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ENTENDIMENTO COMPLETO – HISTÉRIA, PSICANÁLISE E DESCOBERTAS DE FREUD
Pierre Janet e a Dissociação Psíquica
· Pierre Janet (1859–1947) foi discípulo de Charcot.
· Enquanto Charcot estudava os aspectos neurológicos da histeria, Janet focou nos processos psíquicos.
· Introduziu os conceitos de:
· Dissociação psíquica: separação de partes da mente (consciência dividida).
· Fraqueza do poder de síntese psíquica: dificuldade em integrar pensamentos e emoções num todo coerente.
· Considerava a histeria uma alteração degenerativa do sistema nervoso, baseada nessa fraqueza.
O paciente histérico seria incapaz de manter unida a multiplicidade dos processos mentais.
Freud e Breuer – Estudos sobre a Histeria (1893–1895)
· Desenvolveram a primeira teoria da Psicanálise a partir do estudo da histeria.
· Paciente mais conhecida: Ana O., que chamou o tratamento de “talking cure” (cura pela fala).
A cura ocorria quando ela expressava seus sentimentos e lembranças reprimidas.
Principais ideias:
· Teoria do trauma: os sintomas vêm de lembranças de cenas traumáticas (cenas patogênicas).
· “Os histéricos sofrem de reminiscências” → sintomas são lembranças inconscientes.
· O sintoma histérico é uma forma simbólica de expressão de um conflito psíquico.
· O corpo expressa aquilo que a fala não pode dizer → sintoma guarda uma mensagem que pode ser interpretada.
Conversão Histérica e Método Catártico
· Conversão histérica: ocorre quando uma emoção forte (afeto) não consegue ser expressa normalmente e é transformada em sintoma físico.
· Sintoma: o corpo “fala” por meio de manifestações físicas.
· Tratamento: reviver a lembrança e liberar o afeto reprimido → método catártico.
· Esse método tinha limitações: dependia da hipnose e não abordava profundamente a sexualidade.
Diferenças entre Freud e Breuer
· Breuer: explicava os sintomas por estados psíquicos especiais (hipnoides) e causas fisiológicas.
· Freud: entendeu que os sintomas vinham de conflitos psíquicos inconscientes — um jogo de forças entre desejos e resistências.
Consequências do Abandono da Hipnose
· Freud percebeu que a hipnose não resolvia o conflito psíquico, apenas silenciava o sintoma.
· Passou então a usar outro método, mais eficaz, que permitia o acesso ao inconsciente sem hipnose.
Descobertas principais:
· Técnica sugestiva: na hipnose o conflito era apenas silenciado; cessada a sugestão, o sintoma retornava.
· Resistência: pacientes resistiam a recordar lembranças reprimidas → revelou a existência de uma força que impede o acesso ao inconsciente.
· Recalque (repressão): mecanismo que mantém certas ideias afastadas da consciência.
· O Eu precisa gastar energia continuamente para manter o reprimido inconsciente.
· Conflito psíquico: ocorre entre desejos inconscientes (pulsões) e resistências do Eu.
· O conteúdo reprimido busca vias substitutivas (sintomas, sonhos, lapsos) para se manifestar.
Associação Livre
· Criada por Freud após abandonar a hipnose.
· Técnica fundamental da Psicanálise.
Como funciona:
· O paciente deve falar livremente tudo o que vier à mente, sem censura.
· O analista escuta e observa ligações, silêncios e resistências.
Objetivos:
· Permitir que o inconsciente se manifeste através da fala.
· Substituir a sugestão da hipnose por uma fala espontânea e autêntica.
· Trazer à consciência conteúdos reprimidos.
Resistência e Recalque
· Recalque:
· Mecanismo de defesa que empurra desejos ou lembranças inaceitáveis para o inconsciente.
· O conteúdo reprimido continua ativo e causa sintomas.
· Resistência:
· Força que impede o retorno do reprimido à consciência.
· Aparece na análise como esquecimento, risadas, distrações, etc.
· Relação entre ambos:
· O recalque joga o conteúdo para o inconsciente.
· A resistência impede que ele volte.
· A análise busca atravessar essa resistência e compreender o conteúdo reprimido.
Trauma Psíquico
· Ocorre quando o sujeito vive uma experiência com forte carga emocional, maior do que sua capacidade de elaborar.
· A emoção (afeto) é reprimida e não descarregada, retornando em forma de sintoma.
· O trauma não é apenas o acontecimento em si, mas o modo como foi vivido e reprimido.
· O sintoma é a forma pela qual o trauma continua se expressando inconscientemente.
Teoria da Sedução
· Primeira explicação de Freud (1896) para a origem das neuroses.
· Acreditava que os traumas vinham de abusos sexuais reais na infância praticados por adultos.
· Posteriormente, Freud abandona essa teoria, ao perceber que:
· Muitos relatos eram fantasias inconscientes e não fatos reais.
· O inconsciente não diferencia realidade de fantasia.
· As fantasias e desejos infantis também podem gerar sintomas.
· A partir disso, Freud passa a compreender a neurose como resultado do conflito entre desejo e repressão, e não necessariamente de um evento real.
Fantasia
· É uma produção mental que expressa desejos inconscientes, misturando lembranças, emoções e imaginação.
· A fantasia permite que o sujeito viva internamente o que não pode viver na realidade.
· Freud diz que ela é o elo entre o desejo e a realidade psíquica, uma espécie de “cenário interno” onde o desejo se realiza simbolicamente.
Realidade Psíquica
· É o mundo interno do sujeito onde os desejos, medos e lembranças têm o mesmo peso que os fatos reais.
· Mesmo que algo não tenha acontecido de verdade, se é vivido como real na mente, faz parte da realidade psíquica
· Freud mostra que, na clínica, o inconsciente não distingue o que é real do que é imaginado: o que importa é o valor afetivo da experiência.
Vivência de Satisfação
É a primeira experiência de prazer do bebê. Quando sente fome, o bebê chora; ao ser alimentado, sente satisfação e guarda essa sensação como uma imagem mental.
Mais tarde, ao sentir falta, ele tenta reviver essa sensação, daí nasce o desejo e o pensamento, que buscam repetir a satisfação original.
Princípio do Prazer
· É a tendência natural do psiquismo de buscar prazer e evitar o desprazer. 
· Todo o funcionamento mental é regido, inicialmente, por esse princípio, principalmente no inconsciente e na infância.
Princípio da Realidade
· Com o crescimento, o sujeito precisa lidar com o mundo externo e aprender a adiar a satisfação.
· O princípio da realidade substitui parcialmente o do prazer, permitindo uma adaptação social e racional.
· A mente passa a buscar formas possíveis e seguras de obter prazer sem negar o desejo, mas controlando seu impulso.
Desejo e Pensamento
· O desejo nasce da falta e da lembrança da satisfação.
· O pensamento é o meio de tentar realizar o desejo de modo seguro, substituindo a ação direta pela representação mental.
Formação do Inconsciente
· O inconsciente é a parte da mente onde ficam desejos, lembranças e impulsos reprimidos, que não conseguimos acessar diretamente.
· Freud descobriu que o inconsciente atua o tempo todo, influenciando pensamentos, comportamentos e sintomas mesmo sem que a pessoa perceba.
· Ele se forma quando conteúdos que geram ansiedade, culpa ou vergonha são empurrados para fora da consciência pelo recalque (repressão).
· Esses conteúdos não desaparecem, continuam agindo, e às vezes “escapam” por meio de sonhos, atos falhos, lapsos ou sintomas.
· O inconsciente tem sua própria lógica, diferente da razão: nele, o tempo não existe e os opostos podem coexistir (amar e odiar alguém ao mesmo tempo).
Sonhos
· Freud chamou os sonhos de “a estrada real para o inconsciente”.
· Durante o sono, as defesas do ego enfraquecem e desejos reprimidos podem emergir de forma simbólica.
· Todo sonho tem duas camadas:
· Conteúdo manifesto: o que a pessoa lembra ao acordar (as imagens, cenas e histórias).
· Conteúdo latente: o que o sonho realmente quer dizer — o desejo inconsciente que está disfarçado.
· O sonho é uma realização disfarçada de desejo, geralmente algo reprimido durante a vida consciente.
Ato Falho (Parapraxia)
· Ato falho é um erro aparentemente sem importância (como trocar palavras, esquecer nomes, errar frases) que, para Freud, revela o inconsciente.
· Ele mostra que a fala ou o comportamento “falharam”porque um desejo ou pensamento reprimido interferiu.
· A psicanálise vê isso como uma “escapada” do inconsciente para a consciência.
Lapso de Linguagem
· É um tipo específico de ato falho, que aparece na fala ou na escrita.
· Quando alguém erra uma palavra ou troca sílabas, pode estar expressando algo que não queria dizer conscientemente.
· Freud mostrou que nada é “por acaso”: até os lapsos contêm um sentido oculto ligado a desejos ou emoções reprimidas.
Sintomas
· Para Freud, o sintoma é uma solução de compromisso entre o desejo inconsciente e a censura do ego.
· Ele surge quando um desejo reprimido encontra uma forma disfarçada de se expressar, sem que a pessoa perceba.
· Os sintomas podem ser físicos (como dores sem causa médica) ou psíquicos (ansiedade, fobias, obsessões).
· São expressões simbólicas de conflitos não resolvidos.
Interpretação dos Sonhos
· É a técnica que Freud criou para decifrar o sentido oculto dos sonhos.
· A pessoa conta o sonho e fala tudo o que vier à cabeça (associação livre).
· O analista ajuda a encontrar as ligações entre as imagens do sonho e os desejos inconscientes.
· A interpretação não é feita com “dicionário de símbolos”, mas pelo significado que cada elemento tem para o próprio sonhador.
Análise do Sonho
· É o processo clínico de trabalhar o sonho em profundidade, além da simples interpretação.
· O paciente relata o sonho e associa livremente falando o que vier à mente sobre cada imagem, pessoa ou situação sonhada.
· O analista escuta e ajuda a ligar o sonho com conflitos da vida real ou com experiências passadas.
· O objetivo é tornar consciente o que estava reprimido, permitindo uma elaboração emocional e alívio do sintoma.
Etapas da Análise:
1. Relatar o sonho.
2. Fazer associações livres.
3. Identificar repetições, símbolos e afetos.
4. Compreender o desejo latente.
5. Elaborar conscientemente o conteúdo inconsciente.
Mecanismos do Trabalho do Sonho
Freud descreveu quatro processos principais que transformam o conteúdo latente (desejos inconscientes) em conteúdo manifesto (o sonho lembrado):
1. Condensação
· Vários pensamentos e desejos inconscientes se fundem em uma única imagem do sonho.
· Por isso, uma pessoa ou objeto pode representar várias coisas ao mesmo tempo.
· Exemplo: Sonhar com uma figura que mistura características da mãe e da professora.
2. Deslocamento 
· A carga emocional se desloca de uma ideia importante para outra secundária, menos ameaçadora.
· O sonho “desvia” o foco para algo que parece irrelevante, mas simboliza o verdadeiro conflito.
· Exemplo: Sonhar que perdeu um objeto, quando na verdade sente medo de perder alguém querido.
3. Simbolização 
· Os desejos inconscientes se transformam em imagens simbólicas.
· O sonho usa metáforas e cenas para representar sentimentos que não podem ser ditos diretamente.
· Exemplo: Sonhar com uma casa destruída pode simbolizar medo de desestrutura emocional ou familiar.
4. Elaboração Secundária 
· Quando acordamos, o ego tenta organizar o sonho para dar um sentido lógico à história.
· Isso faz com que o sonho pareça mais coerente do que realmente era.
 Exemplo: O sonhador “preenche” partes do sonho ao recontá-lo, sem perceber que está racionalizando.

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