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GESTÃO E MAPEAMENTO DE PROCESSOS AULA 3 Prof. Roberto Pansonato 2 CONVERSA INICIAL A partir do mapeamento de processos, pode-se solucionar os problemas do processo e identificar as oportunidades de melhoria por meio da análise das atividades e de como se comportam nos processos de negócio das organizações, tanto para processos correntes, como para processos propostos. Mas como é possível apresentar o mapeamento de processos de forma que todos os envolvidos possam entendê-lo? Tal qual a língua falada e escrita utilizada por diferentes populações, o mapeamento de processo precisa de linguagens específicas para se comunicar com todos os envolvidos. E é sobre isso que vamos nos ater nesta etapa. Vale a pena ressaltar que existe uma quantidade considerável de notações para mapeamento de processos e que, para o propósito desta etapa, manteremos o foco nas mais utilizadas. Vamos aos principais temas dessa etapa: 1. Diagrama, mapa ou modelo de processos; 2. Principais notações de modelagem de processos-Fluxograma; 3. Principais notações de modelagem de processos-BPMN e IDEF; 4. Principais notações de modelagem de processos-VSM e SIPOC; e 5. Cadeia de valor. CONTEXTUALIZANDO É importante salientar que, na maioria das empresas que são submetidas a alguma auditoria de processos, por exemplo, o auditor sempre solicitará o mapeamento do processo a ser avaliado, muitas vezes, representado por um fluxograma de processo. O mesmo ocorre quando se tem algum problema no processo e se procura descobrir em que parte do processo se originou o problema para que se obtenha a chamada causa raiz. Portanto, isso salienta a importância da utilização de notações para mapeamento de processos de forma assertiva. Um caso interessante que apresenta como utilizar uma notação de forma errada pode criar problemas refere-se à empresa XPTO (nome fictício), fabricante de produtos para o setor de telecomunicações. De forma resumida, a “XPTO” adquiria de um fornecedor estrangeiro um item (vamos chamá-lo de item “X”), que seria montado em um produto acabado, que, por sua vez, seria disponibilizado aos 3 clientes, que teriam que montar esse produto acabado em um sistema pré- estabelecido. Pois bem, o processo a ser analisado refere-se ao processo de recebimento, inspeção e liberação do item “X” pela empresa “XPTO”. O resumo desse processo pode ser verificado no fluxograma a seguir (transferido fielmente do original). Figura 1 – Resumo do fluxograma da empresa "XPTO" Fonte: elaborado com base em Pansonato, 2022. Mesmo com os procedimentos e processos pré-estabelecidos e mapeados, ocorreu um erro que se transformou em algumas reclamações de clientes espalhados por todo o país. Um erro de medida do item “X” impossibilitava a montagem do produto acabado aos sistemas pré-estabelecidos nos clientes. Em síntese, esse problema levou a empresa a buscar o item “X” correto e trocá-los em todos os clientes espalhados pelo país. Após analisar o fluxograma, ficou claro que as responsabilidades sobre as atividades de “Informação das Principais Cotas do Desenho” e “Definição dos Procedimentos de Inspeção” não estavam explícitas no fluxograma. No jargão popular, seria algo como “cachorro com dois donos morre de fome”. Para resolver esse problema, a notação foi alterada de fluxograma simples para um fluxograma funcional, ou de raias, com as respectivas responsabilidades. Essas formas de notação para mapeamento de processos serão apresentadas nos próximos temas. Mas, de qualquer forma, vale aqui uma reflexão: mesmo utilizando uma notação inadequada, o simples fato de se ter os processos mapeados ajudou muito a empresa “XPTO” a encontrar a causa raiz e resolver o problema. 4 TEMA 1 – DIAGRAMA, MAPA OU MODELO DE PROCESSOS (AS-IS E TO-BE) O exemplo utilizado na seção “Contextualizando” mostrou que a utilização de uma notação de mapeamento de processos inadequada pode ocasionar problemas. Quando se estuda mapeamento de processos, é comum os termos diagrama, mapa de processos (mapeamento) e modelo de processos (modelagem). Antes de entrarmos nas notações de mapeamento de processos, faz-se necessário entender esses três termos. Muitas vezes, utilizados como sinônimos, cada um deles possui sua especificidade e uma classificação em função do detalhamento aplicado. Conforme BPM CBOK V3.0 (ABPMP, 2013, p. 124), na prática, diagrama, mapa e modelo são diferentes estágios do desenvolvimento, cada qual agregando mais informação e utilidade para entendimento, análise e desenho de processos. Diagrama de processos: entende-se como a forma macro e com menor quantidade de detalhes, permitindo um entendimento rápido sobre as principais atividades do processo. Vamos supor que seja necessário reconhecer a posição geográfica de uma cidade dentro de um estado, apresentando as cidades vizinhas e posicionamento em relação à costa litorânea. É possível fazer essa analogia utilizando o Google Maps. Veja a figura a seguir. Figura 2 – Trecho do Google Maps tal como um diagrama Fonte: Google Maps. 5 Nesse caso, é possível ter uma visão macro da cidade pesquisada, portanto, o diagrama oferece uma visão ampla, retratando os principais elementos de um fluxo de processo, mas omitindo alguns detalhes. Mapa de processos: um mapa de processos apresenta um nível de detalhamento mais abrangente do que o diagrama, com mais precisão com relação ao processo e das relações mais importantes com outros elementos, tais como funções, eventos e resultados. Fazendo a mesma analogia com o Google Maps, seria como apresentar os bairros e as principais ruas de uma cidade, conforme mostrado na figura a seguir. Figura 3 – Trecho do Google Maps tal como um mapa de processo Fonte: Google Maps. O mapeamento de processo permite conhecer detalhes do processo, tais como início, fim, atividades, decisões, checagens, tempos etc. Modelo de processos: trata-se da representação integral de um processo, apresentando alta quantidade de detalhes. De acordo com BPM CBOK V3.0 (ABPMP, 2013, p. 74), um modelo implica a representação de um determinado estado do negócio (atual ou futuro) e dos respectivos recursos envolvidos, tais como pessoas, informação, instalações, automação, finanças e insumos. 6 Continuando a analogia com o Google Maps, a modelagem de processos, além de atender aos detalhes do diagrama e do mapa de processos, apresenta detalhes referentes a todas as ruas, escolas, hospitais, restaurantes, hotéis etc. Figura 4 – Trecho do Google Maps tal, como um modelo de processo Fonte: Google Maps. A escolha sobre qual forma de estrutura um processo depende do estágio do desenvolvimento desejado, cada qual agregando mais informação e utilidade para compreensão, análise e desenho de processos. Eventualmente, pode haver, dependendo do autor, algumas pequenas discrepâncias quanto à definição dos termos aqui apresentados, mas que não comprometem nossos estudos. TEMA 2 – NOTAÇÕES PARA MAPEAMENTO DE PROCESSOS: FLUXOGRAMAS Muitas vezes, ao se abordar processos de negócio, em vez de se mencionar que um processo deva ser mapeado, muitos dizem que é preciso fazer o fluxograma de processo. Embora esse pensamento não esteja totalmente errado, o fluxograma é uma das várias notações que se pode utilizar para representar um processo e, provavelmente, uma das mais utilizadas. 7 O fluxograma é uma notação que tem como finalidade representar processos ou fluxos de materiais e operações. 2.1 Fluxograma simples Um fluxograma simples apresenta as relações entre as fases e necessidades básicas de qualquer processo, sendo que sua utilização geralmente ocorre em situações simples em que um (ou poucos) departamento(s)/função(ões) participam. Vamos a um exemplo prático para mostrar como utilizar um fluxogramasimples em um pet shop. 1. Início 2. Cachorro dá entrada no pet shop 3. Recepcionista do pet shop verifica se o animal está cadastrado. Se tiver cadastrado, segue para o próximo passo, se não deve providenciar cadastro. 4. Recepcionista do pet shop verifica quais serviços a serem executados. Se é tosa e banho, segue o processo 5 em diante, caso seja apenas banho segue para o processo 6. 5. Cachorro é levado para a tosa. 6. Cachorro é levado para o banho. 7. Após banho, cachorro é encaminhado para secagem. 8. Cachorro é encaminhado para aplicação de “antipulga” e colocação de coleira e adereços. 9. Cachorro é encaminhado ao canil. 10. Aguardo pelo dono do cachorro. 11. Pagamento pelo serviço efetuado. 12. Devolução ao dono. 13. Fim. 8 Figura 5 – Fluxograma simples Fonte: Pansonato, 2022. 2.2 Fluxograma funcional ou de raias O fluxograma funcional (ou de raias) apresenta a sequência das atividades de um processo que fluem entre diversas áreas. Na seção Contextualização desta etapa, o problema que ocorreu com a empresa XPTO poderia ter sido evitado se fosse utilizado um fluxograma funcional. Vamos supor que uma empresa industrial receba um pedido de um cliente e esse pedido deve percorrer várias funções (departamentos), entre eles: vendas, crédito/fatura, controle da produção, manufatura (produção) e logística (transporte). 9 Figura 6 – Fluxograma funcional (raias) Fonte: Pansonato, 2022. Tal qual uma piscina olímpica, no fluxograma funcional, cada uma das funções (ou departamentos) fica restrito à sua raia, conforme Figura 6. Esse tipo de fluxograma determina as responsabilidades dos departamentos pelas suas respectivas atividades. Independentemente de ser um fluxograma simples ou funcional, ambos precisam de uma simbologia apropriada, e é isso que veremos em seguida. Cliente Vendas Crédito/Fatura Controle de Produção Manufatura Logística (transporte) Início Geração de Pedido Submissão do Pedido Preparação da Fatura Entrada do Pedido Checagem de Crédito Produção Coleta do Produto (picking) Envio do Produto Efetivação Pagamento Fim Envio da Fatura Sim Não Produto em estoque? 10 2.3 Simbologia A seguir, um resumo da simbologia utilizada para elaboração de fluxogramas. SÍMBOLO NOME SIGNIFICADO Terminação Utilizado quando queremos indicar o início ou o fim de uma rotina ou de um fluxograma. Operação ou atividade Dentro do símbolo, deve ser descrita, de forma sucinta, a operação ou atividade que é realizada. Decisão Símbolo utilizado quando no fluxo de informações existe mais de um caminho a seguir. Neste caso, uma pergunta deve ser feita dentro do símbolo, de forma resumida. As respostas a essa pergunta devem ser preferencialmente sim ou não (saída binária), que nascem em dois ângulos diferenciados e seguem caminhos alternativos. Documento Utilizado quando determinada etapa do processo deve incluir a emissão de um documento impresso (relatório, por exemplo). Dados (computador) Utilizado quando determinada etapa do processo é realizada por meio de uma tela de programa de computador. Subprocesso (interfaces) Indica que toda uma rotina é realizada neste ponto e que, para simplificar o fluxo, essa rotina foi desenhada em outra página ou está em outro arquivo. Área de arquivo físico Representa arquivo definitivo de documentos físicos. Dentro dele, deve ser colocado o local de arquivamento. Conector de Rotina ou de Fluxo O conector de rotina permite simplificar a vinculação de sub-rotinas e/ou fluxogramas sem que haja intersecções de linhas. Portanto, dentro do símbolo deve ser colocada uma letra ou outro sinal que permita a identificação de onde se encontra a continuação da rotina. 11 Conector de página Caso um fluxograma não caiba em uma página, coloca-se um símbolo para indicar que existe continuação. Dentro do símbolo, coloca-se o número da página que dá continuidade ou uma referência para localização. Na outra página, em sentido contrário, coloca-se a referência ou o número da página anterior. Dados Dados digitados e armazenados automaticamente no sistema. Banco de dados Banco de dados: mídia eletrônica. Quando utilizado, deve ser precedido pelo símbolo de digitação de dados do sistema. Não pode ser utilizado no começo e no fim do fluxo. Linha de ponta cheia Mostra a direção do fluxo das atividades, indicando o caminho obrigatório. Não se deve escrever sobre esse símbolo. Linha tracejada ponta cheia Mostra a direção obrigatória do fluxo de informação. Não se deve escrever sobre esse símbolo. Executante Símbolo utilizado para representar a troca de executante das operações/atividades. Em todos os momentos que o executante é alterado, o novo executante é identificado com esse símbolo. TEMA 3 – PRINCIPAIS NOTAÇÕES DE MODELAGEM DE PROCESSOS-BPMN E IDEF Neste tópico, será abordado duas notações importantes: o BPMN, uma das mais relevantes para o mapeamento de processos e o IDEF, que utiliza elementos mais complexos para o desenho dos processos. 3.1 BPMN Provavelmente, uma das mais completas notações para modelagem de processos e amplamente aceita por profissionais da área de processos de negócios. BPMN (Business Process Model and Notation), que significa Modelo de Processo de Negócios e Notação, é uma linguagem que possui um padrão de simbologia robusto que atende uma série de lacunas para modelagem de processos. 12 Conforme BPM CBOK V3.0 (ABPMP, 2013, p. 80), essa notação permite indicação de eventos de início, intermediário e fim; fluxo de atividades e mensagens; comunicação intranegócio e colaboração internegócio, por meio de ícones organizados em conjuntos descritivos e analíticos para atender a diferentes necessidades de utilização. A seguir, um exemplo simples de utilização de uma notação BPMN. Figura 7 – Exemplo simples de notação BPMN Fonte: BPM CBOK V2.0, ABPMP, 2009, p. 52. Tal qual os fluxogramas, sempre que possível deve ser aplicado a função raias para definição das responsabilidades pelas atividades do processo. 3.2 IDFE O IDFE é um padrão de linguagem de processos criado pela Força Aérea Americana. Conforme Murís (2016, p. 74), trata-se de um dos procedimentos mais conhecidos para a modelagem de processos, composto de uma família de linguagens que cobrem uma ampla gama de utilizações, como modelagem funcional, simulação de análise orientada a objetos e aquisição de conhecimento. Tem como caraterística a utilização de níveis subsequentes que mostram a decomposição do nível anterior através de séries de caixas (níveis de pais e filhos). A seguir, um exemplo esquemático dessa notação. 13 Figura 8 – Exemplo de decomposição do modelo geral a um modelo específico de uma tarefa/função na IDEF-0 Fonte: Pansonato 2022, baseado em Wildauer e Wildauer, 2015, p. 87. Esse exemplo é apenas um esboço da estruturação e decomposição do modelo geral para o modelo mais específico de uma função IDEF. Para obter mais informações sobre o IDEF, busque o livro Mapeamento de Processos de Gestão Empresarial, de Murís Lage Júnior (p. 74). 14 TEMA 4 – PRINCIPAIS NOTAÇÕES DE MODELAGEM DE PROCESSOS: VSM E SIPOC Para o analista de processos, não se pode afirmar categoricamente que existe apenas uma notação que seja completa e, sim, qual notação pode atender uma demanda específica. É óbvio que existirão, quando se refere a softwares, bons e maus aplicativos, porém é importante que se saiba qual é a melhor notação para uma determinada aplicação. As duas linguagens apresentadas a seguir possuem aplicações específicas, no entanto, com grande utilização no meio empresarial. 4.1 VSM – ValueStream Mapping Value Stream Mapping significa Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV). Trata- se de uma notação muito utilizada na filosofia “Lean Manufacturing” (Produção Enxuta), baseada no Sistema Toyota de Produção, em que era conhecida como “Mapeamento do Fluxo de Informação e Material”. Essa notação ajuda a visualizar mais do que um único nível de processo, articulando os fluxos de material e de informação por meio de uma linguagem comum, sempre com o foco em conceitos e técnicas enxutas. Segue exemplo. 15 Figura 9 – Exemplo de um mapeamento do fluxo de valor (VSM) FONTE: Pansonato, 2022, baseado em Rother e Shook, 2009, p. 32/33. A figura anterior apresenta o mapeamento do fluxo de valor com a visão do “todo” de um uma empresa que tem como cliente a Montadora São Jorge (nome fictício). Nesse mapeamento, é possível perceber quatro visões essenciais para essa linguagem. 1- Visão do cliente (amarelo) 2- Visão dos processos internos (azul) 3- Visão do fluxo de materiais (vermelho) 4- Visão do fluxo de informações (roxo) Nesse caso, trata-se de uma versão “as-is”, ou seja, como está para futura modelagem. 4.2 SIPOC Trata-se de uma forma de linguagem de processos utilizado em Lean Six Sigma. Segundo Wildauer e Wildauer (2016, p. 76), SIPOC é o acrônimo de método utilizado para representar os elementos presentes em um projeto, a fim de melhorá- lo antes mesmo do seu início. SIPOC tem o seguinte significado: 16 S – Supplier (fornecedor) I – Input (entrada) P – Process (processo) O – Output (saída) C – Customer (cliente) Figura 10 – Exemplo esquemático do SIPOC Fonte: Pansonato, 2022. O SIPOC é muito utilizado na determinação da etapa definir (D) do DMAIC, que é um guia para os Projetos Lean Six Sigma. Conforme Wildauer e Wildauer (2016, p. 77), o SIPOC deve esclarecer os seguintes elementos: • Quem são os fornecedores de insumos e recursos dos processos? • Quais são as especificações, os parâmetros e os requisitos técnicos de cada entrada dos processos? • Quais são as saídas dos processos (desejáveis e indesejáveis)? • Quem são os clientes internos e externos dos processos? • Quais são as necessidades desejos exigências dos clientes? 17 O SIPOC é uma excelente linguagem para se esclarecer os questionamentos anteriores e propor uma visão ampla do processo, sem se ater muito ao fluxo. É uma ótima ferramenta para trabalhos em equipes. TEMA 5 – CADEIA DE VALOR Antes de entrarmos no conceito de cadeia de valor, vamos entender o que é “esse tal” de valor no mundo dos negócios e na perspectiva do cliente. Na maioria das vezes, quando se aborda o termo valor, o que vem em mente é o valor monetário, ou preço que se atribui a algo. Para nossos estudos, embora esse significado seja importante, é necessário uma abordagem mais ampla. Conforme o dicionário Michaelis, valor é o “apreço variável atribuído a determinado bem ou serviço, que pode ser objeto de uso ou de troca” (11). De acordo com Macedo e Póv (1995, p. 88, 126, citado por Wildauer e Wildauer, 2016, p. 124), valor “é a característica que, agregada a um produto ou serviço, melhora a sua qualidade em termos de uma ou mais das suas dimensões”. Em resumo, podemos dizer que valor é a relação entre a expectativa do cliente com sua percepção sobre um produto ou serviço adquirido. A equação a seguir sintetiza esse pensamento. 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 = 𝑝𝑒𝑟𝑐𝑒𝑝çã𝑜 𝑒𝑥𝑝𝑒𝑐𝑡𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 Embora possa parecer algo um tanto quanto superficial, é esse valor atribuído pelo cliente que proporciona o sucesso ou insucesso às empresas, e o analista de processos deve estar atento a esse detalhe. 5.1 Cadeia de valor (Porter) Já entendemos o que é valor na perspectiva do cliente e agora vamos compreender o que é a cadeia de valor. Conforme Pansonato (2021, p. 33), a cadeia de valor implica em enxergar o todo. Ainda segundo o autor, a cadeia de valor mostra que ocorrem três tipos de atividades ao longo de sua extensão, ou seja, as atividades que certamente criam valor, as atividades que não criam valor, mas que são necessárias, e as atividades que não criam valor e que não são necessárias, devendo, portanto, ser imediatamente eliminadas. 18 A cadeia de valor é a forma de análise que permite a uma empresa organizar seus processos e identificar como pode gerar valor ao cliente. Por meio dessa análise, é possível avaliar as atividades de negócios primárias e secundárias. Crédito: tynyuk/Shutterstock. É a partir dessa reflexão que chegamos à “Cadeia de Valor de Porter” (1989, p. 35), que sintetiza as atividades de negócios primárias e secundárias em uma empresa. Para o autor, as atividades que geram valor em uma empresa estão divididas entre atividades primárias (principais) e secundárias (de apoio), conforme figura a seguir. 19 Figura 11 – Esquema da cadeia de valor de Porter Fonte: Pansonato, 2022, baseado em Porter, 1989. Das nove atividades elencadas por Porter, deve-se alcançar a margem obtida no negócio por meio da diferença entre o valor obtido e o custo para geração desse valor. Valor Criado – Custo para Criar esse Valor = Margem de Lucro Portanto, as empresas devem avaliar a geração de valor e custos para cada atividade e buscar alternativas para melhorá-las. 5.2 Lead Time e agregação de valor Para um analista de processos, é de suma importância o entendimento dos temas a respeito de valor, cadeia de valor e valor agregado e a relação com o lead time. Conforme Pansonato (2021, p. 26), lead time refere-se ao tempo do pedido de um cliente e o tempo em que ele efetivamente recebe esse pedido, podendo ser um produto ou um serviço. De uma forma mais concisa, seria o tempo de agregação de valor (atendimento, por exemplo) mais o tempo de não agregação de valor (uma fila, por exemplo). Um caso específico que explica esse fenômeno é quando se vai a um banco e espera-se 40 minutos na fila, e o atendimento, que realmente agrega valor, é realizado em 5 minutos. Provavelmente, há algo errado nesse processo. Segue na figura a seguir uma ilustração para melhor entendimento. 20 Figura 12 – Lead time e valor agregado Fonte: Pansonato, 2021, p. 32. No exemplo anterior, o lead time é de 45 minutos, e o tempo que efetivamente agregou valor ao cliente, 5 minutos, o que corresponde a 11,1% do tempo gasto nesse processo e ao que realmente agregou valor ao cliente. Pouquíssima porcentagem de valor agregado, porém o que causa perplexidade é que boa parte dos processos possuem características similares. E é justamente aí que entra em cena o analista de processos para mudar essa condição. Saiba mais Quer saber um pouco mais sobre cadeia de valor? Busque o livro Mapeamento de Processos de Gestão Empresarial, de Murís Lage Junior (p. 28). TROCANDO IDEIAS A quantidade de notações e aplicativos para mapeamento/modelagem de processos é considerável e, conforme já mencionado, muitas vezes, deve-se adaptar a notação para as características do processo analisado. A seguir, alguns dos aplicativos mais utilizados. • Bizagi • BPMN.io • Draw.io • Lovely Charts • Lucidchart • Microsoft Visio Se não conseguir acessar algum desses aplicativos, o pacote Office da Microsoft, mesmo com limitações, tem a opção fluxograma no Excel, no Word e no PowerPoint. 21 NA PRÁTICA Que tal colocarmos literalmente as “mãos na massa”? A seguir, uma breve descrição de um processo. A partir dessa descrição, elabore um fluxograma funcional (aquele de raias) e faça uma breve análise. Após a análise, identifique alguma possibilidade de melhoria (acredito que esteja fácil de encontrar) e modele o processo com o fluxograma modificado. Fique à vontade para utilizar o aplicativo acessível ou que considerar melhor. • O cliente inicia o processo com a requisição do pedido • O departamento deimpressão coleta a informação a ser processada (dados no computador) e efetua a impressão • O departamento de fechamento encaderna o material • O departamento de qualidade verifica a gramática • Se estiver correto, segue para o departamento de envio que processa o preenchimento do pedido e envia ao cliente • Se não estiver correto, retorna ao processo de impressão Informações adicionais: • Trata-se de uma empresa que executa impressões de publicações a partir de pedidos dos clientes • Fique atento às condições de decisão (palavra “se”) • De preferência, mantenha as raias no sentido horizontal • A solução para essa atividade está na videoaula 3 • Bons estudos FINALIZANDO Ao fim desta etapa, você é capaz de diferenciar diagrama, mapa e modelo de processos. Fizemos um tour pelas principais notações para mapeamento de processos. Você está apto a elaborar fluxogramas simples e funcional. Uma notação bastante utilizada pelos analistas de processos, o BPMN foi apresentado juntamente com a linguagem IDEF. Agora você já conhece o VSM (Value Stream Mapping) e o SIPOC e suas respectivas características e utilizações. Por fim, apresentamos tópicos importantes dentro do tema Cadeia de Valor: o conceito de valor, a cadeia 22 de valor de Porter e a relação entre lead time e agregação de valor. Desse jeito, em breve, você será um analista de processos! Até a próxima! 23 REFERÊNCIAS BPM CBOK Versão 3.0. Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócios, Corpo Comum de Conhecimento, ABPMP BMP CBOK V3.0. 1. ed. 2013. BPM CBOK Versão 2.0. Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócios, Corpo Comum de Conhecimento, ABPMP BMP CBOK V2.0. 1. ed. 2009. PAVANI JUNIOR, O.; SCUCUGLIA, R. Mapeamento e Gestão por Processos: BPM. São Paulo: M. Books, 2011. PANSONATO, R. C. Lean Manufacturing. Curitiba: Editora Contentus, 2020. PORTER, M. P. Vantagem Competitiva: Criando e Sustentando um Desempenho Superior. 27. ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1989. ROTHER, M.; SHOOK, J. Aprendendo a Enxergar (mapeando o fluxo de valor para agregar valor e eliminar o desperdício). São Paulo: Lean Institute Brasil, 2009. WILDAWER, W. E.; WILDAWER, L. D. B. S. Mapeamento de Processos: conceitos, técnicas e ferramentas. Curitiba: Intersaberes, 2015.