Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Professora Carolina Fontoura da Motta 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
2 
 
 
1. O CICLO ORÇAMENTÁRIO 
 
1.1 O que é o Ciclo Orçamentário? 
 
Segundo o Professor Fernando Melo, pode ser definido como um processo contínuo, dinâmico e flexível, por meio do qual 
se elabora, executa, controla e avalia a programação de dispêndios do setor público nos aspectos físico e financeiro. 
O ciclo orçamentário corresponde ao período de tempo em que se processam as atividades típicas do orçamento público, 
desde sua concepção até a apreciação final. 
 OBS.: O Ciclo Orçamentário não se confunde com o exercício financeiro. 
 São quatro as etapas do ciclo ou processo orçamentário: 
 1) Elaboração da proposta orçamentária; - etapa técnica 
 2) Discussão e aprovação da lei do orçamento; - etapa política 
 3) Execução orçamentária e financeira; e 
 4) Controle – Tribunais de Contas e sociedade civil 
É importante ressaltar que o ciclo orçamentário NÃO se confunde com o exercício financeiro, pois o primeiro pode durar 
mais de um exercício, dado que, segundo a Lei 4.320/64 o exercício financeiro é o ano civil (1° de janeiro a 31 de dezembro). 
Quando uma obra, por exemplo, é iniciada, ela pode durar mais de um exercício, pois pode iniciar em março de 2006 e concluir-se 
em 2010. 
 
Interferência no Ciclo Orçamentário: 
 
ESTADO Nação politicamente organizada 
 
 
 
 
 
GOVERNO Elemento transitório 
 
 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (Executa o Orçamento) 
 
 
 
 
SERVIÇOS PÚBLICOS (Estrutura Organizacional) – sociedade (usuário) 
 
 
2. ORÇAMENTO PÚBLICO 
 
2.1 Conceito de Orçamento Público 
 Processo de planejamento pelo qual o Estado apresenta seus propósitos, objetivos e metas para as quais a 
administração pública estima a receita e fixa a despesa. 
 
2.2 Conceitos de Orçamento Programa 
 Documento que trata, em termos financeiros, o programa de trabalho do governo, para cada ano (periodicidade anual), 
estima os recursos que devem ser arrecadados em cada ano para financiar, no mesmo período, as despesas fixadas para a 
execução do programa de trabalho do governo. 
A ação planejada do Estado, quer na manutenção de suas atividades, quer na execução de seus projetos, se materializa 
através do orçamento, que é o instrumento de que dispõe o Poder Público para expressar, em determinado período de tempo, o seu 
programa de ação, discriminando a origem e o montante de recursos a serem arrecadados, bem como os dispêndios a serem 
efetuados. 
 O Orçamento Programa é aquele que enfatiza o que o governo faz, realiza, e não aquilo que o governo adquire. Também 
chamado de orçamento de realização ou de desempenho, onde são apresentados os propósitos e objetivos para os quais os 
créditos se fazem necessários. 
 
2.3 Orçamento de Base Zero 
É definido como “um processo operacional de planejamento e avaliação orçamentária que requer de cada administrador 
uma justificativa detalhada a partir de zero, sobre toda a solicitação de recursos. Todo administrador deve justificar qualquer quantia 
solicitada, bem como o procedimento escolhido para executar o seu trabalho. O processo requer, assim, que todas as atividades e 
operações sejam identificadas em pacotes de decisões que são avaliadas e classificadas segundo ordem de importância, através de 
uma análise sistemática.” Pyhrr apud Wilges. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
3 
O Orçamento Base Zero é um sistema pelo qual os programas e atividades são organizados e orçamentados através de 
um plano detalhado, que focalize revisões, reavaliações, e análises de todas as despesas propostas ao invés de considerar apenas 
as solicitações que ultrapassem os valores das despesas correntes. A finalidade é determinar se cada atividade deve continuar a ser 
dotada no nível atual ou em nível diferente ou mesmo ser extinta. Esse tipo de orçamento necessita que as atividades sejam 
colocadas em ordem de prioridades que parta do zero e suba sucessivamente níveis maiores de realização e respectivos custos. 
É uma técnica geralmente utilizada para analisar o pedido de verbas sem o compromisso implícito de manter níveis de 
dispêndios aprovados anteriormente. 
2.3.1 Características do Orçamento Base Zero 
 Justificativa de todos os programas a serem financiados, quer dos já implantados, quer dos novos. 
 Preparação de um “pacote de decisão” 
 Hierarquização do “pacote de decisão” 
 Sistema que organiza os programas e as atividades de forma detalhada, tanto os em andamento como os 
novos 
 Requer revisão, avaliação e análise de todas as despesas propostas, deixando de se considerar os gastos em 
andamento como inquestionáveis 
 Parte do zero para analisar os programas e atividades, podendo os gastos em andamento serem reduzidos ou 
eliminados por novos. 
 
 
2.4 Princípios Orçamentários 
 
Princípios Clássicos ou Básicos 
1) Princípio da Anualidade – a previsão das receitas e a fixação das despesas deve referir-se a um período limitado de 
tempo. Em geral, de um ano. Conforme CF art. 165, III (orçamentos anuais), Lei 4.320/64 art. 2° (anualidade) e art. 34 (exercício 
financeiro – ano civil). 
2) Princípio da Unidade – Eliminação de orçamentos paralelos, existe apenas um orçamento para cada período. Conforme 
CF art 165 parágrafo 5° (orçamento referente aos Poderes da União, investimentos das empresas estatais, seguridade social) e art. 
2° da Lei 4.320/64 (unidade). 
3) Princípio da Universalidade – todas as receitas e todas as despesas referentes aos poderes da União, seus fundos, 
órgãos e entidades da administração direta e indireta. 
Demais princípios orçamentários 
4) Princípio da Exclusividade – conter apenas matéria orçamentária, não admitindo-se assuntos estranhos. Excetuam-se: 
autorização de abertura de créditos orçamentários até determinado limite e contratação de operações de crédito, inclusive por 
antecipação de receitas (LRF). 
5) Princípio da Especificação – vedadas autorizações globais, as despesas devem aparecer em um nível tal de 
desagregação que facilite a análise por parte das pessoas. Conforme Lei 4.320/64, a discriminação da despesa far-se-á, no mínimo, 
por elementos. 
6) Princípio da Publicidade – conteúdo orçamentário deve ser publicado através dos veículos oficiais de comunicação. 
7) Princípio do Equilíbrio – em cada exercício, o montante de despesas não pode ultrapassar o montante de receitas 
previstas para aquele período. Conforme REGRA DE OURO da Lei de Responsabilidade Fiscal: o montante prevista para as 
receitas de operações de crédito não poderá ser superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária. 
8) Princípio do Orçamento Bruto – todas as parcelas da receita e da despesa devem constar no orçamento em valore 
brutos, isto é, sem qualquer tipo de dedução. 
9) Princípio da Não Afetação da Receita – conforme a CF é vedada a vinculação de receitas, ressalvadas as repartições do 
produto de arrecadação dos impostos dos arts. 158, 159, 198, 212 e 165. 
 
2.5 Classificação Orçamentária 
De grande importância para a compreensão do orçamento são os critérios de classificação das contas públicas. As 
classificações são utilizadas para facilitar e padronizar as informações que se deseja obter. Pela classificação é possível visualizar o 
orçamento por Poder, por Instituição, por Função de Governo, por Programa, por Subprograma, por Projeto e/ou Atividade, ou, 
ainda por categoria econômica. 
 Várias são as razões por que deve existir um bom sistema de classificação no orçamento. Podemos citar algumas: 
1) Facilitarvia expansão da base monetária. Neste caso, a preocupação central dos formuladores da política 
econômica não é o amortecimento de pressões de alta sobre os índices do custo de vida, mas a ampliação do acesso das camadas 
de baixa renda ao consumo de determinados bens e serviços que, inexistindo os subsídios, se tornariam inacessíveis a essas 
camadas. Evidentemente, pelo uso desse instrumento, a melhoria da estrutura de repartição se processa por vias indiretas, 
ensejando às classes sociais de baixa renda uma estrutura de consumo de produtos essenciais, provavelmente impossível caso não 
fossem esses produtos subsidiados. Os subsídios para o consumo do trigo e, conseqüentemente, dos produtos derivados, 
constituem um exemplo clássico. 
Cabe observar, porém, que os objetivos de melhor repartição pessoal da renda tendem a ser viabilizados muito mais 
através de transferências do que de subsídios. Os subsídios constituem uma forma indireta de atender a esses objetivos, além do 
que, não beneficiam apenas as camadas de baixa renda, mas todos os consumidores dos produtos subsidiados, 
independentemente de sua posição na pirâmide de estratificação socioeconômica. Já as despesas públicas classificadas como 
transferências constituem-se de pagamentos unilaterais feitos pelo governo, que não exigem contrapartida específica, em bens ou 
serviços, por parte dos beneficiados. A maior parte das transferências é representada pelos benefícios pagos pelos institutos de 
previdência social, sob a forma de aposentadorias e pensões a inativos, salário-família e auxílios diversos para serviços funerais, 
doenças, alimentação, educação e outros itens de despesas pessoais diretamente subvencionáveis pelo governo. Incluem-se ainda 
nesta categoria de gastos do governo um grande número de subvenções sociais, de que são exemplos os auxílios a populações 
flageladas e a instituições de utilidade pública sem fins lucrativos. 
Como instrumentos de política econômica, apenas em casos especiais, os gastos com transferências destinam-se à 
consecução de objetivos de crescimento. Quando acionados para esta finalidade, geralmente os possíveis resultados só são 
observáveis a longo prazo; é, por exemplo, onde se enquadram as transferências que se destinam a subvencionar despesas com 
instrução, educação e cultura ou então programas de melhoria das condições de saúde da população. Mesmo assim, é difícil 
determinar, nestes casos, a linha demarcatória entre a finalidade social e os propósitos econômicos de longo prazo das subvenções. 
Cabe notar, no entanto, que a literatura econômica vincula muito mais os gastos públicos com subvenções sociais a objetivos de 
repartição do que propriamente de favorecimento das condições de crescimento. 
Outro aspecto importante dos gastos com transferências diz respeito à sua função como instrumento de estabilização 
automática da economia, em situações conjunturais de elevação da taxa de desemprego. É o que ocorre nas economias em que o 
seguro-desemprego se acha institucionalizado, funcionando como estabilizador automático do nível do emprego, a medida que 
mantém certo fluxo de pagamentos aos desempregados inativos. Quando, por circunstâncias conjunturais adversas, o número dos 
desempregados tende a elevar-se, a economia poderia estar sujeita a uma onda alta e dificilmente controlável de queda das 
atividades produtivas, não fossem os desempregados sustentados por transferências do tipo seguro-desemprego. Ainda que estas 
transferências sejam inferiores aos salários que os desempregados auferiam antes de haverem perdido suas ocupações produtivas, 
o impacto multiplicador do desemprego é bem menor, comparativamente a uma situação em que inexistisse este tipo de subvenção. 
Sua existência implica que os desempregados continuarão reunindo condições para a continuidade de seus dispêndios 
pessoais de consumo; dispêndios que, reflexivamente, ajudarão a manter determinado nível global de emprego na economia. Neste 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
17 
sentido, a parcela dos pagamentos de transferência classificável como seguro-desemprego tem ponderável efeito anticíclico, 
ajudando a manter os níveis da demanda agregada em situações conjunturais de recessão; em situações opostas, a redução do 
dispêndio público com este item exerce, automaticamente, efeitos em direção contrária. 
 
14.2.6 Os Tributos Indiretos 
Os instrumentos fiscais não se limitam, como assinalamos de início, às diferentes categorias de despesas do setor público. 
Também as receitas, tributárias ou não, além da função que exercem como formas de financiamento das despesas públicas, podem 
ser acionadas, de per si, como instrumentos para a consecução dos diferentes objetivos da política econômica. 
Os tributos indiretos constituem uma das mais importantes categorias da receita do setor público, não só em decorrência da 
facilidade de sua cobrança, que pode ser bem sucedida, mesmo nas economias em que a organização do sistema de arrecadação 
tributária é pouco aperfeiçoada, como ainda pelo fato de gerarem menores pressões sobre o governo e também menor 
descontentamento público, comparativamente às formas diretas de tributação. Estas características dos tributos indiretos decorrem 
de que eles são constituídos por um valor que se introduz entre os preços dos bens e serviços pagos pelos consumidores e os 
correspondentes valores efetivamente recebidos pelas unidades de produção. Isto significa que o ônus destes impostos geralmente 
se transfere ao consumidor, que o paga indiretamente, sendo sua arrecadação feita por intermédio das empresas que produzem ou 
movimentam, pela comercialização, os bens e serviços gravados, incluindo-os nos preços pelos quais se realizam as transações. 
Como tal, os tributos indiretos podem assumir diferenciadas formas, não só quanto ao estágio dos processos de produção 
ou de comercialização sobre os quais incidem suas cobranças, como ainda pelos critérios segundo os quais são calculados. 
Rezende relaciona as formas mais freqüentes assumidas por esses tributos: 
– Tributação incidente sobre as vendas de mercadorias e serviços, cobrada em todos os estágios do processo de produção 
ou comercialização, com base no valor adicionado em cada estágio. 
– Tributação incidente sobre as vendas de mercadorias e serviços, cobrada em todos os estágios do processo de produção 
ou comercialização, com base no valor das transações em cada estágio. Esta forma implica tributação em cascata, diferenciando-se 
da primeira, que incide sobre o conceito econômico de valor agregado. 
– Tributação incidente sobre as vendas de bens de consumo, cobrada apenas no último estágio do processo de 
comercialização, com base no valor de venda ao consumidor final. 
– Tributação especial sobre as vendas de produtos selecionados (de que são exemplos clássicos combustíveis, bebidas e 
fumo), geralmente cobrada do produtor, com base no valor de venda. Regra geral, a instituição de tais tributos indiretos é justificada 
como mecanismo de financiamento de programas específicos ou como forma de impor maior ônus sobre o consumo de produtos 
considerados não essenciais. 
– Tributação incidente sobre a exportação (ou importação) de mercadorias ou serviços, cobrada no momento de sua saída 
(ou entrada) do país, com base no valor da transação. 
Independentemente dos diferentes critérios de incidência, os tributos indiretos são passíveis de manipulação como 
instrumentos de política econômica, influindo sobre objetivos de crescimento, de repartição ou de estabilização. 
Quanto ao crescimento, a tributação indireta pode ser empregada como meio de proteção das indústrias nascentes, quer 
sob a forma de barreiras aduaneiras, quer sob a forma de isenções destinadas a tornar os preços da produção interna competitivos 
em relação às cotações de similares no mercado internacional. Embora o uso desseinstrumento para esta finalidade possa ser 
limitado por acordos internacionais ou pela ocorrência de represálias de parceiros comerciais externos, cabe notar que o seu uso 
generalizado foi um dos principais fatores adjuvantes do crescimento das economias de industrialização recente. Quanto à 
repartição, o emprego de tributos indiretos faz-se via diferenciação de suas alíquotas, considerando-se a essencialidade dos bens e 
serviços tributados e suas participações nos orçamentos das diferentes camadas da pirâmide de estratificação socioeconômica. 
Embora, ao gravar os preços dos bens finais de consumo esses tributos sejam regressivos em relação aos níveis da renda, 
em decorrência do menor consumo relativo das classes da população de renda elevada, a regressividade pode ser compensada 
pela diferenciação das alíquotas ou, mesmo, pela isenção concedida a produtos de consumo popular. Por esta via, a capacidade 
real de consumo das classes mais pobres pode ser indiretamente ampliada, notadamente quando se aplicam, em caráter de 
compensação, alíquotas elevadas sobre o consumo de produtos destinados às classes de renda alta. Neste caso, os critérios de 
seletividade é que determinarão o grau em que esta forma de tributação estará sendo utilizada como instrumento indireto de 
repartição. Ainda quanto aos objetivos de repartição, cabe lembrar o emprego desse instrumento como forma de estimulação das 
atividades produtivas nas regiões economicamente carentes, via isenções para indústrias instaladas nessas áreas ou, ainda, via 
imposição de barreiras aduaneiras como forma de proteção, no mercado interno, dos produtos delas originários. 
Como instrumentos relacionados à promoção da estabilidade, as diferentes formas de tributação indireta encontram amplo 
campo de aplicação. No que se refere à estabilidade dos preços, a expansão da carga tributária indireta pode constituir-se numa 
poderosa forma de redução dos níveis reais de consumo agregado e, por esta via, de amortecimento das pressões inflacionárias de 
demanda. Em sentido oposto, já então para promover a estabilidade da produção e do emprego, a suspensão temporária ou, 
alternativamente, a redução da alíquota dos tributos indiretos podem constituir medidas de encorajamento dos níveis reais do 
dispêndio, provocando o re-erguimento das atividades produtivas. A aplicação deste instrumento seletivamente, por setores ou 
regiões, viabiliza o seu uso nas situações em que a instabilidade é setorial ou regionalmente localizada. 
No âmbito do equilíbrio das transações econômicas com o exterior, os diferentes tributos indiretos são generalizadamente 
usados. Nos casos em que se verificam déficits em transações correntes, a tributação indireta é empregada não só como forma de 
elevação dos preços das importações, mas ainda como dispositivos de incentivo de exportações, via restituições ou reduções dos 
tributos correntemente incidentes sobre as mercadorias destinadas ao mercado externo. A tributação indireta sobre operações 
financeiras é também passível de utilização nestas situações, gravando os financiamentos para importações ou ainda isentando os 
destinados aos setores de exportação. A tributação indireta dos serviços de suporte dessas atividades pode também ser objeto de 
manipulação como instrumentos de política econômica, tendo em mira os mesmos objetivos. 
 
14.2.7 Os Tributos Diretos 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
18 
Os tributos diretos constituem uma categoria de receita tributária do governo que atinge as rendas e as propriedades das 
pessoas físicas e jurídicas. Entre as categorias que atingem as propriedades citam-se como exemplos os tributos prediais e 
territoriais (urbanos e rurais), bem como os que gravam as transmissões. Em geral, estas categorias representam a menor parte do 
total da receita tributária. A maior parte é constituída pelos impostos que incidem sobre a remuneração dos fatores de produção – o 
trabalho, o capital e a capacidade empresarial. 
Citam-se como exemplos deste segundo grupo, os impostos sobre as rendas e proventos de qualquer natureza das 
pessoas físicas e das pessoas jurídicas, além dos variados itens que se englobam sob a denominação de contribuições à 
previdência social. Estes últimos itens da tributação direta, incidindo sobre diferentes categorias de renda, caracterizam-se por 
reduzir o total do poder aquisitivo dos agentes econômicos privados, consistindo uma forma de tributação baseada na capacidade 
real de contribuição dos indivíduos. Como tal, as estruturas tributárias em que predominam impostos desta natureza implicam 
maiores pressões dos contribuintes sobre o governo, geralmente exercidas via grupos de influência política, dado que os impostos 
diretos dão ao contribuinte uma noção mais exata do montante de sua contribuição para o financiamento dos encargos do governo. 
Ao mesmo tempo, porém, as estruturas tributárias, lideradas por estes tributos, exigem alto grau de conscientização dos 
contribuintes, bem como a manutenção de registros contábeis individuais organizados e honestos, pré-requisitos que se supõem 
progressivamente superáveis com o desenvolvimento econômico. "Nessa linha de raciocínio, análises empíricas da evolução da 
estrutura tributária realizadas a partir de informações sobre a composição da receita do governo em países ocidentais, propõem-se, 
inclusive, a formular uma ‘lei’ de evolução da estrutura tributária durante o processo de desenvolvimento econômico, segundo a qual 
a predominância dos impostos indiretos sobre transações com mercadorias e serviços deveria, progressivamente, ceder lugar a 
formas diretas de tributação sobre a renda pessoal." Por fim, cabe registrar que estes tipos de tributos também exigem 
aperfeiçoamentos na administração fiscal do governo, não só em razão do maior número de contribuintes envolvidos, como ainda 
em razão da montagem de sistemas cruzados de controle que reduzam as possibilidades de evasão. 
Como instrumentos de política econômica, os tributos diretos prestam-se mais especificamente à consecução de objetivos 
de melhor repartição da renda e da riqueza, embora não se excluam as amplas possibilidades de serem também utilizados como 
meios de promoção do crescimento e, ainda, para objetivos de estabilização. Quanto aos objetivos de repartição, é intuitivo que a 
tributação direta, por variar progressivamente com as variações da renda pessoal, pode constituir, por si só, um instrumento de 
eqüidade fiscal. A imposição de um sistema de tributos progressivos sobre a renda implica redução do índice de concentração da 
renda disponível, além de beneficiar as classes de renda mais baixas, através da aplicação deste tipo de receita na prestação de 
serviços públicos gratuitos, a maior parte dos quais se destina ao atendimento de necessidades básicas dessas classes. 
 
 
15. Lei de Responsabilidade Fiscal 
 
O desequilíbrio fiscal, ou gastos sistematicamente superiores às receitas, predominou na administração pública no Brasil 
até recentemente. As conseqüências para a economia são bastante negativas, e, em alguns casos, têm impacto sobre mais de uma 
geração. A inflação descontrolada até o lançamento do Real, a convivência com taxas de juros muito altas, o endividamento público 
também expressivo e a carga tributária relativamente alta, quando comparada com nossos vizinhos, são algumas destas 
conseqüências. 
 
Esta realidade levou as finanças públicas a uma situação tal, que acabou por limitar o atendimento de necessidades 
fundamentais da população, como saúde, educação, moradia, saneamento, etc, com efeitos indesejáveis sobre sua parcela mais 
pobre, e que mais sofre os efeitos da ausência de investimentos governamentais nessas áreas. 
 
Nesse contexto, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) representa um instrumento para auxiliar os governantes a gerir os 
recursos públicos dentro deum marco de regras claras e precisas, aplicadas a todos os gestores de recursos públicos e em todas 
as esferas de governo, relativas à gestão da receita e da despesa públicas, ao endividamento e à gestão do patrimônio público. 
Além disso, a Lei consagra a transparência da gestão como mecanismo de controle social, através da publicação de 
relatórios e demonstrativos da execução orçamentária, apresentando ao contribuinte a utilização dos recursos que ele coloca à 
disposição dos governantes. 
Entre o conjunto de normas e princípios estabelecidos pela LRF, alguns merecem destaque. São eles: 
 limites de gasto com pessoal: a lei fixa limites para essa despesa em relação à receita corrente líquida para os 
três Poderes e para cada nível de governo (União, Estados, Distrito Federal e Municípios); 
 limites para o endividamento público: serão estabelecidos pelo Senado Federal por proposta do Presidente da 
República; 
 definição de metas fiscais anuais: para os três exercícios seguintes; 
 mecanismos de compensação para despesas de caráter permanente: o governante não poderá criar uma 
despesa continuada (por prazo superior a dois anos) sem indicar uma fonte de receita ou uma redução de outra despesa; e 
 mecanismo para controle das finanças públicas em anos de eleição: a Lei impede a contratação de 
operações de crédito por antecipação de receita orçamentária (ARO) no último ano de mandato e proíbe o aumento das 
despesas com pessoal nos 180 dias que antecedem o final do mandato. 
A obediência a essas novas regras vai permitir um ajuste fiscal permanente no Brasil, uma vez que a disciplina fiscal 
introduzida pela Lei proporcionará o fortalecimento da situação financeira dos entes da Federação. Isso, por sua vez, possibilitará o 
aumento da disponibilidade de recursos para o investimento em programas de desenvolvimento social e econômico. 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
19 
15.1 O Processo de Planejamento 
 A Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO 
A Lei de Diretrizes Orçamentárias é elaborada anualmente, estabelecendo as regras gerais para elaboração do Orçamento 
do ano seguinte. Nela está o Anexo de Metas Fiscais, que deverá conter, entre outros: 
a) as metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal1 e 
primário2 e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes, sendo, na prática, metas 
trienais; 
b) a avaliação do cumprimento das metas do ano anterior; 
c) a evolução do patrimônio líquido, a origem e a aplicação dos recursos de privatizações, se houver; e 
d) estimativa e compensação da renúncia fiscal e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter 
continuado. 
 A Lei Orçamentária Anual 
O projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) para União, Estados, Distrito Federal e Municípios deverá ser elaborado 
respeitando as diretrizes e prioridades estabelecidas na LDO e os parâmetros e limites fixados na Lei de Responsabilidade Fiscal 
(LRF). 
A LOA deverá conter em anexo o demonstrativo da compatibilização do orçamento com os objetivos e metas definidos no 
Anexo de Metas Fiscais da LDO. 
Na LOA deve estar definida a reserva de contingência, como percentual da receita corrente líquida (RCL)3, para atender a 
gastos não previstos na Lei, como calamidades públicas. 
O que a LRF pretende é fortalecer o processo orçamentário como peça de planejamento, prevenindo desequilíbrios 
indesejáveis. Além disso, a Lei pretende ser um instrumento de representação do compromisso dos governantes com a sociedade. 
 
15.2 As Receitas e a Renúncia Fiscal 
À União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cabe instituir, prever e efetivamente arrecadar todos os tributos 
de sua competência constitucional. Isto significa que cada esfera de governo deverá explorar adequadamente a sua base tributária 
e, consequentemente, ter capacidade de estimar qual será a sua receita. Isso auxilia o cumprimento das metas fiscais e a alocação 
das receitas para as diferentes despesas. 
A renúncia de receita - ou seja, a anistia, a remissão, o crédito presumido, a isenção em caráter não geral, a alteração de 
alíquota de algum tributo ou a modificação da base de cálculo, que tenha como impacto a diminuição da receita pública - deverá 
estar acompanhada de estimativa de impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois 
exercícios seguintes. 
Além disso, para estar de acordo com a LRF, cada governante deverá demonstrar que a renúncia de receita foi 
considerada na Lei Orçamentária Anual - LOA e que não afetará as metas previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO. 
Alternativamente, o governante deve demonstrar que esta renúncia de receita será compensada por aumento de receita 
proveniente de elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, aumento ou criação de tributo ou contribuição. Nesse caso, o 
ato que implique em renúncia só entra em vigor quando estiver assegurada a compensação pelo aumento de receita. 
A LDO e a LOA deverão conter um demonstrativo da estimativa e das medidas de compensação da renúncia de receita. 
 
15.3 As Despesas e os Mecanismos de Compensação 
Além das despesas previstas em lei, existem aquelas que os governantes poderão realizar em decorrência de criação, 
expansão ou aperfeiçoamento da ação governamental. Entretanto, de acordo com a LRF, elas deverão estar acompanhadas de 
estimativa do impacto orçamentário-financeiro por 3 anos e de demonstração de que estejam compatível a LDO, além de estarem 
adequadas à LOA . 
 
Se o governante quiser criar uma despesa obrigatória de caráter continuado (decorrente de lei ou ato administrativo que 
fixe a obrigação legal de execução por mais de dois anos) essa despesa deverá ser compensada por aumento permanente de 
receita ou redução permanente de outras despesas. Além disso, vale lembrar que esse mecanismo de compensação não abrange 
serviço da dívida, nem a revisão da remuneração dos servidores públicos visando a preservação do valor real dos salários. 
A LOA deverá conter o demonstrativo das medidas de compensação de despesa obrigatória de caráter continuado. O 
mesmo mecanismo de compensação tem efeito sobre a geração de novas despesas com a Seguridade Social, exceto nos casos de 
crescimento pelo aumento do número de beneficiários e para a manutenção do valor real do benefício. 
Desse modo, os governantes não poderão tomar decisões de aumento de despesa ou de redução de receita que 
comprometam a saúde das finanças públicas no futuro. 
 
15.3.1 As Despesas com Pessoal 
Considera-se como “Despesa Total com Pessoal” o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos 
e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com 
quaisquer espécies remuneratórias, tais como: vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, 
reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como 
encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. 
 Os valores dos contratos de terceirização de mão-de-obra que se referirem à substituição de servidores e 
empregados públicos serão contabilizados como “Outras Despesas de Pessoal”. 
A apuração da despesa total com pessoal será obtida somando-se a realizada no mês em referência com as dos onze 
meses imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência. 
 
15.3.2 Limites de Gastos com Pessoal 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
20 
 
UNIÃO 
 
Na esfera federal, os limites máximos para gastos com pessoal (50%da Receita Corrente Líquida) são assim distribuídos: 
 2,5 % para o Poder Legislativo, incluído o Tribunal de Contas 
 6 % para o Poder Judiciário 
 0,6 % para o Ministério Público da União 
 3 % para custeio de despesas do DF e de ex territórios 
 37,9% para o Poder Executivo 
 
ESTADOS 
 
Na esfera estadual, os limites máximos para gastos com pessoal (60% da Receita Corrente Líquida) serão: 
 3% para o Poder Legislativo, incluído o Tribunal de Contas 
 6% para o Poder Judiciário 
 2% para o Ministério Público 
 49% para o Poder Executivo. 
 
MUNICÍPIOS 
 
Na esfera municipal, os limites máximos para gastos com pessoal (60% da Receita Corrente Líquida) serão: 
 6% para o Poder Legislativo, incluído o Tribunal de Contas, quando houver 
 54% para o Poder Executivo 
 
15.4 Mecanismos de Correção de Desvios 
 
Se a despesa total com pessoal exceder a noventa e cinco por cento (95%) do limite, ficam vedados ao Poder ou órgão 
referido que houver incorrido no excesso: 
 
 concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título; 
 criação de cargo, emprego ou função; 
 alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa; 
 provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição 
decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança; 
 contratação de hora extra, salvo em situações previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. 
 
Além disso: 
 ultrapassado o limite máximo no quadrimestre, o excedente deve ser eliminado em 2 quadrimestres (sendo de, 
pelo menos, 1/3 no primeiro); 
 
 há uma regra transitória que permitirá ao ente ou Poder que estiver acima do limite, quando da entrada em vigor 
da LRF, eliminar o excedente nos 2 exercícios subseqüentes, sendo de, no mínimo, 50%, no primeiro ano; 
 caso a despesa total com pessoal esteja abaixo dos limites fixados na Lei, essa despesa poderá ser acrescida em 
até dez por cento em relação à despesa verificada no exercício imediatamente anterior, até o final do terceiro exercício após a 
vigência da LRF, respeitados os limites para a esfera administrativa correspondente e para os respectivos poderes. De qualquer 
forma, os eventuais aumentos de salário, gratificações ou reestruração de carreiras estarão sujeitos à edição de lei específica; e 
 o montante de recursos financeiros a serem entregues aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do 
Ministério Público, para atender a despesas com pessoal, será a resultante da aplicação dos limites e regras fixados na LRF. 
 
Nenhum ato que provoque aumento da despesa de pessoal, nos Poderes Legislativo e Executivo, poderá ser editado nos 
180 dias anteriores ao final da legislatura ou do mandato dos chefes do Poder Executivo. 
Em caso de crescimento econômico negativo ou inferior a 1% nos quatro últimos trimestres ou de calamidade pública, 
estado de defesa ou de sítio, fica suspensa a contagem dos prazos para enquadramento nos limites de pessoal. 
 
15.4 A Dívida Pública e as Políticas de Crédito 
 
A LRF define conceitos e normas a serem observados por todos os entes da Federação quanto à dívida pública, dívida 
mobiliária4, operações de crédito e garantias. 
Os limites ao montante da dívida (estoque) serão fixados tomando-se por base a dívida consolidada5 da União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios, que compreende a dívida da administração direta, autarquias, fundações e empresas estatais 
dependentes - sempre em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). 
No prazo de noventa dias após a publicação da LRF, o Presidente da República submeterá ao Senado Federal uma 
proposta de limites globais para o montante da dívida consolidada da União, Estados e Municípios. Adicionalmente, apresentará ao 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
21 
Congresso Nacional projeto de lei que defina limites para o montante da dívida mobiliária federal, acompanhado da demonstração 
de sua adequação aos limites fixados para a dívida consolidada da União. 
As propostas conterão: 
 demonstração de que os limites e condições guardam coerência com as normas estabelecidas na LRF e 
com os objetivos da política fiscal; 
 estimativas do impacto da aplicação dos limites a cada uma das três esferas de governo; 
 razões de eventual proposição de limites diferenciados por esfera de governo; e 
 metodologia de apuração dos resultados primário e nominal. 
Os limites das dívidas serão fixados em percentual da Receita Corrente Líquida (RCL) para cada esfera de governo e 
aplicados igualmente a todos os entes da Federação que façam parte de seu cálculo, constituindo, para cada um deles, limites 
máximos. 
A apuração do montante da dívida consolidada será efetuada ao final de cada quadrimestre. 
Sempre que alterados os fundamentos das propostas de limites, em razão de instabilidade econômica ou alterações nas 
políticas monetária ou cambial, o Presidente da República poderá encaminhar ao Senado ou ao Congresso Nacional solicitação de 
revisão desses limites. 
 
Atenção!!!!!! 
A partir da vigência da LRF, os precatórios judiciais6 não pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido 
incluídos, integram a dívida consolidada, para fins de aplicação dos limites. 
Uma vez excedido o limite máximo ao final de um quadrimestre , é dado prazo de três quadrimestres subseqüentes para a 
eliminação do excesso que deve ser reduzido em pelo menos vinte e cinco por cento (25%) no primeiro quadrimestre. 
Enquanto se verificar o excesso, a União, Estados, Distrito Federal e Municípios ficarão: 
 
 proibidos de realizar novas operações de crédito, internas ou externas, inclusive por antecipação de receita 
orçamentária (ARO); 
 obrigados a obter resultado primário necessário à recondução da dívida ao limite. 
Decorrido o prazo para o retorno do montante da dívida ao limite, fica também impedido de receber transferências 
voluntárias. 
 
15.5 Operações de crédito7 
 
O Ministério da Fazenda verificará o cumprimento dos limites e condições da realização de operações de crédito da União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios, inclusive das empresas por eles controladas, direta ou indiretamente. A realização de 
operações de crédito estará sujeita ao enquadramento na Lei Orçamentária Anual - LOA, em créditos adicionais ou em lei 
específica, bem como ao cumprimento dos limites e condições estabelecidos pelo Senado Federal. 
 
Segundo a LRF, deverá sempre ser obedecida a “Regra de Ouro”, que diz o seguinte: a contratação de operações de 
crédito em cada exercício fica limitada ao montante da despesa de capital. Na prática, isso significa que os empréstimos somente 
deverão ser destinados a gastos com investimentos. 
São proibidas: 
 a captação de recursos na forma de antecipação de receita de tributo ou contribuição, cujo fato gerador ainda não 
tenha ocorrido; 
 recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou indiretamente, a 
maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos; 
 a assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada, com fornecedor de bens, 
mercadorias ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando esta vedação a empresas 
estatais dependentes; 
 a assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento a posteriori de bens 
e serviços. 
 qualquer tipo de concessão de novo crédito ou financiamento da União, Estados, Distrito Federal e Municípios 
entre si, ainda que para refinanciamento ou postergação de dívida, exceto operações de crédito com instituição financeira 
estatal, não destinadas ao financiamento de despesas correntes ou refinanciamento de dívida não contraída com a própria 
instituiçãoque conceda o crédito. 
Os efeitos de operações de crédito irregulares serão anulados mediante o cancelamento da operação, com devolução do 
principal sem juros ou atualização monetária ou constituição de reserva na LOA do exercício seguinte. 
Enquanto não for promovida a anulação, a dívida decorrente da operação de crédito irregular será considerada vencida e 
não paga, impedindo o ente de receber transferências voluntárias, obter garantias e contratar novas operações de crédito (exceto 
para refinanciamento da dívida e redução das despesas com pessoal). 
 
A operação de crédito irregular impede a obtenção de garantias, o recebimento de transferências voluntárias e 
contratação de novas operações de crédito 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
22 
 
15. 6 Operações de crédito por Antecipação de Receita Orçamentária 
 
As operações de crédito por Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) deverão destinar-se exclusivamente a atender a 
insuficiência de caixa durante o exercício financeiro e deverão cumprir as exigências da contratação de operações de crédito e, 
adicionalmente, as seguintes: 
 poderão ser realizadas somente a partir do décimo dia do início do exercício (10 de janeiro); 
 deverão ser liquidadas, com juros e outros encargos incidentes, até o dia dez de dezembro de cada ano; 
 não serão autorizadas se forem cobrados outros encargos que não a taxa de juros da operação, obrigatoriamente 
prefixada ou indexada à taxa básica financeira, ou a que vier a esta substituir; 
 as operações de crédito por ARO ficam proibidas enquanto existir operação anterior da mesma natureza não 
integralmente resgatada ou no último ano de mandato do Presidente, Governador ou Prefeito. 
 
15.6.1 Concessão de Garantias8 
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão conceder garantias em operações de crédito internas ou 
externas, desde que observem as regras de contratação de operações de crédito, e, no caso da União, os limites e as condições 
fixados pelo Senado. Adicionalmente, ainda devem ser observados os seguintes requisitos: 
 a garantia estará condicionada à oferta de contra-garantia, em valor igual ou superior ao da garantia a ser 
concedida. Além disso, a entidade que a pleitear deverá estar em dia com suas obrigações junto ao garantidor e às entidades 
por ele controladas; 
 no caso de operação de crédito externa ou de repasse de recursos externos por instituição federal de crédito, deve 
atender também às exigências para recebimento de transferências voluntárias; e 
 o Banco Central fica proibido de conceder garantias à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. 
O ente da Federação cuja dívida tiver sido honrada pela União ou Estado, terá suspenso o acesso a novos créditos ou 
financiamentos até liquidação da dívida. 
 
15.6.2 Inscrições em restos a pagar 
Nos dois últimos quadrimestres do último ano de mandato, é vedado ao governante contrair obrigação de despesa que não 
possa ser paga no mesmo exercício. Se isso ocorrer, o governante deverá assegurar disponibilidade de caixa para o exercício 
seguinte. 
 
15.7 A Transparência e o Controle Social 
A busca da transparência na gestão fiscal é um dos elementos fundamentais para a manutenção do equilíbrio das contas 
públicas, pois: 
 atesta o atendimento dos limites, condições, objetivos e metas; 
 firma responsabilidades; 
 justifica desvios e indica medidas corretivas; 
 define o prazo estimado para correção; 
 dá acesso público a dados concisos e substanciais das contas públicas. 
 
A transparência na gestão fiscal é o principal instrumento para o controle social. 
Na elaboração, aprovação e implementação da Lei de Diretrizes Orçamentária - LDO e da Lei Orçamentária Anual - LOA, 
bem como nas prestações anuais de contas, serão utilizados procedimentos transparentes, ou seja: publicação e ampla divulgação 
da síntese das propostas, leis e prestações de contas, inclusive através de meios eletrônicos, evidenciando objetivos, metas, 
resultados esperados e verificados. 
A Abrangência e a escrituração das contas 
 Aplicável a toda a administração pública federal, estadual e municipal, além de autarquias, fundações e empresas 
estatais dependentes de recursos dos Tesouros da União, dos Estados , do Distrito Federal e dos Municípios; 
 todas as despesas deverão ser registradas em regime de competência; 
 as receitas e despesas da previdência deverão ser registradas em contas separadas das demais; e 
 as normas gerais para a consolidação das contas públicas será definida por um Conselho de Gestão Fiscal ou, 
enquanto não for constituído, pelo órgão central de contabilidade da União. 
É importante destacar que a divulgação das contas não depende de prévia autorização ou posterior prestação de contas ao 
Executivo Federal, que será responsável apenas por consolidar e divulgar contas nacionais. 
 
O percurso e os prazos das prestações de contas: 
Os Municípios consolidam suas contas e encaminham ao Estado e à União até 30 de abrilEstados consolidam suas 
contas e encaminham à União até 31 de maioUnião consolida suas contas e as de todos os entes da Federação e as divulga até 
o dia 30 de junho. 
 
O Relatório Resumido de Execução Orçamentária 
A LRF prevê que o atual Relatório Resumido de Execução Orçamentária passe a ser publicado por todos os Poderes e 
pelo Ministério Público, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, devendo conter: 
1. Balanço orçamentário, que especificará, por categoria econômica: 
a) receitas, por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem como a previsão atualizada; e 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
23 
b) despesas, por grupo de natureza da despesa, discriminando a dotação para o exercício, a despesa liquidada e o 
saldo. 
2. Os demonstrativos da execução das: 
a) receitas, por categoria econômica e fonte, especificando a previsão inicial, a previsão atualizada para o exercício, a 
receita realizada no bimestre, a realizada no exercício e a previsão a realizar; 
b) despesas, por categoria econômica e grupo de natureza da despesa, discriminando a dotação inicial, dotação para 
o exercício, despesas empenhadas e liquidadas, no bimestre e no exercício; e 
c) despesas, por função e subfunção. 
3. A apuração da receita corrente líquida (RCL), sua evolução, assim como a previsão de seu desempenho até o final 
do exercício; 
4. As receitas e despesas previdenciárias; 
5. Os resultados nominal e primário; 
6. As despesas com juros; 
7. Os restos a pagar, detalhando, por Poder e órgão, os valores inscritos, os pagamentos realizados e o montante a 
pagar; 
O relatório referente ao último bimestre do exercício deverá, também, informar sobre o atendimento à “regra de ouro” e 
sobre a variação patrimonial, evidenciando a alienação de ativos e a aplicação dos recursos dela decorrentes. 
Quando for o caso, deverão ser apresentadas justificativas para a limitação de empenho e para a frustração de receitas, 
especificando as medidas de combate à sonegação e à evasão fiscal, adotadas e a adotar, e as ações de fiscalização e cobrança. 
 
O Relatório de Gestão Fiscal 
Ao final de cada quadrimestre, será emitido e assinado pelos titulares dos Poderes e órgãos de todos os entes federados o 
Relatório de Gestão Fiscal, que deverá conter: 
1. O comparativo com os limites da LRF dos seguintes montantes: 
 
a) despesa total com pessoal, destacando a despesa com inativos e pensionistas; 
b) dívidas consolidada e mobiliária; 
c) concessão de garantias; e 
d) operações de crédito, inclusive por antecipação de receita. 
2. A indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassados qualquer dos limites. 
3. Os demonstrativos,no último quadrimestre do exercício: 
a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro; e 
b) da inscrição em restos a pagar, das despesas: liquidadas; empenhadas e não liquidadas decorrentes de contratos 
administrativos ou de convênios em andamento; empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo da 
disponibilidade de caixa; e despesas não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados; 
O relatório será publicado até trinta dias após o encerramento do período a que corresponder, com amplo acesso ao 
público, inclusive por meio eletrônico. 
O não cumprimento dos prazos previstos, impedirá, até que a situação seja regularizada, que União, Estados, Distrito 
Federal ou Municípios recebam transferências voluntárias e contratem operações de crédito, exceto as destinadas ao 
refinanciamento do principal atualizado da respectiva dívida mobiliária. 
 
Fiscalização 
A verificação da observância das normas e limites da LRF está a cargo do Poder Legislativo (diretamente ou com o auxílio 
dos Tribunais de Contas) e do Sistema de Controle Interno de cada Poder e do Ministério Público. 
 
Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes, entes da Federação ou órgãos quando constatarem que o nível de gastos 
esteja próximo aos limites fixados pela LRF. 
 
Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os cálculos dos limites da despesa total com pessoal de cada ente da 
Federação e de cada Poder. 
 
 
15.8 Sanções Institucionais e Pessoas 
 
Em caso de não cumprimento de suas normas, a LRF estabelece várias sanções institucionais e pessoais. 
São exemplos de sanção institucional: 
 suspensão das transferências voluntárias para aquele governo que não instituir, prever e arrecadar impostos de 
sua competência; 
 no caso de limites de despesas com pessoal, se as regras da LRF não forem cumpridas e enquanto não for feito o 
ajuste, ou se houver excesso do primeiro quadrimestre do último ano de mandato, ficam suspensas: 
- transferências voluntárias; 
- obtenção de garantias; 
- contratação de operações de crédito, exceto para refinanciamento da dívida e redução de 
despesas com pessoal. 
 
Ainda no que se refere aos limites de despesas com pessoal, é nulo de pleno direito o ato que: 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
24 
- não atender ao mecanismo de compensação (aumento permanente da receita ou redução 
permanente de despesa); 
- não atender ao limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo; e 
- aumentar despesa de pessoal 180 dias antes do final do mandato. 
 No caso de limites para o estoque da dívida, vencido o prazo de retorno ao limite máximo e enquanto perdurar o 
excesso, fica impedido de receber transferências voluntárias da União ou do Estado. 
 Para as operações de crédito irregulares, enquanto não forem cumpridos os mecanismos de correção de desvios 
(cancelamento da operação ou constituição de reserva), ficam proibidos o recebimento de transferências voluntárias, a obtenção de 
garantias e a contratação de novas operações de crédito, exceto para refinanciamento da dívida e redução das despesas com 
pessoal. 
 Na concessão de garantias, caso não sejam obedecidos os mecanismos de correção e seus prazos, o ente cuja 
dívida tiver sido honrada pela União ou Estado, terá suspenso o acesso a novos créditos ou financiamentos até a liquidação da 
dívida. 
Além das sanções institucionais há as sanções pessoais, previstas em um projeto de lei ordinária denominada Lei de 
Crimes de Responsabilidade Fiscal, que prevê que os governantes poderão ser responsabilizados pessoalmente e punidos com a 
perda de cargo, inabilitação para exercício de emprego público, prisão e multa. 
 
As penalidades alcançam todos os responsáveis, dos Três Poderes da União, Estados e Municípios, e todo cidadão será 
parte legítima para denunciar. 
 
15.9 A Contribuição da Sociedade para o Sucesso da LRF 
A LRF define como as contas públicas deverão ser consolidadas e divulgadas à população. Cria o Relatório de Gestão 
Fiscal, que deverá apresentar, em linguagem simples e objetiva, as contas da União, do Distrito Federal e de cada Estado e 
Município. O acesso público será amplo, inclusive por meio eletrônico. A partir daí, caberá à sociedade cobrar de seus governantes 
e julgar se estão procedendo de forma fiscalmente responsável. 
A intenção é justamente aumentar a transparência na gestão do gasto público, de modo a permitir que os mecanismos de 
mercado e o processo político sirvam como instrumento de controle e de punição dos fiscalmente irresponsáveis. Ao mesmo tempo, 
espera-se que os bons administradores sejam premiados com o reconhecimento da população e do mercado, inclusive com maior 
acesso a crédito. 
Vale lembrar que esta mudança, no sentido de uma maior transparência, já foi iniciada na própria elaboração do projeto de 
lei, que envolveu uma consulta pública, inclusive via Internet, onde foram registrados mais de 5.000 acessos. A consulta pública 
aliás, consolidou a importância e a necessidade de mudança no regime fiscal, manifestada em várias demonstrações de apoio e em 
sugestões, na sua maioria incorporadas ao texto final da lei. 
Destaque-se a determinação demonstrada pelo Congresso Nacional, que analisou e discutiu por quase um ano, tempo 
relativamente curto para um tema tão complexo e relevante, tendo, finalmente, aprovado o texto final da Lei de Responsabilidade 
Fiscal. 
Essa determinação, tanto do Congresso, como do Poder Executivo, atestam o compromisso do país com a consolidação da 
estabilidade econômica e a construção de um caminho seguro de desenvolvimento econômico e social. 
 
Quadros Resumo 
Para os Estados: 
ITENS DA LEI O QUE FAZER QUANDO FAZER 
 
Limites para despesas 
com Pessoal 
 
Regra 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prazo de transição 
 
 
 
 
 
 
 
 
60% da receita corrente líquida: 
 
 49% para o Executivo 
 3% para o Legislativo 
 6% para o Judiciário 
 2% para o Ministério 
Público 
 
 
 
 
Limite global já em vigor, 
pela Lei Camata II. 
 
Limites por Poder, a partir 
da publicação da LRF. 
 
 
 
 
2 anos, com redução de, 
no mínimo, 50% do excesso no 
primeiro ano. 
 
 
Limites para dívida 
 
A serem estabelecidos pelo Senado 
Federal, por proposta do Presidente da 
República, 90 dias após a publicação da 
LRF. 
 
 
Depois de estabelecidos 
os limites, os Estados terão um 
ano para ajustar-se. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
25 
 
Para os Municípios: 
 
ITENS DA LEI O QUE FAZER QUANDO FAZER 
 
Limites para despesas 
com Pessoal 
 
Regra 
 
 
 
 
 
 
Prazo de transição 
 
 
 
 
 
 
 
 
60% da receita corrente líquida: 
 
 54% para o Executivo 
 6% para o Legislativo 
 
 
 
 
Limite global já em vigor, 
pela Lei Camata II. 
 
Limites por Poder, a partir 
da publicação da LRF. 
 
 
 
 
2 anos, com redução de, no 
mínimo, 50% do excesso mo 
primeiro ano. 
 
 
Limites para dívida 
 
A serem estabelecidos pelo 
Senado Federal, por proposta do 
Presidente da República, 90 dias após a 
publicação da LRF. 
 
 
Depois de estabelecidos os 
limites, os Municípios terão um ano 
para ajustar-se. 
 
 
Para os Pequenos Municípios (menos de 50 mil habitantes, cerca de 90% dos municípios do País): 
 
ITENS DA LEI REGRA GERAL PEQUENOS MUNICÍPIOS 
 
Objetivos e metas fiscais: 
 
 LDO 
 
Anexo de Metas Fiscais para 
o triênio 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na primeira LDO a partir da 
publicação da Lei de Responsabilidade 
Fiscal. 
 
 
 
 
 
 
 
A partir de 2005. 
 
Relatórios 
 
 Cálculo dos limites 
 
 
 Avaliação das metas 
fiscais 
 
 
 
 
 Relatório Resumido 
de Execução Orçamentária 
 
 
 
 Demonstrativos do 
Relatório Resumido 
 
 
 Relatório deGestão 
Fiscal 
 
 
 
A cada 4 meses (a partir da 
publicação da LRF). 
 
A cada 4 meses (a partir do 
exercício seguinte ao da primeira LDO 
aprovada a partir da publicação da 
LRF). 
 
Já em vigor, a cada 2 meses 
(novo formato a partir da publicação da 
LRF). 
 
Já em vigor, a cada 2 meses. 
 
 
A cada 4 meses (a partir da 
publicação da LRF). 
 
 
 
 
A cada 6 meses ( a partir da 
publicação da LRF). 
 
A cada 4 meses. 
 
 
 
 
 
Já em vigor, a cada 2 
meses. 
 
 
 
A cada 2 meses. 
 
 
 
A cada 4 meses. 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
26 
SIAFI – SISTEMA DE INTEGRAÇÃO ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA DO GOVERNO FEDERAL 
 
Até o exercício de 1986, o Governo Federal convivia com uma série de problemas de natureza administrativa que 
dificultavam a adequada gestão dos recursos públicos e a preparação do orçamento unificado, que passaria a vigorar em 1987 : 
 Emprego de métodos rudimentares e inadequados de trabalho, onde, na maioria dos casos, os controles 
de disponibilidades orçamentárias e financeiras eram exercidos sobre registros manuais; 
 Falta de informações gerenciais em todos os níveis da Administração Pública e utilização da 
Contabilidade como mero instrumento de registros formais; 
 Defasagem na escrituração contábil de pelo menos, 45 dias entre o encerramento do mês e o 
levantamento das demonstrações Orçamentárias, Financeiras e Patrimoniais, inviabilizando o uso das informações para 
fins gerenciais; 
 Inconsistência dos dados utilizados em razão da diversidade de fontes de informações e das várias 
interpretações sobre cada conceito, comprometendo o processo de tomada de decisões; 
 Despreparo técnico de parte do funcionalismo público, que desconhecia técnicas mais modernas de 
administração financeira e ainda concebia a contabilidade como mera ferramenta para o atendimento de aspectos formais 
da gestão dos recursos públicos; 
 Inexistência de mecanismos eficientes que pudessem evitar o desvio de recursos públicos e permitissem 
a atribuição de responsabilidades aos maus gestores; 
 Estoque ocioso de moeda dificultando a administração de caixa, decorrente da existência de inúmeras 
contas bancárias, no âmbito do Governo Federal. Em cada Unidade havia uma conta bancária para cada despesa. 
Exemplo: 
 Conta Bancária para Material Permanente, Conta bancária para Pessoal, conta bancária para Material de 
Consumo, etc. 
A solução desses problemas representava um verdadeiro desafio à época para o Governo Federal. O primeiro passo para 
isso foi dado com a criação da Secretaria do Tesouro Nacional - STN, em 10 de março de 1986., para auxiliar o Ministério da 
Fazenda na execução de um orçamento unificado a partir do exercício seguinte. 
A STN, por sua vez, identificou a necessidade de informações que permitissem aos gestores agilizar o processo decisório, 
tendo sido essas informações qualificadas, à época, de gerenciais. Dessa forma, optou-se pelo desenvolvimento e implantação de 
um sistema informatizado, que integrasse os sistemas de programação financeira, de execução orçamentária e de controle interno 
do Poder Executivo e que pudesse fornecer informações gerenciais, confiáveis e precisas para todos os níveis da Administração. 
Desse modo, a STN definiu e desenvolveu, em conjunto com o SERPRO, o Sistema Integrado de Administração Financeira 
do Governo Federal – SIAFI em menos de um ano, implantando-o em janeiro de 1987, para suprir o Governo Federal de um 
instrumento moderno e eficaz no controle e acompanhamento dos gastos públicos. 
Com o SIAFI, os problemas de administração dos recursos públicos que apontamos acima ficaram solucionados. Hoje o 
Governo Federal tem uma Conta Única para gerir, de onde todas as saídas de dinheiro ocorrem com o registro de sua aplicação e 
do servidor público que a efetuou. Trata-se de uma ferramenta poderosa para executar, acompanhar e controlar com eficiência e 
eficácia a correta utilização dos recursos da União. 
O SIAFI é o principal instrumento utilizado para registro, acompanhamento e controle da execução orçamentária, financeira 
e patrimonial do Governo Federal. Desde sua criação, o SIAFI tem alcançado satisfatoriamente seus principais objetivos : 
a) prover mecanismos adequados ao controle diário da execução orçamentária, financeira e patrimonial aos órgãos da 
Administração Pública; 
b) fornecer meios para agilizar a programação financeira, otimizando a utilização dos recursos do Tesouro Nacional, 
através da unificação dos recursos de caixa do Governo Federal; 
c) permitir que a contabilidade pública seja fonte segura e tempestiva de informações gerenciais destinadas a todos os 
níveis da Administração Pública Federal; 
d) padronizar métodos e rotinas de trabalho relativas à gestão dos recursos públicos, sem implicar rigidez ou restrição a 
essa atividade, uma vez que ele permanece sob total controle do ordenador de despesa de cada unidade gestora; 
e) permitir o registro contábil dos balancetes dos estados e municípios e de suas supervisionadas; 
f) permitir o controle da dívida interna e externa, bem como o das transferências negociadas; 
g) integrar e compatibilizar as informações no âmbito do Governo Federal; 
h) permitir o acompanhamento e a avaliação do uso dos recursos públicos; e 
i) proporcionar a transparência dos gastos do Governo Federal 
 
O SIAFI representou tão grande avanço para a contabilidade pública da União que ele é hoje reconhecido no mundo inteiro 
e recomendado inclusive pelo Fundo Monetário Internacional. Sua performance transcendeu de tal forma as fronteiras brasileiras e 
despertou a atenção no cenário nacional e internacional, que vários países, além de alguns organismos internacionais, têm enviado 
delegações à Secretaria do Tesouro Nacional, com o propósito de absorver tecnologia para a implantação de sistemas similares. 
Veja os ganhos que a implantação do SIAFI trouxe para a Administração Pública Federal : 
 Contabilidade : o gestor ganha tempestividade na informação, qualidade e precisão em seu trabalho; 
 Finanças : agilização da programação financeira, otimizando a utilização dos recursos do Tesouro 
Nacional, por meio da unificação dos recursos de caixa do Governo Federal na Conta Única no Banco Central; 
 Orçamento : a execução orçamentária passou a ser realizada tempestivamente e com transparência, 
completamente integrada a execução patrimonial e financeira; 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
27 
 Visão clara de quantos e quais são os gestores que executam o orçamento : os números da época 
da implantação do SIAFI indicavam a existência de aproximadamente 1.800 gestores. Na verdade, eram mais de 4.000 que 
hoje estão cadastrados e executam seus gastos através do sistema de forma “on-line”; 
 Desconto na fonte de impostos : hoje, no momento do pagamento, já é recolhido o imposto devido; 
 Auditoria : facilidade na apuração de irregularidades com o dinheiro público; 
 Transparência : poucas pessoas tinham acesso às informações sobre as despesas do Governo Federal 
antes do advento do SIAFI. A prática da época era tratar essas despesas como “assunto sigiloso”. Hoje a história é outra, 
pois na democracia o cidadão é o grande acionista do estado; e 
 Fim da multiplicidade de contas bancárias : os números da época indicavam 3.700 contas bancárias e 
o registro de aproximadamente 9.000 documentos por dia. Com a implantação do SIAFI, constatou-se que existiam em 
torno de 12.000 contas bancárias e se registravam em média 33.000 documentos diariamente. Hoje, 98% dos pagamentos 
são identificados de modo instantâneo na Conta Única e 2% deles com uma defasagem de, no máximo, cinco dias. 
 
Além de tudo isso, o SIAFI apresentainúmeras vantagens que o distinguem de outros sistemas em uso no âmbito do 
Governo Federal : 
 
 Sistema disponível 100% do tempo e on-line; 
 Sistema centralizado, o que permite a padronização de métodos e rotinas de trabalho; 
 Interligação em todo o território nacional; 
 Utilização por todos os órgãos da Administração Direta (poderes Executivo, Legislativo e Judiciário); 
 Utilização por grande parte da Administração Indireta; e 
 Integração periódica dos saldos contábeis das entidades que ainda não utilizam o SIAFI, para efeito de 
consolidação das informações econômico-financeiras do Governo Federal - à exceção das Sociedades de Economia Mista, 
que têm registrada apenas a participação acionária do Governo - e para proporcionar transparência sobre o total dos 
recursos movimentados. 
O SIAFI é um sistema informatizado que processa e controla, por meio de terminais instalados em todo o território nacional, 
a execução orçamentária, financeira, patrimonial e contábil dos órgãos da Administração Pública Direta federal, das autarquias, 
fundações e empresas públicas federais e das sociedades de economia mista que estiverem contempladas no Orçamento Fiscal 
e/ou no Orçamento da Seguridade Social da União. 
O sistema pode ser utilizado pelas Entidades Públicas Federais, Estaduais e Municipais apenas para receberem, pela 
Conta Única do Governo Federal, suas receitas (taxas de água, energia elétrica, telefone, etc) dos Órgãos que utilizam o sistema. 
Entidades de caráter privado também podem utilizar o SIAFI, desde que autorizadas pela STN. No entanto, essa utilização depende 
da celebração de convênio ou assinatura de termo de cooperação técnica entre os interessados e a STN, que é o órgão gestor do 
SIAFI. 
Muitos são as facilidades que o SIAFI oferece a toda Administração Pública que dele faz uso, mas podemos dizer, a título 
de simplificação, que essas facilidades foram desenvolvidas para registrar as informações pertinentes às três tarefas básicas da 
gestão pública federal dos recursos arrecadados legalmente da sociedade: 
 Execução Orçamentária; 
 Execução Financeira; e 
 Elaboração das Demonstrações Contábeis, consolidadas no Balanço Geral da União. 
 
EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA 
 
Normalmente há interpretações equivocadas do que venha a ser execução orçamentária e financeira. Perfeitamente 
compreensível esse equívoco, pois a execução orçamentária e financeira ocorrem concomitantemente. Esta afirmativa tem como 
sustentação o fato de que a execução tanto orçamentária como financeira estão atreladas uma a outra. Havendo orçamento e não 
existindo o financeiro, não poderá ocorrer a despesa. Por outro lado, pode haver recurso financeiro, mas não se poderá gastá-lo, se 
não houver a disponibilidade orçamentária. 
Em conseqüência, pode-se definir execução orçamentária como sendo a utilização dos créditos consignados no Orçamento 
ou Lei Orçamentária Anual - LOA. Já a execução financeira, por sua vez, representa a utilização de recursos financeiros, visando 
atender à realização dos projetos e/ou atividades atribuídas às Unidades Orçamentárias pelo Orçamento. Na técnica orçamentária 
inclusive é habitual se fazer a distinção entre as palavras CRÉDITO e RECURSOS. Reserva-se o termo CRÉDITO para designar o 
lado orçamentário e RECURSOS para o lado financeiro. Crédito e Recurso são duas faces de uma mesma moeda. O CRÉDITO é 
orçamentário, dotação ou autorização de gasto ou sua descentralização, e RECURSO é financeiro, portanto, dinheiro ou saldo de 
disponibilidade bancária. 
Todo o processo orçamentário tem sua obrigatoriedade estabelecida na Constituição Federal, art.165, que determina a 
necessidade do planejamento das ações de governo por meio do: 
 Plano Plurianual de Investimentos - PPA; 
 Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO; 
 Lei Orçamentária Anual – LOA. 
Uma vez publicada a LOA, observadas as normas de execução orçamentária e de programação financeira da União 
estabelecidas para o exercício, e lançadas as informações orçamentárias, fornecidas pela Secretaria de Orçamento Federal, no 
SIAFI , por intermédio da geração automática do documento Nota de Dotação – ND, cria-se o crédito orçamentário e, a partir daí, 
mailto:cmotta@cvism.com.br
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_01.asp
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_02.asp
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_03.asp
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_01_01.asp
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_01_02.asp
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_01_03.asp
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
28 
tem-se o início da execução orçamentária propriamente dita. 
 
Executar o Orçamento é, portanto, realizar as despesas públicas nele previstas e só essas, uma vez que, para que 
qualquer utilização de recursos públicos seja efetuada, a primeira condição é que esse gasto tenha sido legal e oficialmente previsto 
e autorizado pelo Congresso Nacional e que sejam seguidos à risca os três estágios da execução das despesas previstos na Lei nº 
4320/64 : empenho, liquidação e pagamento – atualmente se encontra em aplicação a sistemática do pré-empenho antecedendo 
esses estágios, já que, após o recebimento do crédito orçamentário e antes do seu comprometimento para a realização da despesa, 
existe uma fase geralmente demorada de licitação obrigatória junto a fornecedores de bens e serviços que impõe a necessidade de 
se assegurar o crédito até o término do processo licitatório. 
Pois bem, o empenho é o primeiro estágio da despesa e pode ser conceituado como sendo o ato emanado de autoridade 
competente que cria para o Estado a obrigação de pagamento, pendente ou não, de implemento de condição. Esse primeiro estágio 
é efetuado no SIAFI utilizando-se o Documento Nota de Empenho - NE, através de transação específica denominada NE, que se 
destina a registrar o comprometimento de despesa orçamentária, obedecidos os limites estritamente legais, bem como aos casos 
em que se faça necessário o reforço ou a anulação desse compromisso. Não se deve confundir, entretanto, empenho da despesa 
com nota de empenho; esta, na verdade, é a materialização daquele, embora, no dia-a-dia haja a junção dos dois procedimentos em 
um único. 
Todavia, ocorre que estando a despesa legalmente empenhada, nem assim o Estado se vê obrigado a efetuar o 
pagamento, uma vez que, o implemento de condição poderá estar concluído ou não. Seria um absurdo se assim não fosse, pois a 
Lei 4320/64 determina que o pagamento de qualquer despesa pública, seja ela de que importância for, passe pelo crivo da 
liquidação. É nesse segundo estágio da execução da despesa que será cobrada a prestação dos serviços ou a entrega dos bens, ou 
ainda, a realização da obra, evitando, dessa forma, o pagamento sem o implemento de condição. 
Assim, o segundo estágio da despesa pública é a liquidação, que consiste na verificação do direito adquirido pelo credor, 
tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito, ou seja é a comprovação de que o credor cumpriu 
todas as obrigações constantes do empenho. Esse estágio tem por finalidade reconhecer ou apurar a origem e o objeto do que se 
deve pagar, a importância exata a pagar e a quem se deve pagar para extinguir a obrigação e é efetuado no SIAFI pelo documento 
Nota de Lançamento – NL. Ele envolve, portanto, todos os atos de verificação e conferência, desde a entrega do material ou a 
prestação do serviço até o reconhecimento da despesa. Ao fazer a entrega do material ou a prestação do serviço, o credor deverá 
apresentar a nota fiscal, fatura ou conta correspondente, acompanhada da primeira via da nota de empenho, devendo o funcionário 
competente atestar o recebimento do material ou a prestação do serviço correspondente, no verso da nota fiscal, fatura ou conta.O último estágio da despesa é o pagamento e consiste na entrega de numerário ao credor do Estado, extinguindo dessa 
forma o débito ou obrigação. Esse procedimento normalmente é efetuado por tesouraria, mediante registro no SIAFI do documento 
Ordem Bancária – OB, que deve ter como favorecido o credor do empenho. Este pagamento normalmente é efetuado por meio de 
crédito em conta bancária do favorecido uma vez que a OB especifica o domicílio bancário do credor a ser creditado pelo agente 
financeiro do Tesouro Nacional, ou seja, o Banco do Brasil S/ª. Se houver importância paga a maior ou indevidamente, sua 
reposição aos órgãos públicos deverá ocorrer dentro do próprio exercício, mediante crédito à conta bancária da UG que efetuou o 
pagamento. Quando a reposição se efetuar em outro exercício, o seu valor deverá ser restituído por DARF ao Tesouro Nacional. 
 
EXECUÇÃO FINANCEIRA 
 
Até aqui tivemos uma visão bem superficial e resumida da execução orçamentária, que é a utilização dos créditos 
consignados no Orçamento. Agora veremos a execução financeira, ou seja, o fluxo de recursos financeiros necessários à realização 
efetiva dos gastos dos recursos públicos para a realização dos programas de trabalho definidos. Lembre-se de que RECURSO é 
dinheiro ou saldo de disponibilidade bancária (enfoque da execução financeira) e que CRÉDITO é dotação ou autorização de gasto 
ou sua descentralização (enfoque da execução orçamentária). Na verdade, crédito e recurso são duas faces da mesma moeda, já 
que a execução orçamentária e a execução financeira em geral ocorrem concomitantemente. 
 
O Art. 34 da Lei 4.320/64 determina que o exercício financeiro coincidirá com o ano civil, e o art. 35 dispõe que pertencem 
ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas e as despesas nele legalmente empenhadas. Assim, no Brasil, o exercício 
financeiro é o espaço de tempo compreendido entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de cada ano, no qual a administração promove 
a execução orçamentária e demais fatos relacionados com as variações qualitativas e quantitativas que tocam os elementos 
patrimoniais da entidade ou órgão público. 
O dispêndio de recursos financeiros oriundos do Orçamento Geral da União se faz exclusivamente por meio de Ordem 
Bancária - OB e da Conta Única do Governo Federal e se destina ao pagamento de compromissos, bem como a transferência de 
recursos entre as Unidades Gestoras, tais como liberação de recursos para fins de adiantamento, suprimento de fundos, cota, 
repasse, sub-repasse e afins. A Ordem Bancária é portanto o único documento de transferência de recursos financeiros. 
O ingresso de recursos se dá quando o contribuinte efetua o pagamento de seus tributos por meio de DARF, junto à rede 
bancária, que deve efetuar o recolhimento dos recursos arrecadados, ao BACEN, no prazo de um dia. Com o DARF Eletrônico e a 
GRPS Eletrônica, os usuários do sistema podem efetuar o recolhimento dos tributos federais e contribuições previdenciárias 
diretamente à Conta Única, sem trânsito pela rede bancária. Ao mesmo tempo, a Secretaria da Receita Federal recebe informações 
da receita bruta arrecadada, que é classificada decendialmente (ou seja, a cada 10 dias) no SIAFI. Esse valor classificado deve 
corresponder ao montante registrado no BACEN no período. 
Uma vez tendo recursos em caixa, começa a fase de saída desses recursos, para pagamentos diversos. O pagamento 
entre Unidades Gestoras ocorre mediante a transferência de limite de saque, que é a disponibilidade financeira da UG on-line, 
existente na Conta Única. No caso de pagamento de credores não integrantes do SIAFI, a Unidade Gestora efetua o registro de OB 
no SIAFI. Ao final do dia é gerado um arquivo de OB, que é encaminhado ao Banco do Brasil para processamento que, por sua vez, 
comunica ao Banco Central o limite da reserva bancária a ser disponibilizada. Até o dia seguinte ao da emissão da OB, a Unidade 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
29 
Gestora deve encaminhar ao Banco do Brasil, a relação de ordens bancárias para pagamento junto a ele ou a outros bancos. O 
valor devido é pago ao beneficiário, de acordo com os prazos definidos pelo BACEN. 
Ocorre que a entrada das receitas que o governo arrecada dos contribuintes nem sempre coincide, no tempo, com as 
necessidades de realização de despesas públicas, já que a arrecadação de tributos e outras receitas não se concentra apenas no 
início do exercício financeiro, mas está distribuída ao longo de todo o ano civil. Por essa razão é que existe um conjunto de 
atividades que têm o objetivo de ajustar o ritmo da execução do Orçamento ao fluxo provável de entrada de recursos financeiros que 
vão assegurar a realização dos programas anuais de trabalho e, conseqüentemente, impedir eventuais insuficiências de tesouraria. 
A esse conjunto de atividades chamamos de Programação Financeira. 
As atividades de programação financeira do Tesouro Nacional foram organizadas sob a forma de sistema, cabendo à 
Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda o papel de Órgão Central, às Unidades de Administração dos Ministérios e 
dos Órgãos equivalentes da Presidência da República e dos Poderes Legislativo e Judiciário o papel de Órgãos Setoriais e às 
unidades que, em cada órgão da Administração Federal, centralizam funções de orçamento e execução financeira, o papel de 
Órgãos Seccionais. 
O Órgão Central de Programação Financeira é a Coordenação-Geral de Programação Financeira - COFIN, da Secretaria 
do Tesouro Nacional – STN, os Órgãos Setoriais de Programação Financeira - OSPF são as Subsecretarias de Planejamento e 
Orçamento e unidades equivalentes das Secretarias da Presidência da República e dos Poderes Legislativo e Judiciário, enquanto 
que os Órgãos Setoriais são as Unidades Gestoras. 
Os Órgãos Setoriais de Programação Financeira - OSPF são os responsáveis pelo registro diretamente no SIAFI, por meio 
de transação específica, de suas propostas de Programação Financeira - PPF até o dia 28 de cada mês. Para tal utilizam o 
Documento Nota de Programação Financeira - PF, que se destina ao registro da proposta de programação financeira e da 
programação financeira aprovada, pelas unidades gestoras executoras, pelas unidades gestoras setoriais de programação 
financeira e pelo órgão central de programação financeira (COFIN/STN). 
A elaboração de uma programação financeira requer muita habilidade e conhecimento técnico de finanças e 
comportamento da arrecadação dos tributos federais que compõem a receita, bem como da estrutura do Estado. A programação 
financeira estará sempre submetida à vontade política do Governo, uma vez que o Orçamento é uma lei autorizativa (ela não obriga; 
apenas autoriza a execução dos programas de trabalho nela contidos). Isso significa que sua execução deve estar atrelada ao real 
ingresso de recursos. À medida que esses recursos vão ingressando nos cofres do Governo, são imediatamente liberados para os 
órgãos setoriais dos Ministérios ou Órgãos, baseado na programação financeira destes, para a execução dos seus programas de 
trabalho. Dessa maneira, fica a critério do Governo executar este ou aquele projeto, sem obedecer a qualquer hierarquia 
orçamentária. 
Como cada ministério ou órgão tem um prazo determinado para a elaboração de seu próprio cronograma de desembolso 
(que espelha as saídas de recursos financeiros), à Secretaria do Tesouro Nacional, na condição de Órgão Central, compete a 
consolidação e aprovação de toda a programação financeira de desembolso para o Governo Federal no exercício, procurando 
ajustar as necessidades da execução do orçamento ao fluxo de caixa do Tesouro (que engloba despesas e receitas), a fim de obter 
um fluxo de caixa mais consentâneo com a política fiscal e monetária do governo. 
Todo esse processo ocorre dentro do SIAFI, que foi desenvolvido para que cada UG possa elaborarsua programação 
financeira, submetê-la ao seu Órgão setorial de programação e este, por sua vez, possa consolidá-la e submetê-la ao Órgão Central 
de Programação Financeira. Assim, o Sistema permite um acompanhamento preciso do cronograma de desembolso dos recursos 
financeiros de cada UG. 
 
BALANÇO GERAL DA UNIÃO 
 
O SIAFI , além de processar e controlar toda a execução orçamentária e financeira do Governo Federal, também 
desempenha importante papel na tarefa de elaboração das demonstrações das contas consolidadas no Balanço Geral da União - 
BGU, na medida em que contabiliza também os atos e fatos praticados pelos gestores públicos ao longo do exercício que não estão 
relacionados exclusivamente a entradas e saídas de recursos e nem a movimmentção de créditos. O BGU representa a posição 
estática do patrimônio dos órgãos e entidades que compõem a Administração Pública federal e é elaborado a partir de diversas 
informações extraídas do SIAFI , as quais, complementadas por outras, com níveis diferenciados de detalhamento, passam a 
compor as demonstrações obrigatórias que o Presidente da República deve apresentar anualmente ao Congresso Nacional, por 
força de disposição constitucional. 
Assim, o Balanço Geral da União – BGU para cada exercício tem por objetivo demonstrar as principais ações 
governamentais executadas pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, vinculados ao Poder Executivo, bem como 
a execução dos Orçamentos Fiscal, da Seguridade Social e de Investimento das Empresas Estatais. Essa prestação de contas é 
elaborada em acordo com as diretrizes básicas estabelecidas pelo Tribunal de Contas da União para o exercício financeiro e 
usualmente se compõe de 4 volumes : 
 Volume I : Relatório de Atividades do Poder Executivo Federal; 
 Volume II : Balanços e Demonstrativos da Execução dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social; 
 Volume III : Balanços da Administração Indireta; e 
 Volume IV : Demonstrativos da Execução do Orçamento de Investimento das Empresas Estatais. 
A organização do conteúdo desses volumes, em sua quase totalidade, fica a cargo da Coordenação-Geral de Contabilidade 
– CCONT, que conta com as informações registradas no SIAFI e com a participação dinâmica dos Órgãos Centrais de Contabilidade 
e de Controle e das Unidades Gestoras Executoras para a realização de tal tarefa, a qual pressupõe a elaboração do 
 Balanço Orçamentário; 
 Balanço Financeiro; 
 Balanço Patrimonial; 
mailto:cmotta@cvism.com.br
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_03.asp##
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_03.asp##
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_03.asp##
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
30 
 Demonstrações das Variações Patrimoniais da União. 
O SIAFI é um sistema de informações centralizado em Brasília, ligado por teleprocessamento aos Órgãos do Governo 
Federal distribuídos no País e no exterior. Essa ligação, que é feita pela rede de telecomunicações do SERPRO e também pela 
conexão a outras inúmeras redes externas, é que garante o acesso ao sistema às quase 17.874 Unidades Gestoras ativas no SIAFI. 
Para facilitar o trabalho de todas essas Unidades Gestoras, o SIAFI foi concebido para se estruturar por exercícios : cada 
ano equivale a um sistema diferente, ou seja, a regra de formação do nome do sistema é a sigla SIAFI acrescida de quatro dígitos 
referentes ao ano do sistema que se deseja acessar : SIAFI2000, SIAFI2001, SIAFI2002, etc. 
Por sua vez, cada sistema está organizado por subsistemas - atualmente são 21 - e estes, por módulos . Dentro de cada 
módulo estão agregadas inúmeras transações, que guardam entre si características em comum. Nesse nível de transação é que 
são efetivamente executadas as diversas operações do SIAFI, desde entrada de dados até consultas. 
 
 
 
 
 
Cada subsistema tem uma função própria e bem delimitada no SIAFI. Podemos organizá-los informalmente em cinco 
grupos principais : 
 Controle de Haveres e Obrigações : 
 
- Dívida Pública - DIVIDA 
- Haveres - HAVERES 
- Controle de Obrigações - OBRIGACAO 
- Operações Oficiais de Crédito - O2C 
 Administração do Sistema : 
 
- Administração do Sistema - ADMINISTRA 
- Auditoria - AUDITORIA 
- Centro de Informação - CI 
- Conformidade - CONFORM 
- Manual - MANUALMF 
 Execução Orçamentária e Financeira : 
 
- Contábil - CONTABIL 
- Documentos do SIAFI - DOCUMENTO 
- Orçamentário e Financeiro - ORCFIN 
 Organização de Tabelas: 
 
- Tabelas administrativas - TABADM 
- Tabelas de apoio - TABAPOIO 
- Tabelas do cadastro de obrigações - TABOBRIG 
- Tabelas orçamentárias -TABORC 
- Tabelas de receitas orçamentárias - TABRECEITA 
 Recursos Complementares com Aplicação Específica: 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/SIAFI/atribuicoes_03.asp##
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
31 
- Programação orçamentária - PROGORCAM 
- Convênios - CONVENIOS 
- Contas a pagar e a receber - CPR 
- Estados e Municípios - ESTMUN. 
 
 
TELA INICIAL DO SIAFI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
32 
 
 
LEGISLAÇÃO 
 
LRF - LEI COMPLEMENTAR Nº 101, DE 4 DE MAIO DE 2000 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
Art. 1º Esta Lei Complementar estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, 
com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição. 
§ 1º A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem 
desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e 
despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da 
seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão 
de garantia e inscrição em Restos a Pagar. 
§ 2º As disposições desta Lei Complementar obrigam a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. 
§ 3º Nas referências: 
I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, estão compreendidos: 
a) o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o Ministério 
Público; 
b) as respectivas administrações diretas, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes; 
II - a Estados entende-se considerado o Distrito Federal; 
III - a Tribunais de Contas estão incluídos: Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado e, quando houver, 
Tribunal de Contas dos Municípios e Tribunal de Contas do Município. 
Art. 2º Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como: 
I - ente da Federação: a União, cada Estado, o Distrito Federal e cada Município; 
II - empresa controlada: sociedade cuja maioria do capital social com direito a voto pertença, direta ou indiretamente, a ente 
da Federação; 
III - empresa estatal dependente: empresa controlada que receba do ente controlador recursos financeiros para pagamento 
de despesas com pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último caso, aqueles provenientes de aumento de 
participação acionária; 
IV - receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de 
serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: 
a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições 
mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art.a formulação de programas. 
2) Proporcionar uma contribuição efetiva para o acompanhamento da execução do orçamento. 
3) Determinar a fixação de responsabilidades. 
4) Possibilitar a análise dos efeitos econômicos das atividades governamentais. 
Dependendo do critério de classificação, alguns aspectos das contas poderão ser evidenciados. A Lei estabelece a 
obrigatoriedade de classificação segundo vários critérios, conforme veremos a seguir: 
 Classificação por Categoria Econômica 
 A classificação por categoria econômica é importante para o conhecimento do impacto das ações de governo na 
conjuntura econômica do país. Ela possibilita que o orçamento constitua um instrumento de importância para a análise e ação de 
política econômica, de maneira a ser utilizado no fomento ao desenvolvimento nacional, no controle do déficit público, etc. Por esse 
critério, o orçamento se divide em dois grandes grupos: as Contas Correntes e Contas de Capital: 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
4 
 
RECEITAS CORRENTES RECEITAS DE CAPITAL 
Receita Tributária Operações de Crédito 
Receita de Contribuições Alienação de Bens 
Receita Patrimonial Amortização de Empréstimos 
Receita Agropecuária Transferências de Capital 
Receita Industrial Outras Receitas de Capital 
Receita de Serviços 
Transferências Correntes 
Outras Receitas Correntes 
 
DESPESAS CORRENTES DESPESAS DE CAPITAL 
Pessoal e Encargos Sociais Investimentos 
Juros e Encargos da Dívida Inversões Financeiras 
Outras Despesas Correntes Amortização da Dívida 
Outras Despesas de Capital 
 
Classificação Funcional Programática 
A classificação Funcional Programática representou um grande avanço na técnica de apresentação orçamentária. Ela 
permite a vinculação das dotações orçamentárias a objetivos de governo. Os objetivos são viabilizados pelos Programas de 
Governo. Esse enfoque permite uma visão de "o que o governo faz", o que tem um significado bastante diferenciado do enfoque 
tradicional, que visualiza "o que o governo compra". 
Os programas, na classificação funcional-programática, são desdobramentos das funções básicas de governo. Fazem a 
ligação entre os planos de longo e médio prazos e representam os meios e instrumentos de ação, organicamente articulados para o 
cumprimento das funções. Os programas geralmente representam os produtos finais da ação governamental. Esse tipo de 
orçamento é normalmente denominado Orçamento-Programa. 
No Brasil, o Orçamento-Programa está estruturado em diversas categorias programáticas, ou níveis de programação, que 
representam objetivos da ação governamental em diversos níveis decisórios. Assim, a classificação funcional programática 
apresenta: 
 · Um rol de funções, representando objetivos mais gerais: o maior nível de agregação das ações, de modo a refletir as 
atribuições permanentes do Governo. 
· Um rol de programas, representando produtos concretos. São os meios e instrumentos de ações organicamente 
articulados para o cumprimento das funções. Uma função se concretiza pela contribuição de vários programas. 
· Um rol de subprogramas, representando produtos e ações parciais dos programas. 
Por exemplo, a função Saúde e Saneamento está desdobrada em programas de Saúde, Saneamento e Proteção ao Meio 
Ambiente. O programa de Saneamento está desdobrado em subprogramas de Abastecimento D’água, Saneamento Geral e Sistema 
de Esgoto. 
Aos subprogramas estarão vinculados os projetos e atividades. Cada projeto se subdivide em vários subprojetos e cada 
atividade em várias subatividades. Os subprojetos e subatividades constituem o menor nível de agregação das ações e concorrem 
diretamente para a obtenção dos objetivos pretendidos nos outros níveis de programação. 
Em síntese: 
· As funções representam as áreas de atuação do Governo; 
· Os programas e subprogramas representam os objetivos que se pretende alcançar; 
· Os projetos e atividades representam os meios de alcançar tais objetivos 
 
3. RECEITA PÚBLICA 
 
3.1 Receita Pública – Conceitos 
  Soma de dinheiro que recebem o Estado e os demais entes públicos para cobrir com elas os seus gasto. 
  É o capital arrecadado, coercitivamente, do povo, tomado por empréstimo ou produzido pela renda dos seus 
bens ou pela sua atividade, de que o Estado dispõe para fazer face às despesas públicas. 
Conforme a Portaria STN n° 219 de abril de 2004: 
Receita Pública é uma derivação do conceito contábil de Receita, agregando outros conceitos utilizados 
pela Administração Pública em virtude de suas peculiaridades. No entanto, estas peculiaridades não 
interferem nos resultados contábeis regulamentados pelo Conselho Federal de Contabilidade, por meio 
dos Princípios Fundamentais, até porque, a macromissão da contabilidade é atender a todos os usuários 
da informação contábil , harmonizando conceitos, princípios, normas e procedimentos às particularidades 
de cada entidade. 
Receitas Públicas são todos os ingressos de caráter não devolutivo auferidas pelo poder público, em 
qualquer esfera governamental, para alocação e cobertura das despesas públicas. Dessa forma todo o 
ingresso orçamentário constitui uma receita pública, pois tem como finalidade atender às despesas 
públicas. 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
5 
 
 
 
 
 
 Orçamentários 
 
 INGRESSOS 
 Extra - Orçamentários 
 
RECEITAS 
 
 Aumento do Ativo 
 
 PATRIMÔNIO 
 Redução do Passivo 
 
 
 
 
3.2 Classificação por Fontes de Recursos 
O código da fonte de recursos compõe-se de três dígitos, sendo que o primeiro digito determina o grupo, e os dois 
seguintes a sua especificação. Os grupos de fontes de recursos são: 
 100 – recursos do tesouro – exercício corrente 
 200 – recursos de outras fontes – exercício corrente 
 300 – recursos do tesouro – exercícios anteriores 
 600 – recursos de outras fontes – exercícios anteriores 
 900 – recursos condicionados 
 
3.3 Classificação por Categorias Econômicas 
Segundo a Lei 4.320/64, a receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de 
Capital. 
Receitas Correntes 
São compostas de receitas derivadas e receitas originárias, e ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de 
outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. 
Receita Derivada = receita tributária 
Receita Originária = receita empresarial do Estado, tais como receita patrimonial, industrial, entre outras. 
Receita Tributária – proveniente da arrecadação de impostos, taxas, contribuição de melhorias, contribuições sócias. 
Receita privativa das entidades competentes para tributar – União, Estados, Distrito Federal e Municípios. 
 
Receitas de Capital 
São provenientes da realização de recursos oriundos de: a) contração de dívida; b) conversão, em espécie, de bens e 
direitos; c) recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado destinados a atender despesas classificáveis em 
Despesa de Capital; e d) superávit do orçamento corrente. 
Conforme art. 2° da Lei 4.320/64: 
 São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição 
de dívida; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de 
direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, 
o superávit do Orçamento Corrente. 
 
SUPERÁVIT DO ORÇAMENTO CORRENTE = RECEITAS CORRENTES – DESPESAS CORRENTES 
 
 
 
 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
6 
 
 
3.4 Outras Definições239 da Constituição; 
b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; 
c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e 
assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição. 
§ 1º Serão computados no cálculo da receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei 
Complementar nº 87 , de 13 de setembro de 1996, e do fundo previsto pelo art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias. 
§ 2º Não serão considerados na receita corrente líquida do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de Roraima os 
recursos recebidos da União para atendimento das despesas de que trata o inciso V do § 1º do art. 19. 
§ 3º A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e nos onze 
anteriores, excluídas as duplicidades. 
CAPÍTULO II 
DO PLANEJAMENTO 
Seção I 
Do Plano Plurianual 
Art. 3º (VETADO) 
Seção II 
Da Lei de Diretrizes Orçamentárias 
Art. 4º A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2º do art. 165 da Constituição e: 
I - disporá também sobre: 
a) equilíbrio entre receitas e despesas; 
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II deste artigo, no 
art. 9o e no inciso II do § 1º do art. 31; 
c) (VETADO) 
d) (VETADO) 
e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos 
orçamentos; 
f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas; 
II - (VETADO) 
III - (VETADO) 
§ 1º Integrará o projeto de lei de diretrizes orçamentárias Anexo de Metas Fiscais, em que serão estabelecidas metas 
anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida 
pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes. 
§ 2º O Anexo conterá, ainda: 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
33 
I - avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior; 
II - demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os resultados 
pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercícios anteriores, e evidenciando a consistência delas com as premissas e 
os objetivos da política econômica nacional; 
III - evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação dos recursos 
obtidos com a alienação de ativos; 
IV - avaliação da situação financeira e atuarial: 
a) dos regimes geral de previdência social e próprio dos servidores públicos e do Fundo de Amparo ao Trabalhador; 
b) dos demais fundos públicos e programas estatais de natureza atuarial; 
V - demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas 
obrigatórias de caráter continuado. 
§ 3º A lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de Riscos Fiscais, onde serão avaliados os passivos contingentes e 
outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem. 
§ 4º A mensagem que encaminhar o projeto da União apresentará, em anexo específico, os objetivos das políticas 
monetária, creditícia e cambial, bem como os parâmetros e as projeções para seus principais agregados e variáveis, e ainda as 
metas de inflação, para o exercício subseqüente. 
Seção III 
Da Lei Orçamentária Anual 
Art. 5º O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com a lei de diretrizes 
orçamentárias e com as normas desta Lei Complementar: 
I - conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos e metas 
constantes do documento de que trata o § 1º do art. 4º; 
II - será acompanhado do documento a que se refere o § 6º do art. 165 da Constituição, bem como das medidas de 
compensação a renúncias de receita e ao aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado; 
III - conterá reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante, definido com base na receita corrente líquida, 
serão estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, destinada ao: 
a) (VETADO) 
b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos. 
§ 1º Todas as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou contratual, e as receitas que as atenderão, constarão da lei 
orçamentária anual. 
§ 2º O refinanciamento da dívida pública constará separadamente na lei orçamentária e nas de crédito adicional. 
§ 3º A atualização monetária do principal da dívida mobiliária refinanciada não poderá superar a variação do índice de 
preços previsto na lei de diretrizes orçamentárias, ou em legislação específica. 
§ 4º É vedado consignar na lei orçamentária crédito com finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada. 
§ 5º A lei orçamentária não consignará dotação para investimento com duração superior a um exercício financeiro que não 
esteja previsto no plano plurianual ou em lei que autorize a sua inclusão, conforme disposto no § 1º do art. 167 da Constituição. 
§ 6º Integrarão as despesas da União, e serão incluídas na lei orçamentária, as do Banco Central do Brasil relativas a 
pessoal e encargos sociais, custeio administrativo, inclusive os destinados a benefícios e assistência aos servidores, e a 
investimentos. 
§ 7º (VETADO) 
Art. 6º (VETADO) 
Art. 7º O resultado do Banco Central do Brasil, apurado após a constituição ou reversão de reservas, constitui receita do 
Tesouro Nacional, e será transferido até o décimo dia útil subseqüente à aprovação dos balanços semestrais. 
§ 1º O resultado negativo constituirá obrigação do Tesouro para com o Banco Central do Brasil e será consignado em 
dotação específi ca no orçamento. 
§ 2º O impacto e o custo fiscal das operações realizadas pelo Banco Central do Brasil serão demonstrados trimestralmente, 
nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias da União. 
§ 3º Os balanços trimestrais do Banco Central do Brasil conterão notas explicativas sobre os custos da remuneração das 
disponibilidades do Tesouro Nacional e da manutenção das reservas cambiais e a rentabilidade de sua carteira de títulos, 
destacando os de emissão da União. 
Seção IV 
Da Execução Orçamentária e do Cumprimento das Metas 
Art. 8º Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias e 
observado o disposto na alínea c do inciso I do art. 4º, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de 
execução mensal de desembolso. 
Parágrafo único. Os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados exclusivamente para atender ao 
objeto de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso. 
Art. 9º Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas 
de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato 
próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subseqüentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os 
critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias. 
§ 1º No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações cujos empenhos 
foram limitados dar-se-á de forma proporcional às reduções efetivadas. 
§ 2º Não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do ente, inclusive 
aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida, e as ressalvadas pela lei de diretrizes orçamentárias. 
§ 3º No caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o Ministério Público não promoverem a limitaçãono prazo 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
34 
estabelecido no caput, é o Poder Executivo autorizado a limitar os valores financeiros segundo os critérios fixados pela lei de 
diretrizes orçamentárias. 
§ 4º Até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro, o Poder Executivo demonstrará e avaliará o cumprimento das 
metas fiscais de cada quadrimestre, em audiência pública na comissão referida no § 1º do art. 166 da Constituição ou equivalente 
nas Casas Legislativas estaduais e municipais. 
§ 5º No prazo de noventa dias após o encerramento de cada semestre, o Banco Central do Brasil apresentará, em reunião 
conjunta das comissões temáticas pertinentes do Congresso Nacional, avaliação do cumprimento dos objetivos e metas das 
políticas monetária, creditíci a e cambial, evidenciando o impacto e o custo fiscal de suas operações e os resultados demonstrados 
nos balanços. 
Art. 10. A execução orçamentária e financeira identificará os beneficiários de pagamento de sentenças judiciais, por meio 
de sistema de contabilidade e administração financeira, para fins de observância da ordem cronológica determinada no art. 100 da 
Constituição. 
CAPÍTULO III 
DA RECEITA PÚBLICA 
Seção I 
Da Previsão e da Arrecadação 
Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação 
de todos os tributos da competência constitucional do ente da Federação. IN TCU nº 38/2000 
Parágrafo único. É vedada a realização de transferências voluntárias para o ente que não observe o disposto no caput, no 
que se refere aos impostos. 
Art. 12. As previsões de receita observarão as normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das alterações na 
legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro fator relevante e serão acompanhadas 
de demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da 
metodologia de cálculo e premissas utilizadas. 
§ 1º Reestimativa de receita por parte do Poder Legislativo só será admitida se comprovado erro ou omissão de ordem 
técnica ou legal. 
§ 2º O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser superior ao das despesas de capital 
constantes do projeto de lei orçamentária. 
§ 3º O Poder Executivo de cada ente colocará à disposição dos demais Poderes e do Ministério Público, no mínimo trinta 
dias antes do prazo final para encaminhamento de suas propostas orçamentárias, os estudos e as estimativas das receitas para o 
exercício subseqüente, inclusive da corrente líquida, e as respectivas memórias de cálculo. 
Art. 13. No prazo previsto no art. 8o, as receitas previstas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em metas bimestrais 
de arrecadação, com a especificação, em separado, quando cabível, das medidas de combate à evasão e à sonegação, da 
quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa, bem como da evolução do montante dos créditos tributários 
passíveis de cobrança administrativa. 
Seção II 
Da Renúncia de Receita 
Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita 
deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos 
dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: 
I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei orçamentária, na forma 
do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias; 
II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do aumento de receita, 
proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. 
§ 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, 
alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros 
benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. 
§ 2º Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da condição 
contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso. 
§ 3º O disposto neste artigo não se aplica: 
I - às alterações das alíquotas dos impostos previstos nos incisos I, II, IV e V do art. 153 da Constituição, na forma do seu § 
1º; 
II - ao cancelamento de débito cujo montante seja inferior ao dos respectivos custos de cobrança. 
CAPÍTULO IV 
DA DESPESA PÚBLICA 
Seção I 
Da Geração da Despesa 
Art. 15. Serão consideradas não autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou 
assunção de obrigação que não atendam o disposto nos arts. 16 e 17. 
Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental que acarrete aumento da despesa será 
acompanhado de: 
I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subseqüentes; 
II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e financeira com a lei 
orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias. 
§ 1º Para os fins desta Lei Complementar, considera-se: 
I - adequada com a lei orçamentária anual, a despesa objeto de dotação específica e suficiente, ou que esteja abrangida 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
35 
por crédito genérico, de forma que somadas todas as despesas da mesma espécie, realizadas e a realizar, previstas no programa 
de trabalho, não sejam ultrapassados os limites estabelecidos para o exercício; 
II - compatível com o plano plurianual e a lei de diretrizes orçamentárias, a despesa que se conforme com as diretrizes, 
objetivos, prioridades e metas previstos nesses instrumentos e não infrinja qualquer de suas disposições. 
§ 2º A estimativa de que trata o inciso I do caput será acompanhada das premissas e metodologia de cálculo utilizadas. 
§ 3º Ressalva-se do disposto neste artigo a desp esa considerada irrelevante, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes 
orçamentárias. 
§ 4º As normas do caput constituem condição prévia para: 
I - empenho e licitação de serviços, fornecimento de bens ou execução de obras; 
II - desapropriação de imóveis urbanos a que se refere o § 3º do art. 182 da Constituição. 
Subseção I 
Da Despesa Obrigatória de Caráter Continuado 
Art. 17. Considera-se obrigatória de caráter continuado a despesa corrente derivada de lei, medida provisória ou ato 
administrativo normativo que fixem para o ente a obrigação legal de sua execução por um período superior a dois exercícios. 
§ 1º Os atos que criarem ou aumentarem despesa de que trata o caput deverão ser instruídos com a estimativa prevista no 
inciso I do art. 16 e demonstrar a origem dos recursos para seu custeio. 
§ 2º Para efeito do atendimento do § 1º, o ato será acompanhado de comprovação de que a despesa criada ou aumentada 
não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo referido no § 1º do art. 4º, devendo seus efeitos financeiros, nos 
períodos seguintes, ser compensados pelo aumento permanente de receita ou pela redução permanente de despesa. 
§ 3º Para efeito do § 2º, considera-se aumento permanente de receita o proveniente da elevação de alíquotas, ampliação 
da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. 
§ 4º A comprovação referida no § 2º, apresentada pelo proponente, conterá as premissas e metodologia de cálculoutilizadas, sem prejuízo do exame de compatibilidade da despesa com as demais normas do plano plurianual e da lei de diretrizes 
orçamentárias. 
§ 5] A despesa de que trata este artigo não será executada antes da implementação das medidas referidas no § 2o, as 
quais integrarão o instrumento que a criar ou aumentar. 
§ 6º O disposto no § 1o não se aplica às despesas destinadas ao serviço da dívida nem ao reajustamento de remuneração 
de pessoal de que trata o inciso X do art. 37 da Constituição. 
§ 7º Considera-se aumento de despesa a prorrogação daquela criada por prazo determinado. 
Seção II 
Das Despesas com Pessoal 
Subseção I 
Definições e Limites 
Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do 
ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, 
militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, 
subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pesso ais 
de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. 
§ 1º Os valores dos contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores e empregados 
públicos serão contabilizados como "Outras Despesas de Pessoal". 
§ 2º A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos onze 
imediatamente anteriores, adotando -se o regime de competência. 
Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de 
apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados: 
I - União: 50% (cinqüenta por cento); 
II - Estados: 60% (sessenta por cento); 
III - Municípios: 60% (sessenta por cento). 
§ 1º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não serão computadas as despesas: 
I - de indenização por demissão de servidores ou empregados; 
II - relati vas a incentivos à demissão voluntária; 
III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do § 6º do art. 57 da Constituição; 
IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de período anterior ao da apuração a que se refere o § 2o do art. 18; 
V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e Roraima, custeadas com recursos transferidos pela União 
na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda Constitucional nº 19; 
VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo específico, custeadas por recursos provenientes: 
a) da arrecadação de contribuições dos segurados; 
b) da compensação financeira de que trata o § 9º do art. 201 da Constituição; 
c) das demais receitas diretamente arrecadadas por fundo vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da alienação de 
bens, direitos e ativos, bem como seu superávit financeiro. 
§ 2º Observado o disposto no inciso IV do § 1º, as despesas com pessoal decorrentes de sentenças judiciais serão 
incluídas no limite do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20. 
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais: 
I - na esfera federal: 
a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União; 
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário; 
c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por cento) para o Executivo, destacando-se 3% (três por cento) para as 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
36 
despesas com pessoal decorrentes do que dispõem os incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e o art. 31 da Emenda 
Constitucional no 19, repartidos de forma proporcional à média das despesas relativas a cada um destes dispositivos, em percentual 
da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei 
Complementar; 
d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério Público da União; 
II - na esfera estadual: 
a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Estado; 
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário; 
c) 49% (quarenta e nove por cento) para o Executivo; 
d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos Estados; 
III - na esfera municipal: 
a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Município, quando houver; 
b) 54% (cinqüenta e quatro por cento) para o Executivo. 
§ 1º Nos Poderes Legislativo e Judiciário de cada esfera, os limites serão repartidos entre seus órgãos de forma 
proporcional à média das despesas com pessoal, em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios 
financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar. 
§ 2º Para efeito deste artigo entende-se como órgão: 
I - o Ministério Público; 
II- no Poder Legislativo: 
a) Federal, as respectivas Casas e o Tribunal de Contas da União; 
b) Estadual, a Assembléia Legislativa e os Tribunais de Contas; 
c) do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do Distrito Federal; 
d) Municipal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Município, quando houver; 
III - no Poder Judiciário: 
a) Federal, os tribunais referidos no art. 92 da Constituição; 
b) Estadual, o Tribunal de Justiça e outros, quando houver. 
§ 3º Os limites para as despesas com pessoal do Poder Judiciário, a cargo da União por força do inciso XIII do art. 21 da 
Constituição, serão estabelecidos mediante aplicação da regra do § 1o. 
§ 4º N os Estados em que houver Tribunal de Contas dos Municípios, os percentuais definidos nas alíneas a e c do inciso II 
do caput serão, respectivamente, acrescidos e reduzidos em 0,4% (quatro décimos por cento). 
§ 5º Para os fins previstos no art. 168 da Constituição, a entrega dos recursos financeiros correspondentes à despesa total 
com pessoal por Poder e órgão será a resultante da aplicação dos percentuais definidos neste artigo, ou aqueles fixados na lei de 
diretrizes orçamentárias. 
§ 6º (VETADO) 
Subseção II 
Do Controle da Despesa Total com Pessoal 
Art. 21. É nulo de pleno direito o ato que provoque aumento da despesa com pessoal e não atenda: 
I - as exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar, e o disposto no inciso XIII do art. 37 e no § 1º do art. 169 da 
Constituição; 
II - o limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo. 
Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal expedido nos 
cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20. 
Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 será realizada ao final de cada 
quadrimestre. 
Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são vedados ao 
Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no excesso: 
I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os derivados de 
sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do art. 37 da Constituição; 
II - criação de cargo, emprego ou função; 
III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa; 
IV - provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição decorrente 
de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança; 
V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto no inciso II do § 6º do art. 57 da Constituição e as situações 
previstas na lei de diretrizes orçamentárias. 
Art. 23. Se a despesatotal com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos no mesmo 
artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres 
seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre outras, as providências previstas nos §§ 3o e 4o do art. 169 
da Constituição. 
§ 1º No caso do inciso I do § 3º do art. 169 da Constituição, o objetivo poderá ser alcançado tanto pela extinção de cargos e 
funções quanto pela redução dos valores a eles atribuídos. 
§ 2º É facultada a redução temporária da jornada de trabalho com adequação dos vencimentos à nova carga horária. 
§ 3º Não alcançada a redução no prazo estabelecido, e enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá: 
I - receber transferências voluntárias; 
II - obter garantia, direta ou indireta, de outro ente; 
III - contratar operações de crédito, ressalvadas as destinadas ao refinanci amento da dívida mobiliária e as que visem à 
redução das despesas com pessoal. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
37 
§ 4º As restrições do § 3º aplicam-se imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite no primeiro 
quadrimestre do último ano do mandato dos titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20. 
Seção III 
Das Despesas com a Seguridade Social 
Art. 24. Nenhum benefício ou serviço relativo à seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a 
indicação da fonte de custeio total, nos termos do § 5º do art. 195 da Constituição, atendidas ainda as exigências do art. 17. 
§ 1º É dispensada da compensação referida no art. 17 o aumento de despesa decorrente de: 
I - concessão de benefício a quem satisfaça as condições de habilitação prevista na legislação pertinente; 
II - expansão quantitativa do atendimento e dos serviços prestados; 
III - reajustamento de valor do benefício ou serviço, a fim de preservar o seu valor real. 
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se a benefício ou serviço de saúde, previdência e assistência social, inclusive os 
destinados aos servidores públicos e militares, ativos e inativos, e aos pensionistas. 
CAPÍTULO V 
DAS TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS 
Art. 25. Para efeito desta Lei Complementar, entende-se por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de 
capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação 
constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde. IN STN nº 5/2000 - IN TCU nº 38/2000 
§ 1º São exigências para a realização de transferência voluntária, além das estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias: 
I - existência de dotação específica; 
II - (VETADO) 
III - observância do disposto no inciso X do art. 167 da Co nstituição; 
IV - comprovação, por parte do beneficiário, de: 
a) que se acha em dia quanto ao pagamento de tributos, empréstimos e financiamentos devidos ao ente transferidor, bem 
como quanto à prestação de contas de recursos anteriormente dele recebidos; 
b) cumprimento dos limites constitucionais relativos à educação e à saúde; 
c) observância dos limites das dívidas consolidada e mobiliária, de operações de crédito, inclusive por antecipação de 
receita, de inscrição em Restos a Pagar e de despesa total com pessoal; 
d) previsão orçamentária de contrapartida. 
§ 2o É vedada a utilização de recursos transferidos em finalidade diversa da pactuada. 
§ 3o Para fins da aplicação das sanções de suspensão de transferências voluntárias constantes desta Lei Complementar, 
excetuam-se aquelas relativas a ações de educação, saúde e assistência social. 
CAPÍTULO VI 
DA DESTINAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS PARA O SETOR PRIVADO 
Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de 
pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e 
estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. 
§ 1º O disposto no caput aplica-se a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, 
exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. 
§ 2º Compreende-se incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas 
prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. 
Art. 27. Na concessão de crédito por ente da Federação a pessoa física, ou jurídica que não esteja sob seu controle direto 
ou indireto, os encargos financeiros, comissões e despesas congêneres não serão inferiores aos definidos em lei ou ao custo de 
captação. 
Parágrafo único. Dependem de autorização em lei específica as prorrogações e composições de dívidas decorrentes de 
operações de crédito, bem como a concessão de empréstimos ou financiamentos em desacordo com o caput, sendo o subsídio 
correspondente consignado na lei orçamentária. 
Art. 28. Salvo mediante lei específica, não poderão ser utilizados recursos públicos, inclusive de operações de crédito, para 
socorrer instituições do Sistema Financeiro Nacional, ainda que mediante a concessão de empréstimos de recuperação ou 
financiamentos para mudança de controle acionário. 
§ 1º A prevenção de insolvência e outros riscos ficará a cargo de fundos, e outros mecanismos, constituídos pelas 
instituições do Sistema Financeiro Nacional, na forma da lei. 
§ 2º O disposto no caput não proíbe o Banco Central do Brasil de conceder às instituições financeiras operações de 
redesconto e de empréstimos de prazo inferior a trezentos e sessenta dias. 
CAPÍTULO VII 
DA DÍVIDA E DO ENDIVIDAMENTO 
Seção I 
Definições Básicas 
Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as seguintes definições: 
I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da 
Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para 
amortização em prazo superior a doze meses; 
II - dívida pública mobiliária: dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do 
Brasil, Estados e Municípios; 
III - operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de 
título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, 
arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros; 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
38 
IV - concessão de garantia: compromisso de adimplência de obrigação financeira ou contratual assumida por ente da 
Federação ou entidade a ele vinculada; 
V - refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos para pagamento do principal acrescido da atualização 
monetária. 
§ 1º Equipara -se a operação de crédito a assunção, o reconhecimento ou a confissão de dívidas pelo ente da Federação, 
sem prejuízo do cumprimento das exigências dos arts. 15 e 16. 
§ 2º Será incluída na dívida pública consolidada da União a relativa à emissão de títulos de responsabilidade do Banco 
Central do Brasil. 
§ 3º Também integram a dívida pública consolidada as operações de crédito de prazo inferior a doze meses cujas receitas 
tenham constado do orçamento. 
§ 4º O refinanciamento do principal da dívida mobiliária não excederá, ao término de cada exercício financeiro, o montante 
do final do exercício anterior, somado ao das operações de crédito autorizadas no orçamento para este efeito e efetivamente 
realizadas, acrescido de atualização monetária. 
Seção II 
Dos Limitesda Dívida Pública e das Operações de Crédito 
Art. 30. No prazo de noventa dias após a publicação desta Lei Complementar, o Presidente da República submeterá ao: 
I - Senado Federal: proposta de limites globais para o montante da dívida consolidada da União, Estados e Municípios, 
cumprindo o que estabelece o inciso VI do art. 52 da Constituição, bem como de limites e condições relativos aos incisos VII, VIII e 
IX do mesmo artigo; 
II - Congresso Nacional: projeto de lei que estabeleça limites para o montante da dívida mobiliária federal a que se refere o 
inciso XIV do art. 48 da Constituição, acompanhado da demonstração de sua adequação aos limites fixados para a dívida 
consolidada da União, atendido o disposto no inciso I do § 1º deste artigo. 
§ 1ºo As propostas referidas nos incisos I e II do caput e suas alterações conterão: 
I - demonstração de que os limites e condições guardam coerência com as normas estabelecidas nesta Lei Complementar 
e com os objetivos da política fiscal; 
II - estimativas do impacto da aplicação dos limites a cada uma das três esferas de governo; 
III - razões de eventual proposição de limites diferenciados por esfera de governo; 
IV - metodologia de apuração dos resultados primário e nominal. 
§ 2º As propostas mencionadas nos incisos I e II do caput também poderão ser apresentadas em termos de dívida líquida, 
evidenciando a forma e a metodologia de sua apuração. 
§ 3º Os limites de que tratam os incisos I e II do caput serão fixados em percentual da receita corrente líquida para cada 
esfera de governo e aplicados igualmente a todos os entes da Federação que a integrem, constituindo, para cada um deles, limites 
máximos. 
§ 4º Para fins de verificação do atendimento do limite, a apuração do montante da dívida consolidada será efetuada ao fi nal 
de cada quadrimestre. 
§ 5º No prazo previsto no art. 5o, o Presidente da República enviará ao Senado Federal ou ao Congresso Nacional, 
conforme o caso, proposta de manutenção ou alteração dos limites e condições previstos nos incisos I e II do caput. 
§ 6º Sempre que alterados os fundamentos das propostas de que trata este artigo, em razão de instabilidade econômica ou 
alterações nas políticas monetária ou cambial, o Presidente da República poderá encaminhar ao Senado Federal ou ao Congresso 
Nacional solicitação de revisão dos limites. 
§ 7º Os precatórios judiciais não pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido incluídos integram a 
dívida consolidada, para fins de aplicação dos limites. 
Seção III 
Da Recondução da Dívida aos Limites 
Art. 31. Se a dívida consolidada de um ente da Federação ultrapassar o respectivo limite ao final de um quadrimestre, 
deverá ser a ele reconduzida até o término dos três subseqüentes, reduzindo o excedente em pelo menos 25% (vinte e cinco por 
cento) no primeiro. 
§ 1º Enquanto perdurar o excesso, o ente que nele houver incorrido: 
I - estará proibido de realizar operação de crédito interna ou externa, inclusive por antecipação de receita, ressalvado o 
refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária; 
II - obterá resultado primário necessário à recondução da dívida ao limite, promovendo, entre outras medidas, limitação de 
empenho, na forma do art. 9o. 
§ 2º Vencido o prazo para retorno da dívida ao limite, e enquanto perdurar o excesso, o ente ficará também impedido de 
receber transferências voluntárias da União ou do Estado. 
§ 3º As restrições do § 1º aplicam-se imediatamente se o montante da dívida exceder o limite no primeiro quadrimestre do 
último ano do mandato do Chefe do Poder Executivo. 
§ 4º O Ministério da Fazenda divulgará, mensalmente, a relação dos entes que tenham ultrapassado os limites das dívidas 
consolidada e mobiliária. 
§ 5º As normas deste artigo serão observadas nos casos de descumprimento dos limites da dívida mobiliária e das 
operações de crédito internas e externas. 
Seção IV 
Das Operações de Crédito 
Subseção I 
Da Contratação 
Art. 32. O Ministério da Fazenda verificará o cumprimento dos limites e condições relativos à realização de operações de 
crédito de cada ente da Federação, inclusive das empresas por eles controladas, direta ou indiretamente. Por nº 459/2000 - Por MF 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
39 
nº 352/2000 - Por MF nº 162/2000 
§ 1º O ente interessado formalizará seu pleito fundamentando-o em parecer de seus órgãos técnicos e jurídicos, 
demonstrando a relação custo-benefício, o interesse econômico e social da operação e o atendimento das seguintes condições: 
I - existência de prévia e expressa autorização para a contratação, no texto da lei orçamentária, em créditos adicionais ou 
lei específica; 
II - inclusão no orçamento ou em créditos adicionais dos recursos provenientes da operação, exceto no caso de operações 
por antecipação de receita; 
III - observância dos limites e condições fixados pelo Senado Federal; 
IV - autorização específica do Senado Federal, quando se tratar de operação de crédito externo; 
V - atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição; 
VI - observância das demais restrições estabelecidas nesta Lei Complementar. 
§ 2º As operações relati vas à dívida mobiliária federal autorizadas, no texto da lei orçamentária ou de créditos adicionais, 
serão objeto de processo simplificado que atenda às suas especificidades. 
§ 3º Para fins do disposto no inciso V do § 1o, considerar-se-á, em cada exercício financeiro, o total dos recursos de 
operações de crédito nele ingressados e o das despesas de capital executadas, observado o seguinte: 
I - não serão computadas nas despesas de capital as realizadas sob a forma de empréstimo ou financiamento a 
contribuinte, com o intuito de promover incentivo fiscal, tendo por base tributo de competência do ente da Federação, se resultar a 
diminuição, direta ou indireta, do ônus deste; 
II - se o empréstimo ou financiamento a que se refere o inciso I for concedido por instituição financeira controlada pelo ente 
da Federação, o valor da operação será deduzido das despesas de capital; 
III - (VETADO) 
§ 4º Sem prejuízo das atribuições próprias do Senado Federal e do Banco Central do Brasil, o Ministério da Fazenda 
efetuará o registro eletrônico centralizado e atualizado das dívidas públicas interna e externa, garantido o acesso público às 
informações, que incluirão: 
I - encargos e condições de contratação; 
II - saldos atualizados e limites relativos às dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito e concessão de 
garantias. 
§ 5o Os contratos de operação de crédito externo não conterão cláusula que importe na compensação automática de 
débitos e créditos. 
Art. 33. A instituição financeira que contratar operação de crédito com ente da Federação, exceto quando relativa à dívida 
mobiliária ou à externa, deverá exigir comprovação de que a operação atende às condições e limites estabelecidos. 
§ 1º A operação realizada com infração do disposto nesta Lei Complementar será considerada nula, procedendo-se ao seu 
cancelamento, mediante a devolução do principal, vedados o pagamento de juros e demais encargos financeiros. 
§ 2º Se a devolução não for efetuada no exercício de ingresso dos recursos, será consignada reserva específica na lei 
orçamentária para o exercício seguinte. 
§ 3º Enquanto não efetuado o cancelamento, a amortização, ou constituída a reserva, aplicam-se as sanções previstas nos 
incisos do § 3o do art. 23. 
§ 4º Também se constituirá reserva, no montante equivalente ao excesso, se não atendido o disposto no inciso III do art. 
167 da Constituição, consideradas as disposições do § 3º do art. 32. 
Subseção II 
Das Vedações 
Art. 34. O Banco Central do Brasil não emitirá títulos da dívida pública a partir de dois an os após a publicação desta Lei 
Complementar. 
Art. 35. É vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por intermédiode 
fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que 
sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente. 
§ 1º Excetuam-se da vedação a que se refere o caput as operações entre instituição financeira estatal e outro ente da 
Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, que não se destinem a: 
I - financiar, direta ou indiretamente, despesas correntes; 
II - refinanciar dívidas não contraídas junto à própria instituição concedente. 
§ 2º O disposto no caput não impede Estados e Municípios de comprar títulos da dívida da União como aplicação de suas 
disponibilidades. 
Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na 
qualidade de beneficiário do empréstimo. 
Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe instituição financeira controlada de adquirir, no mercado, títulos da dívida 
pública para atender investimento de seus clientes, ou títulos da dívida de emissão da União para aplicação de recursos próprios. 
Art. 37. Equiparam-se a operações de crédito e estão vedados: 
I - captação de recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha 
ocorrido, sem prejuízo do disposto no § 7o do art. 150 da Constituição; 
II - recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou indiretamente, a maioria do 
capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma da legislação; 
III - assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada, com fornecedor de bens, mercadorias 
ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando esta vedação a empresas estatais dependentes; 
IV - assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e 
serviços. 
Subseção III 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
40 
Das Operações de Crédito por Antecipação de Receita Orçamentária 
Art. 38. A operação de crédito por antecipação de receita destina-se a atender insuficiência de caixa durante o exercício 
financeiro e cumprirá as exigências mencionadas no art. 32 e mais as seguintes: 
I - realizar-se-á somente a partir do décimo dia do início do exercício; 
II - deverá ser liquidada, com juros e outros encargos incidentes, até o dia dez de dezembro de cada ano; 
III - não será autorizada se forem cobrados outros encargos que não a taxa de juros da operação, obrigatoriamente 
prefixada ou indexada à taxa básica financeira, ou à que vier a esta substituir; 
IV - estará proibida: 
a) enquanto existir operação anterior da mesma natureza não integralmente resgatada; 
b) no último ano de mandato do Presidente, Governador ou Prefeito Municipal. 
§ 1º As operações de que trata este artigo não serão computadas para efeito do que dispõe o inciso III do art. 167 da 
Constituição, desde que liquidadas no prazo definido no inciso II do caput. 
§ 2º As operações de crédito por antecipação de receita realizadas por Estados ou Municípios serão efetuadas mediante 
abertura de crédito junto à instituição financeira vencedora em processo competitivo eletrônico promovido pelo Banco Central do 
Brasil. 
§ 3º O Banco Central do Brasil manterá sistema de acompanhamento e controle do saldo do crédito aberto e, no caso de 
inobservância dos limites, aplicará as sanções cabíveis à instituição credora. 
Subseção IV 
Das Operações com o Banco Central do Brasil 
Art. 39. Nas suas relações com ente da Federação, o Banco Central do Brasil está sujeito às vedações constantes do art. 
35 e mais às seguintes: 
I - compra de título da dívida, na data de sua colocação no mercado, ressalvado o disposto no § 2º deste artigo; 
II - permuta, ainda que temporária, por intermédio de instituição financeira ou não, de título da dívida de ente da Federação 
por título da dívida pública federal, bem como a operação de compra e venda, a termo, daquele título, cujo efeito final seja 
semelhante à permuta; 
III - concessão de garantia. 
§ 1º O disposto no inciso II, in fine, não se aplica ao estoque de Letras do Banco Central do Brasil, Série Esp ecial, existente 
na carteira das instituições financeiras, que pode ser refinanciado mediante novas operações de venda a termo. 
§ 2º O Banco Central do Brasil só poderá comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida 
mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira. 
§ 3º A operação mencionada no § 2o deverá ser realizada à taxa média e condições alcançadas no dia, em leilão público. 
§ 4º É vedado ao Tesouro Nacional adquirir títulos da dívida pública federal existentes na carteira do Banco Central do 
Brasil, ainda que com cláusula de reversão, salvo para reduzir a dívida mobiliária. 
Seção V 
Da Garantia e da Contragarantia 
Art. 40. Os entes poderão conceder garantia em operações de crédito internas ou externas, observados o disposto neste 
artigo, as normas do art. 32 e, no caso da União, também os limites e as condições estabelecidos pelo Senado Federal. 
§ 1º A garantia estará condicionada ao oferecimento de contragarantia, em valor igual ou superior ao da garantia a ser 
concedida, e à adimplência da entidade que a pleitear relativamente a suas obrigações junto ao garantidor e às entidades por este 
controladas, observado o seguinte: 
I - não será exigida contragarantia de órgãos e entidades do próprio ente; 
II - a contragarantia exigida pela União a Estado ou Município, ou pelos Estados aos Municípios, poderá consistir na 
vinculação de receitas tributárias diretamente arrecadadas e provenientes de transferências constitucionais, com outorga de 
poderes ao garantidor para retê-las e empregar o respectivo valor na liquidação da dívida vencida. 
§ 2º No caso de operação de crédito junto a organismo financeiro internacional, ou a instituição federal de crédito e fomento 
para o repasse de recursos externos, a União só prestará garantia a ente que atenda, além do disposto no § 1o, as exigências 
legais para o recebimento de transferências voluntárias. 
§ 3º (VETADO) 
§ 4º (VETADO) 
§ 5º É nula a garantia concedida acima dos limites fixados pelo Senado Federal. 
§ 6º É vedado às entidades da administração indireta, inclusive suas empresas controladas e subsidiárias, conceder 
garantia, ainda que com recursos de fundos. 
§ 7º O disposto no § 6º não se aplica à concessão de garantia por: 
I - empresa controlada a subsidiária ou controlada sua, nem à prestação de contragarantia nas mesmas condições; 
II - instituição financeira a empresa nacional, nos termos da lei. 
§ 8º Excetua-se do disposto neste artigo a garantia prestada: 
I - por instituições financeiras estatais, que se submeterão às normas aplicáveis às instituições financeiras privadas, de 
acordo com a legislação pertinente; 
II - pela União, na forma de lei federal, a empresas de natureza financeira por ela controladas, direta e indiretamente, 
quanto às operações de seguro de crédito à exportação. 
§ 9º Quando honrarem dívida de outro ente, em razão de garantia prestada, a União e os Estados poderão condicionar as 
transferências constitucionais ao ressarcimento daquele pagamento. 
§ 10. O ente da Federação cuja dívida tiver sido honrada pela União ou por Estado, em decorrência de garantia prestada 
em operação de crédito, terá suspenso o acesso a novos créditos ou financiamentos até a total liquidação da mencionada dívida. 
Seção VI 
Dos Restos a Pagar 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
41 
Art. 41. (VETADO) 
Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair 
obrigação de despesaque não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício 
seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. 
Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas 
compromissadas a pagar até o final do exercício. 
CAPÍTULO VIII 
DA GESTÃO PATRIMONIAL 
Seção I 
Das Disponibilidades de Caixa 
Art. 43. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. 164 da 
Constituição. 
§ 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos, ainda que 
vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. 249 e 250 da Constituição, ficarão depositadas em conta separada das 
demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado, com observância dos limites e condições de proteção 
e prudência financeira. 
§ 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1o em: 
I - títulos da dívida pública estadual e municipal, bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas 
pelo respectivo ente da Federação; 
II - empréstimos, de qualquer natureza, aos segurados e ao Poder Público, inclusive a suas empresas controladas. 
Seção II 
Da Preservação do Patrimônio Público 
Art. 44. É vedada a aplicação da receita de capital derivada da alienação de bens e direitos que integram o patrimônio 
público para o financiamento de despesa corrente, salvo se destinada por lei aos regimes de previdência social, geral e próprio dos 
servidores públicos. 
Art. 45. Observado o disposto no § 5o do art. 5o, a lei orçamentária e as de créditos adicionais só incluirão novos projetos 
após adequadamente atendidos os em andamento e contempladas as despesas de conservação do patrimônio público, nos termos 
em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias. 
Parágrafo único. O Poder Executivo de cada ente encaminhará ao Legislativo, até a data do envio do projeto de lei de 
diretrizes orçamentárias, relatório com as informações necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo, ao qual será dada 
ampla divulgação. 
Art. 46. É nulo de pleno direito ato de desapropriação de imóvel urbano expedido sem o atendimento do disposto no § 3o 
do art. 182 da Constituição, ou prévio depósito judicial do valor da indenização. 
Seção III 
Das Empresas Controladas pelo Setor Público 
Art. 47. A empresa controlada que firmar contrato de gestão em que se estabeleçam objetivos e metas de desempenho, na 
forma da lei, disporá de autonomia gerencial, orçamentária e financeira, sem prejuízo do disposto no inciso II do § 5o do art. 165 da 
Constituição. 
Parágrafo único. A empresa controlada incluirá em seus balanços trimestrais nota explicativa em que informará: 
I - fornecimento de bens e serviços ao controlador, com respectivos preços e condições, comparando-os com os praticados 
no mercado; 
II - recursos recebidos do controlador, a qualquer título, especificando valor, fonte e destinação; 
III - venda de bens, prestação de serviços ou concessão de empréstimos e financiamentos com preços, taxas, prazos ou 
condições diferentes dos vigentes no mercado. 
CAPÍTULO IX 
DA TRANSPARÊNCIA, CONTROLE E FISCALIZAÇÃO 
Seção I 
Da Transparência da Gestão Fiscal 
Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios 
eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o respectivo 
parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses 
documentos. 
Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante incentivo à participação popular e realização de 
audiências públicas, durante os processos de elaboração e de discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos. 
Art. 49. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo ficarão disponíveis, durante todo o exercício, no respectivo 
Poder Legislativo e no órgão técnico responsável pela sua elaboração, para consulta e apreciação pelos cidadãos e instituições da 
sociedade. 
Parágrafo único. A prestação de contas da União conterá demonstrativos do Tesouro Nacional e das agências financeiras 
oficiais de fomento, incluído o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, especificando os empréstimos e 
financiamentos concedidos com recursos oriundos dos orçamentos fiscal e da seguridade social e, no caso das agências 
financeiras, avaliação circunstanciada do impacto fiscal de suas atividades no exercício. 
Seção II 
Da Escrituração e Consolidação das Contas 
Art. 50. Além de obedecer às dem ais normas de contabilidade pública, a escrituração das contas públicas observará as 
seguintes: 
I - a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de modo que os recursos vinculados a órgão, fundo ou despesa 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
42 
obrigatória fiquem identificados e escriturados de forma individualizada; 
II - a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o regime de competência, apurando-se, em caráter 
complementar, o resultado dos fluxos financeiros pelo regime de caixa; 
III - as demonstrações contábeis compreenderão, isolada e conjuntamente, as transações e operações de cada órgão, 
fundo ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional, inclusive empresa estatal dependente; 
IV - as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos; 
V - as operações de crédito, as inscrições em Restos a Pagar e as demais formas de financiamento ou assunção de 
compromissos junto a terceiros, deverão ser escrituradas de modo a evidenciar o montante e a variação da dívida pública no 
período, detalhando, pelo menos, a natureza e o tipo de credor; 
VI - a demonstração das variações patrimoniais dará destaque à origem e ao destino dos recursos provenientes da 
alienação de ativos. 
§ 1º No caso das demonstrações conjuntas, excluir-se-ão as operações intragovernamentais. 
§ 2º A edição de normas gerais para consolidação das contas públicas caberá ao órgão central de contabilidade da União, 
enquanto não implantado o conselho de que trata o art. 67. 
§ 3º A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão 
orçamentária, financeira e patrimonial. 
Art. 51. O Poder Executivo da União promoverá, até o dia trinta de junho, a consolidação, nacional e por esfera de governo, 
das contas dos entes da Federação relativas ao exercício anterior, e a sua divulgação, inclusive por meio eletrônico de acesso 
público. 
§ 1º Os Estados e os Municípios encaminharão suas contas ao Poder Executivo da União nos seguintes prazos: 
I - Municípios, com cópia para o Poder Executivo do respectivo Estado, até trinta de abril; 
II - Estados, até trinta e um de maio. 
§ 2º O descumprimento dos prazos previstos neste artigo impedirá, até que a situação seja regularizada, que o ente da 
Federação receba transferências voluntárias e contrate operações de crédito, exceto as destinadas ao refinanciamento do principal 
atualizado da dívida mobiliária. 
Seção III 
Do Relatório Resumido da Execução Orçamentária 
Art. 52. O relatório a que se refere o § 3o do art. 165 da Constituição abrangerá todos os Poderes e o Ministério Público, 
será publicado até trinta dias após o encerramento de cada bimestre e composto de: 
I - balanço orçamentário, que especificará, por categoria econômica, as: 
a) receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem como a previsão atualizada; 
b) despesas por grupo de natureza, discriminando a dotação para o exercício, a despesa liquidada e o saldo; 
II - demonstrativos da execução das: 
a) receitas, por categoria econômica e fonte, especificandoa previsão inicial, a previsão atualizada para o exercício, a 
receita realizada no bimestre, a realizada no exercício e a previsão a realizar; 
b) despesas, por categoria econômica e grupo de natureza da despesa, discriminando dotação inicial, dotação para o 
exercício, despesas empenhada e liquidada, no bimestre e no exercício; 
c) despesas, por função e subfunção. 
§ 1º Os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária constarão destacadamente nas receitas de operações de 
crédito e nas despesas com amortização da dívida. 
§ 2º O descumprimento do prazo previsto neste artigo sujeita o ente às sanções previstas no § 2o do art. 51. 
Art. 53. Acompanharão o Relatório Resumido demonstrativos relativos a: 
I - apuração da receita corrente líquida, na forma definida no inciso IV do art. 2o, sua evolução, assim como a previsão de 
seu desempenho até o final do exercício; 
II - receitas e despesas previdenciárias a que se refere o inciso IV do art. 50; 
III - resultado s nominal e primário; 
IV - despesas com juros, na forma do inciso II do art. 4o; 
V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão referido no art. 20, os valores inscritos, os pagamentos realizados e o 
montante a pagar. 
§ 1º O relatório referente ao último bimestre do exercício será acompanhado também de demonstrativos: 
I - do atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição, conforme o § 3o do art. 32; 
II - das projeções atuariais dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos; 
III - da variação patrimonial, evidenciando a alienação de ativos e a aplicação dos recursos dela decorrentes. 
§ 2º Quando for o caso, serão apresentadas justificativas: 
I - da limitação de empenho; 
II - da frustração de receitas, especificando as medidas de combate à sonegação e à evasão fiscal, adotadas e a adotar, e 
as ações de fiscalização e cobrança. 
Seção IV 
Do Relatório de Gestão Fiscal 
Art. 54. Ao final de cada quadrimestre será emitido pelos titulares dos Poderes e órgãos referidos no art. 20 Relatório de 
Gestão Fiscal, assinado pelo: 
I - Chefe do Poder Executivo; 
II - Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou órgão decisório equivalente, conforme regimentos internos dos 
órgãos do Poder Legislativo; 
III - Presi dente de Tribunal e demais membros de Conselho de Administração ou órgão decisório equivalente, conforme 
regimentos internos dos órgãos do Poder Judiciário; 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
43 
IV - Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados. 
Parágrafo único. O relatório também será assinado pelas autoridades responsáveis pela administração financeira e pelo 
controle interno, bem como por outras definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão referido no art. 20. 
Art. 55. O relatório conterá: 
I - comparativo com os limites de que trata esta Lei Complementar, dos seguintes montantes: 
a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e pensionistas; 
b) dívidas consolidada e mobiliária; 
c) concessão de garantias; 
d) operações de crédito, inclusive por antecipação de receita; 
e) despesas de que trata o inciso II do art. 4º; 
II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassado qualquer dos limites; 
III - demonstrativos, no último quadrimestre: 
a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro; 
b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas: 
1) liquidadas; 
2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem a uma das condições do inciso II do art. 41; 
3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo da disponibilidade de caixa; 
4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados; 
c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b do inciso IV do art. 38. 
§ 1º O relatório dos titulares dos órgãos mencionados nos incisos II, III e IV do art. 54 conterá apenas as informações 
relativas à alínea a do inciso I, e os documentos referidos nos incisos II e III. 
§ 2º O relatório será publicado até trinta dias após o encerramento do período a que corresponder, com amplo acesso ao 
público, inclusive por meio eletrônico. 
§ 3º O descumprimento do prazo a que se refere o § 2o sujeita o ente à sanção prevista no § 2º do art. 51. 
§ 4º Os relatórios referidos nos arts. 52 e 54 deverão ser elaborados de forma padronizada, segundo modelos que poderão 
ser atualizados pelo conselho de que trata o art. 67. 
Seção V 
Das Prestações de Contas 
Art. 56. As contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo incluirão, além das suas próprias, as dos Presidentes dos 
órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público, referidos no art. 20, as quais receberão parecer 
prévio, separadamente, do respectivo Tribunal de Contas. 
§ 1º As contas do Poder Judiciário serão apresentadas no âmbito: 
I - da União, pelos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, consolidando as dos respectivos 
tribunais; 
II - dos Estados, pelos Presidentes dos Tribunais de Justiça, consolidando as dos demais tribunais. 
§ 2º O parecer sobre as contas dos Tribunais de Contas será proferido no prazo previsto no art. 57 pela comissão mista 
permanente referida no § 1o do art. 166 da Constituição ou equivalente das Casas Legislativas estaduais e municipais. Resolução 
CN nº 1/2001 
§ 3º Será dada ampla divulgação dos resultados da apreciação das contas, julgadas ou tomadas. 
Art. 57. Os Tribunais de Contas emitirão parecer prévio conclusivo sobre as contas no prazo de sessenta dias do 
recebimento, se outro não estiver estabelecido nas constituições estaduais ou nas leis orgânicas municipais. 
§ 1º No caso de Municípios que não sejam capitais e que tenham menos de duzentos mil habitantes o prazo será de cento 
e oitenta dias. 
§ 2º Os Tribunais de Contas não entrarão em recesso enquanto existirem contas de Poder, ou órgão referido no art. 20, 
pendentes de parecer prévio. 
Art. 58. A prestação de contas evidenciará o desempenho da arrecadação em relação à previsão, destacando as 
providências adotadas no âmbito da fiscalização das receitas e combate à sonegação, as ações de recuperação de créditos nas 
instâncias administrativa e judicial, bem como as demais medidas para incremento das receitas tributárias e de contribuições. 
Seção VI 
Da Fiscalização da Gestão Fiscal 
Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle interno de cada 
Poder e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das normas desta Lei Complementar, com ênfase no que se refere a: 
I - atingimento das metas estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias; 
II - limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em Restos a Pagar; 
III - medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal ao respectivo limite, nos termos dos arts. 22 e 23; 
IV - providências tomadas, conforme o disposto no art. 31, para recondução dos montantes das dívidas consolidada e 
mobiliária aos respectivos limites; 
V - destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos, tendo em vista as restrições constitucionais e as desta Lei 
Complementar; 
VI - cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais, quando houver. 
§ 1º Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos referidos no art. 20 quando constatarem: 
I - a possibilidade de ocorrência das situações previstas no inciso II do art. 4o e no art. 9o; 
II - que o montante da despesa total com pessoal ultrapassou 90% (noventa por cento) do limite; 
III - que os montantes das dívidas consolidada e mobiliária, das operações de crédito e da concessão de garantia se 
encontram acima de 90% (noventa por cento) dos respectivos limites; 
IV - que os gastos com inativos e pensionistas se encontram acima do limite definido em lei; 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças PúblicasProfessora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
44 
V - fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas ou indícios de irregularidades na gestão 
orçamentária. 
§ 2º Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os cálculos dos limites da despesa total com pessoal de cada Poder e 
órgão referido no art. 20. 
§ 3º O Tribunal de Contas da União acompanhará o cumprimento do disposto nos §§ 2o, 3o e 4o do art. 39. 
CAPÍTULO X 
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS 
Art. 60. Lei estadual ou municipal poderá fixar limites inferiores àqueles previstos nesta Lei Complementar para as dívidas 
consolidada e mobiliária, operações de crédito e concessão de garantias. 
Art. 61. Os títulos da dívida pública, desde que devidamente escriturados em sistema centralizado de liquidação e custódia, 
poderão ser oferecidos em caução para garantia de empréstimos, ou em outras transações previstas em lei, pelo seu valor 
econômico, conforme definido pelo Ministério da Fazenda. 
Art. 62. Os Municípios só contribuirão para o custeio de despesas de competência de outros entes da Federação se houver: 
I - autorização na lei de diretrizes orçamentárias e na lei orçamentária anual; 
II - convênio, acordo, ajuste ou congênere, conforme sua legislação. 
Art. 63. É facultado aos Municípios com população inferior a cinqüenta mil habitantes optar por: 
I - aplicar o disposto no art. 22 e no § 4º do art. 30 ao final do semestre; 
II - divulgar semestralmente: 
a) (VETADO) 
b) o Relatório de Gestão Fiscal; 
c) os demonstrativos de que trata o art. 53; 
III - elaborar o Anexo de Política Fiscal do plano plurianual, o Anexo de Metas Fiscais e o Anexo de Riscos Fiscais da lei de 
diretrizes orçamentárias e o anexo de que trata o inciso I do art. 5o a partir do quinto exercício seguinte ao da publicação desta Lei 
Complementar. 
§ 1º A divulgação dos relatórios e demonstrativos deverá ser realizada em até trinta dias após o encerramento do semestre. 
§ 2º Se ultrapassados os limites relativos à despesa total com pessoal ou à dívida consolidada, enquanto perdurar esta 
situação, o Município ficará sujeito aos mesmos prazos de verificação e de retorno ao limite definidos para os demais entes. 
Art. 64. A União prestará assistência técnica e cooperação financeira aos Municípios para a modernização das respectivas 
administrações tributária, financeira, patrimonial e previdenciária, com vistas ao cumprimento das normas desta Lei Complementar. 
§ 1º A assistência técnica consistirá no treinamento e desenvolvimento de recursos humanos e na transferência de 
tecnologia, bem como no apoio à divulgação dos instrumentos de que trata o art. 48 em meio eletrônico de amplo acesso público. 
§ 2º A cooperação financeira compreenderá a doação de bens e valores, o financiamento por intermédio das instituições 
financeiras federais e o repasse de recursos oriundos de operações externas. 
Art. 65. Na ocorrência de calamidade pública reconhecida pelo Congresso Nacional, no caso da União, ou pelas 
Assembléias Legislativas, na hipótese dos Estados e Municípios, enquanto perdurar a situação: 
I - serão suspensas a contagem dos prazos e as disposições estabelecidas nos arts. 23 , 31 e 70; 
II - serão dispensados o atingimento dos resultados fiscais e a limitação de empenho prevista no art. 9o. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput no caso de estado de defesa ou de sítio, decretado na forma da 
Constituição. 
Art. 66. Os prazos estabelecidos nos arts. 23, 31 e 70 serão duplicados no caso de crescimento real baixo ou negativo do 
Produto Interno Bruto (PIB) nacional, regional ou estadual por período igual ou superior a quatro trimestres. 
§ 1º Entende -se por baixo crescimento a taxa de variação real acumulada do Produto Interno Bruto inferior a 1% (um por 
cento), no período correspondente aos quatro últimos trimestres. 
§ 2º A taxa de variação será aquela apurada pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ou outro órgão 
que vier a substituí-la, adotada a mesma metodologia para apuração dos PIB nacional, estadual e regional. 
§ 3º Na hipótese do caput, continuarão a ser adotadas as medidas previstas no art. 22. 
§ 4º Na hipótese de se verificarem mudanças drásticas na condução das políticas monetária e cambial, reconhecidas pelo 
Senado Federal, o prazo referido no caput do art. 31 poderá ser ampliado em até quatro quadrimestres. 
Art. 67. O acompanhamento e a avaliação, de forma permanente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal serão 
realizados por conselho de gestão fiscal, constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do Ministério 
Público e de entidades técnicas representativas da sociedade, visando a: 
I - harmonização e coordenação entre os entes da Federação; 
II - disseminação de práticas que resultem em maior eficiência na alocação e execução do gasto público, na arrecadação 
de receitas, no controle do endividamento e na transparência da gestão fiscal; 
III - adoção de normas de consolidação das contas públicas, padronização das prestações de contas e dos relatórios e 
demonstrativos de gestão fiscal de que trata esta Lei Complementar, normas e padrões mais simples para os pequenos Municípios, 
bem como outros, necessários ao controle social; 
IV - divulgação de análises, estudos e diagnósticos. 
§ 1º O conselho a que se refere o caput instituirá formas de pre miação e reconhecimento público aos titulares de Poder que 
alcançarem resultados meritórios em suas políticas de desenvolvimento social, conjugados com a prática de uma gestão fiscal 
pautada pelas normas desta Lei Complementar. 
§ 2º Lei disporá sobre a composição e a forma de funcionamento do conselho. 
Art. 68. Na forma do art. 250 da Constituição, é criado o Fundo do Regime Geral de Previdência Social, vinculado ao 
Ministério da Previdência e Assistência Social, com a finalidade de prover recursos para o pagamento dos benefícios do regime 
geral da previdência social. 
§ 1º O Fundo será constituído de: 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
45 
I - bens móveis e imóveis, valores e rendas do Instituto Nacional do Seguro Social não utilizados na operacionalização 
deste; 
II - bens e direitos que, a qualquer título, lhe sejam adjudicados ou que lhe vierem a ser vinculados por força de lei; 
III - receita das contribuições sociais para a seguridade social, previstas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195 da 
Constituição; 
IV - produto da liquidação de bens e ativos de pessoa física ou jurídica em débito com a Previdência Social; 
V - resultado da aplicação financeira de seus ativos; 
VI - recursos provenientes do orçamento da União. 
§ 2º O Fundo será gerido pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na forma da lei. 
Art. 69. O ente da Federação que mantiver ou vier a instituir regime próprio de previdência social para seus servidores 
conferir-lhe-á caráter contributivo e o organizará com base em normas de contabilidade e atuária que preservem seu equilíbrio 
financeiro e atuarial. 
Art. 70. O Poder ou órgão referido no art. 20 cuja despesa total com pessoal no exercício anterior ao da publicação desta 
Lei Complementar estiver acima dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 deverá enquadrar-se no respectivo limite em até dois 
exercícios, eliminando o excesso, gradualmente, à razão de, pelo menos, 50% a.a. (cinqüenta por cento ao ano), mediante a 
adoção, entre outras, das medidas previstas nos arts. 22 e 23. 
Parágrafo único. A inobservância do disposto no caput, no prazo fixado, sujeita o ente às sanções previstas no § 3o do art. 
23. 
Art. 71. Ressalvada a hipótese do i nciso X do art. 37 da Constituição, até o término do terceiro exercício financeiro seguinte 
à entrada em vigor desta Lei Complementar, a despesa total com pessoal dos Poderes e órgãos referidos no art. 20 não 
ultrapassará,em percentual da receita corrente líquida, a despesa verificada no exercício imediatamente anterior, acrescida de até 
10% (dez por cento), se esta for inferior ao limite definido na forma do art. 20. 
Art. 72. A despesa com serviços de terceiros dos Poderes e órgãos referidos no art. 20 não poderá exceder, em percentual 
da receita corrente líquida, a do exercício anterior à entrada em vigor desta Lei Complementar, até o término do terceiro exercício 
seguinte. 
Art. 73. As infrações dos dispositivos desta Lei Complementar serão punidas segundo o Decreto-Lei no 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 (Código Penal); a Lei no 1.079, de 10 de abril de 1950; o Decreto-Lei no 201, de 27 de fevereiro de 1967; a Lei 
no 8.429, de 2 de junho de 1992 ; e demais normas da legislação pertinente. 
Art. 74. Esta Lei Complementar entra em vigor na data da sua publicação. 
Art. 75. Revoga-se a Lei Complementar nº 96, de 31 de maio de 1999. 
Brasília, 4 de maio de 2000; 179o da Independência e 112o da República. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
46 
LEI Nº 4.320, DE 17 DE MARÇO 1964 
 
Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para Elaboração e Controle dos Orçamentos e Balanços da União, dos Estados, dos 
Municípios e do Distrito Federal. 
Art. 1º - Esta Lei estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos 
Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, de acordo com o disposto no Art. 5, XV, b, da Constituição Federal. 
TÍTULO I - Da Lei de Orçamento 
CAPÍTULO I - Disposições Gerais 
Art. 2º - A Lei de Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o 
programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade, universalidade e anualidade. 
§ 1º - Integrarão a Lei de Orçamento: 
I - sumário geral da receita por fontes e da despesa por funções do Governo; 
II - quadro demonstrativo da receita e despesa segundo as categorias econômicas, na forma do Anexo número 1; 
III - quadro discriminativo da receita por fontes e respectiva legislação; 
IV - quadro das dotações por órgãos do Governo e da Administração. 
§ 2º - Acompanharão a Lei de Orçamento: 
I - quadros demonstrativos da receita e planos de aplicação dos fundos especiais; 
II - quadros demonstrativos da despesa, na forma dos Anexos números 6 e 9; 
III - quadro demonstrativo do programa anual de trabalho do Governo, em termos de realização de obras e de prestação de 
serviços. 
Art. 3º - A Lei de Orçamento compreenderá todas as receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. 
Parágrafo único. Não se consideram para os fins deste artigo as operações de crédito por antecipação da receita, as emissões de 
papel moeda e outras entradas compensatórias no ativo e passivo financeiros. 
Art. 4º - A Lei de Orçamento compreenderá todas as despesas próprias dos órgãos do Governo e da Administração centralizada, ou 
que, por intermédio deles se devam realizar, observado o disposto no art. 2º. 
Art. 5º - A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal, 
material, serviços de terceiros, transferências ou quaisquer outras, ressalvado o disposto no Art. 20 e seu parágrafo único. 
Art. 6º - Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções. 
§ 1º - As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão, como despesa, no orçamento da entidade 
obrigada à transferência e, como receita, no orçamento da que as deva receber. 
§ 2º - Para cumprimento do disposto no parágrafo anterior, o cálculo das cotas terá por base os dados apurados no balanço do 
exercício anterior àquele em que se elaborar a proposta orçamentária do Governo obrigado à transferência. 
Art. 7º - A Lei de Orçamento poderá conter autorização ao Executivo para: 
I - abrir créditos suplementares até determinada importância, obedecidas as disposições do Art. 43; 
II - realizar, em qualquer mês do exercício financeiro, operações de crédito por antecipação da receita, para atender a insuficiências 
de caixa. 
§ 1º - Em casos de deficit, a Lei de Orçamento indicará as fontes de recursos que o Poder Executivo fica autorizado a utilizar para 
atender a sua cobertura. 
§ 2º - O produto estimado de operações de crédito e de alienação de bens imóveis somente se incluirá na receita quando umas e 
outras forem especificamente autorizadas pelo Poder Legislativo em forma que juridicamente possibilite ao Poder Executivo realizá-
las no exercício. 
§ 3º - A autorização legislativa a que se refere o parágrafo anterior, no tocante a operações de crédito, poderá constar da própria Lei 
de Orçamento. 
Art. 8º - A discriminação da receita geral e da despesa de cada órgão do Governo ou unidade administrativa, a que se refere o Art. 
2, § 1, III e IV, obedecerá a forma do Anexo número 2. 
§ 1º - Os itens da discriminação da receita e da despesa, mencionados nos artigos 11, § 4º, e 13, serão identificados por números 
de código decimal, na forma dos Anexos números 3 e 4. 
§ 2º - Completarão os números do código decimal referido no parágrafo anterior os algarismos caracterizadores da classificação 
funcional da despesa conforme estabelece o Anexo número 5. 
§ 3º - O código geral estabelecido nesta Lei não prejudicará a adoção de códigos locais. 
CAPÍTULO II - Da Receita 
Art. 9º - Tributo é a receita derivada, instituída pelas entidades de direito público, compreendendo os impostos, as taxas e 
contribuições, nos termos da Constituição e das leis vigentes em matéria financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de 
atividades gerais ou específicas exercidas por essas entidades. 
Art. 10 - Vetado 
Art. 11 - A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. Decreto-lei nº 
1.939/82 
§ 1º - São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, 
ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a 
atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. 
§ 2º - São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas; da 
conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a 
atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superávit do Orçamento Corrente. 
§ 3º - O superávit do Orçamento Corrente resultante do balanceamento dos totais das receitas e despesas correntes, apurado na 
demonstração a que se refere o Anexo número 1, não constituirá item de receita orçamentária. 
§ 4º - A classificação da receita obedecerá ao seguinte esquema: 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
47 
Receitas Correntes, Receita Tributária, Impostos, Taxas, Contribuições de Melhoria, Receita de Contribuições, Receita Patrimonial, 
Receita Agropecuária, Receita Industrial, Receita de Serviços, Transferências Correntes, Receitas de Capital, Operações de 
Crédito, Alienação de Bens, Amortização de Empréstimos, Transferências de Capital, Outras Receitas de Capital. Decreto-lei nº 
1.939/82 
CAPÍTULO III - Da Despesa 
Art. 12 - A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: 
DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio. 
Transferências Correntes. 
DESPESAS DE CAPITAL Investimentos. 
Inversões Financeiras. 
Transferências de Capital. 
§ 1º - Classificam-se como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as 
destinadas apara a Receita 
Receita Financeira: aplicações financeiras, operações de crédito, alienação de ativos. 
Receita Não Financeira: tributos, contribuições, patrimoniais, agropecuária, de serviços, industrial, etc. 
Receitas Ordinárias: ocorrem regularmente em cada período financeiro. 
Receitas Extraordinárias: decorrem de situações emergenciais ou eventuais 
Receita Compartilhada: receita orçamentária pertencente a mais de um beneficiado. 
Receita Prevista, Estimada, Orçada: recursos estabelecidos a serem arrecadados em determinado exercício. 
Receita Vinculada: receita arrecadada com destinação específica em dispositivos legais. 
Receita Compulsória: legislação imposta ao particular gerando obrigações – tributos. 
Receita Facultativa: origem de atos jurídicos bilaterais, vontade das partes – aluguéis. 
 
3.5 Estágios da Receita 
3.5.1 Fixação 
 O primeiro estágio da Receita é a fixação e este se compõe das seguinte etapas: 
 a) proposta orçamentária 
 b) conversão da proposta em orçamento público 
 c) lançamento 
3.5.2 Lançamento – Conceito 
 São objeto de lançamento os impostos diretos e quaisquer outras rendas com vencimento determinado em lei, 
regulamento ou contrato. O lançamento da receita é ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a 
pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta. 
 Pode ser entendido como um procedimento administrativo que: 
 a) verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente 
 b) determina a matéria tributável 
 c) calcula o montante do tributo devido 
 d) identifica o sujeito passivo 
 e) propõe a penalidade cabível. 
 
3.5.3 Modalidades de Arrecadação 
 Lançamento direto ou de ofício – IPTU, IPVA 
 Lançamento por homologação – IPI, ICMS, ISS 
 Lançamento por declaração – IR 
 
3.5.4 Arrecadação 
 O momento da arrecadação é aquele em que os contribuintes comparecem perante os agentes arrecadadores, 
geralmente através de estabelecimentos bancários oficiais ou privados, devidamente credenciados, a fim de liquidarem suas 
obrigações para com o Estado. 
 
3.5.5 Recolhimento 
 Caracteriza-se pela entrega do produto da arrecadação efetuado pelos agentes arrecadadores diretamente ao 
caixa da União – Tesouro Nacional. 
 
 
Receitas por Categoria Econômica 
Receitas Correntes 
Receitas de Capital 
Originária Derivada Extra-orçamentária 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
7 
4. DESPESA PÚBLICA 
 
4.1 Despesa Pública – Conceito 
 Designa o conjunto dos dispêndios do Estado, ou de outra pessoa de direito público, para o funcionamento dos 
serviços públicos. Pode, também, significar a aplicação de certa quantia em dinheiro, por parte da autoridade ou agente público 
competente, dentro de uma autorização legislativa, para execução de fim a cargo do governo. 
 
4.2 Classificação da Despesa 
 O modelo brasileiro de classificação da despesa observa diversos critérios de classificação da despesa, dentre 
eles, destacamos: 
 1) Classificação por Esferas Orçamentárias 
 2) Classificação Institucional (ou Departamental) 
 3) Classificação Funcional 
 4) Estrutura Programática 
 5) Classificação por Categorias Econômicas 
 6) Classificação quanto à Natureza da Despesa 
 7) Classificação por Elementos de Despesa. 
 
4.2.1 Por Esferas Orçamentárias 
 10 – Orçamento Fiscal 
 20 – Orçamento da Seguridade Social 
 30 – Orçamento de Investimento 
 
4.2.2 Classificação Institucional 
 Classifica as despesas conforme as instituições autorizadas a realizá-las relacionando os órgãos da administração 
pública direta ou indireta. 
 a) Órgãos: são o nível institucional que, a titulo de subordinação ou supervisão, agregam determinadas unidades 
orçamentárias e unidades administrativas. 
 b) Unidades Orçamentárias: são os agrupamentos de serviços subordinados ao mesmo órgão a que são 
consignadas dotações orçamentárias próprias. 
 c) Unidades Administrativas: são o nível institucional que, por não possuírem autonomia orçamentária, necessitam 
de uma Unidade Orçamentária para a obtenção de recursos. 
 Um órgão ou unidade orçamentária pode, em casos especiais, não corresponder a uma estrutura administrativa 
como ocorre, por exemplo, com alguns fundos especiais e com os órgão. 
 
4.2.3 Classificação Funcional 
 A classificação funcional busca responder basicamente à indagação “em que” área de ação governamental a 
despesa será realizada, composta de um rol de funções e sub-funções prefixadas, que servem como agregador dos gastos públicos 
por área de ação governamental nas três esferas de Governo. 
 Trata-se de uma classificação independente de programas. Por ser de aplicação comum e obrigatória no âmbito 
dos Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União, a classificação funcional permitirá a consolidação nacional dos gastos 
do setor público. 
 Conceito: visa fornecer informações mais amplas sobre as programações de governo, apresentando: 
 a) uma relação de funções que são objetivos gerais do Estado; 
 b) a sub-função representa a partição da função, visando agregar determinado subconjunto de despesas e 
identificar a natureza básica das ações que se aglutinam em torno das funções. 
 
4.2.4 Estrutura Programática 
 Responde à indagação “para que” os recursos são alocados? Qual a finalidade dos recursos. Isso significa dizer 
que ela identifica Programação a ser executada e Ações que serão empreendidas para solucionar problemas ou atender as 
demandas da sociedade. 
 É uma estrutura baseada em gerenciamento de programas, e utiliza-os como módulo de integração entre o 
Planejamento e o Orçamento, e contempla as seguintes características: 
 a) visão estratégica, fixando objetivos, 
 b) identificação dos problemas a enfrentar ou oportunidades a aproveitar, tornando realidade a visão estratégica, 
 c) concepção de programas que deverão ser implementados para alcançar os objetivos traçados, 
 d) especificação das diferentes ações do programa, com a identificação dos respectivos produtos, que darão 
origem, quando couber, aos projetos e atividades, 
 e) atribuição de indicadores aos objetivos, aos produtos e metas. 
 Definições 
 Ação – toda ação do governo está estruturada em programas orientados para a realização dos objetivos 
estratégicos definidos para o período do Plano Plurianual – PPA. As ações são compostas de atividades, projetos e operações 
especiais. 
 Projeto – instrumento de programação para alcançar o objetivo de um programa, envolvendo um conjunto de 
operações, limitadas no tempo, das quais resulta um produto que concorre para a expansão ou aperfeiçoamento da ação do 
governo. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
8 
 Atividade – instrumento de programação utilizado para alcançar o objetivo de um programa, envolvendo um 
conjunto de operações que se realizam de modo contínuo e permanente, das quais resulta um produto ou serviço necessário à 
manutenção da ação do governo. 
 Operação Especial – são despesas que não contribuem para a manutenção, expansão ou aperfeiçoamento das 
ações do governo, das quais não resulta um produto e não geram contraprestação direta em bens ou serviços. Porém, um grupo 
importante de ações com natureza de operações especiais, quando associadas a programas finalísticos, podem apresentar uma 
medição correspondente a volume ou carga de trabalho. 
 
4.2.5 Classificação por Categorias Econômicas 
 Os critérios institucional, funcional e o programático têm grande utilidade administrativo-gerencial, pois alimentam 
com informações as etapas de programação, tomada de decisões, execução, avaliação e controle. O critério por categorias 
econômicas visa dar informações sobre os efeitos que o gasto público tem na atividade econômica de um país. Pode indicar com 
precisão qual a contribuição do governo paraatender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. 
§ 2º - Classificam-se como Transferências Correntes as dotações para despesas às quais não corresponda contraprestação direta 
em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito 
público ou privado. 
§ 3º - Consideram-se subvenções, para os efeitos desta Lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das 
entidades beneficiadas, distinguindo-se como: 
I - subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade 
lucrativa; 
II - subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou 
pastoril. 
§ 4º - Classificam-se como investimentos as dotações para o planejamento e a execução de obras, inclusive as destinadas à 
aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas, bem como para os programas especiais de trabalho, 
aquisição de instalações, equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de 
caráter comercial ou financeiro. 
§ 5º - Classificam-se como Inversões Financeiras as dotações destinadas a: 
I - aquisição de imóveis, ou de bens de capital já em utilização; 
II - aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a 
operação não importe aumento do capital; 
III - constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas que visem a objetivos comerciais ou financeiros, inclusive 
operações bancárias ou de seguros. 
§ 6º - São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de direito público 
ou privado devam realizar, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências 
auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as 
dotações para amortização da dívida pública. 
Art. 13 - Observadas as categorias econômicas do Art. 12, a discriminação ou especificação da despesa por elementos, em cada 
unidade administrativa ou órgão de governo, obedecerá ao seguinte esquema: 
DESPESAS CORRENTES Despesas de Custeio Pessoal Civil. 
Pessoal Militar. 
Material de Consumo. 
Serviços de Terceiros. 
Encargos Diversos. 
Transferências Correntes Subvenções Sociais. 
Subvenções Econômicas. 
Inativos. 
Pensionistas. 
Salário-Família e Abono Familiar. 
Juros da Dívida Pública. 
Contribuições de Previdência Social. 
Diversas Transferências Correntes. 
DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Obras Públicas. 
Serviços em Regime de Programação Especial. 
Equipamentos e Instalações. 
Material Permanente. 
Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Industriais ou Agrícolas. 
Inversões Financeiras Aquisição de Imóveis. 
Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Comerciais ou Financeiras. 
Aquisição de Títulos Representativos de Capital de Empresa em Funcionamento. 
Constituição de Fundos Rotativos. 
Concessão de Empréstimos. 
Diversas Inversões Financeiras. 
Transferência de Capital Amortização da Dívida Pública. 
Auxílios para Obras Públicas. 
Auxílios para Equipamentos e Instalações. 
Auxílios para Inversões Financeiras. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
48 
Outras Contribuições. 
Art. 14 - Constitui unidade orçamentária o agrupamento de serviços subordinados ao mesmo órgão ou repartição a que serão 
consignadas dotações próprias. 
Parágrafo único. Em casos excepcionais, serão consignadas dotações a unidades administrativas subordinadas ao mesmo órgão. 
Art. 15 - Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á, no mínimo, por elementos. 
§ 1º - Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal, material, serviços, obras e outros meios de que se 
serve a administração pública para consecução dos seus fins. 
§ 2º - Para efeito de classificação da despesa, considera-se material permanente o de duração superior a 2 (dois) anos. 
SEÇÃO I - Das Despesas Correntes 
Art. 16 - Fundamentalmente e nos limites das possibilidades financeiras a concessão de subvenções sociais visará a prestação de 
serviços essenciais de assistência social, médica e educacional, sempre que a suplementação de recursos de origem privada 
aplicados a esses objetivos revelar-se mais econômica. 
Parágrafo único. O valor das subvenções, sempre que possível, será calculado com base em unidades de serviços efetivamente 
prestados ou postos à disposição dos interessados, obedecidos os padrões mínimos de eficiência previamente fixados. 
Art. 17 - Somente à instituição cujas condições de funcionamento forem julgadas satisfatórias pelos órgãos oficiais de fiscalização 
serão concedidas subvenções. 
Art. 18 - A cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas, de natureza autárquica ou não, far-se-á mediante 
subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do 
Distrito Federal. 
Parágrafo único. Consideram-se, igualmente, como subvenções econômicas: 
a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Governo, de gêneros 
alimentícios ou outros materiais; 
b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. 
Art. 19 - A Lei de Orçamento não consignará ajuda financeira, a qualquer título, a empresa de fins lucrativos, salvo quando se tratar 
de subvenções cuja concessão tenha sido expressamente autorizada em lei especial. 
SEÇÃO II - Das Despesas de Capital 
Art. 20 - Os investimentos serão discriminados na Lei de Orçamento segundo os projetos de obras e de outras aplicações. 
Parágrafo único. Os programas especiais de trabalho que, por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas 
gerais de execução da despesa poderão ser custeados por dotações globais, classificadas entre as Despesas de Capital. 
Art. 21 - A Lei de Orçamento não consignará auxílio para investimentos que se devam incorporar ao patrimônio das empresas 
privadas de fins lucrativos. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se às transferências de capital à conta de fundos especiais ou dotações sob regime 
excepcional de aplicação. 
TÍTULO II - Da Proposta Orçamentária 
CAPÍTULO I - Conteúdo e Forma da Proposta Orçamentária 
Art. 22 - A proposta orçamentária que o Poder Executivo encaminhará ao Poder Legislativo, nos prazos estabelecidos nas 
Constituições e nas Leis Orgânicas dos Municípios, compor-se-á de: 
I - mensagem, que conterá: exposição circunstanciada da situação econômico-financeira, documentada com demonstração da 
dívida fundada e flutuante, saldos de créditos especiais, restos a pagar e outros compromissos financeiros exigíveis; exposição e 
justificação da política econômico-financeira do Governo; justificação da receita e despesa, particularmente no tocante ao orçamento 
de capital; 
II - projeto de Lei de Orçamento; 
III - tabelas explicativas, das quais, além das estimativas de receita e despesa, constarão, em colunas distintas e para fins de 
comparação: 
a) a receita arrecadada nos três últimos exercícios anteriores àquele em que se elaborou a proposta; 
b) a receita prevista para o exercício em que se elabora a proposta; 
c) a receita prevista para o exercício a que se refere a proposta; 
d) a despesa realizada no exercício imediatamente anterior; 
e) a despesa fixada para o exercício em que se elabora a proposta; 
f) a despesa prevista para o exercício a que se refere a proposta; 
IV - especificação dos programas especiais de trabalho custeados por dotações globais, em termos de metas visadas, decompostas 
em estimativa do custo das obras a realizar e dosserviços a prestar, acompanhadas de justificação econômica, financeira, social e 
administrativa. 
Parágrafo único. Constará da proposta orçamentária, para cada unidade administrativa, descrição sucinta de suas principais 
finalidades, com indicação da respectiva legislação. 
CAPÍTULO II - Da Elaboração da Proposta Orçamentária 
SEÇÃO I - Das Previsões Plurianuais 
Art. 23 - As receitas e despesas de capital serão objeto de um Quadro de Recursos e de Aplicação de Capital, aprovado por decreto 
do Poder Executivo, abrangendo, no mínimo, um triênio. 
Parágrafo único. O Quadro de Recursos e de Aplicação de Capital será anualmente reajustado acrescentando-se-lhe as previsões 
de mais um ano, de modo a assegurar a projeção contínua dos períodos. 
Art. 24 - O Quadro de Recursos e de Aplicação de Capital abrangerá: 
I - as despesas e, como couber, também as receitas previstas em planos especiais aprovados em lei e destinados a atender a 
regiões ou a setores da administração ou da economia; 
II - as despesas à conta de fundos especiais e, como couber, as receitas que os constituam; 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
49 
III - em anexos, as despesas de capital das entidades referidas no Título X desta Lei, com indicação das respectivas receitas, para 
as quais forem previstas transferências de capital. 
Art. 25 - Os programas constantes do Quadro de Recursos e de Aplicação de Capital sempre que possível serão correlacionados a 
metas objetivas em termos de realização de obras e de prestação de serviços. 
Parágrafo único. Consideram-se metas os resultados que se pretendem obter com a realização de cada programa. 
Art. 26 - A proposta orçamentária conterá o programa anual atualizado dos investimentos, inversões financeiras e transferências 
previstos no Quadro de Recursos e de Aplicação de Capital. 
SEÇÃO II - Das Previsões Anuais 
Art. 27 - As propostas parciais de orçamento guardarão estrita conformidade com a política econômico-financeira, o programa anual 
de trabalho do Governo e, quando fixado, o limite global máximo para o orçamento de cada unidade administrativa. 
Art. 28 - As propostas parciais das unidades administrativas, organizadas em formulário próprio, serão acompanhadas de: 
I - tabelas explicativas da despesa, sob a forma estabelecida no Art. 22, III, d, e, f; 
II - justificação pormenorizada de cada dotação solicitada, com a indicação dos atos de aprovação de projetos e orçamentos de 
obras públicas, para cujo início ou prosseguimento ela se destina. 
Art. 29 - Caberá aos órgãos de contabilidade ou de arrecadação organizar demonstrações mensais da receita arrecadada, segundo 
as rubricas, para servirem de base a estimativa da receita na proposta orçamentária. 
Parágrafo único. Quando houver órgão central de orçamento, essas demonstrações ser-lhe-ão remetidas mensalmente. 
Art. 30 - A estimativa da receita terá por base as demonstrações a que se refere o artigo anterior à arrecadação dos três últimos 
exercícios, pelo menos, bem como as circunstâncias de ordem conjuntural e outras, que possam afetar a produtividade de cada 
fonte de receita. 
Art. 31 - As propostas orçamentárias parciais serão revistas e coordenadas na proposta geral, considerando-se a receita estimada e 
as novas circunstâncias. 
TÍTULO III - Da Elaboração da Lei de Orçamento 
Art. 32 - Se não receber a proposta orçamentária no prazo fixado nas Constituições ou nas Leis Orgânicas dos Municípios, o Poder 
Legislativo considerará como proposta a Lei de Orçamento vigente. 
Art. 33 - Não se admitirão emendas ao projeto de Lei de Orçamento que visem a: 
a) alterar a dotação solicitada para despesa de custeio, salvo quando provada, nesse ponto, a inexatidão da proposta; 
b) conceder dotação para o início de obra cujo projeto não esteja aprovado pelos órgãos competentes; 
c) conceder dotação para instalação ou funcionamento de serviço que não esteja anteriormente criado; 
d) conceder dotação superior aos quantitativos previamente fixados em resolução do Poder Legislativo para concessão de auxílios e 
subvenções. 
TÍTULO IV - Do Exercício Financeiro 
Art. 34 - O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. 
Art. 35 - Pertencem ao exercício financeiro: 
I - as receitas nele arrecadadas; 
II - as despesas nele legalmente empenhadas. 
Art. 36 - Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas mas não pagas até o dia 31 de dezembro, distinguindo-se as 
processadas das não-processadas. 
Parágrafo único. Os empenhos que correm a conta de créditos com vigência plurianual, que não tenham sido liquidados, só serão 
computados como Restos a Pagar no último ano de vigência do crédito. 
Art. 37 - As despesas de exercícios encerrados, para as quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio, com saldo 
suficiente para atendê-las, que não se tenham processado na época própria, bem como os Restos a Pagar com prescrição 
interrompida e os compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de 
dotação específica consignada no orçamento, discriminada por elementos, obedecida, sempre que possível, a ordem cronológica. 
Art. 38 - Reverte à dotação a importância de despesa anulada no exercício: quando a anulação ocorrer após o encerramento deste 
considerar-se-á receita do ano em que se efetivar. 
Art. 39 - Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não-tributária, serão escriturados como receita do exercício em 
que forem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias. Decreto-lei nº 1.735/79 
As disposições deste artigo entraram em vigor no dia 1 de janeiro de 1980. 
§ 1º - Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da 
legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será 
escriturada a esse título. 
§ 2º - Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente de obrigação legal relativa a tributos e 
respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa Não-Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública, tais como os 
provenientes de empréstimos compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multas de qualquer origem ou natureza, exceto as 
tributárias, foros, laudêmios, aluguéis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por 
estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem assim 
os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de sub-rogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de 
contratos em geral ou de outras obrigações legais. 
§ 3º - O valor do crédito da Fazenda Nacional em moeda estrangeira será convertido ao correspondente valor na moeda nacional à 
taxa cambial oficial, para compra, na data da notificação ou intimação do devedor, pela autoridade administrativa, ou, à sua falta, na 
data da inscrição da Dívida Ativa, incidindo, a partir da conversão, a atualização monetária e os juros de mora, de acordo com 
preceitos legais pertinentes aos débitos tributários. 
§ 4º - A receita da Dívida Ativa abrange os créditos mencionados nos parágrafos anteriores, bem como os valores correspondentes 
à respectiva atualização monetária, à multa e juros de mora e ao encargo de que tratam o Art. 1º do Decreto-lei número 1.025, de 21 
de outubro de 1969, e o Art. 3º do Decreto-lei número 1.645, de 11 de dezembro de 1978. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
50 
§ 5º - A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Del nº 1.735/79 
TÍTULO V - Dos Créditos Adicionais 
Art. 40 - São créditos adicionais as autorizações de despesa não computadas ou insuficientemente dotadasna Lei de Orçamento. 
Art. 41 - Os créditos adicionais classificam-se em: 
I - suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária; 
II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; 
III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. 
Art. 42 - Os créditos suplementares e especiais serão autorizados por lei e abertos por decreto executivo. 
Art. 43 - A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos disponíveis para ocorrer à despesa e 
será precedida de exposição justificativa. 
§ 1º - Consideram-se recursos para o fim deste artigo, desde que não comprometidos: 
I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior; 
II - os provenientes de excesso de arrecadação; 
III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em lei; 
IV - o produto de operações de crédito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao Poder Executivo realizá-las. 
§ 2º - Entende-se por superávit financeiro a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro, conjugando-se, ainda, 
os saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações de crédito a eles vinculadas. 
§ 3º - Entende-se por excesso de arrecadação, para os fins deste artigo, o saldo positivo das diferenças acumuladas mês a mês, 
entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-se, ainda, a tendência do exercício. 
§ 4º - Para o fim de apurar os recursos utilizáveis, provenientes de excesso de arrecadação, deduzir-se-á a importância dos créditos 
extraordinários abertos no exercício. 
Art. 44 - Os créditos extraordinários serão abertos por decreto do Poder Executivo, que deles dará imediato conhecimento ao Poder 
Legislativo. 
Art. 45 - Os créditos adicionais terão vigência adstrita ao exercício financeiro em que forem abertos, salvo expressa disposição legal 
em contrário, quanto aos especiais e extraordinários. 
Art. 46 - O ato que abrir crédito adicional indicará a importância, a espécie do mesmo e a classificação da despesa, até onde for 
possível. 
TÍTULO VI - Da Execução do Orçamento 
CAPÍTULO I - Da Programação da Despesa 
Art. 47 - Imediatamente após a promulgação da Lei de Orçamento e com base nos limites nela fixados, o Poder Executivo aprovará 
um quadro de cotas trimestrais da despesa que cada unidade orçamentária fica autorizada a utilizar. 
Art. 48 - A fixação das cotas a que se refere o artigo anterior atenderá aos seguintes objetivos: 
a) assegurar às unidades orçamentárias, em tempo útil, a soma de recursos necessários e suficientes a melhor execução do seu 
programa anual de trabalho; 
b) manter, durante o exercício, na medida do possível o equilíbrio entre a receita arrecadada e a despesa realizada, de modo a 
reduzir ao mínimo eventuais insuficiências de tesouraria. 
Art. 49 - A programação da despesa orçamentária, para efeito do disposto no artigo anterior, levará em conta os créditos adicionais 
e as operações extra-orçamentárias. 
Art. 50 - As cotas trimestrais poderão ser alteradas durante o exercício, observados o limite da dotação e o comportamento da 
execução orçamentária. 
CAPÍTULO II - Da Receita 
Art. 51 - Nenhum tributo será exigido ou aumentado sem que a lei o estabeleça, nenhum será cobrado em cada exercício sem 
prévia autorização orçamentária, ressalvados a tarifa aduaneira e o imposto lançado por motivo de guerra. 
Art. 52 - São objeto de lançamento os impostos diretos e quaisquer outras rendas com vencimento determinado em lei, regulamento 
ou contrato. 
Art. 53 - O lançamento da receita é ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é 
devedora e inscreve o débito desta. 
Art. 54 - Não será admitida a compensação da observação de recolher rendas ou receitas com direito creditório contra a Fazenda 
Pública. 
Art. 55 - Os agentes da arrecadação devem fornecer recibos das importâncias que arrecadarem. 
§ 1º - Os recibos devem conter o nome da pessoa que paga a soma arrecadada, proveniência e classificação, bem como a data e 
assinatura do agente arrecadador. 
§ 2º - Os recibos serão fornecidos em uma única via. 
Art. 56 - O recolhimento de todas as receitas far-se-á em estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada qualquer 
fragmentação para criação de caixas especiais. 
Art. 57 - Ressalvado o disposto no parágrafo único do Art.3º desta Lei serão classificadas como receita orçamentária, sob as 
rubricas próprias, todas as receitas arrecadadas, inclusive as provenientes de operações de crédito, ainda que não previstas no 
Orçamento. 
CAPÍTULO III - Da Despesa 
Art. 58 - O empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento 
pendente ou não de implemento de condição. 
Art. 59 - O empenho da despesa não poderá exceder o limite dos créditos concedidos. 
§ 1º - Ressalvado o disposto no Art. 67 do Constituição Federal, é vedado aos Municípios empenhar, no último mês do mandato do 
prefeito, mais do que o duodécimo da despesa prevista no Orçamento vigente. 
§ 2º - Fica, também, vedado aos Municípios, no mesmo período, assumir, por qualquer forma, compromissos financeiros para 
execução depois do término do mandato do prefeito. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
51 
§ 3º - As disposições dos parágrafos anteriores não se aplicam nos casos comprovados de calamidade pública. 
§ 4º - Reputam-se nulos e de nenhum efeito os empenhos e atos praticados em desacordo com o disposto nos parágrafos 1 e 2 
deste artigo, sem prejuízo da responsabilidade do prefeito nos termos do Art. 1, V, do Decreto-lei número 201, de 27 de fevereiro de 
1967. 
Art. 60 - É vedada a realização de despesa sem prévio empenho. 
§ 1º - Em casos especiais previstos na legislação específica será dispensada a emissão da nota de empenho. 
§ 2º - Será feito por estimativa o empenho da despesa cujo montante não se possa determinar. 
§ 3º - É permitido o empenho global de despesas contratuais e outras, sujeitas a parcelamento. 
Art. 61 - Para cada empenho será extraído um documento denominado "nota de empenho" que indicará o nome do credor, a 
representação e a importância da despesa, bem como a dedução desta do saldo da dotação própria. 
Art. 62 - O pagamento da despesa só será efetuado quando ordenado após sua regular liquidação. 
Art. 63 - A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos 
comprobatórios do respectivo crédito. Decreto nº 4.049/2001 
§ 1º - Essa verificação tem por fim apurar: 
I - a origem e o objeto do que se deve pagar; 
II - a importância exata a pagar; 
III - a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação. 
§ 2º - A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados terá por base: 
I - o contrato, ajuste ou acordo respectivo; 
II - a nota de empenho; 
III - os comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço. 
Art. 64 - A ordem de pagamento é o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga. 
Parágrafo único. A ordem de pagamento só poderá ser exarada em documentos processados pelos serviços de contabilidade. 
Art. 65 - O pagamento da despesa será efetuado por tesouraria ou pagadoria regularmente instituídos por estabelecimentos 
bancários credenciados e, em casos excepcionais, por meio de adiantamento. 
Art. 66 - As dotações atribuídas às diversas unidades orçamentárias poderão quando expressamente determinado na Lei de 
Orçamento ser movimentadas por órgãos centrais de administração geral. 
Parágrafo único. É permitida a redistribuição de parcelas das dotações de pessoal, de uma para outra unidade orçamentária, 
quando consideradaindispensável à movimentação de pessoal dentro das tabelas ou quadros comuns às unidades interessadas, a 
que se realize em obediência à legislação específica. 
Art. 67 - Os pagamentos devidos pela Fazenda Pública, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão na ordem de apresentação dos 
precatórios e à conta dos créditos respectivos, sendo proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e 
nos créditos adicionais abertos para esse fim. 
Art. 68 - O regime de adiantamento é aplicável aos casos de despesas expressamente definidos em lei e consiste na entrega de 
numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação própria para o fim de realizar despesas que não possam 
subordinar-se ao processo normal de aplicação. 
Art. 69 - Não se fará adiantamento a servidor em alcance nem a responsável por dois adiantamentos. 
Art. 70 - A aquisição de material, o fornecimento e a adjudicação de obras e serviços serão regulados em lei, respeitado o princípio 
da concorrência. 
TÍTULO VII - Dos Fundos Especiais 
Art. 71 - Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que por lei se vinculam à realização de determinados objetivos 
ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação. 
Art. 72 - A aplicação das receitas orçamentárias vinculadas a fundos especiais far-se-á através de dotação consignada na Lei de 
Orçamento ou em créditos adicionais. 
Art. 73 - Salvo determinação em contrário da lei que o instituiu, o saldo positivo do fundo especial apurado em balanço será 
transferido para o exercício seguinte, a crédito do mesmo fundo. 
Art. 74 - A lei que instituir fundo especial poderá determinar normas peculiares de controle, prestação e tomada de contas, sem, de 
qualquer modo, elidir a competência específica do Tribunal de Contas ou órgão equivalente. 
TÍTULO VIII - Do Controle da Execução Orçamentária 
CAPÍTULO I - Disposições Gerais 
Art. 75 - O controle da execução orçamentária compreenderá: 
I - a legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da receita ou a realização da despesa, o nascimento ou a extinção de 
direitos e obrigações; 
II - a fidelidade funcional dos agentes da administração; 
responsáveis por bens e valores públicos; 
III - o cumprimento do programa de trabalho expresso em termos monetários e em termos de realização de obras e prestação de 
serviços. 
CAPÍTULO II - Do Controle Interno 
Art. 76 - O Poder Executivo exercerá os três tipos de controle a que se refere o Art. 75, sem prejuízo das atribuições do Tribunal de 
Contas ou órgão equivalente. 
Art. 77 - A verificação da legalidade dos atos de execução orçamentária será prévia, concomitante e subseqüente. 
Art. 78 - Além da prestação ou tomada de contas anual, quando instituída em lei, ou por fim de gestão, poderá haver, a qualquer 
tempo, levantamento, prestação ou tomada de contas de todos os responsáveis por bens ou valores públicos. 
Art. 79 - Ao órgão incumbido da elaboração da proposta orçamentária ou a outro indicado na legislação, caberá o controle 
estabelecido no inciso III do Art. 75. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
52 
Parágrafo único. Esse controle far-se-á, quando for o caso, em termos de unidades de medida, previamente estabelecidos para 
cada atividade. 
Art. 80 - Compete aos serviços de contabilidade ou órgãos equivalentes verificar a exata observância dos limites das cotas 
trimestrais atribuídas a cada unidade orçamentária, dentro do sistema que for instituído para esse fim. 
CAPÍTULO III - Do Controle Externo 
Art. 81 - O controle da execução orçamentária, pelo Poder Legislativo, terá por objetivo verificar a probidade da administração, a 
guarda e legal emprego dos dinheiros públicos e o cumprimento da Lei de Orçamento. 
Art. 82 - O Poder Executivo, anualmente, prestará contas ao Poder Legislativo, no prazo estabelecido nas Constituições ou nas Leis 
Orgânicas dos Municípios. 
§ 1º - As contas do Poder Executivo serão submetidas ao Poder Legislativo, com parecer prévio do Tribunal de Contas ou órgão 
equivalente. 
§ 2º - Ressalvada a competência do Tribunal de Contas ou órgão equivalente, a Câmara de Vereadores poderá designar peritos-
contadores para verificarem as contas do prefeito e sobre elas emitirem parecer. 
TÍTULO IX - Da Contabilidade 
CAPÍTULO I - Disposições Gerais 
Art. 83 - A contabilidade evidenciará perante a Fazenda Pública a situação de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem 
receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes ou confiados. 
Art. 84 - Ressalvada a competência do Tribunal de Contas ou órgão equivalente, a tomada de contas dos agentes responsáveis por 
bens ou dinheiros públicos será realizada ou superintendida pelos serviços de contabilidade. 
Art. 85 - Os serviços de contabilidade serão organizados de forma a permitirem o acompanhamento da execução orçamentária, o 
conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, 
a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros. 
Art. 86 - A escrituração sintética das operações financeiras e patrimoniais efetuar-se-á pelo método das partidas dobradas. 
Art. 87 - Haverá controle contábil dos direitos e obrigações oriundos de ajustes ou contratos em que a administração pública for 
parte. 
Art. 88 - Os débitos e créditos serão escriturados com individuação do devedor ou do credor e especificação da natureza, 
importância e data do vencimento, quando fixada. 
Art. 89 - A contabilidade evidenciará os fatos ligados à administração orçamentária, financeira, patrimonial e industrial. 
CAPÍTULO II - Da Contabilidade Orçamentária e Financeira 
Art. 90 - A contabilidade deverá evidenciar, em seus registros, o montante dos créditos orçamentários vigentes, a despesa 
empenhada e a despesa realizada, à conta dos mesmos créditos, e às dotações disponíveis. 
Art. 91 - O registro contábil da receita e da despesa far-se-á de acordo com as especificações constantes da Lei de Orçamento e 
dos créditos adicionais. 
Art. 92 - A dívida flutuante compreende: 
I - os restos a pagar, excluídos os serviços da dívida; 
II - os serviços da dívida a pagar; 
III - os depósitos; 
IV - os débitos de tesouraria. 
Parágrafo único. O registro dos Restos a Pagar far-se-á por exercício e por credor, distinguindo-se as despesas processadas das 
não-processadas. 
Art. 93 - Todas as operações de que resultem débitos e créditos de natureza financeira, não compreendidas na execução 
orçamentária, serão também objeto de registro, individuação e controle contábil. 
CAPÍTULO III - Da Contabilidade Patrimonial e Industrial 
Art. 94 - Haverá registros analíticos de todos os bens de caráter permanente, com indicação dos elementos necessários para a 
perfeita caracterização de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração. 
Art. 95 - A contabilidade manterá registros sintéticos dos bens móveis e imóveis. 
Art. 96 - O levantamento geral dos bens móveis e imóveis terá por base o inventário analítico de cada unidade administrativa e os 
elementos da escrituração sintética na contabilidade. 
Art. 97 - Para fins orçamentários e determinação dos devedores, ter-se á o registro contábil das receitas patrimoniais, fiscalizando-
se sua efetivação. 
Art. 98 - A dívida fundada compreende os compromissos de exigibilidade superior a 12 (doze) meses, contraídos para atender a 
desequilíbrio orçamentário ou a financeiro de obras e serviços públicos. 
Parágrafo único. A dívida fundada será escriturada com individuação e especificações que permitem verificar, a qualquer momento, 
a posição dos empréstimos, bem como os respectivos serviços de amortização e juros. 
Art. 99 - Os serviços públicos industriais, ainda que não organizados como empresa pública ou autárquica, manterão contabilidade 
especial para determinação dos custos, ingressos e resultados, semprejuízo da escrituração patrimonial e financeira comum. 
Art. 100 - As alterações da situação líquida patrimonial, que abrangem os resultados da execução orçamentária, bem como as 
variações independentes dessa execução e as superveniências e insubsistências ativas e passivas, constituirão elementos da conta 
patrimonial. 
CAPÍTULO IV - Dos Balanços 
Art. 101 - Os resultados gerais do exercício serão demonstrados no Balanço Orçamentário, no Balanço Financeiro, no Balanço 
Patrimonial, na Demonstração das Variações Patrimoniais, segundo os Anexos números 12, 13, 14 e 15 e os quadros 
demonstrativos constantes dos Anexos números 1, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 16 e 17. 
Art. 102 - O Balanço Orçamentário demonstrará as receitas e despesas previstas em confronto com as realizadas. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
53 
Art. 103 - O Balanço Financeiro demonstrará a receita e a despesa orçamentárias, bem como os recebimentos e os pagamentos de 
natureza extra-orçamentária, conjugados com os saldos em espécie provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para 
o exercício seguinte. 
Parágrafo único. Os Restos a Pagar do exercício serão computados na receita extra-orçamentária para compensar sua inclusão na 
despesa orçamentária. 
Art. 104 - A Demonstração das Variações Patrimoniais evidenciará as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou 
independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício. 
Art. 105 - O Balanço Patrimonial demonstrará: 
I - o Ativo Financeiro; 
II - o Ativo Permanente; 
III - o Passivo Financeiro; 
IV - o Passivo Permanente; 
V - o Saldo Patrimonial; 
VI - as Contas de Compensação. 
§ 1º - O Ativo Financeiro compreenderá os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária e os 
valores numerários. 
§ 2º - O Ativo Permanente compreenderá os bens, créditos e valores, cuja mobilização ou alienação dependa de autorização 
legislativa. 
§ 3º - O Passivo Financeiro compreenderá as dívidas fundadas e outras, cujo pagamento independa de autorização orçamentária. 
§ 4º - O Passivo Permanente compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para 
amortização ou resgate. 
§ 5º - Nas contas de compensação serão registrados os bens, valores, obrigações, e situações não compreendidas nos parágrafos 
anteriores e que, imediata ou indiretamente, possam vir a afetar o patrimônio. 
Art. 106 - A avaliação dos elementos patrimoniais obedecerá às normas seguintes: 
I - os débitos e créditos, bem como os títulos de renda, pelo seu valor nominal, feita a conversão,quando em moeda estrangeira, à 
taxa de câmbio vigente na data do balanço; 
II - os bens móveis e imóveis, pelo valor de aquisição ou pelo custo de produção ou de construção; 
III - os bens de almoxarifado, pelo preço médio ponderado das compras. 
§ 1º - Os valores em espécie, assim como os débitos e créditos, quando em moeda estrangeira, deverão figurar ao lado das 
correspondentes importâncias em moeda nacional. 
§ 2º - As variações resultantes da conversão dos débitos, créditos e valores em espécie serão levadas à conta patrimonial. 
§ 3º - Poderão ser feitas reavaliações dos bens móveis e imóveis. 
TÍTULO X - Das Autarquias e outras Entidades 
Art. 107 - As entidades autárquicas ou paraestatais, inclusive de previdência social ou investidas de delegação para arrecadação de 
contribuições para fiscais da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, terão seus orçamentos aprovados por 
decreto do Poder Executivo, salvo se disposição legal expressa determinar que o sejam pelo Poder Legislativo. 
Parágrafo único. Compreendem-se nesta disposição as empresas com autonomia financeira e administrativa cujo capital pertencer, 
integralmente, ao Poder Público. 
Art. 108 - Os orçamentos das entidades referidas no artigo anterior vincular-se-ão ao orçamento da União, dos Estados, dos 
Municípios e do Distrito Federal, pela inclusão: 
I - como receita, salvo disposição legal em contrário, de saldo positivo previsto entre os totais das receitas e despesas; 
II - como subvenção econômica, na receita do orçamento da beneficiária, salvo disposição legal em contrário, do saldo negativo 
previsto entre os totais das receitas e despesas. 
§ 1º - Os investimentos ou inversões financeiras da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, realizados por 
intermédio das entidades aludidas no artigo anterior, serão classificados como receita de capital destas e despesa de transferência 
de capital daqueles. 
§ 2º - As previsões para depreciação serão computadas para efeito de apuração do saldo líquido das mencionadas entidades. 
Art. 109 - Os orçamentos e balanços das entidades compreendidas no Art. 107 serão publicados como complemento dos 
orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal a que estejam vinculados. 
Art. 110 - Os orçamentos e balanços das entidades já referidas obedecerão aos padrões e normas instituídas por esta Lei, ajustados 
às respectivas peculiaridades. 
Parágrafo único. Dentro do prazo que a legislação fixar, os balanços serão remetidos ao órgão central de contabilidade da União, 
dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, para fins de incorporação dos resultados, salvo disposição legal em contrário. 
TÍTULO XI - Disposições Finais 
Art. 111 - O Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda, além de outras apurações, para fins estatísticos, 
de interesse nacional, organizará e publicará o balanço consolidado das contas da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, 
suas autarquias e outras entidades, bem como um quadro estruturalmente idêntico, baseado em dados orçamentários. 
§ 1º - Os quadros referidos neste artigo terão a estrutura do Anexo número 1. 
§ 2º - O quadro baseado nos orçamentos será publicado até o último dia do primeiro semestre do próprio exercício e o baseado nos 
balanços, até o último dia do segundo semestre do exercício imediato àquele a que se referirem. 
Art. 112 - Para cumprimento do disposto no artigo precedente, a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal remeterão ao 
mencionado órgão, até 30 de abril, os orçamentos do exercício, e até 30 de junho, os balanços do exercício anterior. 
Parágrafo único. O pagamento, pela União, de auxílio ou contribuição a Estados, Municípios ou Distrito Federal, cuja concessão não 
decorra de imperativo constitucional, dependerá de prova do atendimento ao que se determina neste artigo. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
54 
Art. 113 - Para fiel e uniforme aplicação das presentes normas, o Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da 
Fazenda atenderá a consultas, coligirá elementos, promoverá o intercâmbio de dados informativos, expedirá recomendações 
técnicas, quando solicitadas, e atualizará, sempre que julgar conveniente, os anexos que integram a presente Lei. 
Parágrafo único. Para os fins previstos neste artigo, poderão ser promovidas, quando necessário, conferências ou reuniões técnicas, 
com a participação de representantes das entidades abrangidas por estas normas. 
Art. 114 - Os efeitos desta Lei são contados a partir de 1º de janeiro de 1964, para o fim da elaboração dos orçamentos, e a partir de 
1 de janeiro de 1965, quanto às demais atividades estatuídas. Lei nº 4.489/64 
Art. 115 - Revogam-se as disposições em contrário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
55 
 
 
 EXERCÍCIOS 
 
 
FINANÇAS PÚBLICAS 
16- Do ponto de vista dabase econômica, os impostos podem ser classificados em três grandes categorias. Com relação 
aos Impostos sobre a Riqueza, assinale a opção pertinente. 
a) O lucro auferido pelas pessoas físicas, na alienação de participações societárias, está 
sujeito à incidência do imposto. 
b) A base sobre a qual incide o imposto é o estoque acumulado de capital. 
c) O fato gerador do imposto é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer 
natureza. 
d) São impostos cujas alíquotas variam de acordo com a política monetária. 
e) A base de cálculo do imposto é constituída pelos rendimentos do trabalho e do capital. 
 
17- Com base no sistema tributário brasileiro, assinale a única opção não pertinente. 
a) No que se refere à questão distributiva, verifica- se que a estrutura tributária brasileira é fortemente regressiva, em 
função da predominância de impostos diretos. 
b) Uma distorção do sistema tributário brasileiro refere-se à sua limitação como instrumento de desenvolvimento 
econômico. 
c) A incidência de impostos em “cascata” ( PIS, Cofins, CPMF) tira a competitividade da produção 
nacional, tanto na exportação como na concorrência com o produto importado. 
d) Os impostos em “cascata” acabam sobretaxando os bens de capital, à medida que não é possível isentar tais produtos 
na cadeia produtiva de máquinas e equipamentos. 
e) A complexidade do sistema impõe custos para as empresas que precisam dispor de estrutura adequada para atender a 
todas as necessidades impostas pelo fisco. 
 
18- A maior parte das diferenças entre a progressividade nominal e efetiva pode ser explicada pelos 
abatimentos permitidos pela legislação do imposto de renda sobre a pessoa física. Dos abatimentos 
permitidos, identifique quais são os únicos que beneficiam claramente em maior proporção os contribuintes de mais baixo 
nível de renda. 
a) Despesas com a previdência social. 
b) Despesas com médicos, dentistas e gastos com hospitalização. 
c) Despesas com doações a entidades filantrópicas. 
d) Despesas com educação. 
e) Dependentes. 
 
19- A incidência de um imposto seletivo eleva os preços dos produtos tributados em relação aos preços dos produtos 
isentos. Segundo a definição desse tipo de imposto, identifique a opção que não é verdadeira. 
a) O preço do produto tributado elevar-se-á de um valor igual ao do imposto, caso ele seja 
produzido a custos constantes. 
b) A distribuição do imposto entre compradores e vendedores é igual à razão entre as elasticidades 
da oferta e da demanda. 
c) Parte do gravame tributário é absorvida pelos lucros, quando o imposto incide sobre uma 
indústria monopolista. 
d) O preço do produto tributado elevar-se-á de um valor maior do que o do imposto, se ele 
for produzido sob custos crescentes. 
e) A receita que pode ser obtida de um imposto seletivo sobre vendas é limitada. 
 
20- Identifique a única opção incorreta no que tange à Lei Orçamentária Anual (LOA). 
a) É o orçamento propriamente dito. 
b) Possui a denominação de Lei Orçamentária Anual (LOA) por ser consignada pela Constituição 
Federal. 
c) Compreende o conjunto de metas e prioridades da Administração Pública Federal, incluindo 
as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente. 
d) A metodologia utilizada é a denominada Orçamento-Programa. 
e) Compreende o orçamento fiscal, o orçamento de investimentos e o orçamento da seguridade 
social. 
 
Auditor-Fiscal da Previdência Social - AFPS - 2002 Administração Tributária Previdenciária - P.3 8 
 
21- A Lei Complementar de 4 de maio de 2000 estabeleceu normas de finanças públicas voltadas para 
a responsabilidade na gestão fiscal. Identifique, nas opções abaixo, a única afirmativa correta relativa 
à Lei de Responsabilidade Fiscal. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
56 
a) A obediência às novas regras da Lei de Responsabilidade Fiscal permite ao país um ajuste fiscal permanente, uma vez 
que a disciplina fiscal introduzida pela Lei proporciona o fortalecimento da situação financeira dos entes da Federação. 
b) O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias é desvinculado da Lei de Responsabilidade Fiscal. 
c) Cada governante, exceto o governante do nível estadual, deverá demonstrar que a renúncia de receita foi considerada 
na Lei Orçamentária Anual. 
d) A Lei de Responsabilidade Fiscal limita a relação entre receita total e gastos públicos com pessoal. 
e) A abrangência do Governo, na Lei de Responsabilidade Fiscal, é definida pelos poderes Executivo, Legislativo e 
Judiciário e Tribunais de Contas da União e dos Municípios e as respectivas Administrações Diretas, Fundos, Autarquias e 
Fundações. 
 
22- A teoria econômica estabelece critérios de racionalidade econômica para aplicação dos recursos 
públicos. Aponte o critério que exige que os recursos sejam aplicados segundo as prioridades estabelecidas pela política 
econômica com o propósito de atender às necessidades mais prementes da 
comunidade. 
a) critério da eficiência 
b) critério da objetividade 
c) critério da flexibilidade 
d) critério do custo-benefício 
e) critério da clareza 
 
23- O déficit do setor público representou uma significativa parcela do PIB durante a década de 80, tendo aumentado 
sistematicamente durante toda a década. Identifique a opção falsa, entre as razões 
que explicam esse comportamento do déficit público brasileiro. 
a) Incremento das despesas do setor público em decorrência do grande aumento do número de funcionários públicos. 
b) Surgimento de salários significativamente elevados para os funcionários públicos considerados 
como elite do funcionalismo. 
c) Fragilidade política do governo. 
d) Efeitos da nova Constituição. 
e) Redução das receitas do governo em virtude do forte desempenho da economia ao longo da década. 
 
24- O problema-chave para a resolução da crise fiscal em um país é a definição de como distribuir a incidência do ajuste 
fiscal. Estando a favor do ajustamento e da estabilidade de preços, os agentes 
econômicos, individualmente considerados, tendem a evitar arcar com o ônus do ajustamento, pressionando o governo 
para não participar desse esforço coletivo. Identifique qual das afirmativas 
não explica a lógica desse comportamento. 
a) A existência de um desequilíbrio orçamentário é vista pela maioria dos agentes econômicos como um problema, pelo 
risco desse desequilíbrio ser financiado pelo imposto inflacionário. 
b) O desequilíbrio resulta de um somatório de decisões fiscais específicas, entendidas como a realização de uma despesa 
e/ou a concessão tributária que beneficia um grupo particular dentro do setor público ou fora dele. 
c) O desequilíbrio pode ser resolvido por meio da aprovação de medidas em favor do ajustamento, 
tais como redução ou eliminação de despesas e o aumento ou criação de um tributo, incidindo sobre um agente ou 
conjunto de agentes econômicos. 
d) O desequilíbrio pode ser eliminado por meio da ação de um grupo onde o conflito social é alto e não há uma 
predisposição dos diferentes grupos a aceitarem medidas duras. 
e) A diminuição ou o desaparecimento do desequilíbrio fiscal implica minorar o risco de que cada agente em particular seja 
chamado a arcar com o imposto inflacionário. 
 
51- A receita na Administração Pública representa as operações de ingressos de recursos financeiros nos cofres públicos. 
Identifique a opção não pertinente em relação às receitas correntes. 
a) receitas imobiliárias 
b) receitas de contribuições sociais 
c) contribuição de melhoria 
d) receita de serviços 
e) alienação de bens móveis e imóveis 
 
56- São impositivos nos orçamentos públicos os princípios orçamentários. O princípio que obriga que a estimativa de 
receita e a fixação de despesa limitem-se a período definido de tempo, chamado exercício financeiro, é o princípio da 
a) exclusividade. 
b) especificação. 
c) anualidade. 
d) unidade. 
e) universalidade.57- De acordo com o conceito de orçamento, identifique a única opção incorreta. 
a) Orçamento público é o processo mediante o qual o governo traça um programa de projetos e atividades, estimando suas 
receitas e planejando sua aplicação, com prévia fixação das despesas. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
57 
b) Os princípios orçamentários estão basicamente definidos na Constituição Federal e na Lei nº 4.320/64. 
c) O orçamento incremental é o orçamento elaborado por meio dos ajustes marginais nos itens de receita e despesa. 
d) O orçamento tradicional destaca as metas, os objetivos e as intenções do governo, consolidando um conjunto de 
programas a ser realizado durante determinado período. 
e) No Brasil, a Lei nº 4.320/64 estabelece a obrigatoriedade do orçamento-programa, determinando que a Lei Orçamentária 
conterá a discriminação da receita e despesa. 
 
58- De acordo com as Finanças Públicas, no que concerne às classificações orçamentárias, não se pode afirmar que: 
a) a classificação funcional do orçamento representa o maior nível de agrupamento das ações do governo em grandes 
áreas de sua atuação, para fins de planejamento, programação e orçamentação. 
b) a classificação institucional do orçamento apresenta a distribuição dos recursos públicos pelos órgãos responsáveis por 
sua gerência e aplicação. 
c) a classificação funcional-programática atual divide os programas em Finalísticos, Programas de Gestão Pública e 
Programas de Serviços do Estado. 
d) a classificação econômica das despesas objetiva informar, sob o ponto de vista macroeconômico, o efeito do gasto do 
setor público na economia. 
e) o programa representa, do ponto de vista administrativo-programático, o maior nível de agregação das diversas áreas de 
despesa que competem ao setor público executar. 
 
48 - A receita classifica-se nas seguintes categorias econômicas: 
a) de capital e de investimentos 
b) inversões financeiras e de investimentos 
c) correntes e de transferências correntes 
d) correntes e de capital 
e) de investimentos e correntes 
 
68- A elaboração da lei orçamentária é a etapa que, efetivamente, caracteriza a idéia de processo orçamentário, 
compreendendo fases e operações. A discussão é a fase dos trabalhos consagrada ao debate em plenário. Aponte a opção 
incorreta com relação às etapas da fase da discussão. 
a) emendas 
b) voto do relator 
c) redação final 
d) votação em plenário 
e) veto 
 
70- O Orçamento Público obedece aos princípios orçamentários. Como conseqüência do princípio da especificação, 
ocorrem proibições de natureza constitucional. Indique a opção falsa. 
a) Concessão de créditos ilimitados. 
b) Início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual. 
c) Realização de despesas ou assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais. 
d) Instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa. 
e) Exigência ou redução de tributo sem lei que o estabeleça. 
 
71- A Receita Orçamentária é a consubstanciada no orçamento público e consignada na Lei Orçamentária. Aponte a única 
opção incorreta no que diz respeito às fontes de receitas. 
a) O imposto é um tributo cuja obrigação tem como fato gerador uma situação, independente de qualquer atividade estatal 
específica, relativa ao contribuinte, sendo pago coativamente. 
b) A receita de contribuições é uma fonte de receitas correntes. 
c) A contribuição de melhoria corresponde à especialização de serviço público, em proveito direto ou por ato de 
contribuinte. 
d) Outras receitas correntes são receitas correntes originárias da cobrança de multas e juros de mora, indenizações e 
restituições, receita da dívida ativa e receitas diversas. 
e) As receitas de capital são as provenientes de operações de crédito, alienação de bens, de amortização de empréstimos 
concedidos, de transferências de capital e de outras receitas de capital. 
 
1)O critério de classificação das contas publicas é de grande importância para a compreensão do orçamento. Varias são as 
razoes pelas quais deve existir um bom sistema de classificação no orçamento. Assinale a opção errada. 
a) Desenvolver a organização política e, de modo especial, restaurar as atribuições do poder legislativo. 
b) Proporcionar uma contribuição efetiva para o acompanhamento da execução do orçamento. 
c) Determinar a fixação de responsabilidades. 
d) Facilitar a formulação de programas. 
e) Possibilitar a análise dos efeitos econômicos das ações governamentais. 
 
2) Assinale a única opção que é pertinente ao orçamento tradicional e não ao orçamento programa. 
a) Os principais critérios classificatórios são unidades administrativas e elementos. 
b) Na elaboração do orçamento, são considerados todos os custos dos programas, inclusive os que extrapolam o exercício. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
58 
c) A estrutura do orçamento está voltada para os aspectos administrativos e de planejamento. 
d) A alocação de recursos visa à consecução de objetivos e metas. 
e) Existe utilização sistemática de indicadores e padrões de medição do trabalho e dos resultados. 
 
3) Entre as principais categorias que compõem os gastos públicos, não se enquadram: 
a) pagamentos de transferências. 
b) dispêndios de aquisição de ativos financeiros. 
c) gastos com subsídios. 
d) pagamentos de criação de moeda pelo Tesouro. 
e) despesas de bens e serviços. 
 
4) Qual das opções abaixo não representa um dos princípios jurídicos do orçamento público? 
a) Unidade 
b) Anualidade 
c) Universalidade 
d) Anterioridade 
e) Exclusividade 
 
Marque Verdadeiro ou Falso 
1) A autorização para abertura de créditos especiais, na própria lei orçamentária, é uma das exceções à 
aplicação do princípio da unidade, de acordo com a atual Constituição. 
2) A modificação do exercício financeiro para julho/junho é incompatível com o princípio da anualidade. 
3) A unificação do processo orçamentário reúne em uma só lei os orçamentos Fiscal, de Investimento das 
Empresas Estatais, da Seguridade Social e Monetário. 
4) Os princípios orçamentários estão associados à etapa de discussão da lei orçamentária. 
5) O ciclo orçamentário deve concluir-se necessariamente durante o exercício financeiro. 
 
 
Assinale a alternativa correta 
1) A Constituição Federal, entre outros dispositivos, determina: a) a lei orçamentária anual compreenderá os 
orçamentos fiscal, de investimento das empresas estatais e de seguridade social; b) a lei orçamentária não poderá conter 
dispositivo estranho à previsão de receita e à fixação de despesa; c) é vedada a concessão ou utilização de créditos 
ilimitados. Esses três dispositivos contemplam, respectivamente, os seguintes princípios: 
a) universalidade, clareza e equilíbrio. 
b) Unidade, exclusividade e equilíbrio. 
c) Universalidade, exclusividade e programação. 
d) Totalidade, especialização e universalidade. 
e) Desconheço a resposta correta. 
 
2) Quando se diz que as receitas e as despesas devem constar na lei do orçamento, sem quaisquer 
deduções, isto decorre da aplicação do princípio: 
a) da universalidade. 
b) da exclusividade. 
c) do orçamento bruto. 
d) da exatidão. 
e) da totalidade. 
 
3) O superávit no orçamento corrente é encontrado através da: 
a) soma entre receitas correntes e receitas de capital. 
b) soma entre receitas correntes e despesas correntes. 
c) subtração entre receitas correntes e despesas de capital. 
d) subtração entre receitas correntes e despesas correntes. 
e) soma entre despesas correntes e despesas de capital. 
 
4) Uma das inovações introduzidas pela Constituição de 1988 no processo orçamentário é: 
a) equilíbrio das contas públicas 
b) publicidade da legislação orçamentária. 
c) possibilidade de gastos ilimitados.d) regras de política orçamentária. 
e) isenção de receitas. 
 
mailto:cmotta@cvism.com.bra renda nacional e se essa contribuição está aumentando ou diminuindo. Pode indicar, 
ainda, a parcela propiciada pelo setor governamental para a formação de capital de um país. Além disso, pode demonstrar, 
comparando-se os diversos exercícios financeiro, se o governo está contribuindo para a aumentar as pressões inflacionárias, uma 
vez que suas atividades aumentam a demanda por bens e serviços, produzindo inflação. 
 Despesas Correntes – são destinadas à manutenção e funcionamento dos serviços públicos gerais anteriormente 
criados na administração pública direta ou indireta, e ao se converterem em moeda são consumidos na corrente do mercado. 
Divide-se em duas sub-categorias: 
 a) despesas de custeio – são dotações para a manutenção de serviços anteriormente criados, inclusive as 
destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis. 
 b) transferências correntes – são dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta de 
bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manutenção de outras entidades de direito 
público ou privado; são sub-divididas em subvenções sociais e subvenções econômicas. 
 Despesas de Capital – são efetuadas pela administração pública com a intenção de adquirir ou construir bens de 
capital que enriquecerão o patrimônio público ou serão capazes de gerar novos bens e serviços. Dividem-se em: 
 a) investimentos – são dotações destinadas para o planejamento e a execução de obras públicas, inclusive as 
destinadas à aquisição de imóveis necessários à realização destas últimas, bem como para os programas especiais de trabalho, 
aquisição de instalações, equipamentos e material permanente e a constituição ou aumento do capital social de empresas que não 
sejam de caráter comercial ou financeiro. 
 b) inversões financeiras – dotações destinadas a aquisição de imóveis, ou de bens de capital já em utilização na 
economia, aquisição de títulos representativos de capital de empresas ou entidades que visem objetivos comerciais ou financeiros, 
inclusive operações bancárias e de seguros. 
 c) transferências de capital – dotações para despesas com investimentos ou inversões financeiras que outras 
pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente da contraprestação direta dos bens ou serviços a serem 
adquiridos; são auxílios ou contribuições. 
 
4.2.6 Classificação quanto à Natureza da Despesa 
 Observa os seguintes elementos: categoria econômica da despesa, grupo de despesa, modalidade de aplicação, 
elemento de despesa. 
 
4.3 Estágios da Despesa 
4.3.1 Empenho 
 Conceito – ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou 
não de implemento de condição. 
 O valor do empenho não poderá exceder o limite de crédito concedido na dotação orçamentária própria. Isto quer 
dizer que poderão ser efetuados tantos empenhos quantos forem necessários, desde que o somatório não ultrapasse o montante da 
dotação. 
 Características do Empenho: 
 a) deve emanar de autoridade competente, 
 b) o chefe do executivo e por delegação de competência, outro funcionário, será o ordenador de despesas, 
 c) cria para o Estado a obrigação de pagamento, 
 d) esta obrigação de pagamento pode ser pendente ou não de implemento de condição. 
 Então, empenho é ato emanado da autoridade competente que determina a dedução do valor da despesa a ser 
realizada da dotação consignada no orçamento para atender essa despesa. É uma reserva que se faz, ou garantia que se dá ao 
fornecedor ou prestador de serviços, com base em autorização e dedução da dotação respectiva, de que o fornecimento ou serviço 
contratado será pago. 
 Tipos de Empenho: 
 1) ordinário – emitido para certo e determinado credor e relativo a uma única parcela de valor indivisível, 
 2) por estimativa – não sendo conhecido o valor da despesa, emite-se um empenho estimativa, isto não significa 
que o credor e o objeto de despesa sejam também desconhecido, a estimativa refere-se apenas ao valor, 
 3) global – engloba pagamentos parcelados relativos a contratos. 
 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
9 
 
4.3.2 Liquidação 
 Consiste na verificação do direito adquirido pelo credor, tendo por base títulos e documentos comprobatórios do 
respectivo crédito. Tem por finalidade apurar a origem e o objeto que se deve pagar, a importância exata a ser paga e a quem deve 
se pagar a importância para extinguir a obrigação. 
 A liquidação da despesa tem por base o contrato com o fornecedor, a nota de empenho (diferente do empenho) e 
os comprovantes de entrega do material ou prestação efetiva do serviço. 
 
4.3.3 Pagamento 
 O pagamento da despesa só poderá ser efetuado quando ordenado após sua regular liquidação. A liquidação da 
despesa permite à administração pública reconhecer a dívida como líquida e certa, só então nasce a obrigação de pagar. 
 A ordem de pagamento é o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja 
paga, só podendo ser exarado pelos serviços de contabilidade da administração pública. 
 
5 Suprimento de Fundos (Adiantamento) 
 
Conceito – entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho prévio na dotação própria à despesa a realizar 
e que não possa subordinar-se ao processo normal de execução da despesa. 
 O ordenador de despesas é autoridade competente para conceder suprimento de fundos fixando-lhe o valor. As 
despesas referentes a suprimento de fundos são efetivadas através de Cartão de Crédito Corporativo do Governo Federal. 
 As despesas poderão ser realizadas da seguinte forma: 
 a) diretamente no estabelecimento comercial afiliado, ou 
 b) por meio de saque em moeda corrente. 
 Os saques efetuados com Cartão de Crédito Corporativo serão debitados diretamente à conta única e terão a 
contabilização automática dos registros da operação no sistema do governo, após o recebimento do arquivo magnético do agente 
financeiro. 
 São passíveis de realização de despesas através de suprimento de fundos: 
 a) serviços especiais que exijam pronto pagamento em espécie, 
 b) despesa de caráter sigiloso, conforme se classificar em regulamento, 
 c) para atender despesa de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor, em cada caso, não ultrapassar o 
limite estabelecido em Portaria do Ministro da Fazenda. 
 Não serão concedidos suprimentos de fundos a: 
 a) servidor responsável por dois suprimentos, 
 b) servidor que tenha a seu cargo a guarda ou utilização do material a adquirir, salvo quando não houver 
na repartição outro servidor, 
 c) responsável por suprimento de fundos que, esgotado o prazo, não tenha prestado contas de sua 
aplicação, e 
 d) servidor declarado em alcance, ou que esteja respondendo a inquérito administrativo. 
 Servidor declarado em alcance: é aquele que não prestou contas do suprimento no prazo regulamentar, ou que 
não teve aprovadas suas contas em virtude de desvio, desfalque, falta ou má aplicação verificados na prestação de contas, bem ou 
valores confiados a sua guarda. 
 
5.1 Controle do Suprimento de Fundos 
 A entrega de recursos financeiros será precedida de empenho prévio das despesas na respectiva classificação 
orçamentária e será feita mediante ordem bancária de pagamento em favor do suprido ou crédito em conta bancária em nome do 
suprido. 
 
5.2 O Prazo de Aplicação do Suprimento 
 Não deve exceder a noventa dias e nem ultrapassar o exercício financeiro. O servidor tem o prazo de trinta das 
para prestar contas do suprimento, uma vez que tenha expirado o prazo de aplicação. A prestação de contas da importância 
aplicada até 31 de dezembro deverá ser apresentada até o dia 15 de janeiro do exercício subseqüente. 
 
5.3 Comprovação do Suprimento de Fundos 
 Documentos para comprovação: 
 a) cópia do ato de concessão do suprimento, 
 b) primeira via daNota de Empenho da despesa, 
 c) extrato da conta bancária, ou, se for o caso, o extrato do Cartão de Crédito Corporativo, 
 d) comprovantes das despesas realizadas, 
 e) comprovante do recolhimento do saldo não utilizado. 
5.4 Contabilização do Suprimento de Fundos 
 É contabilizado e incluído nas contas do ordenador de despesas como despesas realizadas. As restituições, por 
falta de aplicação, parcial ou total, ou aplicação indevida, constituirão anulação de despesas, ou receita orçamentária, se recolhidas 
após o encerramento do exercício. 
 
 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
10 
 
6. Restos a Pagar 
 
Os restos a pagar são resíduos passivos, despesas empenhadas e não pagas dentro do exercício financeiro. 
 Segundo legislação competente, o regime de competência exige que as despesas sejam contabilizadas conforme 
o exercício a que pertencem. 
 Classificam-se em: 
 1) Processados: despesas em que o credor já tenha cumprido com suas obrigações, tendo direito líquido e certo e 
em condições de receber o pagamento. 
 2) Não Processados: despesas que dependem de fornecimento ou prestação de serviço, o direito do credor ainda 
não foi apurado. 
 Observações importantes: 
 - Os restos a pagar terão validade até 31 de dezembro do exercício financeiro subseqüente, a partir de então 
serão cancelados. 
- A inscrição da despesa em restos a pagar deverá ser feita pelo valor devido, ou caso o valor seja desconhecido, pelo 
valor estimado. 
- É vedada a reinscrição de empenhos em restos a pagar. 
- O direito creditório tem validade por cinco anos. 
 
7. Despesas de Exercícios Anteriores 
 
São dívidas resultantes de compromissos gerados em exercícios financeiros anteriores àqueles em que devem ocorrer os 
pagamentos. 
 Poderão ser pagas à conta de despesas de exercícios anteriores, desde que autorizadas pelo ordenador de 
despesas, respeitada a categoria econômica própria: 
 a) despesas de exercícios encerrados, 
 b) restos a pagar com prescrição interrompida e 
 c) os compromissos decorrentes de obrigação de pagamento criada em virtude de lei e reconhecidos após o 
encerramento do exercício. 
 
8. Mecanismos Retificadores do Orçamento 
 
8.1 Conceito de Créditos Adicionais 
 Mecanismos para corrigir falhas durante o processo de planejamento do orçamento anual. 
 
8.2 Classificação 
 a) Suplementares – destinados a reforço de dotação orçamentária já existente no orçamento. 
 b) Especiais – destinados para despesas que não contêm dotação específica. 
 c) Extraordinários – atendem despesas urgentes e imprevistas. 
 
8.3 Características 
 - Créditos suplementares devem ter autorização por lei e abertos por decreto do executivo. 
 - A abertura dos créditos depende da existência de recursos prévios. 
 - Acompanham a vigência do orçamento. 
 
8.4 Recursos Disponíveis para Abertura de Créditos Adicionais 
 - Superávit financeiro apurado em balanço comercial no exercício anterior. 
 - Excesso de arrecadação. 
 - Anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou créditos adicionais já autorizados em lei. 
 - Produto de operações de crédito. 
 
9. Descentralização de Créditos 
 
É a figura pela qual uma unidade orçamentária ou administrativa transfere a outras unidades orçamentárias 
ou administrativas o poder de utilizar créditos que lhes forem dotados. A descentralização de créditos permite mais 
flexibilidade e dinamicidade na execução dos projetos e atividades. 
Antes de se efetivar a descentralização a unidade precisa verificar se existe necessidade justificada da transferência, bem 
como, capacidade de gestão da unidade que vai receber o crédito, isto é, se ela dispõe de condições administrativas mínimas para 
gerir os créditos e se estar regularmente cadastrada como Unidade Gestora. 
Existem duas operações descentralizadoras de créditos: 
- EXTERNA - (DESTAQUE) - Quando se tratar de descentralização entre Unidades Gestoras de órgãos/ministérios ou 
entidades de estruturas diferentes. 
- INTERNA - (PROVISÃO) - Nos casos de descentralização de créditos das unidades orçamentárias para as 
unidades administrativas, sob sua jurisdição ou entre estas, no âmbito do próprio Ministério/órgão. 
Os créditos descentralizados não podem ser utilizados em programas ou elementos de despesa diferentes 
daqueles constantes do orçamento de créditos adicionais, observando-se o Quadro de Detalhamento da Despesa. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
11 
A Unidade Administrativa somente descentralizará os créditos recebidos, se previamente autorizada pela Unidade 
Orçamentária que lhe efetivou a transferência. 
O Destaque ou a Descentralização podem ser anulados total ou parcialmente, possibilitando a reversão do 
crédito a Unidade Orçamentária distribuidora , quando: 
- verificada a ociosidade do crédito na unidade beneficiada; 
- houver engano no valor do crédito distribuido ou necessidade de reduzi-lo; 
- houver alteração orçamentária; 
- houver cancelamento do ato que deu origem a descentralização; e 
- a descentralização foi emitida inadequada ou indevidamente. 
 
10. Movimentação de Recursos Financeiros 
 
A movimentação de recursos financeiros é feita através de três figuras: cota, repasse e sub-repasse. 
 
10.1 - Cota 
Após aprovação do cronograma de desembolso pela STN, esse órgão coloca à disposição dos órgãos setoriais, nas 
respectivas contas no Banco do Brasil S.A., os recursos necessários aos pagamentos do mês. A cota é a primeira fase da 
movimentação dos recursos e é liberada em consonância com o cronograma de desembolso de cada Ministério ou Órgão. Define-
se, portanto, como liberação de cota o ato pelo qual a Secretaria do Tesouro Nacional autoriza o Banco do Brasil S.A., na qualidade 
de agente financeiro do Tesouro Nacional, a colocar à disposição das autoridades dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo os 
valores que lhes tenham sido atribuídos, ou, nos casos de unidades integrantes do SIAFI na modalidade total, dos limites de 
autorização de saques que lhes são estabelecidos pela citada Secretaria do Tesouro Nacional. 
 
10.2 - Repasse 
O repasse é a movimentação de recursos financeiros efetuados das seguintes formas: 
a) dos órgãos setoriais de programação financeira para entidades da administração indireta, e entre estas; e 
b) de entidades da administração indireta para órgãos da administração direta, ou entre estes, se de outro Órgão ou 
Ministério. 
 
10.3 - Sub-Repasse 
O sub-repasse é a movimentação de recurso financeiro, dos órgãos setoriais de programação financeira para as unidades 
gestoras de sua jurisdição e entre as unidades gestoras de um mesmo Ministério, Órgão ou Entidade. Ressalte-se que a figura do 
sub-repasse está sempre associada "a provisão", do lado orçamentário. 
 
 
11. Transferências Orçamentárias 
 
 Conforme determina o art. 10 do Decreto-Lei 200/67, a execução das atividades da Administração Pública Federal 
deverá ser amplamente descentralizada objetivando liberar a administração central das tarefas de execução e de mera formalização 
de atos administrativos, para que a mesma possa concentrar-se nas atividades de planejamento, supervisão, coordenação e 
controle. 
 A descentralização das tarefas de execução são operacionalizadas, via de regra, com transferências orçamentárias, 
através das quais, cada Ministério ou Órgão delega, a outrem, poderes para executar atividades de sua competência, nos seguintes 
planos: 
a) da Administração Federal para unidades federadas, quando estejam devidamente aparelhadas e 
mediante convênios; e 
b) da Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou concessões. 
 Nos termos da Lei n. 4.320/64, as transferências classificam-se em duas categorias econômicas: Correntes e Capital. 
 Astransferências correntes constituem dotações para despesas para as quais não corresponda contraprestação 
direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender a manutenção de outras entidades de 
direito público ou privado. 
 As transferências de capital, são dotações para investimentos ou inversões financeiras que outras pessoas de 
direito público ou privado devem realizar independentemente de contraprestação em bens ou serviços, constituindo-se essas 
transferências em auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da Lei de Orçamento ou de lei especial anterior. 
 
11.1 - Tipos 
 
a) Para efeito legal, consideram-se subvenções as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio 
das entidades beneficiadas, destinguindo-se: 
- Subvenções Sociais – as destinadas à prestação de serviços essenciais de assistência social, médica e 
educacional; e 
- Subvenções Econômicas – as destinadas à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas, de 
natureza autárquica ou não. 
b) As contribuições são dotações para despesas decorrentes da Lei de Orçamento e/ou destinadas a fundos 
nos termos da legislação vigente. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
12 
c) Auxílios são dotações destinadas a atender despesas decorrentes da Lei de Orçamento e as destinadas a 
atender despesas de capital de autarquias e fundações instituídas pelo poder público, e entidades privadas sem fins 
lucrativos. 
 
11.2 - Condições 
 
a) A concessão de subvenção social só poderá ser feita se a instituição interessada satisfizer específicas 
condições, sem prejuízo de exigências próprias previstas na legislação especial. 
b) A subvenção econômica será concedida a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, 
agrícola ou pastoril, mediante expressa autorização em lei especial (Lei 4.320/64, art. 12, § 3º, II, e art. 19). 
Somente será concedida subvenção à entidade privada que comprovar sua capacidade jurídica e regularidade 
fiscal. 
c) Os auxílios e as contribuições se destinam a entidades de direito público ou privado, sem finalidade 
lucrativa. 
 Quando a subvenção social ou auxílio se destinar a projeto cuja realização exija recursos em montante superior ao da 
concessão, está ficará condicionada à comprovação, pela entidade interessada, de que os recursos complementares estejam 
assegurados por fontes certas e determinadas. 
 Não poderá haver mais de uma unidade orçamentária ou unidade administrativa concedendo subvenção ou auxílio 
para a mesma finalidade. 
 A documentação comprobatória da aplicação da subvenção ou auxílio ficará arquivada na entidade beneficiada, à 
disposição dos órgãos de controle interno e externo, durante o prazo de 5 (cinco) anos da aprovação da prestação de contas. 
 
12. Conceitos Básicos – Teoria das Finanças Públicas. 
 
A maioria das pessoas ao analisar questões relacionadas com Finanças Públicas, em especial os orçamentos de receitas e 
despesas governamentais, acredita que elas servem exclusivamente para permitir o funcionamento dos múltiplos serviços prestados 
pelo Estado. Neste caso, os governos exerceriam o papel de coletores de tributos para o pagamento de funcionários públicos, 
comprador de bens para equipar e fazer funcionar as repartições públicas, construtor de escolas, estradas, hospitais, etc. 
 Outros já entendem que, paralelamente a essas tarefas, diversas outras atividades, algumas até típicas de 
iniciativa privada, também são beneficiárias diretas das despesas orçamentárias. O Estado administra uma enorme rede de 
transferências de renda por meio da Previdência Social. Distribui crédito subsidiado para as atividades agrícolas e de exportação. 
Proporciona isenções fiscais direcionando os investimentos da iniciativa privada para setores ou regiões determinadas. 
 Percebe-se, portanto, que múltiplos objetivos econômicos e sociais são perseguidos por meio dos orçamentos da 
União, dos Estados e dos Municípios. Além disso, identificamos o Estado como um agente econômico-social de maior peso nas 
sociedades contemporâneas devido a grande massa de recursos que os governos movimentam por intermédio dos tributos 
recolhidos e dos gastos efetuados a cada ano. 
 O orçamento público, além de permitir ao Estado a execução das tarefas tradicionais de justiça, segurança e 
defesa e além de perseguir os objetivos de satisfazer as necessidades sociais e induzir a uma eficiente utilização dos recursos e de 
distribuir a renda entre as diversas regiões, configura-se em investimento de política macroeconômica de estabilização fiscal. 
 As receitas e despesas do Estado podem ser utilizadas como instrumento, ao lado de outros, para influenciar o 
nível de produção nacional e emprego, para controlar o nível de preços (inflação), para buscar o equilíbrio da balança de 
pagamentos e para direcionar as decisões de consumo e investimento dos agentes privados. 
 
 Agentes Privados – famílias, empresas. No ciclo da economia eles mandam dinheiro para o Estado na 
forma de tributos. 
 
13. Evolução Clássica das Funções do Estado 
 
 A participação do governo na economia pode ser decomposta na sua atuação em três funções: 
 
13.1 Função Alocativa 
 Refere-se à alocação de recursos pela atividade estatal quando não houver eficiência da iniciativa privada ou 
quando a natureza da atividade indicar a necessidade da presença do Estado. A intervenção estatal na alocação de recursos 
justifica-se naqueles casos que não são interesse do setor privado. Como exemplo, podemos citar os investimentos na infra-
estrutura econômica e provisão de bens públicos e meritórios. 
 Produzir sapatos e produzir energia elétrica são atividades econômicas que apresentam características tais que 
remetem com facilidade os primeiros para o setor privado enquanto o setor público é quem de fato tem iniciado o processo de 
construção de usinas elétricas. Nada impede, porém, que o Estado repasse para a atividade privada a geração de energia elétrica 
ou a construção de estradas. No entanto, neste caso, o Estado deverá controlar estes setores que estarão produzindo bens 
públicos, entendido aquele que não se limita a um único consumidor, mas deve estar à disposição de todos. 
 
13.2 Função Distributiva 
 Liga-se as doutrinas do bem-estar, derivadas da formulação consagrada pelo nome de Ótimo de Pareto. De 
acordo com este princípio, há eficiência na economia quando a situação de alguém melhora sem que nenhum outro tenha sua 
situação piorada. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
13 
 Dentro desta concepção de desenvolvimento econômico, cabe ao Estado promover a melhora na distribuição de 
renda, usando, para isso, todos os instrumentos legais de que dispõe. Isto significa utilizar os impostos diretos e indiretos, subsídios, 
incentivos, isenções, etc. 
 O gasto público é o principal instrumento para a viabilização das políticas públicas de distribuição de renda. Caso 
se busque a justiça social, o mecanismo fiscal da tributação progressiva sobre as classes de renda mais elevada, por exemplo, 
poderia levar a uma distribuição eqüitativa. 
 
13.3 Função Estabilizadora 
 É a função mais atual, tendo surgido para proporcionar um crescimento equilibrado na economia, o que significa 
dizer sem crises macroeconômicas. Em geral busca a manutenção de um nível adequado de emprego na economia, estabilização 
dos níveis de preços e o fluxo de entrada e saída de recursos no país através do controle da Balança de Pagamentos. 
 
14. Instrumentos e Recursos da Economia Pública (Políticas Fiscal, Regulatória, Cambial e Monetária). 
 
Os programas de ajustamento dão bastante importância ao inter-relacionamento entre a política fiscal e outros instrumentos 
de política econômica,refletindo a necessidade de se formular uma estratégia de ajustamento coerente, que integre o impacto de 
todas as medidas do programa. Além disso, o fato de que as variáveis fiscais reagem de maneira endógena à evolução da 
economia requer que se leve em conta o inter-relacionamento entre as medidas adotadas, a fim de se avaliar devidamente o 
impacto das operações do setor público. O exemplo mais óbvio de inter-relacionamento decorre das restrições orçamentais e da 
necessidade de se considerarem as implicações monetárias dos empréstimos tomados pelo governo junto ao sistema bancário. A 
política de taxas de câmbio é outra área onde é importante que haja compatibilidade com a política fiscal e onde as conseqüências 
endógenas para o orçamento devem ser examinadas. 
Os programas formulados no contexto do médio prazo normalmente incluem medidas estruturais que visam a uma 
mudança substancial na utilização de recursos. Estas medidas muitas vezes exigem ajustes complementares da política tributária e 
de outras políticas fiscais a fim de estimular a modificação indispensável dos incentivos de preços. As reformas estruturais também 
podem ter grande repercussão sobre a base tributária. A liberalização do comércio, componente freqüente dos programas de 
estrutura, é um exemplo que serve para ilustrar essas questões; normalmente exige a reforma da estrutura da pauta aduaneira, 
como a de substituir restrições quantitativas e de obter um padrão com mais proteção efetiva. Além disso, a liberalização das 
importações, o objetivo racional da desvalorização, que normalmente a acompanha, podem ter grande repercussão sobre a 
estrutura econômica e a distribuição da renda, com conseqüências naturais para as receitas tributárias e o equilíbrio do orçamento. 
Os problemas dos países altamente endividados têm levado à busca de abordagens mais inovadoras para a formulação da 
política fiscal no contexto de programas de estabilização. A redução do financiamento externo complicou consideravelmente os 
problemas de ajuste fiscal nos países devedores, levando a uma maior dependência do financiamento monetário, mesmo nos 
países com déficit menores. Este financiamento, aliado a grandes depreciações da taxa de cambio, provocou uma aceleração da 
inflação em muitos países devedores. É possível que o impacto da inflação prolongada sobre as expectativas tenha aumentado 
substancialmente os custos de um programa baseado em medidas fiscais tradicionais e outras medidas de gestão da demanda. 
Neste contexto, vários países endividados procuraram realizar programas de estabilização “heterodoxos”, visando a 
diminuir os custos do ajustamento por meio de um ataque frontal às forças de inércia. Estes programas complementavam medidas 
tradicionais de gestão de demanda por meio de choques destinados a mudar rápida e substancialmente as expectativas 
inflacionistas. Estas medidas de choque punham ênfase no congelamento de preços relativos importantes, tais como preços 
internos, salários, taxa de câmbio, rendimentos de contratos a termo e de ativos financeiros, bem como na eliminação dos acordos 
de indexação. Os componentes fiscais dos programas de choque incluíam o uso intensivo de medidas provisórias e anúncios sobre 
déficits e expectativas. 
A avaliação desses programas tem suscitado certas preocupações quanto aos custos das medidas heterodoxas e, em 
particular, quanto ao impacto do congelamento de preços sobre a utilização de recursos e de subsídios orçamentais. Num plano 
mais básico, constata-se que, embora as medidas heterodoxas talvez possam ajudar na obtenção de um consenso político, seu 
valor será provavelmente limitado, se não houver um ajuste orçamental mais profundo. 
 
14.1 Interação da Política Fiscal com Outros Instrumentos 
14.1.1 Interação com a Política Cambial 
Embora as considerações até aqui apresentadas tenham girado em torno da importância da política fiscal, para se atingir 
objetivos de política macroeconômica, é importante analisar o ajuste fiscal no contexto de outros instrumentos de política, pois 
existem interações importantes com a taxa de câmbio, com a política monetária e com determinadas reformas estruturais. 
 Não se pode recorrer somente à estabilização fiscal para atingir os objetivos internos e externos do ajustamento. 
Servir-se unicamente da austeridade fiscal para eliminar o déficit da conta corrente do balanço de pagamentos pode resultar em 
problemas internos, como desemprego e baixo crescimento. Para evitar tais desequilíbrios, pode ser necessário aliar à estabilização 
fiscal, políticas que elevem o preço de produtos que são, ou poderiam ser, comercializados internacionalmente em relação àqueles 
que só podem ser vendidos internamente. Em outras palavras, políticas que visem à depreciação da taxa de câmbio real. Tais 
políticas permitem que se registre um saldo corrente mais favorável, para determinado nível de produção, e normalmente assumem 
a forma de uma desvalorização da taxa de câmbio nominal. 
 As políticas fiscais e as políticas cambiais sofrem influência recíproca. A própria depreciação nominal afeta 
significativamente o equilíbrio das finanças publicas, com efeitos que podem ser positivos ou negativos, dependendo da estrutura do 
orçamento. Se, por exemplo, as despesas expressas em moeda estrangeira (pagamentos da dívida externa, por exemplo) forem 
superiores às receitas calculadas em moeda estrangeira (receitas de exportação), a depreciação terá como efeito líquido o aumento 
do déficit fiscal. 
 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
14 
14.1.2 Interação com a Política Monetária 
 O recurso do governo junto ao setor bancário é em geral um fator preponderante para a taxa global de expansão 
dos meios de pagamento. Como resultado, o ajuste fiscal é, via de regra, um elemento crucial da política de contenção da expansão 
monetária. Se a posição fiscal não for ajustada, o resultado pode ser uma política monetária excessivamente expansionista ou a 
contenção da expansão monetária às custas de uma redução indesejável no crédito ao setor privado. As políticas fiscais também 
podem ser afetadas pela orientação da política monetária. Uma política monetária rígida, talvez aplicada com vistas a manter uma 
determinada taxa de câmbio nominal, poderá (ao menos no curto prazo) resultar em altas taxas de juros reais que oneram o serviço 
da dívida pública e põem em risco a viabilidade da posição fiscal. 
 Finalmente, resta considerar que as políticas de ajuste estrutural são de fundamental importância para as 
autoridades interessadas em atingir taxas elevadas de crescimento econômico real ou sanar o problema do alto nível de 
desemprego. A probabilidade de êxito de tais políticas aumenta em um cenário de estabilidade macroeconômica. Neste sentido 
amplo, a estabilização fiscal pode ser uma condição necessária ao ajuste estrutural. Certas medidas estruturais também podem 
exigir mudanças complementares no sistema fiscal. Por exemplo, a reforma da estrutura tarifaria – vital para a abertura da economia 
– tenderá a reduzir as receitas fiscais e, portanto, a requerer mudanças compensatórias em outros impostos. 
 
14.2 Tópico Especial sobre Política Fiscal 
As políticas fiscais do governo se constituem nos seus dispêndios (G) e no seu sistema tributário (T), e seriam utilizadas 
com o objetivo de conduzir a demanda agregada ao nível de renda de pleno emprego da economia (y). 
No caso do hiato inflacionário, cabe ao governo adotar algumas políticas, que podem ser implementadas de forma 
simultânea, tais como: reduzir o montante de seus gastos (G); aumentar os tributos (T), o que comprimiria a renda disponível dos 
indivíduos e, conseqüentemente, o nível de consumo (C); aumentar a tributação sobre a rentabilidade dos investimemos, o que 
acabaria por desestimulá-los, reduzindo (I); elevar os tributos sobre as exportações (X) ou mesmo, isentardas importações (M) os 
tributos. Todas essas medidas de política econômica teriam o efeito de reduzir o montante do dispêndio nacional agregado, 
conforme mostra o gráfico seguinte. 
 
14.2.1 Política Fiscal na Redução do Hiato Inflacionário 
No caso da redução do hiato deflacionário, as medidas são todas de natureza inversa das acima relacionadas, cabendo ao 
leitor listá-las e se conduzir nas suas representações gráficas ou algébricas. 
Deve também ficar registrado que as políticas fiscais muitas vezes se destinam a atingir outros objetivos, diferentes dos de 
tentar promover o pleno emprego na economia. Poderia ser conduzida para manter um certo grau de estabilidade desejável ao 
funcionamento do sistema econômico. Neste caso, pode-se citar algumas como: política de preços mínimos na agricultura, salário- 
desemprego, imposto de renda etc. 
 
14.2.2 Os Instrumentos Fiscais 
Independentemente do critério de classificação que venha a ser adotado, os instrumentos fiscais referem-se às despesas e 
às receitas do setor público. Embora nem todos os fluxos de receita e de despesa do governo possam ser considerados como 
instrumentos de política econômica, dado que há itens integrantes do orçamento e das contas do setor público que não são 
passíveis de utilização como meios de consecução de objetivos econômicos, a maior parte das decisões governamentais quanto à 
composição de seus gastos e à estrutura de sua receitas está de alguma forma correlacionada com os fins da política econômica 
em curso. Dessa forma, as receitas e as despesas do setor público classificáveis como instrumentos da política econômica são 
aquelas que os órgãos responsáveis pela formulação e condução dessa política podem utilizar com objetivos econômicos in mente. 
 
14.2.3 O Consumo do Governo 
 As despesas do governo classificadas como consumo compreendem os fluxos de pagamentos do pessoal civil e 
militar, de gastos com aquisição de materiais não permanentes e de contratação de serviços de terceiros, todos destinados, de 
forma geral, à produção de serviços de uso coletivo, de que são exemplos a manutenção dos sistemas legislativo e judiciário e os 
órgãos de planejamento e de administração pública, as atividades de defesa e segurança pública, e os sistemas públicos de 
educação e cultura e de saúde e saneamento básico. 
Este conjunto de despesas geralmente atinge uma alta proporção da totalidade dos gastos públicos, notadamente nos 
países em que se privilegia, via gastos públicos de custeio, a absorção da força de trabalho desempregada. Quando acionados com 
esta finalidade, estes gastos podem atender a objetivos de expansão do emprego, bem como a objetivos de repartição, tanto os 
referentes à melhoria da estrutura de repartição da renda, como, mesmo, os que se referem à redução dos desníveis regionais. 
Quanto a este último aspecto, Rezende observa que, "além de oferecer uma alternativa interessante para os propósitos de 
compatibilização dos objetivos de crescimento econômico e emprego de mão-de-obra, o emprego público pode vir a constituir-se em 
importante instrumento de política econômica, principalmente no que se refere ao controle das migrações, à distribuição da renda e 
à qualidade da vida. Quanto às migrações, a criação de empregos relacionados à produção de serviços urbanos nas pequenas e 
médias cidades do interior pode oferecer um importante papel de reter ou retardar os fluxos migratórios que se dirigem para os 
principais centros urbanos do país. As conclusões de estudos sobre migrações internas sugerem que o processo migratório ocorre 
em etapas sucessivas, com os migrantes dirigindo-se inicialmente às pequenas cidades do interior, deslocando-se posteriormente 
para as cidades intermediárias, capitais regionais e principais áreas metropolitanas. Não obstante, este processo não encerra 
qualquer tentativa de promover um ajustamento gradual dos migrantes às condições de vida nas grandes cidades, tanto no que se 
refere a padrões culturais quanto no que diz respeito a aptidões profissionais para ingresso no mercado de trabalho. Neste sentido, 
a expansão das oportunidades de emprego nas cidades pequenas e médias poderia ter um duplo efeito do ponto de vista do 
objetivo de controle das migrações. De um lado, contribuiria para reduzir e retardar o fluxo de migrantes para as grandes cidades, 
com importantes efeitos colaterais sobre as condições econômicas da zona de repulsão. De outro lado, a redução do número de 
migrantes que chegam às grandes cidades completamente despreparados para uma perfeita assimilação ao meio urbano, 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
15 
representaria um fator importante de redução do custo de melhoria das condições ambientais nas principais áreas metropolitanas do 
país". 
Os gastos de consumo podem ainda ser acionados para atender a objetivos de estabilidade, quer quanto à manutenção 
dos níveis de emprego (caso em que o governo pode antecipar ou ampliar os gastos de custeio), quer quanto à estabilidade dos 
preços (caso em que o governo pode reduzir seus dispêndios reais com seus quadros funcionais de pessoal ou então proceder a 
cortes ou adiamentos de suas aquisições de materiais não permanentes e de serviços de terceiros). Há governos, por exemplo, que, 
deliberadamente, reservam sua capacidade de compras, particularmente as dos setores de defesa e segurança pública, como 
meios de ativação ou de desativação das atividades produtivas, em consonância com os objetivos de política econômica em curso. 
Mesmo os objetivos de estabilização relacionados às transações econômicas com o exterior podem influenciar 
temporariamente os dispêndios de consumo do governo. Por exemplo, nas fases em que se registram déficits indesejáveis em 
transações correntes, o governo pode reduzir suas aquisições e suas despesas de custeio no exterior, como um dos meios de re-
equilíbrio dessas transações. 
 
14.2.4 Os Investimentos do Governo 
As despesas do governo classificadas como investimento compreendem um conjunto de gastos enfeixados nos 
orçamentos públicos, sob a denominação genérica de despesas de capital. Estas despesas incluem investimentos em obras 
públicas (desde os estudos e projetos para a execução das obras até os gastos com as construções propriamente ditas, e a 
aquisição de equipamentos de uso permanente); incluem também inversões financeiras com a aquisição de imóveis e ainda as 
destinadas a diferentes formas de participação do governo na constituição ou aumento do capital de empresas. 
Enquanto instrumentos de política econômica, os investimentos do governo relacionam-se fundamentalmente com objetivos 
estruturais ou de longo prazo, embora possam também, a exemplo do que ocorre com os dispêndios de custeio, atender 
circunstancialmente a objetivos conjunturais ou de curto prazo. Quando vinculados a objetivos de longo prazo, os investimentos do 
governo constituem poderosos instrumentos de promoção do crescimento econômico, tanto no que se refere à melhoria ou 
expansão da disponibilidade estrutural de recursos, quanto à adequação da infra-estrutura de apoio. Embora os recursos destinados 
a esses programas possam ser alternativamente canalizados para o financiamento de inversões do setor privado, sua aplicação via 
investimentos diretos do governo é teoricamente justificada por três fatores: 
a) a insuficiente capacidade de o setor privado mobilizar os recursos necessários para projetos de grande vulto em setores que 
apresentam elevados efeitos multiplicadores sobre a economia ou elevado conteúdo de geração ou de poupança de divisas 
externas; b) o longo prazo de maturação dos investimentos infra-estruturais, desestimulando o ingresso de capitais privados; e c) a 
baixa rentabilidade privada de determinados empreendimentos, cuja existência decorre muito mais de seus elevados benefícios 
sociais. O volume dos investimentospúblicos resultantes destes três fatores pode assumir grandes proporções, mesmo em relação 
ao agregado da formação bruta de capital fixo, notadamente nas economias em fase de crescimento econômico acelerado ou 
naquelas em que os objetivos de crescimento têm prevalência sobre os demais. Conseqüentemente, tornam-se um dos mais 
importantes instrumentos fiscais, pelo menos no que se refere à consecução desses objetivos. 
O elevado poder de impacto dos investimentos públicos, a diversificação crescente dos setores a que o governo tem 
canalizado essa categoria de despesa e a necessidade de proceder ao seu alinhamento em relação aos objetivos básicos de 
crescimento, sob determinadas prioridades setoriais e regionais, conduziram, em anos recentes, ao desenvolvimento da técnica do 
orçamento-programa, por intermédio da qual o governo pode obter maior eficácia no manejo de seus investimentos como 
instrumentos de política econômica. Essa técnica, derivada de modelos convencionais de programação econômica, permite que os 
investimentos públicos alinhem-se mais adequadamente aos objetivos pretendidos pela política pública, em todas as áreas de 
atuação do governo, não só na que se refere à política econômica. Nesta área, porém, a programação dos gastos públicos em 
investimentos assume particular importância. Smithies assim resume os benefícios resultantes do enquadramento dos investimentos 
públicos em orçamentos-programas: a) possibilita que se realizem estimativas e comparações entre os vários programas do 
governo, em termos de suas contribuições para a consecução dos objetivos nacionais; b) auxilia na determinação de como os 
objetivos definidos podem ser alcançados com o mínimo de alocação de recursos; c) facilita a projeção das atividades do governo 
dentro de horizontes de tempo compatíveis com as metas das políticas em curso; d) possibilita sejam comparadas e determinadas 
as contribuições relativas das atividades públicas e privadas na obtenção das metas nacionais; e e) facilita a revisão dos objetivos, 
programas e orçamentos, tendo em vista a experiência adquirida e as diferentes circunstâncias conjunturais em curso. 
Finalmente, cabe ainda observar que, embora os investimentos do governo sejam instrumentos essencialmente 
mobilizados para objetivos de longo prazo (crescimento e repartição), é possível sua manipulação como meio para coadjuvar 
objetivos de estabilização. Nas circunstâncias conjunturais em que a manutenção dos níveis de emprego se torna prioritária, em 
decorrência de indesejável fase de contração das atividades econômicas, os programas de investimento do governo podem ser 
antecipados ou acelerados. O adiamento ou a desativação de despesas de capital, em contrapartida, podem atuar como meios de 
contenção de tensões inflacionárias (notadamente nos casos diagnosticados como decorrentes de pressões de demanda) ou ainda 
para reduzir desequilíbrios nas transações correntes com o exterior. Deve-se considerar, todavia, que o emprego dessas categorias 
de despesas públicas para fins conjunturais esbarra em graves dificuldades técnicas, decorrentes da reduzida flexibilidade de 
alteração, no curto prazo, dos programas de gastos em obras públicas e materiais permanentes. Os processos de aceleração e de 
desativação, além de esbarrarem em dificuldades técnicas, podem ainda conduzir a custos sociais superiores aos eventuais 
benefícios decorrentes dos objetivos circunstanciais de estabilidade. 
 
14.2.5 Os Subsídios e as Transferências 
As despesas do governo classificadas como subsídios são constituídas por pagamentos a unidades de produção, públicas 
ou privadas, no sentido de cobrir déficits operacionais resultantes da decisão política de que os preços de seus bens ou serviços 
devem ser inferiores à soma dos custos incorridos em sua produção. Genericamente falando, a destinação clássica dessa categoria 
de despesa pública é a de permitir que os compradores dos bens e serviços subsidiados gozem do benefício de um preço mais 
reduzido, em relação àquele que, na ausência do subsídio, normalmente se fixaria no mercado. 
mailto:cmotta@cvism.com.br
Orçamento e Finanças Públicas 
Professora Carolina Fontoura da Motta, economista, Premium Cursos e Concursos. 
e-mail: cmotta@cvism.com.br 
 
16 
Como instrumentos de política econômica, os subsídios caracterizam-se por sua extraordinária versatilidade, dado que 
podem ser mobilizados, com razoável poder de influência, tanto para objetivos de crescimento e repartição, como para objetivos 
conjunturais de estabilização. No que concerne ao crescimento, os subsídios são geralmente empregados como meios de 
estimulação de determinados ramos do aparelho de produção da economia, cujo desempenho ou expansão contribuam 
significativamente para a elevação do produto nacional e dos níveis globais de emprego. Concomitantemente com a promoção do 
crescimento, podem ainda ser utilizados como instrumento de redução dos desníveis regionais, caso em que o governo subsidia 
privilegiadamente as atividades das regiões economicamente mais carentes. Quando mobilizados para a consecução de objetivos 
desta natureza, os subsídios podem assumir diferentes formas, desde o rebaixamento dos preços dos bens finais produzidos pelas 
áreas subsidiadas para estimulação do seu escoamento, até o rebaixamento dos custos dos insumos utilizados no processo 
produtivo. Um caso clássico de utilização desse instrumento para estimulação de atividades produtivas (podendo ou não ser 
empregado sob critérios de diferenciação regional) é a concessão de subsídios para insumos de alta relevância na estrutura de 
produção da economia, de que são exemplos os insumos energéticos e, mais especificamente para as áreas rurais, os fertilizantes. 
Os investimentos em capital fixo (aquisição de equipamentos e implementos), destinados à modernização ou à ampliação 
da capacidade produtiva instalada, tanto nas áreas rurais como nas áreas urbano-industriais, podem também ser objeto de 
programas oficiais de subsídios. 
No âmbito do equilíbrio das transações econômicas com o exterior, os subsídios podem ser empregados como formas de 
rebaixamento dos preços de produtos destinados ao mercado externo, nos casos em que os desequilíbrios sejam representados por 
déficits em transações correntes, corrigíveis via expansão das receitas cambiais com exportações. Cabe notar, no entanto, que a 
aplicação desse instrumento para esse fim é passível de retaliações internacionais, desde que a concessão do subsídio seja 
caracterizada como uma forma disfarçada de dumping. Os créditos-prêmio de impostos para exportadores, classificáveis como um 
tipo especial de subsídio, são passíveis dessa caracterização. 
Quanto ao objetivo de estabilidade dos preços, a utilização de subsídios pode transformar-se numa "faca de dois gumes". 
Entendendo os formuladores da política econômica que determinados bens e serviços de amplo consumo popular e de alta 
representatividade nos orçamentos das classes socioeconômicas modais devam ter os seus preços artificialmente rebaixados por 
subsídios (como forma de conter o seu impacto no cálculo dos índices nacionais de preços ao consumidor), podem recorrer à 
concessão de diferentes formas de subsídios, alcançando maior ou menor número de produtos. Embora o reflexo desse instrumento 
nos índices de preços possa ser relevante e imediatamente observável, o seu peso nos orçamentos fiscal ou monetário pode exigir 
determinados sistemas de financiamento (via expansão da carga tributária ou da base monetária), que defasadamente acabarão por 
exercer pressões de alta, anulando a redução de preços ensejada pelos subsídios concedidos. Esses efeitos de anulação dos 
resultados alcançados pela utilização desse instrumento podem, no entanto, ser evitados, desde que se encontrem formas não 
inflacionárias de financiamento dos subsídios concedidos. 
Quanto ao objetivo de melhor repartição pessoal da renda, os subsídios são amplamente utilizados, a despeito de seus 
possíveis efeitos inflacionários,

Mais conteúdos dessa disciplina