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EMBRIOLOGIA DO MESONEFRO E METANEFRO E A ASCENSÃO DO RIM 4. Ascensão do Rim Inicialmente o rim definitivo está na pelve, próximo à artéria ilíaca comum. Fatores da Ascensão Crescimento do embrião e da coluna vertebral Alongamento do corpo Reorganização vascular Movimento O rim migra para cima, desde a pelve até a região lombar. A irrigação também muda: Inicialmente recebe sangue de artérias ilíacas. Durante a ascensão, novas artérias renais surgem da aorta. As artérias inferiores degeneram. Posição Final Altura: T12 a L3 O rim direito fica ligeiramente mais baixo devido ao fígado. Giro Durante a ascensão, o rim roda medialmente, posicionando o hilo orientado para a coluna. 1. Origem Embrionária Geral do Sistema Urinário O sistema urinário deriva do mesoderma intermediário, que forma uma estrutura longitudinal ao lado da coluna chamada crista urogenital. A partir dessa crista surgem três rins embrionários, que se desenvolvem de forma sequencial: Sistema renal Quando aparece? Destino Pronefro 4ª semana Regressa totalmente Mesonefro 4ª — 10ª semanas Funciona temporariamente Metanefro A partir da 5ª semana Forma o rim definitivo 2. Mesonefro (Rim Transiente) Origem Surge a partir do mesoderma intermediário toracolombar (aprox. T1 a L3). Formação O mesoderma forma túbulos mesonéfricos, que se abrem em um ducto chamado ducto mesonéfrico (Wolff). Esses túbulos filtram o plasma embrionário temporariamente. Função O mesonefro funciona como rim entre 4ª e 10ª semana, até que o metanefro esteja maduro o bastante. Destino do Mesonefro Nos homens: parte dos túbulos mesonéfricos e o ducto de Wolff permanecem, originando: Epidídimo Ducto deferente Ductos ejaculatórios Parte dos túbulos eferentes Nas mulheres: o mesonefro regride quase todo, restando apenas pequenos vestígios (epoóforo, paroóforo). 3. Metanefro (Rim Definitivo) Origem O metanefro surge a partir de duas estruturas (ambas derivadas do mesoderma intermediário): Estrutura Origem Forma… Broto ureteral Evaginação do ducto mesonéfrico Ureter, pelve renal, cálices e sistema de ductos coletores Blastema metanéfrico Massa de mesoderma metanéfrico Néfrons (cápsula de Bowman, túbulos e alça de Henle) Processo de Indução O broto ureteral penetra o blastema metanéfrico, estimulando-o a formar os néfrons. Ao mesmo tempo, ramifica-se repetidamente formando o sistema coletor. Início da Filtração O rim definitivo começa a produzir urina por volta da 10ª-12ª semana. Resumo Visual Mesoderma intermediário → Crista urogenital ↓ Pronefro (regrede) ↓ Mesonefro (rim temporário) → Ducto de Wolff persiste no sexo masculino ↓ Metanefro = Rim definitivo - Broto ureteral → ureter + cálices + ductos coletores - Blastema metanéfrico → néfrons ↓ Ascende da pelve → região lombar Irrigação passa de ilíacas → aorta ANATOMIA DOS RINS Anatomia dos Rins Os rins são órgãos retroperitoneais, localizados na parede posterior do abdome, um de cada lado da coluna vertebral, aproximadamente entre T12 e L3. O rim direito fica um pouco mais baixo devido ao fígado. Estrutura Externa Cada rim apresenta: Parte Descrição Hilo renal Abertura medial por onde entram/saem artéria renal, veia renal, ureter e nervos. Cápsula fibrosa Revestimento interno resistente que protege contra traumas e infecções. Tecido adiposo (cápsula adiposa) Camada de gordura que protege e fixa o rim. Fáscia renal Tecido conjuntivo que ancora o rim à parede abdominal. Estrutura Interna O rim é dividido em: Região Características Córtex renal Parte mais externa, textura granulosa. Contém porções dos néfrons (corpúsculos renais e túbulos contorcidos). Medula renal Parte mais interna, formada pelas pirâmides renais. Pirâmides renais Estruturas cônicas que convergem no papila renal, onde a urina escorre. Colunas renais Extensões do córtex entre as pirâmides. Sistema de Drenagem da Urina Papilas renais → drenam a urina para Cálices menores Cálices maiores Pelve renal Ureter, que conduz a urina até a bexiga Vascularização O rim recebe cerca de 20–25% do débito cardíaco. Artéria renal → divide-se em artérias interlobares, arqueadas e interlobulares → vasos que irrigam os néfrons. O sangue filtrado retorna pela veia renal → veia cava inferior. Néfron (Unidade Funcional) Cada rim contém cerca de 1 milhão de néfrons, compostos por: Estrutura Função Corpúsculo renal (glomérulo + cápsula de Bowman) Filtra o plasma sanguíneo. Túbulos renais (proximal, alça de Henle, distal) Reabsorção e secreção de substâncias. Ducto coletor Conduz a urina final até os cálices. Resumo Final Os rins filtram sangue, regulam eletrólitos, pressão arterial, pH e volume de água. Estruturalmente: cápsulas externas protetoras, córtex + medula com pirâmides, e sistema de drenagem até o ureter. Funcionalmente: atuam através dos néfrons, que filtram, reabsorvem e secretam. Minor calyx Major calyx Medula Capsule Ureter Renal vein Renal artery Interloblar blood vessels Cortical blood vessel · FISIOLOGIA DO SISTEMA URINÁRIO 1. Funções gerais do sistema urinário De acordo com Tortora, as principais funções fisiológicas do sistema urinário são: • Excreção de resíduos metabólicos: elimina substâncias tóxicas produzidas pelo metabolismo, como ureia (do catabolismo de proteínas), creatinina (do metabolismo muscular), ácido úrico (dos ácidos nucleicos) e amônia. • Regulação do volume sanguíneo e da pressão arterial: por meio da quantidade de água excretada na urina e da liberação de renina, que participa do sistema renina- angiotensina-aldosterona (SRAA). • Regulação da osmolaridade e dos eletrólitos plasmáticos: controla as concentrações de íons como sódio (Na⁺), potássio (K⁺), cálcio (Ca²⁺), cloreto (Cl⁻) e fosfato (PO₄³⁻). • Regulação do equilíbrio ácido-básico: ajusta a excreção de íons hidrogênio (H⁺) e a reabsorção de bicarbonato (HCO₃⁻) para manter o pH sanguíneo em torno de 7,4. • Produção de hormônios: como eritropoetina (estimula a produção de hemácias na medula óssea) e calcitriol (forma ativa da vitamina D, que aumenta a absorção intestinal de cálcio). • Regulação da glicemia: por meio da gliconeogênese renal, que converte aminoácidos em glicose durante o jejum prolongado. 2. Estrutura funcional: o néfron O néfron é a unidade funcional e estrutural dos rins, sendo responsável pela formação da urina. Cada rim contém cerca de 1 milhão de néfrons, compostos por duas partes principais: • Corpúsculo renal, formado pelo glomérulo (rede de capilares) e pela cápsula de Bowman, onde ocorre a filtração do plasma sanguíneo. • Túbulo renal, dividido em túbulo contorcido proximal, alça de Henle, túbulo contorcido distal e ducto coletor, onde ocorrem os processos de reabsorção e secreção. A função do néfron é processar o plasma filtrado e formar a urina, por meio de três etapas fundamentais: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular. 4. Regulação hormonal da função renal Tortora destaca três hormônios principais que regulam a função renal: • Aldosterona (do córtex da adrenal): aumenta a reabsorção de sódio e água e a secreção de potássio, elevando o volume sanguíneo e a pressão arterial. • ADH (hormônio antidiurético): secretado pela neuro-hipófise, aumenta a reabsorção de água nos ductos coletores, reduzindo o volume da urina. • PNA (peptídeo natriurético atrial): liberado pelos átrios cardíacos quando há aumento do volume sanguíneo; inibe a reabsorção de sódio e a secreção de renina, promovendo a diurese (eliminação de água). O SRAA (sistema renina-angiotensina-aldosterona) é essencial para manter a pressão arterial e o equilíbrio hídrico. Quando há queda da pressão, o rim libera renina, que converte o angiotensinogênio em angiotensina I; esta é transformada em angiotensina II, potente vasoconstritora que estimula a secreção de aldosterona e o aumento da reabsorção de água e sal. 5. Funções dos órgãos excretores • Ureteres: transportam a urina dos rins à bexiga por peristaltismo.• Bexiga urinária: armazena a urina (capacidade média de 700–800 mL). • Uretra: conduz a urina ao exterior. A micção é controlada pelo centro da micção no bulbo e na ponte. O reflexo miccional envolve a contração do músculo detrusor e o relaxamento dos esfíncteres uretrais interno e externo. O controle voluntário da micção se consolida durante a infância, quando o córtex cerebral assume o comando sobre o esfíncter externo. 6. Síntese integrativa Em resumo, segundo Tortora, a fisiologia do sistema urinário baseia-se em três pilares: 1. Filtração glomerular — separa os componentes do plasma no néfron. 2. Reabsorção tubular — devolve substâncias úteis ao sangue. 3. Secreção tubular — elimina resíduos e ajusta o equilíbrio químico. Esses mecanismos, coordenados por controles neurais e hormonais, mantêm o equilíbrio hidroeletrolítico, o pH e o volume sanguíneo dentro de limites fisiológicos, garantindo a homeostase geral do corpo. 3. Etapas da formação da urina a) Filtração glomerular O sangue chega ao glomérulo pela arteríola aferente e sai pela arteríola eferente. Devido à alta pressão dentro dos capilares glomerulares, parte do plasma atravessa as paredes capilares e a cápsula de Bowman, formando o filtrado glomerular. Essa membrana de filtração retém células sanguíneas e proteínas grandes, permitindo a passagem de água, íons, glicose, aminoácidos e pequenas moléculas. A taxa de filtração glomerular (TFG) — cerca de 125 mL/min em adultos — é controlada por três mecanismos descritos por Tortora: • Regulação renal intrínseca (autorregulação): os rins ajustam o diâmetro das arteríolas para manter a TFG constante. • Regulação neural: o sistema nervoso simpático reduz a TFG durante o estresse, desviando o sangue para outros órgãos vitais. • Regulação hormonal: via angiotensina II (reduz a TFG) e peptídeo natriurético atrial (PNA) (aumenta a TFG). b) Reabsorção tubular Após a filtração, o filtrado glomerular passa pelo túbulo renal, onde ocorre a reabsorção de substâncias úteis de volta ao sangue dos capilares peritubulares. Cerca de 99% do filtrado é reabsorvido — apenas 1% se torna urina. Os principais processos são: • No túbulo contorcido proximal: reabsorção de água, glicose, aminoácidos e íons como Na⁺, K⁺, Ca²⁺ e Cl⁻. • Na alça de Henle: ocorre o mecanismo contracorrente, responsável pela concentração da urina, com reabsorção de água no ramo descendente e de íons no ramo ascendente. • No túbulo distal e ducto coletor: reabsorção de Na⁺ e água sob controle hormonal — especialmente da aldosterona (estimula reabsorção de sódio e secreção de potássio) e do ADH (hormônio antidiurético), que aumenta a permeabilidade à água, concentrando a urina. c) Secreção tubular Nessa etapa, íons e substâncias indesejadas são ativamente transportados do sangue para o filtrado tubular. São secretados íons H⁺ (para controle do pH), K⁺ (em excesso), amônia, creatinina e certos fármacos. A secreção ajuda a eliminar toxinas e a ajustar a composição final da urina. HISTOLOGIA DO SISTEMA RENAL 3. Ductos coletores O ducto coletor recebe o filtrado de vários néfrons e o conduz até os ductos papilares, que se abrem nos cálices menores do rim. Seu epitélio é cúbico simples nas porções iniciais, tornando-se cilíndrico simples à medida que se aproxima da pelve renal. As células principais do ducto respondem à aldosterona e ao ADH, regulando a reabsorção de água e sódio, enquanto as células intercaladas secretam íons H⁺ e bicarbonato, ajudando a manter o pH do sangue. 4. Histologia comparada entre tipos de néfrons Tortora descreve dois tipos de néfrons com pequenas diferenças histológicas e funcionais: • Néfrons corticais: • Representam cerca de 85% dos néfrons. • Localizam-se predominantemente no córtex renal. • Possuem alças de Henle curtas, que penetram superficialmente na medula. • Produzem urina menos concentrada. • Néfrons justamedulares: • Situam-se próximos à junção córtico-medular. • Possuem alças de Henle longas, que se estendem profundamente na medula. • São essenciais para o mecanismo de concentração da urina e para o equilíbrio hídrico. Ambos possuem a mesma estrutura histológica básica, mas com diferenças proporcionais nos segmentos tubulares e nos capilares associados. 5. Síntese integrativa Em resumo, segundo Tortora: • O corpúsculo renal (com glomérulo e cápsula de Bowman) é especializado em filtração, com epitélio fenestrado e podócitos. • O túbulo contorcido proximal tem epitélio cúbico simples com borda em escova, adaptado à reabsorção intensa. • A alça de Henle alterna epitélios pavimentosos e cúbicos, regulando o equilíbrio osmótico e a concentração urinária. • O túbulo contorcido distal e os ductos coletores têm epitélio cúbico simples, especializado na reabsorção seletiva e secreção hormonalmente controlada. Essas variações histológicas refletem perfeitamente a função de cada segmento no controle da composição química do sangue e na produção da urina. 1. Corpúsculo renal O corpúsculo renal é a porção inicial do néfron e localiza-se no córtex renal. Ele é composto por duas estruturas principais: o glomérulo (um conjunto de capilares) e a cápsula glomerular de Bowman (um invólucro epitelial de dupla camada que o envolve). a) Glomérulo O glomérulo é um enovelado de capilares formados pela ramificação da arteríola aferente e drenados pela arteríola eferente. Suas paredes são revestidas por endotélio capilar fenestrado, que permite a passagem de moléculas pequenas, mas impede a saída de células sanguíneas e proteínas grandes. Esse endotélio, associado à membrana basal e às células podocitárias da cápsula de Bowman, forma a membrana de filtração glomerular. b) Cápsula de Bowman A cápsula glomerular é uma estrutura em forma de taça que envolve o glomérulo e coleta o filtrado. É composta por duas camadas histológicas: • Folheto parietal (externo): formado por epitélio pavimentoso simples, que se continua com o epitélio do túbulo contorcido proximal. • Folheto visceral (interno): formado por podócitos, células especializadas com extensões citoplasmáticas chamadas pedicelos, que se interdigitam sobre os capilares glomerulares e deixam entre si fendas de filtração. Entre essas duas camadas há um espaço — o espaço capsular (ou espaço urinário) — onde o filtrado glomerular é coletado antes de seguir para o túbulo renal. Tortora destaca que a membrana de filtração glomerular é composta por três camadas histológicas principais: 1. Endotélio fenestrado dos capilares glomerulares 2. Lâmina basal (membrana basal glomerular) 3. Fendas de filtração formadas pelos podócitos Essa membrana permite a passagem de água e pequenas moléculas (como glicose, íons e ureia), mas impede a passagem de proteínas plasmáticas e células sanguíneas. 2. Túbulo renal O túbulo renal é um tubo microscópico contínuo que se inicia após a cápsula de Bowman e termina no ducto coletor. Ele tem cerca de 3 cm de comprimento e é dividido em três partes histologicamente distintas: a) Túbulo contorcido proximal (TCP) Localiza-se no córtex renal e é revestido por epitélio cúbico simples com bordas em escova (microvilosidades abundantes no polo apical). Essas microvilosidades formam o borda em escova observada ao microscópio, aumentando enormemente a superfície de reabsorção. As células possuem mitocôndrias em grande quantidade, o que reflete a alta atividade metabólica envolvida no transporte ativo de substâncias. Função histológica: reabsorção de água, íons (Na⁺, K⁺, Cl⁻, Ca²⁺), glicose, aminoácidos e vitaminas do filtrado para o sangue dos capilares peritubulares. b) Alça de Henle (ou alça nefrogênica) É uma estrutura em forma de “U” que mergulha na medula renal. Divide-se em três segmentos histológicos: • Ramo descendente fino: revestido por epitélio pavimentoso simples, altamente permeável à água, permitindo a reabsorção passiva de água. • Ramo ascendente fino: também pavimentoso simples, porém impermeável à água e responsável pela difusão de íons. • Ramo ascendente espesso:revestido por epitélio cúbico simples, rico em mitocôndrias, especializado na reabsorção ativa de sódio e cloro (NaCl). A disposição anatômica da alça de Henle e dos vasos retos é responsável pelo mecanismo contracorrente, que cria um gradiente osmótico na medula renal e permite a concentração da urina. c) Túbulo contorcido distal (TCD) Retorna ao córtex renal e é revestido por epitélio cúbico simples, mas sem borda em escova. As células apresentam menos microvilosidades, refletindo uma menor taxa de reabsorção em comparação com o túbulo proximal. No início do TCD, encontra-se o mácula densa, um grupo de células sensoriais que, junto às células justaglomerulares (da arteríola aferente), formam o aparelho justaglomerular. Esse aparelho detecta alterações na concentração de Na⁺ e na pressão do filtrado, regulando a secreção de renina, essencial para o controle da pressão arterial e da filtração glomerular. O TCD realiza reabsorção seletiva de íons sódio e cálcio, sob influência de aldosterona e paratormônio, e secreção de íons H⁺ e K⁺, contribuindo para o equilíbrio ácido-básico. ANATOMIA URETERES, BEXIGA, URETRA 3. Uretra A uretra é o canal que conduz a urina da bexiga até o exterior do corpo. Sua anatomia e comprimento diferem entre os sexos. Uretra feminina • Mede cerca de 4 cm de comprimento e tem função exclusivamente urinária. • Estende-se da bexiga até o meato uretral externo, localizado entre o clitóris e a abertura vaginal. • O epitélio é transicional próximo à bexiga, tornando-se pseudoestratificado colunar no terço médio e pavimentoso estratificado não queratinizado na extremidade distal. • Possui glândulas uretrais que secretam muco, facilitando a passagem da urina. Uretra masculina • Mede cerca de 20 cm e tem duas funções: a eliminação da urina e a condução do sêmen. • Divide-se em três partes: 1. Uretra prostática: atravessa a próstata; revestida por epitélio de transição. 2. Uretra membranosa: passa pelo assoalho pélvico e é envolta pelo esfíncter uretral externo; revestida por epitélio colunar estratificado. 3. Uretra esponjosa (peniana): percorre o corpo esponjoso do pênis e termina no meato uretral externo; revestida por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Em toda a extensão, há glândulas uretrais de Littre, que secretam muco lubrificante e protetor. 4. Integração funcional Tortora ressalta que essas estruturas funcionam de forma integrada: • Os ureteres transportam a urina por peristaltismo. • A bexiga atua como um reservatório elástico, cuja musculatura detrusora é controlada por reflexos autonômicos. • A uretra é o canal excretor final, dotado de controle voluntário parcial. A micção é coordenada por centros nervosos localizados na ponte e na medula espinhal, sendo inicialmente um reflexo involuntário, mas sob controle consciente após o amadurecimento do sistema nervoso na infância. 5. Síntese integrativa Em resumo, segundo Tortora: • Os ureteres são tubos musculares revestidos por urotélio, que conduzem a urina por contrações peristálticas. • A bexiga é um órgão muscular elástico, revestido por epitélio de transição e dotado do músculo detrusor, responsável pela expulsão da urina. • A uretra, mais curta na mulher e mais longa e multifuncional no homem, apresenta variação epitelial ao longo de seu trajeto e é controlada por esfíncteres interno e externo. Essas estruturas, juntas, garantem o fluxo unidirecional da urina e o equilíbrio do volume corporal, sob controle neural e muscular preciso. 1. Ureteres Os ureteres são dois tubos musculares finos, com aproximadamente 25 a 30 cm de comprimento e 3 mm de diâmetro, que transportam a urina dos rins até a bexiga. Eles se originam na pelve renal, dentro do hilo de cada rim, e descem retroperitonealmente até a bexiga urinária, onde penetram obliquamente na parede posterior. Anatomia macroscópica Cada ureter tem três estreitamentos fisiológicos: 1. Na junção com a pelve renal; 2. Ao cruzar os vasos ilíacos; 3. Ao entrar na parede da bexiga. Esses pontos são importantes clinicamente porque são locais comuns de retenção de cálculos renais (litíase urinária). A extremidade distal dos ureteres penetra a parede da bexiga de modo oblíquo, funcionando como uma válvula fisiológica: quando a bexiga se enche, a pressão interna comprime a abertura ureteral e impede o refluxo da urina para os rins. Histologia dos ureteres segundo Tortora A parede dos ureteres possui três camadas principais: 1. Mucosa interna: revestida por epitélio de transição (urotélio), especializado em se distender sem romper-se. A lâmina própria subjacente é composta por tecido conjuntivo areolar com fibras elásticas e colágenas. 2. Camada muscular média: composta por músculo liso organizado em duas camadas (interna longitudinal e externa circular). No terço inferior, há uma terceira camada longitudinal externa. As contrações rítmicas dessa musculatura promovem o peristaltismo ureteral, que impulsiona a urina em direção à bexiga. 3. Adventícia externa: formada por tecido conjuntivo frouxo que fixa o ureter às estruturas vizinhas e contém vasos sanguíneos e linfáticos. 2. Bexiga urinária A bexiga urinária é um órgão muscular oco, localizado na pelve menor, posterior à sínfise púbica. Sua principal função é armazenar a urina temporariamente até o momento da micção. Nos homens, situa-se anterior ao reto; nas mulheres, anterior à vagina e inferior ao útero. Anatomia macroscópica A bexiga vazia é piriforme (em forma de pera) e achatada, mas, quando cheia, assume forma esférica e pode se projetar no abdome inferior. Sua capacidade média é de 700–800 mL em adultos, embora o desejo de urinar surja quando há cerca de 200–400 mL de urina armazenada. Na face interna da bexiga há uma área triangular chamada trígono vesical, delimitada pelos dois orifícios ureterais e pelo orifício interno da uretra. O trígono é uma região lisa, sem pregas, que funciona como uma espécie de funil que direciona a urina para a uretra durante a micção. Histologia da bexiga segundo Tortora A parede da bexiga possui quatro camadas histológicas: 1. Mucosa interna: revestida por epitélio de transição (urotélio), semelhante ao dos ureteres, sustentado por uma lâmina própria de tecido conjuntivo. Quando a bexiga está vazia, a mucosa forma pregas (rugas), que desaparecem com o enchimento. 2. Camada submucosa: composta por tecido conjuntivo denso com vasos e nervos. 3. Camada muscular (músculo detrusor): constituída por três camadas de músculo liso: interna longitudinal, média circular e externa longitudinal. A contração coordenada desse músculo, controlada pelo sistema nervoso parassimpático, expulsa a urina durante a micção. 4. Adventícia (ou serosa): externamente, a bexiga é recoberta por tecido conjuntivo (adventícia) e, em sua porção superior, por peritônio visceral (serosa). Esfíncteres da uretra O orifício interno da uretra, localizado na base da bexiga, é rodeado por uma camada circular de músculo liso chamada esfíncter uretral interno, controlado involuntariamente. Já o esfíncter uretral externo, formado por músculo esquelético na uretra, é controlado voluntariamente, permitindo o controle consciente da micção. URETRA MASCULINA X FEMININA Uretra Feminina Comprimento curto: cerca de 4 cm. Trajeto: segue quase reto da bexiga até o vestíbulo da vagina. Abertura externa: localizada entre o clitóris e o óstio vaginal. Função: apenas urinária. Histologia: epitélio de transição próximo à bexiga, tornando-se epitélio pavimentoso estratificado na porção distal. Conseqüência clínica: o comprimento reduzido facilita a ascensão de microrganismos, favorecendo infecção urinária. Uretra Masculina Comprimento longo: cerca de 20 cm. Função dupla: conduz urina e sêmen. Percurso: atravessa próstata, diafragma urogenital e o pênis. Divisões anatômicas: Uretra prostática (atravessa a próstata; recebe os ductos ejaculatórios). Uretra membranosa (curta; atravessa o diafragma urogenital). Uretra esponjosa (peniana) (segue pelocorpo esponjoso até o meato uretral externo). Histologia variável ao longo do trajeto (transicional → pseudoestratificado colunar → pavimentoso estratificado na abertura externa). Resumo Comparativo Característica Feminina Masculina Comprimento ~4 cm ~20 cm Função Apenas urinária Urinária + reprodutiva Trajeto Reto, curto Atravessa próstata, assoalho pélvico e pênis Divisões Não possui Prostática, membranosa, esponjosa FISIOLOGIA DA MICÇÃO 1. Formação e armazenamento da urina A urina é continuamente produzida pelos rins e transportada pelos ureteres até a bexiga urinária, onde é armazenada temporariamente. A bexiga é um órgão muscular oco, revestido por epitélio de transição (urotélio), e suas paredes contêm o músculo detrusor, formado por fibras musculares lisas organizadas em três camadas. À medida que a urina chega à bexiga: • As paredes se distendem, permitindo grande aumento de volume sem elevação significativa da pressão interna. • O epitélio de transição se estira e as pregas da mucosa (rugas) desaparecem. • As fibras nervosas sensitivas da parede da bexiga começam a enviar sinais ao sistema nervoso central à medida que o volume aumenta (cerca de 200 a 400 mL). 2. Controle nervoso da micção O processo da micção é regulado por um reflexo espinal denominado reflexo da micção, sob influência de centros nervosos superiores localizados no tronco encefálico (ponte) e no córtex cerebral. Fases do controle neural 1. Durante o enchimento da bexiga: • O sistema nervoso simpático mantém o músculo detrusor relaxado e o esfíncter uretral interno contraído, impedindo a saída da urina. • O esfíncter uretral externo, formado por músculo esquelético e controlado voluntariamente pelo nervo pudendo, também permanece contraído. Assim, a urina é armazenada de modo passivo, sem escape. 2. Quando o volume de urina atinge cerca de 300–400 mL: • Os receptores de estiramento da parede da bexiga são ativados e enviam impulsos sensoriais pelos nervos pélvicos à medula espinhal (segmentos sacrais S2–S4). • Esses impulsos estimulam o centro da micção na medula e, posteriormente, no tronco encefálico (ponte). • O centro parassimpático é ativado, enviando impulsos motores que causam contração do músculo detrusor e relaxamento do esfíncter interno. 3. Decisão consciente de urinar: • O córtex cerebral interpreta o desejo de urinar e pode inibir ou permitir o reflexo miccional. • Quando o momento é socialmente adequado, o córtex envia impulsos inibitórios para relaxar o esfíncter uretral externo, permitindo que a urina flua. • A micção, portanto, é inicialmente um reflexo involuntário, mas passa a ser voluntariamente controlada após o amadurecimento do sistema nervoso na infância. 3. O reflexo da micção (sequência fisiológica) O reflexo da micção descrito por Tortora segue a seguinte sequência: 1. A bexiga se enche de urina, distendendo suas paredes. 2. Os receptores de estiramento da mucosa vesical são ativados. 3. Os impulsos sensoriais seguem pelos nervos pélvicos até a medula espinhal sacral (S2–S4). 4. Neurônios parassimpáticos eferentes retornam à bexiga, causando: • Contração do músculo detrusor (expulsão da urina); • Relaxamento do esfíncter uretral interno (músculo liso). 5. A urina flui para a uretra. 6. O relaxamento voluntário do esfíncter uretral externo (músculo esquelético) completa o processo, permitindo a eliminação da urina. Quando a bexiga se esvazia, o músculo detrusor relaxa novamente e os esfíncteres se fecham, reiniciando o ciclo de armazenamento. 4. Componentes musculares envolvidos Tortora destaca três componentes musculares principais na micção: • Músculo detrusor: principal músculo da parede da bexiga, composto por três camadas de músculo liso (interna longitudinal, média circular e externa longitudinal). • Função: contrai-se para expelir a urina. • Inervação: parassimpática (nervos pélvicos). • Esfíncter uretral interno: músculo liso localizado na junção entre a bexiga e a uretra. • Função: mantém a uretra fechada durante o enchimento. • Controle: involuntário, simpático. • Esfíncter uretral externo: músculo esquelético localizado no assoalho pélvico. • Função: fornece controle voluntário da micção. • Controle: voluntário, via nervo pudendo (somático). 5. Aspectos fisiológicos complementares • A pressão interna da bexiga permanece baixa durante o enchimento devido à alta complacência da parede vesical, que se distende sem aumento significativo de tensão. • Quando o volume excede 500–600 mL, o reflexo miccional se torna muito intenso, sendo difícil reter a urina voluntariamente. • Em lactentes e pessoas com lesões medulares, a micção ocorre apenas por reflexo espinal involuntário, sem controle cortical. 6. Síntese integrativa Em resumo, segundo Tortora: • A micção é controlada por um reflexo nervoso parassimpático que contrai o detrusor e relaxa os esfíncteres. • O sistema simpático atua na fase de armazenamento, mantendo a bexiga relaxada e os esfíncteres fechados. • O sistema somático (voluntário) controla o esfíncter uretral externo, permitindo que o ato seja consciente. O equilíbrio entre esses sistemas garante que a urina seja armazenada com segurança e eliminada no momento apropriado.