Prévia do material em texto
CLARISSA DE LIMA - MED UCB - XXXIV Bases da Cirurgia - Tutorial 2 Equilíbrio Hidroeletrolítico a. Compartimentos intracelular e extracelular b. Composição dos fluidos corporais c. Osmolalidade e tonicidade d. Hiponatremia, hipernatremia e. Hipocaliemia, hipercaliemia f. Hipocalcemia, hipercalcemia g. Hipomagnesemia, hipermagnesemia Caso Clínico I – Pós-operatório Imediato Sr. Raimundo Nonato, 54 anos, peso atual de 62Kg, altura 1,78 m, encontra-se no pós- operatório imediato. Foi submetido a duodenopancreatectomia para tratamento de neoplasia de cabeça de pâncreas. A duração do procedimento cirúrgico foi de 4 horas e sob geral inalatória. A perda sanguínea estimada foi de 1500 ml. Na sala de recuperação anestésica estava respirando espontaneamente, edema facial e conjuntival, com: FC: 120 (taquicardia) PAM: 60 mmHg (hipotensão) FR: 40 (taquipneico) Sat.: 98% (normal ) T: 37,9ºC (febril) Os exames pós-operatórios: Glicemia: 220 mg%; (hiperglicemia) Sódio: 135 mEq/L; (normal) Potássio: 5,6mEq/L (elevado) Magnésio: 1,9 md/dL (normal) Cálcio íonico: 1,1 MMOL/L (normal) Cálcio total: 9,1mg/dL. (normal) Hemoglobina 9,8 g/dL (anêmico) Hematócrito 30% (diminuido) Diurese: 120 mL em 2h (poliúria) PVC: 16 (aumentada) Dreno Abdominal tubular: 200 ml, serosanguíneo. Objetivos de aprendizagem: 1. Esquematizar a relação entre os volumes extracelular, intracelular e intravascular em um paciente de 70 Kg. Paciente masculino com 70 kg; ● 60% do peso do homem corresponde à água total do organismo (ato) = 42 kg o Líquido intracelular (40% da ato) = 28 kg o Líquido extracelular (20% da ato) = 14 kg ▪ Líquido intersticial (15% da ato) = 10,5 kg ▪ Intravascular - Plasma (5% da ato) = 3,5 kg ▪ Líquido linfático (2% da ato) = 840 g ▪ Líquido transcelular: intra-ocular, cefalorraquidiano, pleural, pericárdico, perotoneal, sonovial e secreções TGI. 2. Defina “terceiro espaço”, descreva as causas de aumento deste volume e a dinâmica de absorção ao longo do pós-operatório. O “terceiro espaço” ou líquido extracelular afuncionante corresponde ao sequestro de líquido extracelular por um “terceiro” compartimento, sob as formas de edema na área traumática, edema do peritônio, derrame pleural, ascite, hidrotórax, hematomas, abscessos ou sucos digestivos estagnados nas alças intestinais. Esta perda para o terceiro espaço faz se às expensas do LEC normal e reduz o seu volume efetivo, produzindo hemo centração, hipovolemia e redução da diurese. As perdas para o terceiro espaço precisam ser repostas, porque o líqüido seqüestrado transitoriamente não participa das trocas e não tem valor volêmico. Este líquido do interstício retorna à circulação sanguínea por meio da difusão (a medida que diminui a resposta inflamatória, com consequente diminuição da permeabilidade capilar e aumento da pressão oncótica). No entanto, outra parte do líquido intersticial volta à circulação venosa pelo sistema linfático, quando pode-se utilizar de auxílio a drenagem linfática, que irá drenar o excesso de fluido acumulado nos espaços intersticiais de forma a manter o equilíbrio das pressões tissulares e hidrostáticas. Nesta fase de resolução do terceiro espaço há aumento da volemia, com conseqüente hemodiluição e redução do hematócrito, e aumento da diurese proporcional ao volume de líqüido previamente seqüestrado.O retorno rápido do líquido aos vasos sanguíneos pode levar a uma sobrecarga circulatória, passando para uma situação de hipervolemia real, que terá na função renal o mecanismo compensador imediato, eliminando todo o volume em excesso e acertando os níveis eletrolíticos do plasma. Se isso não ocorrer, haverá uma grande sobrecarga para a função cardíaca, que poderá evoluir para insuficiência cardíaca congestiva. Constituem causas deste sequestro: traumatismos extensos de partes moles, queimaduras, peritonite, pancreatite, obstrução intestinal, derrames pleurais ou peritoneais, edemas de feridas cirúrgicas. 3. Explicar as possíveis causas do edema facial apresentado pelo Sr. Raimundo Nonato – Caso Clínico I. Uma possível causa do edema facial seria a concentração de ADH e Aldosterona aumentadas pelos mecanismos de reação metabólica ao trauma, fazendo com que ocorra, deste modo, uma retenção hídrica no pós-operatório, onde um dos locais que mais se manifesta a retenção hídrica é a região facial (partes moles do corpo). Outras possíveis causas: - Elevado sangramento, que diminui a pressão coloidosmótica e permite a formação do edema. - Hiperhidratação - Perda de proteínas plasmáticas, aumentando a permeabilidade vascular e o extraazamento de líquido para o espaço intersticial “É comum usarem diuréticos em certos pacientes com edema, julgando estarem hipervolêmicos. No entanto, muitas vezes os pacientes estão hipovolêmicos no que se refere ao volume circulante, quando não em choque, pelo fato de grande parte do líquido estar sequestrado para um compartimento extracelular afuncionante”. 4. Citar a composição eletrolítica e o volume diário de água dos seguintes fluidos corporais: sangue, saliva, secreção pancreática, suco gástrico, bile e secreção ileal. a. Sangue Volume: 75 ml/kg Composição: Sódio (135-145 mEmol/L); Potássio (3,5 - 5 mEmol/L); Cloro (100-110 mEmol/L); Bicarbonato (22-28 mEmol/L) “Ter ideia do que é muito aumentado ou diminuído em cada fluido.” b. Saliva Volume: 800-1500mL Composição: Sódio baixo; Potássio e Bicarbonato elevados Na sialorréia: Hipernatremia, Hipocalemia e Acidose c. Secreção Pancreática Volume: 700-1000mL Composição: Sódio normal, Potássio baixo, Bicarbonato elevado Perda excessiva sem reposição de eletrólitos -> acidose (perda de bicarbonato), e consequente hiponatremia a hipocalemia) d. Suco gástrico: Volume: 2 - 2,5L Composição: Cloro e Ácido elevados, Sódio reduzido A perda gera alcalose, hipocloremia, hipocalcemia e hipernatremia e. Bile Volume: 1L Composição: Secreção básica - Bicarbonato elevado A perda gera acidose e provável fístula, quando excessiva hiponatremia (primeiro) e hipocalemia. f. Secreção ileal: Volume: 2,5 L em jejum; 3500 pós prandial Composição: Sódio baixo, Potássio e Bicarbonato elevados A perda gera hipernatremia, hipocalemia e hipocloremia. Referência bibliográfica: Ceneviva R, Vicente YAMVA. Equilíbrio hidroeletrolítico e hidratação no paciente cirúrgico. Medicina (Ribeirão Preto) 2008; 41 (3): 287-300. 5. Descrever o metabolismo de água e eletrólitos na resposta orgânica ao trauma cirúrgico. O paciente cirúrgico pode apresentar alterações do equilíbrio hidroeletrolítico em qualquer período relacionado à intervenção cirúrgica. No pré-operatório essas alterações podem decorrer da própria doença de base ou problema clínico associado. Durante a cirurgia as alterações são mais frequentes e mais intensas nas operações mais demoradas e nas de grande porte, que requerem mais atenção e maior controle pelo anestesista. No pós-operatório os distúrbios estão condicionados à magnitude das alterações hormonais da resposta orgânica ao trauma e ao tempo de duração da hidratação endovenosa, necessária enquanto as vias oral e enteral não forem factíveis. O jejum de 12 horas resulta em redução de aproximadamente 800 mL na água total do organismo e o jejum de 18 horas pode corresponder à redução de 1000 a 1500 mL de água total. Tanto adesidratação quanto a hiponatremia predispõem ao choque circulatório e à insuficiência renal (o débito urinário mínimo de um paciente para que o organismo seja capaz de excretar quantidade adequada de metabólitos é de 30 a 60 mL por hora. É indicativo de boa perfusão renal). No processo do trauma do procedimento cirúrgico, a reação orgânica neuroendócrina e metabólica, proporcional à intensidade da agressão e à capacidade de reação do paciente, caracteriza-se pela oligúria e retenção de sódio, dependentes da liberação de ADH e aldosterona. Ocorre retenção do volume extracelular funcionante em virtude das perdas externas e da formação do “terceiro espaço”, perda interna frequentemente olvidada nas prescrições da terapêutica hidroeletrolítica. Se quantidades apropriadas de água e eletrólitos são administrados durante a cirurgia, o volume extracelular efetivo pode ser mantido e a oligúria pós-operatória evitada. ⇩vol. Extracel. ⇨ ⇩perfusão glomerular ⇨ ⇧renina ⇨ ⇧angiotensina ⇨ ⇧aldosterona ⇩vol. Extracel. ⇨ ⇩pressão átrio esquerdo ⇨ ⇧estímulo secreção de ADH Em decorrência da lesão tecidual, há muita liberação de K+ para o meio extracelular, além da perda de Na+ pelo sangramento. A aldosterona atua na retenção do sódio e eliminação de potássio, visando manter as concentrações adequadas desses íons no compartimento intravascular. 6. Calcular a necessidade diária basal de fluidos em um paciente de 60Kg 30 a 50 mL/kg/dia PARA 60kg: de 1800ml a 3000 ml Perdas: - Fezes 100ml (pós operatório não relatado) - Urina: 1440 ml - Pele e pulmões: 900ml Ganhos: - Ingestão de bebidas: 1000ml (pós operatório não relatado) - Alimentos: 1200 ml (pós operatório não relatado) - Oxidações endógenas : 300ml Perdas: 1440+900 = 2340ml Ganhos: 300ml Total 2340 – 300= 2040ml é a necessidade diária basal de fluidos em um paciente de 60kg. 7. Calcular as perdas sensíveis e insensíveis, de eletrólitos e fluidos, no período de 24 horas, em um paciente estável de 80 kg no primeiro dia de pós-op de uma operação de médio porte. Habitualmente consideramos, para a necessidade básica, uma perda líquida diária pela pele e pulmões na ordem de 1.000 ml. A perda diária através da pele está em torno de 400 ml, mas aumenta muito por sudorese profusa, febre, ambientes quentes e pouca umidade. Caso haja febre, acrescentar mais 250 ml de água para cada grau acima de 38°C. Em presença de taquipneia adicionar 100 - 200 ml para cada 4 movimentos respiratórios por minuto acima de 20 no homem e 16 na mulher. Se a sudorese for excessiva, haverá perdas eletrolíticas que deverão ser repostas. Tem que se levar em consideração sangramentos, vômitos, drenos, sondas, porte da cirurgia (cirurgias de grande porte perda de cerca de 1L de liquido perdido em cada hora. 15ml/kg/hora), prescrição do anestesista. Perdas insensiveis: sudorese e cutaneo-pulmonar (alveolar) – 900/1200ml. Perdas sensiveis: Urina (A diurese normal é de 0,5ml/kg/h, mas em pós-operatório é de 1ml/kg/h, portanto: 1 ml x 80 Kg x 24 hs = 1920 ml.) Fezes (100/250ml) Total* = Sódio 2mEq/kg/dia Potássio 1mEq/kg/dia Cloro 2mEq/kg/dia HCO3 0,3 a 0,5mEq/kg/dia 8. Descrever os tipos de desidratação. Desidratação (definição): A desidratação é um fenômeno caracterizado pelo desequilíbrio entre a utilização de água, sais e eletrólitos e a reposição destes, impedindo que o organismo realize suas funções fisiológicas adequadamente. Desidratação Isotônica: Ocorre quando há perdas de fluidos isotônicos, como em casos de sequestro do terceiro espaço, paracentese e em vômitos, diarreia, fístulas digestivas. O paciente apresenta sinais e sintomas de desidratação em geral, principalmente relacionados à retração exclusiva do espaço extracelular (oligúria e choque hipovolêmico em casos graves) e à não indução de trocas extraordinárias com o intracelular. Frequentemente, é o tipo de desidratação encontrada em crianças pequenas. O tratamento se dá pela administração de solução isotônica. Desidratação Hipertônica: Ocorre pela oferta insuficiente de líquido durante nutrição enteral ou parenteral, sudorese, uso inadequado de diuréticos, diabetes insipido, diurese osmótica por hiperglicemia e perda de líquido hipotônico na transpiração pulmonar acentuada. O aumento da tonicidade no compartimento extracelular estimula passagem de água do meio intracelular para o extra. Além dos sinais e sintomas de desidratação geral, com sede intensa e oligúria acentuada, os pacientes podem apresentar febre, agitação psicomotora, confusão mental e coma. O tratamento baseia-se na suspensão da entrada de sais e infusão de solução hipotônica (glicosada 5%) até que a tonicidade seja corrigida, seguindo-se com solução isotônica, se necessário. A quantidade necessária baseia-se no desaparecimento dos sinais e sintomas de desidratação e o restabelecimento do volume urinário. Desidratação Hipotônica: Também chamada de hiponatremia. Ocorre por administração insuficiente de água e sobretudo de sais ou pela perda não compensada maior de sais que de água: perdas digestivas crônicas isotônicas tratadas com soluções hipotônicas, hipoaldosteronismo primário, perda salina em nefropatias, transpiração muito elevada, etc. As alterações primárias são: redução de volume e da tonicidade do espaço extracelular. Com isso, há passagem de água do meio extracelular para o intracelular até que se estabeleça o equilíbrio osmótico. Os sintomas estão associados a redução do espaço extracelular (choque hipovolêmico, oligúria) e da expansão intracelular (sialorreia, tremores, íleo adinâmico, choque). A escolha da solução a ser administrada depende do grau de hipotonicidade do líquido extracelular. 9. Citar seis sinais ou sintomas de desidratação. - Sede (com perda de 2% do peso corpóreo); - Sintomas precoces: pele e mucosas ressecadas, perda de peso, perda da elasticidade e turgor da pele, afundamento das fontanelas em RN, oligúria; - Sintomas tardios: taquicardia, hipotensão postural, bradisfigmia, obnubilação, febre, coma; - Morte (com perda de 15% do peso corpóreo); 10. Explique o conceito de osmolaridade e pressão oncótica. Osmolaridade é uma medida que expressa a quantidade de mols de um soluto em determinado volume de solvente. Comumente utilizado para substâncias que exerçam efeito de pressão osmótica, como os íons. Número de osmóis efetivos por litro de solução; quantidade de partículas dissolvidas em um determinado solvente. Tendência do solvente de ir para o meio com maior soluto. Osmóis efetivos: -intracelular: potássio, aminoácidos e ácidos orgânicos. -extracelular: sódio, cloro, bicarbonato e glicose. Pressão oncótica é aquela provocada por certa quantidade de soluto dissolvido em certo volume de solvente. Quanto maior o número de mols do soluto no solvente, maior será a pressão osmótica dessa solução. 11. Descrever os parâmetros utilizados para monitorização do controle da volemia do paciente. - Debito urinário: Quantidade de urina eliminada pelos rins. A perda hídrica via urina associa-se diretamente ao controle da volemia (ex.: um déficit no funcionamento renal pode aumentar a volemia) - Pressão Venosa Central: Obtida por meio de um cateter locado na veia cava superior, determina a interação entre o volume intravascular, a função do ventrículo direito, o tônus vasomotor e a pressão intratorácica. Os valores normais da PVC são 2-8 mmHg. Valores abaixo do normal podem sugerir hipovolemia e valores mais altos podem sugerir sobrecarga volumétrica. - Capnografia:Fornece, por meio de um sensor nas vias aéreas, a pressão parcial de CO2, cujo valor normal é de 35 a 45 mmHg. A redução desse valor indica, dentre outros parâmetros, choque hipovolêmico. OBS: Também entram nos parâmetros de monitorização: pressão arterial, frequência cardíaca, hematócrito, enchimento capilar, temperatura e turgor, os quais associam-se diretamente ao volume de sangue circulante. 12. Descrever a técnica (passo-a-passo) utilizada para a sondagem vesical em homem. • identificar o paciente • colocar o paciente em local conforto e promover privacidade • explicar o procedimento • higienizar mãos • higienização íntima do paciente • isolar o leito com biombo • posicionar MMII flexionados e afastados • abrir a caixa de cateterismo • colocar 30 mL de PVPI tópico sobre gazes • abrir pacote da sonda vesical, seringa, agulha sobre suba rim com técnica asséptica • calçar luvas • testar o cuff • conectar sonda ao coletor estéril e fechar o clame coletor • colocar geleia anestésica na seringa de 20 mL • segurar o pênis perpendicular ao abdome • realizar anti-sepsia do meato urinário e glande com PVPI (3x) • retirar excesso de PVPI • injetar geléia anestésica na uretra • introduzir a sonda no meato • observar retorno da diurese • insuflar cuff com água destilada • tracionar sonda até encontrar resistência • fixar sonda da região supra-púbica O que pode dar errado: infecção, lesão de uretra (evolui com estenose); Nunca pode inflar o balonete sem a saída prévia de urina. 13. Descrever a técnica de obtenção da Pressão Arterial Média (PAM) e Pressão Venosa Central. PAM: 1) Teste de Allen para verificar a perfusão da mão escolhida e o pulso radial. 2) Colocação de capote e luvas estéreis 3) Arrumar a mesa de mayo com os materiais 4) Antissepsia e assepsia do sitio de punção 5) Preencher a linha arterial com solução fisiológica 6) Punciona-se a artéria radial em um ângulo de 30° 7) Passa-se o guia metálico pela agulha e em seguida retira-se a agulha 8) Insere-se o cateter por sobre o guia metálico 9) Retira-se o guia metálico 10) Conecta-se a linha arterial( equipo que liga a punção ao monitor) 11) Fixa-se o cateter com pontos 12) Colocar no monitor no ponto da pam 13) Verificar constantemente os valores da pam no aparelho. PVC: 1) Colocação de cateter venoso central(subclávia direita) 2) Técnica: paciente em decúbito dorsal coxim entre os ombros com hiperextensão da cabeça e pescoço, posicionar o membro superior direito bem esticado e colado ao corpo. 3) Colocação de capote e luvas estéreis 4) Antissepsia (clorexidina) e assepsia ( colocação de campos) 5) Preparação da mesa de mayo com todos os materiais 6) Anestesia no trajeto (um terço interno da clavícula em direção ao manúbrio esternal) 7) Introdução da agulha de punção até saída de grande quantidade de sangue 8) Passar do fio guia 9) Retirada da agulha 10) Passagem do dilatador semirrígido 11) Retirada do dilatador e passagem do cateter 12) Fixação do cateter 13) Raio x de tórax para verificação da posição do cateter 14) Colocação da régua graduada para verificar a pvc. Pressão arterial invasiva: cateter na radial ou femoral e monitorar em tempo real o batimento cardíaco. 14. Estimar a osmolalidade sérica com base nos valores representativos de Na+, K+, HCO3- e Cl- nas seguintes condições: desidratação, secreção inapropriada de ADH, diabetes insipidus, insuficiência cardíaca congestiva. A osmolaridade sérica corresponde à quantidade de partículas osmoticamente ativas no plasma. Segundo BARBOSA: 2[Na] + [glicose]/18 + [NUS]/2,8. Dentre os íons citados no enunciado, o que influencia de maneira contundente na osmolaridade é o Sódio. Desidratação: com a redução do volume sanguíneo, tem-se o aumento da concentração plasmática, aumentando, consequentemente, a osmolaridade; Secreção inapropriada de ADH: de forma geral, tem-se o aumento da secreção do hormônio antidiurético (tumor de pulmão, lesão do hipotálamo, AVC), diluindo o plasma sanguíneo por reabsorção de água, gerando hiponatremia (podendo ser hipovolêmica, isovolêmica ou hipervolêmica) e diminuindo, por consequência, a osmolaridade sanguínea e aumentando a urinária. Diabetes insipidus: ao contrário do que ocorre na secreção inapropriada de ADH, tem-se a diminuição da secreção de ADH, o que acarreta em uma eliminação excessiva de urina, diminuindo o volume sanguíneo e a osmolaridade urinária e aumentando a sérica. ICC: a diminuição do débito cardíaco gera uma resposta orgânica que cursa com edema, aumentando o volume sanguíneo. Como consequência, ocorre a hiponatremia, o que gera hiposmolaridade sanguínea e hiperosmolaridade urinária. 15. Estimar a osmolalidade urinária com base nos valores representativos de Na+, K+, HCO3- e Cl- nas seguintes condições: desidratação, secreção inapropriada de ADH, diabetes insipidus, insuficiência cardíaca congestiva. Desidratação: cursa com hipernatremia, por redução dos níveis de água corporal. Como consequência há aumento de ADH e aldosterona para evitar a perda de mais líquido. A urina, consequentemente, fica hipertônica. Diabetes Insipidus: ocorre perda excessiva de água pela urina, gerando hipernatremia e uma urina hipostmótica por deficiência da ação de ADH. ICC: ocorre um quadro de hiponatremia e retenção de líquidos a fim de adequar a PA, o que torna a urina hiperosmótica. Aumento de ADH —> Urina concentrada. Desse modo, e sabendo que a Osmolalidade urinaria está normal no intervalo de 500-1200mOsm/L, pode-se concluir que a Osmolalidade urinária na desidratação, na SIADH e na insuficiência cárdica encontra-se acima de 1200mOsm/L, enquanto na Diabetes Insipidus a Osmolalidade urinária encontra-se abaixo de 500mOsm/L. 16. Citar quatro fatores endógenos que alteram o controle renal de excreção de sódio e água. Ação hormonal: da maior liberação do ADH ocorre redução na diurese por aumento da reabsorção de água nos túbulos distais, que pode alcançar valores menores que 800ml nas primeiras 24 horas que se seguem à agressão que provocou a situação de estresse; esta diminuição não dura geralmente mais que um dia. A maior produção de aldosterona resulta em diminuição brusca da concentração de NA+ e CL- na urina, baixando as taxas para 20 a 30 mEq/L; o retorno à normalidade pode demorar mais que 5 dias, após ter cessado a situação de estresse. Insuficiência renal: Ocorre um quadro de oligúria e diminuição da capacidade renal de concentração e diluição, favorecendo a eliminação de taxas reduzidas e constantes de NA+, CL- e K+. Fluxo sanguíneo: A hipovolemia é um potente estimulador do sistema renina-angiotensina- aldosterona. responsável pela retenção de sódio e água e pela excreção de potássio Hiper e Hiposmolaridade. ANP (peptídeo natriurético): Aumento da excreção de água e Na+ Corticoides: agonista fraco da aldosterona; aumento da reabsorção de água e Na+, gerando edema. 17. Listar a composição de glicose, Na+, K+, HCO3- e Cl- nas seguintes soluções: Cloreto de sódio 0,9% (solução fisiológica), Ringer Lactato, Solução de Glicose a 5%. Cloreto de sódio 0,9% (solução fisiológica) : Sódio 154 mEq/L, Cloreto 154 mEq/L (concentração supra fisiológica - se administrar em excesso pode gerar hipercloremia e acidose por diminuição do bicarbonato e potássio. Ringer Lactato: Sódio 117,39 - 139,12 mEq/L, Potássio 3,63 - 5,62 mEq/L, Cloreto 103,8-118,47 mEq/L. Usa-se emcaso que há necessidade de dar muitas quantidades pro paciente. É como se estivesse repondo o plasma sem as proteínas plasmáticas. Solução de glicose a 5%: Glicose anidra (DCB 04485) = 45,5 mg (equivalente a 50mg de glicose monoidratada). Utilizado na hipernatremia, como se estivesse dando água livre. Soro Sódio (mEq/L) Cloreto (mEq/L) Potássio (mEq/L) Bicarbonato (mEq/L) Glicose (g/L) Cloreto de sódio 0,9% 154 154 - - - Ringer Lactato 130 109 4 28 - Solução de glicose 5% - - - - 50 (Portal da Anvisa - http://portal.anvisa.gov.br) 18. Analisar os resultados da dosagem de eletrólitos do Sr. Raimundo Nonato (Caso clínico I). Glicemia: 220 mg%; - Hiperglicemia Sódio: 135 mEq/L; - Normal Potássio: 5,6 mEq/L; - Elevado Magnésio: 1,9 mg/dL - Normal Cálcio Iônico: 1,1 MMOL/L - Normal Calcio total: 9,1mg/dL. - Normal Hemoglobina 9,8 g/dL; Hematócrito: 30% - diminuídos Diurese: 120 ml em 2 horas. - Normal PVC (pressão venosa central): 16. - Aumentada