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🦷 O que é a cárie?
A cárie é uma doença que destrói os tecidos mineralizados do dente: esmalte e dentina. Quanto antes for detectada, mais conservador e menos invasivo será o tratamento.
🔍 Causas principais:
· Alto consumo de açúcar
· Biofilme dental (placa bacteriana)
· Fatores biológicos, comportamentais e sociais
🧪 Entendendo o processo da cárie
“A cárie ocorre quando há desequilíbrio entre desmineralização e remineralização.”
📉 Desmineralização → perda de minerais
📈 Remineralização → reposição natural dos minerais
📌 Importante: Relação entre indivíduo e bactérias pode sair do equilíbrio (eubiose → disbiose).
⚙️ Diagrama de Keyes e Newbrun
📌 Diagrama de Keyes:
Mostra 3 fatores essenciais:
· Hospedeiro
· Bactérias
· Dieta cariogênica
📌 Diagrama de Newbrun:
Adiciona o tempo como 4º fator.
👉 Esses elementos devem atuar juntos por um período contínuo para que ocorra a cárie.
🔬 Lesão de cárie: esmalte x dentina
Esmalte:
· Pouca espessura, difícil diferenciar camadas
· Tratamento remove todas as zonas
Dentina:
· Apresenta camadas clínicas distintas:
	Zona
	Características
	Conduta
	Desorganizada
	Amarela, úmida, mole
	Remoção total
	Infectada
	Amarela, borrachóide
	Remoção com cureta
	Afetada
	Resistente, pouca contaminação
	Preservação parcial
	Esclerosada
	Escurecida, muito dura
	Não remover
🧠 Odontologia minimamente invasiva
💡 Hoje, priorizamos a preservação da dentina e a proteção da polpa, reduzindo riscos de tratamento de canal precoce.
🛠️ Diagnóstico clínico e terapêutico
1. Exame clínico detalhado
· Anamnese
· Inspeção visual (com boa luz e isolamento)
· Radiografia (preferência: interproximal)
2. Identificação da lesão
	Tipo de lesão
	Aparência
	Tratamento
	Mancha branca ativa
	Opaca, rugosa
	Flúor + higiene
	Mancha branca inativa
	Lisa, brilhante
	Acompanhamento
	Cavitação
	Perda de estrutura
	Restauração direta
⚠️ Diagnóstico diferencial de mancha branca
Nem toda mancha branca é cárie!
Outras causas:
· Fluorose
· Hipoplasia do esmalte
· Trauma em dentição decídua
🕳️ Cárie em sulcos e fissuras
· Pode parecer escura, mas não ser ativa
· Pode esconder cárie na dentina (cárie oculta)
🛠️ Tratamento:
· Selamento (se não há cavitação)
· Intervenção mínima (abertura restrita)
· Restauração com resina se necessário
✅ Resumo Rápido:
· A cárie é multifatorial e depende de tempo
· Diagnóstico precoce = tratamento mais simples
· Cuidado com diagnósticos errados de mancha branca
· Sempre prefira a conservação dos tecidos dentais
🦷 Evolução na Terapêutica da Cárie
Desde os princípios de GV Black (1908), a Odontologia evoluiu muito:
➡️ Entendimento da etiologia
➡️ Materiais adesivos modernos
➡️ Nova filosofia: mínima intervenção
🦠 Lesões de Cárie: Estágios Diferentes
Lesões em diferentes níveis de comprometimento tecidual.
📌 Todas são lesões de cárie, mas não são tratadas da mesma maneira!
🔄 Mudança de Paradigmas
De: Terapêutica Convencional (GV Black)
Para: Terapêutica Contemporânea (Técnica Adesiva)
🎯 Objetivo: Manutenção dos dentes e suas funções por toda a vida
Princípios:
1. Detecção precoce das lesões
2. Avaliação de risco
3. Tratamento coletivo ou individualizado
🔍 Detecção Precoce das Lesões
1. Método Tátil-Visual
🛠 Usar sonda de ponta arredondada (PSR ou CPI) com delicadeza
💡 Necessário: dentes limpos, secos e bem iluminados
➡️ Dente seco = Esmalte desmineralizado mais opaco
➡️ Iluminação = Identifica manchas brancas iniciais
🧪 Exames Complementares
Utilizados para:
✅ Confirmar diagnóstico clínico
✅ Determinar extensão e atividade da lesão
✅ Monitorar evolução ao longo do tempo
🩻 Radiografias são as mais disponíveis:
· Radiopaco = Tecido mineralizado
· Radiolúcido = Perda mineral
📸 Comparações radiográficas ao longo do tempo ajudam no acompanhamento.
📊 Sistema ICDAS
Sistema internacional para detecção e diagnóstico da cárie
🔢 Classifica a gravidade da lesão de 0 a 6
	Código ICDAS
	Descrição
	0
	Superfície saudável
	1-2
	Lesões iniciais (sem cavitação)
	3-4
	Cavitação limitada ao esmalte
	5-6
	Lesão com comprometimento da dentina
⚠️ Determinação do Risco de Cárie
🔁 Risco = probabilidade de desenvolver novas lesões
Fatores a serem avaliados:
· Dieta
· Higiene oral
· Presença de placa
· Índices como o ICDAS
👥 Tratamento Coletivo ou Individualizado
De acordo com a IAPD Bangkok Declaration:
1️⃣ Prevenção Primária
🔹 Intervenções na comunidade
🔹 Ações individuais (ex: escovação, flúor)
2️⃣ Prevenção Secundária
🔹 Controle das lesões antes da cavitação
🔹 Paralisação de lesões mais avançadas
3️⃣ Prevenção Terciária
🔹 Tratamento restaurador conservador
🔹 Controle químico da cárie (ex: flúor)
🧑‍⚕️ Tratamento Individualizado
👀 Avaliação: paciente com doença ativa ou inativa
💡 Condutas:
· Aplicação tópica de flúor
· Aconselhamento alimentar
· Restaurações conservadoras (se necessário)
🛡 Princípios da Mínima Intervenção
🔬 Remineralização + Prevenção
➡️ Orientação dietética (menos carboidratos fermentáveis)
➡️ Uso de fluoretos (formação de fluorapatita)
➡️ CPP-ACP (liberação de cálcio e fosfato)
➡️ Diamino fluoreto de prata (efeito cariostático)
🛠 Intervenção Operatória Mínima
🎯 Meta: Remover o mínimo possível
✅ Foco: Selamento da cavidade e controle do biofilme
Remoção Parcial da Dentina Cariada
Camadas de dentina:
1. Necrosada
2. Infectada
3. Afetada
4. Esclerosada
🧪 Se o selamento for eficaz, a dentina afetada pode remineralizar!
🕵️‍♂️ Proservação
📅 Acompanhamento clínico periódico
➡️ Garante que a lesão permaneça inativa
➡️ Evita perda de mais tecido dental no futuro
🦷 Introdução
Princípios = orientações (não são regras rígidas), como “olhar para os dois lados antes de atravessar a rua”.
Objetivo: Ajudar o dentista a fazer preparos e restaurações seguras e duradouras.
🆚 Clássico x Moderno
· Clássico (Black): foco em extensões e retenções mecânicas.
· Moderno: foco na remoção do tecido cariado e mínima intervenção.
⚙️ Princípios Gerais do Preparo Cavitário
1. 🪥 Remoção do Tecido Cariado
· Remover dentina infectada e desmineralizada.
· Instrumentos rotatórios ou manuais (curetas).
· Rotatórios:
· Alta rotação = esmalte (com ponta diamantada e água)
· Baixa rotação = dentina (brocas + movimentos suaves)
· Importante: manter tecido saudável sempre que possível.
2. 📐 Forma de Contorno
· Delimita até onde vai o preparo.
· Antes: usava “extensão preventiva”.
· Agora: só remover o que está comprometido pela cárie.
3. 🧱 Forma de Resistência
· Ajuda o dente e a restauração a resistirem à mastigação.
Para Amálgama:
· Mínimo 2mm de profundidade.
· Remover esmalte sem suporte de dentina.
· Paredes planas e ângulos arredondados.
Para Resina Composta:
· Pode ser mais superficial.
· Deve ter pelo menos 1mm de dentina de suporte.
🔍 Visual sugerido: corte transversal do dente mostrando profundidades e suportes.
4. 🔒 Forma de Retenção
· Ajuda a manter a restauração no lugar.
Amálgama:
· Sem adesão → precisa de retenção mecânica.
· Paredes paralelas (autorretentiva)
· Convergência ou canaletas (se for expulsiva)
Resina:
· Adere ao dente → só precisa de adesivo.
🔍 Visual sugerido: desenhos das formas de cavidades autorretentivas e expulsivas.
5. 🛠️ Forma de Conveniência
Facilita o acesso e a execução do preparo.
Exemplos:
· Matriz metálica → evita iatrogenia.
· Isolamento absoluto → proteção e visibilidade.
· Bisel em dentes anteriores → estética.
· Acompanhamento da anatomia dental nas paredes pulpar e axial.
🔍 Visual sugerido: matriz em uso, isolamento com lençol de borracha, corte anatômico.
6. ✨ Acabamento das Paredes de Esmalte
· Alisa e regulariza as margens para melhor adaptação da restauração.
· Instrumentos: enxada, machado, recortador de margem cervical.
· Aplainamento = arredondamento do ângulo áxio-pulpar → evita fratura!
🔍 Visual sugerido: corte ampliado mostrando o acabamento e o aplainamento.
7. 🧼 Limpeza da Cavidade
· Remover resíduos antes de colocar os materiais restauradores.
🦷 CLASSE I – COMPARAÇÃO ENTRE AMÁLGAMA E RESINA COMPOSTA
🧪 1. INDICAÇÕES
	Amálgama
	Resina Composta
	Lesões médias/profundas(mín. 2 mm)
	Cavidades pequenas e médias
	Paciente com alto risco de cárie
	Estética é importante
	Áreas de alto desgaste
	Fraturas e fechamento de diastema
	Baixa exigência estética
	Pacientes com boa higiene
🚫 2. CONTRAINDICAÇÕES
	Amálgama
	Resina Composta
	Cavidades rasas
	Dificuldade de isolamento
	Regiões estéticas
	Cavidades muito largas (>½ intercúspide)
	Cavidades amplas V-L
	Alto risco de cárie
	Necessidade de ampla retenção
	 Envolvimento de cúspides
✅ 3. VANTAGENS
	Amálgama
	Resina Composta
	Alta durabilidade
	 Alta estética
	Facilidade técnica
	 
	Baixo custo
	 Fácil reparo
	Boa adaptação marginal
	Custo menor que restauração indireta
❌ 4. DESVANTAGENS
	Amálgama
	Resina Composta
	Estética ruim
	Técnica sensível
	Presença de mercúrio
	Contração de polimerização (fator C)
	Sem adesão ao dente
	Baixa resistência ao desgaste
🔧 5. CARACTERÍSTICAS DO PREPARO – AMÁLGAMA
· Profundidade mínima: 2 mm
· Paredes paralelas (ou convergentes se pouco profundas)
· Ângulos arredondados
· Largura = 1/4 da distância intercuspídica
· Remoção de esmalte sem suporte
· Instrumentos: broca 245 (cone invertido) ou ponta 1090 (cilíndrica)
🧰 6. ETAPAS PARA AMÁLGAMA
1. Preparo cavitário
2. Acabamento com cortantes de Black (machado, enxada)
3. Condensação (condensadores menores → maiores)
4. Brunidura pré-escultura (pressão forte)
5. Escultura anatômica (Hollemback, discoide-cleoide)
6. Brunidura pós-escultura (pressão leve)
7. Verificação da oclusão
8. Acabamento/polimento após 24h (broca multilaminada, escova Robson)
🔧 7. CARACTERÍSTICAS DO PREPARO – RESINA COMPOSTA
· Apenas remoção do tecido cariado
· Preparo conservador, sem necessidade de retenção
· Formato anatômico natural
· Instrumento: ponta esférica diamantada com água
⚙️ 8. ETAPAS PARA RESINA COMPOSTA
1. Limpeza e preparo da cavidade
2. Condicionamento ácido:
· Esmalte: 30 seg
· Dentina: 15 seg
3. Secagem controlada: esmalte seco / dentina úmida
4. Sistema adesivo (2 camadas com jato de ar + fotopolimerização)
5. Inserção da resina com técnica incremental oblíqua (máx. 2 mm por incremento)
6. Escultura anatômica simultânea à inserção
7. Acabamento e ajuste oclusal
8. Polimento após 24h (pontas de silicone, discos, pasta diamantada)
⚠️ DICA VISUAL: FATOR C (configuração cavitária)
Fórmula:
Fator C = superfícies aderidas / superfícies livres
Classe I:
→ 5 aderidas (V, L, M, D, P) / 1 livre (O) = Fator C = 5
Quanto maior o fator C, maior o estresse da contração → maior risco de infiltração.
Lesões Cervicais Não Cariosas (LCNC): Estudo Didático
As lesões não cariosas são perdas de estrutura dentária que não envolvem a ação de micro-organismos — ao contrário da cárie, que é infecciosa. O número de casos dessas lesões tem aumentado, e isso se deve, em parte, ao fato de que os dentes hoje permanecem mais tempo na boca dos pacientes, graças à melhora na higiene bucal, visitas frequentes ao dentista e avanços nos tratamentos restauradores.
Desgaste natural x patológico
O desgaste dentário ao longo dos anos é algo esperado — é o chamado desgaste fisiológico. Porém, quando esse processo ultrapassa o limite normal, afetando a estética, a função mastigatória ou causando desconforto, ele passa a ser considerado patológico.
Onde ocorrem essas lesões?
Embora possam aparecer em qualquer face do dente, é mais comum encontrá-las no terço cervical das faces vestibulares e linguais. Nesses casos, formam cavidades do tipo Classe V e recebem o nome de Lesões Cervicais Não Cariosas (LCNC).
Causas Multifatoriais: Erosão, Abrasão, Abfração e Atrição
Essas lesões podem ter origens distintas, muitas vezes associadas entre si. Vamos explorar cada uma delas:
🧪 Erosão Dental
O que é?
Perda da estrutura do dente causada por processos químicos ácidos, sem a ação de bactérias.
Causa:
Contato constante com substâncias ácidas (pHprocedimento.
· Espelho clínico: Para facilitar a visualização das áreas difíceis de alcançar.
· Instrumentos para Anestesia:
· Seringa carpule: Usada para administrar a anestesia local de forma controlada.
· Isolamento do Campo Operatório:
· Dique de borracha e arco de Young: Isolam a área de trabalho, mantendo-a seca e livre de contaminações.
· Pinça porta-grampo e grampos: Fixam o dique de borracha para proteção.
· Sugador de saliva: Remove líquidos da cavidade bucal durante o procedimento.
· Materiais para Profilaxia:
· Escova Robinson e taça de borracha: Para a limpeza e preparação da área antes da restauração.
· Materiais para Restauração Proximal:
· Matriz metálica e porta-matriz: Auxiliam na formação de uma parede temporária durante a colocação da restauração.
2. Instrumentos Cortantes Manuais
Esses instrumentos são usados para cortar e remover o tecido dentário afetado pela cárie ou desgaste.
· Curetas Dentárias/Colher de Dentina: Usadas para a remoção de tecido cariado. As lâminas podem ser retas ou em formato de disco.
· Recortador de Margem Gengival: Usado para fazer o acabamento nas margens do preparo, garantindo que a gengiva não seja danificada.
· Cinzel e Machado: Essenciais para cortar e dar acabamento ao esmalte dentário e às paredes do preparo cavitário.
3. Instrumentos Cortantes Rotatórios
Esses instrumentos são acoplados a motores e são fundamentais para a remoção mais eficiente de tecido dentário, especialmente em cavidades mais profundas.
· Pontas Diamantadas: Usadas para desgastar o esmalte ou materiais restauradores como resina composta. Têm ação abrasiva.
· Brocas: Possuem lâminas que cortam a dentina cariada e permitem o acabamento da cavidade. Podem ser feitas de aço ou carbeto de tungstênio.
4. Instrumentos de Inserção
Esses instrumentos são fundamentais para inserir os materiais restauradores ou protetores no preparo cavitário.
· Porta-Amálgama: Usado para inserir o amálgama durante a restauração.
· Espátulas de Inserção: Para colocar materiais como resina composta ou cimentos.
· Aplicador de Hidróxido de Cálcio: Usado para aplicar um material protetor no fundo da cavidade, protegendo a polpa dentária.
5. Instrumentos Condensadores
São utilizados para compactar materiais como amálgama, garantindo que ele preencha completamente a cavidade.
· Condensador Ward: Usado para pressionar o amálgama no preparo cavitário, garantindo uma boa adaptação.
6. Instrumentos Esculpidores
Após a inserção do material restaurador, esses instrumentos são usados para dar a forma e anatomia à restauração.
· Brunidores e Esculpidores (Hollenback, Discóide-Cleóide, etc.): Usados para modelar e dar o formato final à restauração, garantindo que ela se assemelhe ao formato original do dente.
7. Instrumentos para Acabamento e Polimento
Após a restauração, é importante garantir que a superfície do dente esteja lisa e sem irregularidades. Esses instrumentos são usados para dar o acabamento final.
· Para Amálgama:
· Tiras de lixa de aço e brocas multilaminadas: Para polir e dar acabamento ao amálgama.		‘
· Borrachas abrasivas: Usadas no polimento final.
· Para Resina Composta:
· Tiras de lixa de poliéster e brocas multilaminadas: Usadas para o acabamento.
· Pontas Diamantadas F e FF: Para polir e dar um acabamento mais fino à resina.
· Discos de Óxido de Alumínio e Pontas Abrasivas: Usados para garantir o polimento e acabamento da restauração em resina.
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