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GESTÃO E MAPEAMENTO DE 
PROCESSOS 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Roberto Pansonato 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A partir do mapeamento de processos, pode-se solucionar os problemas do 
processo e identificar as oportunidades de melhoria por meio da análise das 
atividades e de como se comportam nos processos de negócio das organizações, 
tanto para processos correntes, como para processos propostos. Mas como é 
possível apresentar o mapeamento de processos de forma que todos os envolvidos 
possam entendê-lo? Tal qual a língua falada e escrita utilizada por diferentes 
populações, o mapeamento de processo precisa de linguagens específicas para se 
comunicar com todos os envolvidos. E é sobre isso que vamos nos ater nesta etapa. 
Vale a pena ressaltar que existe uma quantidade considerável de notações 
para mapeamento de processos e que, para o propósito desta etapa, manteremos o 
foco nas mais utilizadas. 
Vamos aos principais temas dessa etapa: 
1. Diagrama, mapa ou modelo de processos; 
2. Principais notações de modelagem de processos-Fluxograma; 
3. Principais notações de modelagem de processos-BPMN e IDEF; 
4. Principais notações de modelagem de processos-VSM e SIPOC; e 
5. Cadeia de valor. 
CONTEXTUALIZANDO 
É importante salientar que, na maioria das empresas que são submetidas a 
alguma auditoria de processos, por exemplo, o auditor sempre solicitará o 
mapeamento do processo a ser avaliado, muitas vezes, representado por um 
fluxograma de processo. O mesmo ocorre quando se tem algum problema no 
processo e se procura descobrir em que parte do processo se originou o problema 
para que se obtenha a chamada causa raiz. Portanto, isso salienta a importância da 
utilização de notações para mapeamento de processos de forma assertiva. 
Um caso interessante que apresenta como utilizar uma notação de forma 
errada pode criar problemas refere-se à empresa XPTO (nome fictício), fabricante 
de produtos para o setor de telecomunicações. De forma resumida, a “XPTO” 
adquiria de um fornecedor estrangeiro um item (vamos chamá-lo de item “X”), que 
seria montado em um produto acabado, que, por sua vez, seria disponibilizado aos 
 
 
3 
clientes, que teriam que montar esse produto acabado em um sistema pré-
estabelecido. 
Pois bem, o processo a ser analisado refere-se ao processo de recebimento, 
inspeção e liberação do item “X” pela empresa “XPTO”. O resumo desse processo 
pode ser verificado no fluxograma a seguir (transferido fielmente do original). 
Figura 1 – Resumo do fluxograma da empresa "XPTO" 
 
Fonte: elaborado com base em Pansonato, 2022. 
Mesmo com os procedimentos e processos pré-estabelecidos e mapeados, 
ocorreu um erro que se transformou em algumas reclamações de clientes 
espalhados por todo o país. Um erro de medida do item “X” impossibilitava a 
montagem do produto acabado aos sistemas pré-estabelecidos nos clientes. Em 
síntese, esse problema levou a empresa a buscar o item “X” correto e trocá-los em 
todos os clientes espalhados pelo país. 
Após analisar o fluxograma, ficou claro que as responsabilidades sobre as 
atividades de “Informação das Principais Cotas do Desenho” e “Definição dos 
Procedimentos de Inspeção” não estavam explícitas no fluxograma. No jargão 
popular, seria algo como “cachorro com dois donos morre de fome”. Para resolver 
esse problema, a notação foi alterada de fluxograma simples para um fluxograma 
funcional, ou de raias, com as respectivas responsabilidades. Essas formas de 
notação para mapeamento de processos serão apresentadas nos próximos temas. 
Mas, de qualquer forma, vale aqui uma reflexão: mesmo utilizando uma 
notação inadequada, o simples fato de se ter os processos mapeados ajudou muito 
a empresa “XPTO” a encontrar a causa raiz e resolver o problema. 
 
 
4 
TEMA 1 – DIAGRAMA, MAPA OU MODELO DE PROCESSOS (AS-IS E TO-BE) 
O exemplo utilizado na seção “Contextualizando” mostrou que a utilização de 
uma notação de mapeamento de processos inadequada pode ocasionar problemas. 
Quando se estuda mapeamento de processos, é comum os termos diagrama, mapa 
de processos (mapeamento) e modelo de processos (modelagem). Antes de 
entrarmos nas notações de mapeamento de processos, faz-se necessário entender 
esses três termos. Muitas vezes, utilizados como sinônimos, cada um deles possui 
sua especificidade e uma classificação em função do detalhamento aplicado. 
Conforme BPM CBOK V3.0 (ABPMP, 2013, p. 124), na prática, diagrama, 
mapa e modelo são diferentes estágios do desenvolvimento, cada qual agregando 
mais informação e utilidade para entendimento, análise e desenho de processos. 
Diagrama de processos: entende-se como a forma macro e com menor 
quantidade de detalhes, permitindo um entendimento rápido sobre as principais 
atividades do processo. Vamos supor que seja necessário reconhecer a posição 
geográfica de uma cidade dentro de um estado, apresentando as cidades vizinhas e 
posicionamento em relação à costa litorânea. É possível fazer essa analogia 
utilizando o Google Maps. Veja a figura a seguir. 
Figura 2 – Trecho do Google Maps tal como um diagrama 
 
Fonte: Google Maps. 
 
 
5 
Nesse caso, é possível ter uma visão macro da cidade pesquisada, portanto, 
o diagrama oferece uma visão ampla, retratando os principais elementos de um fluxo 
de processo, mas omitindo alguns detalhes. 
Mapa de processos: um mapa de processos apresenta um nível de 
detalhamento mais abrangente do que o diagrama, com mais precisão com relação 
ao processo e das relações mais importantes com outros elementos, tais como 
funções, eventos e resultados. Fazendo a mesma analogia com o Google Maps, 
seria como apresentar os bairros e as principais ruas de uma cidade, conforme 
mostrado na figura a seguir. 
Figura 3 – Trecho do Google Maps tal como um mapa de processo 
 
Fonte: Google Maps. 
O mapeamento de processo permite conhecer detalhes do processo, tais 
como início, fim, atividades, decisões, checagens, tempos etc. 
Modelo de processos: trata-se da representação integral de um processo, 
apresentando alta quantidade de detalhes. De acordo com BPM CBOK V3.0 
(ABPMP, 2013, p. 74), um modelo implica a representação de um determinado 
estado do negócio (atual ou futuro) e dos respectivos recursos envolvidos, tais como 
pessoas, informação, instalações, automação, finanças e insumos. 
 
 
6 
Continuando a analogia com o Google Maps, a modelagem de processos, 
além de atender aos detalhes do diagrama e do mapa de processos, apresenta 
detalhes referentes a todas as ruas, escolas, hospitais, restaurantes, hotéis etc. 
Figura 4 – Trecho do Google Maps tal, como um modelo de processo 
 
Fonte: Google Maps. 
A escolha sobre qual forma de estrutura um processo depende do estágio do 
desenvolvimento desejado, cada qual agregando mais informação e utilidade para 
compreensão, análise e desenho de processos. Eventualmente, pode haver, 
dependendo do autor, algumas pequenas discrepâncias quanto à definição dos 
termos aqui apresentados, mas que não comprometem nossos estudos. 
TEMA 2 – NOTAÇÕES PARA MAPEAMENTO DE PROCESSOS: FLUXOGRAMAS 
Muitas vezes, ao se abordar processos de negócio, em vez de se mencionar 
que um processo deva ser mapeado, muitos dizem que é preciso fazer o fluxograma 
de processo. Embora esse pensamento não esteja totalmente errado, o fluxograma 
é uma das várias notações que se pode utilizar para representar um processo e, 
provavelmente, uma das mais utilizadas. 
 
 
7 
O fluxograma é uma notação que tem como finalidade representar processos 
ou fluxos de materiais e operações. 
2.1 Fluxograma simples 
Um fluxograma simples apresenta as relações entre as fases e necessidades 
básicas de qualquer processo, sendo que sua utilização geralmente ocorre em 
situações simples em que um (ou poucos) departamento(s)/função(ões) participam. 
Vamos a um exemplo prático para mostrar como utilizar um fluxogramasimples em um pet shop. 
1. Início 
2. Cachorro dá entrada no pet shop 
3. Recepcionista do pet shop verifica se o animal está cadastrado. Se tiver 
cadastrado, segue para o próximo passo, se não deve providenciar cadastro. 
4. Recepcionista do pet shop verifica quais serviços a serem executados. Se é 
tosa e banho, segue o processo 5 em diante, caso seja apenas banho segue 
para o processo 6. 
5. Cachorro é levado para a tosa. 
6. Cachorro é levado para o banho. 
7. Após banho, cachorro é encaminhado para secagem. 
8. Cachorro é encaminhado para aplicação de “antipulga” e colocação de coleira 
e adereços. 
9. Cachorro é encaminhado ao canil. 
10. Aguardo pelo dono do cachorro. 
11. Pagamento pelo serviço efetuado. 
12. Devolução ao dono. 
13. Fim. 
 
 
8 
Figura 5 – Fluxograma simples 
 
Fonte: Pansonato, 2022. 
2.2 Fluxograma funcional ou de raias 
O fluxograma funcional (ou de raias) apresenta a sequência das atividades de 
um processo que fluem entre diversas áreas. Na seção Contextualização desta 
etapa, o problema que ocorreu com a empresa XPTO poderia ter sido evitado se 
fosse utilizado um fluxograma funcional. 
Vamos supor que uma empresa industrial receba um pedido de um cliente e 
esse pedido deve percorrer várias funções (departamentos), entre eles: vendas, 
crédito/fatura, controle da produção, manufatura (produção) e logística (transporte). 
 
 
9 
Figura 6 – Fluxograma funcional (raias) 
 
Fonte: Pansonato, 2022. 
Tal qual uma piscina olímpica, no fluxograma funcional, cada uma das funções 
(ou departamentos) fica restrito à sua raia, conforme Figura 6. Esse tipo de 
fluxograma determina as responsabilidades dos departamentos pelas suas 
respectivas atividades. 
Independentemente de ser um fluxograma simples ou funcional, ambos 
precisam de uma simbologia apropriada, e é isso que veremos em seguida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cliente
Vendas
Crédito/Fatura
Controle de 
Produção
Manufatura
Logística 
(transporte)
Início
Geração de 
Pedido
Submissão do 
Pedido
Preparação da 
Fatura
Entrada do 
Pedido
Checagem de 
Crédito
Produção
Coleta do 
Produto
(picking)
Envio do 
Produto
Efetivação 
Pagamento
Fim
Envio da 
Fatura
Sim
Não
Produto em 
estoque?
 
 
10 
2.3 Simbologia 
A seguir, um resumo da simbologia utilizada para elaboração de fluxogramas. 
SÍMBOLO NOME SIGNIFICADO 
 
Terminação 
Utilizado quando queremos indicar o 
início ou o fim de uma rotina ou de um 
fluxograma. 
 
 
 
 
Operação ou 
atividade 
Dentro do símbolo, deve ser descrita, de 
forma sucinta, a operação ou atividade 
que é realizada. 
 
Decisão 
Símbolo utilizado quando no fluxo de 
informações existe mais de um caminho 
a seguir. Neste caso, uma pergunta 
deve ser feita dentro do símbolo, de 
forma resumida. As respostas a essa 
pergunta devem ser preferencialmente 
sim ou não (saída binária), que nascem 
em dois ângulos diferenciados e 
seguem caminhos alternativos. 
 
Documento 
Utilizado quando determinada etapa do 
processo deve incluir a emissão de um 
documento impresso (relatório, por 
exemplo). 
 
 
 
Dados 
(computador) 
Utilizado quando determinada etapa do 
processo é realizada por meio de uma 
tela de programa de computador. 
 
Subprocesso 
(interfaces) 
Indica que toda uma rotina é realizada 
neste ponto e que, para simplificar o 
fluxo, essa rotina foi desenhada em 
outra página ou está em outro arquivo. 
 
Área de arquivo 
físico 
Representa arquivo definitivo de 
documentos físicos. Dentro dele, deve 
ser colocado o local de arquivamento. 
 
Conector de Rotina 
ou de Fluxo 
O conector de rotina permite simplificar 
a vinculação de sub-rotinas e/ou 
fluxogramas sem que haja intersecções 
de linhas. Portanto, dentro do símbolo 
deve ser colocada uma letra ou outro 
sinal que permita a identificação de 
onde se encontra a continuação da 
rotina. 
 
 
11 
 
 
Conector de 
página 
Caso um fluxograma não caiba em uma 
página, coloca-se um símbolo para 
indicar que existe continuação. Dentro 
do símbolo, coloca-se o número da 
página que dá continuidade ou uma 
referência para localização. Na outra 
página, em sentido contrário, coloca-se 
a referência ou o número da página 
anterior. 
 
Dados 
Dados digitados e armazenados 
automaticamente no sistema. 
 
Banco de dados 
Banco de dados: mídia eletrônica. 
Quando utilizado, deve ser precedido 
pelo símbolo de digitação de dados do 
sistema. Não pode ser utilizado no 
começo e no fim do fluxo. 
 
Linha de ponta 
cheia 
Mostra a direção do fluxo das 
atividades, indicando o caminho 
obrigatório. Não se deve escrever sobre 
esse símbolo. 
 
Linha tracejada 
ponta cheia 
Mostra a direção obrigatória do fluxo de 
informação. Não se deve escrever sobre 
esse símbolo. 
 
Executante 
Símbolo utilizado para representar a 
troca de executante das 
operações/atividades. Em todos os 
momentos que o executante é alterado, 
o novo executante é identificado com 
esse símbolo. 
TEMA 3 – PRINCIPAIS NOTAÇÕES DE MODELAGEM DE PROCESSOS-BPMN E 
IDEF 
Neste tópico, será abordado duas notações importantes: o BPMN, uma das 
mais relevantes para o mapeamento de processos e o IDEF, que utiliza elementos 
mais complexos para o desenho dos processos. 
3.1 BPMN 
Provavelmente, uma das mais completas notações para modelagem de 
processos e amplamente aceita por profissionais da área de processos de negócios. 
BPMN (Business Process Model and Notation), que significa Modelo de Processo de 
Negócios e Notação, é uma linguagem que possui um padrão de simbologia robusto 
que atende uma série de lacunas para modelagem de processos. 
 
 
12 
Conforme BPM CBOK V3.0 (ABPMP, 2013, p. 80), essa notação permite 
indicação de eventos de início, intermediário e fim; fluxo de atividades e mensagens; 
comunicação intranegócio e colaboração internegócio, por meio de ícones 
organizados em conjuntos descritivos e analíticos para atender a diferentes 
necessidades de utilização. A seguir, um exemplo simples de utilização de uma 
notação BPMN. 
Figura 7 – Exemplo simples de notação BPMN 
 
Fonte: BPM CBOK V2.0, ABPMP, 2009, p. 52. 
Tal qual os fluxogramas, sempre que possível deve ser aplicado a função raias 
para definição das responsabilidades pelas atividades do processo. 
3.2 IDFE 
O IDFE é um padrão de linguagem de processos criado pela Força Aérea 
Americana. Conforme Murís (2016, p. 74), trata-se de um dos procedimentos mais 
conhecidos para a modelagem de processos, composto de uma família de 
linguagens que cobrem uma ampla gama de utilizações, como modelagem funcional, 
simulação de análise orientada a objetos e aquisição de conhecimento. 
Tem como caraterística a utilização de níveis subsequentes que mostram a 
decomposição do nível anterior através de séries de caixas (níveis de pais e filhos). 
A seguir, um exemplo esquemático dessa notação. 
 
 
13 
Figura 8 – Exemplo de decomposição do modelo geral a um modelo específico de 
uma tarefa/função na IDEF-0 
 
Fonte: Pansonato 2022, baseado em Wildauer e Wildauer, 2015, p. 87. 
Esse exemplo é apenas um esboço da estruturação e decomposição do 
modelo geral para o modelo mais específico de uma função IDEF. Para obter mais 
informações sobre o IDEF, busque o livro Mapeamento de Processos de Gestão 
Empresarial, de Murís Lage Júnior (p. 74). 
 
 
14 
TEMA 4 – PRINCIPAIS NOTAÇÕES DE MODELAGEM DE PROCESSOS: VSM E 
SIPOC 
Para o analista de processos, não se pode afirmar categoricamente que existe 
apenas uma notação que seja completa e, sim, qual notação pode atender uma 
demanda específica. É óbvio que existirão, quando se refere a softwares, bons e 
maus aplicativos, porém é importante que se saiba qual é a melhor notação para 
uma determinada aplicação. As duas linguagens apresentadas a seguir possuem 
aplicações específicas, no entanto, com grande utilização no meio empresarial. 
4.1 VSM – ValueStream Mapping 
Value Stream Mapping significa Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV). Trata-
se de uma notação muito utilizada na filosofia “Lean Manufacturing” (Produção 
Enxuta), baseada no Sistema Toyota de Produção, em que era conhecida como 
“Mapeamento do Fluxo de Informação e Material”. 
Essa notação ajuda a visualizar mais do que um único nível de processo, 
articulando os fluxos de material e de informação por meio de uma linguagem 
comum, sempre com o foco em conceitos e técnicas enxutas. Segue exemplo. 
 
 
 
 
 
 
15 
Figura 9 – Exemplo de um mapeamento do fluxo de valor (VSM) 
 
FONTE: Pansonato, 2022, baseado em Rother e Shook, 2009, p. 32/33. 
A figura anterior apresenta o mapeamento do fluxo de valor com a visão do 
“todo” de um uma empresa que tem como cliente a Montadora São Jorge (nome 
fictício). Nesse mapeamento, é possível perceber quatro visões essenciais para essa 
linguagem. 
1- Visão do cliente (amarelo) 
2- Visão dos processos internos (azul) 
3- Visão do fluxo de materiais (vermelho) 
4- Visão do fluxo de informações (roxo) 
Nesse caso, trata-se de uma versão “as-is”, ou seja, como está para futura 
modelagem. 
4.2 SIPOC 
Trata-se de uma forma de linguagem de processos utilizado em Lean Six 
Sigma. Segundo Wildauer e Wildauer (2016, p. 76), SIPOC é o acrônimo de método 
utilizado para representar os elementos presentes em um projeto, a fim de melhorá-
lo antes mesmo do seu início. SIPOC tem o seguinte significado: 
 
 
16 
S – Supplier (fornecedor) 
I – Input (entrada) 
P – Process (processo) 
O – Output (saída) 
C – Customer (cliente) 
Figura 10 – Exemplo esquemático do SIPOC 
 
Fonte: Pansonato, 2022. 
O SIPOC é muito utilizado na determinação da etapa definir (D) do DMAIC, 
que é um guia para os Projetos Lean Six Sigma. Conforme Wildauer e Wildauer 
(2016, p. 77), o SIPOC deve esclarecer os seguintes elementos: 
• Quem são os fornecedores de insumos e recursos dos processos? 
• Quais são as especificações, os parâmetros e os requisitos técnicos de cada 
entrada dos processos? 
• Quais são as saídas dos processos (desejáveis e indesejáveis)? 
• Quem são os clientes internos e externos dos processos? 
• Quais são as necessidades desejos exigências dos clientes? 
 
 
17 
O SIPOC é uma excelente linguagem para se esclarecer os questionamentos 
anteriores e propor uma visão ampla do processo, sem se ater muito ao fluxo. É uma 
ótima ferramenta para trabalhos em equipes. 
TEMA 5 – CADEIA DE VALOR 
Antes de entrarmos no conceito de cadeia de valor, vamos entender o que é 
“esse tal” de valor no mundo dos negócios e na perspectiva do cliente. Na maioria 
das vezes, quando se aborda o termo valor, o que vem em mente é o valor monetário, 
ou preço que se atribui a algo. Para nossos estudos, embora esse significado seja 
importante, é necessário uma abordagem mais ampla. Conforme o dicionário 
Michaelis, valor é o “apreço variável atribuído a determinado bem ou serviço, que 
pode ser objeto de uso ou de troca” (11). De acordo com Macedo e Póv (1995, p. 88, 
126, citado por Wildauer e Wildauer, 2016, p. 124), valor “é a característica que, 
agregada a um produto ou serviço, melhora a sua qualidade em termos de uma ou 
mais das suas dimensões”. Em resumo, podemos dizer que valor é a relação entre 
a expectativa do cliente com sua percepção sobre um produto ou serviço adquirido. 
A equação a seguir sintetiza esse pensamento. 
𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 =
𝑝𝑒𝑟𝑐𝑒𝑝çã𝑜
𝑒𝑥𝑝𝑒𝑐𝑡𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎
 
Embora possa parecer algo um tanto quanto superficial, é esse valor atribuído 
pelo cliente que proporciona o sucesso ou insucesso às empresas, e o analista de 
processos deve estar atento a esse detalhe. 
5.1 Cadeia de valor (Porter) 
Já entendemos o que é valor na perspectiva do cliente e agora vamos 
compreender o que é a cadeia de valor. Conforme Pansonato (2021, p. 33), a cadeia 
de valor implica em enxergar o todo. Ainda segundo o autor, a cadeia de valor mostra 
que ocorrem três tipos de atividades ao longo de sua extensão, ou seja, as atividades 
que certamente criam valor, as atividades que não criam valor, mas que são 
necessárias, e as atividades que não criam valor e que não são necessárias, 
devendo, portanto, ser imediatamente eliminadas. 
 
 
18 
A cadeia de valor é a forma de análise que permite a uma empresa organizar 
seus processos e identificar como pode gerar valor ao cliente. Por meio dessa 
análise, é possível avaliar as atividades de negócios primárias e secundárias. 
 
 
 
Crédito: tynyuk/Shutterstock. 
É a partir dessa reflexão que chegamos à “Cadeia de Valor de Porter” (1989, 
p. 35), que sintetiza as atividades de negócios primárias e secundárias em uma 
empresa. Para o autor, as atividades que geram valor em uma empresa estão 
divididas entre atividades primárias (principais) e secundárias (de apoio), conforme 
figura a seguir. 
 
 
19 
Figura 11 – Esquema da cadeia de valor de Porter 
 
Fonte: Pansonato, 2022, baseado em Porter, 1989. 
Das nove atividades elencadas por Porter, deve-se alcançar a margem obtida 
no negócio por meio da diferença entre o valor obtido e o custo para geração desse 
valor. 
Valor Criado – Custo para Criar esse Valor = Margem de Lucro 
Portanto, as empresas devem avaliar a geração de valor e custos para cada 
atividade e buscar alternativas para melhorá-las. 
5.2 Lead Time e agregação de valor 
Para um analista de processos, é de suma importância o entendimento dos 
temas a respeito de valor, cadeia de valor e valor agregado e a relação com o lead 
time. Conforme Pansonato (2021, p. 26), lead time refere-se ao tempo do pedido de 
um cliente e o tempo em que ele efetivamente recebe esse pedido, podendo ser um 
produto ou um serviço. De uma forma mais concisa, seria o tempo de agregação de 
valor (atendimento, por exemplo) mais o tempo de não agregação de valor (uma fila, 
por exemplo). 
Um caso específico que explica esse fenômeno é quando se vai a um banco 
e espera-se 40 minutos na fila, e o atendimento, que realmente agrega valor, é 
realizado em 5 minutos. Provavelmente, há algo errado nesse processo. Segue na 
figura a seguir uma ilustração para melhor entendimento. 
 
 
20 
Figura 12 – Lead time e valor agregado 
 
Fonte: Pansonato, 2021, p. 32. 
No exemplo anterior, o lead time é de 45 minutos, e o tempo que efetivamente 
agregou valor ao cliente, 5 minutos, o que corresponde a 11,1% do tempo gasto 
nesse processo e ao que realmente agregou valor ao cliente. Pouquíssima 
porcentagem de valor agregado, porém o que causa perplexidade é que boa parte 
dos processos possuem características similares. E é justamente aí que entra em 
cena o analista de processos para mudar essa condição. 
Saiba mais 
Quer saber um pouco mais sobre cadeia de valor? Busque o livro 
Mapeamento de Processos de Gestão Empresarial, de Murís Lage Junior (p. 28). 
TROCANDO IDEIAS 
A quantidade de notações e aplicativos para mapeamento/modelagem de 
processos é considerável e, conforme já mencionado, muitas vezes, deve-se adaptar 
a notação para as características do processo analisado. A seguir, alguns dos 
aplicativos mais utilizados. 
• Bizagi 
• BPMN.io 
• Draw.io 
• Lovely Charts 
• Lucidchart 
• Microsoft Visio 
Se não conseguir acessar algum desses aplicativos, o pacote Office da 
Microsoft, mesmo com limitações, tem a opção fluxograma no Excel, no Word e no 
PowerPoint. 
 
 
21 
NA PRÁTICA 
Que tal colocarmos literalmente as “mãos na massa”? A seguir, uma breve 
descrição de um processo. A partir dessa descrição, elabore um fluxograma 
funcional (aquele de raias) e faça uma breve análise. Após a análise, identifique 
alguma possibilidade de melhoria (acredito que esteja fácil de encontrar) e modele o 
processo com o fluxograma modificado. Fique à vontade para utilizar o aplicativo 
acessível ou que considerar melhor. 
• O cliente inicia o processo com a requisição do pedido 
• O departamento deimpressão coleta a informação a ser processada (dados 
no computador) e efetua a impressão 
• O departamento de fechamento encaderna o material 
• O departamento de qualidade verifica a gramática 
• Se estiver correto, segue para o departamento de envio que processa o 
preenchimento do pedido e envia ao cliente 
• Se não estiver correto, retorna ao processo de impressão 
Informações adicionais: 
• Trata-se de uma empresa que executa impressões de publicações a partir de 
pedidos dos clientes 
• Fique atento às condições de decisão (palavra “se”) 
• De preferência, mantenha as raias no sentido horizontal 
• A solução para essa atividade está na videoaula 3 
• Bons estudos 
FINALIZANDO 
Ao fim desta etapa, você é capaz de diferenciar diagrama, mapa e modelo de 
processos. Fizemos um tour pelas principais notações para mapeamento de 
processos. Você está apto a elaborar fluxogramas simples e funcional. Uma notação 
bastante utilizada pelos analistas de processos, o BPMN foi apresentado juntamente 
com a linguagem IDEF. Agora você já conhece o VSM (Value Stream Mapping) e o 
SIPOC e suas respectivas características e utilizações. Por fim, apresentamos 
tópicos importantes dentro do tema Cadeia de Valor: o conceito de valor, a cadeia 
 
 
22 
de valor de Porter e a relação entre lead time e agregação de valor. Desse jeito, em 
breve, você será um analista de processos! 
Até a próxima! 
 
 
 
23 
REFERÊNCIAS 
BPM CBOK Versão 3.0. Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócios, 
Corpo Comum de Conhecimento, ABPMP BMP CBOK V3.0. 1. ed. 2013. 
BPM CBOK Versão 2.0. Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócios, 
Corpo Comum de Conhecimento, ABPMP BMP CBOK V2.0. 1. ed. 2009. 
PAVANI JUNIOR, O.; SCUCUGLIA, R. Mapeamento e Gestão por Processos: 
BPM. São Paulo: M. Books, 2011. 
PANSONATO, R. C. Lean Manufacturing. Curitiba: Editora Contentus, 2020. 
PORTER, M. P. Vantagem Competitiva: Criando e Sustentando um Desempenho 
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