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Tabela 12.2 Inseticidas agrupados pelo modo de ação, para o controle de lagartas, considerando-se o modo de ação e a seletividade para inimigos naturais. Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Modo de ação Grupo do inseticida Seletividade A. gemmatalis C includens Helicoverpa sp. e H. Manejo de pragas armigera Infecção do intestino Biológico Baculovirus Altamente AgMNPV HzSNPV médio e outros tecidos seletivos Intoxicação incialmente Biológico Bactéria Altamente Bacillus Bacillus localizada no intestino Bacillus thuringiensis seletivos thuringiensis thuringiensis médio e septicemia Benzoilureias Medianamente Clorfluazurom, seletivos diflubenzuron, Inibidores da formação flufenoxurom, diflubenzurom de quitina lufenurom, novaluron, triflumurom Diacilhidrazinas Agonistas de receptores Medianamente Metoxifenozida, de ecdisteroides seletivos tebufenozida, cromafenozida Moduladores dos Diamidas Seletivo Clorantraniliprole, Clorantraniliprole Clorantraniliprole receptores da rianodina flubendiamida flubendiamida Continua 277278 Tabela 12.2 Cont. Helicoverpa sp. e H. Modo de ação Grupo do inseticida Seletividade A. gemmatalis C. includens armigera Ativadores alostericos Spinosinas Baixa seletividade Espinosade dos receptores nicotínicos da acetilcolina Piretroides e piretrinas Não seletivos Cipermetrina, beta- Beta-cipermetrina, cipermetrina, cipermetrina, permetrina, bifentrina, beta- beta- ciflutrina, ciflutrina, deltametrina, alfa- Moduladores do canais fenpropatrina, cipermetrina, de sódio deltametrina, permetrina lambda-cialotrina, alfa-cipermetrina, gama-cialotrina, zeta-cipermetrina, esfenvalerato Inibidores de e Não seletivos Metomil, acefato, acetilcolinesterase Acefato, metomil, organofosforados clorpirifós, profenofós, parationa-metilica, fenitrotiona malationa, fenitrotiona, carbosulfano Ministério de Agricultura, Pecuária Yano, Husch e Sosa-Gómez279 Manejo de pragas Inseticidas e suas doses devem ser avaliados em rede para verificar a distribuição regional da eficiência dos produtos. Ao estudar o controle com agentes biológicos, devem-se seguir premissas pragmáticas de eficácia e relações custo beneficio, envolvendo custos de suas criações massais, constância na eficiência de controle e definições acuradas das densidades de liberação efetivas. Entre as principais dificuldades para controle de pragas de solo na cultura da soja encontram-se a aplicação das técnicas de amostragem, que requerem a escavação de peneiramento do solo e identificação dos insetos. Comparativamente, a utilização do pano de amostragem para a coleta e quantificação de lagartas e muito simples e rápida; entretanto, pouco utilizada. Portanto, é esperado que a amostragem de insetos do solo não seja utilizada. Apesar de o MIP ser um programa com vantagens econômicas e ambientais, sua adoção ainda é reduzida. Frequentemente, há demanda por conhecer somente qual é 0 agrotóxico que controla, sem levar em consideração os aspectos relacionados à bioecologia das pragas e as consequências a longo prazo. As escolhas dos agricultores podem ser limitadas, um exemplo atual é a visão empresarial dentro de algumas cooperativas, que visam lucro imediato, e não a sustentabilidade, como a venda de pacotes antecipados a safra agrícola com descontos, deixando 0 agricultor sem escolha. Portanto, a compra é realizada sem saber quais serão os problemas com pragas na safra vindoura. No mercado agrícola, há grande diversidade de inseticidas disponíveis para controle de pragas da soja; porém, muitos deles são produtos antigos e de baixa eficiência e segurança, ficando o agricultor à pressão comercial exercida pelo mercado, que nem sempre atende às reais necessidades técnicas do manejo de pragas. Um exemplo é o controle de percevejos na cultura da soja, com inseticidas. muitas vezes ineficazes, em decorrência de problemas de resistência e densidades elevadas. Os agricultores, de maneira geral. não têm acesso à informação adequada e, em consequência, acreditam pouco nas vantagens do MIP. No início da implantação do MIP-Soja, esse programa fazia parte da rotina de manejo de pragas de boa parte dos agricultores. Hoje, essa situação se modificou, e, embora não existam280 Yano, Husch e dados oficiais, levantamentos realizados pelas agências de extensão indicam que o uso em excesso de inseticidas aumentou. A solução para reerguer MIP é o incentivo de programas governamentais como projetos de apoio às agências de extensão rural, que façam o elo entre agricultores e pesquisa. Para atender à escala atual da produção de soja, corpo técnico e a infraestrutura das instituições de extensão rural oficial como EMATER, sindicatos rurais, associações de agrônomos e programas de extensão nas universidades precisam ser ampliados. Referências ALMEIDA, VALICENTE, F.H. Plantas geneticamente modificadas no manejo integrado de pragas. In: G.D. Plantas geneticamente modificadas: desafios e oportunidades para regiões tropicais. Visconde do Rio MG: 2011. p. AGUSTI, N.: DE R. 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Na safra 2012/2013, a produção nacional atingiu patamar recorde de 81.456,7 milhões de toneladas de grãos (CONAB, 2013), tornando cada vez mais realista a projeção de que o Brasil se tornará o maior produtor mundial dessa leguminosa nos próximos anos (SEDIYAMA et al., 2009). aumento da produção de soja está relacionado com a redução de fatores limitantes, por exemplo a ocorrência de doenças. Estima-se que 15 a 20% das perdas ocorridas na cultura sejam devido ao ataque de fitopatógenos (ALMEIDA et al., 2005; HENNING et al., 2009; 2011). No Brasil, 46 doenças já foram relatadas na cultura, sendo trinta e três causadas por fungos, seis por quatro por virus e três por bactérias (EMBRAPA, 2011). No entanto, tais números tendem a aumentar, em virtude da expansão da soja para M.S., D.S. e Professores na Universidade Federal de Viçosa Campus Rio E-mail: everaldolopes@ufy.br M.S., Ph.D. e Professor na Universidade Federal de Viçosa. E-mail: tuneo@ufv.br289 Manejo de doenças áreas, da preferência pela monocultura em algumas regiões e do novas constante risco de introdução de patógenos quarentenários. Atualmente, as doenças mais comuns na cultura da soja são: ferrugem asiática, mofo-branco, doenças de final de ciclo (mancha-púrpura e mancha-parda), podridão de Phytophthora, mancha-alvo, antracnose, mela, cancro-da-haste, além das nematoses EMBRAPA, 2011: MATSUO et al., 2012). Algumas doenças ocorrem apenas em determinados estádios de desenvolvimento da cultura. por exemplo crestamento de Cercospora (ou mancha-púrpura) e a septoriose, consideradas doenças de final de ciclo. Por sua vez, outras enfermidades podem ocorrer durante praticamente todo o ciclo de cultivo, a exemplo da ferrugem asiática (Figura 13.1). Por isso, a caracterização dos estádios de desenvolvimento das plantas é importante para estabelecer plano de manejo adequado da lavoura. Detalhes sobre os estádios de desenvolvimento da soja podem ser encontrados no 2: Botânica e Fenologia. R3 R4 Vegetativo Reprodutivo Crestamento de e septoriose Antracnose Mancha alvo Mildio Modo branco Podridão de macrophominu Podridio de Figura 13.1- Algumas das principais doenças da cultura da soja nas últimas safras, na Região Centro-Sul de Mato Grosso do Sul, de acordo com as fases de desenvolvimento da planta de possibilidade de ocorrência.290 Lopes e Sediyama manejo integrado de doenças é um dos pilares da agricultura moderna. No entanto, para que este seja eficiente, os técnicos devem ter conhecimentos sobre etiologia e epidemiologia das principais doenças, as tecnologias disponíveis para controle, além de aspectos ambientais e sociais (HENNING, 2009; MAFFIA, 2009; BARROS, 2011; BERGAMIN AMORIM, EMBRAPA, 2011; REZENDE et al., 2011). Com base nessas premissas, pretende-se, neste capitulo, relatar sobre os aspectos mais relevantes das principais doenças da soja no Brasil. Principais doenças da cultura da soja Ferrugem asiática A primeira epidemia de ferrugem asiática da soja (FAS), causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, ocorreu no Brasil na safra 2001/2002, nos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul (DHINGRA et al., 2009). Nos anos seguintes, a doença foi disseminada para todos os Estados produtores do país, causando elevadas perdas aos sojicultores. Estima-se que os custos envolvendo controle da ferrugem asiática tenham ultrapassado US$ 16,00 bilhões até a safra 2010/2011 (LIMA et al., 2012). Os sintomas da doença podem ser observados em qualquer estádio de desenvolvimento da cultura, embora sejam mais frequentes a partir do florescimento. Inicialmente, são notadas pequenas lesões nas folhas mais velhas, de coloração esverdeada a na face abaxial do folíolo, com correspondente protuberância (urédia). À medida que prossegue a esporulação, o tecido do folíolo ao redor das primeiras urédias adquire coloração castanho-clara (lesão tipo TAN) a castanho-avermelhada (lesão tipo RB), formando lesões que são facilmente visíveis em ambas as faces do folíolo (Figura 132AB). Em plantas suscetíveis à FAS, as lesões são predominantemente do tipo enquanto lesões RB são comuns em plantas resistentes. Em casos mais severos, as plantas apresentam aspecto semelhante às lavouras dessecadas com herbicida (Figura abortamento de flores e de vagens e deficiência na granação (ALMEIDA et al., EMBRAPA, 2011).291 Manejo de doenças (A) (B) (C) Figura 13.2 Sintomas da ferrugem asiática em soja. A: Lesão tipo B: Lesão tipo RB; e C: Plantas altamente infectadas com Phakopsora pachyrhizi, com aspecto semelhante à planta submetida à aplicação de herbicida dessecante. Matsuo. Para facilitar a visualização das lesões, deve-se observar uma folha suspeita pela face adaxial contra um fundo claro, por exemplo céu. Uma vez localizado ponto escuro suspeito no limbo foliar, notar a presença de urédias na face abaxial do foliolo com uma lupa de 10X a 30X de aumento ou sob microscópio estereoscópico (EMBRAPA, 2011). As condições que favorecem a doença são temperaturas entre 15 e 22 °C, umidade relativa de 75 a 80% e 6-12 h de molhamento foliar. A dispersão do patógeno ocorre principalmente por meio de correntes de ventos, e sua sobrevivência depende essencialmente do parasitismo em plantas de soja, voluntárias ou cultivadas (DHINGRA et al., 2009). A aplicação de fungicidas tem sido um dos métodos mais utilizados no controle da doença, principalmente incluindo produtos dos grupos dos triazóis, estrobirulinas e benzimidazóis. No entanto, o uso indiscriminado de fungicidas, associado à monocultura, pode reduzir a eficiência do controle, causar impactos ambientais e ainda exercer pressão de seleção sobre patógeno (GODOY; CANTERI, 2004; YORINORI et al., 2004). Por isso, tem-se recomendado a utilização de várias estratégias para limitar o desenvolvimento da doença (DHINGRA et al., HENNING et al., 2009). Cultivares resistentes estão disponíveis para os produtores; no entanto,292 Lopes Sediyama recomenda-se a aplicação de fungicida pelo menos uma vez durante o ciclo, com objetivo de evitar que a resistência seja suplantada, em razão da elevada variabilidade genética do patógeno (ZAMBOLIM, 2006; HENNING et al., 2009). Além disso, deve-se realizar semeadura no início da época utilizando preferencialmente cultivares eliminar plantas voluntárias (guaxas ou e respeitar o vazio sanitário (HENNING et al., 2009: EMBRAPA, 2011). Oídio causado pelo fungo Erysiphe diffusa, foi responsável por perdas estimadas entre 30 e 40% em todo o Brasil na safra 1996/1997 (DHINGRA et al., 2011). fungo é capaz de se desenvolver em toda a parte aérea da por isso, é observar sintomas nas hastes, peciolos, folhas e vagens. Plantas atacadas são cobertas por uma camada pulverulenta branca de micélio e conidios, que são mais facilmente notadas em ambas as faces dos reduzindo a eficiência fotossintética da soja (Figura 13.3). Em condições severas, sintomas de crestamento similares aos ocasionados por Cercospora kikuchii (ALMEIDA et al., 2005), e desfolha prematura podem ser observados no campo (DHINGRA et al., 2009). Figura 13.3 de soja altamente infectado com Erysiphe diffusa. Foto: MatsuoManejo de doenças 293 é favorecido por temperaturas em torno de 20 umidade relativa de 50 a 90%. A dispersão dos esporos do fungo ocorre pela ação de ventos, e a sobrevivência do patógeno acontece em plantas de soja (DHINGRA et al., 2009). método mais eficiente de controle do oídio é uso de cultivares resistentes. Aliado a isso, 0 agricultor deve evitar semeadura tardia e aplicar fungicidas quando a severidade atingir 40 a 50% da árca foliar das plantas (DHINGRA et al., 2009; EMBRAPA, 2011). Mofo-branco OU podridão-branca da haste O mofo-branco ou podridão-branca da haste, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, é uma das doenças mais antigas da soja e ocorre em diversas regiões produtoras do Brasil (DHINGRA et al., 2009; EMBRAPA, 2011). Vários fatores favoreceram a disseminação e aumento da doença no país, principalmente no Cerrado, por exemplo: a) Uso de sementes contaminadas com escleródios do fungo (Figura 13.4A); b) Intensificação da semeadura direta sem rotação de culturas; c) Introdução de culturas altamente em áreas infestadas, a exemplo do nabo forrageiro, crotalária, girassol, algodão e feijão; e d) Cultivo de soja irrigada por aspersão (DHINGRA et al., 2009; SIQUERI et al., 2011). fungo infecta a planta em qualquer estádio de No entanto, o período mais vulnerável compreende o estádio da floração plena até o da formação das vagens (Figura 13.1) (DHINGRA et al., 2009; EMBRAPA, 2011). Os sintomas iniciam-se a partir das inflorescências e das axilas das folhas e dos ramos laterais, com o aparecimento de manchas encharcadas Em seguida, tais manchas adquirem coloração castanho- clara, resultando no aparecimento de micélio branco e denso (Figura 13.4BC) (SIQUERI et al., 2011). Em poucos dias, o micélio transforma-se em escleródios, estruturas negras e rígidas capazes de aumentar a sobrevivência do fungo sob condições desfavoráveis. As folhas, sintomas iniciais com coloração para marrom (DHINGRA et al., 2009).294 Lopes e Sediyama (A) (B) (C) Figura 13.4 Mofo-branco em soja. A: Sementes contaminadas com escleródios de Sclerotium e C: Micélio branco e denso do fungo sobre as hastes. A. A Henning (A) (Henning et al., J. T. Yorinori (B) (Siqueri et al., 2011) e E.Matsuo fungo é favorecido por alta umidade relativa e temperaturas entre 10 e 21 °C. A dispersão ocorre por meio de sementes contaminadas (longa distância) e ascósporos ejetados a partir de apotécios formados nos escleródios (curta A sobrevivência de S. sclerotiorum acontece principalmente na forma de escleródios no solo e em restos de cultura (DHINGRA et al., Para evitar a introdução do fungo na área, recomenda-se utilizar sementes livres do patógeno e tratá-las com fungicidas (tiabendazol, carbendazin ou tiofanato além de promover a limpeza de equipamentos provenientes de áreas infestadas com o patógeno (DHINGRA et al., 2009; HENNING et al., 2009; 2011: SIQUERI et al., 2011). Em áreas onde a doença já ocorre, o agricultor deve eliminar restos culturais infectados; fazer a rotação/sucessão de soja com espécies resistentes/não hospedeiras do fungo (milho, aveia-branca ou trigo, por aumentar o espaçamento entre linhas (reduzindo a população ao recomendado) e adequar a irrigação, de modo a diminuir a condição de umidade favorável ao fungo (HENNING et al., 2009; SIQUERI et al., 2011). Podridão-de-carvão A podridão-de-carvão ou podridão-negra-da-raiz é causada pelo Macrophomina phaseolina. A doença ocorre principalmente durante o verão e sob condições de estresse hídrico das295 de doenças (veranicos), podendo resultar em perdas maiores que 70% plantas quando a infecção acontecer nos estádios iniciais de desenvolvimento cultura (DHINGRA et al., 2009; EMBRAPA, 2011). Solos compactados da ou rasos, que dificultam a penetração das são mais conducivos à doença. fungo é habitante de solo e pode infectar a soja em todos os estádios. Radículas infectadas apresentam tecidos com escurecimento. Lesões no colo da planta são de coloração marrom-avermelhada e superficial; ao contrário daquelas profundas provocadas por Rhizoctonia solani. Após o florescimento, as plantas infectadas apresentam raizes de cor cinza (Figura 13.5), cuja epiderme é facilmente destacada, revelando a presença de inúmeros microescleródios negros, dando aspecto de carvão às (ALMEIDA et al., 2010). 0 aparecimento dos sintomas (murcha das plantas e, ou, escurecimento do lenho da raiz) é mais comum após estádio inicial de formação dos grãos (R5.1) (SIQUERI et al., 2011). manejo integrado da doença envolve preparo adequado do solo (eliminação de camadas compactadas e correção da acidez no perfil de 25 a 30 cm de profundidade), realizar adubação equilibrada de fósforo e potássio, que auxiliam no desenvolvimento e na resistência das plantas e manutenção da cobertura vegetal do solo (EMBRAPA, 2011; SIQUERI et al., 2011). Figura 13.5 Podridão de carvão em de soja. Foto: Paulo Afonso Ferreira Podridão radicular de Phytophthora foi constatada pela primeira vez no Brasil na radicular de Phytophthora, causada por296 Matsuo, Lopes e Sediyama safra em Passo Fundo (RS). É uma das doenças mais destrutivas da soja, podendo causar reduções de rendimento de grãos de até 100% em genótipos altamente suscetíveis (ALMEIDA et al., EMBRAPA, 2011). patógeno pode infectar a planta em qualquer fase de desenvolvimento (EMBRAPA, 2011). No entanto, plantas jovens são mais sensíveis e morrem rapidamente (DHINGRA et al., 2009; ALMEIDA et al., 2010). Os sintomas iniciais da doença podem envolver apodrecimento de sementes ou flacidez na e, em seguida, nos cotilédones. Os tecidos afetados adquirem coloração amarronzada (Figura 13.6A). No campo, reboleiras de plantas infectadas podem ser observadas em locais onde há acúmulo de umidade no solo (Figura 13.6B). Fungos saprófitas, principalmente do gênero podem recobrir a haste apodrecida por P. sojae (Figura 13.6C), o que pode dificultar a identificação do agente causal primário da doença (COSTAMILAN et al., 2010). A raiz principal adquire coloração marrom-escura, enquanto as laterais ficam quase que completamente destruidas (DHINGRA et al., 2009). (A) (B) (C) Figura 13.6 Podridão radicular causada por sojae. A: Plântulas de soja com haste e cotilédones apodrecidos; B: Reboleira de plantas mortas em local com excesso de umidade no solo, devido ao acúmulo de restos culturais; e C: Sintomas da doença na haste de plantas de soja, com tecido escurecido recoberto por micélio de fungos saprófitas. Fotos: R.M. Soares (A e B) (Costamilan al., 2010) e Costamilan (C) (Costamilan et al., A doença é favorecida por condições de umidade excessiva no solo. Assim, solos argilosos e compactados são mais conducivos à297 Manejo de doenças podridão de Phytophihora (EMBRAPA, 2011). Dessa forma, preparo adequado do solo é uma das alternativas para reduzir a possibilidade de ocorrência da doença, aliado ao uso de cultivares resistentes (DHINGRA et al., 2009; COSTAMILAN et al., 2010; EMBRAPA, 2011). Mancha-alvo A mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora é uma doença que ocorre em todas as regiões sojicultoras do país (ALMEIDA et al., 2005; DHINGRA et al., 2009). Os sintomas podem ser observados em toda a parte aérea da soja, independentemente do estádio de desenvolvimento (SIQUERI et al., 2011). As lesões iniciam-se por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para grandes manchas circulares, de coloração castanho-clara a castanho-escura. As manchas usualmente apresentam pontuações escuras no centro, semelhante a um alvo (Figura 13.7A) (HENNING et al., 2009), advindo daí o nome comum da doença (ALMEIDA et al., 2005). Nos e hastes, as áreas afetadas apresentam pontuações de coloração marrom-escura. As manchas nas vagens geralmente são com 1 mm de diâmetro, centro preto-arroxeado e borda marrom (Figura 13.7B). (A) (B) Figura Sintomas da mancha-alvo, causada por Coynespora no folíolo (A) e nas vagens (B). Fotos: Yorinori e Siqueri et al., 2011.298 Lopes As principais medidas integradas de controle da doença envolvem o uso de sementes sadias, cultivares rotação/sucessão de culturas com milho e espécies de gramineas e aplicações de fungicidas entre os estádios R4 e R5.2 (ALMEIDA et al., DHINGRA et al., SIQUERI et al., 2011). Mela A mela ou requeima, causada por Thanathephorus cucumeris, ocorre principalmente nos Estados do Mato Grosso, Maranhão, Tocantins e Roraima, reduzindo a produtividade da cultura entre 30 e 60% (EMBRAPA, 2011). Temperaturas entre 25 e 30 e longos de umidade favorecem a doença (DHINGRA et al., 2009). 0 fungo ataca toda a parte aérea da planta, principalmente as folhas dos terços inferiores e médios. Os sintomas iniciais são caracterizados por lesões encharcadas, de coloração pardo- avermelhada a que evoluem rapidamente para marrom-escuro a preto. Em plantas doentes é comum observar folhas aderidas entre si e à haste, unidas pelo micélio do fungo. Nos tecidos mortos, ocorre abundante formação de microescleródios beges a castanhos-escuros nas porções da planta cobertas pelo micélio. Além da a doença pode causar abortamento de flores e de vagens (ALMEIDA et al., HENNING et al., 2009; SIQUERI et al., 2011). Os métodos integrados de controle da doença englobam a manutenção de cobertura morta no solo, nutrição equilibrada (especialmente Zn, Cu e Mn), utilização de sementes com boa qualidade sanitária e fisiológica, rotação e sucessão com culturas não hospedeiras, evitar adensamento de plantas e realizar a aplicação de fungicidas (mistura comercial de estrobirulina e triazol) antes que a doença atinja 10% de severidade (ALMEIDA et al., 2005; DHINGRA et al., 2009; HENNING et al., 2009; SIQUERI et al., 2011).Manejo de doenças 299 Cancro-da-haste cancro-da-haste, causado pelo fungo Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis, foi uma das principais doenças da soja no Brasil, desde primeiro relato de sua ocorrência no final da década de 1980 (DHINGRA et al., 2009). Atualmente, a maioria dos cultivares possui resistência ao patógeno (EMBRAPA, 2011). Os sintomas iniciais da doença surgem na haste. São diminutas pontuações negras que evoluem para manchas alongadas a elípticas de coloração Por fim, as lesões aumentam de tamanho e adquirem coloração castanho-clara, com bordas castanho-avermelhadas (ALMEIDA et al., 2005). As lesões são profundas e a coloração da medula necrosada varia de castanho- avermelhada, em plantas ainda verdes, a castanho-clara a arroxeada, em plantas secas. Infecções severas causam quebra da haste e acamamento. Folhas amareladas e com necrose internerval (folhas também são observadas em plantas em fase adiantada de infecção, embora tal sintoma possa ocorrer ainda em plantas acometidas por podridões radiculares e da haste, além de meloidoginoses (ALMEIDA et al., 2005; HENNING et al., 2009). O uso de cultivares resistentes é método mais recomendado. Além disso, o tratamento de sementes, rotação de culturas com espécies não hospedeiras, semeadura com maior espaçamento, manejo dos restos culturais e adubação e calagem equilibrada também podem ser utilizados (DHINGRA et al., 2009; HENNING et al. 2009). Nematoide de cisto nematoide de cisto da soja (NCS), Heterodera glycines, é um dos principais patógenos da cultura, podendo ocasionar perdas de 15 a 100% (DHINGRA et al., 2009; EMBRAPA, 2011). A área infestada com nematoide aumentou rapidamente logo após os primeiros relatos do patógeno no Brasil (LIMA et al., 1992, LORDELLO et al., 1992, MONTEIRO: MORAIS, 1992) e já superou 2,0 milhões de hectares, distribuídos em 10 estados: MS, GO, SP, PR, RS, BA, TO e MA (EMBRAPA, 2011).300 Matsuo, Lopes e Sediyama O nome comum da doença causada por H. glycines é da em decorrência dos sintomas reflexos induzidos pela interação do patógeno com a planta. Nesse caso, sistema radicular da soja é reduzido e torna-se menos eficiente em absorver água e nutrientes, assim como a formação de nódulos de Bradyrhizobium japonicum é prejudicada. Com isso, ocorre evidente redução do crescimento e da produção de plantas doentes e acentuada clorose foliar. No sistema radicular das plantas, é possível notar a presença de fêmeas limoniformes e de coloração branca a amarelada (Figura 13.8A) a partir de 35 dias após a semeadura. No a correta diagnose requer análise de amostras de solo e. ou, raiz em laboratório de nematologia (HENNING et al., 2009; DIAS et al., 2010). Após a fertilização, a fêmea produz os ovos e os retém no interior do próprio corpo. Em seguida, ela morre, e o seu corpo adquire coloração amarronzada (Figura 13.8B) e se desprende das permanecendo viável no solo por até oito anos na ausência da planta hospedeira. Tal estrutura de resistência do nematoide é denominada (DHINGRA et al. 2009; DIAS et al. 2009: EMBRAPA 2011). (A) (B) Figura 13.8 Sistema radicular de soja com fêmeas limoniformes de Heterodera glycines (A) e cistos do nematoide (B) observados em microscópio. Fotos: Éder Matsuo.301 Manejo de doenças Medidas de exclusão, ou seja, aquelas que evitam a entrada do patógeno na área são extremamente importantes para que não ocorram com fitonematoides, sendo válidas para todas as espécies discutidas neste capítulo. No caso do NCS, além de realizar a limpeza de máquinas e demais implementos, 0 agricultor deve utilizar sementes isentas do patógeno. Em áreas já infestadas, a melhor opção é a combinação de rotação de culturas com espécies não hospedeiras (milho, algodão, trigo, arroz, dentre outras) e a utilização de cultivares resistentes (HENNING et al., 2009). No Brasil, atualmente estão disponíveis mais de 60 cultivares de soja com resistência a diferentes raças de H. glycines. A maioria dos genótipos é resistente apenas às raças 1 e 3, as mais prevalentes nas regiões sojicultoras brasileiras (EMBRAPA, 2011). No entanto, outras nove raças do NCS já foram detectadas no país 4, 4+, 5, 14 e 14+) (DIAS et al., 2009). Em razão dessa elevada diversidade genética, agricultor deve alternar as fontes de resistência e incluir rotações com uma cultura não hospedeira, para que não ocorra pressão de seleção entre raças do patógeno (FERRAZ et al., 2010). Nematoide das galhas Dentre as várias espécies do nematoide das galhas que atacam a cultura da soja, Meloidogyne javanica e M. incognita são as de maior importância (DHINGRA et al. 2009: EMBRAPA 2011). sintoma do ataque de Meloidogyne spp. em soja é o desenvolvimento de galhas no sistema radicular (Figura 13.9), em número e tamanho variados. Plantas doentes também apresentam sintomas reflexos na parte aérea, por exemplo clorose foliar ou necrose internerval (folhas carijó), abortamento de vagens, redução do crescimento e senescência prematura (HENNING et al. 2009; DIAS et al., 2010). Amostras de solo infestado e de raízes apresentando galhas devem ser coletadas e enviadas para um laboratório de nematologia, para que seja identificada a espécie predominante na área. A partir dessa é possível definir a melhor estratégia integrada de manejo. A rotação de culturas e a utilização de genótipos resistentes estão entre as medidas mais eficientes (DIAS et al. 2007), além, é302 Matsuo, Lopes e Sediyama claro, das medidas de exclusão. No entanto, a escolha do cultivar resistente e da cultura a ser incluída na rotação vai depender da espécie hospedeira. Considerando a rotação de culturas, caso M. javanica seja a espécie a ser manejada, agricultor poderia utilizar algodão, braquiária e crotalária. Por sua vez, se M. incognita estiver presente na área, amendoim, braquiária, crotalária e mucuna-preta seriam algumas opções (FERRAZ et al., 2010). Figura 13.9 Sistema radicular de soja com galhas, devido ao ataque de Meloidogyne sp. Foto: Matsuo. Nematoide das lesões radiculares nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus brachyurus, é um dos principais patógenos do atual cenário da sojicultora brasileira. No Estado do Mato Grosso, por exemplo, o nematoide está amplamente disseminado em áreas produtoras de soja (96% das áreas amostradas) e, nos últimos anos, têm causado danos elevados e crescentes à cultura (RIBEIRO et al., 2010). sistema radicular de plantas atacadas pelo nematoide é menos desenvolvido e é caracterizado por lesões escuras (HENNING et al., 2010). Esse sintoma é reflexo do hábito de parasitismo do nematoide - endoparasito migrador. Os nematoides de cisto e os303 Manejo de doenças nematoides das galhas penetram nas raizes e estabelecem de alimentação (sincícios ou células-gigantes, em seguida. Por sua P. brachyurus de alimentação no interior migrando constantemente em busca de novas células para das Em razão disso, segundo Dias et al. (2007), as células são parasitar. destruidas e o tecido fica desorganizado, favorecendo a colonização de fungos e bactérias, culminando no surgimento de lesões necróticas no sistema radicular. As principais medidas de manejo de P. brachyurus envolvem rotação com culturas não hospedeiras (milheto, crotalária e aveia- preta. a por exemplo), revolvimento do solo e o uso de cultivares resistentes (FERRAZ et al., 2010). Nematoide reniforme nematoide reniforme, Rotylenchulus reniformis, vem se cada vez mais importante para a sojicultura, principalmente em Mato Grosso do onde altas densidades populacionais do patógeno são observadas em 29% da área cultivada com a leguminosa (EMBRAPA, 2011). Em áreas infestadas, o crescimento das plantas è reduzido, resultando evidente desuniformidade da lavoura, podendo confundir com problemas de deficiência nutricional ou de compactação do solo. 0 sistema radicular das plantas sofre redução no desenvolvimento às em alguns pontos das raizes, nota-se fina camada de terra aderida R. Nesse caso, o solo fica aderido às massas de ovos de reniformis, produzidas externamente à raiz (RIBEIRO et al., 2010; 2011). A rotação com culturas não hospedeiras (sorgo, milho, cana, milheto, crotalárias, dentre outras) e a utilização de cultivares resistentes estão entre as principais medidas de manejo do nematoide reniforme (FERRAZ et al., 2010).304 Lopes e Doenças de final de ciclo (mancha-púrpura e mancha-parda) A e mancha-parda, causadas pelos fungos Cercospora kikuchii e Septoria respectivamente, podem ocorrer simultaneamente no final do ciclo da soja (EMBRAPA, 2011). A mancha-púrpura pode ser observada em todas as partes da planta. Nas os sintomas aparecem a partir do periodo de enchimento de grãos e são caracterizados por pontuações escuras, as quais coalescem e formam grandes manchas escuras, culminando com severo crestamento e desfolha prematura (Figura 13.10A). Nas vagens, fungo atinge a semente, que adquire coloração púrpura em partes ou em todo o tegumento (Figura 13.10B). Nas hastes, o fungo causa manchas vermelhas superficiais (ALMEIDA et al., 2005). Os primeiros sintomas de mancha-parda surgem cerca de duas semanas após a emergência, no caso de uso de sementes infectadas por S. glycines. Nessa situação, pequenas pontuações ou manchas de contornos angulares e castanho-avermelhadas são observadas nas folhas unifolioladas (Figura 13.10C). Em plantas no estádio reprodutivo, notam-se pontuações pardas, com menos de I mm de diâmetro, as quais evoluem e formam manchas com halos amarelados e centros de contornos angulares, de coloração parda na parte adaxial da folha e rosada na parta abaxial (Figura 13.10D). Desfolha e maturação prematura podem ocorrer em situações de infecções severas (ALMEIDA et al., 2005). As práticas de manejo das doenças de final de ciclo incluem o uso de sementes sadias e tratadas com fungicidas, nutricional da cultura, eliminação de restos de cultura, aplicação de fungicidas entre os estádios R5.1 e R5.5 quando as condições climáticas forem favoráveis para as doenças (chuvas frequentes e temperaturas entre 22 e 30 °C) e rotação com culturas não hospedeiras (EMBRAPA, 2011).305 Manejo de doenças (A) (B) (C) (D) Figura 13.10 Doenças de final de ciclo em soja. Sintomas da causada por Cercospora na folha unifoliolada (A) e nas sementes (B). Folhas unifolioladas (C) e trifolioladas (D) com sintomas da mancha-parda, incitada por Septoria glycines. Fotos: J.T. Yorinori Ce D) (Siqueri et al., 2011) e Godoy (B) (Henning et 2010). Resumo das principais doenças e seu controle A seguir é apresentado o resumo das principais doenças e o seu Descrições mais detalhadas e complementares podem ser encontradas ao longo do texto. Principais doenças Manejo/Controle Ferrugem asiática (Phakopsora Usar fungicidas, de cultivares Os sintomas podem ser tolerantes/resistentes precoces, semeadura observados em qualquer estádio de em época recomendada e ações relacionadas à desenvolvimento da cultura, embora sejam eliminação de plantas voluntárias e respeito mais frequentes a partir do ao vazio sanitário (GODOY; Plantas apresentam lesões do 2004; YORINORI et tipo TAN (castanho-clara), e as resistentes 2006; DHINGRA et al., 2009; HENNING et exibem lesões do tipo RB (castanho- (ALMEIDA et al., 2005; al., 2009; EMBRAPA, 2011). Oidio em (Erysiphe diffusa). Desenvolve-se Usar cultivares resistentes, aplicar fungicidas branca cobertas por uma camada pulverulenta toda a parte Plantas atacadas são (dependendo da severidade) e evitar semeadura tardia (DHINGRA et al., 2009; et de micélio e (ALMEIDA EMBRAPA. 2011). DHINGRA et al., 2009),306 Matsuo, Lopes e Sediyama Mofo-branco (Sclerotinia Em área livre do patógeno, usar sementes As plantas apresentam-se mais vulneráveis sadias e livres do patógeno, fungicidas e ao patógeno no período de floração plena realizar a limpeza de equipamentos até a formação das vagens (DHINGRA et (DHINGRA et al., 2009; HENNING et al., al., 2009; EMBRAPA, 2011). Os sintomas EMBRAPA, SIQUERI et iniciam-se com o aparecimento de manchas 2011). Em áreas onde a doença já ocorre, (anasarca) que resultam em eliminar restos culturais infectados, realizar micélio branco denso (SIQUERI et al., rotação/sucessão de culturas (com culturas 2011). Em poucos dias, micélio pode-se não hospedeiras), aumentar espaçamento transformar em escleródios (DHINGRA et entre linhas adequar irrigação (HENNING al., 2009). et al., 2009; SIQUERI et al., 2011). Podridão-de-carvão (Macrophomina Preparar adequadamente solo (eliminar phaseolina) Ocorre principalmente durante camadas compactadas e corrigir acidez), o verão e sob condições de veranicos fazer a manutenção da cobertura vegetal e (DHINGRA et al., 2009; EMBRAPA, usar cultivares tolerantes e adubação 2011). Plantas infectadas apresentam raizes equilibrada (fósforo e potássio) (EMBRAPA, de cor cinza, cuja epiderme é facilmente 2011; SIQUERI et al., 2011). destacada (ALMEIDA et al., 2010). Podridão-radicular (Phytophthora sojae). Preparar adequadadamente o solo e usar Pode infectar a planta em qualquer estádio cultivares resistentes (DHINGRA et al., 2009; de desenvolvimento, mas plantas jovens COSTAMILAN et 2010; EMBRAPA, são mais sensiveis (EMBRAPA, 2011). DHINGRA et al., 2009; ALMEIDA et al., 2010). Mancha-alvo (Corynespora Usar sementes sadias, cultivares Pode ser observada na planta em toda a resistentes/tolerantes, rotação/sucessão de parte independentemente do estádio culturas e utilizar fungicidas (ALMEIDA et de desenvolvimento (SIQUERI et al., al., 2005; DHINGRA et 2009; Siqueri et 2011). As manchas usualmente apresentam al., 2010; EMBRAPA, 2011). pontuações escuras no centro, semelhante a um alvo (HENNING et 2009). Mela (Thanathephorus cucumeris). 0 Fazer a manutenção da cobertura morta no fungo ataca, principalmente, as folhas dos solo, nutrição equilibrada, utilizar sementes terços inferiores e É comum de qualidade, rotação/sucessão de culturas observar folhas aderidas entre si e à haste, com culturas não hospedeiras, aplicar unidas pelo micélio do fungo (ALMEIDA fungicidas (observar severidade) e evitar et al., 2005; HENNING et 2009; adensamento de plantas (ALMEIDA et al., SIQUERI et al., 2011). 2005; DHINGRA et al., 2009; HENNING et 2009; SIQUERI et al., 2011). da haste (Diaporthe phaseolorum Usar cultivares resistentes, tratar sementes, f. sp. meridionalis). Lesões, nas hastes, de fazer rotação de culturas com espécies não coloração castanho-clara com bordas hospedeiras, semeadura com maior castanho-avermelhadas (ALMEIDA et espaçamento, manejo dos restos culturais e 2005) nas folhas, são observadas necrose adubação e realizar calagem equilibrada internerval (folhas (ALMEIDA et (DHINGRA et al., 2009; HENNING et al., 2005; HENNING et 2009). 2009). Nematoide de cisto (Heterodera Em áreas não realizar atividades Plantas com redução do crescimento, para evitar a entrada do Nas já necrose foliar, sistema radicular reduzido infestadas, fazer rotação de culturas com com presença de liminiformes de espécies não hospedeiras e usar cultivaresManejo de doenças 307 coloração branca a amarelada (HENNING resistentes (atenção com as raças presentes na et 2009: DIAS et al., 2010). área e a resistência do cultivar) (HENNING et al., 2009; DIAS et 2009; FERRAZ et 2010; 2011). Nematoide das galhas (Meloidogyne Em áreas não infestadas, realizar atividades javanica e M. incognita). Sintoma para evitar a entrada do patógeno. Naquelas já é desenvolvimento de infestadas, fazer rotação de culturas e utilizar galhas no sistema radicular (HENNING et genótipos resistentes (DIAS et al. al., DIAS et al., 2010). FERRAZ et al., 2010). Nematoide das lesões radiculares Realizar rotação com culturas não (Pratylenchus brachyurus). Plantas hospedeiras, revolver solo e usar cultivares infectadas apresentam sistema radicular resistentes (FERRAZ et al., 2010). menos desenvolvido e com lesões escuras (HENNING et al., 2010). Nematoide reniforme (Rotylenchulus Fazer rotação com culturas não hospedeiras e reniformis). Plantas infectadas apresentam utilizar cultivares resistentes (FERRAZ et redução no crescimento (parte aérea e 2010). sistema radicular) (RIBEIRO et 2010; 2011). Mancha-púrpura (Cercospora Usar sementes sadias, e utilizar fungicidas Ocorre no final do ciclo da soja nutrição equilibrada, eliminar restos de (EMBRAPA, 2011). Os principais culturas e fazer rotação com culturas não sintomas são folhas com pontuações hospedeiras (EMBRAPA, 2011). escuras (castanho-avermelhadas) e sementes com coloração púrpura (ALMEIDA et al., 2005). Mancha-parda (Septoria glycines). Ocorre Usar sementes sadias, fungicidas e nutrição no final do ciclo da soja (EMBRAPA, equilibrada, eliminar restos de culturas fazer 2011). Os principais sintomas são folhas rotação com culturas não hospedeiras com manchas (halos amarelos e centros de (EMBRAPA, 2011). coloração parda na parte adaxial da folha rosada na parta abaxial (ALMEIDA et al., Referências FERREIRA, L.P.; YORINORI, J.T.; SILVA, J.F.V.; A.A.; GODOY, COSTAMILAN, L.M.; MEYER, M.C. Doenças da In: KIMATI, H.; AMORIM. L.; REZENDE, BERGAMIN FILHO, São Paulo: Ceres, 2005. p. L.E.A. (Ed.). Manual de Fitopatologia Doenças de plantas TORRES. FRANCHINI, J.C.; OLIVEIRA, M.C.N.; E.C. H.; J.R.B.; COSTA, J.M.: SIMIONATO, PELLIZZARO, SEIXAS Podridão de carvão (Macrophomina phaseolina) In: ALMEIDA, manejo C.D.S. (Ed.). Soja Doenças radiculares e de hastes e inter-relações com o do solo e da Campo Grande: Embrapa Soja. 2010. p. 49-71.308 Matsuo, Lopes e Sediyama R. Doenças da cultura da soja. In: FUNDAÇÃO MS (Ed.). Tecnologia de produção: soja e milho Campo Grande: Editora Fundação MS, 2011. BERGAMIN FILHO, AMORIM, L. Manejo integrado de doenças. In: AMORIM, REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A. (Ed.). Manual de fitopatologia e conceitos. São Paulo: Ceres, 2011. p. 409-421. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO CONAB. Acompanhamento de safra brasileira: grãos, nono levantamento, julho de 2013. Disponível em: Acesso em: 13 Ago. 2013. COSTAMILAN, R.M.; BERTAGNOLLI, P.F. Podridão radicular de fitóftora (Phytophthora soja). In: ALMEIDA, A.M.R.; SEIXAS C.D.S (Ed.). Soja Doenças radiculares e de hastes e inter-relações com o manejo do solo da Campo grande: Embrapa Soja, 2010. p. 105-126. DHINGRA, O.D.; MACEDO, D.M. Doenças e seu controle. In: SEDIYAMA, T. (Ed.). Tecnologia de produção e usos da soja. Londrina, PR: Mecenas, 2009. 133-155. DIAS, SILVA, J.F.V.; GARCIA, A.; CARNEIRO, G.E.S. In: ALMEIDA, A.M.R.; SEIXAS C.D.S. (Ed.). Soja Doenças radiculares e de hastes e inter-relações com o manejo do solo e da cultura. Campo Grande: Embrapa Soja 2010. p. DIAS, SILVA, CARNEIRO, GARCIA, A.; ARIAS, C.A.A. Nematoide de cisto da soja: biologia e manejo pelo uso da resistência genética. Nematologia Brasileira, 33, DIAS, W.P.; SILVA, J.F.V.; GARCIA, CARNEIRO, G.E.S. Nematoides de importância para a soja no In: FUNDAÇÃO MT (Ed.). Boletim de Pesquisa de Soja 2007. Cuiabá: Fundação MT, 2007. p. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA Tecnologias de produção de soja Região Central do Brasil 2012 e 2013. Londrina, PR: Embrapa Soja, 2011. 264 p. 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(Ed.). Ferrugem asiática da soja. Visconde do Rio Branco, MG: Suprema Gráfica Editora 2006. p.14 COLHEITA Gil Miguel de Sousa Os sistemas de produção vegetal caracterizam-se por uma sequência ordenada de operações realizadas cronologicamente, acompanhando as fases de instalação, tratos culturais e colheita das culturas. Esta é a última operação feita no campo e tem por objetivo retirar o produto agrícola da área de produção com a máxima qualidade e 0 mínimo de perdas. Momento de Colheita De acordo com Fher e Caviness (1977), o estádio R7 corresponde ao ponto de maturidade fisiológica, quando surge na planta a primeira vagem, fisiologicamente madura, com 0 máximo acúmulo de matéria seca em suas sementes. Entretanto, o teor de água é superior a 40%, impossibilitando assim a colheita mecânica. estádio R₈ corresponde à maturidade de campo, quando, pelo menos, 95% das vagens se encontram maduras. Entre esses estádios, os grãos de soja estão armazenados no campo dentro das vagens, sujeitos às variações ambientais de temperatura e umidade, que não contribuem para a manutenção da qualidade do produto. M.S., D.S. e Professor Associado da ESALQ/USP. E-mail: gil.camara@usp.br311 ponto de colheita de uma lavoura de soja corresponde ao estádio de maturidade a campo (R₈), associado à faixa de umidade nos grãos (13 a 15%), compatível com a trilha Deve ser iniciada tão logo possível, para minimizar a ocorrência de danos mecânicos aos grãos. Estes geralmente aumentam quando 0 teor de água é superior a 15% (dano mecânico latente) ou inferior a 13% (dano mecânico imediato). No momento indicado para a colheita, as plantas apresentam-se praticamente sem folhas e com vagens secas. Dessecação Muitos produtores preferem iniciar a colheita quando a umidade dos grãos é igual ou inferior a 13%, pois, dessa forma, não há necessidade de secagem antes do armazenamento, razão pela qual optam pela dessecação. Essa opção, apesar de reduzir os custos, somente é favorável se não houver incidência de chuvas e a temperatura permanecer amena após a maturidade. A dessecação da soja é obtida pela pulverização de substâncias químicas, predominantemente da classe dos herbicidas não seletivos, que facilita a secagem, seguida ou não da queda das folhas, simultaneamente à perda de umidade dos grãos, preferencialmente sem reduzir o peso da matéria seca. Na Tabela 14.1 são apresentados os dois principais dessecantes utilizados na cultura da soja no Brasil, registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e312 Câmara Tabela 14.1 Principais produtos dessecantes utilizados na cultura da soja no Brasil Dose Nome Nome CT comum comercial p.c. (dias) (mg (kg Diquat Reglone III 0,2 a 0,4 1,0 a 2,0 10 0,02 Paraquat Vários I 0,3 a 0,5 1,5 a 2,5 7 0,10 CT Classe Toxicológica: I (altamente tóxico); III (medianamente tóxico). i.a. ingrediente produto IS Intervalo de segurança entre aplicação e LMR Limite Máximo de Resíduos no produto colhido. Fonte: ALMEIDA, 2011. Para melhor eficiência na dessecação, tanto Diquat como Paraquat são aplicados juntamente com um espalhante não iônico na concentração de 0,1% v/v. Os volumes de calda aplicados via aérea variam de 30 a 40 L ha⁻¹ e, via terrestre, de 100 a 200 L com tecnologia de aplicação que propicie boa cobertura das folhas. A dessecação não deve ser uma prática de rotina, sendo indicada na pré-colheita da soja apenas em situações extremas, por exemplo excesso de plantas daninhas que podem comprometer o desempenho operacional da colhedora e aumentar o índice de perdas na colheita, ou para uniformizar plantas de soja com maturação desigual, causada por ataque de percevejos ou outros fatores que possam ocasionar desequilíbrio fisiológico na Entretanto, observa-se que a dessecação de lavouras de soja tornou-se atividade rotineira em muitas regiões, devido aos seguintes argumentos: permite acentuada antecipação da época de colheita; uniformização da umidade e maturação da lavoura; diminuição das perdas de colheita decorrentes da exposição dos grãos a condições climáticas adversas após a maturidade; redução de impurezas no transporte dos grãos de soja; comercialização antecipada da produção, captando melhores preços no mercado; dessecação de plantas daninhas adultas e eliminação de plantas daninhas em fase inicial de desenvolvimento; viabilização do plantio direto e instalação da segunda safra na melhor época de semeadura; e reduz custo com herbicidas313 de manejo em áreas de plantio direto e semeadura no limpo da cultura subsequente. A dessecação é indicada quando a maioria da população de plantas se encontra em plena fase de maturidade fisiológica, identificada quando amarelecimento de folhas e de vagens está em torno de 70 a 75% (entre os estádios e Dessecações precoces, quando a lavoura ainda está totalmente verde (estádios a se refletem em perdas de produtividade agrícola variáveis de 420 2.340 kg Além de perdas quantitativas, há o risco de perdas qualitativas (grãos ardidos e principalmente se ocorrer chuva após a dessecação. A ação dessecante desejada pode ocorrer de quatro a sete dias após a aplicação. o periodo de carência do produto utilizado deve ser respeitado pelo produtor, devendo-se pelo menos, sete dias para realizar a colheita, para que os residuos do produto nos grãos não estejam acima do máximo permitido por lei (Tabela 14.1). A dessecação da soja na pré-colheita é indicada apenas para produção de grãos. Não é recomendada para campos de produção de pois pode acarretar redução da qualidade destas, diminuindo o vigor e a germinação. Sistemas de Colheita Atingido o ponto de colheita, esta realizada de dezembro a abril, dependendo da época de semeadura e do grupo de maturação do Segundo Heiffig e Câmara (2006), a colheita consiste de: a) cortar seccionar a parte aérea das plantas onde estão contidos os b) trilhar separar os grãos do material constituinte da parte aérea cortada: e limpar retirar da massa de grãos as impurezas que a acompanham após a trilha. A colheita pode ser manual, semimecanizada subsequentemente. e totalmente mecanizada, conforme descrita Colheita manual é comum em pequenas propriedades, pode produção é destinada ao consumo próprio ou ao comércio. Também ser realizada em institutos e empresas de na colheita de parcelas experimentais. De baixa capacidade314 Câmara operacional, consiste do arrancamento ou corte das plantas, com enxada, ferro de cortar capim ou tesoura de poda bem afiada, batem-se as plantas com varas sobre terreiro revestido com lona plástica ou, então, acondicionam-se as plantas secas no interior de sacos de aniagem para em seguida batê-las. Os grãos caídos na lona ou no interior do saco de aniagem são abanados ou, armazenados para posterior consumo ou Colheita semimecanizada inicia-se com o corte basal da planta, por meio de uma roçadora motorizada costal provida de disco tipo "serra" com 80 dentes. As plantas cortadas são enfeixadas e encaminhadas para secagem em terreiro. Havendo ou não necessidade de secagem, as plantas colhidas dessa forma podem ser debulhadas mecanicamente em trilhadoras estacionárias de alimentação manual. Os grãos trilhados são abanados e armazenados para consumo próprio ou, para posterior comercialização. Este sistema é mais utilizado em pequenas propriedades e em instituições oficiais e particulares que desenvolvem trabalhos de pesquisa e melhoramento genético de soja, que não possuem colhedoras de parcelas automotrizes. Colheita mecanizada utiliza-se uma máquina tecnicamente denominada "colhedora combinada que contém motor e transmissões que lhe conferem Em uma única passada faz as operações de corte, alimentação (recolhimento), trilha e limpeza, além do armazenamento temporário seguido do descarregamento dos grãos. Como não há processo de secagem, emprego deste sistema de colheita exige que a cultura esteja uniformemente madura, livre de plantas daninhas e que os grãos apresentem baixos teores de água (13 a 15%). Componentes Básicos de Colhedoras Automotrizes Da constituição de uma colhedora combinada de soja ou de cereais participam vários sistemas mecânicos, elétricos e relacionados aos subsistemas ou unidades de corte, trilha e limpeza, cujos acionamentos obedecem a comandos elétricos e A energia necessária à operação combinada dessas unidades é gerada315 pelo motor que a distribui para todos os componentes, através do sistema de transmissão de potência 2006). A fim de compreender funcionamento de uma colhedora combinada, deve-se observar cuidadosamente a função de cada um de seus sistemas. Para efetivar a melhor regulagem dos componentes de uma colhedora, dois procedimentos básicos são recomendados: a) ler atentamente o manual do próprio e b) providenciar o treinamento do operador de máquina juntamente ao próprio fabricante ou representante oficial deste, quanto à manutenção básica e regulagens da combinada. Os componentes ativos das colhedoras são diretamente manipulados pelo operador e têm relação direta com a velocidade de deslocamento da máquina, que se deve situar entre 4 e 6 km por hora, conforme o modelo da colhedora, a cultura a ser colhida, destino a ser dado à produção (grão ou semente) e as condições agronômicas gerais da lavoura por ocasião da colheita. Na Figura 14.1 é apresentado um esquema geral de uma colhedora de soja com os principais componentes. 2 4 5 3 19 13 11 16 15 14 10 20 Figura 14.1 Constituição de uma colhedora de soja. batedor Molinete: 2) Esteira alimentadora; 3) Cilindro 4) Depósito de 5) Cilindro 6) Elevador de retrilha; 7) Cortina 8) Elevador de 9) Peneira superior; 11) Peneira inferior; 12) 13) Bandeja coletora de Separadores Condutor de (sem 19) Barra de corte, 20) Plataforma de corte; e 21) 18) 14) Grade de transição; 15) 16) Coletor de 17) MESQUITA et316 Sistema de Corte e Alimentação É pelo molinete (roda auxiliadora de barra de corte, condutor helicoidal (caracol transversal ou rosca sem-fim) ou esteiras condutoras transversais que transportam a massa de plantas cortadas para a esteira alimentadora do sistema de trilha (Figuras 14.2 e 14.3). Terço superior das plantas do de corte 15 30 Figura 14.2 Esquema parcial de uma plataforma de corte ilustrando o posicionamento do eixo do molinete de 15 a 30 cm à frente da barra de corte e captação das plantas pelo molinete no terço superior. Fonte: MESQUITA et al., 1998 (a) Figura 14.3 Barra de corte de uma A) vista geral de uma barra de 2) 3) Condutor Seção construção da da 6) 1) 7) Barra 2) Placa de suporte de apoio; 3) Placa de 4) Barra B) da Detalhe de 5) Fonte:317 Os órgãos ativos de corte ou lâminas de corte localizam-se numa estrutura denominada barra de corte. Ao conjunto proporcionado pelo molinete, barra de corte e condutor helicoidal ou esteiras condutoras transversais dá-se o nome de plataforma de corte, que pode ser fixa ou isto é, oscilar acompanhando os desníveis do terreno. A função do molinete é colocar a planta cortada pela barra de corte em posição correta, para que caia na plataforma de corte e seja captada pelo condutor helicoidal ou pelas esteiras condutoras transversais e encaminhadas para 0 sistema de debulha ou trilha, através da esteira alimentadora. A estrutura do molinete é formada por três a oito barras retilíneas de madeira ou aço, munidas ou não de garras (dentes ou dedos), que inclinam as plantas em direção à lâmina de corte. Os dedos do molinete podem alcançar as plantas derrubadas e levantá-las para que a barra de corte possa cortá-las. comprimento do molinete é proporcional à largura da plataforma de corte, que pode oscilar de 3,0 a 12,0 m ou mais. Na regulagem da colhedora, a projeção do eixo do molinete deve ficar 15 a 30 à frente da barra de corte, e 0 molinete deve ser mais alto que as plantas, para permitir que os travessões com os pentes toquem na metade superior destas, preferencialmente no terço superior, no caso de lavouras uniformes. Dessa forma, o impacto dos travessões contra as plantas será mais suave e evitará o tombamento destas na frente da combinada no momento do corte (Figura 14.2). A altura do molinete varia de acordo com as condições das plantas nas lavouras (eretas ou acamadas). A velocidade periférica do molinete deve ser 25% superior à velocidade de deslocamento da combinada, o que corresponde, aproximadamente, 14 a 21 rotações por minuto (rpm). A barra de corte, acoplada na parte dianteira da plataforma, é composta por facas ou navalhas de aço e se movem alternadamente em relação a uma barra fixa, que contêm contrafacas (guardas, "dedos" ou guias), placas de apoio e placas de 0 movimento alternado entre as duas barras é que realiza o corte das plantas (Figura 14.3). de corte afiadas e funcionando livremente por entre as contrafacas, A barra de corte deve estar alinhada, sem folgas, com as facas318 Câmara que devem estar retas, isto é, não entortadas e nem quebradas. As pontas das facas devem tocar levemente as guardas e, durante o seu curso, percorrer a distância de centro a centro destas. A altura de trabalho das facas que proporciona corte adequado das plantas de soja oscila de 1,5 a 10,0 cm. Já a altura da barra de corte deve ser ajustada de acordo com o porte da lavoura, principalmente da altura de inserção da primeira vagem ou da primeira ramificação e, também, em função das condições de nivelamento declive do terreno, embora esta última característica seja compensada pelas barras flexíveis. Atualmente, as colhedoras são munidas de vários sensores em todos os seus sistemas. Os localizados na plataforma controlam a altura de corte, quando esta trabalha muito próximo ao solo. Esse recurso facilita o trabalho do operador, que constantemente ajusta a altura da plataforma, e é também muito importante quando se trabalha em solo desuniforme ou à noite. A função das esteiras transportadoras transversais ou do condutor helicoidal é apanhar as plantas cortadas pelas facas e encaminhá-las para a esteira alimentadora do sistema de trilha. Para maior eficiência deste trabalho, sem-fim deve ser posicionado de forma estratégica, isto é, próximo ao sistema de corte e com pequeno vão entre condutor helicoidal e chão da plataforma. Cabe à esteira alimentadora ou ao elevador dianteiro receber as plantas jogadas pela rosca sem-fim e encaminhá-las ao sistema de trilha. Sistema de Trilha ou Debulha Tem a função de separar mecanicamente os grãos das vagens e plantas. Existem três tipos de mecanismos de trilha: cilindro de dentes e côncavo; cilindro de barras e côncavo e cilindro com fluxo axial. primeiro é mais utilizado para colheita de produtos de fácil debulha e com grande volume de massa; os dois últimos são mais empregados para a trilha de grãos e cereais como soja, trigo, milho, sorgo, aveia, cevada, centeio e A trilha é efetuada através de um cilindro trilhador giratório, que trabalha em conjunto com uma grade estacionária, denominada côncavo, e o conjunto recebe o nome de Entre o319 cilindro e o côncavo existe um espaço, através do qual a massa de plantas cortadas, contendo as sementes no interior das deve passar. Dependendo do volume e da umidade da massa a ser da distância ou abertura entre cilindro e 0 côncavo e da velocidade do clindro haverá maior ou menor quantidade de vagens com maior ou menor indice de danificação sobre as sementes trilhadas. côncavo corresponde a uma grade do tipo recurvada em arco de 105 a possuindo 10 a 12 barras. Apresenta uma folga ou distância em relação ao cilindro denominada abertura do A regulagem dessa distância é feita em posição anterior e quanto ao caminhamento da massa a ser trilhada, sendo definida de acordo com a marca e modelo da automotriz e do volume e umidade da massa a ser trilhada. De maneira geral, a abertura anterior deve corresponder de a 2,0 vezes a abertura posterior, ao longo da sua o deve permanecer paralelo em relação ao cilindro batedor. Como regulagem básica, sugere-se a relação isto na parte anterior, a distância cilindro- deve corresponder a três vezes o tamanho do grão na posterior, duas vezes (Figura 14.4). A grelha do côncavo deve estar limpa desempedida para não obstruir a passagem da massa trilhada. Batedor Cilindro Côncavo Figura 14.4 Esquema parcial do sistema de trilha convencional, constando de e cilindro batedor MESQUITA 1998320 Câmara O cilindro trilhador bate material colhido e 0 esfrega de encontro ao côncavo, liberando as sementes das vagens: parte das sementes atravessa a grade do côncavo e parte acompanha as hastes, folhas e demais detritos. As vagens não trilhadas retornam ao cilindro trilhador. cilindro é regulado pela variação de sua rotação, segundo o estado da cultura e teor de água nas sementes. Nas máquinas atuais encontram-se faixas de rotação desde 150 a 1.500 rpm. A velocidade de rotação do cilindro deve ser a maior para permitir a obtenção de rendimento elevado, mas sem danificar as sementes (Tabela 14.2). É ajustada de tal modo que todas as vagens sejam debulhadas; posteriormente, é reduzida gradativamente, até que uma quantidade mínima não seja debulhada. No caso da colheita de sementes, a velocidade deve, inclusive, ser regulada de acordo com as diferentes horas do dia, ou seja, utilizar menores velocidades nos períodos mais quentes do dia, quando as sementes encontram-se mais secas. Caso contrário, 0 índice de danificação por injúria mecânica sobre as sementes será muito (RIBEIRO, 2007; VIEIRA et al., 2006). Tabela 14.2 Perdas de sementes de soja por dano mecânico (%) em função da umidade nas sementes e da velocidade do cilindro debulhador Velocidades do cilindro Umidade nas sementes (%) (rpm) 11 13 475 9,56 2,18 500 9,64 2,38 550 11,82 4,11 600 13,82 5,06 650 16,02 5,29 700 17,24 7,38 Fonte: 1976. Atualmente, encontram-se combinadas, em que sistema de trilha é promovido por fluxo axial de ar, reduzindo as danificações321 mecânicas sobre as sementes. Em sistema de fluxo axial, cilindro trilhador, agora chamado rotor, recebe o material a ser trilhado pela frente e não radialmente. rotor é semelhante àqueles cilindros citados anteriormente, barras de raspagem em disposição helicoidal. Uma colhedora combinada com com sistema em fluxo axial pode ter um ou dois rotores paralelos (Figura O côncavo é disposto abaixo do rotor, e alguns trabalhos indicam que a eficiência de separação do sistema rotor-côncavo pode chegar a 90%, mostrando ser melhor que sistema convencional. 1 2 3 5 7 Figura 14.5 Máquina de fluxo axial utilizando rotores duplos: 1) Rotores; 2) Barra de 3) Côncavo de trilha; 4) Côncavo de separação; 5) Batedor: 6) Grade do batedor; e 7) Peneiras de limpeza. Fonte 1993. Sistema de Separação e Limpeza Este é sistema constituido de sacapalhas, peneiras, ventilador e correias de canecas elevatórias (Figura 14.6).322 Câmara Batedor Peneira superior Saca-palhas Bandeijão Peneira Extensão Ventilador superior da peneira superior Figura 14.6 Esquema do sistema de separação e limpeza de uma colhedora de grãos automotriz. MESQUITA, 1998. primeiro trabalho corresponde à seção de separação, cujo principal elemento é o sacapalhas que, devido ao seu movimento de "solavanco" e a forma de suas peças, encaminha a palha e os grãos em direção a parte posterior da máquina, ao mesmo tempo em que permite a separação dos grãos, que alcançam as peneiras localizadas em posição inferior. Ao serem remessados pelo juntamente com a palha remetida pelo cilindro batedor traseiro sobre o sacapalhas, os grãos são interceptados por uma lona separadora (cortina) em posição vertical, ocasionando assim a queda desses sobre a seção de limpeza (Figura 14.1). A seção de limpeza é pelo ventilador e peneiras. Nesta seção, as impurezas de diferentes tamanhos são separadas das sementes. A peneira superior descarta os materiais maiores e, a inferior, as impurezas miúdas. A peneira superior permite a passagem dos grãos trilhados e da palha miúda (pedaços de vagens), vedando a passagem das vagens não trilhadas e da palha graúda. Se a abertura dessa peneira for insuficiente, haverá a condução de grãos para a retrilha; quando muito aberta, há sobrecarga da peneira inferior.323 A peneira inferior geralmente está mais próxima ao ventilador, cuja corrente de ar provoca a eliminação dos materiais Composta por orificios de 10 e 12 mm, sua abertura permite leves. apenas a passagem dos grãos trilhados e bem formados que então, conduzidos a um mecanismo elevador que os conduzem ao são, graneleiro ou para um condutor (tipo rosca sem-fim) que os tanque encaminha para o exterior da máquina, onde são ensacados ou depositados em caminhões ou carretas. ventilador tem a função de assoprar o ar sobre a peneira inferior retirando as impurezas mais leves. A velocidade de ventilação varia de 250 a 1.500 velocidades excessivas ocasionam o desvio dos grãos mais leves para os mecanismos de da máquina. Manejo dos Grãos Colhidos Manejar os grãos colhidos significa mover os grãos trilhados, separados e limpos para o tanque graneleiro e deste para um veículo transportador. A retrilha é outra fase do manejo dos grãos que também deve ser incluída. Dentre os componentes de manejo destacam-se o elevador de grãos limpos; elevador de carregamento do tanque graneleiro; todos os condutores incluindo os de materiais não trilhados e tanque graneleiro; e o condutor helicoidal de descarga do graneleiro. Depois da limpeza dos grãos colhidos, o condutor helicoidal entrega-os ao elevador. Este último leva os grãos para o condutor superior ou ao condutor que carrega o tanque graneleiro, no qual deposita os grãos limpos no centro do tanque ou diretamente num silo. tanque graneleiro é compartimento de armazenagem rápida dos grãos limpos na máquina. Estes estão disponíveis em várias formas e tamanhos, podem ser dispostos na parte superior, em um lado, ou em ambos os lados da colhedora combinada. Perdas de Colheita Não existe perda "zero" em operações mecanizadas de colheita. Entretanto, deve-se buscar o minimo de perdas para que se324 Câmara obtenha máximo de rendimento da colheita mecanizada da soja, pois, quanto menores as perdas, maiores os lucros. No Brasil, as perdas de colheita na cultura da soja, em razão da falta de cuidados na condução da lavoura ou na regulagem e operacionalização da máquina são estimadas entre 3 e 10%, podendo atingir 15% em casos extremos. Os prejuízos, no entanto, podem ser reduzidos para 1% ou menos, desde que sejam conhecidas as causas que determinam as perdas e os procedimentos mais adequados para contorná-las. ideal é que as perdas sejam, no máximo, equivalentes a 60 kg de grãos ou uma saca por Da totalidade de perdas ocorridas na colheita de soja, estima- se que cerca de 80% se deva à má regulagem da combinada e 20% à má condução da cultura. Neste último caso, mais importante é diagnosticar as causas das perdas e corrigi-las para a próxima safra. Com relação à máquina, uma vez identificada a fonte da perda, paralisa-se a colhedora, corrige-se imediatamente o problema e prossegue-se à colheita normal da cultura. Em média, Mesquita et al. (1999) e Toledo et al. (2009) consideram em torno de 3% as perdas causadas por deiscência natural, de 80 a 85% as perdas que ocorrem pela ação dos mecanismos da plataforma de corte das colhedoras (molinete, barra de corte e condutor helicoidal) e de 12% pelos mecanismos internos da máquina (trilha, separação e limpeza). Perdas Anteriores à Colheita Ocorrem antes de iniciadas quaisquer operações relacionadas com a colheita propriamente dita. Em lavoura bem conduzida, essas perdas podem ser devidas à debulha natural ou ao atraso no início da colheita, às vezes representando até 3% das perdas totais. A debulha ou degrana natural é uma genética inerente ao cultivar, existindo, porém, algumas variedades mais Hastes e ramificações quebradiças e soltas não recolhidas pela máquina também se constituem em perdas anteriores à colheita. Esse tipo de perda é agravado pelo atraso prolongado da colheita, principalmente em ambiente de alta umidade e temperatura.Colheita 325 atraso da colheita é um problema de causa natural. Chuvas frequentes por ocasião em que as plantas da lavoura se encontram em ponto de colheita são muito comuns em determinados anos. Quando isto a soja fica à espera, respirando e deteriorando os grãos. Na Tabela 14.3 apresenta-se a perda da capacidade germinativa de sementes de soja, na medida em que a colheita foi atrasada na Tabela os principais agentes bióticos contaminantes das sementes favorecidos pelo atraso de colheita. Tabela 14.3 Efeito do atraso da colheita sobre a qualidade das sementes de soja, expresso pela emergência de plantas em casa de vegetação Umidade das Datas Precipitação sementes na Emergência de colheita colheita (mm) (%) (%) 15 de março 11,7 74,0 17 de março 27,8 10,5 54,0 19 de março 0,0 10,6 58,0 22 de março 21,8 23,0 28,0 24 de março 30,6 13,0 32,0 26 de março 0,0 11,0 32,0 29 de março 29,2 26,9 16,0 06 de abril 79,3 11.4 12,0 Precipitação medida a partir da data de colheita imediatamente QUEIROZ et al., 1978326 Câmara Tabela 14.4 Incidência (%) de microrganismos patogênicos em sementes de soja, cuja colheita foi sucessivamente atrasada Datas de colheita Microrganismos 15/03 17/03 19/03 22/03 26/03 01/04 Phomopsis sojae 15,5 6,5 18,5 35,5 62,5 Fusarium spp 5,5 10,0 38,0 20,0 6,5 Cercospora 11.1 11,0 2,0 Alternaria spp 2,5 1,0 0,5 Bacterioses 1,0 5,0 1,0 2,0 2,5 Fonte: QUEIROZ et al., Perdas Durante a Colheita São inerentes ao trabalho da automotriz e diretamente relacionadas à má regulagem da colhedora, sendo agravadas pelos defeitos da lavoura. Podem representar até 85% das perdas totais. Perdas durante o corte e a alimentação Esses tipos de perdas se devem a falhas na ação do molinete, lâmina de corte e alimentação. Defeitos da lavoura como porte baixo com a colheita mecânica, colheita realizada nas horas de temperatura elevada e baixa umidade relativa do ar, umidade baixa nos grãos e maior sensibilidade do cultivar à debulha mecânica são fatores agravantes desse tipo de perda. Molinete posicionado de forma inadequada e velocidade periférica excessiva provocam a debulha das vagens ou a prostração das plantas, que não são recolhidas. A diminuição das perdas por impactos é reduzida com a utilização de molinetes com garras. As perdas relacionadas à lâmina de corte são devidas, principalmente, à altura do corte. Este deve ser realizado o mais próximo do nivel do solo, exigindo grande cuidado e atenção