Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

RECURSOS HÍDRICOS 
E DRENAGEM 
URBANA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Definir manejo integrado dos recursos hídricos e seus critérios de ava-
liação.
 > Reconhecer o impacto da gestão integrada dos recursos hídricos sobre 
as bacias hidrográficas.
 > Estabelecer o papel da gestão integrada dos recursos hídricos na pre-
servação ambiental.
Introdução
Os recursos hídricos disponíveis na sociedade são de fundamental importância 
para o desenvolvimento humano. A água garante o bem-estar das pessoas 
e, principalmente, sua sobrevivência. Mesmo que com usos indiretos, ela é 
essencial para as atividades humanas.
Por ser essencial na sociedade, a água se torna motivo de disputa e conflito 
de interesses. Os conflitos aumentaram devido ao acréscimo da intensidade de 
uso da água, algo que tem crescido a cada dia. Infelizmente, o desperdício e o 
uso da água de forma incorreta também vêm crescendo. Uma forma de mitigar 
os conflitos e gerenciar o uso correto da água é a gestão dos recursos hídricos, 
envolvendo o controle e a preservação desse bem tão precioso.
Neste capítulo, você vai ver a importância da gestão integrada dos recursos 
hídricos. Além disso, vai identificar como monitorar e gerenciar os conflitos de 
interesses. Também vai estudar os impactos negativos do mau gerenciamento 
Manejo integrado 
dos recursos hídricos
Betina Ludwig Navarro 
da água, que leva à degradação ambiental. Por fim, vai conhecer as legislações 
vigentes e a sua implementação.
Integração dos recursos hídricos e avaliação 
de seus critérios
O manejo integrado dos recursos tem como principais objetivos tornar pos-
sível a utilização do solo e da água e gerar produção na área de abrangência 
(delimitada pela bacia hidrográfica), em conjunto à preservação do meio 
ambiente. Conforme Santana (2003), o manejo integrado proporciona uma 
visão do uso dos recursos da natureza de forma sustentável, garantindo que 
os usos múltiplos e a ocupação dessas áreas não causem impactos negativos.
Para a implementação do manejo integrado dos recursos hídricos, é ne-
cessário analisar e ter embasamento em diretrizes que têm como objetivo 
promover o uso da água de forma controlada, garantindo a proteção dos 
recursos hídricos. Em casos de áreas degradadas, são instituídos projetos 
de recuperação, proteção, preservação de nascentes, controles de erosão, 
controles de deslizamentos, sistemas de drenagem, recomposição vegetal, 
entre outras medidas baseadas em normas e legislações vigentes que existem 
para proteger as bacias hidrográficas.
Para que a gestão dos recursos hídricos seja eficaz, são utilizados instru-
mentos de apoio como os seguintes.
 � Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH): engloba tanto a parte 
governamental quanto a parte social para uso, controle e proteção. Ela 
é instituída pela Lei nº 9.433/1997, que é decentralizada e participativa, 
contando com o poder público, usuários e comunidades (BRASIL, [2023]).
 � Planos de recursos hídricos: estudos para adequar o uso, o controle 
e o grau de proteção.
 � Gerenciamento dos recursos hídricos: ações do governo com finalidade 
de regular o uso e o controle. Por meio do Sistema Nacional de Geren-
ciamento dos Recursos Hídricos (SNIRH) é possível obter informações 
sobre as águas no Brasil.
A PNRH é uma forma de apoio da Agência Nacional de Águas e Saneamento 
Básico (ANA) para a gestão das águas no Brasil. De acordo com a PNRH, 
na bacia hidrográfica temos a interligação dos usos dos recursos hídricos. 
A bacia hidrográfica pode ser independente ou ligada com outras. É por isso 
Manejo integrado dos recursos hídricos2
a importância do manejo integrado, tendo em vista que os efeitos do uso da 
água em uma bacia podem interferir em outras.
A bacia hidrográfica pode ser definida como uma unidade territorial. 
Segundo Silveira (2001), a bacia é uma área de captação natural da 
precipitação que destina a água por meio de seu escoamento para o exultório, 
que é o ponto de saída.
Os diversos usos da água na sociedade podem ser classificados em con-
suntivos e não consuntivos. O uso consuntivo é aquele que retira e consome 
a água; no uso não consuntivo, não há o consumo direto da água, como o uso 
da água para turismo, lazer, aproveitamento hidrelétrico, pesca e navegação. 
A Figura 1 mostra a estimativa de retirada de água no Brasil e os principais 
usos da água.
Figura 1. Retirada de água no Brasil e principais usos da água.
Fonte: Adaptada de Brasil ([2019]).
Usos setoriais
da água
(70%)
Irrigação
49,8%
24,3%
9,7%
8,4%
4,5%
1,7%
1,6%
Humano urbano
Indústria
Uso animal
Termelétricas
Mineração
Humano rural
Total Brasil
Evaporação
líquida
≈ 27,9 trilhões
de litros
ao ano ≈ 65 trilhões
de litros
ao ano
≈ 92,9 trilhões de litros ao ano
(30%)
por usos múltiplos
Esses usos estão inter-relacionados e são chamados de usos múltiplos. 
O uso múltiplo da água é quando, em uma mesma bacia, há diferentes fina-
lidades para água. Vale ressaltar que todos os seus usos devem ser monito-
rados. Alguns desses usos são piscicultura e pesca; irrigação de área rurais; 
agricultura e pecuária; navegação; uso urbano e em comunidades rurais; uso 
industrial; geração de energia; turismo e lazer.
Manejo integrado dos recursos hídricos 3
Monitoramento da ocupação de microbacias e 
conflitos de interesses
As microbacias são áreas de menor escala em comparação às bacias hidro-
gráficas e têm corpos hídricos bem definidos. A microbacia fica localizada 
entre os divisores de água (pontos mais altos dos relevos), destinando a água 
para um curso de água principal. A microbacia está inserida na sub-bacia, que 
também leva a água ao curso de água principal da bacia hidrográfica. Nessa 
área da bacia, temos inter-relacionados a ocupação e o uso do solo e dos 
recursos hídricos. Assim, é necessário o planejamento e o monitoramento 
do uso e a conservação do solo da bacia.
O uso da água pela sociedade nos últimos tempos aumentou considera-
velmente, gerando o conflito de interesses das microbacias. Os conflitos de 
interesse surgiram há muito tempo e se modificaram com a evolução, por 
exemplo, do desenvolvimento econômico. Algumas causas para os conflitos 
são aumento da necessidade de irrigação; dessedentação de animais; aumento 
populacional; aumento da produção de alimentos, do consumo humano de 
água e das indústrias; maior produção de energia; maior uso para navegação 
e lazer; entre outras.
Segundo Lana (2001), os conflitos de interesses podem ser classificados 
da seguinte forma.
 � Conflitos de destinação de uso: é quando a água utilizada é destinada 
para outras funções que não foram definidas por políticas, fundamen-
tadas ou não em questões sociais.
 � Conflitos de disponibilidade qualitativa: é quando a água, por ser de 
má qualidade, não pode ser utilizada para outro fim. Por exemplo, o 
rio Tietê, em São Paulo, é poluído, o que impacta o longo trecho do 
curso de água e seus usuários.
 � Conflitos de disponibilidade quantitativa: é quando há o esgotamento 
da água devido ao consumo excessivo. Quando um usuário utiliza a 
água em excesso, ele impacta o próximo usuário. No futuro, é possível 
que tenhamos um esgotamento das reservas hídricas. O uso excessivo 
de água em hidrelétricas, por exemplo, pode prejudicar sistemas de 
navegação.
Manejo integrado dos recursos hídricos4
Além desses conflitos, há o conflito urbano no uso da terra, com sua 
impermeabilização, gerando as inundações nas cidades. Muitas cidades ti-
veram crescimento acelerado e ineficientes sistemas de drenagem. Com isso, 
surgiram problemas ambientais em cursos de rios assoreando, enchentes 
e deslizamentos. Geralmente, as regiões periféricas, menos privilegiadas, 
são mais afetadas e sofrem com essas inundações. É por isso que o manejo 
do solo deve ser monitorado, garantindo que os recursos hídricos sejam 
preservados. Isso deve ser feito nas diferentes categorias de bacias hidro-
gráficas: naturais (vegetação nativa), rurais (agronegócio), urbanas ou mistas 
(urbanae rural).
Um exemplo de manejo inadequado é o desaparecimento do mar Aral na 
região da Ásia Central, que secou em 90%. Os soviéticos queriam que a região 
se tornasse a maior do mundo na produção de algodão, mas o mar recebeu 
muitos pesticidas e inseticidas, o que fez com que os peixes começassem a 
morrer e o mar a secar. Além disso, havia a falta de chuvas e a falta de uma 
gestão de preservação de recursos hídricos (QOBILOV, 2015).
A escassez de água provoca guerras no mundo. Conforme Milne 
(2021), a maior parte desses conflitos está relacionada à agricultura. 
Na África, pastores e agricultores se enfrentam para abastecer seus animais 
e cultivos. No Iraque, crescentes crises de água levam manifestantes para as 
ruas. O norte da Índia está em constantes confrontos hídricos, relacionados ao 
crescimento populacional e ao alto consumo na irrigação.
Parâmetros de avaliação em microbacias
Existem alguns parâmetros físicos utilizados para determinar o tipo de bacia 
hidrográfica e avaliar os riscos de sua deterioração. As características físicas 
são úteis para explicar situações do passado e prever o futuro, transportar 
dados de bacias vizinhas para simular o local de interesse e criar fórmulas 
para novos estudos específicos.
A seguir, veja quais são os parâmetros de caracterização das bacias hi-
drográficas e como eles impactam no comportamento do uso dessas bacias 
(OLIVEIRA et al., 2010).
Manejo integrado dos recursos hídricos 5
 � Tipo de solo e uso: afetam no escoamento de água (p. ex., solo com 
cobertura vegetal regula a vazão; no solo compactado, nu ou imper-
meabilizado, a água não se infiltra, sendo mais susceptível a acúmulo 
de água e inundações).
 � Comprimento da vazão superficial: identificado pela área de abrangên-
cia e pelo deslocamento das águas sobre a superfície do solo.
 � Densidade de drenagem: determinada pela soma do comprimento total 
de todos os cursos de água dividido pela área da bacia. Um fator baixo 
indica uma bacia mal drenada. A baixa densidade de drenagem é dada 
por relevo plano e suave, com alta permeabilidade, permitindo uma 
rapidez de infiltração de água e menor chance de enchentes.
 � Índice de circularidade: indica que bacias mais circulares favorecem 
os processos de inundação, gerando picos de cheias. Esse parâmetro 
relaciona o perímetro da bacia e a área da bacia igual a um círculo.
 � Índice de forma da bacia: identificado pela largura média dividida pelo 
comprimento axial da bacia. Uma bacia com índice de forma baixo 
terá menos chance de inundar. Uma bacia longa e estreita tem menor 
propensão de chuva intensa abrangendo toda a extensão da bacia.
 � Declividade média: representa o grau de inclinação e interfere na ve-
locidade do escoamento superficial. Quanto maior for a declividade da 
bacia (mais íngreme), mais rápido será o escoamento superficial, menor 
será o tempo de concentração e os picos de enchentes maiores ficarão 
nos pontos mais baixos da bacia. A declividade média é indicada pela 
média dos pontos de intersecção da malha. A declividade é a diferença 
de cota das curvas de nível dividida pelo comprimento de reta.
 � Coeficiente de rugosidade: indica a disponibilidade do escoamento 
hídrico superficial com o potencial erosivo indicado pela declividade 
média da bacia. Quanto maior for esse índice, maior será o risco de 
degradação da bacia, por ter vertentes íngremes e longas.
 � Vazão: a vazão de água nas bacias está basicamente relacionada à 
quantidade de precipitação subtraída da quantidade de infiltração 
no solo. O saldo positivo gera o escoamento. Esse escoamento pode 
ter maior vazão, o que significa maior chuva e menor capacidade de 
infiltração do solo. Por meio da vazão é possível criar séries históri-
cas, dimensionar reservatórios e dispositivos de drenagem, controlar 
cheias, etc.
Manejo integrado dos recursos hídricos6
A partir dos parâmetros das bacias hidrográficas, é possível estimar o uso 
e o nível de degradação que o mau uso do solo e da água pode ocasionar na 
área. É de suma importância conhecer as características da bacia hidrográfica 
e identificar a capacidade de interferência que o uso dos recursos hídricos 
pode ocasionar.
Impactos da gestão integrada dos recursos 
hídricos
A gestão integrada dos recursos hídricos na sociedade é de fundamental 
importância para garantir a disponibilidade de água com qualidade para as 
gerações atuais e futuras. A utilização dos recursos de forma racional protege 
os recursos hídricos e evita que ocorram desastres hidrológicos.
Uma bacia hidrográfica tem usos múltiplos. Ao enxergar esse sistema como 
integrado, é possível obter a capacidade total de utilização em comparação 
com a expectativa de demanda. A capacidade de uso dos recursos hídricos 
de uma bacia hidrográfica depende de fatores humanos e, principalmente, da 
natureza. A disponibilidade hídrica, por exemplo, pode variar ao longo do ano, 
com épocas de cheias e de secas. A partir do conhecimento da capacidade de 
disponibilidade hídrica da bacia, que pode ser obtida pelos parâmetros de 
caracterização, é possível observar que a demanda ao longo do ano também 
é variável.
A visão ampla e estendida da disponibilidade hídrica e da demanda anual 
tem inúmeras vantagens, como as seguintes.
 � Garantir que todos os sistemas e uso sejam abastecidos. Somando 
todos os usos e a capacidade final do sistema, tem-se a garantia de 
não haver falta.
 � Garantir que outras bacias hidrográficas não sejam prejudicadas. Afinal, 
as bacias hidrográficas podem estar integradas e influenciar outras.
 � Possibilitar expansão de uso em épocas de folga na capacidade (p. 
ex., em épocas de cheias, ter menor consumo na irrigação e maior 
disponibilidade para geração de energia elétrica).
 � Conhecer os tipos de usos da água (consuntivo e não consuntivo).
 � Compartilhar estruturas, como reservatórios, atendendo à demanda de 
hidrologia da bacia hidrográfica e à segurança de todos que englobam 
a bacia.
Manejo integrado dos recursos hídricos 7
 � Fazer economias na implantação do sistema. Afinal, o investimento, 
a operação e a manutenção podem estar interligados aos diversos 
usuários da bacia.
Considere o consumo de uma bacia hidrográfica para irrigação na 
agricultura e para produção de energia elétrica em uma hidrelé-
trica. A demanda de água para irrigação será variável conforme a sazonalidade: 
em épocas chuvosas, terá menor consumo; em épocas de seca, terá maior 
consumo. Conhecendo essa demanda da irrigação, a hidrelétrica também terá 
sua garantia de produção de energia, com uma margem maior na época de chuva, 
quando a irrigação tem menor consumo.
Dificuldades da gestão integrada dos recursos 
hídricos
A gestão compartilhada dos recursos hídricos é muito importante e traz 
diversos benefícios para a sociedade. Entretanto, nem sempre acontece de 
forma harmônica e fácil. Para se ter sucesso na gestão, é preciso superar 
algumas dificuldades e fragilidades do processo.
A parte mais difícil de agregar os usos múltiplos para estarem interligados 
é a gestão. Como temos uma divisão dos recursos hídricos entre os interes-
sados, é necessário criar regras para que todos consigam ter seus direitos 
garantidos. As decisões devem ser centralizadas e administradas pelos órgãos.
Outro desafio é a complementação da capacidade técnica institucional 
às atividades de organização social, que demanda a participação de todos 
os envolvidos no processo de gestão nas bacias e uma mudança no compor-
tamento da sociedade com o meio ambiente (MOTA; OLIVEIRA; MEDINA, 2020).
O uso múltiplo dos recursos hídricos não é uma escolha, mas uma necessi-
dade. Para que as regras e decisões do compartilhamento dos recursos hídricos 
sejam eficazes, são necessários sistemas gerenciais. Um passo importante 
para essa gestão é reconhecer que a gestão integrada dos recursos hídricos 
apresenta dificuldades. Veja, a seguir, alguns conflitos existentes (VIEIRA, 2006).
 � São implementados processos de gestão das águas semconhecimento 
das características da região.
 � Uma pequena parcela da sociedade cumpre as leis ambientais.
Manejo integrado dos recursos hídricos8
 � Os órgãos ambientais não exercem na totalidade suas atribuições, 
como a fiscalização.
 � Há falta de incentivo monetário para prevenção da poluição da água, 
programas ambientais e tratamentos de esgoto.
 � Há uma ausência de monitoramento da qualidade das águas subter-
râneas e de sua exploração.
 � Existe a contaminação de solo e água pela disposição inadequada de 
resíduos sólidos.
 � Ocorrem enchentes em grandes centros urbanos em razão de cresci-
mento acelerado e ocupação irregular em áreas de risco ambiental.
 � A agricultura mal gerenciada pode levar a erosões e à contaminação 
do solo e da água pelo uso de agrotóxico.
 � Não existem práticas efetivas de gestão integrada dos múltiplos usos 
dos recursos hídricos.
O monitoramento e o estudo adequado das bacias hidrográficas por meio 
da gestão integrada é uma forma de evitar a ocorrência desses fatores e a 
degradação. Conhecendo o histórico da bacia, é possível evitar que problemas 
se repitam no futuro. Cada bacia hidrográfica tem sua peculiaridade no tipo 
de uso do solo e da água; elas são únicas, mas a essência da gestão integrada 
é a mesma.
Gestão integrada dos recursos hídricos na 
preservação ambiental
A gestão dos recursos hídricos é dinâmica, pois a sociedade está em constante 
evolução, com prioridades e demandas de uso da bacia hidrográfica que 
mudam ao longo do tempo. Entre os fatores que impulsionam e impactam 
o manejo dos recursos hídricos, é possível citar: desenvolvimento econô-
mico da sociedade; aumento da população; expansão de áreas agricultáveis; 
pressões regionais; evolução tecnológica; mudanças culturais; processo de 
expansão de áreas urbanas; necessidades ambientais; necessidades sociais; 
e incertezas do futuro.
Para manter o gerenciamento dos recursos hídricos, é importante que uma 
equipe interdisciplinar esteja reunida para discutir os diversos interesses, 
com o objetivo principal de manter a preservação dos recursos hídricos para 
gerações futuras. O Quadro 1 mostra áreas com profissionais que trabalham 
no planejamento dos recursos hídricos.
Manejo integrado dos recursos hídricos 9
Quadro 1. Áreas com profissionais que trabalham no planejamento dos 
recursos hídricos
Não técnicas Semitécnicas Técnicas (domínio principal)
 � Economia
 � Administração
 � Direito
 � Ciências políticas
 � Sociologia
 � Psicologia
 � Comunicação
 � Planejamento
 � Meteorologia
 � Oceanologia
 � Engenharia de minas
 � Geografia
 � Biologia
 � Zoologia
 � Pisicultura
 � Recreação
 � Saúde pública
 � Antropologia
 � Geologia
 � Agronomia
 � Química
 � Ecologia
 � Hidráulica
 � Hidrologia
 � Saneamento ambiental
 � Saneamento básico
 � Tratamento de esgotos
 � Estruturas hidráulicas
 � Erosão e sedimentação
 � Computação
 � Modelagem matemática
 � Analise numérica
 � Instrumentação
 � Sensoriamento remoto
 � Estatística
 � Análise de sistemas
Fonte: Adaptado de Lana (2001).
A equipe multidisciplinar será capaz de diagnosticar as situações das micro-
bacias nos diferentes quesitos e propor ações relativas à preservação ambiental.
Diagnóstico e preservação ambiental das 
microbacias
O diagnóstico da bacia hidrográfica permite verificar o nível de preservação 
ambiental ou degradação que a área está passando. É necessário quantificar 
o uso e a cobertura do solo, as condições geológicas, a biodiversidade e as 
características da bacia. Os fatores socioeconômicos da região também devem 
ser levantados, uma vez que influenciam a quantidade de uso de água e sua 
qualidade, bem como futuros cenários de uso.
Em bacias urbanas, alguns problemas comuns são evitados por sistemas 
de saneamento urbano, controle de poluição, sistemas de drenagem corretos, 
redução do assoreamento e de enchentes (SILVA et al., 2021).
A conservação dos solos em bacias rurais engloba presença de vegetação, 
controle de processos erosivos, tratamento de efluentes e gases (redução), 
conservação de fertilidade, redução de agrotóxicos, redução de uso hídrico 
e manutenção da quantidade de água com qualidade. Nas bacias mistas, 
deve-se ter a conservação e a preservação mutuamente.
Manejo integrado dos recursos hídricos10
A análise do ecossistema aquático, da temperatura e de outros parâmetros 
de monitoramento é feita para classificar os corpos hídricos de acordo com 
seu destino de uso. Por exemplo, um corpo hídrico utilizado para fins de 
abastecimento urbano e um corpo hídrico utilizado para descarte de efluentes 
de processos industriais têm classificações diferentes.
O levantamento topográfico das áreas por meio de drones, estação total 
e visitas in loco é uma forma de monitorar a conservação dos solos e a co-
bertura vegetal e analisar os impactos no balanço hídrico. É possível verificar 
o surgimento de assoreamento de corpos hídricos, erosão, desmatamento, 
falta de vegetação, entre outros problemas, e tomar medidas de conservação 
antes que a degradação ocorra.
O diagnóstico físico-conservacionista de uma microbacia hidrográfica é 
realizado por meio do coeficiente de rugosidade, que pode ser determinado 
pela multiplicação da declividade média pelo valor numérico da densidade de 
drenagem. Esse parâmetro direciona o uso potencial do solo para pecuária, 
agricultura ou reflorestamento.
É possível avaliar o nível de deterioração que a bacia se encontra com-
parando com os usos que a bacia está tendo (BARACUHY et al., 2003). A bacia 
hidrográfica pode estar em conflito quando o tipo de uso atual é divergente 
do recomendado pelo coeficiente de rugosidade ou quando o uso da terra 
está aquém da capacidade de uso que o solo pode oferecer.
Gerenciamento de microbacias hidrográficas em 
áreas rurais
A conscientização contínua da importância da água deve estar presente 
entre os administradores políticos e o público em geral. O planejamento e a 
implantação de projetos incentivadores de educação ambiental é uma maneira 
de incorporar na população a importância da preservação dos recursos e do 
uso racional da água.
A educação ambiental transforma os valores e comportamentos dos usuá-
rios sobre a importância da água e a gestão dos recursos hídricos. A formação 
educacional parte de espaços educativos do governo federal, estadual e 
municipal, ONGs, iniciativa particular e ambientes informais por meio de 
diálogos, integração e acolhimento com experiências ambientais para mo-
bilização social (MOTA; OLIVEIRA; MEDINA, 2020).
O governo e as instituições privadas oferecem cursos de capacitação em 
gestão dos recursos hídricos e conscientização ao direito básico à água. Além 
disso, há alguns programas específicos para a zona rural lançados pelo governo.
Manejo integrado dos recursos hídricos 11
O Programa Nacional de Manejo Sustentável do Solo e da Água em Mi-
crobacias Hidrográficas, instituído pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento (MAPA), tem como principal objetivo promover o uso racional 
e as boas práticas no manejo e na conservação do solo e da água nas zonas 
rurais de produção agropecuária. Nesse programa existem estratégias para 
abordar a gestão no campo por meio das Unidades de Referência Tecnoló-
gica (URT) escolhidas para implantação da conservação do solo e da água, 
assistência técnica na extensão rural, capacitação dos produtores rurais e 
monitoramento das práticas adotadas (BRASIL, 2021).
Os resultados esperados pelo programa são os seguintes (BRASIL, 2021).
 � Aumentar a conservação por meio de tecnologias.
 � Promover uso eficiente e sustentável de sistemas de irrigação.
 � Melhorar e aumentar a qualidade de água nas microbacias.
 � Aumentar a vida útil em reservatórios e barragens.
 � Reduzir o assoreamento de cursos da água e represas.
 � Reduzir a erosão hídrica.
 � Melhorar a capacidade produtiva dos solos.
 � Diminuir efeitos de seca e inundações.
 � Aumentar a fixação de carbono.
 � Reduzir os custos de manutenção de estradasrurais.
A Política Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável em Microbacias 
Hidrográficas é outro projeto do governo, tendo como objetivos orientar os 
agricultores a manterem a vegetação, incentivar a utilização sustentável dos 
recursos e combater a degradação ambiental.
Os estados também desenvolvem programadas de acompanhamento e 
monitoramento para um desenvolvimento rural sustentável. O Rio de Janeiro, 
por exemplo, tem o Programa Rio Rural, que tem o objetivo de tornar a micro-
bacia hidrográfica uma unidade de planejamento, intervenção, monitoramento 
e avaliação.
Legislação referente ao uso da terra e da água em 
microbacias hidrográficas
A PNRH, que dispõe sobre os recursos hídricos, foi instituída pela Lei nº 9.433, 
de 8 de janeiro de 1997. Ela tem as seguintes premissas (BRASIL, [2023]).
Manejo integrado dos recursos hídricos12
� A água é um bem público.
� A água é um recurso limitado.
� A prioridade deve ser dada ao consumo humano e à dessedentação
de animais.
� A gestão das águas deve sempre permitir os seus usos múltiplos.
� A gestão das águas deve ser descentralizada e envolver a participação
do governo, de usuários e da sociedade organizada.
� A bacia hidrográfica deve ser a unidade territorial para a implementação 
da Lei nº 9.433/1997.
A PNRH contempla instrumentos de gestão dos recursos hídricos para 
promover ações de planejamento, regulação, fiscalização e divulgação de 
informações (Figura 2).
Figura 2. Instrumentos da PNRH.
Fonte: Adaptada de Brasil ([2023]).
POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HIDRÍCOS 
Lei n.º 9.433/1997
Os instrumentos de gestão
Sistemas de
informação
Planos de
recursos
hídricos
Enquadramento
dos corpos
d’água
Cobrança pelo
uso da água
Outorga dos
direitos de uso
da água
Manejo integrado dos recursos hídricos 13
Com a tecnologia a nosso favor, o Sistema de Informações sobre Recursos 
Hídricos (SIRH) tem como objetivo coletar e armazenar dados sobre bens 
hídricos e fatores intervenientes em sua gestão.
A Lei nº 9.433/1997 criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos (SINGRH), uma estrutura de governança federal e estadual instituída 
no Brasil para a gestão dos recursos hídricos (BRASIL, [2023]). Ele é consti-
tuído por órgãos colegiados e administrativos que objetivam implementar a 
PNRH, como o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), os conselhos 
de recursos hídricos dos estados e do Distrito Federal, a ANA e os Comitês 
de Bacias Hidrográficas (CBHs).
O CBH é um órgão colegiado que engloba um grupo de pessoas que se 
reúnem para discutir um interesse comum: o uso da água na bacia. Ele tem 
como atribuição legal deliberar em conjunto com o poder público o uso da 
água. Em decisão coletiva com o poder público, o comitê estabelece regras 
e formas de reduzir os conflitos. Cabe aos usuários da água se organizar e 
participar ativamente desses comitês, defendendo seus interesses quanto aos 
valores a serem cobrados pelo uso e à aplicação dos proventos arrecadados, 
considerando todo o meio social e ambiental onde vivem (MOTA; OLIVEIRA; 
MEDINA, 2020).
A ANA promove o manejo de bacias hidrográficas por meio do SINGRH e 
de regulamentação. Ela autoriza outorgas de concessão dos usos de águas 
federais, garante a disponibilidade hídrica para fins de aproveitamentos 
hidrelétricos, arbitra os conflitos entre usuários e controla a fiscalização e o 
monitoramento dos usos múltiplos em rios de âmbito federal.
A Resolução Conama nº 357/05 traz valores orientadores para a verificação 
dos padrões de qualidade das águas de acordo com o enquadramento das 
classes em atendimento aos tipos de usos (SILVA et al., 2021). Ela atua no 
monitoramento dos ecossistemas aquáticos brasileiros, regulamenta o uso 
da água e estabelece condições para o lançamento de efluentes e para o 
controle da poluição (SILVA et al., 2021).
Neste capítulo, exploramos a importância do manejo integrado dos recur-
sos hídricos para a sociedade, destacando as vantagens do gerenciamento 
eficiente. Além disso, discutimos formas de diagnosticar a degradação das 
bacias hidrográficas e apresentamos as principais legislações vigentes no 
Brasil. A gestão adequada dos recursos hídricos não apenas assegura o acesso 
a uma água de qualidade, mas também promove a preservação dos ecos-
sistemas aquáticos, a disponibilidade para usos múltiplos e a mitigação de 
conflitos relacionados à água.
Manejo integrado dos recursos hídricos14
Referências
BARACUHY, J. G. V. et al. Deterioração físico-conservacionista da microbacia hidrográfica 
do riacho Paus Brancos, Campina Grande, PB. Revista Brasileira Engenharia Agrícola 
Ambiental, v. 7, n. 1, p. 159-164, 2003.
BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional dos Recursos 
Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos... Brasília: 
Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
LEIS/L9433.htm. Acesso em: 28 jun. 2023.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Programa Nacional de 
Manejo Sustentável do Solo e da Água em Microbacias Hidrográficas. Brasília: Mapa, 2021.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Usos da água. Agência 
Nacional de Águas e Saneamento Básico, [2019]. Disponível em: https://www.gov.br/
ana/pt-br/assuntos/gestao-das-aguas/usos-da-agua. Acesso em: 28 jun. 2023.
LANA, A. E. Gestão dos recursos hídricos. In: TUCCI, C. E. M. (org.). Hidrologia: ciência e 
aplicação. 2. ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS; ABRH, 2001. p. 727-768. (Coleção 
ABRH de Recursos Hídricos, n. 4).
MILNE, S. Onde a escassez de água já provoca guerras no mundo (e quais áreas sob risco 
iminente). BBC News Brasil, 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/
geral-58319129. Acesso em: 28 jun. 2023.
MOTA, L. L. C.; OLIVEIRA, G. P. T. C.; MEDINA, P. A gestão dos recursos hídricos no Brasil: 
educação ambiental e democracia participativa na promoção do desenvolvimento 
sustentável. Humanidades & Inovação, v. 7, n. 20, p. 552-567, 2020.
OLIVEIRA, P. T. S. et al. Caracterização morfométrica de bacias hidrográficas através 
de dados SRTM. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 14, n. 8, 
p. 819-825, 2010.
QOBILOV, R. A plantação de algodão que fez Mar de Aral virar deserto. BBC News Brasil, 
2015. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/02/150226_mar_
aral_gch_lab. Acesso em: 28 jun. 2023. 
SANTANA, D. P. Manejo integrado de bacias hidrográficas. Sete Lagoas: Embrapa Milho 
e Sorgo, 2003. (Embrapa Milho e Sorgo. Documentos, n. 30).
SILVA, F. L. et al. Gestão de recursos hídricos e manejo de bacias hidrográficas no Bra-
sil: elementos básicos, histórico e estratégias. Revista Brasileira de Geografia Física, 
v. 14, n. 3, p. 1626-1653, 2021.
SILVEIRA, A. L. L. Ciclo hidrológico e bacia hidrográfica. In: TUCCI, C. E. M. (org.). Hidro-
logia: ciência e aplicação. 2. ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS; ABRH, 2001. 
p. 35-51. (Coleção ABRH de Recursos Hídricos, n. 4).
VIEIRA, A. R. Cadernos de educação ambiental água para vida, água para todos: livro 
das águas. Brasília: WWF-Brasil, 2006.
Leituras recomendadas
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (Brasil). Água, fatos e tendências. 
Brasília: ANA; CEBDS, 2006.
Manejo integrado dos recursos hídricos 15
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (Brasil). Glossário de termos refe-
rentes à gestão de recursos hídricos fronteiriços e transfronteiriços. Brasília: MMA, 2006. 
GRANZIERA, M. L. M. Direito de águas: disciplina jurídica das águas doces. 3. ed. São 
Paulo: Atlas, 2006.
PINTO-COELHO, R. M.; HAVENS, K. Gestão de recursos hídricos em tempos de crise. 
Porto Alegre: Artmed, 2016.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os edito-res declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Manejo integrado dos recursos hídricos16

Mais conteúdos dessa disciplina