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DIREITO PENAL III - 1. Penas 1.1. Conceito. Espécies. Características. 1.2. Razão de punir: dos fundamentos e fins da pena. 1.3. A função da pena no Estado (Democrático) de Direito. 1.4. As teorias da pena. Espécies de pena: penas privativas de liberdade, penas restritivas de direito e pena de multa. 1.5. Alternativas ao controle penal. 2. Aplicação da Pena Criminal 2.1. O dinamismo penal – o processo de aplicação da pena. 2.2. O método trifásico. 2.3. A fixação da pena-base - circunstâncias judiciais. A discricionariedade judicial e a fundamentação na estipulação da pena-base. 2.4. As demais etapas da fixação da pena - circunstâncias agravantes e atenuantes, as causas de aumento e diminuição da pena na Parte Geral e na Parte Especial do Código Penal. 2.5. Execução da pena privativa de liberdade: regimes fechado, regime semiaberto e aberto. 2.5.1. A determinação do regime inicial da execução da pena. 2.6. A substituição da pena privativa de liberdade – restritivas de direitos. 2.7. Da aplicação da pena de multa. 2.7.1. Método bifásico: número de dias-multa, valor do dia-multa. 3. Concurso de crimes 3.1. Introdução. 3.2. Consequências jurídicas. 3.3. Concurso material. 3.4. Concurso formal. 3.5. Crime continuado. 3.6. Metodologia dos acréscimos. 4. Efeitos genéricos da condenação criminal 4.1. Efeitos específicos da condenação criminal. 4.2. Provimentos da sentença criminal. 5. Suspensão condicional da Pena 5.1. Conceito. 5.2. Natureza Jurídica. 5.3. Requisitos objetivos e subjetivos. 5.3. Período de prova. 5.4. Audiência admonitória. 5.5. Revogação. 5.5. Extinção. 6. Livramento condicional 6.1. Conceito. 6.2. Pressupostos subjetivos e objetivos. 6.3. Revogação. 7. Extinção da punibilidade TEORIA DA PENA Estudo da pena privativa de liberdade Teoria que busca analisar as consequências para aquele que cometeu o crime Teoria do crime - conjunto de normas e princípios sobre o crime Quem pratica um crime, prática um fato típico, ilícito e culpável Consequência - uma pena ou medida de segurança Teoria da pena Conjunto de normas e princípios sobre as consequências de quem comete crime. Conjunto de normas e princípios que tem como objetivo a pena e a medida de segurança. Sistema normativo da teoria da pena - a constituição federal (legalidade, anterioridade, pessoalidade etc) - Código penal - lei de execução penal 7.210/84 * O sistema normativo da teoria da pena em um âmbito interno é composto pelo seguinte tripé: constituição federal e seus princípios (legalidade, anterioridade, pessoalidade), o código penal e a LEP Obs! É possível a aplicação de tratados e convenções internacionais no direito brasileiro como forma de compatibilizar o sistema normativo interno com normas internacionais sobre a pena. Internamente - controle de constitucionalidade Controle de convencionalidade - que tem um tratado como parâmetro para tal FUNÇÕES DA PENA · Qual a função da pena ? A teoria absolutista ou Retribucionista afirma que a pena de prisão se limita a retribuir o mal aplicado, daí o nome, retribucionista. Essa teoria tem como base “olho por olho, dente por dente”. Ou seja, a pena teria a única função de castigar. A Teoria relativista ou da prevenção, essa teoria diz que tem uma função socialmente orientada, em contraversão a teoria absolutista, essa prega como função da pena a prevenção de futuros delitos, dando uma natureza socialmente orientada para a pena. Para alcançar esse objetivo a teoria da prevenção possui 2 formas de atuação. 1. Teoria da prevenção geral: Analisando a prevenção do ponto de vista da coletividade, com uma visão mais ampla, mais geral. Como aplicar a pena a alguém poderá dar um recado a todas as pessoas. Essa prevenção se divide em 2 vertentes, como forma de melhor alcançar o objetivo 1.1 - Teoria da prevenção geral Positiva - Tem como objetivo resgatar a credibilidade pela norma. Essa teoria afirma que a aplicação da pena em alguém, irá gerar um efeito no sistema normativo de recomposição da vigência da norma Afirma que o criminoso não obedeceu a norma e quando há a aplicação da pena nele, a intenção de ressuscitar a credibilidade, o respeito da norma. Quando o sujeito comete o crime, ele não está nem aí para o direito . Crime —> Não direito Quando é aplicada a pena, significa que a pena nega o crime. Pena —> Não crime Com efeito, a aplicação da pena, restaura a vigência da norma penal violada pelo sujeito. 1.2 - Teoria da prevenção geral Negativa ou prevenção por intimidação - A pena aplicada no sujeito enviará um recado para os outros. Ou seja, a aplicação geral da pena em alguém, gerando uma intimidação, para que elas não cometam um crime. Uma espécie de “coação psicológica”, uma ameaça. 2. Teoria da prevenção especial: Essa análise não é do ponto de vista da coletividade e sim do criminoso. Como a pena de prisão aplicada nele irá permitir que ele não cometa outros crimes. É aquela vertente que analisa como a pena aplicada no criminoso poderá evitar a reintegração criminal. Focada no individual. Também se divide em 2 vertentes: 2.1 - Teoria da prevenção especial negativa - Neutraliza o criminoso por meio da prisão. Segundo esta teoria, a aplicação da pena levaria a prevenção de futuros delitos, na medida em que gera uma neutralização do criminoso, impedindo que ele cometa outros delitos 2.2 - Teoria da prevenção especial positiva - essa teoria afirma que a aplicação da pena do criminoso evitará que ele cometa outros crimes, posto que ele assimilou o programa de ressocialização da pena. TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL - art. 59. Deve prevalecer os dois conceitos, a missão de castigo com a missão de prevenção. Ou seja, são aplicadas a teoria mista, ou seja, as duas, a relativista e a de prevenção. No Brasil a pena não deverá se afastar da função de reprovação “Teoria retribucionista” , nem do objetivo de prevenção de crimes “Teoria da prevenção”. O que a doutrina chamou de Teoria Mista ou Teoria unificadora da pena. OBS: Teoria da RPM ( Racionalidade penal moderna). Essa teoria afirma que a pena só terá sentido se causar sofrimento. Tem como criador o brasileiro Álvaro Pires. PRINCÍPIOS PRINCÍPIO DA LEGALIDADE “Nullum crimen sine lege” Não existe crime sem lei prescrita. A lei deve ser anterior, escrita, estrita e certa. (taxativa) · Taxatividade, uma lei penal taxativa é aquela que não tem conteúdo vago, impreciso, obscuro ou singularmente amplo, pois não é admitida pelo garantismo. Ou seja, tudo aquilo que é regulamentado pela lei. O princípio da legalidade na execução penal brasileira vive uma crise (crise de legalidade), na medida em que diversos dispositivos da LEP não observam 4 atributos: Lei penal deve ser anterior, escrita, estrita e certa (princípio da taxatividade) PRINCÍPIO DA LESIVIDADE “Nulla necessitas sine injuria” Para esse princípio pouco importa quem a pessoa é e sim o que ele fez. Ou seja, só será punido pelo que fez, isso é, o comportamento que viola ou põe em risco determinado bem jurídico e não pelo que ele é. PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU EXTERIORIDADE DA CONDUTA Você só será punido se exteriorizar seu pensamento. Vai blindar o sujeito para pensar o que quiser, o direito penal não pune os pensamentos ou ideologias. Só será crime toda lesão ou ameaça de lesão a bem jurídico O princípio da exteriorização da conduta tem base constitucional decorrente da liberdade de consciência de crença, o que impede a punição do pensamento pelo pensamento. Na execução da pena, a súmula 26 do STF E A 439 do STJ colidam ou violam o princípio constitucional quando exige a realização do exame criminológico para a progressão da pena. PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA STF: súmula vinculante n 26 Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2 da Lei n 8072, de 25 de Julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos, objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar para tal fim, demodo fundamentado, a realização de exame criminológico. STJ: Súmula vinculante n 439 Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada. O estado deve respeitar o pensamento. OBS: Exame criminológico é diferente é diferente do exame de insanidade mental, no qual esse, é para medida de segurança. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE NA EXECUÇÃO PENAL “Pune-se a tentativa com a sanção correspondente à falta consumada” Ou seja, é punida a falta tentada com a falta consumada, tratada de forma igual. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE DAS PENAS OU PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA/ RESPONSABILIDADE PESSOAL O princípio da intranscendência ou responsabilidade pessoal está previsto no art 5, inciso XLV da constituição: “Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio. “ E não permite que a pena de prisão seja estendida para terceiros que não seja o preso, à exceção daquela pena de caráter pecuniário, até o limite da herança. ( QUESTÃO DE PROVA ) · A revista do familiar é um atentado ao princípio constitucional da intranscendência. Deveria ser feito através de scanner e não manual. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA (QUESTÃO DE PROVA) “A pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, idade, e sexo do apegado.” Este princípio constitucional expresso, escrito no art. 5º inciso XLVIII determina uma verdadeira compatibilidade ou adequação da pena ao perfil e ao crime do condenado. E a L.E.P 7.210/84 em seu art 84, disciplina essa adequação. ESTUDO DA PENA A pena pode ser de 3 modalidade 1. Pena privativa de liberdade (reclusão ou detenção) 2. Pena restritiva de Direitos 3. Pena de multa Caráter pecuniário (pena de multa) Obs! Pena é o tempo que o estado utiliza para te castigar * No Brasil, segundo o Art. 32 do CP, temos 3 tipos de pena. Sendo elas: PPL, PRD, PM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE A pena privativa de liberdade é tempo na forma de castigo. ❌ Presídio - aguarda a condenação Penitenciária - cumpre a condenação Detenção é uma forma de prisão, assim como a reclusão. São dois tipos de prisão: um tipo mais grave (reclusão) e um tipo de menor gravidade (detenção). Ou seja, é o grau da pena * a pena privativa de liberdade pode ser do tipo reclusão (de maior rigor penitenciário) ou do tipo detenção (de menor rigor penitenciário). A pena de reclusão pode ser cumprida no regime fechado, semiaberto ou aberto. Já a de detenção, só no regime semiaberto ou aberto. Reclusão e detenção - Art. 33 CP 3 possíveis regimes prisionais no Brasil REGIME FECHADO: Penitenciárias No regime fechado a primeira regra é a impossibilidade de contato com o meio externo. O trabalho externo só em obras e serviços públicos mediante escolta, com vigilância direta. REGIME SEMIABERTO Colônias Está previsto no art 135 do código penal. O local é uma colônia agrícola ou industrial. Nesse caso já não se trata de uma penitenciária, sendo um regime menos rigoroso, sendo mais propício para o trabalho. No regime semiaberto a regra é a possibilidade de trabalho externo, sem vigilância direta, ou seja, sem escolta. Porém, a lei de execução penal foi alterada em 2010, possibilitando a vigilância indireta, o chamado monitoramento eletrônico. OBS: Saída temporária no regime semiaberto - isso aqui não existe no regime fechado. É a possibilidade do preso ficar 7 dias por 5 vezes no ano para visitar a família em datas comemorativas. Isso tem o objetivo de estimular ele a não praticar o delito, isso porque o contato com a família tem a intenção de fazê-lo ter vontade de voltar esse contato, não voltando então a cometer crimes. O monitoramento eletrônico poderá ser usado antes do trânsito em julgado (monitoramento como medida cautelar para evitar a prisão preventiva) e pode ser usado após o trânsito em julgado ( notoriamente como reforço na fiscalização ) Se no regime semiaberto não tiver vaga ? O juíz não está autorizado a determinar a manutenção do preso em regime mais severo, ou seja, o fechado. Obrigatoriamente, será retirado antecipadamente quem já está lá, para que seja dado vaga a outro, sendo esse que saiu monitorado por tornozeleira eletrônica. OBS: (QUESTÃO DE PROVA) Para o STF, a ausência de vaga no regime semiaberto, não permite a manutenção do condenado no regime prisional mais rigoroso. Devendo o juiz observar o enunciado da súmula vinculante de número 56 que estabelece diretrizes para a saída antecipada do regime semiaberto como forma de liberar vaga. REGIME ABERTO Casa de albergado O local de cumprimento é uma casa de albergado e egresso. Esse regime, está no art 36 do código penal, nele, o condenado fica o dia todo em liberdade e tem a obrigação de pernoitar, ou seja, durante a noite deve permanecer nesta casa. OBS:Na ausência da casa de albergado e egresso, o STF determinou a prisão domiciliar. FIXAÇÃO DO REGIME INICIAL O regime inicial será fixado obedecendo três critérios, esse regime é MUTÁVEL, ou seja, pode ser fixado tal regime e no curso da pena ser alterado para outro. 1. NATUREZA DA PENA - A natureza da pena é o critério para definir o regime. Se a pena for do tipo RECLUSÃO - pode ser escolhido o fechado, o semiaberto e o aberto. Se a pena foi DETENÇÃO - pode ser escolhido o semiaberto ou o aberto. 2. QUANTIDADE DE PENA - Se a pena aplicada for SUPERIOR A 8 ANOS é o regime FECHADO. Se a pena aplicada for MAIOR QUE 4 ANOS ATÉ 8 ANOS é o regime SEMIABERTO. Se a pena aplicada for ATÉ 4 ANOS é o regime ABERTO. No direito penal despreza as horas, ou seja, 4 anos e 20 horas é aberto. O DIA E O MÊS NÃO É DESPREZADO. Ex: 4 anos e 1 mês, já é semiaberto ou 4 anos e 1 dia, semiaberto. 3. REINCIDÊNCIA PENAL - A reincidência é o terceiro critério para escolha do regime prisional, ocorrendo toda vez que o sujeito pratica novo crime depois de transitar em julgado pelo crime anterior. Obs:É possível que o magistrado fixe regime prisional mais gravoso, considerando a gravidade concreta do delito de maneira fundamentada. Porém, não pode ser aplicado um crime mais rigoroso se não houver fundamentação sobre a gravidade. Sumula 718 e 719 do STF. Então, se o cara for reincidente, o regime dele será pior. Ex: Réu primário com reclusão de 5 anos - regime semiaberto, porém se ele for reincidente mesmo com 5 anos, vai para fechado! Se por acaso for detenção, nunca será regime fechado. REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO (RDD) O RDD é objeto de crítica, em razão ou por violar o princípio da legalidade no aspecto da taxatividade, sobretudo em razão da generalidade das hipóteses de cabimento. Dessa forma a doutrina considera como legislação penal populista e uma face do direito penal do inimigo. Houve modificação do prazo de duração, antigamente era 360 dias ( podendo ser repetido ) até o limite de ⅙ da pena, atualmente, tornou-se mais rigoroso, sendo hoje duração máxima de 2 anos, sem prejuízo de repetição de sanção por nova falta grave da mesma espécie e ainda foi excluída a limitação de ⅙ da pena. Houve modificação também do tratamento, agora o recolhimento em cela individual e as visitas quinzenais, de 2 pessoas por vez sem contato físico e com duração de 2 horas. A saída dele será somente por 2 horas diárias para banho de sol e acompanhado em grupos de 4 pessoas. O RDD também será aplicado a presos provisórios ou condenados, sejam nacionais ou estrangeiros. PROGRESSÃO DE REGIME PENAL O sistema penal brasileiro adota o sistema de progressivo de cumprimento de pena, como forma de compatibilizar a teoria monista (art.59) com o princípio constitucional da individualização da pena, dessa forma o preso deverá cumprir cumulativamente requisitos objetivo: de cumprimento de parte da pena e requisitos subjetivos: Bom comportamento carcerário. Se o crime for hediondo tem ainda o chamado exame criminológico, vide súmula 439 do STJ e 26 do STF.Antes do pacote anti crime o requisito objetivo era de ⅙ da pena para crime não hediondo e ⅖ ou ⅗ para crime hediondo. Além disso, tem o requisito subjetivo para o exame criminológico. O pacote anti crime alterou a lei de execução penal, criando novas regras mais rigorosas para a progressão e não pode retroagir pois “novatio legis in pejus”. Com o pacote anti crime houve alteração no requisito que foi estipulado em percentual sendo que o mínimo é de 16% e o máximo é de 70% para o reincidente em crime hediondo com resultado de morte, sendo vedado o livramento condicional. OBS: A lacuna do pacote anti crime para o sujeito primário de maus antecedentes foi suprida pelo STJ quando exigiu 16%, seguindo o axioma “in dubio pro reo”. PROGRESSÃO ESPECIAL PARA MULHERES A LEP foi alterada em 2018 pelo estatuto da pessoa com deficiência, pela lei da primeira infância para consagrar uma modalidade especial ou diferenciado de progressão para as mulheres trazendo requisitos cumulativos para proteger sua gestação ou alguém que dela dependa. Requisitos: Ser gestante, mãe ou responsável por criança ou pessoa com deficiência. Requisitos: 1. Não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa 2. Não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente 3. Ter cumprido ao menos ⅛ da pena no regime anterior 4. Ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento 5. Não ter integrado organização criminosa. Pacote anti crime para qualquer tipo de progressão só se aplicará após janeiro de 2020. O resultado do acompanhamento das mulheres irá resultar na alteração do regime fechado para as mulheres para o semiaberto ou aberto. · O STJ, na súmula 491, não tem permitido a progressão do regime fechado diretamente para o aberto sem passar para o semi aberto porque teria impossibilitada a adequação da pena para aqueles que ficam esquecidos por falta de vaga no regime fechado. · A doutrina critica a impossibilidade de progressão per saltum, pois a legislação reconhece o livramento condicional como uma possibilidade do preso sair do regime fechado e alcançar a liberdade sem passar pelo semiaberto e depois pelo aberto. Não obstante a discussão, a respeito da progressão per saltum ( fechado para aberto ) a legislação LEP, no seu artigo 118, é clara ao permitir a regressão per saltum. Ou seja, regressão PODE, ou seja, o preso pode sair do aberto diretamente para o fechado. PENA RESTRITIVA DE DIREITO · Espécie de pena alternativa. Castigar e prevenir sem utilizar o cárcere. A pena restritiva de direitos é sanção penal imposta em substituição à pena privativa de liberdade consistente na supressão ou diminuição de um ou mais direitos do condenado. Espécies de penas restritivas de direito: Art. 43. As penas restritivas de direitos são: I - prestação pecuniária; II - perda de bens e valores; III - limitação de fim de semana. IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; V - interdição temporária de direitos; VI - limitação de fim de semana. Obs! Quando o crime praticado for do código de trânsito brasileiro, o juiz aplicará a prestação de serviços à comunidade ou entidades públicas, conforme art. 312-A do CTB. · Prestação pecuniária A prestação pecuniária é uma imposição do pagamento de uma soma em dinheiro para a vítima ou para uma entidade com destinação social no valor de 1 à 360 salários mínimos. · Como exceção ao princípio da pessoalidade, é possível que a prestação pecuniária atinja os sucessores do réu - até o limite da herança. · Prestação pecuniária é diferente da pena de multa. Em razão da natureza jurídica (uma é subespécie da restritiva de direitos e a outra é uma espécie de pena), do destinatário (prestação pecuniária é para a vítima ou entidade, e pena de multa vai para o estado) é decorrente ao valor (onde o réu pode sofrer as duas penas, de multa e de prisão, que é trocada para restritivas de direito - prestação pecuniária) · Perda de bens e valores: Nessa espécie, o réu vai perder parte do patrimônio lícito em razão da substituição da pena. · Limitação e fim de semana Art. 48. Consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado. Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas. · Prestação de serviços à comunidade ou entidades públicas Trata-se da obrigação do réu de prestar serviços gratuitamente para hospitais, orfanatos e outras entidades públicas de caráter social. · Segundo o Art. 46 do CP, para cada 1 dia de pena, ele vai cumprir com 1 hora de serviço, de forma a não atrapalhar seu meio de subsistência. Porém, é possível cumprir um prazo menor do que a pena de prisão. Obs! Prestação de serviço à comunidade não se confunde com remição. · Interdição temporária de direitos As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três anos, no de crimes culposos. Prazo: Essa pena será aplicada pelo mesmo tempo de duração da pena privativa de liberdade substituída. Durante o prazo de seu cumprimento é imposto ao réu certas condições que devem ser cumpridas integralmente sob pena de revogação da substituição.Ou seja, se a pena de prisão for por 3 anos, a pena restritiva será a mesma Requisitos: · As penas restritivas de direitos somente serão aplicadas em quando reunidos os requisitos do Art 44 do CP que indica requisitos para a substituição: 1. Para o delito doloso cuja pena aplicada não for superior a 4 anos e o crime não tiver violência ou grave ameaça. 2. No crime culposo é possível a substituição qualquer que seja a pena. 3. O réu não for reincidente em crime doloso. Exemplo: CRIME 1 + TJ + CRIME 2 = REINCIDENTE DOLOSO + DOLOSO = NÃO SUBSTITUI DOLOSO + CULPOSO = PODE SUBSTITUIR CULPOSO + DOLOSO = PODE SUBSTITUIR CULPOSO + CULPOSO = PODE SUBSTITUIR DOLOSO + PRETERDOLOSO = NÃO PODE SUBSTITUIR Características: a) Autonomia - não podem ser cumuladas com as penas privativas de liberdade; não são meramente acessórias. b) Substitutividade - primeiramente o juiz fixa a pena privativa de liberdade, e depois, na mesma sentença, substitui pela pena restritiva de direitos. Observação: 1. Na lei de drogas, a pena restritiva de direito é autônoma, mas não é substitutiva. Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 2. No artigo 78, do CDC), a pena restritiva de direitos pode ser cumulada com a pena privativa de liberdade. Art. 78. Além das penas privativas de liberdade e de multa, podem ser impostas, cumulativa ou alternadamente, observado o disposto nos arts. 44 a 47, do Código Penal: I - a interdição temporária de direitos; II - a publicação em órgãos de comunicação de grande circulação ou audiência, às expensas do condenado, de notícia sobre os fatos e a condenação; III - a prestação de serviços à comunidade. 3. substituição da pena na lei Maria da Penha súmula 588 do STJ: não permite a aplicação de pena alternativa nos crimes praticados com violência ou grave ameaça a mulher nas hipóteses da lei Maria da Penha Exceção: · Princípio da suficiência: é de caráter pessoal e analisa a recomendação ou não em substituir Descumprimento da pena alternativa (Reconversão); Na hipótese de descumprimento injustificado, o réu terá a pena alternativa convertida em prisão, ou seja, reconversão obrigatória à pena original. O tempo cumprido da pena restritiva de direitos será abatidoda pena privativa de liberdade. · O prazo de cumprimento é o restante da pena, desde que superior a 30 dias. Há, ainda, a reconversão facultativa. De acordo com o art. 44, §5° do Código Penal, em casos de condenação superveniente por outro crime. O juiz da execução penal decidirá sobre a pertinência de o condenado cumprir a pena restritiva de direitos juntamente com a privativa de liberdade. Se o cumprimento de ambas as penas for inviável, haverá a reconversão da pena restritiva de direito em privativa de liberdade. No art. 181, §1°, da LEP, temos ainda os casos em que a pena de prestação de serviços à comunidade pode ser convertida em privativa de liberdade. · Isso ocorre quando o condenado: a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; b) não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programa em que deva prestar serviço; c) recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço que lhe foi imposto; d) praticar falta grave; e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. PENA DE MULTA A pena de multa é uma espécie de sanção penal patrimonial que consiste no pagamento de quantia em dinheiro em favor do Fundo Penitenciário Nacional, para os fins de custear o sistema de cumprimento de pena no país. · É composta de um sistema bifásico, ou seja, o juiz irá atravessar duas fases para chegar ao seu valor no caso concreto.O sistema é de dias-multa, ou seja, primeiro se define o número de dias-multa e depois o seu valor. O juiz irá definir um número entre 10 e 360 dias-multa. Depois que o juiz define a quantidade de dias multa, ele vai para a segunda fase, em que irá decidir o valor de cada dia-multa, que variará entre 1/30 de salário mínimo a 5 salários mínimos. Logo, será a multiplicação do número de dias multa (10 a 360) pelo seu valor (1/30 a 5 salários mínimos) que determinará o valor da multa a ser pago pelo condenado. Aula 28/03 - Remição de pena - “Novatio legis in melius” Detração penal no código de processo penal Art.387. O juiz, ao proferir sentença condenatória: ( Vide lei n 11.719, de 2008) Descontar a pena que já cumpriu na prisão provisória da pena privativa de liberdade do regime inicial. O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade. A detração penal é um instituto previsto no Art.42 do código penal que permite o abatimento da prisão provisória no Brasil ou no estrangeiro da pena final como forma de evitar “ mis in idem- mesma condenação pelo mesmo fato” obs: o STJ fixou teses em recurso repetitivo para permitir a detração penal para aqueles casos de recolhimento domiciliar quando a liberdade da pessoa estiver limitada em razão de medida cautelar. PENA DE MULTA Pegar slide A pena de multa é uma especie do gênero pena, que passou a adotar o sistema denominado dias multa conforme o art. 49 e seguintes no código penal. 1º característica. A pena de multa é uma imposição de um pagamento em dinheiro. 2ª. Terá como destinatário o fundo penitenciário nacional. Na lei de drogas o destinatário é o FUNAD Obs! Na ADPF 347 o supremo determinou o descontigenciamento desses valores para serem aplicados na construção de presídios, na reforma etc. 3ª característica. O juiz fixará primeiro a quantidade e depois o valor correspondente aos dias multa Ver o que tem no slide Quando eu falo na fixação do dias multa, eu vou olhar o crime praticado. Obs! A pena de multa é fixada atendendo dois critérios: o primeiro é em relação a quantidade, que observa o critério trifásico (que será objeto das próximas aulas) que é utilizado para fixar a pena de prisão. No segundo momento, fixaremos o valor de cada dia-multa do percentual de 1/30 avos a 5 vezes o salário mínimo, podendo triplicar Obs. A pena de multa o pagamento será em dinheiro após 10 dias da conclusão do processo. Se o réu não paga, Antes tinha a prisão, agora eu converto em dívida de valor. E será feita pelo juiz criminal segundo a lei de execuções fiscais Obs: A remição ficta é defendida pela doutrina minoritária possibilitando o desconto da pena ainda que o preso não trabalhe em razão o trabalho ter natureza jurídica de direito do preso e deve do estado. Todavia a lei da execução penal admite excepcionalmente a remição ficta dos casos de acidente de trabalho, conforme o art.126 parágrafo 4 da LEP. Pena de Multa: Art.49- A pena de multa é uma especie do gênero de pena que passou a adotar o sistema dias-multa conforme o art.49 e seguintes do código penal características: a) Pena de multa é uma imposição em dinheiro, em pecúnia. b) Terá como destinatário o fundo penitenciário nacional (FPN), na lei de drogas o destinatário é o FUNAD, vai para o fundo nacional ante drogas. Obs: na ADPF 347 o supremo determinou o descontigenciamento desses valores para serem aplicados na construção de presídios, reformas e etc. c) o juiz fixará primeiro a quantidade e depois o valor correspondente aos dias-multa. A pena de multa é fixada atendendo dois critérios, o primeiro em relação a quantidade que observa o critério trifásico (objeto das próximas aulas) que é utilizado para fixar a pena de prisão. No segundo momento fixaremos o valor de cada dia multa no percentual de 1/30 avos a 5 vezes o salário mínimo podendo triplicar. O pagamento da pena de multa sera em dinheiro, após 10 dias da conclusão do processo e antes era prisão, converte em dívida de valor e será feita pelo juiz criminal segundo a lei de execuções fiscais. Se ele não paga a pena de multa não se converte em dívidas de valor. AULA 23/05 CONCURSO DE CRIMES - aula passada 16/05 CONCURSO MATERIAL · + 1 conduta · +1 crime · Homogêneo · Heterogêneo · Soma das penas · Art. 69 cp CONCURSO FORMAL · 1 só conduta · +1 crime · Homogêneo · Heterogêneo · Próprio · Impróprio · Exasperação - salvo nos impróprios · Art. 70 do cp CONCURSO CONTÍNUO · +1 conduta com neco de continuidade · +1 crime da mesma espécie · Simples (s/ violência) · Unificado ( c/ violência) · Exasperação · Art. 71 cp SURSIS OBS: o sursis é determinado na sentença penal condenatória após a fixação da pena. Requisitos- os requisitos para os sursis são cumulativos e estão no art. 77 do código penal. · 1º requisito: Condenação igual ou menor a 2 anos. (Esse requisito é para pena aplicada e não para pena prevista abstratamente, ou seja, aquilo que está na lei) · 2º requisito: O condenado não é reincidente em crime doloso. Se for reincidente, não cabe sursis. · 3º requisito: Circunstâncias judiciais favoráveis · 4º requisito: Não cabimento de pena restritiva de direito. OBS: O sursis tem natureza subsidiária em relação às penas restritivas de direito, ou seja só caberá aos sursis quando não couber as penas restritivas. Por exemplo, crimes com violência. Dica para sentença - começa no art. 68, dps 59, dps 42, depois o 61 e 61 e por art 65 e 66 do cp. Causa de aumento e causa de redução da pena. Depois art. 33 -> 44 e após 77. Uma sequência. Período de pena - Via de regra é de 2 a 4 anos. Não é possível a detração penal do período de prova. Todavia, na hipótese de revogação do sursis (revogação pela prática de um novo crime ou pelo não cumprimento das condições a pena suspensa será executado) No primeiro ano do período de prova o réu deverá cumprir prestação de serviços à comunidade, com restrição aos finais de semana. A detração só cabe no sursis caso ele seja revogado. Espécies de sursis · Simples - Pena aplicada até 2 anos e período de prova de 2 a 4 anos. · Especial - Pena aplicada até 2 anos e período de prova vai de 2 a 4 anos sem prestação de serviços, limitação de fim de semana. OBS: o sursis especial caberá quando o réu reparar o dano do crime praticado e todo o art. 59 for favorável. · Humanitário - Pena aplicada até 4 anos e período de prova vai de 4 a 6 anos, desde que o condenado estejaacometido de doença grave. · Etário - pena aplicada até 4 anos e período de prova também vai de 4 a 6 anos. Desde que, a idade do condenado seja de 70 anos ou mais. LIVRAMENTO CONDICIONAL O livramento condicional permite que o sujeito cumpra o restante da pena em liberdade com condições. Alguns chegam a dizer que seria a última etapa do sistema progressivo., permitindo que o restante da pena seja cumprida em liberdade porém com condições. Requisitos - art. 83 do cp e são requisitos cumulativos · 1º requisito - Pena privativa igual ou maior que 2 anos. · 2º requisito - Cumprimento de parte da pena. ⅓ para reu primário. Metade para reincidente e ⅔ para crimes hediondos. · 3º requisito - Comportamento satisfatório. · 4º requisito - REQUISITO ESPECÍFICO - Exame criminológico. Período de prova -