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Banco de Sangue Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dra. Rosalina Guedes Donato Santos Prof.ª Dra. Bruna Amorin Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin Imuno-Hematologia Imuno-Hematologia • Avaliar laboratorialmente os antígenos eritrocitários; • Reconhecer os principais Testes utilizados em imuno-hematologia; • Compreender a incompatibilidade sanguínea materno fetal. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Antígenos Eritrocitários; • Sistema ABO e Rh; • Testes em Imuno-Hematologia; • Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN). UNIDADE Imuno-Hematologia Contextualização A doença hemolítica do recém-nascido, ou eritroblastose fetal, é causada pela trans- missão transplacentária de anticorpos maternos direcionados às hemácias fetais. O dis- túrbio costuma resultar de incompatibilidade entre os Grupos Sanguíneos materno e fetal, em geral os antígenos Rh0 (D). Veja o caso a seguir: ABS, 28 anos, tem sangue do tipo B, Rh- e seu marido é do tipo O, Rh+. O casal teve 3 filhos, e depois do primeiro parto ela não recebeu a vacina Rho-GAM. O primeiro filho nasceu normal, o segundo e terceiro filho apresentaram DHRN, e este último necessitou de transfusão sanguínea. Diante desse cenário, surge o seguinte questionamento: qual a importância de saber o Grupo Sanguíneo do primeiro filho e de receber a vacina RhoGAM? Estudaremos esse contexto nesta Unidade! 8 9 Antígenos Eritrocitários Os antígenos eritrocitários compreendem um grupo extenso de glicoproteínas e glicolipídios, (Figura 1) presentes na superfície externa dos eritrócitos, com diferentes funções biológicas (estruturação, recepção e adesão, enzimática, transporte, proteínas regulatórias e complemento), que são codificados geneticamente. Figura 1 – Representação esquemática de antígenos de Grupos Sanguíneos conforme suas funções biológicas Fonte: Reprodução Atualmente, sabe-se da existência de mais de 344 antígenos eritrocitários. Deste total, 315 compõem 36 Sistemas de Grupos Sanguíneos, segundo nomenclatura da Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea (ISBT). A fenotipagem dos antígenos eritrocitários configura importante ferramenta para realização bem-sucedida de transfusões sanguíneas, haja vista o polimorfismo gênico ser a causa da incompatibilidade sanguínea. Os antígenos presentes nas hemácias de um doador induzem ativação do Sistema Imunológico do receptor com participação expressiva de anticorpos durante o processo transfusional e durante a gravidez. A identificação fenotípica mais relevante na Terapia Transfusional é observada para os seguintes Sistemas eritrocitários: ABO, Rh, Kell, Duffy e Kidd. Assista ao vídeo “Por que os tipos sanguíneos são importantes?”, no canal TedEx do Youtube, que define os quatro principais tipos sanguíneos e esclarece por que o sangue de alguns indivíduos apresenta compatibilidade e outros incompatibilidade transfusional. Disponível em: https://youtu.be/xfZhb6lmxjk Nomenclatura para os Antígenos Eritrocitários Diferentes terminologias para os Sistemas de Antígenos eritrocitários induziram o ISBT a padronizar numericamente, com base genética, os perfis desses antígenos. 9 UNIDADE Imuno-Hematologia O Sistema é denominado por meio de símbolo alfabético composto por duas a seis letras maiúsculas, sendo os antígenos dos grupos identificados por seis dígitos. Os três primeiros dígitos representam o número do Sistema, Série ou Coleção e os três últimos, o antígeno em questão. Antes de seguir seus estudos, acesse Tabela ISBT dos Sistemas de Grupos Sanguíneos. Disponível em: https://bit.ly/3zqcDdo Anticorpos Naturais e Imunes Os anticorpos podem ser classificados, de acordo com a imuno-hematologia, pelo tipo de antígeno ou por sua origem. São conhecidos os apresentados no Glossário a seguir. • Heteroanticorpos: correspondem aos anticorpos produzidos contra antígenos de espé- cies diferentes; • Aloanticorpos: são anticorpos originados a partir da imunização com antígenos diferen- tes do receptor, porém da mesma espécie; • Anticorpos naturais: são produzidos, principalmente, contra antígenos eritrocitários e surgem espontaneamente nos primeiros meses de vida; • Autoanticorpos: são aqueles produzidos contra componentes imunológicos do próprio organismo, sendo reconhecidos como antígenos “não próprios” pelo Sistema Imunológico do indivíduo. Entre os anticorpos produzidos contra os antígenos do Sistema ABO, encontram-se os naturais e imunes. Os anticorpos naturais (regulares) são assim chamados porque estão presentes no soro dos pacientes sem que haja exposição prévia aos antígenos correspondentes, porém podem ser induzidos por estímulos passivos das bactérias ubiquitárias (flora in- testinal), as quais apresentam semelhança com antígenos do Sistema ABO e induzem a formação de anticorpos anti-A e anti-B. Por outro lado, os anticorpos imunes só surgem no soro de um indivíduo mediante contato prévio com o antígeno. Algumas características importantes devem ser lembradas quanto à diferença entre anticorpos naturais e imunes, conforme discriminado no Quadro 1. Quadro 1 – Principais diferenças entre anticorpos naturais e imunes Anticorpos Naturais • Geralmente são da classe IgM; • Apresentam maior reatividade a temperaturas inferiores a 37°C (anticorpos frios). Anticorpos Imunes • Geralmente são da classe IgG; • Apresentam maior reatividade a temperaturas maiores que 37°C (anticorpos quentes). 10 11 Em virtude da constante presença de anticorpos naturais com atividade hemolítica no Sistema ABO, é fundamental não realizar a transfusão de hemácias portadoras de antígenos que possam ser reconhecidos pelos anticorpos do receptor. Dessa forma, toma-se como regra básica priorizar a transfusão sanguínea sempre de mesmo isogrupo (doador e receptor de mesmo Grupo Sanguíneo). Grupos Sanguíneos A classificação dos diferentes Grupos Sanguíneos se estabelece em função da presen- ça ou ausência de determinados antígenos (aglutinogênios) na superfície dos eritróci- tos, cuja existência é determinada geneticamente e por hereditariedade. Assim, o grau de compatibilidade sanguínea entre indivíduos é dependente da seme- lhança desses antígenos. Entre os 36 tipos de Sistemas, os mais comumente utilizados para triagem transfu- sional são os grupos Kell, Duffy, Kidd, ABO e Rh. Veja sobre eles a seguir. • Sistema de Grupo Sanguíneo Kell: glicoproteína eritrocitária com função enzi- mática (endopeptidase), estando envolvida com a regulação do tono vascular. Esse antígeno eritrocitário (Kell) é produto do gene KEL localizado no cromossomo 7, que é expresso também em outros tecidos, como cardíaco, linfoide, além de estar presente no cérebro e testículos; • Sistema de Grupo Sanguíneo Duffy: a glicoproteína Duffy ou DARC (Duffy Antigen Receptor for Chemokines) é encontrada em células eritroides e não eritroides. Apre- senta como característica estrutural sete domínios transmembranares e função recepto- ra de citocina e quimiocinas do processo inflamatório, além de se ligar à forma evolutiva de merozoíto do protozoário Plasmodium vivax em humanos. Assim, o Sistema Duffy se constitui como fator de suscetibilidade (presença na membrana do eritrócito) e resis- tência à malária (ausência na membrana eritocitária). Seu polimorfismo oferece grandes oportunidades de entendimento da resposta inflamatória e do seu papel na rejeição de aloenxertos e da histocompatibilidade; Estudos têm demonstrado que há indivíduos Duffy negativos infectados com P. vivax no Brasil. Esses dados sugerem que P. vivax pode estar a evoluir, usando receptores alternativos para se ligar e invadir o eritrócito (CAVASINI, 2007). • Sistema de Grupo Sanguíneo Kidd: é uma glicoproteína transportadora de ureia presente nos eritrócitos e reguladora de suas concentrações intracelulares, preve- nindo a desidratação quando as hemácias atravessam a medula renal, na qual se encontram altas concentrações de ureia. 11 UNIDADE Imuno-Hematologia Testeseu Conhecimento • O que é aloimunização? • Qual a importância dos testes de compatibilidade em um Banco de Sangue? • Verdadeiro ou Falso? (__) A transfusão sanguínea é uma terapia não isenta de riscos, podendo ocorrer efeitos não imunológicos (transmissão de doenças, sobrecarga circulatória, reações alérgicas) e efeitos imunológicos, entre eles a hemólise, na qual há destruição das hemácias devido a uma reação antígeno-anticorpo (Ag-Ac). Sistema ABO e Rh O descobrimento do Sistema do Grupo ABO, no ano de 1900, pelo pesquisador aus- tríaco Karl Landsteiner, causou grande entusiasmo na comunidade científica da época, vez que o entendimento sobre o fracasso de muitos procedimentos transfusionais era escasso e o sangue era considerado idêntico em todos os indivíduos. Em virtude dos avanços científicos alcançados a respeito do Grupo Sanguíneo ABO, não apenas os procedimentos transfusionais se tornaram mais seguros, mas o estudo de características hereditárias humanas pôde avançar. Desde então, o Sistema ABO tem sido usado para confirmação de paternidade, no estu- do de vítimas em Medicina forense e por antropólogos no estudo de diferentes populações. Os antígenos do Grupo Sanguíneo ABO são tão imunogênicos quanto os antígenos do Grupo Sanguíneo do Sistema Rh, de modo que a incompatibilidade entre indivíduos causa óbito. A descrição do fator Rh foi realizada posteriormente, por Landsteiner e Wiener, em 1940. Os pesquisadores identificaram a presença de mais um antígeno eritrocitário (antígeno D) no sangue de macacos da espécie Rhesus e em humanos. Esta glicoproteína foi denomina- da fator Rh por ter sido encontrada primeiramente nessa espécie de macacos. Observou-se que nos eritrócitos de muitos indivíduos, aproximadamente 85%, há presença do fator Rh e em 15% não. Os indivíduos que apresentam o fator Rh são identificados como Rh+ (RhD positivos) e aqueles que não apresentam o antígeno Rh são denominados Rh- (RhD negativos). Assim como no Sistema de Grupo Sanguíneo ABO, o Sistema Rh apresenta relevân- cia, pois também pode provocar reações de incompatibilidade em transfusões sanguíneas. Sistema do Grupo Sanguíneo ABO Os antígenos do Sistema ABO são detectados nos eritrócitos fetais entre a quinta e a sex- ta semana de desenvolvimento e completam seu amadurecimento depois do nascimento. 12 13 Esse mecanismo fisiológico pode ser considerado uma razão para a doença hemolítica do recém-nascido. Durante o crescimento, os carboidratos terminais são adicionados na cadeia de oligossacarídeos na membrana do eritrócito, dando origem aos antígenos específicos. Entre dois e quatro anos de idade, os antígenos A e B estão totalmente desenvolvidos e permanecem constantes ao longo da vida. O Sistema ABO é o mais importante e mais conhecido Sistema de Grupos Sanguíneos. Em decorrência da presença de antígenos ABO na maioria dos tecidos do organismo, trata-se mais de um Sistema de histocompatibilidade, do que simplesmente de um Sistema de Grupos Sanguíneos. Os genes ABO estão localizados no braço longo do cromossoma 9 (posição 9q34.1- -q34.2), contando com quatro genes: A1, A2, B e O. Os antígenos do Sistema ABO não estão restritos à membrana eritrocitária, sendo encontrados na saliva e nos líquidos biológicos de indivíduos que apresentem o gene secretor e, também, na maioria das células epiteliais e endoteliais. Sua presença nos linfócitos e nas plaquetas parece estar relacionada à absorção do plasma. A Figura 2 mostra o desenvolvimento dos antígenos do Sistema ABO: Figura 2 – Sistema ABO Fonte: saúde.rs.gov Os genes responsáveis pela síntese dos antígenos A e B das hemácias codificam a produção de enzimas denominadas glicosiltransferases, que são responsáveis por catali- sar as reações entre o substrato e o açúcar receptor. A atividade das glicosiltransferases dos antígenos A e B varia em diversos subgrupos do Sistema ABO. As glicosiltransferases adicionam carboidratos terminais à substância H, que serve como estrutura básica para esses dois antígenos (Figura 3). O gene A, por meio da en- zima alfa (1,3) N-acetilgalactosaminiltransferase, é responsável pela adição de N-acetil- -D-galactosamina, formando o antígeno A; o gene B, por intermédio da enzima alfa 3-galactosiltransferase, adiciona D-galactose, formando o antígeno B. 13 UNIDADE Imuno-Hematologia A substância H é formada pela ação da enzima alfa-2-L-fucosiltransferase, que adicio- na L-fucose à galactose terminal. Essa enzima é codificada no lócus FUT1 do cromosso- mo 19, na posição q13.3, sendo, portanto, geneticamente independente do lócus ABO. Figura 3 – A) Antígeno H; B) antígeno A; C) antígeno B Fonte: epsjv.fiocruz Os indivíduos que são homozigotos para o gene h/h (nulo) não produzem o antígeno H, nem os antígenos A e B. Adicionalmente, esses indivíduos com fenótipo Bombaim apresentam anticorpos anti-A, anti-B e anti-H, tornando-se receptores de indivíduos com o mesmo fenótipo. Para melhor entendimento, deve-se lembrar que neste Sistema ABO a ausência ou presença dos antígenos A e B de forma isolada ou concomitante é o fator condicionante para determinar o fenótipo. Leia sobre fenótipo Bombaim ou também conhecido como Falso O. Disponível em: https://bit.ly/2WynDa6 Sistema do Grupo Sanguíneo Rh O Sistema Rh é o mais complexo Sistema de Grupos Sanguíneos e, depois do Siste- ma ABO, é o de maior importância clínica. O fator Rh apresenta papel central não somente nos procedimentos transfusionais sanguíneos, mas também tem grande importância na gravidez de mulheres Rh-, uma vez que elas podem conceber filhos com sangue Rh+ em virtude de o pai apresentar sangue Rh+ e ocasionar a eritroblastose fetal ou doença hemolítica do feto e recém- -nascido (DHRN). O Grupo Sanguíneo Rh é o mais polimórfico, imunogênico e complexo (49 diferen- tes antígenos caracterizados) dos Grupos Sanguíneos presentes em seres humanos. Apresenta cinco principais e importantes aglutinogênios, a saber: D (RH1), C (RH2), E (RH3), c (RH4) e (RH5), sendo responsáveis por grande parte dos anticorpos clinica- mente significantes. A presença ou a ausência do antígeno D em hemácias determina, respectivamente, RhD positivo ou RhD negativo. 14 15 Técnica Aplicada à Determinação ABO e Rh A fim de se evitar, na prática transfusional, incompatibilidade sanguínea que culmine na morte do receptor, faz-se necessária a realização da tipagem sanguínea, principal- mente, dos Sistemas ABO e Rh. Os resultados inconclusivos para o Sistema ABO de- mandam reavaliação por meio da prova cruzada e reversa. A fenotipagem sanguínea para o Sistema ABO pode ser realizada pela pesquisa de aglutinogênios na superfície das hemácias (tipagem direta) ou ainda pela pesquisa de anticorpos no soro do paciente (tipagem reversa). A técnica da tipagem direta consiste em pôr em contato soros-teste conhecidos (anti- -A, anti-B e anti-AB) com eritrócitos a serem testados para identificar a presença ou não dos antígenos A e B. Dessa forma serão definidos os Grupos Sanguíneos: A, B, AB, O. Já a tipagem reversa consiste em pôr em contato o soro de teste com pelo menos eritrócitos conhecidos A1 e B, permitindo que se reconheça a presença ou não de anti- corpos dirigidos contra esses antígenos. A Figura 4 demonstra a realização da Técnica: Figura 4 – Realização da técnica de Tipagem ABO direta e reversa e interpretação dos resultados Fonte: Adaptada de bvsms.saude.gov A classificação do RhD se refere apenas à presença (RhD positivo) ou ausência (RhD negativo) do antígeno na superfície eritrocitária e não há prova reversa, pois os indivídu- os não apresentam naturalmente anticorpos séricos contra o antígeno RhD. Em virtude de seu imenso polimorfismo, o antígeno RhD pode se apresentar como antígeno de fraca expressão (D fraco) ou modificado (D parcial) e essas característi- cas são determinadas por estudos moleculares. 15 UNIDADE Imuno-Hematologia Os antígenos D fracos existem na membrana eritrocitária, porém são poucoexpres- sos, de modo que nos testes sorológicos são detectados somente com o uso de potencia- lizadores (antiglobulina humana ou enzimas) ou anticorpos monoclonais. Os antígenos D parciais apresentam baixa antigenicidade por causa da ausência de um ou mais epítopos da proteína em virtude de modificação genética. Importante! Caso em um exame laboratorial o paciente seja considerado RhD negativo, será neces- sária obrigatoriamente a realização de novo ensaio. Para tanto, as hemácias são lavadas repetidamente com solução salina e, posteriormente, são adicionadas imunoglobulinas IgG humanas monoclonais (soro de Coombs). A Figura 5 demonstra a realização da Técnica para Tipagem RhD e pesquisa do antígeno D fraco: Figura 5 – Tipagem RhD e pesquisa de antígeno D fraco Fonte: Adaptada de bvsms.saude.gov A interpretação dos resultados ocorre da seguinte forma: • Havendo ausência de aglutinação em ambos os tubos, classifica-se o sangue como RhD negativo; • Havendo presença de aglutinação apenas no tubo marcado D, o sangue deve ser classificado como RhD positivo fraco; • Havendo aglutinação em ambos os tubos, D e CTL, não se deve considerar o indi- víduo RhD positivo. Nesse caso, deve-se considerá-lo tendo um Teste de Coombs Direto positivo, provavelmente por sensibilização de seus GV por autoanticorpos. 16 17 Caso não haja tempo de realizar estudos mais aprofundados, na vigência de uma transfusão de urgência, deve-se escolher para essa transfusão hemácias RhD negativo. A interpretação dos resultados pode ser observada na Figura 6: Figura 6 – Interpretação de tipagem RhD Fonte: Adaptada de bvsms.saude.gov Discrepância ABO É imprescindível prestar atenção a qualquer discrepância (resultados divergentes en- tre as provas) observada entre as tipagens direta e reversa. Não se deve liberar o hemo- componente até que ocorra a resolução da discrepância. Diferentes quadros de enfermidades podem causar discrepâncias entre a classificação direta e reversa. As discrepâncias no Sistema ABO, geralmente, são de origem técnica e, nesse caso, os testes precisam ser repetidos e se deve verificar o acondicionamento dos reagentes. Caso as discrepâncias persistam, pode-se coletar informações do paciente acerca de sua idade, diagnóstico, história transfusional, uso de medicações, avaliação da dosagem das imunoglobulinas (quando avaliadas) e história de gestações. Para confirmar o resultado, deve ser coletada uma nova amostra. Alguns problemas na prova direta podem ser observados a seguir: • Antígenos A e B fracos: os antígenos correspondentes só podem ser demonstra- dos por técnica de fixação e eluição, pela pesquisa de substâncias ABH na saliva, por estudo genético ou por pesquisa de transferases séricas; • Poliaglutinação de hemácias: fenômeno imunológico em que um antígeno é ex- posto ou existe anormalmente na superfície da hemácia e é reconhecido por um anticorpo anti-T, anti-Tn; • Aglutinação inespecífica: ocorre pela presença de geleia de Wharton em amos- tras de sangue de cordão; 17 UNIDADE Imuno-Hematologia • Rouleaux: compreende o empilhamento das hemácias, tornando todas as reações falsamente positivas na determinação ABO, inclusive os controles. Ocorre em ma- croglobulinemias, nos mielomas e nas hiperfibrinemias. Além deles, problemas na prova reversa podem interferir nos resultados, tais como: subgrupo de A e AB com presença de anti-A1; presença de autoaglutinina fria na amos- tra, ausência ou diminuição de anticorpos naturais anti-A e anti-B, como em recém-nas- cidos, idosos e imunodeprimidos e presença de anticorpo irregular no plasma ou soro. Teste seu Conhecimento • O Sistema ABO tem 4 tipos sanguíneos: A, B, AB e O. Descreva as características desses quatro tipos sanguíneos em relação aos aglutinogênios (antígenos) nas hemácias e as aglutininas (anticorpos) no plasma; • O que é Fenótipo de Bombaim? Explique o que ocorre com a expressão de antígenos nas hemácias desse fenótipo. Como é feita a detecção do fenótipo de Bombaim? • Qual a finalidade da prova direta e reversa? • O que é e como é feita a pesquisa de D fraco? Qual a importância dessa pesquisa? Testes em Imuno-Hematologia Em virtude do imenso polimorfismo genético dos Grupos Sanguíneos e, consequen- temente, da heterogeneidade de apresentações dos antígenos sobre a membrana eri- trocitária, a imuno-hematologia recorre à aplicação de técnicas que auxiliam a correta identificação dos anticorpos em exames de rotina ou na identificação de antígenos (raros ou não) na membrana das hemácias de doadores e receptores. Portanto, pode-se afirmar que a imuno-hematologia está intrinsecamente ligada à medicina transfusional, gestação e transplante de tecidos e órgãos, vez que ela fornece as condições apropriadas para investigação da patogênese, diagnóstico e orientações para imunizações. Teste de Antiglobulina A técnica de antiglobulina pode ser utilizada para detecção de hemácias sensibilizadas por autoanticorpos, aloanticorpos, componentes do Sistema complemento e podem ser sensibilizadas in vivo ou in vitro. A utilização do soro antiglobulina humana, na avaliação imunológica eritrocitária, pode ser considerada a mais importante descoberta da medicina transfusional, depois do Sistema de Grupo Sanguíneo ABO. A facilidade de execução do Teste Antiglobulina e a informação diagnóstica que for- nece contribuíram para sua utilização em larga escala até os dias de hoje. O Teste de Antiglobulina utiliza o anticorpo anti-IgG humana (AGH), que permite o reco- nhecimento da fração Fc da imunoglobulina fixada na membrana das hemácias sensibilizadas, 18 19 dessa forma, as duas porções Fab dos heteroanticorpos contidos no soro AGH formam uma ligação entre os anticorpos humanos, resultando no fenômeno da aglutinação. A seguir, estude o Teste de Antiglobulina Direto (Coombs Direto) e Teste de Antiglo- bulina Indireto (Coombs Indireto). Coombs Direto A Técnica de Coombs Direto ou Teste da Antiglobulina Direta (TAD) caracteriza-se pela reação de hemácias diretamente com o soro antiglobulina humana (AGH). A realização da técnica em tubo consiste na lavagem de hemácias para total remoção do resíduo de plasma, anticorpos livres e outras proteínas do meio, a fim de evitar um resultado falso negativo com a neutralização do soro AGH. Os anticorpos antiglobulinas humanas se combinam preferencialmente com a porção Fc das moléculas de anticorpos ligadas às hemácias, e os sítios Fab formam pontes entre os anticorpos, produzindo uma aglutinação visível (Figura 7). As células que não apresentam anticorpos ligados não são aglutinadas. Figura 7 – Representação esquemática do Teste de Coombs Direto Fonte: Biomedicina Padrão Os resultados do Teste de Aglutinação Direta são obtidos pela detecção da presença ou ausência da aglutinação, conforme mostra a Figura 8. Figura 8 – Representação dos resultados de Coombs Direto Fonte: Adaptada de SCHÖRNER, 2012 19 UNIDADE Imuno-Hematologia Teste da Antiglobulina Direto (Coombs Direto). Disponível em: https://bit.ly/3mwZ0p4 Coombs Indireto O Teste Coombs Indireto ou da Antiglobulina Indireto (TAI) tem por objetivo detectar a presença de anticorpos, não pertencentes ao Sistema ABO, presentes no soro ou plasma do paciente. O Coombs Indireto utiliza no mínimo duas hemácias reagentes do grupo O RhD po- sitivo, contendo a maioria dos antígenos clinicamente importantes para os Sistemas Rh, Kell, Kidd, Duffy, MNS, Lewis, P, Lutheran e, mais recentemente, DiA. O Teste TAI é empregado para fenotipagem eritrocitária, pesquisa e identificação de anticorpos irregulares, prova de compatibilidade ou prova cruzada (detecta anticorpos presentes no soro ou no plasma do receptor contra antígenos presentes nas hemácias do doador). A Figura 9 representa de forma esquemática o passo a passo para a realização da Técnica de Coombs Indireto: Figura 9 – Representação esquemática do Teste de Coombs Indireto Fonte: BIOMEDICINA PADRÃO Teste da Antiglobulina Indireto(Coombs Indireto). Disponível em: https://bit.ly/3gCrj1n Pesquisa de Anticorpos Irregulares (PAI) A Pesquisa de Anticorpos Irregulares compreende a utilização da Técnica Indireta da Antiglobulina (Coombs Indireto) com o objetivo de obter uma triagem dos anticorpos direcionados aos antígenos de Grupos Sanguíneos com exceção dos antígenos do Sis- tema ABO. A importância clínica dos achados (anticorpos detectados) dependerá da temperatura de reação, potência (grau de reatividade), classe de imunoglobulina e capacidade de ati- vação do Sistema complemento. 20 21 Assim, anticorpos da classe IgM e IgG apresentam valor clínico significativo, haja vista serem reativos a 37°C (grande amplitude térmica). A PAI tem como finalidade pôr as hemácias de fenótipos sabidamente conhecidos em contato com soro ou plasma do paciente, para evidenciar a presença de anticorpos na amostra analisada. Assim, essa técnica pode ser, por exemplo, empregada no monito- ramento de mulheres durante a gestação, principalmente, aquelas que têm potencial de desenvolver aloanticorpos por serem Rh(D) negativo. A Tabela 1 mostra a triagem de anticorpos eritrocitários: Tabela 1 – Diagrama para triagem de anticorpos irregulares Diagrama para triagem de anticorpos Sistema Rh Kell MNS Kidd Duff Lewis P Lutheran Células D C E C e K k M N S s J Jk Fya Fyb Lea Leb P1 Lua Lub I + + + + + 0 + + + 0 + + 0 0 + + 0 + 0 + II + + 0 0 + + + 0 + + 0 + + + + 0 + + 0 + Fonte: Adaptada de VIZZON, 2015 Teste seu Conhecimento • Qual a diferença entre as Técnicas de Coombs Direto e Indireto? • A Técnica PAI é um tipo de Teste de Antiglobulina, mas qual a diferença quando entre ele e o Coombs Indireto? Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN) A Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHRN) é o resultado da passagem de eritrócitos (portando antígenos distintos do materno) através da placenta para circulação sanguínea materna. O principal antígeno envolvido no surgimento da doença hemolítica do recém-nasci- do é o antígeno D, o mesmo que determina o tipo sanguíneo do Sistema Rh. Assim, a DHRN resultará da produção de anticorpos maternos contra as hemácias do feto, mediante prévia sensibilização por meio de uma transfusão sanguínea incompa- tível, ou após a primeira gestação de uma criança Rh positiva. A Figura 10 demonstra o desenvolvimento da DHRN. A Doença Hemolítica do Recém-Nascido é um quadro clínico no qual os anticorpos da mãe causam a decomposição ou a destruição (hemólise) dos eritrócitos do bebê de maneira mais rápida que o normal. 21 UNIDADE Imuno-Hematologia Figura 10 – Desenvolvimento da DHRN Fonte: Reprodução Incompatibilidade Sanguínea Materno-fetal no Sistema Rh A incompatibilidade sanguínea materno-fetal no Sistema Rh(D) é a causa mais fre- quente e mais grave de doença hemolítica. O antígeno D é altamente imunogênico (menos de 0.1ml de sangue fetal é o suficiente para imunizar a mãe e originar uma resposta imune secundária com produção de IgG). Isso se dá porque esses antígenos existem exclusivamente nos eritrócitos. A imunoprofilaxia com imunoglobulina anti-RhD (vacina RhoGAM) permitiu uma drástica redução da incidência da doença hemolítica Rh de recém-nascidos. Embora a causa mais frequente dessa doença seja a incompatibilidade Rh(D), outros antígenos do grupo Rh podem estar associados a ela, de modo que os antígenos c se apresentam como principal causa de doença hemolítica à medida que diminui a incidên- cia de doença Rh(D). A combinação de incompatibilidades em vários antígenos Rhesus pode ser grave e potencialmente fatal. A doença hemolítica Rh, geralmente, não ocorre durante gestações de primíparas porque a primeira resposta imune humoral é a produção de IgM. Essa classe de anticorpo, por conta da sua estrutura pentamérica, não atravessa a barreira placentária. Somente depois da prévia exposição materna, a resposta humoral será constituída por IgG, que atravessa a placenta e atinge a circulação fetal, fixando-se nos eritrócitos que serão posteriormente destruídos pelo Sistema retículo-endotelial. Incompatibilidade Sanguínea Materno-fetal no Sistema ABO A incompatibilidade sanguínea materno-fetal no Sistema ABO tem um quadro clínico menos grave. Diferente do que ocorre na incompatibilidade sanguínea para o Sistema Rh, a gestante poderá apresentar complicações ainda na primeira gravidez. 22 23 Nessa situação, os anticorpos maternos da classe IgG, anti-A e anti-B entram na cir- culação fetal e opsonizam antígenos A e B presentes na membrana celular das hemácias. Nota-se que, em mulheres que apresentam sangue tipo A ou B, a classe predominante de anticorpos anti-A e anti-B sã o IgM e esse isotipo não atravessa a barreira placentária. Por outro lado, observa-se que, em gestantes do tipo O, os aloanticorpos produzidos são da classe IgG e podem atravessar a barreira placentária. Assim, a incompatibilidade para o Sistema ABO está limitada, principalmente, a mulheres do grupo O com fetos do grupo A ou B, ocorrendo em 15% das gestações e provocando a DHRN em aproximadamente 4% dos casos. Em crianças recém-nascidas, observa-se uma anemia branda e muitas vezes o neo- nato é assintomático. A característica benigna dessa enfermidade pode ser justificada pela ampla distribui- ção tecidual (linfócitos, plaquetas, endotélio capilar venular e arterial, células sinusoidais do baço, medula óssea, mucosa gástrica, além de secreções e outros fluidos como saliva, urina leite) dos antígenos do Sistema ABO e pela reduzida quantidade de receptores de anticorpos anti-A e anti-B presentes nos eritrócitos. Incompatibilidade Sanguínea Materno-fetal Devido a Antígenos de Outros Sistemas A doença hemolítica causada por incompatibilidade materno-fetal por outros Grupos Sanguíneos (grupos minor) é rara e quase sempre abrange os grupos Kell (Kk), MNS (M, S, s), Duffy (Fya) e Kidd (Jka, Jkb). Há um amplo espectro clínico, desde uma hiperbilirrubinemia branda até a hidropisia fetal, com elevada taxa de mortalidade. A prévia sensibilização materna advém de procedimentos pós-transfunsionais, gestação ou contato com bactérias e vírus que expressam antígenos semelhantes a esses Sistemas. A doença hemolítica Kell possui antígenos altamente imunogênico e os seus anticorpos promovem Doença Hemolítica Neonatal semelhante àquela por anti-D do Sistema Rh, causando destruição dos reticulócitos, vez que os antígenos Kell estão presentes neles. Assim, há destruição deles ainda no fígado fetal. Essas células, por não terem hemo- globina, não provocam hiperbilirrubinemia no feto ou neonato, mas provocam hemólise grave, com supressão da eritropoiese e reticulocitopenia. Por isso, muitas vezes há ne- cessidade de intervenção intrauterina. A Doença Hemolítica Neonatal pode ser provocada tanto por anticorpos anti-D (Sis- tema Rhesus) quanto por anticorpos anti-A e anti-B (Sistema ABO). No entanto, anticorpos mais raros direcionados a outros antígenos das hemácias têm sido detectados por meio dos Testes de Coombs Indireto e Direto, tornando-se, assim, ferramentas fundamentais para o diagnóstico quando há suspeita dessa doença. 23 UNIDADE Imuno-Hematologia Testes Laboratoriais para a Detecção da DHRN e sua Origem Testes Laboratoriais podem ser realizados durante o pré-natal com o objetivo de ava- liar o Grupo Sanguíneo materno (ABO e Rh). Uma ferramenta importante para auxílio do diagnóstico ainda durante a gestação é o Teste de Coombs Indireto. Se houver positivação do Teste de Coombs Indireto, será realizada a titulação. Caso os títulos sejam acima de 1/16, será necessário monitoramento a cada quatro semanas. Em algumas situações, recomenda-se a determinação do Grupo Sanguíneo e do he- matócrito fetais. Eles podem ser realizados após cordocentese, que permite igualmente a transfusão eritrocitária intrauterina. Testes não invasivos para determinação da fenotipagem eritrocitária fetal podem ser alcançados por meio do cell free DNA (cffDNA) presenteno plasma materno. Essa técnica permite identificar outros antígenos além do Rh(D), a exemplo do Kell, Rh(C/c) e Rh (E/e). O diagnóstico depois do nascimento se dá por meio tipagem sanguínea do neonato, Teste de Coombs Direto (a positividade do Teste de Coombs Direto confirma a presença de anticorpos IgG nos eritrócitos do recém-nascido) e, se houve forte suspeita clínica, deve-se realizar Teste Coombs Indireto com o soro neonatal incubado com eritrócitos marcados fenotipicamente para antígenos A ou B. Teste seu Conhecimento • Explique, de forma esquemática, o que é e como ocorre a DHRN; • Existe outra forma de acompanhamento da gestante, além do Coombs Indireto, para evi- tar DHRN? 24 25 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Tipos de Sangue https://bit.ly/38itd2Q Leitura Conceitos básicos e aplicados em imuno-hematologia https://bit.ly/38f8pcD Imuno-Hematologia Laboratorial https://bit.ly/3znDSoS Teste da Antiglobulina Humana: Uma Revisão de Literatura https://bit.ly/3zyJSeg Doença Hemolítica do Recém-nascido https://bit.ly/3sOZZ59 25 UNIDADE Imuno-Hematologia Referências BIOMEDICINA PADRÃO. Teste da Antiglobulina Direto (Coombs Direto). [s.l.], 20/12/2018. Disponível em: . Acesso em: 30/06/2019. CAVASINI, C. et al. Duffy blood group gene polymorphisms among malaria vivax pa- tients in four areas of the Brazilian Amazon region. Malaria Journal, [s.l.], v. 6, n. 1, p.1-8, dez. 2007. COICO, R. Imunologia. 6. ed. 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