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Aula 5:
2. Pena Privativa de Liberdade
2.1. Antecedentes históricos
Nem sempre foi assim. Na maior parte da época (desde o medieval até o Iluminismo) era a pena de morte, a pena privativa de liberdade não existia. Isso não significa que não existisse prisão, que era usada com outras funções. Era a forma de medida cautelar, para viabilizar a tortura e investigações até a condenação e guardar o corpo do condenado até o dia da execução.
A pena privativa de liberdade supostamente observa o princípio da dignidade da pessoa humana, é uma pena voltada para a justiça, não para a vingança como as penas corporais. Adotamos um sistema penitenciário em três fases que, em vez de sanções punitivas, utiliza-se de sanções premiais para incentivar o melhor comportamento. O sujeito vai melhorando de nível até alcançar a fase maior liberdade. Começa no Regime Fechado, fase com maior restrição de liberdade, melhora de nível para o Semiaberto, até chegar na fase de maior liberdade, o Aberto.
2.2 Espécies de pena privativa de liberdade
1- Reclusão: arts. 33, 92 (II) e 97, CP/40 – consequência de crimes mais gravosos. Podem ser cumpridas em regime inicial fechado, semiaberto ou aberto, o que não quer dizer que o criminoso tenha que cumprir todos os tipos.
2- Detenção: arts. 33, 92 (II) e 97, CP/40 – consequência de crimes culposos e menos gravosos. Cumprida apenas nos regimes semiaberto e aberto, a princípio. O regime fechado é excepcional
3- Prisão Simples: art. 6º do Decreto-lei de N º 3688/41 – consequência de contravenção. Cumprida em estabelecimento especial, ou em setor especial de estabelecimento comum, sem o rigor do regime fechado sob qualquer hipótese.
2.3 Regimes de cumprimento da Pena privativa de liberdade
Fazer em casa os exercícios pós-aula. Haverá correção na aula seguinte
a) Quais são os estabelecimentos adequados e quais as suas características para o cumprimento da pena nos regimes fechado, semi-aberto e aberto?
b) Qual é a rotina do condenado nos regimes fechado, semi-aberto e aberto?
c) É possível o trabalho externo no regime fechado? Em quais condições e mediante quais requisitos?
d) Quais são as hipóteses de saída temporária? Ela pode ser concedida ao condenado em regime fechado para frequentar curso superior?
e) Em quais hipóteses o condenado perde o regime aberto?
f) Em casa, consultando a jurisprudência do STJ, responda:
Qual é a medida cabível quando o poder público não dispõe de estabelecimento adequado para o cumprimento da pena nos regimes semi-aberto ou aberto?
g) O que é o Regime Disciplinar Diferenciado?
2.4 Regime inicial: fixação - artigo 33 do Código Penal
Os fatores para a fixação do Regime Inicial são obscuros. De toda forma, os fundamentais para a determinação do regime inicial são a natureza e a quantidade da pena, bem como a reincidência do condenado. Eles são reforçados pelos elementos do artigo 59 do Código Penal. Assim determina-se o mais adequado (o necessário e suficiente) para o caso concreto e o apenado.
Atenção para o Código Penal. As alíneas “a” e “b” somente se referem a espécie de Reclusão. Afinal, pena em regime inicial fechado (a) somente é para Reclusão. Já a alínea “b”, estabelece a faculdade de iniciar o regime em semiaberto, caso seja primário e com condições favoráveis. A Detenção não pode se iniciar no fechado e, sendo pena acima de 4 anos, não pode se iniciar no aberto. Logo, para Detenção, não é faculdade, mas é obrigatório o regime inicial semiaberto no caso da alínea b. Finalmente, na alínea C, não há vedação ao condenado reincidente de iniciar a pena no semiaberto. Somente há a vedação de iniciar a pena no aberto.
a) Pena > 8 anos => regime inicial fechado
b) 4 anos observando a primariedade[footnoteRef:1], semiaberta. Depende também dos elementos do artigo 59, CP/40. Mas é preciso fundamentar muito bem isso com circunstâncias concretas do caso. [1: Uma reincidência deixa de valer após 5 anos do fim do cumprimento da pena ] 
c) Pena soma as penas.
e) Crimes hediondos: art. 1º da Lei 8072/90; art. 2º §1º, Lei 8072/90
2.5 Progressão e regressão de regime de cumprimento da pena privativa de liberdade
A pena permite ao condenado progredir ou regredir nos regimes, com base em sanções ou sanções premiais, ampliando ou diminuindo seu status libertatis. Conquista-se ou perde-se regalias, baseado no mérito ou demérito do condenado.
a) Progressão: Conceito e requisitos: art. 112 da LEP:
· 16% (1/6) da pena para apenados primários e crimes sem violência ou ameaça
· 20% da pena (1/5) se o apenado for reincidente em crime sem violência ou ameaça
· 25% (1/4) se o apenado for primário em crimes com violência ou ameaça
· 30% (aproximadamente 1/3) se o apenado for reincidente em crimes com violência ou ameaça
· 40% (2/5) se o apenado for primário em crimes hediondos ou equiparados
· 50% (1/2) quando:
· condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário, vedado o livramento condicional – Entendo essa vedação ao livramento condicional a priori inconstitucional. Mas o STF ainda não se manifestou sobre o tema;
· condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou 
· condenado por milícia privada
· 60% (3/5) da pena se for reincidente em crime hediondo;
· 70% se reincidente em crime hediondo com resultado morte – vedado livramento condicional.
· Art. 112 da LEP (lei 7210/84)
· Art. 2º, § 1º e 2º da Lei 8072/90
· Art. 33, §4º, CP/40
· Considera-se a proibição da progressão algo inconstitucional porque é contra o princípio da legalidade, remete o condenado a uma pena cruel, viola uma das funções das penas. A partir do momento em que a pena deixa de ter a função de re-socialização, o condenado passa a ser um objeto de política criminal.
b) Regressão: Conceito e hipóteses: art. 118 da LEP (7210/84)
Não é necessário trânsito em julgado, porque a regressão funciona como medida cautelar, havendo prova material.
No caso dele ser condenado por outro crime anterior, há a soma das penas e com isso ele pode não ter tempo o suficiente para o regime que ele está, então há a regressão.
2.6 – Remição de pena
a) Conceito, pressupostos e requisitos: art. 126 da LEP (lei 7210/84) ; Súmula 341 do STJ
Remir significa descontar, abater, pelo trabalho realizado dentro do sistema prisional, parte do tempo da pena a cumprir. O preso provisório não está obrigado ao trabalho, mas também pode remir parte de sua futura condenação. Ligada ao pagamento por meio do trabalho. Segundo a súmula do STJ, o estudo também serve pra remição
A remição se faz na base de três dias de trabalho por um de pena, desde que o trabalho não seja inferior a 6h diárias (e também não pode ser superior a 8h). Os efeitos da remição também são considerados para fins de livramento condicional e indulto.
b) Perda do tempo remido: art. 127 da LEP (lei 7210/84). Súmula Vinculante N. 9
Em caso de alguma falta grave. Não funciona como direito adquirido porque a norma do art. 126 não está sozinha, o artigo 127 faz parte dela.
2.7 – Detração
Detração é o desconto, na pena ou na medida de segurança, do tempo de prisão ou de internação que o condenado cumpriu antes da condenação (em regra, pela prisão preventiva). Vide artigo 42 do Código Penal.
É possível detração do tempo de prisão provisória decretada em processo distinto daquele que ensejou a condenação? É possível descontar o tempo de prisão provisória se a condenação foi a uma pena restritiva de direitos? 
Sim, desde que o sujeito tenha sido preso depois, por outro crime e que ele tenha sido absolvido por esse crime em que ele esteve preso. 
3- Penas Restritivas de Direito
3.1 Considerações Gerais
É a segunda classe de penas, uma muito ampla. Ao longo do sec. XX o sucesso da pena privativa de liberdade havia acabado. Podia-se verificar que essa pena não havia cumprido a promessade controlar a criminalidade e promover a socialização e é um poderoso fator de reincidência[footnoteRef:2]. Mas poucos chegaram a dizer que a pena privativa de liberdade deveria ser abolida, se tornou um consenso de que ela é o único remédio para criminosos realmente perigosos, mas deixa efeitos colaterais e deve ser evitada ao máximo para os demais. Em 1984, houve uma reforma da parte geral do código penal e uma grande introdução foi a das penas restritivas de direitos como substituição das penas privativas de liberdade de curta e média duração. [2: Felipe Gramática, Bittencourt (Da falência da pena privativa de liberdade)] 
3.2- Requisitos de substituição da pena[footnoteRef:3] [3: Artigo 44, CP/40] 
Elas não são, antes de tudo, substitutivas, são principalmente autônomas.
a. Sendo o crime doloso
	a.1) pena menor ou igual a 4 anos
	a.2) Crime cometido sem violência ou grave ameaça a pessoa, a menos que seja de menor potencial ofensivo. (para não entrar em conflito com a Lei da Transação Penal)
Artigo 44 da Lei 11.343/06 (lei antidrogas) e Artigo 17 da Lei 11.340/06 (lei Maria da Penha)
Certa antipatia do legislador para o instituto da substituição de pena, como se isso não fosse algo bem-vindo. 
b. Condenado não reincidente em crime doloso (exceção artigo 44, §3º, CP/40)
c. Circunstâncias judiciais indicativas da adequação da medida
3.3- Espécies de penas restritivas de direito
a) Prestação pecuniária: art. 45, §1º, CP/40
Repara, pelo menos em parte, o dano sofrido pela vítima.
b) Prestação de outra natureza: art. 45, §2º, CP/40
Para não ser inconstitucional (por violar o princípio da legalidade dos delitos e das penas), é necessário ser pedido pelo condenado e consentido pela vítima.
c) Pena de perda de bens e valores: art. 45, §3º, CP/40
Essa pena pode ser aplicada contra o espólio, mesmo depois de encerrado.
d) Prestações de serviços à comunidade ou à entidade públicas
O artigo 46 fala que pode substituir as penas superiores a 6 meses.
e) Interdição temporária de direitos – Artigos 47, 56 e 47 do CP
Será vinculada quando a pena a ser substituída tiver relação com um crime que consistiu em violação dos deveres inerentes de um cargo público. Quando um crime é cometido com violação de dever ou abuso de poder, desde que a pena seja superior ou igual a 1 ano, segundo o art. 92, I, a, o juiz já poderá decretar o perdimento definitivo do cargo com efeito extra-penal de natureza administrativa. O mesmo pode acontecer se o funcionário público for condenado com um crime, ainda que não tenha nada a ver com a função, desde que a pena seja superior a 4 anos. 
Alguns questionam essa pena como uma restrição ao direito de trabalho e não se pode restringir o trabalho. 
Crimes culposos no trânsito devem ser substituídos por essa pena, suspensão do direito de dirigir. O problema, é que essa pena é automaticamente imposta pelo código brasileiro de trânsito, então não faz sentido substituir a PPL por esta, o sujeito terá uma pena a menos. Se o crime for doloso, aí é no artigo 92, com a perda (definitiva) do direito de dirigir veículos.
O inciso IV tem como problema a possível inconstitucionalidade, é muito vago. O juiz poderia proibir tudo. O jeito de resguardar a constitucionalidade é o nexo de causalidade
f) Limitação de fim de semana – Art. 48, CP/40 e 151 da LEP (7210/84)
Surgiu na Inglaterra. Na prática, não temos casa de albergado suficiente para regime aberto, tampouco para pena restritivas de direito.
3.4 – Formas de substituição – Art. 44, §2º, CP
Pena menor ou igual a 1 ano – Substituição pode ser feita por multa ou PRD.
Pena > 1 ano – Substituída por duas penas. Ou uma multa e uma PRD ou duas PRD.
3.5 – Tempo das restritivas de direito, Substitutivas da PPL
Regra: Art. 55 do CP
Exceção Art. 46, §4º, do CP
3.6 – Conversões incidentes na execução:
Art. 44, §4º e 5º, do CP
Art. 180 da LEP (7210/84)
Ela considera o tempo já cumprido na PRD para a PPL a cumprir, mas deve ser mantido um saldo mínimo de 30 dias de PPL, como forma de reprimir o descumprimento. Na hipótese do §5º não tem necessidade de respeitar o limite de 30 dias.

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