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LESÃO CELULAR, DOENÇAS DE ACÚMULO INTRACELULAR E ADAPTAÇÕES PATOLÓGICAS UNIDADE III ACÚMULOS INTRACELULARES Elaboração Jufner Celestino Vaz Toni Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO UNIDADE III ACÚMULOS INTRACELULARES ...................................................................................................5 CAPÍTULO 1 DOENÇAS DE ACÚMULO INTRACELULAR ............................................................................ 7 CAPÍTULO 2 ENVELHECIMENTO CELULAR ............................................................................................. 12 CAPÍTULO 3 ALTERAÇÃO NO CRESCIMENTO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR ............................................ 18 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................25 5 UNIDADE IIIACÚMULOS INTRACELULARES 1.1. Acúmulos intracelulares Sob certas circunstâncias, as células podem acumular quantidades anormais de várias substâncias que podem ser inofensivas ou envolver vários graus de lesão. A substância pode ser encontrada no citoplasma, dentro de uma organela (geralmente em lisossomas) ou no núcleo, e pode ser sintetizada pelas células afetadas ou produzida em outro lugar. Figura 35. Mecanismos de acúmulos intracelulares. 1 Metabolismo anormal 2 Defeito no dobramento e transporte de proteína Célula normal Fígado gorduroso Mutação de proteína 3 Ausência da enzima Substrato complexo Produto solúvel Enzima Substrato complexo Doença de depósito lisossômico: acúmulo de materiais endógenos Acúmulo de materiais exógenos 4 Ingestão de materiais indigeríveis Fonte: Kumar et al., 2010. 6 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES Por muitas razões, as células em nosso corpo podem acumular substâncias endógenas ou exógenas. Geralmente, essas substâncias são divididas em componentes celulares normais (água, lipídios, proteínas e carboidratos) e anormais, que são endógenos (produtos de metabolismo anormal) ou exógenos (produtos de minerais ou agentes infecciosos). Podemos dizer que há quatro rotas principais de acumulação intracelular. São elas: » retirada anormal de substância normal secundária a defeitos no empacotamento e mecanismo de transporte, como fígado gorduroso; » acúmulo de substâncias endógenas anormais causadas por defeitos adquiridos ou genéticos na dobragem, no empacotamento, no transporte e na secreção, como certas mutações da α1-antitripsina; » degradação insuficiente de metabólitos devido a defeitos genéticos em enzimas. A doença resultante é chamada de doença de armazenamento; » quando as células não possuem o mecanismo enzimático para degradar a substância ou a capacidade de transportá-la para outros locais, substâncias estranhas anormais se depositam e se acumulam. O acúmulo de partículas de carbono e sílica é um exemplo dessa mudança. O acúmulo de produtos em excesso nas células, independentemente de sua origem, pode ocorrer em decorrência de alterações sistêmicas que são controladas, e o acúmulo é reversível. Em doenças relacionadas à deposição de genes, o acúmulo intracelular é lento e as células ficam sobrecarregadas, levando a danos secundários e, em alguns casos, à morte do tecido e do paciente. Dentre as várias degenerações, podemos citar a hidrópica (inchação turva ou edema celular), a hialina (aspectos homogêneos e eosinófilo), a mucoide (células epiteliais produtoras de muco) e a esteatose. 7 CAPÍTULO 1 DOENÇAS DE ACÚMULO INTRACELULAR Neste capítulo, discutiremos brevemente sobre as principais doenças de acúmulo intracelular. 1.1. Degeneração gordurosa (esteatose) A degeneração de gordura se refere a qualquer acúmulo anormal de triglicerídeos nas células do parênquima. É frequentemente encontrado no fígado, pois é o principal órgão envolvido no metabolismo da gordura. Porém, também é encontrado no coração, no músculo esquelético, nos rins e em outros órgãos. A gordura pode ser causada por toxinas, desnutrição proteica, diabetes, obesidade e anoxia. O acúmulo de triglicérides pode acontecer por causa de falhas nos processos do metabolismo de gorduras realizado pelo fígado. Os ácidos graxos oriundos da alimentação ou do tecido adiposo são carregados para os hepatócitos, onde são esterificados em triglicérides e, posteriormente, são envolvidos a apoproteínas, conforme saem dos hepatócitos, originando as lipoproteínas que vão para a circulação. Nos países industrializados, as causas mais comuns de fígado gorduroso são o abuso de álcool e o diabetes relacionado à obesidade. As causas da degeneração gordurosa trabalham do seguinte modo: » álcool: hepatotoxina que modifica as responsabilidades mitocondriais e microssomais; » CCI4: minimiza a síntese de apoproteínas; » anoxia: inibe a oxidação de gorduras; » desnutrição proteico-calórica: eleva a mobilização de ácidos graxos dos tecidos periféricos. O grau de riscos da degeneração gordurosa varia de acordo com o grau de deposição de gordura. Caso seja baixa, não causa prejuízos onde é possível reverter a situação; mas, se for alta, é o modo mais grave que pode levar à morte da célula. Figura 36. Degeneração gordurosa. Célula normal Fígado gorduroso Metabolismo anormal Fonte: Kumar et al., 2010. 8 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES 1.2. Colesterol e ésteres de colesterol O metabolismo do colesterol celular é controlado para assegurar a síntese apropriada da membrana celular não deixando acúmulo intracelular significativo. No entanto, as células fagocíticas podem ficar supercarregadas com lipídios (triglicerídeos, colesterol e ésteres de colesterol) por meio de vários processos patológicos diferentes. O mais importante deles é a aterosclerose. A aterosclerose é uma doença caracterizada por depósitos principalmente de colesterol e seus ésteres nas membranas internas das artérias médias e grandes. São os macrófagos e as células musculares lisas que contêm vacúolos lipídicos. É uma doença multifatorial com dislipidemia como principal fator de risco. Tabagismo, diabetes, pressão alta e falta de exercícios são fatores de risco secundários, mas ainda importantes. Pessoas entre 45 e 55 anos com história familiar anterior de aterosclerose, hipertensão, obesidade, fumantes e pacientes diabéticos são mais suscetíveis à aterosclerose coronariana. O espessamento da íntima arterial é observado nos primeiros 10 anos de vida, o que se acredita ser um processo de adaptação às condições hemodinâmicas. Ao longo dos anos, principalmente a partir da quarta década, surgiram lesões típicas denominadas placas ateroscleróticas, caracterizadas por espessamento da íntima arterial e deposição de lipídios. Atualmente, há uma hipótese denominada “hipótese de resposta à lesão”, que define a placa aterosclerótica como uma resposta inflamatória e recessão crônica da parede arterial ao dano endotelial. Conforme esse escopo, os eventos ocorrem na seguinte ordem: » dano endotelial, aumento da permeabilidade vascular; » acúmulo de lipoproteínas, principalmente LDL, na parede do vaso; » adesão de monócitos ao endotélio e sua conversão em macrófagos e células espumosas em resposta ao acúmulo de lipoproteínas; » adesão plaquetária; » liberação de fatores de recrutamento de células musculares lisas; » proliferação de células do músculo liso e produção de material extracelular (MEC); » acúmulo de lipídios extracelulares em macrófagos e células musculares. Uma dieta adequada pode prevenir a formação de placas ateroscleróticas, especialmente quando o teor de gordura saturada é baixo. Perda de peso para pessoas com sobrepeso 9 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III e obesas e exercícios físicos regulares também são fundamentais. Se o índice lipídico não diminui apenas com as mudanças de comportamento, o uso contínuode drogas hipolipemiantes que reduzem o colesterol e os triglicerídeos tornam-se essenciais. A placa aterosclerótica pode variar de branca à amarela no exame macroscópico. O núcleo da aterosclerose possui células expandidas circundadas por uma cápsula fibrosa. A calcificação acontece de acordo com o aumento do tempo de existência da placa e é o lugar que fica mais corado pela hematoxilina; bem próximo a ele, encontram-se as espículas de ésteres de colesterol de coloração muito clara. 1.3. Proteínas O acúmulo de proteínas morfologicamente visível é muito menos comum do que o acúmulo de lipídios. Ele pode ocorrer porque o excesso é apresentado às células ou porque as células sintetizam quantidades em excesso. Por exemplo, no rim, quantidades mínimas de albumina filtradas pelos glomérulos são geralmente reabsorvidas por pinocitose nos túbulos torcidos proximais. No entanto, em doenças com grande quantidade de proteína vazando por meio da membrana do filtro glomerular (por exemplo, síndrome nefrótica), há uma maior reabsorção de proteínas, e as vesículas contendo a proteína se acumulam, resultando em um hialuronano rosa na estrutura do tecido gotículas de ácido. Esse processo é reversível: se a proteinúria diminuir, as gotículas de proteína são metabolizadas e desaparecem. Outro exemplo é o acúmulo significativo de imunoglobulinas recentemente sintetizadas, que podem ocorrer no RER de certas células plasmáticas, formando corpúsculos de Russell e eosinófilos. Figura 37. Acúmulo de proteínas. Defeito no dobramento e transporte da proteína Acúmulo de proteínas anormais Fonte: Kumar et al., 2010. 10 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES 1.4. Glicogênio A deposição excessiva de glicogênio nas células está relacionada ao metabolismo anormal da glicose ou do glicogênio. No exemplo clássico do metabolismo anormal da glicose, o diabetes é o acúmulo de glicogênio nas células epiteliais dos túbulos renais, dos cardiomiócitos e das células B das ilhotas de Langerhans. O glicogênio também se acumula nas células em um grupo de doenças genéticas intimamente relacionadas, que são chamadas coletivamente de doenças de armazenamento de glicogênio ou glicogenoses. 1.5. Pigmentos Os pigmentos são substâncias exógenas coloridas, originadas in vitro, como carbono, ou endógenas, são sintetizadas no corpo, como lipofuscina, melanina e certos derivados de hemoglobina. O pigmento exógeno mais comum é o carbono (como cinza de carvão), que é um poluente atmosférico comum na vida urbana. Após a inalação, é deglutido pelos macrófagos alveolares e transportado pelo trato linfático para os linfonodos locais na região traqueobrônquica. Esse agregado de pigmento escurece os nódulos linfáticos e o parênquima pulmonar (antracnose). A lipofuscina ou “pigmento de desgaste” é uma substância intracelular granular marrom- amarelada que se acumula em vários tecidos (especialmente no coração, fígado e cérebro) devido ao envelhecimento ou à atrofia. A lipofuscina é composta por complexos lipídicos e proteicos, derivados da peroxidação catalisada por radicais livres, formada por lipídios poliinsaturados em membranas subcelulares. É inofensivo para as células, mas é importante como marcador de danos antigos dos radicais livres. Quando presentes em grandes quantidades, os pigmentos marrons dão aos tecidos uma aparência, a qual é chamada de atrofia marrom. Sob o microscópio eletrônico, o pigmento aparece como partículas densas do eletrodo perinuclear. A melanina é um pigmento marrom escuro endógeno, produzido por melanócitos localizados na epiderme, e pode atuar como um agente protetor contra os raios ultravioleta nocivos. Embora os melanócitos sejam a única fonte de melanina, os queratinócitos basais adjacentes à pele ainda acumulam pigmentos (como sardas) e macrófagos na derme. A hemossiderina é um pigmento granular derivado da hemoglobina, variando do amarelo ao amarelo dourado, e se concentra em tecidos com excesso local ou sistêmico 11 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III de ferro. O ferro é geralmente combinado com a proteína ferritina e armazenado na célula para formar micelas de ferritina. O pigmento hemossiderina representa esses grandes agregados de micelas de ferritina, que podem ser facilmente observados por microscopia óptica e eletrônica, e não há dúvida de que a reação histoquímica do azul da Prússia pode identificar o ferro. Embora o acúmulo de hemossiderina seja geralmente patológico, pequenas quantidades desse pigmento são normais na medula óssea e nos fagócitos mononucleares do fígado, onde os glóbulos vermelhos velhos são geralmente degradados. 12 CAPÍTULO 2 ENVELHECIMENTO CELULAR 2.1. Envelhecimento celular Os indivíduos envelhecem porque suas células envelhecem. Embora a atenção do público para o processo de envelhecimento tenha se concentrado tradicionalmente em seu desempenho de beleza, o envelhecimento ainda tem um impacto importante na saúde, porque a idade é um dos fatores de risco independentes mais fortes para muitas doenças crônicas, como câncer, Alzheimer e doença isquêmica do coração. Todavia, um dos descobrimentos mais surpreendentes sobre o envelhecimento celular é que este não é simplesmente uma consequência de as células “não serem mais estimuladas”, mas porque é regulado por um número limitado de genes e vias de sinalização conservadas evolutivamente de levedura para mamíferos. O envelhecimento celular é o resultado de um declínio progressivo na expectativa de vida das células e na capacidade funcional. Acredita-se que vários mecanismos sejam responsáveis pela senescência celular. Danos ao DNA, senescência de replicação, redução de proteínas e mal dobramento de proteínas estão entre os mecanismos que melhor descrevem a senescência celular. Ao ativar várias vias de transdução de sinal e fatores de transcrição, certos estresses ambientais (como a restrição calórica) se opõem ao envelhecimento. Figura 38. Mecanismos do envelhecimento celular. Lesões ambientais e metabólicas Encurtamento dos telômeros Homeostasia anormal da proteína Estresses ambientais Insulina IGF TOR Sirtuínas alteradas LESÃO DO DNA REPLICAÇÃO CELULAR PROTEÍNA DANIFICADA Defeitos de reparo do DNA MUTAÇÃO PERDA CELULAR FUNÇÕES CELULARES DIMINUÍDAS ENVELHECIMENTO CELULAR CONTRAPÕE-SE AO ENVELHECIMENTO TRANSIÇÃO ALTERADA Reparo do DNA Homeostasia da proteína Fonte: Kumar et al., 2013. 13 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III 2.2. Lesão do DNA Com o tempo, uma série de danos metabólicos pode causar danos ao DNA nuclear e mitocondrial. Embora a maioria dos danos ao DNA seja reparada por enzimas de reparo, alguns danos persistem e se acumulam com o envelhecimento das células. Algumas síndromes do envelhecimento estão relacionadas a defeitos no mecanismo de reparo do DNA. Se a resposta à doença for aumentada ou a proteína que estabiliza o DNA for introduzida, a vida útil dos modelos animais pode ser prolongada. O papel dos radicais livres que causam o envelhecimento no dano ao DNA foi levantado, mas ainda há controvérsia. 2.3. Morte celular O ciclo celular compreende, além das divisões celulares, a morte celular, não somente devido a lesões, mas também por um processo fisiológico normal e programado, conhecido como apoptose. É por meio da apoptose que o organismo elimina células danificadas e indesejáveis, controlando o número de células dos órgãos e tecidos. Uma família de proteínas, as caspases, são proteases responsáveis pela apoptose, clivando várias proteínas importantes para a célula (aproximadamente 40 alvos diferente), como os nucleossomos, levando a fragmentação celular. Esses fragmentos são revestidos por membranas, fagocitados por macrófagos (células de defesa) ou células vizinhas, sendo assim, removidos do tecido. Inúmeros sinais extrínsecos e/ou intrínsecos podem induzir a cascata de sinalização, levando a apoptose.Um exemplo bem conhecido são os polipeptídeos da família fator de necrose tumoral (TNF). Esses polipeptídeos ativam receptores na membrana, induzindo diretamente a apoptose da célula-alvo. Esse tipo de mecanismo é eficaz contra células cancerosas ou células infectadas por vírus. A apoptose também pode ser induzida por agentes patogênicos, como vírus e algumas toxinas, pelo aumento de temperatura em algumas espécies, pela diminuição de nutrientes no meio, agentes quimioterápicos, radiação ionizante, entre outras. Se as células estão em constante renovação, isto é, sempre submetidas a um rígido controle de divisão celular e apoptose, por que o organismo envelhece? As bactérias são imortais, isto é, não morrem, a não ser por fatores ambientais. Já os organismos multicelulares, com reprodução sexuada, envelhecem e têm uma morte celular programada. 14 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES 2.4. Diferenciação celular Ao longo do processo de evolução dos organismos, esses passaram de seres unicelulares a multicelulares. Esse fato foi de extrema importância, para que, cada vez mais, surgissem organismos com células capazes de executar diferentes funções. Essas células especializadas surgiram a partir de uma única célula original, e adquiriram suas características pelo processo de diferenciação celular. No caso dos seres humanos, todos têm origem de uma única célula, o óvulo fecundado que, a partir de uma série de divisões, gera um organismo com mais de um trilhão de células, sendo mais de 200 tipos diferentes. Logo após a fecundação do óvulo, tem início o processo de divisão celular, sem crescimento celular, produzindo células cada vez menores, até a formação de uma massa compacta de células, a mórula. Conforme as divisões continuam, a mórula começa a apresentar uma cavidade central, cheia de líquido, a blástula. Até essa fase, as células dependem das moléculas existentes inicialmente no óvulo, já que as vias metabólicas estão bloqueadas, com exceção da síntese de DNA. Todas as células presentes na blástula são ditas totipotentes, isto é, tem a capacidade de se diferenciarem em qualquer tipo celular. Após a fase de blástula, tem início um processo chamado de gastrulação, que leva ao estabelecimento de dois folhetos germinativos, ectoderme e endoderme, por meio de movimentos celulares. Formam-se também o arquêntero, o intestino primitivo, e o blastóporo, que dará origem ao ânus, no caso dos vertebrados. Além disso, nessa fase, há uma grande síntese de RNA e proteínas, e a determinação dos destinos celulares. É o início da diferenciação celular. Todas as estruturas presentes na gástrula darão origem aos sistemas e órgãos do organismo adulto. A ectoderme, por exemplo, que reveste o embrião, dará origem ao sistema nervoso, anexos embrionários, epiderme, entre outros. A endoderme, originada pela invaginação da ectoderme, resultará no sistema digestório e ao revestimento interno do sistema respiratório. Já, a partir da mesoderme que surge posteriormente e se situa entre a ectoderme e a endoderme, originam-se os músculos, sistemas circulatório, excretor e reprodutor. Mas se todas as células possuem o mesmo DNA, como elas são morfológica e funcionalmente diferentes? A resposta está exatamente no DNA. É a expressão diferencial a responsável pela determinação dos tipos celulares. Todas as células possuem informação gênica para produzir todas as moléculas de um organismo, porém somente parte dessa informação 15 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III é acessada. As células especializadas perdem a capacidade de produzir inúmeras proteínas, limitando-se a produzir apenas aquelas relacionadas com sua função. Os mecanismos responsáveis pela regulação da expressão gênica são estudados na biologia do desenvolvimento. A repressão ou indução de determinados genes pode ser devido a fatores intrínsecos ou extrínsecos. Os fatores intrínsecos podem ser a própria programação do DNA, assim como a presença de moléculas no citoplasma. Por exemplo, ovos de alguns moluscos apresentam distribuição diferenciada de moléculas, o que leva à formação de células diferenciadas. Já os fatores extrínsecos estão relacionados a sinais enviados por outras células, ou até da matriz extracelular, determinando a diferenciação. Vários agentes externos podem afetar o processo de diferenciação celular, como radioatividade, drogas, vírus, medicamentos, entre outros. Em organismos adultos, é possível encontrarmos células não diferenciadas, as células-tronco. Apesar de serem células indiferenciadas, as células-tronco não podem se diferenciar em qualquer tipo celular, como as células do blastômero, já que expressam proteínas que determinam seu destino. Células-tronco da epiderme somente podem produzir células presente nesse tecido, nunca produzindo células musculares, por exemplo. Uma exceção é a medula óssea, cujas células-tronco, além de terem a capacidade de se diferenciarem em qualquer tipo de célula sanguínea, podem ainda dar origem a células cartilaginosas e ósseas, por exemplo. As células vegetais, quando isoladas de um tecido específico, podem dar origem a um organismo completo. Essas células podem voltar a um estágio menos diferenciado, e se diferenciarem novamente. 2.5. Diminuição da replicação celular A capacidade de replicação das células normais é limitada. Após um número fixo de divisões, elas param no estado de não divisão terminal, ou seja, senescência de replicação. A senescência está relacionada com a replicação e senescência progressiva das células. As células infantis têm mais ciclos de replicação do que as células mais velhas. Em contraste, as células de pacientes com síndrome de Werner (uma doença rara caracterizada por envelhecimento prematuro) têm uma vida útil significativamente reduzida. Em células humanas, o mecanismo de senescência replicativa envolve o encurtamento gradual dos telômeros, o que acaba levando à interrupção do ciclo celular. Telômeros são sequências curtas de DNA repetitivas que existem nas extremidades lineares de cromossomos importantes, que podem garantir a replicação completa das 16 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES extremidades dos cromossomos, evitando, assim, sua fusão e degradação. Quando as células somáticas se replicam, uma pequena parte dos telômeros não se replica, de modo que os telômeros gradualmente se tornam mais curtos. À medida que os telômeros ficam mais curtos, as extremidades dos cromossomos não podem ser protegidas e são consideradas DNA fragmentado, o que marca o final do ciclo celular. O comprimento dos telômeros é geralmente mantido pela adição de nucleotídeos, que são mediados por uma enzima conhecida como telomerase. A telomerase é constituída de RNA-proteína que envolve seu RNA como forma de acrescentar nucleotídeos às extremidades dos cromossomos. A responsabilidade da telomerase é demonstrada na célula germinativa e é baixa nas células-tronco, mas geralmente está ausente na maioria dos tecidos somáticos. Portanto, quando as células envelhecem, seus telômeros ficam mais curtos e saem do ciclo celular, impossibilitando a geração de novas células para substituir as células danificadas. Ao contrário, nas células cancerosas imortais, a telomerase é reativada e o comprimento dos telômeros é estabilizado, de modo que as células proliferam indefinidamente. O encurtamento dos telômeros também reduz a capacidade regenerativa das células- tronco, levando ao envelhecimento celular. No entanto, apesar de alguns achados interessantes, a relação entre a atividade da telomerase e o comprimento dos telômeros durante o envelhecimento não foi totalmente estabelecida. Figura 39. Encurtamento do telômero. CÉLULA CÉLULA CÉLULA CROMOSSOMO DIVISÃO DA CÉLULA CÁPSULAS E TELÔMEROS QUE PROTEGEM O CROMOSSOMO Fonte: adaptada de https://www.robertofrancodoamaral.com.br/blog/telomero/. 17 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III Com o tempo, as células tornam-se incapazes de mantera homeostase normal da proteína como resultado do aumento da renovação e diminuição da síntese devido à tradução diminuída da proteína e à atividade chaperona defeituosa (estes promovem o dobramento adequado da proteína), às proteassomas (que destroem as proteínas mal dobradas) e às enzimas de reparo. A homeostase anormal da proteína pode ter uma variedade de efeitos na sobrevivência, replicação e função das células. Além disso, leva a um acúmulo de proteínas mal dobradas que podem iniciar vias apoptóticas. A definição de vias de sinalização contrárias ao processo de envelhecimento tem despertado grande interesse não só pelo seu potencial terapêutico (buscando a “medicina jovem”), mas também porque a elucidação dessas vias pode elucidar os mecanismos que provocam o envelhecimento. Acredita-se que certos estresses ambientais, como a restrição calórica, alterem as vias de transdução de sinal que afetam o envelhecimento. Dentre as alterações bioquímicas relatadas para desempenhar um papel no antienvelhecimento, estão: » diminuição da sinalização por receptores de fator de crescimento semelhantes à insulina; » diminuição da ativação da quinase (especialmente “alvo de rapamicina” [TOR] e AKT quinase); » atividade transcricional alterada. Basicamente, essas mudanças podem melhorar o reparo do DNA e a homeostase das proteínas, além de aumentar a imunidade, tudo isso inibindo o envelhecimento. O estresse ambiental também pode ativar proteínas da família Sertuin, como a Sir2, que atua como uma proteína diacetilase. Essas proteínas podem diacetilar e ativar as enzimas de reparo do DNA, estabilizando-o. Na ausência dessas proteínas, o DNA é mais vulnerável. Embora o papel das sirtuinas recentemente tenha recebido grande atenção, sua importância no processo de envelhecimento ainda não foi determinada. 18 CAPÍTULO 3 ALTERAÇÃO NO CRESCIMENTO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR 3.1. Crescimento e diferenciação celular São processos essenciais para os seres vivos. Vejamos alguns tipos existentes. » Alterações do volume celular são: › hipertrofia e hipotrofia; › distúrbios do crescimento e da diferenciação celular. » Alteração da taxa de divisão celular são: › hiperplasia; › hipoplasia; › aplasia. » Alterações da diferenciação celular são: › metaplasia » Alterações do crescimento e da diferenciação celular são: › displasias; › neoplasias. » Crescimento: multiplicação celular. » Diferenciação: especialização morfológica e funcional. 3.2. Alterações do crescimento e da diferenciação celular Uma lesão no DNA pode ser removida por mais de uma via. A dupla-hélice de DNA precisa ser corrigida imediatamente. Sem o reparo do DNA, as lesões espontâneas conseguem modificar de forma rápida as sequências de DNA. 19 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III Figura 40. Multiplicação e diferenciação celular. MULTIPLICAÇÃO CELULAR Responsável pela formação do conjunto de células que compõe os indivíduos. DIFERENCIAÇÃO CELULAR Especialização morfológica e funcional que permite o desenvolvimento do organismo como um todo integrado. Esses processos sofrem bastante influência tanto de agentes externos quanto de agentes internos das células. Fonte: Elaborada pelo próprio autor. As lesões no DNA retardam a progressão do ciclo celular e interferem no crescimento e na diferenciação celular. As células possuem vários sistemas enzimáticos que são capazes de reconhecer e reparar diferentes tipos de lesões no DNA, com o intuito de manter o DNA intacto, não danificado de geração a geração. Nesse sentido, as células eucarióticas possuem um mecanismo interessante e adicional, aumentando a eficácia enzimática das enzimas que atuam no reparo do DNA: essas moléculas promovem a parada do ciclo celular até que o reparo seja totalmente completado. Se as condições extracelulares são desfavoráveis, as células retardam a progressão celular, parando em G1. Se as condições intracelulares não estão favoráveis, as células podem parar nas fases S ou G1, para decidirem se completam o ciclo celular ou sinalizam para a morte celular. O sistema de controle do ciclo celular bloqueia a progressão, fazendo com que as células parem nos checkpoints, se detectarem problemas dentro ou fora delas. Para o estabelecimento de uma resposta apropriada aos danos no DNA, é necessário que o controle da progressão do ciclo celular esteja acoplado às vias de detecção e reparo de DNA. Dessa forma, é possível garantir que as lesões no DNA sejam reparadas antes que se tornem mutações permanentes e herdáveis durante a mitose. A quebra da dupla fita do DNA ativa uma cascata de sinalização incluindo muitas proteínas quinases que desencadeiam a parada do ciclo celular na fase G1. Estruturas de DNA na forma de fita simples, se danificadas, desencadeiam a inibição de ciclinas e paralisa o ciclo celular na fase S ou G2. O sistema de controle do ciclo celular direciona os eventos do ciclo celular em uma sequência determinada e extremamente precisa. As paradas na progressão do ciclo 20 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES celular são importantes para a maquinaria ser reparada prevenindo mutações e replicações errôneas. O sistema de controle previne eventos como a condensação dos cromossomos começados e não completados ou a desintegração do envelope nuclear iniciados apenas parcialmente. 3.3. Mudança na formação da diferenciação Pode ser a transformação de um tecido já diferenciado em outro diferente. Nesse caso, a mudança promove um tecido mais resistente ao ambiente adverso, mas que possua a mesma origem embrionária. Basicamente, temos uma substituição adaptativa reversível que só ocorre em tecidos renováveis. Etiologia pode ser: » agressões mecânicas: calor, alimentos quentes, inflamações crônicas; » agentes químicos: fumo, suco gástrico. Metaplasia escamosa ocorre por meio de: » epitélio simples pseudoestratificado colunar ciliado em epitélio estratificado pavimentoso; » das vias genitais, incluindo: infecções, traumatismos e ductos pancreáticos. Metaplasia óssea ocorre por meio: » tecido conjuntivo cartilaginoso de articulações em ósseo; » irritação crônica (ex.: traumas constantes). O tecido metaplásico é mais resistente às agressões (adaptação). Figura 41. Diferenciação celular. Células dos músculos Células do sangue Células nervosas Células do coração Células do Fígado Células dos intestinos CÉLULAS-TRONCO Fonte: adaptada de: https://alunosonline.uol.com.br/biologia/celulastronco-totipotentes-pluripotentes- multipotentes.html. 21 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III 3.4. Condições pré-cancerosas As lesões associadas ao aparecimento de um câncer são: » displasias: do colo uterino, dos brônquios, do estômago; » carcinoma in situ: no epitélio e ainda não invadiu; » hiperplasias: do endométrio, pólipos adenomatosos do intestino grosso; » metaplasia intestinal: da mucosa gástrica, leucoplasia; » neoplasias benignas; » doenças: polipose familial, xeroderma pigmentoso, gastrite crônica, cirrose hepática, tireoidite autoimune. 3.5. Regulação do crescimento celular: controle da taxa de multiplicação e sobrevivência das células Equilíbrio entre proliferação e diferenciação celular promove a comunicação intercelular e a expressão equilibrada de: proto-oncogenes e genes da proliferação celular. São genes supressores de tumores aqueles de controle de qualidade do ciclo celular e indutores de apoptose; enquanto os genes de reparo ao DNA são os indutores de reparo no genoma alterado. 3.6. Replicação celular: classificação » Lábeis: dividem-se continuamente; » Estáveis: proliferam-se apenas quando estimuladas; » Perenes: grau máximo de diferenciação, perda da capacidade proliferativa. 3.7. Fatores de crescimento São capazes de estimular ou inibir a multiplicação celular, cujas ações são: » autócrina: atuam na célula que a produziu; » parácrina: atuam nas células vizinhas; » endócrina:atuam nas células distantes; » justácrina: atuam nas células extremamente próximas. 22 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES 3.8. Mutação e reparo celular A manutenção da estabilidade genética de qualquer organismo vivo requer tanto um mecanismo extremamente preciso para replicar o DNA, quanto diversos mecanismos para corrigir as inúmeras lesões que podem ocorrem continuamente no DNA. Essas lesões precisam ser corrigidas, antes que virem mutações permanentes no DNA. Dessa forma, a maioria das alterações espontâneas que ocorrem no DNA é temporária, uma vez que essas alterações são imediatamente corrigidas pela maquinaria de reparo de DNA. O próprio processo de duplicação do DNA pode ocasionar instabilidades espontâneas, quando, por exemplo, introduzem erros de pareamento, pareando erroneamente a base nitrogenada timina com a base nitrogenada guanina. Lembrem-se: alterações no genoma são causadas por falhas nos mecanismos tradicionais de replicação do DNA. Além dos processos espontâneos de dano ao DNA, muitos fatores extrínsecos podem gerar alterações no DNA, incluindo: » radiações; » exposição a substâncias ambientais, como toxinas; » calor; » acidentes metabólicos, nesse contexto, apenas cerca de 0,02% das alterações se acumulam permanentemente na sequência de DNA. Vale ressaltar que uma grande porcentagem da capacidade codificadora dos genomas, tanto de procariotos como de eucariotos, é dedicada exclusivamente às funções de reparo de DNA. Podemos inferir essa importância, também pensando geneticamente, pois, quando, em laboratório, silenciamos um gene responsável por codificar uma proteína que trabalha na maquinaria de reparo de DNA, aumentamos consequentemente a taxa de mutação, bem como a sensibilidade daquele organismo por agentes químicos que danificam o DNA. 3.9. Todas as células possuem múltiplos sistemas de reparo de DNA O reparo do DNA é possível, pois, a molécula de DNA possui duas fitas complementares. O dano no DNA em uma fita pode ser removido e substituído precisamente, uma vez que podemos utilizar a fita complementar não danificada como um molde. Nesta apostila, nós consideraremos os principais mecanismos de reparo do DNA. Se o DNA se duplica 23 ACÚMULOS INTRACELULARES | UNIDADE III perfeitamente, sempre, nós não teríamos alterações genéticas, correto? Exatamente, sendo assim: grande parte das alterações genéticas que ocorrem são resultantes de falhas na duplicação e correção desse DNA duplicado. A fidelidade do DNA é tão grande que somente um par de nucleotídeos em mil é aleatoriamente alterado em uma linhagem genética a cada milhão de anos. Ou seja, apenas 1 erro é cometido para cada 1010 nucleotídeos copiados. Essencialmente, erros tanto na replicação do DNA, quanto nos processos de recombinação ou no reparo do DNA podem causar: » mutações pontuais: quando há alterações simples na sequência de DNA, como a substituição de um par de base por outro; » mutações generalizadas: quando há alterações nos rearranjos genômicos, incluindo: deleções; duplicações; inversões; translocações de DNA de um cromossomo para outro. Esses elementos de transposição de DNA, os nossos queridos transposons, são sequências consideradas “parasitas” de DNA capazes de se deslocarem pelos genomas. Nesse processo de translocação, os elementos transponíveis podem interromper a função ou alterar a regulação dos genes existentes. 3.10. As lesões no DNA retardam a progressão do ciclo celular As células possuem vários sistemas enzimáticos que são capazes de reconhecer e reparar diferentes tipos de lesões no DNA, com o intuito de manter o DNA intacto, não danificado de geração a geração. Nesse sentido, as células eucarióticas possuem um mecanismo interessante e adicional, aumentando a eficácia enzimática das enzimas que atuam no reparo do DNA: essas moléculas promovem a parada do ciclo celular até que o reparo seja totalmente completado. 3.11. A alta fidelidade da replicação do DNA necessita de vários mecanismos de correção Os erros de pareamento de base ocorrem, pois com pequenas alterações na geometria da hélice, duas ligações de hidrogênio podem ser formadas entre a base nitrogenada guanina e a base nitrogenada timina no DNA. Mas, a DNA-polimerase tem a função dupla de passar corrigindo esses erros de pareamento, verificando base por base pareada, mas, vamos supor que essa verificação falhe, então, esse pareamento errado entre o DNA-molde e o desoxirribonucleotídeo recém-polimerizado, seria incorporado à cadeia nascente de DNA, produzindo mutações frequentes. 24 UNIDADE III | ACÚMULOS INTRACELULARES Assim, a DNA-polimerase realiza a primeira etapa de verificação de erros na duplicação do DNA e a primeira etapa de correção, que acontece imediatamente antes da adição covalente de um novo nucleotídeo à cadeia crescente. Uma lesão no DNA pode ser removida por mais de uma via, de reparo. A dupla-hélice de DNA é corrigida imediatamente. Sem o reparo do DNA, as lesões espontâneas conseguem modificar de forma rápida as sequências de DNA. 25 REFERÊNCIAS ALBERTS, B. et al. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. BASNET, P.; MATSUNO, T.; NEIDLEIN, R. Z. 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Acesso em: 26 set. 2023. _Hlk108109371 _Hlk49275455 _Hlk49623893 UNIDADE III Acúmulos intracelulares Capítulo 1 Doenças de acúmulo intracelular Capítulo 2 Envelhecimento celular Capítulo 3 Alteração no crescimento e diferenciação celular Referências