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CÂNCER COLORRETAL CIRURGIA 1 CÂNCER COLORRETAL ANATOMIA O cólon é dividido é composto por quatro partes principais: • Ceco: inicia a partir da válvula ileocecal e vai até o início da goteira parietocólica direita. É onde está inserido o apêndice cecal. • Cólon Ascendente: Também conhecido como cólon direito, esta porção se inicia após o ceco e continua até o ângulo hepático. Suas características incluem saculações e tênias do cólon. A vascularização arterial do cólon ascendente é fornecida pelas artérias cólica direita, ramo direito da cólica média e artéria ileocecocólica. • Cólon Transverso: Estende-se do ângulo hepático até o ângulo esplênico. Sua vascularização arterial é suprida pelos dois ramos da artéria cólica média. • Cólon Descendente: Continua do ângulo esplênico até o final da goteira parietocólica esquerda. A artéria cólica esquerda é responsável por sua vascularização arterial, ramo da artéria mesentérica inferior. • Cólon Sigmoide: É a parte final do cólon antes do reto. Irrigado pela artéria sigmoidea (sigmoideana), ramo da artéria mesentérica inferior. • O reto é a última parte do intestino grosso e conecta o cólon sigmoide ao canal anal. Ele possui cerca de 12 a 15 cm de extensão e pode ser subdividido em três partes com base na sua posição em relação ao peritônio: ◦ Reto alto - Terço Proximal (Intraperitoneal): Essa porção do reto está coberta pelo peritônio e encontra-se intraperitonealmente. ◦ Reto médio (extraperitoneal): O terço médio do reto é extraperitoneal, o que significa que está localizado atrás do espaço intraperitoneal e não é coberto pelo peritônio. ◦ Terço Inferior (Extraperitoneal): Essa parte do reto está localizada abaixo do diafragma pélvico e, portanto, é extraperitoneal. Aqui, o reto está fora da cavidade peritoneal. 2 ◦ O conceito prático é que se a lesão tumoral é tocável no exame físico, considera-se que trata- se de uma localização extraperitoneal. ◦ A vascularização arterial do reto é fornecida pelas artérias retal superior, retal média e retal inferior. • A arcada marginal de Drummond é uma anastomose formada pelos ramos terminais da artéria mesentérica superior (AMS) e da artéria mesentérica inferior (AMI). Essa contínua circulação arterial percorre a borda interna do cólon, estendendo-se do ceco até o reto. Ela é crucial para fornecer fluxo colateral em caso de oclusão ou estenose significativa nas artérias mesentéricas. • Já o arco de Riolan (ou Riolando) é outra conexão importante entre a AMS e a AMI, embora seja variável em sua presença. Ele se origina da AMS e se anastomosa com ramos da AMI, contribuindo para a irrigação arterial dos cólons. Essas duas estruturas são fundamentais para garantir o suprimento sanguíneo adequado ao intestino grosso EPIDEMIOLOGIA 80% do do câncer colorretal é esporádica, ou seja, o paciente é o primeiro de sua família a desenvolver a mutação que deu origem ao carcinoma. Os outros 20% são relacionados a síndromes genéticas como a Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) e a síndrome de Lynch. • Polipose adenomatosa familiar (PAF): A polipose adenomatosa familiar (PAF) é uma doença hereditária que causa numerosos pólipos no cólon e costuma resultar em carcinoma do cólon, geralmente aos 40 anos de idade. Os pacientes geralmente são assintomáticos, mas podem eventualmente ter hemorragia digestiva. O diagnóstico é feito por colonoscopia com o achado de mais de 100 pólipos no cólon e reto. O tratamento consiste em colectomia total com confecção de bolsa ileal, idealmente antes do desenvolvimento do câncer colorretal. CÂNCER COLORRETAL 3 • Síndrome de Lynch: é uma condição genética rara que aumenta o risco de desenvolver câncer de intestino antes dos 50 anos. Normalmente, famílias com essa síndrome apresentam um número anormalmente elevado de casos de câncer no intestino, o que auxilia os médicos no diagnóstico. O diagnóstico da síndrome de Lynch envolve: História familiar detalhada: Avaliação de casos de câncer colorretal em parentes próximos. Critérios clínicos: Observação de sinais e sintomas semelhantes a outras formas de câncer colorretal. • Testes para instabilidade de microssatélites (IMS) ou imuno-histoquímica (IHC): Pesquisa da expressão das proteínas dos genes de reparo do DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2, EpCAM) CÂNCER COLORRETAL 4 SEQUÊNCIA ADENOMA-CARCINOMA A sequência de alterações genéticas que ocorre da formação do adenoma até o carcinoma colorretal envolve vários genes importantes. 1) Adenoma Inicial: a formação de um adenoma no cólon é o evento inicial. O gene APC (adenomatous polyposis coli) é frequentemente mutado nessa fase inicial. 2) Progressão do Adenoma: O gene k-ras (oncogene) sofre mutações adicionais. Essas mutações estimulam vias de sinalização, promovendo o crescimento do adenoma. 3) Displasia e Transformação Maligna: O gene p53 (supressor de tumor) também sofre mutações. A acumulação dessas mutações leva à displasia e à transformação maligna do adenoma em carcinoma colorretal. A progressão de um adenoma até o carcinoma invasivo leva em média 7-10 anos. PÓLIPOS COLORRETAIS Os pólipos colorretais podem ser divididos em não-neoplásicos e neoplásicos. • Não-neoplásicos: ◦ Pólipos Hiperplásicos: são os mais comuns. Geralmente não apresentam risco de se tornarem cancerosos. ◦ Pólipos Inflamatórios: resultam de inflamação do intestino. Geralmente não apresentam risco de se tornarem cancerosos. ◦ Pólipos hamartomatosos: resultam da alteração na conformação da arquitetura estrutural do tecido sem atipia celular. Presentes principalmente na síndrome de Peutz-Jeghers. • Neoplásicos: ◦ Pólipos Adenomatosos: são lesões pré-malignas e irão evoluir a longo prazo para um carcinoma invasivo. Podem ser classificados em três subtipos: · Tubulares: Com formato de tubo e crescimento lento. · Tubulo-vilosos: Com características de ambos os tipos acima. · Vilosos: Com projeções em formato de vela e maior risco de malignização. Se houver identificação de um adenocarcinoma na polipectomia, é necessário saber se está CÂNCER COLORRETAL 5 indicado algum procedimento complementar para o tratamento definitivo (ex.: colectomia segmentar + linfadenectomia / retossigmoidectomia + linfadenectomia / etc). Para isso utilizamos duas classificações: Haggitt e Kikuchi. A classificação de Haggitt é usada para pólipos pediculados com adenocarcinoma. Ela descreve o grau de invasão do câncer no pedículo do pólipo: • Nível 0: Carcinoma intramucoso ou in situ, limitado à cabeça do pólipo e sem ultrapassar a muscular da mucosa; • Nível 1: Invasão submucosa da cabeça do pólipo; • Nível 2: Invasão até o pescoço do pólipo. • Nível 3: Invasão de qualquer nível do pedículo • Nível 4: Invasão da submucosa intestinal sem invadir a muscular. A classificação de Kikuchi é usada para avaliar a profundidade de invasão dos adenocarcinomas colorretais. Ela ajuda a determinar o estágio da doença e orientar o tratamento. Aqui estão os principais pontos: • Nível 1 (SM1): Invasão até a submucosa superficial (1/3 superficial) • Nível 2 (SM2): Invasão até a submucosa profunda. (1/3 médio) • Nível 3 (SM3): Invasão até a camada muscular própria (1/3 profundo) CÂNCER COLORRETAL 6 Colonoscopia de controle após polipectomia: Então, esse paciente realmente tem algum sangramento nas fezes que ela não conhecia. Daí foi indicada a realização de uma colonoscopia. A colonoscopia evidenciou 2 pólipos séceis de 0,5 cm, localizados no colo direito. QUADRO CLÍNICO Os tumores colorretais geralmente se apresentam com hemorragia digestiva baixa, anemia ou quadros de abdome agudo obstrutivo. O perfil de apresentação está muito correlacionado com a localização dos tumores e a anatomia do cólon. Anatomicamente o cólon do lado direito (ceco, ascendente e flexura hepática) em um diâmetro maior e parede mais fina. Tumorações nesta topografia geralmente não apresentam quadros obstrutivos iniciais e há o crescimento de grandes massas, com perda crônica desangue e anemia antes do diagnóstico, conhecido pela tríade clínica de massa palpável, anemia e perda ponderal. Por sua vez, o lado esquerdo do cólon (flexura esplênica, cólon descendente, sigmoide e reto) tem um diâmetro menor e parede mais espessa. Os tumores nesta localização costumam se apresentar com quadros de abdome agudo obstrutivo e eventualmente hematoquezia. CÂNCER COLORRETAL 7 DIAGNÓSTICO O diagnóstico do adenocarcinoma colorretal geralmente é realizado por meio da colonoscopia com biópsia, que identifica alterações no intestino indicativas da doença. O marcador tumoral correlacionado com este tipo de câncer é o antígeno carcinoembrionário (CEA), pouco útil para o diagnóstico, mas essencial para o seguimento pós-operatório e fator prognóstico. ESTADIAMENTO O estadiamento da neoplasia é realizado para definir o melhor tratamento para o paciente. Paciente com neoplasias locais ou localmente avançadas (presença de linfonodos ou invasão profunda da parede) devem ser tratados com ressecção cirúrgica de depois terapia adjuvante caso necessário. Por sua vez, tumores metastáticos devem ser submetidos a cirurgia com o elevado risco de morbidade. Para realizar o estadiamento adequado é necessária uma tomografia de tórax, abdome e pelve com contraste. Para tumores de reto extraperitoneal, geralmente a ressonância magnética de pelve está bem indicada para avaliar o risco de doença localmente avançada. Há algum tempo foi proposto o estadiamento de Dukes, porém o que mais é utilizado hoje é o de TNM. CÂNCER COLORRETAL 8 TRATAMENTO O princípio fundamento para o tratamento curativo do câncer adenocarcinoma colorretal é a ressecção com margens livres de pelo menos 5 cm + linfadenectomia + anastomose primária. As ressecções de cólon e reto são regradas e seguirão a vascularização do cólon junto com a linfadenectomia padrão. Portanto, para tumores localizados no ceco e cólon acedente estará indicada uma colectomia direita (identificação e ligadura de a. íleocecocólica, cólica direita e ramo direito da cólica média). Os tumores de ângulo esplênico e cólon descendente são tratados com uma colectomia esquerda (identificação e ligadura de ramo esquerdo da a. cólica media, cólica esquerda). Se a tumoração estiver localizada no sigmoide ou reto alto a cirurgia indicada será a retossigmoidectomia (com identificação e ligadura da a. mesentérica inferior e da a. retal superior). CÂNCER COLORRETAL 9 CÂNCER COLORRETAL O QUE ACHOU DESSE RESUMO? RESPONDA AQUI! Queremos garantir que sua experiência com esse resumo tenha sido positivo e proveitoso. Se você puder, por favor, nos fornecer um feedback sobre o conteúdo, a organização ou qualquer outra sugestão que possa melhorar futuras edições, ficaríamos imensamente gratos. Sua opinião é fundamental para nós, pois nos ajuda a continuar aprimorando nossos materiais e oferecendo o melhor para você. Muito obrigado pela sua colaboração! https://forms.gle/XbLah59rk3JM2nTj6