para remoção do cálculo encontrado no caso. A disciplina também aborda de forma prática a Raspagem Supragengival dos sextantes I, II, III e V, e essa prática se relaciona diretamente com o caso. Considerando que o dentista observou acúmulo de cálculo em múltiplos sextantes, seria necessário aplicar exatamente esses conteúdos. Sextante I (anterossuperior): raspagem de incisivos e caninos, frequentemente acometidos por biofilme devido à respiração oral ou higiene inadequada. Sextante II (superior posterior esquerdo): provável acúmulo em pré-molares e molares, áreas onde a escovação é mais falha. Sextante III (anteroinferior): área clássica de grande acúmulo de cálculo, associada às glândulas salivares sublinguais, correspondendo ao tipo de cálculo comumente visível clinicamente. Sextante V (posterior inferior esquerdo): região onde a mineralização do biofilme ocorre rapidamente. O caso clínico mostra claramente um paciente que necessitaria dessa abordagem sequencial de raspagem, exatamente como praticado na disciplina. Outro conteúdo diretamente relacionado é a Afiação dos instrumentais de Periodontia. A presença de cálculo mineralizado e aderido, como mostrado no caso, exige curetas perfeitamente afiadas para garantir eficiência da raspagem, menor força aplicada, menor risco de trauma e resultados periodontais mais previsíveis. Um instrumental sem fio atrasaria a remoção do cálculo observado no pai da paciente, prolongaria o procedimento e poderia causar desconforto ou danos aos tecidos. Assim, todos os conteúdos de Pré-Clínica I, observa-se que o caso apresentado evidencia um paciente que deveria ter sido submetido a um plano de tratamento periodontal completo, incluindo: exame periodontal, identificação das alterações periodontais, escolha dos instrumentais adequados, afiação prévia dos instrumentais e execução da raspagem supragengival nos sextantes acometidos. Portanto, o caso clínico permite aplicar de forma integrada todos os conteúdos estudados na disciplina, mostrando a importância da instrumentação periodontal como etapa fundamental para restabelecimento da saúde oral. PATOLOGIA GERAL No caso clínico, o pai da paciente apresenta uma lesão em língua que começou como uma mancha branca e evoluiu para aumento de volume, dificultando a alimentação. Essa evolução permite relacionar o caso aos conceitos de ciclo celular, neoplasias, carcinogênese e metástase. A alteração inicial pode estar ligada a falhas no ciclo celular, que é o processo pelo qual a célula cresce, duplica seu DNA e se divide. Esse ciclo é rigidamente controlado, e qualquer dano ao DNA deve ser corrigido antes da célula prosseguir. Quando há exposição prolongada a agentes irritantes, como o tabaco, podem ocorrer mutações que alteram esses pontos de checagem. Isso permite que células defeituosas continuem se multiplicando. Esse processo ajuda a explicar por que uma mancha branca (como uma leucoplasia) pode evoluir para uma lesão mais volumosa: as células daquela região perderam parte do controle normal da divisão. Essas alterações podem levar à formação de neoplasias, que são crescimentos anormais de células. As neoplasias podem ser benignas ou malignas. O crescimento progressivo da lesãodo paciente sugere que as células podem estar se dividindo de forma desordenada e independente dos sinais normais do organismo, o que caracteriza o comportamento neoplásico. Como o tabagismo é um fator de risco importante para câncer bucal, a lesão deve ser considerada potencialmente pré-maligna ou maligna. Esse desenvolvimento está diretamente ligado ao processo de carcinogênese, que é o passo a passo da formação de um câncer. Ele ocorre em três fases: Iniciação: ocorre quando um agente mutagênico (como substâncias do cigarro) causa uma alteração permanente no DNA da célula. Promoção: são estímulos que fazem essas células alteradas se multiplicarem mais rapidamente. Mesmo o “fumo social” pode funcionar como promotor. Progressão: é quando as células acumulam mais mutações e vão se tornando cada vez mais agressivas, formando tumores que aumentam de tamanho, invadem tecidos e alteram funções — como no caso, a alimentação. Por fim, embora o caso não cite disseminação, todo tumor maligno tem potencial de metástase, que é o processo de células cancerígenas migrarem do tumor primário para outros locais do corpo, especialmente linfonodos. Na cavidade oral, a metástase mais comum é para os linfonodos cervicais. A possibilidade de que a lesão seja maligna torna essa etapa importante, pois o diagnóstico precoce impede que o tumor alcance essa capacidade invasiva. SAÚDE COLETIVA II A prática clínica do Dr. Sirius Santos apresenta uma série de falhas que constituem infrações graves às normas de Biossegurança. A análise a seguir utiliza os conceitos de controle de infecção, esterilização e descarte de resíduos que você mencionou para fundamentar a crítica. 1. Gerenciamento Ilegal e Antiético de Resíduos (RSS) O desvio de conduta mais crítico reside no manejo dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS). O Dr. Sirius violou as responsabilidades sanitárias e ambientais ao lidar incorretamente com o Grupo A (Potencialmente Infectante). O descarte Incorreto de Dentes (Grupo A): O dente humano extraído é um resíduo biológico classificado como Grupo A (Potencialmente Infectante). Seu descarte no lixo comum é ilegal e expõe a equipe de limpeza e a população ao risco biológico. O destino final exige tratamento prévio (como desativação microbiana) ou o encaminhamento a uma empresa licenciada, seguindo o Plano de Gerenciamento de RSS (PGRSS) Ademais , o BDH ( BANCO DE DENTES HUMANOS) é uma estrutura organizada para coleta, preparo, armazenamento e distribuição de dentes destinados ao ensino, a pesquisa e ao treinamento pré clínico.O Dr.Sirius não está seguindo a conduta correta mediante a esse banco. - Ensino pré-clínico: utilizado para treinamento de técnicas restauradoras,endodônticas, periodontais e laboratoriais. - Pesquisa científica: fornece material biológico para estudos experimentais. - Padronização da biossegurança: evita o uso de dentes coletados de forma inadequada, sem controle de origem ou protocolo de descontaminação. - Suporte à extensão universitária: pode ser usado em atividades de promoção a saúde. Esterilização Ineficaz e Monitoramento Falho O Dr. Sirius compromete a Cadeia Asséptica do consultório, resultando em instrumental cirúrgico não estéril. Ciclo de Autoclave Incorreto: A temperatura citada de 200 para a autoclavagem (calor úmido) está tecnicamente errada. O ciclo padrão opera entre 121 e 134 A confusão do Dr. Sirius sobre a temperatura de 200 revela uma falha fundamental no entendimento dos métodos de esterilização, o que invalida seu processo. Inadequação da Estufa: A temperatura de 200 que o Dr. Sirius menciona é, de fato, compatível com o uso em uma estufa de esterilização (calor seco), que utiliza o ar quente para promover a morte microbiana. ● Por Que Não Serve para a Odontologia Clínica: A estufa é considerada obsoleta e ineficaz para o volume e tipo de instrumental de um consultório odontológico por dois motivos principais: 1. Tempo Excessivo: O ciclo de esterilização a calor seco é extremamente longo (podendo levar horas) para garantir a penetração do calor, inviabilizando a rotina clínica de alto fluxo de pacientes. 2. Dano ao Material: O calor seco tende a cegar o fio de corte dos instrumentais (como curetas e tesouras) e pode danificar o material. ● A Falha do Dr. Sirius: Ao tentar usar essa temperatura na autoclave (que usa calor úmido a 121 ou 134), o Dr. Sirius demonstra uma confusão grave entre os métodos, resultando em um ciclo que não garante a esterilidade. Erro na Limpeza: O uso de detergente de cozinha para a limpeza prévia, em vez de um detergente enzimático hospitalar, é ineficaz na remoção de matéria orgânica. A limpeza completa é uma pré-condição para a esterilização; se o material não está limpo, ele não será esterilizado. EXPURGO: No caso mencionado, ele é inexistente, ou mal estruturado. Fazendo que as ASBs lavem os instrumentais sem EPI e com sabão comum. O expurgo é a área destinada à pré-limpeza dos instrumentais, um dos momentos de maior risco biológico. Ele deve conter: Tanque exclusivo, torneira com jato, bancada para apoio, EPI completos, detergente enzimático, escova específica submersa para evitar aerossóis. Como isso afeta a ASB na prática? A atuação da ASB no caso clínico a expôs a diversos riscos ocupacionais decorrente das falhas no processamento dos instrumentais e da ausência de condições adequadas de biossegurança. Sem uso correto de EPI, a auxiliar ficou vulnerável à contaminação direta por sangue e secreções, aumentando a possibilidade de contato com agentes infecciosos. Além disso, ao escovar instrumentais fora da água, eram produzidos aerossóis invisíveis carregados de microrganismos, capazes de causar infecções respiratórias e facilitar a transmissão de doenças. . CONCLUSÃO O caso da paciente Jhenifer, atendida pelo cirurgião-dentista Dr. Sirius Saints, evidencia como a prática odontológica vai muito além da técnica, envolvendo uma série de conhecimentos que integram ciências básicas e clínicas — entre elas, a farmacologia. Mais do que prescrever medicamentos, é preciso compreender como esses fármacos se comportam no organismo, como interagem entre si e como são influenciados pelas particularidades de cada paciente, tanto em nível fisiológico quanto social. A condição apresentada por Jhenifer, uma pericoronarite aguda com manifestações sistêmicas, exigia um olhar atento não apenas à infecção local, mas também ao seu histórico de vida — o uso crônico de álcool e tabaco, o uso diário de diazepam, seus hábitos e sua condição emocional. Tudo isso influencia diretamente na escolha, na eficácia e na segurança dos medicamentos prescritos. Compreender aspectos como farmacocinética, vias de administração, metabolismo hepático e potenciais interações medicamentosas é essencial para um cuidado que respeite a individualidade do paciente. Além disso, o caso nos chama à responsabilidade ética e legal do profissional. A ausência de registros formais no prontuário, a prescrição sem as devidas normas e o desconhecimento de ferramentas básicas de biossegurança e funcionamento clínico não são apenas falhas administrativas — são riscos reais à saúde do paciente e à integridade do profissional. Nesse sentido, o conhecimento das normas de prescrição, da importância do prontuário e do papel do cirurgião-dentista como prescritor seguro e responsável é indispensável desde os primeiros passos da formação. Por fim, a experiência do Dr. Sirius nos alerta para a importância de buscar continuamente a atualização e o conhecimento técnico-científico. Porém, mais do que isso, mostra que a boa prática odontológica exige sensibilidade, empatia e responsabilidade. Cada paciente carrega uma realidade única, e cabe ao profissional estar preparado, não só com o conhecimento técnico, mas com humanidade, ética e compromisso com a saúde integral de quem o procura. REFERÊNCIAS NARESSI, W.G., ORENHA, E. S. ABENO: Odontologia Essencial: temas interdisciplinares. Ergonomia e Biossegurança em Odontologia. Artes Médicas.2013, 128p. REGIS FILHO, G.I. e cols. Ergonomia aplicada à Odontologia: as doenças de caráter ocupacional e o cirurgião-dentista. Produtividade com qualidade de vida no trabalho. Editora Maio. Curitiba, 2004. 329p. BAHIA. Secretaria da Saúde. Anestesia local em odontologia: conceitos fundamentais e principais agentes farmacológicos utilizados. Telessaúde Bahia, 2020. Disponível em: https://telessaude.saude.ba.gov.br. Acesso em: 05 dez. 2025. Boulos M. Síndrome da imunodeficiência adquirida. In: Todescan FF, Bottino MA. 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