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41
CENTRO UNIVERSITÁRIO INTA – UNINTA 
CURSO DE SERVIÇO SOCIAL
JACQUELINE DO NASCIMENTO GONÇALVES
ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO ESCOLAR
URUCARÁ - AM
2025
JACQUELINE DO NASCIMENTO GONÇALVES
ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO ESCOLAR
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Serviço Social do Centro Universitário INTA – UNINTA, como requisito obrigatório para a aprovação na disciplina de TCC II.
Prof.ª Ma. Francisca Talicia Vasconcelos Pereira
 URUCARÁ - AM 
 2025
 
DEDICATÓRIA
Dedico às minhas lindas meninas, aos meus pais e toda família e companheiro, pela preocupação e apoio.
 
EPÍGRAFE
Aquele que observa o vento, não plantará, e o que fica observando as nuvens não colherá
Eclesiastes 11:4
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela dádiva da saúde e pela capacidade de pensar que me trouxeram até aqui.
Ao meu esposo, pelo carinho constante e por compartilhar comigo tanto os momentos desafiadores quanto as conquistas. Agradeço pelas noites em claro dedicadas ao meu apoio.
Às minhas filhas, cuja existência me inspira e me mostra que cada esforço vale a pena.
Aos professores, pelas imensuráveis orientações que foram cruciais na produção deste trabalho.
À equipe da Secretaria de Educação do Estado - SEDUC / Borba-AM, pela permissão essencial para a realização desta pesquisa.
À gestora e aos professores das escolas que me acolheram e colaboraram de forma voluntária com este estudo.
RESUMO	Comment by FRANCISCA TALICIA VASCONCELOS PEREIRA[I]: Canto esquerdo.
Este trabalho aborda a relevância e os desafios da atuação do assistente social na política de educação brasileira, tendo em vista que a escola se configura como um espaço estratégico onde se manifestam as expressões da questão social que impactam diretamente o processo de ensino-aprendizagem. Nesse contexto, a inserção do Serviço Social Escolar é essencial para mediar as tensões entre a instituição de ensino, os alunos e suas famílias, contribuindo para a garantia do direito à educação plena e a permanência escolar. O estudo tem como objetivo geral analisar a percepção das famílias de alunos sobre o trabalho do Serviço Social na escola, buscando compreender o nível de conhecimento e a importância atribuída à atuação do profissional nesse ambiente. Quanto aos procedimentos metodológicos, a pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de natureza exploratória e abordagem qualitativa. O levantamento de dados foi realizado a partir de fontes secundárias, como artigos científicos, teses, dissertações e livros que abordam o Serviço Social, a educação e a questão social, complementado pela análise de dados primários coletados por meio de questionário aplicado junto a vinte famílias da escola investigada. A discussão dos resultados revelou um conhecimento ainda fragmentado das famílias sobre a amplitude da atuação do assistente social, muitas vezes limitada à visão assistencialista ou de saúde, e não à promoção de direitos e mediação de conflitos no campo educacional. Entretanto, a análise também apontou que a parceria entre família e escola, quando mediada por um profissional qualificado, é vista como fundamental para o enfrentamento de problemas como infrequência e abandono escolar, fortalecendo a participação dos pais na vida acadêmica dos filhos. Dessa forma, as considerações finais indicam que a presença do Serviço Social na escola é crucial para desmistificar sua imagem pública e consolidar sua prática como um instrumento de cidadania. É necessário investir na divulgação das competências profissionais e na articulação de ações interdisciplinares que busquem a concretização dos direitos sociais no ambiente escolar.
Palavras-chave: Serviço Social. Educação. Políticas Públicas
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO	08
2. A EDUCAÇÃO E SUA FUNÇÃO SOCIAL	11
2.1 A CONCEPÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO..........................................................12
2.2 O PAPEL DAS CLASSES SOCIAIS NA CONFORMAÇÃO DOS SISTEMAS EDUCATIVOS.........................................................................................................................15
2.3. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA COMO INSTITUIÇÃO	16
3. A IMPORTÂNCIA DO SERVIÇO SOCIAL NA ESCOLA	19
3.1 A COMPLEXIDADE DAS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL NO COTIDIANO ESCOLAR	20
3.2. A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ESCOLA COMO POLÍTICA SOCIAL	27
4. A FAMILIA E SUA CONTRIBUIÇAO SOCIAL........................................................... .31
5.DESAFIOS E EXPECTATIVAS: O COTIDIANO ESCOLAR NA VISÃO DAS FAMÍLIAS E DA EQUIPE PEDAGÓGICA	32
CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................36
REFERÊNCIAS	37
INTRODUÇÃO	Comment by FRANCISCA TALICIA VASCONCELOS PEREIRA[I]: Canto esquerdo.
O presente trabalho monográfico, intitulado "Atuação do Serviço Social no Contexto Escolar", volta-se para a análise da inserção e da relevância da atuação do Assistente Social no ambiente educacional, tendo como categorias centrais a família, a comunidade e a escola. A importância desta investigação se acentua diante da complexidade das manifestações da questão social que permeiam o cotidiano escolar, demandando uma articulação efetiva entre os profissionais da educação e do Serviço Social, conforme será explorado nos capítulos subsequentes.
A problemática da atuação do Serviço Social no contexto escolar se evidencia em um cenário social marcado por desigualdades e expressões da questão social que invadem o espaço educativo. Por ano 77 mil jovens abandonam as escolas estaduais, segundo informações da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc).
Os motivos do alto índice de evasão escolar na rede de ensino brasileira são complexos e multifacetados. Pesquisas recentes indicam que a dificuldade de conciliar os estudos com o trabalho é o principal fator de abandono. Outras causas relevantes incluem gravidez (14,1%), doença (14,1%), necessidade de cuidar da família (12,2%) e a falta de interesse em estudar (10,3%). Segundo esses levantamentos, o abandono escolar é mais frequente entre jovens de 18 a 20 anos e demonstram o impacto direto de fatores socioeconômicos no desempenho e bem-estar dos estudantes. Este cenário de exclusão é agravado em contextos regionais específicos. Reportagens jornalísticas evidenciam a grave situação da exclusão escolar em diversas regiões do país, como o Amazonas, onde mais de 300 mil crianças e adolescentes não frequentaram a escola em 2020 (G1 AMAZONAS, 2021). Essa dimensão do problema social demanda intervenções qualificadas no contexto escolar. Ademais, o Mapa da Violência ilustra a urgência de ações preventivas e de apoio no ambiente escolar para mitigar os efeitos da violência na vida dos alunos e de suas famílias, reforçando que a escola é um palco onde se refratam as contradições sociais e as vulnerabilidades do aluno.
Diante dessa realidade multifacetada, este trabalho monográfico busca responder à seguinte questão central: De que maneira a atuação do Serviço Social no contexto escolar contribui para o enfrentamento das expressões da questão social que afetam o processo educativo, na percepção das famílias?
Para alcançar essa compreensão, o presente estudo tem como objetivo geral: analisar a atuação do Serviço Social no contexto escolar como uma estratégia de enfrentamento das expressões da questão social que incidem sobre a dinâmica familiar e comunitária, impactando o processo educativo.	Comment by FRANCISCA TALICIA VASCONCELOS PEREIRA[I]: Retire o negrito.
Os objetivos específicos que norteiam esta investigação são: Identificar as demandas e necessidades das famílias no contexto escolar que se relacionam com as expressões da questão social e que podem ser objeto da intervenção do Serviço Social. Compreender a percepçãoé muito mais do que ensinar boas maneiras, ler e escrever. É criar consciência crítica e formar um cidadão em cada um de seus alunos (FREIRE, 1997, p.20-21). É exatamente esse o agir do Assistente Social.
Mioto (2002) apud Jesus et al. (2004, p. 62) tece que “as ações sócio educativas estão relacionadas às ações que, através de informação, da reflexão ou mesmo da relação, visam provocar mudanças (valores, modos de vida)”.
Neste sentido, abordando sobre a intervenção do Serviço Social nesta realidade, Santos (2009, p.01), afirma:
É de extrema importância que o profissional do Serviço Social, inserido na escola, saiba trabalhar com programas visando à prevenção e não dispender o seu tempo meramente com a efervescência dos problemas sociais. Na escola, o assistente social deve ser o profissional que precisa se preocupar em promover o encontro da educação com a realidade social do aluno, da família e da comunidade, a qual ele esteja inserido.
Dessa forma, a escola e a presença do Assistente Social se destacam como meio de orientar o crescimento como membro da sociedade.
De acordo com Areque e Souza (2009) é importante destacarmos que o Serviço Social na educação tem um papel de extrema relevância, uma vez que intervém em ações práticas relacionadas com diagnósticos sociais, oferecendo alternativas aos problemas vivenciados pelo educando e sua família, o que colabora para o sucesso educacional e social.
O crescimento do Serviço Social na área da educação, frente à nova realidade do projeto ético-político profissional, possibilitou o aumento da demanda dos assistentes sociais e sua inclusão no espaço educacional (ROSSA, 2011).
É indiscutível que a educação é essencial para o ser humano ter orientação e contribuição com mundo, conhecendo e transformando a sociedade.
Para Piana (2009b) a educação é uma área nova de atuação do Serviço Social, porém podemos perceber que esses profissionais estão interessados em ingressar na equipe de profissionais da educação nas escolas a fim de por em prática seus conhecimentos teórico-metodológicos.
A participação do Serviço Social na educação se dá no direito de todos, e também de ultrapassar as desigualdades sociais, orientação de cidadania e emancipação do individuo. A Assistente Social deve ser incluída na educação com o intuito de construir ações para a sociedade.
Segundo Gerardi (2000) o Serviço Social está intimamente relacionado com a educação, uma vez que este trabalho em conjunto com a escola proporciona o processo de aprendizagem quando utilizada as ferramentas ideias para viabilizar a qualidade de vida das crianças e das famílias.
O espaço do Serviço Social no cenário escolar vem crescendo gradativamente, mesmo com poucos avanços “torna-se evidente cada vez mais que é importante e fundamental a intervenção desses profissionais na política educacional e na proposta pedagógica que se insere a escola...” (ALESSANDRINI, 2001 apud PIANA, 2009b, p. 200).
O Assistente Social é solicitado para trabalhar na politica educacional através da dinâmica em dar apoio ao aluno sobre as questões sociais, é um profissional que contribui de forma favorável sobre direitos educacionais.
Mediante essa realidade é que o Serviço Social é uma profissão que vem construindo há 7 décadas de existência no Brasil e no mundo; com seu caráter sociopolítico, crítico e interventivo, tem ampliado a ação em todos os espaços que ocorrem as diversas refrações de questão social (PIANA, 2009b, p.186).
O profissional de Serviço Social tem como visão a ética e princípios, para transformar a sociedade, o mesmo interage sobre a educação, a família e a sociedade.
Segundo Gerardi (2000, p. 51) “cabe ao Serviço Social na área da educação propiciar o acesso, a frequência e viabilizar melhoria de condições de vida imprescindíveis ao bom desempenho escolar”.
O Serviço Social tende a contribuir com grandes avanços na área da educação, porém Gerardi (2000) afirma que:
[...] é utópico pensarmos que o Serviço Social poderia solucionar todos os problemas de âmbito educacional, mas é prudente afirmar que o Serviço Social tem condições para colaborar com a melhoria do sistema educacional, por meio da atuação direta na escola e também via planejamento social de programas de auxílio familiar visando o combate à exclusão social... (GERARDI, 2000, p. 54).
A presença do Assistente Social nessa área é de união dos saberes e troca com outros profissionais da área escolar para ajudar nas questões que atrasam o crescimento escolar, tais como: bullying, drogas, evasão escolar entre outros.
De acordo com Piana (2009b) o profissional social necessita de um conhecimento amplo a respeito da realidade e de sua complexidade a fim de modificá-la a favor do seu projeto político profissional.
Sendo assim, Campos e David (2010) destacam que ao conhecer o perfil do estudante o assistente social deverá traçar meios para solucionar as questões intrigantes a fim de proporcionar uma vida coletiva mais social.
O Assistente Social deve agir principalmente para prevenir problemas e não apenas na solução dos mesmos. Ele tem o dever de transformar a realidade do aluno, para construir uma sociedade com cidadãos cientes dos seus deveres e direitos.
A inserção do profissional de Serviço Social neste campo de atuação nos impõe uma tarefa desafiadora: construir uma intervenção qualificada como profissionais na área da educação que possa contribuir para dar respostas aos anseios e carências dos sujeitos que compõem a comunidade escolar (LOPES et al., 2007, p. 2).
Segundo Lopes et al. (2007) discutir a importância do Serviço Social na garantia do direito a educação significa abrir um leque de temas correlacionados como realidade social, política econômica e cultural que muitas vezes não são considerados no dia a dia e ficam a mercê das políticas educacionais.
Gerardi (2000) defende o Serviço Social como um fator indispensável para o sucesso escolar.
Assim, apresenta-se e justifica a necessidade do profissional de Serviço Social no contexto educacional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluímos que o serviço social na educação é uma questão importante no auxílio de formação educacional. O papel do serviço social na educação é de administrar os problemas sociais enfrentados no âmbito educacional, onde muitas vezes o profissional da área possui algumas dificuldades de lidar. Podemos perceber que a presença do profissional de Serviço Social é importante, para que haja bom desempenho do indivíduo na área educacional, é indiscutível a necessidade do Assistente Social, comunidade escolar e sociedade, que é a principal responsável pelo sucesso do estudante.
Como apresentei nessa pesquisa é de extrema importância a presença do profissional de Serviço Social na área educacional, (que é a base de uma sociedade justa e igualitária para todos), para prevenir e/ou sanar diverso problemas sociais, em conjunto dos outros profissionais em um trabalho interdisciplinar
O trabalho do Serviço Social no contexto educacional e sua contribuição para a politica educacional e consequentemente a sociedade. Desse modo alcançou-se com êxito o que se buscava pesquisar e apresentar sobre o tema e ficaram provado os benefícios que este profissional pode proporcionar na área de educação.
No entanto, é indiscutível que a sociedade de um modo geral tenha consciência da importância do Assistente Social na área educacional, social e formação do cidadão, a fim de construir uma sociedade mais justa e igualitária para todos indistintamente.
Porém, não se pretende apresentar uma conclusão sobre este tema, mas sim aprofundar-se nas pesquisas, que são riquíssimas, para haver compreensão sobre a inserção do profissional de Serviço Social no contexto educacional.
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image1.jpegda comunidade escolar sobre o papel do Assistente Social na articulação de ações interdisciplinares e na promoção do acesso a direitos e da participação social. 	Comment by FRANCISCA TALICIA VASCONCELOS PEREIRA[I]: Retire o negrito.
Analisar as estratégias e os desafios da atuação do Serviço Social na escola como um espaço sócio - ocupacional que demanda conhecimento crítico e ações propositivas frente às complexas relações sociais.
A presente pesquisa se configura como um estudo de abordagem qualitativa, buscando compreender as experiências e significados atribuídos pelos sujeitos envolvidos. A coleta de dados será realizada por meio de pesquisa bibliográfica e qualitativa. Conforme Minayo (2010), a pesquisa qualitativa se aprofunda na compreensão dos fenômenos sociais a partir da perspectiva dos participantes. A análise dos dados será realizada através da análise de conteúdo, seguindo as diretrizes de Bardin (2011), permitindo a identificação de categorias e significados relevantes para a pesquisa.
A estrutura deste trabalho monográfico está organizada em três capítulos, além desta introdução e das considerações finais. O primeiro capítulo, já apresentado, discute a função social da educação e da escola como espaços de formação dos sujeitos históricos, conforme as perspectivas de Ponce (1994) e Frigotto (1999). O segundo capítulo, intitulado "O Serviço Social e as Expressões da Questão Social no Contexto Escolar", aborda a inserção do Serviço Social na escola como uma resposta às complexas demandas sociais que afetam o cotidiano escolar, conforme explicitado por Soares (2003) e a análise da Constituição Federal de 1988. O terceiro capítulo, "A Escola como Espaço Sócio-Ocupacional do Serviço Social", explora a historicidade da atuação do Serviço Social na educação, desde suas primeiras iniciativas até as perspectivas contemporâneas, com base nas contribuições de Martinelli (2008) e CFESS (2001).
A motivação pessoal para a realização desta pesquisa reside na convicção de que o Serviço Social desempenha um papel crucial no enfrentamento das expressões da questão social que se manifestam no ambiente escolar, impactando diretamente a vida dos alunos e suas famílias. Acredito que a atuação do Assistente Social, com sua postura investigativa e propositiva (Capítulo 2), pode contribuir significativamente para a construção de um ambiente escolar mais justo e equitativo. Minha vivência profissional relacionada ao tema como estagiaria despertou um interesse particular em compreender a percepção das famílias sobre essa atuação.
A presente pesquisa possui uma importância significativa para a minha formação acadêmica, representando a consolidação dos conhecimentos teóricos e metodológicos adquiridos ao longo da graduação. No plano pessoal, o desenvolvimento deste trabalho desafiou minhas habilidades de pesquisa, análise e escrita. Profissionalmente, este estudo contribui para a minha capacitação como futura Assistente Social, oferecendo um conhecimento aprofundado sobre a interface entre o Serviço Social e a educação, preparando-me para atuar de forma sensível e eficaz diante das complexas realidades sociais que permeiam o contexto escolar, sempre com o objetivo de promover o acesso a direitos e a melhoria da qualidade de vida da comunidade educativa.
2. A EDUCAÇÃO E SUA FUNÇÃO SOCIAL
Este capítulo tem como objetivo primordial analisar a intrínseca relação entre a educação e a sua função social no desenvolvimento dos indivíduos como sujeitos históricos e na conformação da sociedade. Para tanto, iniciaremos nossa discussão explorando a concepção da educação como uma construção histórica, desvendando como as práticas educativas se transformaram ao longo do tempo, desde as comunidades primitivas até a complexidade da sociedade capitalista. Analisaremos as diferentes finalidades atribuídas à educação em cada contexto social, as influências das estruturas de poder e as distintas visões sobre o papel do indivíduo e do trabalho no processo educativo. 
Na sequência, aprofundaremos a análise sobre a função social da escola como instituição, examinando o seu papel na sistematização e socialização do conhecimento historicamente produzido, na formação para a cidadania e no enfrentamento das desigualdades sociais. Discutiremos a escola como um espaço de disputas hegemônicas, onde diferentes concepções de educação e de sociedade se confrontam. Ademais, abordaremos a importância da gestão democrática e da participação dos diversos atores da comunidade escolar na construção de um projeto educativo que responda às necessidades da realidade social e promova a transformação.
2.1 A CONCEPÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO
A educação, longe de ser uma prática universal e imutável, configura-se como uma construção social e histórica, intrinsecamente ligada à organização de cada sociedade e aos seus valores. Compreender a gênese e a evolução das práticas educativas é fundamental para analisar a sua função social na contemporaneidade.
Nas comunidades primitivas, como descrito por Ponce (1994), a educação era um processo orgânico e integrado à vida social. A ausência de propriedade privada e de uma divisão social do trabalho complexa resultava em uma educação voltada para a transmissão dos conhecimentos e habilidades necessários à sobrevivência e à manutenção dos costumes do grupo. Não havia uma instituição escolar formal, e o aprendizado ocorria na prática, através da imitação e da participação nas atividades coletivas. A educação, nesse contexto, atendia aos interesses comuns de todos os membros da comunidade, sem a marca de uma diferenciação imposta por classes sociais antagônicas.
Nas comunidades primitivas, os fins da educação derivam da estrutura homogênea do ambiente social, identificam-se como os interesses comuns do grupo, e se realizam igualitariamente em todos os seus membros, de modo espontâneo e integral: espontâneo na medida em que não existe nenhuma instituição destinada a inculcá-los, integral no sentido que cada membro da tribo incorporava mais ou menos bem tudo o que na referida comunidade era possível receber e elaborar (PONCE, 1994, p. 21).
Com a transição para a Antiguidade e o desenvolvimento da propriedade privada, a sociedade se estratificou, dando origem a classes sociais com interesses distintos e, muitas vezes, conflitantes. Essa nova organização social impactou profundamente a educação. Como apontado anteriormente por Ponce (1994), a desigualdade econômica entre "organizadores" e "executores" levou a uma desigualdade nas "educações respectivas".
No Egito Antigo, por exemplo, a educação estava ligada à estrutura de poder, sendo voltada para a formação da elite dirigente e dos escribas, enquanto a maioria da população recebia um treinamento prático para o trabalho. Na Grécia Antiga, embora houvesse um ideal de formação do cidadão (a Paideia), o acesso à educação formal e à filosofia era restrito a uma parcela da população, excluindo escravos e mulheres. A educação para as classes dominantes visava o desenvolvimento intelectual e físico, preparando-os para a vida política e para a guerra, enquanto para as classes trabalhadoras, o aprendizado se dava, em grande parte, através do trabalho.
As transformações que ocorrem na vida em sociedade, do próprio homem e com a transição da comunidade primitiva para a antiguidade, novas formas de organização vão surgindo, sobretudo com a substituição da propriedade comum pela propriedade privada. A relação entre os homens, que na sociedade primitiva se fundamentava na propriedade coletiva, passa a ser privada e o que rege as relações é o poder do homem, que se impõe aos demais. Assim, com o desaparecimento dos interesses comuns a todos os membros iguais de um grupo e a sua substituição por interesses distintos, pouco a pouco antagônicos, o processo educativo, que até então era único, sofreu uma partição: a desigualdade econômica entre os ‘organizadores’ e os ‘executores’ trouxe, necessariamente, a desigualdade das educações respectivas (PONCE, 1994, p. 27).
A emergênciada sociedade capitalista intensificou a relação entre educação e a estrutura de classes, sob a égide da lógica da acumulação do capital. A educação, na visão dominante, passa a ser funcional à formação de mão de obra qualificada e ideologicamente alinhada com os interesses do mercado. Frigotto (1999) critica essa subordinação da função social da educação às demandas do capital.
Nesse contexto, a classe dominante busca moldar o sistema educativo de forma a garantir a reprodução das relações de produção capitalistas. Isso se manifesta na ênfase em habilidades técnicas e na internalização de valores que sustentam a ordem social vigente. A desigualdade no acesso a uma educação de qualidade, as diferentes trajetórias formativas destinadas a diferentes classes sociais e a própria organização do currículo podem refletir essa influência das classes dominantes “Trata-se de subordinar a função social da educação de forma controlada para responder às demandas do capital” (FRIGOTTO, 1999, p. 26).
Contudo, a classe trabalhadora também desenvolve suas próprias concepções e práticas educativas, buscando uma formação integral que vá além das necessidades do mercado, visando o desenvolvimento de suas potencialidades e a apropriação do "saber social" para a transformação da realidade (Gryzbowski apud Frigotto, 1998). A escola, nesse sentido, torna-se também um espaço de disputa e de resistência, onde diferentes visões de mundo e de sociedade se confrontam.
A educação é, antes de mais nada, desenvolvimento de potencialidades e apropriação de ‘saber social’ (conjunto de conhecimentos e habilidades, atitudes e valores que são produzidos pelas classes, em uma situação histórica dada de relações, para dar conta de seus interesses e necessidades) (GRYZYBOWSKI apud FRIGOTTO, 1998, p. 26).
Essa perspectiva crítica enfatiza a importância de considerar o sujeito em sua totalidade, com suas dimensões biológica, material, afetiva, estética e lúdica, no desenvolvimento das práticas educativas. A educação, portanto, deve estar pautada na realidade dos sujeitos históricos, visando a sua transformação e a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
Essa perspectiva utilitarista da educação, voltada para a formação de mão de obra, também é analisada por Bourdieu e Passeron (1975), que argumentam como o sistema escolar, através da imposição de um "capital cultural" dominante, contribui para a reprodução das hierarquias sociais: Toda ação pedagógica (AP) é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição, por um poder arbitrário, de uma arbitrariedade cultural (BOURDIEU; PASSERON, 1975, p. 45).	Comment by FRANCISCA TALICIA VASCONCELOS PEREIRA[I]: Junte essa citação ao parágrafo anterior e retire as aspas.
Nessa visão, a escola, ao valorizar o capital cultural das classes dominantes, tende a marginalizar o capital cultural das classes populares, perpetuando as desigualdades sociais através de mecanismos sutis de exclusão.
Em contraposição às visões que reduzem a educação à mera transmissão de conhecimentos ou à reprodução da ordem social, Paulo Freire (1987) defende uma educação libertadora, que promova a reflexão crítica sobre a realidade e a autonomia dos sujeitos:
A educação como prática da liberdade, ao contrário daquela que é a prática da dominação, implica a negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado do mundo, assim como a negação do mundo como uma realidade separada dos homens (FREIRE, 1987, p. 35).
Para Freire, a educação deve ser um processo dialógico, onde educador e educando aprendem juntos, problematizando a realidade e buscando a transformação social. A influência da classe dominante na conformação do sistema educativo também é abordada por Gramsci (2002), que desenvolve o conceito de hegemonia cultural. Para o autor, a classe dominante não exerce seu poder apenas através da coerção, mas também através do consenso, moldando as ideias e os valores da sociedade, incluindo aqueles transmitidos pela escola, “A escola é o instrumento para elaborar os intelectuais de tipo novo, adequados ao tipo novo de civilização” (GRAMSCI, 2002, p. 42).	Comment by FRANCISCA TALICIA VASCONCELOS PEREIRA[I]: Junte ao parágrafo posterior.
Nessa perspectiva, a escola é um espaço onde se disputa a hegemonia, e a formação dos intelectuais (orgânicos às diferentes classes sociais) desempenha um papel crucial na manutenção ou na transformação da ordem social.
2.2 O Papel das Classes Sociais na Conformação dos Sistemas Educativos
Ao longo da história, o papel das classes sociais tem sido determinante na conformação dos sistemas educativos:	Comment by FRANCISCA TALICIA VASCONCELOS PEREIRA[I]: Retire esse formato de tópicos, e escreva o texto corrido mesmo.
Definição de Finalidades: As diferentes classes sociais, com seus interesses e necessidades específicos, influenciam as finalidades atribuídas à educação em cada período. A elite pode buscar uma educação que preserve seu status e poder, enquanto as classes trabalhadoras podem lutar por uma educação que promova a emancipação e a igualdade de oportunidades. Segundo Bourdieu e Passeron (1975), o sistema educacional pode atuar como um instrumento de reprodução das desigualdades sociais, transmitindo um "capital cultural" dominante. Em contrapartida, autores como Freire (1979) defendem o potencial da educação como prática libertadora e de conscientização das classes oprimidas.
Acesso à Educação, à educação sempre foi marcado pelas desigualdades de classe. As classes dominantes historicamente tiveram maior acesso a uma educação de qualidade, enquanto as classes populares enfrentaram barreiras econômicas, sociais e políticas para garantir o seu direito à educação (Thompson, 1981). Manacorda (1989) detalha como a história da educação popular no Brasil é permeada por lutas contra a exclusão e pela democratização do ensino.
Organização e Currículo, a organização do sistema educativo, os conteúdos ensinados e as metodologias utilizadas podem refletir os interesses das classes dominantes ou ser resultado de disputas e concessões (Apple, 1982). Um currículo que valoriza determinados conhecimentos e habilidades em detrimento de outros pode estar alinhado com as necessidades de um grupo social específico (Young, 2007). Para Gramsci (1971), a cultura hegemônica influencia o currículo, moldando as consciências e perpetuando as relações de poder.
Políticas Educacionais, formulação e implementação de políticas educacionais não ocorrem em um vácuo social ou político. Elas são, frequentemente, o resultado de tensões, negociações e conflitos entre diferentes classes e grupos sociais com visões e interesses distintos sobre o papel da educação na sociedade. As classes dominantes, com seu poder econômico e influência política, tendem a buscar políticas que atendam às suas necessidades de reprodução social e econômica, muitas vezes priorizando a formação de mão de obra para o mercado e a manutenção de uma ordem social hierarquizada (Bowles & Gintis, 1976). Por outro lado, a classe trabalhadora, historicamente marginalizada do acesso a uma educação de qualidade, tem travado lutas constantes por políticas que garantam o direito à educação para todos, com equidade e qualidade. Essas demandas não são meros pedidos, mas sim expressões de uma consciência da importância da educação como ferramenta de emancipação, de ascensão social e de participação plena na vida democrática (Freire, 1979).
A história das políticas educacionais no Brasil é marcada por diversas lutas da classe trabalhadora e de outros grupos sociais em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade. A Constituição Federal de 1988, por exemplo, é resultado de um amplo processo de mobilização social que incluiu a defesa do direito à educação como um direito de todos e dever do Estado (Brasil, 1988).
Outras conquistas importantes, como a ampliação do acesso à educação básica, a criação de programas de transferência de renda condicionada à frequência escolar, as políticas de cotas no ensino superior e a luta pela valorizaçãodo piso salarial dos professores, são reflexo da pressão e da organização da classe trabalhadora e de seus aliados.
Em suma, a história da educação não pode ser compreendida isoladamente das dinâmicas de classe que estruturam a sociedade. As diferentes formas que a educação assume em cada período histórico, as finalidades que lhe são atribuídas e o acesso que diferentes grupos sociais têm a ela são profundamente influenciados pelas relações de poder e pelas lutas entre as classes sociais. Essa compreensão histórica é fundamental para analisar a função social da educação na contemporaneidade e para pensar em um projeto educativo que contribua para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde o Serviço Social tem um papel crucial a desempenhar. 
2.3 A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA COMO INSTITUIÇÃO
A escola, enquanto instituição social formalmente estabelecida, transcende a mera transmissão de conteúdos curriculares (Durkheim, 1995). Ela se configura como um espaço complexo e multifacetado, imerso em relações sociais, políticas e culturais, desempenhando uma função social que abrange a formação para a cidadania (Freire, 1997), a socialização de conhecimentos e valores (Parsons, 1959), o enfrentamento das desigualdades (Bourdieu & Passeron, 1975) e a participação na dinâmica da transformação social (Apple, 1982). Compreender a profundidade dessa função é essencial para analisar a atuação do Serviço Social no contexto escolar.
A escola é, primeiramente, um local de socialização secundária, complementando o papel da família na introdução dos indivíduos às normas, valores e conhecimentos da sociedade mais ampla. Através da interação com colegas, professores e outros membros da comunidade escolar, os estudantes aprendem a conviver com a diversidade, a internalizar regras de conduta, a desenvolver habilidades sociais e a construir sua identidade em um contexto coletivo. Essa socialização, no entanto, não é um processo neutro, como aponta Durkheim (1978), um dos pioneiros na sociologia da educação:
A sociedade só pode viver se entre seus membros houver uma homogeneidade suficiente; a educação perpetua e reforça essa homogeneidade essencial, fixando desde o início no espírito da criança as semelhanças fundamentais que a vida coletiva supõe. Mas, por outro lado, sem uma certa diversidade toda cooperação se torna difícil; a educação assegura a persistência dessa diversidade necessária, especializando-se e diversificando-se (DURKHEIM, 1978, p. 35).
Nessa perspectiva, a escola tem a função de promover tanto a coesão social através da internalização de valores comuns quanto a diferenciação necessária para a divisão do trabalho e o desenvolvimento individual.
Além da socialização, a escola desempenha um papel fundamental na transmissão e sistematização do conhecimento historicamente produzido pela humanidade. Ela é o locus privilegiado para o acesso a saberes científicos, artísticos, filosóficos e culturais que são essenciais para o desenvolvimento intelectual e para a compreensão do mundo. No entanto, como já discutido no tópico anterior, a seleção e a forma de transmissão desse conhecimento não são neutras, podendo refletir os interesses de grupos dominantes, como argumenta Apple (1982):
O currículo escolar nunca é apenas um conjunto de conhecimentos e estratégias cognitivas neutras. Ao contrário, ele é sempre seletivo, está sempre contando uma história particular, de uma forma particular, uma história que é parte de um diálogo contínuo sobre "quem somos nós" e "quem deveríamos ser" (APPLE, 1982, p. 21).
Assim, a análise da função social da escola exige uma postura crítica em relação ao currículo e às práticas pedagógicas, buscando identificar as ideologias subjacentes e as possíveis formas de resistência e transformação.
A escola também possui uma função crucial no desenvolvimento da cidadania. Através do ensino de direitos e deveres, da promoção do debate e da participação, e da vivência de práticas democráticas no ambiente escolar (como a eleição de representantes estudantis, a participação no conselho escolar), os estudantes são preparados para exercer uma cidadania ativa e responsável na sociedade. Freire (1996) enfatiza a indissociabilidade entre educação e cidadania:
A educação é um ato político. Como prática da liberdade, a educação implica uma reflexão crítica sobre a realidade, visando a transformação social. Educar é, portanto, engajar-se na luta pela emancipação e pela construção de uma sociedade mais justa e democrática (FREIRE, 1996, p. 97).
Nessa perspectiva, a escola não pode se eximir de discutir os problemas sociais, de estimular o pensamento crítico e de formar sujeitos capazes de intervir na realidade para transformá-la.
Outro aspecto fundamental da função social da escola é o seu papel no enfrentamento das desigualdades sociais. A escola, idealmente, deveria ser um espaço de oportunidades iguais para todos, independentemente de sua origem socioeconômica. No entanto, a realidade muitas vezes revela que a escola reproduz as desigualdades existentes na sociedade, como apontam Bourdieu e Passeron (1975). Para que a escola possa efetivamente cumprir sua função de reduzir as desigualdades, são necessárias políticas e práticas que promovam a inclusão, a equidade e o atendimento às necessidades específicas dos diferentes grupos de estudantes. Arroyo (2000) discute a importância de reconhecer as diversidades e as desigualdades no contexto escolar:
As identidades sociais dos alunos, suas histórias de vida, suas culturas de origem, seus saberes experienciais não podem ser ignorados no processo educativo. Uma escola que busca cumprir sua função social de forma justa precisa reconhecer e valorizar essas diversidades, construindo práticas pedagógicas que promovam a igualdade de oportunidades e o sucesso escolar para todos (ARROYO, 2000, p. 63).
Finalmente, a escola também desempenha um papel na dinâmica da transformação social. Embora possa ser um espaço de reprodução da ordem estabelecida, como vimos, ela também pode ser um local de questionamento, de inovação e de produção de novas ideias que contribuem para a mudança social. A atuação de professores engajados, a organização de movimentos estudantis, a implementação de projetos pedagógicos transformadores e a articulação com a comunidade podem fazer da escola um motor de transformação. Giroux (1988) explora o conceito de professor como intelectual transformador:
Os professores não são meros técnicos ou burocratas do sistema educacional. Eles são intelectuais que possuem o potencial de analisar criticamente as estruturas de poder, de questionar as desigualdades e de capacitar os estudantes a se tornarem cidadãos críticos e engajados na transformação social (GIROUX, 1988, p. 127).
Em suma, a função social da escola como instituição é vasta e complexa, abrangendo a socialização, a transmissão do conhecimento, o desenvolvimento da cidadania, o enfrentamento das desigualdades e a participação na transformação social. Analisar essa função sob diferentes perspectivas teóricas é crucial para compreender os desafios e as potencialidades da escola e para fundamentar a atuação do Serviço Social nesse contexto, visando a promoção de uma educação mais justa, equitativa e emancipadora para todos.
3. A IMPORTÂNCIA DO SERVIÇO SOCIAL NA ESCOLA
Este capítulo tem como objetivo central analisar a relevância e as contribuições da inserção do Serviço Social no contexto escolar brasileiro. Inicialmente, discutiremos a complexidade das expressões da questão social no cotidiano escolar, evidenciando como problemas socioeconômicos, familiares e comunitários impactam o ambiente de ensino-aprendizagem e demandam uma atuação profissional qualificada. Abordaremos a necessidade de um diálogo interdisciplinar entre os profissionais da educação e do Serviço Social para uma compreensão abrangente dessas questões.
Na sequência, aprofundaremos a análise sobre a atuação do Assistente Social na escola como uma política social, explorando as diferentes dimensões desua intervenção, desde o atendimento individual e familiar até a elaboração de projetos e programas que visam a garantia de direitos, o acesso e a permanência dos estudantes na escola. Discutiremos a importância de uma prática profissional investigativa, crítica e propositiva, alinhada aos princípios éticos e políticos do Serviço Social, e a sua capacidade de articular ações com a comunidade e outras políticas sociais.
3.1 A COMPLEXIDADE DAS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL NO COTIDIANO ESCOLAR
O cotidiano escolar, longe de ser um espaço isolado, é permeado pelas múltiplas e complexas expressões da questão social que caracterizam a sociedade contemporânea. Problemas como desemprego, precarização do trabalho, violência doméstica e urbana, desestruturação familiar, dificuldades de acesso a serviços básicos (saúde, habitação, assistência social) e outras manifestações da desigualdade social se fazem presentes na vida dos alunos e de suas famílias, impactando diretamente o ambiente de aprendizado e a trajetória escolar (Ianni, 1996).
É crucial compreender que as diferentes expressões da questão social não se manifestam de forma isolada no contexto escolar. Pobreza, desemprego dos pais ou responsáveis, falta de acesso a serviços de saúde adequados, insegurança alimentar, violência doméstica e comunitária, problemas de moradia e saneamento básico, entre outros, frequentemente se interconectam e se potencializam, gerando um quadro de vulnerabilidade multifacetado que impacta significativamente a trajetória escolar dos alunos (Sawaia, 2001).
A escola, muitas vezes, torna-se o palco onde essas problemáticas se manifestam de forma mais evidente, seja através da dificuldade de concentração dos alunos, da evasão escolar motivada pela necessidade de trabalhar ou por problemas familiares, dos conflitos interpessoais, ou das dificuldades de aprendizagem relacionadas a questões emocionais e sociais. Nesse contexto, é fundamental reconhecer que os desafios enfrentados pela comunidade escolar não são meramente individuais ou isolados, mas sim reflexos de uma estrutura social, política e econômica excludente, como apontam as reflexões iniciais do texto base (NETTO, 2001).
Um estudante cuja família enfrenta o desemprego pode vivenciar a insegurança alimentar, o que dificulta sua concentração e aprendizado. A exposição à violência doméstica ou comunitária pode gerar traumas emocionais que se refletem no comportamento e no desempenho escolar. A falta de acesso a serviços de saúde pode levar a problemas de saúde recorrentes, causando faltas e dificuldades de acompanhamento pedagógico. Essa intrincada teia de vulnerabilidades exige uma análise aprofundada e uma intervenção que considere a totalidade da situação vivenciada pelos sujeitos, pois os problemas escolares não podem ser dissociados do sofrimento ético-político imposto pela desigualdade social (SAWAIA; WANDERLEY, 2014).
O Impacto na Saúde Mental e Emocional: As expressões da questão social têm um impacto significativo na saúde mental e emocional dos estudantes. A vivência de situações de violência, a instabilidade familiar, a discriminação racial ou de gênero, o bullying e a pressão por desempenho em um contexto de dificuldades podem gerar ansiedade, depressão, baixa autoestima e outros problemas de saúde mental que prejudicam o bem-estar e o processo de aprendizagem. A escola, muitas vezes, é o local onde esses sofrimentos se manifestam através de comportamentos desafiadores, isolamento ou dificuldades de relacionamento. Como apontam Sawaia e Wanderley (2014), "o sofrimento ético-político, decorrente das injustiças sociais e da exclusão, produz marcas profundas na subjetividade dos indivíduos, afetando sua capacidade de aprender, de se relacionar e de construir projetos de vida" (SAWAIA; WANDERLEY, 2014, p. 37).
As dificuldades socioeconômicas e emocionais vivenciadas pelos estudantes criam barreiras significativas para o processo de ensino-aprendizagem. A falta de condições básicas para o estudo em casa (como um ambiente tranquilo e materiais adequados), a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar, a falta de apoio familiar devido a outras demandas e o impacto do estresse e da ansiedade no desenvolvimento cognitivo são fatores que contribuem para o baixo rendimento escolar, a repetência e a evasão. Nesse sentido, Abramovay e Rua (2002) destacam que "a desigualdade social se manifesta de forma contundente no campo educacional, onde crianças e adolescentes de famílias com menor poder aquisitivo enfrentam inúmeras desvantagens que comprometem seu sucesso escolar" (ABRAMOVAY; RUA, 2002, p. 71).
Os profissionais da educação, como professores, coordenadores e diretores, também são diretamente afetados pela complexidade das expressões da questão social no cotidiano escolar. Muitas vezes, eles se deparam com situações de extrema vulnerabilidade e com a falta de recursos e apoio adequados para lidar com essas demandas. A sobrecarga de trabalho, o sentimento de impotência diante de problemas sociais complexos e a necessidade de desempenhar papéis que vão além da função pedagógica podem gerar desgaste emocional e dificultar o seu trabalho. Como salienta Esteve (1999) ao analisar o mal-estar docente, "as dificuldades sociais que os alunos trazem para a escola exigem dos professores um repertório de habilidades e conhecimentos que muitas vezes ultrapassam sua formação inicial, gerando frustração e esgotamento" (ESTEVE, 1999, p. 29).
Diante dessa complexidade, o diálogo interdisciplinar entre os profissionais da educação e do Serviço Social se torna imprescindível. A troca de conhecimentos e perspectivas entre pedagogos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais permite uma compreensão mais abrangente das situações vivenciadas pelos alunos e suas famílias, possibilitando a construção de estratégias de intervenção mais eficazes e integradas. Enquanto os educadores possuem o conhecimento sobre o processo de ensino-aprendizagem e as dinâmicas escolares, os assistentes sociais trazem sua expertise na análise das questões sociais, no conhecimento da rede de serviços e nas estratégias de intervenção social. Para Ferreira e colaboradores (2019), "a interdisciplinaridade no contexto escolar potencializa a compreensão da realidade complexa e multifacetada, permitindo a construção de planos de intervenção que considerem as diferentes dimensões da vida dos estudantes" (FERREIRA et al., 2019, p. 115).
A atuação do Serviço Social na escola emerge, portanto, como uma resposta profissional à complexidade dessas demandas. Soares (2003) enfatiza a natureza do Serviço Social como uma profissão comprometida com a garantia de direitos:
O Serviço Social é uma profissão que atua na realidade social através do atendimento de inúmeras demandas, elaboração de pesquisa e construção de propostas que visam o atendimento às necessidades sociais da população, nas áreas de Assistência Social, saúde, educação, habitação, etc., como um direito do cidadão e não como um favor ou simples ajuda (SOARES, 2003, p. 52).
Nessa perspectiva, a intervenção do Assistente Social na escola não se limita a ações assistencialistas ou paliativas, mas busca a identificação das raízes sociais dos problemas e a articulação de estratégias para a efetivação dos direitos sociais dos estudantes e suas famílias.
A identificação dos fatores contextuais que incidem sobre o campo educacional é uma das funções primordiais do Serviço Social na escola. Através de uma atitude investigativa e crítica, o Assistente Social busca compreender como os contextos sociais, culturais, políticos e econômicos moldam as experiências dos alunos e influenciam seu desempenho escolar (Netto, 2001). A Constituição Federal de 1988, ao definir o papel da educação escolar, sublinha a sua dimensão como política social e seu compromisso com a autonomia e a participação cidadã “Conforme a Constituição Federal de 1988, o papel da educação escolar garantir o acesso ao conhecimento, possibilitando à população o desenvolvimento de umaautonomia que culmine em sua participação efetiva na sociedade. Nesse sentido, a educação pode ser considerada uma política social que visa o compromisso com a garantia dos direitos do cidadão” (Brasil, 1988).
A integração do Serviço Social na escola, portanto, fortalece essa dimensão da educação como política social, contrapondo-se a ações desprofissionalizadas e despolitizadas que não abordam a complexidade das questões sociais. As transformações no mundo do trabalho, as novas exigências cotidianas e as mudanças nas dinâmicas familiares, intensificam a necessidade de uma intervenção qualificada que considere os aspectos bio-psico-sociais na vida das famílias e seus reflexos no ambiente escolar (Mioto, 2008).
A atuação do Assistente Social na escola possibilita estabelecer uma estreita relação com os aspectos sociais presentes na vida do aluno, da família e da comunidade, interferindo significativamente no ambiente escolar e no processo de aprendizado. A possibilidade de desenvolver ações interdisciplinares com uma abrangência que alcance a família e a vida comunitária permite compreender a educação em uma dimensão integral, com foco no atendimento e na atenção às expressões da questão social que circundam esse ambiente (Iamamoto, 2007).
É importante ressaltar que as expressões da questão social podem apresentar particularidades, marcados por questões como a dinâmica da economia local, as especificidades culturais das comunidades indígenas e ribeirinhas, os desafios relacionados ao acesso a serviços em áreas remotas e as questões ambientais que podem impactar a vida das populações. Compreender essas especificidades é fundamental para uma atuação do Serviço Social que seja sensível às realidades locais e capaz de construir respostas adequadas. Em relação aos desafios específicos da região amazônica, Valente (2002) aponta para a necessidade de considerar "as dinâmicas sociais e ambientais particulares, que muitas vezes impõem barreiras adicionais ao acesso à educação e a outros direitos, exigindo abordagens diferenciadas e culturalmente sensíveis" (VALENTE, 2002, p. 88).
A dispersão das comunidades ao longo de rios, a distância dos centros urbanos e a precariedade da infraestrutura são apenas alguns dos obstáculos enfrentados por estudantes e educadores.
A dispersão das comunidades ao longo de rios, a distância dos centros urbanos e a precariedade da infraestrutura são apenas alguns dos obstáculos enfrentados por estudantes e educadores.
Dificuldades Geográficas e de Infraestrutura:
· Distância e Isolamento: As comunidades ribeirinhas frequentemente estão localizadas em áreas remotas, de difícil acesso por vias terrestres. O principal meio de transporte é fluvial, o que torna as viagens longas, dispendiosas e dependentes das condições dos rios (nível da água, correnteza). Segundo Barbosa (2003), essa situação de isolamento contribui para a violação de direitos elementares nessas comunidades.
· Transporte Fluvial Precário: Muitas famílias não possuem embarcações próprias e dependem de transporte público fluvial, que pode ser irregular, caro ou inexistente em algumas áreas. As crianças e jovens podem enfrentar longas horas de viagem em barcos inadequados para chegar à escola, como apontam observações em estudos sobre a região.
· Infraestrutura Escolar Insuficiente: As escolas em comunidades ribeirinhas muitas vezes carecem de infraestrutura básica, como prédios adequados, energia elétrica confiável (muitas vezes dependendo de geradores a diesel, como mencionado por um estudo da FAS), água potável, saneamento básico e acesso à internet. A falta de recursos didáticos e materiais pedagógicos também é uma constante, conforme destacado por Haje (2006) em um estudo citado por Araújo (2023).
· Variações Naturais: As cheias e secas dos rios amazônicos impactam diretamente o acesso à escola. Durante as cheias, as escolas podem ficar alagadas ou isoladas, dificultando ou impedindo a frequência dos alunos e o trabalho dos professores. Na seca, o assoreamento dos rios pode dificultar a navegação e o transporte. Alencar (2021) discute a resiliência pedagógica das escolas ribeirinhas frente a essas variações.
Dificuldades Socioeconômicas e Culturais:
· Pobreza e Necessidade de Trabalho: Muitas famílias ribeirinhas vivem em condições de pobreza e dependem de atividades como pesca, agricultura de subsistência e extrativismo. As crianças e jovens podem ser obrigados a trabalhar para ajudar na renda familiar, o que compromete sua frequência e dedicação aos estudos.
· Diferenças Culturais e Linguísticas: As comunidades ribeirinhas possuem seus próprios saberes, culturas e, em alguns casos, línguas distintas. A falta de currículos e práticas pedagógicas que valorizem e incorporem esses conhecimentos pode gerar desinteresse e dificuldades de aprendizagem para os alunos. Oliveira (2009) e Charlot (2000), citados por Araújo (2023), ressaltam a riqueza dos saberes tradicionais dessas comunidades.
· Desafios para os Professores: Os professores que atuam em comunidades ribeirinhas enfrentam inúmeros desafios, incluindo a dificuldade de deslocamento, a necessidade de trabalhar com classes multisseriadas (alunos de diferentes idades e níveis na mesma sala), a falta de materiais didáticos adequados e, muitas vezes, a falta de formação específica para atuar nesse contexto, como apontado por Gerone Jr. e Hage (2010). A falta de reconhecimento da identidade ribeirinha no processo educacional também é uma dificuldade mencionada por Araújo (2023).
· Distanciamento entre Comunidade e Escola: Em algumas situações, pode haver um distanciamento entre a cultura da escola e a cultura da comunidade ribeirinha, dificultando a participação dos pais e a valorização da educação formal, como observado por Oliveira (2001).
Impacto da Pandemia:
A pandemia de COVID-19 exacerbou as dificuldades de acesso à educação nas comunidades ribeirinhas. A necessidade de ensino remoto revelou a falta de acesso à internet e a recursos tecnológicos por parte de muitos alunos e professores, como demonstrado por Beckes (2021). A distribuição de materiais impressos e o uso de rádio foram algumas das estratégias adotadas, mas não supriram totalmente a necessidade de interação e aprendizado.
A complexidade da educação ribeirinha na Amazônia impõe desafios específicos que precisam ser considerados na análise da questão social no ambiente escolar. Diversos estudos apontam para as dificuldades de acesso e as necessidades contextuais dessas comunidades. A realidade dessas regiões é marcada pelo isolamento geográfico e pela consequente violação de direitos elementares (BARBOSA, 2003).
Autores como Oliveira (2001, 2009) enfatizam a necessidade de abordar a distância entre a comunidade e a escola, valorizando os saberes tradicionais e o contexto cultural. Charlot (2000) complementa essa visão, reconhecendo os ribeirinhos como herdeiros de conhecimentos indígenas e da cultura da floresta, o que demanda uma abordagem pedagógica diferenciada.
Os problemas logísticos e de infraestrutura também são cruciais, como evidenciado nos desafios enfrentados pelos professores (HAJE, 2006; GERONE JR.; HAGE, 2010), e nas dificuldades de distribuição de recursos essenciais, a exemplo da merenda escolar (LIMA, 2022). O contexto de vulnerabilidade se agravou com eventos recentes, onde a falta de acesso à tecnologia durante a pandemia expôs a precariedade da educação ribeirinha (BECKES, 2021).
Estudos como os de Santiago et al. (2017) e Furtado (2020) buscam identificar e compreender esses problemas de forma mais ampla, enquanto Valente (2002) defende a urgência de abordagens educacionais diferenciadas e culturalmente sensíveis para a Amazônia. Essa necessidade de adaptação demonstra a resiliência pedagógica exigida das escolas diante das variações ambientais e sociais (ALENCAR, 2021). Embora o foco não seja exclusivo nesses contextos, a discussão sobre a desigualdade social e seu impacto no campo educacional, conforme abordado por Abramovay e Rua (2002), fornece o pano de fundo para a atuaçãodo Assistente Social na busca pela equidade e pela garantia do direito à educação nessas comunidades.
Compreender essas dificuldades é fundamental para que o Serviço Social possa atuar de forma eficaz nas escolas das comunidades ribeirinhas, buscando estratégias que minimizem essas barreiras e garantam o direito à educação para todos. Isso envolve a articulação com políticas públicas, a valorização da cultura local e a busca por soluções criativas e adaptadas à realidade amazônica.
3.2 A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ESCOLA COMO POLÍTICA SOCIAL
A presença do Assistente Social na escola é fundamental para identificar e intervir nas barreiras sociais, econômicas e culturais que dificultam o acesso e a permanência dos alunos no sistema de ensino (Barroco, 2010). Através da realização de estudos sociais, da escuta qualificada e do estabelecimento de vínculos de confiança com os estudantes e suas famílias, o profissional pode mapear as vulnerabilidades sociais que impactam a trajetória escolar. Questões como pobreza, insegurança alimentar, violência doméstica, falta de moradia adequada e dificuldades de acesso à saúde são frequentemente identificadas e demandam ações articuladas com a rede de serviços socioassistenciais e outras políticas públicas.
Nesse sentido, o Assistente Social atua como um elo crucial entre a escola e outras políticas sociais, como a Assistência Social (CRAS, CREAS), a Saúde (UBS, CAPS), a Habitação e a Justiça (Conselho Tutelar, Ministério Público). Ao realizar os encaminhamentos necessários, ao informar as famílias sobre seus direitos e ao facilitar o acesso aos recursos existentes na comunidade, o profissional contribui para que as necessidades básicas sejam atendidas, criando condições mais favoráveis para o processo de ensino-aprendizagem. Iamamoto e Carvalho (2017) reforçam a importância da articulação do Serviço Social com as políticas públicas, “A intervenção do assistente social se inscreve no âmbito das políticas sociais, configurando-se como uma ação que visa a garantia de direitos e o acesso aos serviços sociais, buscando a superação das desigualdades e a promoção da justiça social’ (IAMAMOTO; CARVALHO, 2017, p. 27).
O Serviço Social Escolar é um método pelo qual o Assistente Social, através do uso de princípios e técnicas promove um melhor relacionamento entre a escola, família e o melhor, visando o seu desenvolvimento e capacidade de vida em comum e a procura coletiva de fins sociais elevados e desejáveis (FALEIROS, 1986, p. 47).
Nessa perspectiva, o Assistente Social atua como um articulador entre a escola, a família e os serviços e recursos da comunidade, buscando fortalecer os vínculos sociais, promover o acesso a direitos e construir soluções coletivas para os problemas identificados.
Além da intervenção nas situações de vulnerabilidade já instaladas, o Serviço Social na escola desempenha um papel importante na prevenção de problemas sociais e na promoção de ações socioeducativas (Brasil, 2007). Através do desenvolvimento de projetos e oficinas com alunos, pais e professores, o Assistente Social pode abordar temas relevantes como prevenção da violência, promoção da saúde, educação para os direitos humanos, orientação profissional e construção de projetos de vida. Essas ações visam fortalecer os vínculos sociais, desenvolver habilidades para a vida e promover a autonomia dos sujeitos.
A dimensão socioeducativa da prática profissional contribui para a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres, capazes de participar ativamente na vida social e de construir relações mais saudáveis e equitativas (Freire, 1996). Essa perspectiva se alinha com os princípios da educação integral, que busca desenvolver todas as dimensões do ser humano (Gadotti, 2004).
A participação do Assistente Social na elaboração e implementação do Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola é fundamental para garantir que as dimensões sociais e as necessidades dos alunos e suas famílias sejam consideradas no planejamento das ações educativas (CFESS, 2008). Ao integrar a equipe multidisciplinar, o Assistente Social contribui com seu olhar específico sobre as questões sociais, auxiliando na identificação das demandas da comunidade escolar e na proposição de estratégias de intervenção que promovam a inclusão e a equidade (Yazbek, 2009).
A construção de um PPP que contemple a perspectiva do Serviço Social implica em reconhecer a escola como um espaço de diversidade, onde as diferentes histórias de vida e as desigualdades sociais se manifestam. Isso demanda a adoção de práticas pedagógicas que valorizem a cultura e os saberes dos alunos, que promovam o respeito às diferenças e que busquem superar as barreiras que impedem o pleno desenvolvimento de cada estudante.
A complexidade das expressões da questão social no cotidiano escolar exige uma atuação em rede, com a articulação de diferentes setores e serviços. O Assistente Social na escola atua como um articulador dessa rede de apoio, estabelecendo parcerias com outros profissionais da educação (professores, coordenadores, diretores, psicólogos), com os serviços de saúde, assistência social, cultura, lazer e com organizações da sociedade civil (Netto, 2006). Essa articulação intersetorial potencializa as ações e garante um atendimento mais integral e eficaz às necessidades dos alunos e suas famílias.
A construção de fluxos de atendimento e de encaminhamento bem definidos entre a escola e os demais serviços é essencial para garantir que as demandas identificadas sejam atendidas de forma adequada e oportuna. O Assistente Social desempenha um papel central nesse processo, facilitando a comunicação e a colaboração entre os diferentes atores da rede de proteção social (Silva, 2012).
A atuação do Assistente Social na escola abrange diversas dimensões, incluindo:
Atendimento Individual e Familiar: O Assistente Social realiza escutas qualificadas, entrevistas e orientações com alunos, pais ou responsáveis, buscando compreender suas demandas, identificar suas necessidades e oferecer apoio psicossocial. Trabalho em Grupo: Desenvolve atividades socioeducativas com grupos de alunos, pais ou professores, abordando temas como direitos, cidadania, prevenção de violência, saúde, entre outros. Elaboração de Estudos Sociais: Realiza investigações sociais para aprofundar o conhecimento sobre a realidade social dos alunos e suas famílias, subsidiando a elaboração de planos de intervenção e a articulação com outras políticas públicas. Desenvolvimento de Projetos e Programas: Elabora e implementa projetos e programas que visam o enfrentamento de problemas específicos identificados na comunidade escolar, como evasão, violência, dificuldades de aprendizagem, etc. Articulação com a Rede de Serviços: Estabelece parcerias e fluxos de encaminhamento com outros serviços e equipamentos sociais (CRAS, CREAS, saúde, conselho tutelar, etc.) para garantir o acesso dos alunos e suas famílias aos direitos e aos recursos necessários. Participação em Equipes Interdisciplinares: Integra equipes multidisciplinares da escola, colaborando na elaboração do Projeto Político-Pedagógico, na discussão de casos e na construção de estratégias de intervenção conjuntas. Defesa de Direitos: Atua na defesa dos direitos dos alunos e suas famílias, denunciando situações de negligência, violência ou violação de direitos e acionando os órgãos competentes.
A importância do planejamento social, dos programas e projetos desenvolvidos nas diversas áreas sociais, como mencionado no texto base (Para a referência específica do seu "texto base", você precisaria fornecer o título completo, autor(es) e ano, por exemplo: (UNINTA, 2023)), ressalta a necessidade de uma atuação do Serviço Social na escola que seja planejada, estratégica e articulada com as demais políticas públicas (Bravo, 2004). A perspectiva de acesso aos direitos como uma construção coletiva, e não unilateral, também orienta a prática do Assistente Social, que busca envolver os sujeitos na identificação de suas necessidadese na busca por soluções (Faleiros, 2000).
A educação, como enfatiza o texto base (UNINTA, 2023), necessita de ações articuladoras nessas diferentes dimensões, considerando as novas formas de sociabilidade humana e a importância da alteridade e da responsabilidade coletiva na construção do acesso aos direitos (Iamamoto, 2007). O Serviço Social na escola, ao promover a articulação entre a escola, a família e a comunidade, contribui para a construção de uma rede de apoio social que fortalece o processo educativo e promove o desenvolvimento integral dos estudantes (Pereira, 2011).
Apesar da crescente reconhecimento da importância do Serviço Social na escola, a sua inserção ainda enfrenta desafios no Brasil. A falta de regulamentação específica, o número insuficiente de profissionais nas escolas, a sobrecarga de trabalho e a falta de clareza sobre o papel do Assistente Social no contexto educacional são algumas das dificuldades a serem superadas (Brasil, 2018).
Para o fortalecimento do Serviço Social na escola como política social efetiva, é fundamental:
Investimento na formação e na contratação de Assistentes Sociais: É necessário um aumento significativo do número de profissionais nas escolas, com formação qualificada e condições de trabalho adequadas.
Regulamentação da atuação do Serviço Social na educação: Uma legislação específica pode contribuir para definir o papel e as atribuições do Assistente Social no contexto escolar, garantindo a sua inserção como parte integrante da política educacional.
Fortalecimento da interdisciplinaridade: É essencial promover o diálogo e a colaboração entre os Assistentes Sociais e os demais profissionais da educação, construindo práticas conjuntas que integrem as dimensões pedagógica e social do processo educativo.
Reconhecimento do Serviço Social como área essencial da política educacional: É fundamental que os gestores e a sociedade em geral reconheçam a contribuição do Serviço Social para a garantia do direito à educação e para a promoção do bem-estar da comunidade escolar (CFESS, 2011). Em suma, a atuação do Assistente Social na escola, quando compreendida e implementada como uma política social, representa um importante avanço na busca por uma educação mais justa, inclusiva e capaz de responder às complexas demandas da sociedade contemporânea. Ao articular ações com outras políticas públicas, ao promover a prevenção e a socioeducação, ao contribuir para a construção de um PPP inclusivo e ao fortalecer as redes de apoio, o Serviço Social se consolida como um profissional essencial para a garantia do direito à educação e para a promoção do desenvolvimento integral dos estudantes.
4. A FAMILIA E SUA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NA EDUCAÇAO 
Desde tempos remotos sabemos o destaque que a família tem com a sociedade, e as atividades do Assistente social e a área educacional, o entusiasmo do aluno com a escola pode ser observada como ponte para a democracia. Não se deve esquecer a força transformadora da família no processo escolar.
De acordo com Sarti (2004) apud Santos (2012) a família é o alicerce primordial para as crianças e adolescentes, pois tem o papel de instruí-las no mundo e ensinar as noções básicas da vida em sociedade.
A família é considerada importante na fase escola, porém, não participa do projeto pedagógico educacional.
Dentre os princípios da Política de Assistência Social podemos destacar a matricialidade sócio familiar como medida de resolução nos atendimentos com seguridade dos trabalhos de suporte à família (TEIXEIRA, 2010).
Campos e David (2010) ressaltam que a Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) assegura a fundamental importância do trabalho do assistente social em conjunto com a família.
Vale ressaltar que a PNAS e SUAS ao adotarem o princípio da matricialidade sócio familiar não conseguem superar a tendência familista da política social brasileira, em especial da assistência social, pois, se por um lado o termo significa que a família é a matriz para concepção e implementação dos benefícios, programas e projetos, que em hipótese pode romper a fragmentação do atendimento, por outro, toma a família como instância primeira ou núcleo básico da proteção social aos seus membros, devendo ser apoiada para exercer em seu próprio domínio interno as funções de proteção social, portanto, continua-se a responsabilizar a família, em especial às mulheres, pelos cuidados e outras tarefas de reprodução social (TEIXEIRA, 2010, p. 5-6).
Devemos entender o papel importante que a família tem, em destaque no artigo 16 na Declaração de Direitos Humanos, no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Segundo Jesus etal. (2004) a atuação dos assistentes sociais em parceria com as famílias vem ocorrendo paralelamente com a história da profissão, o que os remete na adoção de novas formas de prestação de serviços mais eficazes e efetivos.
Vale ressaltar que o profissional de Serviço Social somente age em atenção com a família em conflito, quando esta não sabe resolver e por em pratica sua função social. É responsabilidade da família e função principal proteger todos os seus membros.
Silva (2008) compreende que os laços familiares criados socialmente resultam em funções sociais, e estas podem ser construídas e estabelecidas ou não, devido à exclusão social. A família pode sofrer dois tipos de exclusão social, tanto causado pela sociedade como a exclusão intrafamiliar.
Segundo Oliveira (2013) a pobreza e a falta de oportunidade de vida digna faz com que as famílias fiquem presas a uma determinada situação e não atinge seu espaço na sociedade. Sendo assim, protagoniza uma situação de exclusão que se perdeu toda vida na ausência de solução.
No entanto, se a família não cumpre sua função sócia, ela dependerá do Profissional de Serviço Social.
Quando a família não consegue cumprir sua função social aparecem as demandas para o Serviço Social, porém devemos ressaltar que nem todas as demandas são criadas pela família, às vezes elas estão na sociedade e impõe seu reflexo na família (SILVA, 2008, p. 6).
Atualmente, a família vem sofrendo mudanças visíveis, no entanto o Assistente Social vem buscado fundamentações metodológicas e teóricas para compreender a família. O contexto familiar é uma das áreas mais atuantes pelo Assistente Social principalmente pelos conflitos nos últimos tempos.
De acordo com Rivani (2005) atuar na família é sempre polêmico, pois envolve valores, crenças, segredos e comportamentos previamente já existentes.
A família é considerada, de acordo com Santos (2012), como uma das áreas prioritárias de atuação dos assistentes sociais, uma vez que o ambiente familiar apresenta uma fonte de complexidade e um campo repleto de intervenções.
A complexidade das famílias, hoje é um instrumento do Assistente Social, em busca da recuperação dessa instituição. E importante à aproximação da família na área educacional através do profissional de Serviço Social.
Segundo Quintão (2013):
Envolver a família na educação, abrir o espaço escolar à comunidade, realizar trabalhos preventivos contra a evasão, a violência, as drogas e o alcoolismo, identificar e buscar formas de atendimento às demandas socioeconômicas das crianças e familiares (QUINTÃO, 2013, p. 2).
O trabalho do Assistente Social na família se depara com questões sociais como violência, desemprego, alcoolismo, etc. que atingem a família.
Estas demandas para o Serviço Social são resultantes em meios familiares com situação de vulnerabilidade e risco social como desestabilidade dos vínculos afetivos e sociais, fatores econômicos, violência, dificuldades em aceitar filhos com necessidades especiais, violência contra mulher, jovens fora da lei, dentre outras situações que requer atendimento assistencial social (SILVA, 2008).
“A atuação do assistente social junto às famílias pode ser decisiva na resolução de problemáticas, auxiliando também no seu vínculo com a família” e com a educação a fim de potencializar as oportunidades do desenvolvimento educativo (SANTOS, 2012, p. 127).Devemos saber que é importante a participação familiar na vida escolar do aluno, para fortalecer os vínculos afetivos e sociais, e é benéfico no desenvolvimento educacional de forma efetiva, é importante destacar a postura do Assistente Social no âmbito familiar, o quanto é importante, por que devera haver oportunidade trocas, dando sempre espaço para a realidade familiar e social como um todo.
Segundo Campos e David (2010) o apoio da família no trabalho do Serviço Social:
Visa sensibilizar as famílias sobre sua importância e responsabilidade com a educação e formação de seus filhos. São realizados atendimentos individualizados, visitas domiciliares periódicas, reuniões educativas, estudos, orientações, informação e discussões, palestras com temas informativos e atendimento psicológico tudo com o apoio e participação das famílias (CAMPOS e DAVID, 2010, p. 277).
A participação e a acompanhamento familiar garantem ao estudante crescimento e aprendizagem intelectual, assim como ética para crescimento socioeducativo como cidadão. Essa participação familiar garante respeito.
A atuação do Serviço Social tem por finalidade desmitificar todas as formas de discriminação, bem como promover a garantia dos direitos dos cidadãos a fim de obter sua autonomia como designado em seu projeto ético-político profissional (SILVA, 2008).
O profissional de Serviço Social deve ser criativo, contribuir e orientar as famílias sobre os seus direitos, pois somente com informação os direitos de todos estarão garantidos. O papel do Assistente Social é orienta-los, intervir e apresentar mudanças para que problemas sejam resolvidos.
De acordo com Mioto (2004) os assistentes sociais desenvolvem ações específicas para cada particularidade dos casos familiares como ações socioeducativas, sócio terapêutico, ações periciais, sócio assistenciais, ações de recolhimento e apoio sócio institucional. Sendo que todas essas ações partem de serviços com o propósito de atender os problemas familiares.
Moreira (2009) enfatiza que:
Frente à atualidade de situações problemáticas, deve-se num primeiro momento atender às necessidades emergenciais das famílias, e em outro, planejar ações conjuntas que enfatizam aspectos preventivos, educativos e redistributivos visando à superação da situação de vulnerabilidade social que atinge as famílias (MOREIRA, 2009, p. 179).
O trabalho do Assistente Social é determinado no atendimento as demandas das seguintes questões sociais exploração sexual infantil, abandono entre outros, e são questões como essas que diferenciam uma família das outras. No entanto, a politica de assistência social atual se destaca atendendo os diversos seguimentos de forma isolada, direcionando-se as necessidades da família.
A família sempre esteve inserida no contexto do Serviço Social. Todavia, os serviços sociais tem contemplado a família de maneira fragmentada, isto é, “cada integrante da unidade familiar é visto de forma individualizada, descontextualizada e portador de um problema”. Dessa forma, os profissionais têm como meta buscar métodos de trabalho para com as famílias como um grupo com problemas próprios e únicos (OLIVEIRA, 2013).
De acordo com Jesus et al. (2004) a família têm sido foco de atuação do Serviço Social há muito tempo, porém é tratada como problema fragmentado onde cada unidade familiar é atendida individualmente. Diante disso, um dos desafios a serem superados por esses profissionais é a busca em práticas de trabalho que contextualizam as famílias como um grupo com próprias necessidades.
O Assistente Social deve dispensar atenção a família na área de sua respectiva demanda, este profissional deve ter um olhar do contexto, deve se preocupar na solução de conflitos, porém, tem que pensar na solução dos problemas e seus benefícios para toda a família e não somete o individuo, pensar no bem da coletividade e não individualmente.
Oliveira (2013) destaca que é necessário que o profissional utilize uma linguagem clara, criando um espaço aberto e informal para que os usuários se sintam a vontade para fazerem perguntas e esclarecer dúvidas.
Ainda, o mesmo autor reafirma que o diálogo na discussão de alternativas com as famílias estará contribuindo para desenvolver mecanismos de reflexão e assumindo um papel mais de ajuda a refletir e pensar nela, mais de questionar do que discursar.
É importante frisar que o imenso obstáculo para o Assistente Social é estimular a discussão, ou seja, a troca entre escola e família, a participação entre escola e sociedade nas reuniões, eventos, etc., favorece a vida sócio educacional.
Rivani (2005) afirma que o “Serviço Social trabalha com ações de caráter preventivo, educativo e assistencial, sendo amparada pelas bases teórico-metodológica, ético política e técnico-operativa, possibilitando sua atuação para modificar a realidade existente na família”.
Desse modo, o profissional de Serviço Social deve estar orientado de acordo com compromisso e ser agente de transformação social na luta pela qualidade de vida da família, por direitos e orientações que beneficiam a família, fortalecendo a sociedade. É importante para a percepção da família, que as mudanças dependem da busca por qualidade e condições de vida melhores.
Para Silva (2008) o assistente social deve atuar nessas demandas a fim de obter meios para conseguir almejar seus objetivos, sejam por intermédio de bens, serviços, benefícios, programas ou projetos. Assim, esse profissional deve articular uma maneira para que a família possa efetivar a sua função social.
Vejamos uma das funções familiares:
“[...] prover a proteção e a socialização dos seus membros, constituir-se como referenciais morais, de vínculos afetivos e sociais, de identidade grupal, além de ser mediadora das relações de seus membros com outras instituições sociais e com o Estado” (PNAS, 2004, p.36).
A instituição familiar tem como uma de suas funções a mediação entre o indivíduo e a sociedade, seja qual for sua estrutura, por vezes marcada por dilemas sociais.
Desse modo, é de fundamental importância que o atendimento social se dê de forma continuada com as famílias, a fim de construir uma relação direta com os fatores culturais, afetivos, sociais, psicológicos, econômicos que abrangem o ambiente familiar, o que por sua vez atrapalha a prática profissional e sés desdobramentos com a resolução desses fatores críticos (MOREIRA, 2009).
De acordo com Jesus et al. (2004) os assistentes sociais, no exercício de sua função de atendimento às famílias, desenvolve um processo de quatro etapas com as seguintes atividades: entrada do grupo familiar no serviço, identificação, acompanhamento e seu desligamento.
A família é parte do problema, mas, está nela mesma a solução em busca de fortalecer a paz.
O trabalho com famílias torna-se realmente um desafio, uma vez que são inúmeros os obstáculos, mas pode-se perceber que através de uma prática profissional pautada no Código de Ética, no projeto ético político e munidos de um referencial teórico metodológico que norteará todas as ações, é possível visualizar as demandas, e de forma estratégica e articuladora oferecer as respostas necessárias objetivando as emancipações dos usuários (OLIVEIRA, 2013).
Cabe ao Assistente Social entender e intervir preventivamente com finalidade de concluir o trabalho.
No que concerne aos resultados esperados pelos assistentes sociais, Jesus et al. (2004) declaram que podem ser citados a busca da valorização pessoal e a garantia dos direitos da família, por ora são guiados pela satisfação dos profissionais envolvidos e o reconhecimento do Serviço Social prestado a toda comunidade.
Dessa forma, entendemos que a participação do Assistente Social junto a escola tem bons resultados para todos. Então, esse grupo (educação, família e serviço social) deve ficar junto para que o equilíbrio social seja mantido.
5. O SERVIÇO SOCIAL NA ÁREA EDUCACIONAL
Abordarei nesse capitulo o surgimento do Serviço Social na educação e sua contribuição e a utilização das politicas sociais.
Para Freire o verdadeiro papel da escola

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