Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Saúde do homem
 
A saúde masculina ainda é cercada por estigmas sociais que dificultam o cuidado preventivo. Muitos homens evitam procurar serviços de saúde, influenciados por uma cultura que associa vulnerabilidade à fraqueza. Essa resistência não é apenas uma questão individual, mas um reflexo de padrões sociais que reforçam a ideia de que o homem deve ser forte, autossuficiente e não demonstrar dor ou fragilidade.
No Brasil, os homens vivem em média sete anos menos que as mulheres, e grande parte dessas mortes está ligada a causas evitáveis, como violência, acidentes e doenças cardiovasculares. Apesar disso, muitos só buscam atendimento médico quando incentivados por familiares ou em situações graves.
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem propõe ações que envolvem acolhimento, saúde sexual e reprodutiva, paternidade responsável, prevenção de doenças e combate à violência. Além disso, é fundamental incluir a saúde mental nessa conversa. Reconhecer emoções, buscar apoio psicológico e quebrar o tabu do sofrimento emocional são passos essenciais para uma vida mais saudável e equilibrada.
 
 
Câncer de próstata
A próstata é responsável pela produção dos nutrientes e fluidos que constituem o esperma. Está situada logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Por seu interior, passa a uretra, detalhe anatômico que explica o motivo das alterações prostáticas originarem dificuldade para urinar, queixa comum nos homens com mais de 50 anos. Na maioria dos casos, essa dificuldade é causada pelo crescimento benigno da próstata, que ocorre com o avançar da idade e recebe o nome de hiperplasia prostática benigna. 
 
 
O tal aumento de casos deveu-se, em boa parte, aos métodos de diagnóstico precoce: toque retal, ultrassonografia da próstata e checagem do PSA(antígeno prostático específico), marcador tumoral detectado em um exame de sangue.
O câncer de próstata se instala numa área qualquer da glândula; à medida que cresce, vai ocupando gradativamente os lobos direito e esquerdo da próstata. Nas fases mais avançadas, invade por continuidade a cápsula que reveste o órgão, para depois chegar aos tecidos ao seu redor, incluindo as vesículas seminais.
 
 
Em tumores mais volumosos, o paciente sente dificuldade para urinar, ardor e jato urinário fraco, acorda à noite várias vezes para urinar, apresenta gotejamento de urina após completar a micção e, mais raramente, queixa-se de dor e da presença de sangue na urina e no esperma. Com o passar do tempo, as células malignas atingem os linfonodos da região, caem na correta sanguínea e se espalham para outros órgãos. Caracteristicamente, apresentam grande predileção pelo tecido ósseo são capazes de permanecer por muitos anos antes de passar para outros tecidos. 
 
 
Adenocarcinomas
São responsáveis por 95% dos tumores malignos de próstata. Podem ser de baixo grua, grau intermediário e alto grua. Os tumores de baixo grau são formados por células bem diferenciadas, que guardam certa semelhança com as células prostáticas normais. Os de alto grau são compostos de células com alto índice de proliferação, muito diferentes do tecido normal da próstata. 
 
Tipos mais raros de câncer de próstata
Os demais 5% incluem tipos bem mais raros: carcinomas de pequenas células, sarcomas e linfomas. Quando alguém cita o câncer de próstata, está se referindo ao adenocarcinoma e não a esses tipos histológicos mais raros.
 
 
Os principais fatores de risco do câncer de próstata são:
 
Idade
É doença extremamente rara abaixo dos 40 anos. A incidência começa a aumentar a partir dos 50 anos. Dois em cada três pacientes com essa doença têm mais que 65 anos quando recebem o diagnóstico.
 
História familiar 
Ter um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de próstata aumenta duas vezes a probabilidade de desenvolver a doença. O risco é maior quando o parente afetado é um irmão e quando há mais de um caso na família.
 
raça
Homens negros correm mais risco e tendem a desenvolver tumores mais agressivos. E a incidência de cãncer prostático nesse grupo é de duas a três vezes maior quando comparada com a de homens brancos, isso porque os homens negros tem mais sensibilidade androgênica a ação da testosterona favorecendo assim o surgimento desse câncer.
 
Dieta 
Alguns estudos sugerem que dietas hipercalóricas, ricas em gorduras e pobres em fibras, frutas e vegetais aumentam o risco, mas o tema é controverso.
 
Obesidade 
É possível que homens obesos corram mais risco.
 
Diagnóstico do câncer de próstata
O diagnóstico do câncer de próstata envolve uma série de exames e procedimentos que visam identificar a presença do tumor, determinar sua extensão e planejar o tratamento adequado. A detecção precoce é crucial para melhorar o prognóstico e as chances de cura.
 
Exames de rastreamento
Antígeno prostático específico (PSA)
O teste de PSA é um exame de sangue que mede os níveis de antígeno prostático específico, uma proteína produzida pela próstata. Níveis elevados de PSA podem indicar a presença de câncer de próstata, embora também possam ser causados por outras condições, como prostatite ou hiperplasia prostática benigna (HPB). O teste de PSA é amplamente utilizado como uma ferramenta de rastreamento inicial para o câncer de próstata.
 
Toque retal (TR)
O toque retal é um exame físico em que o médico insere um dedo no reto do paciente para palpar a próstata e verificar a presença de nódulos ou áreas endurecidas que possam indicar câncer. Embora o toque retal possa ser desconfortável, é um exame simples e eficaz para detectar anormalidades na próstata.
 
Exames de imagem
Ultrassonografia transretal (TRUS)
A ultrassonografia transretal utiliza ondas sonoras para criar imagens da próstata. Durante o exame, uma sonda de ultrassom é inserida no reto para obter imagens detalhadas da glândula prostática. A TRUS é frequentemente utilizada para guiar biópsias da próstata e avaliar a extensão do tumor.
 
Ressonância magnética (RM)
A ressonância magnética é um exame de imagem avançado que utiliza campos magnéticos e ondas de rádio para produzir imagens detalhadas da próstata e das estruturas adjacentes. A RM multiparamétrica é particularmente útil para avaliar a extensão do câncer e identificar áreas suspeitas que possam necessitar de biópsia. Este exame é cada vez mais utilizado para o estadiamento do câncer de próstata e para planejar o tratamento.
 
Tomografia computadorizada (TC)
A tomografia computadorizada é utilizada para avaliar a extensão do câncer de próstata e detectar a presença de metástases em órgãos distantes, como linfonodos, ossos e pulmões. Embora não seja o exame de escolha para o diagnóstico inicial, a TC é útil para o estadiamento da doença.
 
Biópsia da próstata
Biópsia guiada por ultrassom
A biópsia da próstata é o procedimento definitivo para confirmar o diagnóstico de câncer. Durante a biópsia guiada por ultrassom, agulhas finas são inseridas na próstata para coletar amostras de tecido. As amostras são então examinadas ao microscópio por um patologista para identificar a presença de células cancerígenas. A biópsia pode ser realizada sob anestesia local e é geralmente bem tolerada pelos pacientes.
 
Biópsia por fusão de imagens
A biópsia por fusão de imagens combina a ressonância magnética com a ultrassonografia transretal para obter uma orientação mais precisa durante a coleta de amostras de tecido. Esta técnica é particularmente útil para detectar cânceres que podem não ser visíveis em uma biópsia guiada apenas por ultrassom.
 
Exame anatomopatológico
Avaliação histológica
As amostras de tecido coletadas durante a biópsia são enviadas para análise histológica. O patologista examina as amostras ao microscópio para determinar a presença e o grau de diferenciação das células cancerígenas. O grau de diferenciação é avaliado usando o sistema de Gleason, que classifica o câncer de próstata em uma escala de 2 a 10, sendo os valores mais altos indicativos de tumores mais agressivos.
 
Marcadores moleculares 
Em alguns casos, testes adicionais podem ser realizados paraidentificar marcadores moleculares específicos que podem influenciar o prognóstico e as opções de tratamento. Esses testes podem incluir a análise de mutações genéticas e a expressão de proteínas específicas.
 
Estadiamento
Sistema TNM
O estadiamento do câncer de próstata é realizado com base no sistema TNM (Tumor, Nódulos, Metástases). Este sistema avalia:
· T (Tumor): O tamanho e a extensão do tumor primário.
· N (Nódulos): A presença de linfonodos afetados.
· M (Metástases): A disseminação do câncer para outras partes do corpo.
 
Exames adicionais para estadiamento
· Cintilografia Óssea: Utilizada para detectar metástases ósseas, que são comuns no câncer de próstata avançado.
· PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons): Utilizada para detectar metástases distantes e avaliar a extensão da doença.
 
Tratamento do cãncer de próstata- estádios I e II
Os pacientes em quem a doença está restrita á próstata e não invade sua cápsula (estádios I e II) podem ser tratados de três formas distintas: com cirurgia, radioterapia ou observação vigilante.
Câncer encontrado ao acaso ou por aumento do PSA e o tratamento específico para essa fase da doença.
 
Câncer encontrado graças á presença de um nódulo na próstata, localizado em um só lado, confinado á glândula e o tratamento específico para essa fase da doença (estádio IIA). Câncer encontrado graças á presença de nódulos, localizado em ambos os lados, confinado á glândula e o tratamento especifico para essa fase da doença (estádio IIB).
 
Cirurgia
A cirurgia — chamada prostatectomia radical — consiste na remoção de toda a próstata, das vesículas seminais e, por vezes, dos linfonodos regionais. É obrigatória a retirada da próstata inteira porque, na maioria das vezes, o tumor é multifocal, isto é, encontra-se nos dois lobos.
As complicações mais temíveis são a disfunção erétil (30% a 60% dos casos) e a possibilidade de incontinência urinária grave (9%). O risco de disfunção erétil é maior depois dos 65 anos de idade.
A prostatectomia radical pode ser feita por via aberta, por via laparoscópica ou por robótica. A cirurgia robótica, considerada uma evolução da técnica cirúrgica, permite, segundo alguns cirurgiões, maior precisão na retirada da próstata, melhor visualização do campo operatório e menos sangramento no pós-operatório.
No entanto, os resultados oncológicos, como as taxas de cura, chances de incontinência urinária e impotência sexual, são semelhantes aos da cirurgia aberta.
Nos pacientes operados, o PSA deve cair para valores menores do que 0,1 ng/mL (em geral, fica indetectável). Se, no futuro, ocorrerem elevações progressivas do PSA, é possível irradiar a área na qual se alojava a próstata antes da cirurgia, para tratar possível recidiva local. Nos casos de aumento de PSA após cirurgia ou radioterapia, deve ser solicitado o exame chamado PET-scan com PSMA, que é um marcador específico para câncer de próstata.
Mais recentemente, estudos demonstraram que associar tratamento hormonal, que suprime a produção de testosterona pelo testículo, pode oferecer, em conjunto com a radioterapia, maiores taxas de sucesso. A radioterapia deve ser administrada no leito prostático que foi operado e ocasionalmente também para os linfonodos da pelve.
 
Radioterapia
São empregadas duas formas de radioterapia: a externa e a interna, também chamada de braquiterapia. Na radioterapia externa, o tumor de próstata é enquadrado no campo de radiação, através de exames de imagem e de cálculos matemáticos.
O tratamento tem a duração aproximada de sete a oito semanas (de segunda a sexta-feira). As técnicas de radioterapia evoluíram bastante nas últimas décadas. Hoje é possível dirigir os raios com precisão de modo a atingir predominantemente a próstata, poupando ao máximo o reto e a bexiga.
Ainda assim, técnicas modernas como a IMRT (radioterapia de intensidade modulada) causam inflamação de reto e bexiga em cerca de 10% a 15% dos pacientes. As inflamações de reto e bexiga provocam: ardência no reto ou nas vias urinárias, sangramento na urina ou fezes, diarreia, urgência para evacuar e para urinar. Esses sintomas são transitórios, mas em alguns casos chegam a durar meses.
Entretanto, as taxas de incontinência urinária induzidas pela radioterapia são baixíssimas, se comparadas às causadas pela cirurgia. Já as taxas de disfunção erétil causadas pela radioterapia são pouco menores do que as da cirurgia. A braquiterapia é uma técnica que se baseia na colocação de sementes radioativas no interior da próstata, introduzidas por via retal, sob anestesia.
O procedimento é realizado em um único dia, e não requer internação hospitalar. Os efeitos colaterais são parecidos com os da radioterapia externa, mas menos intensos.
Apesar de os pacientes operados ainda poderem receber radioterapia direcionada à área na qual se alojava a próstata antes da cirurgia, a recíproca não é verdadeira: operar recidivas locais pós-radioterapia exige cirurgias com taxa alta de complicações, e são raramente indicadas
 
Observação vigilante (active surveillance)
Nas últimas décadas, surgiram muitos estudos para identificar fatores prognósticos no câncer de próstata que permitam separar os tumores agressivos daqueles de evolução lenta, que não comprometem a qualidade nem a duração da vida, em particular em estádios precoces, como I e IIA.
Tumores com baixo potencial de agressividade representam de 15% a 56% de todos os casos de câncer de próstata, conforme algumas publicações.
Estudos bem conduzidos que avaliaram a estratégia de observação vigilante sem tratamento imediato (conhecida como active surveillance) mostraram que o risco de morrer de câncer de próstata nesses casos é menor que 1%.
Além disso, cerca de dois terços dos pacientes não necessitaram de nenhuma forma de tratamento; aqueles que foram tratados posteriormente apresentaram as mesmas chances de cura.
Os pacientes com tumores bem diferenciados (ex. com escore de Gleason de 6) e confinados à próstata e com baixos valores de PSA são os melhores candidatos para essa estratégia. Mais recentemente, um teste chamado oncotype®, avalia a partir da amostra da biópsia um conjunto de genes que controla o comportamento biológico da doença.
Este teste pode ser vir como uma ferramenta adicional para selecionar, com mais cuidado e segurança, os pacientes que optam pela estratégia de observação vigilante. Portanto, essa estratégia, quando bem indicada, evita os efeitos colaterais, o sofrimento e os gastos associados ao tratamento.
 
Tratamento do câncer de próstata- estádios III e IVA
Quando o tumor infiltra os tecidos ao redor da próstata, como vesícula seminal (Estádio IIIA), reto (Estádio IIIB) e bexiga (Estádio IIIC), ou atinge os linfonodos pélvicos (Estádio IVA), o tratamento indicado é a radioterapia combinada com hormonioterapia.
Em alguns casos, opta-se pela cirurgia muitas vezes seguida pela radioterapia pós-operatória e, ocasionalmente, tratamento hormonal. Mais recentemente, naqueles casos mais avançados ou de maior risco se tem associado também novos agentes inibidores hormonais orais além da terapia anti-hormonal clássica injetável.
 
Câncer infiltrando os tecidos ao redor da próstata, como vesícula seminal (estádio IIIA), reto (estádio IIIB) e bexiga (estádio IIIC)desde que associada à radioterapia e/ou ao tratamento hormonal. Estádio IVB
Quando o câncer atinge os ossos ou outros órgãos, o tratamento indicado é a hormonioterapia e, quando ele se torna resistente ao tratamento hormonal, recomenda-se a quimioterapia.
 
 
Hormonioterapia 
Nos pacientes com envolvimento ósseo ou de outros órgãos, o tratamento de escolha é a hormonioterapia. A probabilidade de resposta a essa forma de tratamento é maior que 85%, mas, ao contrário da radioterapia e da cirurgia, na doença localizada, o tratamento hormonal tem a capacidade de controlar, mas não de curar o câncer.
Na prática, a hormonioterapia do câncer de próstata consiste em privar o organismo da testosterona, o que pode ser feito de duas formas: pela orquiectomia (remoção cirúrgica dos testículos) ou pelo bloqueio com medicamentos que impedem os testículos de produzir a testosterona, hormônio masculino que alimenta o câncer de próstata.
As duas drogas injetáveis mais utilizadas para o bloqueio hormonal medicamentoso são a gosserrelina e a leuprolida. Mais recentemente, diversos estudos demonstraram o efeito benéfico aditivo de novos agentes inibidores hormonais orais no tratamento combinado do câncer de próstata avançado.
Os principais exemplos destas medicações são a abiraterona, enzalutamida, apalutamida e darolutamida. A combinação da hormonioterapia injetável com estes novos agentes inibidores hormonais orais foi associada a maior longevidade nos pacientes com doença avançada, além de proporcionar uma melhora na qualidade de vida.
A diminuição dos níveis de testosterona no homem está associada a efeitos colaterais importantes, como perda da ereção e da libido, possibilidade de diminuição de massa muscular e óssea, aumento do volume das mamas, sensação de ondas de calor e aumento do risco de doença cardiovascular.
Embora a hormonioterapia seja bastante eficaz nas fases iniciais, as células malignas eventualmente se tornam resistentes ao tratamento hormonal, situação esta que chamamos de câncer de próstata castração resistente. Neste cenário, devem ser utilizados os novos agentes inibidores hormonais orais, caso já não tenham sido utilizados previamente.
Após a falha destes novos agentes inibidores hormonais orais, podem ser administradas outras opções de tratamento a seguir abaixo.
 
Quimioterapia 
Atualmente, o principal uso da quimioterapia é para aqueles pacientes que falharam os tratamentos hormonais prévios injetáveis e orais. Entretanto, em alguns casos, principalmente quando os novos agentes inibidores hormonais não estão disponíveis, a quimioterapia pode ser inclusive administrada no início juntamente com a hormonioterapia injetável como primeiro tratamento da doença avançada.
As drogas mais usadas são o docetaxel (como primeiro tratamento quimioterápico) e o cabazitaxel (quando o docetaxel para de funcionar), ambas administradas por via endovenosa, a cada três semanas.
O objetivo da quimioterapia é reduzir a massa tumoral e controlar a doença para atenuar os sintomas (em particular a dor óssea), além de melhorar a sobrevida e a qualidade de vida.
 
Radiofármacos 
Uma outra arma contra o câncer de próstata são os radiofármacos. Um medicamento chamado Rádio-223, administrado por via endovenosa a cada 4 semanas por 6 aplicações, age emitindo uma micro-radiação e causando morte dos tumores metastáticos de próstata que se alojam no osso.
Este medicamento associou-se ao aumento da longevidade dos pacientes, melhor qualidade de vida, e menores complicações ósseas (dor, fratura, compressão de nervos) secundárias as metástases.
Em geral é bem tolerada e seu uso é restrito aos pacientes que deixaram de responder à hormonioterapia e têm metástases ósseas exclusivas.
Mais recentemente, outras drogas desta classe estão sendo estudadas, como o Lutécio-177 (droga radioativa) ligada a uma proteína específica da célula prostática maligna, chamada PSMA, e que em estudos mostram respostas animadoras em pacientes que falharam vários tratamentos.
 
Drogas alvo dirigidas 
Aproximadamente 10-15% dos homens com câncer de próstata apresentam mutações dos genes de reparo do DNA, sendo a mutação mais comum à do BRCA2 (similar à do câncer de mama).
Nos casos que o câncer de próstata já falhou à hormonioterapia prévia e também apresentam mutação nos genes de reparo de DNA, indica-se um remédio chamado olaparibe, que age impedindo que a célula tumoral consiga reparar o dano causado pelos tratamentos. Este tratamento pode causar respostas animadoras em pacientes que falharam vários tratamentos.
 
Medicações que fortalecem os ossos 
Além das medicações descritas, aquelas que fortalecem os ossos estão indicadas para prevenir futuras complicações. A medicação mais utilizada, da classe dos bifosfonados, é o ácido zoledrônico, administrado por via endovenosa, a cada quatro semanas. Outra medicação usada para essa finalidade é o denosumabe, este administrado por via subcutânea.
 
Radioterapia 
A radioterapia paliativa pode reduzir a dor das metástases ósseas e evitar fraturas das lesões que escaparam do controle hormonal e quimioterápico.
 
Prevenção do câncer de próstata
A prevenção do câncer de próstata envolve uma combinação de estratégias que incluem a adoção de hábitos saudáveis, a realização de exames regulares e a conscientização sobre os fatores de risco. Embora não seja possível prevenir completamente o câncer de próstata, seguir essas recomendações pode reduzir significativamente o risco e aumentar as chances de detecção precoce.
 
Estilo de vida saudável 
Alimentação balanceada 
Uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e legumes pode ajudar a reduzir o risco de câncer de próstata. Alimentos ricos em antioxidantes, como tomates (ricos em licopeno), brócolis, chá verde e peixes ricos em ômega-3, são particularmente benéficos. Evitar o consumo excessivo de carnes vermelhas e processadas, bem como de alimentos ricos em gorduras saturadas, também é recomendado.
 
Manutenção do peso saudável 
A obesidade está associada a um risco aumentado de câncer de próstata agressivo. Manter um peso corporal saudável por meio de uma dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos é fundamental para a prevenção. O controle do peso não só reduz o risco de câncer de próstata, mas também de outras doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares.
 
Exercício físico regular 
A prática regular de exercícios físicos está associada a uma redução no risco de câncer de próstata. Atividades como caminhada, corrida, ciclismo e natação podem ajudar a manter um peso saudável e melhorar a saúde geral. O exercício também pode ajudar a reduzir os níveis de hormônios que podem estimular o crescimento do câncer.
 
Conscientização e educação 
Conhecimento dos fatores de risco 
Estar ciente dos fatores de risco, como idade avançada, histórico familiar de câncer de próstata, raça (homens afro-americanos têm maior risco) e mutações genéticas (como BRCA1 e BRCA2), é crucial para a prevenção. Homens com fatores de risco elevados devem discutir com seus médicos sobre a necessidade de exames de rastreamento mais frequentes.
 
Programas de conscientização 
Participar de programas de conscientização sobre o câncer de próstata pode ajudar a disseminar informações importantes sobre prevenção e detecção precoce. Campanhas como o “Novembro Azul” são essenciais para aumentar a conscientização e incentivar os homens a realizar exames regulares.
 
Como a fisioterapia pode ajudar no câncer de próstata
O tratamento do câncer de próstata varia de acordo com o estágio de descoberta e pode envolver cirurgias (com a remoção parcial ou total da glândula), medicamentos, terapia hormonal, radioterapia e quimioterapia. E como a fisioterapia pode ajudar nesses casos? Bem, primeiramente temos que esclarecer quais as implicações que os tratamentos trazem aos pacientes, caso da incontinência urinária e da disfunção erétil.
Na incontinência urinária, o homem passa a ter perda de urina por alterações na bexiga, que não consegue armazená-la e a qualquer pressão oucontração involuntária a deixa escapar, ou pelo déficit do esfíncter, que se manifesta quando há pressão no abdômen e a urina escapa (a chamada incontinência de esforço).
Já a disfunção erétil surge pelo comprometimento de nervos no local devido ao próprio tratamento. O retorno da ereção, sem o uso de medicação, pode variar de três meses a um ano. A variação depende muito da idade e do tipo de tratamento utilizado — quanto mais jovem o paciente e menos invasiva a terapia, mais rápida será a recuperação. Nesse contexto, a atuação do fisioterapeuta será desenvolvida logo após o tratamento médico.
É de suma importância que o profissional observe o mecanismo patológico, a extensão do comprometimento e o tempo pós-operatório. E que ele oriente e conscientize o paciente sobre a proposta das sessões, do trabalho sobre a área afetada, de como funciona o assoalho pélvico…
O tratamento fisioterápico deve ser iniciado quanto antes, pois acelera a recuperação daqueles eventos adversos, como o próprio descontrole sobre a micção. A fisioterapia lançará mãos de técnicas de cinesioterapia, biofeedback e eletroterapia. Através da cinesioterapia será trabalhada, de forma ativa, a musculatura do assoalho pélvico, com o intuito de aumentar a eficácia do esfíncter externo da uretra, que suportará o aumento da pressão intra-abdominal, evitando o escape da urina.
 
biofeedback
 
O biofeedback também atuará na musculatura do assoalho pélvico, a m de fortalecê-la e treiná-la, aumentando a resistência e a coordenação, para a regulação do controle urinário. Essa técnica, que utiliza um eletrodo intrarretal, mostra ao fisioterapeuta a proporção da contração e do relaxamento muscular do paciente, de forma individualizada, além de ser capaz de identificar fenômenos relacionados às disfunções musculares.
Por fim, mas não menos importante, a eletroterapia agirá, de forma mais passiva, na estimulação da musculatura do assoalho pélvico, agora fortificando e dando tônus muscular. A prática é feita através de eletrodos que podem ser transcutâneos ou intrarretais.
Sim, a fisioterapia pode melhorar muito a reabilitação e a qualidade de vida de quem enfrentou ou enfrenta o câncer de próstata.
 
 
Diabetes 
Diabete é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. A insulina é um hormônio que tem a função de quebrar as moléculas de glicose (açúcar) transformando-a em energia para manutenção das células do nosso organismo. O diabete pode causar o aumento da glicemia e as altas taxas podem levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional. A melhor forma de prevenir é praticando atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável e evitando consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Comportamentos saudáveis evitam não apenas o diabetes, mas outras doenças crônicas, como o câncer.
 
Tipos mais comuns 
O diabetes mellitus pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos diferentes. Independente do tipo de diabetes, com aparecimento de qualquer sintoma é fundamental que o paciente procure um serviço de saúde para dar início ao tratamento
 
Tipo 1
O Diabetes Melito tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível, hereditária, caracterizada pela destruição das células do pâncreas (beta-pancreáticas) responsáveis pela produção e secreção de insulina, o que resulta em uma deficiência na secreção deste hormônio no organismo. O pico de incidência do DM1 ocorre em crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, e, menos comumente, em adultos de qualquer idade, embora o diagnóstico em pessoas adultas também seja recorrente. No Brasil, estima-se que ocorram 25,6 casos por 100.000 habitantes a cada ano, sendo considerada uma incidência elevada. O tratamento exige o uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, evitando assim complicações da doença.
Tipo 2 
O diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. A causa do diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao:
· Sobrepeso
· Sedentarismo
· Triglicerídeos elevados
· Hipertensão; e
· Hábitos alimentares inadequados. 
Por isso, é essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes. Cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil têm esse tipo.
Pré-diabetes 
É quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar um Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com alterações nos lipídios. 
Esse alerta do corpo é importante por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolução da doença e o aparecimento de complicações, incluindo o infarto. No entanto, 50% dos pacientes que têm o diagnóstico de pré-diabetes, mesmo com as devidas orientações médicas, desenvolvem a doença. A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle.
Os fatores que podem aumentar o risco de diabetes tipo 2 incluem: 
Idade
O risco de diabetes tipo 2 aumenta com a idade, especialmente após os 45, pois as pessoas tendem a se exercitar menos e ganhar peso. Atualmente, o diabetes tipo 2 também vem crescendo entre as crianças, adolescentes e jovens adultos em virtude da obesidade. 
Peso 
O sobrepeso é um fator de risco primário para o diabetes tipo 2. isso ocorre porque quanto maior a quantidade de tecido adiposo, que é a gordura, mais resistentes as células se tornam à insulina. 
Distribuição da gordura 
Se o organismo armazena a gordura primariamente no abdômen, o risco de diabetes tipo 2 é maior do que se o organismo a armazenasse em outros locais.
 
Sedentarismo 
Quanto menos ativa é uma pessoa, maior o seu risco. A atividade física ajuda a controlar o peso, pois utiliza a glicose como energia e torna as células mais sensíveis à insulina.
 
Histórico familiar 
O risco de diabetes tipo 2 aumenta no caso de pais ou irmãos com a doença.
 
Pré-diabetes
O pré-diabetes é uma condição em que sua glicemia é maior que o normal, porém, não alta o suficiente para ser classificada como diabetes. Se não tratado, o pré-diabetes pode levar ao risco de desenvolver diabetes tipo 2.
 
Complicações 
Neuropatia diabética 
Os danos a esses nervos, condição chamada de neuropatia periférica, fazem com que esse mecanismo não funciona bem. A neuropatia pode afetar um único nervo, um grupo de nervos ou nervos no corpo inteiro. 
A neuropatia costuma vir acompanhada da diminuição da energia, da mobilidade, da satisfação com a vida e do envolvimento com as atividades sociais.
Tanto as alterações nos vasos sanguíneos quanto as alterações no metabolismo podem causar danos aos nervos periféricos. A glicemia alta reduz a capacidade de eliminar radicais livres e compromete o metabolismo de várias células, principalmente as dos neurônios.
Problemas arteriais e amputações 
Muitas pessoas com diabetes têm a doença arterial periférica, que reduz o fluxo de sangue para os pés. Além disso, pode haver redução de sensibilidade devido aos danos que a falta de controle da glicose causa aos nervos. Essas duas condições fazem com que seja mais fácil sofrer com úlceras e infecções, que podem levar à amputação.
No entanto, a maioria das amputações são evitáveis, com cuidados regulares e calçados adequados. Cuidar bem de seus pés e visitar o seu médico imediatamente, assim que observar alguma alteração, é muito importante. Pergunte sobre sapatos adequados e considere seriamente um plano estratégico, caso seja fumante: pare de fumar imediatamente! O tabagismo tem sério impacto nos pequenos vasos sanguíneos que compõem o sistemacirculatório, causando ainda mais diminuição do fluxo de sangue para os pés.
Doença renal
Os rins são uma espécie de filtro, compostos por milhões de vasinhos sanguíneos (capilares), que removem os resíduos do sangue. O diabetes pode trazer danos aos rins, afetando sua capacidade de filtragem. O processo de digestão dos alimentos gera resíduos. Essas substâncias que o corpo não vai utilizar geralmente têm moléculas bem pequenas, que passam pelos capilares e vão compor a urina. As substâncias úteis, por sua vez, a exemplo das proteínas, têm moléculas maiores e continuam circulando no sangue.
O problema é que os altos níveis de açúcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando os órgãos e fazendo com moléculas de proteína acabem sendo perdidas na urina. A presença de pequenas quantidades de proteína na urina é chamada de microalbuminúria. Quando a doença renal é diagnosticada precocemente, durante a microalbuminúria, diversos tratamentos podem evitar o agravamento.
Quando é detectada mais tarde, já na fase da macroalbuminúria, a complicação já é chamada de doença renal terminal. Com o tempo, o estresse da sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem. Os resíduos começam a acumular-se no sangue e, finalmente, os rins falham. Uma pessoa com doença renal terminal vai precisar de um transplante ou de sessões regulares de hemodiálise.
 
Pé diabético 
São feridas que podem ocorrer no pé das pessoas com diabetes e têm difícil cicatrização devido aos níveis elevados de açúcar no sangue e/ou circulação sanguínea deficiente. É uma das complicações mais comuns do diabetes mal controlado. Aproximadamente um quarto dos pacientes com diabetes desenvolver úlceras nos pés e 85% das amputações de membros inferiores ocorre em pacientes com diabetes.
 
Glaucoma 
Pessoas com diabetes têm 40% mais chance de desenvolver glaucoma, que é a pressão elevada nos olhos. Quando mais tempo convivendo com a doença, maior o risco. Na maioria dos casos, a pressão faz com que o sistema de drenagem do humor aquoso se torne mais lento, causando o acúmulo na câmara anterior. Isso comprime os vasos sanguíneos que transportam sangue para a retina e o nervo óptico e pode causar a perda gradual da visão. Há vários tratamentos para o glaucoma – de medicamentos à cirurgia.
 
Problemas nos olhos
Se você gerencia bem a taxa de glicemia, é bem provável que apresente problemas oculares de menor gravidade ou nem apresente. Isso porque quem tem diabetes está mais sujeito à cegueira, se não tratá-la corretamente. Fazendo exames regularmente e entendendo como funcionam os olhos, fica mais fácil manter essas complicações sob controle. Uma parte da retina é especializada em diferenciar detalhes finos. Essa pequena área é chamada mácula, que é irrigada por vasos sanguíneos para garantir seu funcionamento. Essas estruturas podem ser alvo de algumas complicações da diabetes.
 
Catarata 
Pessoas com diabetes têm 60% mais chance de desenvolver a catarata, que acontece quando a lente clara do olho, o cristalino, fica opaca, bloqueando a luz. Quem tem diabetes costuma desenvolver a catarata mais cedo e a doença progride mais rápido. Para ajudar a lidar com graus leves de catarata, é necessário usar óculos de sol e lentes de controle de brilho nos óculos comuns. Quando a opacidade atrapalha muito a visão, geralmente é realizada uma cirurgia que remove as lentes e implanta novas estruturas. Entretanto, é preciso ter consciência de que, em pessoas com diabetes, a remoção das lentes pode favorecer o desenvolvimento de glaucoma (complicação anterior) e de retinopatia (próxima complicação).
 
Retinopatia 
Retinopatia diabética é um termo genérico que designa todas os problemas de retina causados pelo diabetes.
Há dois tipos mais comuns:
· Proliferativo;
· Não-proliferativo. 
O tipo não-proliferativo é o mais comum. Os capilares (pequenos vasos sanguíneos) na parte de trás do olho incham e formam bolsas. Há três estágios - leve, moderado e grave – na medida em que mais vasos sanguíneos ficam bloqueados. Em alguns casos, as paredes dos capilares podem perder o controle sobre a passagem de substâncias entre o sangue e a retina e o fluido pode vazar dentro da mácula.
Isso é o que chamamos de edema macular – a visão embaça e pode ser totalmente perdida. Geralmente, a retinopatia não-proliferativa não exige tratamento específico, mas o edema macular sim. Frequentemente o tratamento permite a recuperação da visão.
Depois de alguns anos, a retinopatia pode progredir para um tipo mais sério, o proliferativo. Os vasos sanguíneos ficam totalmente obstruídos e não levam mais oxigênio à retina. Parte dela pode até morrer e novos vasos começam a crescer para tentar resolver o problema. Esses novos vasinhos são frágeis e podem vazar, causando hemorragia vítrea. Os novos capilares podem causar também uma espécie de cicatriz, distorcendo a retina e provocando seu descolamento, ou ainda, glaucoma.
Os fatores de risco da retinopatia são o controle da glicose no sangue, o controle da pressão, o tempo de convivência com o diabetes e a influência genética. A retinopatia não-proliferativa é muito comum, principalmente entre as pessoas com diabetes Tipo 1, mas pode afetar aqueles com Tipo 2 também. Cerca de uma em cada quatro pessoas com diabetes tem o problema em algum momento da vida.
Já a retinopatia proliferativa é pouco comum – afeta cerca de uma em cada 20 pessoas com diabetes.
Quem mantém bom controle da glicemia têm chance muito menor de desenvolver qualquer retinopatia. Nem sempre a retinopatia apresenta sintomas. A retina pode estar seriamente danificada antes que o paciente perceba uma alteração na visão. Por isso, é necessário consultar um oftalmologista anualmente ou a cada dois anos, mesmo que esteja se sentindo bem.
Pele mais sensível 
Muitas vezes, a pele dá os primeiros sinais de que você pode estar com diabetes. Ao mesmo tempo, as complicações associadas podem ser facilmente prevenidas. Quem tem diabetes tem mais chance de ter pele seca, coceira e infecções por fungos e/ou bactérias, uma vez que a hiperglicemia favorece a desidratação – a glicose em excesso rouba água do corpo.
Por outro lado, se já havia algum problema dermatológico anterior, pode ser que o diabetes ajude a piorar o quadro. As altas taxas glicêmicas prejudicam também os pequenos vasos sanguíneos responsáveis pelo transporte de nutrientes para a pele e os órgãos.
A pele seca fica suscetível a rachaduras, que evoluem para feridas. Diabéticos têm a cicatrização dificultada (em razão da vascularização deficiente). Trata-se, portanto, de um círculo vicioso, cuja consequência mais severa é a amputação do membro afetado. Além de cuidar da dieta e dos exercícios, portanto, a recomendação é cuidar bem da pele também. Quando controlada, o diabetes pode não apresentar qualquer manifestação cutânea.
Alteração de humor, ansiedade e depressão
Ao receber o diagnóstico de diabetes, muitas pessoas apresentam várias reações emocionais, como choque, negação, medo, raiva, tristeza e ansiedade. Isso é absolutamente normal.
O mental e o emocional podem ser afetados com o diagnóstico de alguma doença crônica, como o diabetes.
Ansiedade 
Muitas pessoas com diabetes apresentam distúrbios de ansiedade. A má interpretação de alguns sintomas de hipoglicemia como sendo ansiedade pode prejudicar a rápida correção exigida pelas baixas taxas de glicemia. 
Uma ansiedade em relação a injeções e a visão de sangue também pode complicar a vida de quem precisa tomar diariamente insulina e fazer várias mensurações de glicemia por dia.
O medo de hipoglicemia, uma fonte comum de ansiedade em pessoas com diabetes, pode fazer com que os pacientes mantenham suas taxas glicêmicas acima dos alvos. Pais de crianças com diabetes também costumam apresentar um extremo medo de hipoglicemia. 
Depressão 
A depressão ocorre duas vezes mais em portadores de diabetes do que na população em geral. Ocorre em aproximadamente 20% dos portadores de diabetes tanto no tipo 1 quanto no tipo 2, sendo a taxa de depressão maior nasmulheres. A causa da depressão em portadores de diabetes ainda é desconhecida. Provavelmente é o resultado da interação entre fatores psicológicos, físicos e genéticos. A contribuição de cada um desses fatores para a depressão varia de paciente para paciente.
As restrições alimentares, o tratamento, as hospitalizações e o aumento nas despesas podem ser estressantes para o portador de diabetes. Lidar com as complicações quando o diabetes está mal controlado também pode contribuir pra a depressão. Alterações físicas associadas ao diabetes (neuroquímicas e neurovasculares) também podem ser fatores causais. Fatores genéticos não relacionados ao diabetes podem causar depressão em portadores de diabetes. Qualquer que seja a causa, a depressão pode afetar negativamente o controle do diabetes.
A depressão está associada ao pobre controle glicêmico que é a maior causa das complicações do diabetes. Abra-se com seu médico e outros membros da equipe multidisciplinar. Psicoterapia, medicação e uma combinação das duas coisas, dependendo do caso, têm apresentado excelentes resultados para o bem-estar e também para o controle da glicemia. Antidepressivos são bem tolerados e seguros para pessoas com diabetes, desde que ingeridos nos horários e doses recomendados.
É importante lembrar, no entanto, que cada pessoa responde de uma forma ao tratamento; e recuperar-se de uma depressão pode levar tempo. As doses dos medicamentos – que não têm efeito imediato – e o número de sessões de psicoterapia podem precisar de ajustes. É importante que o psicoterapeuta converse com o médico que trata o seu diabetes.
Problemas sexuais 
Os problemas sexuais são muito comuns, mas muitas vezes somos influenciados por uma imagem exagerada vendida pela mídia. Hoje, já há uma série de soluções para vários desses problemas, mas é preciso haver um diálogo franco com o médico. A saúde sexual também está diretamente relacionada às complicações do diabetes.
Alguns problemas comuns são: disfunção erétil e problemas de ejaculação
A disfunção sexual do diabetes também pode afetar as mulheres. Altas taxas de glicose, lesões nos nervos, depressão e propensão a infecções genitais são alguns dos fatores que podem afetar a vida sexual da mulher com diabetes.
Algumas complicações são críticas e podem levar à morte. Manter hábitos e estilos de vida saudáveis são a melhor forma de controlar e prevenir a doença
Atuação do fisioterapeuta na atenção primária e secundária
O fisioterapeuta tem papel fundamental na prevenção, promoção da saúde e reabilitação dos indivíduos com diabetes. Na Atenção Primária, sua atuação está voltada principalmente para ações educativas e preventivas que incentivam hábitos saudáveis e fortalecem o autocuidado. Programas que orientam sobre alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e cuidados com os pés são essenciais para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida. A fisioterapia também contribui para aumentar a adesão ao tratamento e ampliar a autonomia do paciente no manejo diário da doença.
Além das ações educativas, o fisioterapeuta também atua diretamente com intervenções terapêuticas. A prescrição de exercícios aeróbicos e resistidos ajuda a aumentar a sensibilidade à insulina, melhorar o controle glicêmico e favorecer o emagrecimento, reduzindo o risco de complicações cardiovasculares. Para pacientes com neuropatia periférica, exercícios de equilíbrio, fortalecimento e propriocepção são indispensáveis, pois auxiliam na prevenção de quedas e na manutenção da funcionalidade.
Um dos aspectos mais importantes da atuação fisioterapêutica é o manejo do pé diabético, que representa uma das complicações mais graves do diabetes. O fisioterapeuta atua na prevenção, orientando sobre cuidados diários, calçados adequados e avaliação biomecânica dos pés, além de intervir quando há alterações, utilizando técnicas como mobilização articular, exercícios circulatórios, alongamentos, fortalecimento e, quando disponível, recursos complementares como laser de baixa intensidade. Em situações de amputação, o fisioterapeuta participa ativamente do processo de reabilitação, auxiliando no treino de marcha, adaptações funcionais e reintegração às atividades de vida diária.
 
Importância global da fisioterapia no manejo do diabetes
O fisioterapeuta exerce papel decisivo no cuidado de pessoas com diabetes, pois sua atuação abrange desde a prevenção primária até a reabilitação avançada, proporcionando melhora da capacidade funcional, redução de internações e diminuição de complicações. Por meio de exercícios orientados, educação em saúde e acompanhamento contínuo, a fisioterapia favorece o controle glicêmico, melhora o condicionamento físico e aumenta a independência do paciente. Além disso, promove maior adesão às práticas de autocuidado, o que é fundamental para prevenir complicações a longo prazo. A presença do fisioterapeuta na equipe multiprofissional contribui para uma abordagem integrada, eficiente e humanizada, ampliando a qualidade de vida dos pacientes e reduzindo o impacto clínico e social da doença.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
image5.png
image6.png
image7.png
image8.png
image9.png
image10.png
image11.png
image12.jpeg
image1.png
image2.png
image3.png
image4.png

Mais conteúdos dessa disciplina