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Nutrição em hebiatria
A Nutrição em Hebiatria como parte importante do desenvolvimento humano e suas implicações na vida
adulta.
Profa. Mariana Peixoto Souto
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer as múltiplas mudanças – biológicas, sociais e comportamentais – do período da adolescência é
importante para a sua formação, pois baseará a sua conduta na intervenção nutricional dos agravos à saúde,
prevenindo doenças na vida adulta.
Objetivos
Reconhecer a avaliação nutricional e algumas patologias no período da adolescência.
 
Descrever a obesidade e as comorbidades associadas.
Introdução
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência é o período de transição entre a infância e a
vida adulta. Envolve o período entre 10 e 19 anos completos. No Brasil, o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) considera a adolescência entre 12 e 18 anos completos, sendo referência para criação de
leis e programas para essa população. Já o Ministério da Saúde (MS) e o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) consideram a adolescência a faixa etária entre 10 e 19 anos completos, seguindo a
recomendação da OMS.
 
A adolescência é uma fase de intenso e rápido crescimento e desenvolvimento, marcada por transformações
físicas, psíquicas e sociais, incluindo os hábitos alimentares e o estilo de vida. Geralmente, entre 10 e 14 anos,
ocorre o estirão de crescimento e surgem as características sexuais; entre 15 e 19 anos, há a finalização do
crescimento e desenvolvimento morfológico.
 
Para entender melhor essa fase, é preciso diferenciar os conceitos de adolescência e puberdade. A
puberdade é um processo fisiológico de maturação hormonal e crescimento somático que prepara o
organismo para a reprodução. Engloba o conjunto de modificações biológicas que transformam o corpo infantil
em adulto. Já a adolescência abrange os componentes psicológicos e sociais característicos dessa fase da
vida. O adolescente vive um período de crise, com incertezas e inseguranças chamado “síndrome da
adolescência normal”.
 
Fase inicial (10 a 13/ 14
anos de idade)
Fase média ou intermediária
(14/ 15 a 16/ 17 anos)
Fase final ou plena (até os 19
anos de idade completos)
Imagem corporal
Ajustamento ao
processo puberal,
dúvidas e
preocupações com o
corpo
Insatisfação com o
corpo
Tentativa de mudar a
aparência
Estabilização da auto
imagem corporal
Pensamento
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Fase inicial (10 a 13/ 14
anos de idade)
Fase média ou intermediária
(14/ 15 a 16/ 17 anos)
Fase final ou plena (até os 19
anos de idade completos)
Raciocínio concreto
Início do
pensamento
abstrato
Desenvolvimento
máximo do
pensamento
abstrato
Fascinação com as
novas habilidades
cognitivas
Egocentrismo
Ampliação dos
interesses
Idealismo
Altruísmo
Independência
Laços de
dependência ainda
fortes
Começa a testar
limites
Afastamento dos
pais, contestação
Prefere amigos à
família
Independência
emocional, às vezes,
também econômica
Reaproximação dos
pais em uma relação
de igualdade
Pares
Unissexual
Heterossexual
Forte vínculo com o
grupo
Relações individuais
mais importantes que o
grupo
Sexualidade
Curiosidade,
autoerotismo
Experimentação
sexual
Sexo oposto visto
como objeto sexual
Relacionamento sexual
maduro, responsável e
com afetividade
Identidade
Identificação com
pessoas da família
Começa a testar os
valores familiares
Contesta valores
familiares
Identificação com
outros adultos e
grupos
Consolidação da
identidade pessoal
Autoconceito,
autodeterminação
Escolha vocacional
Tabela: Fases das modificações psíquicas, sociais e comportamentais durante a adolescência.
Priori et al., 2010.
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1. Avaliação nutricional e patologias no período da adolescência
Avaliação nutricional
Deve ser criteriosa devido à variabilidade no crescimento, idade, gênero, peso, etnia e maturação sexual. Os
agravos consequentes da nutrição inadequada justificam a avaliação em todas as consultas, a fim de
identificar pessoas com risco ou distúrbios alimentares e planejar o suporte nutricional mais adequado.
Peso
Medida de alta sensibilidade durante os
agravos nutricionais agudos e crônicos. O
adolescente deve ser pesado usando roupas
leves, em pé, com os braços estendidos ao
longo do corpo e descalços.
Altura
Reflete o estado nutricional atual e pregresso e
sofre alteração e recuperação mais lentas.
Utiliza-se um Estadiômetro vertical.
No caso de pacientes impossibilitados de permanecer na posição ereta, a estatura deve ser estimada através
da envergadura (distância entre os dedos médios das mãos, com os braços posicionados em um ângulo de
90° com o corpo):
“O processo de crescimento é complexo e multifatorial, englobando fatores genéticos, hormonais, nutricionais
e psicossociais. O desvio do padrão normal de crescimento pode ser a primeira manifestação de uma grande
variedade de doenças. Portanto, é de extrema importância a avaliação frequente e acurada do crescimento de
uma criança.” (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA - SBP, 2009).
Fase pré-púbere
Entre o 3º ano de vida e o início da puberdade. Crescimento mais estável, de aproximadamente 5-7
cm/ano. Os fatores genéticos e hormonais (hormônio de crescimento) têm maior relevância.
Fase puberal
Ocorre mais cedo nas meninas do que em meninos, porém o estirão nos meninos é maior. A
aceleração do crescimento está relacionada, principalmente, aos esteroides sexuais e ao hormônio de
crescimento.
Fase puberal final
Crescimento lento, de cerca de 1 a 1,5 cm/ano, sobretudo na região do tronco, com duração média de
três anos.
Para diagnóstico nutricional na adolescência, é utilizado o índice de massa corporal (IMC) através da seguinte
fórmula:
São utilizados os índices IMC por idade (IMC/ I) e altura por idade (A/I) para a avaliação nutricional, de acordo
com a idade e o sexo, em percentis ou escore Z. Os pontos de corte e a classificação se encontram na tabela
abaixo:
Valores Críticos
Índices Antropométricos
IMC para a
idade Estatura para a idade
 Percentil 85 e ≤
Percentil 97
> Escore z +1 e ≤
Escore z + 2
Sobrepeso
> Percentil 97 e ≤
Percentil 99,9
> Escore z +2 e ≤
Escore z + 3
Obesidade
> Percentil 99,9 > Escore z +3
Obesidade
grave
Tabela: Classificação do estado nutricional de adolescentes para cada índice antropométrico.
Adaptado de World Health Organization, 2006.
Exemplo
A.M.R., sexo feminino, 14 anos; Peso = 79,6 Kg/ Estatura = 1,65 mIMC = 79,6 x (1,65)² = 29,2 Kg/m² 
Ao marcamos no gráfico o valor do IMC e da idade, veremos que a adolescente em questão se encontra acima
do percentil 97. De acordo com a tabela acima, a adolescente em questão está com diagnóstico de obesidade.
Medidas de composição corporal
Circunferências
São úteis para quantificar diferenças interindividuais, identificando-as com maior risco de desnutrição ou
obesidade e diferenças intraindividuais durante o acompanhamento nutricional.
Circunferência abdominal (CA)
Obtida através da medida da linha da cintura, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca. Indicativa
de adiposidade abdominal central e importante preditor de risco para doença cardiovascular, dislipidemia e
hipertensão arterial. A classificação é feita através dos pontos de corte utilizados por Freedman et al. (1999).
Distribuição em percentis da circunferência abdominal segundo sexo e idade.
Circunferência do braço (CB)
É a soma das áreas dos tecidos ósseo, muscular e gorduroso do braço. Pode ser usada isoladamente como
instrumento de triagem ou para diagnosticar o estado nutricional caso outro método nãopossa ser utilizado
(como quando não é possível pesar o paciente - acamado, ou quando o peso está superestimado - presença
de tumor, visceromegalia e edema localizado em face ou abdome). Em condições de edema generalizado, a
circunferência do braço tem aplicabilidade limitada. Como referência, é utilizada a tabela percentilar proposta
por Frisancho (1990). Valores abaixo do P5 são indicadores de risco de doenças associadas à desnutrição e
valores acima do P95 representam risco de doenças relacionadas ao excesso de peso.
Percentis da circunferência do braço, segundo idade e gênero.
Circunferência muscular do braço (CMB)
Derivada da circunferência do braço e da dobra cutânea tricipital (DCT). É um bom indicador da reserva do
tecido muscular (sem corrigir a área óssea). Pode ser usada isoladamente como instrumento de triagem ou
para diagnosticar o estado nutricional caso outro método não possa ser utilizado. Para classificação da CMB
também é utilizada a tabela percentilar proposta por Frisancho (1990). Valores abaixo do P5 são indicadores
de riscos associados à desnutrição e valores acima do P95 não indicam excesso de gordura corporal, já que
se trata da medida indireta do tecido muscular.
Percentis da circunferência do braço, segundo idade e gênero.
Circunferência da panturrilha (CP)
Avalia a perda de massa muscular, sendo um bom indicativo de desnutrição. Com o indivíduo sentado,
formando um ângulo de 45°, afere-se o valor da maior circunferência da perna. Em portadores de HIV, essa
medida também é válida para avaliar perdas ou redistribuição de gordura em pacientes com lipodistrofia. Não
há um ponto de corte, mas é possível comparar o indivíduo com ele mesmo.
Circunferência do pescoço
Utilizada no diagnóstico de síndrome metabólica (SM) a partir dos 10 anos de idade, para predizer resistência
insulínica e avaliação de fatores de risco para doença cardiovascular em adolescentes.
Valores meninos: 27,4 a 31,3 cm
Valores meninas: 26,3 a 34,4 cm
Dobras cutâneas
Utilizadas para medir a gordura subcutânea e avaliar a distribuição da gordura corporal.
 
Dobra cutânea tricipital (DCT): No ponto médio do braço, separar levemente a dobra cutânea (pele mais
gordura subcutânea), desprendendo-a do tecido muscular, e aplicar o calibrador formando um ângulo reto. O
braço deve estar relaxado e solto ao lado do corpo. São utilizados os pontos de corte do NCHS, 1980.
 
Percentis da dobra cutânea tricipital, segundo idade e gênero.
Dobra cutânea subescapular (DCS): No ponto imediatamente abaixo do ângulo inferior da escápula. A pele
deve ser levantada 1 cm abaixo do ângulo inferior da escápula, de forma que se possa observar um ângulo de
45° com a coluna vertebral. O calibrador deve ser aplicado estando o indivíduo com braços e ombros
relaxados.
 
Percentis da dobra cutânea subescapular, segundo idade e gênero.
Soma das dobras cutâneas tricipital e subescapular: Com a soma dos valores da DCT e DCS, é possível
calcular o percentual de gordura corporal. Utiliza-se a fórmula de Slaughter et al. (1988) na faixa etária de 8 a
18 anos e a distribuição em percentis.
 
Equações antropométricas para determinação da porcentagem de gordura corporal utilizando a soma das
duas dobras cutâneas, em ambos os sexos, de 8 a 18 anos.
Percentis da soma das dobras cutâneas tricipital e subescapular, segundo idade e sexo.
Impedância Bioelétrica (BIA): Baseia-se na medida da resistência total do corpo à passagem de uma corrente
elétrica de pequena intensidade, de baixa amplitude e alta frequência. Os tecidos corporais oferecem
diferentes oposições à passagem da corrente elétrica. Os tecidos magros são altamente condutores de
corrente elétrica devido à grande quantidade de água e eletrólitos, ou seja, apresentam baixa resistência. Por
outro lado, a gordura, o osso, a pele e os pulmões constituem um meio de baixa condutividade, apresentando
elevada resistência (SAMPAIO et al., 2012). A oposição ao fluxo total da corrente, também chamada de
impedância (Z), gera dois componentes: a resistência (R), diretamente relacionada ao nível de hidratação, e a
reactância (Xc), reflete a oposição ao fluxo de corrente produzida pela membrana celular. A relação entre a
resistência e a reactância é representada pelo ângulo fase. Essa medida tem sido utilizada como medida de
gravidade de doença, como instrumento de avaliação funcional e como indicador geral de saúde. Estudos
recentes têm validado este ângulo como indicador prognóstico em pacientes críticos.
 
O exame de BIA deve ser feito com o paciente em decúbito dorsal, membros superiores e inferiores afastados
e mãos abertas. Os eletrodos devem ser colocados no lado direito, no pé e na mão respeitando-se as
condições de preparo: jejum de quatro horas, evitar a ingestão de álcool durante 24 horas antes do exame,
não realizar atividade física nas quatro horas anteriores ao exame, não estar em período pré-menstrual, fazer
boa hidratação no dia anterior ao teste e não ser portador de marcapasso.
Balança Bioimpedância.
Absorciometria por dupla emissão de raios x (DEXA): Permite a quantificação da massa muscular e da gordura
corporal. É considerada padrão-ouro de avaliação dos compartimentos corporais por realizar a medida direta
da massa muscular, do tecido adiposo e da densidade óssea com precisão e acurácia.
Densitometria óssea.
Maturação sexual
Conjunto de alterações biológicas que ocorre de maneira sequencial e ordenada até a transformação do
adolescente em adulto. As fases do desenvolvimento sexual estão relacionadas com crescimento estatural,
incremento de peso, desenvolvimento muscular e modificações biológicas. A avaliação do estágio de
maturação sexual é um importante parâmetro para a avaliação do crescimento e do desenvolvimento físico
individual do adolescente. É utilizado o critério proposto por Tanner para autoavaliação e avaliação clínica. O
critério é composto por fotos que demostram 5 estágios do desenvolvimento dos pelos pubianos, dos genitais
(meninos) e das mamas (meninas).
O adolescente poderá estar em diferentes estágios de desenvolvimento de pelos pubianos em relação às
mamas e genitais.
 
As meninas iniciam o estirão de crescimento em média aos 9 anos, com pico aos 12 anos, enquanto nos
meninos ocorre 2 anos mais tarde, com pico aos 14 anos de idade. A duração e a magnitude do crescimento
nos meninos são maiores.
Avaliação laboratorial
Dosagem de proteínas plasmáticas: Sofrem queda em resposta ao estresse metabólico e apresentam maior
sensibilidade para avaliação nutricional.
 
Proteínas séricas que podem ser utilizadas na avaliação da condição nutricional.
Vitaminas, oligoelementos e minerais: As alterações nessas dosagens antecedem os sinais clínicos.
 
Testes laboratoriais que podem ser utilizados na avaliação nutricional.
Valores habitualmente utilizados para abordagem de anemia e deficiência de ferro.
Concentrações de hemoglobina e hematócrito abaixo das quais se considera anemia – por sexo e idade
Adaptado de CDC (Centers for Diseases Control and Prevention), 1989.
Perfil lipídico: Pode ser realizado naqueles com excesso de peso e histórico familiar de risco cardiovascular
(pais, avós, tios e tias com história de doença cardiovascular antes dos 55 anos para os homens e dos 65
anos para as mulheres). Devem ser avaliados o colesterol total e as frações.
 
Valores de perfil lipídico em crianças e adolescentes acima de 2 anos.
Metabolismo glicídico: Para a identificação da intolerância à glicose e do Diabetes, principalmente, em
adolescentes com excesso de peso, com sintomas sugestivos e forte histórico familiar de diabetes. A
resistência à insulina é o mecanismo central de diversas morbidades associadas à obesidade, inclusive à
síndrome metabólica.
 
Avaliação do metabolismo glicídico
Avaliação dietética
Do ponto de vista nutricional, a adolescência é uma fase vulnerável no que diz respeito ao estilo de vida.
Adolescentes tem a tendência a pular refeições, comer fora de casa, consumir maior quantidade de
ultraprocessadosealimentos com alta densidade energética, além de realizar dietas por conta própria,
levando a um alto consumo de energia e gordura, e reduzida ingestão de micronutrientes (ex.: cálcio, fósforo e
magnésio), aumentando o risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.
 
A avaliação dietética pode ser feita a partir de dados quantitativos e qualitativos do consumo alimentar. São
usados diferentes métodos agrupados em: métodos prospectivos (presente, dieta atual) e retrospectivos
(passado, dieta habitual). Abaixo estão alguns desses métodos:
Recordatório de 24 horas
Relato da quantidade de todos os alimentos e bebidas consumidos ao longo de 24 horas. Caracteriza
o consumo atual.
Registro alimentar
O entrevistado anota em um formulário, no momento do consumo, todos os alimentos e bebidas
consumidos ao longo do dia, por um período de 1 a 7 dias. Caracteriza o consumo atual.
Questionário de frequência de consumo alimentar (QFCA)
Consiste em uma lista de alimentos com uma sessão de respostas sobre a frequência de consumo
habitual de alimentos ou grupos de alimentos, durante um período pré-determinado.
História alimentar
Informações retrospectivas sobre consumo e hábitos alimentares durante o ciclo da vida.
Nesta fase da vida, a ingestão alimentar é influenciada pelo grau de maturação sexual, variabilidade de
alimentos, e tendência à omissão, especialmente pelas meninas.
(PRIORI et al., 2010).
Particularidades do consumo alimentar na adolescência e fatores que influenciam sua avaliação Priori et. al.,
2010):
 
Formação e consolidação dos hábitos alimentares, com maior suscetibilidade à variabilidade na
ingestão diária de alimentos.
 
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Aumento das demandas nutricionais em função do processo de crescimento e desenvolvimento.
 
Influência de valores socioculturais, imagem corporal, convivências sociais, situação financeira e mídia.
 
Consumo de alimentos industrializados e de fácil preparo.
 
Menor cooperação e motivação em relatar o consumo de alimentos.
 
Dificuldade em estimar corretamente os alimentos e o tamanho das porções.
 
Hábito de consumir alimentos fora de casa.
 
Recomendações nutricionais
As necessidades de energia são definidas para manter a saúde, promover crescimento, maturação e atividade
física. O gasto energético é altamente influenciado pela massa livre de gordura. Portanto, meninos têm
maiores necessidades de energia e nutrientes do que as meninas. A estimativa do gasto energético total
(GET) leva em consideração o gênero, a idade, o peso e o fator de atividade física (FAF). Abaixo seguem as
equações da necessidade energética estimada (EER) para adolescentes de 9 a 18 anos eutróficos (INSTITUTE
OF MEDICINE, 2006):
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Meninos
EER = 88,5 + 61,9 x idade (anos) + atividade
física x [(26,7 x peso (Kg)) +(903 x altura (m))]
+ 25 (Kcal de deposição de energia)
Atividade física:
1,0 se sedentário
1,13 se pouco ativo
1,26 se ativo
1,42 se muito ativo
Meninas
EER = 135,3 – 30,8 x idade (anos) + atividade
física x [(10 x peso (Kg)) +(934 x altura (m))] +
25 (Kcal de deposição de energia)
 
Atividade física:
 
1,0 se sedentária
1,16 se pouco ativa
1,31 se ativa
1,56 se muito ativo
Macronutrientes
Responsáveis pelo fornecimento de energia para o organismo. São eles: carboidratos, proteínas e lipídios.
 
As recomendações de macronutrientes seguem as quantidades percentuais descritas abaixo:
Institute of Medicine, 2005.
Micronutrientes
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Também conhecidos como oligoelementos, são nutrientes necessários à manutenção do organismo em
pequenas quantidades. Vamos ver alguns:
Cálcio
Necessário para formação de ossos e dentes, contração muscular,
contração e vasodilatação vascular, transmissão nervosa e secreção
glandular. Dos 9 aos 18 anos, a retenção de cálcio aumenta a um patamar
e depois declina. O pico do aumento em meninas é em torno dos 13 anos
e, em meninos, em torno dos 14 anos. Após a menarca, a deposição de
cálcio nas adolescentes declina rapidamente com a formação e
reabsorção óssea. A absorção de cálcio é prejudicada em alimentos ricos
em ácido oxálico, ácido fítico e fibras. Esta parece ser melhor quando se
utiliza leite ou sais de fosfato de cálcio de extratos de leite do que com
carbonato ou citrato de cálcio.
Alimentos fonte: leite e derivados, sardinha, ostras, salmão, feijão de soja.
Fósforo
Importante na estrutura e funcionamento das células, atua na formação
dos ossos e dentes, produção de energia, crescimento, construção e
reparação dos tecidos. Alimentos ricos em fitatos (feijão, ervilha, cereais
e castanhas) levam à baixa biodisponibilidade. Está amplamente
distribuído nos alimentos.
Alimentos fonte: peixes, queijos, presunto, leite, ervilhas, farinha de aveia,
feijão cozido, ovos.
Magnésio
Atua no transporte de íons potássio e cálcio, modula sinais de
transdução, participa do metabolismo de energia e proliferação celular.
Quanto menor a sua ingestão, maior será a sua absorção. Alimentos ricos
em fitatos, fosfatos e fibras diminuem sua biodisponibilidade. O cálcio
estimula a absorção de magnésio quando ingerido em uma relação de
2:2.
Alimentos fonte: acelga, feijão preto, abacate, peixes, frango, leite
integral, ovos.
Ferro
Componente da hemoglobina, mioglobina e algumas enzimas.
Indispensável na prevenção da anemia. Suas necessidades estão
aumentadas devido à expansão do volume plasmático e desenvolvimento
de massa muscular. O ferro de fontes vegetais (não-heme) tem baixa
biodisponibilidade e necessita da presença de vitamina C para ser
absorvido. Já o ferro de fontes animais (heme) tem maior
biodisponibilidade, sua forma química permite que seja absorvido sem
interferência de outros fatores dietéticos.
Alimentos fonte: fígado de boi, carnes, vegetais verde-escuros (bertalha,
espinafre, brócolis, couve), leguminosas e melado de cana.
Cobre
Indispensável, junto ao ferro, para a eritropoiese (produção de hemácias)
normal, catalizador de diversas reações e participa da função do sistema
nervoso. O excesso de ingestão proteica, zinco, ácido ascórbico e
frutose reduzem sua absorção.
Alimentos fonte: fígado de boi, caju, avelã, abacate, sardinha, bife de boi,
arroz branco.
Zinco
Associado à atividade de mais de 200 enzimas e proteínas reguladoras,
participa da síntese de DNA e RNA, age no metabolismo de
macronutrientes e controla o crescimento e desenvolvimento gonadal.
Fibras, fitatos, cálcio, ferro, cobre e cádmio atrapalham a sua absorção e
vitamina A e proteína aumentam a biodisponibilidade do zinco.
Alimentos fonte: ostras, mariscos, peixes, aves, leite e derivados, carne
de boi, fígado, presunto de peru, amendoim, nozes, cereais integrais,
leguminosas, pão branco, arroz, ovo, macarrão.
Selênio
Principal componente da enzima glutationa peroxidase, antioxidante que
protege as células e membranas dos lipídios contra danos oxidativos,
junto com a vitamina E. A concentração no solo e na água de cultivo
determinará a concentração nos alimentos.
Alimentos fonte: nozes brasileiras, castanha-do-pará, linguado, salmão,
mariscos, germe de trigo, melaço, granola, peito de frango, ovos, leite.
Ácido fólico
Importante durante a replicação e crescimento celular.
Alimentos fonte: vegetais de folhas verdes, fígado, legumes e algumas
frutas.
Vitamina A
Importante para o crescimento linear e maturação sexual.
Alimentos fonte: fígado, leite integral, creme de leite, queijos, manteigas,
gema de ovo, vegetais folhosos, legumes e frutas amarelo alaranjados.
Vitamina D
Hormônio fundamental para a homeostase do cálcio e mineralização
óssea.
Alimentos fonte: óleo de fígado de peixes, gema de ovo, manteiga e nata.
Síndrome de Down (SD)
Também conhecida como trissomia do 21, é uma condição geneticamente determinada. A presença do
cromossomo 21 extra na constituição genética determina características físicas específicas e atraso no
desenvolvimento psicomotor. São observadas diversas alterações morfológicas (ex.: protusão lingual,
pequena cavidade oral, alteraçõesde peso etc.), bem como distúrbios orgânicos (ex.: doença cardíaca
congênita, refluxo gastroesofágico, hipotireoidismo, doença celíaca etc.) e deficiência intelectual (baixo QI,
dificuldade de comunicação, déficit de memória). Os indivíduos sindrômicos apresentam as seguintes
patologias: doença cardíaca congênita, hipotireoidismo congênito, hipotonia muscular, retardo mental,
anomalias imuno-hematológicas, doença celíaca, instabilidade atloaxial e doença de Alzheimer.
Os sintomas dessas patologias relacionados à nutrição são: baixo peso ao nascer, estresse oxidativo
aumentado, baixa estatura, excesso de peso, dificuldade ao se alimentar, puberdade e
envelhecimento precoces.
Estudo realizado por Santos (2006) com crianças com síndrome de Down encontrou relatos de compulsão
alimentar em crianças a partir dos 10 anos de idade. Portanto, é necessária uma investigação detalhada e
criteriosa da alimentação para identificar os alimentos e as possíveis causas da compulsão alimentar.
Avaliação nutricional na Síndrome de Down
Devido aos sintomas e às complicações, os sindrômicos, com frequência, apresentam sobrepeso e obesidade
e baixa estatura, além de distúrbios hormonais como o hipotireoidismo. Os quadros de sobrepeso e obesidade
estão relacionados à redução da taxa metabólica basal e do gasto energético total e não apenas à quantidade
de calorias ingeridas. O tratamento para esses adolescentes deve combinar uma dieta equilibrada, sem
restrição calórica e aumento da atividade física. Dietas restritivas podem reduzir ainda mais o aporte de
vitaminas e minerais, afetando o crescimento e o desenvolvimento.
Atenção
O consumo alimentar excessivo de carboidratos, o baixo consumo de fibras e a baixa ingestão hídrica
podem potencializar a tendência à obesidade nesses indivíduos. Deve-se ter maior atenção à ingestão
de vitamina A e D, cálcio, zinco e selênio. 
A Academia Americana de Pediatria e o Center for Disease Control and Prevention (CDC) recomendam o uso
de curvas específicas para crianças e adolescentes com Síndrome de Down desenvolvidas por Cronk e cols.
(2012). Os pontos de corte definidos para o peso são: peso insuficiente – abaixo do P5 e excesso de peso –
acima do P90 e para a estatura: abaixo do P5 – baixa estatura.
 
Para a avaliação bioquímica na SD, são solicitados os exames: hemograma, TSH (hormônio estimulante da
tireoide) e hormônios tireoidianos (T3 e T4). Nos casos de obesidade, incluir glicemia de jejum, triglicérides e
lipidograma.
 
Para conhecer mais sobre as curvas gráficas específicas para crianças e adolescentes com Síndrome de
Down, acesse o item Explore+ no final do módulo 02.
Paralisia cerebral
Definida como um termo que se refere a um grupo de síndromes incapacitantes motoras, secundárias a lesão
ou a anormalidades cerebrais, que se originam em estágios precoces do desenvolvimento com manifestações
clínicas variáveis com o crescimento e desenvolvimento da criança. A classificação da paralisia cerebral pode
ser feita quanto à gravidade (número de membros acometidos) e quanto aos distúrbios de movimento. Quanto
maior o número de membros acometidos e quanto mais grave é a paralisia cerebral, pior o prognóstico e mais
graves são as alterações nutricionais. A desnutrição moderada a grave é muito comum nessa população. O
estado nutricional inadequado compromete o crescimento e agrava as alterações nesses indivíduos. A
intervenção nutricional inclui estratégias para facilitar a deglutição, modificação da consistência, aumento da
densidade energética, uso de suplementos nutricionais ou até mesmo medidas alternativas de alimentação
(ostomias). Para avaliação do estado nutricional, são utilizadas as mesmas medidas para avaliação do estado
nutricional de crianças e adolescentes sem paralisia (peso, estatura, perímetro braquial, pregas cutâneas e
percentual de gordura corporal).
 
Devido às deformidades físicas e contraturas musculares, Chumlea et al. (1994) desenvolveram equações
para estimativa da estatura de crianças brasileiras de 6 a 10 anos:
Meninas: E = 43,21 + (2,15 x AJ)
Meninos: E = 40,54 + (2,22 x AJ)
 onde: E = estatura em cm e AJ = altura do joelho em cm
Não existem parâmetros específicos e adequados para esta população, por isso, o acompanhamento deve ser
realizado usando os parâmetros do próprio indivíduo para comparação e sua evolução ao longo do tempo.
Transtornos alimentares
São desordens psiquiátricas caracterizadas por consumo, padrões e atitudes alimentares extremamente
perturbadas e excessiva preocupação com o peso e a forma corporal. De acordo com a OMS, existem 3
quadros clássicos dessas desordens: anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno alimentar não
especificado.
A anorexia nervosa é caracterizada por uma grave restrição alimentar que leva a uma importante
perda ponderal, tipicamente negada, e recusa em se manter no peso mínimo ou acima do mínimo
normal para a idade e altura.
Os critérios diagnósticos são: perda de peso ou manutenção do peso abaixo de 85% do esperado para a idade
e altura, negação do estado de baixo peso e recusa em manter o peso no mínimo normal. Medo mórbido de
ganhar peso, mesmo estando abaixo do peso e amenorreia em mulheres.
 
Existem dois subtipos de anorexia: restritivo (restrição quantitativa e qualitativa de alimentos) e bulímico ou 
purgativo (prática regular compulsão alimentar e comportamentos purgativos – vômito autoinduzido, abuso de
laxantes, diuréticos).
 
Suas consequências são: distúrbio da percepção e reconhecimento da fome e da saciedade, motilidade
gástrica reduzida, baixas taxas de metabolismo basal, pressão sanguínea, bradicardia e hipotermia, queda de
cabelo, petéquias e hematomas.
Por outro lado, a bulimia nervosa é caracterizada por episódios compulsivos, com ingestões rápidas
e exageradas de alimentos, a quantidade de calorias consumidas podem variar de 600 Kcal até
15.000 Kcal em um único episódio. A ingestão compulsiva é seguida por comportamentos
compensatórios, inadequados e recorrentes para evitar o ganho de peso.
O diagnóstico é dado seguindo-se os seguintes critérios: episódios recorrentes de comer compulsivo com
frequência mínima de duas vezes por semana, por no mínimo 3 meses; comportamentos compensatórios
inadequados e recorrentes (vômito autoinduzido, uso de laxantes, jejum, exercícios físicos excessivos);
prejuízo na sua autoavaliação em consequência da forma e peso corporal. Também existem dois subtipos de
bulimia: purgativo (vômito autoinduzido e abuso de laxantes e diuréticos com frequência) e não purgativo
(jejum, períodos de restrição alimentar ou exercício excessivo, sem comportamentos purgativos).
 
Suas consequências são: hipertrofia bilateral das glândulas salivares, lesão de pele no dorso da mão (sinal de
Russell), desgaste dentário provocado pela ação do suco gástrico nos episódios de vômito, alterações
metabólicas e hidroeletrolíticas (desidratação, hipocalemia – baixa concentração de potássio, hiponatremia –
baixa concentração de sódio, alcalose metabólica – elevação do pH)., dilatação gástrica e hérnia de esôfago.
Já o transtorno alimentar não especificado (TANE) abrange os casos em que não há os critérios para
os transtornos já especificados ou engloba casos subclínicos (ex.: mulheres com todos os critérios
para anorexia menos amenorreia; todos os critérios para anorexia, porém com peso ainda dentro da
normalidade; todos os critérios para bulimia, mas com menor frequência e duração dos episódios;
mastigação de grande quantidade de alimentos sem engolir).
O período da adolescência apresenta mudanças física e psicológicas marcantes, tornado esses indivíduos
mais vulneráveis. Em meio a transformações hormonais, funcionais, afetivas e sociais, o adolescente pode ter
dificuldade em lidar com sua nova realidade e as mudanças corporais adquirem maior importância. O
tratamento dos transtornos, para ser efetivo, deve ser realizado com uma equipe multidisciplinar, com
acompanhamento clínico, psiquiátrico, nutricional e psicoterapia, envolvendotambém os familiares.
Adolescentes portadores de HIV (Vírus da
Imunodeficiência Humana)
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um retrovírus causador da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida) e atua os linfócitos T CD4+, alterando seu DNA com o objetivo de replicação. Após a produção das
cópias virais, o linfócito T CD4+ rompe-se, liberando-os para que novos ataques ocorram.
 
Após a infecção pelo HIV ocorre diminuição progressiva do número e atividade dos linfócitos T CD4+ e
comprometimento da imunidade celular de forma tardia e avançada (Accioly et al, 2009). O tratamento do HIV
é feito através da terapia antirretroviral e, para que os benefícios sejam alcançados, é necessária uma
ingestão adequada de nutrientes. Para tal, é preciso uma avaliação nutricional e dietética antes e durante a
intervenção no cuidado. Algumas substâncias usadas neste tratamento promovem alterações metabólicas
como resistência à insulina, intolerância à glicose, Lipodistrofia (anormal distribuição de gordura corporal),
hiperlipidemia, anemia, osteopenia (diminuição da densidade mineral), acidose lática (acúmulo de ácido láctico
no corpo) e alteração de enzimas hepáticas. Adolescentes infectados com o HIV podem apresentar risco
nutricional aumentado devido à demanda energética e de micronutrientes para compensar a infecção e
suportar o crescimento e desenvolvimento.
As necessidades energéticas aumentam em torno de 10% em crianças assintomáticas e de 20 a 30
% em sintomáticos. A deficiência de micronutrientes é comum principalmente dos envolvidos na
resposta imunológica (vitamina A, E e zinco). Quanto mais cedo for identificada e tratada a
deficiência nutricional de adolescentes portadores de HIV, maiores serão as chances de diminuírem
as morbidades e melhorar a qualidade de vida.
Neste módulo, falamos sobre avaliação e recomendações nutricionais na adolescência e de algumas
patologias e suas peculiaridades no tratamento nutricional.
Avaliando um adolescente: uma visão prática do atendimento nutricional
Para entender mais o assunto, assista ao vídeo a seguir.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Considere os dados abaixo e marque a opção que contém a classificação correta para o
estado nutricional de acordo com a recomendação da OMS.
Sexo: masculino; Idade: 16 anos; Peso: 61kg; Altura: 1,74m; IMC/I = +1 escore Z; E/I = +0,5.
A
IMC/I = eutrofia e E/I = baixa estatura para a idade
B
IMC/I = sobrepeso e E/I = baixa estatura para a idade
C
IMC/I = obesidade e E/I = estatura adequada para a idade
D
IMC/I = eutrofia e E/I = estatura adequada para a idade
A alternativa D está correta.
Segundo a classificação da OMS, os valores de escore Z indicam eutrofia (IMC/I) e estatura adequada para
a idade, respectivamente.
Questão 2
(SESACRE/AC, 2019) Distúrbios e transtornos alimentares são caracterizados por alterações
na forma de se alimentar, normalmente, devido a uma preocupação excessiva com o peso e a
aparência do corpo. Sobre características da bulimia, assinale a alternativa correta.
A
A pessoa vê seu corpo sempre com excesso de peso, mesmo estando em baixo peso ou desnutrida, rejeita
qualquer tipo de comida.
B
Episódios frequentes de comer exageradamente, mesmo quando não se tem fome. Perde o controle do que
está comendo e a quantidade, os comportamentos compensatórios, nesse caso, são inexistentes.
C
Possui preocupação exagerada com o que se come, levando a uma obsessão que foca em comer de forma
certa, com alimentos saudáveis e extremo controle de calorias e qualidade dos alimentos.
D
Episódios frequentes de compulsão alimentar, onde há ingestão de grande quantidade de alimentos, seguidos
por comportamentos compensatórios como usar laxantes, diuréticos, forçar vômito, praticar atividade física
excessivamente.
A alternativa D está correta.
A bulimia é um transtorno alimentar que possui como característica episódios recorrentes de compulsões
periódicas ocasionando um sentimento de falta de controle com comportamento compensatório
inadequado recorrente, com intuito de reduzir o risco de ganho de peso, autoindução de vômito, uso de
laxantes, diuréticos, enemas, jejuns ou exercícios excessivos, compulsões no mínimo, duas vezes por
semana no espaço de 3 meses.
2. Obesidade e as comorbidades associadas
Obesidade
É uma doença crônica, complexa, multifatorial e um grave problema de saúde pública. É definida pelo acúmulo
excessivo de gordura corporal causando prejuízos à saúde. Ocorre pela associação complexa entre balanço
energético positivo e fatores genéticos, ambientais, emocionais e comportamentais. Os fatores externos
socioambientais são mais relevantes na incidência da obesidade do que os fatores genéticos.
 
Os principais fatores externos são: a exposição prolongada à escassez de alimentos intra ou extrauterina,
levando à desnutrição e posterior tendência à obesidade; a transição nutricional, com troca do padrão
tradicional para o contemporâneo (preferência por alimentos industrializados – fast-foods, refrigerantes,
salgadinhos de pacote, etc.); e o estilo de vida urbano (redução da atividade física e tempo de uso excessivo
de eletrônicos). A avaliação das causas do excesso de peso em crianças e adolescentes é fundamental. Estas
podem ser de causa nutricional ou exógena (> 95 % dos casos) ou endógena (o metabolismo de glicídios e lipídios. Esses dois
componentes também estão relacionados positivamente com adiposidade, resistência insulínica, dislipidemia
e doença cardiovascular.
 
A obesidade está fortemente relacionada com a inflamação através das citocinas. O TNF-α (fator de necrose
tumoral α) afeta significativamente o balanço metabólico. O aumento dos seus níveis em tecido adiposo
aumenta os níveis séricos de insulina e triglicerídeos, agindo como mediador da resistência à insulina. A
interleucina 6 (IL6), outra citocina, é expressa no tecido adiposo e sua concentração tem relação positiva com
a obesidade, intolerância à glicose e resistência à insulina. Outras substâncias expressas pelo tecido adiposo
são a MCP-1 (proteína quimioatrativa de macrófagos e monócitos) e a PAI-1 (inibidor do ativador de
plasminogênio). A MCP-1 recruta monócitos (secretores de TNF α e IL6) para os locais de inflamação,
contribuindo para a resistência à insulina, e o PAI-1, envolvido na angiogênese, na aterogênese e adiposidade
visceral, está elevado na obesidade e resistência insulínica e se correlaciona com síndrome metabólica,
diabetes tipo 2 e doença cardiovascular.
 
Existem também várias proteínas do sistema renina-angiotensina (SRA) produzidas pelo tecido adiposo
(renina, angiotensina I e II, angiotensinogênio e receptores de angiotensina tipo 1 e 2). A angiotensina II
contribui para a regulação da pressão arterial. Sua deficiência está relacionada com a diminuição da pressão
arterial e da massa de tecido adiposo e a sua superexpressão tem o efeito oposto.
 
Há evidências também da ligação entre a microbiota intestinal e a obesidade através de 3 mecanismos: o
papel da microbiota na extração de energia a partir de polissacarídeos não digeríveis; no papel modulador da
microbiota na inflamação crônica sistêmica de baixo grau que causa obesidade e diabetes e; indução da
regulação de genes do hospedeiro que modulam o gasto e armazenamento energético.
Diagnóstico da obesidade
É feito com base na anamnese, no exame físico (peso, altura, IMC, circunferência abdominal) e nos exames
laboratoriais. A anamnese deve incluir: história da obesidade (início, fatores desencadeantes, tentativas de
tratamento e percepção da família sobre o problema), histórico pessoas e familiar (dados do nascimento e
primeiro ano de vida, medicamentos, presença de obesidade e doença cardiovascular na família etc.), uso de
drogas e álcool, história alimentar (tempo de aleitamento materno e introdução alimentar), hábitos
alimentares, comportamento e estilo de vida (rendimento e comportamento escolar, ansiedade, depressão e
compulsão alimentar, atividades extracurriculares).
 
O exame físico, além da observação de manifestações clínicas, deve conter a avaliação antropométrica
(avaliação através de medidas corporais) com aferição do peso, estatura, dobras cutâneas e circunferência
abdominal, aferição da pressão arterial e estadiamento puberal. O estado nutricional deve ser classificado
pelo IMC, utilizando-se os referenciais da OMS, 2006.
 
Classificação do estado nutricional de acordo com IMC/IDADE por percentil e escore-Z
Exames complementares para avaliação laboratorial de crianças e adolescentes obesos
Giulliano SBD, SBC, Manual obesidade, Weffort*Glicemia plasmática casual é aquela
realizada a qualquer hora do dia, sem se observar o intervalo desde a última
refeição. Devendo ser confirmada.
Distribuição da gordura abdominal
O diagnóstico clínico de excesso de peso através do IMC sozinho não é capaz de diferenciar o excesso de
gordura do aumento da massa muscular. A medida da circunferência abdominal é útil na identificação da
obesidade central e apresenta maior correlação que o IMC com comorbidades, como: dislipidemia, doença
hepática não alcoólica e diabetes tipo 2. Para a realização da circunferência abdominal, deve-se medir o ponto
médio entre a última costela fixa e a borda superior da crista ilíaca. Para crianças e adolescentes entre 5 e 17
anos, Freedman et al. (1999) estabeleceram o percentil 90 de cintura como indicador de alteração metabólica.
 
Distribuição em percentis da circunferência abdominal segundo gênero e idade
Comorbidades da obesidade
As comorbidades da obesidade incluem anormalidades endócrinas, cardiovasculares, gastrointestinais,
pulmonares, ortopédicas, neurológicas, dermatológicas, renais e psicológicas. Abaixo, falaremos um pouco a
respeito de algumas delas.
Endócrinas
Incluem intolerância à glicose, diabetes, síndrome metabólica,
hiperandrogenismo em meninas e anormalidades do crescimento.
Cardiovasculares
Podem ocorrer diversas alterações cardiovasculares, dentre elas:
dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica (HAS), aterosclerose e alterações
na estrutura e função do órgão.
Hepáticas e gastrointestinais
Doença hepática gordurosa não alcoólica – incluem esteatose e
esteatohepatite não alcóolica e colelitíase.
Pulmonares
Apneia obstrutiva do sono, síndrome da hipoventilação da obesidade e asma.
Ortopédicas
Maior frequência de fraturas, dor musculoesquelética e comprometimento da
mobilidade.
Neurológicas
Hipertensão intracraniana (pseudotumor cerebral).
Dermatológicas
As mais comuns são intertrigo – irritação da pele devido ao atrito; furunculose
– presença de múltiplos furúnculos simultâneos; hidra-adenite supurativa -
nódulos subcutâneos inflamatórios e acantose nigricans (anormalidade
cutânea associada à resistência à insulina).
Renais
Indivíduos obesos podem ter alterações estruturais glomerulares e têm
predisposição ao desenvolvimento de nefropatia diabética, nefroesclerose
hipertensiva, esclerose glomerular, urolitíase e falência renal.
Psicológicas
Incluem alienação, baixa autoestima, imagem corporal alterada, baixo
desempenho acadêmico, ansiedade e depressão.
Síndrome metabólica
Condição clínica composta por anormalidades antropométricas, fisiológicas e bioquímicas que culminam no
desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. O principal componente clínico é a gordura
visceral, e o metabólico é a resistência à insulina. Essa resistência provoca o aumento do VLDL-colesterol;
resistência insulínica da lipoproteína lipase nos tecidos periféricos; aumento da síntese de LDL-colesterol
menores, mais densas e mais ricas em apoliproteína B; redução do HDL-colesterol; aumento da formação de
placas na parede vascular e produção de leptina, adiponectina e resistina pelos adipócitos, incentivando a
produção de citoquinas inflamatórias (IL-6, TNFα, inibidor do ativador de plasminogênio 1) e a formação de
estrias e placas ateromatosas. Para diagnosticar a SM, os critérios mais utilizados são: os da National
Colesterol Education Program-Adult Treatment Panel (NCEP-ATP III), International Diabetes Federation (IDF) e
da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
Valores limites de normalidade para os sinais considerados para o diagnóstico da síndrome metabólica em
crianças e adolescentes de acordo com diferentes critérios utilizados
Além dos critérios acima, a OMS sugere o exame de microalbuminúria e resistência à insulina, além de mais 2
componentes para diagnóstico da SM.
 
A SBP adota o critério da IDF para identificação da síndrome metabólica em crianças e adolescentes entre 10
e 16 anos.
 
Classificação da síndrome metabólica em crianças e adolescentes de acordo com os critérios da Federação
Internacional de Diabetes, adotados pela SBP
Outra proposta é a de Cavali et al. (2010) onde são considerados os valores de HOMA, esteatose hepática e
percentil 95 para pressão arterial, segundo a Academia americana de pediatria – AAP, além dos anteriores.
 
Diagnóstico de síndrome metabólica com critérios de HOMA e esteatose hepática
O tratamento visa corrigir as alterações decorrentes da síndrome metabólica.
 
Proposta modificada da American Heart Association e do National Heart, Lung and Blood Institute para o
tratamento da SM
Independentemente dos critérios utilizados para seu diagnóstico, a perda de peso, o controle da pressão
arterial, das dislipidemiase da hiperglicemia são os objetivos a serem alcançados no tratamento da SM.
Hipertensão arterial (HAS)
Forte relação com sobrepeso e obesidade. Quanto maior o IMC, maiores os níveis pressóricos. A obesidade
nessa fase da vida é um fator de risco para HAS na fase adulta. Adolescentes obesos devem ter sua pressão
arterial aferida em todas as consultas. A classificação dos níveis pressóricos encontra-se na tabela abaixo:
 
Atualização nas categorias de pressão arterial
Perfil glicêmico, resistência à insulina e diabetes
Na resistência insulínica (RI), há menor captação de glicose levando à maior produção de insulina pelas células
β pancreáticas e hiperinsulinismo. Muitos fatores podem estar implicados no mecanismo da RI, como a
obesidade, inflamação crônica, disfunção mitocondrial, lipotoxicidade, estresse do retículo endoplasmático,
estresse oxidativo, esteatose hepática e fatores genéticos. Geralmente, o adolescente que tem RI apresenta
obesidade (gordura visceral), alta estatura e acantose nigricans. É importante também levar em consideração
que, durante a puberdade, há um aumento fisiológico da resistência à insulina. O diagnóstico de RI pode ser
feito utilizando medidas de jejum (HOMA – IR, QUICKI, relação glicemia/ insulina de jejum e dosagem de
insulinemia de jejum) e outras medidas como o TTG (teste de tolerância oral à glicose).
 
Os pacientes obesos podem apresentar alteração do perfil glicêmico, variando desde a glicemia de jejum
alterada até diabetes tipo 2. Segundo a Academia Americana de Diabetes (ADA), os critérios para diagnóstico
de diabetes são:
 
Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL, colhida em duas situações diferentes.
 
Glicemia acima de 200 mg/dl em qualquer horário associada à sintomatologia típica (poliúria – urinar
em excesso; polidipsia – sede excessiva; emagrecimento).
 
Glicemia acima de 200 mg/dL após 2 horas de sobrecarga oral de glicose (teste de tolerância oral à
glicose).
 
A ADA define como glicemia de jejum alterada quando a glicemia de jejum fica entre 100 e 125 mg/dL e
intolerância à glicose quando a glicemia duas horas após sobrecarga oral de glicose fica entre 140 e 199 mg/
dL.
 
A presença de acantose (escurecimento da pele das dobras do corpo e pregas cutâneas), obesidade, história
familiar de diabetes tipo 2, início do quadro na puberdade e ausência de auto anticorpos pode sugerir
diabetes tipo 2. A dosagem de peptídeo C e o quadro de cetoacidose ajudam a diferenciar o diagnóstico de
diabetes tipo 1 e 2. Em casos em que haja cetoacidose, glicemia de jejum acima de 250 mg/dL ou
hemoglobina glicada acima de 9%, deve-se utilizar a insulina no tratamento. Nos outros casos, o tratamento
envolve mudança do estilo de vida e uso de metformina para manter a hemoglobina glicada abaixo de 7%.
Dislipidemia
Em indivíduos obesos, o perfil lipídico mais encontrado é o aumento de triglicerídeos, VLDL-C e
remanescentes, partículas pequenas e densas de LDL-C e redução da fração HDL do colesterol, O LDL-C e o
colesterol total, geralmente, estão dentro dos valores desejáveis. Quanto maior o IMC, maior a elevação de TG
e a redução de HDL-C, com ajustes para a idade. A presença de adiposidade visceral e o aumento da
circunferência abdominal têm associação negativa com a concentração sérica de HDL-C. Os adipócitos
aumentam a produção de citocinas inflamatórias (TNF-α, IL-6, PAF-1), contribuindo para a formação de placas
de ateromas.
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Atenção
A Academia Americana de Pediatria, de acordo com o “Expert Panel on integrated guidelines for
cardiovascular health and risk reduction in children and adolescents”, recomenda o seguinte screening
para o perfil lipídico: Até 2 anos – sem screening para perfil lipídico. 2 - 8 anos – perfil lipídico somente
nas condições de risco CV. 9 – 11 anos – screening universal com não HDL-C. Se estiver aumentado (≥
145 mg/dL), fazer o perfil lipídico completo. 12 - 16 anos - perfil lipídico somente nas condições de risco
CV. 17 -nutricionais, as
recomendações de nutrientes, a avaliação bioquímica e a composição corporal de adolescentes. Discutimos
também alguns distúrbios nutricionais diretamente relacionados ao padrão alimentar e sua influência no
estado nutricional no crescimento de desenvolvimento saudáveis. Este é um período estratégico de prevenção
de doenças e promoção da saúde e entender as mudanças desta fase da vida nos capacita para o cuidado
dessa população.
Podcast
Para encerrar, ouça o áudio sobre transtornos alimentares na adolescência com a participação da
nutricionista Carla Amourini.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
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Para saber mais sobre os assuntos explorados nesta aula:
 
Pesquise informações a respeito da adolescência no Portal das Nações Unidas.
 
Leia a Caderneta de Saúde do Adolescente, publicada pelo Ministério da Saúde, em 2013.
 
Para conhecer as curvas gráficas específicas para crianças e adolescentes com Síndrome de Down,
acesse o Portal do CDC – Centers for Disease Control and Prevention.
Referências
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Cultura Médica, Guanabara Koogan, 2009.
 
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Press, 2004.
 
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S14–S80, 2014.
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). Diretrizes
brasileiras de obesidade - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. 4. ed.
São Paulo, 2016.
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SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA – Departamento de Nutrologia Obesidade na infância e adolescência. 
Manual de Orientação. Departamento Científico de Nutrologia. 3 ed. São Paulo: SBP, 2019.
 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Avaliação nutricional da criança e do adolescente. Manual de
Orientação. Departamento de Nutrologia. São Paulo: SBP, 2009.
 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao
adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar. In: Sociedade Brasileira
de Pediatria - Departamento Científico de Nutrologia. 4 ed. - São Paulo: SBP, 2018.
 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar,
do escolar, do adolescente e na escola. Departamento de Nutrologia. 3 ed. Rio de Janeiro: SBP, 2012.
 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Obesidade na infância e adolescência – Manual de Orientação.
Departamento Científico de Nutrologia. 2 ed. São Paulo: SBP. 2012.
	Nutrição em hebiatria
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Avaliação nutricional e patologias no período da adolescência
	Avaliação nutricional
	Peso
	Altura
	Fase pré-púbere
	Fase puberal
	Fase puberal final
	Exemplo
	Medidas de composição corporal
	Circunferências
	Circunferência abdominal (CA)
	Circunferência do braço (CB)
	Circunferência muscular do braço (CMB)
	Circunferência da panturrilha (CP)
	Circunferência do pescoço
	Dobras cutâneas
	Maturação sexual
	Avaliação laboratorial
	Avaliação dietética
	Recordatório de 24 horas
	Registro alimentar
	Questionário de frequência de consumo alimentar (QFCA)
	História alimentar
	Recomendações nutricionais
	Meninos
	Meninas
	Macronutrientes
	Micronutrientes
	Cálcio
	Fósforo
	Magnésio
	Ferro
	Cobre
	Zinco
	Selênio
	Ácido fólico
	Vitamina A
	Vitamina D
	Síndrome de Down (SD)
	Avaliação nutricional na Síndrome de Down
	Atenção
	Paralisia cerebral
	Transtornos alimentares
	Adolescentes portadores de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)
	Avaliando um adolescente: uma visão prática do atendimento nutricional
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Considere os dados abaixo e marque a opção que contém a classificação correta para o estado nutricional de acordo com a recomendação da OMS.Sexo: masculino; Idade: 16 anos; Peso: 61kg; Altura: 1,74m; IMC/I = +1 escore Z; E/I = +0,5.
	(SESACRE/AC, 2019) Distúrbios e transtornos alimentares são caracterizados por alterações na forma de se alimentar, normalmente, devido a uma preocupação excessiva com o peso e a aparência do corpo. Sobre características da bulimia, assinale a alternativa correta.
	2. Obesidade e as comorbidades associadas
	Obesidade
	Fisiopatologia da obesidade
	Diagnóstico da obesidade
	Distribuição da gordura abdominal
	Comorbidades da obesidade
	Endócrinas
	Cardiovasculares
	Hepáticas e gastrointestinais
	Pulmonares
	Ortopédicas
	Neurológicas
	Dermatológicas
	Renais
	Psicológicas
	Síndrome metabólica
	Hipertensão arterial (HAS)
	Perfil glicêmico, resistência à insulina e diabetes
	Dislipidemia
	Atenção
	Doença hepática gordurosa não alcóolica (DHGNA)
	Tratamento da obesidade
	Meninos
	Meninas
	O manejo nutricional do adolescente obeso
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	A respeito da regulação hormonal na obesidade, correlacione as colunas abaixo e marque a alternativa correta:1. Ação orexígena
	2.Ação anorexígena
	( ) NeuropeptídeoY
	( ) Colecistoquinina( ) Leptina
	( ) Insulina
	Assinale a alternativa que contém os valores pressóricos característicos do estágio 1 da hipertensão arterial em crianças com 13 anos ou mais:
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referências

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