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Universidade Federal de Viçosa
Campus de Rio Paranaíba
Carlos Eduardo O. Magalhães, 108
Diego Tolentino de Lima, 109
André Santana Andrade, 110
Fernando Couto de Araújo, 143
TRABALHO: CULTURA DA BANANEIRA
RIO PARANAÍBA – MG
2010
Carlos Eduardo O. Magalhães, 108
Diego Tolentino de Lima, 109
André Santana Andrade, 110
Fernando Couto de Araújo, 143
TRABALHO: CULTURA DA BANANEIRA
Trabalho à disciplina AGR 372 –
Fruticultura I da Universidade Federal de
Viçosa – Campus de Rio Paranaíba.
RIO PARANAÍBA – MG
2010
Sumário
1. Introdução ........................................................................................................................................... 5
2. Caracterização da produção integrada ................................................................................................. 6
2.1. Tipo de solo, preparo e plantio ..................................................................................................... 6
2.2. Nutrição, calagem e adubação ...................................................................................................... 9
2.2.1. Exigências nutricionais ......................................................................................................... 9
2.2.2. Calagem e adubação .............................................................................................................. 9
2.3. Cultivares ................................................................................................................................... 11
2.4. Tratos culturais ........................................................................................................................... 12
2.4.1. Controle de plantas daninhas ............................................................................................... 13
2.4.2. Desbaste .............................................................................................................................. 13
2.4.3. Desfolha .............................................................................................................................. 13
2.4.4. Eliminação da ráquis masculina (coração) .......................................................................... 14
2.4.5. Ensacamento do cacho ........................................................................................................ 14
2.4.6. Escoramento ........................................................................................................................ 15
2.4.7. Corte do pseudocaule após a colheita .................................................................................. 15
2.5. Pragas ......................................................................................................................................... 15
2.5.1. Moleque-da-Bananeira (Cosmopolites sordidus) ................................................................ 16
2.5.2. Nematóides .......................................................................................................................... 16
2.5.3. Outras pragas ....................................................................................................................... 17
2.6. Doenças ...................................................................................................................................... 17
2.6.1. Mal-de-Sigatoka (Mycosphaerella musicola) fase perfeita; (Cercospora musae) fase
imperfeita ...................................................................................................................................... 17
2.6.2. Mal-do-Panamá (Fusarium oxysporum f. sp. cubense) ....................................................... 18
2.6.3. Moko ou Murcha Bacteriana (Pseudomonas solanacearum) ............................................. 18
2.6.4. Doenças de frutos ................................................................................................................ 19
2.6.5. Doenças Pós-colheita .......................................................................................................... 19
4. Exigências do mercado exportador ................................................................................................... 19
5. Situação atual da tecnologia .............................................................................................................. 21
5.1. Galpões de Embalagem .............................................................................................................. 22
5.2. Embalagem ................................................................................................................................. 22
5.3. Conservação pós-colheita ........................................................................................................... 23
5.4. Maturação controlada – climatização ......................................................................................... 23
5.5. Procedimentos para climatização ............................................................................................... 24
7. Referências Bibliográficas ................................................................................................................ 25
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1. Introdução
A banana (Musa spp.) é uma fruta de consumo universal, sendo umas das mais
consumidas no mundo, e, é comercializada por dúzia, por quilo e até mesmo por unidade. É
rica em carboidratos e potássio, médio teor em açúcares e vitamina A, e baixo em proteínas e
vitaminas B e C. A banana é apreciada por pessoas de todas as classes e de qualquer idade,
que a consomem in natura, frita, assada, cozida, em calda, em doces caseiros ou em produtos
industrializados (Neto & Melo, 2003).
A cultura da banana ocupa o segundo lugar em volume de frutas produzidas no Brasil
e a terceira posição em área colhida. Entre as frutas mais consumidas nos domicílios das
principais regiões metropolitanas do País, a banana se faz presente na mesa dos brasileiros
como um alimento, não apenas como sobremesa (EMBRAPA, 2003a).
A importância da bananicultura varia de local para local, assim como de país para país.
Por vezes, ela é plantada para servir de complemento da alimentação da família (fonte de
amido), como receita principal ou complementária da propriedade ou como fonte de divisas
para o país. Com freqüência, seu cultivo é feito em condições ecológicas adversas, mas, em
vista da proximidade de um bom mercado consumidor, esta atividade se torna
economicamente viável (Neto & Melo, 2003).
Entre os diversos tipos de bananas, a “Prata” é a mais consumida, seguida da “Banana
d‟Água” e “Maçã”. O peso das despesas com banana em relação às despesas das famílias com
alimentação, representa muito pouco, mesmo nas classes de menor renda e nas regiões
metropolitanas mais carentes. A parcela da renda auferida pelas famílias brasileiras residentes
nas principais regiões metropolitanas do país que é gasta na compra de banana corresponde a
0,87% do total das despesas com alimentação (EMBRAPA, 2003a).
O porte das plantas varia de 1,50 m a 8,0 m e seus cachos podem ser compostos por
algumas bananas ou centenas delas. Merece realçar que seu tronco não é um tronco e, sim, um
imbricamento de bainhas de folhas (pseudocaule). Seu período de vida é definido pelo
aparecimento do “filhote” na superfície do solo e a sua colheita ou a seca do seu cacho.
Entretanto, sua lavoura é considerada de caráter permanente na área. As bananas cultivadas
podem ser divididas em duas classes: as consumidas frescas ou industrializadas e as
consumidas fritas ou assadas, que chamamos de bananas de fritar ou da terra. Na língua
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espanhola, apenas as bananas do subgrupo Cavendish (“Nanica”, “Nanicão”,“D”água”, etc.)
são chamadas de bananas; as demais são conhecidas por “plátanos” (Neto & Melo, 2003).
A produção brasileira de banana está distribuída por todo o território nacional, sendo a
região Nordeste a maior produtora (34%), seguida das Regiões Norte (26%), Sudeste (24%),
Sul (10%) e Centro-Oeste (6%). A área plantada no Brasil é de cerca de 520 000 há. Embora a
região Norte apresente excelentes condições de clima e solo para a produção de banana de
alto padrão de qualidade, e tenha sido a região que apresentou o maior crescimento em área
plantada no Brasil, ainda é preciso superar, em grande parte, a baixa eficiência na produção e
no manejo pós-colheita. São vários os problemas que afetam a bananicultura dessa região,
que, de modo geral, apresenta baixo nível de tecnificação, resultando em baixa produtividade
e qualidade dos frutos (EMBRAPA, 2003a).
2. Caracterização da produção integrada
Assim como todas as outras culturas, as características do sistema de produção da
bananeira são estritamente relacionadas ao nível tecnológico empregado, sendo que a
complexidade do sistema, o número de etapas a serem realizadas e a exigência de capacidade
administrativa e de planejamento do produtor tentem a aumentar na medida em que mais
tecnologia é empregada, mas que certamente também se espera grandes incrementos em
produtividade. A seguir, segue-se aspectos relacionados à produção da banana na maioria dos
sistemas comerciais brasileiros de produção de banana, incluindo tipo de solo, preparo e
plantio; nutrição, calagem e adubação; cultivares; irrigação e tratos culturais.
2.1. Tipo de solo, preparo e plantio
A bananeira adapta-se bem aos mais diversos tipos de solos, embora se considere ideal
o aluvial profundo, com alto teor de matéria orgânica, bem drenado e com boa capacidade de
retenção de água (Salomão et al., 1998). Em geral, solos com topografia acidentada tendem a
oferecer boas características químicas (o que reduz o custo de calagem e adubações), mas
algumas limitações físicas (o que dificulta a mecanização e irrigação) , enquanto que, solos
com topografia plana, especialmente os Latossolos, tendem a oferecer boas características
físicas (o que facilita a mecanização e irrigação), mas algumas limitações químicas (o que
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aumenta o custo com calagens e adubações). Em síntese, é possível produzir em variados
tipos de solos, desde que se empregue adequada tecnologia.
Em relação ao preparo do solo, as operações vão variar grandemente de acordo com a
situação na qual se encontram os mesmos e, antes de se proceder as operações, deve-se
planejar a localização de estradas e carreadores no interior da propriedade, de modo a facilitar
a entrada de insumos e o escoamento da produção em qualquer época do ano. Os carreadores
devem distanciar-se entre si, no máximo, 80 m e terem largura mínima de 4 m (SALOMÃO et
al., 1998).
A primeira etapa na implantação da cultura é a realização da análise química do solo
para determinar a necessidade de calagem e os níveis de adubação. Caso esta seja verificada a
necessidade de calagem, o calcário deve ser aplicado em duas parcelas iguais, distribuídas
uma antes da aração ou subsolagem e antes da gradagem do solo, visando à sua melhor
incorporação (SALOMÃO et al., 1998).
Em caso de existência de camadas compactadas, deverá ser efetuada uma subsolagem.
Em geral, a prática da subsolagem é realizada sempre que for feito o cultivo da bananeira pela
primeira vez e quando da reforma de bananais velhos. Nesta operação, pode-se utilizar uma
barra com dois subsoladores, distanciados entre si de 100 a 120 cm, de modo que eles
consigam atingir 50 a 60 cm de profundidade. Tal operação produz um grande arejamento no
solo, que facilita muito o desenvolvimento das raízes e também, aumenta a capacidade de
retenção de água no solo. As raízes da bananeira por si só não têm capacidade de romper
camadas adensadas no perfil de solo explorado (EMBRAPA, 2010).
Após a subsolagem, deverá ser realizada uma aração profunda. Em terrenos
acidentados deve-se atentar para as práticas de conservação do solo, e em casos extremos, é
adequado que o solo não seja revolvido e a implantação da cultura seja em covas
(SALOMÃO et al., 1998).
A época ideal de plantio é o início da estação chuvosa, que, geralmente, coincide com
o período mais quente do ano e possibilita rápido desenvolvimento inicial das mudas. Sob
condições de irrigação, o plantio da mudas pode ser executado em qualquer época do ano
(Salomão et al., 1998), desde que não se tenha limitação de temperatura.
Os espaçamentos utilizados para o cultivo da banana estão relacionados com o clima,
o porte da variedade, as condições de luminosidade, a fertilidade do solo, a topografia do
terreno e o nível tecnológico dos cultivos. Em geral, se recomenda os seguintes espaçamentos
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em função da cultivar: Prata Anã – Densidades de 1333 a 1666 plantas por hectare, sendo
indicados os seguintes espaçamentos: fileira dupla de 4,0m x 2,0m x 2,5m e 4,0m x 2,0m x
2,0m; Pacovan – Densidades de 1111 a 1333 plantas por hectare, sendo indicados os
seguintes espaçamentos: flileira dupla de 5,0m x 2,0m x 2,5m e 4,0m x 2,0m x 2,5m e fileira
simples de 4,0 x 2,5 m e 5,0 x 2,5 m; Subgrupo cavendish (banana d'água, casca verde,
nanica) – Densidades de 1667 e 1860 plantas por hectare: espaçamentos de 3,0 x 2,0 m e
fileira dupla de 3,76 x 1,0 x 2,26 m – sendo 3,76 m entre ruas, 1,0 m entre fileiras duplas e
2,26 m entre plantas na fileira (EMBRAPA, 2010).
Vários são os tipos de mudas utilizados para implantação do bananal, dentre elas
destaca-se as mudas micropropagadas, que conforme destacado abaixo, são de qualidade
superior, sendo que em algumas regiões, há normas que proíbem o uso de outros tipos de
mudas, principalmente por questões sanitárias. Os tipos de mudas referidos são: Chifrinho:
apresenta de 20 a 30 cm de altura e tem unicamente folhas lanceoladas; Chifre: apresentam de
50 a 60 cm de altura e folhas lanceoladas; Chifrão: é o tipo ideal de muda, com 60 a 150 cm
de altura, já apresentando uma mistura de folhas lanceoladas com folhas características de
planta adulta; Rizoma de planta adulta: são mudas com rizomas bem desenvolvidos, em fase
de diferenciação floral, e que apresentam folhas largas, porém ainda jovens; Pedaço de
rizoma: tipo de muda oriundo de frações de rizoma com, no mínimo, uma gema bem
intumescida e peso de 800 g; Rizoma com filho aderido: muda de grande peso e que, devido
ao filho aderido, exige cuidado em seu manuseio, de forma a evitar danos ao mesmo; Guarda-
chuva: mudas pequenas, rizomas diminutos, mas com folhas típicas de plantas adultas.
Devem ser evitadas, pois além de possuírem pouca reserva, aumentam a duração do ciclo
vegetativo; Mudas micropropagadas: mudas produzidas em laboratório, a partir do cultivo de
segmentos muito pequenos de plantas, chamados explantes. O crescimento e multiplicação do
material são realizados em meio artificial e sob condições de luminosidade, temperatura e
fotoperíodo controlados. As mudas obtidas por este processo são geneticamente idênticas às
plantas que as originaram, são uniformes, facilitando, assim, os tratos culturais e a colheita.
São, ainda, mais produtivas e evitam a disseminação de pragas e doenças. Uma outra
vantagem da micropagação é que este processo permite a obtenção de milhares de mudas a
partir de uma planta matriz selecionada (EMBRAPA, 2010).
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2.2. Nutrição, calagem e adubação
2.2.1. Exigências nutricionais
A bananeira demanda grandes quantidades de nutrientes para manter um bom
desenvolvimento e obtenção de altos rendimentos, pois produz massa vegetativa abundante,
como, também, absorve e exporta elevada quantidade de nutrientes. O potássio (K) e o
nitrogênio (N) são os nutrientes mais absorvidos e necessários para o crescimento e produçãoda bananeira. Em ordem decrescente, a bananeira absorve os seguintes: macronutrientes: K >
N > Ca > Mg > S > P; micronutrientes: Cl > Mn > Fe > Zn > B > Cu. Em média, um bananal
retira, por tonelada de frutos, 1,9 kg de N; 0,23 kg de P; 5,2 kg de K; 0,22 kg de Ca e 0,30 kg
de Mg. As quantidades de nutrientes que retornam ao solo (pseudocaules, folhas e rizomas)
após a colheita, em um plantio de banana, são consideráveis, podendo chegar a valores de 170
kg de N/ha/ciclo, 9,6 kg de P/ha/ciclo, 311 kg de K/ha/ciclo, 126 kg de Ca/ha/ciclo, 187 kg de
Mg/ha/ciclo e 21 kg de S/ha/ciclo, na época da colheita (EMBRAPA, 2010).
2.2.2. Calagem e adubação
O ponto de partida para suprir as necessidades nutricionais da bananeira começa com a
realização da análise química e de fertilidade do solo e, quando possível, da análise química
das folhas da planta. Recomenda-se retirar de 15 a 20 subamostras por área homogênea, na
profundida de 0-20 cm e, se possível também, na profundidade de 20-40 cm, para formar uma
amostra composta de cada profundidade e encaminhar ao laboratório. As amostras devem ser
retiradas com antecedência mínima de 60 dias antes do plantio, para dar tempo de realizar a
calagem, caso seja necessária. Após retirar as subamostras, misturá-las bem e enviar ao
laboratório uma quantidade aproximada de 500 gramas em caixinha própria ou em saquinhos
plásticos sem resíduos (limpos). Caso o solo esteja muito molhado, recomenda-se secá-lo ao
ar, antes de colocá-lo na embalagem. Recomenda-se que a análise química do solo seja feita
anualmente, a fim de permitir o acompanhamento e a manutenção dos níveis adequados de
nutrientes durante o ciclo da planta. Nesse caso, a coleta das amostras deve ser feita na região
de aplicação do fertilizante, onde as raízes da bananeira se desenvolvem, ou na faixa úmida da
área, quando a adubação for via água de irrigação (EMBRAPA, 2010).
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A necessidade de calagem pode ser determinada pelo método da saturação por bases,
procurando atingir o valor de 70%. As recomendações de adubação, com base nas análises
químicas do solo, variam com o estado e região e devem ser aperfeiçoadas segundo a
aquisição de experiência local (SALOMÃO et al., 1998). De qualquer forma, na ausência de
experiência ou pesquisa local, recomenda-se adubação de N, P e K de acordo com a Tabela 1
(Borges et al., 2002). A aplicação de micronutrientes deverá ser realizada mediante a
necessidade indicada por análises químicas de solo e folhas. O boro e o zinco são os
micronutrientes que aparecem com maior freqüência de deficiência nas folhas de bananeiras.
Para teores de B no solo inferiores a 0,21 mg/dm3 (extrator de água quente), deve-se aplicar
2,0 kg de B/ha e, para teor de Zn no solo inferior a 0,6 mg/dm3 (extrator DTPA), recomenda-
se 6,0 kg de Zn/ha (EMBRAPA, 2010).
Tabela 1. Recomendação de adubação (NPK) nas fases de plantio, formação e produção da
bananeira
Tabela x. Recomendação de adubação (NPK) nas fases de plantio, formação e produção
da bananeira
N (kg/ha)
P Mehlich (mg/dm³) K solo (cmol_c /dm³)
0-6 7-15 16-30 >30 0-0,15
0,16-
0,30
0,31-
0,60
>0,60
---------- P2O5 (kg/ha) --------- --------- K2O (kg/ha) ----------
PLANTIO
751 120 80 40 0 0 0 0 0
Dias após o
plantio
FORMAÇÃO
30 20 0 0 0 0 20 0 0 0
60 20 0 0 0 0 30 30 0 0
90 30 0 0 0 0 40 30 20 0
120 30 0 0 0 0 60 40 30 0
120-380 100 0 0 0 0 300 250 150 0
Produtividade
esperada t/ha
PRODUÇÃO
60 400 180 120 80 0 750 500 250 0
Fonte: Borges at al. (2002)
Fonte: Borges at al. (2002)
Em áreas irrigadas, recomenda-se a aplicação dos fertilizantes via água de irrigação,
denominada de fertirrigação. É um meio eficiente de nutrição, pois combina dois fatores
essenciais para o crescimento, desenvolvimento e produção: água e nutrientes. Essa prática é
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indicada para os sistemas localizados (microaspersão e gotejamento), vez que aproveita as
características próprias do método, tais como baixa pressão, alta freqüência de irrigação e
possibilidade de aplicação da solução na zona radicular, tornando mais eficiente o uso do
fertilizante. Além disso, a fertirrigação é uma forma de reduzir as perdas de N por
volatilização. A freqüência de fertirrigação pode ser a cada 15 dias em solos com maior teor
de argila; em solos mais arenosos, recomenda-se a freqüência de fertirrigação semanal. Para o
monitoramento da fertirrigação, recomenda-se a análise química do solo, incluindo a
condutividade elétrica, verificando se estão de acordo com os valores esperados ou permitidos
(EMBRAPA, 2010).
2.3. Cultivares
As variedades de bananeira mais difundidas no Brasil são: Prata, Pacovan, Prata Anã,
Maçã, Mysore, Terra e D‟Angola pertencentes ao grupo AAB e utilizadas unicamente para o
mercado interno. Já as do grupo genômico AAA, Nanica, Nanicão e Grande Naine são
usadas, principalmente, para exportação e são preferencialmente utilizadas na
industrialização. Em menor escala, também são plantadas a Ouro (AA), Figo Cinza e Figo
Vermelho (ABB), Caru Verde e Caru Roxa (AAA). Dentre estas, as variedades Prata, Prata
Anã e Pacovan são responsáveis por aproximadamente 60% da área cultivada com banana no
Brasil (EMBRAPA, 2010).
As bananas Pacovan, Prata, Terra e Mysore apresentam porte alto. A Maçã é altamente
suscetível ao mal-do-Panamá, as variedades Nanica, Nanicão, Grande Naine, Terra e
D‟Angola apresentam alta suscetibilidade aos nematóides e a `Mysore´ está infectada com
Vírus das estrias da bananeira (BSV). Todas essas variedades são suscetíveis ao moko e, à
exceção da Mysore e da Ouro, são também suscetíveis à Sigatoka-negra. Excetuando a Maçã,
Mysore, Terra e D‟Angola, as variedades citadas são também altamente suscetíveis à
Sigatoka-amarela. A cultivar Prata apresenta frutos pequenos, de sabor doce a suavemente
ácido. A Pacovan é mais rústica e produtiva, apresentando frutos 40% maiores e um pouco
mais ácidos que aqueles do tipo Prata, e com quinas que permanecem mesmo depois da
maturação. A Prata Anã, também conhecida como Enxerto, Prata Rio ou Prata de Santa
Catarina, apresenta as pencas mais juntas que as da Prata, com frutos de mesmo sabor e com
pontas em formato de gargalo. A cultivar Maçã, a mais nobre para os brasileiros, apresenta
frutos com casca fina e polpa suave, que lembra a fruta da macieira. A variedade 'Ouro' tem
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frutos pequenos sem quinas e polpa muito doce. A Terra e a D‟Angola apresentam frutos
grandes, com quinas proeminentes, que são consumidos cozidos ou fritos. A Mysore possui
frutos com casca fina, de cor amarelo pálido e polpa ligeiramente ácida, que apresentam
grande adstringência quando consumidos antes do completo amadurecimento. Nos últimos
anos vem crescendo o interesse por variedades de banana, principalmente, de porte menor.
Essas cultivares são menos suscetíveis ao tombamento causado pelos ventos, sem dúvida um
dos maiores fatores de risco da cultura. Mas outras razões também têm contribuído para
aumentar o interesse por essas variedades. No caso da Maçã, o sucesso do seu cultivo está
relacionado à maior longevidade do bananal quando a mesma é plantada em solos do tipo
Vertissolo, associado à utilização de mudas micropropagadas (mudas obtidas por cultura de
tecidos). Normalmente, nessas condições, a mal-do-panamá, principal doença que ataca o
cultivo da banana Maçã, começa a aparecer mais tardiamente (EMBRAPA, 2010;
SALOMÃO et al., 1998).
Contra a expansão do uso das cultivares Grande Naine, Nanica, Nanicão e Prata-Anã
destacam-se a baixa demanda por estas cultivares, as deficiências do manejo da cultura e a
pós-colheita. Essas cultivares exigem mais cuidados com embalagem e na região ainda
predomina a comercialização a granel.No caso Prata-Anã os agentes responsáveis pela
comercialização ainda depreciam o valor comercial da produção em função do menor
tamanho apresentado pelos frutos. No Norte de Minas Gerais, ão tão grandes quanto os de
Pacovan (EMBRAPA, 2010).
2.4. Tratos culturais
As práticas culturais, quando realizadas de forma correta, na época adequada e
ajustadas às peculiaridades do ecossistema, são de fundamental importância para o bom
desenvolvimento e produção das culturas em geral (EMBRAPA, 2010). A bananeira é uma
planta muito sensível à competição por água e nutrientes e, além disso, algumas espécies de
plantas existentes nos tabuleiros são hospedeiras de vírus, nematóides e outros agentes causais
de doenças, a exemplo do moko, sendo necessário, portanto, eliminá-las, sem o que poderão
ocorrer reduções significativas no vigor das plantas e queda na produção. As principais
práticas culturais recomendadas para a cultura da bananeira nos Tabuleiros Costeiros são a
seguir descritas.
13
2.4.1. Controle de plantas daninhas
O bananal deve ser mantido no limpo através de roçadas mecânicas ou capina manual
superficial, visto que A concorrência com o mato resulta em atraso no desenvolvimento,
diminuição no vigor e queda na produção, não se devendo gradear ou passar rotativa, dada a
superficialidade das raízes. No bananal deve-se fazer o controle das plantas daninhas na linha
de plantio e o manejo na entrelinha através de roçadas, pois, assim como na maioria das
culturas perenes onde se utiliza amplos espaçamentos entre linhas, a manutenção da vegetação
na entrelinha trás inúmeros benefícios, como a conservação da água e do solo, preservação da
microbiota e ciclagem e reciclagem de nutrientes (Ronchi et al., 2001).
O número de capinas fica a critério das condições climáticas, fertilidade do solo e do
espaçamento utilizado, sendo que num bananal bem formado, as plantas daninhas são
problemas nos primeiros meses, quando então o controle deve ser realizado.
2.4.2. Desbaste
Esta prática consiste em eliminar o excesso de rebentos na touceira, que começam a
surgir a partir dos 45 a 60 dias após o plantio.
Em cada ciclo de produção do bananal estabelecido em espaçamentos convencionais
deve-se deixar apenas uma família (a planta mãe, uma filha e uma neta), selecionando-se,
preferencialmente, brotos profundos, vigorosos e separados 15 a 20 cm da planta mãe,
eliminando-se os demais. Recomenda-se que este procedimento seja feito quando os rebentos
atingirem a altura de 20 cm a 30 cm, tomando-se o cuidado de se proceder a eliminação total
da gema apical ou ponto de crescimento, para evitar a possibilidade de rebrota.
O desbaste é feito cortando-se, com penado ou facão, a parte aérea do rebento rente ao
solo. Em seguida, extrai-se a gema apical ou ponto de crescimento com o aparelho
denominado "lurdinha", podendo-se, também, optar pelo simples corte das brotações; neste
caso a operação teria que ser realizada 3 a 4 vezes, para impedir o crescimento (EMBRAPA,
2010).
2.4.3. Desfolha
Consiste em eliminar as folhas secas que não mais exercem função para a bananeira,
bem como todas aquelas que, embora ainda verdes, possam interferir no desenvolvimento
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normal do fruto. O número de operações varia com as condições específicas de cada cultivo
ou região. As folhas cortadas deverão ser espalhadas nas ruas do bananal, proporcionando
proteção ao solo e servindo como fonte de matéria orgânica para produção de cobertura morta
(SALOMÃO et al., 1998).
2.4.4. Eliminação da ráquis masculina (coração)
A eliminação do coração da bananeira proporciona aumento do peso dos frutos,
melhora sua qualidade e acelera a maturação; ajuda também a reduzir danos por tombamento
das bananeiras, uma vez que o cacho fica mais leve, além de diminuir a atratividade para as
abelhas arapuá (Trigona sp.), insetos que danificam as bananas, cortando as quinas e que
podem ser o vetor de doenças como o moko.
A eliminação da ráquis masculina deve ser feita duas semanas após a emissão da
última penca, por meio da sua quebra ou corte, que deve ser sempre efetuado 10 a 15 cm
abaixo dessa penca (EMBRAPA, 2010).
2.4.5. Ensacamento do cacho
Esta prática deve ser utilizada, principalmente, em sistemas tecnificados, para os quais
se destina esse documento, e apresenta as seguintes vantagens: 1) aumenta a velocidade de
crescimento dos frutos, ao manter em sua volta uma temperatura mais alta e constante; 2)
evita o ataque de pragas como a abelha arapuá e trips sp.; 3) melhora a aparência e qualidade
da fruta, ao reduzir os danos provocados por arranhões e pelas queimaduras no pericarpo, em
conseqüência da fricção de folhas dobradas; e 4) protege os frutos do efeito abrasivo de
defensivos utilizados no controle do mal-de-sigatoka (EMBRAPA, 2010).
Há vários tipos e coloração de sacos utilizados na proteção do cacho, no campo: a)
transparentes, de coloração gelo, para zonas produtoras onde a incidência de pragas não é
severa; b) transparentes, de coloração azul-celeste, tratados com produtos químicos, para
zonas produtoras em que ocorre severa incidência de pragas; e c) leitosos, que conferem
maior proteção ao cacho contra as intempéries (poeiras, insolação intensa). Os sacos devem
ser dotados de pequenas perfurações que permitam a troca de ar entre o cacho e o meio
externo. O saco tradicional mede 81 cm de diâmetro por 155 cm a 160 cm de comprimento,
15
tem 0,08 mm de espessura e furos de 12,7 mm de diâmetro, distribuídos em "S", a cada 76
mm.
Nos cultivos em que os cachos são ensacados, deve-se realizar esta prática juntamente
com a eliminação da ráquis masculina, a fim de auferir as vantagens do ensacamento por mais
tempo. O saco é colocado enrugado em torno do cacho, para que não se rasque, sendo depois
cuidadosamente aberto. Em seguida, deve ser amarrado ao engaço na parte imediatamente
acima da primeira cicatriz bracteal (JÚNIOR&VENZON, 2007).
2.4.6. Escoramento
Objetiva evitar a perda de cachos por quebra ou tombamento da planta, devido à ação
de ventos fortes, do peso do cacho, da altura elevada da planta e de sua má sustentação,
causada pelo ataque de nematóides ou da broca-do-rizoma ou por práticas não apropriadas de
manejo do bananal, como o arranquio desordenado de mudas. O escoramento pode ser feito
utilizando escora de madeira ou fios. A escora pode ser vara de bambu ou de outra madeira.
Com a escassez e o custo elevado das escoras de madeira, tem-se utilizado fios de
prolipropileno, que é amarrado preferencialmente no engaço junto à roseta foliar e na base de
uma outra planta que, pela sua localização, confira maior sustentabilidade à planta com cacho.
O fio de polipropileno é mais recomendável por apresentar boa durabilidade (até a colheita do
cacho), baixo custo e fácil manuseio (EMBRAPA, 2010).
2.4.7. Corte do pseudocaule após a colheita
É uma prática que varia de região para região, tanto no que diz respeito à altura quanto
à época em que deve ser efetuado o corte. É aconselhável fazer o corte do pseudocaule
próximo ao solo, imediatamente após a colheita do cacho, pelas seguintes razões: a) evita-se
que o pseudocaule, não cortado, contribua para a disseminação de doenças; b) contribui para a
melhoria das propriedades físicas e químicas do solo, graças à rápida e eficiente incorporação
e distribuição dos resíduos da colheita; e c) reduz custos com a realização de um único corte
(EMBRAPA, 2010).
2.5. Pragas
16
2.5.1. Moleque-da-Bananeira (Cosmopolites sordidus)
Praga bastante disseminada, atingindo praticamente todos os bananais. O inseto adulto
é um besouro preto, de hábito noturno, suas larvas são responsáveis pelas perfurações que
aparecem no rizoma, destruindo internamente o tecido da planta, prejudicando o seu
desenvolvimento. As folhas amarelecem, os cachos ficam pequenos eas plantas sujeitas ao
tombamento.
Para o seu controle recomenda-se a limpeza das mudas, com uma toalete completa,
onde se escalpela todo o seu rizoma, eliminando por completo os sinais de sua presença.
O controle, ainda, é realizado com o monitoramento da praga, utilizando-se de iscas
tipo queijo ou telha, onde acrescenta-se um inseticida na dosagem de 2-3g/isca, fazendo-se 25
iscas/ha.
Recentemente tem-se realizado o controle biológico da broca utilizando-se o
fungo Beuveria bassiana, no mesmo sistema de iscas, agora utilizando 20-25g do fungo/isca
na proporção de 100 iscas/ha (RANGEL, 2010).
2.5.2. Nematóides
Os nematóides que ocorrem na cultura da banana são classificados segundo as lesões
que provocam:
a) lesões profundas (Radophulos similis - nematóide "cavernícola" e Pratylenchus
musicola
b) lesões superficiais (Helicotylenchus spp)
c) lesões tipo galha (Meloidogyne spp) (SALOMÃO, 1998).
Os nematóides parasitam o sistema radicular e rizomas das bananeiras, são
responsáveis por expressivas quedas de produção nos bananais em decorrência da existência
de condições propícias para o desenvolvimento de altas populações, como terreno arenoso e
períodos secos.
São encontrados em quase todas as plantações do Estado de São Paulo, podendo
reduzir as raízes a apenas 10% do seu comprimento, levando ao tombamento de plantas, além
disso abrem nas raízes e no rizoma, portas de entrada para outros parasitas.
O melhor método de controle é não permitir a entrada de nematóides em novas áreas,
para isso necessita-se de mudas de origem sadia. Para complementar recomenda-se realizar
17
uma boa "toalete" do rizoma das mudas, eliminando toda e qualquer mancha escura,e fazer
tratamento das mudas.
Nos tratamentos rotineiros, podemos aplicar nematicida via solo (não realizando o
tratamento em plantas com cachos) ou logo após a colheita dentro da planta-mãe com auxílio
da lurdinha.
Outras formas de atenuar os problemas com a presença de nematóides são as de
manter as plantas com nutrição correta e bem conduzidas (RANGEL, 2010).
2.5.3. Outras pragas
Outras pragas ocorrem ocasionalmente na cultura da banana como por exemplo:
-Trips (Palleucothrips musae): Pequenos insetos que causam danos na casca dos
frutos. Depreciam as frutas para o comércio (JÚNIOR&VENZON, 2007). A eliminação dos
"corações" exercem um certo controle na população.
-Traça-dos-frutos-da-bananeira (Opogona sacchari): a larva penetra no fruto, abrindo
galerias, causando o apodrecimento e o amarelecimento deste, com o resto do cacho ainda
verde. Seu controle pode ser feito com despestilagem ou pulverizando-se com produtos
recomendados, com jato dirigido ao cacho recém-formado (RANGEL, 2010).
-Lagartas: provocam prejuízos na área foliar, com desfolhamento ou abertura de
galerias no parênquima foliar. Seu controle quando necessário pode ser realizado
quimicamente com resultados satisfatórios (RANGEL, 2010).
2.6. Doenças
2.6.1. Mal-de-Sigatoka (Mycosphaerella musicola) fase perfeita; (Cercospora musae) fase
imperfeita
Os sintomas ocorrem nas folhas, iniciando-se por pontuações com leve descoloração,
passando por estrias cloróticas e manchas necróticas, elípticas, alongadas e dispostas
paralelamente as nervuras secundárias, apresentado estas lesões á parte central acinzentada e
as bordas amarelecidas, essas lesões podem coalescer comprometendo uma grande área foliar
(SALOMÃO, 1998).
18
Tem sido responsável por mais de 50% das perdas nas produções e elevação dos
custos de produção (JÚNIOR&VENZON, 2007). É um problema fitossanitário limitante para
os cultivares Nanicão, Nanica e Grande Naine sendo imprescindível um programa de controle
fitossanitário. O cultivar Ouro é ainda mais susceptível, já os cultivares Maça e Prata são
considerados medianamente resistentes e o „Terra‟ ainda mais resistentes.
Para o seu controle recomenda-se pulverização sobre as folhas, em baixo volume,
atingindo as folhas novas, com óleo mineral "Spray oil" entre 12 e 18 litros/ha.
O período de controle deverá ser de setembro a maio, pois o fungo necessita de
temperatura e umidade alta para se desenvolver, num intervalo de aplicação de 20-22 dias,
podendo este prazo ser dilatado quando utilizado óleo mais um fungicida sistêmico triazóis,
benomyl e benzimidozóles.
As aplicações são feitas por atomizador costal, atomização via trator e aplicações
aéreas (RANGEL, 2010).
2.6.2. Mal-do-Panamá (Fusarium oxysporum f. sp. cubense)
Os cultivares de interesse comercial apresentam taxas variáveis de tolerância, assim
apresentam alta tolerância os cultivares: „Ouro‟, „Nanica‟, „Nanicão‟; mediana tolerância:
„Terra‟; baixa tolerância: „Prata‟ e intolerante: „Maça‟ (RANGEL, 2010).
Esta doença, sendo limitante para o cultivar Maça, fruta de grande preferência de
consumo, motivou a migração de seu cultivo do Estado de São Paulo.
Apesar da tolerância do cultivar Nanicão, desequilíbrios nutricionais (P, Ca, Mg e Zn),
parasitismo de nematóides, ou períodos elevados de estiagem, podem levar ao aparecimento
de sintomas da fusariose.
Não existe controle para a doença, e no caso da escolha por variedades suscetíveis,
buscar locais onde não ocorreram plantios anteriores e utilizar mudas sadias e de qualidade
(JÚNIOR&VENZON, 2007).
2.6.3. Moko ou Murcha Bacteriana (Pseudomonas solanacearum)
Doença bacteriana que se encontra no Brasil apenas na região Norte, onde já é bastante
difundida, e no Nordeste. A planta infectada morre em poucas semanas, sua incidência se dá
em reboleiras, com as folhas caídas e secas ("guarda-chuva fechado"), os frutos apresentam a
19
polpa com manchas negras distribuídas no seu interior. Como único método de controle,
preconiza-se um rigoroso programa de erradicação das plantas doentes (SALOMÃO, 1998).
No Estado de São Paulo, não foi constatada a presença dessa doença, devendo-se pois
atentar-se para não permitir a entrada desse patógeno nas nossas regiões produtoras
(RANGEL, 2010).
2.6.4. Doenças de frutos
São algumas as doenças fúngicas que normalmente não chegam a afetar a qualidade da
polpa, no entanto, como são causados por fungos manchadores de frutos, leva a perda de valor
comercial devido a defeitos e má aparência.
Como exemplo citamos:
- ponta-de-charuto: causado por uma associação de fungos
- doença-das-pintas (Pyricularia grisea).
De maneira geral, essas doenças não tem sido problema limitante, no entanto, em
bananais limpos, bem arejados e com bom manejo, diminuem as possibilidades de ocorrência
(RANGEL, 2010).
2.6.5. Doenças Pós-colheita
Podem ocorrer podridões, seja no engaço, na coroa ou almofada ou nos frutos. Para
evitar tais problemas que resultam em diminuição no valor comercial do produto, deve-se
atentar a uma colheita cuidadosa e no ponto correto, proceder a limpeza das pencas, a
lavagem dos frutos com detergente e posterior imersão em solução fungicida (benomyl e
thiabendazóle) e o acondicionamento nas embalagens adequadamente (RANGEL, 2010).
4. Exigências do mercado exportador
A produção mundial de frutas aumentou 26% entre a década passada e esta, levando
em conta a média dos triênios de 1993/95 e 2003/05, segundo a Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU). Um dos principais fatores para esse
desempenho foi o aumento da demanda por alimentos saudáveis, ricos em vitaminas e sais
minerais. Com isso, a receita mundial com exportação de frutas cresceu 62% no período de 10
anos analisado. Tal salto foi resultado da abertura de novos mercados consumidores, da maior
20
rapidez nos meios de distribuição, permitindo a entrega de um produto de qualidade e sem
danos, e preços atrativos.
Banana - O Brasil aparece como 2° colocado no ranking dos maiores produtores de
banana em 2003/05, segundo a Organização das Nações Unidas para Agriculturae
Alimentação (FAO/ONU).
Quanto à produtividade, apesar de o rendimento dos bananais brasileiros ter
aumentado 18% entre 1993/95 e 2003/05, a média do País ainda é inferior à dos principais
produtores. Por conta da diversidade no nível tecnológico, a produtividade em algumas áreas
no Brasil chega a 60 toneladas por hectare, volume superior ao da média mundial, mas outras
ainda estão limitadas ao máximo de 8 toneladas por hectare.
Apesar de o Brasil ser o 2° maior produtor de banana do mundo, a sua participação no
mercado internacional em receita é pequena (1,4%), deixando para o Equador, a Costa Rica e
a Colômbia a maior fatia do mercado. Juntos, esses países representam cerca de 80% das
exportações mundiais. O Equador está na primeira colocação das exportações em receita,
favorecido pela presença de multinacionais especializadas na produção/comércio da fruta,
como a Del Monte, a Dole e a Chiquita, que juntas detêm mais de 90% de toda a exportação
mundial. Essas empresas aperfeiçoaram e direcionaram a cadeia produtiva do Equador para o
mercado externo.
Apesar de ter apenas uma pequena fatia do mercado internacional, o Brasil merece
destaque também nesse setor. A receita nacional com exportação de banana aumentou 205%
nos últimos 10 anos – observados os triênios 1993/95 e 2003/05 –, número bem acima da
média de crescimento mundial, que foi de 35%. O principal motivo para o incremento na
receita brasileira foi o fato de, no início da atual década, o Brasil ter passado a exportar para a
Europa.
Essa operação, por sua vez, deve- se basicamente à instalação de uma multinacional
no Nordeste do País, especializada na produção de banana de alta qualidade, atendendo às
exigências do mercado europeu.
Para melhorar ainda mais a posição brasileira no ranking das exportações de banana, é
importante aumentar os investimentos em tecnologia de produção, visando elevar o nível
especialmente de pequenas propriedades e melhorar a qualidade da fruta. Também no âmbito
internacional são necessárias “mudanças”, sobretudo a redução das barreiras tarifárias de
21
exportação para a Europa e da burocracia nas fronteiras com os países do Mercosul
(Abanorte, 2010).
De forma geral, os frutos devem ser colhidos ainda verdes, porém já desenvolvidos e
as "quinas" longitudinais pouco salientes (3/4 gordo). Para o mercado externo, prefere-se
colher frutos um pouco mais magros que para o mercado interno.
Após a colheita, o produto pode ter vários destinos e diferentes modalidades de
comercialização, seja na comercialização direta dos cachos, seja em embalagens que devem
obedecer a portaria específica do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, que padroniza
de acordo com o mercado a que se destina (interno e externo) e com a cultivar, os diferentes
tipos de embalagem para banana (torito, caixa "M", caixa de papelão).
Para pensarmos seriamente em exportação, não apenas nos tradicionais importadores,
temos que estar dispostos a inovar e ter preços equivalentes, apresentam uma qualidade e
uma apresentação extremamente superior, inclusive comercializando seus frutos em forma de
"buquê" (5-7 frutos), prática esta que já vem sendo realizada pelos produtores nacionais.
Hoje, tem-se incentivado a prática de tratamentos pós-colheita, com manuseio de
frutos em casas de embalagem, nas áreas de bananicultura do Estado, como forma de
melhorar a qualidade final do produto. Além disso temos que pensar num trabalho de
marketing salientando as propriedades da banana como alimento com o objetivo de se
estimular seu consumo (Frutas Brasil, 2009).
5. Situação atual da tecnologia
Na bananicultura, em se tratando de investimento e inovações tecnológicas, a parte do
manejo pós-colheita merece destaque.
Nos cultivos tradicionais que não contam com um galpão de embalagem, os cachos
são transportados para local com infra-estrutura mínima, pelo menos uma palhoça com chão
coberto por folhas de bananeira. Os cachos não devem ser amontoados, a fim de evitar atrito
entre os frutos. Nos cultivos semi-tecnificados o transporte dos cachos para o local de
despencamento e embalagem é feito pelos carreadores, em cujas base e laterais são
depositadas folhas de bananeira para evitar escoriações nos frutos. Pode-se também usar
carrocerias de veículos automotivos ou carreta de trator, forradas com folhas de bananeira ou
capim. Já nos cultivos tecnificados os cachos são transportados até o galpão de
despencamento e embalagem por cabos aéreos. Nas pequenas propriedades cuja produção
22
destina-se ao mercado externo, os cachos são transportados diretamente do bananal para o
galpão em "cuna" (Figura 1) ou são envolvidos em colchões de espuma de 1,5 cm de
espessura colocados sobre carreta acoplada ao trator (EMBRAPA, 2003b).
Figura 1. "Cuna" ou berçário para o transporte de cachos do campo para o galpão
de despencamento e embalagem.
5.1. Galpões de Embalagem
Os cachos são dispostos lado a lado, suspensos em ganchos móveis embutidos em
trilhos onde são despencados. A seguir, as pencas são lavadas no tanque contendo 1% de
detergente doméstico. O detergente, além de profilático, remove e precipita o látex (leite).
Durante o processo de lavagem, as pencas podem ser divididas em buquês de três a nove
frutos em função da demanda pelo mercado consumidor. Também nesta ocasião é feita a
seleção e classificação de acordo com padrões estabelecidos para os distintos grupos de
cultivares (EMBRAPA, 2003b).
5.2. Embalagem
Após a lavagem, classificação, pesagem e etiquetagem, os buquês ou pencas são
colocados em caixas revestidas com plástico de baixa densidade para proteção dos frutos
contra escoriações. Podem ser utilizadas caixas de papelão, de madeira ou de plástico
fabricadas especificamente para frutos. Em todos os casos, as dimensões são de 52 x 39 x 24,5
cm (comprimento x largura x altura), com capacidade para aproximadamente 18 kg de frutos
(EMBRAPA, 2003b).
23
5.3. Conservação pós-colheita
Frigoconservação: as bananas podem ser conservadas sob refrigeração pelo período de
uma a três semanas, findo o qual devem ser removidas para câmaras de maturação, onde são
tratadas com etileno ou, previamente, com ethephon. A temperatura mínima de armazenagem
depende da sensibilidade da banana a danos pelo frio, sensibilidade esta que é afetada pela
cultivar, condições de cultivo e tempo de exposição a uma dada temperatura. Os danos pelo
frio são causados pela exposição a temperaturas inferiores a 13,3ºC, os quais depreciam a
qualidade do fruto, porém sem afetar a consistência e o paladar da polpa. A umidade também
afeta a qualidade da banana, sendo recomendado o seu armazenamento na faixa de 85 a 95%.
Embora esta faixa de umidade possa ser mantida em câmaras sem controle automático, já
existe a frigoconservação em câmaras automatizadas, que controlam tanto a temperatura
quanto a umidade relativa (EMBRAPA, 2003b).
Conservação em atmosferas controlada e modificada: a conservação de bananas pode
ser aumentada significativamente com o uso de atmosfera controlada ou modificada. Em
atmosfera controlada com 7 a 10% de CO2 e 1,5 a 2,5% de O2, as bananas podem ser
conservadas por mais de quatro meses a 20ºC, amadurecendo normalmente após transferência
para câmara de maturação. A modificação da atmosfera, selando as bananas em sacos de
polietileno, também aumenta significativamente o tempo de conservação. A inclusão de
permanganato de potássio, um absorvente do etileno, estende ainda mais o período de
armazenagem. Uma vantagem adicional dos sacos de polietileno é que o seu uso é efetivo em
uma larga faixa de temperatura, desde 13 até 37ºC. O uso de emulsões de cera e produtos à
base de éster de sacarose permitem estender o período pré-climatérico de bananas por uma a
duas semanas, reduzir a perda de água e a ocorrência de escurecimento dacasca. O
enceramento causa modificações na atmosfera interna do fruto, aumentando a concentração
de CO2 e reduzindo a de O2, daí o prolongamento do período pré-climatérico, como ocorre em
câmaras com atmosfera controlada e nas embalagens plásticas (EMBRAPA, 2003b).
5.4. Maturação controlada – climatização
Temperatura e umidade relativa na câmara: as condições para maturação controlada de
bananas são selecionadas visando otimizar o desenvolvimento da cor amarela da casca e
uniformizar a maturação. A faixa ótima de temperatura do ar para a climatização é de 13,9 a
23,9ºC, na qual não ocorrem alterações na qualidade dos frutos. O aumento da temperatura
24
reduz o tempo para atingir-se um determinado estágio de cor da casca. A manutenção da
umidade relativa entre 85 e 95% durante a maturação é vital para a obtenção de frutos de boa
qualidade de cor e sabor. Alta umidade relativa com adequada temperatura contribui
grandemente para melhorar a aparência, a palatabilidade e aumentar o período de
comercialização (EMBRAPA, 2003b).
Empilhamento das caixas na câmara: uma adequada circulação de ar na câmara é
essencial para uniformização da maturação. O sistema de ventilação da câmara e o tipo de
empilhamento das caixas afetam sensivelmente a circulação do ar. Uma vez que a temperatura
aumenta devido à respiração das bananas, a área exposta do topo das caixas é muito
importante para prevenir aumento de temperatura na pilha e manter a temperatura da polpa
estável durante a climatização. As pilhas devem ser distribuídas uniformemente na câmara,
para propiciar um bom fluxo de ar, necessário ao controle da temperatura da polpa e
progresso da coloração (EMBRAPA, 2003b).
5.5. Procedimentos para climatização
Os cachos devem ser separados em dois lotes: um contendo as seis ou oito pencas
mais velhas e o outro as demais. Quando não for possível, deve-se colocar o lote mais jovem
no fundo e o mais velho na frente da câmara, pois este amadurecerá mais cedo.
Aproximadamente 12 horas antes de aplicar-se o etileno, a temperatura da câmara deve ser
ajustada para 15,5ºC a 16,7ºC. A dosagem recomendada para climatização com etileno é 0,1%
ou 28 L para cada 28 m
3
da câmara. Se for usado produto comercial (Etil-S ou Azetil) a
quantidade será de 280 L por 28m
3
. Durante as primeiras 24 horas após aplicação do gás, a
câmara deve ser mantida hermeticamente fechada. Após este tempo procede-se a ventilação
por 15 a 20 minutos, para suprir a câmara com o oxigênio essencial para a respiração normal
das bananas (EMBRAPA, 2003b).
Climatização com ethephon: o ethephon (Ethrel ou similar) é largamente usado na
agricultura com várias finalidades, dentre as quais a indução da maturação, uma vez que o
produto libera o etileno nos tecidos vegetais. Na maturação é usado em baixíssimas
concentrações, inferiores a 1%, não oferecendo riscos durante o manuseio (EMBRAPA,
2003b).
25
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RONCHI, C. P.; SILVA, A. A.; FERREIRA, L. R. Manejo de plantas daninhas em
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