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Isolamento de ácidos nucleicos O isolamento de ácidos nucleicos é fundamental na qualidade das amostras utilizadas em métodos moleculares. Esse processo segue etapas que vão desde o desenho experimental até a extração e quantificação dos ácidos nucleicos. A padronização e o cuidado em cada fase ajudam a obter dados que sejam, de fato, confiáveis. Portanto, compreender esse fluxo é o primeiro passo rumo ao sucesso experimental. Prof. Eldio dos Santos 1. Itens iniciais Objetivos Descrever o desenho experimental e as fases pré-analíticas do isolamento dos ácidos nucleicos. Descrever os procedimentos de extração e quantificação do DNA e RNA, e síntese do cDNA. Introdução A biologia molecular estuda as moléculas primordiais para a manutenção da vida, como o DNA, o RNA e as proteínas. De acordo com o princípio geral da biologia: O DNA armazena a informação genética. O RNA transporta a informação genética. As proteínas desempenham funções celulares vitais. Os avanços tanto na área médica quanto nas ciências animais e vegetais foram impulsionados pelo desenvolvimento de técnicas moleculares, que estudam o DNA e o RNA com cada vez mais precisão. Antes de analisarmos o material genético, é necessário um planejamento criterioso, que seja capaz de obter a qualidade e a confiabilidade dos resultados. Cada etapa do processo, desde a coleta e armazenamento das amostras até a extração e quantificação do DNA e RNA, deve ser conduzida de forma padronizada para evitar erros que comprometam a integridade do material. Garantir um material genético puro e íntegro é requisito para que técnicas moleculares, como a síntese de cDNA, sejam bem sucedidas. A organização dessas etapas, além de melhorar a reprodutibilidade dos experimentos, também influencia diretamente a precisão das análises realizadas em pesquisas e diagnósticos. Mas, você saberia descrever como esse processo acontece? O DNA e o RNA são extraídos da mesma forma? E qual a importância do cDNA? Neste conteúdo, vamos explorar todas essas questões. Começaremos pelo desenho experimental, entendendo sua aplicabilidade, etapas e importância na pesquisa científica. Em seguida, veremos as fases pré-analíticas, os métodos de extração, a quantificação e a avaliação da qualidade do material genético. • • • • • 1. Introdução ao isolamento dos ácidos nucleicos Desenho experimental Neste vídeo, vamos explicar o método científico e o desenho experimental, abordando etapas como hipótese, experimento, análise e conclusão, além da importância da reprodutibilidade, variáveis e relação causa-efeito nos estudos. Não perca! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O desenho experimental é o planejamento estruturado de um estudo, composto por etapas que focam a organização e a validade dos resultados. Assim, ele faz parte do método científico, uma das ferramentas mais importantes para o avanço tecnológico da humanidade e muda até mesmo a forma que pensamos nas coisas do cotidiano. Veja agora a aplicação deste método em um exemplo de atividade do cotidiano. Leonardo tem o hábito de assistir ao telejornal todos os dias. Enquanto assistia ao programa, viu que o prefeito da sua cidade participou de uma pequena entrevista e fez algumas afirmações sobre o funcionamento da prefeitura naquele trimestre. Primeiro, Leonardo deve parar, pensar sobre tal afirmação e aplicar o método científico. Ele deve observar o que foi falado e questionar: será que é verdade o que o prefeito falou? Em seguida, ele estabelecerá hipóteses: É verdade que tal coisa aconteceu. É mentira que tal coisa aconteceu. A próxima etapa é realizar um experimento, que nesse caso é a busca de fontes confiáveis de notícia para identificar se o que o político falou é verdade ou não, analisar o discurso e, finalmente, poder tirar a sua conclusão baseado no método científico. Após a análise, ele pode validar a hipótese “é verdade” ou “é mentira” ao invés de simplesmente aceitar a afirmação dita. Etapas do método científico. O método científico foi utilizado para produzir quase tudo que existe, indo do aparelho em que você está lendo este texto até a cadeira em que está sentado(a). Mas ele não está presente apenas nos laboratórios ou na ciência de ponta - sem perceber, aplicamos esse método em diversas situações do dia a dia. • • O método científico, basicamente, é constituído pelas seguintes etapas: observação, questionamento, hipótese, experimento, análise dos resultados e conclusão. Vamos pensar no seguinte exemplo: imagine que você sinta um cheiro estranho vindo da geladeira. Mesmo sem perceber, você está iniciando um processo semelhante ao método científico para descobrir a origem desse cheiro. A seguir, vamos analisar como cada etapa se aplica a essa situação. Observação Você abre a geladeira e percebe um cheiro ruim. Algo não está certo. Questionamento Você se pergunta: de onde vem esse cheiro? Será que algum alimento estragou? Formulação da hipótese Com base na sua experiência, você levanta uma possível explicação: a causa pode ser o leite vencido. Experimentação Para testar sua hipótese, você pega a caixa de leite e verifica a validade. Além disso, abre a embalagem e sente o cheiro. Análise dos resultados O leite tem um odor azedo e está com uma textura diferente. Essas evidências indicam que ele realmente estragou. Conclusão Você confirma então sua hipótese e decide descartar o leite. Se, por outro lado, o leite estiver em bom estado, você reconsidera e busca outra explicação para o cheiro ruim, como um queijo mofado ou uma fruta estragada, por exemplo. Agora que já entendemos o método científico, podemos falar sobre desenho experimental. Ele representa a aplicação prática desse método, organizando as etapas necessárias para testar uma hipótese. Seu principal objetivo é ter certeza que os resultados obtidos sejam confiáveis e reprodutíveis. Desse modo, outros pesquisadores poderão replicar o estudo e chegar às mesmas conclusões. A reprodutibilidade é um dos pontos mais importantes da ciência! Suponha que sua equipe do laboratório desenvolveu uma nova técnica de quantificação de DNA. Você deverá escrever sua metodologia passo a passo, com detalhes dos tipos de solventes necessários, as concentrações, a pressão, a temperatura de incubação etc. Os dados devem ser claros para que, quando outra pessoa ler essa metodologia (por exemplo, alguém do outro lado do mundo, cinco anos depois), ela consiga chegar no mesmo resultado, considerando que todas as condições e manipulação foram realizadas conforme o descrito. Veja agora as etapas do desenho experimental. Definir a relação causa-efeito Estabelecer o problema existente, os objetivos do trabalho e as metas a serem cumpridas. Planejamento Com o projeto estabelecido, definir a metodologia, preparar a instrumentação e antecipar possíveis problemas para obter a precisão e reprodutibilidade dos resultados. Execução Realizar as medições e técnicas planejadas. Análise e interpretação Após a execução, analisar os dados coletados de forma criteriosa e científica. Formular as conclusões A partir da análise e interpretação dos resultados, deve-se concluir se a relação causa-efeito se mostrou existente e responder aos objetivos do trabalho definidos na primeira etapa, fechando dessa forma o ciclo do desenho experimental. A partir do desenho experimental, pretendemos dizer que modo ou por que o fenômeno é produzido. Assim, a partir da ideia de relação de causa-efeito em que se acredita que existe uma relação entre a construção da causa e o efeito observado, formulamos as hipóteses a serem testadas, temos os vários tratamentos (variáveis independentes), executamos o experimento e observamos os resultados (variáveis dependentes). Se o experimento for bem elaborado e planejado, podemos formular conclusões a respeito da relação de causa-efeito para a hipótese estabelecida. Atividade 1 O planejamento experimental é fundamental para que um estudopoliacetato de celulose e géis de agarose, que apresentam poros por onde as moléculas devem passar. Comentário As moléculas apresentam diferentes cargas no nosso organismo. O DNA/RNA, devido ao grupamento fosfato, apresenta carga negativa. Além disso, as moléculas são separadas pelo tamanho. Uma pequena quantidade de amostra é aplicada em um gel, geralmente a agarose, inerte (que não reage com a amostra) em um poço (local de aplicação da amostra). Em seguida, é gerado um campo elétrico onde um polo do gel fica com a carga negativa (local onde a amostra é aplicada) e outra positiva. Como o DNA/RNA possui carga negativa, migrará para o polo positivo através do gel. No entanto, esse gel apresenta poros, conferindo resistência ao movimento das moléculas. Assim, moléculas mais pesadas e maiores ficarão presas no gel, enquanto as menores e mais leves migram com mais facilidade no gel. Esquema da eletroforese para DNA. Após a eletroforese, podemos detectar o DNA/RNA pela coloração (normalmente é utilizado o brometo de etídio, um corante que intercala no DNA) e visualização de bandas de DNA em um equipamento chamado transiluminador. Se a amostra estiver íntegra, verificamos apenas uma marca (banda) intensa no gel de eletroforese. No entanto, caso a nossa amostra esteja fragmentada, essa banda se apresenta “espalhada” (arraste) ao longo do comprimento do gel, indicando que existem fragmentos, ou seja, o DNA/RNA não está íntegro. Bandas bem definidas Bandas com arraste Síntese de cDNA Conforme já estudamos, existem várias técnicas na biologia molecular, PCR, sequenciamento, clonagem e hibridização que são dependentes da matéria-prima (DNA, na maioria dos casos). Essas técnicas podem ser utilizadas para diferentes fins, mas nem sempre a simples extração de DNA/RNA é suficiente para analisar o que se deseja. Por exemplo, imagine que queremos analisar a produção de uma proteína específica em um tecido. Se extraímos apenas o DNA, teremos acesso à sequência completa dos genes da célula, incluindo aquele responsável pela proteína que estamos investigando. No entanto, o simples fato de um gene estar presente no DNA não significa que ele está sendo utilizado. Isso porque, para que uma proteína seja produzida, primeiro o gene precisa ser transcrito em RNA mensageiro (RNAm) e, depois, traduzido na proteína correspondente. Nesse caso, estudar apenas o DNA não nos diria se o gene foi ativado, se o RNAm foi gerado corretamente ou se passou por modificações, como o splicing alternativo, que pode alterar a proteína final. O ideal, então, seria analisar diretamente o RNAm da célula, pois ele reflete quais genes estão ativos e regulando a produção de proteínas naquele momento. Outro exemplo envolve a detecção de vírus de RNA, como o SARS- CoV-2, causador da covid-19. Quando buscamos identificar uma infecção viral, o material genético do vírus extraído da amostra biológica é o RNA. O problema é que a técnica mais utilizada para essa detecção, o PCR, amplifica apenas DNA. E como podemos resolver isso? A resposta para esse problema surgiu a partir do estudo do HIV, o vírus da imunodeficiência humana. Esse vírus contém RNA como material genético, mas tem um mecanismo especial para se multiplicar dentro das células. Quando o HIV invade uma célula, ele utiliza uma enzima chamada transcriptase reversa para converter seu RNA em DNA. Esse DNA viral é então integrado ao DNA da célula hospedeira, permitindo que o vírus controle a célula e se replique. Os cientistas perceberam que essa enzima poderia ser usada em laboratório para converter qualquer RNA em DNA. Assim, surgiu a técnica de síntese de cDNA (DNA complementar), que estuda informações originalmente contidas no RNA. O cDNA recebe esse nome porque é complementar à sequência do RNA original. Comentário A transcriptase reversa do vírus é capaz de alterar o famoso princípio da biologia, o qual estabelece que o DNA é transcrito em RNA e o RNA é traduzido em proteína. Isso ocorre porque a transcriptase reversa realiza o processo oposto, sintetizando DNA a partir de RNA, o que representa uma exceção à regra convencional. A construção do cDNA é feita em um tubo contendo: RNA molde É a sequência de RNA usada para a construção do cDNA. Transcriptase reversa É a polimerase capaz de transcrever o RNA em cDNA. Nucleotídeos (A, T, C, G) São unidades funcionais para a síntese do cDNA. Íon bivalente de magnésio (Mg2+) É um cofator essencial para o funcionamento da transcriptase reversa. Primers São pequenos fragmentos de DNA fita simples que se complementam ao RNA para dar início à transcrição reversa. DNA polimerase Responsável por sintetizar o DNA a partir dos nucleotídeos presentes. A síntese do cDNA começa pelo anelamento do primer no RNA, seguido pelo acoplamento da transcriptase reversa e início da sua atividade, formando o cDNA no sentido 5’ – 3’. Uma vez formado o cDNA, o fragmento de RNA usado como molde é degradado pela RNase H, um domínio do próprio complexo da transcriptase reversa. Durante a construção do cDNA, uma etapa crítica para termos um cDNA de boa qualidade é a construção do primers. Existem três estratégias gerais de construção de primers: Oligo dt Primer formado por vários nucleotídeos do tipo timina que se anela a cauda poli-A do RNAm maduro. A cauda tem esse nome por ser formada de 80 a 250 resíduos de adenina. A cauda serve para proteger o RNAm de degradação enzimática durante todo o processo de locomoção em direção ao ribossomo. A cauda poli-A é clivada por endonucleases quando o RNAm encontra o ribossomo. Ele é preferencialmente utilizado quando queremos fazer cDNA de RNAm. Para o oligo dT é importante que o RNAm esteja íntegro, uma vez que ele se anela na extremidade 3’ do molde. Se o RNAm estiver fragmentado, o cDNA vai ser feito apenas de um pequeno trecho e talvez seja não funcional. Randômico Primer feito de pequenas sequências aleatórias que se anelam a qualquer RNA presente, incluindo rRNA (RNA ribossomal) e tRNA (RNA transportador). Ele é indicado para amostras de sequência desconhecida ou de difícil manipulação. Específico Primer construído especificamente para determinado RNA, sendo utilizado quando se tem um alvo determinado, por exemplo, diagnosticar um RNA viral. O primer é desenhado de forma complementar ao RNA viral. Por isso, ao término da reação, só teremos cDNA se o primer encontrar o seu RNA alvo. Para o primer específico, é fundamental que toda a sequência do DNA/RNA seja conhecida. Os três tipos de primers podem ser combinados, formando um primer com um trecho oligo dT e outro trecho específico. Dessa forma, teremos uma transcrição da porção 3’ de um RNA molde específico ou oligo dT com um randômico, para tentar formar cDNA de qualquer RNAm do material inicial. A combinação de primers depende de criatividade do pesquisador e da sua capacidade de otimizar a síntese do cDNA. Nesse ponto, temos então uma fita de cDNA íntegra, recém-formada pela transcriptase reversa e uma fita de RNA ligada ao cDNA parcialmente degradada pela RNase H. Assim, sintetizamos um RNAm maduro, sem a presença de íntrons. Esses fragmentos de RNA serão utilizados como primers de iniciação pela DNA polimerase que irá construir o DNA complementar ao cDNA. Com isso, temos finalmente a fita dupla de DNA formada. Formação da fita dupla de cDNA Na imagem, vemos que o RNAm se liga ao primer oligo dT(1). Em seguida, a transcriptase reversa sintetiza uma fita de cDNA (sequência de bases representada pela linha azul), a partir do primer oligo dT ligado ao RNA(2). A RNAse H quebra o RNAm associado ao cDNA recém-sintetizado. Os dNTPs presentes no meio reacional são usados para a construção de uma nova fita de DNA complementar ao cDNA, pela ação da DNA polimerase(3). Com isso, a fita dupla de cDNA é formada (4). A construção de cDNA tem como funções principais: Possibilitar a amplificação de RNA pela PCR. Determinar o nível de expressão gênica de determinada proteína no organismo. Possibilitar a construção de uma bibliotecagenômica, estabelecendo relações de quais genes podem expressar determinadas proteínas, o que pode ser aplicado para elaboração de terapias, estudo de espécies, doenças etc. O cDNA pode ser utilizado na clonagem (formação de novos trechos de DNA em outro indivíduo), criação de bibliotecas (responsáveis por identificação e armazenamento de informação gênica), testes de microarranjo (coleção de DNAs presos em uma superfície sólida, para estudos de genotipagem, expressão, entre outros), detecção de SNP (Single Nucleotide Polymorphism, variações pontuais encontradas ao longo do DNA, isto é, são diferenças em um único nucleotídeo) etc. Atividade 5 A fluorometria é uma técnica utilizada para quantificar o DNA/RNA extraído, baseada na medição da fluorescência emitida por um agente fluorescente. Com base nesse contexto, qual das alternativas descreve corretamente a relação entre a fluorescência e a quantidade de material genético? A Quanto maior a fluorescência, menor a quantidade de DNA/RNA. B A fluorescência é independente da quantidade de material genético. • • • • C Quanto maior a fluorescência, maior a quantidade de DNA/RNA. D A fluorescência está relacionada à pureza do material genético, não à quantidade. E A fluorescência é utilizada apenas para quantificar RNA, não DNA. A alternativa C está correta. A fluorescência emitida pelo agente fluorescente é diretamente proporcional à quantidade de DNA/RNA presente na amostra, ou seja, quanto maior a fluorescência, maior a quantidade de material genético. Caso prático Mariana, 28 anos, procurou atendimento médico após apresentar sintomas gripais, como febre, tosse seca e dor de garganta. Ela também mencionou que teve contato recente com uma pessoa que testou positivo para covid-19. O médico solicitou que Mariana realizasse o exame de RT- PCR para diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2. Para o teste de RT-PCR, o laboratório precisou realizar a extração do RNA viral presente nas amostras respiratórias de Mariana, coletadas através de um swab nasofaríngeo. O processo de extração é uma etapa crítica na qualidade e na integridade do material genético, o que impacta diretamente na precisão do diagnóstico molecular. No laboratório, a equipe de biologia molecular seguiu um protocolo rigoroso para a extração do RNA. Primeiramente, as amostras foram tratadas com uma solução lítica para quebrar as células e liberar o material genético. A extração foi realizada utilizando uma coluna de sílica, que possui afinidade específica para o RNA. Após a purificação, o RNA foi eluído e quantificado para garantir a adequação da amostra para a realização do PCR. Durante a análise, o laboratório observou que o RNA extraído estava com boa qualidade, sem sinais de degradação. A RT-PCR foi realizada, e a amplificação do RNA do SARS- CoV-2 foi positiva, confirmando o diagnóstico de covid-19 em Mariana. O médico prescreveu o tratamento adequado, e ela foi orientada sobre as medidas de isolamento para evitar a transmissão do vírus. Questão 1 Durante a extração de DNA da amostra biológica da paciente com infecção viral, o laboratório utilizou uma solução de fenol/clorofórmio para purificação. Com base nisso, qual é a principal função dessa solução no processo de extração de DNA? A Eliminar contaminantes como lipídios e proteínas, deixando o DNA purificado. B Realizar a lise celular, quebrando as membranas celulares para liberar o DNA. C Precipitar o RNA da amostra, deixando apenas o DNA solúvel. D Inibir a ação de enzimas como a DNase, para evitar a degradação do DNA. E Acelerar o processo de separação do DNA devido à sua alta temperatura. A alternativa A está correta. A solução de fenol/clorofórmio é comumente usada durante o processo de extração de DNA para remover proteínas, lipídios e outros contaminantes da amostra. O fenol separa as proteínas para a fase orgânica, enquanto o DNA, que permanece na fase aquosa, é purificado para análises posteriores. Essa etapa é importante para garantir a qualidade do DNA extraído, livre de impurezas que poderiam interferir em testes moleculares, como PCR ou sequenciamento. Questão 2 No caso de Mariana, a extração de DNA foi realizada com sucesso e a amostra foi considerada adequada para as análises moleculares. Considerando essa afirmação, quais são os principais fatores que influenciam a qualidade de uma amostra de DNA para ser utilizada em análises laboratoriais? Chave de resposta Os principais fatores que influenciam a qualidade de uma amostra de DNA incluem: Pureza: a amostra de DNA deve ter uma alta razão entre as absorbâncias a 260 nm e 280 nm, idealmente em torno de 1,8 a 2,0, indicando a presença mínima de contaminantes como proteínas ou fenol. Integridade: o DNA deve estar intacto, sem fragmentação significativa, o que pode ser verificado por eletroforese em gel. Concentração: a quantidade de DNA deve ser suficiente para as análises que serão realizadas, sendo determinada pela quantificação usando espectrofotometria ou fluorometria. Ausência de contaminantes: substâncias como RNA, proteínas e compostos fenólicos podem interferir nas análises, por isso a amostra deve ser limpa de tais contaminantes. • • • • Questão 3 No caso de Mariana, foi realizada a extração de DNA de uma amostra respiratória. Após a extração, a amostra foi quantificada utilizando um espectrofotômetro, e o valor da razão entre as absorbâncias a 260 nm e 280 nm foi de 2.0. O que esse valor indica sobre a qualidade da amostra e por que ela está adequada para as análises moleculares subsequentes? Chave de resposta A razão entre as absorbâncias a 260 nm e 280 nm de 2.0 indica que a amostra de DNA é de boa qualidade. Essa razão é um padrão ideal, ou seja, a amostra contém uma quantidade mínima de contaminantes, como proteínas ou outros compostos, que absorvem a 280 nm. Valores próximos de 2.0 indicam que a amostra está suficientemente pura para ser utilizada em análises moleculares, como PCR ou qPCR, sem riscos consideráveis de interferência nas reações. Isso confirma que a extração foi realizada de maneira eficaz, preservando a integridade do material genético e possibilitando a realização de experimentos subsequentes com precisão. Acompanhe no vídeo a seguir a explicação do caso prático e a resolução das questões. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. 3. Conclusão Considerações finais O que você aprendeu neste conteúdo? A aplicação do método científico, por meio do desenho experimental, é essencial para reprodutibilidade e a confiabilidade dos resultados em estudos moleculares. A definição devidamente elaborada de hipóteses, variáveis e critérios de análise orienta todas as etapas do experimento, assegurando que a relação causa-efeito possa ser avaliada corretamente. A coleta, o transporte e o armazenamento adequado das amostras são fundamentais para evitar degradações e garantir a viabilidade do DNA ou RNA. Devido à sua instabilidade e suscetibilidade às RNases, o RNA requer cuidados específicos, como o uso de tubos RNase-free e congelamento rápido. A escolha dos anticoagulantes, soluções de preservação e reagentes livres de contaminantes interfere diretamente na qualidade do material extraído. As técnicas de extração de DNA e RNA possuem diferenças fundamentais, especialmente no pH das soluções e no manuseio das enzimas degradadoras. A análise por fluorometria e espectrofotometria avalia a quantidade e pureza dos ácidos nucleicos, influenciando o sucesso das etapas posteriores. A eletroforese é essencial para verificar se o DNA ou RNA está íntegro, condição indispensável para a eficácia das análises moleculares. A conversão de RNA em cDNA amplia as possibilidades de análise, especialmente em estudos de expressão gênica e em testes de RNA viral. O cumprimento rigoroso dos POPs e das normas de biossegurança evita erros, contaminações e garante resultados fidedignos em diagnósticos e pesquisas. Explore + Confira as indicações que separamos paravocê! Assista no YouTube: Como é feito um Teste de DNA? Eletroforese horizontal de DNA em gel de agarose. • • • • • • • • • • • • Leia: Aprenda a fazer extração de DNA em Casa da Ciência, Hemocentro da FMRP-USP, e conheça a técnica de extração utilizando cebola e materiais que temos dentro de casa. Coleta, transporte e armazenamento de amostras para diagnóstico molecular, de Murilo Rezende Melo e colaboradores (2010). Referências AL SOUD, W. A.; RADSTROM, P. Purification and characterization of PCR-inhibitory components in blood cells. J. Clin. Microbiol, v. 39, p. 485-93, 2001. AUSUBEL, F. M. Current protocols in molecular biology ‒ 1987-1988. Hoboken, NJ: John Wiley & Sons, 1987. BELOTSERKOVSKII, B. P. et al. Polypropylene tube surfaces may induce denaturation and multimerization of DNA. Science, v. 271, p. 222, 1996. FEIGELSON, H. S. et al. Determinants of DNA yield and quality from buccal cell samples collected with mouthwash. Cancer Epidemiology and Prevention Biomarkers, v. 10, n. 9, p. 1005-1008, 2001. GUBLER, U.; HOFFMAN, B. J. A simple and very efficient method for generating cDNA libraries. Gene, v. 25, n. 2-3, p. 263-269, 1983. LAZAR, J.; FENG, J. H.; HOCHHEISER, H. Research methods in human-computer interaction. Burlington, Massachusetts: Morgan Kaufmann, 2017. MELO, M. R. et al. Coleta, transporte e armazenamento de amostras para diagnóstico molecular. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 46, n. 5, p. 375-381, 2010. MULLEGAMA, S. V. et al. Nucleic Acid Extraction from Human Biological Samples. In: WALKER, J. M. Methods in Molecular Biology. New Jersey: Humana Press, 2019. NUOVO, G. J. In situ detection of PCR-amplified DNA and cDNA: a review. Journal of Histotechnology, v. 17, n. 3, p. 235-246, 1994. OLIVEIRA, M. C. de S. et al. Fundamentos teórico-práticos e protocolos de extração e de amplificação de DNA por meio da técnica de reação em cadeia de polimerase. Embrapa Pecuária Sudeste - Livro científico, 2007. RODRIGUES JR., J. F. Pesquisa Experimental. 2018. Escrita Científica USP, s. d. SANTELLA, R. M. Approaches to DNA/RNA extraction and whole genome amplification. Cancer Epidemiology and Prevention Biomarkers, v. 15, n. 9, p. 1585-1587, 2006. • • SHOKERE, L. A.; HOLDEN, M. J.; JENKINS, G. R. Comparison of fluorometric and spectrophotometric DNA quantification for real-time quantitative PCR of degraded DNA. Food control, v. 20, n. 4, p. 391-401, 2009. VISVIKIS, S.; SCHLENCK, A.; MAURICE, M. DNA extraction and stability for epidemiological studies. Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (CCLM), v. 36, n. 8, p. 551-555, 1998. Isolamento de ácidos nucleicos 1. Itens iniciais Objetivos Introdução 1. Introdução ao isolamento dos ácidos nucleicos Desenho experimental Conteúdo interativo Observação Questionamento Formulação da hipótese Experimentação Análise dos resultados Conclusão Definir a relação causa-efeito Planejamento Execução Análise e interpretação Formular as conclusões Atividade 1 Variáveis, hipóteses e erros no desenho experimental Conteúdo interativo Variável dependente e independente Variáveis independentes Variáveis dependentes Hipótese nula e hipótese alternativa Tipos de erros Erro Tipo 1 (falso positivo) Erro Tipo 2 (falso negativo) Seleção de participantes Amostragem não probalística Amostragem probalística Amostragem aleatória simples Amostragem sistemática Atividade 2 Coleta, transporte e armazenamento de amostras biológicas Conteúdo interativo Coleta da amostra Identificação e cadastro Armazenamento e transporte Impacto da fase pré-analítica nos resultados Falso negativo Falso positivo Extração de DNA Extração de RNA Sangue e aspirado de medula óssea Comentário Sangue total Plasma Amostras congeladas Atenção Amostra de tecidos Dica Células bucais Extração de RNA Extração de DNA Coleta de líquido cefalorraquidiano (líquor ou LCR) Atividade 3 Caso prático Conteúdo interativo 2. Extração e quantificação do material genético Extração do DNA e do RNA a partir das amostras coletadas Conteúdo interativo Atenção Atividade 1 Procedimentos de extração de DNA Conteúdo interativo Atenção Adição de solvente orgânico Fase aquosa: DNA Fase orgânica Solução concentrada de NaCl Coluna de adsorção do DNA Curiosidade Relembrando Primeira etapa Segunda etapa Terceira etapa Comentário Rompimento das membranas Desnaturação de proteínas e remoção de RNA Separação do DNA de outros componentes celulares Precipitação e purificação do DNA Ressuspensão do DNA Atividade 2 Procedimentos de extração de RNA Conteúdo interativo Fase 1 Fase 2 Fase 3 Extração de DNA/RNA Adição de solução fenol/clorofórmio Separação da fase orgânica por centrifugação Adição de acetato de amônio e etanol absoluto Ressuspensão e armazenamento do material genético extraído Atividade 3 Armazenamento do DNA e do RNA purificados Conteúdo interativo Atividade 4 Quantificação, análise de pureza e integridade do material Conteúdo interativo Quantificação Pureza Exemplo Etapa 1 Etapa 2 Etapa 3 Etapa 4 Integridade Comentário Bandas bem definidas Bandas com arraste Síntese de cDNA Comentário RNA molde Transcriptase reversa Nucleotídeos (A, T, C, G) Íon bivalente de magnésio (Mg2+) Primers DNA polimerase Oligo dt Randômico Específico Atividade 5 Caso prático Conteúdo interativo 3. Conclusão Considerações finais O que você aprendeu neste conteúdo? Explore + Referênciassiga critérios lógicos e organizados em busca de respostas confiáveis. Com base nisso, qual ação representa corretamente uma etapa do desenho experimental? A Escolher um reagente com base em preferências pessoais. B Registrar as conclusões sem considerar os dados obtidos. C Formular hipóteses depois da execução para justificar os resultados. D Estabelecer o problema e os objetivos antes de iniciar o experimento. E Repetir o experimento diversas vezes para gerar diferentes resultados. A alternativa D está correta. Uma das etapas iniciais do desenho experimental é definir o problema a ser investigado, os objetivos do estudo e o que se pretende alcançar. Esse direcionamento inicial orienta as demais fases do experimento, desde o planejamento até a análise dos dados e formulação de conclusões, sendo essencial para garantir clareza, foco e reprodutibilidade na pesquisa. Variáveis, hipóteses e erros no desenho experimental Neste vídeo, vamos falar sobre variáveis dependentes e independentes, hipóteses nula e alternativa, erros do tipo 1 e 2, além de estratégias de amostragem e sua importância na construção de experimentos confiáveis. Confira! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Variável dependente e independente O que são variáveis dependentes e independentes? Para responder a essa pergunta, aprenderemos alguns conceitos essenciais para o desenho experimental. Sempre que fazemos um experimento, queremos verificar os seus resultados. Todos os resultados (outputs) são originados a partir das entradas do experimento (inputs). Considerando a necessidade de se extrair o DNA com sucesso, o input será o material coletado, por exemplo, o raspado da face interna da bochecha, e o output será o DNA extraído desse material. Entradas Correspondem a todos os valores inseridos em determinado modelo, ou seja, em um modelo experimental em que valores são dados, as entradas são estes valores. Extração de DNA. Os inputs podem ser influenciados por diferentes fatores, chamados de variáveis. Elas são agrupadas em dois grupos: Variáveis independentes São aquelas que podemos controlar e modificar, e possuem certo efeito sobre a variável dependente. Variáveis dependentes São aquelas que medem o efeito do que está sendo avaliado e dependem da variável independente. O experimento será medir a concentração plasmática do colesterol. As variáveis independentes, ou seja, as que são possíveis controlar, seriam: “Fiz jejum? Me alimentei bem? Usei algum medicamento nos últimos dias?” Essas perguntas influenciarão diretamente no resultado do colesterol encontrado, ou seja, na variável dependente, que nesse caso é a concentração de colesterol dosada no soro. Hipótese nula e hipótese alternativa Após os resultados do experimento, baseando-se nos dados coletados e processos realizados, como garantir que o dado obtido em uma amostra pode ser generalizado para toda a população e verificar se a hipótese inicial estava correta? Para tentar responder a essas perguntas, os cientistas utilizam modelos estatísticos e testes de hipóteses para analisar os dados e testar a validade desses resultados. Por meio da inferência estatística, os testes de hipótese são utilizados para tomar a decisão de aceitar ou rejeitar uma hipótese estabelecida no início do desenho experimental. Existem dois tipos de hipótese: Vamos entender melhor a partir de um exemplo! Para provar que existe um padrão, ou seja, uma relação causa-efeito, vamos estudar se, ao falar com um papagaio, ele repete exatamente o que falamos. Nesse caso, a hipótese inicial, aquela que se deseja provar, é que o papagaio repete o que falamos. Para isso, o experimento será falar várias vezes para o papagaio a palavra Vasco e observar o que ele diz. Como resultado, podemos esperar que ele repita a mesma palavra Vasco ou não (Flamengo, ou qualquer outra palavra diferente de Vasco). Assim, teremos duas hipóteses: Hipótese nula: aquela em que não há relação causa- efeito, que ele não repete o que falamos, ou seja, ao ouvir Vasco, ele diz Flamengo. Quando isso acontece, dizemos que a H₀ é verdadeira. Hipótese alternativa: aquela que confirma a relação causa- efeito, em que ele repete o que estamos falando, ao ouvir Vasco, ele repete Vasco. Nesse caso, rejeitamos a H₀ e a H1 é verdadeira. Tipos de erros Todos os experimentos e análises de resultados são passíveis de erros de interpretação e/ou do processo realizado. Os erros são causados quando temos uma interpretação errônea dos dados, o que nos leva a rejeitar uma hipótese verdadeira (falso positivo) ou não rejeitar uma hipótese falsa (falso negativo). Os erros podem ser classificados como tipo 1 e 2, de acordo com a hipótese que será rejeitada. Veja o quadro a seguir. Hipótese nula Indica que não há uma relação causa- efeito. Hipótese alternativa Indica que existe uma relação causa- efeito, ou seja, rejeita a hipótese nula. • • A hipótese nula é verdadeira A hipótese nula é falsa Decisão Decidimos rejeitar a hipótese nula. Erro tipo 1 (rejeição de uma hipótese nula verdadeira) Decisão correta Aceita-se a hipótese nula. Decisão correta Erro tipo 2 (não rejeição ou aceitação de uma hipótese nula falsa) Eldio dos Santos. Para facilitar a compreensão, vamos retomar o exemplo do papagaio: 1 Erro Tipo 1 (falso positivo) Falamos a palavra Vasco para o papagaio, mas ele responde Flamengo ou outra palavra. Aqui, a H₀ (não há relação causa-efeito) é verdadeira, pois o papagaio não está repetindo a palavra. No entanto, se acreditarmos que há uma relação e rejeitarmos H₀, cometemos um Erro Tipo 1. 2 Erro Tipo 2 (falso negativo) Falamos Vasco e o papagaio repete realmente a mesma palavra, mas por engano entendemos Asco. A H₀ (o papagaio não repete a palavra) seria falsa, pois ele repetiu corretamente. No entanto, se aceitarmos H₀ por termos ouvido errado, cometemos um Erro Tipo 2. Esses conceitos podem ser utilizados em qualquer desenho experimental e são muito comuns na área médica, principalmente em testes de diagnóstico clínico, nos quais kits de diagnóstico demonstram resultado positivo para uma doença inexistente ou resultado negativo, quando, na verdade, há presença de doença. Seleção de participantes A seleção dos participantes, população de estudo, deve ser a mais representativa possível, para termos menor chance de errar ao generalizar os resultados. A seleção de participantes de um estudo também pode ser chamada de amostragem, que pode ser não probabilística ou probabilística. Amostragem não probalística A seleção dos participantes não é aleatória, ou seja, não segue um critério de probabilidade e depende do julgamento do pesquisador. Pode ocorrer por conveniência, escolhendo indivíduos mais acessíveis, ou por julgamento, considerando características específicas. Amostragem probalística Ocorre quando cada elemento da população possui a mesma probabilidade de ser selecionado para compor a amostra. Nesse caso, a probabilidade da seleção de cada participante é conhecida. Por exemplo, em uma amostra aleatória simples com 10 participantes, a chance de um deles ser escolhido é 1/10, ou seja, 10%. A amostragem probabilística pode ser aleatória simples ou sistemática. Entenda melhor a seguir. Amostragem aleatória simples Os participantes são selecionados aleatoriamente em uma determinada população. Em uma população de 12 participantes, eu escolho 9 de forma aleatória (ao acaso). Isso poderia ser realizado por sorteio, por exemplo. Ilustração de uma amostragem aleatória simples. Amostragem sistemática O primeiro participante é selecionado a partir de um número preestabelecido e os outros participantes são escolhidos seguindo um mesmo coeficiente. Por exemplo, em uma população com 13 participantes, vamos padronizar um coeficiente de 3. Além disso, vamos utilizar a fórmula 1 + (K x N), em que K é meu coeficiente e N o número do participante. Se definimos o primeiro participante como o número 1 (poderia ser qualquer outro), quaisseriam os outros participantes? O segundo participante será o número 1 + o coeficiente (3) X a quantidade de participantes já escolhidos, assim teríamos 1 + 3 (coeficiente) X 1 (número já selecionado). Ou seja, o participante seria o número 4. O terceiro participante será o número 1 + 3 x 2 = 7. O quarto 1 + 3 x 3 = 10. O quinto 1 + 3 x 4 = 13, fechando, assim, a amostra. Ilustração de uma amostragem sistemática. Com os conceitos básicos sobre desenho experimental estabelecidos, podemos seguir para as próximas etapas da fase pré-analítica do isolamento de ácidos nucleicos. Os conceitos aprendidos aqui são valiosos e podem ser utilizados em qualquer situação da vida, seja ela profissional ou do cotidiano. Atividade 2 • • • • Ao elaborar um experimento, precisamos compreender como os elementos controlados e os resultados observados se relacionam entre si. Qual das alternativas apresenta corretamente o papel de uma variável independente? A Aquela que representa o desfecho do experimento. B Um elemento manipulado que influencia a resposta observada. C O dado que surge da observação dos resultados. D Um fator que depende das análises estatísticas finais. E O número de participantes obtido após a coleta dos dados. A alternativa B está correta. Variáveis independentes são elementos que o pesquisador pode controlar ou modificar durante o experimento, com o objetivo de avaliar o impacto dessas mudanças sobre as variáveis dependentes, que são os resultados observáveis. Essa distinção ajuda a compreender a relação de causa e efeito dentro de um desenho experimental. Coleta, transporte e armazenamento de amostras biológicas Este vídeo mostra os cuidados na coleta, no transporte e no armazenamento de amostras biológicas para testes moleculares, com foco nos tipos de amostras, anticoagulantes, estabilização, temperaturas e riscos pré-analíticos. Confira! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O mercado dos testes moleculares está em intensa expansão. O marketing feito pelos laboratórios, as divulgações promovidas por celebridades, as regulações nos preços dos testes, o desenvolvimento de marcadores e os kits acessíveis, entre outros fatores colaboram para o crescimento desse ramo de mercado. São várias as empresas que fazem testes utilizando material genético para diferentes fins, por exemplo, indicar a ancestralidade e a origem genética, e apontar marcadores genéticos para doenças, além dos testes laboratoriais para diversos tipos de infecções (incluindo covid-19). Os testes moleculares são frequentemente associados à precisão absoluta, seja por utilizarem tecnologia de ponta, pela forma como são divulgados ou pelo seu caráter técnico e complexo, distante do senso comum. No entanto, é um equívoco pensar que seus resultados são infalíveis. Assim como qualquer outro exame laboratorial, os testes genéticos estão sujeitos a erros, e a maioria desses erros ocorre na fase pré- analítica. O que é a fase pré-analítica? Compreende todas as etapas que antecedem a análise laboratorial propriamente dita, incluindo: Coleta da amostra A obtenção do material biológico deve seguir protocolos rigorosos para evitar contaminação ou degradação. Identificação e cadastro Todas as amostras devem estar devidamente identificadas com nome do paciente, data da coleta, assinatura do responsável pela coleta e um código numérico para dupla verificação. Armazenamento e transporte Condições inadequadas, como variações de temperatura ou tempo excessivo entre a coleta e a análise, podem comprometer a qualidade do material. Além das amostras biológicas, os testes moleculares podem ser realizados a partir de cultura de células e de microrganismos. Nesses casos, também é essencial os cuidados com a fase pré-analítica, para um resultado de qualidade. A coleta e manipulação de todas essas amostras, assim como na coleta de qualquer material biológico, deve ser realizada seguindo todas as normas de biossegurança, com utilização dos equipamentos de proteção individual, para evitar contaminação. Impacto da fase pré-analítica nos resultados Erros nesta etapa podem levar a resultados inválidos, falsos negativos ou falsos positivos, afetando a confiabilidade dos testes. Falso negativo É quando o teste não detecta o que deveria e pode ocorrer devido à degradação do material genético. Falso positivo É quando o teste indica um resultado incorretamente positivo e pode ser causado por contaminação. Alguns testes possuem critérios específicos de acordo com o procedimento realizado. Portanto, é responsabilidade do laboratório informar quais são os critérios de aceitação e exclusão de amostras para cada tipo de ensaio, garantindo a qualidade e confiabilidade dos resultados. A padronização e o controle rigoroso da fase pré-analítica são fundamentais, pois evitam erros e garantem a precisão dos exames, principalmente na biologia molecular. As amostras devem estar devidamente identificadas com o nome do paciente e data da coleta, assinatura de quem coletou e um código numérico para dupla verificação. Amostras que não estiverem identificadas corretamente ou aquelas que apresentem características que impossibilitem o teste, como a presença de hemólise no tubo de sangue, devem ser descartadas. Alguns tipos de testes possuem critérios específicos de acordo com o procedimento realizado. É obrigação do laboratório deixar evidente para os pacientes os critérios de aceitação e exclusão de amostras para cada tipo de ensaio. Hemólise Extravasamento de componentes intracelulares das hemácias para o meio extracelular, por conta de um rompimento das membranas celulares. A quantidade de material genético extraído depende diretamente do local de coleta, do número de células presentes e pode variar conforme a idade do paciente, além de depender diretamente das condições de transporte e armazenamento. Em algumas ocasiões, um resultado negativo em um exame pode ser resultado de um erro durante a fase pré-analítica, uma vez que o material genético tem que estar viável para conseguir realizar as técnicas moleculares que envolvem sua amplificação. É sempre preferível trabalhar com amostras frescas para melhorar o rendimento. Veja a seguir alguns cuidados para extração de amostras de DNA e RNA. Extração de DNA A coleta deve ser feita com atenção, pois, no organismo, existem moléculas capazes de degradar o DNA, como as desoxirribonucleases (DNases) que necessitam de íons metal para a sua atividade. Então, para inativação da enzima, pode ser necessária a utilização de agentes quelantes como o EDTA. Ela também é inativada pelo calor durante 10 minutos a 65 °C. Extração de RNA A coleta exige mais rigor, visto que o RNA é uma molécula extremamente instável e frágil, que se degrada rapidamente pela ação das ribonucleases (RNase). Essas enzimas atuam sem necessidade de cofatores, são altamente estáveis — permanecendo ativas mesmo após fervura ou autoclavagem — e estão presentes em diversos materiais biológicos, inclusive na pele humana. Por isso, é indispensável adicionar agentes estabilizadores de RNA imediatamente após a coleta. Além disso, o recipiente utilizado deve ser certificado como livre de RNases (RNase-free), estéril e sempre manipulado com luvas. Diferentes amostras biológicas podem ser coletadas para testes moleculares, incluindo sangue, escarro, tecidos e até um fio de cabelo. A partir dessas amostras, é possível analisar tanto o material genético humano (DNA/RNA) quanto o de microrganismos, detectando e quantificando vírus, bactérias e protozoários, além de investigar doenças genéticas, predisposições e até testes de paternidade. Os testes moleculares também têm aplicações forenses, como no caso do jornalista Tim Lopes, cuja identificação após o crime só foi possível com auxílio dos testes moleculares. A seguir, veremos os cuidados específicos para cada tipo de amostra destinadas à extração do DNA/RNA. Vamos lá! Sangue e aspirado de medula óssea Amostras de sanguee aspirado de medula óssea precisam ser armazenados junto a agentes anticoagulantes para manter a estabilidade da amostra, impedindo a coagulação sanguínea. Entretanto, a heparina (agente anticoagulante amplamente utilizado) é um potente inibidor de algumas técnicas moleculares, entre elas o famoso PCR (Polymerase Chain Reaction). PCR Técnica utilizada para amplificar a quantidade de material genético. É fundamental para as análises posteriores ou até pode ser utilizada como ferramenta principal de diagnóstico. Comentário A impossibilidade do uso de heparina fez com que outros anticoagulantes fossem preferíveis, sendo normalmente utilizados o EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) ou o ACD (citrato de dextrose) para essas amostras. A coleta de amostras com o anticoagulante EDTA, apesar de ser mais utilizada e indicada para amostras de sangue, também pode interferir em algumas metodologias, já que o EDTA pode inibir drasticamente a atividade da DNA polimerase se estiver em excesso. Quando o objetivo é a análise do DNA, o sangue total apresenta uma estabilidade variável, dependendo das condições de armazenamento. Entenda a estabilidade das amostras. Sangue total Estável por até 24 horas em temperatura ambiente e até 8 dias entre 2 °C e 8 °C. Plasma Estável por 5 dias entre 2 °C e 8 °C, mas pode ser armazenado por mais tempo se congelado. Amostras congeladas Devem evitar ciclos de congelamento e descongelamento para preservar a integridade do material genético. Para RNA viral, o sangue deve ser centrifugado em até 4 horas após a coleta e o plasma transferido para um tubo estéril livre de RNases. Além disso, para a extração de RNA após a coleta, esta deve ser colocada imediatamente em solução estabilizante de RNA. Caso não tenha essa solução e não seja congelada, ela deve ser transportada em gelo seco e analisada em até 4 horas. Para as amostras de aspirado de medula óssea, a seringa deve conter EDTA e, após a coleta, o aspirado pode ser armazenado por até 72 horas na temperatura de 2 °C a 8 °C. Caso seja necessário maior tempo para o processamento, os eritrócitos precisam ser removidos e a amostra congelada a -20 °C, assim a estabilidade do material permanece por meses. Atenção A amostra só pode ser congelada após a remoção dos eritrócitos. A remoção dos eritrócitos deve ser feita com cuidado para evitar a hemólise, pois a liberação do grupamento heme contido nas hemácias pode comprometer os resultados e inibir a PCR. Vale ressaltar que amostras com hemólise não são adequadas para testes moleculares. Amostra de tecidos Essas amostras são preferíveis quando os agentes etiológicos estão alojados no tecido e/ou o diagnóstico das possíveis infecções seja difícil por meio da simples coleta de sangue. Além disso, essas amostras são as de escolha durante as autópsias e para a análise de tecidos tumorais para comparar o DNA das células tumorais com as normais. Para garantir uma boa análise, é recomendado coletar de 1 g a 2 g de tecido-alvo. No entanto, a quantidade pode variar conforme o tecido. Apenas para termos uma ideia, 10 mg de tecido fornece cerca de 10 µg de material genético. Essa quantidade já é suficiente para análise, mas sempre devemos trabalhar com uma margem de segurança, pois possíveis perdas de material podem ocorrer. Para tecidos, o ideal, após a coleta por biópsia, é o rápido congelamento em nitrogênio líquido (-196 °C) ou manter esse tecido em solução de preservação de ácidos nucleicos. Não é recomendável manter esse tipo de material em temperatura ambiente por muito tempo. Amostras pequenas devem ser embrulhadas em gazes umedecidas com salina para evitar ressecamento, além da solução de preservação de ácidos nucleicos. Tecidos sólidos apresentam muitas endonucleases e devem ser processados ou congelados o mais rápido possível! Tecidos de biopsia embebidos em fixadores utilizados para a preservação de tecidos para exame histopatológico não devem ser empregados para os exames de biologia molecular. A estabilidade do tecido depende do tipo de tecido coletado. Observe no quadro a seguir a estabilidade do DNA em diferentes formas de armazenamento. Condições Mantido em banho de gelo triturado ou refrigerado em temperatura entre 2 °C e 8 °C Até 24 h Condições Congelado a -20 °C Duas semanas Congelado a -70 °C Dois anos Eldio dos Santos. Se houver impossibilidade de congelar ou usar a solução preservadora, a amostra deve permanecer em ambiente com gelo, inclusive no transporte e ser processada em 24 horas para o isolamento do DNA. Quando a amostra for coletada para a extração do RNA, essa amostra deve ser rapidamente congelada em nitrogênio líquido (-196 °C) antes de ser congelada a -70 °C, processada em no máximo uma hora após a coleta ou colocada em solução estabilizadora do RNA. No momento da extração, as amostras não podem ser descongeladas, e sim homogeneizadas diretamente em solução adequada para a extração (chamado agente de extração, geralmente isotiocianato de guanidina). Os tubos de coleta também devem ser livres de RNases, estéreis, e manipulados apenas com luvas, para evitar a degradação do RNA. Dica Normalmente, em temperatura de -20 °C, as RNases ainda estão ativas, assim, é recomendado manter as amostras para análise de RNA em temperaturas inferior ou igual a -70 °C. Células bucais A coleta das células bucais para a extração de DNA ou RNA pode ser realizada por meio de um raspado de células da parte interna da boca utilizando um swab (cotonete estéril, específico para coleta de exames microbiológicos) ou a partir do bochecho. Extração de RNA A amostra deve ser inserida em um tubo contendo solução estabilizante de RNA. Extração de DNA As amostras podem ser secas ou estabilizadas e transportadas à temperatura ambiente. As amostras estabilizadas dentro do tubo possuem validade de até uma semana em temperatura ambiente, podendo ser transportadas sem maiores cuidados. Alguns swabs mais longos também podem ser utilizados para coletar material presente na orofaringe e na nasofaringe para o diagnóstico de algumas doenças, em que o agente infectante colonize as vias respiratórias, como o novo coronavírus e o vírus influenza. Durante a pandemia da covid-19, a testagem em massa popularizou o uso de kits de coleta domiciliar, facilitando o diagnóstico de infecções respiratórias. Atualmente, as empresas enviam os kits de coleta para o paciente realizar o procedimento em casa: o swab deve ser esfregado na parte interna da bochecha, cerca de 10 vezes de cada lado e, em seguida, inserido no tubo que vem no kit contendo a solução estabilizante. Existem alguns erros comuns que ocorrem nesse tipo de abordagem. Vamos conhecê- los! Descartar a solução estabilizante. Não identificar corretamente o tubo de coleta. Contaminar o swab com restos de alimentos, batom ou outros resíduos. Além disso, recomenda-se evitar a coleta logo após as refeições, pois não é raro que as amostras encaminhadas para o laboratório contenham DNA de alimentos, o que pode comprometer a análise destinada à detecção de DNA humano. Coleta de líquido cefalorraquidiano (líquor ou LCR) O LCR quando coletado para análise do DNA deve ser coletado em frascos estéreis, transportado na temperatura de 2 °C a 8 °C e, caso não seja processado rapidamente, congelado na temperatura a partir de -20 °C. Para análise de RNA, se o processamento não for realizado em até 4 horas, essa amostra deve ser congelada. No entanto, caso a amostra tenha eritrócitos, eles devem ser removidos antes do congelamento. No quadro a seguir, vamos reforçar as principais recomendações para coleta, armazenamento e transporte dos materiais biológicos, visando à preservação da amostra e à confiabilidade dos resultados. Amostra Coleta Armazenamento Transporte Sangue EDTA ou ACD (evitar heparina) 24 h (ambiente), 8 dias (2-8 °C); Meses (- 20 °C) Refrigerado (2-8 °C); Congelado (evitar descongelamento)Plasma Separação em até 4 h (RNA viral) 5 dias (2-8 °C) ou congeladoAspirado de medula EDTA, inclusive na seringa 72 h (2 °C a 8 °C) Meses (-20 °C) Tecido 1-2 g; manter úmido para evitar ressecamento 24 h (Gelo ou 2 °C e 8 °C) Duas semanas (-20 °C ) Anos (-70 °C ou 196 °C) Evitar temperatura ambiente Solução de preservação ou Congelado • • • Células bucais Swab/bochecho; evitar contaminação (alimentos, batom) DNA: seco ou estabilizado 1 semana (ambiente); RNA: em solução estabilizante DNA: Temperatura ambiente; RNA: Refrigerado ou congelado LCR Frasco estéril DNA 24 h (2-8 °C) ou Meses (-20 °C) RNA 4 h (2-8 °C) ou meses (-70 °C) Refrigerado ou congelado Nathalia Martins. Em um passado recente, pensar nesse tipo de tecnologia de diagnóstico era deixado para filmes de ficção científica, aqueles em que um médico high-tech coleta o sangue do paciente, passa em uma máquina e depois de alguns segundos um papel é impresso indicando todas as doenças e quais os medicamentos utilizar. Hoje, esse tipo de abordagem é real, ou pelo menos bem parecido com filmes, pois a população tem acesso aos testes de forma mais fácil e barata. É importante ressaltar que, no Brasil, existem algumas empresas com esse perfil. Atividade 3 A detecção do vírus de RNA em testes moleculares pode ser comprometida quando há a presença de hemólise em amostras de sangue, dificultando a obtenção de resultados confiáveis. Assinale a alternativa que explica o efeito da hemólise. A A hemólise libera hemoglobina, que pode inibir a PCR e comprometer a amplificação do RNA viral. B A hemólise pode degradar o RNA viral e liberar enzimas intracelulares que interferem na extração do material genético. C A presença de hemoglobina e outros componentes celulares liberados pela hemólise pode afetar a pureza do RNA extraído, reduzindo a eficiência da PCR. D A hemoglobina presente na amostra pode alterar a fluorescência dos reagentes utilizados na PCR, comprometendo a detecção do RNA viral. E A hemólise pode indicar degradação da amostra, tornando-a inadequada para testes moleculares e aumentando o risco de resultados inconclusivos. A alternativa A está correta. A hemólise ocorre quando os glóbulos vermelhos se rompem, liberando hemoglobina e outras substâncias no plasma ou soro. A hemoglobina pode atuar como um inibidor da PCR (reação em cadeia da polimerase), interferindo na ação da DNA polimerase e reduzindo a eficiência da amplificação do material genético. Além disso, a hemoglobina pode afetar a qualidade da extração do RNA viral, dificultando a obtenção de um material puro e íntegro para análise molecular. Caso prático Um laboratório clínico recebeu uma solicitação para realizar testes moleculares para a detecção de um vírus de RNA a partir de amostras biológicas de pacientes sintomáticos. Para garantir a confiabilidade dos resultados, a equipe seguiu rigorosos protocolos de coleta, transporte e armazenamento das amostras. A coleta foi realizada utilizando dois tipos de material biológico: sangue e secreção nasofaríngea. As amostras de sangue foram colhidas em tubos contendo EDTA, um anticoagulante que ajuda a evitar a coagulação sem interferir nas análises moleculares. Já os swabs nasofaríngeos foram coletados com hastes estéreis e imediatamente imersos em meio de transporte viral (MTV), para preservar o material genético até a etapa de extração. Após a coleta, as amostras foram cuidadosamente transportadas em caixas térmicas contendo gelo seco para evitar a degradação do RNA, altamente instável e suscetível à ação de ribonucleases. O transporte foi realizado dentro do tempo recomendado, garantindo que todas as amostras chegassem ao laboratório com qualidade preservada. No laboratório, as amostras de sangue passaram por centrifugação para separação do plasma, que foi armazenado a -80 °C até o processamento. As amostras de swab foram mantidas a -70 °C, para manter a integridade do RNA viral até o momento da extração. Para evitar qualquer risco de contaminação ou degradação, os pesquisadores trabalharam em ambiente controlado, utilizando materiais e reagentes livres de RNases e adotando todas as medidas de biossegurança necessárias. O RNA foi extraído imediatamente das amostras frescas ou dos estoques congelados, seguindo protocolos padronizados para obter resultados confiáveis. Com isso, a equipe assegurou a viabilidade do material genético para a realização dos testes moleculares, contribuindo para um diagnóstico preciso e confiável. Questão 1 Considerando o caso prático, qual é a principal razão para armazenar as amostras de swab e plasma a temperaturas inferiores a -70 °C antes da extração do RNA? A Evitar a contaminação por microrganismos ambientais. B Impedir a coagulação do sangue coletado. C Prevenir a degradação do RNA por ribonucleases (RNases). D Melhorar a eficiência da extração de DNA. E Preservar a estabilidade do RNA viral até a realização dos testes moleculares. A alternativa C está correta. A degradação do RNA ocorre rapidamente devido à presença de ribonucleases (RNases), que permanecem ativas mesmo em baixas temperaturas. O armazenamento a -70 °C ou inferior preserva a integridade do RNA até a análise. Questão 2 Como as etapas de coleta, transporte e armazenamento das amostras biológicas influenciam a confiabilidade dos testes moleculares para a detecção do vírus de RNA, considerando os desafios do laboratório clínico no caso apresentado? Chave de resposta As etapas de coleta, transporte e armazenamento das amostras biológicas são fundamentais para a confiabilidade dos testes moleculares na detecção do vírus de RNA, especialmente devido à alta instabilidade desse material genético. No caso, o laboratório clínico adotou protocolos rigorosos para minimizar os riscos de degradação e contaminação, assegurando a qualidade das amostras até o processamento. Na fase de coleta, a escolha do material biológico adequado foi fundamental: o sangue foi armazenado em tubos com EDTA para evitar coagulação sem interferir na análise molecular, enquanto os swabs nasofaríngeos foram imediatamente imersos em meio de transporte viral (MTV) para preservar o RNA viral. Durante o transporte, o uso de caixas térmicas com gelo seco manteve as amostras em temperaturas baixas, reduzindo a ação de ribonucleases que poderiam degradar o RNA. O tempo de transporte também foi controlado para evitar exposição prolongada a condições inadequadas. No armazenamento, as amostras foram mantidas em temperaturas ultra baixas (-70 °C para swabs e -80 °C para plasma), garantindo a integridade do RNA até o momento da extração. Além disso, a equipe seguiu protocolos rígidos de biossegurança e utilizou reagentes livres de RNases, prevenindo contaminação e degradação. Questão 3 Durante o processamento de amostras para testes moleculares, por que é importante utilizar materiais e reagentes livres de RNases e adotar práticas rigorosas de biossegurança? Como podemos relacionar esses cuidados com a qualidade dos resultados obtidos? Chave de resposta O uso de materiais e reagentes livres de RNases é essencial porque essas enzimas, presentes no ambiente e em superfícies contaminadas, degradam rapidamente o RNA, comprometendo a integridade das amostras. Como o RNA viral é altamente instável, qualquer exposição inadequada pode levar à perda do material genético, prejudicando a amplificação e detecção nos testes moleculares. Além disso, a adoção de práticas rigorosas de biossegurança protege tanto os profissionais quanto as amostras, evitando contaminações cruzadas e interferências nos resultados. Com esses cuidados, é possível obter maior precisão e confiabilidade nos diagnósticos, especialmente em testes sensíveis como os que detectam vírus de RNA. Acompanhe no vídeo a seguir a explicação do caso prático e a resolução das questões. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. 2. Extração e quantificação do material genético Extração do DNA e do RNA a partir das amostras coletadas Neste vídeo, mostramos de forma prática e teórica como éfeita a extração de DNA e RNA, com foco nos POPs, reagentes, instrumentos e nas precauções para evitar contaminações e garantir bons resultados. Não deixe de conferir! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Agora que conhecemos todas as etapas pré-analíticas, estamos prontos para colocar a mão na massa! Vamos então estudar de fato como é feita a extração do DNA e do RNA a partir das amostras coletadas para a obtenção do nosso material genético. No entanto, antes de começarmos a estudar a extração, é interessante relembrar que qualquer técnica ou procedimento utilizado no laboratório – seja ele qual for – é como fazer um bolo, e por isso devemos seguir determinada receita. No laboratório, chamamos a receita de POP (procedimento operacional padrão) e temos que ter os ingredientes (os reagentes) e os utensílios para fazer o bolo (os materiais e instrumentos). Ler a receita e fazer o bolo é um processo mecânico, qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento e que saiba como manusear os instrumentos consegue seguir o passo a passo, e dependendo da experiência, vai conseguir ter um resultado satisfatório. No fim do procedimento, pode ser que saia um bolo maravilhoso ou pode ser que não saia. Dessa forma, percebemos que é importante saber qual é a função de cada componente do bolo para entendermos o processo como um todo. Caso o bolo saia pequeno, faltou fermento, se ele saiu seco é porque faltou leite, e assim temos uma noção de causa-efeito. O inverso também é válido: podemos saber tudo sobre como funcionam os ingredientes do bolo, o nome da levedura usada no fermento, a temperatura ideal para assar o bolo, qual a importância de cada componente na construção do bolo, mas se não soubermos como mexer o bolo ou como ligar o forno, o processo simplesmente não funciona! Assim como fazer um bolo, é de suma importância primeiro entender os conceitos teóricos da extração do DNA e depois ver como funciona o passo a passo da técnica. Atenção Após obter a amostra, é importante atenção ao local de manipulação e ao preparo dos reagentes, evitando contaminação por material genético de outros organismos ou por enzimas que possam degradar o material analisado e comprometer os resultados. Atividade 1 O fluxo laboratorial é a sequência organizada de etapas que uma amostra percorre desde sua coleta até a emissão do resultado final. A etapa de extração de DNA ou RNA é classificada em qual tipo de processo dentro do fluxo laboratorial? A Processo administrativo B Etapa pós-analítica C Etapa qualitativa D Etapa diagnóstica E Etapa pré-analítica A alternativa E está correta. A extração de DNA ou RNA é uma etapa que ocorre antes da análise propriamente dita. Ou seja, ela faz parte do preparo da amostra para que o material genético esteja disponível em quantidade e qualidade adequadas para as etapas analíticas posteriores, como PCR, sequenciamento ou hibridização. Dentro do fluxo laboratorial, essa preparação inicial é classificada como etapa pré-analítica, pois envolve o manuseio da amostra, isolamento de componentes específicos (como ácidos nucleicos) e garantia de integridade do material antes que qualquer teste ou análise seja realizado. Procedimentos de extração de DNA Neste vídeo, detalhamos o processo de extração de DNA em tecidos, incluindo ruptura celular, uso de detergentes, solventes orgânicos, purificação com etanol e aplicação prática do protocolo da Embrapa. Confira! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. As células eucariontes possuem uma membrana celular, formada por uma bicamada fosfolipídica, além de diversos elementos dispersos no citoplasma, como as proteínas, os carboidratos, as organelas, os lipídios e os elementos minerais (sódio, potássio, magnésio, cálcio, entre outros). Além disso, a célula eucarionte também possui uma membrana nuclear e dentro do núcleo estão as proteínas, DNA e RNA majoritariamente. Para extrair o DNA, precisamos separá-lo de todos esses outros componentes, considerados contaminantes, incluindo o próprio RNA. Apesar de existirem diferentes métodos de extração, algumas etapas são essenciais em qualquer protocolo. O primeiro passo é quebrar a membrana plasmática e, se houver, a parede celular (como em células vegetais e fúngicas). Isso libera o material genético para posterior purificação. Esse rompimento pode ser feito por diferentes métodos, como: Uso de detergentes que desestabilizam as membranas. Exemplo: dodecil sulfato de sódio (SDS). Abrasão física, como trituração com gral e pistilo. Frequente em amostras vegetais. Enzimas específicas que degradam a parede celular. Exemplo: lisozima para bactérias. Pressão osmótica, que provoca a ruptura celular por variação da concentração de solutos. Aquecimento, que pode desnaturar membranas e facilitar a liberação do DNA. Atenção Alguns métodos agressivos de lise podem comprometer a integridade do DNA. Por exemplo, a trituração excessiva de tecidos vegetais com gral e pistilo pode fragmentar o DNA, tornando-o inadequado para análises de PCR de fragmentos longos. Da mesma forma, o aquecimento prolongado pode levar à degradação do DNA, dificultando o sequenciamento. Para evitar esses problemas, é preciso escolher a abordagem de lise mais adequada, equilibrando eficiência na extração e preservação da estrutura do material genético. • • • • • Com o DNA exposto, é fundamental remover proteínas e RNA, pois podem interferir na análise genética. Isso é feito por meio de: Proteinases (como a proteinase K), que degradam proteínas, incluindo DNases que poderiam destruir o DNA. RNase, uma enzima que degrada o RNA, removendo essa contaminação. Após eliminar proteínas e RNA, ainda restam lipídios, carboidratos e elementos minerais. O método de remoção pode variar. Vamos conhecer a seguir as três principais formas de realizar essa etapa. Adição de solvente orgânico Podemos usar um solvente como o fenol ou o clorofórmio. É importante lembrar que já degradamos lipídeos e RNA, rompemos as membranas e, se for o caso, a parede celular. Mas o que acontece? O fenol ou clorofórmio tornam essas moléculas insolúveis, assim como os carboidratos e todos os elementos minerais. Após a adição dos solventes, seguida da centrifugação, formam-se duas fases: Fase aquosa: DNA O DNA, por não ser solúvel em fenol ou clorofórmio, permanece na fase aquosa (superior). Fase orgânica Todos os outros elementos se transferem para a fase orgânica (inferior), como proteínas, lipídeos, RNA degradado, carboidratos e outros elementos minerais solúveis em fenol/ clorofórmio. Assim, com auxílio de uma pipeta, podemos transferir a fase aquosa com o DNA para outro tubo. O RNA degradado se torna insolúvel, pois forma reações de complexação com outros elementos do citoplasma. Se estiver íntegro, ele pode ir para a fase aquosa, dependendo do pH do solvente orgânico. Solução concentrada de NaCl O cloreto de sódio concentrado é capaz de precipitar os elementos degradados do citoplasma, deixando o DNA íntegro na fase aquosa. Assim, basta centrifugar e remover a fase aquosa do pellet precipitado, ou seja, recuperar apenas o sobrenadante, pois nele estão nossas substâncias de interesse. Pellet Pequena porção precipitada de uma solução. Coluna de adsorção do DNA O DNA possui carga negativa devido à presença dos grupamentos fosfato em sua estrutura. Esse princípio é explorado para sua purificação por meio de colunas de adsorção, que contêm uma matriz carregada positivamente, geralmente feita de sílica. Quando a amostra é adicionada à coluna e submetida à centrifugação, o DNA liga-se à matriz devido à atração entre cargas opostas, enquanto outras moléculas e impurezas passam pela coluna e se depositam no fundo do tubo. Para recuperar o DNA retido, utiliza-se um tampão de eluição carregado negativamente, como Tris-HCl ou EDTA, que compete com o DNA pela ligação na matriz. Como esses tampões estão presentes em alta • • concentração, eles deslocamo DNA, que então se desprende da coluna e é coletado na solução eluída após nova centrifugação. Após a eluição, pode haver resíduos indesejados na amostra. Para garantir a pureza do DNA, utilizamos isopropanol, que precipita seletivamente o DNA, separando-o dos contaminantes solúveis. Em seguida, a amostra é centrifugada para que o DNA precipitado concentre-se no fundo do tubo, formando um pellet. Uma etapa adicional para remover eventuais impurezas é a lavagem do pellet com etanol 70%, que elimina os resíduos de sais e reagentes sem dissolver o DNA. O etanol é cuidadosamente removido, e o tubo pode ser deixado para secagem por alguns minutos. Curiosidade O pellet fica bem aderido no fundo do tubo, mesmo lavando com etanol 70% e secando, o DNA continua aderido ao tubo. A etapa final consiste na ressuspensão do DNA, ou seja, o pellet volta a ficar em solução. Para isso, basta adicionar um pequeno volume de água ou tampão de eluição e misturar delicadamente para dissolver o DNA. Ao final de todo o protocolo, teremos um tubo contendo apenas DNA puro, pronto para ser utilizado em análises moleculares. O processo de extração de DNA nos plasmídeos é bem semelhante ao processo geral de extração de DNA. No entanto, depois da lise da membrana e precipitação das proteínas citoplasmáticas, é adicionada uma solução de NaOH com pH bastante básico a ponto de desnaturar o DNA cromossomal e o também o próprio DNA plasmidial. Em seguida, é adicionada uma solução ácida neutralizadora que regenera o DNA plasmidial, mas não o cromossomal. Assim, podemos então separar por centrifugação, pois o DNA do plasmídeo fica em suspensão enquanto o DNA cromossomal precipita. Procedimento de extração de DNA em laboratório. Agora que sabemos os princípios teóricos da extração do DNA, vamos simular uma situação em que estamos no laboratório e temos que extrair o DNA de uma amostra coletada. Para isso, vamos utilizar o protocolo desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) (OLIVEIRA et al., 2007). Vamos ver se você consegue identificar e entender o passo a passo de um POP utilizado em uma situação real. Parece desafiador, mas não se assuste, vamos juntos! A primeira etapa é conferir todos os reagentes que vamos precisar. São eles: Tampão de digestão. No POP da Embrapa, o tampão de digestão é formado por NaCl 100 mM; Tris-HCl com pH 8.0 10 mM; EDTA, com pH 8.0 25 mM; SDS 0,5% (usado como detergente) e proteinase K 0,1 mg/mL.). Solução de fenol, clorofórmio e álcool isoamílico - (25:24:1). O álcool isoamílico serve para prevenir a formação de espuma quando a mistura é agitada, facilitando a separação da fase orgânica da aquosa. Microtubos de polipropileno; frascos e bastões esterilizados. Solução Tampão TE (tris-HCL 10 mM; EDTA 1 mM com pH 8.0; tris = hidroximetil aminometano). Solução em que o pH permanece em determinada faixa de pH, mesmo após a adição de substâncias ácida ou básica, a não ser que o “tamponamento” seja extrapolado). Etanol 70%; etanol absoluto; acetato de amônio 7,5 M; micropipetas de 1 mL, 200 μL, 100 μL e 10 μL. Centrífuga. Isopor com gelo. Vidraria de laboratório; banho-maria a 50 °C. Após conferirmos todo o material, vamos começar a extração do DNA de um tecido de origem animal, e que por isso não apresenta parede celular. Relembrando A amostra depois da coleta deve ser armazenada no gelo, para manter a temperatura entre 2 °C a 8 °C. Vamos entender melhor o processo de extração do DNA, acompanhe! Primeira etapa Se o tecido for duro, devemos macerar, usando um bastão de vidro, e se tiver grande quantidade de líquidos, a amostra deve ser centrifugada para remover o líquido em excesso. Na primeira etapa da extração, adicionamos o tampão de digestão, na concentração de 1,2 mL de tampão para cada 100 mg de tecido. Em seguida, devemos deixar o tubo em banho-maria a 50 °C por cerca de 8 a 16 horas, para garantir a digestão completa das membranas plasmáticas e nucleares e proteínas. No final, o material apresentará um aspecto viscoso. O tempo de incubação no banho-maria varia de acordo com o tamanho da amostra. • • • • • • • • Segunda etapa Extraímos o DNA usando fenol e precipitação dos compostos indesejáveis. Retiramos o tubo do banho-maria e, quando atingir 37 °C, adicionamos 5 μL de RNase e incubamos por 15 minutos com leve agitação. A RNase é opcional e deve ser usada se o RNA for contaminante. Em seguida, adicionamos a solução de fenol, clorofórmio e álcool isoamílico na proporção de 1:1 com a amostra, ou seja, para cada 500 μL de material, adicionamos 500 μL de solução de fenol. O pH do fenol deve ser verificado: abaixo de 7,0 degrada o DNA e o faz ir para a interface entre as fases, adequado para extração de RNA. Para DNA, o pH do fenol deve ser em torno de 7.0, e para RNA, entre 4,5 e 5,5. Após adicionar o fenol, homogeneizamos e centrifugamos o tubo por 10 minutos a 1.700 g. Com as fases aquosa e orgânica bem separadas, retiramos a fase aquosa contendo o DNA e descartamos a fase orgânica. É importante separar bem as fases, já que o fenol pode ser contaminante, então recomendamos centrifugar duas vezes. Terceira etapa Realizamos a purificação do DNA por meio da precipitação com etanol. Antes de usarmos o etanol em si, adicionamos meio volume de acetato de amônio 7,5 M e dois volumes de etanol absoluto. Nesse POP da Embrapa, o etanol é utilizado como agente precipitante do DNA, entretanto poderíamos utilizar o isopropanol também. O acetato de amônio facilita a precipitação do DNA pelo etanol e o etanol absoluto, além de concentrar o DNA, também ajuda a remover os resíduos remanescentes de fenol e clorofórmio. Centrifugamos a amostra a 1.700 g por cerca de dois minutos. Após a centrifugação, será possível visualizar o pellet bem aderido ao fundo do tubo. Removemos toda a solução alcoólica e depois vamos ressuspender o pellet em etanol 70%. Depois, centrifugamos novamente a 1.700 g por dois minutos e tiramos o sobrenadante (uma dica é deixar o tubo aberto por um tempo, para o etanol evaporar por inteiro). Agora com o pellet limpo, a fase final é a adição do tampão TE, para facilitar a dissolução do DNA, ou ainda podemos deixar o tubo em banho-maria a 50°C por algumas horas. Vale lembrar que, nesse exemplo, estamos extraindo o DNA a partir de amostras de tecidos. No entanto, existem variações do protocolo. Mesmo que a amostra também seja proveniente de tecido, o protocolo pode ser modificado, com a utilização de outros reagentes. Entretanto, esse é o procedimento básico e, em geral, usado em laboratórios para extração de DNA. Comentário A unidade de volume padroniza as quantidades em qualquer sistema. Por exemplo, considerando 500 μL de fase aquosa, meio volume equivale a 250 μL e dois volumes a 1.000 μL. Vamos agora relembrar o passo a passo do processo de extração de DNA. 1 Rompimento das membranas Quebra da parede celular (se houver), membrana plasmática e membrana nuclear. Métodos: detergentes, abrasão física, enzimas, pressão osmótica ou aquecimento. 2 Desnaturação de proteínas e remoção de RNA Adição de proteinase K para degradar proteínas. Adição de RNase para eliminar o RNA contaminante. 3 Separação do DNA de outros componentes celulares Método com solventes orgânicos (fenol/clorofórmio): separa o DNA na fase aquosa. Solução de NaCl concentrado: precipita contaminantes deixando o DNA na fase líquida. Coluna de adsorção: retém o DNA carregado negativamente, promovendo a purificação. 4 Precipitação e purificação do DNA Isopropanol ou etanol absoluto: precipita o DNA. Centrifugação para formar o pellet de DNA. Lavagem com etanol 70% para remover impurezas. 5 Ressuspensão do DNA Pode ser ressuspendido em água ou tampão de eluição (Tris-HCl ou EDTA). E assim obtemos DNA puro, pronto para as análises! Atividade 2 Após a coleta das amostras para extração de DNA e RNA, vários cuidados devem ser tomados para garantir a qualidade do material genético extraído.Considerando a importância de seguir os procedimentos • • • • • • • • • • • corretamente, qual das alternativas a seguir é a mais adequada para manter a integridade do material genético durante o processo de extração? A A utilização de reagentes de extração de DNA e RNA não precisa ser específica para cada tipo de amostra, pois os procedimentos são generalistas e funcionam bem para diferentes tipos de material biológico. B A manipulação das amostras em ambientes não estéreis pode ser realizada desde que se siga rigorosamente o procedimento operacional padrão (POP), responsável por compensar a ausência de controle ambiental. C A preparação e o manuseio das amostras devem ser feitas sempre em locais controlados e livres de contaminantes, com equipamentos adequados e reagentes preparados para evitar degradação do material genético, como a ação de RNases e DNases. DA extração de RNA pode ser feita sem a necessidade de inibidores de RNases, desde que a etapa de purificação posterior remova qualquer resíduo que possa interferir nas análises subsequentes. E A escolha de reagentes e instrumentos de uso comum, sem a necessidade de controle rigoroso de qualidade, pode ser suficiente para a extração do material genético, uma vez que a experiência do pesquisador garante a qualidade do resultado. A alternativa C está correta. A manipulação de amostras em locais controlados e com equipamentos e reagentes adequados é fundamental para preservar a integridade do material genético durante a extração. A presença de RNases e DNases podem degradar rapidamente o RNA e DNA, comprometendo as análises subsequentes. A alternativa A está incorreta, pois reagentes devem ser específicos para cada tipo de amostra para garantir uma extração eficiente. A alternativa B também está equivocada, uma vez que a contaminação do ambiente pode afetar seriamente a qualidade do material genético. A alternativa D está incorreta porque a utilização de inibidores de RNases é importante na extração de RNA para evitar a degradação. Por fim, a alternativa E falha ao subestimar a importância do controle de qualidade nos reagentes e instrumentos. Procedimentos de extração de RNA Neste vídeo, vamos apresentar as etapas da extração de RNA, destacando cuidados com RNases, uso de fenol/clorofórmio, centrifugação, formação do pellet, e diferenças entre os protocolos de DNA e RNA. Assista! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O procedimento de extração de RNA é bem parecido com o método de extração de DNA, mesmo o RNA sendo mais frágil e demandando mais cuidados. Todo material que entra em contato com a amostra deve ser tratado com soluções neutralizadoras de RNase e possuir a característica de ser RNase free. A amostra deve sempre ser refrigerada em nitrogênio líquido ou gelo para evitar a ação de alguma RNase remanescente. Vamos agora rever as três fases do protocolo de extração de DNA, ressaltando quais são as diferenças entre a extração do DNA e RNA. Fase 1 Quebra da membrana: a quebra pode ser feita de forma mecânica ao invés de utilizar o tampão de digestão, usando um pistilo, bastão ou sonicador, aparelho capaz de utilizar energia das ondas sonoras para agitar partículas. Esta técnica apresenta uma vantagem: por ser mais rápida, diminui a chance de degradação do RNA. Fase 2 Extração do RNA: não são utilizadas as RNases. A solução de fenol/clorofórmio na extração de RNA deve ter pH ácido (entre 4,5 e 5,5) para que o RNA fique na fase aquosa e o DNA fique na interface (essa fase intermediária só é formada durante a extração do RNA devido ao pH ácido). Fase 3 Purificação do RNA: é muito parecida com a do DNA, a diferença está no armazenamento: para RNA é preferível utilizar nitrogênio líquido. A seguir, apresentamos o passo a passo da extração e purificação de material genético. Extração de DNA/RNA Amostra inicial com as células digeridas. Adição de solução fenol/clorofórmio Centrifugação da amostra, formando duas fases: orgânica (em amarelo no fundo do tubo) e aquosa (em azul acima da fase orgânica). No tubo A, temos DNA e RNA dissolvidos na fase aquosa e no tubo B o DNA degradado fica na interface. Separação da fase orgânica por centrifugação A fase orgânica é descartada, permanecendo apenas a fase aquosa no tubo. Adição de acetato de amônio e etanol absoluto Após centrifugar, ocorre a formação de um pellet no fundo do tubo. Todo o líquido restante é descartado. Ressuspensão e armazenamento do material genético extraído O pellet é ressuspendido em tampão TE e agora o DNA ou RNA pode ser armazenado. Atividade 3 Durante a extração de RNA, a solução de fenol/clorofórmio é usada para separar o RNA e o DNA. Considerando as fases do protocolo e a importância do pH, qual das alternativas a seguir descreve corretamente o processo de separação do RNA e do DNA? ADurante a extração de RNA, a solução de fenol/clorofórmio deve ter pH alcalino para que o RNA fique na fase orgânica e o DNA na fase aquosa, sendo ambos separados após a centrifugação. BA solução de fenol/clorofórmio utilizada na extração de RNA deve ter pH neutro para garantir que tanto o RNA quanto o DNA fiquem na fase aquosa, sendo posteriormente separados por centrifugação. C O pH da solução de fenol/clorofórmio não influencia a separação do RNA e do DNA, uma vez que ambos os materiais genéticos ficam na fase aquosa após a centrifugação. D Durante a extração de RNA, a solução de fenol/clorofórmio deve ter pH ácido (entre 4,5 e 5,5), o que garante que o RNA fique na fase aquosa e o DNA se localize na interface, com a fase orgânica sendo descartada. E Durante a extração de RNA, a solução de fenol/clorofórmio deve ter pH básico para garantir a separação adequada do RNA e DNA, com ambos permanecendo na fase aquosa, em que o RNA pode ser recuperado. A alternativa D está correta. Na extração de RNA, o pH ácido da solução de fenol/clorofórmio (geralmente entre 4,5 e 5,5) é essencial para a separação eficiente entre RNA e DNA. Nessas condições, o RNA permanece solúvel na fase aquosa, enquanto o DNA, menos solúvel em pH ácido, precipita e se acumula na interface entre as fases aquosa e orgânica. Dessa forma, o RNA pode ser recuperado de forma mais pura após a centrifugação, descartando a fase orgânica e a interface contendo o DNA. Armazenamento do DNA e do RNA purificados Neste vídeo, explicamos como armazenar DNA e RNA purificados, tratando dos tipos de tubos, tampões, temperaturas ideais, riscos de degradação por cristais e RNases, e do papel do etanol no RNA. Assista! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Após o isolamento (purificação), o DNA e o RNA precisam receber cuidados imediatos. Para o DNA, devemos armazená-lo em um tubo de plástico (DNA tem afinidade por vidro, por isso o uso de tubos de plástico), preferencialmente de propileno, vedado a fim de evitar evaporação, em uma temperatura abaixo de 0 °C. Dessa forma, diminuímos a atividade biológica das DNases. O DNA purificado é mantido em solução tampão tris-EDTA, com pH 7,2. A validade do DNA nessas condições, é bastante alta. Confira! Propileno Tipo de polímero que não interage com o DNA. Temperatura Duração Temperatura ambiente Até 26 semanas Temperaturas baixas de 2 °C a 8 °C 1 ano Congelado a -20 °C 7 anos Congelado a -70 °C + 7 anos Eldio Santos. O DNA purificado é bastante resistente, uma vez que a sua solução não contenha água, pois a água quando congela forma cristais que podem danificar os materiais orgânicos. Após a extração do RNA, o material genético é precipitado utilizando etanol a 70%, o qual ajuda a concentrar o RNA e a protegê-lo de agentes degradantes. Para ter certeza de que não haja degradação durante o armazenamento, o RNA deve ser mantido em tubos plásticos estéreis, preferencialmente de plástico RNase- free, ou tratados com uma solução de dietilpirocarbonato (DEPC) para eliminar qualquer traço de RNase. Essas precauções evitam a quebra do RNA, mantendo sua integridade ao longo dotempo. Confira a seguir as condições de armazenamento para RNA purificado, considerando temperatura, duração e observações para manter a estabilidade das amostras. Temperatura Duração Observações -20 °C Até 2 meses RNA pode manter integridade, mas ainda há atividade de RNases. -70 °C ou inferior Longo prazo, por anos Evita a degradação por RNases. Nathalia Martins. O etanol auxilia na precipitação do RNA, ajudando a concentrá-lo. Dessa forma, o RNA fica menos suscetível a agentes degradantes. Atividade 4 Após a purificação, o armazenamento adequado dos ácidos nucleicos é fundamental para preservar sua integridade ao longo do tempo. Qual das opções apresenta uma prática adequada para o armazenamento de DNA ou RNA purificados? A Utilizar tubos de plástico estéril para conservar DNA e RNA. B Armazenar o RNA diretamente em água destilada, em temperatura ambiente. C Manter o DNA em tubos de vidro para evitar contaminação por plásticos. D Conservar o DNA e o RNA em solução salina a temperatura ambiente. E Guardar o RNA seco, em papel filtro, em refrigerador comum. A alternativa A está correta. Tanto o DNA quanto o RNA devem ser armazenados em tubos de plástico estéril, livres preferencialmente de RNases no caso do RNA. O uso de tubos de vidro não é recomendado, especialmente para o DNA, devido à sua afinidade com superfícies de vidro, o que pode causar perdas. Além disso, a presença de água, temperaturas inadequadas e recipientes não apropriados comprometem a estabilidade e a integridade dos ácidos nucleicos. O uso de tubos apropriados e o armazenamento sob condições controladas são práticas fundamentais para a conservação dessas moléculas. Quantificação, análise de pureza e integridade do material Neste vídeo, vamos explicar como avaliar DNA/RNA extraídos por meio da quantificação por fluorimetria, análise de pureza por espectrofotometria e verificação da integridade por eletroforese, além da síntese de cDNA. Não perca! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A extração do DNA/RNA é sem nenhuma dúvida um dos processos mais importantes da biologia molecular, pois esses materiais servem de matéria-prima para diversas outras técnicas da biologia molecular, como a reação da cadeia da polimerase (PCR), sequenciamento, clonagem, hibridização, entre outras. Uma boa extração determina a qualidade do resultado dessas técnicas. O controle de qualidade da extração é dado pela quantificação, pureza e integridade desses materiais. Vamos entender melhor esses procedimentos. Quantificação Determinamos a quantidade de DNA/RNA extraído da amostra inicial na quantificação. A técnica mais utilizada é a fluorometria, na qual uma pequena alíquota da amostra é transferida para outro tubo, onde é adicionada uma solução e um agente fluorescente capaz de se ligar entre as bases do DNA e RNA. Quando o agente fluorescente (fluoróforo) se liga a algo (DNA ou RNA), ele emite fluorescência e assim podemos medir, com ajuda de um aparelho (fluorímetro), a quantidade de fluorescência da amostra. A quantidade de fluorescência da amostra é diretamente proporcional, ou seja, quanto maior for a fluorescência, maior é a quantidade de DNA ou RNA. Uma vantagem da fluorometria é que ela é simples e, após a quantificação, sabemos se temos a quantidade de material suficiente para as próximas etapas. Além disso, podemos utilizar diferentes agentes fluorescentes: um específico para DNA e outro específico para RNA. Assim, podemos quantificar o quanto temos de cada um desses materiais moleculares. Quantificação do DNA fluorescente. Na imagem, temos o gráfico de duas amostras de DNA diferentes. Pureza Em relação à pureza, podemos avaliar se um DNA ou RNA apresenta contaminantes. A pergunta aqui é: será que com o material extraído temos também fenol, álcool, proteínas, RNA (quando o desejo é DNA) e algum reagente residual? Para essa análise, a técnica mais utilizada é a espectrofotometria. Antes de entender a técnica, é importante lembrar que luz visível é uma pequena parte de todo o espectro de radiação eletromagnética existente, compreendendo comprimentos de onda entre 380-750 nm. Os comprimentos de ondas inferiores estão na zona de espectro da ultravioleta (UV) e superiores na zona de infravermelho. Quando uma luz branca passa por um prisma, ela se decompõe em raios de luz de diferentes comprimentos de onda, variando do vermelho ao violeta. Em um arco-íris, por exemplo, enxergamos 7 diferentes cores, cada uma dessas cores representa uma diferente faixa de comprimento de onda. Comprimento de onda no espectro da luz. É importante relembrar que todo o composto químico apresenta a capacidade de absorver, transmitir ou refletir a luz em determinado comprimento de onda. Assim, a espectrofotometria tem como princípio básico utilizar a capacidade das moléculas orgânicas de absorverem (absorbância) ou transmitir (transmitância) luz em determinado comprimento de onda, em um equipamento chamado de espectrofotômetro. A partir dela, podemos identificar os componentes em uma solução, pois as biomoléculas apresentam espectros característicos ao UV, visível ou infravermelho. Exemplo Já é estabelecido que as proteínas absorvem comprimentos de onda de 280 nm; o RNA e DNA absorvem no comprimento de onda de 260 nm e o fenol e outros constituintes no comprimento de onda de 230 nm. Além da possibilidade de indicar a biomolécula presente, podemos quantificá-la. Na prática, a quantidade de luz absorvida é diretamente proporcional à concentração da substância, assim, quanto maior for a concentração, maior é a absorção de luz (medido pela densidade óptica – OD). Confira o passo a passo para a realização dessa técnica. Etapa 1 Precisamos indicar para o aparelho onde nossa amostra está diluída, em um procedimento parecido com a tara da balança. Para isso, apenas o tampão usado na extração é colocado em uma cubeta transparente e limpa, e no aparelho, ajustamos o comprimento de onda desejado. Etapa 2 Quando a luz incide na cubeta, apenas uma quantidade consegue ultrapassar a amostra e o aparelho consegue quantificar a luz que é absorvida (absorbância) e isso gera um valor. Etapa 3 Como nesse momento apenas temos o tampão, informamos ao aparelho que esse é nosso controle e que essa leitura não deve ser considerada, zerando o aparelho. Etapa 4 Colocamos a amostra com o material purificado em outra cubeta transparente e limpa, e medimos a luz absorvida, que representa a quantidade da substância analisada. Lembre-se de que isso depende do comprimento de onda que estamos pesquisando (280 nm, 260 nm ou 230 nm). Novamente, aqui, quanto maior for a absorção de luz, maior a quantidade de determinado material. A seguir, vemos um resultado de uma análise espectrofotométrica, mostrando um pico de absorção da luz no comprimento de onda 260 nm, o que indica a presença de DNA ou RNA. Gráfico: Resultado de uma análise de espectrofotometria. Com os resultados, podemos verificar a pureza a partir da razão (divisão) da densidade óptica (OD) no comprimento de onda 260 nm pela OD no comprimento de onda 280 nm. Dizemos que o material genético está puro quando essa relação é maior ou igual a 1,8. Valores inferiores a esse indicam contaminação com proteínas e que o processo extrativo não foi realizado de forma correta. Outra forma de verificar essa pureza seria pela razão entre a OD 260 nm e OD 230 nm, com material genético considerado puro quando estiver na faixa entre 1,8-2,2. Integridade Avalia se o DNA/RNA extraído está íntegro. Essa avaliação é feita a partir da eletroforese, técnica com uma enorme quantidade de variações e desdobramentos, utilizada para os mais variados objetivos. Aqui iremos nos ater ao princípio básico da técnica e a sua aplicação no controle da integridade do material que foi extraído. Esta técnica consiste na migração e separação de moléculas de acordo com a carga após a geração de um campo elétrico. Ela utiliza diferentes meios de suporte, como fitas ou membranas de