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Discipulado e Mentoria
FABAPAR
FAC U L DA D E S B AT I S TA D O PA R A N Á
© Os direitos de autoria e patrimônio são reservados ao(s) autor(es) da obra e a Faculdades 
Batista do Paraná (FABAPAR). É expressamente proibida a reprodução total ou parcial desta 
obra sem autorização da FABAPAR.
FACULDADES BATISTA DO PARANÁ
Direção-Geral – Jaziel Guerreiro Martins
Gerência Acadêmica – Jaziel Guerreiro Martins
Gerência Administrativa – Jader Menezes Teruel
Coordenação dos Bacharelados em Teologia – Margareth Souza da Silva
Coordenação Adjunta do Bacharelado em Teologia EAD – Janete Maria de Oliveira
Autoria do Material – Marcílio de Oliveira e Édypo Felipe de Almeida Lima
Coordenação Editorial – Elen Priscila Ribeiro Barbosa
Coordenação de Produção – Murilo de Oliveira Rufino
Núcleo de Inovação e Desenvolvimento Educacional – Elen Priscila Ribeiro Barbosa
Revisão – Edilene Honorato da Silva Arnas
Design Gráfico e Diagramação – Thiago Alves Faria
Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP)
Rozane Denes (Bibliotecária CRB/9 1243)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Elaboração da ficha: Rozane Denes CRB9/1243 
 
 
 Oliveira, Janete Maria de. 
 Carisma e Caráter / Janete Maria de Oliveira – 1.ed. – Curitiba : Núcleo 
de Publicações FABAPAR, 2019. 
 57 p. 
 
 
 ISBN: 978-85-89487-09-2 
 
 
1. Carisma (Espirito Santo). 2. Caráter – Aspectos bíblicos. I. 
 Faculdades Batista do Paraná. II. Título. 
 
 
 CDD (21. ed.) – 231 
Dica
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Atenção:
Sempre que você vir uma palavra colorida no meio do texto, clique sobre ela!
Marcílio de Oliveira 
Édypo Felipe de Almeida Lima 
Curitiba
2019
Núcleo Criativo de Multimeios Educacionais
Discipulado e Mentoria
Apresentação dos autores
Pr. Marcílio De Oliveira, Formado em Administração de Empresas 
pela Faculdade de Ensino Superior do Paraná (FESP); em Teologia pela 
Faculdades Batista do Paraná (FABAPAR). Pós-Graduado em Psicoteologia 
e Bioética pela Faculdade Paranaense (FAPAR); Mestre em Teologia pela 
FABAPAR. Foi pastor de jovens na Primeira Igreja Batista de São José dos 
Campos e na Primeira Igreja Batista de Curitiba. Atualmente, é responsável 
pelo Ministério de Integração, Famílias e Células da Primeira Igreja Batista 
de Curitiba. Atua como professor em classes na igreja desde o início do 
ministério e leciona no Ensino Superior desde o início de 2018.
Édypo Felipe de Almeida Lima, Formado em Música pela Universidade 
Estadual do Pará (UEPA), Bacharel em Administração de Empresas pela 
Faculdade Estácio de Belém, Especialista em Gestão e Docência do Ensino 
Básico e Superior pelo Instituto Carreira (IC) e em Teologia pela Faculdade 
Teológica Batista Equatorial de Belém do Pará (FATEBE), Bacharelando 
em Teologia Faculdades Batista do Paraná (FABAPAR), técnico em violão 
erudito pelo Conservatório Carlos Gomes de Belém do Pará. Foi líder de 
ministério de música por 10 anos na Igreja Batista Jardim Nova Esperança 
em Ananindeua, no Pará, sendo cinco anos como ministro de música e 
líder de jovens. 
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Prefácio
Há alguns anos ouvia-se que uma das maiores carências do mundo 
era a da liderança! Escreveu-se muito sobre como ser ou formar líderes 
espirituais para o mundo. Pessoas que se levantassem para sonhar um 
futuro melhor, que fossem capazes de inspirar outras a ir em busca desse 
sonho e que tivessem a coragem e ousadia para ocupar os espaços para 
a transformação da sociedade.
Esse ainda é um grande desafio, mas ao trabalhar com a formação 
de líderes percebe-se que há uma necessidade de formar líderes que 
cuidem de líderes! A liderança espiritual é uma tarefa maravilhosa, mas 
quanto maior sua liderança, maior o risco de isolamento, quando não há 
com quem conversar sobre as pressões e os pesos do ministério, quando 
se perde os referenciais. É nesse ponto da estrada da vida que o perigo de 
uma derrapagem pode colocar tudo a perder. Ela pode ocorrer de formas 
distintas como alguma enfermidade física ou emocional, problemas de 
relacionamento familiar ou com equipe de ministério e até pecados.
No momento em que há tanto investimento na formação de líderes, 
formar mentores espirituais que possam servir de referencial e orientar 
os novos líderes espirituais que surgem é extremamente útil à igreja e aos 
pastores. O Curso de Mentoria se propõe a formar homens e mulheres 
que sirvam a Deus como líderes de líderes. Gente que serve aqueles que 
o Senhor levanta para liderar sua igreja nos próximos anos. Por meio 
desse curso pode-se aprender princípios e valores eficazes no cuidado de 
líderes, promovendo saúde integral no exercício do ministério.
Que Deus levante entre nós mentores segundo o seu coração para 
este tempo tão desafiador.
Deus te abençoe!
Pr. Marcílio de Oliveira
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Discipulado e Mentoria
Discipulado e Mentoria
Este capítulo tem por objetivo apresentar o conceito de mentoria, 
discipulado e aconselhamento, suas relações e possíveis diferenças 
dentro de uma perspectiva cristã. O que o levará à reflexão acerca da 
importância da mentoria na vida do cristão e consequentemente em seu 
ministério.
1.1 Mentoria
Mentoria é o processo de acompanhamento em que uma pessoa 
é orientada por alguém. No mundo empresarial, Idalberto Chiavenato, 
considerado um dos gurus da Administração de Empresas, conceitua o 
ato de orientar como:
Determinar a posição de alguém perante os pontos 
cardeais; encaminhar, guiar, indicar o rumo a alguém; 
poder reconhecer a situação do lugar em que se acha 
para se guiar no caminho. [...] Quando ingressam na 
organização, ou quando a organização faz mudanças, as 
pessoas precisam sentir em que situação se encontram 
e para onde devem conduzir suas atividades e esforços. 
(CHIAVENATO 2010, p. 172)
Na igreja, a mentoria é uma ação semelhante ao ato de orientar 
citado por Chiavenato. Quando se é novo na fé, é necessário um 
acompanhamento e cuidado de alguém mais experiente que guie, 
encaminhe, indique o rumo o qual deve ser seguido para permanecer no 
caminho da fé. Entretanto este acompanhamento não acontece apenas 
para novos adeptos ao cristianismo. Cristãos mais maduros, também 
precisam de orientações em algum momento de sua caminhada para 
conseguir lidar com determinados desafios que se apresentam durante 
sua caminhada terrena em busca de santidade, como os desafios do 
casamento, o serviço na igreja, dentre outras demandas ao longo da 
jornada de fé rumo à vida eterna.
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A mentoria também pode ser um período de treinamento, em 
que entende-se por treinamento “o processo pelo qual uma pessoa é 
preparada para desempenhar de maneira excelente as tarefas específicas 
do cargo que deve ocupar”. (CHIAVENATO 2010, p. 367). Você talvez tenha 
estranhado a citação de um teórico do setor empresarial, mas Deus é um 
excelente administrador (ARAÚJO 2012, p. 104); enquanto o treinamento 
apresentado por Chiavenato visa que os funcionários da empresa gerem 
cada vez mais lucro, Deus espera que todos os seus trabalhadores, 
aqueles que põem a mão no arado, produzam cada vez mais frutos. 
"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2 
Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e 
todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda. 
(BÍBLIA SAGRADA, João, 15.1-2)
A definição apresentada por Chiavenato, mostra uma atitude 
que todo cristão deve incorporar para servir a Deus. Esta atitude pode 
ser traduzida como desempenhar com excelência as tarefas. O bom 
desempenho nos esforços do serviço cristão não pode ser dissociado 
de uma vida que é forjada por Deus. O Senhor molda vidas de formas 
distintas,mas certamente uma das maneiras de trabalhar na vida do 
cristão é o convívio relacional, a comunhão da igreja. Nessa comunhão, 
há troca de experiências, conhecimentos, dons espirituais e nessa 
mutualidade há crescimento espiritual das partes e da comunidade da fé 
como todo. Crentes experientes ensinam e aprendem com os mais novos 
na fé. Pessoas com certa maturidade espiritual ajudam umas às outras 
a permanecerem crescendo diante de Deus. Tudo isso para oferecer 
ao Senhor o que se tem de melhor: a vida dedicada no altar de forma 
agradável a Ele.
A mentoria entendida como um período de treinamento visa 
aperfeiçoar os servos do Senhor para o serviço na obra, pois não se deve 
negligenciar o dom recebido de Deus. É necessário se dedicar para que 
todos vejam o progresso das pessoas na área que têm dificuldade, não 
para a glória, mas para que sejam salvas e levem a salvação a outros (1 
Timóteo 4.14); uma vez que são encarregadas dos mistérios de Deus e 
portanto devem ser fiéis à missão que lhes foi dada (1 Coríntios 4.1-2); 
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executando as atividades com excelência e zelo, pois chegará o dia em 
que todos prestarão conta de suas ações ao Senhor (Romanos 14.11-12). 
O próximo ponto tratará do conceito de discipulado e de sua relação com 
a mentoria e o aconselhamento cristão.
1.2 Distinções e relações entre discipulado, 
mentoria e aconselhamento cristão
Alguns autores apresentam discursos que tratam a mentoria 
e o discipulado como sendo algo diferente, já outros, naturalmente, 
apresentam como sendo a mesma coisa. Durante o desenvolvimento 
deste ponto, serão apresentados alguns argumentos relacionados a essa 
questão e falar-se-á sobre a relação que esses dois temas têm com o 
aconselhamento cristão.
1.2.1 Discipulado
Para compreender o conceito de discipulado, é importante entender 
como e quando se iniciava o processo de ensino no contexto judaico. 
Os meninos judeus iniciavam seus estudos da Torah 
(primeiros 5 livros do Antigo Testamento) aos 6 anos 
de idade e aos 10 já a tinham decorado. Os que se 
destacavam eram selecionados, se aprofundavam nas 
Escrituras, na sua interpretação e na tradição oral. Aos 14 
anos esses meninos já eram considerados a elite em Israel 
e eram chamados de Talmidi ou Talmidim (discípulo) e se 
dedicavam aos estudos sob os cuidados de um rabino, 
posteriormente se tornavam mestres. Provavelmente 
Jesus passou por esse processo (Lucas 2.46-47), pois era 
reconhecido como mestre (João 1.38;20.16) .1
Jesus, como mestre, escolheu doze homens para serem seus 
discípulos diretos, entretanto influenciou muitos outros que o seguiram de 
1 DISPONÍVEL em :. Acesso em: 24/06/2019.
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perto e se tornaram seus discípulos. Discipulado é a estratégia utilizada 
por Cristo, como mestre, para alcançar o mundo e proporcionar o avanço 
do evangelho geograficamente através das gerações. 
Todo seguidor de Cristo convertido aos seus ensinamentos estão 
aptos a fazer novos discípulos. Ser um discípulo e discipular faz parte 
da missão da igreja, mas exercer essas duas atividades não se traduz 
em apenas aprender e ensinar. Jesus dizia aos seus seguidores que se 
tornassem seus imitadores e isso implica em “pregar, curar os enfermos, 
ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar os demônios [...] 
Jesus veio para servir as pessoas e Ele envia sua igreja para servir ao 
mundo”. (CAMPANHÃ, 2012, p. 17) 
Ser discípulo de Jesus implica em compreender, viver e ensinar os 
seus mandamentos. Cumprir com excelência esses três aspectos, torna o 
homem discípulo autêntico de Cristo. A definição de Brandão (2014) pode 
auxiliar a compreender melhor o que é ser discípulo:
[...] aluno, aprendiz, aquele que aprende, que segue e se 
entrega ao ensino de alguém, aquele que se assenta aos 
pés de um mestre para aprender com ele [...] todos aqueles 
que se convertiam ao evangelho.
Ser discípulo exige um preço a ser pago: uma vida em santidade, 
subordinação, comprometimento com Cristo, humildade, mansidão e 
todos os aspectos contidos no fruto do Espírito, além de autonegação, 
como o próprio Jesus disse:
Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também 
o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas 
aquele que me negar diante dos homens, eu também o 
negarei diante do meu Pai que está nos céus. Não pensem 
que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. 
Pois vim para fazer que o homem fique contra seu pai, a 
filha contra sua mãe, a nora contra sua sogra; os inimigos 
do homem serão os da sua própria família. Quem ama seu 
pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; 
quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é 
digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, 
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não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e 
quem perde a sua vida por minha causa a encontrará. 
(BÍBLIA SAGRADA, Mateus, 10.32-39)
Ser discípulo implica em perder a própria vida em prol da causa de 
Cristo. Discipulado é ensinar a outros o quanto vale a pena perder a própria 
vida para ser igual a Cristo. E isso não é uma escolha para os servos 
de Cristo, é parte da missão da igreja como representante da missão 
de Deus neste mundo. Ser discípulo “implica a aceitação de pontos de 
vista e ensinamentos de um líder a quem obedecemos. O discípulo quer 
aprender de seu mestre e tornar-se como ele em caráter” (COLLINS, 
2005, p. 21). A mentoria e o discipulado só são possíveis por intermédio 
do aconselhamento e ensino cristão. A seguir serão apresentados os 
conceitos e aspectos do aconselhamento cristão e as possíveis diferenças 
entre Mentoria e Discipulado.
1.2.2 Aconselhamento cristão
Quem nunca ouviu um conselho dos pais, amigos ou aconselhou 
alguém que estivesse com dificuldades em uma determinada área? O 
aconselhamento tem por objetivo ajudar as pessoas, estimular, orientar, 
animar em momentos de dificuldades. Acontece através do diálogo, do 
compartilhar com o próximo algo importante. Gary Collins diz que ajudar é 
tarefa de todos. Embora existam profissões especializadas nesse assunto, 
como psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, dentre outros, todos 
podem ajudar alguém. Muitas vezes, a ajuda que mais irá surtir efeitos 
é a de alguém que está perto da pessoa que tem problemas em uma 
determinada área, um simples amigo e leigo no assunto de aconselhar.
 O aconselhamento cristão visa estimular o crescimento espiritual, a 
confissão de pecados, a entrega total de vida a Cristo e o desenvolvimento 
de princípios e valores fundamentados nos ensinamentos bíblicos. O 
desenvolvimento dessas áreas levará as pessoas a um relacionamento 
mais íntimo e intenso com Deus, mais amoroso com os seus semelhantes 
e a serem mais resolvidas consigo mesmas. O aconselhamento cristão 
se torna único, pois é inteiramente orientado pela influência e presença do 
Espírito Santo (COLLINS, 2004).
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O desenvolvimento do processo de discipulado e mentoria acontece 
por meio do aconselhamento cristão. Todo discipulado e mentoria tem um 
momento de aconselhamento e orientação como já visto anteriormente, 
entretanto nem todo aconselhamento será necessariamente um 
discipulado ou mentoria. O aconselhamento pode ser apenas uma ajuda 
para uma dúvida ou dificuldade momentânea, algo pontual, entretanto 
a mentoria ou discipulado são processos mais demorados, exigem 
um acompanhamento mais detalhado, a longo prazo, com data e hora 
marcada e visa atingir um objetivo específico. 
Na Bíblia, não existe uma diferenciação entre mentoria, 
aconselhamento e discipulado. Como exemplo, é possível citar do grego 
algumas palavras bíblicas que podem referenciar o que se entende por 
discipulado e mentoria.
Fazer discípulos (μαθητεύσατε > mathhteύsate): presente em 
Mateus 28:19 quando Jesus diz “ide e fazei discípulos de todas as nações”. 
Tem o sentido de ensinar, discipular.Jesus complementa orientando 
a batizar em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. Em Atos 14.21, 
esta palavra aparece com o mesmo significado. Paulo parte para Derbe 
juntamente com Barnabé, nesta cidade anunciam o evangelho e fazem 
muitos discípulos. 
Ensinar; Instruir (διδάσκοντες > didάskontes): presente em Mateus 
28.20 é a continuação do texto anterior, Jesus orienta os seus discípulos 
a ensinarem a outros o que Ele havia ensinado. Em Jo 14.26, Jesus afirma 
que o Pai enviará o Espírito Santo consolador, que ensinara todas as coisas 
para os seus seguidores os fazendo lembrar de tudo o que Ele havia dito.
Apascentar (ποίμαινε > poímaine): está presente em João 21:16, 
quando Jesus orienta a Pedro que ele apascentasse e cuidasse de suas 
ovelhas. Esta palavra também aparece em 1 Coríntios 9:7 com o mesmo 
sentido, entretanto direcionado ao cuidado do gado. Também traz o 
sentido de liderar, governar e guiar (Mt 2.6; At 20.28; 1 Pe 5.2). 
Proclamar, anunciar, fazer menção publicamente (κηρύξατε > 
khrύksate): presente em Marcos 16:15 mais uma orientação de Jesus 
incentivando os discípulos a proclamarem o evangelho a toda criatura; no 
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versículo 16, ele complementa dizendo que todos os que acreditassem e 
fossem batizados seriam salvos.
Na Bíblia, o termo para mentor ou conselheiro é discipulador 
ou pastor, aquele que apascenta as ovelhas, que ensina e proclama 
as boas-novas do evangelho, ou seja, de acordo com este estudo, o 
significado de mentor e conselheiro seria um pastor aquele que “cuida do 
gado” ou das ovelhas, aquele que cuida do povo de Deus. E discipulador é 
aquele que ensina e proclama o evangelho sendo imitador de Cristo.
1.2.3 Diferenças entre discipulado e mentoria 
Algumas igrejas fazem distinção entre os termos discipulado e 
mentoria referindo-se a processos de desenvolvimento cristão distintos. 
Assim sendo, o discipulado é uma ação voltada para o início da vida 
cristã, em que princípios básicos da fé cristã são ensinados com vistas 
à preparação de pessoas ao batismo. Para as igrejas que possuem tal 
compreensão, a mentoria é um processo de orientação espiritual que vem 
após o batismo e visa ao desenvolvimento do caráter cristão no indivíduo.
A mentoria espiritual é uma orientação para o desenvolvimento 
do caráter do crente em Cristo. Um acompanhamento voltado para o 
amadurecimento do povo de Deus, instruindo, treinando e capacitando 
pessoas para estarem aptas ao trabalho em prol do Reino. “A visão de 
crescimento integral deve conduzir todos os salvos a um estilo de vida 
comunitário que incentive e promova o engajamento de cada membro 
em seu ministério pessoal” (PIRAGINE 2015, p. 123). É uma forma de 
organização fundamentada em uma visão que Deus deu aos seus servos 
para orientar as pessoas para o serviço ministerial. 
Na apostila do Curso de Formação Ministerial (CFM), em Mentoria 
e Liderança Cristã, que a Primeira Igreja Batista de Curitiba oferece, há a 
seguinte definição: 
Discipular é acompanhar e ensinar novos convertidos em sua nova 
vida com Deus, logo após a conversão, em seus primeiros passos na 
fé. Já a mentoria é um acompanhamento de cristãos que já tem uma 
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certa caminhada com Jesus, com o propósito de orientá-los, apoiá-los 
e incentivá-los em suas vidas e ministérios. A mentoria é para todos 
aqueles que já caminham com Jesus há um pouco mais de tempo. 
Tanto o discipulado quanto a mentoria acontecem por intermédio 
do acompanhamento, aconselhamento e treinamento voltados aos que 
receberam o chamado de Deus para colocar a mão no arado e servir como 
bons mordomos. Entretanto há a preocupação de não apenas depositar 
conteúdo no intelecto dos alunos. O Pastor Paschoal Piragine Júnior, 
presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba, reforça que formar um 
ministro é transferir experiência, valores, modelos e vida. Fazendo isso é 
possível deixar as marcas de Cristo na vida das pessoas, para que estas 
possam marcar outros e assim sucessivamente. Uma aula pode ser 
esquecida, mas a experiência vivida será levada por toda uma vida.
Embora haja muita semelhança entre o discipulado e a mentoria, há 
algumas distinções entre os dois termos e processos. Segundo Howard 
e William Hendricks, “a palavra discípulo significa aprendiz” (HENDRICKS; 
HENDRICKS, 2006, p. 176). Segundo os autores, o termo significa o 
chamado de um professor para um aprendiz quase beirando uma 
ordenança e tem foco maior na instrução. Já o termo mentoreamento 
vem do latim, tem a conotação de proteger e o foco mais na iniciação de 
um aprendiz rumo à maturidade. O mentor protege seu aprendiz rumo à 
maturidade na vida. 
Outra distinção clara é que o discipulado é realizado numa proposta 
de relacionamento cristão mais informal, não necessariamente com dia 
e hora marcada, ainda que isso possa ocorrer. Já a mentoria espiritual 
é um relacionamento que visa ao desenvolvimento do cristão, mas 
que se realiza num processo um pouco mais formal, com dia e hora 
marcados, expectativas claras, ferramentas de avaliação de crescimento, 
podendo ser realizada mesmo antes do batismo e não tendo uma data 
pré-determinada para seu fim.
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1.3 Fundamentos da mentoria espiritual
Segundo Robert Clinton (2000, p. 27), todo líder passa por fases 
de desenvolvimento de liderança ao longo da vida. Desde a infância até 
a maturidade, pessoas estão em desenvolvimento para exercerem seu 
papel na sociedade, iniciando dentro da família e depois influenciando 
pessoas em contextos distintos. Aqueles que se destacam na liderança 
cristã mantêm um espírito de aprendiz em sua vida e compreendem que 
devem deixar um legado desenvolvendo novos líderes.
Líderes cristãos em potencial necessitam de desenvolvimento de 
liderança à medida que têm oportunidades de exercer novos ministérios 
nas igrejas onde atuam. Poder contar com líderes experimentados que 
compartilham histórias e lições aprendidas ao longo da vida ministerial 
pode ser de grande valia aos mais novos que se mantêm abertos ao 
aprendizado. Isso certamente poupa-os de erros já cometidos por outros 
e leva-os a obtenção de bons resultados em um espaço de tempo menor 
do que outros.
Para Clinton, a ação de mentorear:
faz referência a um modelo de treinamento informal de 
pouca intensidade, em que uma pessoa com uma atitude de 
servir, dar e encorajar (o mentor) vê potencial de liderança 
em uma pessoa ainda a ser desenvolvida (o protegido) e tem 
capacidade para promover ou influenciar significativamente 
de outra forma o protegido para a realização do seu potencial 
de liderança. (CLINTON, 2000, p. 37)
Já David Kornfield mostra o quão valioso é ter um mentor para 
a vida, ao afirmar “quanta falta experimentamos sem um mentor! Não 
chegamos nem próximos ao potencial com o qual fomos criados. Nem 
imaginamos a profundidade dos propósitos de Deus para nossa vida” 
(KORNFIELD, 2007, p. 204). Sem ter um mentor ou mentores corre-se o 
risco da estagnação, da complacência, da ignorância, enquanto os anos 
se passam.
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1.3.1 Fundamentos bíblicos de mentoria 
Há muitas passagens bíblicas que podem ser utilizadas como base 
para a fundamentação teórica da mentoria espiritual. Abaixo cita-se 
algumas que podem servir de referência, ainda que não esgotem a 
exposição bíblica sobre o assunto. No Antigo Testamento, em 2 Crônicas 
24:2, vê-se a importância do sacerdote Joiada na vida do novo rei Joás, 
ajudando-o a fazer aquilo que Deus aprovava em seu reinado. Já o texto 
de Provérbios 27:17 diz: “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o 
seu companheiro”. 
 No Novo Testamento o exemplo maior é o próprio Jesus, que 
escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele 
e os enviasse a pregar (Mc 3.14). Ele mesmo afirmou: “mas todo aquele 
que for bem preparado será como o seu mestre” (BÍBLIA SAGRADA, Lucas6:40b).
O apóstolo Paulo foi profundamente impactado com os cuidados 
que recebeu de Barnabé no início de sua vida cristã, conforme nota-se 
em Atos 11, quando foi buscá-lo em Tarso, levando-o a liderar os crentes 
reunidos na cidade de Antioquia. O próprio Paulo inspirou novos líderes 
para as igrejas, como Timóteo, Priscila e Áquila e Tito. Destaca-se aqui o 
relacionamento entre Paulo e Tito, em que se pode notar as várias ações 
e intenções de Paulo para que Tito pudesse avançar em sua liderança 
espiritual. Em Tito 3:12, Paulo desejava passar mais tempo com Tito. 
Em 2 Coríntios 2:13, Paulo se preocupa com o bem-estar de Tito. Em 
2 Coríntios 7:5,6, Paulo foi encorajado e consolado com a presença de 
Tito. Em Tito 1:4, Paulo demonstra intimidade com o seu discípulo; Em 
2 Coríntios 8:23, fica claro que Paulo e Tito formavam uma equipe no 
ministério de pastorear as igrejas.
 Há ainda muitas outras passagens bíblicas e várias pessoas 
que podem servir de inspiração na vida das pessoas. O pastor e autor 
Wayne Cordeiro (2008, p. 12-14) demonstra isso ao relatar que qualquer 
pessoa pode ser inspirada pelos heróis da fé na Bíblia. Suas vidas, seus 
erros, acertos e aprendizados servem para ajudar qualquer indivíduo a 
ter desenvolvimento espiritual compreendendo a vontade de Deus e 
aplicando-a em sua vida. 
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Síntese 
Neste capítulo foi visto que discipular, mentorear e aconselhar 
pessoas faz parte da missão da Igreja de Cristo. Verificou-se que discipulado 
e mentoria, de acordo com a Bíblia, possuem conceitos semelhantes, que 
se trata de ensinar, treinar, cuidar, pastorear pessoas preparando-as para 
uma caminhada firme na fé rumo à eternidade. Verificou-se também que 
algumas igrejas atribuem conceitos diferenciados entre discipulado e 
mentoria, tendo o primeiro foco em preparar os novos na fé em Cristo 
para o batismo, já o segundo seria uma continuação do discipulado, 
preparando, capacitando, treinando e orientando os servos do Senhor 
para o trabalho em prol do Reino.
Observou-se que o aconselhamento cristão é uma ação 
presente no ato de discipular e mentorear pessoas. No entanto, nem 
todo aconselhamento é um discipulado ou mentoria, pois estes 
dois se desenvolvem a longo prazo, com data e hora marcada, e o 
aconselhamento pode ser mais simples e pontual. Foi estudado também 
sobre os fundamentos da mentoria espiritual e a base que a Palavra de 
Deus dá para sustentar a relevância deste tema. No próximo capítulo, 
serão apresentadas as características de um mentor cristão e de um 
mentoreando, e como deverá ser um relacionamento saudável entre eles.
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