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1. Compreender a embriologia do Sistema Urinário;
Desenvolvimento do sistema urinário:
O sistema urinário começa a se desenvolver antes do sistema genital e consistem:
• Rins, que produzem e excretam a urina.
• Ureteres, que transferem a urina dos rins para a bexiga urinária.
• Bexiga urinária, que armazena a urina temporariamente.
• Uretra, que libera a urina da bexiga para o exterior.
Desenvolvimento dos rins e ureteres:
Três conjuntos consecutivos de rins desenvolvem-se nos
embriões. O primeiro conjunto, os pronefros, é rudimentar. O
segundo conjunto, os mesonefros, funciona brevemente durante
o início do período fetal. O terceiro conjunto, os metanefros,
forma os rins permanentes.
Pronefros: Os pronefros são estruturas transitórias, bilaterais,
que aparecem no início da 4ª semana. São representados por alguns agrupamentos celulares e
estruturas tubulares na região do pescoço em desenvolvimento. Os ductos pronéfricos seguem
caudalmente e abrem-se na cloaca, a câmara na qual o intestino primitivo posterior e a alantoide
esvaziavam-se. Os pronefros logo degeneram-se; no entanto, as partes maiores dos ductos persistem
e são usadas pelo segundo grupo de rins.
Mesonefros: Os mesonefros, órgãos excretores grandes e alongados, aparecem no final da 4a
semana, caudais aos pronefros. Eles funcionam como rins provisórios por aproximadamente 4
semanas até o desenvolvimento e funcionamento dos rins permanentes. Os rins mesonéfricos
consistem em glomérulos (10 a 50 por rim) e em túbulos mesonéfricos. Os túbulos abrem-se nos
ductos mesonéfricos bilaterais, que originalmente eram os ductos pronéfricos. Os ductos
mesonéfricos abrem-se na cloaca. Os mesonefros degeneram-se ao final da 12ª semana; no entanto,
os túbulos metanéfricos tornam-se os dúctulos eferentes dos testículos. Os ductos mesonéfricos têm
vários derivados adultos nos homens.
APG 25 – Morfologia do Sistema Urinário
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Metanefros: Os metanefros, ou os primórdios dos rins permanentes, começam a se desenvolver na
5a semana e tornam-se funcionais aproximadamente 4 semanas depois. A formação da urina continua
durante toda a vida fetal; a urina é excretada dentro da cavidade amniótica, formando um dos
componentes do líquido amniótico. Os rins desenvolvem-se a partir de duas fontes:
• O broto uretérico (divertículo metanéfrico)
• O blastema metanefrogênico (massa metanéfrica de mesênquima).
O broto uretérico é um divertículo (protuberância) do ducto mesonéfrico próximo à entrada deste
na cloaca. O blastema metanefrogênico deriva da parte caudal do cordão nefrogênico. À medida
que o broto uretérico se alonga, ele penetra o blastema.
O pedúnculo do broto uretérico torna-se o ureter. A parte cranial do broto sofre ramificações
repetitivas, resultando na diferenciação do broto nos túbulos coletores. As quatro primeiras gerações
de túbulos aumentam e tornam-se confluentes para formar os cálices maiores. As quatro segundas
gerações coalescem para formar os cálices menores. O final de cada túbulo coletor arqueado induz
aglomerados de células mesenquimais, no blastema metanefrogênico, a formarem pequenas vesículas
metanéfricas. Essas vesículas alongam-se e tornam-se os túbulos metanéfrico.
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Como ocorre ramificação,
algumas das células do
mesênquima metanéfrico
condensam-se e formam as
células da capa de mesênquima,
que passam pela transição
mesenquimal para epitelial e
desenvolvem-se na maior parte
do epitélio do néfron. As
extremidades proximais dos
túbulos são invaginadas pelos
glomérulos. Os túbulos
diferenciam-se nos túbulos
contorcidos proximal e distal; a
alça do néfron (alça de Henle),
junto com os glomérulos e a
cápsula glomerular, constituem
o néfron.
A proliferação das células
progenitoras do néfron e a
formação dos néfrons são
dependentes dos sinais do BMP7
e mediados por Wnt. Cada túbulo
distal contorcido contata um túbulo coletor arqueado e o conjunto torna-se confluente. O túbulo
urinífero consiste em duas partes embriologicamente diferentes:
• O néfron derivado do blastema metanefrogênico.
• O túbulo coletor derivado do broto uretérico.
Entre a 10a e a 18a semanas, o número de glomérulos aumenta gradualmente e continua aumentando
rapidamente até a 36a semana, quando atinge o limite máximo. A formação de néfrons está completa
ao nascimento, e cada rim contém entre 200 mil e 2 milhões de néfrons. Os néfrons devem durar para
sempre, porque não há formação de novas unidades após esse tempo, e o número limitado deles pode
resultar em consequências significativas para a saúde da criança e do adulto. Em alguns grupos
populacionais específicos (p. ex., os aborígines australianos) com número menor de néfrons
desenvolvidos no útero, há também incidência maior de insuficiência renal crônica nos adultos.
Os rins fetais são subdivididos em lobos. A lobulação geralmente desaparece no final do 1o ano de
vida, à medida que os néfrons se desenvolvem e crescem. O aumento do tamanho do rim, após o
nascimento, resulta, principalmente, do alongamento dos túbulos proximais contorcidos, bem como
do aumento do tecido intersticial. A formação dos néfrons está completa ao nascimento, exceto nos
recém-nascidos prematuros. Embora a filtração glomerular comece aproximadamente na 9a semana
fetal, a maturação funcional dos rins e as taxas crescentes de filtração ocorrem após o nascimento.
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A ramificação do broto uretérico depende da indução pelo mesênquima metanéfrico. A diferenciação
dos néfrons depende da indução pelos túbulos coletores. O broto uretérico e o blastema
metanefrogênico interagem e induzem um ao outro, um processo conhecido como indução
recíproca, para formar os rins permanentes.
Mudanças posicionais dos rins:
Inicialmente, os primórdios dos rins permanentes estão próximos na pelve, ventrais ao sacro. À
medida que o abdome e a pelve crescem, os rins deslocam-se gradualmente para o abdome e se
distanciam e adquirem a posição adulta durante o início do período fetal. Essa “subida” resulta
principalmente do crescimento do corpo do embrião, caudal aos rins. Com efeito, a parte caudal do
embrião cresce para longe dos rins, de modo que eles, progressivamente, ocupam a posição normal
de cada lado da coluna vertebral.
A princípio, o hilo de cada rim (depressão na margem medial), onde os vasos sanguíneos, o ureter e
os nervos entram e saem, está ventralmente; no entanto, conforme os rins se deslocam, o hilo gira
medialmente quase 90o. Na 9a semana, os hilos são direcionados anteromedialmente. Por fim, os rins
tornam-se estruturas retroperitoneais (externos ao peritônio) na parede abdominal posterior. Nesse
período, os rins estão em contato com as glândulas suprarrenais.
Mudanças no suprimento sanguíneo dos rins:
Durante as mudanças na posição dos rins, eles recebem o suprimento de sangue dos vasos próximos.
Inicialmente, as artérias renais são ramos das artérias ilíacas comuns. Posteriormente, os rins
recebem suprimento sanguíneo da extremidade distal da parte abdominal da aorta (aorta
abdominal). Quando os rins estão localizados em nível mais elevado, eles recebem novos ramos da
aorta. Normalmente, os ramos caudais dos vasos renais sofrem involução e desaparecem.
A posição dos rins torna-se fixa quando entram em contato com as glândulas suprarrenais na 9a
semana. Os rins recebemseus ramos arteriais mais craniais da parte abdominal da aorta; esses
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ramos tornam-se as artérias renais permanentes. A artéria renal direita é mais longa e,
frequentemente, está em posição mais superior do que a artéria renal esquerda.
Desenvolvimento da bexiga urinária:
Para fins descritivos, o seio urogenital é dividido em três partes:
• A parte vesical, que forma a maior parte da bexiga urinária e é contínua à alantoide.
• A parte pélvica, que se torna a uretra no colo da bexiga; a parte prostática da uretra nos homens
e toda a uretra nas mulheres.
• A parte fálica, que cresce em direção ao tubérculo genital.
A bexiga desenvolve-se principalmente da parte vesical do seio urogenital. Todo o epitélio da bexiga
deriva do endoderma da parte vesical do seio urogenital, ou da parte ventral da cloaca. As outras
camadas de sua parede desenvolvem-se do mesênquima esplâncnico adjacente.
Inicialmente, a bexiga é contínua à alantoide, membrana fetal desenvolvida a partir do intestino
primitivo posterior. A alantoide logo se contrai e torna-se um cordão fibroso espesso, o úraco. Ele se
estende do ápice da bexiga até o umbigo. Nos adultos, o úraco é representado pelo ligamento
umbilical mediano.
À medida que a bexiga aumenta, as partes distais dos ductos mesonéfricos são incorporadas à sua
parede dorsal. Esses ductos contribuem para a formação do tecido conjuntivo no trígono da bexiga.
Como esses ductos são absorvidos, os ureteres abrem-se separadamente na bexiga urinária. Em parte
por causa da tração exercida pelos rins à medida que sobem, os óstios dos ureteres movem-se
superolateralmente e entram obliquamente pela base da bexiga. Nos homens, os óstios dos ductos
movem-se juntos e entram na parte prostática da uretra à medida que as extremidades caudais dos
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ductos se desenvolvem nos ductos ejaculatórios. Nas mulheres, as extremidades distais dos ductos
mesonéfricos degeneram-se.
Nos lactentes e crianças, a bexiga urinária, mesmo quando vazia, está no abdome. Ela começa a entrar
na pelve maior aproximadamente aos 6 anos de idade; no entanto, a bexiga não entra na pelve menor
e torna-se um órgão pélvico até depois da puberdade. Nos adultos, o ápice da bexiga é contínuo ao
ligamento umbilical mediano, que se estende posteriormente ao longo da superfície posterior da
parede anterior do abdome.
Desenvolvimento da uretra:
O epitélio da maior parte da uretra masculina e de toda a uretra feminina deriva do endoderma do
seio urogenital. A parte distal da uretra na glande do pênis deriva de um cordão sólido de células
ectodérmicas, que cresce interiormente a partir da ponta da glande e junta-se ao restante da parte
esponjosa da uretra. Consequentemente, o epitélio da parte terminal da uretra deriva do ectoderma
superficial. O tecido conjuntivo e o músculo liso da uretra em ambos os sexos derivam do
mesênquima esplâncnico.
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2. Entender a morfologia do Sistema
Urinário;
O aparelho urinário é formado pelos dois rins,
dois ureteres, bexiga e uretra. A urina
produzida nos rins passa pelos ureteres até a
bexiga e é lançada no exterior pela uretra.
O sistema urinário tem diversas funções. É
responsável pela remoção de produtos tóxicos
da circulação, provenientes do metabolismo,
através da formação da urina e sua eliminação;
produz hormônios: a renina, que participa da
regulação da pressão sanguínea e a
eritropoietina, que é essencial para o estímulo
à eritropoiese (produção de hemácias); e
participa da ativação da vitamina D. Além
disso os rins são responsáveis pelo equilíbrio
ácido-básico e conservação de sais, glicose,
proteínas e água, mantendo a homeostase.
Órgãos urinários:
Os órgãos urinários pélvicos são:
• Partes pélvicas dos ureteres, que levam a
urina dos rins
• Bexiga urinária, que armazena
temporariamente a urina
• Uretra, que conduz a urina da bexiga
urinária para o exterior.
Morfologia dos Rins:
Anatomia Macroscópica dos Rins:
Os rins, em forma de grão de feijão, estão
dispostos no espaço retroperitoneal (entre a
parede posterior do corpo e o peritônio
parietal) na região lombar superior.
Estendendo-se aproximadamente de T12 a
L3, os rins recebem alguma proteção da parte
inferior da caixa torácica.
O rim direito é comprimido pelo fígado e está
ligeiramente mais abaixo que o esquerdo. O
rim adulto possui uma massa de cerca de 150
g, e suas dimensões médias são 12 cm de
comprimento, 6 cm de largura e 3 cm de
espessura - do tamanho aproximado de uma
barra de sabão grande.
A superfície lateral é convexa. A superfície
medial é côncava e possui uma fenda vertical
chamada de hilo renal, localizada em um
espaço interno do rim chamado de seio renal.
A pelve renal, os vasos sanguíneos e
linfáticos e os nervos se juntam no hilo em
cada rim e ocupam o seio.
No topo de cada rim há uma glândula supra-
renal (ou adrenal).
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Três camadas de tecido circundam cada rim:
• A camada mais profunda, a cápsula
fibrosa, é uma lâmina lisa e transparente de
tecido conjuntivo denso não modelado que
é contínuo com o revestimento externo
do ureter. Ela serve como uma barreira
contra traumatismos e ajuda a manter a
forma do rim. Impede que infecções das
regiões vizinhas se espalhem para o rim.
• A camada intermediária, a cápsula
adiposa, é uma massa de tecido adiposo
que circunda a cápsula fibrosa. Ela
também protege o rim de traumas e
ancora-o firmemente na sua posição na
cavidade abdominal.
• A camada superficial, a fáscia renal, é
outra camada fina de tecido conjuntivo
denso não modelado que ancora o rim às
estruturas vizinhas e à parede abdominal.
Na face anterior dos rins, a fáscia renal.
O revestimento adiposo dos rins é
importante para mantê-los na
posição correta no corpo. Se a
quantidade de tecido adiposo
diminui (como no emagrecimento
extremo ou em uma rápida perda de
peso), um ou ambos os rins podem
cair para uma posição mais baixa,
um evento chamado de nefroptose
(ptose renal). A nefroptose pode
fazer o ureter se dobrar, trazendo problemas,
pois, se a urina não consegue ser escoada, volta
para o rim e exerce pressão neste tecido.
A volta da urina, a partir de uma obstrução no
ureter ou de outras causas, é chamada de
hidronefrose ("água nos rins"). A hidronefrose
pode prejudicar gravemente o rim, levando a
necrose (morte tecidual) e insuficiência renal.
Anatomia Macroscópica Interna dos Rins:
Um corte frontal através de um rim revela duas
regiões distintas de tecido renal: córtex e
medula. A região mais superficial, o córtex
renal, tem cor clara e possui uma aparência
granular. Abaixo do córtex encontra-se a
medula renal, mais escura, e que consiste em
massas cônicas chamadas pirâmides renais.
A ampla base de cada pirâmide faz fronteira
com o córtex, enquanto o ápice da pirâmide, ou
papila renal, aponta para dentro. As pirâmides
renais exibem estrias porque contêm feixes
aproximadamente paralelos de delgados
túbulos coletores de urina.
As colunas renais, que são extensões do córtex
renal para dentro, separam as pirâmides
adjacentes. Admite-se que os rins humanos
têm lobos, e cada lobo consiste em uma única
pirâmide renal e um tecido cortical que
circunda essa pirâmide. Existem de 5 a 11lobos e pirâmides em cada rim.
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O seio renal é um grande espaço na parte
medial do rim que se abre para o exterior
através do hilo renal. Na realidade, esse seio é
um “espaço preenchido”, já que contém vasos
e nervos renais, alguma gordura e os tubos que
transportam urina chamados pelve e cálices
renais.
A pelve renal (pelve = bacia) - tubo plano em
forma de funil - é simplesmente a parte
superior do ureter expandida. Extensões
ramificadas da pelve renal formam dois ou três
cálices renais maiores, cada um deles
dividindo-se e formando vários cálices renais
menores, tubos em forma de taça que confinam
as papilas das pirâmides. Os cálices coletam a
drenagem de urina das papilas e a desaguam
na pelve renal; então, a urina escoa pela pelve
renal e entra no ureter, que a transporta até a
bexiga, onde será armazenada.
Cada rim tem de 8 a 18 cálices renais menores
e 2 ou 3 cálices renais maiores.
Uma vez que o filtrado entra nos cálices, torna-
se urina, porque não pode mais ocorrer
reabsorção. O motivo é que o epitélio simples
dos néfrons e túbulos se tornam epitélio de
transição nos cálices.
Suprimento Sanguíneo e Nervoso do Rim:
Dado que os rins limpam continuamente o
sangue, não é de surpreender que eles tenham
um rico suprimento sanguíneo. Em
condições normais de repouso,
aproximadamente um quarto do débito
cardíaco sistêmico chega aos rins através das
artérias renais, que se ramificam em ângulos
retos a partir da parte abdominal da aorta, entre
a primeira e a segunda vértebra lombar V.
Uma vez que a aorta se situa ligeiramente à
esquerda da linha média do corpo, a artéria
renal direita é mais longa do que a esquerda. À
medida que cada artéria renal se aproxima do
rim, ela se divide em cinco artérias
segmentares que entram no hilo.
Dentro do seio renal, cada artéria segmentar
divide-se em artérias interlobares, que se
situam nas colunas renais entre as pirâmides
renais.
Na junção medula-córtex, as artérias
interlobares ramificam-se nas artérias
arqueadas, que formam arcos sobre as bases
das pirâmides renais. Irradiando-se para fora
das artérias arqueadas e abastecendo o tecido
cortical encontram-se as pequenas artérias
interlobulares (corticais radiadas). Mais de
90% do sangue que entra no rim perfunde o
córtex. Essas artérias originam as arteríolas
aferentes e eferentes que alimentam os
capilares peritubulares que circundam os
túbulos no rim.
As veias renais seguem o caminho inverso das
artérias: o sangue que sai do córtex renal drena
sequencialmente nas veias interlobulares,
arqueadas, interlobares e renais (não há veias
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segmentares). A veia renal sai do rim no hilo
e drena para a veia cava inferior.
Como a veia cava inferior situa-se no lado
direito da coluna vertebral, a veia renal
esquerda tem aproximadamente duas vezes o
comprimento da veia renal direita. Cada veia
renal situa-se em posição anterior à artéria
renal correspondente e ambos os vasos
sanguíneos situam-se em posição anterior à
pelve renal no hilo renal.
O suprimento nervoso do rim é fornecido pelo
plexo renal, uma rede de fibras autônomas e
gânglios autônomos nas artérias renais.
Esse plexo é um desdobramento do plexo
celíaco. O plexo renal é abastecido por
fibras simpáticas do nervo esplâncnico
torácico maior. Essas fibras simpáticas
controlam os diâmetros das artérias renais e
influenciam as funções de formação da urina
dos túbulos uriníferos.
Segmentação Renal:
As artérias segmentares são distribuídas para
os segmentos renais do seguinte modo:
• O segmento superior (apical) é irrigado
pela artéria do segmento superior (apical);
• Os segmentos anterossuperior e
anteroinferior são supridos pelas artérias
do segmento anterior superior e do
segmento anterior inferior;
• O segmento inferior é irrigado pela artéria
do segmento inferior.
Essas artérias originam-se do ramo anterior da
artéria renal.
• A artéria segmentar posterior, que se
origina de uma continuação do ramo
posterior da artéria renal, irriga o segmento
posterior do rim.
Anatomia microscópica dos rins:
A principal unidade estrutural e funcional do
rim é o néfron. Mais de um milhão desses
túbulos apinham-se (unem-se estreitamente)
em cada rim.
ESTRUTURA DO NÉFRON ↠ Cada néfron
é composto de corpúsculo renal e túbulo renal;
este último é dividido em porções: túbulo
contorcido proximal, alça do néfron (de
Henle), túbulo contorcido distal e túbulo
coletor. Em todo o seu comprimento, o néfron
é revestido por um epitélio simples que é
adaptado a vários aspectos da produção de
urina.
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CORPÚSCULO RENAL ↠ A primeira parte
do néfron, onde ocorre a filtração, é o
corpúsculo renal esférico. Os corpúsculos
renais ocorrem estritamente no córtex. Eles
consistem em um novelo de capilares chamado
glomérulo (“novelo de lã”) circundado por
uma cápsula do glomérulo oca em forma de
cálice (cápsula de Bowman).
↠ Esse novelo de capilares é abastecido por
uma arteríola aferente e drenado por uma
arteríola eferente. O endotélio do glomérulo é
fenestrado (possui poros) e, portanto, esses
capilares são altamente permeáveis permitindo
que grandes quantidades de fluido e de
pequenas moléculas passem do sangue do
capilar para o interior oco da cápsula, o espaço
capsular. Esse fluido é o filtrado que, no fim
das contas, é processado para se transformar
em urina. Aproximadamente apenas 20% do
fluido sai do glomérulo e entra no espaço
capsular; 80% permanecem no sangue dentro
desse capilar.
TÚBULO RENAL ↠ Depois de se formar no
corpúsculo renal, o filtrado avança para a seção
tubular longa do néfron, que começa com o
túbulo contorcido proximal espiralado de
modo elaborado, cria uma alça chamada alça
do néfron (de Henle), curva-se várias vezes
num trajeto sinuoso como túbulo contorcido
distal e termina como túbulo coletor se
juntando ao ducto coletor.
↠ Os ductos coletores então se unem e
convergem em várias centenas de grandes
ductos papilares, que drenam para os cálices
renais menores. Os ductos coletores e papilares
se estendem desde o córtex renal ao longo da
medula renal até a pelve renal. Então, um rim
tem aproximadamente 1 milhão de néfrons,
mas um número muito menor de ductos
coletores e ainda menor de ductos papilares.
Essa natureza sinuosa do néfron aumenta o seu
tamanho e melhora sua capacidade para
processar o filtrado que escoa por ele. Cada
parte da seção tubular do néfron tem uma
anatomia celular única que reflete sua função
de processamento do filtrado.
Obs: O corpúsculo renal e os túbulos
contorcidos proximais e distais se localizam no
córtex renal; a alça de Henle se estende até a
medula renal, faz uma curva fechada, e então
retorna ao córtex renal.
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↠ Em um néfron, a alça de Henle comunica os
túbulos contorcidos proximais e distais. A
primeira parte da alça de Henle começa no
ponto em que o túbulo contorcido proximal faz
a sua última curva descendente. Inicia-se no
córtex renal e estende-se para baixo e para
dentro da medula renal, onde é chamada ramo
descendente da alça de Henle.
↠ Em seguida, faz uma curva fechada e
retorna para o córtex renal, onde termina no
túbulo contorcidodistal e é conhecido como
ramo ascendente da alça de Henle.
CLASSE DE NEFRONS ↠ Embora todos os
néfrons tenham as estruturas que acabamos de
descrever, eles são divididos em duas
categorias de acordo com a localização.
↠ Aproximadamente 80 a 85% dos néfrons
são néfrons corticais. Seus corpúsculos renais
se encontram na parte externa do córtex renal,
e têm alças de Henle curtas, que se encontram
principalmente no córtex e penetram somente
na região externa da medula renal.
↠ As alças de Henle curtas são irrigadas por
capilares peritubulares que emergem das
arteríolas glomerulares eferentes.
↠ Os outros 15 a 20% dos néfrons são néfrons
justamedulares. Seus corpúsculos renais
encontram-se profundamente no córtex,
próximo da medula renal, e têm alças de Henle
longas que se estendem até a região mais
profunda da medula renal.
↠ As alças de Henle longas são irrigadas por
capilares peritubulares e arteríolas retas que
emergem das arteríolas glomerulares
eferentes. Além disso, o ramo ascendente da
alça de Henle dos néfrons justamedulares
consiste em duas
partes: uma parte
ascendente
delgada seguida
por uma parte
ascendente
espessa. O lúmen
da parte
ascendente fina é o
mesmo que em
outras áreas do
túbulo renal;
apenas o epitélio é
mais fino. Os
néfrons com alça
de Henle longa
possibilitam que
os rins excretem
urina muito diluída
ou muito
concentrada.
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VASOS SANGUÍNEOS ASSOCIADOS
AOS NÉFRONS ↠ Os néfrons estão
intimamente associados a dois leitos capilares:
o glomérulo e os capilares peritubulares. Os
néfrons justamedulares também estão
associados a vasos retos similares aos
capilares.
Glomérulos:
↠ O glomérulo é diferente de todos os outros
leitos capilares no corpo: ele é ao mesmo
tempo alimentado e drenado por arteríolas -
uma arteríola aferente e uma arteríola eferente,
respectivamente.
↠ As arteríolas aferentes surgem das artérias
interlobulares que passam pelo córtex renal.
Como as arteríolas são vasos de alta resistência
e a arteríola eferente é mais estreita do que a
arteríola aferente, a
pressão do sangue no
glomérulo é
extraordinariamente
alta para um leito
capilar e obriga
facilmente o filtrado a
sair do sangue e entrar
na cápsula do
glomérulo.
Os rins geram um litro
desse filtrado a cada
oito minutos, mas
apenas 1% acaba se
transformando em
urina; os outros 99%
são reabsorvidos pelos
túbulos e devolvidos
ao sangue nos leitos
capilares
peritubulares.
Capilares peritubulares:
↠ Os capilares peritubulares surgem das
arteríolas eferentes que drenam os glomérulos
corticais. Esses capilares situam-se no tecido
conjuntivo intersticial do córtex renal, um
tecido conjuntivo frouxo, que circunda os
túbulos renais. Os capilares prendem-se aos
túbulos contorcidos e drenam nas vênulas
próximas do sistema venoso renal.
Os capilares peritubulares são adaptados para
absorção: são vasos porosos de baixa pressão
que absorvem imediatamente os solutos e a
água das células tubulares após essas
substâncias serem reabsorvidas do filtrado.
Além disso, todas as moléculas secretadas
pelos néfrons e que entram na urina são
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provenientes do sangue dos capilares
peritubulares próximos.
Vasos retos:
↠ Na parte mais profunda do córtex renal, as
arteríolas eferentes dos glomérulos
justamedulares continuam em vasos de paredes
finas chamados vasos retos, que descem para a
medula formando uma rede em volta da alça do
néfron. Os vasos retos, junto com as alças do
néfron longas, fazem parte do mecanismo de
concentração de urina do rim.
COMPLEXO JUSTAGLOMERULAR ↠
O complexo (ou aparelho) justaglomerular
(“perto do glomérulo”), uma estrutura que
funciona na regulação da pressão arterial, é
uma área de contato especializado entre a
extremidade do túbulo contorcido distal e a
arteríola aferente.
Histologia do Sistema renal:
↠ Denomina-se túbulo urinífero do rim o
conjunto formado por dois componentes
funcionais e embriologicamente distintos, o
néfron e o túbulo coletor.
↠ Cada túbulo urinífero é revestido por uma
lâmina basal, a qual é envolvida pelo escasso
tecido conjuntivo do interior do rim que forma
o componente denominado interstício renal.
↠ Uma camada única de células epiteliais
forma toda a parede da cápsula glomerular,
túbulos e ductos renais. No entanto, cada parte
tem características histológicas distintas que
refletem suas funções específicas.
NÉFRON: CÁPSULA GLOMERULAR ↠
A cápsula é formada por dois folhetos, um
interno, ou visceral, disposto em torno dos
capilares glomerulares, e outro externo, ou
parietal, que reveste internamente o corpúsculo
renal. Entre os dois folhetos da cápsula de
Bowman, existe o espaço capsular (ou espaço
de Bowman), que recebe o líquido filtrado
através da parede dos capilares e do folheto
visceral da cápsula de Bowman.
↠ O folheto externo ou parietal da cápsula de
Bowman é constituído por um epitélio simples
pavimentoso, que se apoia na lâmina basal e
em uma fina camada de fibras reticulares. O
conjunto constitui uma membrana basal bem
visível ao microscópio de luz.
↠ Enquanto o folheto externo mantém sua
morfologia epitelial, as células do folheto
interno ou visceral modificam-se durante o
desenvolvimento embrionário, adquirindo
características muito peculiares. Essas células
são chamadas de podócitos e formadas por um
corpo celular, de onde partem diversos
15 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024
prolongamentos primários que dão origem aos
prolongamentos secundários.
↠ Os podócitos contêm actina, apresentam
mobilidade e se apoiam sobre a lâmina basal
dos capilares glomerulares. Seus
prolongamentos envolvem completamente o
capilar, e o contato com a lâmina basal é feito
pelos prolongamentos secundários. Os
podócitos estabelecem contato com a
membrana basal por meio de várias proteínas,
dentre as quais se destacam as integrinas.
↠ Entre os prolongamentos secundários dos
podócitos existem espaços denominados
fendas de filtração. Essas fendas são fechadas
por uma membrana muito delgada, com cerca
de 6 nm de espessura, constituída por um
conjunto de proteínas (p. ex., a nefrina) que se
liga, através da membrana plasmática, com os
filamentos intracitoplasmáticos de actina dos
podócitos.
↠ Os capilares glomerulares são do tipo
fenestrado, sem diafragmas nos poros das
células endoteliais. Há uma lâmina basal entre
as células endoteliais e os podócitos. Essa
lâmina basal é espessa pela fusão das
membranas basais do endotélio e dos
podócitos.
↠ Essa lâmina basal apresenta três camadas: a
lâmina rara interna, que aparece clara nas
micrografias eletrônicas, situada próximo às
células endoteliais; a lâmina densa, mais
elétron-densa; e a lâmina rara externa, também
clara, localizada mais externamente ao lúmen
do capilar e, portanto, em contato com os
prolongamentos dos podócitos.
As lâminas raras contêm fibronectina, que
estabelece ligações com as células. A lâmina
densa é um feltro de colágeno tipo IV e
laminina em uma matriz que contém
proteoglicanos eletricamente negativos
(aniônicos).
CÉLULAS MESANGIAIS: Além das células
endoteliais e dos podócitos, os glomérulos
contêm as células mesangiais internas,
mergulhadas em matriz mesangial. Há locais
do glomérulo em que a lâmina basal não
envolve toda a circunferência de um só capilar,
constituindo uma membrana comum a duas ou
maisalças capilares. É principalmente nesse
espaço entre os capilares que se localizam as
células mesangiais, as quais podem também
ser encontradas na parede dos capilares
glomerulares, entre as células endoteliais e a
lâmina basal.
TÚBULO CONTORCIDO
PROXIMAL ↠ No polo urinário do
corpúsculo renal, o folheto parietal da
cápsula de Bowman se continua com o
epitélio cuboide ou colunar baixo do
túbulo contorcido proximal.
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↠ Como suas células são largas, em cada corte
transversal de um túbulo proximal aparecem
apenas três a quatro núcleos esféricos.
↠ Os limites entre as células desses túbulos
são dificilmente observados ao microscópio
óptico, pois elas têm prolongamentos laterais
que se interdigitam com os das células
adjacentes.
↠ As células do túbulo proximal têm o
citoplasma bastante acidófilo, especialmente
no seu polo basal, em razão de numerosas
mitocôndrias alongadas presentes nessa
região.
↠ A superfície apical das células dos túbulos
proximais apresenta grande quantidade de
microvilos, que formam a orla em escova.
Nesta superfície, há grande atividade de
endocitose de material presente no lúmen dos
túbulos.
No túbulo contorcido proximal, inicia-se o
processo de reabsorção do filtrado glomerular
e excreção de substâncias no lúmen tubular.
Esse segmento do néfron reabsorve a
totalidade da glicose e dos aminoácidos
contidos no filtrado glomerular, e mais de 70%
da água, bicarbonato e cloreto de sódio, além
dos íons cálcio e fosfato.
A glicose, os aminoácidos e os íons são
reabsorvidos por proteínas transportadoras e
por transporte ativo, sendo que a água
acompanha passivamente o transporte dessas
substâncias. O transporte de água depende, em
grande parte, de moléculas da família das
aquaporinas.
ALÇA DE HENLE ↠ A alça de Henle é uma
estrutura em forma de U que consiste em um
segmento delgado interposto a dois segmentos
espessos. O lúmen desse segmento do néfron é
relativamente amplo, porque a parede da alça é
formada por epitélio simples pavimentoso.
TÚBULO CONTORCIDO DISTAL ↠
Revestido por epitélio cúbico simples. Em
cortes histológicos, a distinção entre os túbulos
contorcidos distais e os proximais, ambos
encontrados na cortical e formados por epitélio
simples cúbico, baseia-se nos seguintes
parâmetros: as células dos túbulos distais são
mais estreitas; em consequência, observam-se
mais núcleos em cortes transversais desses
túbulos. Além disso, suas células não têm orla
em escova e são menos acidófilas, pois contêm
menor quantidade de mitocôndrias.
↠ Uma propriedade muito importante dos
túbulos distais é o fato de um segmento desses
túbulos aproximar-se do corpúsculo renal do
mesmo néfron, local onde a parede do túbulo
se modifica. Suas células tornam-se
cilíndricas, altas e com núcleos alongados e
muito próximos uns dos outros; a maioria delas
tem o complexo de Golgi na região basal. Esse
segmento modificado da parede do túbulo
distal, que aparece mais escuro nos cortes
corados, devido à proximidade dos núcleos de
suas células, chama-se mácula densa.
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↠ A mácula densa é sensível ao conteúdo
iônico e ao volume de água no fluido tubular,
produzindo moléculas sinalizadoras que
promovem a liberação da enzima renina na
circulação.
TÚBULOS E DUCTOS COLETORES ↠
Os ductos coletores mais delgados são
revestidos por epitélio cúbico e têm um
diâmetro de aproximadamente 40 µm. À
medida que se fundem e se aproximam das
papilas, suas células tornam-se mais altas, até
se transformarem em cilíndricas. Ao mesmo
tempo, aumenta o diâmetro do tubo. No local
próximo à extremidade das papilas medulares,
os ductos coletores têm diâmetro de até 200
µm.
↠ Os tubos coletores são formados por células
com citoplasma que se cora fracamente pela
eosina e cujos limites intercelulares são bem
marcados. Ao microscópio eletrônico de
transmissão, observa-se que são células pobres
em organelas.
APARELHO JUSTAGLOMERULAR ↠
Dentro do complexo, as estruturas do túbulo e
da arteríola são modificadas. As paredes das
arteríolas aferentes e eferentes contêm células
justaglomerulares (células granulares), células
musculares lisas modificadas com grânulos
secretórios contendo um hormônio chamado
renina (“hormônio renal”).
As células granulares parecem ser
mecanorreceptores que secretam renina em
resposta à queda de pressão sanguínea na
arteríola aferente. A mácula densa, que é a
terminal do túbulo contorcido distal adjacente
às células justaglomerulares, consiste em
células epiteliais altas e próximas umas das
outras que agem como quimiorreceptoras,
monitorando as concentrações de soluto no
filtrado. Quando as concentrações de soluto
ficam abaixo de um determinado nível, as
células da mácula densa sinalizam às células
justaglomerulares para que estas secretem
renina. A renina inicia uma sequência de
reações químicas no sangue (conhecidas como
mecanismo reninaangiotensina) que resulta,
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pelo córtex renal, na secreção do hormônio
aldosterona, que aumenta a reabsorção do
sódio (Na+ ) pelos túbulos contorcidos distais,
aumentando a concentração de soluto no
sangue.
As células mesangiais têm formato irregular e
estão situadas em volta da base do glomérulo.
Essas células exibem propriedades contráteis
que regulam o fluxo sanguíneo dentro do
glomérulo. As células mesangiais
extraglomerulares interagem com as células da
mácula densa e as células justaglomerulares
como forma de regular a pressão sanguínea. Os
detalhes dessa interação são uma área de
pesquisa permanente.
↠A partir dos ductos coletores, a urina flui
para os cálices renais menores, que se unem
para se tornar os cálices renais maiores, que se
juntam para formar a pelve renal. A partir da
pelve renal, a urina flui primeiro para os
ureteres e, em seguida, para a bexiga urinária.
A urina é então eliminada do corpo por uma
uretra única.
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Morfologia do Ureter:
Anatomia do Ureter:
↠ Os ureteres são tubos delgados, com
aproximadamente 25 cm de comprimento, que
transportam a urina dos rins para a bexiga.
↠ Cada ureter começa superiormente, no nível
de L II, como uma continuação da pelve renal.
A partir daí, ele desce na posição
retroperitoneal através do abdome, entra na
pelve verdadeira ao cruzar a cavidade pélvica
na junção sacroilíaca, entra no ângulo
posterolateral da bexiga e depois segue
medialmente dentro da parede posterior da
bexiga antes de se abrir para o interior da
bexiga.
Essa entrada oblíqua na bexiga evita o refluxo
de urina da bexiga para os ureteres, pois
qualquer aumento de pressão dentro da bexiga
comprime a parede desse órgão, fechando
assim as extremidades distais dos ureteres
(válvula fisiológica).
Quando esta válvula fisiológica não está
funcionando corretamente, é possível que
microrganismos passem da bexiga urinária
para os ureteres, infectando um ou ambos os
rins.
↠ Contrações peristálticas das paredes
musculares dos ureteres empurram a urina para
a bexiga urinária, mas a pressão hidrostática e
a gravidade também contribuem. Ondas
peristálticas que vão da pelve renal à bexiga
urinária variam em frequência de 1 a 5 por
minuto, dependendo da velocidade em que a
urina está sendo formada.
Histologia do Ureter:↠ A estrutura histológica dos ureteres
tubulares é a mesma dos cálices renais e da
pelve renal; as
paredes possuem três
camadas básicas:
mucosa, muscular e
adventícia:
• A mucosa de
revestimento é
composta por um
epitélio
transicional, que
estica quando os
ureteres se enchem de urina, e uma lâmina
própria, composta por um tecido
conjuntivo fibroelástico contendo placas
de tecido linfático. O muco secretado pelas
células caliciformes da túnica mucosa
impede que as células entrem em contato
com a urina, cuja concentração de soluto e
cujo pH podem diferir drasticamente do
citosol das células que formam a parede
dos ureteres.
• A camada muscular intermediária
consiste em duas camadas de músculo liso:
uma camada longitudinal interna e uma
camada circular externa. Uma terceira
camada muscular, a camada longitudinal
externa, aparece no terço inferior do ureter.
• A adventícia (externa) da parede do ureter
é um tecido conjuntivo típico. Contém
vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos
que suprem a túnica muscular e a túnica
mucosa. A túnica adventícia mescla-se a
áreas de tecido conjuntivo e mantém os
ureteres em posição.
Morfologia da bexiga:
Anatomia da bexiga:
↠ A bexiga urinária é um órgão muscular oco
e distensível situado na cavidade pélvica
posteriormente à sínfise púbica. Nos homens,
é diretamente anterior ao reto; nas mulheres, é
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anterior à vagina e inferior ao útero. Pregas do
peritônio mantêm a bexiga em sua posição.
↠ Quando ligeiramente distendida em
decorrência do acúmulo de urina, a bexiga
urinária é esférica. Quando está vazia, ela se
achata. Conforme o volume de urina aumenta,
torna-se piriforme e ascende para a cavidade
abdominal.
↠ A capacidade média da bexiga urinária é de
700 a 800 ml. Ela é menor nas mulheres,
porque o útero ocupa o espaço imediatamente
superior à bexiga urinária.
Quando cheia, a bexiga fica firme e pode ser
palpada através da parede anterior do abdome
imediatamente superior à sínfise púbica. Uma
bexiga que pode ser palpada mais de alguns
centímetros acima da sínfise está
perigosamente cheia de urina e requer
drenagem por cateterismo.
↠ A bexiga vazia tem a forma de uma
pirâmide de cabeça para baixo com quatro
superfícies triangulares e quatro cantos, ou
ângulos. Os dois ângulos posterolaterais
recebem os ureteres. No ângulo anterior da
bexiga (ou ápice) há uma faixa fibrosa
chamada úraco (“canal urinário do feto”), o
remanescente fechado de um tubo embrionário
chamado alantoide. O ângulo inferior (colo)
converge para a uretra.
Nos homens, a próstata, uma glândula do
sistema genital, situa-se diretamente inferior à
bexiga, onde circunda a uretra.
↠ No assoalho da bexiga urinária encontra-se
uma pequena área triangular chamada trígono
da bexiga. Os dois cantos posteriores do
trígono da bexiga contêm os dois óstios dos
ureteres; a abertura para a uretra, o óstio
interno da uretra, encontra-se no canto
anterior.
O trígono tem uma importância clínica
especial porque as infecções tendem a persistir
nessa região.
Vasos e Nervos:
↠ As artérias que irrigam a bexiga são ramos
das artérias ilíacas internas, principalmente as
artérias vesicais superiores e inferiores.
↠ As veias que drenam a bexiga formam um
plexo nas superfícies inferior e posterior desse
órgão cujo sangue drena nas veias ilíacas
internas.
↠ Os nervos que vão do plexo hipogástrico até
a bexiga consistem em fibras parassimpáticas
provenientes dos nervos esplâncnicos
pélvicos, algumas fibras simpáticas oriundas
dos nervos esplâncnicos torácicos inferiores e
lombares superiores e fibras sensitivas
viscerais.
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Histologia da Bexiga:
Três camadas formam a parede da bexiga
urinária:
• Uma mucosa, com um epitélio transicional
distensível e uma lâmina própria, forma o
revestimento interno da bexiga. O
revestimento mucoso contém pregas, ou
rugas, que se achatam quando a bexiga
enche.
• Uma musculatura espessa, chamada
músculo detrusor da bexiga (“empurrar
para fora”), forma a camada intermediária.
Esse músculo consiste em fibras
musculares lisas altamente misturadas e em
duas camadas longitudinais (externa e
interna) e uma circular (média). A
contração desse músculo espele a urina da
bexiga durante a micção.
• Nas superfícies lateral e inferior, a camada
mais externa é a adventícia. A superfície
superior da bexiga é coberta pelo peritônio
parietal.
As células mais superficiais do epitélio de
transição são responsáveis pela barreira
osmótica entre a urina e os fluidos teciduais.
Por microscopia eletrônica, observou-se que a
membrana plasmática da superfície externa das
células em contato com a urina é especializada
e apresenta placas espessas separadas por
faixas de membrana mais delgada. Quando a
bexiga se esvazia, a membrana se dobra nas
regiões delgadas, e as placas espessas se
invaginam e se enrolam, formando vesículas
fusiformes intracitoplasmáticas, que
permanecem próximo à superfície celular.
Quando a bexiga se enche novamente, sua
parede se distende, e ocorre um processo
inverso, com transformação das vesículas
citoplasmáticas fusiformes em placas que se
inserem na membrana, aumentando a
superfície das células. Essa membrana
plasmática especial é sintetizada no complexo
de Golgi e tem uma composição química
peculiar: os cerebrosídeos constituem o
principal componente da fração dos lipídios
polares.
A grande capacidade de distensão da bexiga a
torna unicamente adequada para sua função de
armazenar urina. Quando há pouca urina
dentro dela, a bexiga dobra-se em seu formato
piramidal básico, suas paredes espessam-se e
sua mucosa enruga-se. No entanto, conforme a
urina acumula-se, as rugas aplainam e a parede
da bexiga fica mais fina à medida que estica,
permitindo que o órgão armazene quantidades
maiores de urina sem elevar de modo
significativo a pressão interna (pelo menos até
um acúmulo de 300 ml). Uma bexiga adulta
cheia abriga cerca de 500 ml de urina, 15 vezes
o seu volume quando vazia.
22 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024
Morfologia da Uretra:
Anatomia da Uretra:
↠ A uretra é um pequeno tubo que vai do óstio
interno da uretra no assoalho da bexiga urinária
até o exterior do corpo.
↠ Esse tubo consiste em músculo liso e em
uma mucosa interna.
↠ Na junção bexiga-uretra, um espessamento
do detrusor forma o esfíncter interno da uretra.
Esse é um esfíncter involuntário de músculo
liso que mantém a uretra fechada quando a
urina não está passando e evita o seu
gotejamento entre as micções.
↠ Um segundo esfíncter, o esfíncter externo
da uretra, circunda a uretra no interior da
camada muscular chamada diafragma
urogenital. Esse esfíncter externo é um
músculo esquelético utilizado para inibir
voluntariamente a micção. O músculo
levantador do ânus do diafragma da pelve
também serve como um constritor voluntário
da uretra.
Uretra Feminina e masculina:
↠ Nas mulheres, a uretra tem apenas de 3 a 4
cm de comprimento e está presa à parede
anterior da vagina por tecido conjuntivo. Ela
abre-se para o exterior no óstio externo da
uretra, uma abertura pequena e frequentemente
difícil de localizar, que se situa anterior à
abertura da vagina e posterior ao clitóris.
↠Normalmente seu lúmen se encontra
colabado, exceto durante a micção. Próximo à
bexiga ela é revestida por um epitélio de
transição, e ao longo de seu comprimento
restantepor um epitélio estratificado
pavimentoso nãoqueratinizado. Intercaladas
em meio ao epitélio há porções de epitélio
pseudoestratificado cilíndrico.
↠ A mucosa está disposta em pregas
alongadas por causa da organização da lâmina
própria fibroelástica. Ao longo de toda a
extensão da uretra há numerosas glândulas
claras secretoras de muco, as glândulas de
Littré.
↠ A camada muscular da uretra é contínua
com a da bexiga, mas é constituída apenas por
duas camadas de músculo liso, uma
longitudinal interna e uma circular externa.
↠ Nos homens, a uretra tem aproximadamente
20 cm de comprimento e possui três regiões: a
parte prostática da uretra, que tem
aproximadamente 2,5 cm de comprimento e
passa pela próstata; a parte intermédia da
uretra, que ocupa aproximadamente 2,5 cm do
diafragma urogenital membranoso; e a parte
esponjosa da uretra, que tem aproximadamente
15 cm de comprimento, percorre pelo interior
do pênis e se abre na glande do pênis através
do óstio externo da uretra. A uretra masculina
transporta para fora do corpo tanto o sêmen na
ejaculação, como a urina na micção, embora
não simultaneamente.
↠ A uretra membranosa tem apenas 1 cm de
extensão e é revestida por epitélio
pseudoestratificado colunar. Nessa parte da
uretra existe um esfíncter de músculo estriado:
o esfíncter externo da uretra.
23 UNIDEP- Camila Paese 2º Período 20/05/2024
↠ O epitélio da uretra cavernosa é
pseudoestratificado colunar, com áreas de
epitélio estratificado pavimentoso.
↠ A lâmina própria de todas as três regiões é
composta de tecido conjuntivo frouxo
fibroelástico altamente vascularizado. Ela
contém numerosas glândulas de Littre, cuja
secreção mucosa lubrifica o epitélio que
reveste a uretra.
↠ A túnica muscular da parte prostática é
composta principalmente por fibras de
músculo liso circulares superficiais à lâmina
própria; estas fibras circulares ajudam a
formar o músculo esfíncter interno da uretra
da bexiga urinária. A túnica muscular da parte
membranácea consiste em fibras musculares
esqueléticas provenientes do músculo
transverso profundo do períneo dispostas
circularmente, que ajudam a formar o músculo
esfíncter externo da uretra.