Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

A Interpretação dos Sonhos: breve análise do livro de Freud
Posted on Redação Psicanálise ClínicaPosted in Psicanálise, Teoria Psicanalítica
Curso de Formação em Psicanálise 100% EADA visão que a Psicanálise tem da interpretação dos sonhos é que eles se mostram como reflexos do nosso cotidiano consciente. Então, basicamente, essas imagens que temos durante nosso sono são questões às quais não conseguimos resolver anteriormente.
É como se fosse a nossa mente tentando resolver aquilo no período que estamos dormindo.
Sigmund Freud, o pai da psicanálise, considerava os sonhos como “a via régia para o inconsciente“. Os sonhos permitem que nós, inconscientemente, cumpramos desejos que não podemos expressar enquanto estamos acordados.
Ao adentrar o universo do livro “A Interpretação dos Sonhos”, o leitor é apresentado a termos como:
· conteúdo manifesto: a narrativa mais evidente, via de regra a história que lembramos de um sonho;
· conteúdo latente: a mensagem de natureza inconsciente que o sonho pode revelar.
O processo pelo qual o conteúdo latente é transformado em sonho manifesto é denominado “elaboração do sonho”. Veremos também neste artigo os processos dessa elaboração.
Sigmund Freud também discutiu o “desejo do sonho“, representando a motivação inconsciente que levaria à formação do sonho.
Freud considerou este livro como sua obra fundamental. Muitos autores consideram esta obra como a efetiva fundação da Psicanálise.
O que não é interpretação dos sonhos em Psicanálise?
Vamos entrar em uma breve análise do livro A Interpretação dos Sonhos e observar como esses fenômenos nos atingem.
Antes de mais nada, é importante saber que, para a abordagem psicanalítica:
· Os sonhos não são premonições: não quer dizer que sonhar com algo signifique que algo vá acontecer. Pode acontecer, por uma coincidência ou porque processos inconscientes presentes no sonho também estão presentes na vida psíquica do sujeito.
· Não são revelações místicas: além disso, para a psicanálise, os sonhos não são mensagens de um mundo transcendental, divino ou metafísico. São elaborações e transformações a partir de restos de memórias e conteúdos inconscientes da vida de um sujeito.
· Os sonhos não devem ser lidos literalmente: é preciso ver o que o objeto sonhado e os sentimentos envolvidos no sonho podem dizer sobre o sujeito: suas angústias, medos e desejos. Esses significados devem ser achados de forma indireta, pelo simbolismo do conteúdos e emoções trazidos pelos sonhos.
· Não são universais: por fim, embora existam símbolos partilhados por muitas culturas (como verdadeiros elementos do inconsciente, é sempre importante buscar entender o que o conteúdo manifesto diz respeito aos conteúdos latente de cada pessoa.
Além disso, é importante saber que a interpretação dos sonhos não é um segundo método da psicanálise. A psicanálise fundamenta-se apenas no método da associação livre.
A interpretação dos sonhos, dos chistes, dos sintomas e dos atos falhos e sua relaçai com o inconsciente são recursos que o analista usa na condução da terapia psicanalítica.
O que os sonhos são, então?
Entender que os sonhos não são literais implica reconhecer as figuras que podem estar presentes. Assim, se uma pessoa sonha que está sendo perseguida por uma pessoa armada, é possível pensarmos interpretações por derivações:
· metonímicas: o sonhador está com alguma inimizade com alguém que lhe causa incômodo ou rancor?
· metafóricas: o sonhador está com medo de ser desmascarado por outra pessoa?
· irônicas ou paradoxais: o sonhador pode estar desejando o oposto, isto é, desejando ser “capturado”, pego? (por exemplo, ser reconhecido e amado);
· entre outras possibilidades.
Lembrando: os sonhos dependem do sonhador e do seu contexto de vida. Não estamos propondo respostas prontas para a interpretação.
Mas é importante que o psicanalista tenha uma sensibilidade ampliada para analisar por diversos pontos de vista, até mesmo entendendo o temor do sonho como, no fundo, um desejo reprimido.
Outro aspecto é pensar sobre a frequência com que o sonhador revisita um determinado tema onírico. Um sonho pode ter uma relevância para a interpretação:
· tanto se for um sonho único (sonhar uma única vez sobre um assunto), mas de tal forma marcante do ponto de vista narrativo e emocional;
· quanto se forem sonhos de um tema repetitivo, ou seja, a pessoa sonha muitas vezes com uma determinada situação; por exemplo, diferentes sonhos de que está fugindo de outras pessoas.
Parte superior do formulário
Por que Freud publicou o livro em 1900?
Freud já teria o livro “A interpretação do sonhos” pronto em 1899. Entretanto, preferiu lançar o livro apenas em 1900.
A ideia de Freud é que o anos de 1900 representaria o novo: a ideia de que a psicanálise inauguraria uma nova forma de entender a mente humana. Este livro é entendido então como um marco fundador da psicanálise propriamente dita, ainda que existam muitos textos freudianos anteriores.
Para Freud, através dos sonhos, os desejos reprimidos emergem de maneira simbólica. Muitos símbolos oníricos são universais, isto é, compartilhados por muitas culturas.
Entretanto, o foco principal da psicanálise é entender o significado simbólico para o sonhador, isto é, como aquilo que foi sonhado diz respeito à vida psíquica da pessoa que sonhou.
Interpretar os sonhos pode auxiliar na compreensão e solução de questões internas. A análise de sonhos é uma ferramenta essencial:
· na terapia psicanalítica: quando o analista junto com o analisando podem refletir sobre os sonhos do analisando;
· na autoanálise: Freud baseou grande parte de sua autoanálise na interpretação de seus próprios sonhos.
A importância da obra atualmente
Para todo e qualquer estudioso da mente, A interpretação dos sonhos (Freud, 1900) carrega um valor construtivo gigantesco. A obra é considerada como a abertura ao nosso consciente, mostrando um lado mais arriscado de Freud em trabalho.
Isso porque Freud construiu a ponte que serviria para ligar o desconhecido à luz da Psicanálise como é conhecida.
O psicanalista fez a proposta ousada de se enxergar o homem e seu pensamento fugindo de uma abordagem consciente. Contudo, a ideia do próprio inconsciente parecia inalcançável quando se usava caminhos convencionais.
Assim, ele percebe que esse lugar assumia diversas diretrizes para que se chegasse até nós e nos revelasse algo.
Quando olhamos ao passado, cremos que o centenário de A interpretação dos sonhos não se resume apenas à obra. Mas também aos mais de 100 anos da descoberta do inconsciente e aplicação da Psicanálise.
O tempo não envelheceu os caminhos abertos por Freud e ainda hoje estes se mantêm firmes e replicáveis ao mundo moderno.
Quero informações para me inscrever no Curso de Psicanálise.
Tabela: O Papel dos Sonhos na Psicanálise.
	Para que serve?
	Explicação
	Defesa
	Os sonhos podem servir para proteger o sono e manter a pessoa dormindo, ao realizar desejos inconscientes de forma simbólica.
	Inconsciente
	Os sonhos proporcionam uma pista sobre o inconsciente, revelando desejos e sentimentos reprimidos.
	Neurose
	O conteúdo e a estrutura dos sonhos podem refletir os mesmos mecanismos encontrados nas neuroses.
	Interpretação
	A interpretação dos sonhos pode ajudar a revelar conflitos e desejos inconscientes.
Berço das ideias
A interpretação dos sonhos ligava diretamente a base da pré-Psicanálise com o que viria depois. Ao longo da obra, notamos o desenvolvimento de Freud em relação a alguns pilares de seu trabalho.
Enquanto alguns foram descartados, outros se aperfeiçoaram e hoje regem uma avaliação psicoterapêutica, a começar por:
1. A cura pela fala
Acatando o pedido de uma paciente, Freud se calou e passou a escutar os seus pacientes. Como que por clareza, observou que os sintomas da histeria se dissolviam quando o cliente falava. Assim que narravam as origens dos sintomas que sentiam, os histéricos encontravam alívio e até a reabilitação.
2. O poder dos sonhos
Assim que começavam a falar de seus sonhos, os clientes realizavam associações importantesà sua própria neurose. A fim de entender as causas do problema, Freud não se limitava ao que era ou não importante.
O inconsciente se manifestava aqui e decifrar a sua estrutura seria o papel do psicanalista e analisado.
3. Sexualidade infantil
Antes de todos, o próprio Freud se chocava com o relato de seus pacientes sobre a sexualidade na infância. Isso porque o mesmo passou a receber casos em comum de pessoas que tiveram experiências de prazer quando menores.
Com o tempo, o psicanalista desenvolveu a ideia, ao mesmo tempo em que se afastava da comunidade científica.
Mesmo sem corpo, o sonho tem estrutura
Freud acaba se mostrando bastante desenvolto quando fala nos sonhos em A interpretação dos sonhos. O mesmo construiu características e algumas leis para dignificar esse comportamento inconsciente do ser humano.
Dessa forma, conseguiu criar a ponte entre sonho e os sintomas histéricos que surgem. Algumas delas são:
Sonhos são produtos de desejo
Freud acreditava que os sonhos são realizações inconscientes de nossas vontades. Sempre que temos algum desejo ao qual não podemos realizar, o escondemos, a fim de esquecê-lo, o recalcando. Contudo, esse desejo continua a existir em determinado lugar e continua a criar efeitos em nós, como os sonhos.
Possuem leis próprias
Ao contrário de nossa vida desperta, os sonhos obedecem leis diferentes aos quais estamos acostumados. Isso fica provado na imprevisibilidade à qual eles nos surpreendem. A consciência possui regras lógicas, lineares e conhecidas. A mesma fórmula não é seguida pelo inconsciente, já que este não possui controle ou diretriz específica.
Sintomas da neurose
	Aspectos
	Explicação e exemplo
	Conteúdo manifesto
	O que o sonhador recorda após acordar. É o “enredo” ou narrativa recordável.
	Conteúdo latente
	Significado oculto ou simbólico do sonho. É o possível conteúdo inconsciente interpretado.
	Desejo do sonho
	São as motivações inconscientes por trás dos sonhos e que são transformadas nos conteúdos sonhados.
	Mecanismos dos sonhos
	São os recursos que explicam a transformação dos conteúdos inconscientes nos conteúdos manifestos. São: dramatização, condensação, desdobramento
	Símbolos universais
	Imagens com significados comuns a muitas culturas. Como uma gaiola representando algum tipo de aprisionamento físico ou mental.
	Trauma
	Eventos não processados que ressurgem de forma indireta nos sonhos, embora as dores psíquicas não se resumam a traumas.
	Sonhos recorrentes
	Sonhos com que você sonha sempre. Tendem a indicar um padrão conflitivo não resolvido.
	Simbolismo pessoal
	Símbolos únicos a experiências individuais. Por exemplo, “sonhar com cavalo” pode estar conectado com eventos da vida do sujeito e com aquilo que “cavalo” simboliza para ele.
	Formações do inconsciente
	Além dos sonhos, Freud diz que o inconsciente pode se manifestar indiretamente também por outras formações, em especial: chistes, atos falhos e sintomas.
Assim como os sonhos, sintomas de neurose tem a mesma estrutura. Estes podem ser vistos como resultado do recalque, já que o desejo precisa se manifestar de um modo ou outro. Mas cabe ressaltar que um sintoma de neurose também é visto como manifestação de desejo. Só que nele há solução para a apresentação do desejo na consciência.
Tabela: Conceitos fundamentais em “A Interpretação dos Sonhos”.
A mecânica do sonho
A interpretação dos sonhos defende que os sonhos fogem completamente da perspectiva consciente que vivemos. Eles não consideram a realidade, o tempo, contradições ou qualquer caminho que rege o mundo “comum”. Essas projeções servem para canalizarmos nossos impulsos, a fim de esvaí-los de uma “prisão”.
Em dois capítulos do livro, Freud afirma que há um mecanismo de movimento que empresta valores entre ideias. Com isso, imagens sem importância aparente podem ser amenizadas e comporem os sonhos com certa censura. Em contrapartida, imagens oníricas bem nítidas têm importância por causa da ligação de outra cena realmente relevante.
Ademais, os sonhos apresentam o projeto de condensação, onde detalhes revelam ideias completas. O psicanalista já deu exemplos claros de como características isoladas conseguem identificar bem uma pessoa quando mesclada a características grupais. Basicamente, apenas uma pessoa pode condensar a característica de uma multidão.
O mundo moderno
Felizmente, A interpretação dos sonhos nos lembra o quanto a Psicanálise foi bem transmitida pelo tempo. O maior exemplo disso se encontra em Jacques Lacan, que ampliou o conceito psicanalítico ao longo da vida. Por meio dele, foi encontrado mais precisão ao ensino e projeção da psicoterapia.
Contudo, a Psicanálise encontra barreiras quando encontra o pragmatismo americano, este torcendo ao fracasso dela. Isso porque o modo de vida deles se contrapõe justamente ao trabalho realizado na psicoterapia.
Todavia, a Psicanálise se mostra mais valorizada do que nunca ao combater soluções fáceis. Atualmente, o homem pode ser equiparado a um objeto, já que resolve seus problemas com diversas pílulas. Mesmo que sejam soluções rápidas, acabam fragmentando ainda mais a vida do homem. A Psicanálise consegue trabalhar isso de modo completo.
Livros essenciais sobre interpretação do sonhos
· “A Interpretação dos Sonhos” – Sigmund Freud (Editora Imago, 1900): Freud introduz o conceito de conteúdo latente e manifesto. No texto, o pai da psicanálise examina a relação entre sonhos e desejos inconscientes.
· “O Homem e Seus Símbolos” – Carl Jung (Editora Nova Fronteira, 1964): Jung aborda a ideia de símbolos universais em sonhos e o coletivo inconsciente.
· “Sonhos: Chave para a Autocompreensão” – Marie-Louise von Franz (Editora Cultrix, 1970): A autora aprofunda-se na importância dos sonhos para o autoconhecimento e individuação.
· “O Sonho e o Inconsciente” – Darian Leader (Editora Jorge Zahar, 2007): Uma exploração contemporânea sobre o papel dos sonhos na psicanálise.
Frases sobre os sonhos e suas interpretações
Algumas frases de sonhos escritas por Freud e outros grandes pensadores nos ajudam a dar a dimensão profunda sobre o ato de sonhar:
Vejamos algumas frases de Freud extraídas de A Interpretação dos Sonhos:
· “Os sonhos são a via régia para o inconsciente.”
· “O sonho é a satisfação de que o desejo se realize.”
· “Todo sonho é uma realização de desejos.”
· “O sonho é o guardião do sono e não o perturbador.”
· “Os sonhos não são sem sentido, nem são eles psicóticos.”
· “Os sonhos esquecidos não são sonhos perdidos.”
· “Os sonhos podem ser a chave para entender o inconsciente.”
· “Em nossos sonhos, somos todos poetas.”
· “Os sonhos são as pegadas do nosso próprio pensamento.”
Considerações finais sobre A Interpretação dos Sonhos
A interpretação dos sonhos pode ser considerada como um dos mais valiosos testamentos de Freud.
Por meio dele, enxergamos o nascimento da concepção oficial do que é inconsciente ao ser humano.
Sem contar que também marca a data de nascimento da Psicanálise, servindo de ponto para enxergamos as mudanças ao longo de um século.
Ainda que o mundo moderno afirme por vezes a desnecessidade da psicoterapia, devemos nos atentar ao modo de vida que levamos. Portanto, o imediatismo serve apenas para polir os traumas que carregamos ao longo da vida, sem tratá-los corretamente.
Além disso, é preciso que se faça uma intervenção mais profunda e completa no problema. Esse é o papel da Psicanálise.
image1.jpeg
image2.jpeg

Mais conteúdos dessa disciplina