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1 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
 
1. Compreender a embriologia do Sistema Urinário; 
Desenvolvimento do sistema urinário: 
O sistema urinário começa a se desenvolver antes do sistema genital e consistem: 
• Rins, que produzem e excretam a urina. 
• Ureteres, que transferem a urina dos rins para a bexiga urinária. 
• Bexiga urinária, que armazena a urina temporariamente. 
• Uretra, que libera a urina da bexiga para o exterior. 
 
Desenvolvimento dos rins e ureteres: 
Três conjuntos consecutivos de rins desenvolvem-se nos 
embriões. O primeiro conjunto, os pronefros, é rudimentar. O 
segundo conjunto, os mesonefros, funciona brevemente durante 
o início do período fetal. O terceiro conjunto, os metanefros, 
forma os rins permanentes. 
Pronefros: Os pronefros são estruturas transitórias, bilaterais, 
que aparecem no início da 4ª semana. São representados por alguns agrupamentos celulares e 
estruturas tubulares na região do pescoço em desenvolvimento. Os ductos pronéfricos seguem 
caudalmente e abrem-se na cloaca, a câmara na qual o intestino primitivo posterior e a alantoide 
esvaziavam-se. Os pronefros logo degeneram-se; no entanto, as partes maiores dos ductos persistem 
e são usadas pelo segundo grupo de rins. 
Mesonefros: Os mesonefros, órgãos excretores grandes e alongados, aparecem no final da 4a 
semana, caudais aos pronefros. Eles funcionam como rins provisórios por aproximadamente 4 
semanas até o desenvolvimento e funcionamento dos rins permanentes. Os rins mesonéfricos 
consistem em glomérulos (10 a 50 por rim) e em túbulos mesonéfricos. Os túbulos abrem-se nos 
ductos mesonéfricos bilaterais, que originalmente eram os ductos pronéfricos. Os ductos 
mesonéfricos abrem-se na cloaca. Os mesonefros degeneram-se ao final da 12ª semana; no entanto, 
os túbulos metanéfricos tornam-se os dúctulos eferentes dos testículos. Os ductos mesonéfricos têm 
vários derivados adultos nos homens. 
APG 25 – Morfologia do Sistema Urinário 
 2 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
Metanefros: Os metanefros, ou os primórdios dos rins permanentes, começam a se desenvolver na 
5a semana e tornam-se funcionais aproximadamente 4 semanas depois. A formação da urina continua 
durante toda a vida fetal; a urina é excretada dentro da cavidade amniótica, formando um dos 
componentes do líquido amniótico. Os rins desenvolvem-se a partir de duas fontes: 
• O broto uretérico (divertículo metanéfrico) 
• O blastema metanefrogênico (massa metanéfrica de mesênquima). 
O broto uretérico é um divertículo (protuberância) do ducto mesonéfrico próximo à entrada deste 
na cloaca. O blastema metanefrogênico deriva da parte caudal do cordão nefrogênico. À medida 
que o broto uretérico se alonga, ele penetra o blastema. 
O pedúnculo do broto uretérico torna-se o ureter. A parte cranial do broto sofre ramificações 
repetitivas, resultando na diferenciação do broto nos túbulos coletores. As quatro primeiras gerações 
de túbulos aumentam e tornam-se confluentes para formar os cálices maiores. As quatro segundas 
gerações coalescem para formar os cálices menores. O final de cada túbulo coletor arqueado induz 
aglomerados de células mesenquimais, no blastema metanefrogênico, a formarem pequenas vesículas 
metanéfricas. Essas vesículas alongam-se e tornam-se os túbulos metanéfrico. 
 
 3 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
Como ocorre ramificação, 
algumas das células do 
mesênquima metanéfrico 
condensam-se e formam as 
células da capa de mesênquima, 
que passam pela transição 
mesenquimal para epitelial e 
desenvolvem-se na maior parte 
do epitélio do néfron. As 
extremidades proximais dos 
túbulos são invaginadas pelos 
glomérulos. Os túbulos 
diferenciam-se nos túbulos 
contorcidos proximal e distal; a 
alça do néfron (alça de Henle), 
junto com os glomérulos e a 
cápsula glomerular, constituem 
o néfron. 
A proliferação das células 
progenitoras do néfron e a 
formação dos néfrons são 
dependentes dos sinais do BMP7 
e mediados por Wnt. Cada túbulo 
distal contorcido contata um túbulo coletor arqueado e o conjunto torna-se confluente. O túbulo 
urinífero consiste em duas partes embriologicamente diferentes: 
• O néfron derivado do blastema metanefrogênico. 
• O túbulo coletor derivado do broto uretérico. 
Entre a 10a e a 18a semanas, o número de glomérulos aumenta gradualmente e continua aumentando 
rapidamente até a 36a semana, quando atinge o limite máximo. A formação de néfrons está completa 
ao nascimento, e cada rim contém entre 200 mil e 2 milhões de néfrons. Os néfrons devem durar para 
sempre, porque não há formação de novas unidades após esse tempo, e o número limitado deles pode 
resultar em consequências significativas para a saúde da criança e do adulto. Em alguns grupos 
populacionais específicos (p. ex., os aborígines australianos) com número menor de néfrons 
desenvolvidos no útero, há também incidência maior de insuficiência renal crônica nos adultos. 
Os rins fetais são subdivididos em lobos. A lobulação geralmente desaparece no final do 1o ano de 
vida, à medida que os néfrons se desenvolvem e crescem. O aumento do tamanho do rim, após o 
nascimento, resulta, principalmente, do alongamento dos túbulos proximais contorcidos, bem como 
do aumento do tecido intersticial. A formação dos néfrons está completa ao nascimento, exceto nos 
recém-nascidos prematuros. Embora a filtração glomerular comece aproximadamente na 9a semana 
fetal, a maturação funcional dos rins e as taxas crescentes de filtração ocorrem após o nascimento. 
 4 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
A ramificação do broto uretérico depende da indução pelo mesênquima metanéfrico. A diferenciação 
dos néfrons depende da indução pelos túbulos coletores. O broto uretérico e o blastema 
metanefrogênico interagem e induzem um ao outro, um processo conhecido como indução 
recíproca, para formar os rins permanentes. 
 
Mudanças posicionais dos rins: 
Inicialmente, os primórdios dos rins permanentes estão próximos na pelve, ventrais ao sacro. À 
medida que o abdome e a pelve crescem, os rins deslocam-se gradualmente para o abdome e se 
distanciam e adquirem a posição adulta durante o início do período fetal. Essa “subida” resulta 
principalmente do crescimento do corpo do embrião, caudal aos rins. Com efeito, a parte caudal do 
embrião cresce para longe dos rins, de modo que eles, progressivamente, ocupam a posição normal 
de cada lado da coluna vertebral. 
A princípio, o hilo de cada rim (depressão na margem medial), onde os vasos sanguíneos, o ureter e 
os nervos entram e saem, está ventralmente; no entanto, conforme os rins se deslocam, o hilo gira 
medialmente quase 90o. Na 9a semana, os hilos são direcionados anteromedialmente. Por fim, os rins 
tornam-se estruturas retroperitoneais (externos ao peritônio) na parede abdominal posterior. Nesse 
período, os rins estão em contato com as glândulas suprarrenais. 
 
Mudanças no suprimento sanguíneo dos rins: 
Durante as mudanças na posição dos rins, eles recebem o suprimento de sangue dos vasos próximos. 
Inicialmente, as artérias renais são ramos das artérias ilíacas comuns. Posteriormente, os rins 
recebem suprimento sanguíneo da extremidade distal da parte abdominal da aorta (aorta 
abdominal). Quando os rins estão localizados em nível mais elevado, eles recebem novos ramos da 
aorta. Normalmente, os ramos caudais dos vasos renais sofrem involução e desaparecem. 
A posição dos rins torna-se fixa quando entram em contato com as glândulas suprarrenais na 9a 
semana. Os rins recebemseus ramos arteriais mais craniais da parte abdominal da aorta; esses 
 5 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
ramos tornam-se as artérias renais permanentes. A artéria renal direita é mais longa e, 
frequentemente, está em posição mais superior do que a artéria renal esquerda. 
 
 
Desenvolvimento da bexiga urinária: 
Para fins descritivos, o seio urogenital é dividido em três partes: 
• A parte vesical, que forma a maior parte da bexiga urinária e é contínua à alantoide. 
• A parte pélvica, que se torna a uretra no colo da bexiga; a parte prostática da uretra nos homens 
e toda a uretra nas mulheres. 
• A parte fálica, que cresce em direção ao tubérculo genital. 
A bexiga desenvolve-se principalmente da parte vesical do seio urogenital. Todo o epitélio da bexiga 
deriva do endoderma da parte vesical do seio urogenital, ou da parte ventral da cloaca. As outras 
camadas de sua parede desenvolvem-se do mesênquima esplâncnico adjacente. 
Inicialmente, a bexiga é contínua à alantoide, membrana fetal desenvolvida a partir do intestino 
primitivo posterior. A alantoide logo se contrai e torna-se um cordão fibroso espesso, o úraco. Ele se 
estende do ápice da bexiga até o umbigo. Nos adultos, o úraco é representado pelo ligamento 
umbilical mediano. 
À medida que a bexiga aumenta, as partes distais dos ductos mesonéfricos são incorporadas à sua 
parede dorsal. Esses ductos contribuem para a formação do tecido conjuntivo no trígono da bexiga. 
Como esses ductos são absorvidos, os ureteres abrem-se separadamente na bexiga urinária. Em parte 
por causa da tração exercida pelos rins à medida que sobem, os óstios dos ureteres movem-se 
superolateralmente e entram obliquamente pela base da bexiga. Nos homens, os óstios dos ductos 
movem-se juntos e entram na parte prostática da uretra à medida que as extremidades caudais dos 
 6 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
ductos se desenvolvem nos ductos ejaculatórios. Nas mulheres, as extremidades distais dos ductos 
mesonéfricos degeneram-se. 
Nos lactentes e crianças, a bexiga urinária, mesmo quando vazia, está no abdome. Ela começa a entrar 
na pelve maior aproximadamente aos 6 anos de idade; no entanto, a bexiga não entra na pelve menor 
e torna-se um órgão pélvico até depois da puberdade. Nos adultos, o ápice da bexiga é contínuo ao 
ligamento umbilical mediano, que se estende posteriormente ao longo da superfície posterior da 
parede anterior do abdome. 
 
Desenvolvimento da uretra: 
O epitélio da maior parte da uretra masculina e de toda a uretra feminina deriva do endoderma do 
seio urogenital. A parte distal da uretra na glande do pênis deriva de um cordão sólido de células 
ectodérmicas, que cresce interiormente a partir da ponta da glande e junta-se ao restante da parte 
esponjosa da uretra. Consequentemente, o epitélio da parte terminal da uretra deriva do ectoderma 
superficial. O tecido conjuntivo e o músculo liso da uretra em ambos os sexos derivam do 
mesênquima esplâncnico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 7 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
2. Entender a morfologia do Sistema 
Urinário; 
O aparelho urinário é formado pelos dois rins, 
dois ureteres, bexiga e uretra. A urina 
produzida nos rins passa pelos ureteres até a 
bexiga e é lançada no exterior pela uretra. 
O sistema urinário tem diversas funções. É 
responsável pela remoção de produtos tóxicos 
da circulação, provenientes do metabolismo, 
através da formação da urina e sua eliminação; 
produz hormônios: a renina, que participa da 
regulação da pressão sanguínea e a 
eritropoietina, que é essencial para o estímulo 
à eritropoiese (produção de hemácias); e 
participa da ativação da vitamina D. Além 
disso os rins são responsáveis pelo equilíbrio 
ácido-básico e conservação de sais, glicose, 
proteínas e água, mantendo a homeostase. 
Órgãos urinários: 
Os órgãos urinários pélvicos são: 
• Partes pélvicas dos ureteres, que levam a 
urina dos rins 
• Bexiga urinária, que armazena 
temporariamente a urina 
• Uretra, que conduz a urina da bexiga 
urinária para o exterior. 
 
Morfologia dos Rins: 
Anatomia Macroscópica dos Rins: 
Os rins, em forma de grão de feijão, estão 
dispostos no espaço retroperitoneal (entre a 
parede posterior do corpo e o peritônio 
parietal) na região lombar superior. 
Estendendo-se aproximadamente de T12 a 
L3, os rins recebem alguma proteção da parte 
inferior da caixa torácica. 
 
O rim direito é comprimido pelo fígado e está 
ligeiramente mais abaixo que o esquerdo. O 
rim adulto possui uma massa de cerca de 150 
g, e suas dimensões médias são 12 cm de 
comprimento, 6 cm de largura e 3 cm de 
espessura - do tamanho aproximado de uma 
barra de sabão grande. 
A superfície lateral é convexa. A superfície 
medial é côncava e possui uma fenda vertical 
chamada de hilo renal, localizada em um 
espaço interno do rim chamado de seio renal. 
A pelve renal, os vasos sanguíneos e 
linfáticos e os nervos se juntam no hilo em 
cada rim e ocupam o seio. 
No topo de cada rim há uma glândula supra-
renal (ou adrenal). 
 8 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
Três camadas de tecido circundam cada rim: 
• A camada mais profunda, a cápsula 
fibrosa, é uma lâmina lisa e transparente de 
tecido conjuntivo denso não modelado que 
é contínuo com o revestimento externo 
do ureter. Ela serve como uma barreira 
contra traumatismos e ajuda a manter a 
forma do rim. Impede que infecções das 
regiões vizinhas se espalhem para o rim. 
• A camada intermediária, a cápsula 
adiposa, é uma massa de tecido adiposo 
que circunda a cápsula fibrosa. Ela 
também protege o rim de traumas e 
ancora-o firmemente na sua posição na 
cavidade abdominal. 
• A camada superficial, a fáscia renal, é 
outra camada fina de tecido conjuntivo 
denso não modelado que ancora o rim às 
estruturas vizinhas e à parede abdominal. 
Na face anterior dos rins, a fáscia renal. 
O revestimento adiposo dos rins é 
importante para mantê-los na 
posição correta no corpo. Se a 
quantidade de tecido adiposo 
diminui (como no emagrecimento 
extremo ou em uma rápida perda de 
peso), um ou ambos os rins podem 
cair para uma posição mais baixa, 
um evento chamado de nefroptose 
(ptose renal). A nefroptose pode 
fazer o ureter se dobrar, trazendo problemas, 
pois, se a urina não consegue ser escoada, volta 
para o rim e exerce pressão neste tecido. 
A volta da urina, a partir de uma obstrução no 
ureter ou de outras causas, é chamada de 
hidronefrose ("água nos rins"). A hidronefrose 
pode prejudicar gravemente o rim, levando a 
necrose (morte tecidual) e insuficiência renal. 
 
Anatomia Macroscópica Interna dos Rins: 
Um corte frontal através de um rim revela duas 
regiões distintas de tecido renal: córtex e 
medula. A região mais superficial, o córtex 
renal, tem cor clara e possui uma aparência 
granular. Abaixo do córtex encontra-se a 
medula renal, mais escura, e que consiste em 
massas cônicas chamadas pirâmides renais. 
A ampla base de cada pirâmide faz fronteira 
com o córtex, enquanto o ápice da pirâmide, ou 
papila renal, aponta para dentro. As pirâmides 
renais exibem estrias porque contêm feixes 
aproximadamente paralelos de delgados 
túbulos coletores de urina. 
As colunas renais, que são extensões do córtex 
renal para dentro, separam as pirâmides 
adjacentes. Admite-se que os rins humanos 
têm lobos, e cada lobo consiste em uma única 
pirâmide renal e um tecido cortical que 
circunda essa pirâmide. Existem de 5 a 11lobos e pirâmides em cada rim. 
 9 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
O seio renal é um grande espaço na parte 
medial do rim que se abre para o exterior 
através do hilo renal. Na realidade, esse seio é 
um “espaço preenchido”, já que contém vasos 
e nervos renais, alguma gordura e os tubos que 
transportam urina chamados pelve e cálices 
renais. 
A pelve renal (pelve = bacia) - tubo plano em 
forma de funil - é simplesmente a parte 
superior do ureter expandida. Extensões 
ramificadas da pelve renal formam dois ou três 
cálices renais maiores, cada um deles 
dividindo-se e formando vários cálices renais 
menores, tubos em forma de taça que confinam 
as papilas das pirâmides. Os cálices coletam a 
drenagem de urina das papilas e a desaguam 
na pelve renal; então, a urina escoa pela pelve 
renal e entra no ureter, que a transporta até a 
bexiga, onde será armazenada. 
Cada rim tem de 8 a 18 cálices renais menores 
e 2 ou 3 cálices renais maiores. 
Uma vez que o filtrado entra nos cálices, torna-
se urina, porque não pode mais ocorrer 
reabsorção. O motivo é que o epitélio simples 
dos néfrons e túbulos se tornam epitélio de 
transição nos cálices. 
 
Suprimento Sanguíneo e Nervoso do Rim: 
Dado que os rins limpam continuamente o 
sangue, não é de surpreender que eles tenham 
um rico suprimento sanguíneo. Em 
condições normais de repouso, 
aproximadamente um quarto do débito 
cardíaco sistêmico chega aos rins através das 
artérias renais, que se ramificam em ângulos 
retos a partir da parte abdominal da aorta, entre 
a primeira e a segunda vértebra lombar V. 
Uma vez que a aorta se situa ligeiramente à 
esquerda da linha média do corpo, a artéria 
renal direita é mais longa do que a esquerda. À 
medida que cada artéria renal se aproxima do 
rim, ela se divide em cinco artérias 
segmentares que entram no hilo. 
Dentro do seio renal, cada artéria segmentar 
divide-se em artérias interlobares, que se 
situam nas colunas renais entre as pirâmides 
renais. 
 
Na junção medula-córtex, as artérias 
interlobares ramificam-se nas artérias 
arqueadas, que formam arcos sobre as bases 
das pirâmides renais. Irradiando-se para fora 
das artérias arqueadas e abastecendo o tecido 
cortical encontram-se as pequenas artérias 
interlobulares (corticais radiadas). Mais de 
90% do sangue que entra no rim perfunde o 
córtex. Essas artérias originam as arteríolas 
aferentes e eferentes que alimentam os 
capilares peritubulares que circundam os 
túbulos no rim. 
As veias renais seguem o caminho inverso das 
artérias: o sangue que sai do córtex renal drena 
sequencialmente nas veias interlobulares, 
arqueadas, interlobares e renais (não há veias 
 10 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
segmentares). A veia renal sai do rim no hilo 
e drena para a veia cava inferior. 
Como a veia cava inferior situa-se no lado 
direito da coluna vertebral, a veia renal 
esquerda tem aproximadamente duas vezes o 
comprimento da veia renal direita. Cada veia 
renal situa-se em posição anterior à artéria 
renal correspondente e ambos os vasos 
sanguíneos situam-se em posição anterior à 
pelve renal no hilo renal. 
O suprimento nervoso do rim é fornecido pelo 
plexo renal, uma rede de fibras autônomas e 
gânglios autônomos nas artérias renais. 
Esse plexo é um desdobramento do plexo 
celíaco. O plexo renal é abastecido por 
fibras simpáticas do nervo esplâncnico 
torácico maior. Essas fibras simpáticas 
controlam os diâmetros das artérias renais e 
influenciam as funções de formação da urina 
dos túbulos uriníferos. 
 
Segmentação Renal: 
As artérias segmentares são distribuídas para 
os segmentos renais do seguinte modo: 
• O segmento superior (apical) é irrigado 
pela artéria do segmento superior (apical); 
• Os segmentos anterossuperior e 
anteroinferior são supridos pelas artérias 
do segmento anterior superior e do 
segmento anterior inferior; 
• O segmento inferior é irrigado pela artéria 
do segmento inferior. 
Essas artérias originam-se do ramo anterior da 
artéria renal. 
• A artéria segmentar posterior, que se 
origina de uma continuação do ramo 
posterior da artéria renal, irriga o segmento 
posterior do rim. 
 
Anatomia microscópica dos rins: 
A principal unidade estrutural e funcional do 
rim é o néfron. Mais de um milhão desses 
túbulos apinham-se (unem-se estreitamente) 
em cada rim. 
ESTRUTURA DO NÉFRON ↠ Cada néfron 
é composto de corpúsculo renal e túbulo renal; 
este último é dividido em porções: túbulo 
contorcido proximal, alça do néfron (de 
Henle), túbulo contorcido distal e túbulo 
coletor. Em todo o seu comprimento, o néfron 
é revestido por um epitélio simples que é 
adaptado a vários aspectos da produção de 
urina. 
 11 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
CORPÚSCULO RENAL ↠ A primeira parte 
do néfron, onde ocorre a filtração, é o 
corpúsculo renal esférico. Os corpúsculos 
renais ocorrem estritamente no córtex. Eles 
consistem em um novelo de capilares chamado 
glomérulo (“novelo de lã”) circundado por 
uma cápsula do glomérulo oca em forma de 
cálice (cápsula de Bowman). 
↠ Esse novelo de capilares é abastecido por 
uma arteríola aferente e drenado por uma 
arteríola eferente. O endotélio do glomérulo é 
fenestrado (possui poros) e, portanto, esses 
capilares são altamente permeáveis permitindo 
que grandes quantidades de fluido e de 
pequenas moléculas passem do sangue do 
capilar para o interior oco da cápsula, o espaço 
capsular. Esse fluido é o filtrado que, no fim 
das contas, é processado para se transformar 
em urina. Aproximadamente apenas 20% do 
fluido sai do glomérulo e entra no espaço 
capsular; 80% permanecem no sangue dentro 
desse capilar. 
TÚBULO RENAL ↠ Depois de se formar no 
corpúsculo renal, o filtrado avança para a seção 
tubular longa do néfron, que começa com o 
túbulo contorcido proximal espiralado de 
modo elaborado, cria uma alça chamada alça 
do néfron (de Henle), curva-se várias vezes 
num trajeto sinuoso como túbulo contorcido 
distal e termina como túbulo coletor se 
juntando ao ducto coletor. 
↠ Os ductos coletores então se unem e 
convergem em várias centenas de grandes 
ductos papilares, que drenam para os cálices 
renais menores. Os ductos coletores e papilares 
se estendem desde o córtex renal ao longo da 
medula renal até a pelve renal. Então, um rim 
tem aproximadamente 1 milhão de néfrons, 
mas um número muito menor de ductos 
coletores e ainda menor de ductos papilares. 
Essa natureza sinuosa do néfron aumenta o seu 
tamanho e melhora sua capacidade para 
processar o filtrado que escoa por ele. Cada 
parte da seção tubular do néfron tem uma 
anatomia celular única que reflete sua função 
de processamento do filtrado. 
Obs: O corpúsculo renal e os túbulos 
contorcidos proximais e distais se localizam no 
córtex renal; a alça de Henle se estende até a 
medula renal, faz uma curva fechada, e então 
retorna ao córtex renal. 
 12 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
↠ Em um néfron, a alça de Henle comunica os 
túbulos contorcidos proximais e distais. A 
primeira parte da alça de Henle começa no 
ponto em que o túbulo contorcido proximal faz 
a sua última curva descendente. Inicia-se no 
córtex renal e estende-se para baixo e para 
dentro da medula renal, onde é chamada ramo 
descendente da alça de Henle. 
↠ Em seguida, faz uma curva fechada e 
retorna para o córtex renal, onde termina no 
túbulo contorcidodistal e é conhecido como 
ramo ascendente da alça de Henle. 
CLASSE DE NEFRONS ↠ Embora todos os 
néfrons tenham as estruturas que acabamos de 
descrever, eles são divididos em duas 
categorias de acordo com a localização. 
↠ Aproximadamente 80 a 85% dos néfrons 
são néfrons corticais. Seus corpúsculos renais 
se encontram na parte externa do córtex renal, 
e têm alças de Henle curtas, que se encontram 
principalmente no córtex e penetram somente 
na região externa da medula renal. 
↠ As alças de Henle curtas são irrigadas por 
capilares peritubulares que emergem das 
arteríolas glomerulares eferentes. 
↠ Os outros 15 a 20% dos néfrons são néfrons 
justamedulares. Seus corpúsculos renais 
encontram-se profundamente no córtex, 
próximo da medula renal, e têm alças de Henle 
longas que se estendem até a região mais 
profunda da medula renal. 
↠ As alças de Henle longas são irrigadas por 
capilares peritubulares e arteríolas retas que 
emergem das arteríolas glomerulares 
eferentes. Além disso, o ramo ascendente da 
alça de Henle dos néfrons justamedulares 
consiste em duas 
partes: uma parte 
ascendente 
delgada seguida 
por uma parte 
ascendente 
espessa. O lúmen 
da parte 
ascendente fina é o 
mesmo que em 
outras áreas do 
túbulo renal; 
apenas o epitélio é 
mais fino. Os 
néfrons com alça 
de Henle longa 
possibilitam que 
os rins excretem 
urina muito diluída 
ou muito 
concentrada. 
 
 
 13 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
VASOS SANGUÍNEOS ASSOCIADOS 
AOS NÉFRONS ↠ Os néfrons estão 
intimamente associados a dois leitos capilares: 
o glomérulo e os capilares peritubulares. Os 
néfrons justamedulares também estão 
associados a vasos retos similares aos 
capilares. 
Glomérulos: 
↠ O glomérulo é diferente de todos os outros 
leitos capilares no corpo: ele é ao mesmo 
tempo alimentado e drenado por arteríolas - 
uma arteríola aferente e uma arteríola eferente, 
respectivamente. 
↠ As arteríolas aferentes surgem das artérias 
interlobulares que passam pelo córtex renal. 
Como as arteríolas são vasos de alta resistência 
e a arteríola eferente é mais estreita do que a 
arteríola aferente, a 
pressão do sangue no 
glomérulo é 
extraordinariamente 
alta para um leito 
capilar e obriga 
facilmente o filtrado a 
sair do sangue e entrar 
na cápsula do 
glomérulo. 
Os rins geram um litro 
desse filtrado a cada 
oito minutos, mas 
apenas 1% acaba se 
transformando em 
urina; os outros 99% 
são reabsorvidos pelos 
túbulos e devolvidos 
ao sangue nos leitos 
capilares 
peritubulares. 
 
 
Capilares peritubulares: 
↠ Os capilares peritubulares surgem das 
arteríolas eferentes que drenam os glomérulos 
corticais. Esses capilares situam-se no tecido 
conjuntivo intersticial do córtex renal, um 
tecido conjuntivo frouxo, que circunda os 
túbulos renais. Os capilares prendem-se aos 
túbulos contorcidos e drenam nas vênulas 
próximas do sistema venoso renal. 
Os capilares peritubulares são adaptados para 
absorção: são vasos porosos de baixa pressão 
que absorvem imediatamente os solutos e a 
água das células tubulares após essas 
substâncias serem reabsorvidas do filtrado. 
Além disso, todas as moléculas secretadas 
pelos néfrons e que entram na urina são 
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provenientes do sangue dos capilares 
peritubulares próximos. 
Vasos retos: 
↠ Na parte mais profunda do córtex renal, as 
arteríolas eferentes dos glomérulos 
justamedulares continuam em vasos de paredes 
finas chamados vasos retos, que descem para a 
medula formando uma rede em volta da alça do 
néfron. Os vasos retos, junto com as alças do 
néfron longas, fazem parte do mecanismo de 
concentração de urina do rim. 
 
COMPLEXO JUSTAGLOMERULAR ↠ 
O complexo (ou aparelho) justaglomerular 
(“perto do glomérulo”), uma estrutura que 
funciona na regulação da pressão arterial, é 
uma área de contato especializado entre a 
extremidade do túbulo contorcido distal e a 
arteríola aferente. 
 
Histologia do Sistema renal: 
↠ Denomina-se túbulo urinífero do rim o 
conjunto formado por dois componentes 
funcionais e embriologicamente distintos, o 
néfron e o túbulo coletor. 
↠ Cada túbulo urinífero é revestido por uma 
lâmina basal, a qual é envolvida pelo escasso 
tecido conjuntivo do interior do rim que forma 
o componente denominado interstício renal. 
↠ Uma camada única de células epiteliais 
forma toda a parede da cápsula glomerular, 
túbulos e ductos renais. No entanto, cada parte 
tem características histológicas distintas que 
refletem suas funções específicas. 
NÉFRON: CÁPSULA GLOMERULAR ↠ 
A cápsula é formada por dois folhetos, um 
interno, ou visceral, disposto em torno dos 
capilares glomerulares, e outro externo, ou 
parietal, que reveste internamente o corpúsculo 
renal. Entre os dois folhetos da cápsula de 
Bowman, existe o espaço capsular (ou espaço 
de Bowman), que recebe o líquido filtrado 
através da parede dos capilares e do folheto 
visceral da cápsula de Bowman. 
↠ O folheto externo ou parietal da cápsula de 
Bowman é constituído por um epitélio simples 
pavimentoso, que se apoia na lâmina basal e 
em uma fina camada de fibras reticulares. O 
conjunto constitui uma membrana basal bem 
visível ao microscópio de luz. 
 
↠ Enquanto o folheto externo mantém sua 
morfologia epitelial, as células do folheto 
interno ou visceral modificam-se durante o 
desenvolvimento embrionário, adquirindo 
características muito peculiares. Essas células 
são chamadas de podócitos e formadas por um 
corpo celular, de onde partem diversos 
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prolongamentos primários que dão origem aos 
prolongamentos secundários. 
↠ Os podócitos contêm actina, apresentam 
mobilidade e se apoiam sobre a lâmina basal 
dos capilares glomerulares. Seus 
prolongamentos envolvem completamente o 
capilar, e o contato com a lâmina basal é feito 
pelos prolongamentos secundários. Os 
podócitos estabelecem contato com a 
membrana basal por meio de várias proteínas, 
dentre as quais se destacam as integrinas. 
↠ Entre os prolongamentos secundários dos 
podócitos existem espaços denominados 
fendas de filtração. Essas fendas são fechadas 
por uma membrana muito delgada, com cerca 
de 6 nm de espessura, constituída por um 
conjunto de proteínas (p. ex., a nefrina) que se 
liga, através da membrana plasmática, com os 
filamentos intracitoplasmáticos de actina dos 
podócitos. 
↠ Os capilares glomerulares são do tipo 
fenestrado, sem diafragmas nos poros das 
células endoteliais. Há uma lâmina basal entre 
as células endoteliais e os podócitos. Essa 
lâmina basal é espessa pela fusão das 
membranas basais do endotélio e dos 
podócitos. 
↠ Essa lâmina basal apresenta três camadas: a 
lâmina rara interna, que aparece clara nas 
micrografias eletrônicas, situada próximo às 
células endoteliais; a lâmina densa, mais 
elétron-densa; e a lâmina rara externa, também 
clara, localizada mais externamente ao lúmen 
do capilar e, portanto, em contato com os 
prolongamentos dos podócitos. 
As lâminas raras contêm fibronectina, que 
estabelece ligações com as células. A lâmina 
densa é um feltro de colágeno tipo IV e 
laminina em uma matriz que contém 
proteoglicanos eletricamente negativos 
(aniônicos). 
CÉLULAS MESANGIAIS: Além das células 
endoteliais e dos podócitos, os glomérulos 
contêm as células mesangiais internas, 
mergulhadas em matriz mesangial. Há locais 
do glomérulo em que a lâmina basal não 
envolve toda a circunferência de um só capilar, 
constituindo uma membrana comum a duas ou 
maisalças capilares. É principalmente nesse 
espaço entre os capilares que se localizam as 
células mesangiais, as quais podem também 
ser encontradas na parede dos capilares 
glomerulares, entre as células endoteliais e a 
lâmina basal. 
TÚBULO CONTORCIDO 
PROXIMAL ↠ No polo urinário do 
corpúsculo renal, o folheto parietal da 
cápsula de Bowman se continua com o 
epitélio cuboide ou colunar baixo do 
túbulo contorcido proximal. 
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↠ Como suas células são largas, em cada corte 
transversal de um túbulo proximal aparecem 
apenas três a quatro núcleos esféricos. 
↠ Os limites entre as células desses túbulos 
são dificilmente observados ao microscópio 
óptico, pois elas têm prolongamentos laterais 
que se interdigitam com os das células 
adjacentes. 
↠ As células do túbulo proximal têm o 
citoplasma bastante acidófilo, especialmente 
no seu polo basal, em razão de numerosas 
mitocôndrias alongadas presentes nessa 
região. 
↠ A superfície apical das células dos túbulos 
proximais apresenta grande quantidade de 
microvilos, que formam a orla em escova. 
Nesta superfície, há grande atividade de 
endocitose de material presente no lúmen dos 
túbulos. 
No túbulo contorcido proximal, inicia-se o 
processo de reabsorção do filtrado glomerular 
e excreção de substâncias no lúmen tubular. 
Esse segmento do néfron reabsorve a 
totalidade da glicose e dos aminoácidos 
contidos no filtrado glomerular, e mais de 70% 
da água, bicarbonato e cloreto de sódio, além 
dos íons cálcio e fosfato. 
A glicose, os aminoácidos e os íons são 
reabsorvidos por proteínas transportadoras e 
por transporte ativo, sendo que a água 
acompanha passivamente o transporte dessas 
substâncias. O transporte de água depende, em 
grande parte, de moléculas da família das 
aquaporinas. 
ALÇA DE HENLE ↠ A alça de Henle é uma 
estrutura em forma de U que consiste em um 
segmento delgado interposto a dois segmentos 
espessos. O lúmen desse segmento do néfron é 
relativamente amplo, porque a parede da alça é 
formada por epitélio simples pavimentoso. 
TÚBULO CONTORCIDO DISTAL ↠ 
Revestido por epitélio cúbico simples. Em 
cortes histológicos, a distinção entre os túbulos 
contorcidos distais e os proximais, ambos 
encontrados na cortical e formados por epitélio 
simples cúbico, baseia-se nos seguintes 
parâmetros: as células dos túbulos distais são 
mais estreitas; em consequência, observam-se 
mais núcleos em cortes transversais desses 
túbulos. Além disso, suas células não têm orla 
em escova e são menos acidófilas, pois contêm 
menor quantidade de mitocôndrias. 
↠ Uma propriedade muito importante dos 
túbulos distais é o fato de um segmento desses 
túbulos aproximar-se do corpúsculo renal do 
mesmo néfron, local onde a parede do túbulo 
se modifica. Suas células tornam-se 
cilíndricas, altas e com núcleos alongados e 
muito próximos uns dos outros; a maioria delas 
tem o complexo de Golgi na região basal. Esse 
segmento modificado da parede do túbulo 
distal, que aparece mais escuro nos cortes 
corados, devido à proximidade dos núcleos de 
suas células, chama-se mácula densa. 
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↠ A mácula densa é sensível ao conteúdo 
iônico e ao volume de água no fluido tubular, 
produzindo moléculas sinalizadoras que 
promovem a liberação da enzima renina na 
circulação. 
 
TÚBULOS E DUCTOS COLETORES ↠ 
Os ductos coletores mais delgados são 
revestidos por epitélio cúbico e têm um 
diâmetro de aproximadamente 40 µm. À 
medida que se fundem e se aproximam das 
papilas, suas células tornam-se mais altas, até 
se transformarem em cilíndricas. Ao mesmo 
tempo, aumenta o diâmetro do tubo. No local 
próximo à extremidade das papilas medulares, 
os ductos coletores têm diâmetro de até 200 
µm. 
↠ Os tubos coletores são formados por células 
com citoplasma que se cora fracamente pela 
eosina e cujos limites intercelulares são bem 
marcados. Ao microscópio eletrônico de 
transmissão, observa-se que são células pobres 
em organelas. 
 
APARELHO JUSTAGLOMERULAR ↠ 
Dentro do complexo, as estruturas do túbulo e 
da arteríola são modificadas. As paredes das 
arteríolas aferentes e eferentes contêm células 
justaglomerulares (células granulares), células 
musculares lisas modificadas com grânulos 
secretórios contendo um hormônio chamado 
renina (“hormônio renal”). 
As células granulares parecem ser 
mecanorreceptores que secretam renina em 
resposta à queda de pressão sanguínea na 
arteríola aferente. A mácula densa, que é a 
terminal do túbulo contorcido distal adjacente 
às células justaglomerulares, consiste em 
células epiteliais altas e próximas umas das 
outras que agem como quimiorreceptoras, 
monitorando as concentrações de soluto no 
filtrado. Quando as concentrações de soluto 
ficam abaixo de um determinado nível, as 
células da mácula densa sinalizam às células 
justaglomerulares para que estas secretem 
renina. A renina inicia uma sequência de 
reações químicas no sangue (conhecidas como 
mecanismo reninaangiotensina) que resulta, 
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pelo córtex renal, na secreção do hormônio 
aldosterona, que aumenta a reabsorção do 
sódio (Na+ ) pelos túbulos contorcidos distais, 
aumentando a concentração de soluto no 
sangue. 
 
 
As células mesangiais têm formato irregular e 
estão situadas em volta da base do glomérulo. 
Essas células exibem propriedades contráteis 
que regulam o fluxo sanguíneo dentro do 
glomérulo. As células mesangiais 
extraglomerulares interagem com as células da 
mácula densa e as células justaglomerulares 
como forma de regular a pressão sanguínea. Os 
detalhes dessa interação são uma área de 
pesquisa permanente. 
↠A partir dos ductos coletores, a urina flui 
para os cálices renais menores, que se unem 
para se tornar os cálices renais maiores, que se 
juntam para formar a pelve renal. A partir da 
pelve renal, a urina flui primeiro para os 
ureteres e, em seguida, para a bexiga urinária. 
A urina é então eliminada do corpo por uma 
uretra única. 
 
 
 
 
 
 
 19 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
Morfologia do Ureter: 
Anatomia do Ureter: 
↠ Os ureteres são tubos delgados, com 
aproximadamente 25 cm de comprimento, que 
transportam a urina dos rins para a bexiga. 
↠ Cada ureter começa superiormente, no nível 
de L II, como uma continuação da pelve renal. 
A partir daí, ele desce na posição 
retroperitoneal através do abdome, entra na 
pelve verdadeira ao cruzar a cavidade pélvica 
na junção sacroilíaca, entra no ângulo 
posterolateral da bexiga e depois segue 
medialmente dentro da parede posterior da 
bexiga antes de se abrir para o interior da 
bexiga. 
Essa entrada oblíqua na bexiga evita o refluxo 
de urina da bexiga para os ureteres, pois 
qualquer aumento de pressão dentro da bexiga 
comprime a parede desse órgão, fechando 
assim as extremidades distais dos ureteres 
(válvula fisiológica). 
Quando esta válvula fisiológica não está 
funcionando corretamente, é possível que 
microrganismos passem da bexiga urinária 
para os ureteres, infectando um ou ambos os 
rins. 
↠ Contrações peristálticas das paredes 
musculares dos ureteres empurram a urina para 
a bexiga urinária, mas a pressão hidrostática e 
a gravidade também contribuem. Ondas 
peristálticas que vão da pelve renal à bexiga 
urinária variam em frequência de 1 a 5 por 
minuto, dependendo da velocidade em que a 
urina está sendo formada. 
Histologia do Ureter:↠ A estrutura histológica dos ureteres 
tubulares é a mesma dos cálices renais e da 
pelve renal; as 
paredes possuem três 
camadas básicas: 
mucosa, muscular e 
adventícia: 
• A mucosa de 
revestimento é 
composta por um 
epitélio 
transicional, que 
estica quando os 
ureteres se enchem de urina, e uma lâmina 
própria, composta por um tecido 
conjuntivo fibroelástico contendo placas 
de tecido linfático. O muco secretado pelas 
células caliciformes da túnica mucosa 
impede que as células entrem em contato 
com a urina, cuja concentração de soluto e 
cujo pH podem diferir drasticamente do 
citosol das células que formam a parede 
dos ureteres. 
• A camada muscular intermediária 
consiste em duas camadas de músculo liso: 
uma camada longitudinal interna e uma 
camada circular externa. Uma terceira 
camada muscular, a camada longitudinal 
externa, aparece no terço inferior do ureter. 
• A adventícia (externa) da parede do ureter 
é um tecido conjuntivo típico. Contém 
vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos 
que suprem a túnica muscular e a túnica 
mucosa. A túnica adventícia mescla-se a 
áreas de tecido conjuntivo e mantém os 
ureteres em posição. 
Morfologia da bexiga: 
Anatomia da bexiga: 
↠ A bexiga urinária é um órgão muscular oco 
e distensível situado na cavidade pélvica 
posteriormente à sínfise púbica. Nos homens, 
é diretamente anterior ao reto; nas mulheres, é 
 20 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
anterior à vagina e inferior ao útero. Pregas do 
peritônio mantêm a bexiga em sua posição. 
↠ Quando ligeiramente distendida em 
decorrência do acúmulo de urina, a bexiga 
urinária é esférica. Quando está vazia, ela se 
achata. Conforme o volume de urina aumenta, 
torna-se piriforme e ascende para a cavidade 
abdominal. 
↠ A capacidade média da bexiga urinária é de 
700 a 800 ml. Ela é menor nas mulheres, 
porque o útero ocupa o espaço imediatamente 
superior à bexiga urinária. 
 
Quando cheia, a bexiga fica firme e pode ser 
palpada através da parede anterior do abdome 
imediatamente superior à sínfise púbica. Uma 
bexiga que pode ser palpada mais de alguns 
centímetros acima da sínfise está 
perigosamente cheia de urina e requer 
drenagem por cateterismo. 
↠ A bexiga vazia tem a forma de uma 
pirâmide de cabeça para baixo com quatro 
superfícies triangulares e quatro cantos, ou 
ângulos. Os dois ângulos posterolaterais 
recebem os ureteres. No ângulo anterior da 
bexiga (ou ápice) há uma faixa fibrosa 
chamada úraco (“canal urinário do feto”), o 
remanescente fechado de um tubo embrionário 
chamado alantoide. O ângulo inferior (colo) 
converge para a uretra. 
Nos homens, a próstata, uma glândula do 
sistema genital, situa-se diretamente inferior à 
bexiga, onde circunda a uretra. 
↠ No assoalho da bexiga urinária encontra-se 
uma pequena área triangular chamada trígono 
da bexiga. Os dois cantos posteriores do 
trígono da bexiga contêm os dois óstios dos 
ureteres; a abertura para a uretra, o óstio 
interno da uretra, encontra-se no canto 
anterior. 
O trígono tem uma importância clínica 
especial porque as infecções tendem a persistir 
nessa região. 
 
Vasos e Nervos: 
↠ As artérias que irrigam a bexiga são ramos 
das artérias ilíacas internas, principalmente as 
artérias vesicais superiores e inferiores. 
↠ As veias que drenam a bexiga formam um 
plexo nas superfícies inferior e posterior desse 
órgão cujo sangue drena nas veias ilíacas 
internas. 
↠ Os nervos que vão do plexo hipogástrico até 
a bexiga consistem em fibras parassimpáticas 
provenientes dos nervos esplâncnicos 
pélvicos, algumas fibras simpáticas oriundas 
dos nervos esplâncnicos torácicos inferiores e 
lombares superiores e fibras sensitivas 
viscerais. 
 
 
 21 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
Histologia da Bexiga: 
Três camadas formam a parede da bexiga 
urinária: 
• Uma mucosa, com um epitélio transicional 
distensível e uma lâmina própria, forma o 
revestimento interno da bexiga. O 
revestimento mucoso contém pregas, ou 
rugas, que se achatam quando a bexiga 
enche. 
• Uma musculatura espessa, chamada 
músculo detrusor da bexiga (“empurrar 
para fora”), forma a camada intermediária. 
Esse músculo consiste em fibras 
musculares lisas altamente misturadas e em 
duas camadas longitudinais (externa e 
interna) e uma circular (média). A 
contração desse músculo espele a urina da 
bexiga durante a micção. 
• Nas superfícies lateral e inferior, a camada 
mais externa é a adventícia. A superfície 
superior da bexiga é coberta pelo peritônio 
parietal. 
As células mais superficiais do epitélio de 
transição são responsáveis pela barreira 
osmótica entre a urina e os fluidos teciduais. 
Por microscopia eletrônica, observou-se que a 
membrana plasmática da superfície externa das 
células em contato com a urina é especializada 
e apresenta placas espessas separadas por 
faixas de membrana mais delgada. Quando a 
bexiga se esvazia, a membrana se dobra nas 
regiões delgadas, e as placas espessas se 
invaginam e se enrolam, formando vesículas 
fusiformes intracitoplasmáticas, que 
permanecem próximo à superfície celular. 
Quando a bexiga se enche novamente, sua 
parede se distende, e ocorre um processo 
inverso, com transformação das vesículas 
citoplasmáticas fusiformes em placas que se 
inserem na membrana, aumentando a 
superfície das células. Essa membrana 
plasmática especial é sintetizada no complexo 
de Golgi e tem uma composição química 
peculiar: os cerebrosídeos constituem o 
principal componente da fração dos lipídios 
polares. 
 
A grande capacidade de distensão da bexiga a 
torna unicamente adequada para sua função de 
armazenar urina. Quando há pouca urina 
dentro dela, a bexiga dobra-se em seu formato 
piramidal básico, suas paredes espessam-se e 
sua mucosa enruga-se. No entanto, conforme a 
urina acumula-se, as rugas aplainam e a parede 
da bexiga fica mais fina à medida que estica, 
permitindo que o órgão armazene quantidades 
maiores de urina sem elevar de modo 
significativo a pressão interna (pelo menos até 
um acúmulo de 300 ml). Uma bexiga adulta 
cheia abriga cerca de 500 ml de urina, 15 vezes 
o seu volume quando vazia. 
 
 22 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
Morfologia da Uretra: 
Anatomia da Uretra: 
↠ A uretra é um pequeno tubo que vai do óstio 
interno da uretra no assoalho da bexiga urinária 
até o exterior do corpo. 
↠ Esse tubo consiste em músculo liso e em 
uma mucosa interna. 
↠ Na junção bexiga-uretra, um espessamento 
do detrusor forma o esfíncter interno da uretra. 
Esse é um esfíncter involuntário de músculo 
liso que mantém a uretra fechada quando a 
urina não está passando e evita o seu 
gotejamento entre as micções. 
↠ Um segundo esfíncter, o esfíncter externo 
da uretra, circunda a uretra no interior da 
camada muscular chamada diafragma 
urogenital. Esse esfíncter externo é um 
músculo esquelético utilizado para inibir 
voluntariamente a micção. O músculo 
levantador do ânus do diafragma da pelve 
também serve como um constritor voluntário 
da uretra. 
Uretra Feminina e masculina: 
↠ Nas mulheres, a uretra tem apenas de 3 a 4 
cm de comprimento e está presa à parede 
anterior da vagina por tecido conjuntivo. Ela 
abre-se para o exterior no óstio externo da 
uretra, uma abertura pequena e frequentemente 
difícil de localizar, que se situa anterior à 
abertura da vagina e posterior ao clitóris. 
↠Normalmente seu lúmen se encontra 
colabado, exceto durante a micção. Próximo à 
bexiga ela é revestida por um epitélio de 
transição, e ao longo de seu comprimento 
restantepor um epitélio estratificado 
pavimentoso nãoqueratinizado. Intercaladas 
em meio ao epitélio há porções de epitélio 
pseudoestratificado cilíndrico. 
↠ A mucosa está disposta em pregas 
alongadas por causa da organização da lâmina 
própria fibroelástica. Ao longo de toda a 
extensão da uretra há numerosas glândulas 
claras secretoras de muco, as glândulas de 
Littré. 
↠ A camada muscular da uretra é contínua 
com a da bexiga, mas é constituída apenas por 
duas camadas de músculo liso, uma 
longitudinal interna e uma circular externa. 
 
↠ Nos homens, a uretra tem aproximadamente 
20 cm de comprimento e possui três regiões: a 
parte prostática da uretra, que tem 
aproximadamente 2,5 cm de comprimento e 
passa pela próstata; a parte intermédia da 
uretra, que ocupa aproximadamente 2,5 cm do 
diafragma urogenital membranoso; e a parte 
esponjosa da uretra, que tem aproximadamente 
15 cm de comprimento, percorre pelo interior 
do pênis e se abre na glande do pênis através 
do óstio externo da uretra. A uretra masculina 
transporta para fora do corpo tanto o sêmen na 
ejaculação, como a urina na micção, embora 
não simultaneamente. 
↠ A uretra membranosa tem apenas 1 cm de 
extensão e é revestida por epitélio 
pseudoestratificado colunar. Nessa parte da 
uretra existe um esfíncter de músculo estriado: 
o esfíncter externo da uretra. 
 23 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024 
↠ O epitélio da uretra cavernosa é 
pseudoestratificado colunar, com áreas de 
epitélio estratificado pavimentoso. 
↠ A lâmina própria de todas as três regiões é 
composta de tecido conjuntivo frouxo 
fibroelástico altamente vascularizado. Ela 
contém numerosas glândulas de Littre, cuja 
secreção mucosa lubrifica o epitélio que 
reveste a uretra. 
↠ A túnica muscular da parte prostática é 
composta principalmente por fibras de 
músculo liso circulares superficiais à lâmina 
própria; estas fibras circulares ajudam a 
formar o músculo esfíncter interno da uretra 
da bexiga urinária. A túnica muscular da parte 
membranácea consiste em fibras musculares 
esqueléticas provenientes do músculo 
transverso profundo do períneo dispostas 
circularmente, que ajudam a formar o músculo 
esfíncter externo da uretra.