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RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS I OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Expressar a importância do estudo da resistência dos materiais para o dimensionamento das estruturas. > Mostrar as etapas para verificação ou projeto de uma estrutura. > Comparar o uso de diferentes tipos de materiais nas estruturas. Introdução A resistência dos materiais apresenta os critérios básicos de entendimento do comportamento dos materiais utilizados nos mais diversos tipos de estrutura. O estudo do conteúdo proporciona conhecimento em relação às dimensões ne- cessárias para cada elemento estrutural, de forma que este consiga receber as cargas externas e transmiti-las para outros elementos, até mesmo o solo (para o caso de fundação). Assim, a resistência dos materiais analisa como essas cargas atuam no interior dos corpos, fazendo com que eles permaneçam íntegros e funcionais no sistema proposto. Essa área do conhecimento se baseia principalmente em ensaios comporta- mentais, os quais caracterizam os materiais e geram as informações sobre tensão resistente e deformações correntes, bem como a proporcionalidade entre eles, para todos os materiais utilizados. Essas informações são utilizadas pelos enge- Introdução à resistência dos materiais Pedro Henrique Pedrosa de Melo nheiros e pelo projetista, que buscam sempre utilizar ao máximo as propriedades do material, visando à economia e à segurança. Neste capítulo, você vai estudar o papel fundamental que a resistência dos materiais tem no dimensionamento das estruturas, os quais são a base para etapas de verificação e dimensionamento de elementos. Além disso, você vai ver a diferença entre os principais elementos utilizados na engenharia e como a resistência dos materiais pode ser utilizada para a escolha entre um material ou outro no momento de projeto de estruturas com base no seu comportamento. A importância do estudo da resistência dos materiais para o dimensionamento das estruturas A engenharia é uma ciência aplicada no cotidiano da vida, uma que todos os tipos de materiais precisam cumprir exigências mínimas quanto à integridade e à funcionalidade, isto é, não podem atingir o estado de colapso ou ruína e devem manter os níveis adequados de operacionalidade no que tange às dimensões e à deformação. De forma geral, a engenharia aplicada por meio da resistência dos materiais possibilita a manutenção da funcionalidade do material, a sua aparência e até mesmo o aspecto econômico de seu uso, aproveitando todas as propriedades do material, levando em consideração critérios de segurança. É importante ressaltar que, no estudo da engenharia, os materiais são estudados e dimensionados por sua resistência, que equivale à capacidade do objeto ou material específico, de suportar e transmitir cargas. Assim, o corpo recebe cargas externas, que podem ser classificadas como forças de superfície, quando ocorre o contato direto entre corpos — ou forças de corpo, quando um corpo exerce força sobre o outro sem que ocorra contato direto. Um exemplo de força de corpo é o peso, que é causado pela ação gravitacional, e faz com que não ocorra, assim, um contato entre os corpos, mas a atração entre as massas. Segundo Hibbeler (2019), na transmissão das cargas, surgem nos materiais as reações de apoio, forças de superfície que se desenvolvem nos apoios ou diretamente nos pontos de contato entre corpos. Uma forma simplificada de descobrir a existência de uma força de apoio em um corpo é imaginar que o elemento acoplado está sendo transladado ou girando de acordo com uma direção. Caso o apoio impeça a translação, existe no contato uma força de apoio contrária ao possível movimento; em outra situação, caso o apoio impeça a rotação, existe na referida direção um momento fletor. Introdução à resistência dos materiais2 Para a quantificação das reações (força e/ou momento), são aplicadas as condições de equilíbrio. Nessa etapa, o princípio básico é que o equilíbrio de um corpo exige um “equilíbrio de forças”, de forma que impeça a translação ou até mesmo o movimento acelerado do corpo ao longo de uma trajetória em x ou y. Além disso, o “equilíbrio de momentos” é analisado para que possa impedir que o corpo analisado gire em relação a um ponto genérico “O”. Tais análises podem ser descritas matematicamente em análise coplanar (plano bidimensional) por meio das Equações 1, 2 e 3. ∑ = 0 (Equação 1) ∑ = 0 (Equação 2) ∑ = 0 (Equação 3) Entender a forma como o corpo recebe a carga externa e como ela a transmite em forma de reação de apoio é de extrema importância para o conhecimento do arranjo estrutural formado pela associação de diferentes elementos. Um exemplo disso é o sistema de apoio vigas/pilar; as estruturas aporticadas, aquelas em que a viga e os pilares de apoio se comportam como um só elemento (Figura 1); e até mesmo na análise da dissipação das cargas no solo por meio da fundação das estruturas. No entanto, além dessa análise de transmissão de cargas/esforços, é preciso analisar o comportamento que essas cargas geram no interior do corpo e como isso está relacionado com a própria resistência do material. Esse estudo é feito por meio das “cargas resultantes internas”, especificamente pela definição das forças normais (N) e cisalhantes (V) e pelos momentos fletores e de torção, que surgem nas seções internas dos corpos. Introdução à resistência dos materiais 3 Figura 1. Representação do pórtico por meio da associação de vigas e pilares em uma estrutura. Esquema estrutural Pórtico bidimensional Pilar Viga Hibbeler (2019) afirma que a análise das cargas resultantes internas é uma das mais importantes aplicações da resistência dos materiais, uma vez que essas cargas determinam a integridade e a funcionalidade do corpo sujeito às cargas externas. A quantificação é feita por meio do método das seções, que parte de uma seção ou “corte” imaginário, passando pela região de in- teresse. Para que esse método seja implementado, são utilizadas as cargas externas aplicadas ao corpo e as reações de apoio já definidas anteriormente. Um exemplo da aplicação do método é apresentado na Figura 2, em que são evidenciados o “corte” imaginário e o surgimento das cargas internas. A quantificação, ou seja, a obtenção dos valeres das cargas internas são definidas utilizando as equações de equilíbrio aplicados, por exemplo, na Figura 2b. É importante destacar que, na situação apresentada na Figura 2b, o momento de torção não é considerado devido ao fato de a representação ser feita no plano, fazendo com que as cargas se restrinjam àquelas coplana- res, ou seja, contidas no plano de representação. O ponto de aplicação das cargas internas apresentadas é feito no centro de gravidade da seção, então todas as cargas internas da seção “cortada” são agrupadas nesse ponto e decompostas segundo as direções normal e cisalhante do corpo. Introdução à resistência dos materiais4 Figura 2. Aplicação do método das seções em um corpo genérico representado no plano: (a) corpo sujeito às cargas (ou forças) externas e uma seção imaginária de interesse; (b) “corte” e surgimento das cargas internas (forças normal e de cisalhamento, e momento fletor). Fonte: Hibbeler (2019, p. 4). As forças não são aplicadas diretamente no dimensionamento dos mate- riais e estruturas, assim, para esse caso, é utilizado prioritariamente o conceito de tensão. Beer e Johnston Junior (2015) apontam que a análise e o projeto de uma estrutura ou elemento são feitos por meio da análise das tensões e deformações. A análise de tensões se refere à distribuição da força ao longo de uma área específica. Além disso, os autores ainda destacam que mesmo uma carga pontual estará sempre aplicada em determinada área, mesmo que esta seja tida como infinitesimal. Assim, como na análise de cargas internas obtêm-se as forças normais e cisalhantes, para essas forças t as correspondentes tensão normal (σ) e tensão cisalhante (τ). As Equações 4 e 5 são aplicadas paraobter as referidas tensões. Introdução à resistência dos materiais 5 = (Equação 4) = (Equação 5) Cada tipo de material tem um valor limite (máximo) de resistência a ser suportada, que é chamada de tensão de ruptura, ou seja, tensão à qual o corpo não consegue manter sua integridade e funcionalidade dentro do projeto estabelecido. Essa análise que envolve tensão aplicada e tensão de ruptura para critérios de projeto parte da premissa que se deve considerar o material contínuo, ou seja, tem distribuição uniforme da matéria sem a existência de vazios, e coeso, o que significa que todas as suas partes estão interligadas, não havendo trincas ou separações (HIBBELER, 2019). Dessa forma, partindo dessa análise, é feito o dimensionamento princi- palmente das seções dos elementos, como vigas e pilares. Esse processo leva em consideração o limite do valor de tensão de ruptura e da força normal ou cisalhante à qual a seção está sujeita. Assim, o projetista varia a área da seção de forma a atender o teto da tensão, verificando tanto os aspectos estruturais (integridade do elemento) como a economia, propondo a menor área possível. Cabe destacar que não é apenas a tensão que norteia o dimensionamento ou verificação da integridade das estruturas, pois esta também deve atender requisitos relacionados à deformação. Pinheiro e Crivelaro (2016) ressaltam que todo corpo sujeito a tensão (a qual é relacionada diretamente à força) apresenta uma deformação correspondente. Essas deformações se relacionam à tensão aplicada por meio do módulo de elasticidade ou módulo de Young (E), e podem ser expressas pela Equação 6 para a tensão/deformação normal. Essa equação é popularmente conhecida como Lei de Hooke: σ = E ∙ ε (Equação 6) Na Equação 6, ε é a deformação normal, uma característica que representa o quanto um corpo alongou em relação ao comprimento inicial. Porém, a tensão cisalhante (τ) também leva a um tipo de deformação específica, chamada de deformação cisalhante ou distorção (γ), responsável por alterar o formato do corpo, ou seja, são mudanças angulares entre as faces do corpo. Assim, a Lei de Hooke assume a forma da Equação 7, onde G representa o módulo de elasticidade ao cisalhamento. Introdução à resistência dos materiais6 τ = G ∙ γ (Equação 7) Os valores do módulo de Young (E) e do módulo de elasticidade ao cisa- lhamento (G) são obtidos de forma experimental para cada tipo de material adotado no dimensionamento. Além disso, existe uma relação entre os dois módulos que utiliza o Coeficiente de Poisson, que relaciona a deformação longitudinal com a transversal em um ensaio de tração ou compressão simples. A Equação 8 apresenta a expressão de cálculo do coeficiente de Poisson (υ), e a Equação 9, a relação entre o módulo de elasticidade (E) e o módulo de cisalhamento (G). = − lat long (Equação 8) = 2(1 + ) (Equação 9) Compreendendo os conceitos de tensão e deformação, ficam claros os princípios básicos de dimensionamento de estruturas, pois, assim, se ga- rante a integridade, não são atingidas as tensões de ruptura e se mantém a funcionalidade por meio do controle dos limites de deformação do material. No dimensionamento de qualquer elemento estrutural que utilize, por exem- plo, concreto, madeira e aço, são adotados esses procedimentos básicos. Em seguida, é feito o dimensionamento da estrutura para que ela opere abaixo da tensão de ruptura ou falha e não apresente deformações que acarretem na perda de sua funcionalidade. Além disso, é levado em consideração também o aspecto econômico ao se adotar a menor quantidade de material possível. Introdução à resistência dos materiais 7 Em um elemento tridimensional, as deformações normais são respon- sáveis por aumentar o volume do corpo, enquanto as deformações cisalhantes são responsáveis pela alteração na forma. π 2 π 2 π 2 Δz Δx Δy Elemento sem deformação Elemento deformado • Considerando as dimensões muito pequenas • Deformação normal: muda os comprimentos dos lados • Deformação de cisalhamento: muda os ângulos de cada lado Segmentos de reta permanecem retos após a deformação π 2( – gxy) π 2( – gxz) π 2( – gyz) (1 + ∈z)Δz (1 + ∈x)Δx (1 + ∈y)Δy Fonte: Adaptada de Hibbeler (2019). Etapas para verificação de uma estrutura Verificar uma estrutura ou um elemento estrutural é conferir se as dimensões propostas atendem às solicitações externas impostas a esse corpo, ou seja, analisar se ele vai manter a sua integridade e funcionalidade ao receber e transmitir cargas ou forças. Assim, o primeiro passo para a verificação de uma estrutura é conhecer como o material que a compõe se comporta em termos de tensão e deformação, verificando as propriedades mecânicas do material. De acordo com Hibbeler (2019), a resistência de um material depende da sua capacidade para suportar uma carga sem deformações excessivas, e as propriedades que circundam a resistência do material devem ser obtidas por métodos experimentais. O principal teste para a obtenção das proprie- dades do material é o ensaio de tração ou compressão, em que são obtidas as relações entre a tensão e a deformação caracterizada para um material específico, se tenta compreender o comportamento do material enquanto se eleva a tensão de compressão ou tração. Dessa forma, nesse ensaio, além de se obter o valor máximo que um corpo suporta, é possível perceber que os materiais têm variação na proporção existente entre a tensão e deformação. Um exemplo disso é o gráfico da Introdução à resistência dos materiais8 Figura 3, que apresenta os resultados da relação de tensão e deformação para um ensaio de tração de um material dúctil genérico. Figura 3. Diagrama de tensão-deformação genérico para materiais dúcteis com seus respectivos comportamentos para determinadas faixas de cargas atuantes. Fonte: Hibbeler (2019, p. 58). A partir da Figura 3, é possível compreender alguns comportamentos dos materiais e como eles devem nortear o dimensionamento ou verificação das estruturas. No primeiro trecho, o material submetido à tração apresenta comportamento elástico, havendo proporção e correspondência fixa entre a tensão e a deformação, e a inclinação da reta que caracteriza esse compor- tamento gera o módulo de elasticidade, o denominado módulo de Young (E). Quanto ao comportamento plástico, o material apresenta diferentes relações entre a tensão e a deformação, sendo que, no escoamento, uma pequena modificação na tensão causa uma grande deformação, e após essa etapa chega-se no endurecimento por deformação, em que é necessário aplicar uma carga cada vez maior para que o corpo se deforme. Essa última etapa leva ao limite da resistência e da tensão de ruptura, quando o corpo perde toda a sua capacidade portante, entrando, assim, em colapso ou ruína (BEER; JOHNSTON JUNIOR, 2015). Introdução à resistência dos materiais 9 Ao pensar em projetos estruturais, a previsibilidade de comportamento é fundamental, e é sempre necessário conhecer a deformação exata para a tensão aplicada no corpo. Essa situação só é possível dentro da região elástica do carregamento, em que cada valor de tensão tem uma correspondência única na deformação. Assim, tem-se a primeira exigência de dimensiona- mento de elementos estruturais, os quais devem sempre estar submetidos à tensão menor que a tensão de escoamento. É importante ressaltar que esses valores-teto (valores máximos) de dimensionamento são obtidos por ensaios experimentais, e materiais diferentes também têm comportamentos diferentes, como, por exemplo, o concreto, que não apresenta região de escoamento, e outros materiais considerados frágeis. No dimensionamento estrutural e na resistência dos materiais, esses va- lores-teto de tensão são denominados tensões ruptura para projeto. Segundo Hibbeler (2019), para garantir a segurança, é preciso que o responsável pelo dimensionamento escolha uma tensão para o cálculo menor do que a que o elemento podesuportar totalmente. Essa tensão menor é denominada tensão admissível, que é motivada por diversas razões, como as descritas a seguir. � A carga aplicada deve ser diferente da que foi projetada. � As possíveis imprecisões nas dimensões dos elementos ocorrem por erros de projeto ou construtivos. � A ocorrência de vibrações, impactos ou cargas acidentais não é utilizada no dimensionamento ou verificação da estrutura. � Os processos de deterioração nas seções dos elementos estruturais acarretam na perda de área resistente e, consequentemente, no au- mento de tensão: corrosão atmosférica ou exposição a intempéries. O valor da carga admissível é obtido por meio da adoção de um número responsável por reduzir o valor da carga ou tensão ruptura verificada para o material no ensaio mecânico (compressão ou tração), o qual é denominado fator de segurança (FS) ou coeficiente de segurança (CS). No dimensionamento, confia-se que o FS incorpora todas as inseguranças citadas anteriormente, sendo o seu valor numérico maior que 1. Assim, para o dimensionamento, sempre serão utilizadas as cargas admissíveis, conforme as Equações 10 e 11. σadm = σrup FS (Equação 10) Introdução à resistência dos materiais10 τadm = τrup FS (Equação 11) Os valores adotados para o FS podem variar, relacionando diretamente com o grau de segurança exigido para o material e as incertezas de seu uso. Hibbeler (2019) cita exemplos ao explicar que esses valores são próximos de 1 para componentes de avião ou até veículos espaciais, e para projetos de componentes de uma usina nuclear, esse valor pode chegar a 3, devido à grande incerteza no carregamento e à variabilidade no comportamento do material adotado. É importante ressaltar que, atualmente, os valores para o FS e para tensões admissíveis estão bem padronizados, pois as incertezas envolvidas em diversos projetos já foram razoavelmente testadas. Os valores dos FS para cada material são encontrados em normas de projeto ou dimensionamento, como, por exemplo, a NBR 6118:2014, a NBR 8800:2008 e a NBR 7190:1997. Alguns valores de referência de tensão admissível para materiais de construção civil estão apresentados no Quadro 1. Quadro 1. Valores de referência para tensões admissíveis de diferentes materiais de construção Material p. Espec. (kg/m³) Tração (kg/cm²) Compressão (kg/cm²) Cisalhamento (kg/cm²) Ferro Laminado 7.650 1250 1.100 1.000 Fundido 7.200 300 800 240 Madeira* Dura 1.050 110 80 65 Semidura 800 80 70 55 Branda 650 60 50 35 Alvenaria Pedra 2.200 — 17 — Tijolo comum 1.600 — 7 — Tijolo furado 1.200 — 6 — Tijolo prensado 1.800 — 11 — (Continua) Introdução à resistência dos materiais 11 Material p. Espec. (kg/m³) Tração (kg/cm²) Compressão (kg/cm²) Cisalhamento (kg/cm²) Concreto Simples 1:3:6 1.100 — 18 — Armado 1:2:4 2.400 — 45 — Ciclópico 1:3:6 2.200 — 18 — * Compressão paralela e cisalhamento perpendicular às fibras. Fonte: Adaptado de Baêta e Sartor (1999). Com as tensões admissíveis, o projetista faz o cálculo das áreas necessárias para o seu elemento conforme o equacionamento proposto para as tensões, que se relacionam com a carga imposta e a área. Dessa forma, são aplicadas as Equações 12 e 13 para o cálculo da área necessária para situações de tensão normal e cisalhante, respectivamente. A = N σadm (Equação 12) A = V τadm (Equação 13) Lembrando que N representa a força normal, ou seja, aquela perpendicular à seção transversal de interesse, e V representa a força cisalhante que atua perpendicularmente à seção transversal de interesse. Essa seção de interesse é aquela em que foi feito o “corte” citado na seção anterior. A identificação da tensão de ruptura a ser adotada em um projeto depende do comportamento do material no ensaio de tração e compressão. Materiais dúcteis são os que apresentam deformação significativa antes da rutura ou colapso, nos quais deve-se limitar a tensão de ruptura àquela que an- tecede o escoamento, ou seja, trecho em que, com pequena diferença na tensão, a deformação é significativamente aumentada e não segue uma “linearidade”. (Continuação) Introdução à resistência dos materiais12 Já nos materiais frágeis ocorre menor deformação proporcional antes do colapso da estrutura, não apresentando, na maioria das vezes, deformações plásticas ou escoamento. Como esses materiais têm pouca deformação antes da ruptura, eles são menos adotados em projetos estruturais e, caso o seu uso seja indispensável, o dimensionamento é feito com a tensão de ruptura como referência. Uso de diferentes tipos de materiais nas estruturas Nas estruturas, são utilizados diferentes tipos de materiais, ou até mesmos diferentes combinações do mesmo material. O ideal é encontrar um material que tenha comportamento satisfatório para o tipo de solicitação aplicada e que tenha o seu custo reduzido. Um exemplo simples disso é a escolha entre ferro fundido e laminado para uma haste circular solicitada à tração. Como visto no Quadro 1, na seção anterior, o ferro fundido apresenta resistência (tensão) admissível de tração de 300 kg/cm², enquanto o ferro laminado apresenta resistência de 1250 kg/cm². Caso a solicitação seja de 100 kg normal à seção transversal da haste, o cálculo da área necessária de aço para ferro laminado e ferro fundido é realizado conforme a Figura 4. Figura 4. Dimensionamento da área necessário para dois tipos de ferro diferentes sujeitos à mesma solicitação. Ferro fundido Ferro laminado Área (A)? A kg kg kg kg A AA A cm cm cm cmA adm adm 100 kg Introdução à resistência dos materiais 13 A partir da Figura 4, percebe-se que a bitola (área circular) necessária para a haste de ferro fundido é muito maior do que a necessária para a de ferro laminado. Assim, caso a dimensão dessa haste seja um fator preponderante no projeto, deve ser adotado o ferro laminado. É importante ressaltar que, no ambiente de projeto de estruturas, não é apenas a dimensão que permeia a escolha do material, devendo também ser analisado o custo do material, estabelecendo a relação de custo-benefício nessa etapa. A comparação entre materiais também ocorre no ambiente de projeto de elementos estruturais. Imagine que, no projeto de uma área de lazer, o projetista de estruturas precisa escolher entre realizar o projeto dos pi- lares em madeira ou concreto estrutural. Como visto no Quadro 1, na seção anterior, a tensão admissível para a madeira dura sujeita a compressão é de 80 kg/cm², enquanto para o concreto estrutural é de 45 kg/cm². Considere que esse pilar esteja sujeito a uma compressão de 500 kg. O cálculo da área necessária para cada material é apresentado na Figura 5. Figura 5. Dimensionamento da área necessário para madeira dura ou concreto armado para um pilar. Madeira dura 2.500 kg Concreto estrutural Área (A)? A kg kg kg kg A AA A cm cm cm cmA adm adm A partir da Figura 5, é possível concluir que, caso o projetista queira um pilar com uma área de seção transversal menor, deve ser adotado o concreto estrutural como material, uma vez que este necessita de uma área bem menor para resistir à mesma carga. Essa verificação faz parte da rotina de projetistas de diversas áreas da engenharia, tanto na busca pela identificação da área simples de elemento (fazendo a relação simples entre tensão admis- Introdução à resistência dos materiais14 sível, carga e área necessária) como na comparação de materiais diferentes, em busca de um material que melhor atenda ao problema ou de alternativas mais econômicas para o projeto. Referências BAÊTA, F. C.; SARTOR, V. Resistência dos materiais e dimensionamento de estruturas para construções rurais. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 1999. Apostila da Disciplina ENG 350. Disponível em: http://arquivo.ufv.br/dea/ambiagro/arquivos/ resistencia.pdf. Acesso em: 20 maio 2021. BEER, F.; JOHNSTON JUNIOR, E. R. Resistência dos materiais. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2015. HIBBELER,R. C. Resistência dos materiais. 10. ed. São Paulo: Pearson, 2019. PINHEIRO, A.; CRIVELARO, M. Fundamentos de resistência dos materiais. Rio de Janeiro: LTC, 2016 Leitura recomendada BOTELHO, M. Resistência dos materiais: para entender e gostar. 4. ed. Rio de Janeiro: McGrawhill, 2015. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Introdução à resistência dos materiais 15