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UNIDADE 4 
Acidente de Trabalho. 
 
Existe uma definição de acidente de trabalho oficial, dada pela Lei nº 8.213, 
de 24 de julho de 1991. Além disso, os benefícios da Previdência Social, que estão 
relacionados com os casos de acidente no trabalho, são previstos no Decreto nº 
3.048 de 06 de maio de 1999. 
A Lei nº 8.213/91, em seu artigo 19, define acidente de trabalho como: 
 
 
 
Podemos extrair deste conceito acima 3 condições básica que caracterizam 
um acidente de trabalho, para que seja reconhecido legalmente, e para que o 
trabalhador seus benefícios previstos na previdência: 
I) O trabalhador deve estar a serviço da empresa; 
II) O trabalhador sofre uma lesão corporal ou perturbação funcional; e 
III) O trabalhador necessita se afastar. 
Essas três condições são obrigatórias para que o trabalhador tenha direito 
ao benefício determinado para o acidente de trabalho ou doença ocupacional 
sofrido. 
No entanto, sabe-se que dessa forma nem todos os acidente e doenças 
relacionados ao trabalho são abrangidos, uma vez que além de existir doenças 
silenciosas, de difícil diagnóstico, e nem sempre com sintomas físicos (conforme 
abordado na unidade anterior), ainda existem outras doenças e acidentes que não 
afastam o trabalhador por um período maior do que 15 dias. 
 
 
 
 
Figura 1 - Exemplos de imagens que podem ser utilizadas para prevenção de acidentes. 
 
Além da definição legal apresentada acima, estudiosos e pesquisadores da 
área adotam outra definição de acidente de trabalho, que possui um viés 
prevencionista. 
Do ponto de vista prevencionista, acidente de trabalho passa a ser entendido 
como qualquer “ocorrência não programada, inesperada, que interfere ou 
interrompe o processo normal de uma atividade, podendo ocasionar perda de 
tempo, dano material ou lesões ao homem” (Rede E-tec Brasil, Ministério da 
Educação, 2014). 
Sendo assim, nessa nova concepção, os profissionais da área da saúde e 
segurança do trabalho das empresas deverão analisar e investigar todos os 
acidentes ocorridos, com ou sem lesão, mesmo que o funcionário não tenha sido 
afastado, pois será a partir de toda análise, mesmo que de indícios, que as causas 
poderão ser delimitadas, e as ações preventivas poderão ser tomadas, evitando 
reincidências e até agravos dos mesmos, ou seja, um acidente com lesão. 
A diferença entre os dois conceitos apresentados, o legal e o prevencionista, 
está no fato de que para o primeiro é necessário haver lesão física para 
caraterização de acidente, enquanto que no segundo são levadas em 
consideração, além das lesões físicas, a perda de tempo e de materiais. 
 
Divisão de acidente de trabalho 
Os acidentes de trabalho são divididos em 3 (três) tipos: 
 
 
1) Acidente típico: aquele que ocorre no ambiente de trabalho, e durante a 
jornada de trabalho. É um acontecimento súbito, violento e ocasional, que culmina 
na interrupção do trabalhador na prestação de serviço. Exemplos: batidas, quedas, 
queimaduras, contato com produtos químicos, choque elétrico, etc. 
2) Acidente de trajeto: é aquele sofrido pelo empregado no percurso de sua 
residência até o local de trabalho, ou em seu retorno ao final do expediente, por 
qualquer que seja o meio de locomoção, mesmo que seja em um veículo do próprio 
empregado. Nesse caso, o acidente de trajeto deixa de ser assim entendido 
quando o empregado tenha, por qualquer motivo particular, alterado o trajeto ou 
interrompido, como por exemplo, se parou para ir ao supermercado antes de voltar 
para casa. 
3) Doenças ocupacionais: esse tipo de acidente de trabalho, correspondem 
às doenças decorrentes do trabalho, e podem ser classificadas em “doenças 
profissionais” e “doenças do trabalho”. 
→ A Doença profissional é identificada quando há uma relação 
desencadeada pelo exercício de trabalho exposto a agentes físicos, químicos ou 
biológicos, conforme as deliberações do Ministério do Trabalho e da Previdência 
Social. Exemplo: LER (lesão por esforço repetitivo), perda auditiva induzida pelo 
ruído (provocada, na maioria das vezes, pela exposição a altos níveis de ruído 
durante período prolongado), bissinose (estreitamento das vias respiratórias 
causado pela aspiração de partículas de algodão), siderose (causada pela inalação 
de partículas de ferro, asbestose (causada pelo trabalho com amianto), e etc. 
→ Doença do trabalho é aquela desencadeada a partir de condições 
inadequadas de trabalho, onde se torna necessária a comprovação das causas, 
que afirmem a concepção em decorrência do trabalho. Exemplos: alergias 
respiratórias adquiridas em ambientes condicionados, estresse, fadiga, dores de 
coluna em motoristas, e etc. 
 
Porque é importante a comunicação de um acidente de trabalho? 
Como se deve comunicar um acidente de trabalho aos órgãos competentes? 
 
O Decreto nº 2.172 de 1997, determina que todas as empresas devem 
comunicar um acidente de trabalho à Previdência Social, quando ocorrerem. O 
 
 
decreto prevê também que essa comunicação seja feita até o primeiro dia útil 
seguinte ao da ocorrência, e nos casos mais graves em que haja morte, a 
comunicação deve ocorrer de forma imediata às autoridades competentes, sob 
pena de multa. 
Tanto o funcionário acidentado, ou seus dependentes, bem como o sindicato 
da categoria deverão receber uma cópia dessa comunicação, como garantia da 
realização do processo. Na falta de comunicação por parte da empresa, o próprio 
funcionário poderá formalizá-la, seus dependentes, ou o sindicato que o 
representa. Além disso, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, 
também poderá realizar essa comunicação caso a empresa não cumpra sua 
obrigação. 
A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é um formulário a ser 
preenchido pela empresa, visando o reconhecimento legal do acidente pelo INSS, 
dando direito ao trabalhador o recebimento de auxílio-acidente, ou então outros 
benefícios de direito, gerados pelo tipo do acidente. 
O formulário, além de possibilitar a garantia do direito do trabalhador, ainda 
permite aos serviços de saúde e autoridades competentes, a ter informações sobre 
os acidentes e doenças, contribuindo para a fiscalização e investigação das 
empresas e dos processos de trabalho, oportunizando o impedimento de outros 
acidentes com a mesma origem, e promovendo melhores condições de vida no 
trabalho, tanto para a empresa em que o acidente foi registrado, como em 
empresas que atuem no mesmo ramo de atividade. 
 
Abaixo, segue o modelo da Previdência Social do formulário CAT: 
 
 
 
 
Figura 2 - Modelo de CAT - Comunicado de Acidente de Trabalho – Fonte: Site Previdência Social

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