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Tatiane Antonovz Sistemas contábeisSI ST EM AS C ON TÁ BE IS A Série Universitária foi desenvolvida pelo Senac São Paulo com o intuito de preparar profissionais para o mercado de trabalho. Os títulos abrangem diversas áreas, abordando desde conhecimentos teóricos e práticos adequados às exigências profissionais até a formação ética e sólida. Sistemas contábeis apresenta os conceitos de tecnologia da informação, dos sistemas e subsistemas e sua relação com as empresas. A obra ainda explora os modelos de gestão e o tema do planejamento e uso de diversas ferramentas de informação. Adicionalmente, apresenta os sistemas de informação na organização. Destaca-se o papel dos enterprise resource planning (ERP) – ou sistemas integrados de gestão empresarial – e sua aplicação nas empresas. Outros pontos explorados são a aquisição de um sistema contábil e a possibilidade de desenvolvimento dessas ferramentas para uma organização. Por fim, o livro apresenta aspectos de tecnologia da informação, questões éticas e outras que fazem parte da rotina dos profissionais envolvidos com a área. O objetivo é proporcionar ao leitor uma visão geral sobre elementos e características dos sistemas contábeis. SISTEMAS CONTÁBEIS M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira – CRB 8a/4771) Antonovz, Tatiane Sistemas contábeis / Tatiane Antonovz. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2024. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-4795-8 (ePub/2024) e-ISBN 978-85-396-4793-4 (PDF/2024) 1. Contabilidade 2. Administração financeira 3. Sistemas contábeis 4. Sistemas de informação empresarial 5. Gestão 6. ERP I. Título. II. Série. 23-2062g CDD – 657 658.15 BISAC BUS001010 BUS001000 Índice para catálogo sistemático: 1. Contabilidade 657 2. Administração financeira 658.15 SISTEMAS CONTÁBEIS Tatiane Antonovz Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho Coordenação Editorial Verônica Pirani de Oliveira Prospecção Dolores Crisci Manzano Administrativo Verônica Pirani de Oliveira Comercial Aldair Novais Pereira Coordenação de Arte Antonio Carlos De Angelis Coordenação de E-books Rodolfo Santana Coordenação de Revisão de Texto Marcelo Nardeli Acompanhamento Pedagógico Otacilia da Paz Pereira Designer Educacional Ágatha Veiga Revisão Técnica Magali Aparecida Camazano Preparação e Revisão de Texto Cibele Machado Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica e Ilustrações Tiago Filu Imagens Adobe Stock Photos Proibida a reprodução sem autorização expressa. Todos os direitos desta edição reservados à Editora Senac São Paulo Av. Engenheiro Eusébio Stevaux, 823 – Prédio Editora Jurubatuba – CEP 04696-000 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187 4450 editora@sp.senac.br https://www.editorasenacsp.com.br © Editora Senac São Paulo, 2024 Sumário Capítulo 1 Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema, 7 1 Ambiente da tecnologia da informação, 8 2 Conceitos de sistemas e subsistemas, 10 3 A empresa como um sistema, 13 4 Conceitos básicos sobre sistemas de informação, 15 Considerações finais, 17 Referências, 18 Capítulo 2 Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência, 21 1 Modelos de gestão, 23 2 Processo gerencial: planejamento, execução e controle, 25 3 Planejamento estratégico versus planejamento operacional, 26 4 Planos de duração determinada X planos de duração indeterminada, 28 5 Orçamentos, instrumentos ou tipos de planos, 30 6 Papel do sistema de informações no contexto do processo gerencial, 32 Considerações finais, 34 Referências, 35 Capítulo 3 Sistemas de informação da empresa, 37 1 Principais áreas operacionais das organizações, 38 2 Sistema administrativo e financeiro, 39 3 Sistema contábil, 40 4 Sistema de recursos humanos, 43 5 Sistema de produção, 44 6 Sistema de comercialização e serviços, 45 7 Outros sistemas de apoio à gestão: CRM, SCM, HSC, GRC, Business Intelligence (BI), 46 Considerações finais, 48 Referências, 49 Capítulo 4 O ERP e a contabilidade, 51 1 Características do Enterprise Resource Planning (ERP), 52 2 Parametrizações do ERP e a contabilidade, 54 3 Processo de geração de relatórios e demonstrações contábeis por meio do ERP, 55 4 Funcionamento do ERP nas atividades de controles internos da empresa, 56 5 Auditoria do ERP, 58 Considerações finais, 59 Referências, 60 6 Sistemas contábeis Capítulo 5 Gerenciamento de banco de dados, 63 1 Diferença entre dados e informações, 64 2 Gerenciamento de dados: aspectos fundamentais e softwares de gerenciamento, 65 3 Dicionário de dados, 67 4 Big Data, 69 5 Dashboards e scorecards, 70 6 Blockchain e outras tendências, 71 7 Inteligência Artificial, 73 Considerações finais, 74 Referências, 75 Capítulo 6 Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos, 77 1 Contexto da aquisição de um novo sistema, 78 2 Fases da análise até a implementação do sistema adquirido, 80 3 O que são projetos? O que são projetos de sistemas da informação?, 82 4 Gerenciamento de projetos de sistema da informação, 84 Considerações finais, 87 Referências, 89 Capítulo 7 Visão geral do processo de desenvolvimento de um sistema de informação contábil e gerencial, 91 1 Anteprojeto de sistemas (protótipos), 93 2 Projeto lógico, 94 3 Projeto físico, 96 4 Implementação, 97 Considerações finais, 99 Referências, 100 Capítulo 8 Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial, 101 1 Segurança lógica, 103 2 Confidencialidade (privacy) e controle de acesso ao banco de dados, 104 3 Vulnerabilidades técnicas, prevenção e plano de contingência, 105 4 Comportamento e habilidades do(a) gestor(a) do sistema de informação contábil, 107 5 Perfil do(a) profissional e responsabilidade de desenvolvedores e usuários de sistemas, 108 6 Plano de ética na área de TI, 110 Considerações finais, 111 Referências, 112 Sobre a autora, 115 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 7 Capítulo 1 Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema Neste capítulo vamos entender como a tecnologia da informação (TI) desempenha um papel crucial nas operações modernas das organiza- ções, independentemente do seu tamanho ou setor de atuação. Explo- raremos o ambiente em constante evolução da TI, compreendendo seu impacto no mundo empresarial e na sociedade em geral. Para entender a natureza interconectada da TI, é fundamental com- preender os conceitos de sistemas e subsistemas. Abordaremos como os sistemas são compostos por elementos interdependentes que traba- lham juntos para alcançar um objetivo comum. Discutiremos também a noção de subsistemas, que são partes menores de um sistema maior, mas igualmente importantes para o funcionamento integrado do todo. 8 Sistemas contábeis Na sequência, será apresentada uma perspectiva sistêmica essencial para compreender o funcionamentode ter- mos e conceitos essenciais para o sucesso organizacional. Entre esses, destacam-se: • Customer Relationship Management (CRM): visa fortalecer o rela- cionamento com clientes; • Supply Chain Management (SCM): otimiza a cadeia de suprimentos; • Homogeneous System Copy (HSC): é uma prática crucial na ges- tão de sistemas de TI; • Governança, Riscos e Compliance (GRC): assegura conformidade e eficiência; • Business Intelligence (BI): transforma dados em insights valiosos para a tomada de decisões estratégicas. Cada um desses elementos desempenha um papel vital na busca pela excelência operacional e competitiva no mundo dos negócios. 47Sistemas de informação da empresa Para a coleta de dados relativos à comercialização e suas relações, a empresa pode utilizar sistemas como o Customer Relationship Mana- gement (CRM), que está focado no controle e relacionamento com os clientes. Essa ferramenta pode ser integrada com outros sistemas de gestão, como o controle de vendas e financeiro da empresa, proporcio- nando uma visão mais completa dos dados (Cruz, 2019). Ainda segundo o autor, a Supply Chain Management (SCM), gestão da cadeia de suprimentos em português, é uma abordagem estratégica para integrar e gerenciar todos os processos e fluxos de informações relacionados à produção, estoque, logística, distribuição e venda de pro- dutos ou serviços de uma empresa. Nesse contexto, o SCM refere-se a uma plataforma tecnológica que suporta e otimiza as operações da cadeia de suprimentos. O Homogeneous System Copy (HSC) é um procedimento técnico uti- lizado em sistemas de tecnologia da informação, especialmente em sis- temas SAP (Systems, Applications and Products in Data Processing) para realizar a cópia de um ambiente completo de produção para outro ambiente, como um ambiente de desenvolvimento ou teste. Essa cópia é realizada de forma homogênea, ou seja, o sistema é replicado mantendo a mesma versão, configurações, dados e estrutura do sistema original. Por sua vez, a aplicação de aspectos de Governança, Riscos e Com- pliance (GRC) se trata de um conjunto de práticas, processos e ferramen- tas utilizadas pelas empresas para garantir que as operações sejam rea- lizadas de acordo com as leis, regulamentos, políticas internas e padrões éticos, além de gerenciar os riscos associados ao negócio. Já a implementação da Inteligência de Negócios, também conhecida como Business Intelligence (BI), pode ser uma estratégia eficaz para a empresa. Essa abordagem envolve o uso de diversas ferramentas que permitem organizar, analisar e disponibilizar informações de forma aces- sível aos gerentes para que eles possam tomar decisões gerenciais mais acertadas (Padoveze, 2019). 48 Sistemas contábeis Considerações finais Neste capítulo, exploramos as principais áreas operacionais das orga- nizações e a importância dos sistemas de informação para o bom fun- cionamento e a tomada de decisões estratégicas. Compreendemos que os sistemas administrativo e financeiro desempenham um papel crucial na gestão dos recursos, garantindo a eficiência e a transparência das operações financeiras. O sistema contábil, por sua vez, é essencial para o registro e a aná- lise das transações financeiras, fornecendo informações precisas para a elaboração de demonstrações financeiras e o cumprimento das obri- gações legais. Nesse contexto, o reporte fiscal, especialmente o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), o Sped Contábil, o Sped Fiscal e o eSocial, destacam-se como ferramentas fundamentais para a confor- midade com a legislação tributária e previdenciária. O sistema de recursos humanos revela-se indispensável para a ges- tão eficiente do capital humano, promovendo o desenvolvimento dos colaboradores e impulsionando o crescimento da organização. Ao mesmo tempo, o sistema de produção desempenha um papel vital na otimiza- ção dos processos produtivos, aumentando a eficiência e a qualidade dos produtos e serviços oferecidos. O sistema de comercialização e ser- viços assume um papel estratégico, permitindo que as organizações con- quistem e mantenham clientes satisfeitos, contribuindo para a constru- ção de uma imagem positiva no mercado. Além disso, destacamos outros sistemas de apoio à gestão, como CRM, SCM, HSC, GRC e Business Intelligence (BI), que oferecem insights valiosos e informações relevantes para embasar a tomada de decisões em todos os níveis organizacionais. 49Sistemas de informação da empresa Referências BRASIL. Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007. Institui o sistema público de escrituração digital – Sped. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 22 jan. 2007. Disponível em: http://www.normaslegais.com.br/legislacao/decreto6022_2007. htm. Acesso em: 15 ago. 2023. BRASIL. Decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014. Institui o sistema de escrituração digital das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas – eSocial e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 12 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/decreto/ d8373.htm. Acesso em: 15 ago. 2023. CRUZ, T. Sistemas de informações gerenciais e operacionais: tecnologias da informação e as organizações do século 21. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2019. FILHO, J. G. P.; KRUGER, S. eSocial: modernidade na prestação de informações ao governo federal. São Paulo: Atlas, 2015. GIL, A. L.; BIANCOLINO, C. A.; BORGES, T. N. Sistemas de informações contábeis: uma abordagem gerencial. São Paulo: Saraiva, 2013. OLIVEIRA, E. Contabilidade digital. São Paulo: Atlas, 2014. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análises. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. DE. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 9. ed. rev e ampl ed. São Paulo: Atlas, 2013. SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL (SPED). Homapage. Sped, 2023. Disponível em: http://sped.rfb.gov.br/. Acesso em: 15 ago. 2023. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 51 Capítulo 4 O ERP e a contabilidade O primeiro tópico deste capítulo explora as características distintivas do ERP, delineando sua capacidade de centralizar informações, automa- tizar processos e conectar diversas áreas funcionais. Essa abordagem integrada é particularmente relevante para a contabilidade, pois, nessa área, a precisão dos dados e a agilidade das operações são imperativas para cumprir regulamentações e diretrizes financeiras. 52 Sistemas contábeis Em seguida, adentramos as parametrizações do ERP e seu impacto na contabilidade. A configuração adequada do sistema é essencial para garantir que as transações financeiras sejam registradas de maneira con- sistente e em conformidade com os padrões contábeis. O processo de geração de relatórios e demonstrações contábeis é então abordado em detalhes. Mostramos como o ERP agrega dados de várias fontes e os transforma em informações financeiras essenciais, como balanços, demonstrações de resultados e fluxos de caixa. A auto- mação desse processo não apenas economiza tempo, mas também reduz erros e melhora a visibilidade dos resultados financeiros. Ao considerar o funcionamento do ERP nas atividades de controles internos da empresa, examinamos como o sistema pode ser configu- rado para impor salvaguardas e garantir que os procedimentos sejam executados conforme os regulamentos e políticas estabelecidos. Os recursos do ERP permitem a implementação de fluxos de trabalho apro- vados, autenticação de usuários e controle de acesso, garantindo a inte- gridade dos dados financeiros. Por fim, exploramos a importância da auditoria do ERP. Dada a cen- tralização dos dados e a interconexão dos processos,é vital que as audi- torias avaliem a integridade dos registros financeiros, a segurança do sistema e o cumprimento das regulamentações. Analisamos como os auditores podem avaliar o ambiente ERP para assegurar a precisão, a confiabilidade e a conformidade das informações contábeis. 1 Características do Enterprise Resource Planning (ERP) Um sistema ERP (Enterprise Resource Planning), que significa plane- jamento de recursos empresariais em inglês, desempenha um papel fun- damental em auxiliar os gestores no monitoramento das vendas, no acompanhamento dos pedidos de compra e na eficiente gestão das 53O ERP e a contabilidade finanças de uma organização. Não se restringindo apenas aos proces- sos operacionais, o ERP também atende às demandas gerenciais rela- cionadas à gestão de pessoas (Padoveze, 2019). Na prática, a implementação de um sistema ERP aprimora a eficiên- cia das tarefas desempenhadas pela empresa ao proporcionar um acom- panhamento integrado dos processos, gerando melhorias não só nas operações da empresa, mas também impactando sua visão estratégica. Esse aspecto é alcançado por meio da integração dos diferentes seto- res da organização, substituindo o uso de sistemas distintos por cada departamento, o que poderia resultar em dificuldades de comunicação e erros de integração ou entrada de dados. A integração promovida pelo ERP reduz significativamente o tempo gasto em cada procedimento e melhora a comunicação entre os seto- res. O ERP contribui para minimizar impasses com fornecedores e clien- tes, garantindo que obrigações sejam cumpridas e que informações corretas estejam disponíveis antes de solicitar pagamentos aos clien- tes, além de contribuir de forma importante para o processo de tomada de decisão. Por exemplo, a integração pode ocorrer entre o setor financeiro e o setor de recursos humanos. Os dados da folha são buscados na estru- tura do sistema ERP e, em seguida, lançados para pagamento pelo setor financeiro. Dessa forma, o sistema ERP contribui para que a gestão empre- sarial evite erros de processamento, o que poderia levar ao desconten- tamento dos funcionários e até mesmo a problemas judiciais futuros, como ações trabalhistas (Caiçara Júnior, 2015). Com todas as obrigações efetivamente gerenciadas pelo ERP, a ges- tão empresarial obtém os melhores resultados para o negócio, evi- tando passivos desnecessários tanto no presente quanto no futuro. O sistema pode facilitar a interação contínua entre todos os departamen- tos de uma entidade, criando uma sinergia que beneficia a todos. 54 Sistemas contábeis À medida que o fluxo de informações aumenta, surge uma preocupa- ção natural com a segurança dos dados gerados nas organizações. Um ERP só será verdadeiramente vantajoso para uma entidade se for seguro. É essencial que informações sigilosas, como segredos industriais, sejam protegidas de possíveis violações internas ou externas. Além disso, outros dados sensíveis que possam comprometer a ima- gem da organização também precisam ser mantidos em sigilo e restri- tos ao acesso de pessoas autorizadas. A segurança da informação é uma preocupação primordial para garantir o bom funcionamento e a con- fiabilidade de um sistema ERP na gestão empresarial. 2 Parametrizações do ERP e a contabilidade A parametrização de ERP é um processo que envolve a configuração e customização do sistema para atender às necessidades específicas organizacionais. Deve ser definido como as operações e processos da empresa serão refletidos no sistema, incluindo a integração contábil. Algumas áreas de parametrização relevantes para a contabilidade em um ERP incluem, por exemplo, o plano de contas, por meio da definição da estrutura da conta contábil, como as categorias e subcategorias. Isso ajuda a organizar as transações financeiras e categorizá-las corretamente (Rezende; Abreu, 2013). Outra parametrização inclui os centros de cus- tos e de lucro usados para alocar e acompanhar despesas e receitas em diferentes partes da organização. A parametrização deve refletir a estru- tura da empresa e suas unidades organizacionais. A definição de documentos financeiros inclui faturas, recibos, notas fiscais e outros documentos relacionados às transações financeiras. A parametrização deve garantir, principalmente, a conformidade socie- tária e tributária da organização. A parametrização é ainda um processo que deve incluir, por exemplo, as taxas de impostos aplicáveis, as regras de cálculo e os tratamentos fiscais especiais (Padoveze, 2019). 55O ERP e a contabilidade Por exemplo, um ERP precisa da definição dos fluxos de trabalho para a compra e venda de produtos e serviços, incluindo a geração de fatu- ras, pagamentos e reconciliações. A parametrização deve permitir a con- ciliação bancária automática, em que as transações bancárias são recon- ciliadas com as transações no sistema. PARA SABER MAIS Leia o artigo Saiba como integrar o ERP da sua empresa para conhecer algumas vantagens e funcionalidades de um ERP e saber como eles são usados nas empresas (Sebrae, 2023). A parametrização de um ERP deve permitir a rastreabilidade das tran- sações para fins de auditoria interna e externa, além de ser altamente específica para cada empresa e sua estrutura organizacional, processos e requisitos. Geralmente, ela é feita por profissionais de TI ou consulto- res especializados na ferramenta em colaboração com especialistas financeiros e contábeis da empresa. 3 Processo de geração de relatórios e demonstrações contábeis por meio do ERP A geração de relatórios e demonstrações contábeis por meio de um ERP é um processo fundamental para avaliar a saúde financeira e o desempenho de uma empresa. Essa fermenta registra todas as transa- ções financeiras que ocorrem na empresa, incluindo compras, vendas, despesas, receitas, pagamentos, entre outras. Esses dados são armaze- nados no sistema de maneira organizada (Oliveira, 2014). Ainda segundo o autor, as transações são automaticamente ou manual- mente categorizadas em contas contábeis apropriadas no plano de 56 Sistemas contábeis contas definido no ERP. Isso ajuda a agrupar as transações de acordo com a estrutura contábil da empresa. O ERP geralmente está integrado a outros módulos, como vendas, compras, estoque e recursos humanos. Essa integração garante que todas as transações sejam refletidas com precisão nos módulos financeiros. Além dos relatórios financeiros padrão, muitos ERPs permitem que as empresas criem relatórios personalizados para atender às suas neces- sidades específicas, por exemplo, relatórios de custos, receitas, entre outros. Isso pode ser feito usando ferramentas que são incorporadas no sistema. Em períodos regulares (mensais, trimestrais, anuais) ou defini- dos pela empresa, a equipe contábil realiza o fechamento contábil. Isso envolve a reconciliação de contas, ajustes de lançamentos contábeis, provisões e outras atividades para garantir que os registros contábeis estejam precisos e atualizados. Com base nos dados atualizados e ajustados, o ERP gera as demons- trações contábeis finais, como o balanço patrimonial, a demonstração de resultados e o fluxo de caixa, entre outras. As demonstrações contá- beis geradas são revisadas e analisadas por profissionais financeiros para avaliar o desempenho da empresa, identificar tendências, tomar decisões estratégicas e cumprir obrigações regulatórias (Padoveze, 2019). 4 Funcionamento do ERP nas atividades de controles internos da empresa Um ERP desempenha um papel essencial nas atividades de contro- les internos de uma empresa, auxiliando na organização, monitoramento e garantia de que os processos internos ocorram de maneira eficiente e adequada às suas necessidades (Imoniana, 2016). Controles internos são um conjunto de políticas, procedimentos, prá- ticas e sistemas implementados por uma organização para garantir 57O ERP e a contabilidade que suas operações sejam conduzidas de maneira eficaz e eficiente, seus ativossejam protegidos contra perdas e fraudes, e que seus rela- tórios financeiros sejam confiáveis e estejam em conformidade com as normas regulatórias e contábeis. Podem, por exemplo, ser definidos fluxos de trabalho e procedimen- tos padronizados para diferentes atividades empresariais. Isso ajuda a garantir que os processos sejam executados de maneira consistente, minimizando erros e inconsistências. O ERP permite configurar níveis de acesso aos dados com base em funções e responsabilidades. Isso evita que informações sensíveis sejam acessadas por pessoas não autoriza- das e ajuda a manter a segurança dos dados. Um bom sistema de controles internos envolve a segregação de fun- ções, garantindo que nenhuma pessoa tenha controle absoluto sobre todo o processo. O ERP possui ferramentas que permitem a configura- ção de permissões de acesso, assegurando essa segregação. Os siste- mas registram todas as transações e atividades realizadas pela empresa relacionadas às suas transações. Isso cria uma trilha de auditoria que pode ser usada para rastrear quem fez o quê e quando. Isso é valioso para a detecção e prevenção de fraudes. O ERP pode automatizar o processo de aprovações e autorizações para transações críticas. Isso garante que as despesas, investimentos e outras atividades importantes sejam revisadas e aprovadas por pessoas autorizadas. Essas ferramentas ajudam a manter registros precisos das transações financeiras e automatiza a reconciliação bancária e contábil. Isso ajuda a identificar discrepâncias e garantir que os registros finan- ceiros estejam em ordem. O controle de estoque, por exemplo, é fundamental para muitas empresas, logo, por meio do ERP são monitorados os níveis de esto- que e os movimentos de produtos, o que ajuda a prevenir estoques insu- ficientes ou excessivos. O ERP pode ser configurado para aplicar regras fiscais e regulatórias às transações, garantindo que a empresa esteja 58 Sistemas contábeis em conformidade com as leis e regulamentos aplicáveis. Essas solu- ções fornecem visibilidade em tempo real sobre as operações. Isso per- mite que os gestores identifiquem problemas rapidamente e tomem medidas corretivas. Os dados do ERP são normalmente armazenados centralmente e são protegidos por políticas de backup. Isso ajuda a evitar a perda de dados e a manter a continuidade dos negócios. Um sistema ERP é uma ferra- menta valiosa para melhorar a eficiência operacional e a integridade dos controles internos de uma empresa. No entanto, é importante ressaltar que o sucesso dos controles internos não depende apenas do sistema ERP, mas também da definição adequada de processos, treinamento de funcionários e monitoramento contínuo. 5 Auditoria do ERP A auditoria de ERP ou auditoria de sistemas é um processo de avalia- ção independente e sistemática das operações e controles relacionados a um ERP específico em uma organização. A auditoria de ERP tem como objetivo verificar a eficácia, segurança e conformidade do sistema ERP e de seus processos subjacentes. A seguir, apresentamos algumas manei- ras de definir a auditoria de ERP. A auditoria do ERP envolve a avaliação independente dos controles internos, processos e dados do sistema para garantir a integridade, confiabilidade e segurança das informações financeiras e operacionais da empresa. O planejamento define escopo da auditoria, identificando os processos e áreas específicas do ERP que serão examinadas (Imo- niana, 2016). Na auditoria de ERP, deve-se considerar a complexidade do sistema, a estrutura organizacional e as regulamentações aplicáveis. Além disso, é preciso que se obtenha um profundo conhecimento do sistema ERP em uso, incluindo a configuração, fluxos de processos, permissões de 59O ERP e a contabilidade acesso, relatórios gerados e integrações com outros sistemas (Oli- veira, 2014). Analisar os controles internos implementados no ERP visa garantir que eles estejam adequados para mitigar riscos de fraude, erros e aces- sos nãos autorizados. Essa análise envolve avaliar a segregação de fun- ções, trilhas de auditoria, autorizações, entre outras. A verificação de fun- ções inclui aspectos como regras fiscais, cálculos de impostos, aprovações de transações e segurança. Na sequência, deve-se realizar testes de amostra em transações reais para verificar se os processos do ERP estão funcionando conforme o esperado e se os controles estão sendo aplicados corretamente. É neces- sário avaliar a segurança de acesso ao ERP, incluindo a gestão de senhas, autenticação de usuários, níveis de acesso, e criar medidas para preve- nir acesso não autorizado. A auditoria de dados auxilia na precisão e integridade dos dados arma- zenados no ERP, garantindo que os números apresentados nos relatórios sejam consistentes com as transações originais. Realizar testes de estresse para avaliar como o sistema ERP trabalha com volumes elevados de tran- sações, verificar se existem vulnerabilidades de segurança que possam ser exploradas, identificar riscos potenciais, fraquezas nos controles e áreas de melhoria no sistema ERP são outras etapas que permitem sanar problemas na área para mitigar os riscos e aprimorar os processos. Considerações finais Neste capítulo foi possível entender a parametrizações do ERP e sua relação com a contabilidade, fica claro que a configuração adequada é um pilar essencial para a precisão e a consistência das operações con- tábeis. Essas parametrizações garantem que os dados financeiros sejam classificados, reconhecidos e apresentados de acordo com as normas e regulamentações contábeis vigentes. 60 Sistemas contábeis O processo de geração de relatórios e demonstrações contábeis por meio do ERP oferece uma perspectiva enriquecedora sobre como a tec- nologia pode transformar informações brutas em insights acionáveis. Essa automação não apenas acelera a produção de relatórios, mas tam- bém aumenta a precisão e a confiabilidade dos resultados financeiros. O funcionamento do ERP nas atividades de controle interno da empresa reforça a importância de salvaguardar os ativos financeiros e garantir a conformidade regulatória. Ao unificar processos e estabelecer fluxos seguros de trabalho, o ERP desempenha um papel essencial na prote- ção dos dados financeiros e na mitigação de riscos. Por fim, a auditoria do ERP emerge como um componente crítico para assegurar a validade e a integridade das informações contábeis. A com- plexidade dos sistemas ERP exige uma avaliação minuciosa para verifi- car se os registros financeiros estão em conformidade com os padrões contábeis, se os controles internos são eficazes e se a segurança do sis- tema é mantida. Em conjunto, esses tópicos delineiam uma jornada desde as carac- terísticas fundamentais do ERP até sua aplicação prática na gestão con- tábil, controle interno e auditoria. Por meio da compreensão desses ele- mentos, as organizações estão equipadas para utilizar plenamente os benefícios do ERP, impulsionando uma gestão financeira eficiente, con- fiável e em conformidade com as melhores práticas do setor. Referências CAIÇARA JÚNIOR, C. Sistemas integrados de gestão: ERP uma abordagem gerencial. 2. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015. IMONIANA, J. O. Auditoria de sistemas de informação. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. 61O ERP e a contabilidade OLIVEIRA, D. DE P. R. DE. Sistemas de informações gerenciais: estratégias, táticas, operacionais. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2018. OLIVEIRA, E. Contabilidade digital. São Paulo: Atlas, 2014. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análises. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. DE. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 9. ed. rev e ampl ed. São Paulo: Atlas, 2013. SEBRAE. Saiba como integrar o ERP da sua empresa. Sebrae, 9 jan. 2023. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/saiba-como-integrar-o-erp-da-sua-empresa,a64878dc541d3810VgnVCM100000d701210aR CRD. Acesso em: 9 set. 2023. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 63 Capítulo 5 Gerenciamento de banco de dados O primeiro tema do presente capítulo explora a distinção fundamen- tal entre dados e informações, destacando que os dados são os elemen- tos brutos, e não processados, enquanto a informação é a representa- ção significativa e contextualizada desses dados. Isso nos conduz a uma compreensão mais profunda do gerenciamento de dados, revelando a importância de aspectos fundamentais como coleta, armazenamento, organização e integração. 64 Sistemas contábeis O dicionário de dados surge como uma ferramenta indispensável para a padronização e documentação das informações. Esse recurso não ape- nas descreve os elementos de dados, mas também fornece diretrizes para garantir a qualidade, consistência e rastreabilidade dos dados em um ecossistema complexo. No cenário contemporâneo, a ascensão do Big Data revolucionou a maneira como percebemos e processamos informações. Nesse contexto, exploramos a dimensão massiva, velocidade e variedade dos dados que desafiam as capacidades convencionais de armazenamento e análise. Além disso, destacamos a importância dos painéis de controle (dashboards) e dos scorecards como ferramentas fundamentais para a visualização e monitoramento de métricas-chave, permitindo que as orga- nizações avaliem seu desempenho de maneira objetiva. À medida que examinamos a constante evolução tecnológica, não podemos ignorar o impacto da tecnologia blockchain e outras tendên- cias emergentes. Essas inovações, incluindo blockchain, inteligência arti- ficial e mais, estão redefinindo indústrias, promovendo maior transpa- rência, segurança e eficiência em diversos domínios. Por fim, exploramos a inteligência artificial (IA), em que máquinas capacitadas a aprender e raciocinar estão transformando nossa relação com a tecnologia. Desde aprendizado de máquina até processamento de linguagem natural, a IA permeia diversos aspectos de nossas vidas, impulsionando avanços significativos em medicina, finanças, indústria e muito mais. 1 Diferença entre dados e informações Dados e informações são termos relacionados que possuem signifi- cados diferenciados no contexto da gestão empresarial e no processa- mento de informações. 65Gerenciamento de banco de dados Os dados são fatos brutos, elementos individuais que podem ser cole- tados, medidos e registrados. Eles são representações objetivas de obser- vações ou valores quantitativos e qualitativos (Padoveze, 2019). Já a informação é o resultado do processamento, organização e inter- pretação do que foi observado nos dados. Ela fornece significado e con- texto aos dados, tornando-os úteis para tomar decisões ou entender situações. A informação é a transformação dos dados em algo com- preensível e relevante. Imagine que uma empresa está coletando informações sobre a pro- dutividade dos funcionários em uma linha de montagem, aspecto esse ligado à contabilidade de custos, e posteriormente ao processo de tomada de decisões. Ela registra o número de unidades produzidas por cada fun- cionário a cada hora, sem qualquer contexto adicional. Alguns dados bru- tos podem ser representados pelos funcionários A, B e C com 35, 28 e 41 unidades, respectivamente. Agora, imagine que a empresa processa esses dados para calcular a média de produção por hora para cada funcionário durante um mês. Eles também comparam esses números com uma meta de produção defi- nida pela empresa. Assim, se o funcionário A produziu, em média, 35 uni- dades por hora, superou a meta da empresa de 30 unidades por hora. Entende-se que os dados originais (o número de unidades produzi- das por funcionário a cada hora) foram processados e contextualizados para fornecer informações úteis sobre a produtividade dos funcionários em relação às metas da empresa. 2 Gerenciamento de dados: aspectos fundamentais e softwares de gerenciamento O gerenciamento de dados é um processo essencial para organizar, armazenar, recuperar, manipular e proteger dados e informações de forma 66 Sistemas contábeis eficiente e eficaz. Ele abrange vários aspectos, desde a coleta e armaze- namento até a análise e a tomada de decisões. Esses processos são exe- cutados por sistemas como os Enterprise Resource Planning (ERP) ou sistema integrado de gestão empresarial, em português (Gil; Augusto; Nascimento, 2013). O ERP deve ter como aliada a contabilidade e a con- troladoria das organizações. Para os autores, alguns elementos fundamentais do gerenciamento de dados incluem a obtenção de dados de várias fontes, como senso- res, formulários on-line, transações comerciais, entre outros. É impor- tante garantir a qualidade e a integridade dos dados desde o início. O gerenciamento de dados ocorre no departamento de Sistemas de Informação (SI), que abrange a gestão de bancos de dados e softwares, além de outros serviços essenciais. Plataformas de computação desem- penham um papel fundamental ao facilitar a interligação de colaborado- res, clientes e fornecedores no ambiente digital (Laudon; Laudon, 2013). Já o armazenamento refere-se à forma como os dados são manti- dos. Pode envolver bancos de dados tradicionais, sistemas de armaze- namento em nuvem ou outras soluções de armazenamento. O objetivo é garantir acesso rápido e seguro aos dados quando necessário. Os dados devem ser organizados de maneira lógica e estruturada para permitir a fácil recuperação e análise, o que é feito por meio de bancos de dados (Oliveira, 2018). A capacidade de encontrar e acessar dados quando necessário é cru- cial. Ela envolve a criação de consultas eficientes e a utilização de índi- ces para acelerar a busca. Muitas vezes, os dados vêm de várias fontes e precisam ser integrados para criar uma visão completa e precisa. Isso pode envolver a padronização de formatos e a reconciliação de diferen- ças nos dados. A análise de dados visa extrair informações e percepções úteis aos usuários e pode envolver técnicas como mineração de dados, aprendi- zado de máquina e análise estatística. A proteção dos dados contra 67Gerenciamento de banco de dados acesso não autorizado é fundamental, ela inclui, entre outras possibili- dades, medidas como criptografia, autenticação e autorização (Gonçal- ves; Riccio, 2009). Efetuar cópias de segurança dos dados é essencial para evitar perdas em caso de falhas no sistema ou outros incidentes. Quanto a softwares de gerenciamento de dados, existem várias opções disponíveis, como os sistemas de gerenciamento de bancos de dados (DBMS), que incluem MySQL, PostgreSQL, Oracle, Microsoft SQL Server. Eles oferecem uma estrutura para armazenar, acessar e manipular dados de maneira eficiente. Por sua vez, os sistemas de armazenamento em nuvem, como Amazon S3 e Google Cloud Storage, entre outros, permi- tem o armazenamento e gerenciamento escalável de dados na nuvem (Gomes, 2023). As ferramentas de integração de dados, por sua vez, incluem Apache Nifi e Talend, entre outras, que facilitam a integração de dados de várias fontes. As de modelagem e análise, como o R e Python, são amplamente utilizadas para análise estatística e modelagem de dados. E, por fim, fer- ramentas de ETL (extração, transformação e carga), ajudam a mover dados de fontes diversas para um local centralizado, transformando-os conforme necessário (Vellosso, 2022). Atenta-se, ainda, para o fato de que o gerenciamento de dados desem- penha um papel de destaque nas operações empresariais modernas e que a contabilidade e a controladoria complementam tal questão e se destacam ao coletar, analisar e relatar os dados financeiros que orien- tam as decisões estratégicas da organização. O uso eficaz de softwaresde gerenciamento de dados pode melhorar ainda mais a eficiência e a precisão desse processo. 3 Dicionário de dados Um dicionário de dados é uma ferramenta fundamental no gerencia- mento de dados e no desenvolvimento de sistemas de informações. É 68 Sistemas contábeis um documento ou conjunto de documentos que descrevem detalhada- mente os elementos utilizados em um sistema, aplicativo ou organiza- ção (Oliveira, 2018). As informações contidas em um dicionário de dados podem incluir definições de dados, que são instruções claras e concisas de cada ele- mento de dados, incluindo seu nome, significado e uso. Os atributos são características específicas de cada elemento de dados, como tipo, tama- nho, formato e restrições (Oliveira, 2018). Os metadados, por sua vez, são informações sobre a origem dos dados, a última atualização, a fonte, os proprietários e outras informa- ções relacionadas à gestão dos dados. Existem também as descrições das relações entre diferentes elementos de dados, como chaves primá- rias e estrangeiras em um banco de dados relacional (Cruz, 2015). Um dicionário de dados ainda é composto por exemplos de dados reais ou simulados que ilustram como os elementos de dados são usa- dos. O contexto permite as descrições de como os dados são usados em diferentes processos ou sistemas. Essas ferramentas contam também com regras ou critérios que defi- nem como os dados devem ser validados ou verificados para garantir a integridade e a qualidade do que é gerado. O histórico, por sua vez, apre- senta informações sobre as alterações ao longo do tempo, incluindo ver- sões anteriores dos elementos de dados. Os utilizadores e permissões estão ligados a informações sobre quem tem acesso aos dados e quais permissões são atribuídas. Já os mapas de transformação são atribuições que ocorrem quando estes são trans- formados de uma forma para outra (por exemplo ETL). Esses mapas podem ser documentados no dicionário de dados e ainda contam com diretrizes para a nomenclatura, formatação e uso consistente dos dados. Um dicionário de dados é uma ferramenta vital para garantir a con- sistência, a integridade e a qualidade dos dados em uma organização. 69Gerenciamento de banco de dados Ele ajuda os desenvolvedores, analistas de dados, administradores de banco de dados e outras partes interessadas a entenderem o que é gerado, colaborarem de maneira eficaz e evitar erros de interpretação. 4 Big Data Big Data se refere a conjuntos de dados de grande volume e comple- xidade que excedem a capacidade de processamento e gerenciamento dos sistemas tradicionais de bancos de dados. Esses conjuntos de dados são representados por algumas características (Padoveze, 2019). Esse conjunto de dados é caracterizado por três Vs. O volume se refere à escala dos dados. Os conjuntos de dados em Big Data são, muitas vezes, tão grandes que não podem ser gerenciados com facilidade usando siste- mas de banco de dados convencionais (Vilenky, 2021). A velocidade representa a taxa em que os dados são gerados e pro- cessados. Com a crescente adoção de dispositivos conectados à inter- net, sensores e outras fontes de dados em tempo real, o ritmo de gera- ção de dados aumentou significativamente. A variedade refere-se à diversidade de tipos de dados. Os dados em Big Data podem incluir estruturas variadas, como textos, imagens, áudios, vídeos, dados de redes sociais e geoespaciais, entre outros. Existe ainda a veracidade, que se refere à confiabilidade e qualidade dos dados. Como os dados podem ser provenientes de diversas fontes, garantir sua preci- são e confiabilidade é um desafio. O valor refere-se à necessidade de extrair valor e insights úteis dos dados. Coletar e armazenar grandes quantidades de dados não é sufi- ciente; é importante transformar esses dados em informações úteis. Por fim, a variabilidade está ligada à inconsistência e à variação nos forma- tos dos dados. Essa variação pode dificultar o processamento e a aná- lise dos dados. 70 Sistemas contábeis O Big Data tem aplicações em diversos campos, como análise de mer- cado, medicina, ciência, finanças, manufatura e muito mais, permitindo insights mais profundos e tomadas de decisões mais informadas com base em informações mais amplas e complexas. Sua aplicação, na contabilidade e nas finanças, pode ser exemplifi- cada por uma empresa de varejo que possui milhares de transações financeiras diárias, incluindo vendas, compras, pagamentos a fornece- dores e recebimentos de clientes. O uso de Big Data nesse contexto pode ajudar a identificar e prevenir fraudes financeiras de maneira eficaz. Por meio dessa tecnologia pode ser feita a coleta diária dos dados financeiros, sua análise e comparação com outros períodos e empresas. Caso exista algum desvio, ele poderá ser identificado, além da possibili- dade de definir alertas com base nas anomalias, bem como ter ações que podem ser definidas para evitar tais questões. 5 Dashboards e scorecards Dashboards e scorecards são ferramentas ou soluções de visualiza- ção que ajudam a apresentar informações de maneira clara e concisa, permitindo que as organizações monitorem e avaliem o desempenho, tomem decisões informadas e identifiquem tendências importantes. Embora ambos sejam utilizados para fornecer insights e informações, eles têm propósitos ligeiramente diferentes e geralmente são usados em contextos distintos. Um dashboard é uma interface visual que exibe um resumo de infor- mações relevantes em um único local, frequentemente em forma de pai- nel. Reúne dados de várias fontes e os apresenta de maneira visualmente atraente, com gráficos, tabelas, indicadores e outros elementos. Dashboards podem ser personalizados para atender às necessidades específicas de um usuário ou equipe, permitindo que eles vejam infor- mações-chave em tempo real. 71Gerenciamento de banco de dados Os dashboards são frequentemente usados para monitorar o desem- penho de negócios, rastrear métricas-chave, identificar problemas ou oportunidades e facilitar a tomada de decisões rápidas. Por exemplo, um dashboard de vendas pode mostrar gráficos de vendas mensais, metas de vendas, taxas de conversão e outras métricas relacionadas às vendas. Um scorecard é uma ferramenta de medição e monitoramento que ajuda a avaliar o progresso em relação a metas e objetivos específicos. Ele normalmente é composto por uma série de indicadores ou métricas estrategicamente selecionados, que são usados para avaliar o desem- penho de uma organização, projeto, equipe ou indivíduo. Os scorecards permitem que as partes interessadas identifiquem rapidamente onde estão atingindo as metas e onde há necessidade de melhorias (Gonçal- ves; Riccio, 2009). Os scorecards são frequentemente usados para comunicar o pro- gresso em relação a objetivos estratégicos de alto nível. Eles podem incluir metas quantitativas, indicadores-chave de desempenho (KPIs) e níveis de realização. Um exemplo de scorecard é o balanced scorecard, uma metodologia que ajuda a traduzir a estratégia de uma organização em medidas tangíveis e acompanháveis e que pode ser amplamente apli- cada à contabilidade e controladoria. Enquanto os dashboards são ferramentas de visualização de dados que exibem informações em tempo real, os scorecards são usados para monitorar o progresso em relação a metas estratégicas. Ambas as fer- ramentas são valiosas para ajudar as organizações a entenderem melhor seu desempenho e tomar decisões informadas. 6 Blockchain e outras tendências Nas organizações e na vida das pessoas, o blockchain tem se desta- cado como uma tendência na área tecnológica. Ele pode ser definido 72 Sistemas contábeis como uma tecnologia de registro distribuído que oferece um meio seguro e transparente para registrar transações e dados de forma imutável. Ele é mais conhecido por ser a base das criptomoedas como o bitcoin, mas suas aplicações vão além disso. O blockchain tem o potencial de revolucionar setores como finanças,cadeia de suprimentos, saúde, votação eletrônica e muito mais, aumen- tando a confiança e a segurança das transações on-line (Vilenky, 2021). Essa tecnologia tem o potencial de causar um impacto significativo na contabilidade, principalmente no que diz respeito à segurança, transpa- rência e eficiência dos processos financeiros. Já o edge computing envolve o processamento de dados mais pró- ximo de sua fonte, reduzindo a latência e melhorando o desempenho, que é crucial para aplicações em tempo real, como a automação industrial. A tecnologia 5G promete velocidades de conexão mais rápidas e latência reduzida, o que abrirá caminho para novas aplicações, como carros autô- nomos e outras formas de tecnologia que podem ser usadas em empre- sas. Também pode ser usada por empresas, integrando informações e permitindo a geração de informações cada vez mais tempestivas. Essas tecnologias estão revolucionando a medicina, permitindo a cria- ção de novas terapias e até mesmo a edição do DNA para tratar doen- ças genéticas. A crescente preocupação com o meio ambiente está impul- sionando inovações em energias renováveis, armazenamento de energia e tecnologias sustentáveis. A robótica, por exemplo, está se expandindo além da manufatura para áreas como saúde, serviços, agricultura e até mesmo tarefas domésticas. Essas são apenas algumas das muitas tendências tecnológicas que estão moldando nosso mundo. Cada uma delas oferece oportunidades e desafios únicos, e sua combinação está transformando a forma como vivemos, trabalhamos e interagimos com o mundo. 73Gerenciamento de banco de dados 7 Inteligência Artificial A Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação que se concentra no desenvolvimento de sistemas e máquinas capazes de realizar tarefas que normalmente requerem inteligência humana. O objetivo da IA é criar sistemas que possam aprender, raciocinar, com- preender, resolver problemas e tomar decisões de maneira autônoma, simulando algumas das capacidades cognitivas humanas (Lopes; San- tos; Pinheiro, 2014). PARA SABER MAIS O artigo “O que é IA? Saiba mais sobre inteligência artificial” (Oracle, [s. d.]), presente nas Referências do presente capítulo, pode auxiliá-lo a entender o que é IA e seus principais elementos. A IA abrange uma ampla variedade de técnicas, algoritmos e aborda- gens, sendo dividida em várias subáreas, algumas das quais incluem o aprendizado de máquina (machine learning). Essa é uma abordagem em que os sistemas são projetados para aprender e melhorar a partir de dados. Algoritmos de aprendizado de máquina permitem que os siste- mas identifiquem padrões nos dados e tomem decisões ou façam pre- visões com base nesses padrões. A IA oferece muitas oportunidades de aprimoramento na contabili- dade, permitindo maior eficiência, precisão e automação em várias tare- fas. Por exemplo, com ela podem ser automatizadas tarefas repetitivas, pode ser feito o processamento e análise de dados de forma mais asser- tiva, detecção de fraudes, o uso de chatbots, entre outros. O processamento de linguagem natural (PLN) envolve a capacidade de os computadores entenderem, interpretarem e gerarem linguagem 74 Sistemas contábeis humana. Isso é usado em chatbots, que são programas de computa- dor ou inteligência artificial projetados para simular interações huma- nas em conversas via texto, tradução automática, análise de sentimento e muito mais. Por exemplo, suponha que uma loja on-line de eletrônicos implemen- tou um chatbot em seu site para ajudar os clientes a navegar pelos pro- dutos, fazer pedidos e tirar dúvidas frequentes. Essa solução pode ser usada, entre outras situações, já nas boas-vindas e introdução da empresa. Um cliente acessa o site da empresa em busca de um novo smartphone. O chatbot é ativado automaticamente e cumprimenta o cliente com uma mensagem de boas-vindas, como “Olá, como posso ajudá-lo hoje?”, entre outras possibilidades que impactam na rotina empresarial, agilizando tarefas e contribuindo para a redução de custos. A IA está mudando rapidamente a forma como interagimos com a tecnologia e está transformando muitos aspectos de nossas vidas e da sociedade. No entanto, também traz desafios éticos, como questões de privacidade, desigualdade e o impacto nos empregos. Considerações finais O gerenciamento de dados, uma atividade que envolve a coleta, arma- zenamento, organização e análise dos dados, emerge como um processo essencial para transformar os dados em informações significativas. Explorar os aspectos fundamentais desse processo nos permite reco- nhecer a necessidade de ferramentas avançadas, como os softwares de gerenciamento de dados, que tornam possível o tratamento eficaz de quantidades massivas de informações. Dentro desse ecossistema, o dicionário de dados se destaca como um guia confiável, oferecendo clareza e consistência em meio à complexi- dade dos dados. A padronização e documentação dos elementos de dados não apenas aprimoram a qualidade dos resultados, mas também estabe- lecem um terreno sólido para a tomada de decisões informadas. 75Gerenciamento de banco de dados A escalada exponencial no volume, velocidade e variedade dos dados dá origem ao conceito revolucionário de Big Data. Com a capacidade de extrair insights profundos de enormes conjuntos de dados, surge uma nova dimensão de análise que transcende as limitações anteriores. A visualização eficaz de dados ganha vida por meio dos dashboards e scorecards, simplificando métricas complexas em representações visuais que tornam mais fácil a compreensão e tomada de decisões em tempo real. O presente capítulo não estaria completo sem uma exploração das tendências tecnológicas que moldam nosso futuro. O blockchain, com sua capacidade de criar registros imutáveis e transparentes, e a inteli- gência artificial, com sua habilidade de aprender e automatizar, estão alterando a forma como interagimos com dados e sistemas. Referências CRUZ, T. Manual para gerenciamento de processos de negócio: metodologia DOMPTM (documentação, organização e melhoria de processos). São Paulo: Atlas, 2015. GIL, A. L.; BIANCOLINO, C. A.; SLAVOV, T. N. B. Sistemas de informações contábeis: uma abordagem gerencial. São Paulo: Saraiva, 2013. GOMES, E. H. SGBD: explore diferentes tipos, vantagens e aplicações práticas. EH Gomes Tecnologia, 11 ago. 2023. Disponível em: https://ehgomes.com.br/ banco-de-dados/sgbd-sistema-gerenciador-de-banco-de-dado-o-que-e/. Acesso em: 20 ago. 2023. GONÇALVES, R. C. M. G.; RICCIO, E. L. Sistemas de informação: ênfase em controladoria e contabilidade. São Paulo: Atlas, 2009. LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Essentials of management information systems. 10. ed. Boston: Pearson, 2013. LOPES, I. L.; SANTOS, F. A. O.; PINHEIRO, C. A. M. Inteligência artificial. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. 76 Sistemas contábeis OLIVEIRA, D. P. R. Sistemas de informações gerenciais: estratégicas, táticas, operacionais. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2018. ORACLE. O que é IA? Saiba mais sobre inteligência artificial. Oracle, [s. d.]. Disponível em: https://www.oracle.com/br/artificial-intelligence/what-is-ai/. Acesso em: 20 ago. 2023. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análise. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. VELLOSSO, F. C. Informática: conceitos básicos. São Paulo: GEN, 2022. VILENKY, R. Inteligência artificial: uma oportunidade para você empreender. São Paulo: Expressa, 2021. E-book. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 77 Capítulo 6 Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos Uma empresa pode ter várias razões para considerar a aquisição de um novo sistema contábil. A implementação de uma ferramenta moderna e eficiente pode trazer diversos benefíciospara a organização, que vão desde a atualização tecnológica, passando pela melhoria na eficiência de processos e possibilidade de maior conformidade regulatória, além dos impactos positivos na tomada de decisão. 78 Sistemas contábeis Os avanços tecnológicos rápidos e a crescente demanda por solu- ções mais eficientes e personalizadas impulsionam as organizações a buscarem sistemas de informação que se alinhem às suas metas e estra- tégias de negócios. Ao adentrar nas fases da análise até a implementa- ção do sistema adquirido, examinaremos cada etapa dessa jornada com um foco particular na compreensão das necessidades da organização, na seleção da solução adequada, no desenvolvimento ou configuração e, por fim, na implantação bem-sucedida. Discutiremos o conceito fundamental de projetos e como eles se apli- cam especificamente aos sistemas de informação. A implementação de um novo sistema envolve uma série de atividades coordenadas que visam alcançar objetivos específicos, como melhorar processos, aumentar a eficiência ou melhorar a experiência do cliente de acordo com a área, por exemplo, em processos contábeis e outros relacionados. O gerenciamento de projetos de sistema de informação desempenha um papel fundamental no sucesso dessa empreitada. Serão apresenta- das três abordagens ou ferramentas amplamente reconhecidas que auxi- liam no gerenciamento de projetos: o PMI (Project Management Insti- tute) e seu guia PMBOK (Project Management Body of Knowledge), a norma ISO 21500 e o Scrum. À medida que nos aprofundamos neste capítulo, a aquisição e imple- mentação de sistemas de informação emerge como um processo mul- tifacetado que transcende as tecnologias. É uma jornada estratégica que requer uma abordagem estruturada e a aplicação de princípios de geren- ciamento de projetos sólidos para garantir o sucesso, a eficiência e a rea- lização dos objetivos organizacionais. 1 Contexto da aquisição de um novo sistema A aquisição de um novo sistema de informação (SI) normalmente é baseada nas crescentes demandas do ambiente empresarial 79Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos contemporâneo. À medida que a tecnologia avança a ritmo acelerado e as organizações buscam se manter competitivas e adaptáveis, a aquisi- ção de um novo sistema de informação se torna uma necessidade estratégica para impulsionar a eficiência operacional, a inovação e o cres- cimento sustentável. Neste ponto, pode-se citar a necessidade cada vez maior de informa- ções para o processo de tomada de decisão, o que pode levar a aquisi- ções de soluções que, além de serem utilizadas na contabilidade, pode- rão ter módulos para a tomada de decisões. Com isso também se destacam os sistemas de informações gerenciais (SIG) e sua necessi- dade cada vez maior de integração com outras áreas. Nesse cenário em constante mudança, as empresas enfrentam desa- fios e oportunidades únicas. A rápida evolução das tecnologias, a cres- cente complexidade das operações comerciais e a necessidade de tomada de decisões ágeis colocam uma pressão constante sobre os sistemas de informação existentes. Muitas vezes, os sistemas utilizados não con- seguem acompanhar as novas demandas, resultando em gargalos, falta de integração e ineficiências operacionais. Além disso, as expectativas dos clientes e as demandas regulatórias estão em constante evolução, exigindo que as empresas se adaptem rapidamente para manter a conformidade e atender às necessidades em constante mudança. A aquisição de um novo SI pode oferecer soluções para esses desafios, permitindo a modernização de processos, a coleta e análise de dados em tempo real e a automação de tarefas rotineiras. Em um mundo cada vez mais interconectado, a necessidade de com- partilhar informações de maneira eficiente entre diferentes departa- mentos e locais também impulsiona a busca por sistemas de informa- ção empresarial mais integrados e colaborativos. A aquisição de um novo sistema pode facilitar a comunicação interna, melhorar a visibili- dade das operações e otimizar a coordenação entre equipes (Azanha et al., 2017). 80 Sistemas contábeis Fica evidente que a aquisição de um novo SI não é apenas uma atua- lização tecnológica, mas uma estratégia essencial para impulsionar a agi- lidade, a competitividade e a inovação (Rezende; Abreu, 2013). Ao adotar um novo sistema que atenda às necessidades específicas da organiza- ção, as empresas podem se posicionar de maneira mais sólida para enfren- tar os desafios do mercado e aproveitar as oportunidades emergentes. Se tomarmos, por exemplo, a necessidade contábil de uma empresa, a aquisição de um SI está ligada à busca constante pela melhoria no pro- cesso de tomada de decisão, que é baseada, entre outros fatores, na necessidade crescente de atualização tecnológica e de eficiência empre- sarial. Adicionalmente, fatores como a conformidade em relação aos aspectos societários e fiscais e a necessidade de integração com outros setores, permite maior agilidade nos processos, redução de erros e, con- sequentemente, redução de custos. Quando essas soluções são voltadas para a tomada de decisões, a aquisição de um SIG visa, além dos aspectos de eficiência, a redução de erros e custos e uma melhor base informacional para os responsáveis pelas decisões empresariais. 2 Fases da análise até a implementação do sistema adquirido Quando é tomada a decisão em relação à aquisição de um SI, uma empresa precisa definir qual ou ainda quais departamentos serão afeta- dos, que tipo de solução ela precisa, bem como a parte de recursos huma- nos e materiais que serão envolvidos. Caso ela implemente um SI na área contábil, por exemplo, precisa verificar a solução que melhor atenda suas necessidades, bem como outras questões ligadas ao custo-benefício de tal ferramenta. Após a decisão, as fases da análise até a implementação do SI adqui- rido compreendem uma jornada estratégica que visa garantir que o novo 81Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos sistema atenda às necessidades da organização, seja implementado com sucesso e gere os resultados esperados (Azanha et al., 2017). Essas fases podem variar de acordo com as soluções escolhidas, tamanho e complexidade do negócio e outros fatores. O ponto de partida é compreender as necessidades da organização e os requisitos específicos do sistema. Isso envolve conversas com sta- keholders ou partes interessadas, a análise de processos existentes e a identificação de lacunas que o novo sistema deve preencher. Com base nos requisitos, a organização pode avaliar diferentes soluções disponí- veis no mercado ou considerar a possibilidade de desenvolvimento per- sonalizado (Padoveze, 2015). As partes interessadas podem, nesse contexto, ser representadas por gestores e outros tomadores de decisão, por exemplo. Assim, a imple- mentação de uma solução tecnológica pode ser uma demanda desses usuários para a emissão de relatórios de acordo com suas necessida- des, bem como para uma maior agilidade e integração de processos. Segundo o autor, a seleção envolve análise detalhada das opções, con- siderando fatores como custo, funcionalidades, suporte e escalabilidade. Dependendo da solução escolhida, o desenvolvimento personalizado ou a configuração da solução podem ser necessários. Nessa fase, os recur- sos técnicos trabalham para garantir que o sistema seja projetado e ajus- tado para atender às necessidades específicas da organização. Após o desenvolvimento ou configuração, o sistema passa por tes- tes rigorosos para garantir que todas as funcionalidades estejam ope- rando conforme o esperado. Testes de desempenho, segurança e usa- bilidade são realizados para identificar e corrigir quaisquer problemas. Os usuários finais e as equipes envolvidas precisam ser treinados no uso do novo sistema. Isso inclui familiarização com as funções, navegação e resolução de problemas básicos. 82 Sistemas contábeisO novo sistema é incorporado à infraestrutura existente da empresa. Essa fase envolve a migração de dados, a integração com outros siste- mas e a configuração dos ambientes de produção. O sistema é lançado oficialmente para uso, o que pode ocorrer de forma gradual, começando com uma equipe ou departamento específico antes de ser implemen- tado em toda a organização. Na aquisição de um SI contábil, por exemplo, a participação da equipe de contabilidade é fundamental para garantir uma transição suave e bem- -sucedida. Os profissionais da área desempenham um papel essencial em todo o processo, desde a avaliação das necessidades até a imple- mentação e manutenção contínua do sistema. Com isso, após o lançamento, o sistema é continuamente monito- rado para garantir seu bom funcionamento e identificar possíveis proble- mas. A organização também avalia se o sistema está atingindo os resul- tados desejados. Com base no monitoramento e nas avaliações, ajustes e melhorias podem ser realizados para otimizar ainda mais o sistema e garantir sua eficácia. Essas fases, embora variem em complexidade e duração depen- dendo do projeto, formam um roteiro essencial para garantir uma aqui- sição e implementação bem-sucedidas do novo sistema de informa- ção. Cada etapa é crítica para assegurar que o sistema atenda às expectativas da organização, esteja alinhado com seus objetivos e pro- mova eficiência e inovação. 3 O que são projetos? O que são projetos de sistemas da informação? Um projeto, de maneira geral, é uma empreitada temporária com um conjunto definido de objetivos que devem ser alcançados por meio de atividades planejadas e coordenadas. Assim, os projetos de sistemas de informação (SI) são iniciativas planejadas e executadas para 83Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos desenvolver, implementar, aprimorar ou modificar sistemas de informa- ção em uma organização. Esses projetos têm como objetivo principal melhorar a capacidade da organização de coletar, armazenar, processar, gerenciar e utilizar infor- mações de maneira eficaz para apoiar suas operações, tomadas de deci- sões e atingir seus objetivos estratégicos. Um projeto de SI pode incluir a criação de sistemas totalmente novos para atender a necessidades específicas da organização. Isso pode incluir sistemas de gerenciamento de recursos humanos (RH), de gestão de relacionamento com o cliente (CRM), de contabilidade, gestão de esto- que, entre outros. Adicionalmente, os projetos de SI visam aprimorar sistemas já existen- tes. Isso pode incluir a atualização de software, a otimização de desempe- nho, a implementação de novos recursos ou a correção de problemas. Outra possibilidade ocorre em organizações com SI diversos e inde- pendentes. Os projetos podem focar na integração desses sistemas para permitir o fluxo suave de dados e informações entre eles. Isso é espe- cialmente relevante em empresas que adotam sistemas distintos em diferentes departamentos. Um sistema ultrapassado também pode ser objeto de um projeto de SI. Nesse quesito, podem ser usadas suas funcionalidades para pla- nejar e executar a migração de dados de um sistema para outro de forma precisa, garantindo que os dados sejam preservados e conti- nuem acessíveis. Também se verifica a aplicação de projetos da área para melhoria da segurança da informação, implementando medidas para proteger dados sensíveis e reduzir riscos de violações de segurança. Esses projetos, de acordo com suas características, podem ser temporários ou duradou- ros. Adicionalmente, poderão ser aplicados a uma área específica ou à empresa como um todo. 84 Sistemas contábeis 4 Gerenciamento de projetos de sistema da informação O gerenciamento de projetos de sistema da informação é a aplicação de princípios, processos e metodologias específicas para planejar, coor- denar, executar e monitorar empreendimentos temporários que envol- vem o desenvolvimento, implementação ou melhoria de sistemas de informação dentro de uma organização (Padoveze, 2015). Esse processo visa garantir que os projetos sejam concluídos dentro do prazo e do orçamento e escopo definidos, além de alcançar os obje- tivos e resultados esperados. Envolve o uso eficaz de recursos financei- ros e humanos, a coordenação de equipes, a identificação e mitigação de riscos e a avaliação contínua para garantir o sucesso do projeto e a entrega de valor para a organização. Serão abordadas três principais fer- ramentas ou processos que podem auxiliar nesta tarefa: PMBOK, Norma ISO 21500 e Scrum. Se tomarmos como exemplo a área contábil, a ferramenta mais ade- quada será definida como base nos recursos disponíveis, bem como no volume de transações e outras características do departamento ou empresa, bem como nas necessidades dos usuários. 4.1 PMI e PMBOK O PMI (Project Management Institute) ou Instituto de Gerenciamento de Projetos é uma renomada organização internacional sem fins lucra- tivos dedicada ao avanço do gerenciamento de projetos. Fundado em 1969, o PMI desempenha um papel vital no estabelecimento de padrões e práticas para a disciplina de gerenciamento de projetos em várias indús- trias e setores. 85Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos O PMBOK (Project Management Body of Knowledge) ou Corpo de Conhecimento em Gerenciamento de Projetos é um guia de boas práti- cas publicado pelo PMI. Ele fornece uma estrutura abrangente para o gerenciamento de projetos, abordando áreas-chave, processos e técni- cas utilizadas para planejar, executar, controlar e finalizar projetos com sucesso. O PMBOK abrange diversos aspectos, como definição de escopo, gerenciamento de custos, prazos, riscos, comunicação, qualidade e inte- gração de projetos (Cruz, 2019). Embora o PMBOK seja altamente respeitado, vale ressaltar que ele não é uma metodologia específica de gerenciamento de projetos, mas sim um guia que oferece uma estrutura sólida para o entendimento dos princípios e processos envolvidos no gerenciamento de projetos. 4.2 Norma ISO 21500 A norma ISO 21500 é um padrão internacional desenvolvido pela Inter- national Organization for Standardization (ISO), que fornece orientações gerais sobre o gerenciamento de projetos. Oferece uma estrutura e um conjunto de princípios que podem ser aplicados a uma ampla variedade de projetos, independentemente do tamanho, complexidade ou setor (Santos et al., 2017). A ISO 21500 não é uma metodologia prescritiva, como o PMBOK do PMI. Em vez disso, ela oferece um guia de boas práticas para o geren- ciamento de projetos, abrangendo diversos aspectos, como planeja- mento, execução, monitoramento, controle e encerramento. A norma visa estabelecer uma base comum para o entendimento e a implemen- tação eficaz de processos de gerenciamento de projetos em diferen- tes contextos. Essa norma é relevante para organizações que desejam adotar uma abordagem de gerenciamento de projetos que esteja alinhada com padrões internacionais e que possa ser aplicada de maneira flexível a projetos de 86 Sistemas contábeis diferentes naturezas. A ISO 21500 oferece um conjunto de princípios e diretrizes que podem ser adaptados às necessidades específicas de cada projeto e organização, contribuindo para a eficácia e o sucesso de pro- jetos (Santos et al., 2017). 4.3 Scrum O Scrum é uma metodologia ágil amplamente utilizada para geren- ciar projetos, especialmente aqueles que envolvem o desenvolvimento de produtos ou software. Ele se concentra na colaboração, na flexibili- dade e na entrega incremental de valor. IMPORTANTE Metodologias ágeis são abordagens de desenvolvimento de software e gerenciamento de projetos que enfatizam a flexibilidade, colaboração e entrega incremental de produtos ou projetos. Uma metodologia ágil é criada para se adaptar às mudanças cons- tantes, permitindo que as equipes entreguem valor de forma mais rápida e eficaz. As metodologias ágeis se diferenciam das tradicionaisde desen- volvimento de software, como o modelo em cascata, por serem interati- vas e colaborativas (Maschietto et al., 2020). Segundo os autores, o Scrum, que faz parte das metodologias ágeis, foi originalmente criado para o desenvolvimento de software, mas suas abordagens flexíveis têm sido aplicadas em diversos contextos, incluindo negócios, marketing e outras áreas. No Scrum, o projeto é dividido em ciclos chamados de sprints. Cada sprint geralmente dura de duas a quatro semanas e envolve um conjunto definido de atividades a serem concluídas nesse período. As principais características do Scrum incluem a definição de papéis. São definidos 87Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos papéis específicos, como, por exemplo, o Scrum Master, que é respon- sável por facilitar o processo, o Product Owner (PO) ou dono do produto, que representa as necessidades dos principais interessados e a equipe de desenvolvimento. O Scrum usa artefatos simples para rastrear o progresso e garantir a transparência, como o product backlog (ou lista de tarefas a fazer) e o sprint backlog, que são as tarefas selecionadas para o sprint, e o incre- mento, que é a versão do produto após o sprint. O Scrum inclui ainda reu- niões regulares, como o sprint planning, ou planejamento do sprint, o daily standup, que são reuniões diárias de acompanhamento, e o sprint review, que é uma revisão do sprint, bem como o sprint retrospective (ou retrospectiva do sprint) para avaliar o progresso, identificar desafios e planejar ajustes. A cada sprint, uma parte funcional do produto é entregue, permitindo que as equipes obtenham feedback mais cedo e ajustem o desenvolvi- mento com base nesse feedback. O Scrum é flexível e permite ajustes durante o projeto para acomodar mudanças de requisitos ou novas ideias. O Scrum enfatiza a colaboração, a comunicação aberta, a melhoria contínua e a entrega de valor constante. Ele é popular por sua aborda- gem ágil, que permite responder às mudanças de forma rápida e eficaz. As equipes que adotam o Scrum podem se beneficiar de maior eficiên- cia, entrega de produtos mais alinhados às necessidades do cliente e uma abordagem colaborativa que envolve todos os stakeholders ao longo do projeto. Considerações finais À medida que encerramos este capítulo, uma compreensão abran- gente sobre a aquisição e implementação de Sistemas de Informação (SI) emerge como um elemento vital para a adaptação e o sucesso das organizações no ambiente empresarial em constante transformação. Foi 88 Sistemas contábeis possível compreender que quando falamos de soluções para a área con- tábil, é preciso definir as necessidades, entender as características e ter auxílio dos profissionais da área para encontrar a solução mais adequada para o departamento ou empresa. O contexto da aquisição de um novo sistema ressalta a necessidade imperativa das empresas modernizarem suas operações e processos para se manterem competitivas e eficientes. A tecnologia é o motor que impulsiona a inovação e a adaptação aos desafios contemporâneos. As fases da análise até a implementação do sistema adquirido deli- neiam a trajetória complexa e multidimensional que acompanha essa transição. Desde a identificação das necessidades até a efetivação do sistema, cada etapa é crucial para assegurar a harmonização entre as metas da organização e as capacidades do sistema adotado. A compreensão do que são projetos e, especificamente, projetos de sistema da informação, reforça que a implementação de novos siste- mas é uma empreitada temporária, com objetivos claros e específicos. Esses projetos são o veículo pelo qual as organizações renovam sua infraestrutura tecnológica para atender às suas demandas em cons- tante evolução. O gerenciamento de projetos de sistema da informação, abordado por meio das metodologias PMI/PMBOK, ISO 21500 e Scrum, fornece os fundamentos necessários para assegurar a execução bem-sucedida des- ses empreendimentos complexos. Cada uma dessas abordagens ofe- rece uma perspectiva única sobre como planejar, executar e controlar projetos, desde uma abordagem estruturada e sequencial até uma abor- dagem ágil e interativa. 89Aquisição de um sistema de informação contábil e de gestão de projetos Referências AZANHA, A. et al. ERP: uma investigação sobre a decisão entre comprar pacote comercial ou desenvolver internamente. Revista Sistemas & Gestão, Niterói, RJ, v. 12, n. 2, p. 192–204, 24 ago. 2017. CRUZ, T. Sistemas de informações gerenciais e operacionais: tecnologias da informação e as organizações do século 21. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2019. MASCHIETTO, L. G. et al. Desenvolvimento de software com metodologias ágeis. Porto Alegre: Sagah, 2020. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análises. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2015. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. DE. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013. SANTOS, T. A. et al. Gestão de projetos: uma análise crítica da norma ISO 21500. Colloquium Exactarum, [S. l.], v. 9, n. Especial, p. 199–205, 2017. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 91 Capítulo 7 Visão geral do processo de desenvolvimento de um sistema de informação contábil e gerencial Por diversas razões, uma empresa pode, por exemplo, resolver insta- lar ou otimizar um Sistema de Informação (SI) na área de contabilidade, que será essencial para alimentar tanto o Sistema de Informação Con- tábil (SIC) quanto o Sistema de Informação Gerencial (SIG). Essas razões podem estar ligadas ao aumento da capacidade de processamento de dados, que pode ser um diferencial na gestão financeira, a melhorias na eficiência e eficácia dos processos em geral, entre outras. 92 Sistemas contábeis Neste capítulo, vamos compreender como o estágio de anteprojeto de sistemas marca o início do ciclo de desenvolvimento. Nessa fase, a ênfase recai sobre a compreensão das necessidades dos stakeholders e a definição clara dos requisitos do sistema. Para auxiliar nesse processo, muitas vezes são utilizados protótipos, que podem ser modelos iniciais do sistema, maquetes ou até mesmo demonstrações simplificadas. Com uma compreensão sólida dos requisitos estabelecidos, o pro- cesso avança para o estágio de projeto lógico. Os desenvolvedores come- çam a conceituar a arquitetura geral do sistema, definindo suas princi- pais funcionalidades, módulos e interações. Aqui, o foco está na elaboração de modelos abstratos, como diagramas de fluxo, diagramas de classes e diagramas de sequência. O projeto lógico visa criar uma representação coerente e estruturada do sistema, permitindo que os desenvolvedores tenham uma visão holística do que será construído. Com base no projeto lógico, a próxima etapa é o projeto físico. Nesse estágio, os detalhes técnicos entram em foco. Os modelos abstratos do projeto lógico são traduzidos em especificações concretas, incluindo a seleção de tecnologias, a definição de bancos de dados, a alocação de recursos e a elaboração de interfaces de usuário. O projeto físico é cru- cial para garantir que o sistema seja viável em termos de implementa- ção e desempenho. Aqui, a colaboração entre diferentes especialistas, como desenvolvedores, designers de interface e engenheiros de banco de dados, é essencial para o sucesso do projeto. A fase final do ciclo de desenvolvimento é a implementação. Nesse estágio, as especificações detalhadas do projeto físico são transforma- das em código de software real. Os desenvolvedores seguem as dire- trizes estabelecidas, escrevem o código-fonte, realizam testes unitá- rios e integram os diferentes módulos do sistema. A implementação é um processo interativo em que os testes e ajustes são contínuos,garan- tindo que o software seja funcional, livre de erros e atenda aos requisi- tos definidos. 93Visão geral do processo de desenvolvimento de um sistema de informação contábil e gerencial 1 Anteprojeto de sistemas (protótipos) Suponha que uma organização decida pela compra, criação ou atua- lização de um sistema de informação (SI) utilizado em suas operações que irá impactar diversas áreas, incluindo a contabilidade, e que irá ali- mentar, entre outros, o Sistema de Informação Contábil (SIC) e o Sistema de Informação Gerencial (SIG). Nesse contexto, ela precisa seguir eta- pas ou passos que são representados pelo anteprojeto de sistemas (pro- tótipos), projeto lógico, projeto físico e implementação. Estes visam garan- tir o sucesso e a eficácia de um novo sistema de software ou uma grande atualização em um sistema existente (Padoveze, 2015). Além disso, a organização precisa passar, de forma simultânea, a implementação do SI por algumas etapas que irão envolver a organiza- ção de forma propriamente dita e seus recursos, sejam materiais ou humanos. Estes incluem, entre outras possibilidades, o reconhecimento da necessidade, análise de alternativas, orçamentação e a comunicação com a equipe de trabalho. Para isso, o anteprojeto de SI, muitas vezes também referido como protótipo, é uma etapa inicial e crucial no ciclo de desenvolvimento de sistemas de software. Essa fase envolve a criação de versões simplifi- cadas e iniciais do sistema que ajudam a visualizar e validar os requisi- tos e funcionalidades do projeto antes de prosseguir com seu desenvol- vimento completo (Sordi; Meireles, 2019). O objetivo principal do anteprojeto de SI é permitir que os stakehol- ders, incluindo clientes, usuários finais, designers e desenvolvedores, tenham uma representação tangível e interativa das características do sistema que está sendo proposto. Isso ajuda a identificar lacunas, con- flitos ou problemas nos requisitos e nas expectativas desde o início do processo, evitando retrabalho e reduzindo custos no longo prazo. Traba- lhando com o SIC e o SIG, por exemplo, devem ser observadas as 94 Sistemas contábeis necessidades de cada uma dessas áreas, já que a solução irá permitir alimentar as informações necessárias. Existem diferentes tipos de protótipos que podem ser utilizados no anteprojeto de sistemas, como, por exemplo, os protótipos descartáveis, que são criados com o objetivo de serem descartados após a validação dos requisitos. São desenvolvidos rapidamente e não são projetados para serem integrados ao sistema final. Os protótipos evolutivos, por sua vez, são continuamente desenvolvi- dos e refinados à medida que os requisitos se tornam mais claros. Podem, eventualmente, evoluir para o sistema final, incorporando gradualmente as funcionalidades planejadas. Existem também os protótipos de simu- lação, que são representações interativas do sistema e simulam seu com- portamento sem implementar completamente todas as funcionalidades. Isso é útil para testar conceitos complexos ou cenários específicos. Os protótipos incrementais ocorrem quando o sistema é construído em partes, com cada divisão representando um incremento adicional de funcionalidade. Cada incremento é um protótipo que agrega valor ao SI em desenvolvimento. A principal vantagem do uso de protótipos no ante- projeto de sistemas é a possibilidade de envolver os usuários finais desde o início, garantindo que suas necessidades e expectativas sejam atendi- das. Também ajudam a identificar e resolver problemas de usabilidade, fluxo de trabalho e requisitos, que podem não ter sido compreendidos corretamente no início do projeto. 2 Projeto lógico Para que a empresa dê sequência à implementação de um SI, o pro- jeto lógico é uma etapa intermediária no ciclo de desenvolvimento de sis- temas de software que ocorre após a definição dos requisitos do protó- tipo e antes da elaboração detalhada do projeto físico. Nessa fase, o objetivo é criar uma representação abstrata e estruturada do sistema, 95Visão geral do processo de desenvolvimento de um sistema de informação contábil e gerencial definindo sua arquitetura, componentes principais, fluxo de informações e interações entre os diferentes módulos (Rezende; Abreu, 2013). Para os autores, o projeto lógico se concentra em como o sistema fun- cionará logicamente, sem entrar em detalhes técnicos específicos de imple- mentação. Ele visa capturar os principais aspectos do sistema de maneira clara e compreensível, oferecendo uma visão geral de como as funciona- lidades serão organizadas e como os dados fluirão dentro do sistema. Alguns dos principais elementos abordados no projeto lógico incluem a arquitetura do sistema, que está ligada à sua estrutura, diferentes módu- los, componentes e suas interações. Isso ajuda a entender como partes distintas dessa ferramenta se encaixam e se comunicam. Já os modelos de dados que fazem parte dessa etapa partem da cria- ção de diagramas ou representações visuais que mostram como os dados serão organizados e armazenados dentro do SI. Isso pode envol- ver diagramas de entidade-relacionamento, de classes ou outros mode- los. O fluxo de processos parte da descrição das atividades e fluxos de trabalho do sistema, identificando como as informações serão proces- sadas e como as ações serão realizadas. Outro elemento do projeto lógico são as interfaces de usuário, sendo que sua definição fará com que os usuários possam acessar as funcio- nalidades do sistema, que podem envolver esboços de telas, descrições de interações e fluxos de navegação (Rezende; Abreu, 2013). As interfaces fazem parte da rotina das organizações e são represen- tadas, por exemplo, em um Sistema Integrado de Gestão (SIG), utilizado também pela contabilidade, pelo painel de controle personalizado com ferramentas e gráficos que mostram informações vitais, como receitas, despesas, estoque atual, pedidos em aberto, entre outros. 96 Sistemas contábeis 3 Projeto físico O projeto físico é uma etapa subsequente no ciclo de desenvolvimento de um SI que ocorre após a conclusão da etapa lógica. Nessa fase, a ênfase se desloca dos aspectos conceituais e abstratos para os deta- lhes técnicos e práticos da implementação do sistema. O objetivo prin- cipal do projeto físico é traduzir as especificações do projeto lógico em definições concretas que possam ser implementadas e executadas em um ambiente real (Rezende; Abreu, 2013). Durante o projeto físico, os desenvolvedores detalham as decisões de design, selecionam as tecnologias apropriadas e delineiam os compo- nentes técnicos do sistema. Alguns dos principais aspectos abordados nessa etapa incluem a seleção de tecnologias que partem da escolha das linguagens de programação, frameworks, bancos de dados e outras ferramentas técnicas que serão usadas para implementar o sistema. A definição de bancos de dados está ligada ao projeto das estruturas de banco de dados, incluindo tabelas, relacionamentos, índices e consul- tas. Isso envolve a modelagem detalhada dos dados a serem armazena- dos e processados pelo sistema. Já a elaboração de interfaces permite o detalhamento para o usuário, incluindo o design visual das telas, os ele- mentos de interação, como é o caso da definição de botões de usabilidade e formulários, os fluxos de navegação, entre outros elementos (Cruz, 2019). Por sua vez, a estruturação do código é o momento de organização e arquitetura do código-fonte do SI, dividindo-o em módulos, classes ou componentes que realizam funções específicas. A alocação de recursos trata do dimensionamento dos recursos técnicos necessários para o sis- tema, como capacidade de armazenamento, poder de processamento e largura de banda. Os módulos, por exemplo, estão ligados à definição de como ocorrerão os lançamentos de contas patrimoniais e de resultado, geração de relatórios, cálculo de impostos, entre outros, o que impacta 97Visão geral do processo de desenvolvimento de um sistema de informaçãodas organizações. Nesse tópico, examinaremos a empresa como um sistema complexo, composto por diversos componentes, incluindo recursos humanos, departamentos, tecnologias, processos e cultura organizacional. Veremos que os sistemas de informação (SI) representam uma cate- goria específica de sistemas com o propósito de coletar, armazenar, pro- cessar e disponibilizar informações relevantes para o funcionamento de uma organização. Entenderemos que, para que uma empresa alcance sua missão por meio de um SI eficaz, é necessário estabelecer uma associação sólida entre a estratégia da empresa e as funcionalidades dessa ferramenta. Além disso, compreenderemos como sistemas de informações con- tábeis desempenham um papel fundamental na gestão e tomada de deci- sões das empresas. Eles fornecem dados financeiros e contábeis que auxiliam os gestores em diversos níveis a entenderem o desempenho financeiro da empresa e a tomarem decisões informadas. 1 Ambiente da tecnologia da informação O ambiente da tecnologia da informação (TI) está relacionado com o conjunto de condições, recursos, tecnologias e pessoas que com- põem o cenário em que a área de TI opera dentro de uma organização ou em um contexto mais amplo. Esse ambiente é dinâmico e está em constante evolução devido ao rápido avanço das tecnologias e às mudanças nas necessidades das empresas e da sociedade (Gonçal- ves; Riccio, 2009). A infraestrutura de TI é um dos principais elementos da tecnologia da informação e compreende, entre outros aspectos, o hardware (servidores, computadores, dispositivos de rede, dispositivos móveis), o software (sis- temas operacionais, aplicativos, bancos de dados) e as redes (cabos, 9Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema roteadores e switches) (Laudon; Laudon, 2013). Estes e outros são utiliza- dos para o suporte às operações de TI e integração à rotina empresarial. PARA PENSAR Você já parou para pensar que o ambiente da TI ainda é composto pelos profissionais que atuam na área? Entre estes, podem ser citados analis- tas, desenvolvedores, administradores de sistemas, especialistas em segurança da informação, gerentes de projeto e outros, que são respon- sáveis por projetar, implementar e manter os sistemas de informação. Segundo Gonçalves e Riccio (2009), outros elementos que compõem o ambiente da TI são os procedimentos ligados aos fluxos de trabalho e práticas recomendadas que regem como as atividades de TI são reali- zadas. Esses elementos podem incluir a gestão de projetos, desenvolvi- mento de software, governança de TI, gerenciamento de serviços e segu- rança cibernética, entre outros. As informações e dados que são coletados, armazenados, processa- dos e analisados para fins comerciais ou operacionais também podem ser elencados como parte do ambiente da TI, uma vez que são essen- ciais para seu funcionamento. Para que dados e informações possam estar seguros no ambiente da TI são necessárias medidas e estratégias para proteger os ativos da área contra ameaças como ataques cibernéticos, violações de dados e acesso não autorizado. Logo, as medidas de segurança não só fazem parte da TI, como são essenciais para sua funcionabilidade e segurança (Cruz, 2019). A inovação tecnológica é outra variável presente no ambiente da TI. Dessa forma, novas tecnologias emergentes podem impactar significa- tivamente as operações de TI e trazer novas oportunidades para as organizações. 10 Sistemas contábeis Acompanhando a evolução de tal ambiente, o uso de cloud compu- ting se destaca. Também a adoção cada vez maior de serviços em nuvem, que permitem que as empresas acessem recursos de TI escaláveis e fle- xíveis sem investimentos significativos em infraestrutura física. O cloud computing é um modelo de prestação de serviços de com- putação baseado na internet. Nessa forma de trabalho, os recursos de hardware e software são fornecidos sob demanda pela internet, permi- tindo o acesso remoto e flexível a uma ampla gama de serviços e apli- cativos (Cruz, 2019). A gestão eficaz do ambiente de TI é essencial para que as organiza- ções alcancem seus objetivos de negócios e se mantenham competiti- vas no mercado atual. Isso requer uma abordagem estratégica que envolve alinhamento entre TI e as metas da empresa, investimentos adequados em tecnologia, recrutamento e desenvolvimento de talentos e uma pos- tura proativa com relação à segurança cibernética (Oliveira, 2018). 2 Conceitos de sistemas e subsistemas Um sistema, na teoria da administração, é uma entidade composta por partes inter-relacionadas que funcionam juntas para atingir um obje- tivo comum. Ele pode ser uma organização inteira ou uma parte dela, como um departamento ou uma equipe. Já um subsistema é uma parte menor de um sistema maior. Geral- mente, um sistema é composto por vários subsistemas que desempe- nham funções específicas no contexto geral. Cada subsistema contribui para o funcionamento e o alcance dos objetivos do sistema como um todo. Logo, no universo dos conceitos de gestão, os sistemas se destacam como entidades de máxima complexidade e abrangência. Na esfera gerencial, um sistema se caracteriza por ser uma intrincada teia de ele- mentos, cujas interações mútuas comprovam a vastidão de sua 11Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema complexidade (Gil; Biancolino; Borges, 2013). Ainda segundo os autores, um sistema pode ser descrito como um agrupamento de elementos autô- nomos, cada qual com a possibilidade de operar de forma independente e ordenada. No entanto, em determinado momento, esses elementos acabam se entrelaçando, culminando na criação de algo maior e de maior complexidade – o que se configura como o sistema de gestão. Outra definição a ser considerada para o conceito de sistema remete a um conjunto de partes independentes que, ao interagirem, se integram em uma unidade, impulsionadas por um objetivo comum. Todavia, para alcançar tal sintonia, essas partes devem exercer funções específicas nessa engrenagem coesa. De forma geral, o funcionamento dos sistemas se baseia no proces- samento dos recursos que entram, atravessando a etapa do processa- mento e resultando na saída ou produto do sistema em questão. Esses elementos que compõem um sistema podem ser identificados da seguinte maneira (Padoveze, 2019): 1. Entradas: representam o ponto primordial, o motor propulsor de um sistema. É por meio dessas entradas que o sistema adquire sua funcionalidade completa. 2. Processamento: responsável por efetuar as alterações necessá- rias para transformar as entradas em saídas desejadas. 3. Saídas: constituem o propósito fundamental de todo sistema. Além de serem sua razão de existir, precisam estar alinhadas com os objetivos específicos de cada sistema. A sinergia empresarial surge da combinação eficaz dos três compo- nentes mencionados acima: entradas, processamento e saídas. Para alcançar esse nível de sinergia, é necessário um conjunto coordenado de ações que englobem todos os elementos de um sistema ou entidade empresarial. Dessa forma, busca-se melhorar os resultados, superando o desempenho obtido por trabalhos isolados. 12 Sistemas contábeis É essencial compreender não apenas as partes individuais de um sis- tema, mas também as inter-relações entre elas para uma visão abran- gente do contexto. Essas inter-relações têm o poder de elevar o resul- tado além da soma das partes isoladas, reforçando o conceito de sinergia. Além disso, destacam-se características que não seriam visíveis ao ana- lisar os componentes isoladamente (Padoveze, 2019). Com isso, a fim de alcançar a sua missão, que conta com o impor- tante auxílio do SI, a organização encontra-se imersa em um sistema ins- titucional que envolve diversos elementos. Esse sistema empresarial é composto por subsistemas que, de acordo com Luz (2014), são as par- tes em que o sistema total se divide. Figura 1 – Subsistemas da empresaSubsistemas da empresa Social Institucional Gestão Organizacionalcontábil e gerencial diretamente a área em que o SI será implementado. Por exemplo, obser- vando a contabilidade, haverá impactos ligados ao SIC e SIG. A definição de protocolos ocorre com a especificação desses elemen- tos de comunicação que o sistema usará para interagir com outros sis- temas ou serviços externos. No planejamento de testes é feita a elabo- ração de planos de testes que garantam que todas as funcionalidades do sistema estejam implementadas corretamente e que ele funcione de forma adequada. O projeto físico também envolve a colaboração entre diferentes espe- cialistas, como desenvolvedores, designers de interface, arquitetos de software e engenheiros de bancos de dados, além da própria equipe de trabalho da empresa. A contabilidade também deverá fazer parte desse processo, auxiliando nas definições quando necessário, de acordo com suas necessidades, que irão impactar o SIC e o SIG. 4 Implementação A implementação de um projeto de sistemas é a etapa em que o tra- balho teórico e de planejamento se transforma em ação tangível. É nesse estágio que o código é escrito, os componentes são integrados e o sis- tema é construído para atender aos requisitos e especificações defini- dos nas etapas anteriores do ciclo de desenvolvimento. Antes de começar a escrever o código, é necessário configurar o ambiente de desenvolvimento. Isso inclui instalar as ferramentas de desenvolvimento necessárias, configurar servidores, bancos de dados e outras tecnologias que serão usadas no projeto. O desenvolvimento de código ocorre quando os desenvolvedores escrevem o código-fonte do sistema de acordo com as especificações definidas no projeto físico. Cada funcionalidade é implementada seguindo as melhores práticas de codificação e arquitetura de software. 98 Sistemas contábeis Testes unitários são criados para verificar se cada componente ou módulo funciona individualmente como deveria. Eles ajudam a identifi- car erros e problemas específicos em partes isoladas do sistema. A inte- gração de componentes ocorre à medida que os módulos individuais são desenvolvidos e testados, garantindo que os diferentes componen- tes se comuniquem corretamente e que as interações funcionem con- forme o planejado. Nesse momento, verifica-se, por exemplo, se a con- tabilidade está devidamente integrada com o tributário e outras partes correlatas do sistema. Os testes de integração, por sua vez, são observados quando os com- ponentes são ligados e são realizados testes para verificar se o sistema funciona como um todo. Os testes podem revelar problemas que não eram evidentes nos testes unitários. Já os testes de aceitação e usabili- dade ocorrem após a integração. São realizados testes de aceitação, nos quais os usuários finais ou representantes dos interessados na empresa testam o sistema para garantir que atenda aos requisitos e expectativas. Testes de usabilidade também são realizados para verificar a facilidade de uso e a experiência do usuário. Depois dos testes, podem ser feitos ajustes, correções de erros e refi- namentos no sistema. Essa é uma etapa interativa em que os desenvol- vedores trabalham para resolver problemas identificados durante os tes- tes. A etapa de documentação é observada durante a implementação. É importante documentar o código, as funcionalidades e os processos para facilitar a manutenção futura e a compreensão do sistema por outros membros da equipe. Na sequência, uma vez que o SI tenha passado por testes rigorosos e seja considerado pronto, ele é implantado em um ambiente de produ- ção ou em um ambiente de teste com características próximas às do ambiente de produção. Depois da implantação, o sistema é monitorado em busca de problemas e melhorias contínuas. As atualizações e corre- ções são aplicadas conforme necessário para garantir o bom funciona- mento do sistema. 99Visão geral do processo de desenvolvimento de um sistema de informação contábil e gerencial Considerações finais Foi possível entender que o desenvolvimento de um SI é um empreen- dimento complexo e multifacetado, que exige uma abordagem estrutu- rada e bem definida para garantir o sucesso do projeto, que pode ocor- rer por diversos motivos, entre eles a necessidade de se processar mais dados ou ainda de otimizar as soluções já existentes na empresa. Os estágios do anteprojeto de sistemas, projeto lógico, projeto físico e imple- mentação desempenham papéis distintos e complementares nesse pro- cesso, culminando na criação de soluções tecnológicas eficientes e ali- nhadas às necessidades dos usuários. No estágio inicial de anteprojeto de sistemas, a utilização de protóti- pos desempenha um papel fundamental. Os protótipos fornecem uma maneira tangível de entender e comunicar os requisitos do SI, permitindo a exploração interativa das funcionalidades e a validação das expectati- vas dos stakeholders. Isso não apenas contribui para a clareza dos requi- sitos, mas também fortalece a colaboração entre desenvolvedores, desig- ners e usuários finais. O projeto lógico, por sua vez, traduz os requisitos em uma arquite- tura de alto nível. A criação de modelos abstratos, como diagramas e fluxos, permite uma representação visual e estruturada do sistema, faci- litando a análise de sua estrutura e funcionalidades. Essa fase é crucial para alinhar a visão geral do sistema com as regras de negócios e os requisitos operacionais. No estágio do projeto físico, o foco se desloca para os detalhes téc- nicos e a implementação concreta. A seleção de tecnologias apropria- das, a definição de bancos de dados e a especificação das interfaces do usuário garantem que o sistema seja viável e eficiente. A colaboração interdisciplinar é essencial nessa fase, uma vez que a expertise de dife- rentes especialistas contribui para uma implementação coesa e 100 Sistemas contábeis funcional. Aqui, destaca-se a participação da contabilidade quando essas soluções têm conexão com a informação que será gerada para a área. Finalmente, a implementação transforma os conceitos em realidade por meio da escrita de código de software. Essa fase envolve testes rigo- rosos e ajustes interativos para garantir a qualidade e a estabilidade do sistema resultante. Referências CRUZ, T. Sistemas de informações gerenciais e operacionais: tecnologias da informação e as organizações do século 21. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2019. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análises. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2015. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. DE. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013. SORDI, J. O. DE; MEIRELES, M. Administração de sistemas de informação. São Paulo: Saraiva Educação, 2019. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 101 Capítulo 8 Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial Para que uma empresa confie em sua informação contábil e, de forma geral, para que esta seja gerada de forma ágil e tempestiva, alguns requi- sitos precisam ser observados. Veremos que a segurança lógica é um pilar fundamental para a proteção dos ativos de informação de uma 102 Sistemas contábeis organização. Neste capítulo, vamos explorar as medidas e estratégias adotadas para salvaguardar os sistemas contra ameaças internas e exter- nas, abordando desde a autenticação e autorização até a detecção de intrusões e a prevenção de ataques cibernéticos. A manutenção da confidencialidade dos dados sensíveis é um dos elementos mais importantes para preservar a privacidade e a confiança dos clientes e parceiros e das informações que são geradas pela empresa. Vamos abordar os mecanismos de controle de acesso ao banco de dados,garantindo que apenas pessoas autorizadas possam acessar informa- ções confidenciais. Com a crescente sofisticação das ameaças cibernéticas, a identifica- ção de vulnerabilidades técnicas e a implementação de medidas preven- tivas são imperativas. Além disso, a preparação para contingências serve para minimizar o impacto de possíveis incidentes de segurança. O papel do gestor de sistemas de informação contábil envolve uma combinação de habilidades técnicas e de liderança. Neste capítulo, vamos explorar as competências necessárias para gerir eficazmente sistemas de informação, incluindo a capacidade de liderar equipes, tomar decisões informadas e comunicar-se efetivamente. Tanto os desenvolvedores de sistemas quanto os usuários finais têm um papel importante na segurança e no desempenho dos sistemas de informação, examinaremos o perfil do profissional envolvido, destacando as responsabilidades que acompanham tanto a criação quanto o uso de sistemas. A ética na área de TI é um componente vital para o funcionamento ético e confiável das operações de uma organização. Abordaremos, nesse tópico, a importância de aderir a padrões éticos na gestão de sis- temas de informação e os benefícios de promover uma cultura ética na área de TI. 103Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial 1 Segurança lógica Segurança lógica, também conhecida como segurança de informa- ções ou cibernética, é uma disciplina que se concentra na proteção das informações digitais, dos sistemas de informação e dos recursos tecno- lógicos de uma organização contra ameaças internas e externas. Ela abrange a implementação de medidas, práticas e tecnologias projetadas para garantir a confidencialidade, integridade, autenticidade e disponibi- lidade dos dados e sistemas (Imoniana, 2016). De acordo com o autor, ao contrário da segurança física, que se con- centra na proteção de recursos tangíveis, como edifícios e hardware, a segurança lógica diz respeito à proteção de dados e processos digitais. Alguns dos principais componentes da segurança lógica visam garantir, por exemplo, que apenas indivíduos autorizados tenham acesso aos sis- temas e dados. A segurança lógica envolve a verificação de identidade ou autentica- ção e a concessão de permissões específicas ou ainda autorização, fun- ciona com base nos papéis e responsabilidades dos usuários. Por exem- plo, na contabilidade, pode ser utilizado o controle de acesso para que somente alguns usuários possam inserir contas no plano de contas e outros possam apenas fazer lançamentos (Rezende; Abreu, 2013). Algoritmos matemáticos são aplicados para transformar dados em um formato ilegível (criptografado), que só pode ser decifrado com uma chave de criptografia específica. Isso protege os dados durante a trans- missão e armazenamento. O gerenciamento rigoroso dos níveis de acesso aos sistemas e informações envolve definir o que pode ser acessado e sob quais circunstâncias, minimizando o risco de exposição indevida (Imoniana, 2016). Na contabilidade, isso minimiza, por exemplo, o acesso a informações financeiras sensíveis e outras ligadas à empresa. 104 Sistemas contábeis O treinamento dos funcionários em boas práticas de segurança, ris- cos cibernéticos e como evitar ameaças como phishing, que são tenta- tivas de obter ilegalmente informações da empresa, senhas, outros dados e malware, representado por programas ou códigos maliciosos que podem prejudicar a organização, é outro elemento da segurança lógica (MPF, 2018). Também se faz necessário o desenvolvimento de procedi- mentos para lidar com violações de segurança e incidentes cibernéticos, minimizando os danos e restaurando a normalidade. 2 Confidencialidade (privacy) e controle de acesso ao banco de dados A confidencialidade, também conhecida como privacidade (privacy), é um conceito básico na segurança da informação que se refere à pro- teção dos dados sensíveis e pessoais de indivíduos ou organizações con- tra acessos não autorizados (MPF, 2018). O controle de ingresso ao banco de dados é uma medida específica dentro desse contexto, que visa garantir que apenas pessoas autoriza- das tenham permissão para visualizar ou manipular determinados con- juntos de dados armazenados (Cornacchione Junior, 2012). Esse é um tópico especialmente sensível na área de contabilidade e finanças, já que essa área congrega informações estratégicas da empresa. Segundo Cornacchione Junior (2012), essa forma de controle é uma estratégia específica, usada para implementar a confidenciali- dade em ambientes digitais nos quais as informações são armazena- das em bancos de dados. Ele envolve a criação de regras e mecanis- mos que regulam quem pode acessar, modificar ou excluir determinados dados armazenados. Alguns dos principais componentes do controle de acesso ao banco de dados incluem o processo de verificar a identidade de um usuário que tenta acessar essas soluções, que geralmente envolvem o uso de 105Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial credenciais, como nome de usuário e senha. Deve-se também determi- nar quais ações um usuário autenticado pode realizar no banco de dados (Imoniana, 2016). Isso pode envolver a concessão de permissões espe- cíficas, como leitura, gravação ou exclusão de dados amplamente apli- cados em softwares de contabilidade. Segundo Rezende e Abreu (2013), outro ponto é a definição de diferen- tes níveis de acesso com base em papéis ou funções dos usuários. Por exemplo, administradores podem ter entrada total, enquanto usuários regu- lares têm acesso limitado ou ainda acessos de inserção de informações separados daqueles em que há possibilidade de modificação. O processo de registrar e monitorar as atividades de acesso ao banco de dados ocorre para identificar atividades suspeitas ou não autorizadas. Adicionalmente, deve-se proteger os dados armazenados por meio da criptografia para que, mesmo que um invasor ganhe acesso, os dados estejam ilegíveis sem a chave de descriptografia apropriada, ou seja, que não permita que sejam retiradas as proteções do banco de dados. Por fim, estabelecer políticas claras que definam quem pode acessar as par- tes do banco de dados e sob que circunstâncias (Imoniana, 2016). Ainda segundo Rezende e Abreu (2013), o controle de acesso ao banco de dados é essencial para garantir que apenas pessoas autorizadas pos- sam acessar e manipular os dados, protegendo, assim, a confidenciali- dade das informações. 3 Vulnerabilidades técnicas, prevenção e plano de contingência As vulnerabilidades técnicas se referem a pontos fracos ou falhas em sistemas, aplicativos, redes ou infraestruturas de TI que podem ser explorados por ameaças ou ataques cibernéticos para comprometer a segurança e a integridade dos dados. Essas fragilidades podem surgir devido a erros de programação, configurações inadequadas, falta de 106 Sistemas contábeis atualizações de segurança e outras fraquezas que podem ser explora- das por atores maliciosos (MPF, 2018). Ainda segundo o órgão, a prevenção de vulnerabilidades técnicas envolve uma série de práticas e medidas destinadas a identificar, mitigar e evitar essas brechas antes que sejam exploradas por ameaças cibernéticas. Algumas estratégias comuns de prevenção dessas fraquezas incluem manter todos os sistemas, aplicativos e dispositivos atualizados com as últimas correções de segurança para reparar eventuais vulnerabilidades. Devem, também, ser realizadas auditorias regulares de segurança para identificar e corrigir vulnerabilidades não detectadas e ser feitos tes- tes controlados para simular ataques cibernéticos e identificar poten- ciais pontos fracos nos sistemas (Imoniana, 2016). Outra forma de prevenção é a configuração de sistemas e aplicativos com configurações de segurança adequadas para minimizar as exposi- ções. Deve-se, ainda, monitorar constantemente os sistemas em busca de atividades suspeitas ou tentativasde exploração de vulnerabilidades. Adicionalmente, deve-se utilizar firewalls, que são sistemas de segu- rança, ou softwares antivírus específicos para bloquear tráfego malicioso e identificar malware. Pode-se, adicionalmente, implementar aplicativos e sistemas com boas práticas de codificação segura para evitar vulne- rabilidades de software (Cornacchione Junior, 2012). Um plano de contingência, por outro lado, é um conjunto de ações e procedimentos preparados para serem implementados em resposta a incidentes de segurança ou situações de emergência. Um plano de con- tingência para vulnerabilidades técnicas visa minimizar o impacto de ata- ques cibernéticos bem-sucedidos ou outros eventos adversos. Os planos de contingência podem ser amplamente aplicados à área contábil por meio da avaliação de sistemas, realização de testes de segu- rança na área e auditorias contínuas nos sistemas. 107Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial O desenvolvimento de procedimentos detalhados para responder a incidentes de segurança deve incluir ações imediatas para minimizar o dano. A organização deve também estabelecer um plano de comunica- ção interna e externa para informar as partes interessadas sobre os inci- dentes e as ações tomadas. A empresa deve, de forma adicional, reali- zar testes regulares do plano de contingência e treinar os membros da equipe para garantir que eles saibam como responder eficazmente a situações de emergência. 4 Comportamento e habilidades do(a) gestor(a) do sistema de informação contábil O comportamento e as habilidades do(a) gestor(a) do Sistema de Informação Contábil (SIC) desempenham um papel fundamental na efi- cácia, segurança e sucesso dos sistemas de informação contábil de uma organização. Esse profissional desafia e lidera a administração e o desen- volvimento e realiza a manutenção dos sistemas de informação finan- ceira e contábil, garantindo que eles atendam às necessidades da orga- nização de maneira eficiente e segura. O gestor do SIC deve ser capaz de liderar equipes, definir metas e tomar decisões informadas. Eles precisam identificar os melhores cur- sos de ação para a implementação, atualização e manutenção dos sis- temas, considerando fatores técnicos, orçamentários e estratégicos. Uma compreensão profunda dos princípios contábeis e financeiros é essencial para garantir que os sistemas de informação contábil sejam precisos e confiáveis. O gestor também deve estar atualizado com as tendências e inovações tecnológicas que afetam a área contábil. Esse profissional também deve estar atento aos custos relacionados à área e como controlá-los (Gil; Augusto; Nascimento, 2013). Ainda segundo os autores, os SICs podem enfrentar desafios técnicos, operacionais e de conformidade. Com isso, o profissional precisa ser capaz 108 Sistemas contábeis de identificar problemas, analisar causas raiz e implementar soluções efi- cazes. O desenvolvimento, implantação e atualização de sistemas de infor- mação contábil muitas vezes envolvem projetos complexos. Observa-se, ainda, que a tecnologia e as regulamentações estão em constante evolução. Logo, um gestor de sistema de informação contá- bil precisa ser adaptável e capaz de se ajustar a novos cenários, tecno- logias e mudanças regulatórias. Sabe-se que a área contábil lida com informações financeiras sensí- veis. Nesse contexto, o gestor precisa agir com ética e integridade, garan- tindo que os dados sejam tratados com confidencialidade e precisão. A tecnologia e as melhores práticas contábeis estão em constante mudança, assim, o gestor deve ter uma abordagem de aprendizado contínuo para se manter atualizado (Padoveze, 2015). O gestor do SIC desempenha um papel vital na integridade e eficácia dos sistemas financeiros e contábeis de uma organização. Suas habili- dades, conhecimentos e comportamentos influenciam diretamente a qualidade das informações contábeis, a conformidade com regulamen- tações e a tomada de decisões informadas. 5 Perfil do(a) profissional e responsabilidade de desenvolvedores e usuários de sistemas O perfil do(a) profissional da área de Sistemas de Informação (SI) é diversificado, abrangendo uma variedade de habilidades técnicas e com- portamentais que permitem sua atuação de forma exitosa nesse âmbito. Esse profissional deve possuir um bom entendimento de programa- ção, desenvolvimento de software, bancos de dados, redes e outras tec- nologias relevantes. A proficiência em linguagens de programação, fra- meworks, estruturas e outras ferramentas é essencial, assim como a capacidade de identificar e solucionar problemas de maneira eficiente, 109Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial já que o desenvolvimento e a manutenção de SI frequentemente envol- vem desafios técnicos (Stair et al., 2021) . Segundo os autores, dada a rápida evolução da tecnologia, os profis- sionais dessa área precisam ter uma abordagem de aprendizado contí- nuo, buscando constantemente se atualizar com as últimas tendências e inovações. A comunicação é fundamental para trabalhar em equipe, entender os requisitos dos stakeholders e explicar ideias técnicas de maneira acessível. A capacidade de analisar problemas complexos, decompor tarefas em etapas menores e avaliar soluções alternativas são outros elemen- tos de destaque para o sucesso na área. O desenvolvimento de sistemas geralmente envolve equipes multidisciplinares, então a colaboração e a capacidade de trabalhar bem com outros são fundamentais. Outra habilidade necessária é fornecer feedback ou ainda retorno sobre a usabilidade, eficácia e problemas encontrados no sistema. Além disso, tais profissionais devem seguir as políticas e procedimentos de segurança e conformidade ao usar o sistema. Existe, também, a neces- sidade de participação em treinamentos para aprender a utilizar eficaz- mente o sistema e minimizar possíveis problemas. Atuando junto à área contábil propriamente dita, tais profissionais devem ter habilidades para promover a criação, implementação e manu- tenção dos sistemas de informação contábil (SIC). Além disso, devem atuar junto à segurança e conformidade, principalmente em relação às regulamentações contábeis e fiscais vigentes. Com relação aos usuários de SI, eles devem usar as ferramentas tec- nológicas de maneira segura, evitando compartilhamento de senhas e observando os requisitos dos sistemas, devem ainda atentar-se para a inserção de dados que estejam de acordo com as políticas contábeis da empresa e com a legislação vigente. 110 Sistemas contábeis O treinamento e atualização também fazem parte das premissas dos usuários de tais soluções, assim como a elementar colaboração com os profissionais da área. 6 Plano de ética na área de TI Um plano de ética na área de Tecnologia da Informação (TI) é um ins- trumento ou conjunto de diretrizes, princípios e políticas que orientam o comportamento ético e as decisões tomadas por profissionais de TI em suas atividades diárias. Ele define as normas e valores que devem ser seguidos para garantir a integridade, confiabilidade e responsabilidade das ações realizadas no contexto da tecnologia da informação (Audy; Andrade; Cidral, 2007). Esse plano tem relevância para a área contábil, já que busca garantir a integridade dos dados contábeis, visando que este esteja completo, livre de fraudes e erros sistêmicos. O plano de ética na área de TI pro- cura ainda garantir a segurança dos dados, protegendo informações e primando pela privacidade e confidencialidade das informações contá- beis e relacionadas. O plano de ética em TI tem como objetivo promover a conduta ética não apenas na forma como os profissionais de TI interagem com siste- mas, dados e tecnologias, mas também com colegas, clientes, outras áreas, usuários finais e a sociedade em geral (Audy; Andrade; Cidral, 2007). Um plano de ética na área de TI pode incluir, entre outros elementos, o estabelecimentodos valores essenciais que devem nortear as ações de profissionais de TI, como honestidade, integridade, transparência, pri- vacidade, respeito e responsabilidade (Stair et al., 2021). Segundo Audy, Andrade e Cidral (2007), além disso, deve-se orientar os profissionais de TI sobre as leis e regulamentações que se aplicam ao uso da tecnologia da informação, incentivando o cumprimento das normas legais. A defi- nição de práticas para a coleta, armazenamento e uso ético de informa- ções pessoais, respeitando a privacidade dos indivíduos. 111Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial Um plano de ética em TI fornece orientações para lidar com dilemas e conflitos de interesses que podem surgir nesse ambiente. A ética, nesse âmbito, promove a busca constante por aprimoramento e aprendizado, garantindo que os profissionais estejam atualizados com as melhores práticas e as últimas tecnologias. Esse plano também ajuda a estabele- cer mecanismos para a aplicação e fiscalização das políticas da área, incluindo a responsabilidade de liderança na promoção de uma cultura ética na organização. Tal instrumento não apenas contribui para um ambiente de trabalho saudável e respeitoso, mas também ajuda a pre- servar a reputação da organização, a confiança dos stakeholders e a con- formidade com regulamentações. É uma ferramenta essencial para asse- gurar que a tecnologia da informação seja usada de maneira responsável, íntegra e benéfica para a organização e a sociedade. Considerações finais No desenrolar deste capítulo, exploramos uma gama diversificada de tópicos que ilustram a complexidade e a importância inerentes à gestão de sistemas de informação contábil. Cada um dos tópicos, desde a segu- rança lógica até o plano de ética na área de TI, desempenha um papel vital na construção de uma base sólida para a administração eficaz e segura dos sistemas de informação. A compreensão da necessidade de proteger os sistemas de informa- ção contra ameaças crescentes é elementar. A segurança lógica não é apenas uma consideração técnica, mas uma salvaguarda para proteger ativos de informação críticos e manter a confiança dos stakeholders. A garantia da confidencialidade dos dados sensíveis é um imperativo ético e operacional. Ao controlar o acesso ao banco de dados, as orga- nizações podem minimizar os riscos de exposição e preservar a privaci- dade dos indivíduos. 112 Sistemas contábeis O reconhecimento das vulnerabilidades técnicas e a implementação de medidas preventivas são vitais para proteger os sistemas contra amea- ças cibernéticas em constante evolução. A criação de planos de contin- gência eficazes contribui para a resiliência do sistema diante de inciden- tes imprevistos. A figura do gestor de sistemas de informação contábil desempenha um papel central na administração bem-sucedida desses sistemas. As competências técnicas, juntamente com a capacidade de liderança e a tomada de decisões informadas, são essenciais para conduzir efetiva- mente os projetos de sistemas. A colaboração entre desenvolvedores e usuários é fundamental para a eficácia dos sistemas de informação. A responsabilidade comparti- lhada entre essas partes é um pilar que sustenta a criação e a utilização ética e funcional dos sistemas. A ética na área de TI ultrapassa o cumprimento das leis e regulamen- tos. Ela orienta a conduta dos profissionais, promovendo a integridade, a transparência e a responsabilidade em todas as etapas do desenvolvi- mento e uso dos sistemas de informação. Referências AUDY, J. L. N.; ANDRADE, G. K. DE; CIDRAL, A. Fundamentos de sistemas de informação. Porto Alegre: Bookman, 2007. CORNACCHIONE JÚNIOR, E. B. Informática aplicada às áreas de contabilidade, administração e economia. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2012. GIL, A. L.; BIANCOLINO, C. A.; SLAVOV, T. N. B. Sistemas de informações contábeis: uma abordagem gerencial. São Paulo: Saraiva, 2013. IMONIANA, J. O. Auditoria de sistemas de informação. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. 113Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF). Crimes cibernéticos. Brasília: MPF, 2018. Coletânea de artigos, v.3. Disponível em: https://memorial.mpf.mp.br/nacional/ vitrine-virtual/publicacoes/crimes-ciberneticos-coletanea-de-artigos. Acesso em: 8 out. 2023. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análises. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2015. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. DE. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013. STAIR, R. M. et al. Princípios de sistemas de informação. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2021. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 115 Sobre a autora Tatiane Antonovz é graduada em ciências contábeis (2005), mes- tre (2010) e doutora em contabilidade (2020) pela Universidade Fede- ral do Paraná. Atua na área de Educação a Distância – EaD, com elabo- ração de material didático, banco de questões e gravação de aulas em diversas instituições. Autora de livros pelas editoras Senac São Paulo, Iesde, Edipro e Inter- saberes, entre outras, com diversos artigos apresentados e publicados em congressos e periódicos nacionais e internacionais. Atua como pro- fessora na área de ciências contábeis e áreas relacionadas, tanto na gra- duação quanto na especialização. Tem experiência em controladoria, adquirida na ExxonMobil, antiga proprietária da Esso Brasileira de Petróleo, Mondelez Brasil (Kraft Foods), escritórios de contabilidade, entre outros. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 101 Capítulo 8 Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial Para que uma empresa confie em sua informação contábil e, de forma geral, para que esta seja gerada de forma ágil e tempestiva, alguns requi- sitos precisam ser observados. Veremos que a segurança lógica é um pilar fundamental para a proteção dos ativos de informação de uma 102 Sistemas contábeis organização. Neste capítulo, vamos explorar as medidas e estratégias adotadas para salvaguardar os sistemas contra ameaças internas e exter- nas, abordando desde a autenticação e autorização até a detecção de intrusões e a prevenção de ataques cibernéticos. A manutenção da confidencialidade dos dados sensíveis é um dos elementos mais importantes para preservar a privacidade e a confiança dos clientes e parceiros e das informações que são geradas pela empresa. Vamos abordar os mecanismos de controle de acesso ao banco de dados, garantindo que apenas pessoas autorizadas possam acessar informa- ções confidenciais. Com a crescente sofisticação das ameaças cibernéticas, a identifica- ção de vulnerabilidades técnicas e a implementação de medidas preven- tivas são imperativas. Além disso, a preparação para contingências serve para minimizar o impacto de possíveis incidentes de segurança. O papel do gestor de sistemas de informação contábil envolve uma combinação de habilidades técnicas e de liderança. Neste capítulo, vamos explorar as competências necessárias para gerir eficazmente sistemas de informação, incluindo a capacidade de liderar equipes, tomar decisões informadas e comunicar-se efetivamente. Tanto os desenvolvedores de sistemas quanto os usuários finais têm um papel importante na segurança e no desempenho dos sistemas de informação, examinaremos o perfil do profissional envolvido, destacando as responsabilidades que acompanham tanto a criação quanto o usode sistemas. A ética na área de TI é um componente vital para o funcionamento ético e confiável das operações de uma organização. Abordaremos, nesse tópico, a importância de aderir a padrões éticos na gestão de sis- temas de informação e os benefícios de promover uma cultura ética na área de TI. 103Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial 1 Segurança lógica Segurança lógica, também conhecida como segurança de informa- ções ou cibernética, é uma disciplina que se concentra na proteção das informações digitais, dos sistemas de informação e dos recursos tecno- lógicos de uma organização contra ameaças internas e externas. Ela abrange a implementação de medidas, práticas e tecnologias projetadas para garantir a confidencialidade, integridade, autenticidade e disponibi- lidade dos dados e sistemas (Imoniana, 2016). De acordo com o autor, ao contrário da segurança física, que se con- centra na proteção de recursos tangíveis, como edifícios e hardware, a segurança lógica diz respeito à proteção de dados e processos digitais. Alguns dos principais componentes da segurança lógica visam garantir, por exemplo, que apenas indivíduos autorizados tenham acesso aos sis- temas e dados. A segurança lógica envolve a verificação de identidade ou autentica- ção e a concessão de permissões específicas ou ainda autorização, fun- ciona com base nos papéis e responsabilidades dos usuários. Por exem- plo, na contabilidade, pode ser utilizado o controle de acesso para que somente alguns usuários possam inserir contas no plano de contas e outros possam apenas fazer lançamentos (Rezende; Abreu, 2013). Algoritmos matemáticos são aplicados para transformar dados em um formato ilegível (criptografado), que só pode ser decifrado com uma chave de criptografia específica. Isso protege os dados durante a trans- missão e armazenamento. O gerenciamento rigoroso dos níveis de acesso aos sistemas e informações envolve definir o que pode ser acessado e sob quais circunstâncias, minimizando o risco de exposição indevida (Imoniana, 2016). Na contabilidade, isso minimiza, por exemplo, o acesso a informações financeiras sensíveis e outras ligadas à empresa. 104 Sistemas contábeis O treinamento dos funcionários em boas práticas de segurança, ris- cos cibernéticos e como evitar ameaças como phishing, que são tenta- tivas de obter ilegalmente informações da empresa, senhas, outros dados e malware, representado por programas ou códigos maliciosos que podem prejudicar a organização, é outro elemento da segurança lógica (MPF, 2018). Também se faz necessário o desenvolvimento de procedi- mentos para lidar com violações de segurança e incidentes cibernéticos, minimizando os danos e restaurando a normalidade. 2 Confidencialidade (privacy) e controle de acesso ao banco de dados A confidencialidade, também conhecida como privacidade (privacy), é um conceito básico na segurança da informação que se refere à pro- teção dos dados sensíveis e pessoais de indivíduos ou organizações con- tra acessos não autorizados (MPF, 2018). O controle de ingresso ao banco de dados é uma medida específica dentro desse contexto, que visa garantir que apenas pessoas autoriza- das tenham permissão para visualizar ou manipular determinados con- juntos de dados armazenados (Cornacchione Junior, 2012). Esse é um tópico especialmente sensível na área de contabilidade e finanças, já que essa área congrega informações estratégicas da empresa. Segundo Cornacchione Junior (2012), essa forma de controle é uma estratégia específica, usada para implementar a confidenciali- dade em ambientes digitais nos quais as informações são armazena- das em bancos de dados. Ele envolve a criação de regras e mecanis- mos que regulam quem pode acessar, modificar ou excluir determinados dados armazenados. Alguns dos principais componentes do controle de acesso ao banco de dados incluem o processo de verificar a identidade de um usuário que tenta acessar essas soluções, que geralmente envolvem o uso de 105Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial credenciais, como nome de usuário e senha. Deve-se também determi- nar quais ações um usuário autenticado pode realizar no banco de dados (Imoniana, 2016). Isso pode envolver a concessão de permissões espe- cíficas, como leitura, gravação ou exclusão de dados amplamente apli- cados em softwares de contabilidade. Segundo Rezende e Abreu (2013), outro ponto é a definição de diferen- tes níveis de acesso com base em papéis ou funções dos usuários. Por exemplo, administradores podem ter entrada total, enquanto usuários regu- lares têm acesso limitado ou ainda acessos de inserção de informações separados daqueles em que há possibilidade de modificação. O processo de registrar e monitorar as atividades de acesso ao banco de dados ocorre para identificar atividades suspeitas ou não autorizadas. Adicionalmente, deve-se proteger os dados armazenados por meio da criptografia para que, mesmo que um invasor ganhe acesso, os dados estejam ilegíveis sem a chave de descriptografia apropriada, ou seja, que não permita que sejam retiradas as proteções do banco de dados. Por fim, estabelecer políticas claras que definam quem pode acessar as par- tes do banco de dados e sob que circunstâncias (Imoniana, 2016). Ainda segundo Rezende e Abreu (2013), o controle de acesso ao banco de dados é essencial para garantir que apenas pessoas autorizadas pos- sam acessar e manipular os dados, protegendo, assim, a confidenciali- dade das informações. 3 Vulnerabilidades técnicas, prevenção e plano de contingência As vulnerabilidades técnicas se referem a pontos fracos ou falhas em sistemas, aplicativos, redes ou infraestruturas de TI que podem ser explorados por ameaças ou ataques cibernéticos para comprometer a segurança e a integridade dos dados. Essas fragilidades podem surgir devido a erros de programação, configurações inadequadas, falta de 106 Sistemas contábeis atualizações de segurança e outras fraquezas que podem ser explora- das por atores maliciosos (MPF, 2018). Ainda segundo o órgão, a prevenção de vulnerabilidades técnicas envolve uma série de práticas e medidas destinadas a identificar, mitigar e evitar essas brechas antes que sejam exploradas por ameaças cibernéticas. Algumas estratégias comuns de prevenção dessas fraquezas incluem manter todos os sistemas, aplicativos e dispositivos atualizados com as últimas correções de segurança para reparar eventuais vulnerabilidades. Devem, também, ser realizadas auditorias regulares de segurança para identificar e corrigir vulnerabilidades não detectadas e ser feitos tes- tes controlados para simular ataques cibernéticos e identificar poten- ciais pontos fracos nos sistemas (Imoniana, 2016). Outra forma de prevenção é a configuração de sistemas e aplicativos com configurações de segurança adequadas para minimizar as exposi- ções. Deve-se, ainda, monitorar constantemente os sistemas em busca de atividades suspeitas ou tentativas de exploração de vulnerabilidades. Adicionalmente, deve-se utilizar firewalls, que são sistemas de segu- rança, ou softwares antivírus específicos para bloquear tráfego malicioso e identificar malware. Pode-se, adicionalmente, implementar aplicativos e sistemas com boas práticas de codificação segura para evitar vulne- rabilidades de software (Cornacchione Junior, 2012). Um plano de contingência, por outro lado, é um conjunto de ações e procedimentos preparados para serem implementados em resposta a incidentes de segurança ou situações de emergência. Um plano de con- tingência para vulnerabilidades técnicas visa minimizar o impacto de ata- ques cibernéticos bem-sucedidos ou outros eventos adversos. Os planos de contingência podem ser amplamente aplicados à área contábil por meio da avaliação de sistemas, realização de testes de segu- rança na área e auditorias contínuas nos sistemas. 107Segurança em SI e questões éticas, sociaise profissionais em um SI empresarial O desenvolvimento de procedimentos detalhados para responder a incidentes de segurança deve incluir ações imediatas para minimizar o dano. A organização deve também estabelecer um plano de comunica- ção interna e externa para informar as partes interessadas sobre os inci- dentes e as ações tomadas. A empresa deve, de forma adicional, reali- zar testes regulares do plano de contingência e treinar os membros da equipe para garantir que eles saibam como responder eficazmente a situações de emergência. 4 Comportamento e habilidades do(a) gestor(a) do sistema de informação contábil O comportamento e as habilidades do(a) gestor(a) do Sistema de Informação Contábil (SIC) desempenham um papel fundamental na efi- cácia, segurança e sucesso dos sistemas de informação contábil de uma organização. Esse profissional desafia e lidera a administração e o desen- volvimento e realiza a manutenção dos sistemas de informação finan- ceira e contábil, garantindo que eles atendam às necessidades da orga- nização de maneira eficiente e segura. O gestor do SIC deve ser capaz de liderar equipes, definir metas e tomar decisões informadas. Eles precisam identificar os melhores cur- sos de ação para a implementação, atualização e manutenção dos sis- temas, considerando fatores técnicos, orçamentários e estratégicos. Uma compreensão profunda dos princípios contábeis e financeiros é essencial para garantir que os sistemas de informação contábil sejam precisos e confiáveis. O gestor também deve estar atualizado com as tendências e inovações tecnológicas que afetam a área contábil. Esse profissional também deve estar atento aos custos relacionados à área e como controlá-los (Gil; Augusto; Nascimento, 2013). Ainda segundo os autores, os SICs podem enfrentar desafios técnicos, operacionais e de conformidade. Com isso, o profissional precisa ser capaz 108 Sistemas contábeis de identificar problemas, analisar causas raiz e implementar soluções efi- cazes. O desenvolvimento, implantação e atualização de sistemas de infor- mação contábil muitas vezes envolvem projetos complexos. Observa-se, ainda, que a tecnologia e as regulamentações estão em constante evolução. Logo, um gestor de sistema de informação contá- bil precisa ser adaptável e capaz de se ajustar a novos cenários, tecno- logias e mudanças regulatórias. Sabe-se que a área contábil lida com informações financeiras sensí- veis. Nesse contexto, o gestor precisa agir com ética e integridade, garan- tindo que os dados sejam tratados com confidencialidade e precisão. A tecnologia e as melhores práticas contábeis estão em constante mudança, assim, o gestor deve ter uma abordagem de aprendizado contínuo para se manter atualizado (Padoveze, 2015). O gestor do SIC desempenha um papel vital na integridade e eficácia dos sistemas financeiros e contábeis de uma organização. Suas habili- dades, conhecimentos e comportamentos influenciam diretamente a qualidade das informações contábeis, a conformidade com regulamen- tações e a tomada de decisões informadas. 5 Perfil do(a) profissional e responsabilidade de desenvolvedores e usuários de sistemas O perfil do(a) profissional da área de Sistemas de Informação (SI) é diversificado, abrangendo uma variedade de habilidades técnicas e com- portamentais que permitem sua atuação de forma exitosa nesse âmbito. Esse profissional deve possuir um bom entendimento de programa- ção, desenvolvimento de software, bancos de dados, redes e outras tec- nologias relevantes. A proficiência em linguagens de programação, fra- meworks, estruturas e outras ferramentas é essencial, assim como a capacidade de identificar e solucionar problemas de maneira eficiente, 109Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial já que o desenvolvimento e a manutenção de SI frequentemente envol- vem desafios técnicos (Stair et al., 2021) . Segundo os autores, dada a rápida evolução da tecnologia, os profis- sionais dessa área precisam ter uma abordagem de aprendizado contí- nuo, buscando constantemente se atualizar com as últimas tendências e inovações. A comunicação é fundamental para trabalhar em equipe, entender os requisitos dos stakeholders e explicar ideias técnicas de maneira acessível. A capacidade de analisar problemas complexos, decompor tarefas em etapas menores e avaliar soluções alternativas são outros elemen- tos de destaque para o sucesso na área. O desenvolvimento de sistemas geralmente envolve equipes multidisciplinares, então a colaboração e a capacidade de trabalhar bem com outros são fundamentais. Outra habilidade necessária é fornecer feedback ou ainda retorno sobre a usabilidade, eficácia e problemas encontrados no sistema. Além disso, tais profissionais devem seguir as políticas e procedimentos de segurança e conformidade ao usar o sistema. Existe, também, a neces- sidade de participação em treinamentos para aprender a utilizar eficaz- mente o sistema e minimizar possíveis problemas. Atuando junto à área contábil propriamente dita, tais profissionais devem ter habilidades para promover a criação, implementação e manu- tenção dos sistemas de informação contábil (SIC). Além disso, devem atuar junto à segurança e conformidade, principalmente em relação às regulamentações contábeis e fiscais vigentes. Com relação aos usuários de SI, eles devem usar as ferramentas tec- nológicas de maneira segura, evitando compartilhamento de senhas e observando os requisitos dos sistemas, devem ainda atentar-se para a inserção de dados que estejam de acordo com as políticas contábeis da empresa e com a legislação vigente. 110 Sistemas contábeis O treinamento e atualização também fazem parte das premissas dos usuários de tais soluções, assim como a elementar colaboração com os profissionais da área. 6 Plano de ética na área de TI Um plano de ética na área de Tecnologia da Informação (TI) é um ins- trumento ou conjunto de diretrizes, princípios e políticas que orientam o comportamento ético e as decisões tomadas por profissionais de TI em suas atividades diárias. Ele define as normas e valores que devem ser seguidos para garantir a integridade, confiabilidade e responsabilidade das ações realizadas no contexto da tecnologia da informação (Audy; Andrade; Cidral, 2007). Esse plano tem relevância para a área contábil, já que busca garantir a integridade dos dados contábeis, visando que este esteja completo, livre de fraudes e erros sistêmicos. O plano de ética na área de TI pro- cura ainda garantir a segurança dos dados, protegendo informações e primando pela privacidade e confidencialidade das informações contá- beis e relacionadas. O plano de ética em TI tem como objetivo promover a conduta ética não apenas na forma como os profissionais de TI interagem com siste- mas, dados e tecnologias, mas também com colegas, clientes, outras áreas, usuários finais e a sociedade em geral (Audy; Andrade; Cidral, 2007). Um plano de ética na área de TI pode incluir, entre outros elementos, o estabelecimento dos valores essenciais que devem nortear as ações de profissionais de TI, como honestidade, integridade, transparência, pri- vacidade, respeito e responsabilidade (Stair et al., 2021). Segundo Audy, Andrade e Cidral (2007), além disso, deve-se orientar os profissionais de TI sobre as leis e regulamentações que se aplicam ao uso da tecnologia da informação, incentivando o cumprimento das normas legais. A defi- nição de práticas para a coleta, armazenamento e uso ético de informa- ções pessoais, respeitando a privacidade dos indivíduos. 111Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial Um plano de ética em TI fornece orientações para lidar com dilemas e conflitos de interesses que podem surgir nesse ambiente. A ética, nesse âmbito, promove a busca constante por aprimoramento e aprendizado, garantindo que os profissionais estejam atualizados com as melhores práticas e as últimas tecnologias.Esse plano também ajuda a estabele- cer mecanismos para a aplicação e fiscalização das políticas da área, incluindo a responsabilidade de liderança na promoção de uma cultura ética na organização. Tal instrumento não apenas contribui para um ambiente de trabalho saudável e respeitoso, mas também ajuda a pre- servar a reputação da organização, a confiança dos stakeholders e a con- formidade com regulamentações. É uma ferramenta essencial para asse- gurar que a tecnologia da informação seja usada de maneira responsável, íntegra e benéfica para a organização e a sociedade. Considerações finais No desenrolar deste capítulo, exploramos uma gama diversificada de tópicos que ilustram a complexidade e a importância inerentes à gestão de sistemas de informação contábil. Cada um dos tópicos, desde a segu- rança lógica até o plano de ética na área de TI, desempenha um papel vital na construção de uma base sólida para a administração eficaz e segura dos sistemas de informação. A compreensão da necessidade de proteger os sistemas de informa- ção contra ameaças crescentes é elementar. A segurança lógica não é apenas uma consideração técnica, mas uma salvaguarda para proteger ativos de informação críticos e manter a confiança dos stakeholders. A garantia da confidencialidade dos dados sensíveis é um imperativo ético e operacional. Ao controlar o acesso ao banco de dados, as orga- nizações podem minimizar os riscos de exposição e preservar a privaci- dade dos indivíduos. 112 Sistemas contábeis O reconhecimento das vulnerabilidades técnicas e a implementação de medidas preventivas são vitais para proteger os sistemas contra amea- ças cibernéticas em constante evolução. A criação de planos de contin- gência eficazes contribui para a resiliência do sistema diante de inciden- tes imprevistos. A figura do gestor de sistemas de informação contábil desempenha um papel central na administração bem-sucedida desses sistemas. As competências técnicas, juntamente com a capacidade de liderança e a tomada de decisões informadas, são essenciais para conduzir efetiva- mente os projetos de sistemas. A colaboração entre desenvolvedores e usuários é fundamental para a eficácia dos sistemas de informação. A responsabilidade comparti- lhada entre essas partes é um pilar que sustenta a criação e a utilização ética e funcional dos sistemas. A ética na área de TI ultrapassa o cumprimento das leis e regulamen- tos. Ela orienta a conduta dos profissionais, promovendo a integridade, a transparência e a responsabilidade em todas as etapas do desenvolvi- mento e uso dos sistemas de informação. Referências AUDY, J. L. N.; ANDRADE, G. K. DE; CIDRAL, A. Fundamentos de sistemas de informação. Porto Alegre: Bookman, 2007. CORNACCHIONE JÚNIOR, E. B. Informática aplicada às áreas de contabilidade, administração e economia. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2012. GIL, A. L.; BIANCOLINO, C. A.; SLAVOV, T. N. B. Sistemas de informações contábeis: uma abordagem gerencial. São Paulo: Saraiva, 2013. IMONIANA, J. O. Auditoria de sistemas de informação. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. 113Segurança em SI e questões éticas, sociais e profissionais em um SI empresarial MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF). Crimes cibernéticos. Brasília: MPF, 2018. Coletânea de artigos, v.3. Disponível em: https://memorial.mpf.mp.br/nacional/ vitrine-virtual/publicacoes/crimes-ciberneticos-coletanea-de-artigos. Acesso em: 8 out. 2023. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análises. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2015. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. DE. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013. STAIR, R. M. et al. Princípios de sistemas de informação. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2021. M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 115 Sobre a autora Tatiane Antonovz é graduada em ciências contábeis (2005), mes- tre (2010) e doutora em contabilidade (2020) pela Universidade Fede- ral do Paraná. Atua na área de Educação a Distância – EaD, com elabo- ração de material didático, banco de questões e gravação de aulas em diversas instituições. Autora de livros pelas editoras Senac São Paulo, Iesde, Edipro e Inter- saberes, entre outras, com diversos artigos apresentados e publicados em congressos e periódicos nacionais e internacionais. Atua como pro- fessora na área de ciências contábeis e áreas relacionadas, tanto na gra- duação quanto na especialização. Tem experiência em controladoria, adquirida na ExxonMobil, antiga proprietária da Esso Brasileira de Petróleo, Mondelez Brasil (Kraft Foods), escritórios de contabilidade, entre outros. capa _Hlk141443761 SIS_CON_01_ACE_2023 _Hlk141443761 SIS_CON_02_ACE_2023 _Hlk141633222 SIS_CON_03_ACE_2023 _Hlk145654440 SIS_CON_04_ACE_2023 SIS_CON_05_ACE_2023 SIS_CON_06_ACE_2023 SIS_CON_07_ACE_2023 SIS_CON_08_ACE_2023 SIS_CON_08_ACE_2023Informação Físico Fonte: adaptado de Padoveze (2019, p. 20). O subsistema institucional refere-se às crenças e valores dos proprie- tários da organização relacionados à sua missão. É pautado nas expec- tativas e investimentos financeiros e morais para alcançar os objetivos. Já o subsistema de gestão baseia-se nas crenças e valores da empresa, 13Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema otimizando as relações comerciais, considerando o ambiente interno e externo. Inclui etapas de planejamento, controle e tomada de decisões. O subsistema de informações representa as necessidades informa- cionais da empresa e o fluxo contínuo de informações. É composto por múltiplos subsistemas que formam o sistema de informação, utilizado como vantagem operacional e competitiva. O subsistema organizacio- nal está ligado à autoridade da empresa, agrupando atividades em depar- tamentos e definindo a estrutura administrativa. Inclui definição de auto- ridade, responsabilidade e distribuição de tarefas. No caso do subsistema físico, estão representados os elementos materiais da empresa, como móveis, utensílios, máquinas e prédios uti- lizados para a atividade empresarial. Otimiza recursos e aplica eficiência e eficácia à gestão. O subsistema social é aquele que compreende os elementos humanos da empresa, como colaboradores e cultura organi- zacional. Inclui necessidades individuais, motivação, liderança, treina- mentos e afeta diretamente a performance da empresa. A compreensão de tais relações é de extrema importância para resol- ver questões empresariais, projetos e qualquer empreendimento que bus- que aumentar as atividades operacionais. É necessário avaliar e consi- derar a interdependência desses elementos em um sistema ao mesmo tempo em que se respeitam os conceitos teóricos associados à teoria geral dos sistemas (TGS). 3 A empresa como um sistema A teoria geral dos sistemas (TGS) é uma abordagem interdisciplinar que foi desenvolvida por Ludwig von Bertalanffy na década de 1930. Ela busca estudar os sistemas como um todo, independentemente de sua natureza específica e se concentra nas propriedades e princípios comuns que podem ser aplicados a todos os sistemas (Padoveze, 2019). A TGS 14 Sistemas contábeis é amplamente aplicada em diversas áreas do conhecimento, incluindo a administração e a gestão de empresas (Rezende; Abreu, 2013). O conceito de sistema deriva da TGS, cujas características são res- paldadas por princípios adaptáveis a uma ampla gama de sistemas, inde- pendentemente da atividade que eles desempenham. As dinâmicas das relações e interações entre os sistemas também estão vinculadas a esses princípios específicos. Com isso, um sistema em interação com o ambiente é considerado aberto, o que se aplica às empresas. Entender completamente esse con- ceito é desafiador devido à complexidade do ambiente. As organizações como sistemas abertos são aquelas nas quais a interação social busca melhorar a vida das pessoas envolvidas e contribuir para a evolução da sociedade. A empresa, visualizada como um sistema aberto, está em constante interação e depende das trocas com entidades externas. Essa dependência é frequentemente esquecida devido à atividade interna intensa. Empresas assim não podem ser isoladamente analisadas, pois suas metas podem evoluir devido às transações entre os elementos do sistema aberto. A análise dos componentes de um sistema é essencial para entender como eles se relacionam, como suas interações contribuem para o funcionamento global do sistema e como os objetivos são alcan- çados. Cada componente desempenha um papel crucial no contexto do sistema e, juntos, eles formam uma rede complexa de relações que mol- dam o comportamento e o desempenho do sistema como um todo. Essa abordagem da análise de sistemas e de seus componentes é essencial em várias áreas do conhecimento, como engenharia, biologia, sociologia, administração, entre outras. Compreender os sistemas em profundidade permite desenvolver estratégias eficazes para otimizar o seu funcionamento, solucionar problemas e atingir os resultados dese- jados. É uma perspectiva valiosa para o avanço do conhecimento e para o desenvolvimento de soluções mais eficientes e eficazes. 15Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema Por outro lado, se a empresa fosse considerada um sistema fechado, não conseguiria realizar suas atividades, pois depende da interação com outras organizações ao longo do tempo para se manter em funciona- mento. Outra característica de um sistema fechado é sua falta de inte- gração no compartilhamento de informações, bem como falta de intera- ção com o meio em que está inserido. Assim, os sistemas fechados podem ser considerados aqueles que não interagem com os outros. Logo, uma organização não pode atuar como tal, uma vez que essas intera- ções ocorrem somente nos sistemas abertos. 4 Conceitos básicos sobre sistemas de informação Uma perspectiva importante relacionada aos sistemas de informa- ção (SI) é que eles devem ser criados com o intuito de gerar resultados úteis para a sociedade, seja de forma direta ou indireta. Essa finalidade orienta a busca por funções específicas e um propósito claro para o sis- tema em questão. Os fundamentos da TI e dos SI são essenciais no contexto empresa- rial atual. Eles envolvem a aplicação de tecnologias para coletar, arma- zenar, processar e transmitir informações com o objetivo de apoiar os processos de negócios e a tomada de decisões. Para compreender completamente o funcionamento de um SI e como ele se destaca junto à gestão, é necessário desmembrá-lo em elemen- tos e entender suas funções. Isso proporciona uma compreensão mais profunda e ampla do sistema (Padoveze, 2019). Todo sistema possui componentes fundamentais, incluindo objetivos que orientam suas ações, o ambiente/processo em que opera, entradas/recursos necessários, com- ponentes internos e saídas resultantes. A administração e o controle são cruciais para o funcionamento ade- quado, juntamente com a avaliação de desempenho (Luz, 2014). Uma 16 Sistemas contábeis perspectiva adicional vê os sistemas com objetivos e medidas de desem- penho, considerando ambiente, recursos, atividades e metas de rendi- mento como elementos essenciais. Analisando as duas definições, é pos- sível identificar elementos comuns, como as entradas e saídas do sistema, além de todo o processo de transformação envolvido. Também é evi- dente que os objetivos exercem uma influência importante no processo de gestão de qualquer organização empresarial. A figura a seguir ilustra como os componentes de um sistema funcionam e como estão interli- gados com seus elementos. Figura 2 – Componentes de um sistema Objetivos Entradas Retroalimentação SaídasProcesso de transformação Co nt ro le e av al ia çã o Fonte: adaptado de Padoveze (2019, p. 4). Assim, de acordo com as especificações de Padoveze (2019), os sis- temas de informação (SI), de forma específica, são compostos por um conjunto de recursos que englobam aspectos humanos, materiais e finan- ceiros, organizados em uma sequência lógica que permite a entrada e o processamento de dados para obtenção das informações vitais no ambiente empresarial. Os recursos humanos, conforme apontados por Gil, Biancolino e Bor- ges (2013), desempenham papéis diversos e interagem na construção, elaboração e utilização dos sistemas de informação. Os gestores, sendo os principais representantes, atuam como usuários da informação, 17Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema necessitando de dados corretos e em tempo hábil para embasar suas decisões assertivas. Por outro lado, os desenvolvedores são profissionais especializados na modelagem de sistemas, cuja participação é fundamental, pois sua atuação impacta diretamente no funcionamento da empresa. Além desses profissionais, outros também contribuem em situações específicas, desenvolvendo soluções ou atuando em problemas emer- gentesque surgem devido a mudanças na rotina da organização. Todos esses membros dos recursos humanos desempenham um papel crucial para o bom desempenho e o progresso da empresa. Outro ponto relevante são os recursos tecnológicos, que se comple- mentam com os recursos humanos e materiais. Os softwares, assim como os profissionais, são considerados recursos essenciais, pois repre- sentam a evolução tecnológica dos sistemas de informação e são fun- damentais para o crescimento do ambiente empresarial. Os recursos financeiros, tanto no contexto dos sistemas de informa- ção quanto na organização em geral, devem ser encarados como inves- timentos, e seu planejamento deve ser realizado considerando os retor- nos a médio ou longo prazo. É importante entender a relevância do adequado aporte financeiro para a manutenção e o desenvolvimento dos sistemas de informação, assim como para a prosperidade da empresa. Considerações finais Neste capítulo, exploramos os fundamentos da tecnologia da infor- mação (TI) e dos sistemas de informação (SI) e sua importância no con- texto empresarial. Começamos examinando o ambiente em constante evolução da TI e seus elementos, reconhecendo seu impacto transfor- mador nas organizações e na sociedade. A rápida mudança tecnológica impulsiona a inovação, criando novas oportunidades de negócios, mas 18 Sistemas contábeis também desafiando as empresas a se adaptarem a um cenário em cons- tante transformação. A compreensão dos conceitos de sistemas e subsistemas é fundamen- tal para perceber como a interdependência entre os elementos dentro de um sistema pode influenciar o desempenho global. Identificar os subsis- temas e suas interações é crucial para otimizar processos, melhorar a efi- ciência e promover uma abordagem holística na gestão empresarial. Ao visualizar a empresa como um sistema complexo, percebemos que todas as partes trabalham em harmonia para alcançar objetivos com- partilhados. A interconexão entre os diversos componentes, incluindo recursos humanos, tecnologias e cultura organizacional, influencia dire- tamente o sucesso da organização. Uma visão sistêmica da empresa permite a identificação de pontos fortes e fracos, possibilitando que sejam tomadas decisões estratégicas embasadas em uma compreensão abrangente da organização. Por fim, abordamos os conceitos básicos sobre sistemas de informa- ção (SI) e seu papel na coleta, armazenamento, processamento e disse- minação de informações relevantes para a tomada de decisões geren- ciais. Os SI são ferramentas poderosas para a automação de processos, aprimoramento da colaboração entre os membros da organização e a obtenção de vantagens competitivas no mercado. Referências CRUZ, T. Sistemas de informações gerenciais e operacionais: tecnologias da informação e as organizações do século 21. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2019. GIL, A. L.; BIANCOLINO, C. A.; BORGES, T. N. Sistemas de informações contábeis: uma abordagem gerencial. São Paulo: Saraiva, 2013. GONÇALVES, R. C. DE M. G.; RICCIO, É. L. Sistemas de informação ênfase em controladoria e contabilidade. São Paulo: Atlas, 2009. 19Conceitos básicos e a empresa vista como um sistema LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Essentials of management information systems. 10. ed. Boston: Pearson, 2013. LUZ, E. E. DA. Controladoria corporativa. 2. ed. Curitiba: Intersaberes, 2014. OLIVEIRA, D. P. R. Sistemas de informações gerenciais: estratégias, táticas, operacionais. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2018. PADOVEZE, C. L. Sistemas de informações contábeis: fundamentos e análises. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013. 21Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência Capítulo 2 Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência Vamos entender que o processo gerencial é a espinha dorsal de qual- quer organização bem-sucedida. Ele engloba três fases essenciais: pla- nejamento, execução e controle. O planejamento é o ponto de partida, os objetivos são definidos, as estratégias delineadas e os recursos alo- cados. Em seguida, vem a etapa da execução, em que as ações são colo- cadas em prática e os planos são colocados em ação. Por fim, o con- trole monitora o desempenho e os resultados, assegurando que as metas sejam alcançadas e, se necessário, ajusta os rumos. 22 Sistemas contábeis Deve-se estar atento ao fato de que a estratégia de uma empresa está intrinsecamente ligada à sua missão e faz parte do processo de gover- nança corporativa. Dessa forma, iremos compreender que a estratégia de uma empresa é o meio pelo qual ela busca cumprir sua missão, e a governança corporativa fornece a estrutura e os mecanismos para garan- tir que essa busca seja realizada de forma eficaz e responsável. Uma distinção fundamental no processo gerencial é a diferença entre o planejamento estratégico e o planejamento operacional. O planeja- mento estratégico abrange a visão geral da organização a longo prazo, definindo seus propósitos e metas gerais, e identificando as principais ações necessárias para alcançá-las. Em contraste, o planejamento ope- racional é mais tático e focado no curto prazo. Ele se concentra em deta- lhar as atividades específicas em cada área da organização para cum- prir as metas estabelecidas no planejamento estratégico. Veremos os planos de duração determinada e indeterminada. No pri- meiro caso, eles têm um período definido para sua implementação e são frequentemente associados a objetivos específicos, projetos ou empreen- dimentos temporários. Por outro lado, os planos de duração indetermi- nada são mais abertos e flexíveis, aplicando-se a processos contínuos e rotineiros da organização. No contexto do processo gerencial, os orçamentos desempenham um papel crucial como instrumentos de planejamento financeiro e de representação do plano estratégico convertido em números. Eles tradu- zem os planos em termos monetários, permitindo uma alocação eficiente dos recursos disponíveis e uma previsão dos resultados financeiros. Em meio ao cenário de negócios em constante evolução, a gestão de informações torna-se vital. O sistema de informações gerenciais (SIG) desempenha um papel essencial no processo gerencial, fornecendo dados e análises em tempo real para apoiar o planejamento, execução e controle de maneira informatizada. Com o auxílio do SIG, os gestores podem tomar decisões mais embasadas e assertivas, permitindo adap- tação rápida às mudanças do ambiente empresarial. 23Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência 1 Modelos de gestão Os sistemas de informação (SI) podem atuar em diferentes modelos de gestão. Por exemplo, no contexto de uma gestão autoritária, estão estreitamente vinculados ao modelo de gestão da empresa. Na gestão autoritária, o processo decisório e a administração centralizam-se na alta hierarquia da empresa, resultando em sistemas de informação precá- rios, fechados e também autoritários (Merighi et al., 2013). Segundo Rezende e Abreu (2013), as decisões e assuntos relevantes são discutidos e determinados exclusivamente pela alta administração, sem a participação das respectivas unidades departamentais destinatá- rias. Nesse cenário, cabe a essas unidades apenas aceitar e cumprir as diretrizes estabelecidas, sem a possibilidade de contribuir significativa- mente para as decisões ou aprimorar o processo decisório. O fluxo de informações é limitado e restrito, com pouca dissemina- ção de dados e conhecimento para além dos níveis mais altos da hierar- quia da empresa. Os SI são projetados para atender às necessidades e demandas da alta administração, muitas vezes sem considerar a eficiên- cia e eficácia nas operações diárias das diferentes áreas da empresa (Merighi et al., 2013). Nesse tipo de gestão, os colaboradores têm pouca autonomiae menos participação ativa nas decisões, o que pode levar a uma desmotivação geral, falta de engajamento e até resistência às mudanças impostas pela administração central. A comunicação de mão única pode gerar lacunas no entendimento das necessidades do mercado e dos clientes, resul- tando em uma adaptação lenta a novas demandas e oportunidades (Rezende; Abreu, 2013). Portanto, é importante considerar a relevância da sinergia entre os modelos de gestão e os SI, a fim de promover uma abordagem mais cola- borativa e participativa, onde o fluxo de informações seja livre, 24 Sistemas contábeis transparente e orientado para a tomada de decisões estratégicas que beneficiem a empresa como um todo (Gil; Augusto; Nascimento, 2013). Merighi et al. (2013), citam que no modelo de gestão democrática, a alta administração adota uma postura mais consultiva e permite a parti- cipação ativa dos níveis inferiores da empresa no processo decisório. Além disso, há espaço para a delegação de responsabilidades, o que faci- lita a abertura dos SI que, anteriormente, poderiam ser mais fechados. Nessa abordagem, os assuntos são discutidos de forma ampla, envol- vendo todos os colaboradores, e a tomada de decisões busca conside- rar diversas perspectivas e opiniões. No entanto, é importante notar que, em alguns casos, mesmo com essa aparência democrática, a execução das determinações ainda acaba sendo centralizada nas respectivas uni- dades departamentais, criando uma dinâmica que se assemelha à ges- tão autoritária. Essa aparente contradição pode resultar de vários fatores, como uma cultura organizacional arraigada em hierarquia e controle, falta de con- fiança na capacidade dos níveis inferiores de tomar decisões ou mesmo uma resistência da alta administração em abrir mão do controle. Essa discrepância entre a gestão democrática e a prática real pode ser consi- derada uma forma de maquiagem da abordagem democrática, em que a aparência de participação é mantida, mas as decisões fundamentais ainda permanecem centralizadas. Apesar disso, a gestão democrática tende a promover um ambiente mais inclusivo e colaborativo, com maior engajamento dos colaborado- res e um fluxo de informações mais aberto. Isso pode levar a melhores resultados em termos de inovação, motivação da equipe e capacidade de resposta às demandas do mercado. A busca por uma verdadeira ges- tão democrática requer uma mudança cultural profunda, com ênfase na descentralização do poder e na promoção de uma cultura de confiança e transparência. 25Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência Na gestão participativa, a alta administração descentraliza o processo decisório e permite a delegação e o envolvimento de todos os níveis hie- rárquicos. A definição de políticas e o controle de resultados são realiza- dos em conjunto, promovendo sistemas de informação totalmente aber- tos, transparentes e efetivos (Mendes; Costa; Ferreira, 2014). Segundo os autores, os assuntos são discutidos de forma colabora- tiva, com a efetiva participação das respectivas unidades departamen- tais destinatárias e as decisões são aceitas e cumpridas por todos os envolvidos. A gestão participativa é particularmente indicada para a admi- nistração de tecnologia da informação e seus recursos, em que o traba- lho colaborativo e a troca de ideias são fundamentais para o sucesso das operações. Na gestão situacional, a alta administração e a gestão se adaptam e atuam de forma momentânea, muitas vezes, desvinculadas das polí- ticas e regras previamente estabelecidas. As decisões são tomadas de acordo com as circunstâncias específicas do momento, podendo ou não contar com a participação das respectivas unidades departamen- tais destinatárias. 2 Processo gerencial: planejamento, execução e controle O processo gerencial ou processo de gestão é uma abordagem fun- damental para garantir a eficiência e a eficácia das atividades realizadas dentro de uma organização. Esse processo geralmente é composto por três etapas interligadas e cíclicas: planejamento, execução e controle. A etapa de planejamento envolve a definição de metas, objetivos e estratégias que orientarão as ações da empresa em um determinado período. O planejamento consiste em estabelecer direcionamentos, 26 Sistemas contábeis identificar recursos necessários, prever possíveis desafios e criar um plano de ação para atingir os resultados desejados. Na execução, os planos e ação delineados no processo de planeja- mento são colocados em prática. É o momento de executar as ativida- des, alocar recursos, mobilizar equipes e implementar as estratégias tra- çadas anteriormente. A execução requer coordenação, comunicação eficiente e capacidade de adaptação às mudanças do ambiente empresarial. É necessário monitorar o desempenho das atividades de forma con- tínua e comparar os resultados alcançados com os objetivos planejados. O controle envolve a análise de indicadores de desempenho, a avaliação do progresso em relação às metas estabelecidas e a identificação de possíveis desvios ou falhas no processo. Com base nas informações obtidas, são tomadas ações corretivas ou ajustes para garantir que a empresa esteja no caminho certo para atingir seus objetivos. O processo de gestão por meio dessas três eta- pas interligadas possibilita uma gestão mais estruturada e orientada a resultados, permitindo que a organização alcance seus objetivos de forma mais eficiente e eficaz, alinhados à missão da empresa. Além disso, o ciclo contínuo de planejamento, execução e controle possibilita a adaptação da empresa às mudanças do mercado e do ambiente empresarial, garantindo sua competitividade e sucesso a longo prazo. 3 Planejamento estratégico versus planejamento operacional O planejamento, inicialmente desenvolvido no contexto militar para vencer o inimigo, teve sua aplicação estendida ao mundo dos negócios após a Revolução Industrial, a partir do século XIX. Ao longo do tempo, 27Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência novas formas de planejamento foram surgindo para atender às deman- das das organizações em constante evolução. Por volta dos anos 1960, surgiu o conceito de planejamento de longo prazo, que se diferenciava por incorporar projeções, tendências e análise de lacunas. Esse tipo de planejamento permitia que as empresas olhas- sem para o futuro e estabelecessem direcionamentos consistentes. Na década de 1970, o planejamento estratégico passou a ganhar espaço nas organizações. Esse tipo de planejamento envolve uma análise deta- lhada dos pontos fortes da organização, das oportunidades e das amea- ças que podem afetá-la. É uma abordagem que visa definir a direção e os objetivos de longo prazo da empresa. Dentro do planejamento, encontramos três divisões: estratégico, tático e operacional. O planejamento estratégico foca em um horizonte de longo prazo, geralmente de cinco anos ou mais, e estabelece a visão e a mis- são da empresa, indicando o lugar que ela pretende chegar. As metas e objetivos estabelecidos no planejamento estratégico são qualitativos, abrangendo questões estratégicas relacionadas a produtos, marketing e posicionamento no mercado. Essa abordagem busca garan- tir que a empresa esteja alinhada com sua visão de futuro e seja capaz de adaptar-se às mudanças do ambiente empresarial. No planejamento tático, que abrange um prazo médio de três a cinco anos em que são estabelecidos e mensurados os objetivos tanto quantitativos quanto qualitativos da organização. Nessa abordagem, são desenvolvidas ações relacionadas à produção, bem como aspec- tos de financiamento. Por outro lado, o planejamento operacional detalha minuciosamente como as operações serão executadas. Nesse estágio, são colocadas em prática ações quantitativas específicas, envolvendo atividades como 28 Sistemas contábeis vendas, aquisição de insumos, contratação de colaboradores e desen- volvimento de tarefas operacionais. Para queo planejamento estratégico ocorra de forma bem-sucedida, podemos resumi-lo em três etapas fundamentais, conforme destacado por Lunkes (2007): 1. Elaboração da estratégia ou definição do planejamento: nessa fase, a empresa escolhe a estratégia a ser seguida e define o direciona- mento que será adotado. 2. Implementação da estratégia: ligação entre a estratégia elaborada e sua execução na empresa. As ações planejadas começam a ser efetivamente postas em prática. 3. Acompanhamento da estratégia ou controle: essa etapa envolve o monitoramento contínuo do progresso do planejamento e a veri- ficação do cumprimento das metas estabelecidas. Essas três etapas formam a base do planejamento estratégico, mas é possível inserir outras etapas adicionais, conforme a maturidade da empresa, as pessoas envolvidas, as questões de sistemas e as ferramen- tas utilizadas no processo de planejamento. O processo de planejamento é flexível e pode ser ajustado para que a empresa escolha o melhor caminho que se adapte à sua realidade e objetivos específicos. A flexibilidade permite que a empresa se adapte a mudanças do ambiente externo e interno, garantindo a eficácia e o sucesso do planejamento estratégico. 4 Planos de duração determinada X planos de duração indeterminada Planos de duração determinada e duração indeterminada são duas abordagens distintas na gestão e tomada de decisões empresariais. No primeiro caso, as metas, objetivos e ações são estabelecidos para um 29Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência período específico, com um prazo definido para sua execução. Esses pla- nos geralmente têm uma duração fixa, que pode ser curta, média ou longa, e são elaborados com base em previsões, projeções e análises do cenário atual e futuro da empresa e do mercado. Os planos com duração determinada têm foco e clareza que são obser- vados ao ter um prazo determinado, os objetivos são mais específicos e a equipe pode se concentrar em atingi-los dentro do período estabele- cido. Além disso, como o tempo é limitado, é possível detalhar melhor as etapas e ações necessárias para alcançar as metas. Entretanto, existe uma restrição temporal, uma vez que alguns planos podem ser insuficientes para atingir metas mais ambiciosas ou de longo prazo. Observa-se, adicionalmente, a rigidez. Essa falta de flexibilidade pode dificultar a adaptação a mudanças repentinas ou imprevistas no ambiente empresarial. Os planos de duração indeterminada, por outro lado, são mais aber- tos e flexíveis, sem um prazo definido para sua conclusão. Eles se con- centram em direcionar a empresa de forma contínua, adaptando-se às condições em constante mudança do mercado. Como vantagens, tais tipos de planos possuem a adaptabilidade, já que a empresa pode responder rapidamente a mudanças e oportunida- des emergentes no mercado. Esses planos que não possuem restrições em relação ao tempo têm uma visão de longo prazo. Ao não estar limi- tado a prazos específicos, os planos podem abordar metas e objetivos de longo alcance. Entretanto, pode ocorrer nestes planos a falta de foco. A ausência de um prazo pode levar a uma dispersão de esforços e ações não prioritá- rias. Outra desvantagem é a dificuldade na mensuração de resultados: a falta de um prazo pode dificultar a avaliação dos resultados e a identifi- cação de possíveis ajustes nas estratégias. 30 Sistemas contábeis Em muitos casos, é possível utilizar uma abordagem combinada, em que planos de duração determinada são implementados para alcançar metas específicas em um período estipulado, enquanto planos de dura- ção indeterminada garantem a flexibilidade e adaptabilidade da empresa a longo prazo. A escolha entre essas abordagens dependerá das carac- terísticas e necessidades da empresa, bem como do contexto em que está inserida. 5 Orçamentos, instrumentos ou tipos de planos Lunkes (2007) conceitua o orçamento como uma peça essencial para todos os processos gerenciais, com a flexibilidade de ser implementado em diversos formatos, desde os mais simples aos mais sofisticados. O orçamento pode desempenhar o papel de estabelecer planos e contro- les em curto, médio e longo prazo, embora existam divergências de opi- nião sobre o assunto. O orçamento é utilizado como instrumento de controle ou ainda plano de autorização para a realização de despesas e investimentos na organização. O processo de orçamentação permite projetar cenários financeiros futuros com base em dados e informações disponíveis, auxi- liando na tomada de decisões estratégicas. Ele proporciona uma visão global dos recursos disponíveis e das necessidades da organização, per- mitindo a coordenação eficiente de ações e projetos. O processo de orça- mentação gera informações relevantes sobre os recursos financeiros, possibilitando a identificação de prioridades e direcionando os esforços da empresa de maneira mais eficaz. PARA SABER MAIS O orçamento é uma poderosa ferramenta utilizada, entre outras finalida- des, para o controle gerencial. No artigo Interface dos sistemas de 31Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência controle gerencial com a estratégia e medidas de desempenho em empresa familiar, de Ieda Margarete Oro e Carlos Eduardo Facin Lavarda, é possí- vel entender como é feito seu uso no processo de tomada de decisão (Oro; Lavarda, 2019). Essa ferramenta permite que os diversos setores da empresa alinhem suas atividades de acordo com as metas e objetivos estratégicos esta- belecidos, garantindo a coesão e a sinergia entre as áreas. O orçamento é uma ferramenta multifacetada, que pode ser aplicada de diversas manei- ras, desempenhando diferentes papéis na gestão das organizações. Sua abrangência e utilidade podem variar de acordo com a realidade e os objetivos de cada empresa, tornando-o uma peça fundamental para o planejamento e o controle de recursos financeiros. O orçamento desempenha um papel fundamental na distribuição de recursos, no gerenciamento do desempenho de atividades, colaborado- res e gestores, e na mensuração de aspectos financeiros e outros na organização (Lunkes, 2007). É uma ferramenta essencial no sistema administrativo de uma empresa, mas requer formalização para obter todas as suas vantagens como instrumento de planejamento. O processo de elaboração do orçamento está intrinsecamente ligado aos objetivos definidos na estratégia ou planejamento da organização. Sendo flexível, a condução desse processo depende de como a empresa aborda sua própria estrutura e elaboração do orçamento. Geralmente, a controladoria é o órgão responsável pela elaboração do orçamento. Essa área da empresa implanta sistemas de informações para coletar dados que alimentam tanto o planejamento quanto o pró- prio orçamento. Cabe ressaltar que este é realizado por vários gestores da organização. O orçamento empresarial clássico, conforme descrito por Lunkes (2007), engloba estimativas de mão de obra, custos indiretos, despesas 32 Sistemas contábeis de vendas e administrativas, bem como insumos em geral. Além disso, tradicionalmente, são projetadas as demonstrações contábeis e o orça- mento de investimento ou de capital é elaborado para prever os valores de desembolsos futuros relacionados à aquisição de ativos. O orçamento de caixa, por exemplo, complementa o orçamento empre- sarial ao mostrar as possíveis necessidades de desembolso da empresa e os fluxos de recursos futuros. Em algumas situações, a entidade pode detalhar planos de remuneração variável e outros valores que impactam suas finanças, de acordo com a atividade ou forma de funcionamento da organização. O orçamento de Base Zero (OBZ), como o nome sugere, é um método diferenciado, pois parte do zero para sua elaboração. O OBZ utiliza per- guntas como “o que gastar?”, “como?”, “por quê?” e, com base nas res- postas, são feitos pacotes de decisão para direcionar os gastos. Poste- riormente, a administração pode avaliar e entender como determinadaação impactou o orçamento. Por sua vez, o orçamento por atividades (ABB) segue o raciocínio do custeio por atividade (ABC), baseado na identificação e alocação dos custos de acordo com as atividades realizadas. Nessa abordagem orça- mentária, identifica-se que um conjunto de atividades gera gastos. São definidos processos, que são cadeias de atividades, os quais consomem recursos, como os gastos na área hospitalar para atender aos pacien- tes. Com base nisso, são projetados os valores do orçamento. 6 Papel do sistema de informações no contexto do processo gerencial Conforme Oliveira (2018), os sistemas de informações gerenciais (SIG) podem ser conceituados de várias maneiras. Uma definição consiste em considerá-los como uma combinação de pessoas, equipamentos, pro- cedimentos e documentos que coletam, validam e processam dados 33Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência destinados ao planejamento, orçamento, contabilidade, controle e outros processos gerenciais, com diversos propósitos administrativos. Outra perspectiva do autor é que os SIG são um processo de conver- são de dados em informações que serão utilizadas na estrutura decisó- ria da empresa, proporcionando à organização o suporte necessário para otimizar seus resultados (Audy; Andrade; Cidral, 2007). Segundo os autores, os SIG sintetizam, registram e relatam a situação operacional da empresa. Esses sistemas desempenham um papel signi- ficativo, principalmente para os gestores de nível tático, pois fornecem relatórios com indicadores sobre o desempenho de áreas específicas. De acordo com Caiçara Júnior (2015), os SIG são ferramentas que auxiliam as entidades a alcançar suas metas, proporcionando aos ges- tores uma visão abrangente das operações regulares da empresa e per- mitindo organização e planejamento otimizados. Esses sistemas podem estar relacionados a áreas específicas, como SIG de recursos humanos ou industrial. A implementação e utilização dos SIG têm o propósito de fornecer aos gestores uma variedade de relatórios, tanto para analisar questões passadas quanto para planejar o futuro da instituição. Conforme mencionado por Caiçara Júnior (2015), os SIG são ampla- mente utilizados em várias áreas das organizações, geralmente compos- tos por subsistemas específicos. Por exemplo, em um ambiente indus- trial, é comum encontrar subsistemas de engenharia, programação da produção e outros que apoiam a atividade produtiva como um todo, for- mando um sistema integrado. Além de suas funções gerenciais periódicas e rotineiras, consideradas básicas, os SIG podem desempenhar funções analíticas, incorporando ferramentas que auxiliam os gestores em suas tomadas de decisões. Essas ferramentas utilizam análises quantitativas sobre indicadores finan- ceiros, observação de tendências e avaliação de riscos, por exemplo. 34 Sistemas contábeis No contexto de um SIG financeiro, diversas funções são realizadas, incluindo coletar informações precisas, completas e consistentes de diversas fontes, fornecer relatórios gerenciais para acompanhar as tran- sações financeiras da empresa, apoiar decisões relacionadas a políticas fiscais e governamentais, facilitar a preparação de demonstrações finan- ceiras e outros relatórios, como o fluxo de caixa, possibilitar a análise financeira e a geração de relatórios, entre outras. Assim como o SIG industrial, o financeiro é composto por vários módu- los, incluindo controle contábil, administração do caixa, planejamento orçamentário e administração de investimentos, entre outros (Eleuterio, 2015). Segundo Oliveira (2018), é importante ressaltar que o SIG abrange apenas uma parte das informações globais da empresa, obtidas tanto do ambiente empresarial externo quanto do sistema de informações internas da própria organização. Por fim, o SIG é parte integrante do processo administrativo da empresa e deve estar alinhado com o planejamento, organização e gestão, sendo considerado uma ferramenta de extrema importância em cada uma des- sas etapas (Oliveira, 2018). Considerações finais Neste capítulo, foram abordados alguns dos principais tópicos rela- cionados a sistema de informação, modelo de gestão e processo de gerência. Os modelos de gestão são abordagens teóricas que orientam as práticas administrativas de uma empresa. Cada modelo possui carac- terísticas próprias e influencia diretamente a forma como os gestores tomam decisões e conduzem suas equipes. O processo de gestão composto pelas etapas de planejamento, exe- cução e controle, é essencial para o alcance dos objetivos organizacio- nais. É o momento de definir metas e traçar estratégias, enquanto a 35Sistemas de informação, modelo de gestão e processo de gerência execução envolve colocar em prática as ações planejadas. Já o controle permite monitorar o desempenho e corrigir eventuais desvios. Foi destacada a diferença entre o planejamento estratégico e o ope- racional. O primeiro está voltado para a visão de longo prazo, direcio- nando a organização como um todo, enquanto o planejamento opera- cional foca nas atividades cotidianas e nas operações diárias. Vimos que a definição da duração dos planos é um aspecto relevante na gestão organizacional. Planos de duração determinada têm prazo definido para sua execução e são comuns em projetos específicos, enquanto planos de duração indeterminada são contínuos, aplicados em situações de rotina e adaptação constante. Compreendemos que os orçamentos desempenham um papel crucial na gestão financeira, permitindo a alocação adequada de recursos para as atividades planejadas. Eles são apenas um dos instrumentos utiliza- dos no processo gerencial, que inclui também diversos tipos de planos, como os planos de marketing, recursos humanos, produção, entre outros. Por fim, o sistema de informações exerce um papel cada vez mais importante no contexto do processo gerencial. Com o avanço tecnoló- gico, a coleta e análise de dados tornam-se essenciais para embasar decisões estratégicas e operacionais, proporcionando maior agilidade e assertividade na condução dos negócios. Referências AUDY, J. L. N.; ANDRADE, G. K. DE; CIDRAL, A. Fundamentos de sistemas de informação. Porto Alegre: Bookman, 2007. CAIÇARA JÚNIOR, C. Sistemas integrados de gestão: ERP uma abordagem gerencial. 2. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015. ELEUTERIO, M. A. M. Sistemas de informações gerenciais na atualidade. Curitiba: Intersaberes, 2015. 36 Sistemas contábeis GIL, A. L.; AUGUSTO, C. B.; NASCIMENTO, T. B. Sistemas de informações contábeis: uma abordagem gerencial. São Paulo: Saraiva, 2013. LUNKES, R. J. Contabilidade gerencial. Florianópolis: Visual Books, 2007. MENDES, F.; COSTA, D. V. F.; FERREIRA, V. C. P. Gestão participativa: um estudo de caso analisando a caixa de sugestões como ferramenta de gestão. Gestão e Desenvolvimento, Novo Hamburgo, v. 11, n. 2, p. 117–131, 2014. MERIGHI, C. DE C. et al. Estudos do comportamento da liderança na Cooperativa de Crédito Rural Centro Norte do Mato Grosso do Sul, unidade Chapadão do Sul, como fator de desenvolvimento local. Interações, Belo Horizonte, v. 14, n. 2, p. 165–176, 2013. OLIVEIRA, D. DE P. R. DE. Sistemas de informações gerenciais: estratégias, táticas, operacionais. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2018. ORO, I. M.; LAVARDA, C. E. F. Interface dos sistemas de controle gerencial com a estratégia e medidas de desempenho em empresa familiar. Revista Contabilidade & Finanças, São Paulo, v. 30, n. 79, p. 14–27, 2019. REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. DE. Tecnologia da informação aplicada a sistemas de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos sistemas de informação nas empresas. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2013. 37Sistemas de informação da empresa Capítulo 3 Sistemas de informação da empresa Este capítulo tem como objetivo explorar os principais sistemas de informações utilizados pelas organizações, abordando suas caracterís- ticas e importância para o funcionamento harmoniosoe competitivo dos negócios. Serão apresentadas as áreas operacionais essenciais, que incluem o sistema administrativo e financeiro, o sistema contábil e o reporte fiscal, destacando o relevante papel do Sistema Público de Escri- turação Digital (Sped), Sped Contábil, Sped Fiscal e eSocial no cumpri- mento das obrigações legais. 38 Sistemas contábeis Além disso, será analisado o sistema de recursos humanos, que per- mite a gestão eficiente do capital humano, impulsionando o desenvolvi- mento e a satisfação dos colaboradores. A produção, outra área funda- mental, será abordada no contexto dos sistemas de informação que otimizam os processos produtivos. O capítulo também explora o sistema de comercialização e serviços, fator determinante para a conquista e manutenção de clientes, bem como outros sistemas de apoio à gestão, como o CRM (Customer Relationship Management), SCM (Supply Chain Management), HSE (Health, Safety and Environment), GRC (Governance, Risk and Compliance) e BI (Busi- ness Intelligence), que fornecem insights valiosos para a tomada de deci- sões estratégicas. Compreender a relevância e o funcionamento adequado dos sistemas de informação é essencial para que gestores e profissionais estejam pre- parados para enfrentar os desafios do mercado globalizado e altamente competitivo, garantindo a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade das organizações em um ambiente em constante evolução. 1 Principais áreas operacionais das organizações As organizações são compostas por várias áreas operacionais, que desempenham funções distintas, mas interconectadas, para alcançar os objetivos da empresa de forma eficiente e eficaz. As principais áreas ope- racionais das organizações podem variar de acordo com o tipo e o tama- nho da organização (Padoveze, 2019). Já a área de produção e operações da empresa concentra-se na pro- dução de bens ou prestação de serviços da organização. Envolve o geren- ciamento da cadeia de suprimentos, controle de qualidade, planejamento da produção, logística e gestão de estoque. 39Sistemas de informação da empresa A área de tecnologia da informação (TI), por sua vez, é aquela encar- regada de gerenciar a infraestrutura de TI, desenvolvimento de software, segurança da informação, suporte técnico e implementação de sistemas para apoiar as operações da organização. O departamento jurídico e de conformidade é responsável por ques- tões legais, regulatórias e de conformidade da organização. Isso inclui assuntos jurídicos, contratos, proteção de propriedade intelectual e con- formidade com regulamentações governamentais (Cruz, 2019). 2 Sistema administrativo e financeiro Um sistema de informação administrativo e financeiro é uma ferra- menta tecnológica utilizada pelas organizações para automatizar e inte- grar as atividades relacionadas à gestão administrativa e financeira. Essa ferramenta visa agilizar processos, facilitar o acesso às informações rele- vantes e melhorar a tomada de decisões por meio de dados precisos e atualizados. Pode ser implementada como um software específico ou como parte de um sistema de gestão empresarial, em inglês: Enterprise Resource Planning (ERP) (Gil; Biancolino; Borges, 2013). Segundo os autores, esses sistemas proporcionam informações valio- sas para o time de vendas, ajudando-o a identificar oportunidades de negócio, elaborar estratégias mais precisas e alcançar melhores resul- tados. A combinação dessas funcionalidades torna o ERP com módulo de gestão comercial uma poderosa ferramenta para impulsionar a efi- ciência operacional e a satisfação do cliente. O uso de um ERP também impulsiona, de forma específica, o processo de gestão financeira nas empresas. O software permite, por exemplo, integração das informações dos departamentos de compras e vendas e facilita o processo decisório, possibilitando a utilização de ferramentas essenciais de análise, como o fluxo de caixa, fornecendo uma visão mais completa da situação financeira da organização (Padoveze, 2019). 40 Sistemas contábeis A controladoria, área fundamental nas empresas atuais, se beneficia de diversas maneiras do uso do software. O ERP auxilia o gestor no cum- primento das obrigações acessórias, como o Sped (Sistema Público de Escrituração Digital Contábil), e na elaboração de outras demonstrações contábeis obrigatórias, tornando o processo mais ágil e confiável. Adicionalmente, a tecnologia do ERP possibilita um controle patri- monial detalhado do negócio, fornecendo informações precisas sobre o patrimônio da empresa e outras que auxiliam no processo de tomada de decisões. 3 Sistema contábil Considerando o sistema de informações contábeis de uma entidade, esse é o principal componente do sistema de gestão empresarial com o propósito de fornecer aos gestores informações de natureza monetária e não monetária para embasar o processo decisório. Destaca-se, nesse contexto, o papel das demonstrações contábeis e como elas podem ser usadas para o processo de tomada de decisão. Todos os subsistemas da empresa trabalham de forma conjunta, tendo como objetivo coletar, processar, armazenar e distribuir as infor- mações necessárias. Os subsistemas de uma empresa se referem a componentes ou áreas funcionais que desempenham papéis específi- cos e inter-relacionados na organização. O fluxo informacional segue uma dinâmica semelhante à de uma empresa industrial, envolvendo entrada de dados, processamento e dis- ponibilização de informações úteis. Contudo, nesse contexto, não se trata de um produto físico, mas sim de informações essenciais para o pro- cesso decisório. Para efetivar o sistema de informação contábil, são utilizados recur- sos que vão além dos dados a serem processados, englobando softwa- res para processamento, redes para comunicação, hardwares para 41Sistemas de informação da empresa instalação e, fundamentalmente, o papel das pessoas, pois nenhum sis- tema é capaz de funcionar sem a intervenção humana (Oliveira, 2014). 3.1 Reporte fiscal e sistema público de escrituração digital: Sped, Sped Contábil, Sped Fiscal e eSocial O Sped Contábil (Sistema Público de Escrituração Digital Contábil) é um dos componentes do projeto Sped (Sistema Público de Escrituração Digital) do governo brasileiro. O Sped Contábil é um sistema criado no Brasil em 2007, que opera inteiramente em formato digital para a gera- ção de informações contábeis e fiscais. Abrange a emissão de notas fis- cais eletrônicas até o registro contábil e fiscal, todos realizados eletronicamente. Por meio de sistema contábil próprio, a empresa ou o escritório de contabilidade responsável executa a conversão de todas as informa- ções eletrônicas provenientes de transações de compra e venda em registros digitais. Esses registros são, então, transferidos pela internet diretamente aos servidores da Receita Federal por meio de uma plata- forma padronizada. Antes de efetuar a transmissão, a autenticidade e integridade dos dados enviados são verificadas por meio da validação da assinatura digital da empresa que submete as informações. O Sped Contábil tem dois principais objetivos: facilitar a vida do governo e das empresas. Isso beneficia o governo ao melhorar a fiscalização e redu- zir erros manuais, além de diminuir a burocracia no acesso às informa- ções, agilizando o processo. PARA SABER MAIS Na página oficial do Sped é possível clicar em cada um dos módulos e conhecer todas as suas caraterísticas, a legislação ligada ao módulo, além de outros elementos (Sped, 2023). 42 Sistemas contábeis Com a adoção do Sped Contábil, o governo pode realizar uma pré-au- ditoria imediata ao receber as informações dos contribuintes, identifi- cando rapidamente eventuais inconsistências operacionais, como gran- des mudanças, e facilitando a detecção de possíveis problemas. Essa efetividade na fiscalização também ajuda a prevenir desvios e crimes tri- butários. Para as empresas, a adoção do Sped Contábil permitiu elimi- nar a necessidadede enfrentar filas ou imprevistos que poderiam cau- sar atrasos e multas na entrega dos documentos, tornando todo o processo de envio de documentos mais rápido e confiável. O Sped Fiscal (Sistema Público de Escrituração Digital Fiscal), por sua vez, tem como objetivo modernizar e simplificar o cumprimento das obri- gações fiscais das empresas perante os órgãos governamentais. Por meio do Sped Fiscal, as empresas devem enviar de forma eletrônica infor- mações detalhadas sobre suas operações fiscais, tais como a escritura- ção de documentos fiscais, apuração de impostos, registros de inventá- rio, entre outros dados relevantes. Já o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previ- denciárias e Trabalhistas (eSocial) faz parte da reestruturação e moder- nização do ambiente empresarial do Brasil. Ele visa simplificar a gestão de pessoas e o envio de informações para o governo. O sistema foi con- siderado inovador ao substituir registros em meios ultrapassados, como documentos físicos em papel, evitando perdas, erros e dificuldades de armazenamento (Filho; Kruger, 2015). As informações serão mantidas em ambiente público virtual seguro e sem custo para as empresas, com o prazo de armazenamento de até 30 anos. O eSocial é uma parte integrante do Sped. No Brasil, sua imple- mentação foi estabelecida pelo Decreto nº 8.373/2014 (Brasil, 2014). A Lei estabelece que o eSocial é uma ferramenta para centralizar o envio das informações necessárias para cumprir obrigações fiscais, previden- ciárias e trabalhistas das empresas. Ele simplifica o processo, unificando 43Sistemas de informação da empresa essas informações em um único sistema. O eSocial segue o sucesso de projetos anteriores, como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a Escrituração Contábil Digital (ECD) e o Sped, e foi criado para modernizar a gestão de recursos humanos e informações trabalhistas e previdenciárias, aten- dendo à necessidade geral da sociedade. 4 Sistema de recursos humanos Um sistema de recursos humanos, também conhecido como sistema de gestão de recursos humanos ou sistema de RH, é uma plataforma tecnológica desenvolvida para auxiliar na administração das atividades e processos relacionados aos recursos humanos de uma organização. Essas ferramentas também são conhecidas como Human Capital Mana- gement (HCM) ou sistema de administração de pessoal. Um sistema de RH permite, entre outras funcionalidades, o cadastro de funcionários, bem como o controle de ponto e frequência, a realiza- ção da folha de pagamento e a gestão de benefícios. Além disso, pode auxiliar no recrutamento e seleção, processo de treinamento e desenvol- vimento, assim como na avaliação de desempenho dos colaboradores. Por meio dessa tecnologia podem ser consultados dados e emitidos relatórios diversos. Essas ferramentas têm como objetivo centralizar, automatizar e otimizar as tarefas e informações referentes aos colabo- radores, facilitando a gestão de pessoas e promovendo a eficiência nas práticas de RH. O sistema de RH e a interface contábil desempenham papéis interli- gados na gestão de uma organização. A integração entre esses dois sis- temas é fundamental para garantir a precisão e eficiência no registro e no gerenciamento de informações relacionadas aos funcionários e às obrigações contábeis. 44 Sistemas contábeis 5 Sistema de produção Um sistema informatizado de controle de produção é uma solução tecnológica desenvolvida para gerenciar e monitorar todas as atividades e processos relacionados à produção de bens ou serviços em uma empresa. Esse tipo de sistema visa aprimorar a eficiência, a precisão e a integração das operações de produção, permitindo uma gestão mais efi- caz e assertiva. Alguns dos principais recursos e funcionalidades presen- tes em um sistema informatizado de controle de produção são a progra- mação e planejamento. Tal módulo permite a definição de cronogramas de produção, a alocação de recursos e a programação das atividades. Adicionalmente, quando um sistema informatizado de controle de pro- dução está integrado com o sistema contábil, ele oferece uma série de benefícios significativos para uma organização. Essa integração permite que dados cruciais de produção e financeiros fluam de maneira suave entre os dois sistemas, melhorando a eficiência e a precisão das operações. Além disso, a gestão de mão de obra é outra funcionalidade que faci- lita o controle da equipe de trabalho, a alocação de funcionários e o regis- tro de horas trabalhadas. Um sistema informatizado de controle de pro- dução ainda permite o controle de qualidade do processo produtivo. Tal tecnologia permite a realização de inspeções e verificações de qualidade ao longo do processo de produção. Outra possibilidade é a análise de desempenho. Por meio dessa fun- cionalidade são gerados relatórios e indicadores que fornecem informa- ções sobre a produtividade, eficiência e desempenho da produção. Além disso, a integração com outros sistemas permite que seja conectado a Sistemas de Gestão Empresarial (ERP) e outras ferramentas para com- partilhar informações de forma automática e consistente. Um ERP de controle de produção ainda permite a otimização de processos. Por meio dessa funcionalidade é possível identificar 45Sistemas de informação da empresa oportunidades de melhoria nos processos de produção, visando redu- zir custos e aumentar a eficiência. Com um sistema informatizado de controle de produção, as empresas podem obter maior agilidade, trans- parência e controle em todas as etapas da produção. Além disso, a tomada de decisões torna-se mais embasada e estratégica, possibi- litando uma gestão mais eficiente dos recursos e garantindo a entrega de produtos ou serviços de alta qualidade e dentro do prazo. 6 Sistema de comercialização e serviços A parte comercial de uma organização também poderá contar com o uso de ferramentas tecnológicas. Nesse contexto, um sistema infor- matizado de comercialização e serviços é uma solução desenvolvida para auxiliar na gestão e controle das atividades relacionadas à comer- cialização de produtos e prestação de serviços de uma empresa. Esse tipo de sistema visa automatizar e integrar os processos comer- ciais e operacionais, proporcionando uma visão abrangente e eficiente das operações do negócio. Assim como softwares de outras áreas, esse sistema é comumente dividido em módulos. Entre as funcionalidades desse tipo de tecnologia, pode ser citado o módulo de gestão de vendas. Essa interface permite o registro e acom- panhamento de todas as etapas do processo de comercialização, desde o cadastro de clientes até o fechamento da venda. O uso de um sistema nessa área permite também a gestão de contratos e serviços. Tal ferra- menta permite o controle de contratos com clientes, agendamento de serviços e acompanhamento de prazos. O módulo de controle de estoques, por sua vez, monitora o nível de estoque de produtos disponíveis para venda, evitando faltas ou exces- sos de mercadorias. Adicionalmente, podem ser feitos pedidos e orça- mentos, o que facilita a elaboração e gerenciamento de pedidos de ven- das e orçamentos para clientes. Outra funcionalidade é o processamento 46 Sistemas contábeis do faturamento e emissão de notas fiscais. Com isso, é automatizado o faturamento e emissão de notas fiscais para os clientes. Outra aplicabilidade do sistema de comercialização e serviços é o atendimento ao cliente. Esse módulo permite o gerenciamento e o regis- tro de atendimentos e solicitações de clientes, entre outras questões rela- cionadas às vendas. A emissão de relatórios e indicadores também poderá ser feita por meio dos softwares empregados na área de comer- cialização e serviços. Assim, é possível gerar relatórios e gráficos com informações sobre vendas, estoque, desempenho comercial, entre outros. 7 Outros sistemas de apoio à gestão: CRM, SCM, HSC, GRC, Business Intelligence (BI) Na atualidade, a gestão empresarial está ligada a uma série