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Prévia do material em texto

Banco de Sangue
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dra. Rosalina Guedes Donato Santos
Prof.ª Dra. Bruna Amorin
Revisão Textual:
Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin
Imuno-Hematologia
Imuno-Hematologia
 
 
• Avaliar laboratorialmente os antígenos eritrocitários;
• Reconhecer os principais Testes utilizados em imuno-hematologia;
• Compreender a incompatibilidade sanguínea materno fetal.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Antígenos Eritrocitários;
• Sistema ABO e Rh;
• Testes em Imuno-Hematologia;
• Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN).
UNIDADE Imuno-Hematologia
Contextualização
A doença hemolítica do recém-nascido, ou eritroblastose fetal, é causada pela trans-
missão transplacentária de anticorpos maternos direcionados às hemácias fetais. O dis-
túrbio costuma resultar de incompatibilidade entre os Grupos Sanguíneos materno e 
fetal, em geral os antígenos Rh0 (D). Veja o caso a seguir:
ABS, 28 anos, tem sangue do tipo B, Rh- e seu marido é do tipo O, Rh+. O casal teve 
3 filhos, e depois do primeiro parto ela não recebeu a vacina Rho-GAM. O primeiro filho 
nasceu normal, o segundo e terceiro filho apresentaram DHRN, e este último necessitou 
de transfusão sanguínea. Diante desse cenário, surge o seguinte questionamento: qual a 
importância de saber o Grupo Sanguíneo do primeiro filho e de receber a vacina RhoGAM?
Estudaremos esse contexto nesta Unidade!
8
9
Antígenos Eritrocitários
Os antígenos eritrocitários compreendem um grupo extenso de glicoproteínas e 
glicolipídios, (Figura 1) presentes na superfície externa dos eritrócitos, com diferentes 
funções biológicas (estruturação, recepção e adesão, enzimática, transporte, proteínas 
regulatórias e complemento), que são codificados geneticamente.
Figura 1 – Representação esquemática de antígenos de 
Grupos Sanguíneos conforme suas funções biológicas
Fonte: Reprodução
Atualmente, sabe-se da existência de mais de 344 antígenos eritrocitários. Deste 
total, 315 compõem 36 Sistemas de Grupos Sanguíneos, segundo nomenclatura da 
Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea (ISBT). 
A fenotipagem dos antígenos eritrocitários configura importante ferramenta para 
realização bem-sucedida de transfusões sanguíneas, haja vista o polimorfismo gênico ser 
a causa da incompatibilidade sanguínea.
Os antígenos presentes nas hemácias de um doador induzem ativação do Sistema 
Imunológico do receptor com participação expressiva de anticorpos durante o processo 
transfusional e durante a gravidez. 
A identificação fenotípica mais relevante na Terapia Transfusional é observada para 
os seguintes Sistemas eritrocitários: ABO, Rh, Kell, Duffy e Kidd.
Assista ao vídeo “Por que os tipos sanguíneos são importantes?”, no canal TedEx do 
Youtube, que define os quatro principais tipos sanguíneos e esclarece por que o sangue de 
alguns indivíduos apresenta compatibilidade e outros incompatibilidade transfusional. 
Disponível em: https://youtu.be/xfZhb6lmxjk
Nomenclatura para os Antígenos Eritrocitários
Diferentes terminologias para os Sistemas de Antígenos eritrocitários induziram o 
ISBT a padronizar numericamente, com base genética, os perfis desses antígenos. 
9
UNIDADE Imuno-Hematologia
O Sistema é denominado por meio de símbolo alfabético composto por duas a seis 
letras maiúsculas, sendo os antígenos dos grupos identificados por seis dígitos. 
Os três primeiros dígitos representam o número do Sistema, Série ou Coleção e os 
três últimos, o antígeno em questão. 
Antes de seguir seus estudos, acesse Tabela ISBT dos Sistemas de Grupos Sanguíneos. 
Disponível em: https://bit.ly/3zqcDdo
Anticorpos Naturais e Imunes
Os anticorpos podem ser classificados, de acordo com a imuno-hematologia, pelo tipo 
de antígeno ou por sua origem. São conhecidos os apresentados no Glossário a seguir.
• Heteroanticorpos: correspondem aos anticorpos produzidos contra antígenos de espé-
cies diferentes;
• Aloanticorpos: são anticorpos originados a partir da imunização com antígenos diferen-
tes do receptor, porém da mesma espécie;
• Anticorpos naturais: são produzidos, principalmente, contra antígenos eritrocitários e 
surgem espontaneamente nos primeiros meses de vida;
• Autoanticorpos: são aqueles produzidos contra componentes imunológicos do próprio 
organismo, sendo reconhecidos como antígenos “não próprios” pelo Sistema Imunológico 
do indivíduo.
Entre os anticorpos produzidos contra os antígenos do Sistema ABO, encontram-se 
os naturais e imunes. 
Os anticorpos naturais (regulares) são assim chamados porque estão presentes 
no soro dos pacientes sem que haja exposição prévia aos antígenos correspondentes, 
porém podem ser induzidos por estímulos passivos das bactérias ubiquitárias (flora in-
testinal), as quais apresentam semelhança com antígenos do Sistema ABO e induzem a 
formação de anticorpos anti-A e anti-B. 
Por outro lado, os anticorpos imunes só surgem no soro de um indivíduo mediante 
contato prévio com o antígeno. Algumas características importantes devem ser lembradas 
quanto à diferença entre anticorpos naturais e imunes, conforme discriminado no Quadro 1.
Quadro 1 – Principais diferenças entre anticorpos naturais e imunes
Anticorpos Naturais
• Geralmente são da classe IgM;
• Apresentam maior reatividade a temperaturas inferiores a 37°C 
(anticorpos frios).
Anticorpos Imunes
• Geralmente são da classe IgG;
• Apresentam maior reatividade a temperaturas maiores que 
37°C (anticorpos quentes).
10
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Em virtude da constante presença de anticorpos naturais com atividade hemolítica 
no Sistema ABO, é fundamental não realizar a transfusão de hemácias portadoras de 
antígenos que possam ser reconhecidos pelos anticorpos do receptor. 
Dessa forma, toma-se como regra básica priorizar a transfusão sanguínea sempre de 
mesmo isogrupo (doador e receptor de mesmo Grupo Sanguíneo).
Grupos Sanguíneos
A classificação dos diferentes Grupos Sanguíneos se estabelece em função da presen-
ça ou ausência de determinados antígenos (aglutinogênios) na superfície dos eritróci-
tos, cuja existência é determinada geneticamente e por hereditariedade. 
Assim, o grau de compatibilidade sanguínea entre indivíduos é dependente da seme-
lhança desses antígenos. 
Entre os 36 tipos de Sistemas, os mais comumente utilizados para triagem transfu-
sional são os grupos Kell, Duffy, Kidd, ABO e Rh. 
Veja sobre eles a seguir.
• Sistema de Grupo Sanguíneo Kell: glicoproteína eritrocitária com função enzi-
mática (endopeptidase), estando envolvida com a regulação do tono vascular. Esse 
antígeno eritrocitário (Kell) é produto do gene KEL localizado no cromossomo 7, 
que é expresso também em outros tecidos, como cardíaco, linfoide, além de estar 
presente no cérebro e testículos;
• Sistema de Grupo Sanguíneo Duffy: a glicoproteína Duffy ou DARC (Duffy Antigen 
Receptor for Chemokines) é encontrada em células eritroides e não eritroides. Apre-
senta como característica estrutural sete domínios transmembranares e função recepto-
ra de citocina e quimiocinas do processo inflamatório, além de se ligar à forma evolutiva 
de merozoíto do protozoário Plasmodium vivax em humanos. Assim, o Sistema Duffy 
se constitui como fator de suscetibilidade (presença na membrana do eritrócito) e resis-
tência à malária (ausência na membrana eritocitária). Seu polimorfismo oferece grandes 
oportunidades de entendimento da resposta inflamatória e do seu papel na rejeição de 
aloenxertos e da histocompatibilidade;
Estudos têm demonstrado que há indivíduos Duffy negativos infectados com P. vivax no Brasil. 
Esses dados sugerem que P. vivax pode estar a evoluir, usando receptores alternativos para se 
ligar e invadir o eritrócito (CAVASINI, 2007).
• Sistema de Grupo Sanguíneo Kidd: é uma glicoproteína transportadora de ureia 
presente nos eritrócitos e reguladora de suas concentrações intracelulares, preve-
nindo a desidratação quando as hemácias atravessam a medula renal, na qual se 
encontram altas concentrações de ureia.
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UNIDADE Imuno-Hematologia
Testeseu Conhecimento
• O que é aloimunização?
• Qual a importância dos testes de compatibilidade em um Banco de Sangue?
• Verdadeiro ou Falso?
(__) A transfusão sanguínea é uma terapia não isenta de riscos, podendo ocorrer efeitos 
não imunológicos (transmissão de doenças, sobrecarga circulatória, reações alérgicas) e 
efeitos imunológicos, entre eles a hemólise, na qual há destruição das hemácias devido a 
uma reação antígeno-anticorpo (Ag-Ac).
Sistema ABO e Rh
O descobrimento do Sistema do Grupo ABO, no ano de 1900, pelo pesquisador aus-
tríaco Karl Landsteiner, causou grande entusiasmo na comunidade científica da época, 
vez que o entendimento sobre o fracasso de muitos procedimentos transfusionais era 
escasso e o sangue era considerado idêntico em todos os indivíduos. 
Em virtude dos avanços científicos alcançados a respeito do Grupo Sanguíneo ABO, 
não apenas os procedimentos transfusionais se tornaram mais seguros, mas o estudo de 
características hereditárias humanas pôde avançar. 
Desde então, o Sistema ABO tem sido usado para confirmação de paternidade, no estu-
do de vítimas em Medicina forense e por antropólogos no estudo de diferentes populações. 
Os antígenos do Grupo Sanguíneo ABO são tão imunogênicos quanto os antígenos 
do Grupo Sanguíneo do Sistema Rh, de modo que a incompatibilidade entre indivíduos 
causa óbito.
A descrição do fator Rh foi realizada posteriormente, por Landsteiner e Wiener, em 1940. 
Os pesquisadores identificaram a presença de mais um antígeno eritrocitário (antígeno D) 
no sangue de macacos da espécie Rhesus e em humanos. Esta glicoproteína foi denomina-
da fator Rh por ter sido encontrada primeiramente nessa espécie de macacos. 
Observou-se que nos eritrócitos de muitos indivíduos, aproximadamente 85%, há 
presença do fator Rh e em 15% não.
Os indivíduos que apresentam o fator Rh são identificados como Rh+ (RhD positivos) 
e aqueles que não apresentam o antígeno Rh são denominados Rh- (RhD negativos). 
Assim como no Sistema de Grupo Sanguíneo ABO, o Sistema Rh apresenta relevân-
cia, pois também pode provocar reações de incompatibilidade em transfusões sanguíneas.
Sistema do Grupo Sanguíneo ABO
Os antígenos do Sistema ABO são detectados nos eritrócitos fetais entre a quinta e a sex-
ta semana de desenvolvimento e completam seu amadurecimento depois do nascimento.
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Esse mecanismo fisiológico pode ser considerado uma razão para a doença hemolítica do 
recém-nascido. Durante o crescimento, os carboidratos terminais são adicionados na cadeia 
de oligossacarídeos na membrana do eritrócito, dando origem aos antígenos específicos.
Entre dois e quatro anos de idade, os antígenos A e B estão totalmente desenvolvidos 
e permanecem constantes ao longo da vida.
O Sistema ABO é o mais importante e mais conhecido Sistema de Grupos Sanguíneos. 
Em decorrência da presença de antígenos ABO na maioria dos tecidos do organismo, 
trata-se mais de um Sistema de histocompatibilidade, do que simplesmente de um Sistema 
de Grupos Sanguíneos. 
Os genes ABO estão localizados no braço longo do cromossoma 9 (posição 9q34.1-
-q34.2), contando com quatro genes: A1, A2, B e O.
Os antígenos do Sistema ABO não estão restritos à membrana eritrocitária, sendo 
encontrados na saliva e nos líquidos biológicos de indivíduos que apresentem o gene 
secretor e, também, na maioria das células epiteliais e endoteliais. 
Sua presença nos linfócitos e nas plaquetas parece estar relacionada à absorção do plasma.
A Figura 2 mostra o desenvolvimento dos antígenos do Sistema ABO:
Figura 2 – Sistema ABO
Fonte: saúde.rs.gov
Os genes responsáveis pela síntese dos antígenos A e B das hemácias codificam a 
produção de enzimas denominadas glicosiltransferases, que são responsáveis por catali-
sar as reações entre o substrato e o açúcar receptor. 
A atividade das glicosiltransferases dos antígenos A e B varia em diversos subgrupos 
do Sistema ABO.
As glicosiltransferases adicionam carboidratos terminais à substância H, que serve 
como estrutura básica para esses dois antígenos (Figura 3). O gene A, por meio da en-
zima alfa (1,3) N-acetilgalactosaminiltransferase, é responsável pela adição de N-acetil-
-D-galactosamina, formando o antígeno A; o gene B, por intermédio da enzima alfa 
3-galactosiltransferase, adiciona D-galactose, formando o antígeno B. 
13
UNIDADE Imuno-Hematologia
A substância H é formada pela ação da enzima alfa-2-L-fucosiltransferase, que adicio-
na L-fucose à galactose terminal. Essa enzima é codificada no lócus FUT1 do cromosso-
mo 19, na posição q13.3, sendo, portanto, geneticamente independente do lócus ABO.
Figura 3 – A) Antígeno H; B) antígeno A; C) antígeno B
Fonte: epsjv.fiocruz
Os indivíduos que são homozigotos para o gene h/h (nulo) não produzem o antígeno 
H, nem os antígenos A e B. Adicionalmente, esses indivíduos com fenótipo Bombaim 
apresentam anticorpos anti-A, anti-B e anti-H, tornando-se receptores de indivíduos 
com o mesmo fenótipo.
Para melhor entendimento, deve-se lembrar que neste Sistema ABO a ausência ou 
presença dos antígenos A e B de forma isolada ou concomitante é o fator condicionante 
para determinar o fenótipo. 
Leia sobre fenótipo Bombaim ou também conhecido como Falso O. 
Disponível em: https://bit.ly/2WynDa6
Sistema do Grupo Sanguíneo Rh
O Sistema Rh é o mais complexo Sistema de Grupos Sanguíneos e, depois do Siste-
ma ABO, é o de maior importância clínica. 
O fator Rh apresenta papel central não somente nos procedimentos transfusionais 
sanguíneos, mas também tem grande importância na gravidez de mulheres Rh-, uma 
vez que elas podem conceber filhos com sangue Rh+ em virtude de o pai apresentar 
sangue Rh+ e ocasionar a eritroblastose fetal ou doença hemolítica do feto e recém-
-nascido (DHRN).
O Grupo Sanguíneo Rh é o mais polimórfico, imunogênico e complexo (49 diferen-
tes antígenos caracterizados) dos Grupos Sanguíneos presentes em seres humanos. 
Apresenta cinco principais e importantes aglutinogênios, a saber: D (RH1), C (RH2), 
E (RH3), c (RH4) e (RH5), sendo responsáveis por grande parte dos anticorpos clinica-
mente significantes. 
A presença ou a ausência do antígeno D em hemácias determina, respectivamente, 
RhD positivo ou RhD negativo.
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Técnica Aplicada à Determinação ABO e Rh
A fim de se evitar, na prática transfusional, incompatibilidade sanguínea que culmine 
na morte do receptor, faz-se necessária a realização da tipagem sanguínea, principal-
mente, dos Sistemas ABO e Rh. Os resultados inconclusivos para o Sistema ABO de-
mandam reavaliação por meio da prova cruzada e reversa.
A fenotipagem sanguínea para o Sistema ABO pode ser realizada pela pesquisa de 
aglutinogênios na superfície das hemácias (tipagem direta) ou ainda pela pesquisa de 
anticorpos no soro do paciente (tipagem reversa). 
A técnica da tipagem direta consiste em pôr em contato soros-teste conhecidos (anti-
-A, anti-B e anti-AB) com eritrócitos a serem testados para identificar a presença ou não 
dos antígenos A e B. Dessa forma serão definidos os Grupos Sanguíneos: A, B, AB, O. 
Já a tipagem reversa consiste em pôr em contato o soro de teste com pelo menos 
eritrócitos conhecidos A1 e B, permitindo que se reconheça a presença ou não de anti-
corpos dirigidos contra esses antígenos. 
A Figura 4 demonstra a realização da Técnica:
Figura 4 – Realização da técnica de Tipagem ABO direta e reversa e interpretação dos resultados
Fonte: Adaptada de bvsms.saude.gov 
A classificação do RhD se refere apenas à presença (RhD positivo) ou ausência (RhD 
negativo) do antígeno na superfície eritrocitária e não há prova reversa, pois os indivídu-
os não apresentam naturalmente anticorpos séricos contra o antígeno RhD.
 Em virtude de seu imenso polimorfismo, o antígeno RhD pode se apresentar como 
antígeno de fraca expressão (D fraco) ou modificado (D parcial) e essas característi-
cas são determinadas por estudos moleculares. 
15
UNIDADE Imuno-Hematologia
Os antígenos D fracos existem na membrana eritrocitária, porém são poucoexpres-
sos, de modo que nos testes sorológicos são detectados somente com o uso de potencia-
lizadores (antiglobulina humana ou enzimas) ou anticorpos monoclonais. 
Os antígenos D parciais apresentam baixa antigenicidade por causa da ausência de 
um ou mais epítopos da proteína em virtude de modificação genética.
Importante!
Caso em um exame laboratorial o paciente seja considerado RhD negativo, será neces-
sária obrigatoriamente a realização de novo ensaio. Para tanto, as hemácias são lavadas 
repetidamente com solução salina e, posteriormente, são adicionadas imunoglobulinas 
IgG humanas monoclonais (soro de Coombs).
A Figura 5 demonstra a realização da Técnica para Tipagem RhD e pesquisa do 
antígeno D fraco:
Figura 5 – Tipagem RhD e pesquisa de antígeno D fraco
Fonte: Adaptada de bvsms.saude.gov
A interpretação dos resultados ocorre da seguinte forma:
• Havendo ausência de aglutinação em ambos os tubos, classifica-se o sangue como 
RhD negativo;
• Havendo presença de aglutinação apenas no tubo marcado D, o sangue deve ser 
classificado como RhD positivo fraco;
• Havendo aglutinação em ambos os tubos, D e CTL, não se deve considerar o indi-
víduo RhD positivo. Nesse caso, deve-se considerá-lo tendo um Teste de Coombs 
Direto positivo, provavelmente por sensibilização de seus GV por autoanticorpos. 
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Caso não haja tempo de realizar estudos mais aprofundados, na vigência de uma 
transfusão de urgência, deve-se escolher para essa transfusão hemácias RhD negativo. 
A interpretação dos resultados pode ser observada na Figura 6:
Figura 6 – Interpretação de tipagem RhD
Fonte: Adaptada de bvsms.saude.gov
Discrepância ABO
É imprescindível prestar atenção a qualquer discrepância (resultados divergentes en-
tre as provas) observada entre as tipagens direta e reversa. Não se deve liberar o hemo-
componente até que ocorra a resolução da discrepância. 
Diferentes quadros de enfermidades podem causar discrepâncias entre a classificação 
direta e reversa.
As discrepâncias no Sistema ABO, geralmente, são de origem técnica e, nesse caso, 
os testes precisam ser repetidos e se deve verificar o acondicionamento dos reagentes. 
Caso as discrepâncias persistam, pode-se coletar informações do paciente acerca de 
sua idade, diagnóstico, história transfusional, uso de medicações, avaliação da dosagem 
das imunoglobulinas (quando avaliadas) e história de gestações.
Para confirmar o resultado, deve ser coletada uma nova amostra.
Alguns problemas na prova direta podem ser observados a seguir:
• Antígenos A e B fracos: os antígenos correspondentes só podem ser demonstra-
dos por técnica de fixação e eluição, pela pesquisa de substâncias ABH na saliva, 
por estudo genético ou por pesquisa de transferases séricas;
• Poliaglutinação de hemácias: fenômeno imunológico em que um antígeno é ex-
posto ou existe anormalmente na superfície da hemácia e é reconhecido por um 
anticorpo anti-T, anti-Tn;
• Aglutinação inespecífica: ocorre pela presença de geleia de Wharton em amos-
tras de sangue de cordão;
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UNIDADE Imuno-Hematologia
• Rouleaux: compreende o empilhamento das hemácias, tornando todas as reações 
falsamente positivas na determinação ABO, inclusive os controles. Ocorre em ma-
croglobulinemias, nos mielomas e nas hiperfibrinemias.
Além deles, problemas na prova reversa podem interferir nos resultados, tais como: 
subgrupo de A e AB com presença de anti-A1; presença de autoaglutinina fria na amos-
tra, ausência ou diminuição de anticorpos naturais anti-A e anti-B, como em recém-nas-
cidos, idosos e imunodeprimidos e presença de anticorpo irregular no plasma ou soro.
Teste seu Conhecimento
• O Sistema ABO tem 4 tipos sanguíneos: A, B, AB e O. Descreva as características desses 
quatro tipos sanguíneos em relação aos aglutinogênios (antígenos) nas hemácias e as 
aglutininas (anticorpos) no plasma;
• O que é Fenótipo de Bombaim? Explique o que ocorre com a expressão de antígenos nas 
hemácias desse fenótipo. Como é feita a detecção do fenótipo de Bombaim?
• Qual a finalidade da prova direta e reversa?
• O que é e como é feita a pesquisa de D fraco? Qual a importância dessa pesquisa?
Testes em Imuno-Hematologia
Em virtude do imenso polimorfismo genético dos Grupos Sanguíneos e, consequen-
temente, da heterogeneidade de apresentações dos antígenos sobre a membrana eri-
trocitária, a imuno-hematologia recorre à aplicação de técnicas que auxiliam a correta 
identificação dos anticorpos em exames de rotina ou na identificação de antígenos (raros 
ou não) na membrana das hemácias de doadores e receptores. 
Portanto, pode-se afirmar que a imuno-hematologia está intrinsecamente ligada à 
medicina transfusional, gestação e transplante de tecidos e órgãos, vez que ela fornece 
as condições apropriadas para investigação da patogênese, diagnóstico e orientações 
para imunizações.
Teste de Antiglobulina
A técnica de antiglobulina pode ser utilizada para detecção de hemácias sensibilizadas 
por autoanticorpos, aloanticorpos, componentes do Sistema complemento e podem ser 
sensibilizadas in vivo ou in vitro. 
A utilização do soro antiglobulina humana, na avaliação imunológica eritrocitária, 
pode ser considerada a mais importante descoberta da medicina transfusional, depois 
do Sistema de Grupo Sanguíneo ABO. 
A facilidade de execução do Teste Antiglobulina e a informação diagnóstica que for-
nece contribuíram para sua utilização em larga escala até os dias de hoje.
O Teste de Antiglobulina utiliza o anticorpo anti-IgG humana (AGH), que permite o reco-
nhecimento da fração Fc da imunoglobulina fixada na membrana das hemácias sensibilizadas, 
18
19
dessa forma, as duas porções Fab dos heteroanticorpos contidos no soro AGH formam uma 
ligação entre os anticorpos humanos, resultando no fenômeno da aglutinação. 
A seguir, estude o Teste de Antiglobulina Direto (Coombs Direto) e Teste de Antiglo-
bulina Indireto (Coombs Indireto).
Coombs Direto
A Técnica de Coombs Direto ou Teste da Antiglobulina Direta (TAD) caracteriza-se 
pela reação de hemácias diretamente com o soro antiglobulina humana (AGH). 
A realização da técnica em tubo consiste na lavagem de hemácias para total remoção 
do resíduo de plasma, anticorpos livres e outras proteínas do meio, a fim de evitar um 
resultado falso negativo com a neutralização do soro AGH. 
Os anticorpos antiglobulinas humanas se combinam preferencialmente com a porção 
Fc das moléculas de anticorpos ligadas às hemácias, e os sítios Fab formam pontes entre 
os anticorpos, produzindo uma aglutinação visível (Figura 7). 
As células que não apresentam anticorpos ligados não são aglutinadas.
Figura 7 – Representação esquemática do Teste de Coombs Direto
Fonte: Biomedicina Padrão
Os resultados do Teste de Aglutinação Direta são obtidos pela detecção da presença 
ou ausência da aglutinação, conforme mostra a Figura 8.
Figura 8 – Representação dos resultados de Coombs Direto
Fonte: Adaptada de SCHÖRNER, 2012
19
UNIDADE Imuno-Hematologia
Teste da Antiglobulina Direto (Coombs Direto). Disponível em: https://bit.ly/3mwZ0p4
Coombs Indireto
O Teste Coombs Indireto ou da Antiglobulina Indireto (TAI) tem por objetivo detectar 
a presença de anticorpos, não pertencentes ao Sistema ABO, presentes no soro ou 
plasma do paciente.
O Coombs Indireto utiliza no mínimo duas hemácias reagentes do grupo O RhD po-
sitivo, contendo a maioria dos antígenos clinicamente importantes para os Sistemas Rh, 
Kell, Kidd, Duffy, MNS, Lewis, P, Lutheran e, mais recentemente, DiA. 
O Teste TAI é empregado para fenotipagem eritrocitária, pesquisa e identificação de 
anticorpos irregulares, prova de compatibilidade ou prova cruzada (detecta anticorpos 
presentes no soro ou no plasma do receptor contra antígenos presentes nas hemácias 
do doador). 
A Figura 9 representa de forma esquemática o passo a passo para a realização da 
Técnica de Coombs Indireto:
Figura 9 – Representação esquemática do Teste de Coombs Indireto
Fonte: BIOMEDICINA PADRÃO
Teste da Antiglobulina Indireto(Coombs Indireto). Disponível em: https://bit.ly/3gCrj1n
Pesquisa de Anticorpos Irregulares (PAI)
A Pesquisa de Anticorpos Irregulares compreende a utilização da Técnica Indireta da 
Antiglobulina (Coombs Indireto) com o objetivo de obter uma triagem dos anticorpos 
direcionados aos antígenos de Grupos Sanguíneos com exceção dos antígenos do Sis-
tema ABO.
A importância clínica dos achados (anticorpos detectados) dependerá da temperatura 
de reação, potência (grau de reatividade), classe de imunoglobulina e capacidade de ati-
vação do Sistema complemento. 
20
21
Assim, anticorpos da classe IgM e IgG apresentam valor clínico significativo, haja 
vista serem reativos a 37°C (grande amplitude térmica).
A PAI tem como finalidade pôr as hemácias de fenótipos sabidamente conhecidos em 
contato com soro ou plasma do paciente, para evidenciar a presença de anticorpos na 
amostra analisada. Assim, essa técnica pode ser, por exemplo, empregada no monito-
ramento de mulheres durante a gestação, principalmente, aquelas que têm potencial de 
desenvolver aloanticorpos por serem Rh(D) negativo. 
A Tabela 1 mostra a triagem de anticorpos eritrocitários:
Tabela 1 – Diagrama para triagem de anticorpos irregulares
Diagrama para triagem de anticorpos
Sistema Rh Kell MNS Kidd Duff Lewis P Lutheran
Células D C E C e K k M N S s J Jk Fya Fyb Lea Leb P1 Lua Lub
I + + + + + 0 + + + 0 + + 0 0 + + 0 + 0 +
II + + 0 0 + + + 0 + + 0 + + + + 0 + + 0 +
Fonte: Adaptada de VIZZON, 2015
Teste seu Conhecimento 
• Qual a diferença entre as Técnicas de Coombs Direto e Indireto?
• A Técnica PAI é um tipo de Teste de Antiglobulina, mas qual a diferença quando entre ele 
e o Coombs Indireto? 
Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN)
A Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHRN) é o resultado da 
passagem de eritrócitos (portando antígenos distintos do materno) através da placenta 
para circulação sanguínea materna.
O principal antígeno envolvido no surgimento da doença hemolítica do recém-nasci-
do é o antígeno D, o mesmo que determina o tipo sanguíneo do Sistema Rh. 
Assim, a DHRN resultará da produção de anticorpos maternos contra as hemácias 
do feto, mediante prévia sensibilização por meio de uma transfusão sanguínea incompa-
tível, ou após a primeira gestação de uma criança Rh positiva. 
A Figura 10 demonstra o desenvolvimento da DHRN.
A Doença Hemolítica do Recém-Nascido é um quadro clínico no qual os anticorpos da mãe 
causam a decomposição ou a destruição (hemólise) dos eritrócitos do bebê de maneira mais 
rápida que o normal.
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Figura 10 – Desenvolvimento da DHRN
Fonte: Reprodução
Incompatibilidade Sanguínea Materno-fetal no Sistema Rh
A incompatibilidade sanguínea materno-fetal no Sistema Rh(D) é a causa mais fre-
quente e mais grave de doença hemolítica. 
O antígeno D é altamente imunogênico (menos de 0.1ml de sangue fetal é o suficiente 
para imunizar a mãe e originar uma resposta imune secundária com produção de IgG). 
Isso se dá porque esses antígenos existem exclusivamente nos eritrócitos.
 A imunoprofilaxia com imunoglobulina anti-RhD (vacina RhoGAM) permitiu uma 
drástica redução da incidência da doença hemolítica Rh de recém-nascidos.
Embora a causa mais frequente dessa doença seja a incompatibilidade Rh(D), outros 
antígenos do grupo Rh podem estar associados a ela, de modo que os antígenos c se 
apresentam como principal causa de doença hemolítica à medida que diminui a incidên-
cia de doença Rh(D).
A combinação de incompatibilidades em vários antígenos Rhesus pode ser grave e 
potencialmente fatal. 
A doença hemolítica Rh, geralmente, não ocorre durante gestações de primíparas 
porque a primeira resposta imune humoral é a produção de IgM. 
Essa classe de anticorpo, por conta da sua estrutura pentamérica, não atravessa a 
barreira placentária. 
Somente depois da prévia exposição materna, a resposta humoral será constituída 
por IgG, que atravessa a placenta e atinge a circulação fetal, fixando-se nos eritrócitos 
que serão posteriormente destruídos pelo Sistema retículo-endotelial.
Incompatibilidade Sanguínea Materno-fetal no Sistema ABO
A incompatibilidade sanguínea materno-fetal no Sistema ABO tem um quadro clínico 
menos grave. Diferente do que ocorre na incompatibilidade sanguínea para o Sistema 
Rh, a gestante poderá apresentar complicações ainda na primeira gravidez.
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Nessa situação, os anticorpos maternos da classe IgG, anti-A e anti-B entram na cir-
culação fetal e opsonizam antígenos A e B presentes na membrana celular das hemácias. 
Nota-se que, em mulheres que apresentam sangue tipo A ou B, a classe predominante 
de anticorpos anti-A e anti-B sã o IgM e esse isotipo não atravessa a barreira placentária. 
Por outro lado, observa-se que, em gestantes do tipo O, os aloanticorpos produzidos 
são da classe IgG e podem atravessar a barreira placentária. 
Assim, a incompatibilidade para o Sistema ABO está limitada, principalmente, a 
mulheres do grupo O com fetos do grupo A ou B, ocorrendo em 15% das gestações e 
provocando a DHRN em aproximadamente 4% dos casos.
Em crianças recém-nascidas, observa-se uma anemia branda e muitas vezes o neo-
nato é assintomático. 
A característica benigna dessa enfermidade pode ser justificada pela ampla distribui-
ção tecidual (linfócitos, plaquetas, endotélio capilar venular e arterial, células sinusoidais 
do baço, medula óssea, mucosa gástrica, além de secreções e outros fluidos como saliva, 
urina leite) dos antígenos do Sistema ABO e pela reduzida quantidade de receptores de 
anticorpos anti-A e anti-B presentes nos eritrócitos.
Incompatibilidade Sanguínea Materno-fetal Devido a Antígenos 
de Outros Sistemas
A doença hemolítica causada por incompatibilidade materno-fetal por outros Grupos 
Sanguíneos (grupos minor) é rara e quase sempre abrange os grupos Kell (Kk), MNS (M, 
S, s), Duffy (Fya) e Kidd (Jka, Jkb). 
Há um amplo espectro clínico, desde uma hiperbilirrubinemia branda até a hidropisia 
fetal, com elevada taxa de mortalidade. 
A prévia sensibilização materna advém de procedimentos pós-transfunsionais, gestação 
ou contato com bactérias e vírus que expressam antígenos semelhantes a esses Sistemas.
A doença hemolítica Kell possui antígenos altamente imunogênico e os seus anticorpos 
promovem Doença Hemolítica Neonatal semelhante àquela por anti-D do Sistema Rh, 
causando destruição dos reticulócitos, vez que os antígenos Kell estão presentes neles. 
Assim, há destruição deles ainda no fígado fetal. Essas células, por não terem hemo-
globina, não provocam hiperbilirrubinemia no feto ou neonato, mas provocam hemólise 
grave, com supressão da eritropoiese e reticulocitopenia. Por isso, muitas vezes há ne-
cessidade de intervenção intrauterina.
A Doença Hemolítica Neonatal pode ser provocada tanto por anticorpos anti-D (Sis-
tema Rhesus) quanto por anticorpos anti-A e anti-B (Sistema ABO). 
No entanto, anticorpos mais raros direcionados a outros antígenos das hemácias têm 
sido detectados por meio dos Testes de Coombs Indireto e Direto, tornando-se, assim, 
ferramentas fundamentais para o diagnóstico quando há suspeita dessa doença.
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Testes Laboratoriais para a Detecção da DHRN e sua Origem
Testes Laboratoriais podem ser realizados durante o pré-natal com o objetivo de ava-
liar o Grupo Sanguíneo materno (ABO e Rh). 
Uma ferramenta importante para auxílio do diagnóstico ainda durante a gestação é 
o Teste de Coombs Indireto. 
Se houver positivação do Teste de Coombs Indireto, será realizada a titulação. Caso 
os títulos sejam acima de 1/16, será necessário monitoramento a cada quatro semanas. 
Em algumas situações, recomenda-se a determinação do Grupo Sanguíneo e do he-
matócrito fetais. Eles podem ser realizados após cordocentese, que permite igualmente 
a transfusão eritrocitária intrauterina.
Testes não invasivos para determinação da fenotipagem eritrocitária fetal podem ser 
alcançados por meio do cell free DNA (cffDNA) presenteno plasma materno. 
Essa técnica permite identificar outros antígenos além do Rh(D), a exemplo do Kell, 
Rh(C/c) e Rh (E/e).
O diagnóstico depois do nascimento se dá por meio tipagem sanguínea do neonato, 
Teste de Coombs Direto (a positividade do Teste de Coombs Direto confirma a presença 
de anticorpos IgG nos eritrócitos do recém-nascido) e, se houve forte suspeita clínica, 
deve-se realizar Teste Coombs Indireto com o soro neonatal incubado com eritrócitos 
marcados fenotipicamente para antígenos A ou B.
Teste seu Conhecimento 
• Explique, de forma esquemática, o que é e como ocorre a DHRN;
• Existe outra forma de acompanhamento da gestante, além do Coombs Indireto, para evi-
tar DHRN?
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Tipos de Sangue
https://bit.ly/38itd2Q
 Leitura
Conceitos básicos e aplicados em imuno-hematologia
https://bit.ly/38f8pcD 
Imuno-Hematologia Laboratorial
https://bit.ly/3znDSoS
Teste da Antiglobulina Humana: Uma Revisão de Literatura
https://bit.ly/3zyJSeg 
Doença Hemolítica do Recém-nascido
https://bit.ly/3sOZZ59
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Referências
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