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Base das Relações 
Privadas
Aula 5
Prof. Vagner PATINI 
Agenda do encontro:
• ROTEIRO DE ESTUDOS
ü Domicílio
• DÚVIDAS.
Domicílio: Conceito e Importância
Tanto indivíduos quanto entidades possuem um local que representa o foco de seus interesses e
atividades, que abrange aspectos familiares, negócios e vida social. Este local é mais do que uma
mera localização geográfica; é um espaço onde a existência se desenrola, tanto no tempo quanto
no espaço.
Legal e socialmente, uma pessoa se expressa dentro de um âmbito específico. Conforme definido
por Espínola, "o domicílio é o local onde a pessoa estabelece sua atividade jurídica de forma
contínua e estável". (ESPÍNOLA, Eduardo. Sistema do direito civil. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1977. pg. 372)
A maioria das pessoas constrói sua vida ao redor de um local fixo, a exceção sendo os nômades,
que se tornaram menos comuns à medida que as sociedades evoluíram. O domicílio é intrínseco à
identidade de uma pessoa, refletindo mais do que uma posição geográfica; ele se entrelaça com
aspectos afetivos, morais e econômicos do indivíduo.
Historicamente, a associação do homem a um lugar específico introduziu a importância
jurídica do domicílio, especialmente no direito processual. É essencial ter um local
reconhecido para garantir a estabilidade das relações jurídicas, pois a falta de um domicílio
fixo pode levar à incerteza nas relações familiares e jurídicas.
Além de ser um local de residência, o domicílio carrega uma dimensão mais profunda,
associada à presença constante da pessoa para vários efeitos legais. É o alicerce onde se
estabelece e floresce a existência de um indivíduo em diversos contextos da vida, incluindo o
social, o profissional e o legal.
Em suma, o domicílio vai além de uma mera localização; é a base legal e emocional da vida
de uma pessoa, refletindo sua permanência e presença em um ponto específico do mundo. A
ausência de um domicílio estabelecido resulta em uma condição de vida considerada
precária e instável pela sociedade.
Domicílio no Direito Romano: Uma Evolução Histórica
Inicialmente no Direito Romano, especialmente entre as tribos do Lácio, o conceito de
domicílio estava restrito à propriedade territorial, ligando-se diretamente à origem
(origo) que definia a cidadania e participação comunitária do indivíduo. No entanto,
diferenciando-se de origo, o domicílio evoluiu para representar o local de vida estável do
indivíduo, marcado primeiramente pela palavra 'domus' (casa) e depois por 'domicilium',
termo mais específico que denota uma residência fixa.
No antigo Roma, o domicílio representava o núcleo estável das atividades de uma pessoa,
permitindo a possibilidade de múltiplos domicílios ou até a ausência de um domicílio fixo.
A lei romana permitia que qualquer pessoa estabelecesse livremente seu domicílio
conforme sua vontade.
Especificidades eram aplicadas a determinados grupos: soldados, senadores e famílias tinham
regras próprias para a fixação de seus domicílios, como senadores que mantinham um domicílio
em Roma mais por dignidade do que por exigência. Da mesma forma, a mulher casada adotava o
domicílio do marido, mantendo-o mesmo após sua morte até um novo casamento.
Ao longo da Idade Média, as noções de domicílio e cidadania se confundiram devido ao sistema
feudal, com a terminologia romana de domicílio desaparecendo até seu renascimento na era da
Renascença, impulsionado pelo desenvolvimento comercial que exigia um ponto fixo de negócios.
Apesar dessas evoluções, o Direito Romano nunca conseguiu distinguir claramente entre
domicílio e residência, sendo necessária a influência eclesiástica para adicionar ao domicílio um
elemento afetivo e espiritual. Essa dualidade entre aspectos materiais e imateriais preparou o
terreno para o conceito moderno de domicílio, distinguindo-o finalmente do conceito mais
temporário e menos formal de residência.
Simplificação do Conceito de Domicílio, Residência e Moradia
Moradia e Habitação: Moradia refere-se ao lugar temporário onde alguém vive ou
permanece, como uma casa alugada para férias. Em contraste, a habitação é considerada
como a moradia habitual. No direito brasileiro, a distinção entre esses termos não é
significativa.
Residência: Difere da moradia pela permanência. Representa o local habitual de vida,
mesmo quando há ausências temporárias. Enquanto a legislação brasileira não define
claramente o termo, o Direito Italiano a considera como o local de moradia habitual.
Domicílio: Originário do Direito Romano, significava o local estável de negócios e lar.
Atualmente, o conceito se entrelaça com o desejo do indivíduo de manter-se em um local
definido. Enquanto a França define domicílio como o principal local de estabelecimento, a
Alemanha e a Suíça enfatizam o centro de relações pessoais e a intenção de se estabelecer,
respectivamente.
Legislação Brasileira: O Código Civil Brasileiro (CCB) associa domicílio à residência, mas
acrescenta o ânimo definitivo de permanência. Dessa forma, o domicílio é identificado
pela residência (elemento material) somada à intenção de permanecer (elemento
subjetivo). O CCB também reconhece a possibilidade de múltiplos domicílios ou a
ausência de um domicílio fixo. (artigos próximos slides)
Conclusão: No Brasil, o domicílio combina aspectos físicos da residência com a intenção
pessoal de permanência. Esta dualidade entre o tangível e o intangível forma a base legal
para identificar o local principal de vida e atividade de uma pessoa.
No que tange à Constituição Federal brasileira (CF), o conceito de domicílio é mencionado
em diversos contextos, principalmente relacionados aos direitos e garantias
fundamentais, mas não é definido como no Código Civil. 
Artigo 5º: Enumera os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, incluindo a
inviolabilidade do domicílio (inciso XI), que afirma que a casa é o asilo inviolável do
indivíduo, ninguém podendo nela penetrar sem consentimento do morador, salvo em
casos excepcionais previstos pela própria Constituição.
Artigo 6º: Relaciona os direitos sociais, que indiretamente podem se conectar ao
conceito de moradia e, por extensão, ao domicílio.
No Código Civil brasileiro, o domicílio da pessoa natural é abordado principalmente nos
seguintes artigos:
•Artigo 70: Define o domicílio da pessoa natural como o lugar onde ela estabelece sua
residência com ânimo definitivo.
•Artigo 71: Aborda a possibilidade de uma pessoa ter mais de um domicílio.
•Artigo 72: Trata do domicílio do incapaz.
•Artigo 73: Discorre sobre a situação das pessoas que não possuem domicílio certo.
•Artigo 74: Fala sobre o domicílio da pessoa natural que é chefe de família.
UNIDADE, PLURALIDADE, FALTA E MUDANÇA DE DOMICÍLIO
O conceito de domicílio tem evoluído desde o Direito Romano. Enquanto este permitia
múltiplos domicílios, baseando-se na residência, muitos sistemas jurídicos atuais,
incluindo o brasileiro, são mais flexíveis, reconhecendo a realidade contemporânea de
mobilidade pessoal.
Pluralidade de Domicílios: O Código Civil Brasileiro (CCB) reconhece, através do artigo 71,
a possibilidade de uma pessoa ter múltiplos domicílios, se tiver diversas residências onde
vive alternadamente. Adicionalmente, o artigo 72 introduz a noção de "domicílio
profissional", permitindo diferentes domicílios relacionados a locais de trabalho distintos,
como no caso de um advogado que possui escritórios em cidades diferentes.
Ausência de Domicílio: O artigo 73 do CCB aborda pessoas sem residência fixa, como
nômades ou ambulantes, cujo domicílio é determinado pelo local onde forem
encontrados.
Mudança de Domicílio: A mudança de domicílio, conforme o artigo 74, exige uma
intenção clara de mudança, que pode ser evidenciada por atos externos, como a
mudança de residência ou a alteração dos endereços para correspondência.
Importância do Domicílio: No direito, o domicílio é crucial para determinar a
competência jurídica, como estabelecido pelo Códigode Processo Civil (CPC) no artigo
46, e afeta as obrigações fiscais, políticas e civis.
Tipos de Domicílio: Além do domicílio voluntário, existe o
domicílio legal ou necessário, definido pela situação pessoal
ou profissional, sem escolha do indivíduo, como indicado no
artigo 76 para menores, servidores públicos e militares.
Domicílio de Eleição: O artigo 78 do CCB permite que os
contratantes estipulem um domicílio específico em
contratos escritos, influenciando onde as ações relacionadas
a esses contratos serão julgadas, uma prática também
reconhecida pelo CPC de 2015 nos artigos 62 e 63.
CC
Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com
ânimo definitivo.
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente,
viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.
Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à
profissão, o lugar onde esta é exercida.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles
constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem.
CC
Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o
lugar onde for encontrada.
Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o
mudar.
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às
municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer,
da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem.
DOMICÍLIO DA PESSOA JURÍDICA: Síntese e Legislação Aplicável
O domicílio de uma pessoa jurídica é estabelecido de maneira específica no direito
brasileiro, conforme o artigo 75 do Código Civil (CC). Segundo este artigo, o domicílio
varia de acordo com a natureza da entidade:
1.União: O domicílio é o Distrito Federal.
2.Estados e Territórios: As respectivas capitais.
3.Municípios: O local da administração municipal.
4.Outras Pessoas Jurídicas: Local de funcionamento das diretorias ou onde elegerem
domicílio no estatuto.
Adicionalmente, o Código de Processo Civil (CPC) de 2015, artigos 51 e 46, e a
Constituição Federal (CF), artigo 109, §§ 1º e 2º, detalham como as ações contra a União
devem ser aforadas, influenciando o foro competente com base no domicílio da
entidade.
Para casos de múltiplos estabelecimentos, cada local é considerado um domicílio para
atos ali praticados, facilitando a demanda judicial contra a entidade no local mais
acessível ao demandante, evitando ônus excessivo. Isso é corroborado pela Súmula 363
do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo a demanda no domicílio da agência ou
estabelecimento onde ocorreu o ato.
Para pessoas jurídicas estrangeiras com estabelecimentos no Brasil, aplicam-se as regras
do § 2º do art. 75 do CC, permitindo que sejam demandadas no local de qualquer de seus
estabelecimentos no país, e pelo parágrafo único do art. 21 do CPC.
Essas disposições facilitam o acesso à justiça, evitam deslocamentos desnecessários e
reconhecem a realidade de entidades que operam em múltiplos locais. Além disso, o
domicílio profissional específico, como o de bancos, pode variar dependendo da
localização das filiais, o que é essencial para relações contratuais e processuais.
Julgue o item seguinte, referente a domicílio e capacidade das pessoas naturais.
De acordo com o que dispõe o Código Civil brasileiro, é correto afirmar que nem todas as
pessoas possuem domicílio.
( ) Certo. ( ) Errado..
Qual o domicilio do incapaz?
a) o lugar onde for encontrado.
b) Na capital do estado por ser um incapaz o estado lhe garante a proteção.
c) O do seus representastes legais..
d) O seu domicilio é voluntário sendo eleito pela lei.
DÚVIDAS
Prof.: Vagner PATINI
vagner@patini .adv.br 
 https://www.instagran.com/vagnerpatini/
OBRIGADO.
mailto:vagner@patini.adv.br

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