Prévia do material em texto
Bioquímica Clínica Enzimologia Clínica Prof. Me. Juan Diego Enzimas Enzimas Enzimas – São quase sempre proteínas que catalisam as reações intracelulares. Catalisador: Energia de ativação Velocidade de reação Enzimas Enzimas Enzimas Enzimas – estudos de importância clínica – dosagem de enzimas no plasma, eritrócitos ou tecidos – correlação clínica. Enzimas plasma-específicas: ativas no plasma, utilizadas no mecanismo de coagulação sanguínea e fibrinólise (trombinas, fatores XXI, X e outros); Enzimas secretadas: secretada de forma inativa e, após ativação, atuam extracelularmente (proteases ou hidrolases produzidas no sistema digestório, fosfatase ácida prostática e antígeno prostático específico); Enzimas celulares: apresentam baixos teores específicos e aumentam quando são liberados a partir de tecidos lesados (transaminases, lactato-desidrogenases). Enzimologia Clínica Voltada para a medida das enzimas celulares liberadas para o plasma em condições patológicas Enzimologia Clínica Aumento na liberação das enzimas: Lesão celular extensa CK-MB Proliferação celular e aumento na renovação celular Fosfatase alcalina Aumento na síntese enzimática GGT Obstrução dos ductos Amilase Enzimologia Clínica Diminuição na liberação das enzimas: Insuficiência renal Diminuição na urina Insuficiência hepática Síntese enzimática reduzida Doenças congênitas Redução na atividade enzimática Isomeria Incapacidade da atividade biológica Enzimologia Clínica Amilase Presente no sangue e urina de indivíduos normais, tem origem no pâncreas (isoenzima P) e glândulas salivares (isoenzima S). Enzima da classe das hidrolases. Amilase Amostra: soro ou plasma heparinizado, SEM hemólise e não lipêmico. A atividade da enzima depende de cálcio e cloretos como cofatores, portanto, é improprio o uso de anticoagulantes quelantes, como citrato, oxalato e EDTA. Estável por 1 semana em temperatura ambiente ou por vários meses sob refrigeração. Massa molecular ~62 kDa – facilmente filtrada pelos glomérulos renais – única enzima plasmática encontrada normalmente na urina. Sêmen, testículos, ovários, tubas uterinas, músculo estriado, pulmões, tireoide, amígdala, leite materno, suor, lágrimas e tecido adiposo. Líquido ascítico e pleural – tumores, pancreatites. Amilase Utilidade diagnóstica: distúrbios pancreáticos – pancreatite aguda, cerca de 20% dos casos podem cursar com valores normais de amilase – dosagem concomitante dos níveis de lipase. Hiperamilasemia pancreática: carcinoma, abcessos, trauma cirúrgico. Hiperamilasemia não pancreática: IR, lesões GI, salivares, microamilasemia. Hiperamilasemia por desordens de origem complexa: eventos intra-abdominais, cetoacidose, alcoolismo agudo, cirrose hepática. Valores de referência para amilase Soro – 28 a 100 U/L Urina – 1 a 17 U/L Depuração da amilase Amilase na urina (U/dL) x Creat. no soro (mg/dL) x 100 = % Amilase. no soro x Creat. na urina Normal: 1 – 4% Pancreatite: 7 – 15% (bastante inespecífica: cetoacidose, queimaduras, etc) Macroamilasemia: menor que 1% Lipase Produzida quase que exclusivamente no pâncreas, tem por função atuar no trato GI hidrolisando triglicerídeos. Hidrólise dos ésteres de glicerol de ácidos graxos de cadeia longa em presença de sais biliares e do cofator colipase – ambas sintetizadas pelas células acinares do pâncreas. TG + 2 H2O → 2-MAG + 2 AG Lipase Amostra: soro isento de hemólise. Estável por 1 semana no refrigerador ou por vários meses a -20°C. Encontrada também na mucosa intestinal, nos leucócitos, nas células do tecido adiposo, na língua e no leite. Utilidade diagnóstica: desordens pancreáticas (aguda, recorrente, traumática), carcinoma, obstrução dos ductos pancreáticos. Baixo peso molecular ~45kDa, 100% reabsorvida – diferente da amilase – ausência na urina. Lipase x Amilase O uso combinado da avaliação sérica da amilase e lipase permite um melhor diagnóstico. 20% dos casos de pancreatite aguda: → Amilase normal → Lipase elevada Fosfatase ácida (FAC) Presente nas células ósseas (osteoclastos), fígado, eritrócitos, plaquetas e, principalmente, na próstata (fração prostática representa 50% da concentração total em homens). Fração não-prostática: crianças e adolescentes em fase de crescimento e patologicamente aumentada em condições que existe um hipermetabolismo ósseo (doença de Paget, invasão maligna óssea). Fosfatase ácida (FAC) Utilidade diagnóstica: avaliação do câncer de próstata metastático. Fosfatase ácida (FAC) Utilizada em casos suspeita de estupro – secreção vaginal Fosfatase alcalina (FAL) Amplamente distribuída nos tecidos humanos, como intestino delgado, túbulos renais, baço, leucócitos, placenta, mas, principalmente nos ossos e fígado. Transporte de lipídeos no intestino e processos de calcificação óssea. Fosfatase alcalina (FAL) Utilidade diagnóstica: doenças que cursam com o aumento da atividade osteoblástica e na investigação de doenças hepatobiliares. Hiperfosfatasemia alcalina: Obstrução intra-hepática: 2 – 15x. Obstrução extra-hepática: 3 – 10x. Enfermidades ósseas. Diminuição: anemia • Doença de Paget; • Câncer ósseo osteogênico; • Fraturas; • Osteomalacia e raquitismo. Transaminases (aminotransferases) Aspartato-aminotransferase (AST) ou Transaminase glutâmica- oxalacética (TGO). Alanina-aminotransferase (ALT) ou Transaminase glutâmica-pirúvica (TGP). Exercem papeis centrais na síntese e degradação de aminoácidos. AST: atividades mais elevadas no miocárdio, fígado e musculo esquelético. ALT: principalmente no fígado, elevações raramente são encontradas em doenças não hepáticas. AST ALT Aminotransferases Utilidade diagnóstica: hepatites virais, hepatites alcoólicas, metástase hepática, hepatite necrótica medicamentosa, infarto agudo do miocárdio, distrofia muscular progressiva, embolia pulmonar, pancreatite aguda, insuficiência cardíaca progressiva. AST: IAM ALT: marcador hepático. Valores de referência AST – 5 a 34 U/L ALT – 6 a 37 U/L Aminotransferases Aminotransferases Gama glutamiltransferase (GGT) Rins, fígado, pâncreas, intestino. Envolvida no transporte de aminoácidos e peptídeos através das membranas celulares. Trato biliar; rim: maior atividade; soro: hepatobiliar. Gama glutamiltransferase (GGT) Utilidade diagnóstica: elevada em todos os casos de doença hepática, entretanto, tem maior atividade nos casos de obstrução biliar e no alcoolismo. Apresenta-se elevada na maioria dos alcóolatras, mesmo sem hepatopatias (indução enzimática) e no uso de algumas drogas anticonvulsivantes, quimioterápicos, estrogêncios e contraceptivos orais). Enzimas no hepatócito Creatinoquinase (CK) Amplamente distribuídas nos tecidos, com atividades mais elevadas no musculo esquelético, cérebro e nos tecidos cardíacos. Envolvida na geração de ATP nos sistemas contráteis e de transporte. Creatinoquinase (CK) A enzima consiste em um dímero composto por duas subunidades, M (muscle/musculo) e B (brain/cérebro). CK-MM; CK-MB; CK-BB. Raramente está presente no sangue Corresponde a menos de 6% do total Corresponde a mais de 95% do total Creatinoquinase (CK) PROPORÇÃO DA CKLOCAL contém quase inteiramente CK-MM, com pequenas quantidades de CK- MB MÚSCULO ESQUELÉTICO maior atividade da CK-MM, com aproximadamente 20% de CK- MB. MÚSCULO CARDÍACO ~94% a 100% de CK-MMLIVRE NO SORO NORMALMENTE A CK-MB está confinada quase que exclusivamente ao tecido cardíaco, portanto, são de grande significado diagnóstico no infarto agudo do miocárdio. Valores de referência para: CK-MB:Mais específica; Detecta microlesões. Valores de referência para: TnT: