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3 - Educacao Inclusiva

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ESPECIALIZAÇÃO EM 
GESTÃO ESCOLAR
EDUCAÇÃO INCLUSIVA:
CONCEPÇÕES E POLÍTICA
Maria do Carmo Squilasse
http://unar.info/ead2
 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª. Maria do Carmo Squilasse
 
2 
 
SUMÁRIO 
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ............................................................................................................. 3 
PROGRAMA DA DISCIPLINA ..................................................................................................................... 5 
UNIDADE 01. ASPECTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA .......................................... 7 
UNIDADE 02. BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL ......................................................... 14 
UNIDADE 03. BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL ................................. 21 
UNIDADE 04. PRINCÍPIOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL ................................................... 28 
UNIDADE 05. PRINCÍPIOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL ................................................... 35 
UNIDADE 06. PRINCÍPIOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL ................................................... 43 
UNIDADE 07. PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA ................................... 50 
UNIDADE 08. PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA................................ 57 
UNIDADE 09. EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: 
ESPAÇOS E SUJEITOS ................................................................................................................................ 64 
UNIDADE 10. DESAFIOS PARA A VERDADEIRA EDUCAÇÃO INCLUSIVA .............................. 72 
 
 
 
3 
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 
 
Na condição de Pedagoga, iniciei minha aventura na seara educacional 
atuando como professora da educação infantil e dos anos iniciais do ensino 
fundamental. As experiências vivenciadas na sala de aula apontaram para o 
horizonte da gestão educacional e fui vice-diretora e diretora educacional. 
Paralelamente, alicercei minha trajetória acadêmica em curso de Mestrado em 
Educação e Doutorado em Educação Escolar. As salas de aula de curso 
preparatório para concurso público, graduação e pós-graduação passaram a 
fazer parte da minha vida. A educação foi ‘paixão à primeira vista’. Hoje sou 
supervisora educacional, continuo dentro das salas de aula e permaneço 
apaixonada pela educação e pelo ensino. 
 o jetivo da discip i a co siste em a ordar a i c usão de a u os com 
defici cia te do em vista ara tir uma educação de ua idade a todos sem 
disti ção. A i c usão dos a u os co siderados ‘difere tes’ o sistema re u ar de 
e si o dema da aceitação das difere ças uma as e so retudo tra sformação 
profunda e radical de atitudes, posturas e pr ticas peda icas. ara isso 
necessário modificar o sistema de e si o e a or a i ação das esco as para ue 
as especificidades e dema das de todos os a u os sejam ate didas atrav s do 
provime to de co diç es sicas como reestruturação f sica e materia 
reformu ação de pro ramas educacio ais e formação perma e te dos 
profissionais envolvidos. 
A co cepção da escola inclusiva deve reco ecer as difere ças uma as 
como normais e, nesse sentido, esta disciplina abordará, na unidade 1, o 
contexto histórico geral da Educação Especial; rastreará a história da Educação 
Especial no mundo e no Brasil, nas unidades 2 e 3 e os princípios legais nas 
unidades 4, 5 e 6. Na sequência, nas unidades 7 e 8, abordaremos 
respectivamente seus princípios filosóficos e pedagógicos. A unidade 9 versará 
 
4 
 
sobre os sujeitos e formas de atendimento. A unidade 10 apresentará os 
desafios para a consolidação de uma Educação Especial na perspectiva da 
Educação Inclusiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
PROGRAMA DA DISCIPLINA 
 
Ementa 
A disciplina deverá analisar a Educação Especial na perspectiva da 
educação inclusiva, com ênfase em questões sociais e pedagógicas. 
 
Objetivos 
Refletir sobre a Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva a 
partir de aspectos históricos, filosóficos, pedagógicos e legais presentes no 
processo educativo mundial e nacional. 
 
Conteúdos 
Aspectos Históricos da Educação Inclusiva, Princípios Legais da Educação 
Especial, Princípios Filosóficos da Educação Especial, Princípios Pedagógicos da 
Educação Especial, Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva: 
espaços e sujeitos, Desafios para a implantação. 
 
Bibliografia Básica 
JANNUZZI, G. A educação do deficiente no Brasil: dos primórdios ao início do 
século XXI. Campinas: Autores Associados, 2004. 
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
(MEC, 2008), disponível em: 
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf. 
SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de janeiro: 
WVA, 1997. 
 
 
 
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf
 
6 
 
Bibliografia Complementar 
KASSAR. Mônica de Carvalho Magalhães. Educação especial na perspectiva da 
educação inclusiva: desafios da implantação de uma política nacional. In: 
Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 41, p. 61-79, jul./set. 2011. Editora UFPR. 
MAZZOTTA, M. J. S. Educação especial no Brasil: história e políticas públicas. 
São Paulo: Cortez, 1996. 
PLETSCH, M. D. Repensando a inclusão escolar de pessoas com deficiência 
mental: diretrizes políticas, currículo e práticas pedagógicas. Tese (Doutorado 
em Educação) – UERJ, Rio de Janeiro, 2009. 
TAVARES FILHO, T. E. Fundamentos da Educação Inclusiva. Universidade 
Federal do Amazonas - Faculdade de Educação. Departamento de Teoria e 
Fundamentos. 
VEIGA, C. G. Escola pública para os negros e os pobres no Brasil: uma invenção 
imperial. Revista Brasileira de Educação, v. 13, n. 39, p. 502-516, set.-dez. 
2008. 
 
 
7 
 
UNIDADE 01. ASPECTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA 
 
Objetivo 
A presente unidade tem o objetivo de tecer um panorama geral acerca 
dos processos históricos da segregação social e educacional do indivíduo 
deficie te co siderado ‘a orma ’. 
 
BEBENDO NA FONTE 
 No meio do caminho tinha uma pedra 
 Tinha uma pedra no meio do caminho 
 Tinha uma pedra 
 No meio do caminho tinha uma pedra. 
 Nunca mais me esquecerei desse acontecimento 
 Na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
 Nunca me esquecerei de que no meio do caminho 
 Tinha uma pedra. 
 (Carlos Drummond de Andrade) 
 
 Ao longo dos diversos períodos da história universal, desde os mais 
remotos tempos, evidenciam-se teorias e práticas sociais segregadoras dos 
i div duos co siderados ‘a ormais’ de forma especia do seu acesso ao sa er. 
Poucas pessoas podiam participar dos espaços sociais nos quais se transmitiam, 
criavam e se recriavam conhecimentos historicamente elaborados pela 
humanidade. A pedagogia da exclusão tem origens remotas, no mesmo sentido 
como são construídas as condições da existência humana em determinado 
momento histórico. 
 
8 
 
 s i div duos com defici cias co siderados ‘doe tes’ e i capa es 
sempre estiveram em grande desvantagem, ocupando, no imaginário coletivo, a 
posição de sujeitos da caridade e da assistência social e não de sujeitos de 
direitos sociais, dentre os quais se inclui o direito à educação. Atualmente 
constata-se ue dificu dade de aceitação do ‘difere te’ a família e na 
sociedade, principalmente àquele sujeito com deficiências múltiplas e graves, 
que no processo de escolarização apresenta dificuldades acentuadas de 
aprendizagem. 
 Além desse grupo, outros segmentos da comunidade são igualmente 
discriminados e permanecem à margem do sistema educacional. É o caso dos 
superdotados, com altas habilidades, que, devido a necessidades e motivações 
específicas1, são considerados difíceis e indisciplinados,de professores e professoras para o 
atendimento educacional especializado nas escolas urbanas, do campo, 
indígenas e de comunidades quilombolas (Estratégia 4.3); 
 
48 
 
e promover a articulação intersetorial entre os órgãos e políticas públicas de 
saúde, assistência social e direitos humanos, em parceria com as famílias, a fim 
de desenvolver modelos de atendimento voltados à continuidade do 
atendimento escolar na educação de jovens e adultos das pessoas com 
deficiência e transtornos globais do desenvolvimento com idade superior à faixa 
etária de escolarização obrigatória, de forma a assegurar a atenção integral ao 
longo da vida (Estratégia 4.12). 
 Destaca-se também o esforço conjunto de sistemas e redes de ensino em 
garantir o pleno acesso à educação a todos os alunos atendidos pela educação 
especial, conforme evidenciam as matrículas nas redes públicas. Os resultados 
do Censo Escolar da Educação Básica de 2013 indicam que, do total de 
matrículas daquele ano (843.342), 78,8% concentravam-se nas classes comuns, 
enquanto, em 2007, esse percentual era de 62,7%. Também foi registrado, em 
2013, que 94% do total de matrículas de alunos com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação em classes 
comuns do ensino regular se concentraram na rede pública. Esses dados 
mostram o esforço na implementação de uma política pública de 
universalização do acesso a todos os educandos, valorizando as diferenças e 
atendendo às necessidades educacionais na perspectiva da inclusão 
educacional. 
 Os dados mostram que houve um crescimento de 2,8% no número de 
matrículas nessa modalidade de ensino no ano de 2013 em relação a 2012, 
passando de 820.433 matrículas para 843.342. Também 23 ocorreu um 
crescimento de 4,5% no número de incluídos em classes comuns do ensino 
regular e na educação de jovens e adultos (EJA) e, ao mesmo tempo, a redução 
de 2,6% no número de matrículas em classes e escolas exclusivas. Apesar de 
todo este esforço, há ainda um grande desafio para promover a universalização, 
com acessibilidade ao ambiente físico, aos recursos didáticos e pedagógicos. 
 
49 
 
PARA SABER MAIS SOBRE A META 4 
1. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
(MEC, 2008), disponível em: 
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf. 
2. Resoluções da Câmara de Educação Básica e do Pleno do Conselho Nacional 
de Educação (CNE) sobre educação especial estão disponíveis no endereço: 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=128
12&Itemid=866. 
3. As publicações do Ministério da Educação (MEC) sobre educação especial na 
perspectiva da educação inclusiva estão disponíveis em: 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=170
09&Itemid=913. 
 
Mais informações podem ser encontradas nos endereços eletrônicos: 
http://pne.mec.gov.br/programas-metas.24 
http://pne.mec.gov.br/ 
 
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17009&Itemid=913
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17009&Itemid=913
 
50 
 
UNIDADE 07. PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO 
INCLUSIVA 
 
Objetivo 
Esta unidade visa estabelecer um debate acerca dos princípios filosóficos 
que alicerçam a Educação Inclusiva. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Princípios Filosóficos da Educação Inclusiva 
O que é o homem? É esta a primeira e principal pergunta da filosofia 
[...] Se pensamos nisto, a própria pergunta não é uma pergunta 
a strata ou ‘o jetiva’. Nasceu da ui o ue ref etimos so re s 
mesmos e sobre os outros e queremos saber, em relação ao que 
refletimos e vimos, o que somos e em que coisa nos podemos tornar, 
se rea me te de tro de ue imites somos ‘art fices de s pr prios’ 
da nossa vida, do nosso destino. Antonio Gramsci. 
 
 Um dos principais objetivos da educação em nossos dias deve ser o 
desenvolvimento integral do homem e a sua preparação para uma vida 
produtiva na sociedade, fundada no equilíbrio entre os i teresses i dividuais e 
as re ras de vida os rupos sociais. É esse co texto ue a i c usão um dos 
mais comp exos temas atua me te discutidos o ce rio atua . 
 Cresce o desafio de pois 
incluir a u os co siderados “difere tes” o sistema comum de e si o re uer 
 ão ape as a aceitação das difere ças uma as mas imp ica tra sformação 
de atitudes, posturas, pri cipa me te em re ação à se do 
 ecess ria a modificação do sistema de e si o em como a or a i ação das 
esco as para ue se ajustem às dema das de todos os a u os. 
 
51 
 
 A co cepção da escola inclusiva deve reco ecer as difere ças uma as 
como normais e a aprendizagem centrada nas potencialidades do sujeito ao 
i v s de impor aos a u os rituais peda icos preesta e ecidos. 
 A educação especial que obedece aos mesmos princípios da educação 
geral deve se iniciar no momento em que se identificam atrasos ou alterações 
no desenvolvimento global da criança e continuar ao longo de sua vida, 
valorizando suas potencialidades e oferecendo todos os meios para que as 
potencialidades sejam desenvolvidas ao máximo. 
 De acordo com Tavares Filho, além de seguir os princípios democráticos 
de igualdade, liberdade e respeito à dignidade, a educação especial norteia sua 
ação pedagógica por princípios específicos, que são os seguintes: 
 a) Princípio de Normalização – Pode ser considerada a base filosófica – 
ideológica da integração. O termo traz muita controvérsia em seu significado, 
por ue deriva da pa avra “ orma ” e tam m fa pe sar em “ ormas sociais” 
que consideram desviantes aqueles que fogem dos padrões médios de 
comportamento socialmente estabelecidos. Normatização poderia sugerir 
erroneamente a busca de conformidade às normas sociais. Também não 
si ifica tor ar “ orma ” a pessoa portadora de defici cias. reva ece sempre o 
seu direito de ser diferente e de ter suas necessidades especiais reconhecidas e 
atendidas pela sociedade. A ideia de normalização traz em seu bojo a dupla 
mensagem: uma referente às condições de vida (meios) e outra a forma de viver 
(resultados). No aspecto meios significa oferecer aos portadores de 
necessidades especiais as mesmas condições e oportunidades sociais, 
educacionais e profissionais a que outras pessoas têm acesso. No aspecto 
resultados, respeitando-se as características pessoais, normalização significa 
acreditar a maneira desses indivíduos com direitos e deveres. 
 b) Princípio da Individualização – Nenhum outro tipo valoriza tanto as 
diferenças individuais, sejam as existentes entre os portadores de necessidades 
 
52 
 
especiais e as pessoas ditas normais, seja comparando entre si os próprios 
portadores de necessidades especiais. A individualização pressupõe a 
adequação do atendimento educacional a cada portador de necessidades 
educativas especiais, respeitando seu ritmo e características pessoais. 
 c) Princípio Sociológico da Interdependência – As próprias 
características dos portadores de necessidades especiais, particularmente 
quando deficientes ou com condutas típicas, exigem, além do atendimento 
educacional, outras práticas nas áreas sócio-médico-psicológicas. Sempre 
visando ao pleno desenvolvimento das potencialidades, devem-se valorizar 
parcerias envolvendo educação, saúde, ação social e trabalho. A sociedade civil 
organizada deve também articular-se com órgãos governamentais em ações 
conjuntas e interdependentes. 
 d) Princípio epistemológico de construção do real – refere-se à 
conciliação entre o que é necessário para atender às aspirações e interesses dos 
portadores de necessidades especiais e à aplicação dos meios disponíveis. Nem 
sempre as condições permitem desenvolver ações que atendama todas as 
necessidades do alunado. Portanto, em respeito às diferenças individuais e às 
circunstâncias socioeco ômicas preciso “co struir o rea ” sempre visa do em 
médio e em longo prazo ao atendimento a todas as necessidades do alunado 
de educação especial. 
 e) Princípio do ajuste econômico com a dimensão humana – refere-se 
ao valor que se deve atribuir à dignidade dos portadores de necessidades 
educacionais especiais como seres integrais. Nesse sentido, as relações custo-
benefício na educação especial não devem prevalecer sobre a dimensão do 
homem portador de necessidades especiais, que faz jus a todos os direitos 
como cidadão. Cumpre alertar que a falta de atendimento educacional 
adequado a essas pessoas representa, em longo prazo, um alto custo à nação. 
 
53 
 
 f) Princípio de Legitimidade – Visa à participação das pessoas 
portadoras de deficiências, de condutas típicas e de altas habilidades, ou de 
seus representantes legais, na elaboração e formulação de políticas públicas, 
planos e programas. 
 
Princípios Filosóficos a partir de documentos oficiais 
 Os princípios filosóficos visam contribuir para transformar determi adas 
posturas o servadas atrav s da ist ria das sociedades a partir de uma 
educação i c usiva. Nessa perspectiva a ideia ce tra da i c usão uma 
muda ça a forma de e te der a pessoa deficie te propicia do 
uma "sociedade para todos". (Sassaki, 1999).9 
 texto oficia ‘Educação I c usiva: Fu dame tação Fi os fica’10 tem por 
finalidade apresentar a visão filosófica e os princípios do modelo de educação 
inclusiva. No tocante à fundamentação filosófica aponta trechos da Declaração 
Universal dos Direitos Humanos, de 1948, na qual os países signatários 
reconhecem que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e 
direitos. A Declaração esclarece que a concepção de direitos humanos vincula 
os princípios da universalidade e da indivisibilidade dos mesmos, a partir da 
seguinte compreensão: "[...] universalidade, porque a condição de pessoa é 
requisito único para titularidade de direitos e indivisibilidade, porque os direitos 
civis e políticos são conjugados aos direitos econômicos sociais e culturais." 
(MEC/SEESP, 2004, p. 7). 
A Declaração aponta para valores de liberdade e igualdade, os quais são 
colocados em relação recíproca e referendados como alicerces de uma 
 
9
 Para alcançar tal objetivo a esco a I c usiva tem fu dame tação e a a partir do disposto a Co stituição Federa de 
1988 o Estatuto da Cria ça e do Ado esce te de 13 de ju o de 1990 a Lei de Diretri es e Bases Lei .o 9.394/96 a 
Dec aração Mu dia de Educação para Todos e Dec aração de Sa ama ca a m de outras eis decretos e portarias ue 
 ara tam a todos direito à educação. s refere ciais e ais apo tam a para a import cia das i stituiç es ade uarem 
seus espaços curr cu os m todos t c icas recursos educativos e or a i ação espec fica para ate der às dema das 
individuais dos alunos. 
10
 O documento foi organizado pela coordenação geral da Secretaria de Educação Especial - SEESP do Ministério da 
Educação – MEC, no ano de 2004, 
 
54 
 
sociedade que respeita e valoriza as diferenças; todavia esses valores não 
existem isoladamente. A diversidade é uma consequência: "o valor da 
diversidade se impõe como condição para o alcance da universalidade e da 
indivisibilidade dos Direitos Humanos." (idem). 
As diversidades "não devem ser elemento para construção de 
desigualdades, discriminações ou exclusões, mas sim, devem ser norteadores de 
políticas afirmativas de respeito à diversidade voltadas para a construção de 
contextos sociais inclusivos." (idem). 
Em relação aos princípios, enfatiza que uma sociedade inclusiva se baseia 
na valorização da diversidade "tendo como horizonte o cenário ético dos 
Direitos Humanos, sinaliza a necessidade de se garantir o acesso à participação 
de todos, a todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de 
cada indivíduo e/ou grupo social." (MEC/SEESP, 2004, p. 8). 
 A partir do respeito à diversidade, o documento apresenta quatro 
dimensões que se desdobram como princípios: 
 1. A primeira trata da identidade pessoal e social e da construção da 
igualdade na diversidade, visando ao desenvolvimento da consciência, do 
direito e do reconhecimento da identidade própria e do outro, como direito à 
igualdade e ao respeito às diferenças, "assegurando oportunidades 
diferenciadas (a equidade), tantas quantas forem necessárias, com vistas à busca 
da igualdade". (MEC/SEESP, 2004, p. 8). O princípio da igualdade é um dos 
eixos para formação de uma sociedade justa e democrática11. No documento, a 
igualdade é definida: 
Garantias de condições apropriadas de atendimento às peculiaridades 
individuais, de forma que todos possam usufruir as oportunidades 
existentes. Há que se enfatizar aqui que o tratamento diferenciado 
 
11
 Este princípio, está em consonância com o Artigo 5º da Constituição Federal do Brasil, no está garantida a igualdade 
de todos perante a lei. 
 
55 
 
não se refere à instituição de privilégios e, sim, à disponibilidade das 
condições exigidas, na garantia da igualdade (MEC/SEESP, 2004, p. 9). 
2. O segundo princípio define a escola inclusiva como espaço pleno de 
construção da cidadania, através da convivência social. A escola enquanto 
espaço formativo da educação tem também a função de trabalhar a consciência 
cidadã e exercitar os direitos e deveres organizados na sociedade, em um 
coletivo diversificado, atendendo à diversidade e às deficiências. 
3. Como terceiro princípio, a Declaração defende a relação entre o 
exercício da cidadania e a promoção da paz na escola inclusiva, por meio da 
reflexão e análise crítica da dinâmica social, na qual são apontadas as práticas 
de violação dos direitos e/ou anulação de um sujeito pelo outro. A educação 
inclusiva está relacionada com a proposta de educação para paz, através de 
formas de convivência alicerçadas na solidariedade e no respeito às diferenças 
(valores imprescindíveis à cidadania plena, à defesa dos direitos). 
4. O quarto princípio refere-se à atenção às pessoas com deficiência, 
transtornos globais e superdotação como um nível de fundamental 
representação do reconhecimento e valorização da diversidade na sociedade 
inclusiva, desafiando a compreensão crítica das relações entre os direitos 
humanos, a potencialidade da luta pela conquista desses direitos em uma 
perspectiva emancipatória no tocante à função social da educação. 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
Ao longo da história, foram constituídas tendências filosófico-políticas 
para compreender o sentido da educação na sociedade. Tais tendências podem 
ser expressas pelos conceitos de educação, como redenção, educação como 
reprodução e educação como um meio de transformação da sociedade. 
A educação como redentora da sociedade propõe uma ação pedagógica 
otimista, do ponto de vista político, acreditando que a educação tem poderes 
quase que absolutos sobre a sociedade. 
 
56 
 
A tendência reprodutivista é crítica em relação à compreensão da 
educação na sociedade, porém pessimista, não vendo qualquer saída para ela, a 
não ser submeter-se aos seus condicionantes. 
A tendência transformadora crítica recusa-se tanto ao otimismo ilusório, 
quanto ao pessimismo imobilizador. Propõe compreender a educação dentro 
de seus condicionantes e agir estrategicamente para sua transformação, por 
meio do desvendamento e utilização das próprias contradições da sociedade, 
para trabalhar crítica e realisticamente pela sua transformação. 
Nos termos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em especial 
no tocante aos quatros princípios (igualdade, cidadania, cultura da paz e 
atenção), a tendência transformadora atendeàs demandas, expectativas e 
necessidades dos alunos. Todavia, cabe ao educador, filosoficamente, 
compreender qual tendência orientará sua ação político-pedagógica. 
Alguns filmes que poderão contribuir para a melhor apreensão da 
temática abordada nesta unidade: 
 
Helen Keller and Her Teacher 
Quando só o coração vê 
After Thomas - Um amigo inesperado 
Eu me chamo Elisabeth 
Filhos do silêncio (Children of a lesser God, 1986) 
Fonte: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_filmes_que_abordam_o_tema_defici%C3%AAncia 
 
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Helen_Keller_and_Her_Teacher&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=A_Patch_of_Blue&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=After_Thomas_-_Um_amigo_inesperado&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Je_m%27appelle_Elisabeth&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Children_of_a_Lesser_God,_1986&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_filmes_que_abordam_o_tema_defici%C3%AAncia
 
57 
 
UNIDADE 08. PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS DA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
Objetivo 
Esta unidade visa estabelecer um debate acerca dos princípios 
pedagógicos que alicerçam a Educação Inclusiva. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Princípios Pedagógicos da Educação Inclusiva 
“Ai de s educadores se deixamos de so ar so os poss veis. [...] 
Os profetas são aqueles ou aquelas que se molham de tal forma nas 
águas da sua cultura e da sua história, da cultura e da história do seu 
povo, que conhecem o seu aqui e o seu agora e, por isso, podem 
prever o ama ã ue e es mais do ue adivi am rea i am.” au o 
Freire 
 
 A educação especial na perspectiva da educação inclusiva tem 
ocasionado profundas transformações nos sistemas de ensino. As mudanças 
têm exigido novas práticas e consequentemente um novo perfil profissional do 
educador, o envolvimento de profissionais de diversas áreas com a causa 
educativa. Associado aos novos compromissos dessa nova escola, o papel da 
família tem um novo papel significativo, no acompanhamento de seus filhos e 
no estabelecimento de parceria e participação ativa nos projetos pedagógicos. 
Nessa perspectiva, Tavares Filho elenca pressupostos pedagógicos relacionados 
com a educação especial na perspectiva da educação inclusiva: 
 
Perfil do educador inclusivo: 
 Interessado nas preferências motivacionais do aluno; 
 Respeita o potencial do aluno; 
 
58 
 
 Aceita todos os alunos igualmente; 
 Adota uma abordagem de ensino facilitadora da aprendizagem; 
 Crê que todos os alunos conseguem desenvolver habilidades básicas; 
 Estimula os educandos a direcionarem seu aprendizado; 
 Acredita na capacidade individual dos alunos; 
 Deseja inicialmente conhecer o seu aluno e aumentar a sua 
autoconfiança; 
 Acredita que as metas podem ser alcançadas; 
 Defende o princípio de que todas as pessoas podem ser incluídas; 
 Sabe que precisa prover meios e recursos necessários para a inclusão; 
 Envolve outras pessoas no processo de ensino-aprendizagem; 
 É flexível ao método de avaliação, eliminando o medo e a ansiedade; 
 Utiliza as experiências de vida do próprio aluno; 
 Adota uma abordagem centrada no aluno. 
 
O envolvimento da família na inclusão escolar: 
 Há uma intercomunicação entre escola e família; 
 Os pais participam das reuniões na Escola; 
 As famílias são parceiras plenas junto à equipe escolar; 
 As prioridades da família são utilizadas como uma base para o 
preenchimento do plano individualizado de educação de seu filho; 
 Os pais recebem todas as informações relevantes, seus direitos, práticas 
educativas; planejamento centrado na pessoa; notícias da escola; 
 Os pais recebem na escola treinamento adequado para acompanhar a 
evolução de aprendizagem do filho; 
 Os pais são estimulados a participar em todos os aspectos operacionais 
da escola como voluntários para sala de aula, como membros do 
 
59 
 
conselho da escola, como membros da associação de pais e mestres, 
como treinadores etc. 
 A escola provê recursos para atender as necessidades especiais da 
família, como o oferecimento de intérpretes de LIBRAS; 
 A escola respeita a cultura familiar, as crenças e os costumes; 
 Os pais recebem instruções pedagógicas para aplicar aos seus filhos na 
continuidade do ensino no lar. 
 
 O autor também aponta aspectos da evolução do processo educativo na 
inclusão escolar: 
 Os educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e 
altas habilidades ou superdotação frequentam escolas mais próximas de 
suas casas e estudam em classes comuns com colegas não deficientes da 
mesma faixa etária. Essa interação cria oportunidades de aprenderem uns 
sobre os outros e reduz o estigma; 
 O professor ensina a todos os alunos sem discriminação, considerando 
os alunos integrados e valorizados; 
 Materiais curriculares serão adaptados ao nível necessário de 
atendimento aos alunos, servindo também aos alunos ditos normais; 
 Considerando a diversidade dos alunos, os métodos de ensino se 
dinamizam com instrução multinível, comunicação total, aprendizagem 
por cooperação e aprendizado baseado em atividades; 
 Para assegurar a permanência dos alunos em sala de aula, sempre haverá 
colaboração de atendimento entre professores e outros profissionais; 
 Os alunos participam ativamente da vida social da escola, com 
envolvimento em eventos, atividades ocupacionais remuneradas entre 
outras. 
 
 
60 
 
Tendências Pedagógicas 
A tendência pedagógica adotada pela escola pode servir de justificativa 
para a não adequação de alguns tipos de alunos, contribuindo para a lógica da 
exclusão. Há escolas tradicionais, consideradas conteudistas, privilegiando 
práticas individualistas e competitivas, impedindo a proposta de inclusão. As 
escolas progressistas contemplam em seus objetivos a formação integral do 
aluno, o incentivo aos valores sociais, como cooperação e respeito, o 
desenvolvimento de avaliações formativas. Nestas escolas é possível vivenciar 
plenamente a educação especial, na perspectiva da educação inclusiva. 
O projeto pedagógico de escola inclusiva privilegia o pensar, o sentir e o 
agir, a partir de reflexões críticas sobre a comunidade escolar e o mundo, 
favorece o desenvolvimento dos valores sociais, a humanização das relações e, 
consequentemente, a possibilidade de construir uma cultura de paz. Nesse 
sentido, as diferenças são respeitadas e valorizadas. 
 
Pedagogia Progressista 
 Há várias abordagens pedagógicas compreendidas pela pedagogia 
progressista, dentre elas citamos a abordagem humanista, a construtivista, a 
sociointeracionista, a sociocultural e histórico-crítica. Nosso objetivo é discorrer 
brevemente sobre aspectos inerentes ao processo de ensino e aprendizagem, 
acentuados por estas abordagens/tendências, os quais favorecem a Educação 
Especial na perspectiva da educação inclusiva. 
 Dessa forma, um dos princípios pedagógicos concebe que o 
conhecimento advém das experiências dos alunos, pois a aprendizagem é um 
produto do ambiente, das pessoas e não de fatores externos aos alunos. O 
conhecimento se dá através da interação entre o sujeito e os objetos, com 
reinvenção, democratização da cultura, concebido como produto da atividade 
humana no processo histórico de apropriação do mundo. 
 
61 
 
 O homem se constrói e se reconstrói a partir de sua percepção, 
estímulos, experiências às quais atribui significado. É um ser social e histórico 
que se cria na medida em que interage e transforma o mundo (produzido, 
descoberto e reinventado pelos sujeitos que se constroem na relação com o 
mundo e com os outros sujeitos). 
 Nessa escola, sociedade e cultura são produtos das relações históricas e 
interpessoais, dinâmicas e em constante transformação, criadas como resultado 
da atividade humana, dasrelações sociais entre o homem e o meio. 
 A educação do ser humano contempla o desenvolvimento intelectual e 
emocional, é produto de interação dialética ente a atividade material e social. da 
apropriação da cultura, do conhecimento histórico. É um ato político cujo 
objetivo é a consciência da realidade e da capacidade do homem de 
transformá-la, criando condições para que o homem, sujeito da educação, 
exerça uma reflexão crítica e comprometida sobre si mesmo, sobre a sociedade, 
sobre as relações e práticas sociais. 
 A escola respeita a criança como ela é, reconhecendo suas diferenças 
individuais, oferecendo condições para que possa desenvolver-se 
autonomamente em seu processo de vir a ser, desenvolvendo suas estruturas 
mentais, habilidades, autonomia intelectual, social e moral, cooperação, 
liberdade de ação, para o acesso ao conhecimento. 
 Nesse contexto, o processo de ensino e aprendizagem é centralizado na 
pessoa, não é diretivo, pois a pessoa pode estruturar-se e agir levada pela sua 
própria experiência, criatividade, autoconfiança, pesquisa, investigação, 
inventividade. Considera os interesses, ritmos, desenvolvimento, assimilação e 
reinvenção dos conteúdos, compreensão da prática social dos alunos e 
professores. Para isso, a relação entre o professor e o aluno não é autoritária. 
É empática, autêntica, aberta, compreensiva, participativa e dialógica. 
 
 
62 
 
Referências Bibliográficas 
TAVARES FILHO, T. E. Fundamentos da Educação Inclusiva. Universidade Federal 
do Amazonas - Faculdade de Educação. Departamento de Teoria e 
Fundamentos 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
 
 
 
 
 
 
 
As Escolas Inclusivas possuem as seguintes características: 
Senso de pertencer – Visão acolhedora de que todas as crianças pertencem à 
escola e à comunidade, e que podem aprender juntas; 
Liderança – o diretor envolve-se ativamente com a escola toda no provimento 
de estratégias para a inclusão dos alunos; 
Padrão de Excelência – os altos resultados educacionais refletem as 
necessidades individuais do aluno; 
Colaboração e cooperação – envolvimento de alunos em estratégias de apoio 
mútuo (ensino de iguais, sistema de companheiro, aprendizado cooperativo, 
ensino em equipe, coensino, equipe de assistência aluno-professor; 
Novos papéis e responsabilidades – os professores falam menos e assessoram 
mais; psicólogos atuam mais junto aos professores nas salas de aula; todo o 
pessoal da escola faz parte do processo de aprendizagem; 
Parceria com os pais – os pais são parceiros igualmente essenciais na educação 
de seus filhos; 
 
63 
 
Acessibilidade – todos os ambientes físicos são tornados acessíveis para 
facilitar o acesso e o ir e vir dos alunos; 
Ambientes flexíveis de aprendizagem – espera-se que os alunos se 
promovam de acordo com o estilo e ritmo individual de aprendizagem e não de 
uma única maneira para todos; 
Estratégias baseadas em pesquisa – as estratégias de ensino são baseadas em 
tecnologias avançadas dos projetos pedagógicos que apresentam resultados 
significativos: aprendizado cooperativo; adaptação curricular; ensino de iguais; 
ensino recíproco; treinamento em habilidades sociais; instrução assistida por 
computador; treinamento em habilidades de estudar; 
Novas formas de avaliação escolar – dependendo cada vez menos de testes 
padronizados, a escola usa novas formas para avaliar o progresso de cada aluno 
rumo aos respectivos objetivos; 
Formação continuada – aos professores são oferecidos cursos de 
aperfeiçoamento contínuo visando a melhoria de seus conhecimentos e 
habilidades para educar melhor seus alunos especiais; 
Atendimento domiciliar e hospitalar – modalidades de atendimento em casos 
emergenciais em que os alunos apresentem dificuldades de locomoção; 
Provimento de equipamentos e materiais instrucionais – como salas de 
apoio pedagógico, salas de recursos; 
Organização de equipe multiprofissional – para atuarem nos centros 
integrados, para fins de promoverem triagem e emitir diagnóstico aos alunos; 
Sensibilização – diz respeito à campanha de conscientização quanto aos 
princípios que regem a educação especial, combatendo-se a discriminação, o 
preconceito e o separatismo social dos alunos. 
 
Fonte: Fundamentos da Educação Inclusiva - Universidade Federal do Amazonas - Faculdade 
de Educação: Departamento de Teoria e Fundamentos 
Prof. Doutor Thomé Eliziário Tavares Filho 
 
64 
 
UNIDADE 09. EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA 
DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: ESPAÇOS E SUJEITOS 
 
Objetivo 
Esta unidade estabelecerá onde e como a Educação Especial deve 
ocorrer e quem são os sujeitos a quem ela se destina. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva: espaços e sujeitos 
“O senhor...mire e veja o mais importante e bonito do mundo é isto: 
que as pessoas não estão sempre iguais, não foram terminadas – mas 
que elas vão sempre mudando. É o que a vida me ensinou. Isso me 
a e ra. Mo tão”. Guimarães Rosa 
 
Conforme nos orienta Sassaki (1999), para assegurar que todos os 
estuda tes comecem a apre der ue o “perte cer” um direito ão um status 
privilegiado que deva ser conquistado, a Educação Especial, modalidade da 
educação escolar, é concebida como um processo educacional definido por 
uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais 
especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, 
suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de 
modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das 
potencialidades dos educandos com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação em todas as etapas e 
modalidades da educação básica. 
 A Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva representa um 
avanço em relação ao movimento de integração escolar, que pressupunha o 
ajustamento da pessoa com deficiência para sua participação no processo 
 
65 
 
educativo desenvolvido nas escolas comuns. De acordo com Tavares Filho, a 
inclusão postula uma mudança estrutural no ensino regular, para que a escola 
se torne inclusiva, um espaço democrático e competente para trabalhar com 
todos os educandos, sem distinção de raça, classe, gênero ou características 
pessoais, baseando-se no princípio de que as diferenças devem, não só serem 
aceitas, como desejadas e valorizadas. Os desafios estão na garantia de um 
 ovo processo educativo apo ta do para o ovo ‘fa er peda ico’. 
 Tal compreensão, segundo o autor, permite entender a educação 
especial numa perspectiva de inserção social ampla, historicamente diferenciada 
de todos os paradigmas até então exercitados como modelos formativos, 
técnicos e limitados de simples atendimento. Trata-se de uma educação escolar 
que, em suas especificidades e em todos os momentos, deve estar voltada para 
a prática da cidadania, em uma instituição escolar dinâmica, que valorize e 
respeite as diferenças dos alunos. O aluno é sujeito em seu processo de 
conhecer, aprender, reconhecer e construir a sua própria cultura. 
 O real sentido da educação especial é incorporado ao um cenário, no 
qual é necessário entender onde e como ela deve ocorrer e a quem se destina. 
 
Onde e como deve ocorrer a Educação Especial 
 A educação especial deve ocorrer em todas as instituições escolares que 
ofereçam os níveis, etapas e modalidades da educação escolar previstos na 
LDBEN, de modo a propiciar o pleno desenvolvimento das potencialidades 
sensoriais, afetivas e intelectuais do aluno, mediante um projeto pedagógico 
que contemple, além das orientações comuns12, um conjunto de elementos que 
permitam definir objetivos, conteúdos e procedimentos relativos à própria 
 
12
 Cumprimento dos 200 dias letivos, horas aula, meios para recuperação e atendimento do aluno, avaliação e 
certificação,pelo aluno e das condições para o atendimento 
inclusivo, a equipe pedagógica da escola e a família devem decidir, com base 
em avaliação pedagógica, quanto ao seu retorno à classe comum. 
 
A Escola Especial 
 A educação escolar de alunos que apresentam necessidades 
educacionais especiais e que requeiram atenção individualizada nas atividades 
da vida autônoma e social, bem como ajuda e apoio intensos e contínuos e 
flexibilizações e adaptações curriculares tão significativas que a escola comum 
não tenha conseguido prover, pode efetivar-se em escolas especiais, 
assegurando-se que o currículo escolar observe as diretrizes curriculares 
nacionais. Esse atendimento, sempre que necessário, deve ser complementado 
por serviços das áreas de Saúde, Trabalho e Assistência Social. A partir do 
desenvolvimento apresentado pelo aluno, a equipe pedagógica da escola 
especial e a família devem decidir conjuntamente quanto à transferência do 
aluno para escola da rede regular de ensino, com base em avaliação 
pedagógica e na indicação, por parte do setor responsável pela educação 
especial do sistema de ensino, de escolas regulares em condições de realizar 
seu atendimento educacional. Para uma educação escolar de qualidade, é 
fundamental prover e promover em sua organização: 
I. matrícula e atendimento educacional especializado nas etapas e modalidades 
da Educação Básica previstas em lei e no seu regimento escolar; 
II. encaminhamento de alunos para a educação regular, inclusive para a 
educação de jovens e adultos; 
III. parcerias com escolas das redes regulares públicas ou privadas de educação 
profissional; 
IV. conclusão e certificação de educação escolar, incluindo terminalidade 
específica, para alunos com deficiência mental e múltipla; 
 
71 
 
V. professores especializados e equipe técnica de apoio; 
VI. flexibilização e adaptação do currículo previsto na LDBEN, nos Referenciais e 
nos Parâmetros Curriculares Nacionais. 
 
Referências Bibliográficas 
Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva 
(disponível em HTTP://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf) 
SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão: Construindo Um a Sociedade Para Todos. 3ª 
edição. Rio de Janeiro: WVA, 1999, 174p. 
TAVARES FILHO, T. E. Fundamentos da Educação Inclusiva. Universidade Federal 
do Amazonas: Faculdade de Educação. Departamento de Teoria e Fundamentos 
 
 
 
72 
 
UNIDADE 10. DESAFIOS PARA A VERDADEIRA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
Objetivo 
Esta unidade tem o objetivo de abordar alguns aspectos essenciais para a 
uma Educação Inclusiva de qualidade social esteja presente no cenário 
educacional brasileiro. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Desafios para a verdadeira Educação Inclusiva 
“A i c usão causa uma muda ça de perspectiva educacio a pois ão 
se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na 
escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, 
para ue o te am sucesso a corre te educativa era ”. 
(Montoan,1997, p.145) 
 
 Há inúmeras resistências à inclusão, tanto no âmbito escolar, 
profissional, familiar, como em outros setores. As principais resistências têm 
como origem o preconceito, a falta de informação e intolerância a modelos 
mais flexíveis. O medo do novo, do desconhecido nos educadores tem origem 
na formação acadêmica a qual não os habilitou para o trabalho com a 
diversidade, nem tão pouco o engenheiro que projeta um prédio15. 
 
15
 A diferenciação para excluir era ato comumente praticado, mesmo com base nas melhores intenções. Os serviços da 
educação especial permitiam que alunos com dificuldades de aprendizagem, por exemplo, fossem atendidos em salas 
de recursos, em classes especiais e até mesmo em escolas especiais. Os professores de educação especial se 
descaracterizavam ao atender a esses casos e tinham seus perfis desfigurados e suas competências subutilizadas. A 
exclusão se mantinha e se justificava por esses descaminhos. (Montoan) 
 
 
73 
 
 De acordo com Montoan16 não é tão fácil e palatável aos sistemas de 
ensino e aos que pleiteiam a educação especial na sua concepção excludente 
assumir essa virada de sentido da diferenciação. Essa dificuldade, embora até 
certo ponto esperada, tem se traduzido por uma resistência vazia de 
argumentos e de embasamento teórico-metodológico que convença a volta 
atrás, o retrocesso aos tempos em que o entendimento da educação comum e 
da educação especial permitia e sustentava os benefícios de diferenciar para 
excluir. 
 Pais e professores, autoridades educacionais, políticos engajados no 
atendimento a pessoas com deficiência ainda enfrentam o ceticismo, o 
pessimismo de muitos, cujos olhos, embaçados pelo assistencialismo, a 
benemerência, o paternalismo, não conseguem vislumbrar o que esse novo 
sentido da diferenciação traz de avanços e vantagens para todos, 
indistintamente. 
 A escola comum se caracteriza como inclusiva quando reconhece e 
valoriza as diferenças de características de seu alunado e quando luta contra 
práticas discriminatórias, segregacionistas e contra processos sociais 
excludentes, garantindo a todos o direito de aprender a aprender. 
 A escola na perspectiva inclusiva, não o é somente pela presença física de 
sujeitos deficientes, muito menos por assegurar a matrícula e a presença de 
educandos especiais em seu âmbito. Esse acesso deverá ser acompanhado de 
qualidade, permanência com êxito, mudança comportamental da comunidade 
escolar e o reconhecimento do aluno deficiente como sujeito de direito igual a 
todos, capaz de traçar sua própria trajetória, caso contrário será a exclusão 
dentro da inclusão. A escola inclusiva precisa superar alguns desafios, os quais 
serão abordados na sequência. 
 
16
 A diferenciação para excluir – motivo de discriminação e a diferenciação para incluir, que promove a inclusão, têm 
sido exaustivamente explicitadas pelos que se dispõem a esclarecer as atuais pretensões da educação especial. 
 
74 
 
 As escolas de educação regular, pública e privada devem assegurar as 
condições necessárias para o pleno acesso, participação e aprendizagem dos 
estudantes com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento, em todas 
as atividades desenvolvidas no contexto escolar, para que haja sentido e 
justificativa da presença do aluno naquele ambiente, para não nos pautarmos 
em práticas que apenas permitem ao deficiente estar na escola, em qualquer 
ambiente, fazendo qualquer coisa, exceto as atividades inerentes às unidades 
escolares, ou seja, sem efetivamente integrar-se à escola. 
 Dentre os serviços da educação especial que os sistemas de ensino 
devem prover estão os profissionais de apoio, tais como aqueles necessários 
para promoção da acessibilidade e para atendimento a necessidades específicas 
dos estudantes no âmbito da acessibilidade às comunicações e da atenção aos 
cuidados pessoais de alimentação, higiene e locomoção. 
 A educação inclusiva requer uma redefinição conceitual e 
organizacional das políticas educacionais e culturais. Nesta perspectiva, 
o financiamento dos serviços de apoio aos alunos deve integrar os custos gerais 
com o desenvolvimento do ensino, sendo disponibilizados em qualquer nível, 
etapa ou modalidade de ensino, no âmbito da educação pública ou privada. 
 Para Montoan, as iniciativas em favor do acesso dos alunos da educação 
especial às turmas das escolas comuns e aos novos serviços especializados 
visam à transposição das barreiras que os impediam de cursar com autonomia 
todos os níveis de ensino em suas etapas e modalidades, resguardado o direito 
à diferença, na igualdade de direitos. 
 É possível e urgente que se garanta a igualdade de direitos a uma 
educação, que livra o aluno de qualquer diferenciação para excluir e/ouinferiorizá-lo e que assegure o direito à diferença, quando lhe é propiciado um 
atendimento especializado, que considera suas características e especificidades. 
 
75 
 
 A educação especial tem a tarefa de complementar a formação dos 
alunos que constituem o seu público-alvo, por meio do ensino de conteúdos e 
utilização de recursos que lhes conferem a possibilidade de acesso, 
permanência e participação nas turmas comuns de ensino regular, com 
autonomia e independência. 
 A orientação da Política de Educação Especial é formar um profissional 
que não está encerrado no conhecimento específico de uma dada deficiência, 
como ocorria antes. Essa formação não lhe confere poderes de ensinar a partir 
de conhecimentos universalizados, referentes a uma deficiência – os problemas 
e soluções estão encarnados no aluno e não se encaixam em um receituário 
geral. 
 Segundo a autora, os objetivos da educação especial na perspectiva da 
educação inclusiva asseguram a inclusão escolar de alunos com deficiência, 
transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, 
orientando os sistemas de ensino para: 
 garantir o acesso de todos os alunos ao ensino regular (com 
participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de 
ensino); 
 formar professores para o Atendimento Educacional Especializado e 
demais professores para a inclusão; 
 prover acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, 
comunicações e informação; 
 estimular a participação da família e da comunidade; 
 promover a articulação intersetorial na implementação das políticas 
públicas educacionais; 
 oferecer o Atendimento Educacional Especializado - AEE. 
 
 
76 
 
Montoan afirma que a homogeneização das turmas escolares decorre da 
identidade que se impõe como a desejável, embora o normal só se defina pelo 
anormal, o branco pelo preto, ao velho pelo novo, o bom pelo mau e vice–
versa. Explica-se por tais razões a facilidade que temos de apontar, decidir 
/definir quem fica e, automaticamente, quem sai das turmas por ter ou não 
condições de ficar “de tro” de as. Na i c usão i u m sai todos estão de tro 
da escola, até mesmo o Atendimento Educacional Especializado, embora ainda 
preferencialmente! 
 As mudanças na educação especial e na escola comum estão vivendo o 
assombro pelo Outro, pelo diferente, nas nossas escolas. Reconhecer o Outro 
como “o difere te” ão asta por ue esse utro sempre “um” utro e ão 
“o” mesmo – ele difere infinitamente. O nosso entendimento do Outro está 
comprometido pela imagem do aluno rotulado que conseguimos conter em 
nossa cartela de categorias educacionais (id.). 
 A aprendizagem que nos falta para distinguir a diferenciação para incluir 
da diferenciação para excluir sobrevém aos encontros com esse Outro, que 
difere sempre e que não se deixa capturar. Ela é essencialmente ativa e 
mobilizadora, pois o confronto com a alteridade, quando nos deixa perplexos, 
constitui o seu momento ideal, impulsionado pela incerteza, pela dúvida, pelo 
desejo de enfrentar o desconhecido. 
 As incursões da educação especial nos sistemas de ensino promovem 
essas aprendizagens por aproximações necessárias e inusitadas, nas turmas, nas 
atividades do cotidiano. 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
DEFICIÊNCIAS (Mario Quintana) 
 
 
77 
 
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as 
imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência 
de que é dono do seu destino. 
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui. 
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e 
só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. 
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o 
apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir 
seus tostões no fim do mês. 
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da 
máscara da hipocrisia. 
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de 
sua ajuda. 
"Diabético" é quem não consegue ser doce. 
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. 
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: 
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus. 
"A amizade é um amor que nunca morre." 
 
DEFICIÊNCIAS - Mario Quintana 
Documentos da Secretaria de Educação Especial referem-se à construção 
de “sistemas educacio ais i c usivos” em todos os veis. e as aç es 
imp a tadas supomos ue um “sistema educacio a i c usivo” seja a ue e ue 
garanta o acesso ao estabelecimento educacional (matrícula e permanência) e 
que ofereça, quando necessário, atendimento educacional especializado – AEE, 
para complementar ou suplementar o atendimento escolar (prioritariamente em 
salas de recursos multifuncionais). Nessa proposta, as instituições 
 
78 
 
especializadas, outrora atores principais da Educação Especial, têm a condição 
de locais para AEE de caráter completar ou suplementar. 
A história de nossa educação constituiu-se de forma a separar os alunos: 
em normais e anormais; fortes e fracos etc. Dentro dessa forma de pensar a 
educação, muitas crianças estiveram longe das escolas públicas (não apenas 
crianças com deficiências). A política educacional atual impele a outras práticas 
escolares, diferentes das construídas historicamente. Para essa nova direção, o 
governo federal estabeleceu um caminho: a matrícula em classe comum e o 
apoio de atendimento educacional especializado para complementar ou 
suplementar a escolaridade. Para compreender essa escolha, acredito que seja 
necessário considerar os múltiplos determinantes da materialização da política 
educacional. [...] Ao olhar o conjunto das ações adotadas, verificamos as 
preferências do Governo Federal pela formação de educadores no sistema de 
multiplicadores e a distância. Essas escolhas pretendem otimizar os recursos, 
atingindo o maior número de pessoas possível. As preocupações econômicas 
foram determinantes para adoção de políticas em outros momentos da história 
da educação brasileira, como parecem estar presentes agora. No entanto, 
ressaltamos o fato de que, muitas vezes, essas escolhas são incompatíveis para 
o estabelecimento da garantia de direitos sociais. 
 
Referência Bibliográfica 
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Diferenciar para incluir: a educação especial 
na perspectiva da educação inclusiva. Disponível em: 
http://www.diversa.org.br/artigos/artigos.php?id=42&/diferenciar_para_incluir_a
_educacao_especial_na_perspectiva_da_educacao_inclusiva Acesso em: 13 out. 
2011. 
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	Capa Educação Inclusiva
	Educação Inclusiva - Robson
	Capa Educação Inclusivanão recebendo os 
serviços especiais de que necessitam, como enriquecimento e aprofundamento 
curricular. Assim, esses alunos muitas vezes abandonam o sistema educacional, 
inclusive por dificuldades de relacionamento. 
 Alunos que apresentam dificuldades de adaptação escolar em virtude de 
manifestações nos padrões de condutas, peculiares de síndromes e quadros 
psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos, que geram atrasos no 
desenvolvimento, dificuldades acentuadas de aprendizagem e prejuízo no 
relacionamento social, são comumente excluídos do sistema educacional. 
 Cada aluno, em sua individualidade e necessidade, demanda diferentes 
estratégias pedagógicas, que possibilitem acesso à herança cultural, ao 
conhecimento socialmente construído e à vida produtiva, condições básicas e 
essenciais para a inclusão social e o pleno exercício da cidadania. 
 Todavia, essas estratégias não podem ser concebidas como medidas 
compensatórias e pontuais. Elas são parte de um projeto educativo e social de 
 
1
 Como exemplo, a não aceitação pela rigidez curricular e pelos aspectos rotineiros do cotidiano escolar. 
 
 
9 
 
caráter emancipatório e global. A construção e solidificação de uma sociedade 
verdadeiramente inclusiva é um processo de fundamental importância para o 
desenvolvimento e a manutenção de uma sociedade livre e democrática. Nesse 
contexto, a inclusão é a garantia, a todos, do acesso permanente e contínuo ao 
espaço comum da vida em sociedade que deve estar orientada por relações de 
acolhimento à diversidade humana, de aceitação e valorização das diferenças 
individuais, de esforço coletivo na equiparação de oportunidades de 
desenvolvimento, com qualidade, em todas as dimensões da vida. 
 Nesse processo, a inclusão educacional ocupa papel de grande destaque. 
Há que se considerar que um longo caminho foi percorrido desde as diferentes 
formas de exclusão até a inclusão escolar e social. Há pouco tempo, a teoria e a 
prática dominantes relativas ao atendimento às deficiências, transtornos globais 
do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, de crianças, jovens e 
adultos definiam que as escolas organizassem o atendimento única e 
exclusivamente através de classes especiais, separando essa população dos 
demais alunos e das práticas escolares regulares. 
 Muitas vezes, a escola especial desenvolvia-se por meio de regime 
residencial e, fazendo com que a criança, o adolescente e o jovem fossem 
afastados da família e da sociedade. Esse procedimento conduzia a um imenso 
aprofundamento maior do preconceito e da discriminação. Essa tendência, que 
já foi senso comum no passado, reforçava a segregação dos indivíduos e os 
preco ceitos so re as pessoas ue fu iam do padrão de ‘ orma idade’ 
agravando-se a irresponsabilidade dos sistemas de ensino para com essa 
parcela da população, assim como pelas omissões e/ou insuficiência de 
informações acerca desse alunado nos cursos de formação de professores. 
 Na tentativa de diminuir e eliminar os preconceitos e de integrar os 
alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades ou superdotação, nas escolas comuns do ensino regular, originou-
 
10 
 
se o movimento de integração escolar, caracterizado, de início, pelas classes 
especiais (com objetivo de i te ração parcia ) a ‘preparação’ do a u o para 
posterior ‘i te ração tota ’ a c asse comum. Nesse mode o aco tecia 
frequentemente, o encaminhamento indevido de alunos para as classes 
especiais e, consequentemente, a rotulação a que eram submetidos como 
i capa es e ‘difere tes’ dos ‘ ormais’. a u o esse processo ti a ue se 
adequar integralmente à escola, que se mantinha totalmente inalterada suas 
rotinas e processos. A integração total na classe comum só era permitida para 
aqueles alunos que conseguissem acompanhar o currículo ali desenvolvido para 
os a u os ‘ ormais’. Ta processo o e ta to impedia ue a maioria das 
crianças, jovens e adultos com necessidades especiais alcançasse os níveis mais 
elevados de ensino, visto que eles não conseguiam acompanhar o programa 
dos a u os ‘ ormais’. Estes a u os e cami ados às c asses especiais e 
reintegrados às classes regulares engrossavam a lista dos excluídos do sistema 
educacional. 
Atua me te a ‘era dos direitos’ pe sa-se diferentemente acerca das 
necessidades educacionais dos alunos com deficiências, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação O rompimento com a 
ideologia da exclusão proporcionou a implantação da política de inclusão, 
debatida e exercitada em vários países, entre eles o Brasil. A legislação brasileira 
atual posiciona-se pelo atendimento dos alunos com deficiências, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, 
preferencialmente em classes comuns das escolas, em todos os níveis, etapas e 
modalidades de educação e ensino. 
 A educação tem hoje um grande desafio: garantir o acesso aos 
conteúdos básicos que a escolarização efetivamente trabalhada nas instituições 
de ensino deve proporcionar a todos os indivíduos, inclusive àqueles com 
deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou 
 
11 
 
superdotação, particularmente alunos que apresentam altas habilidades, 
precocidade, superdotação; condutas típicas de síndromes/quadros 
psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos; portadores de deficiências, ou seja, 
alunos que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou 
intelectuais, decorrentes de fatores genéticos, inatos ou ambientais, de caráter 
temporário ou permanente e que, em interação dinâmica com fatores 
socioambientais, resultam em necessidades muito diferenciadas da maioria das 
pessoas. 
 Ao longo desse caminho, percebeu-se a necessidade premente da 
reestruturação dos sistemas de ensino, que devem estar organizados para 
atender às demandas educacionais de todos os alunos, individual e 
coletivamente. O longo trajeto percorrido fez com que atualmente surgisse uma 
nova mentalidade, cujos resultados deverão ser alcançados pelo esforço de 
todos, no reconhecimento dos direitos dos cidadãos, sujeitos plenos de direitos, 
dentre os quais o principal direito refere-se à preservação da dignidade e à 
busca da identidade como cidadãos. 
 Esse direito pode ser alcançado por meio da implementação da política 
nacional de educação especial. Existe uma dívida social a ser resgatada. 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
 
 
12 
 
A história escolar de Albert Einstein é conturbada. Desde 1885, quando 
ele tinha seis anos, fez parte de uma escola católica de Munique, conhecida 
como Petersschule. A mãe de Albert escreveu uma vez à irmã: “ tem A ert 
recebeu suas notas. Novamente, ele foi o número um, e seu boletim foi 
 ri a te”. Em outu ro de 1888 e e mudou para a esco a de ram tica Luitpo d. 
Como não foi capaz de lidar com a atitude autoritária da escola, e foi tendo 
mais e mais problemas graves com alguns de seus professores, abandonou a 
escola de gramática em dezembro de 1894 sem um diploma. Sua professora 
uma vez disse- e ue “e e u ca c e aria a u ar e um”. 
 Para poder estudar no Instituto Politécnico Suíço, em Zurique, Albert 
Einstein teve que fazer um exame vestibular em outubro de 1895. Seu 
desempenho em física e matemática foi excelente. Em algumas das outras áreas 
testadas, no entanto, não foi suficiente. 
 Albert Einstein não passou no exame! Posteriormente, ele seguiu o 
conselho do diretor da Universidade de Zurique e foi para uma escola em 
Aarau, na Suíça, em outubro de 1895, para fechar a lacuna em seu 
conhecimento. 
 Em setembro de 1896, ele passou com sucesso em escrita e oral. Em 
outubro de 1896, ele começou a estudar no Instituto 
Politécnico da Suíça. Sua ambição era obter o diploma de professor das 
disciplinas de matemática efísica. Em julho de 1900, concluiu com êxito seus 
estudos. 
 Em resumo, no decorrer do seu tempo escolar, Albert Einstein passou a 
ser um aluno muito bom em matemática e ciências. Nas outras disciplinas 
esco ares e e era um a u o mais “moderado”. É c aro ue este fato ão tem 
nada a ver com uma falta de inteligência. Ele simplesmente não queria entender 
que também deveria aprender coisas que não lhe interessavam – como 
qualquer outro aluno de ensino médio hoje em dia. 
 
13 
 
 Em seu certificado de qualificação para a universidade, logo abaixo, as 
disciplinas nas quais ele estava menos interessado podem ser facilmente 
detectadas. Mas a nota média em sua certidão foi 5 ou seja “ om”! De 
 ua uer forma o “a u o moderado” passou a ser um dos mais importa tes 
cientistas do século 20. 
 Einstein não era um aluno medíocre. Na verdade, seu problema era 
menos intelectual e muito mais comportamental: Albert não suportava 
autoritarismo, tinha má atitude e era temperamental. Com cinco anos, Albert 
Einstein teve aulas particulares com um tutor. Isso não durou muito tempo, já 
que Albert jogou uma cadeira em seu professor porque estava de mau humor. 
No mesmo ano, Einstein também começou a aprender violino. 
http://hypescience.com/albert-einstein-era-mesmo-um-aluno-mediocre 
 
 Além da história de Albert Einstein, alguns filmes que elencamos abaixo, 
podem contribuir para o entendimento da temática abordada nesta unidade: 
O país dos surdos 
Querido Frankie 
Amargo Regresso 
Meu pé esquerdo 
Meu filho, meu mundo 
O oitavo dia 
Fonte: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_filmes_que_abordam_o_tema_defici%C3%AAncia 
 
 
http://hypescience.com/albert-einstein-era-mesmo-um-aluno-mediocre
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Le_pays_des_sourds&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dear_Frankie
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coming_Home_(filme)
http://pt.wikipedia.org/wiki/My_Left_Foot
http://pt.wikipedia.org/wiki/Son-Rise:_a_Miracle_of_Love
http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_huiti%C3%A8me_jour
 
14 
 
UNIDADE 02. BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL 
 
Objetivo 
Esta unidade tem o objetivo de rastrear marcos históricos da Educação 
Especial, procurando resgatar os diferentes momentos vivenciados. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Breve história da educação especial 
 “Em todo o mu do dura te muito tempo o diferente foi colocado à 
margem da educação: o aluno com deficiência, particularmente, era 
atendido em separado ou então simplesmente excluído do processo 
educativo, com base em padrões de normalidade; a educação 
especial, quando existente, também se mantinha apartada em relação 
à organização e provisão de serviços educacionais.” au o Re ato de 
Souza 
 
Ao analisar a história da Educação Especial, em países da Europa e 
América do Norte, autores identificam quatro estágios no desenvolvimento do 
atendimento às pessoas que apresentam deficiências (MENDES, 1995, SASSAKI, 
1999). 
O primeiro estágio é pontuado pela negligência, na era pré-cristã, com 
ausência total de atendimento. Os deficientes eram abandonados, perseguidos 
e eliminados devido às suas condições atípicas, e essas ações eram 
consideradas normais. Na era cristã, o tratamento estava condicionado às 
concepções de caridade ou castigo predominantes na comunidade em que o 
deficiente vivia. 
Num outro estágio, nos séculos XVIII e meados do século XIX, a fase de 
institucionalização que é marcada pela segregação e proteção em instituições 
residenciais aos indivíduos que apresentavam deficiência. O terceiro estágio é 
 
15 
 
marcado, no final do século XIX e meados do século XX, pelo desenvolvimento 
de escolas e/ou classes especiais em escolas públicas, com oferta à pessoa 
deficiente de uma educação à parte. No quarto estágio, no final do século XX, 
por volta da década de 70, há um movimento de integração social dos 
indivíduos com deficiência, tendo em vista integrá-los em ambientes escolares, 
o mais próximo possível daqueles oferecidos à pessoa normal. 
A fase de integração fundamentava-se no fato de que a criança deveria 
ser educada até o limite de sua capacidade, porque se considerava que a 
educação poderia fazer uma grande diferença no desenvolvimento e na vida 
das pessoas. Assim, a educabilidade do potencial do ser humano passou a ser 
aplicada também à educação das pessoas com deficiência mental. 
No início do século XIX, o médico Jean Marc Itard (1774-1838) 
desenvolveu com Vitor2, as primeiras tentativas de educar uma criança de doze 
anos de idade. O médico usou métodos sistematizados para o ensino de 
deficientes e estava certo de que a inteligência de seu aluno era educável, 
mesmo a partir do diagnóstico de idiotia que Vitor havia recebido. 
O médico Edward Seguin (1812-1880) criou o método fisiológico de 
treinamento, no qual estimulava o cérebro por meio de atividades físicas e 
sensoriais e fundou, em 1837, uma escola para idiotas. 
Maria Montessori (1870-1956), educadora, contribuiu para a evolução da 
educação especial, através da criação de um programa de treinamento para 
crianças deficientes mentais, baseado no uso sistemático e manipulação de 
objetos concretos. 
As metodologias desenvolvidas por esses três estudiosos, durante quase 
todo o século XIX, foram utilizadas para ensinar as pessoas denominadas idiotas 
que eram consideradas como seres que nada sabiam, nada podiam e nada 
queriam e que se encontravam em instituições. 
 
2
 Co ecido como o “Se va em de Aveyro ”. 
 
16 
 
É importante salientar que todas essas tentativas de educabilidade eram 
realizadas tendo em vista a cura ou eliminação da deficiência através da 
educação. 
 
Breve história da educação especial no brasil 
A história da Educação Especial no Brasil não é marcada por grande 
acervo literário e estudos sistematizados. Todavia é possível tecer considerações 
acerca da evolução do atendimento educacional especial, a qual acontece a 
partir de características diferentes daquelas observadas nos países europeus e 
norte-americanos. Os quatro estágios identificados em tais países não estão 
presentes na realidade brasileira. 
A fase da negligência ou omissão, que pode ser observada em outros 
países até o século XVII, no Brasil, pode ser estendida até o início da década de 
50. Segundo Mendes (1995), a produção teórica referente à deficiência mental 
esteve restrita aos meios acadêmicos, com escassas ofertas de atendimento 
educacional para os deficientes mentais. 
Entre os séculos XVIII e XIX, na fase da institucionalização, em outros 
países do mundo, marcada pela concepção organicista, na qual a deficiência 
mental é hereditária com evidências de degenerescência da espécie, 
legitimando a segregação como a melhor forma para combater a ameaça que 
essa população representava. Nesta mesma época, no Brasil, não havia qualquer 
interesse pela educação das pessoas consideradas idiotas e imbecis, persistindo, 
deste modo, a era da negligência. 
A história da Educação Especial no Brasil tem marcos fundamentais, no 
período imperial, em 1854, quando Dom Pedro II, criou o Imperial Instituto dos 
Meninos Cegos, que em 1891 passou a se chamar Instituto Benjamin Constant - 
IBC. Em 1857, o imperador também criou o Instituto Imperial dos Surdos-
 
17 
 
Mudos, passando em 1957 a se chamar Instituto Nacional de Educação de 
Surdos – INES, ambos na cidade do Rio de Janeiro. 
A fundação desses dois Institutos representou uma grande conquista 
para o atendimento dos indivíduos deficientes, abrindo espaço para a 
conscientização e a discussão sobre a sua educação. No entanto, não deixou de 
“se co stituir em uma medida prec ria em termos acio ais pois em 1872 com 
uma população de 15.848 cegos e 11.595 surdos, no país eram atendidos 
ape as 35 ce os e 17 surdos.” (MAZZ TTA 1996 p.29) estas i stituiç es. 
Assim,a Educação Especial se caracterizou por ações isoladas e o 
atendimento se referiu mais às deficiências visuais, auditivas e, em menor 
quantidade, às deficiências físicas. Podemos dizer que em relação à deficiência 
mental houve um silêncio quase absoluto. 
 Após a proclamação da República, a Deficiência Mental ganha destaque 
nas políticas públicas porque se acreditava que esta deficiência implicasse 
problemas de saúde. Por volta de 1930, surgiram várias instituições para cuidar 
da deficiência mental, em número maior ao das instituições voltadas para as 
outras deficiências. 
 A criação das primeiras entidades privadas filantrópicas e assistenciais 
acentuam papel de destaque às instituições privadas no decorrer da história da 
educação especial brasileira3. 
 De certa forma é possível distinguir na história do Brasil dois períodos 
para a abordagem da educação Inclusiva: 
 No primeiro período, durante o Brasil Império, as pessoas com 
deficiências mais acentuadas, impedidas de executar trabalhos braçais 
(agricultura ou serviços de casa) eram segregadas em instituições públicas. As 
 
3
 O número de atendimentos realizados pelas entidades privadas filantrópicas e assistenciais era muito superior ao 
realizado pelas públicas, o que lhes garantia poder nas discussões sobre políticas públicas junto a instancias 
governamentais. 
 
 
18 
 
outras viviam com familiares em uma sociedade rural que não exigia um grau 
elevado de desenvolvimento cognitivo. 
 No segundo período, ao mesmo tempo em que surgia a necessidade de 
escolarização entre a população, a sociedade passava a conceber o deficiente 
como um indivíduo que, devido a suas limitações, não podia conviver nos 
mesmos espaços sociais que os normais e, assim, deveria estudar em locais 
separados. Somente seriam aceitos na sociedade aqueles que conseguissem 
agir o mais próximo da normalidade possível, sendo capazes de exercer as 
mesmas funções. Marca este momento o desenvolvimento da psicologia 
voltada para a educação, o surgimento das instituições privadas e das classes 
especiais. (BATISTA, 2006) 
 
Referência Bibliográfica 
BATISTA, Cristina A. Mota. Educação inclusiva: atendimento educacional 
especializado para a deficiência mental. Brasília: MEC, SEESP, 2006. 
MAZZOTTA, M. J. S. Educação especial no Brasil: história e políticas públicas. 
São Paulo: Cortez, 1996. 
MENDES, E. G. Deficiência mental: a construção científica de um conceito e a 
realidade educacional. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. São 
Paulo, 1995. 
SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão: Construindo Um a Sociedade Para Todos. 3ª 
edição. Rio de Janeiro: WVA, 1999, 174p. 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
A canção contribuirá para o entendimento do período histórico abordado nesta 
unidade. 
Pra Ser Feliz Daniel 
Às vezes é mais fácil reclamar da sorte 
http://letras.mus.br/daniel/
 
19 
 
Do que na adversidade ser mais forte 
Querer subir sem batalhar 
Pedir carinho sem se dar 
Sem olhar do lado 
Já imaginou de onde vem 
A luz de um cego 
Já cogitou descer 
De cima do seu ego 
Tem tanta gente por aí 
Na exclusão e ainda sorri 
Tenho me perguntado 
Pra ser feliz 
Do que o ser humano necessita? 
O que é que faz a vida ser bonita? 
A resposta, onde é que está escrita? 
Pra ser feliz 
O quanto de dinheiro eu preciso 
Como é que se conquista o paraíso 
Quanto custa 
Pro verdadeiro sorriso 
Brotar do coração 
Talvez a chave seja a simplicidade 
Talvez prestar mais atenção na realidade 
Porque não ver como lição 
O exemplo de superação 
De tantas pessoas 
O tudo às vezes se confunde com o nada 
No sobe e desce da misteriosa escada 
 
20 
 
E não tem como calcular 
Não é possível planejar 
Não é estratégico 
Pra ser feliz 
Do que o ser humano necessita? 
O que é que faz a vida ser bonita? 
A resposta, onde é que está escrita? 
Pra ser feliz 
O quanto de dinheiro eu preciso 
Como é que se conquista o paraíso 
Quanto custa 
Pro verdadeiro sorriso 
Brotar do coração 
 
Estes filmes também poderão contribuir para o entendimento da temática 
tratada nesta unidade: 
O menino selvagem Vermelho como o céu Eu Não Quero Voltar 
Sozinho 
O Escafandro e a Borboleta Cegos, surdos e loucos O Solista 
Fonte: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_filmes_que_abordam_o_tema_defici%C3%AAncia 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%27enfant_sauvage
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Vermelho_como_o_c%C3%A9u&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eu_N%C3%A3o_Quero_Voltar_Sozinho
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eu_N%C3%A3o_Quero_Voltar_Sozinho
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Escafandro_e_a_Borboleta
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=See_No_Evil,_Hear_No_Evil&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Solista%7C
 
21 
 
UNIDADE 03. BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL 
NO BRASIL 
 
Objetivo 
Esta unidade tem o objetivo de mapear marcos históricos da Educação 
Especial, procurando, através do resgate aos diferentes momentos vivenciados, 
compreender acontecimentos que influenciaram as práticas do cotidiano 
escolar. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Breve história da educação especial no brasil
 
“No desempe o dessa fu ção socia tra sformadora ue visa à 
construção de um mundo melhor para todos, a educação escolar tem 
uma tarefa clara em relação à diversidade humana: trabalhá-la como 
fator de crescimento de todos no processo educativo. Se nosso sonho 
e nosso empenho são por uma sociedade mais justa e livre, 
precisamos trabalhar desde a escola o convívio e a valorização das 
difere ças ase para uma verdadeira cu tura de pa .” au o Re ato de 
Souza 
 
Em cada época histórica, as concepções de deficiência mental refletem as 
expectativas sociais daquele determinado momento histórico. A concepção de 
deficiência mental passou a englobar diversos tipos comportamentos que 
divergiam daqueles considerados normais pela sociedade e pela escola. Sob o 
rótulo de deficientes mentais, há alunos indisciplinados, com aprendizagem 
lenta, abandonados pela família, portadores de lesões orgânicas, com distúrbios 
mentais graves, enfim toda criança considerada fora dos padrões ditados pela 
sociedade como normais. 
 
22 
 
No Brasil, a deficiência mental não era considerada uma ameaça social 
nem uma degenerescência da espécie. Ela atribuída aos infortúnios ambientais, 
apesar da crença numa concepção organicista e patológica. 
Para Jannuzzi (1992), a defesa da educação dos deficientes mentais 
visava à economia para os cofres públicos, pois não seriam segregados em 
manicômios, asilos ou penitenciarias. 
Em vários países do mundo, o movimento pela institucionalização dos 
deficientes mentais, era crescente com a criação de escolas especiais 
comunitárias e de classes especiais em escolas públicas. No Brasil não havia 
preocupação com a conceituação, identificação e classificação dos deficientes 
mentais. 
Entre a década de 1930 e 1940, ocorrem várias mudanças na educação 
brasileira4, porém a educação do deficiente mental não era concebida como um 
problema a ser pensado e resolvido. 
Em termos mundiais, a década de 1950 foi acentuada por discussões 
sobre os objetivos e a qualidade da educação especial. No Brasil operava-se 
uma rápida expansão das classes e escolas especiais nas escolas públicas e de 
escolas especiais comunitárias e filantrópicas privadas sem fins lucrativos. 
 Em 1967, a Sociedade Pestalozzi do Brasil, criada em 1945, abarcava 16 
instituições por todo o país. Criada em 1954, a Associação de Pais e Amigos dos 
Excepcionais (APAE) contava com 16 instituições em 19625. 
Nesta época, houve uma expansão de instituições privadas de caráter 
filantrópico sem fins lucrativos, de forma que o governo estava isento, 
isentando também da oferta de atendimento os deficientes narede pública de 
ensino. A partir dos anos de 1950, em 1957, o atendimento educacional aos 
 
4
 As mudanças referem-se a reformas na educação voltada à pessoa normal, como a expansão do ensino primário e 
secundário, a fundação da Universidade de São Paulo. 
5
 Nessa época, foi criada a Federação Nacional das APAES (FENAPAES) que, em 1963, realizou seu primeiro congresso. 
 
 
23 
 
deficientes foi assumido explicitamente pelo governo federal, em âmbito 
nacional, com a criação de campanhas6 voltadas para este fim. 
Nesse período, junto com as discussões mais amplas sobre reforma 
universitária e educação popular, o estado aumenta o número de classes 
especiais, principalmente para deficientes mentais, nas escolas públicas. Há na 
educação especial uma relação diretamente proporcional entre o aumento de 
oportunidades de escolarização para as classes populares e a implantação de 
classes especiais para deficiência mental leve nas escolas regulares públicas. 
Durante a década de 1960, ocorreu a maior expansão no número de 
escolas de ensino especial. Especificamente, em 1969, havia mais de 800 
estabelecimentos de ensino especial para deficientes mentais, 
aproximadamente quatro vezes mais do que a quantidade existente no ano de 
1960. 
Os países desenvolvidos ao longo da década de 1970 realizam amplas 
discussões e questionamentos sobre a integração dos deficientes mentais na 
sociedade. No território nacional, ocorre a institucionalização da Educação 
Especial com a criação do Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), em 
1973. 
 No cenário mundial, a integração social foi mais acentuada a partir dos 
anos de 1980, como um dos reflexos dos movimentos de luta pelos direitos dos 
deficientes. No Brasil, nessa década também há marcas de lutas sociais 
promovidas pela população marginalizada. 
 As mudanças sociais, embora mais de intenção do que de atitude, 
manifestaram-se em diversos setores e ocasionaram mudanças legais de 
 
6
 A primeira campa a em 1957 foi vo tada para os deficie tes auditivos: “Campa a para a Educação do Surdo 
Brasi eiro” e o jetivava promover medidas para a educação e assist cia dos surdos em todo o Brasi . Na se u cia foi 
criada a “ Campa a Nacio a da Educação e Rea i itação do Deficie te da Visão” em 1958. Em 1960 foi criada a 
“Campa a Nacio a de Educação e Rea i itação de Deficie tes Me tais” (CADEME) com a fi a idade de promover em 
todo Brasi a “educação trei ame to reabilitação e assistência educacional das crianças retardadas e outros deficientes 
mentais de qualquer idade ou sexo.” (MAZZ TTA 1996 p. 52). 
 
 
24 
 
fundamental importância. A Constituição Brasileira (1988) assegurou o direito 
de todos à educação, garantindo o atendimento educacional de pessoas que 
apresentam necessidades educacionais especiais. 
 Em dezembro de 1996, é promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional 9.394/96, que expressa alguns avanços significativos, 
embora os serviços especializados e o atendimento das necessidades 
específicas dos alunos garantidos pela lei estejam longe de serem alcançados, 
visto que nas escolas há carência de recursos pedagógicos e fragilidade da 
formação dos professores para lidar com essa clientela. 
 Os aparatos legais trouxeram muitas conquistas, entretanto, é preciso 
garantir que essas conquistas, expressas nas leis, sejam realmente efetivadas na 
prática do cotidiano escolar, através da garantia da democratização do ensino, 
com o acesso, a permanência e o sucesso de todos os alunos do ensino especial 
na escola. 
 A luta pela integração social do indivíduo que apresenta deficiência 
constitui-se um avanço importante, com o mérito da sua inserção na sociedade, 
sistematicamente, quando comparado aos tempos de segregação. 
 Na história da Educação Especial, até a década de 1990, acentuam-se 
conquistas em relação à educação dos indivíduos que apresentam deficiência 
mental. O avanço parte de uma quase completa inexistência de atendimento de 
qualquer tipo à proposição e efetivação de políticas de integração social. 
 No Brasil, em meados da década de 1990, foram iniciadas as discussões 
em torno do novo modelo de atendimento escolar denominado inclusão 
escolar. Esse novo modelo, esse novo paradigma nasce como uma reação 
contrária ao processo de integração, todavia, sua efetivação prática tem gerado 
muitas controvérsias, discussões e dificuldades. 
 O trabalho efetivo com classes heterogêneas que acolhem, no mesmo 
espaço e tempo, todas as diferenças, traz inúmeros ganhos ao desenvolvimento 
 
25 
 
integral das crianças deficientes e não deficientes. Nessa interação há a 
oportunidade de vivenciarem a importância do valor da troca e da cooperação 
nas interações humanas. Para que as diferenças sejam respeitadas e se aprenda 
a viver na diversidade, é necessária uma nova concepção de escola, de aluno, de 
ensinar e de aprender. 
 A efetivação de uma prática educacional inclusiva não será garantida por 
políticas públicas, leis, decretos ou portarias que obriguem as escolas regulares 
a aceitarem os alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento 
e altas habilidades ou superdotação. Da mesma forma, a presença física do 
aluno deficiente na classe regular não é garantia de inclusão. O que garante a 
inclusão é o preparo da escola, de seus profissionais, espaços, equipamentos e 
mobiliários para dar conta de trabalhar com os alunos que chegam até ela, 
independentemente de suas diferenças ou características individuais. 
 Os inúmeros aspectos inerentes ao processo de inclusão têm sido 
amplamente discutidos por estudiosos e pesquisadores da área de Educação 
Especial, no entanto a aplicação prática ainda não é plenamente satisfatória. 
Como efetivamente incluir tem se constituído em uma imensa preocupação de 
pais, professores e estudiosos, considerando que a inclusão só se efetivará se 
ocorrerem transformações estruturais e profundas no sistema educacional. 
 
Referências Bibliográficas 
JANNUZZI, G. A luta pela educação do deficiente mental no Brasil. 
Campinas/SP: Editores Associados, 1992. 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
No Brasil, não existem dados estatísticos nacionais sobre a incidência dos 
diferentes tipos de deficiências em nossa sociedade. Contamos, apenas, com 
informações da ONU que demonstram que, em países em desenvolvimento 
 
26 
 
como o nosso, existem cerca de 10% de pessoas portadoras de deficiência, 
assim distribuídas: 
 
DEFICIÊNCIA POPULAÇÃO (PERC. ESTIMADO) 
Mental 5,0% 
Física 2,0% 
Auditiva 1,5% 
Visual 0,5% 
Múltipla 1,0% 
 
 Estima-se que aproximadamente 70% (OMS- 1980) das causas de 
deficiências poderiam ser evitadas através de medidas simples: exames pré- 
nupciais obrigatórios; acompanhamento pré-natal efetivo; melhores condições 
de assistência perinatal e pós-natal; um programa efetivo de imunização, etc. 
 Devemos considerar que a prevenção é o caminho, por excelência, para 
se diminuir o grande impacto que o surgimento de um portador de deficiência 
impõe a si próprio, à família e a sociedade; tais ações devem visar 
prioritariamente à prevenção primária, ao diagnóstico precoce e ao 
encaminhamento em tempo hábil. Tais ações são importantes porque sabemos 
que há crianças que nascem com problemas de ordem física ou metal e, quanto 
mais cedo forem detectados os problemas e as crianças encaminhadas a 
serviços especializados, melhores condições estaremos oferecendo para o seu 
pleno desenvolvimento. Há, também, aquelas que adquirem a deficiência 
durante o parto ou no decorrer dos primeiros meses de vida. 
 Precisamos ter, em nosso país, programas de prevenção, como diz 
Ja u i (1992) “a fim de mi imi arem as possi i idades de ocorrer uma 
deficiência ou ainda de diminuir a vulnerabilidadedos fatores de risco, bem 
como facilitar o desenvolvimento das pessoas com necessidades educacionais 
 
27 
 
especiais.” Estes pro ramas devem co temp ar as tr s dime s es de reve ção 
a saber: 
 
 Prevenção primária: melhoria das condições biopsicossociais dos 
indivíduos, assistência pré-natal, vacinação, aconselhamento genético, 
estimulação ao aleitamento materno, vigilância ao crescimento físico e 
psicossocial da criança e ênfase na divulgação das possíveis causas das 
deficiências. 
 Prevenção Secundária: assistência perinanatal - medidas enérgicas e 
imediatas com bebês de alto risco e elaboração de programas de 
estimulação essencial. 
 Prevenção Terciária: organização de serviços de estimulação essencial 
para atender a crianças com necessidades educativas especiais. 
 
Fonte: Fundamentos da Educação Inclusiva - Universidade Federal do Amazonas 
Faculdade de Educação - Departamento de Teoria e Fundamentos 
Prof. Doutor Thomé Eliziário Tavares Filho 
 
 
28 
 
UNIDADE 04. PRINCÍPIOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO 
ESPECIAL 
 
Objetivo 
Compreender os princípios legais e suas implicações nos avanços do 
cenário da Educação Especial no Brasil é o objetivo desta unidade. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Princípios Legais da Educação Especial 
“A educação é o principal alicerce para a vida social, pois transmite e 
amplia a cultura, estendendo a cidadania, construindo saberes e 
ampliando as margens da liberdade humana, à medida que a relação 
pedagógica adote, como compromisso e horizonte ético-político, a 
so idariedade e a ema cipação.” au o Re ato Sou a 
 
 Embora a legislação não tenha poderes para determinar e definir os 
processos de ensino e aprendizagem que se tecem no interior das unidades 
educacionais, contribui para o disciplinamento das estruturas dos diferentes 
sistemas educacionais no âmbito do território nacional. Nesse sentido, esta 
unidade apresentará trechos de normativas legais que disciplinaram ao longo 
de um processo histórico a trajetória da Educação Especial, a partir da 
promulgação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 
Lei 4.024, de 1961 até a Declaração de Salamanca, em 1994. 
 A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 
Lei 4.024/1961, trazia em seu texto a previsão do direito dos ‘excepcio ais’ à 
educação, preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. 
 O Título X desta LDB previa ue “a educação dos excepcio ais devia o 
que for possível, enquadrar-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-
http://www.jusbrasil.com/legislacao/108164/lei-de-diretrizes-e-base-de-1961-lei-4024-61
http://www.jusbrasil.com/legislacao/108164/lei-de-diretrizes-e-base-de-1961-lei-4024-61
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1035083/lei-de-diretrizes-e-bases-lei-9394-96
 
29 
 
 os a comu idade”. Dessa ma eira se prete dia i te rar na medida do 
possível, todos os alunos, com deficiências ou não, no processo educacional. 
 Entretanto, no título X frisava-se ue “toda i iciativa privada co siderada 
eficiente pelos Conselhos Estaduais de Educação e relativa à educação de 
excepcionais, receberia dos poderes públicos tratamento especial mediante 
 o sas de estudos empr stimos e su ve ç es.” 
 Dessa maneira, ao mesmo tempo em que se previa a integração de todos 
os alunos no sistema educacional geral público, colocava-se também o 
incentivo às iniciativas privadas que visassem abarcar a educação de alunos com 
dificuldades. A LDB expressa que a educação pública deve contribuir para o 
desenvolvimento de todos, no entanto, as premissas da educação inclusiva 
encontram-se distantes dos ideais desta Lei. 
 O texto da Lei 5.692/1971, que alterou a primeira Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional, Lei 4.024/1961 dispôs de “tratame to especia ” para 
alunos com deficiências físicas e mentais que se encontravam em atraso 
considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados. A referida 
lei não promoveu a organização de um sistema de ensino capaz de atender às 
necessidades educacionais especiais e reforçou o encaminhamento dos alunos 
para as classes e escolas especiais. 
 No ano de 1973, o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial 
(CENESP), responsável pelo gerenciamento da educação especial no Brasil, que, 
sob a ideologia integracionista, impulsionou ações educacionais voltadas às 
pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação, a partir de campanhas 
assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. 
 Nesse período, não se efetivava uma política pública de acesso universal 
à educação perma ece do a co cepção de “po ticas especiais” para tratar da 
educação de alunos com deficiência. No que se refere aos alunos com 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1035083/lei-de-diretrizes-e-bases-lei-9394-96
http://www.jusbrasil.com/legislacao/128525/lei-de-diretrizes-e-base-de-1971-lei-5692-71
http://www.jusbrasil.com/legislacao/108164/lei-de-diretrizes-e-base-de-1961-lei-4024-61
 
30 
 
superdotação, apesar do acesso ao ensino regular, não é organizado um 
atendimento especializado o qual considerasse suas reais necessidades. 
 A Constituição Federal de 1988 explicita, através do art. 3º, inciso IV, um 
dos seus o jetivos fu dame tais: “promover o em de todos, sem preconceitos 
de ori em raça sexo cor idade e uais uer outras formas de discrimi ação.” 
 O artigo 205 estabelece que a educação é um direito de todos, 
garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a 
qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, disciplina sobre a 
“i ua dade de co diç es de acesso e perma cia a esco a” como um dos 
princípios para o ensino e garante como dever do Estado. 
 A oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na 
rede regular de ensino, é preconizada através do artigo 208. Assim, a 
Constituição Federal de 1988 estabelece a integração escolar enquanto preceito 
constitucional, preconizando o atendimento aos indivíduos que apresentam 
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. 
 Em 1989, a Lei 7.853 disciplina sobre o apoio às pessoas portadoras de 
deficiência e sua integração social. Dispõe também em relação à Coordenadoria 
Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), 
instituindo a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas 
pessoas, disciplinando a atuação do Ministério Público e definindo crimes. O 
texto legal prevê a oferta obrigatória e gratuita de educação especial na rede 
pública de ensino, o oferecimento obrigatório de programas de Educação 
Especial em nível pré-escolar, em unidades hospitalares e congêneres nas quais 
estejam internados, por prazo igual ou superior a 1 (um) ano, a matrícula 
compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares 
de pessoas portadoras de deficiência, capazes de se integrarem no sistema 
regular de ensino. A lei define como crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 
(quatro) anos, e multa: recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1034025/constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com/legislacao/109358/lei-7853-89
 
31 
 
sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de 
qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da 
deficiência que porta. 
 A previsão da matrícula compulsória para aqueles portadores de 
defici cia “capa es de se i te rar o sistema de e si o re u ar” defi e uem 
o aluno deficiente que terá acesso à escola, uma vez que inexiste orientação 
legal sobre quem pode definir tal capacidade. Esta lacuna legal torna 
permissível que as próprias unidades de ensino definam através de padrões e 
laudos quem são os deficientes capazes ou não de se integrarem ao ambiente 
escolar. 
 A Declaração de Jomtien, de 1990, determina o fim de preconceitose 
estereótipos de qualquer natureza na educação. Nela, os países relembram que 
"a educação é um direito fundamental de todos, mulheres e homens, de todas 
as idades, no mundo inteiro". Declararam, também, que a educação é de 
fundamental importância para o desenvolvimento das pessoas e das 
sociedades, sendo um elemento que "pode contribuir para conquistar um 
mundo mais seguro, mais sadio, mais próspero e ambientalmente mais puro, e 
que, ao mesmo tempo, favoreça o progresso social, econômico e cultural, a 
tolerância e a cooperação internacional". 
 O Brasil, ao assinar a Declaração de Jomtien, assumiu internacionalmente 
o compromisso de erradicar o analfabetismo e universalizar o ensino 
fundamental no país. Para cumprir este compromisso, o Brasil criou 
instrumentos norteadores para a ação educacional e documentos legais para 
apoiar a construção de sistemas educacionais inclusivos, nas diferentes esferas 
públicas (municipal, estadual e federal). 
 Em 1994, é publicada a Política Nacional de Educação Especial, a qual 
orie ta o processo de ‘i te ração i strucio a ’ co dicio a do o acesso às 
c asses comu s do e si o re u ar à ue es ue “[...] possuem co diç es de 
 
32 
 
acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino 
comum o mesmo ritmo ue os a u os ditos ormais” (p.19). Ao reafirmar os 
pressupostos co stru dos a partir crit rios de ‘ orma idade’ padr es 
homogêneos de participação e aprendizagem, a Política não provoca uma 
reformulação das práticas educacionais de maneira a valorizar as diferenças 
potenciais de aprendizagem no ensino comum, ao contrário, assegura a 
responsabilidade da educação desses alunos exclusivamente no âmbito da 
educação especial. 
 A Lei 8859/94 traz alterações na Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977 
(Lei de Estágio, revogada pela Lei 11.788/2008), estendendo aos alunos de 
ensino especial o direito à participação em atividades de estágio. Esta lei 
representa um grande avanço ao disciplinar: 
Art. 1º - As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração 
Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos 
regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. 
§ 1º - Os alunos a que se refere o "caput" deste artigo devem, 
comprovadamente, estar frequentando cursos de nível superior, 
profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial. 
 
Referência Bibliográfica 
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
(MEC, 2008), disponível em: 
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf. 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
 O Brasil fez opção pela construção de um sistema educacional inclusivo 
ao concordar com a Declaração Mundial de Educação para Todos, firmada em 
Jomtien, na Tailândia, em 1990, e ao mostrar consonância com os postulados 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/109324/lei-8859-94
http://www.jusbrasil.com/legislacao/104850/lei-6494-77
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf
 
33 
 
produzidos em Salamanca (Espanha, 1994) na Conferência Mundial sobre 
Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade. 
 Em 1994, a Declaração de Salamanca estabelece Princípios, Políticas e 
Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais, de forma que a 
inclusão de crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais 
dentro do sistema regular de ensino torna-se a questão central. 
 A Declaração aborda os Direitos Humanos e a Declaração Mundial sobre 
a Educação para Todos, apontando os princípios de uma educação especial e de 
uma pedagogia centrada na criança. Apresenta propostas, direções e 
recomendações da Estrutura de Ação em Educação Especial, defendendo uma 
nova forma de pensar a educação especial, com orientações para ações em 
nível nacional e em níveis regionais e internacionais. O conjunto de 
recomendações e propostas da Declaração de Salamanca é fundamentado nos 
seguintes princípios: 
- Independente das diferenças individuais, a educação é direito de todos; 
- Toda criança que possui dificuldade de aprendizagem pode ser considerada 
com necessidades educativas especiais; 
- A escola deve adaptar-se às especificidades dos alunos, e não os alunos às 
especificidades da escola; 
- O ensino deve ser diversificado e realizado num espaço comum a todas as 
crianças. 
 A Declaração de Salamanca ampliou o conceito de necessidades 
educacionais especiais, o qual passa a abranger todas as crianças que não 
conseguem se beneficiar com a escola, independentemente do motivo. Assim, a 
ideia de "necessidades educacionais especiais" passou a incluir, além das 
crianças deficientes, aquelas que estejam experimentando dificuldades 
temporárias ou permanentes na escola, as que estejam repetindo 
continuamente os anos escolares, as que sejam forçadas a trabalhar, as que 
 
34 
 
vivem nas ruas, as que moram distantes de quaisquer escolas, as que vivem em 
condições de extrema pobreza ou que sejam desnutridas, as que sejam vítimas 
de guerra ou conflitos armados, as que sofrem de abusos contínuos físicos, 
emocionais e sexuais, ou as que simplesmente estão fora da escola, por 
qualquer motivo que seja. 
 De acordo com a Dec aração “o pri c pio fu damental da escola 
inclusiva é o de que todas as crianças deveriam aprender juntas, 
independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter. As 
escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas necessidades de 
seus alunos, acomodando tanto estilos como ritmos diferentes de 
aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos através de 
currículo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de ensino, uso 
de recursos e parceiras com a comunidade [...]. Dentro das escolas inclusivas, as 
crianças com necessidades educacionais especiais deveriam receber qualquer 
apoio extra que possam precisar, para que se lhes assegure uma educação 
efetiva [...]”. 
 
Sobre a Declaração de Salamanca: 
Ministério da Educação portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf 
 
Sobre a Declaração Mundial sobre Educação para Todos 
(Conferência de Jomtien – 1990) 
PLANO DE AÇÃO PARA SATISFAZER AS NECESSIDADES BÁSICAS DE 
APRENDIZAGEM - Aprovada pela Conferência Mundial sobre Educação para 
Todos Jomtien, Tailândia – 5 a 9 de março de 1990. Satisfação das Necessidades 
Básicas de Aprendizagem. http://www.unicef.org/brazil/pt/resources_10230.htm 
 
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf
http://www.unicef.org/brazil/pt/resources_10230.htm
 
35 
 
UNIDADE 05. PRINCÍPIOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO 
ESPECIAL 
 
Objetivo 
Compreender a legislação e suas implicações nos avanços do cenário da 
Educação Especial no Brasil é o objetivo desta unidade. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Princípios Legais da Educação Especial 
O processo da inclusão visa também discutir os relacionamentos entre 
alunos com comprometimento e alunos comuns, os quais têm maior 
probabilidade de desenvolver aptidões sociais, que jamais teriam se 
convivessem com grupos de mesmas capacitações físicas e/ou 
intelectuais. Revista da Educação Especial, v. 4 
 
 Os princípios legais abordados nesta unidade têm início com a Portaria 
MEC nº 1793, de 1994 abarcando até a Lei 10.845 de 2004. 
 A partir da Portaria MEC nº 1793/94, traz em seu bojo um avanço em 
relação à Educação Especial e a formação de professores, ao recomendar a 
inclusão da disciplina Aspectos Éticos - Políticos – Educacionais na normalização 
e integração da pessoa portadora de necessidades especiais, prioritariamente, 
nos cursos de Pedagogia, Psicologia e nas Licenciaturas. 
 Em dezembro de 1996, é promulgada a segunda Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação, Lei nº 9394/96, que preconiza que os sistemas de ensino 
devem assegurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização 
específicospara atender suas necessidades. A Lei assegura a terminalidade 
específica para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de deficiências e 
assegura a aceleração de estudos para conclusão do programa escolar. Também 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/97890/lei-10845-04
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1035083/lei-de-diretrizes-e-bases-lei-9394-96
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1035083/lei-de-diretrizes-e-bases-lei-9394-96
 
36 
 
define, dentre as normas para a organização da educação básica, a 
“possi i idade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do 
apre di ado.” (art. 24 i ciso V) e “[...] oportu idades educacio ais apropriadas 
consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e 
de trabalho, mediante cursos e exames.” (art. 37). 
 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Incorporou os princípios 
da Declaração de Salamanca que trouxe alterações na legislação, com ênfase à 
intenção de tornarem-se possíveis as mudanças sociais necessárias para a 
construção de uma escola inclusiva. O grande avanço pode ser percebido 
porque pela primeira vez uma Lei de Diretrizes e Bases contempla um capítulo 
para tratar da educação especial (Capítulo V), definindo a educação especial 
como “a moda idade de educação esco ar oferecida preferencialmente na rede 
regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do 
dese vo vime to e a tas a i idades ou superdotação”. 
 A partir da promulgação desta Lei, a rede regular passou a matricular os 
alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades ou superdotação nas classes. 
 O Decreto nº 3.298/1999 regulamenta a Lei nº 7.853/89, ao dispor sobre 
a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. No 
que concerne à educação, o Decreto estabelece a matrícula compulsória de 
pessoas, em cursos regulares; a consideração da educação especial como 
modalidade de educação escolar, que permeia transversalmente todos os níveis 
e modalidades de ensino; a oferta obrigatória e gratuita da educação especial 
em estabelecimentos públicos de ensino, dentre outras medidas (Art. 24, I, II, 
IV). Reafirma a educação especial como modalidade de ensino que visa 
promover desenvolvimento das potencialidades de deficientes. 
 Por sua vez, a Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão – 
2001, traz em seu bojo um forte apelo sobre os Direitos inerentes à pessoa 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/109697/decreto-3298-99
http://www.jusbrasil.com/legislacao/109358/lei-7853-89
 
37 
 
humana, estabelecendo que o acesso igualitário a todos os espaços da vida é 
um pré-requisito para os direitos humanos universais e liberdades fundamentais 
das pessoas. A Declaração considera que o esforço rumo a uma sociedade 
inclusiva para todos é a essência do desenvolvimento social sustentável. Sob a 
liderança das Nações Unidas, a Declaração reconheceu a necessidade de 
garantias adicionais de acesso para certos grupos e as declarações 
intergovernamentais unificaram-se visando ao desenvolvimento de políticas e 
práticas inclusivas. 
 Em 2001, através do Decreto 3.956, é promulgada a Convenção 
Interamericana da Guatemala para a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. A partir da 
Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, os participantes 
reafirmaram que "as pessoas portadoras de deficiência têm os mesmos direitos 
humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, 
inclusive o de não ser submetido à discriminação com base na deficiência, 
ema am da di idade e da i ua dade ue são i ere tes a todo ser uma o”. 
 Esse Decreto define como discriminação, com base na deficiência, toda 
diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício dos direitos 
humanos e de suas liberdades fundamentais. De uma forma geral, a Convenção 
trata do combate à discriminação contra pessoas com deficiência, apresentando 
objetivos que tentam promover a igualdade entre deficientes e demais pessoas 
e sugere que os governos trabalhem na prevenção de todas as formas de 
deficiência passíveis de serem prevenidas. Entre as ações compromissadas pelo 
Brasi o ato da assi atura tem desta ue o tra a o ‘priorit rio’ as se ui tes 
áreas: 
- prevenção de todas as formas de deficiência; 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/100694/decreto-3956-01
 
38 
 
- detecção e intervenção precoce, tratamento, reabilitação, educação, formação 
ocupacional e prestação de serviços completos para garantir o melhor nível de 
independência e qualidade de vida para as pessoas portadoras de deficiência; 
- sensibilização da população, por meio de campanhas de educação, destinadas 
a eliminar preconceitos, estereótipos e outras atitudes que atentam contra o 
direito de as pessoas serem iguais, permitindo desta forma o respeito e a 
convivência com as pessoas portadoras de deficiência. 
 As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial na 
Educação Básica, Resolução CNE/CEB 02/2001, estabelece em seus artigos 2º e 
3º: 
 “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às 
escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades 
educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma 
educação de ua idade para todos (MEC/SEES 2001)”. 
 “Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um 
processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure 
recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para 
apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços 
educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o 
desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam 
necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da 
educação sica”. 
 As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar 
o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à 
escolarização, porém, ao admitir a possibilidade de substituir o ensino regular, 
não potencializam a adoção de uma política de educação inclusiva na rede 
pública de ensino, prevista no seu artigo 2º. 
 
39 
 
 A Lei 10.436/2002 reconhece LIBRAS (língua brasileira de sinais), como 
língua oficial no País juntamente com o Português. 
 A Resolução CNE/CP 01/2002 estabelece as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, define que as 
instituições de ensino superior devem prever, em sua organização curricular, 
formação docente voltada para a atenção à diversidade e contemple 
conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidade 
educacionais especiais. 
 A Portaria MEC 2.678/2002 aprova diretrizes e normas para o uso, o 
ensino, a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as modalidades de 
ensino, compreendendo o projeto da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e a 
recomendação para o seu uso em todo território nacional. 
 A Lei 10.845/2004 instituiu o Programa de Complementação ao 
Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência 
(PAED), com objetivos principais garantir a universalização do atendimento 
especializado de educandos portadores de deficiência, cuja situação não 
permita a integração em classes comuns de ensino regular e garantir, 
progressivamente, a inserção dos educandos deficientes nas classes comuns de 
ensino regular. A complementação é realizada através da transferência de 
recursos financeiros pelo Governo Federal diretamente à unidade executora, 
constituída na forma de entidade privada sem fins lucrativos, que preste 
serviços gratuitos na modalidade de educação especial. 
 
Referências Bibliográficas 
A PolíticaNacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
(MEC, 2008), disponível em: 
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf. 
 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/99492/lei-de-l%C3%ADbras-lei-10436-02
http://www.jusbrasil.com/legislacao/1033702/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40
http://www.jusbrasil.com/legislacao/97890/lei-10845-04
http://peei.mec.gov.br/arquivos/politica_nacional_educacao_especial.pdf
 
40 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
O Capítulo V, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, trata 
sobre a Educação Especial: 
CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL 
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a 
modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular 
de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. 
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola 
regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. 
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços 
especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, 
não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. 
§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na 
faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. 
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: 
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, 
para atender às suas necessidades; 
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível 
exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas 
deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar 
para os superdotados; 
III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para 
atendimento especializado, bem como professores do ensino regular 
capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; 
IV - educação especial para o trabalho, visando à sua efetiva integração na vida 
em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem 
 
41 
 
capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os 
órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade 
superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; 
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares 
disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. 
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de 
caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com 
atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro 
pelo Poder Público. 
Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a 
ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais 
do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede 
pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas 
neste artigo. 
 
A RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, DE 11 DE SETEMBRO DE 2001, Institui 
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial na Educação 
Básica. 
 
Em seu artigo 1º, parágrafo ú ico esta e ece ue: “ ate dime to esco ar 
desses alunos terá início na educação infantil, nas creches e pré-escolas, 
assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie, 
mediante avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade de 
ate dime to educacio a especia i ado”. 
O artigo 3º define: Por educação especial, modalidade da educação 
escolar, entende-se um processo educacional definido por uma proposta 
pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, 
organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em 
 
42 
 
alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a 
educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos 
educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as 
etapas e modalidades da educação básica. 
 
 
43 
 
UNIDADE 06. PRINCÍPIOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO 
ESPECIAL 
 
Objetivo 
Compreender os princípios legais e suas implicações nos avanços do 
cenário da Educação Especial no Brasil é o objetivo desta unidade. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Princípios Legais da Educação Especial 
“As eve tuais muda ças juridicame te co sa radas e ce tra me te 
decretadas não asseguram automaticamente a mudança das 
rea idades educativas e das pr ticas esco ares.” (LIMA 1999 p.71). 
 
 Esta unidade apresenta os princípios legais que fundamentam a 
Educação Especial, iniciando a partir do Decreto 5.626, de 2005, e concluindo 
com a apresentação do Plano Nacional de Educação (2014-1024). 
 Em 2005, o Decreto 5.626 regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 
2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei 
no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Define que a formação de docentes 
para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental, no ensino 
médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de 
graduação de licenciatura plena em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua 
Portuguesa como segunda língua. 
 Através do Decreto 6.094/2007 foi lançado o Plano de Desenvolvimento 
da Educação -PDE-, reafirmado pela Agenda Social, tendo como eixos a 
formação de professores para a educação especial, a implantação de salas de 
recursos multifuncionais, a acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares, 
acesso e a permanência das pessoas com deficiência na educação superior e o 
http://www.jusbrasil.com/legislacao/96150/decreto-5626-05
http://www.jusbrasil.com/legislacao/99492/lei-de-l%C3%ADbras-lei-10436-02
http://www.jusbrasil.com/topicos/11258132/artigo-18-da-lei-n-10098-de-19-de-dezembro-de-2000
http://www.jusbrasil.com/legislacao/103147/lei-da-acessibilidade-lei-10098-00
http://www.jusbrasil.com/legislacao/94807/decreto-6094-07
 
44 
 
monitoramento do acesso à escola dos favorecidos pelo Benefício de Prestação 
Continuada – BPC. 
 No documento do MEC, Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, 
princípios e programas, é reafirmada a visão que busca superar a oposição entre 
educação regular e educação especial. “Contrariando a concepção sistêmica da 
transversalidade da educação especial nos diferentes níveis, etapas e 
modalidades de ensino, a educação não se estruturou na perspectiva da 
inclusão e do atendimento às necessidades educacionais especiais, limitando o 
cumprimento do princípio constitucional, que prevê a igualdade de condições 
para o acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais 
e evados de e si o.” ( p. 09). 
 A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD)7 
aprovada pela ONU em 2006 e da qual o Brasil é signatário, estabelece que os 
Estados Partes devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os 
níveis de ensino, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico 
e social compatível com a meta da plena participação e inclusão, adotando 
medidas para garantir que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas 
do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com 
deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório, 
sob alegação de deficiência; b) As pessoas com deficiência tenham acesso ao 
ensino fundamental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de 
condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem. 
 
 
7
 O Decreto Legislativo 186/2008 aprova o texto da Convenção sobre os Direitospelo aluno e das condições para o atendimento 
inclusivo, a equipe pedagógica da escola e a família devem decidir, com base 
em avaliação pedagógica, quanto ao seu retorno à classe comum. 
 
A Escola Especial 
 A educação escolar de alunos que apresentam necessidades 
educacionais especiais e que requeiram atenção individualizada nas atividades 
da vida autônoma e social, bem como ajuda e apoio intensos e contínuos e 
flexibilizações e adaptações curriculares tão significativas que a escola comum 
não tenha conseguido prover, pode efetivar-se em escolas especiais, 
assegurando-se que o currículo escolar observe as diretrizes curriculares 
nacionais. Esse atendimento, sempre que necessário, deve ser complementado 
por serviços das áreas de Saúde, Trabalho e Assistência Social. A partir do 
desenvolvimento apresentado pelo aluno, a equipe pedagógica da escola 
especial e a família devem decidir conjuntamente quanto à transferência do 
aluno para escola da rede regular de ensino, com base em avaliação 
pedagógica e na indicação, por parte do setor responsável pela educação 
especial do sistema de ensino, de escolas regulares em condições de realizar 
seu atendimento educacional. Para uma educação escolar de qualidade, é 
fundamental prover e promover em sua organização: 
I. matrícula e atendimento educacional especializado nas etapas e modalidades 
da Educação Básica previstas em lei e no seu regimento escolar; 
II. encaminhamento de alunos para a educação regular, inclusive para a 
educação de jovens e adultos; 
III. parcerias com escolas das redes regulares públicas ou privadas de educação 
profissional; 
IV. conclusão e certificação de educação escolar, incluindo terminalidade 
específica, para alunos com deficiência mental e múltipla; 
 
71 
 
V. professores especializados e equipe técnica de apoio; 
VI. flexibilização e adaptação do currículo previsto na LDBEN, nos Referenciais e 
nos Parâmetros Curriculares Nacionais. 
 
Referências Bibliográficas 
Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva 
(disponível em HTTP://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf) 
SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão: Construindo Um a Sociedade Para Todos. 3ª 
edição. Rio de Janeiro: WVA, 1999, 174p. 
TAVARES FILHO, T. E. Fundamentos da Educação Inclusiva. Universidade Federal 
do Amazonas: Faculdade de Educação. Departamento de Teoria e Fundamentos 
 
 
 
72 
 
UNIDADE 10. DESAFIOS PARA A VERDADEIRA 
EDUCAÇÃO INCLUSIVA 
 
Objetivo 
Esta unidade tem o objetivo de abordar alguns aspectos essenciais para a 
uma Educação Inclusiva de qualidade social esteja presente no cenário 
educacional brasileiro. 
 
BEBENDO NA FONTE 
Desafios para a verdadeira Educação Inclusiva 
“A i c usão causa uma muda ça de perspectiva educacio a pois ão 
se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na 
escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, 
para ue o te am sucesso a corre te educativa era ”. 
(Montoan,1997, p.145) 
 
 Há inúmeras resistências à inclusão, tanto no âmbito escolar, 
profissional, familiar, como em outros setores. As principais resistências têm 
como origem o preconceito, a falta de informação e intolerância a modelos 
mais flexíveis. O medo do novo, do desconhecido nos educadores tem origem 
na formação acadêmica a qual não os habilitou para o trabalho com a 
diversidade, nem tão pouco o engenheiro que projeta um prédio15. 
 
15
 A diferenciação para excluir era ato comumente praticado, mesmo com base nas melhores intenções. Os serviços da 
educação especial permitiam que alunos com dificuldades de aprendizagem, por exemplo, fossem atendidos em salas 
de recursos, em classes especiais e até mesmo em escolas especiais. Os professores de educação especial se 
descaracterizavam ao atender a esses casos e tinham seus perfis desfigurados e suas competências subutilizadas. A 
exclusão se mantinha e se justificava por esses descaminhos. (Montoan) 
 
 
73 
 
 De acordo com Montoan16 não é tão fácil e palatável aos sistemas de 
ensino e aos que pleiteiam a educação especial na sua concepção excludente 
assumir essa virada de sentido da diferenciação. Essa dificuldade, embora até 
certo ponto esperada, tem se traduzido por uma resistência vazia de 
argumentos e de embasamento teórico-metodológico que convença a volta 
atrás, o retrocesso aos tempos em que o entendimento da educação comum e 
da educação especial permitia e sustentava os benefícios de diferenciar para 
excluir. 
 Pais e professores, autoridades educacionais, políticos engajados no 
atendimento a pessoas com deficiência ainda enfrentam o ceticismo, o 
pessimismo de muitos, cujos olhos, embaçados pelo assistencialismo, a 
benemerência, o paternalismo, não conseguem vislumbrar o que esse novo 
sentido da diferenciação traz de avanços e vantagens para todos, 
indistintamente. 
 A escola comum se caracteriza como inclusiva quando reconhece e 
valoriza as diferenças de características de seu alunado e quando luta contra 
práticas discriminatórias, segregacionistas e contra processos sociais 
excludentes, garantindo a todos o direito de aprender a aprender. 
 A escola na perspectiva inclusiva, não o é somente pela presença física de 
sujeitos deficientes, muito menos por assegurar a matrícula e a presença de 
educandos especiais em seu âmbito. Esse acesso deverá ser acompanhado de 
qualidade, permanência com êxito, mudança comportamental da comunidade 
escolar e o reconhecimento do aluno deficiente como sujeito de direito igual a 
todos, capaz de traçar sua própria trajetória, caso contrário será a exclusão 
dentro da inclusão. A escola inclusiva precisa superar alguns desafios, os quais 
serão abordados na sequência. 
 
16
 A diferenciação para excluir – motivo de discriminação e a diferenciação para incluir, que promove a inclusão, têm 
sido exaustivamente explicitadas pelos que se dispõem a esclarecer as atuais pretensões da educação especial. 
 
74 
 
 As escolas de educação regular, pública e privada devem assegurar as 
condições necessárias para o pleno acesso, participação e aprendizagem dos 
estudantes com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento, em todas 
as atividades desenvolvidas no contexto escolar, para que haja sentido e 
justificativa da presença do aluno naquele ambiente, para não nos pautarmos 
em práticas que apenas permitem ao deficiente estar na escola, em qualquer 
ambiente, fazendo qualquer coisa, exceto as atividades inerentes às unidades 
escolares, ou seja, sem efetivamente integrar-se à escola. 
 Dentre os serviços da educação especial que os sistemas de ensino 
devem prover estão os profissionais de apoio, tais como aqueles necessários 
para promoção da acessibilidade e para atendimento a necessidades específicas 
dos estudantes no âmbito da acessibilidade às comunicações e da atenção aos 
cuidados pessoais de alimentação, higiene e locomoção. 
 A educação inclusiva requer uma redefinição conceitual e 
organizacional das políticas educacionais e culturais. Nesta perspectiva, 
o financiamento dos serviços de apoio aos alunos deve integrar os custos gerais 
com o desenvolvimento do ensino, sendo disponibilizados em qualquer nível, 
etapa ou modalidade de ensino, no âmbito da educação pública ou privada. 
 Para Montoan, as iniciativas em favor do acesso dos alunos da educação 
especial às turmas das escolas comuns e aos novos serviços especializados 
visam à transposição das barreiras que os impediam de cursar com autonomia 
todos os níveis de ensino em suas etapas e modalidades, resguardado o direito 
à diferença, na igualdade de direitos. 
 É possível e urgente que se garanta a igualdade de direitos a uma 
educação, que livra o aluno de qualquer diferenciação para excluir e/ouinferiorizá-lo e que assegure o direito à diferença, quando lhe é propiciado um 
atendimento especializado, que considera suas características e especificidades. 
 
75 
 
 A educação especial tem a tarefa de complementar a formação dos 
alunos que constituem o seu público-alvo, por meio do ensino de conteúdos e 
utilização de recursos que lhes conferem a possibilidade de acesso, 
permanência e participação nas turmas comuns de ensino regular, com 
autonomia e independência. 
 A orientação da Política de Educação Especial é formar um profissional 
que não está encerrado no conhecimento específico de uma dada deficiência, 
como ocorria antes. Essa formação não lhe confere poderes de ensinar a partir 
de conhecimentos universalizados, referentes a uma deficiência – os problemas 
e soluções estão encarnados no aluno e não se encaixam em um receituário 
geral. 
 Segundo a autora, os objetivos da educação especial na perspectiva da 
educação inclusiva asseguram a inclusão escolar de alunos com deficiência, 
transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, 
orientando os sistemas de ensino para: 
 garantir o acesso de todos os alunos ao ensino regular (com 
participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de 
ensino); 
 formar professores para o Atendimento Educacional Especializado e 
demais professores para a inclusão; 
 prover acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, 
comunicações e informação; 
 estimular a participação da família e da comunidade; 
 promover a articulação intersetorial na implementação das políticas 
públicas educacionais; 
 oferecer o Atendimento Educacional Especializado - AEE. 
 
 
76 
 
Montoan afirma que a homogeneização das turmas escolares decorre da 
identidade que se impõe como a desejável, embora o normal só se defina pelo 
anormal, o branco pelo preto, ao velho pelo novo, o bom pelo mau e vice–
versa. Explica-se por tais razões a facilidade que temos de apontar, decidir 
/definir quem fica e, automaticamente, quem sai das turmas por ter ou não 
condições de ficar “de tro” de as. Na i c usão i u m sai todos estão de tro 
da escola, até mesmo o Atendimento Educacional Especializado, embora ainda 
preferencialmente! 
 As mudanças na educação especial e na escola comum estão vivendo o 
assombro pelo Outro, pelo diferente, nas nossas escolas. Reconhecer o Outro 
como “o difere te” ão asta por ue esse utro sempre “um” utro e ão 
“o” mesmo – ele difere infinitamente. O nosso entendimento do Outro está 
comprometido pela imagem do aluno rotulado que conseguimos conter em 
nossa cartela de categorias educacionais (id.). 
 A aprendizagem que nos falta para distinguir a diferenciação para incluir 
da diferenciação para excluir sobrevém aos encontros com esse Outro, que 
difere sempre e que não se deixa capturar. Ela é essencialmente ativa e 
mobilizadora, pois o confronto com a alteridade, quando nos deixa perplexos, 
constitui o seu momento ideal, impulsionado pela incerteza, pela dúvida, pelo 
desejo de enfrentar o desconhecido. 
 As incursões da educação especial nos sistemas de ensino promovem 
essas aprendizagens por aproximações necessárias e inusitadas, nas turmas, nas 
atividades do cotidiano. 
 
AMPLIANDO HORIZONTES 
DEFICIÊNCIAS (Mario Quintana) 
 
 
77 
 
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as 
imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência 
de que é dono do seu destino. 
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui. 
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e 
só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. 
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o 
apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir 
seus tostões no fim do mês. 
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da 
máscara da hipocrisia. 
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de 
sua ajuda. 
"Diabético" é quem não consegue ser doce. 
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. 
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: 
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus. 
"A amizade é um amor que nunca morre." 
 
DEFICIÊNCIAS - Mario Quintana 
Documentos da Secretaria de Educação Especial referem-se à construção 
de “sistemas educacio ais i c usivos” em todos os veis. e as aç es 
imp a tadas supomos ue um “sistema educacio a i c usivo” seja a ue e ue 
garanta o acesso ao estabelecimento educacional (matrícula e permanência) e 
que ofereça, quando necessário, atendimento educacional especializado – AEE, 
para complementar ou suplementar o atendimento escolar (prioritariamente em 
salas de recursos multifuncionais). Nessa proposta, as instituições 
 
78 
 
especializadas, outrora atores principais da Educação Especial, têm a condição 
de locais para AEE de caráter completar ou suplementar. 
A história de nossa educação constituiu-se de forma a separar os alunos: 
em normais e anormais; fortes e fracos etc. Dentro dessa forma de pensar a 
educação, muitas crianças estiveram longe das escolas públicas (não apenas 
crianças com deficiências). A política educacional atual impele a outras práticas 
escolares, diferentes das construídas historicamente. Para essa nova direção, o 
governo federal estabeleceu um caminho: a matrícula em classe comum e o 
apoio de atendimento educacional especializado para complementar ou 
suplementar a escolaridade. Para compreender essa escolha, acredito que seja 
necessário considerar os múltiplos determinantes da materialização da política 
educacional. [...] Ao olhar o conjunto das ações adotadas, verificamos as 
preferências do Governo Federal pela formação de educadores no sistema de 
multiplicadores e a distância. Essas escolhas pretendem otimizar os recursos, 
atingindo o maior número de pessoas possível. As preocupações econômicas 
foram determinantes para adoção de políticas em outros momentos da história 
da educação brasileira, como parecem estar presentes agora. No entanto, 
ressaltamos o fato de que, muitas vezes, essas escolhas são incompatíveis para 
o estabelecimento da garantia de direitos sociais. 
 
Referência Bibliográfica 
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Diferenciar para incluir: a educação especial 
na perspectiva da educação inclusiva. Disponível em: 
http://www.diversa.org.br/artigos/artigos.php?id=42&/diferenciar_para_incluir_a
_educacao_especial_na_perspectiva_da_educacao_inclusiva Acesso em: 13 out. 
2011. 
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Bairro: Pq. Santa Cândida
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(19) 3321-8000
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