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Psicologia Comportamental MÓDULO 1 Ontologia e epistemologia do Behaviorismo Radical Dentre as várias propostas de entendimento do que seja a psicologia (seu objeto, seus métodos e seu papel na sociedade contemporânea), encontra-se a que chamamos de behaviorismo radical. B. F. Skinner (1904-1990) é reconhecido como o principal autor desta abordagem teórica da psicologia. Quando Skinner inicia seus estudos em psicologia, outras propostas de entendimento desta área já estavam em discussão e a apresentação dos aspectos que caracterizavam seu entendimento da psicologia foi feita a partir da contraposição com essas outras propostas então em vigor. Posições filosóficas dominantes na Psicologia para explicação do comportamento: Causalidade mecanicista: Relações entre eventos imediatamente antecedentes (vistos como as causas) e o comportamento (visto como o efeito) foram mais facilmente identificáveis e, posteriormente, manipuláveis. A natureza atribuída aos fenômenos envolvidos na privacidade (subjetividade) é pautada no Mentalismo, que entende que os eventos privados são de natureza diferente dos demais fenômenos, não são de natureza física, são de natureza mental ou psíquica. De acordo com Skinner, o Mentalismo tem como foco os eventos privados e pouca atenção aos eventos públicos; enquanto o Behaviorismo metodológico (principal representante é Watson) tem como foco os eventos públicos e pouca atenção aos eventos privados, sendo que o Behaviorismo Radical restabelece um certo tipo de equilíbrio. Características fundamentais do Behaviorismo Radical: · Considera possível estudo de eventos privados: o que é sentido ou introspectivamente observado não é nenhum mundo imaterial da mente ou consciência; é o próprio corpo do observador. Os Eventos privados são definidos como produtos colaterais da história genética e ambiental da pessoa. · O comportamento (qualquer que seja ele, público ou privado) é a interação entre o organismo e o ambiente; sendo que o comportamento atual é uma interaçã e é ao mesmo tempo produto de interações anteriores (é histórico). · Behaviorista: considera que os fenômenos da subjetividade são da mesma natureza que os demais fenômenos que constituem o homem: são fenômenos físicos, materiais. · Objeto de estudo: comportamento dos organismos vivos (humanos e outros). · Método de estudo: método das ciências naturais; método experimental. · O modelo de causalidade, de explicação do comportamento é o de Seleção por Consequências. O modelo de Seleção por consequências é baseado na Teoria da seleção natural: a teoria é utilizada aqui como um referencial para falar do comportamento. Ignorá-la é ficar à margem da tendência atual do desenvolvimento científico, dada a sua grande aceitação. O comportamento, de acordo com Skinner, é produto de três histórias: Filogênese (história evolutiva da espécie); Ontogênese (história de vida do indivíduo); Cultura (ambiente socialmente evoluído). Filogênese (história evolutiva) e explicação histórica: são explicações alternativas ao mentalismo, apesar de atípicas entre as ciências por serem não mecanicistas. A Psicologia como Ciência do Comportamento Para o Behaviorismo Radical, é condição básica do ser humano que ele interaja com a natureza, com outros homens, o que significa dizer que ele aja sobre a natureza, sobre os outros homens e sofra os efeitos dessa sua ação: isto é determinação, isto é controle. Em primeiro lugar, porque ele age sobre, e, ao fazê-lo, produz mudanças. Em segundo lugar, porque a esperança do Behaviorismo Radical é que, através da descrição desses processos de interação, através da produção de conhecimento científico, nós possamos criteriosamente escolher e produzir as condições que nos controlarão: o homem pode se tomar sujeito de seu próprio destino (About Behaviorism, 1974, p.277). E fará isso agindo sobre o mundo, produzindo o mundo que o produzirá enquanto organismo, enquanto pessoa e enquanto self. Fundamentalmente, é por causa dessa esperança que o Behaviorismo Radical tem feito críticas sistemáticas à prática de se buscar as causas do comportamento no interior do indivíduo. Procurar os determinantes dentro do homem, buscar explicações mentalistas, contentar-se com a indicação das chamadas causas internas nos afasta de atuar sobre o mundo (Sério, TMAP, 2005). MÓDULO 2 O mundo dentro da pele O mundo dentro da pele Objetivo: como resolver o acesso a privacidade (mundo dentro da pele). Como a privacidade pode ser observada e descrita. O relato de sentimentos e comportamentos. Como identificar as causas do camportamento a partir de relatos de sentimentos. Conceito de autoconhecimento. Para o Behaviorismo Radical, o mundo público (eventos que mais de uma pessoa pode ter acesso) e o mundo privado (acessíveis apenas para o próprio indivíduo) têm a mesma natureza, apenas a maneira de acessá-los será diferente. Para Skinner, o problema de acesso ao mundo dentro da pele, ou privacidade, pode ser em parte resolvido quando as pessoas falam/descrevem seus eventos privados. É a partir da existência de uma comunidade verbal que as pessoas passam a falar de si mesmas e podem falar de aspectos aos quais apenas elas têm acesso, incluindo aí seu mundo privado. O comportamento verbal depende da mediação de outras pessoas, e essas pessoas constituem a comunidade verbal a qual o indivíduo pertence. Em certa medida, soluciona o problema da privacidade, porém, a comunidade não faz isso com precisão (descrever os estados do próprio corpo) porque não dispõe das informações necessárias para poder elogiar ou corrigir. Existem maneiras para a comunidade verbal ensinar a discriminar eventos privados. Quando ela tem condições públicas correlacionadas para descrever as condições privadas do outro, ou buscando condições que produzem sentimentos semelhantes ao que sentimos, ou pode também observar respostas públicas do indivíduo que estão relacionadas ao que ele sente. Para o Behaviorismo Radical de B. F. Skinner, autoconhecimento é definido como estar consciente de si mesmo, mas para alcança-lo a cultura em que o indivíduo está inserido tem participação fundamental. Com ela o sujeito aprende a descrever o comportamento e, posteriormente, seu “mundo interno”. Neste sentido, o Autoconhecimento para o Behaviorismo Radical é de origem social, pois uma pessoa que se "tornou consciente de si mesma" por meio de perguntas que lhe foram feitas está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento. A Análise do comportamento não discute a utilidade prática dos relatos acerca do mundo privado (sentido e observado introspectivamente). Eles são PISTAS: 1) para o comportamento passado e as condições que o afetaram, 2) para o comportamento atual e as condições que o afetam, e 3) para as condições relacionadas com o comportamento futuro. Ainda assim, ao ensinar o autoconhecimento, comunidade verbal não consegue solucionar completamente problema da privacidade, pois o mundo privado não é claramente observado ou conhecido. MÓDULO 3 Controle aversivo: punição, fuga e esquiva Controle coercitivo Objetivos: compreender o controle aversivo e seus efeitos principais, entender a necessidade de estudo do comportamento para propor alternativas à coerção. Análise do comportamento: desenvolveu métodos para formular e responder a questões importantes sobre a conduta humana. Reforço positivo é marca da análise do comportamento. Existem demonstrações em laboratório e fora dele que justificam o uso do reforçamento positivo ao invés da coerção. É urgente a necessidade de se disseminar esta informação, pois infelizmente verifica-se que a maioria das relações sociais está pautada pelo uso de coerção. Principais controles comportamentais existentes: 1. Reforçamento positivo = não coercitivo; 2. Reforçamento negativo = coercitivo; 3. Punição positiva e negativa = coercitivos. A punição funciona? Ela é utilizada em grande parte das sociedades pelas agências de controle (família, escola, governo, religão) para mudar o comportamento das pessoas. A coerção tambémé amplamente empregada nas relações sociais como forma de mudar e/ou eliminar comportamentos uns dos outros. Porém, é a melhor forma de controle? Justiça significa punição? (É uma ameaça para manter as pessoas na linha?). São tópicos complexos. Oferecem respostas: a filosofia, a moral, as religiões, as emoções, a política e a ciência. (Com dados controlados e com fatos, ou seja, com estudos científicos e não com opiniões). A cultura tem a suposição de que punir mau comportamento ensina bom comportamento, porém, os efeitos colaterais se mostram mais importantes que os “principais” na punição. Punição, em geral, precisa de um agente punidor e por condicionamento reflexo o agente punidor se transforma em um punidor condicionado. Este é o primeiro efeito colateral da punição, pois, de acordo com Sidman, qualquer um que use muito choque, torna-se ele mesmo um choque. Efeito colateral da punição, ela “contamina”, transforma o que está próximo em estímulo aversivo. Produz diminuição de comportamento (fica quieto) e estimula contracontrole. Transforma ambientes inteiros em estímulos aversivos: família, escola, sociedade, países, culturas, é o efeito “tóxico” da punição. Fuga e esquiva Objetivos: compreensão do processo de fuga e esquiva no contexto da coerção. Identificar os problemas sociais e individuais relacionados ao comportamento de fuga e esquiva. Reforçamento negativo gera fuga, então o estímulo que gerou a fuga pode ser utilizado como punição. Reforçamento negativo e punição são os mesmos eventos funcionando de maneira diferente. (Em um círculo vicioso). Reforçamento negativo em geral pune o evento anterior a ele e o punidor gera fuga como efeito colateral. Esquiva: não se espera pela punição para fugir, em geral, existe um sinal de punição, antecipatório, e o organismo responde a esse sinal. Causas no passado e presente (não no futuro). Não é o futuro que causa a esquiva e sim a história passada de reforçamento. Esquiva como produto secundário da fuga: geralmente, primeiro se aprende a fugir para depois se esquivar. “Mistérios” da esquiva: não se observa o contexto aversivo, assim, ao observar o comportamento de esquiva o observador pode ter a tendência de procurar as causas dentro do organismo ou da mente. Rotas de fuga: Sidman identificou algumas rotas típicas para fugas em nossa cultura: Desligando-se: o indivíduo se desliga do problema como uma forma de fuga. Efeito de curto prazo apenas. O problema não se resolve. Crises emocionais: uma outra forma é através de crises emocionais. Problemas de saúde geram afastamentos de responsabilidades diversas. Após a recuperação o indivíduo retorna ao ambiente coercitivo e o problema não se resolve. Deixe o “Zé” fazer isso: delegar responsabilidades, tomadas de decisões etc. Ocorre com frequência em todos os processos produtivos e sociais. Diversos departamentos e hierarquias são criados como forma de “passar o problema” para outra pessoa. Quando os problemas não são resolvidos, quem leva a culpa é o “Zé”. Não fazer nada: se não é emergencial (as consequências são atrasadas) então, não faça nada, deixe para depois. Mas nós vamos sobreviver? Estamos jogando para o futuro o problema de hoje e o mesmo não para de crescer. O aquecimento global é um exemplo típico desta rota de fuga. Desistindo: quando as outras rotas já não funcionam mais, uma última forma é desistir. Da escola, do trabalho, dos relacionamentos pessoais etc. É um grave problema para o indivíduo e para sociedade. Uma última desistência é em relação a vida (suicídio). Esquiva Esquiva: não se espera pela punição para fugir. Causas no passado e presente (não no futuro). A esquiva é como produto secundário da fuga, depois de fugir aprende a se esquivar (evitar). “Mistérios” da esquiva: não se observa o contexto aversivo (pois este é evitado). Assim, muitos explicam a esquiva através de conceitos mentalistas. Mitos das causas da esquiva Expectativas como causas? Expectativas são produtos da experiência, também foram ensinadas na história de reforçamento. Medo e ansiedade? Sentimentos acompanham as contingências. Nós damos enfoque a eles. Eles não são causam e sim são efeitos colaterais. Sentimentos são sentidos como coisas “grandes”, enquanto os estímulos parecem “pequenos” aos nossos olhos. Qual a solução? Identificar as contingências, observar as relações entre: Depressão – dois sofrimentos: Esquiva (de tudo) e sofrimentos internos. Farmacologia: ação apenas sobre “sentimentos”. Terapia: identificar choques e reforços que mantêm a depressão. Esquiva “útil”: sobrevivência. Esquiva “sem sinal de aviso”: laboratório (choques não sinalizados, postergar choques). Patologias? Falta de contato com a realidade? Alguns pensam que sim. MÓDULO 4 Alternativas para o Uso da Punição Alternativas ao uso da Coerção Objetivos Compreender a principal metodologia da análise do comportamento para intervenção. Define-se reforçador positivo como um evento que, quando apresentado imediatamente após um comportamento, faz com que este aumente em frequência. Quando um operante é seguido por reforçador, este operante se fortalece. Método para intervenção baseada em reforçamento positivo 1. Selecionar o comportamento a ser fortalecido Deve-se especificar uma classe de comportamento e, posteriormente especificar os comportamentos que fazem parte desta classe. 2. Escolher reforçadores É importante selecionar estímulos que são reforçadores eficazes para o indivíduo com o qual será feita a intervenção. Também é fundamental a escolha por reforçadores positivos (estímulos adicionados após a resposta) e não de reforçadores negativos. Os reforçadores positivos podem ser divididos em categorias: consumíveis, atividades, manipuláveis, privilégios e sociais. Talvez seja necessário fazer um levantamento ou avaliação para determinar quais reforçadores utilizar. 3. Operações motivacionais Saciação e privação são exemplos de operações motivacionais. É preciso considerar essas variáveis no planejamento da intervenção. 4. Dimensão do reforçador O tamanho, quantidade ou magnitude do reforçador deve ser avaliado para que tenha efeito eficaz sobre a resposta. 5. Instruções Utilize as regras. É importante que instruções sejam fornecidas ao indivíduo sobre o funcionamento da intervenção para acelerar o processo de aprendizagem. 6. Contiguidade do reforçador Para o máximo de eficácia, o reforçador deve ser liberado imediatamente após a emissão da resposta. Caso não seja possível liberar o reforçador imediatamente, deve-se programar eventos intermediários que sinalizam o reforçador. 7. Reforço contingente versus não contingente Para que o programa de intervenção funcione, o reforço deve ser sempre contingente ao comportamento-alvo. Reforços não contingentes não produzirão o efeito desejado. 8. Término do programa e reforçamento natural É importante avaliar, ao término do programa, a manutenção do comportamento-alvo através de reforçamento natural. Espera-se que o comportamento-alvo fique mantido sob reforçamento natural. Ciladas do reforçamento positivo Efeitos indesejados O efeito do reforçamento positivo ocorre independentemente do planejamento ou da consciência do processo. Assim, é possível que diversos comportamentos inadequados sejam reforçados de maneira positiva sem que os envolvidos tenham conhecimento ou percepção do que está ocorrendo. Uma criança retraída poderá atrair atenção de adultos quando se isola. O adulto acredita que tem que “tirar” a criança daquele estado. Na verdade, pode estar reforçando o comportamento de retrair-se. Deveria reforçar quando a criança apresenta algum tipo de comportamento de interação social. Outras ciladas As principais ciladas são o uso de reforçadores não diretamente continentes ao comportamento e explicações simplistas sobre o reforçamento positivo, em geral nominando reforçadores atrasados e não especificando os reforçadores ou eventos que ocorrem imediatamente após a emissão da resposta. Diretrizes para a aplicação eficaz do reforçamento positivo:§ seleção de comportamentos específicos e que possam ficar sob controle de reforçamento natural; § uso de reforçadores disponíveis, diversificados e que possam ser apresentados imediatamente após a emissão da resposta; § uso de reforços sociais e de regras; § no desligamento do programa, gradualmente deixe de fornecer os reforços arbitrários e introduza reforçamento social; § observe se existem reforços naturais que possam manter o comportamento; § faça avaliações periódicas para verificar a manutenção do comportamento depois do término do programa. Alternativas ao uso da coerção •Maioria dos problemas na sociedade em geral são intrinsecamente complexos. •Sabemos o que a coerção faz: hora de examinar o que mais poderia ser utilizado. •Sugestões não salvarão o mundo, mas pequenos começos podem modelar nosso próprio comportamento em novas direções. •Justificamos a coerção em nome da educação, civilização, moralidade e defesa própria. Mas, não precisamos punir para evitar ou impedir as pessoas de agirem mal. •Alcançar mesmo fim com reforçadores positivos, sem produzir efeitos indesejáveis da coerção. •Princípio norteador: –REFORÇAMENTO POSITIVO FUNCIONA E A COERCÃO É PERIGOSA! MÓDULO 5 Comportamento Verbal Comportamento Verbal O comportamento verbal é um tipo de comportamento operante, ele altera o ambiente e é por ele modificado. A diferença básica entre um operante verbal e um operante (não verbal), é que verbal é um operante cujas consequências não guardam relações mecânicas com a resposta a que são contingentes. O comportamento verbal é um comportamento operante que é mantido pelas consequências, porém mediado por um ouvinte, que foi especialmente treinado pela comunidade verbal. Para se analisar o comportamento verbal, deve-se analisar as contingências entre ouvinte e falante, que é chamado de episódio verbal, no qual o ouvinte atua como estímulo discriminativo (Sd), na presença do qual as verbalizações (Respostas) ocorrem. Além disso, é o ouvinte quem reforça o falante, após emitir a resposta verbal. O contexto no qual o comportamento ocorre deve ser considerado para identificar o conceito de verbal ou não-verbal. Outro ponto é que não existe a necessidade de elementos topográficos para sua definição. - Tipos de operantes verbais: 1) Tato: são respostas verbais, vocais ou motoras controladas por Sd não verbais e mantidas por consequências geralmente sociais quando existe correspondência entre Sd e Resposta. Ex: nomear e/ou descrever pessoas, objetos, eventos. 2) Mando: são respostas verbais, vocais ou motoras controladas por eventos encobertos, ligados a estados motivacionais ou afetivos e mantidos por consequências que reduzam a privação ou eliminam estímulos aversivos. Ex: ordens, Instruções, conselhos ou pedidos. MÓDULO 6 Regras e resolução de problemas Comportamento Controlado por Regras: Objetivos: compreender o ensino e seguimento de regras sob a ótica da análise do comportamento. Toda cultura tem suas regras que, em geral, são ensinadas explicitamente. Aprender regras requer papéis de falante e ouvinte. O que é comportamento controlado por regra? REGRAS são estímulos verbais antecedentes que descrevem uma contingência.? Um SD verbal que indica uma contingência. Contingência: “Se (ação) então (consequência)” Exemplos: 1) Chegue em casa até as X horas; 2) Não fume. Comportamento: controlado por regra Versus Modelado por contingências (modelado e mantido por contingências de reforço e punição não verbais). Nosso comportamento pode se originar de duas fontes: ? 1. Temos contato direto com as contingências, emitimos a resposta e sofremos as consequências, positivas ou não, na própria pele: COMPORTAMENTO GOVERNADO POR CONTINGÊNCIAS ou aprendizagem por experiência direta. 2. Aprendemos através de descrições verbais das contingências, as regras, que regulam e discriminam os comportamentos apropriados. Neste tipo de aprendizagem, não vivenciamos as contingências, mas seguimos o conselho ou uma regra ditada por alguém: COMPORTAMENTO GOVERNADO POR REGRAS.? Regras: depende do cpto verbal de outro, saber “sobre”, Contingências: depende apenas do cpto do organismo, saber “como”, Estudos indicaram que apesar de que as contingências mantém o comportamento em última instância, que em geral, quando existe uma regra, as pessoas tendem a seguir regras ficando menos sensíveis as contingências. Assim, muitas pessoas que sofrem e procuram ajuda psicológica tem seus problemas relacionado ao seguimento de regras, que muitas vezes não descrevem corretamente as contingências. Regras: Sempre duas contingências O comportamento controlado por regras sempre envolve duas contingências: 1. Uma a longo prazo, a contingência última: a razão da regra; é a justificativa da regra, porque incorpora uma relação entre comportamento e consequência e se refere à saúde, sobrevivência e bem-estar a longo prazo dos descendentes e da família; está relacionada à aptidão. 2. Outra a curto prazo, a contingência próxima: reforço por seguir a regra; reforço, que, em geral, é fornecido pelo falante e se caracteriza como aprovação social ou reforçadores simbólicos (por exemplo, dinheiro) ou retira uma condição aversiva (uma ameaça). Exemplo: Em nossa cultura, somos instruídos a usar sapatos: - contingência próxima: Reforçador próximo = aprovação social (ou esquiva de desaprovação); - contingência última: evitar o frio, machucados, cortes, infecções, verminoses = boa saúde e probabilidade de sucesso reprodutivo. Pensamento e resolução de problemas Assim como aprendemos a ser ouvintes, aprendemos a ser solucionadores de problema. A resolução de problemas envolve treino prévio, instrução e reforço. Problema = situações em que o reforçador – resultante bem-sucedida – é claro, mas o comportamento que deve ser emitido – a solução – é obscuro. O problema é eliminado quando surge a solução e obtém-se o reforçador. Se aceitamos a ideia de que falar consigo mesmo é comportamento verbal, então torna-se possível entender a resolução de problemas como um exemplo de comportamento controlado por regras. Comportamento precorrente: - estímulos discriminativos que alteram a probabilidade de ações subsequentes e que acontecem antes da solução de um problema; - é como formular regras; - pode ser público ou privado, vocal ou não-vocal e funciona como autoinstrução; - pensamento que acontece durante a resolução de problemas, neste caso, é privado e vocal. A resolução de problemas é geralmente sistemática, pois as tentativas de solução seguem padrões, especialmente os que tenham funcionado anteriormente. Aprendizagem de seguimento de regras – forte tendência das pessoas a fazer coisas conforme lhes dizem. Nós estamos expostos desdee muito cedo a contingências próximas (pelos pais, professores, cultura) Seguir regra se torna então uma categoria funcional (classe de comportamento). Ocorre generalização – seguir regras se torna controlado por regras (ex: ouça os mais velhos) Seguimento de regras – permite a cultura, permite transmissão de conhecimento. Onde estão as regras? Internalizadas? (isso é mentalismo) Estão no ambiente – sob a forma de sons e sinais (são estímulos discriminativos). Lacunas entre regras e comportamento: é possível existir lacunas entre regras e comportamentos, ou seja, a regra não precisa estar presente no momento que o comportamento ocorre. Isso não significa que precisamos lançar mão de um conceito mental como "memória" para entender as regras. Quando alguém diz: "venha aqui amanhã", e a outra pessoa vai lá no dia seguinte. No momento em que ocorre o comportamento a regra não está mais presente, mas o que controlou o comportamento (o estímulo discriminativo) foi a regra emitida no dia anterior. MÓDULO 7 Evolução Cultural Se há uma coisa que diferencie os seres humanos das outras espécies é a cultura. A cultura de um grupo consiste em comportamento aprendido compartilhado pelos membros do grupo, adquirido comoresultado de pertencer ao grupo e transmitido de um membro do grupo a outro. A evolução cultural acontece de maneira análoga à modelagem do comportamento operante e à evolução genética. Requisitos para a existência de cultura: 1. é a existência da sociedade. Uma verdadeira sociedade inclui cooperação, que é comportamento altruísta que beneficia outros, a curto prazo, e beneficia o altruísta, a longo prazo. 2. É a capacidade dos membros do grupo de aprender uns com os outros, pois essa é a maneira pela qual os traços culturais são transmitidos ao longo do tempo. Cultura: é comportamento aprendido de um grupo. Consiste em comportamento operante, tanto verbal como não-verbal, adquirido como resultado de pertencer a um grupo. Cultura é posse de uma sociedade = indivíduos carregam genes e traços culturais, mas conjuntos gênico e cultural transcendem o indivíduo. Aprender com os outros = atalho valioso! “A transmissão cultural evita que tenhamos que inventar a roda” (BAUM, 2006, p. 247). Traços que permitem a cultura Três exigências para que se reconheça que um comportamento aprendido foi transmitido do grupo para indivíduo: 1. Limite do estímulo: aprender é limitado e guiado pela estrutura do organismo. Bebê humano chega ao mundo construído para ser afetado por estímulos cruciais provenientes de outros seres humanos. Sensibilidades específicas em relação a determinados estímulos andam lado a lado com tendências comportamentais específicas 2. Imitação: a cultura não existe sem imitação. Indivíduos que imitam têm maior chance de se comportar de maneiras que resultem em sobrevivência e reprodução. Em cultura só-por-imitação o comportamento de outros membros do grupo serve apenas como estímulo ou contexto indutor. 3. Reforçadores sociais: são responsáveis por modelar os comportamentos imitados pelos indivíduos de acordo com o esperado para cada cultura. Essa modelagem é conduzida pelos pais (quem cuida) das crianças. Exemplos: sorrisos, tapinhas nas costas e abraços. Tais reforçadores estão sempre disponíveis; apresentam liberação rápida e saciação lenta e permitem que a educação da criança seja contínua. Quando aprender com o outro beneficia, a longo prazo, os genes do aprendiz, como ocorre em nossa espécie, os traços que possibilitam essa aprendizagem serão selecionados. Os replicadores sociais são ações dos membros do grupo passadas de um indivíduo para outro, por imitação e educação. Essas unidades são definidas funcionalmente e incluem práticas não-verbais e verbais. As práticas verbais são úteis, pois fornecem estímulos discriminativos indutores de comportamentos que são socialmente reforçados. A cultura dos seres humanos inclui práticas de seguir regras, prescrever regras e formular regras. Todas elas dependem de contingências de reforço organizadas por outras pessoas, ou seja, são sociais. Variação, transmissão e seleção Assim como na evolução genética, a evolução cultural precisa de três ingredientes: 1. Variação: da mesma maneira como os genes variam, os replicadores culturais também variam e migram. Contingências sociais modelam comportamento que é normal para aquela cultura. Comportamento de ensinar, corrigir ou instruir consiste em reforçar comportamentos que são normais para aquela cultura e punir os que se desviam da norma. 2. Transmissão: cultural significa herdar traços adquiridos e possibilidades são contínuas, pois os ‘pais culturais’ não precisam de possuir qualquer conexão genética com aqueles que a recebem. A transmissão Genética ocorre apenas na concepção, enquanto cultural acontece a qualquer momento durante a vida. A transmissão cultural ocorre por imitação e regras. As crianças aprendem o comportamento de seguir regras porque a transmissão de práticas sociais através do seguimento de regras é particularmente rápida. 3. Seleção: acontece porque a transmissão é seletiva. Um critério possível de sucesso é a frequência. As pessoas imitam práticas frequentemente observadas, assim como imitam indivíduos com quem se deparam frequentemente (pais, amigos, professores, ídolos). Seguimento de regras é seletivo e relacionado com o sucesso, as pessoas tendem a seguir regras ditadas por pessoas cujos comportamentos são frequentemente reforçados. A proposta de fazer uma analogia entre evolução genética e cultural explica por que as pessoas agem frequentemente em seu próprio prejuízo, para o bem da comunidade ou de seu país. Práticas altruístas, costumes abnegados (doar dinheiro, tempo, esforço e arriscar a própria vida) são parte da cultura, pois as consequências para esses comportamentos são, em média e a longo prazo, reforçadoras para o grupo. A lógica da teoria da evolução determina que a evolução cultural deve operar dentro de limites fixados pela evolução genética. “Em última análise, a mudança cultural é guiada pelo bem-estar dos nossos genes” (BAUM, 2006, p. 264).