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Técnico em Contabilidade Estoque: tipos, avaliação de estoques, apuração, métodos de controle; contabilização de aquisição e baixa; CPC 16 Você sabe que é estoque? Segundo Martins et al. (2017), os estoques são bens tangíveis (aqueles que têm existência física) ou intangíveis (aqueles representados por direitos adquiridos pelas empresas com o objetivo de vendas ou de utilização própria). estoque, portanto, é composto de mercadorias, produtos acabados, produtos em processo, matéria-prima, material de escritório, material de limpeza, peças de reposição, entre outros itens. Porém, você pode estar se perguntando: por que é importante saber que é estoque?Um bom controle interno proporciona um bom gerenciamento, que contribui para evidenciar as oscilações ocorridas em determinado período. Esses controles de estoque podem ser efetuados por fichas, tendo em vista que os documentos que comprovam a entrada dos materiais são as notas fiscais de compra emitidas pelos fornecedores, as guias de transferência emitidas pela área produtiva. controle de entrada, estocagem e saída dos materiais pode ser feito por um sistema informatizado, e este pode alcançar resultados mais satisfatórios, em especial nos casos em que movimente uma grande quantidade de itens. controle de estoque traz eficiência, agilidade e segurança para as entradas e as saídas dos itens de estoque, com relação às quantidades, aos valores unitários e totais, aos itens mais movimentados e menos movimentados, ao alerta de estoques mínimos e máximos etc. Portanto, a seguir serão abordados alguns aspectos relacionados com a legislação brasileira (mais especificamente com relação ao Comitê de Pronunciamento Contábil 16 CPC 16) e com a apuração, a avaliação, os tipos, os métodos de controle e contabilização dos estoques. CPC 16(R1) - Estoques Em 29 de maio de 2009, foi estabelecida, por meio do pronunciamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), a Resolução 1.170/2009, que aprova a NBC TG 16 Estoques, uma norma brasileira de contabilidade que incorpora CPC 16. Tal norma foi alterada em 11 de dezembro de 2013, conforme Resolução CFC 1.329/11, para NBC TG 16 (RI). CPC 16(R1) - Estoques está alinhado às normas internacionais de contabilidade emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB), especificamente ao IAS 2 Inventories. objetivo do IAS 2 está relacionado com a prescrição de procedimentos contábeis para tratamento dos estoques; entre os assuntos importantes, ressalta-se reconhecimento de custos dos estoques como um ativo, para futura alocação ao resultado.O CPC 16 define estoques como materiais ou suprimentos que serão transformados nos processos produtivos, considerados ativos destinados para venda, ou que estejam em processo de produção para venda. Portanto, a composição do estoque depende do ramo da atividade da empresa, como mostra o quadro a seguir: Ramos de atividade Exemplo típico de estoque Mercadorias para Comércio revenda Produtos acabados Produtos em elaboração Indústria Matérias-primas Quadro 1 Exemplos de estoque por ramos de atividade De acordo com o CPC 16, a mensuração de estoques pode ocorrer pelo valor do custo ou pelo valor realizável líquido, devendo a entidade optar por aquele valor que for menor. Veja o que os diferentes tipos de custo e o valor realizável representam: Custos de aquisiçãoSão formados pela inclusão de todos os custos relativos à aquisição que contempla preço de compra, impostos de importação e demais tributos - exceto os recuperáveis com Fisco -, os custos relativos a transporte, seguro, manuseio, bem como outros custos atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Custos de produção São formados pelos custos diretamente relacionados com as unidades produzidas ou com as linhas de produção (por exemplo: mão de obra direta). Também são formados por custos indiretos de produção, sejam fixos, sejam variáveis. Valor realizável líquido É definido pelo IAS 2 como o preço de venda estimado no decurso ordinário da atividade empresarial, menos os custos estimados de conclusão e os custos estimados necessários para efetuar a venda. Portanto, entende-se que a quantia líquida que uma empresa pretende com a venda de seus ativos não deve ser escriturada por quantias superiores àquelas que se espera que sejam realizadas com a venda ou uso de seus ativos. As estimativas do valor realizável líquido são baseadas nas estimativas mais confiáveis e levam em consideração variações nos preços e nos custos relacionados com eventos ocorridos após o término do período, pois tais eventos são capazes de confirmar as condições existentes no fim do período. Por fim, a norma CPC 16(R1) solicita que as demonstrações contábeis divulguem:(a) as políticas contábeis adotadas na mensuração dos estoques, incluindo formas e critérios de valoração utilizados; (b) valor total escriturado em estoques e valor registrado em outras contas apropriadas para a entidade; (c) valor de estoques escriturados pelo valor justo menos os custos de venda; (d) valor de estoques reconhecido como despesa durante período; (e) valor de qualquer redução de estoques reconhecida no resultado do período de acordo com item 34; (f) valor de toda reversão de qualquer redução do valor dos estoques reconhecida resultado do período de acordo com item 34; (g) as circunstâncias ou acontecimentos que conduziram à reversão de redução de estoques de acordo com item 34; e (h) montante escriturado de estoques dados como penhor de garantia passivos. (CPC 16[R1], 2009) Apuração e avaliação do estoque Sobre a apuração do estoque, com base nos artigos 261 e 292 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), as pessoas jurídicas submetidas à tributação baseada no lucro real devem, ao fim de cada período de apuração, proceder ao levantamento e à avaliação dos seus estoques, os quais englobam mercadorias, produtos manufaturados, matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado. A periodicidade da avaliação do estoque segue o mesmo calendário da apuração do Imposto de Renda, ou seja, pode ser trimestral ou anual. No caso de apuração anual, por ocasião de levantamento de balanço ou balancete para suspensão ou redução do imposto, durante ano-calendário, também devem ser levantados e avaliados os estoques. objetivo é padronizar os registros de controle e avaliação de estoques com os aspectos tributários referentes ao Imposto de Renda.Já as pessoas jurídicas optantes pela tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido, as microempresas e as empresas de pequeno porte enquadradas no Simples Nacional ficam obrigadas a proceder ao levantamento e à avaliação dos estoques em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Com relação à avaliação, o artigo 295 do RIR/1999 determina que os estoques existentes na data do encerramento do período de apuração podem ser avaliados pelo custo médio ponderado, móvel ou fixo ou pelo custo dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente (PEPS primeiro a entrar, primeiro a sair), sendo também admitida a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro. Os bens de revenda e os itens de produção adquiridos de terceiros devem ser avaliados por: a) para quem possua inventário permanente: 1 pelo custo médio ponderado; ou 2 pelo custo das aquisições mais recentes; b) para quem não possua inventário permanente: segundo inventário físico, avaliado aos últimos custos de aquisição; (BRASIL, 1979) contribuinte que mantiver o sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados para a avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados. Tipos de estoque Quando se trata dos tipos de estoque, são verificados os dois diferentes tipos de inventário existentes. Assim, inventário ou balanço é processo de verificação e contagem dos itens in loco dos estoques de produtos, mercadorias e materiais da empresa. Há dois tipos de inventário, a saber:Inventário periódico É feito no fim de cada período contábil (anual), tem efeito fiscal e é realizado em todos os itens. Inventário permanente Objetiva detectar e corrigir diferenças, reduzir e eliminar possíveis perdas e é realizado em um número reduzido de itens, durante período contábil. Veja a seguir cada um dos tipos de inventário mais detalhadamente: Os exemplos e as contabilizações a seguir se referem às operações comerciais, considerando que as atividades industriais e as prestadoras de serviços envolvem peculiaridades a serem melhor explicadas no conteúdo Tipos de custeio, desta unidade curricular. Operações comerciais são os bens que as empresas adquirem com a finalidade de revenda, não exercendo sobre eles operação caracterizada como industrialização. Portanto, as operações com mercadorias compreendem levantamento do inventário, registro dos fatos que envolvem mercadorias (estoque inicial, compras, vendas e estoque final) e a apuração do custo das mercadorias vendidas (CMV) e do resultado com mercadorias (RCM). Inventário periódico inventário periódico ocorre quando as vendas são efetuadas sem um controle paralelo do estoque e sem um controle do CMV. Quando resultado obtido com a venda das mercadorias for apurado, faz-se um levantamento físico paraavaliação do estoque de mercadorias existentes naquela data, e, pela diferença entre o total das mercadorias disponíveis para venda durante esse período e o estoque final (apurado extracontabilmente), obtém-se CMV desse período. CMV corresponde aos gastos (consumos) efetuados para colocar as mercadorias em condições de venda. Por meio de uma equação, pode-se apurar quanto custaram as mercadorias vendidas durante exercício social: CMV = El + CL EF Custo das mercadorias vendidas é igual a estoque inicial, mais compras líquidas, menos estoque final. As siglas significam: CMV: custo das mercadorias vendidas estoque inicial CL: compras líquidas EF: estoque final Com CMV calculado, pode-se obter o RCM, ou lucro bruto, por meio da seguinte fórmula: RCM = VL CMV Resultados com mercadorias é igual a vendas líquidas menos custo das mercadorias vendidas As siglas significam: RCM: resultado com mercadorias VL: vendas líquidas CMV: custo das mercadorias vendidasO RCM é importante porque fornece informações sobre lucro ou prejuízo nas transações comerciais em determinado período e deve ser pelo menos suficiente para cobrir os esforços efetuados pela administração na busca de retorno sobre o capital investido. Imagine seguinte cenário prático de como apurar os valores pelo inventário periódico: a empresa CBA apresentou, em 31 de dezembro, um estoque final (EF) de R$ 70 mil. No início do ano, estoque inicial (EI) era de R$ 80 mil, e, durante o ano, a empresa comprou (CL) R$ 200 mil. Além disso, as vendas líquidas (VL) apuradas no ano foram de R$ 300 mil. Sendo assim, a apresentação dessa movimentação pode ficar da seguinte forma: CMV = El + CL - EF CMV = 80.000 + 200.000 70.000 CMV = R$ 210.000,00 Custo das mercadorias vendidas é igual a estoque inicial, mais compras líquidas, menos estoque final. Custo das mercadorias vendidas é igual a oitenta mil, mais duzentos mil, menos setenta mil. Custo das mercadorias vendidas é igual a duzentos e dez mil reais. RCM = VL CMV RCM = 300.000 210.000 RCM = R$ 90.000,00 Resultados com mercadorias é igual a vendas líquidas, menos custo das mercadorias vendidas. Resultado com mercadorias é igual a trezentos mil, menos duzentos e dez mil. Resultado com mercadorias é igual a noventa mil reais.Para contabilizar todas as operações, abre-se uma conta para cada tipo de operação, ou seja, uma para registrar as compras, outra para registrar as vendas e uma terceira, normalmente quanto a estoque de mercadorias, para registrar o valor do estoque. Logo, para apurar contabilmente valor do CMV, basta transferir para a conta adequada (para CMV) os três valores que compõem. Assim, serão transferidos, para débito, os valores do estoque inicial e das compras e, para crédito, os do estoque final. É importante deixar claro que não existem as contas de estoques inicial e final. Trata-se de valores da conta de mercadorias, quando referentes ao início ou ao fim do período. Assim, os lançamentos para apuração do CMV ficarão: D - Custo das mercadorias vendidas (CMV) - Estoque de mercadorias (pelo estoque inicial) - Compras (pelo saldo) D - Estoque de mercadorias - CMV (pelo valor do estoque final) Utilizando o exemplo prático anterior, haveria os seguintes lançamentos contábeis de CMV: D - CMV: R$ 280.000,00 Estoque de mercadorias: R$ 80.000,00 - Compras: R$ 200.000,00D - Estoque de mercadorias: R$ 70.000,00 c - CMV: R$ 70.000,00 Para apurar tal resultado por meio de procedimentos contábeis, entende-se que há a necessidade de criação de uma conta intitulada "Resultado com mercadorias". Essa conta movimentará por transferência os saldos das contas de vendas, deduções de vendas e CMV. Os lançamentos, nesse caso, são os seguintes: D - Vendas líquidas de mercadorias c - Resultado com mercadorias (RCM) D RCM c Custo das mercadorias vendidas (CMV) Utilizando exemplo prático anterior, os lançamentos contábeis de RCM ficariam da seguinte maneira: D - Vendas líquidas de mercadorias: R$ 300.000,00 c RCM: R$ 300.000,00 D - RCM: R$ 210.000,00 - CMV: R$ 210.000,00 Inventário permanenteQuando o estoque de mercadorias é controlado continuamente, dando baixa em cada venda, pelo CMV, controle permanente é efetuado sobre todas as mercadorias que estiverem à disposição para venda. Isso significa que tal controle é efetuado sobre as mercadorias vendidas (CMV) e sobre as mercadorias que não foram vendidas (estoque final). Assim, pela soma de todos os custos de todas as vendas (baixas), obtém-se o CMV total do período. Com a utilização do inventário permanente, não há a necessidade de fazer um desdobramento das contas, similar ao ocorrido no inventário periódico. Todos os lançamentos relativos às operações com as compras de mercadorias poderão ser efetuados utilizando a conta de estoque de mercadoria, no ativo circulante. Portanto, é necessário realizar a contabilização correta nas compras e nas vendas de mercadorias efetuadas pela empresa, a saber: Compra: D - Estoque de mercadorias - Fornecedores (ou caixa) Venda: D - Clientes (ou Caixa) - Receita com vendas de mercadorias D - Custo das mercadorias vendidas (CMV) Estoque de mercadorias (pelo valor do custo das mercadorias vendidas)Para poder apurar corretamente tal inventário, é preciso apurar cada lançamento de compra e venda na ficha de controle de estoque, a qual consiste em uma planilha ou uma ficha composta das seguintes colunas: uma referente aos registros da entrada de mercadoria (que configura registro das compras); outra referente à saída de mercadoria (que seria valor de CMV); e uma última referente ao saldo de mercadorias (que configura estoque final de cada período apurado). Veja modelo a seguir, em que "Qt." significa "quantidade de mercadoria adquirida ou e "V.u.", "valor unitário": DATA ENTRADA SAÍDA SALDO Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total TOTAL Tabela 1 - Modelo de ficha de controle de estoque Entretanto, para o correto preenchimento da ficha, é preciso conhecer os diferentes métodos de controle de estoque. Confira-os no tópico seguinte. Métodos de controle de estoqueControle de estoque controle de estoque é fundamental para garantir a segurança do controle interno da empresa e compreende registro, a fiscalização e a gestão de entrada e saída de mercadorias e produtos, devendo ser utilizado tanto para matéria-prima como para mercadorias produzidas e/ou vendidas. Contudo, para que haja um controle de estoque eficiente, é necessário que seja feito um planejamento. Em muitos casos, a área de vendas deseja um estoque elevado para não deixar faltar produtos à pronta-entrega para cliente, e a área de produção também prefere trabalhar com uma maior margem de segurança de estoque para evitar a falta de matéria-prima, situação que pode prejudicar andamento da produção. Já o departamento financeiro deseja que a empresa mantenha estoques reduzidos para diminuir o capital investido e, por consequência, melhorar o fluxo de caixa, dependendo assim de menos capital de terceiros caso 0 estoque seja financiado (grande volume de compras a prazo). De acordo com os princípios contábeis aplicados ao sistema de inventário permanente, deve-se trabalhar com os valores de aquisição (entrada) das mercadorias. que pode variar é o critério adotado para valor de custo damercadoria vendida. Então, merecem destaque seguintes critérios que poderão ser utilizados para controlar os estoques: PEPS Com base no PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair), pode se dar baixa no custo da seguinte maneira: primeiro que entra é primeiro que sai (FIFO first in, first out). Assim, à medida que as vendas ocorrerem, vai sendo dada baixa nas primeiras compras, que equivale ao raciocínio de que devem ser vendidas primeiramente as primeiras unidades compradas. Veja um exemplo: A empresa Mais que Legal S.A. apresentou, durante mês de junho/202x, as seguintes movimentações: 01/06/202x - Estoque inicial de mercadorias (ventiladores) de R$ 600,00 - 30 unidades compradas a cada uma 02/06/202x - Compra de 10 unidades por cada uma 10/06/202x - Venda de 3 unidades por cada uma 23/06/202x - Venda de 28 unidades por cada uma 25/06/202x Compra de 5 unidades por cada uma 29/06/202x - Venda de 10 unidades por cada uma Utilizando o modelo PEPS, preenchimento correto da ficha de estoque seria:Mercadoria: ventiladores Método: PEPS DATA ENTRADA SAÍDA SALDO Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total 01/06 30 20,00 600,00 30 600,00 20,00 02/06 10 20,00 200,00 10 200,00 20,00 40 800,00 27 540,00 20,00 10/06 3 20,00 60,00 10 200,00 20,00 37 740,00 27 540,00 20,00 23/06 1 20,00 9 20,00 180,00 20,00 28 560,00 9 180,00 20,00 25/06 5 27,00 135,00 5 135,00 27,00 14 315,00 9 180,00 20,00 29/06 1 27,00 4 27,00 108,00 27,00 10 207,00 TOTAL 15 335,00 41 827,00 4 27,00 108,00 Tabela 2 Ficha de inventário preenchida com base no modelo PEPS Atente-se a um ponto importante: valor unitário das saídas das mercadorias na ficha de estoque deve ser preço do custo de aquisição, e nunca preço de venda da mercadoria. Utilizando exemplo citado, no dia 10 de junho, embora preço de venda da mercadoria fosse de R$ 25,00, na ficha de estoque colocou-se o valor unitário de R$ 20,00, que era preço de custo da mercadoria que saiu do estoque. Assim, com método PEPS de apuração de estoques, obtiveram-se um CMV total do período de R$ 827,00 e um estoque final de R$ 108,00. Com esses dados apurados, é possível realizar as contabilizações das movimentações da seguinteforma:02/06/202x: D Estoque de mercadorias: R$ 200,00 - Caixa: R$ 200,00 10/06/202x: D - Caixa: R$ 75,00 - Receita com vendas de mercadorias: R$ 75,00 (pelo valor total da venda) D - CMV: R$ 60,00 C - Estoque de mercadorias: R$ 60,00 (valor do custo/PEPS na ficha) 23/06/202x: D Caixa: R$ 686,00 Receita com vendas de mercadorias: R$ 686,00 D - CMV: R$ 560,00 - Estoque de mercadorias: R$ 560,00 (ficha) 25/06/202x: D - Estoque de mercadorias: R$ 135,00 - Caixa: R$ 135,0029/06/202x: D - Caixa: R$ 240,00 - Receita com vendas de mercadorias: R$ 240,00 D - CMV: R$ 207,00 - Estoque de mercadorias: R$ 207,00 (ficha) UEPS modelo de controle de estoque UEPS (último a entrar, primeiro a sair), também conhecido como LIFO (last in, first out), é, de certa forma, o contrário do PEPS. No UEPS, custo apurado é baseado no valor da última mercadoria adquirida, ou seja, a última mercadoria a entrar é a primeira a sair. Observe exemplo a seguir com a mesma movimentação do exemplo anterior no modelo da ficha de controle de estoques:Mercadoria: ventiladores Método: PEPS DATA ENTRADA SAÍDA SALDO Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total 01/06 30 20,00 600,00 30 600,00 20,00 02/06 10 20,00 200,00 10 200,00 20,00 40 800,00 30 600,00 20,00 10/06 3 20,00 60,00 7 140,00 20,00 37 740,00 7 140,00 20,00 23/06 21 420,00 9 20,00 180,00 20,00 28 560,00 9 180,00 20,00 25/06 5 27,00 135,00 5 135,00 27,00 14 315,00 5 135,00 27,00 29/06 5 100,00 4 20,00 80,00 20,00 10 235,00 TOTAL 15 335,00 41 855,00 4 20,00 80,00 Tabela 3 - Ficha de inventário preenchida pelo modelo UEPS Observe que, para a apuração do custo da baixa da venda, valor utilizado é o da última compra realizada. Dessa forma, CMV totaliza o valor de R$ 855,00; e o estoque final, de R$ 80,00. O CMV é baseado nas compras mais recentes; e o estoque final, nas mais antigas. Assim, as baixas são realizadas pelas últimas compras, e, em seguida, são realizadas as baixas das compras anteriores. MPMO tipo de controle MPM (média ponderada móvel) é efetuado pelo custo médio, evitando-se controle de preços por quantidades específicas de entradas de produtos no estoque, como ocorre nos métodos anteriores. Aqui se apuram como custo o valor médio das unidades em estoque pelas compras realizadas no período e as devidas baixas pelas vendas independentemente de serem feitos controles por lotes. Portanto, valor médio de cada unidade em estoque é alterado quando há compra de outras unidades por um preço diferente. Tal valor é calculado dividindo-se custo total do estoque pelas unidades existentes após a baixa da venda anterior ser realizada. Veja: Valor unitário (v.u.) de saldo e saída = Custo total do saldo Quantidade do saldo Os valores do custo da baixa do estoque e do saldo final do estoque, considerando as mesmas informações dos exemplos anteriores no modelo da ficha de controle de estoques, ficariam assim: Mercadoria: ventiladores I Método: PEPS DATA ENTRADA SAÍDA SALDO Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total Qt. V.u. Total 01/06 30 20,00 600,00 02/06 10 20,00 200,00 40 20,00 800,00 10/06 3 20,00 60,00 37 20,00 740,00 23/06 28 20,00 560,00 9 20,00 180,00 25/06 5 27,00 135,00 14 22,50 315,00 29/06 10 22,50 225,00 4 22,50 90,00 TOTAL 15 335,00 41 845,00 4 22,50 90,00Tabela 4 - Ficha de inventário preenchida pelo modelo MPM valor do CMV apurado foi de R$ 845,00, e estoque final ficou em R$ 90,00. Assim, apura-se o novo custo médio a cada novo saldo apurado, dividindo-se o saldo pela última quantidade física existente. A MPM é método mais utilizado nas empresas por ser de fácil aplicação, pois não exige um controle do primeiro ou do último lote de produtos que entra. Comparando os resultados obtidos para os critérios apresentados, tem-se: PEPS ou FIFO UEPS ou LIFO MPM Vendas (R$) Vendas (R$) Vendas (R$) 1.001,00 1.001,00 1.001,00 (-)CMV (R$) (-) CMV (R$) (-) CMV (R$) (827,00) (855,00) (845,00) (=) RCM (R$) (=) RCM (R$) (=) RCM (R$) 174,00 146,00 156,00 EF (R$) 108,00 EF (R$) 80,00 EF (R$) 90,00 Tabela 5 Comparação de resultados entre os métodos de controle de estoque permanente Note assim que, se três empresas tivessem adquirido mercadorias, nas mesmas quantidades e pelos mesmos preços, e as vendido nas mesmas condições, as situações seriam as mesmas, com a mesma quantidade de estoque. Contudo, os demonstrativos financeiros de cada uma das empresas seriam diferentes, porque elas usaram critérios também diferentes, embora todos se baseassem no custo de aquisição.Comparando os três métodos de controle de estoque, chega-se às seguintes conclusões: Independentemente do método utilizado, valor de receita com vendas continua igual para todos, pois CMV, RCM e estoque final de cada tipo de controle serão alterados. método PEPS subavalia CMV e superavalia estoque final. método UEPS superavalia CMV e subavalia estoque final, portanto não é aceito pela legislação do Imposto de Renda. método do custo médio mantém CMV e estoque final entre os valores obtidos por meio dos métodos anteriores. Contabilização de fatores que alteram a aquisição e a baixa do estoque Além dos lançamentos contábeis básicos de contabilidade nos estoques, existem situações que modificam os valores e os lançamentos contábeis. Para tanto, serão verificados os fatores que são alterados no estoque nas compras e nas vendas de mercadorias. Fatores que alteram as compras Quando uma empresa adquire mercadorias para revenda, podem acontecer certas operações que resultam em um custo de aquisição diferente do valor pago ao fornecedor, a saber: a) Impostos incidentes sobre a compra Em operações com mercadorias das empresas de lucros presumido e real, incidem impostos não cumulativos, como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). vendedor cobra tais impostos do adquirente e, posteriormente,recolhe aos cofres públicos a diferença entre imposto cobrado na revenda e o imposto pago na aquisição. Inclusive, apenas são recuperáveis os impostos incidentes sobre mercadorias adquiridas para revenda ou utilizadas como matérias-primas na produção industrial destinada a venda, desde que também haja incidência dos impostos nas saídas desses bens. Portanto, os impostos incidentes sobre mercadorias adquiridas para consumo ou sobre os bens adquiridos para integrar o ativo imobilizado da empresa não podem ser recuperados. mesmo vale para IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) pago pelo comerciante: imposto não pode ser recuperado, pois não ocorre fato gerador do IPI nas saídas de mercadorias de estabelecimentos comerciais. Sendo assim, valor desses tipos de impostos deve ser descontado do valor de compra (inventário periódico) ou do estoque da mercadoria (inventário permanente). Veja um exemplo para ilustrar: uma empresa comprou mercadorias no valor de R$ 100 mil, com o ICMS de R$ 17 mil. Para cada tipo de inventário, as análises ficaram da seguinte forma: Inventário periódico: D Compras de mercadorias: R$ 83.000,00 D ICMS a recuperar: R$ 17.000,00 c - Caixa/fornecedores: R$ 100.000,00 Ainda, no fim do exercício, quando da determinação do CMV, a empresa realizará a transferência: D CMV: R$ 83.000,00 Compras de mercadorias: R$ 83.000,00 Inventário permanente:D - Estoques de mercadorias: R$ 83.000,00 D - ICMS a recuperar: R$ 17.000,00 - Caixa/fornecedores: R$ 100.000,00 b) Fretes e seguros sobre compras Se transporte das mercadorias adquiridas fica sob responsabilidade da empresa compradora, os gastos com fretes e seguros devem ser acrescidos ao custo das mercadorias adquiridas, não podendo ser considerados como despesas. Veja um exemplo de escrituração: houve compras de mercadorias no valor de R$ 3 mil. Foi paga à transportadora "X" a importância de R$ 100,00, correspondente ao valor do frete. Inventário periódico: D - Compras de mercadorias: R$ 3.000,00 D - Fretes sobre compras: R$ 100,00 c - Caixa: R$ 3.100,00 Inventário permanente: D - Estoques de mercadorias: R$ 3.100,00 - Caixa: c) Devolução e abatimentos de compras Quando uma unidade compra mercadorias, pode encontrar algum defeito nelas. Então, nesses casos, uma reclamação para o fornecedor pode levar a uma redução do valor da compra, ou seja, a um "abatimento".É importante destacar que abatimento ocorre quando já foi efetuada a compra e esta não estava dentro das especificações esperadas. Cabe salientar também que abatimentos são diferentes de descontos comerciais, pois estes são concedidos pelo vendedor a favor do comprador, no ato da compra, em função de vários motivos, por exemplo: uma grande quantidade está sendo vendida; comprador é um cliente especial; etc. Em outras situações, a mercadoria entregue pode apresentar problemas que inviabilizem comercializá-la por uma empresa comercial, ou ainda fornecedor não concede o abatimento esperado. produto, assim, pode simplesmente ser enviado de volta, ocorrendo uma devolução da mercadoria, e esta deve ser retirada dos registros do estoque da entidade. Veja um exemplo com escrituração: Abatimento sobre compras: uma empresa compradora recebe um abatimento sobre as compras no valor de R$ 1.200,00 para compensar defeito na mercadoria. D Caixa (ou fornecedores): R$ 1.200,00 Abatimentos sobre compras: R$ 1.200,00 No fim do mês ou do período, os saldos de tais contas serão lançados na conta de compras, se estiver sendo utilizado inventário periódico, ou na conta de mercadorias, se estiver sendo utilizado inventário permanente. Lembre-se de que, no abatimento, a entidade fica com a mercadoria adquirida, enquanto na devolução não. Já o desconto refere-se à redução no preço de compra de um volume significativo de mercadorias, denominada "desconto comercial", ou à antecipação do pagamento, denominada "desconto financeiro". Veja mais um exemplo com escrituração: Devolução sobre compras: a empresa "X" devolveu ao fornecedor mercadorias adquiridas à vista, no valor de R$ 5.000,00.Inventário periódico: D - Caixa: R$ 5.000,00 Devolução sobre compras: R$ 5.000,00 Inventário permanente: D - Caixa: R$ 5.000,00 - Estoque de mercadorias: R$ 5.000,00 d) Bonificações recebidas As bonificações são caracterizadas como unidades de mercadorias recebidas em função do volume de compras ou em decorrência de promoção especial ao fornecedor. Segue mais um exemplo com escrituração: Foram recebidas unidades de mercadorias como bonificação, conforme nota fiscal 0789, da Cia. Bazuca, no valor de R$ 1.000,00, com ICMS de R$ 170,00 incluído. Inventário periódico: D - Mercadorias bonificadas recebidas: R$ 830,00 D ICMS a recuperar: R$ 170,00 - Bonificações recebidas: R$ 1.000,00 Ainda, no fim do exercício, quando da determinação do CMV, a empresa realizará a transferência: D - Custo das mercadorias vendidas: R$ 830,00 c - Mercadorias bonificadas recebidas: R$ 830,00Inventário permanente: D - Estoques de mercadorias: R$ 83.000,00 D ICMS a recuperar: R$ 17.000,00 c - Caixa/fornecedores: R$ 100.000,00 A conta de bonificações recebidas está enquadrada em outras receitas operacionais na DRE (demonstração do resultado do exercício). e) Descontos financeiros obtidos A obtenção de descontos financeiros é posterior à operação de compras e decorre do pagamento antecipado do título ou do cumprimento de prazo estipulado pelo fornecedor. Confira mais um exemplo com escrituração: Foi feito o pagamento do título 80, no valor de R$ 10 mil, com aproveitamento do desconto financeiro de R$ 1 mil. Inventários permanente e periódico (iguais): D - Fornecedores/caixal R$ 10.000,00 - Caixa/bancos: R$ 9.000,00 c - Descontos financeiros obtidos: R$ 1.000,00 A contabilização do desconto incondicional obtido é feita antes de efetuar a venda, pois custo dos estoques precisa estar permanentemente atualizado. f) CMV para inventário periódicoAs operações que alteram valor das compras modificam a expressão simples do CMV, passando a constituir uma forma mais complexa para a empresa que adota o inventário periódico. Veja: Seg - Desc. incon. obtidos - Abat - Dev - EF Custo das mercadorias vendidas é igual a estoque inicial, mais compras, mais fretes sobre compras, mais seguros sobre compras, menos descontos incondicionais obtidos, menos abatimentos sobre compras, menos devoluções sobre compras, menos estoque final. As siglas significam: CMV: custo das mercadorias vendidas El: estoque inicial C: compras F: fretes sobre compras Seg: seguros sobre compras Abat: abatimento sobre compras Dev: devolução sobre compras EF: estoque final Fatores que alteram as vendas Assim como custo de aquisição de mercadorias pode ser diferente do valor pago ao fornecedor, nas vendas de mercadorias a receita líquida nem sempre corresponde ao valor recebido dos clientes. Essa diferença se deve às operações que alteram vendas. Veja: a) Fretes e seguros sobre vendasQuando comerciante entrega as mercadorias vendidas, incorrendo nos gastos com fretes e seguros, essas operações não alteram vendas porque são consideradas despesas operacionais. A contabilização seria: D Despesas com fretes sobre vendas (operacionais) - Caixa/fretes a pagar b) Impostos sobre vendas Os impostos sobre vendas são aqueles que guardam proporcionalidade como preço de venda, como ICMS, ISS (Imposto sobre Serviços), PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), mesmo que montante integre as respectivas bases de cálculo. Não são considerados incidentes sobre vendas os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador além do preço do bem ou do serviço e dos quais vendedor seja mero depositário. Portanto, IPI, por ser não cumulativo e cobrado em adição ao preço, não é considerado imposto sobre vendas nem integra valor da receita operacional bruta. Os impostos incidentes sobre vendas são registrados, obrigatoriamente, em contas específicas redutoras de vendas, tendo como contrapartida créditos de contas do passivo impostos a recolher. Em empresas de lucros presumido e real, tem-se o ICMS, que está destacado na nota fiscal, o PIS e a Cofins. A contabilização, então, é a seguinte: D Clientes Vendas de mercadorias D ICMS sobre vendas ICMS a recolherD - PIS sobre vendas - PIS a recolher D Cofins sobre vendas - Cofins a recolher c) Devolução e abatimentos de vendas Assim como ocorre na compra de uma mercadoria, quando uma empresa comercial efetua uma operação de venda, cliente pode encontrar algum defeito no produto adquirido. Portanto, para evitar reclamações mais graves por parte do cliente ou para não sofrer perda de mercado, a empresa pode propor uma redução no preço de venda, denominada de abatimento de venda. efeito do abatimento é uma diminuição do valor a receber no futuro, caso a venda tenha sido realizada a prazo, ou no valor disponível, se a venda tiver sido realizada à vista. Quando cliente não aceita a mercadoria pelo fato de ela apresentar problemas ou ainda não estar conforme as necessidades especificadas, ocorre a devolução de venda, também conhecida como "venda cancelada" ou "venda anulada". Em ambos os casos, é importante separar o abatimento e a devolução do volume de receitas, e convém deixá-los registrados em contas específicas para acerto no dia da apuração do resultado. Logo, a contabilização é feita desta maneira: Para abatimento: D - Abatimentos sobre vendas c Caixa (ou clientes) Para devolução de vendas:D - Devolução de vendas - Clientes D - ICMS a recolher - - ICMS sobre vendas D - PIS a recolher - PIS sobre vendas D - Cofins a recolher - Cofins sobre vendas d) Bonificações concedidas As bonificações se caracterizam como unidades de mercadorias dadas em função do volume de vendas, geralmente em decorrência de promoção especial. Observe este exemplo com escrituração: A empresa "X" oferece, como promoção de venda, a determinado cliente, em virtude do volume de vendas, mercadorias bonificadas ao custo de R$ 10 mil, com ICMS de R$ 1.700,00 incluído. Inventário periódico: D - - Custo das mercadorias bonificadas: R$ 10.000,00 - Mercadorias bonificadas concedidas: R$ 10.000,00 D ICMS sobre vendas: R$ 1.700,00 c - ICMS a recolher: R$ 1.700,00 Ainda, no fim do exercício, quando da determinação do CMV, a empresa realizará a transferência: D Mercadorias bonificadas concedidas: R$ 10.000,00 c Custo das mercadorias vendidas: R$ 10.000,00Inventário permanente: D - Custo das mercadorias bonificadas: R$ 10.000,00 - Mercadorias/estoques R$ 10.000,00 D ICMS sobre vendas: R$ 1.700,00 - ICMS a recolher: R$ 1.700,00 e) Descontos comerciais (incondicionais) concedidos Os descontos comerciais (incondicionais) são os descontos concedidos no ato da operação e, como tais, consignados no documento fiscal (nota fiscal). Nesses casos, procedimento contábil mais utilizado é registro da operação pelo seu valor líquido. Segue mais um exemplo com escrituração: Foram vendidas mercadorias no valor de R$ 110 mil, sendo concedido um desconto comercial de R$ 10 mil. O ICMS incluído corresponde a R$ 17 mil, e o CMV é de R$ 40 mil. Inventário periódico: D - Caixa/clientes: R$ 100.000,00 D - Desconto incondicional concedido: R$ 10.000,00 - Vendas de mercadorias: R$ 110.000,00 D ICMS sobre vendas: R$ 17.000,00 ICMS a recolher: R$ 17.000,00 Inventário permanente: D - Caixa/clientes: R$ 100.000,00 D - Desconto incondicional concedido: R$ 10.000,00 c - Vendas de mercadorias: R$ 110.000,00D ICMS sobre vendas: R$ 17.000,00 - ICMS a recolher: R$ 17.000,00 D - CMV: R$ 40.000,00 - Estoques de mercadorias: R$ 40.000 f) Vendas pelo cartão de crédito As vendas de produtos ou serviços efetuadas por meio de cartões de crédito caracterizam-se como vendas a prazo, pois as sociedades administradoras de cartões de crédito somente efetuam o pagamento, via de regra, após 20 dias da entrega das autorizações de pagamento. Veja mais um exemplo com escrituração: Considerando exemplo anterior, neste caso a venda inicial ocorreu por meio de cartão de crédito, e a administradora de cartões cobra uma taxa de 5% do valor da venda. Inventário periódico: Venda ao cliente: D Contas a receber: R$ 95.000,00 D - Comissão sobre cartões de crédito: R$ 5.000,00 c - Vendas: R$ 100.000,00 D - ICMS sobre vendas: R$ 17.000,00 c - ICMS a recolher: R$ 17.000,00 Recebimento da administradora: D - Caixa (bancos): R$ 95.000,00 c - Contas a receber: R$ 95.000,00Inventário permanente: Venda ao cliente: D - Contas a receber: R$ 95.000,00 D Comissão sobre cartões de crédito: R$ 5.000,00 c - Vendas: R$ 100.000,00 D - Custo das mercadorias vendidas: R$ 40.000,00 c - Mercadorias/estoques R$ 40.000,00 D ICMS sobre vendas: R$ 17.000,00 c - ICMS a recolher: R$ 17.000,00 Recebimento da administradora: D Caixa (bancos): R$ 95.000,00 c Contas a receber: R$ 95.000,00 Note que a conta de comissões sobre cartão de crédito é uma despesa com vendas enquadrada na DRE. g) Vendas com entrega futura Existem determinados casos em que ocorre a emissão de notas fiscais por conta da encomenda de bens ou serviços ainda a serem produzidos ou executados, ou seja, a serem entregues ou prestados futuramente. Com relação à venda de mercadorias para entrega futura, o reconhecimento contábil de sua receita está condicionado basicamente aos seguintes fatores: A vendedora deve estar com os bens a serem entregues, já os ter produzido ou adquirido. Os estoques devem ser segregados dos demais e colocados à disposição do cliente.Assim, após efetuada a transação, o vendedor se transforma em simples depositário das mercadorias. Essas mercadorias continuam sendo do vendedor, mas ele não é mais efetivo proprietário, não existindo nada que impeça de efetuar normalmente o registro contábil da receita da transação. Contudo, caso o vendedor ainda não tenha os produtos transacionados, a receita não pode ser reconhecida, pois o que existe é compromisso sobre uma venda a se concretizar futuramente. Vem sendo adotado o registro, para fins de controle, em contas de compensação, ou então, alternativamente, uma conta retificadora da conta de registro do crédito pelo faturamento antecipado, de modo que efeito patrimonial seja nulo. Observe penúltimo exemplo com escrituração: Determinada empresa emite nota fiscal correspondente ao pedido de mercadoria que será entregue ao cliente após a efetivação da compra pela empresa. A empresa efetua um faturamento antecipado no valor de R$ 10 mil. Inventários permanente e periódico (iguais): D Vendas para entrega futura: R$ 10.000,00 - Duplicatas de futuros clientes: R$ 10.000,00 h) Descontos financeiros concedidos A concessão de descontos financeiros é posterior à operação da venda de mercadorias e normalmente decorre do recebimento antecipado do título de crédito proveniente da operação ou ainda do cumprimento de prazo estipulado para o pagamento. Agora, sim, confira último exemplo com escrituração:O cliente "X" paga um título no valor de R$ 10 mil, aproveitando o desconto financeiro de R$ 500,00, proposto pela empresa, para pagamentos efetuados até a data do vencimento. Inventários permanente e periódico (iguais): D - Caixa/bancos: R$ 9.500,00 D - Descontos financeiros concedidos: R$ 500,00 - Clientes: R$ 10.000,00 Agora que você viu como fazer a contabilização de estoque, procure praticar ao máximo os exemplos para compreender melhor como realizar corretamente os registros de inventário.