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Nome: Amanda Cristina Figueiredo Turma: T1000 Disciplina: Microbiologia Veterinária Resumo Brucella Características Gerais e Morfologia A Brucella é um gênero de bactérias Gram-negativas, de forma cocobacilar, com dimensões entre 0,5 a 1,5 µm. Essas bactérias não possuem mobilidade, não formam esporos e são aeróbias, com exceção de algumas espécies como B. ovis e B. abortus, que podem ter metabolismo microaerófilo. Uma característica marcante do gênero é sua natureza intracelular facultativa, ou seja, são capazes de sobreviver tanto dentro quanto fora de células hospedeiras. No ambiente intracelular, Brucella consegue se replicar em macrófagos e células dendríticas, o que favorece sua persistência no organismo hospedeiro e dificulta a resposta imune. As espécies de Brucella podem ser divididas em dois grupos: as de colônias lisas, que possuem a cadeia O do lipopolissacarídeo, e as de colônias rugosas, que não possuem essa cadeia. As espécies lisas, como B. abortu, B. melitensis e B. suis, são mais patogênicas, enquanto as espécies rugosas, como B. ovis e B. canis, tendem a ser menos agressivas. Resistência Ambiental A resistência de Brucella no ambiente é variável, mas ela pode sobreviver por longos períodos, especialmente em condições úmidas e frias. Em solos secos, a bactéria pode resistir por até 4 dias, enquanto em solos úmidos esse tempo pode se estender até 66 dias. Em areia, ela pode sobreviver por até 122 dias e, em água contaminada, sua sobrevivência pode variar de 30 a 150 dias. No leite, a bactéria pode permanecer viável por 17 dias, e em produtos derivados, como queijo, por até 6 meses. Temperaturas de pasteurização (entre 72-75°C por 15 a 20 segundos) são eficazes na eliminação de *Brucella*, assim como a fervura (10 minutos). Desinfetantes como cal, álcool e hipoclorito de sódio também são eficientes na inativação da bactéria. Habitat O habitat primário da Brucella é nos órgãos reprodutivos de animais adultos, onde a bactéria encontra condições favoráveis para sua multiplicação. A presença de eritritol, um álcool encontrado em alta concentração na placenta, testículos e glândulas mamárias de bovinos, ovinos, caprinos e suínos, favorece a proliferação da bactéria nesses locais. Em animais infectados, Brucella é eliminada principalmente por meio de fluidos corporais, como secreções vaginais, sêmen, leite e urina, sendo essas as principais fontes de infecção para outros animais e humanos. Manifestações Clínicas As manifestações clínicas da brucelose variam entre as espécies animais, mas o aborto é o sinal mais característico, principalmente em bovinos, ovinos, caprinos e suínos. Em bovinos, o aborto ocorre geralmente no último trimestre da gestação, podendo ser acompanhado pela retenção de placenta e infertilidade subsequente. Nos machos, a brucelose pode causar orquite (inflamação dos testículos) e epididimite, levando à infertilidade. Em cães, a Brucella canis provoca aborto geralmente entre 45 e 55 dias de gestação, além de epididimite e prostatite em machos. Nos suínos, a Brucella suis é responsável por abortos, infertilidade e infecções articulares. A Brucella ovis causa principalmente orquite e epididimite em carneiros, afetando sua fertilidade, mas raramente provoca abortos em ovelhas. Fatores de Virulência Os principais fatores de virulência de Brucella estão relacionados à sua capacidade de sobreviver e se multiplicar dentro das células hospedeiras. A bactéria modula a resposta imune do hospedeiro, inibindo a apoptose das células infectadas e reduzindo a apresentação de antígenos, o que dificulta a ativação de uma resposta imune eficaz. Além disso, a Brucella inibe a degranulação de neutrófilos e a ativação do sistema complemento, o que facilita sua evasão do sistema imune. Outro fator importante é o uso de eritritol como fonte de energia, que favorece a multiplicação da bactéria nos órgãos reprodutivos, como testículos e placenta. Essa proliferação leva a lesões inflamatórias nesses órgãos, resultando em abortos e infertilidade. Diagnóstico O diagnóstico da brucelose pode ser realizado por métodos diretos ou indiretos. Os métodos diretos incluem o isolamento da bactéria em meios de cultura específicos, como o Agar Farrell ou o Agar Sangue, que requerem a adição de soro e antibióticos. O crescimento das colônias é lento, levando de 10 a 15 dias para se manifestar, e as colônias podem ser lisas ou rugosas, dependendo da espécie de Brucella. Métodos moleculares, como a PCR, são utilizados para a detecção do DNA bacteriano em amostras clínicas. Já os métodos indiretos envolvem a detecção de anticorpos no sangue ou no leite dos animais infectados. Entre os testes sorológicos, destacam-se o Teste do Anel no Leite (TAL), utilizado para vigilância epidemiológica, e o teste de triagem com antígeno acidificado tamponado (AAT), conhecido como Rosa Bengala. Para confirmação diagnóstica, são utilizados testes como o 2-mercaptoetanol associado à soroaglutinação lenta (2-ME + SAL) e o teste de fixação do complemento, que é o padrão ouro para o trânsito internacional de animais. Doenças de Interesse Veterinário Na medicina veterinária, as principais espécies de Brucella de interesse são: - Brucella abortus: Afeta bovinos, causando aborto no último trimestre de gestação e infertilidade. Também pode causar orquite em touros. - Brucella melitensis: Afeta ovinos e caprinos, sendo altamente patogênica para humanos. É a principal responsável pela brucelose humana em regiões endêmicas. - Brucella suis: Afeta suínos, causando abortos e lesões articulares. Também pode infectar humanos. - Brucella ovis: Afeta principalmente carneiros, causando orquite e epididimite, resultando em infertilidade. Não é patogênica para humanos. - Brucella canis: Afeta cães, provocando aborto e infertilidade, especialmente em fêmeas. A infecção pode ocorrer em canis e abrigos de animais, sendo de importância na reprodução canina. A brucelose também é uma zoonose de grande relevância em saúde pública, uma vez que pode ser transmitida aos humanos por meio do consumo de produtos de origem animal não pasteurizados ou pelo contato direto com animais infectados. Em humanos, a doença se manifesta como uma febre intermitente, acompanhada de sintomas inespecíficos como fadiga, dores articulares e musculares, e pode evoluir para formas crônicas se não tratada adequadamente.