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FARMACOTERAPIA DOS DISTÚRBIOS GASTROINTESTINAIS PROF. HERMÍNIO ASEVEDO NETO DISTÚRBIOS GASTROINTESTINAIS DOENÇAS ÁCIDO-PÉPTICAS – refluxo gastro esofágico (DRGE), úlcera péptica (gástrica e duodenal) e gastrite por estresse EROSÕES E/OU ULCERAÇÕES DA MUCOSA – ocorrem quando os ácidos/pepsina/bile sobrepujam os fatores de defesa da mucosa (muco, bicarbonato, prostaglandinas, etc) ULCERAÇÕES RELACIONADAS AO H.PYLORI OU AINES DISTÚRBIOS DA MOTILIDADE DIARRÉIA REGULAÇÃO DA SECREÇÃO GÁSTRICA A histamina no estômago tem várias funções importantes, incluindo a estimulação da produção de ácido clorídrico, que ajuda na digestão dos alimentos, e a participação na regulação da motilidade intestinal. A gastrina é um hormônio polipeptídico produzido no estômago e no intestino delgado, principalmente pelas células G. Sua principal função é estimular a produção de ácido clorídrico no estômago, essencial para a digestão dos alimentos. Além disso, a gastrina também estimula a motilidade gástrica e o crescimento da mucosa gástrica. REGULAÇÃO DA SECREÇÃO GÁSTRICA A acetilcolina desempenha um papel crucial no sistema digestório, especialmente no estômago, influenciando a motilidade e a secreção gástrica. Ela é um neurotransmissor que estimula a contração muscular do estômago e aumenta a produção de suco gástrico. As prostaglandinas desempenham um papel crucial no estômago, protegendo a mucosa gástrica e modulando a secreção de ácido. Elas inibem a produção de ácido, aumentam a produção de muco e bicarbonato, e promovem a proteção da mucosa contra danos. REGULAÇÃO DA SECREÇÃO GÁSTRICA A somatostatina é um hormônio que tem um papel fundamental na regulação da função gástrica, incluindo a inibição da secreção de ácido gástrico, gastrina e pepsina. Além disso, a somatostatina ajuda a regular a função do trato gastrointestinal como um todo, inibindo a secreção de várias enzimas digestivas e hormônios. DEFESAS GÁSTRICAS CONTRA O ÁCIDO EEI Camada de muco (retenção de bicarbonato na superfície celular) PGE2 e PGI2 – inibem a secreção de ácido pelas células parietais ANTIÁCIDOS Preço, acessibilidade e ação rápida os tornam populares entre os consumidores Bicarbonato de Na, muito popular, fácil acesso e apesar de ser eficaz na neutralização do ácido, é muito hidrossolúvel, de rápida absorção gástrica, logo a carga de álcali e de Na podem ser um risco para pacientes renais ou cardíacos As combinações de Hidróxido de Mg e Al proporcionam uma capacidade de neutralização relativamente equilibrada e mantida, sendo as preferidas pelos especialistas Geralmente se associa a Dimeticona nessas preparações com o intuito de diminuir a formação de espuma, melhorando o refluxo GE ANTIÁCIDOS Tratamento de dispepsia e doenças ácido- pépticas Tratamento de pirose e dispepsia intermitente Bases fracas que reagem com o HCl formando sal e água Bicarbonato de Na – retenção líquida e alcalose metabólica Carbonato de Ca – alcalose metabólica Hidróxido de Mg – diarréia osmótica Hidróxido de Al – constipação intestinal IBP Drogas mais potentes supressoras das secreção de ácido gástrico. Diminuem a produção diária (basal e estimulada) em 80-95%. São pró-fármacos que exigem ativação em meio ácido. Após absorção o pró- fármaco difunde-se nas células parietais do estômago e acumula-se nos canalículos secretores ácidos. A forma ativada liga-se de modo covalente a grupos sulfidrila de cistéinas na H/K ATPase inativando irreversivelmente a molécula da bomba (24-48h) Pacientes que nao podem fazer uso de administração oral se beneficiam com formulações parenterais IBP Ideal administrar 30min antes das refeições. Metabolizados por citocromos hepáticos – principalmente CYP2C19 e CYP3A4 Rápida absorção Ligam-se altamente às proteínas Tempo para inativar boa partes das bombas (~70%) – 2 a 5 dias HELICOBACTER PYLORI Bactéria gram-negativa encontrada na mucosa gástrica de aproximadamente metade da população mundial Infecções normalmente ocorrem na infância (hábitos de higiene) No estômago se multiplica e provoca uma inflamação crônica Enfraquece a camada protetora de muco gastroduodenal Transforma a uréia, presente no ácido gástrico, em amônia o que altera piora mais os mecanismos de proteção da mucosa ESQUEMA DE PRESCRIÇÃO DOS IBPS NO TRATAMENTO E MANUTENÇÃO DA DRGE OMEPRAZOL – 20 a 40mg/dia ESOMEPRAZOL – 20 a 40mg/dia PANTOPRAZOL – 40 a 80mg/dia LANSOPRAZOL – 30 a 60mg/dia RABEPRAZOL – 20 a 40mg/dia IBPS NO TRATAMENTO DE ÚLCERAS GASTRODUODENAIS LANSOPRAZOL – 15mg/dia (UD; redução do risco de AINEs) e 30mg/dia (UG; incluindo aquela associada aos AINEs) OMEPRAZOL – 20mg/dia RABEPRAZOL – 20mg/dia TRATAMENTO DA INFECÇÃO POR H. PYLORI Tratamento tríplice durante 14 dias : IBPs + Claritromicina 500mg + Metronidazol 500mg ou Amoxicilina 1g duas vezes ao dia ( Amoxicilina ou Metronidazol podem ser substituídos pela Tetraciclina 500mg) Tratamento quádruplo durante 14 dias : IBPs 2x/dia + metronidazol 500mg 3x/dia + (subsalicilato de bismuto 525mg + tretraciclina 500mg 4x/dia) AMOXICILINA BETA-LACTÂMICO INIBE A SÍNTESE DO PEPTIDOGLICANO (composto heteropolimérico da parede celular que proporciona estabilidade da mecânica rígida) DESTRUÍDA PELA BETA- LACTAMASE É UMA PENICILINA SEMISSINTÉTICA A PRESENÇA DE ALIMENTO NÃO INTERFERE NA ABSORÇÃO DOSE USUAL DE 500MG DE 8/8H ASSOCIADA AO CLAVULANATO A DOSE USUAL É DE 875MG DE 12/12H CRIANÇAS – 50mg/kg/dia divididas em duas ou três tomadas CLARITROMICINA É UM MACROLÍDEO DERIVADO DA ERITROMICINA AGENTE BACTERIOSTÁTICO INIBE A SÍNTESE DE PROTEÍNAS POR MEIO DE SUA LIGAÇÃO COM A SUBNIDADE 50S RIBOSSÔMICA DOSE RECOMENDADA DE 250 a 500mg 2x/dia ou 1g 1x/dia NAS FORMULAÇÕES DE LIBERAÇÃO PROLONGADA METRONIDAZOL ATIVO CONTRA AMPLA VARIEDADE DE ANAERÓBIOS (OBTÉM ENERGIA ATRAVÉS DE FERMENTAÇÃO OXIDATIVA DE CETOÁCIDOS COMO O PIRUVATO), SEJAM ELES PROTOZOÁRIOS PARASITOS OU BACTÉRIAS MECANISMO DE AÇÃO DEPENDE DA INTERAÇÃO COM O MICROORGANISMO SUSCETÍVEL – HÁ UMA DOAÇAO DE ELÉTRONS DESSE MICRO PARA A MOLÉCULA DO FÁRMACO METRONIDAZOL A TRANSFERÊNCIA DE UM ÚNICO ELÉTRON DÁ ORIGEM A UM NITRORADICAL METRONIDAZOL ANIÔNICO ALTAMENTE REATIVO QUE DESTRÓI O DNA DO PATÓGENO NÍVEIS ELEVADOS DE O2 INIBEM A CITOTOXIDADE DO METRONIDAZOL POR COMPETIÇÃO DOSE USUAL DE 250 a 750mg 3x/dia PARA ADULTOS E DE 35 a 50mg/hg/dia DIVIDIDAS EM TRES DOSES PARA CRIANÇAS BLOQUEADORES DOS RECEPTORES H2 CIMETIDINA 400 a 800mg/dia RANITIDINA 150mg até 3x/dia (muito usada via IV também) FAMOTIDINA 20mg 2x/dia Nos casos de úlcera duodenal e gastrite aguda recomenda-se o uso de dose única máxima ao deitar Redução efetiva da secreção noturna de ácido, porém menos efetiva contra a secreção estimulada Muito seguros e estão disponíveis para venda livre A cimetidina, diferente dos demais, é um agente antiaandrogênico fraco e um potente inibidor das enzimas CYP FÁRMACOS PROTETORES DA MUCOSA GÁSTRICA SUCRALFATO – sal de sacarose complexado com hidróxido de alumínio sulfatado Em e/ou soluções ácidas forma uma pasta viscosa e de consistência firme que se liga seletivamente às ulceras e erosões por um período de até 6h A dose é de 1g 4x/dia com estômago vazio pelo menos 1h antes das refeições, isso deve ser feito através de sonda nasogástrico Poucos ou nenhum efeito adverso (constipação) MISOPROSTOL Análogo da PGE2 Estimula a secreção de bicarbonato e muco Liga-se aos receptores de prostaglandina da célula parietal inibindo a secreção de ácido FÁRMACOS QUE ESTIMULAM A MOTILIDADE GASTROINTESTINAL Agem estimulando a função motora do intestino Fisiologia do sistema nervoso entérico •Plexo submucoso •Plexo mioentérico Aumentam a pressão o esfíncter esofágico inferior e são úteis no tratamento da DRGE Os fármacos quemelhoram o esvaziamento gástrico são úteis na gastroparesia e o retardo do esvaziamento pós- cirúrgico Tratamento do íleo paralítico e pseudo- obstrução intestinal crônica Tratamento da constipação FÁRMACOS QUE ESTIMULAM A MOTILIDADE GASTROINTESTINAL COLINOMIMÉTICOS – são agonistas que estimulam receptores muscarínicos nas células musculares e nas sinapses do plexo mioentérico Neostigmina – droga anticolinesterásica age aumentando o esvaziamento gástrico, do intestino delgado e do cólon Uso IV na dose de 2mg auxilia no tratamento da pseudobstrução aguda do cólon – Síndrome de Ogilvie FÁRMACOS QUE ESTIMULAM A MOTILIDADE GASTROINTESTINAL ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES DOPAMINÉRGICOS D2 – no trato GI a ativação dos receptores dopaminérgicos inibe a estimulação colinérgica do músculo liso Aumentam a amplitude peristáltica do esôfago Elevam a pressão do EEI Aceleram o esvaziamento gástrico Agem ainda bloqueando os receptores D2 na zona de gatilho quimiorreceptora do bulbo – anti náuseas e vômitos METOCLOPRAMIDA – 10mg de 8/8h até melhora dos sintomas ( crianças – 0,5mg/kg/dia) •Principal efeito colateral são as reações extrapiramidais DOMPERIDONA – 10mg/dia LAXATIVOS Hidróxido de magnésio e outros sais e açúcares não absorvíveis São agentes osmóticos e aumentam o conteúdo de água nas fezes Provocam evacuação dentro de 4 a 6h, em menos tempo se a dose for maior Usados na constipação intestinal simples, preparação do intestino para exames de endoscopia e colonoscopia Efeitos adversos decorrem da absorção maciça de Mg, podendo causar intoxicação e comprometimento renal FÁRMACOS ANTIDIARRÉICOS LOPERAMIDA – dose de 2mg de 1 a 4x/dia Age ativando os receptores opióides no SNE Retardam a motilidade intestinal, com efeitos insignificantes no SNC Indicada no tratamento da diarréia inespecífica não infecciosa Os efeitos adversos constituem cólicas discretas com pouca ou nenhuma toxicidade para o SNC