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Análise aplicada de contingências
As bases filosóficas que sustentam a proposição behaviorista da Psicologia a partir do modelo de seleção
por consequências na determinação dos comportamentos nos níveis filogenético, ontogenético e
sociogenético que formam a diversidade e complexidade de relações respondentes e operantes humanas.
Prof.º Lincoln Nunes Poubel
1. Itens iniciais
Propósito
Os conhecimentos sobre a formação e regência dos processos comportamentais são fundamentais para os
profissionais da educação e para os psicólogos para construírem programas e processos de intervenção em
cada uma dessas áreas.
Objetivos
Reconhecer os postulados filosóficos da ciência do comportamento, os níveis de evolução e seleção
comportamental, bem como os processos comportamentais derivados.
 
Analisar os processos de pareamento de estímulo condicionadores das relações emocionais e
sensoriais, bem como os processos dessensibilizatórios de tais relações.
 
Analisar as relações de consequenciação que modelam os comportamentos manejadores das
contingências, bem como seus fatores evocativos.
Introdução
Todos reconhecem a abundância, complexidade e, em alguns casos, estranheza das relações
comportamentais individuais e coletivas vigentes e extintas. 
Na busca de compreendermos as diversas forças e energias ocultas que regem nossas condutas,
apresentamos uma compreensão sobre os determinantes das relações humanas adotando o método científico
para estudá-las. 
Fica cada vez mais clara a regência exercida por fatores biológicos com origem nos processos evolutivos
pelos quais a espécie passou, bem como os processos evocativos e formativos dos comportamentos que
ocorrem nas contínuas experiências durante nosso desenvolvimento. São determinantes genéticos e
ambientais cujas observações sistemáticas e controles experimentais laboratoriais e de campo têm permitido
o mapeamento das interações e extração das leis comportamentais. 
São princípios como pareamento de estímulos e condicionamento, generalização, extinção, habituação e
dessensibilização que governam comportamentos respondentes, tais quais nossas reações sensoriais e
emocionais; e princípios como seleção por consequência de reforço e punição, modelagem, controle
discriminativo, condicionamento de regras e governo por operações estabelecedoras. 
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John Watson.
1. O estudo do comportamento humano
A ciência do comportamento
Como pensarmos numa ciência do comportamento?
O behaviorismo não é a ciência do comportamento propriamente dita, mas a reunião de um conjunto de
postulados e princípios que sustentam a cientifização da Psicologia. Procurando responder o porquê as
pessoas pensam, sentem e agem da maneira como o fazem, diversos autores construíram diferentes
concepções. 
A partir de 1913, John Watson (1878-1958) traz
o manifesto behaviorista dizendo que
poderíamos e deveríamos progredir nessa
construção de ciência, dando a base para o
desenvolvimento da ciência do comportamento
e usando diferentes métodos que foram
evoluindo ao longo do tempo. 
 
Desde a sua origem, podemos entender que
quanto mais experiências conseguirmos
mapear e demonstrar por controles
experimentais, tais como pensamentos,
sentimentos e sensações ou ações, então,
faremos uma ciência acontecer, e uma ciência
acreditável porque é sustentada por métodos e
fatos verificáveis por qualquer um que os conduza.
Atenção
Essa é a proposição behaviorista: sair do campo da especulação filosófica de autores meramente
pensadores. Não que ela seja contra a atividade intelectual de refletir sobre os objetos e eventos,
derivando possibilidades, pois muitos desses pensadores foram perspicazes e dedicados ao construir
suas teorizações, acertando ao apontarem relações que hoje, com os métodos que temos, podemos
demonstrar. No entanto, sem esse crivo de verificação que nos permite o método científico, teríamos
que acreditar e eventualmente aderir a uma corrente psicológica baseada na qualidade do argumento. 
Muitas vezes essas correntes se valem não de descrições objetivas de relações verificáveis, mas de recursos
literários, elementos metafóricos, simbólicos e até anedóticos que tornam as concepções encantadoras e
atraentes, levando-nos a aderir a elas porque fomos persuadidos, não porque aqueles postulados ou
princípios foram submetidos à verificação. 
O behaviorismo diz que é possível fazer ciência do comportamento. Mas como isso se daria? 
Toda ciência natural trabalha com um conjunto de postulados que precisam ser atendidos para a viabilização
da aplicação de seus métodos e o comportamento humano os atende a partir de suas dimensões mensuráveis
e da investigação das interações entre organismo e ambiente. Isso nos leva à definição do que é
comportamento em uma concepção behaviorista. 
 
Agora, veremos com mais detalhes dois tipos de comportamentos:
Comportamentos privados
São atividades corporais de glândulas, músculos e órgãos internos
(sobretudo cerebrais) que são iniciadas por eventos ambientais externos
ou internos (outras atividades fisiológicas) e resultam em sensações,
emoções e pensamentos, eles são classificados desta forma, porque
apenas o próprio indivíduo que os emite pode observá-los, ninguém mais.
Comportamentos públicos
São as atividades fisiológicas propriamente ditas e as ações motoras e
verbais de afetação alheia, uma vez que são observáveis por outros
indivíduos além do emitente. Então, nós interagimos privadamente
pensando; sensorialmente e emocionalmente sentindo os eventos;
interagimos publicamente com operantes motores manipulando coisas e
verbalmente influenciando pessoas.
Todos os comportamentos, nas diversas formas que cada indivíduo pode adquirir (o que é chamado de
variabilidade comportamental), precisam ser explicados com princípios demonstráveis de como chegamos ao
conjunto de atitudes, crenças, valores e conceitos com os quais estamos raciocinando. 
As relações emocionais variadas em diferentes circunstâncias que as eliciam; as ações que impetramos; as
maneiras como lidamos com as pessoas e com as coisas; como resolvemos problemas e buscamos o que
queremos na vida... Tudo isso precisa ser explicado, só que não de um jeito especulativo e teorizado que nos
obrigue a acreditar no autor porque nos agradou a forma como ele falou, mas, sim, porque ele demonstrou
aquelas alegações. Isso é o que o behaviorismo reconhece como ciência. 
Saiba mais
Os comportamentos humanos são passíveis de se tornarem objeto de uma ciência porque são próprios
de um organismo biológico (todos nós dessa espécie temos atividades de pensar, sentir e agir) na
interação com eventos físicos do mundo. Diferentemente de uma ciência exata que pretende quantificar
matematicamente a ocorrência dos fenômenos (e esse não é o objetivo da psicologia comportamental),
o behaviorismo busca extrair princípios verificáveis nos estudos dessas interações. Nesse sentido, todo
comportamento tem uma base fisiológica (a neuroatividade mínima necessária para a emissão de um
comportamento qualquer) “disparada” por algum evento físico. 
Como não nascemos com todos os comportamentos que hoje exibimos, toda essa evolução comportamental
tem que ser mostrada como acontece, e não apenas especulada.
Bases filosóficas do behaviorismo
Princípios do behaviorismo
Assim, uma vez que o organismo humano é uma espécie da natureza e que as suas relações com o mundo se
dão concretamente na interação com os eventos físicos presentes nesse mesmo mundo, então, a ciência
pode ser aplicada. Veremos agora algumas bases filosóficas do behaviorismo.
Monismo
É a primeira base filosófica do behaviorismo, ela é a concepção de que
tudo acontece em um único universo espaço-temporal físico da matéria e
da energia, podendo ser investigado pelas capacidades sensoriais
humanas diretamente ou com o auxílio de instrumentos. 
Pragmatismo
É a segunda base filosófica. Segundo essa base, qualquer explicação
precisa ser passível de verificação e utilizável para gerar efeitos. Ou seja,
deve exibir variáveis cuja manipulaçãoos processos privados de pensar, interpretar e
raciocinar, que são verbalizações privadas derivadas de conceitos condicionados, podem governar. 
Na avaliação e escolha de intervenções, precisaremos considerar a indução direta do contexto, das regras
para ele condicionadas e dos estados corporais derivados das privações e aversões. A depender da variável
que esteja evocando o comportamento operante, haverá uma direção de trabalho ou tratamento diferente e
também um olhar sobre as consequências que estão sendo produzidas, ainda que punindo o indivíduo, mas
mantendo o comportamento, mesmo numa armadilha de danos a longo prazo. 
Agora, veremos um depoimento que faz a reflexão sobre o uso do controle por estímulo discriminativo, as
operações motivadoras e as regras no comportamento operante.
O controle por estímulo discriminativo, as operações motivadoras e as regras
Neste vídeo, o especialista apresenta os conceitos e reflete sobre o uso do controle por estímulo
discriminativo, as operações motivadoras e as regras no comportamento operante.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
A seleção por consequências e os tipos de modelagem
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os diferentes esquemas de reforçamento e suas consequências
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O processo de desenvolvimento comportamental que é análogo à evolução biológica, no qual as variações de
movimentos produzem efeitos que resultarão na seleção e manutenção daqueles que são favoráveis ao
organismo em substituição aos desfavoráveis, em um contínuo de até maior refinamento e expansão,
corresponde ao conceito de
A
reforçamento positivo.
B
reforçamento negativo.
C
punição positiva.
D
punição negativa.
E
modelagem.
A alternativa E está correta.
A aquisição gradual durante interações formativas é expressa na alternativa correta, enquanto as demais
alternativas retratam apenas as consequências sob as quais as variações e seleções ocorrem, quando
respostas são seguidas de adições ou subtrações favoráveis ao organismo (opções A e B), ou adições e
subtrações desfavoráveis (opções C e D).
Questão 2
Quando mapeamos cientificamente os antecedentes que evocam comportamentos operantes, três variáveis
principais podem ser identificadas:
A
Estímulos incondicionados; estímulos condicionados e estímulos neutros.
B
Estímulos discriminativos; controle por regras; operações estabelecedoras.
C
Reforçamentos; punições; frustrações.
D
Modelagens naturais; modelagens artificiais; modelagens programadas.
E
Esquemas de razão; esquemas de intervalo; esquemas de duração.
A alternativa B está correta.
Somente a letra B apresenta antecedentes dos comportamentos operantes. Na alternativa A estão listados
antecedentes dos respondentes, enquanto as opções C e trazem variáveis consequentes. A alternativa D
retrata o processo de evolução operante por intermédio da seleção por consequências.
4. Conclusão
Considerações finais
Sob os postulados monista, ambientalista, interacionista, funcionalista, selecionista e evolucionista regentes
das ciências, a Psicologia Comportamental conseguiu substituir o raciocínio metafísico e a metodologia
especulativa-inventiva pré-científicos (que invocavam locais, agentes, energias e forças fantasmagóricas
internas invisíveis e ocultas, tais como a mente e suas regiões, os dinamismos psíquicos edipianos e
superegoicos em conflito, as índoles atuantes e os dons manifestantes) pelo raciocínio naturalista e pela
metodologia observacional-experimental. Esses novos recursos mapeiam, demonstram e descrevem as
neuroatividades comportamentais geneticamente suscetibilizadas pela filogênese, bem como os tipos de
experiências ontogenéticas evocativas e formativas expressas nas leis dos comportamentos respondentes e
operantes. 
Então, agora que você conhece mais sobre a extensão, o funcionamento e os modos de aplicação da análise
de contingências, poderá, principalmente, explorar essa capacidade para conhecer a realidade, resolver
problemas e coordenar decisões. 
Podcast
Neste podcast, o especialista irá refletir sobre a importância do mapeamento comportamental relativo à
identificação de processos de controle e manipulação, aos processos de condicionamento respondentes
e operantes, e os diferentes esquemas de reforço.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para conhecer um pouco mais sobre o sistema ético skinneriano e as principais críticas que Skinner faz ao
comportamento moral, leia o artigo Análise do comportamento e sociedade: implicações para uma ciência dos
valores, de Anne Bogo e Carolina Laurenti, publicado em 2012 na Revista Psicologia: Ciência e Profissão.
 
Veja como Augusta Gaspar apresenta uma visão da personalidade como um atributo biológico de adaptação
ao ambiente no artigo Da psicologia à biologia evolutiva: para uma abordagem integrada da personalidade,
publicado em 1999 na Revista da Associação Portuguesa de Psicologia.
 
Para entender melhor a teoria dos eventos e o conceito de privacidade no behaviorismo radical leia o artigo de
Henrique Mesquita, Naiene dos Santos e Camila Melo intitulado Eventos privados e privacidade no
behaviorismo radical: a questão da observabilidade circunstancialmente restrita, publicado em 2016 na
Revista CES Psicología.
Referências
BAUM, W. M. Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução. Porto Alegre: Artmed, 1999.
 
CARRARA, K. Behaviorismo radical: crítica e metacrítica. São Paulo: Unesp, 2005.
 
CATANIA, A. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Porto Alegre: Artmed, 1999.
MARTIN, P; PEAR, J. Modificação do comportamento: o que é e como fazer. São Paulo: Roca, 2009.
 
MOREIRA, M.; MEDEIROS, C. Princípios básicos de análise do comportamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed,
2019.
 
PINKER, S. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana. São Paulo: Companhia das Letras,
2004.
 
POUBEL, L.; RODRIGUES, P. Traduções comportamentais: o mentalismo nosso de cada dia. Rio de Janeiro:
Letras e Versos, 2020.
 
RIDLEY, M. O que nos faz humanos: genes, natureza e experiência. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.
 
SÉRIO, T. et al. Controle de estímulos e comportamento operante: uma (nova) introdução. São Paulo: EDUC
(PUCSP), 2008.
 
SIDMAN, M. Coerção e suas implicações. Campinas: Editorial Psy, 1995.
 
SKINNER, B. Ciência e comportamento humano. Brasília: Universidade de Brasília, 1967.
 
SKINNER, B. Questões recentes na análise do comportamento. Campinas: Papirus, 1991.
 
SKINNER, B. Seleção pelas consequências. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. 9, n.
1, p. 129-37, 2007.
 
SKINNER, B. Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix-Edusp, 1982.
 
WINSTON, R. Instinto humano: como os nossos impulsos primitivos moldaram o que somos hoje. São Paulo:
Globo, 2006.
	Análise aplicada de contingências
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. O estudo do comportamento humano
	A ciência do comportamento
	Como pensarmos numa ciência do comportamento?
	Atenção
	Comportamentos privados
	Comportamentos públicos
	Saiba mais
	Bases filosóficas do behaviorismo
	Princípios do behaviorismo
	Monismo
	Pragmatismo
	Interacionismo
	Ambientalismo
	Antimentalismo
	O primeiro
	O segundo
	O terceiro
	Exemplo
	Um projeto científico para a Psicologia
	Ciência não é superstição
	Exemplo
	A dialética da vida
	A importância do controle e manipulação
	No nível individual chamado de ontogênese
	No nível social chamado de sociogênese
	No nível biológico chamado de filogênese
	Saiba mais
	Processos comportamentais
	O que são processos comportamentais?
	Exemplo
	Os processos comportamentais e a variabilidade comportamental adquirida
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Os princípios dobehaviorismo
	Conteúdo interativo
	O que é filogênese, ontogênese e sociogênese?
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. O modelo da contingência respondente
	Princípios respondentes e filogênese
	Estímulos e respostas filogenéticos
	Saiba mais
	Exemplo
	Saiba mais
	Exemplo
	Os comportamentos respondentes
	Reflexos sensoriais e emocionais
	Exemplo
	Estímulos gratificantes
	Estímulos agressivos ou violentos
	Estímulos de julgamento social
	Estímulos de perda
	Estímulos de ameaças
	Leis e princípios do comportamento respondente
	Quais são as leis respondentes?
	Lei da eliciação
	Lei da intensidade-magnitude
	Lei do limiar
	Lei da latência
	Exemplo
	Processos de condicionamento respondente
	Como aprendemos novas respostas?
	Atenção
	Exemplo
	As memórias e o condicionamento respondente
	Dica
	Atenção
	As diferenças individuais no condicionamento respondente e o experimento do “pequeno Albert”
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Os estímulos filogenéticos primários
	Conteúdo interativo
	Leis e princípios respondentes
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. O modelo da contingência operante
	Processos operantes
	Modelagem arbitrária
	Modelagem natural
	Reforço positivo, por adição
	Reforço negativo, por subtração
	Punição positiva, por adição
	Punição negativa, por subtração
	Saiba mais
	Princípios operantes e controle por estímulos consequentes
	O que são esquemas de reforçamento?
	Exemplo
	Esquema intermitente de razão fixa
	Esquema intermitente de razão variável
	Esquema intermitente de intervalo fixo
	Esquema intermitente de intervalo variável
	O uso da punição
	Controle do comportamento operante e estímulos antecedentes
	Atenção
	Reflexão
	Saiba mais
	O controle por estímulo discriminativo, as operações motivadoras e as regras
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	A seleção por consequências e os tipos de modelagem
	Conteúdo interativo
	Os diferentes esquemas de reforçamento e suas consequências
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciaspossa produzir comportamentos
que nos interessam, sejam eles no campo da educação, para melhores
processos de aprendizagem; da psicoterapia, para melhores formas de
ajudar as pessoas; ou na gestão de comportamentos corporativos, para
maior produtividade e felicidade ocupacional dos funcionários. Assim,
uma explicação tem que ser aplicável e útil, de tal forma que, se ela for
uma ruminação intelectual vazia de aplicação e de verificação, então, o
conceito é vazio, descartável, uma mera invenção.
Interacionismo
Essa outra base filosófica diz respeito à ideia de que estamos em
interação contínua enquanto vivemos, desde que nascemos até a hora da
morte. Nessas interações, nos modificamos, reagimos aos eventos,
formamos e modificamos comportamentos, afetamos o mundo e somos
por ele afetados enquanto fazemos isso, sendo essa a dialética
comportamental. 
Ambientalismo
Essa base filosófica diz que tudo com o que interagimos é ambiente,
estando nele a primazia do controle do comportamento. Ambiente não
são só eventos externos, mas também atividades que acontecem no
nosso corpo (por exemplo, uma bexiga cheia serve de estimulação
ambiental para que necessitemos ir ao banheiro). Então, interagimos com
o mundo interno dos pensamentos, dos sentimentos, das estimulações e
sensações corporais por meio de receptores interoceptivos; e
interagimos com o mundo externo pelos receptores sensoriais
exteroceptivos. Toda essa interação pode ser mapeada de modo a
mostrarmos como ela afeta nosso comportamento ao longo do tempo. 
Antimentalismo
É o último aspecto muito importante da base filosófica do behaviorismo,
ou seja, o ato de se rejeitar o mentalismo (explicações inventadas que
supõem que dentro do nosso corpo há locais, agentes, energias, forças
imateriais invisíveis e inacessíveis à observação e à verificação científica
para constatação e demonstração). Sabemos que tudo o que existe e
ocorre no universo físico da matéria e da energia está representado pelos
elementos da tabela periódica, em cada um deles individualmente ou por
combinações entre eles. Assim, de que é feita uma mente ou suas
supostas partes (consciente, pré-consciente, inconsciente), id, ego,
superego, índole, arquétipo, dom, essências? Tais conceitos
representam, para o behaviorismo, pseudoexplicações criadas pré-
cientificamente de que deve haver algo dentro das pessoas fazendo-as
reagir de determinada forma. As interações não só eliciam e evocam
comportamentos, como também, havendo a continuidade das
experiências, vamos sendo transformados ao longo do tempo. A
atividade científica é a prática de mostrar quais transformações ocorrem,
de que maneira elas ocorrem e, a partir daí, extrair os princípios
explicativos válidos. 
Por mais que o comportamento humano possa se manifestar de formas estranhas e até mesmo ameaçadoras,
da surpresa deve surgir a curiosidade e a consequente investigação que o explique, que resolva esse mistério.
O problema é que os pensadores do passado, ao longo dos séculos e milênios, vêm construindo
concepções sobre o comportamento humano de forma que ele seria provocado por forças internas
ocultas ou até mesmo por possessões de forças externas fantasmagóricas. 
Entretanto, nenhuma dessas explicações pode ser demonstrada de fato. A ciência behaviorista abandona
essa construção de agentes mentais internos e ocultos em prol do mapeamento das interações e experiências
para tentar extrair disso os princípios da evolução dos comportamentos humanos, ainda que sejam
experiências indesejáveis que denunciem quadros psicopatológicos. 
Nessa busca por explicações interacionistas, abandonar o mentalismo se torna extremamente útil por três
motivos:
1
O primeiro
Quando uma variável interna dessas é apontada, saímos do pragmatismo científico, já que não se
pode encontrá-la para verificar e demonstrar que ela está lá dentro realmente e causando aquele
comportamento específico.
2
O segundo
Não se pode manipular essa variável para afetar os comportamentos (por exemplo, como é que eu
tiro a índole ruim que está perturbando a pessoa para colocar uma outra melhor dentro dela?).
3
O terceiro
É redundante, pois a única “prova” apresentada para a existência dos agentes internos são os
comportamentos que supostamente eles geram, o que representa um retorno ao objeto investigado
(comportamento) como “prova” da causa a ele atribuída (mentalismo), quando essa última é que
deveria ser diretamente demonstrada.
Uma das evidências utilizadas na tentativa de demonstrar a existência do inconsciente são os sonhos, que
nada mais são do que atividades cognitivas (pensamentos) que ocorrem enquanto dormimos. 
Será que não existem outras explicações (que até então não conhecíamos, mas que a ciência hoje pode
mostrar) que substitua essa invenção de que há uma força interna invisível e oculta nos fazendo pensar
enquanto dormimos, sendo o sonho a sua manifestação? 
Exemplo
Em vigília, podemos imaginar que estamos na praia e, quando dormimos, podemos sonhar que estamos
nela. Ambas são atividades cognitivas (pensar) de mesma natureza e podem ter os mesmos
determinantes contingenciais (interações ambiente-organísmicas). O que muda é apenas o estado do
indivíduo (sono ou vigília), que o capacita ou não a observar as variáveis que são seus determinantes.
Nesse sentido, e ainda seguindo o exemplo dado, o simples fato de estarmos numa condição ambiental
de calor de um dia ensolarado elicia as atividades sensoriais que compõem a cognição sobre a praia,
que age como reforçador devido ao frescor e à diversão que proporciona. 
Não há por que conceber uma força interna quando há outras maneiras substitutivas de se explicar esses
fenômenos por princípios verificáveis e que vão alterando a nossa compreensão de por que as pessoas
pensam, sentem e agem como o fazem.
Um projeto científico para a Psicologia
Ciência não é superstição
Agora vamos tratar do que é comportamento propriamente dito e onde vamos buscar as explicações para ele.
Com base nos postulados que governam as ciências naturais, vimos a possibilidade de uma ciência natural
para a Psicologia, abandonando o mentalismo pelos motivos anteriormente alegados. Paramos, portanto, de
considerar a existência, ou mesmo de ficar concebendo novos agentes internos ocultos, para, então,
inaugurarmos um projeto científico na Psicologia de mapear as experiências humanas.
Para que isso seja feito, é preciso termos uma compreensão clara de como explicar o
comportamento humano. Na análise do comportamento, sob efeito da base filosófica do
behaviorismo, explicar comportamentos significa estabelecer relações de contingência. 
Esse termo “contingência” significa efetiva relação entre eventos; interação de fato e não uma mera
contiguidade, uma correlação apenas. Uma contingência é diferente de uma contiguidade na medida em que
esta última é a falsa impressão de relações entre eventos que, na verdade, não se relacionam.
Então, é muito comum as pessoas olharem para o mundo,
na tentativa de explicar a ocorrência de alguma coisa e, em
decorrência disso, verificarem outros eventos próximos no
tempo e espaço, o que faz com que elas estabeleçam uma
relação de causa e efeito arbitrária entre eles. 
Isso foi o que fez a especulação filosófica ao longo do
tempo (“acho que isso leva àquilo, porque aconteceu
próximo”). Só que essa relação de contiguidade, de
proximidade temporal, muitas vezes esconde a variável
causal de fato.
Por isso que em uma ciência conduzem-se testes, controles experimentais, cria-se um experimento para isolar
as variáveis e testá-las para ver se aquilo que estamos dizendo que produz determinado efeito é capaz de
produzi-lo mesmo. Assim, em ciência, mais do que afirmarmos e tecermos conclusões, queremos demonstrar
as alegações. 
É preciso, portanto, estabelecermos as relações de contingência, as relações de “se, então”: se esta(s)
variável(is), então, aquele(s) efeito(s) de fato. Em outras palavras, se este evento ambiental externo ou
interno, na interação com tais propriedades do organismo, estiverpresente, então, teremos tal atitude, tal
reação ou desenvolvimento comportamental humano; se tais interações organismo-ambiente de certo tipo,
então, teremos tais formações comportamentais desta maneira. É preciso fazermos a ciência acontecer, o que
consiste em irmos até o limite da demonstração para que possamos ter princípios confiáveis. 
Nesse sentido, relações de contiguidade são relações supersticiosas. Veja uma situação a seguir:
Exemplo
Imagine que eu diga para você que uma sandália virada de cabeça para baixo leva a uma mãe morta –
uma premissa cultural conhecida. Qual é a relação entre uma sandália virada e uma mãe morrer? A não
ser que ela tropece na sandália, caia e venha a falecer em decorrência dessa queda, é uma relação
supersticiosa. 
Toda vez que estabelecemos uma relação entre eventos que não se relacionam, construímos uma superstição.
A ciência não pode ser construída com pensamento mágico e conter misticismos e superstições,
caso contrário, será uma pseudociência.
Então, quando um autor não científico fala do comportamento humano, criando uma concepção própria e
estabelecendo relações entre eventos, ele pode criar um mito ou uma superstição, caso não tenha
demonstrado tudo isso. Por isso a ciência tem esse rigor. Essa é a diferença entre relações de contingência –
mapeamento de interações formativas do comportamento, seus eliciadores e seus efeitos mantenedores,
intensificadores ou modificadores; de relações de contiguidade – atribuições causais especuladas e não
demonstráveis entre eventos que não se relacionam (falácias), criando uma superstiçã. A seguir, temos mais
alguns exemplos que são comuns em nosso dia a dia e que possuem uma relação superticiosa.
A dialética da vida
A importância do controle e manipulação
B. F. Skinner.
Outro aspecto que devemos entender em relação ao comportamento humano são suas variáveis de controle.
Se falamos que o ser humano interage com o ambiente, isso significa dizer que ele estará em contato com
propriedades desse ambiente antes de agir, enquanto age e também após essa ação, gerando, portanto, uma
consequência, um efeito nele. 
Nesse processo de afetar o ambiente e ser
afetado por ele, B. F. Skinner (1904-1990)
afirmou que: os homens agem sobre o mundo,
o modificam e são modificados pelos efeitos
que produzem. Essa é a dialética da vida, da
transformação de tudo que existe, incluindo de
nós mesmos.
 
Manipulamos o ambiente para produzir o que
precisamos e somos afetados pelos efeitos,
mudando de conduta ou do próprio ambiente
para fugir-evitar os estímulos aversivos
(frustrantes ou punitivos).
 
Também manipulamos aqueles efeitos que nós
mesmos produzimos corrigindo-os, e mantemos ou intensificamos ações para conservar ou produzir
novamente aquilo que nos favorece e gratifica (reforçador).
E assim evoluímos comportamentalmente junto com o mundo por nós manipulado (na forma de
ciências, tecnologias, artes, esportes, construções, produtos, serviços) ao longo do tempo,
transformando a sociedade, nosso habitat, a paisagem e o planeta para o bem ou para o mal. 
Quando fazemos coisas que se mostram danosas em algum momento, mesmo em longo prazo, agimos para
transformar isso também e resolver esses problemas. Esse é o contínuo de evolução humana. 
O processo de interação de afetar e ser afetado acontece na vida particular em experiências únicas que
desenvolvem nossa subjetividade comportamental. Mas isso também acontece na vida coletiva ao
interagirmos uns com os outros em grupos, comunidades e povos, produzindo comportamentos
compartilhados ou divisões e suborganizações comportamentais sociais, o que chamamos de evolução
cultural. A seguir, temos uma representação sobre deste processo.
A evolução do comportamento pode ser vista sob três pontos de vista:
No nível individual chamado de
ontogênese
É o campo de estudo da Psicologia da
Aprendizagem.
No nível social chamado de sociogênese
É o campo de estudo da Psicologia Social e da
Antropologia Comportamental.
No nível biológico chamado de
filogênese
É o campo da Psicologia Evolutiva e da
Genética Comportamental.
Assim, vale ressaltar que todo comportamento que evolui na experiência particular ou nas interações de
grupos só o faz a partir de:
uma base biológica da espécie que é derivada de sua herança evolutiva e é chamada de filogênese.
Com isso, podemos entender a filogênese como o estudo das suscetibilidades ou tendenciosidades
neurocomportamentais programadas geneticamente e dos processos evolutivos que resultaram nos genes
construtores do nosso corpo. Isso inclui nossos centros cerebrais típicos da espécie e as neuroatividades que
eventos do ambiente são capazes de induzir de forma incondicionada, ou seja, sem a necessidade de
experiências de aprendizado para se formarem e passarem a ocorrer. 
Saiba mais
Isso também vale para outras espécies de animais que aprendem o que lhes é possível dada sua
anatomia e tipo de cérebro formado pelos genes que estruturam seu corpo, no histórico do seu ramo
evolucionário. Então, todas as espécies viventes desse planeta têm seus comportamentos regidos por
princípios derivados das experiências e interações que estabelecem com seus habitats, porém, o que
elas são capazes de aprender e emitir em termos de comportamentos é limitado pelas capacidades
morfológicas de sua estrutura corporal e neurológica. 
Cada espécie infra-humana, nos seus limites anatômicos e neurológicos, vai responder ao mundo com base
nas suas atividades de forma cada vez mais complexa e sofisticada. E mais princípios semelhantes aos que
regem o comportamento humano serão encontrados governando os deles também. Não chegam a ser os
mesmos comportamentos nem o potencial de desenvolvimento do ser humano, mas os princípios podem ser
compartilhados.
Como todo ser humano ao se deparar com alguma nova experiência, você também a integrará e
transmitirá caso ela lhe seja favorável e gratificante. Contudo, se essa experiência lhe for aversiva,
você irá se contrapor, se afastando em um processo de transformação do meio. Então, de geração
em geração, a cultura forma os indivíduos e esses a transformam. 
No nível individual, de experiência em experiência, estabelecemos novas relações emocionais e cognitivas,
estabelecendo conceitos e relações de atuação com o mundo e com o que há nele e desenvolvendo
habilidades e competências em função dos tipos de oportunidades que pudemos ter dentro da realidade na
qual nascemos, crescemos e fizemos parte. 
Portanto, podemos afirmar que as investigações explicativas dos nossos comportamentos devem incidir
nesses três tipos de relações humanas: a filogênese, a ontogênese e a sociogênese.
Processos comportamentais
O que são processos comportamentais?
Antes de qualquer outra coisa, precisamos definir claramente o que é uma variável contextual, ou seja, um 
estímulo antecedente.
 
Se entramos em contato com alguma coisa – cenário, circunstância, evento, lugar, objeto, outro(s) ser(es)
humano(s) etc. –, essa coisa com a qual entramos em contato é considerada um estímulo, que é um termo
técnico para se falar de algo capaz de nos eliciar comportamentos. Em outras palavras, qualquer evento com
o qual possamos interagir e termos algum comportamento induzido (neuroativado) é chamado de estímulo,
que também pode ser compreendido como a propriedade do ambiente que nos incita comportamentos.
Então, é preciso especificar as propriedades dos estímulos, ou seja, o que existe no contexto antecedente
para que um comportamento aconteça. E, quando o comportamento acontece, também é necessário entender
quais as relações de consequência presentes, isto é, que efeitos afetam esse comportamento de volta. 
Todos os processos comportamentais de pensar, sentir e agir ocorrem sob efeito de circunstâncias, pois nós
não estamos no vácuo. Toda vez que nos comportamos, fazemos isso em algum lugar, ou com alguém, ou sob
efeito de estados corporais e tantas outras circunstâncias. Ou seja, são reações sob condições específicas. 
Nossas próprias emoções podemservir de contexto para
fazermos alguma coisa. Quando estamos ansiosos,
entediados, frustrados ou tristes podemos, por exemplo,
comer. 
Se em minha história pessoal aprendi a suprimir tais reações
corporais desagradáveis, regulando esses sentimentos em
ambientes que nossos pais ou outras pessoas tentavam nos
agradar nos dando algo para comer, podemos ter
aprendido, mesmo sem perceber, a usar a comida como
forma de gerar tal consequência. 
Colocando o exemplo em termos técnicos: um contexto emocional (estimulação ambiental
antecedente interoceptiva aversiva) evoca uma resposta operante motora de comer, que tem como
consequência a fuga desse estado interno (reforço negativo). 
Contextos ambientais capazes de evocar comportamento incluem os filogeneticamente determinados ou
aqueles que adquiriram tais propriedades durante nossas experiências ontogenéticas. 
Somente a história diferente dos indivíduos pode explicar suas diferentes relações com os eventos. E é no
mapeamento de contextos históricos semelhantes aos contextos atuais que vamos encontrar a explicação do
porquê alguém reage (pensa, sente e age) da maneira como reage em determinada circunstância. O que nos
leva ao conceito de variabilidade comportamental adquirida. 
Pensamos, sentimos e fazemos coisas bem distintas em diferentes contextos. Por isso que, quando vamos
fazer uma análise de comportamentos, somos bem específicos em mapear as circunstâncias em que eles
ocorrem. 
Exemplo
Imagine que um cliente chegue até você dizendo sentir muita ansiedade. Como ansiedade é um tipo de
comportamento, uma atividade corporal respondente, ela é, portanto, eliciada. Então precisaremos, junto
com ele, mapear as ocasiões que precederam e precipitaram tal eliciação desde a última vez em que se
sentiu assim para especificar as propriedades em tais contextos (onde, com quem, em que atividade).
Também precisaremos mapear a emoção e sua magnitude, verificando se ela é compatível com o evento,
o que demonstrará se existe regulação e ajustamento, ou se há hipo ou hipersensibilidade. Além disso,
será necessário analisar os pensamentos que acompanharam tais experiências para ver se eles revelam
uma percepção ajustada ou se são distorções cognitivas, isto é, tendências interpretativas formadas em
sua história e generalizadas para a situação atual por algum grau de semelhança. Por fim, é preciso
investigar as ações que adotou para lidar com as situações e com a própria emoção de ansiedade e se
esse é um comportamento habilidoso, deficitário ou um excesso, identificando também as
consequências reforçadoras ou punitivas positivas e negativas imediatas e de longo prazo. Esses são os
processos comportamentais. 
Os processos comportamentais e a variabilidade comportamental adquirida
Neste vídeo, o especialista discorre e ilustra os conceitos de processos comportamentais e a variabilidade
comportamental adquirida, e sua utilidade.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Os princípios do behaviorismo
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O que é filogênese, ontogênese e sociogênese?
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Quanto aos postulados filosóficos que sustentam a cientifização da Psicologia, aquele que alega a existência
de um único universo físico da matéria e da energia, onde tudo ocorre e que pode ser investigado pelas
capacidades sensoriais humanas, diretas ou com auxílio de instrumentos é o
A
monismo
B
ambientalismo
C
interacionismo
D
selecionismo
E
antimentalismo
A alternativa A está correta.
O próprio conceito de existência depende de propriedades físicas para ser localizado no tempo e espaço;
portanto, acessível para ser encontrado e afirmado. A alternativa B trata do que configura uma estimulação
comportamental, enquanto C e D se referem aos processos pelos quais os comportamentos ocorrem,
variam e são mantidos por seus efeitos. A alternativa E é a rejeição de construtos para explicar as
atividades humanas.
Questão 2
Quando buscamos cientificamente os determinantes da variabilidade comportamental humana, há três
possibilidades de campos investigativos, estando correta a opção que afirma:
A
A maturação cronológica; a maturação biológica; o surgimento de aptidões cognitivas superiores.
B
O inconsciente; o dinamismo psíquico do id, ego e superego; forças arquetípicas do inconsciente coletivo.
C
Base biológica da espécie derivada de sua herança genética chamada de filogênese; a evolução do
comportamento no nível individual, que é chamado de ontogênese; a evolução de comportamento no nível
social, chamado de sociogênese.
D
As fases do desenvolvimento de Piaget; as fases do desenvolvimento de Vygotsky; as fases do
desenvolvimento de Wallon.
E
As emoções; os pensamentos; as ações.
A alternativa C está correta.
Somente na genética dos organismos e no seu histórico ambiental individual e coletivo podemos encontrar
as origens dos comportamentos humanos. A opção A apela para falácias de que certas capacidades
comportamentais emergem espontaneamente ou com o envelhecimento e mudanças orgânicas naturais. A
opção B nos apresenta construtos pré-científicos rejeitados pelo comportamentalismo, chamados de
mentalismos. A opção D são as estruturações e entendimentos propostos por diferentes autores que
estudaram o desenvolvimento humano. A letra E se refere aos processos comportamentais respondentes e
operantes propriamente ditos, não apresentando nenhuma possibilidade causal para eles.
2. O modelo da contingência respondente
Princípios respondentes e filogênese
Estímulos e respostas filogenéticos
A filogênese – a história evolutiva da espécie – nos deu uma estrutura corporal com a qual interagimos com
todos os elementos do ambiente externo e interno, e também nos dotou de comportamentos reflexos e típicos
para favorecer a sobrevivência até que nos desenvolvamos ao longo das experiências.
Saiba mais
Os princípios respondentes explicam esses comportamentos básicos determinados geneticamente –
chamados de comportamentos respondentes. O termo “respondente” é utilizado para se referir às
reações reflexas e padrões fixos de ação da espécie. Partindo de uma base inata, também ocorre uma
evolução do comportamento respondente na experiência de vida de um indivíduo. Isto é, novas relações
respondentes vão sendo formadas. 
O entendimento da realidade comportamental
respondente foi sistematizado por meio dos 
experimentos do fisiologista Ivan Pavlov
(1849-1936). 
Inicialmente, Pavlov estava interessado no
sistema salivar. Então, ele fazia uma incisão na
boca dos cães que estudava para examinar o
funcionamento de suas glândulas salivares. 
Tubos eram instalados para coletar a salivação
enquanto estímulos alimentícios eram expostos
ao animal.
Os alimentos são estímulos filogenéticos porque detêm propriedades nutricionais naturais e os
organismos são geneticamente determinados a estarem sensíveis a elas.
Entretanto, durante esses experimentos repetitivos, Pavlov percebeu que o animal começava a salivar em
condições nas quais não havia alimentos. O cão salivava quando o cientista entrava no laboratório, por
exemplo. 
O experimento pavloviano dos reflexos evidenciou que o princípio-chave para explicar um condicionamento
respondente (processo de aprendizagem de novos respondentes) é o pareamento ou emparelhamento.
Quando um estímulo eliciador é pareado a um estímulo neutro, as propriedades eliciadoras do primeiro
estímulo são transferidas ao segundo. O estímulo neutro torna-se, então, eliciador. Pareamento significa
exposição simultânea. Neutro significa que antes do pareamento esse estímulo não eliciava a resposta da
relação eliciadora original. 
Exemplo
Em termos de neuroplasticidade, o sistema nervoso é programado para associar (formar neuroconexões)
áreas que são ativadas ao mesmotempo. Então, se você pode ver uma pessoa enquanto a escuta, o
som da voz dela é pareado à sua imagem. A partir desse pareamento, escutar a voz dela ao telefone em
outro momento eliciaria a sensação visual de vê-la. Em nível neurofisiológico houve uma conexão
formada entre centros cerebrais visuais e auditivos correspondentes a essa operação reflexa. 
Há uma distinção entre estímulos incondicionados e condicionados. 
Alimentos podem ser classificados como estímulos filogenéticos, primários ou incondicionados,
porque o seu efeito estimulante é determinado geneticamente, é inato, não depende de aprendizado
para o organismo reagir.
Nesses casos, já existe um sistema
neurocomportamental programado para reagir
de um jeito específico. São os reflexos –
respostas automáticas e programadas para
certos estímulos. 
 
Por exemplo, ao sentirmos o cheiro e ao ver
comida, nós humanos também aumentamos a
nossa salivação.
Os estímulos condicionados, por outro lado, são
aprendidos. Eles são chamados condicionados
porque dependem de uma condição de aprendizagem para serem estabelecidos – o condicionamento
respondente, que veremos mais adiante. 
Saiba mais
Durante a história evolutiva, como sempre houve diversidade genética entre os animais, sobreviviam
aqueles que tinham genes que programavam de antemão essas respostas de autopreservação ou
adaptação ao ambiente. Por exemplo, diante de um estímulo súbito ou intenso como uma explosão, os
seres que tinham o sistema reflexo de sobressalto se protegiam de uma ameaça. Imagina um tigre pular
de repente na sua frente ou um barulho surgir na mata. O reflexo de sobressalto funcionou como um
sistema de alerta e proteção que favorecia a resposta de correr para uma árvore ou toca ou partir para o
combate. Os seres que não tinham esse sistema ficavam vulneráveis e tendiam a morrer diante desses
perigos, sendo predados. 
Desse modo, a história evolutiva garantiu uma série de suscetibilidades neurais. Parte desses reflexos duram
por toda a vida. Contudo, outra parte pode ser substituída por comportamentos operantes. Assim, tendências
primitivas, mesmo aquelas mais problemáticas, podem ser neutralizadas. 
Nesse sentido, os seres humanos desenvolvem habilidades de autorregulação, autocontrole, moralidade,
entre outras, para compensar ou remediá-las. 
Exemplo
Há uma formação cultural e moral para regular as tendências primitivas de busca por parceiros sexuais e
acasalamento. Podemos aprender a nos reger por valores ou regras que tornam prioritária alguma coisa
na vida, que faz com que a pessoa se regule para suplantar tendências primitivas com formações
comportamentais substitutivas. 
O que a ontogênese (história do indivíduo) faz, muitas vezes, é modificar comportamentos, formando outros
substitutivos às tendências biológicas primitivas quando elas são nocivas para sua vida atual e a vida em
sociedade. Vejamos agora um exemplo da modificação dos comportamentos ao longo do tempo.
Os comportamentos respondentes
Reflexos sensoriais e emocionais
Filogeneticamente falando, nós temos tendências comportamentais que são disparadas por estímulos que
estiveram presentes na história evolutiva. Grande parte desses padrões inatos de ação servem como pontapé
para desenvolver repertórios mais elaborados ou reguladores e serão substituídos. Por exemplo, o bebê
humano tem o padrão inato de vocalização (emissão aleatória de sons vocais). Esse mecanismo é a base para
e formação da comunicação pela fala (verbalizações). 
Por outro lado, se o mundo em que vivemos reforçasse certas tendências primitivas, poderia colocar em risco
a pessoa e a sociedade. 
Exemplo
Se um ambiente incita, instrui, oferece modelos e reforça comportamentos violentos, as tendências
agressivas vão sendo acentuadas para conjugar repertórios mais elaborados de confronto, brutalidade e
opressão em resposta a ameaças, contrariedades e frustrações. Ao longo do tempo, esse indivíduo vai
se tornando bem problemático para a convivência. 
Existem dois grandes grupos de respondentes reflexos que interessam aos psicólogos. Os reflexos
meramente orgânicos, tais como a salivação ou a contração-dilatação pupilar, interessam mais à Medicina. A 
Psicologia se aproxima mais do estudo dos reflexos sensoriais e emocionais. Então, vamos abordá-los.
Primeiro, como funciona o comportamento sensorial? 
Aplicando a equação básica dos respondentes, em que um estímulo elicia uma resposta, podemos descrever
todas as sensações segundo esse modelo. Por exemplo, estímulos luminosos eliciando respostas sensoriais
visuais e estímulos sonoros eliciando respostas sensoriais auditivas. Isso permite a formação de atividades
cognitivas de imaginação e lembrança. 
Se você já esteve em uma praia e estimulado pela
necessidade de lazer, pode recordar dessa experiência.
Então, há uma ocorrência novamente de respostas
condicionadas sensoriais de se lembrar visualmente do mar,
sentir o frescor do banho, ouvir crianças brincando, pois
esses estímulos agora ativam centros cerebrais visuais que
você teve quando vivenciou a circunstância de praia.
Portanto, lembrar é ter uma sensação novamente, não mais
sob controle da estimulação original, mas de outro estímulo
pareado com ela.
Outros exemplos de reflexos sensoriais são: sentir um odor
e lembrar de alguém que usa esse mesmo perfume; ou ver
uma rosa e ficar triste porque lembrou do velório de alguém que convivia e amava. Isto é, o estímulo visual
“rosas” agora ativa centros neurais emocionais de tristeza porque está condicionado a partir do pareamento
com o velório, que significa a ruptura da relação reforçadora com aquela pessoa. 
As nossas relações sensoriais e emocionais por pareamento são abundantes e ininterruptas, gerando uma
cascata incontável de novas relações respondentes. Portanto, os comportamentos emocionais também
funcionam sob princípios respondentes, veremos agora alguns exemplos:
Estímulos gratificantes
Eliciam emoções de alegria e satisfação.
Estímulos agressivos ou violentos
Eliciam emoções de raiva.
Estímulos de julgamento social
Eliciam culpa e vergonha.
Estímulos de perda
Eliciam tristeza.
Estímulos de ameaças
Eliciam medo e ansiedade.
Leis e princípios do comportamento respondente
Quais são as leis respondentes?
Os comportamentos respondentes são avaliáveis à luz das leis respondentes, veremos agora com mais
detalhes cada uma dessas leis:
Lei da eliciação
Toda resposta depende de um estímulo antecedente para ser eliciada (no
inglês, esse paradigma é abreviado como S-R, isto é, estímulo-resposta).
A eliciação significa que a resposta ocorre obrigatoriamente e
involuntariamente quando o organismo é exposto ao estímulo. Não são
relações deliberativas. Por exemplo, se você está diante de uma cadeira,
a luz refletida nela permite a eliciação da sensação visual do objeto. Essa
resposta sensorial é dependente de um estímulo antecedente eliciador.
Lei da intensidade-magnitude
Ela descreve que a magnitude da resposta é proporcional à intensidade
do estímulo. Quanto mais forte o estímulo for, mais intensa também será
a resposta, ou seja, há uma relação diretamente proporcional entre eles.
Por exemplo, quanto mais alta a temperatura do ambiente, mais sentimos
calor e maior é a sudorese; quanto menor o volume do som da televisão,
menor a magnitude da sensação auditiva.
Lei do limiar
Ela estabelece que um estímulo precisa alcançar uma intensidade mínima
para que a resposta seja eliciada. Por exemplo, é preciso um mínimo de
temperatura a ser alcançada para começar a sudorese. Abaixo desse
limiar o organismo permanece em homeostase. Quanto mais a
temperatura cai, mais frio começamos a sentir.
Lei da latência
Latência corresponde ao período ou intervalo entre a exposição ao
estímulo e a ocorrência da resposta. Essa lei descreve que quanto maior
a intensidade do estímulo, menor o intervalo de eliciação, isto é, mais
rapidamente iniciará a ocorrência da resposta.
Na prática, todas essas leis operam de acordo com a natureza do comportamento em questão. Por exemplo,
umatemperatura de 50ºC elicia mais rapidamente uma sudorese quando comparada a uma temperatura de
35ºC. 
Outros dois princípios básicos são a habituação e a sensibilização, que operam quando o organismo é exposto
continuamente ao mesmo estímulo, a seguir temos um exemplo de sensibilização:
Exemplo
A sensibilização ocorre quando uma pessoa desenvolve um medo de elevador porque, quando era
criança, alguém simulou uma queda desse meio de transporte ou porque ele parou e ela se sentiu
ameaçada ali dentro. Depois disso, passou a não conseguir entrar em elevadores sem sentir uma dose
de ansiedade. 
Não obstante, se ela se expuser entrando em um elevador, a ansiedade será disparada até alcançar um pico
de atividade fisiológica, pois as reações corporais emocionais têm limite, como hiperventilação pulmonar e
taquicardia. Então, a magnitude dessas respostas necessariamente irá se estabilizar e decrescer após esse
pico, retornando ao estado basal ou homeostático.
Essa diminuição da magnitude da resposta diante da exposição contínua ou sucessiva a um estímulo
é chamada de habituação. 
Se essa exposição é repetida outras vezes, cada vez mais a reação é menor, ao ponto de, em algum momento,
após sucessivas exposições sem o pareamento original, não eliciar mais o reflexo condicionado. Aconteceu
então uma extinção respondente ou dessensibilização. Isso embasa processos terapêuticos de superação de
relações de ansiedade, tensão ou situações emocionais condicionadas que são nocivas aos indivíduos. 
Por lógica inversa ao pareamento, o princípio da extinção respondente explica a eliminação de uma relação
reflexa condicionada. Como já foi apresentado, o pareamento é a exposição simultânea de um estímulo
eliciador com um estímulo neutro, que é transformado, após sucessivos pareamentos, em estímulo eliciador
condicionado para essa resposta original. Posteriormente, se esse estímulo condicionado for apresentado
sucessivas vezes sem a presença do estímulo eliciador original, a relação condicionada tende a ser rompida, o
reflexo é extinto e o estímulo é novamente neutralizado perdendo seu controle eliciador sobre o organismo.
Desejo ou atração são também exemplos de respondentes,
pois são respostas de excitação corporal diante de
estímulos reforçadores ou na carência deles. Imagine que
você comeu um alimento que achou muito gostoso. 
Uma resposta condicionada excitatória de desejá-lo pode
ser eliciada se alguém te convida para comer esse alimento
ou se você vê um anúncio sobre ele. Essa reação excitatória
que antecede o pegar e comer o alimento é um desejo. 
Esses respondentes excitatórios podem ser filogenéticos
(inatos), pois nascemos com certos centros cerebrais
programados para eliciar reações sob controle de certas propriedades ou eventos do mundo; ou
condicionados, porque vamos aprendendo novos reflexos em experiências reforçadoras, planejadas ou não.
Processos de condicionamento respondente 
Como aprendemos novas respostas?
Até aqui, vimos a base comportamental dos respondentes sensoriais e dos reflexos emocionais e como vamos
construindo relações com uma série de eventos ao longo do tempo. Agora, vamos aprofundar o processo de
condicionamento respondente por meio do qual aprendemos novos respondentes. 
Atenção
Especificamente o condicionamento respondente explica como passamos a gostar do que gostamos,
desenvolvemos medos e aprendemos a sentir raiva em certas circunstâncias. As pessoas vão se
diferenciando ao longo da vida por experiências distintas. Essa subjetividade vai sendo formada durante
a ontogênese – a história particular que desenvolve comportamentalmente o indivíduo. 
Essas relações únicas podem ser explicadas por observação cuidadosa, sistemática e por princípios válidos
extraídos do estudo científico, fazendo um mapeamento comportamental. Portanto, cada pessoa pode viver
seus processos de condicionamento respondente, como também vivenciar outros coletivamente. 
Então, conceituando condicionamento respondente, podemos dizer que ele é:
um processo que ocorre por meio de pareamento ou emparelhamento de estímulos – quando dois
eventos ocorrem juntos, um deles passa a eliciar a reação que o outro eliciava.
Em outras palavras, quando dois estímulos são pareados, a neuroatividade que um controla passará a ocorrer
sobre controle do outro também. Assim, a pessoa passa a reagir a um evento de um jeito que não reagia antes
depois de uma experiência com alguma coisa que a fez reagir daquele modo naquela situação. Veja a situação
a seguir que exemplifica o que estamos falando.
Exemplo
Um indivíduo dirigia seu carro e não sentia medo. Contudo, depois que capotou dentro do carro e sofreu
uma ameaça física com sensações de medo e pavor, agora, só de entrar no carro, passou a ter essas
eliciações fóbicas e imaginárias do que viu ou ouviu na hora da capotagem. Isto é, toda a atividade
neurológica que aconteceu naquele episódio agora está sob controle da estimulação do veículo. 
Condicionamento tem a ver com aprendizagem em determinadas condições. Tudo que aprendemos nas
experiências podemos chamar de condicionado. No contexto dos respondentes, quantos estímulos podem ser
condicionados numa mesma experiência? Muitos, ou melhor, todos que estiverem presentes naquela
oportunidade de pareamento. 
Podemos observar esse princípio operando nos quadros de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).
Nesses casos, após um trauma, todas as reações ocorridas naquele contexto podem passar a ser eliciadas
numa outra situação se estiver presente algum elemento, privado ou externo, que represente a circunstância
original traumática. 
Assim, toda a rede vivencial mnemônica será ativada, ou seja, a pessoa “revive” ou se lembra
nitidamente daquela experiência traumática junto com todo o sistema emocional desconfortável.
Esse quadro foi muito estudado no pós-guerra
com soldados que voltavam dela mutilados ou
dispensados por apresentarem sequelas
traumáticas. 
Quando eles ouviam um barulho de rojão, fogos
de artifício ou trovão, tudo isso é estímulo
generalizado (semelhante) para disparar o
efeito do estímulo original.
O barulho de trovões e a luz de relâmpagos lembravam o som e o clarão de explosões da guerra.
Mas por que algumas pessoas passam por experiências assim e saem afetadas e outras nem tanto? 
Porque, na prática, existem vários princípios operando simultaneamente, que se sobrepõem. Por exemplo, os
processos cognitivos, como o uso da razão, podem neutralizar o pareamento. O fato é que quando alguém
desenvolve algum comportamento, os princípios da aprendizagem são inegáveis em sua determinação.
Quando não aprende, significa que naquela circunstância aquele princípio não foi suficiente para determinar
uma mudança. 
As memórias e o condicionamento respondente
Outra variável que modula a operação dos pareamentos, por exemplo, é o histórico. Quando temos uma
experiência, reagimos a ela segundo os aprendizados realizados até ali. Se, por exemplo, uma pessoa cresce
em um ambiente de superproteção por pais catastróficos, que protegem de tudo e a ensinam a se sentir
ameaçada, ela estará muito mais vulnerável a um pareamento aversivo ansiogênico quando comparada a
alguém que vem treinando a tolerância para passar por frustrações e adversidades, superando seus limites e
enfrentando seus problemas. Essa segunda pessoa, então, quando passa por situações intensas, encontra-se
mais preparada emocionalmente, dotada de repertórios de enfrentamento e de crenças resolutivas, do que
alguém que foi poupado de sentir desconfortos e inibia-se desamparada nessas circunstâncias. 
Prosseguindo, então, podemos explicar lembranças por meio do condicionamento respondente. 
Dica
Imagine um pai que pareia um objeto com um estímulo verbal. Ele mostra ao filho um copo e fala a
palavra “copo”. A partir daí, o pai diz “copo” e a criança tem a sensação visual do copo na ausência
desse objeto. Funcionalmente, o estímulo verbal já adquiriu a propriedade de eliciar a neuroatividade
referente à sensação visual de quando viu ocopo durante o pareamento. Dessa maneira, esses
pareamentos sensoriais ocorrem a todo momento, gerando processos mnemônicos variados. O mesmo
processo vale para as emoções. 
Por exemplo, as propagandas utilizam muito o pareamento respondente. Veja a seguir um exemplo:
Algumas propagandas de bebidas utilizavam o pareamento
de cerveja com mulheres, praia e diversão. 
Essa estratégia publicitária tem a expectativa de que, ao ver
a cerveja no mercado, a pessoa sinta uma atração ou
excitabilidade especial em detrimento de outras marcas que
não passaram por esse pareamento.
Depois que um estímulo é condicionado, na associação com
um primeiro, para produzir uma reação que antes não
eliciava, o organismo passa a responder a ele e a outros
semelhantes. Existe um espectro de generalização entre
estímulos. Estímulos que têm alguma propriedade em comum podem compor uma mesma classe funcional que
elicia o mesmo tipo de reação. 
Para ilustrar a generalização de estímulos
considere um exemplo em que gritos podem ser
estímulos incondicionados para respostas de
susto. 
Imagine pais gritando e assustando um filho na
presença de uma barata. Antes, a criança
poderia não reagir a ela, mas, depois desse
episódio, passa a sentir medo de barata.
Como barata se assemelha a besouros e
cigarras, a criança também pode se sentir
desconfortável diante desses insetos por
generalização, baseada na semelhança física.
Isso também pode ser visto no clássico experimento do pequeno Albert, conduzido por John Watson
(1878-1958), fundador do behaviorismo metodológico. Embora efetivo, esse experimento foi considerado
antiético e abominado pelos cientistas posteriores, que lamentam a negligência do controle ético da época.
Em sua pesquisa, primeiro Watson mostrou um rato branco a um bebê, que brincava tranquilamente com ele.
Em um segundo momento, ele apresentou o mesmo rato e fazia um barulho estridente que assustava a
criança, levando-a a chorar. Após repetir algumas vezes esse pareamento entre barulho e rato, só de
apresentar o animal isso já eliciava crises de choro e medo em Albert. 
A partir daí, sob operação da generalização de estímulos, observou-se que a criança também exibia essas
reações na presença de coelhos e gatos brancos, sem nenhum condicionamento adicional com esses outros
animais. Às vezes, não sabemos por que temos medo de coisas com as quais não vivenciamos nenhum
episódio aversivo, mas que podem ser estímulos generalizados a partir de outra experiência de
condicionamento aversivo.
Atenção
Em um plano neurofisiológico, uma vez que formou uma relação entre uma neuroatividade que passa a
ocorrer na presença de um evento, somente novas experiências com esses estímulos poderão modificá-
la. Se não ocorrem novas experiências modificadoras, a relação original se mantém estável. Desse modo,
uma relação pode ter sido condicionada na infância e não mudar com a passagem do tempo. A pessoa
pode não se lembrar de suas experiências precoces de condicionamento, mas seus centros
neuroativadores da emoção permanecem condicionados sob controle da estimulação. Não lembrar não
anula o princípio comportamental. 
Agora, vamos ver um vídeo que fala sobre o papel da História do sujeito no condicionamento respondente e
analisar o experimento de Watson do “pequeno Albert”.
As diferenças individuais no condicionamento respondente e o experimento
do “pequeno Albert”
Neste vídeo, o especialista analisa o experimento do pequeno Albert e reflete sobre as diferenças individuais e
o papel da história de vida e memórias no condicionamento respondente.
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Os estímulos filogenéticos primários
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Leis e princípios respondentes
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Uma pessoa pode não lembrar ou não saber descrever quando ou como aprendeu um comportamento, então,
é correto afirmar que:
A
O fato de não lembrar pode suspender os efeitos do condicionamento.
B
Ainda assim, somente novas experiências com esses estímulos poderão gerar modificações.
C
Especificamente os respondentes dependem das operações cognitivas.
D
Se a pessoa não lembrar, o pareamento funcionará somente parcialmente com a passagem do tempo.
E
Todas as experiências podem ser lembradas porque estão guardadas no subconsciente.
A alternativa B está correta.
A pessoa não lembrar não anula a influência dos princípios sobre os comportamentos dela. Respondentes
podem ser condicionados diretamente pela operação do pareamento, sem nenhum tipo de racionalização.
Por último, a opção E apela a mentalismos, sendo rejeitável pela ciência.
Questão 2
Sobre as leis que regem os comportamentos respondentes é correto dizer:
A
A lei do limiar descreve que quanto maior a intensidade do estímulo, menor o intervalo de eliciação.
B
A lei da intensidade-magnitude estabelece que um estímulo precisa alcançar uma intensidade mínima para
que a resposta seja eliciada.
C
A lei da latência descreve que a magnitude da resposta é proporcional à intensidade do estímulo.
D
A lei da cognição emocional estabelece que a qualidade dos pensamentos é fundamental para um pareamento
consistente.
E
Habituação e sensibilização operam quando o organismo é exposto continuamente ao mesmo estímulo.
A alternativa E está correta.
Quando um respondente é continuamente eliciado, será potenciado (sensibilização) ou atenuado
(habituação). A opção A descreve a lei da latência; a B define a lei do limiar e a C caracteriza a lei da
intensidade-magnitude. Já a opção D não existe teoricamente.
3. O modelo da contingência operante
Processos operantes
Vamos tratar agora dos princípios explicativos dos processos operantes, que são as relações de efeitos no
mundo que nossos comportamentos têm. 
As relações operantes não são iguais às reflexas. Relações operantes são atividades musculoesqueléticas,
tanto verbais quanto motoras, capazes de gerar mudança no ambiente como consequência de suas
ocorrências. O comportamento operante evolui a partir dos movimentos corporais que a estrutura anatômica
de uma espécie lhe permite. No caso humano, por sermos móveis da ponta da cabeça aos pés, com toda a
nossa articulação corporal nos é possível uma multiplicidade de movimentos que outras espécies não podem
ter. 
Compare-nos com uma tartaruga, por exemplo, cujos únicos
movimentos que lhe são possíveis incluem encapsular-se
recolhendo cabeça e patas, além de movê-las
unidirecionalmente. 
Já nós, podemos variar movimentos abundantemente tal
qual expresso em todas as modalidades esportivas,
musicais e artísticas já desenvolvidas, incluindo a
construção de objetos aos quais nos acoplamos para atuar,
tais como instrumentos musicais, veículos e máquinas. 
Dessa forma, o ser humano alcança uma variabilidade de
movimentos muito grande que se tornam suas habilidades. Uma competência ou inteligência é ter adquirido
muitos movimentos e refiná-los para produzir um efeito específico. 
Por exemplo, se aprendi muitos movimentos de
basquete para poder evitar que me tirem a bola
por meio dos dribles, avance com ela, faça
chegar aos colegas de equipe pelos passes e
arremesse na cesta com suficiente precisão
para uma taxa de acertos que exceda
significativamente os erros, com isso, exibirei
uma variabilidade refinada de movimentos para
deslocamento corporal no espaço. Dessa
forma, podemos dizer que apresento ou exibo
uma inteligência cinestésico-espacial, algo que só pode ser declarado por ser capaz de fazer isso tudo nesse
nível de desenvolvimento.
Então, podemos dizer que ninguém inicia seu desempenho em altos níveis de excelência. As
pessoas evoluem e se tornam gradualmente melhores naquilo com o que se envolvem e para o que
se dedicam. Isso significa que vão aprendendo mais movimentos e com mais precisãopara produzir
os efeitos.
Agora, veremos alguns conceitos importantes na ciência do comportamento.
A modelagem ocorre quando, a partir de variações dos movimentos e cada uma delas produzindo efeitos
diferentes, aqueles movimentos frustrados por não produzirem nenhum efeito favorável ao indivíduo ou
punidos por produzirem prejuízos vão cessar, enquanto aquelas variações que produzem os efeitos favoráveis
ganharão força e se manterão no repertório, continuando no processo até maior refinamento e expansão. Ou
seja, quando variações de comportamento produzem reforço e punição, uma seleção por consequências
estará em curso por esses efeitos. 
 
Conforme veremos a seguir, temos dois tipos de modelagem:
Modelagem arbitrária
Ocorre formalmente em ambientes educacionais programados para
ensino ou treino, quando o movimento a ser executado é especificado
com instruções e exibições para imitação por alguém, que reforça os
acertos ou pune os erros. Isso evita que fiquemos explorando
frustrantemente ou arriscadamente algo complexo ou perigoso até
descobrirmos como atuar ali.
Modelagem natural
Ocorre quando aprendemos sozinhos, ou seja, quando exploramos
autonomamente algo e as consequências dessa exploração aleatória
direta selecionam gradualmente os comportamentos que funcionam para
determinados efeitos. Esse é o aprendizado por ensaio e erro.
Agora podemos destacar o conceito de seleção por consequência, o principal pilar das explicações
comportamentalistas. 
A seleção por consequência durante a filogênese escolheu os organismos que tinham genes
estruturantes de uma anatomofisiologia cuja responsividade ao ambiente garantiu sobrevivência ao
fugir-esquivar-repelir predadores, obter alimento, abrigo e parceria sexual para acasalamento e
reprodução, transmitindo tais genes. 
A seleção por consequências do comportamento operante garante a manutenção dos comportamentos que
nos produzem reforço – são dois tipos de reforçamento: 
Reforço positivo, por adição
Para que possamos obter algo de que
precisamos quando estamos privados.
Reforço negativo, por subtração
Para que possamos remover algo que nos é
aversivo.
Já as punições cessam a atividade, ou resultam em mudança de comportamento ou de ambiente – também
são de dois tipos: 
Punição positiva, por adição
Produção de danos.
Punição negativa, por subtração
Perda de benefícios.
Perceba que positivo e negativo na ciência do comportamento é um termo algébrico (adição e subtração) e
nada tem a ver com juízo de valor. 
A extinção é outro processo que ocorre quando há diminuição do comportamento porque ele não é mais
reforçado e não produz mais o efeito esperado.
Saiba mais
Ao longo da vida, sem que possamos perceber e de forma inconsciente (não que fique de fato
armazenado em um local chamado inconsciente), isso vai modelando todo o nosso repertório que hoje
exibimos, mesmo nos casos de um quadro patológico. 
Princípios operantes e controle por estímulos
consequentes
O que são esquemas de reforçamento?
Nossa história de vida é repleta de experiências não programadas (naturais) e programadas (artificiais ou
arbitrárias) que modelam nossos comportamentos. 
 
Em ambos os casos acontecem esquemas de reforçamento, mas, afinal, o que são esses esquemas?
 
São diferentes maneiras pelas quais o comportamento humano é reforçado. Aqueles que são reforçados todas
as vezes que acontecem são chamados de esquemas de reforçamento contínuo.
Exemplo
Tocar na tela do celular ou em um aplicativo e ele abrir; apertar o interruptor de luz e ela acender ou
apagar; abrir ou fechar a torneira e a água cair ou cessar. São efeitos imediatos seguidos dos nossos
comportamentos. Há muitas relações comportamentais de reforço contínuo em que cada movimento
produzirá um efeito. 
Mas nem sempre é assim. Muitas vezes a gente faz e tem que continuar fazendo se quiser ver o efeito
acontecer. Quanto mais nos desenvolvemos em diferentes experiências de reforço intermitente, em que a
intermitência vai aumentando, mais tolerantes à frustração e perseverantes nos tornamos, pois aprendemos
que é preciso continuar se esforçando para que os efeitos desejados ocorram.
Quando temos uma educação que ensina gradualmente a aumentar a intensidade, frequência,
duração ou velocidade do comportamento (suas unidades de medida), formamos um indivíduo
perseverante, motivado, dedicado, responsável.
Se a educação é baseada em reforço contínuo, em que um indivíduo é provido prontamente com pouca ou
nenhuma emissão comportamental para produzir o resultado que espera, ele se torna “mimado”, intolerante à
frustração, impulsivo, procrastinador. Todos os rótulos que identificam a personalidade são tipos de
comportamento humano que se formaram à luz de um histórico de reforçamento contínuo ou intermitente.
Esquemas intermitentes podem acontecer de diferentes maneiras dependendo do comportamento. Veja a
seguir os tipos existentes:
Esquema intermitente de razão fixa
É quando existe reforçamento por quantidade fixa
Por exemplo: “só quando terminar cinco páginas de leitura poderá sair para
brincar.”
Esquema intermitente de razão variável
É quando existe reforçamento por quantidade variável
Por exemplo: um vendedor que aborda clientes, mas a ocorrência de venda
se dá aleatoriamente.
Esquema intermitente de intervalo fixo
É quando ocorre por passagem de tempo fixa
Por exemplo: como o salário recebido ao final de cada mês,
independentemente, da quantidade de trabalho, esforço ou resultado
produzido.
Esquema intermitente de intervalo variável
É quando ocorre por passagem de tempo variável
Por exemplo: as provas surpresas, em que não se sabe quando vão
acontecer, mantendo o indivíduo estudando.
Então, os esquemas variáveis, tanto de reforço por quantidade (razão) quanto por passagem de tempo
(intervalo) são mais interessantes na manutenção dos comportamentos. 
Se tivermos que programar uma formação, um ensino de comportamentos, a regra é: reforço
contínuo no início para modelar em pequenos passos o progresso e desenvolver o comportamento,
seguido por aumento da intermitência para tornar perseverante.
O uso da punição
No que se refere à punição, sabemos que ela foi muito estudada na análise do comportamento para mostrar
seus efeitos colaterais nocivos e podermos propor métodos alternativos substitutivos. Tanto nas empresas,
que são muito coercitivas e ameaçam de descontos ou demissão seus funcionários; como na educação, em
que professores ameaçam de reprovação por falta ou desempenho seus estudantes; nas políticas públicas
que coagem a população por confisco, trabalho forçado ou prisão; quanto na própria disciplina doméstica, em
que os cuidadores ameaçam bater, ou colocar de castigo, ou remover benefícios. 
Por que a punição é tão utilizada?
Primeiro, pelo seu efeito imediato. Como é muita aversiva, o indivíduo tende a variar rapidamente o
comportamento para fugir dela. Segundo, porque o reforço positivo para ser usado na modelagem requer
tempo, planejamento das etapas do desenvolvimento comportamental para reforçar aproximações sucessivas
e as pessoas ignoram como fazer isso ou lhes dá muito trabalho manejá-lo. Terceiro, porque para o reforço
funcionar, o indivíduo precisa estar privado dele, e a punição não requer privação.
Por que, então, usar reforçamento?
Porque o indivíduo vai querer o reforço que, eliciando prazer pareado com a atividade, faz com que ele passe
a gostar da atividade também, bem como do ambiente que o elogia, troca afeto e premia. E aí podemos
discutir que tipo de reforçador devemos usar para não gerar problemas também, já que alguns podem
produzir armadilhas de reforço.
Armadilhas de reforço ocorrem quando um reforçador é imediatamente bom para o indivíduo por ser
prazeroso, lhe favorecer de alguma forma ou evitar um estressor; porém, se continuar a produzi-lo, pode lhe
trazer danos colaterais a longo prazo, tornando-se autodestrutivo. Por exemplo, as comidas industrializadas e
feitas por gourmets que dão prazer intenso, e que quanto mais comemos, mais tendemosao colesterol e à
pressão arterial altos, à obesidade, a problemas cardíacos e até mesmo ao câncer. Outro exemplo são as
drogas, cujo efeito imediato sensorial pode ser prazeroso ou entorpecente de certas dores, mas que, a longo
prazo, a dessensibilização para a substância eleva a tolerância e requer aumentar a dose até um ponto de
overdose e destruição da fisiologia. 
A análise do comportamento mostra todos esses efeitos para sabermos o que fazer e planejar bem nosso
trabalho. Quais são ótimos para cada fase da vida e como devem ser administrados em termos de
continuidade e intermitência para substituir a punição e a armadilha de reforço por reforçadores e esquemas
de reforçamento interessantes durante o desenvolvimento. 
Os efeitos da punição incluem:
Eliciação de respondentes emocionais aversivos nocivos aos indivíduos;
 
Condicionamento emocional aversivo de medo, raiva, nojo ao agente punitivo (pais, professores,
chefes) e local onde a punição ocorre (casa, escola, empresa);
 
Supressão da cadeia ou classe comportamental relacionada ao punido (parar de brincar quando só
queríamos que guardasse os brinquedos);
 
Respostas de reação ao controle coercitivo chamadas de contracontrole (retaliação, boicote, fugas-
esquivas, greves, revoltas), tentando se afastar ou equilibrar o poder punitivo.
Controle do comportamento operante e estímulos
antecedentes
Enquanto os estímulos antecedentes dos respondentes os disparam obrigatoriamente, nos operantes, a
seleção por consequências punitivas e reforçadoras que foram modelando e dando forma ao comportamento,
quando ocorrem apenas em certos contextos, tornam-no ocasião exclusiva para tal comportamento,
convertendo-o provável. Em outras palavras, se um comportamento é reforçado apenas no contexto X, sendo
frustrado ou punido em qualquer outro, o contexto ou alguma propriedade dele o evocará. Dessa forma,
aprendemos a emiti-lo apenas nessa circunstância X, somente no contato com essa estimulação. 
Você já deve ter ouvido o relato de muitos pais e mães
dizendo não saber o que acontece com o filho que é
obediente ao outro genitor, mas não com eles. Será que a
criança nasceu geneticamente responsiva dessa forma a
certas pessoas do seu mundo?Provavelmente isso acontece
porque pai e mãe, quando dão suas instruções, o fazem de
maneiras distintas e, quando a criança segue ou não suas
instruções, eles a consequenciam de maneiras distintas
também (se é que uma dessas partes consequencia, pois
isso nem sempre ocorre).
Então, o que acontece nesse processo é que, se uma das
partes prevê consequências que não aplica, cedendo,
inclusive, aos desafios e enfrentamentos da criança, isso não se converte em um contexto para o seguimento
de regras dali provenientes. Do mesmo jeito, se alguém dá instruções olhando nos olhos, de maneira firme,
inteligível, com previsão de consequências aplicáveis e efetivadas, reforçando ou punindo de forma eficaz a
criança caso ela não siga as instruções, então, essa pessoa se converte numa autoridade, ou seja, passa a ser
contexto para obediência. 
Atenção
Esse conceito de contexto que passa a evocar comportamento de um jeito que outro não evoca é o que
chamamos de controle por estímulo discriminativo. O ambiente no qual um comportamento quando
ocorre é reforçado ou quando não ocorre é punido passa a exercer controle sobre a emissão desse
comportamento. Isso não acontece por uma relação de obrigação, como é a eliciação dos reflexos, mas,
sim, por uma relação de consequenciação histórica. Claro que, nesse sentido, como não é uma relação
obrigatória, se as consequências mudarem, um indivíduo pode não responder mais naquele ambiente.
Então, as consequências é que “mandam” na relação comportamental operante. 
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Controle discriminativo sobre o comportamento operante acontece todo o tempo, em diferentes ocasiões. Por
exemplo, sob o efeito do contexto “sala de aula”, um professor se veste formalmente, aborda assuntos da
disciplina, usa uma linguagem técnica da área, coisas que não faria se estivesse no contexto “praia com
amigos”. Sendo um outro contexto, o comportamento formado para ele é outro. Por isso nós temos uma
variabilidade comportamental, não só para produzir efeitos, mas para diferentes relações com pessoas e
instituições. 
Essa é a história da variabilidade repertorial contextual: amplos repertórios para cada contexto
existencial, formando a abundância das relações comportamentais, que de outra maneira seriam
inexplicáveis, mas agora são entendidos à luz desse processo de interação e seleção por
consequência.
Além dos eventos ambientais externos, temos o contexto orgânico dos indivíduos. Para onde quer que formos,
nossa organicidade vai conosco e o que acontece no organismo é contexto para muitos dos nossos
comportamentos. 
Operações estabelecedoras são variáveis orgânicas derivadas da estimulação aversiva a remover remover
(sensações, emoções, estados fisiológicos) e privações a atender (fome, sede, carência afetivas). 
Então, quanto maior a privação ou aversão, maior a motivação para obter um efeito reforçador que a
atenda ou remova, respectivamente, e de buscar contextos em que possam ser produzidos. Por
exemplo, privados de convívio com alguém que amamos, maior é a saudade e a motivação para ligar
e visitar a pessoa. 
O conceito de operações motivadoras na Psicologia Comportamental mostra que quanto mais exposto a uma
situação aversiva, maior o valor do reforço que a remove, e quanto maior a privação de alguma coisa, maior o
valor do reforço que a atende. Essas operações não só aumentam o valor do reforçamento, mas também
eliciam as emoções ligadas à privação e à estimulação aversiva. Além disso, elas movem o indivíduo na
direção do contexto discriminativo, do ambiente onde ele possa acessar o reforço, assim como aumentam a
capacidade evocativa do contexto, deixando-nos mais sensíveis aos estímulos discriminativos que sinalizam a
oportunidade a produzir o reforçamento.
Reflexão
Por tudo isso, as operações estabelecedoras são um poderoso gradiente de análise de
comportamentos. As pessoas às vezes fazem coisas de um jeito estranho e em um contexto impróprio
porque estão movidas por um estado corporal orgânico derivado de alguma condição aversiva ou de
privação que se encontram. Não obstante a invisibilidade dessas variáveis, o comportamento ocorre
para atender a esses estados. Sem o conhecimento dessa variável, não sabemos por que as pessoas
querem algo, por que aquilo é importante naquele dado momento, por que estão agindo de determinada
maneira naquela situação. 
Por fim, outra variável antecedente são as
regras. Um último estímulo antecedente do
comportamento operante é o estímulo
discriminativo verbal ou regra, que são as
instruções. 
Muitas vezes as instruções são públicas (uma
placa de proibido fumar), mas, se você
condicionou a regra de que é proibido fumar em
ambientes fechados, ao entrar em um deles,
por mais que seja fumante, provavelmente
inibirá esse comportamento ou irá buscar um
ambiente aberto em que possa fazer isso. 
Porque, tendo condicionado uma regra para um contexto, seu comportamento estará sob controle dela. 
Os contextos discriminativos passam a evocar privadamente os condicionamentos verbais, ou seja, os
conceitos aprendidos de um indivíduo. O controle por regras é o que explica a formação de conceitos e o
controle exercido por eles sobre os nossos comportamentos. Formamos conceitos sobre os eventos e sobre
como agir em relação a eles. Assim, lemos, percebemos e interpretamos as situações à luz dessas regras, e
elas muitas vezes descrevem normas de conduta que orientam sobre qual ação emitir (“tenho que”, “não
posso”). 
Saiba mais
Nesse sentido, podemos estar governados por conceitos falaciosos, que é o que chamamos de
distorções cognitivas. Muitas psicopatologias exibem interpretações baseadas em conceitos formados
em experiências prévias e que são aplicadas à experiência atual, quando poderiam ter outra leitura.
Então, ao entrar em contato com determinado ambiente,

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