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Impactos ambientais aos recursos
hídricos e estratégias de conservação
Você irá conhecer a origem dos problemas e impactos nos recursos hídricos, além de entender as
estratégias de conservação e recuperação desses recursos.
Prof. Renildes Matos
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender a problemática dos recursos hídricos e do meio ambiente, além de promover a capacitação e a
conscientização sobre a necessidade da conservação e do seu uso racional, é fundamental para os
profissionais com atuação na área do meio ambiente.
Objetivos
Identificar os aspectos e impactos ambientais nos recursos hídricos.
Reconhecer a importância da conservação dos recursos hídricos.
Nomear elementos e ferramentas metodológicas de recuperação dos recursos hídricos.
Introdução
Para começar o seu estudo, confira este vídeo que aborda inicialmente os assuntos que serão apresentados
neste material: os aspectos e impactos ambientais nos recursos hídricos, a importância da conservação
desses recursos e os elementos e ferramentas metodológicas para a sua recuperação.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
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1. Princípios e conceitos sobre impactos ambientais
Impactos ambientais nos recurso hídricos
Entenda, neste vídeo, os problemas ambientais de bacias hidrográficas, com ênfase na poluição dos recursos
hídricos e no desmatamento, bem como nos impactos do uso da terra agrícola.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Problemas ambientais de bacias hidrográficas
Neste vídeo, você conhecerá os principais problemas ambientais que afetam as bacias hidrográficas e suas
consequências. Assista!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Para falar sobre os impactos ambientais nos recursos hídricos, devemos considerar todo o ciclo natural da
água, em grande parte na bacia hidrográfica. É preciso levar em conta as diferentes dimensões da atividade
humana, bem como as necessidades de adaptação e mitigação das alterações climáticas.
Há décadas existe um consenso mundial de que a unidade
territorial ideal para uma gestão sustentável dos recursos
hídricos é a bacia hidrográfica. As características físicas da
água geram um alto grau de interdependência entre usos e
usuários nessa área territorial.
Por isso, a bacia hidrográfica é a unidade onde é possível
ver e medir os efeitos das intervenções no ciclo da água, e
onde se pode ter um maior controle dessas intervenções.
Os problemas gerais que se aplicam às bacias hidrográficas
podem ser atribuídos às suas características físico-naturais
e, em grande medida, à sua ocupação desorganizada, sem
um planeamento para a ocupação ordenada dos espaços e
o uso racional dos recursos naturais.
Em termos gerais, os impactos ambientais das bacias hidrográficas são causados pelas atividades humanas,
que não consideram processos naturais e as inter-relações entre recursos hídricos, florestas, solo e vida
selvagem.
Isso gera consequências que se refletem na deterioração geral das condições ambientais, na escassez de
água, na contaminação das fontes de água, na perda da camada fértil do solo e no desaparecimento da vida
selvagem.
Fatores antrópicos que determinam a degradação ambiental de
bacias hidrográficas
O rápido aumento da população urbana tem repercussões sobre os recursos hídricos e o meio ambiente em
geral, nas seguintes formas:
Aumento do uso intensivo de terras agrícolas perto das cidades.
Destruição de cobertura vegetal pela construção urbana.
Ocupação dos territórios das bacias hidrográficas e áreas de recarga de águas subterrâneas.
Mudanças no ciclo hidrológico.
Há uma série de fatores relacionados com a urbanização e a inter-relação do ser humano com os recursos
naturais. Veja a seguir os principais fatores no caso das bacias hidrográficas!
Crescente demanda de água para uso doméstico e industrial
Esse aumento da demanda implica no esgotamento de fontes de água perto dos grandes centros
urbanos e impõe a necessidade de aproveitar as fontes de água cada vez mais distantes. Em muitos
casos, isso priva as áreas rurais próximas do uso do recurso, causando efeitos de natureza
econômica, social e ambiental nas áreas em que o recurso é transferido.
Descaso às bacias hidrográficas
Há um descaso amplamente difundido no que diz respeito às bacias hidrográficas, sejam superficiais,
sejam subterrâneas, nos centros urbanos em geral. Muitas vezes, as cidades simplesmente
expandem suas demandas e importam água e energia geradas por usinas hidrelétricas, sem muita
preocupação com a gestão das bacias de onde provêm esses recursos.
Monopolização do uso de água
Muitos centros urbanos monopolizam o uso da água e, em muitos casos, apropriam-se da água
contida na bacia e da própria bacia.
Ausência de sistemas de tratamento de esgotos lançados em corpos d'água
A falta de tratamento de esgoto causa danos à qualidade da água e à biodiversidade.
Contaminação e esgotamento da água no subsolo
Não há a preocupação de manter as áreas de recarrega. São poucos os lugares em que existe um
controle da atividade humana para proteger os recursos hídricos subterrâneos.
Degradação da vegetação e expansão urbana nas encostas e bacias hidrográficas
Essa destruição da vegetação e ocupação aumenta os riscos nas áreas urbanas, além de ameaçar a
existência de recursos hídricos e sua disponibilidade, pois causa um aumento no escoamento
superficial, uma diminuição na recarga das águas subterrâneas e um aumento da erosão. Em geral, o
uso da água nas áreas urbanas é cada vez mais intensivo e conflitante. As construções e outras
atividades acabam alterando a superfície das bacias de abastecimento de água para áreas urbanas,
colocando em risco as chances de manter o abastecimento atual e comprometendo o abastecimento
futuro das populações. É necessário, ainda, adicionar os problemas causados pela localização
inadequada de muitos assentamentos humanos ao longo de rios e córregos, o que implica em danos
ao meio ambiente ecológico e um risco por serem propícios a sofrer enchentes e deslizamentos de
terra.
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Poluição dos recursos hídricos
Assista a este vídeo e entenda os tipos de poluição dos recursos hídricos, suas causas e consequências.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A poluição ambiental é a presença, no ambiente, de qualquer agente — físico, químico ou biológico —, ou uma
combinação de vários agentes, em locais, formas e concentrações que sejam ou possam ser prejudiciais à
saúde, segurança ou bem-estar da população, ou à vida vegetal ou animal, e impeçam o uso normal de
propriedades e locais de recreação.
É também a incorporação nos receptores de substâncias sólidas, líquidas, gasosas ou misturas delas, sempre
que alterem desfavoravelmente as condições naturais em si, ou que possam afetar a saúde, a higiene, o meio
ambiente ou o bem-estar do público.
A contaminação dos recursos hídricos é um processo complexo, cujos resultados limitam ou causam a
incapacidade de usar de forma vantajosa o recurso. A poluição natural da água é geralmente baixa, causada
por grandes quantidades de material suspenso pela chuva, evaporação ou uma salinização da mesma.
A natureza específica da contaminação da água é causada
pela sociedade humana e suas diferentes atividades, como
a indústria, a agricultura e os usos domésticos, que alteram
propriedades, processos químicos e biológicos dos corpos
d'água.
O efeito da contaminação da água pela intervenção humana
pode variar, de acordo com diferentes condições
meteorológicas, hidrológicas, temporais e espaciais a que
esteja submetido um corpo de água. Com o aumento da
população e o surgimento da atividade industrial, a poluição
de rios, lagos e águas subterrâneas está aumentando constantemente.
Confira como a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2003) define poluição ou contaminação de águas
doces!
Deve-se considerar que uma água está poluída, quando sua composição ou estado é alterado de tal
forma que já não preenchemas condições para um ou outro ou para todos os usos aos quais teria sido
colocado em seu estado natural. 
(OMS, 2003)
De acordo com essa definição de poluição fornecida pela OMS, devemos considerar também as modificações
das propriedades físicas, químicas e biológicas da água – que podem perder sua potabilidade para consumo
diário ou seu uso para atividades domésticas, industriais, agrícolas etc. – e as mudanças de temperatura
causadas por emissões de água quente (poluição térmica).
Na realidade, há sempre uma contaminação natural causada por restos de substâncias animais, vegetais,
minerais e gasosas que se dissolvem quando corpos de água cruzam diferentes terrenos. Materiais orgânicos,
por meio de processos biológicos naturais de biodegradação envolvendo decompositores aquáticos
(bactérias e fungos), são decompostos em substâncias mais simples. Nesses processos, a quantidade de
oxigênio dissolvido na água é essencial, porque os decompositores precisam dele para viver e produzir
biodegradação.
A biorremediação ocorre naturalmente no meio ambiente, mas também tem sido usada para estes fins:
Remover produtos químicos agrícolas (por exemplo, pesticidas e fertilizantes) lixiviados do solo para as
águas superficiais e subterrâneas.
Remover certos metais e óxidos tóxicos, como compostos de selênio e arsênico.
Por exemplo, o mercúrio é usado na indústria como ingrediente ativo de alguns pesticidas e também é um
subproduto de certos processos, como a produção de baterias. O metilmercúrio geralmente está presente em
concentrações muito baixas em ambientes naturais, mas é altamente tóxico porque se acumula nos tecidos
vivos. Várias espécies de bactérias podem realizar a biotransformação de mercúrio tóxico em formas não
tóxicas. Bactérias como Pseudomonas aeruginosa podem converter Hg+2 no menos tóxico Hg0 através da
respiração anaeróbica.
A poluição da água causada por atividades humanas é um fenômeno ambiental de grande importância, que
começou a partir das primeiras tentativas da industrialização, para se tornar um problema generalizado da
Revolução Industrial. 
Os processos de produção industrial iniciados
nessa época exigiam o uso de grandes volumes
de água para a transformação de matérias-
primas, e os efluentes eram lançados nos
canais naturais de água (rios, lagos) com
resíduos poluentes. Desde então, essa situação
se repetiu em todos os países em que a
industrialização se desenvolveu. Mesmo
quando a tecnologia conseguiu reduzir, de
alguma forma, o volume e os tipos de poluentes
lançados nos canais naturais de água, isso não
aconteceu na forma nem na quantidade
necessárias para que o problema da poluição
fosse resolvido. 
A contaminação ocorre pela introdução direta ou indireta, nos canais ou aquíferos, de substâncias sólidas,
líquidas, gasosas, bem como a energia térmica, entre outros. Acompanhe as duas maneiras pelas quais a água
pode ser contaminada!
1
Contaminantes naturais
O ciclo natural da água pode entrar em contato com certos constituintes poluentes lançados nas
águas, atmosfera e crosta terrestre, por exemplo, substâncias minerais e orgânicas dissolvidas ou
suspensas, como arsênico, cádmio, bactérias, argilas, matéria orgânica etc.
2
Poluentes produzidos pelo homem ou de origem humana
Produtos de resíduos líquidos e sólidos são descarregados direta ou indiretamente na água, por
exemplo, as substâncias de esgotos sanitários, de resíduos industriais e dos pesticidas utilizados no
combate de pragas agrícolas.
A origem da contaminação dos recursos hídricos também é categorizada em pontual ou difusa, também
denominada não pontual. Entenda!
1. 
2. 
Os rios têm a capacidade de autodepuração de suas águas, que se define como o conjunto de fenômenos
físicos, químicos e biológicos que ocorrem naturalmente no curso das águas e que provocam a destruição de
matérias estranhas incorporadas a um rio.
Existem dois tipos de compostos:
Biodegradáveis
Compostos que são degradados pelos rios por
sua capacidade de depuração.
Não biodegradáveis ou permanentes
Compostos persistentes que não podem ser
transformados pelo curso da água.
A capacidade de autodepuração de um rio depende do seu caudal, isto é, o volume de água que passa por
determinada seção transversal em uma unidade de tempo, e da turbulência da água. Esse volume irá diluir a
descarga e facilitar a sua posterior degradação, já a turbulência da água adicionará oxigênio diluído ao meio.
A presença de altas concentrações de contaminantes na água, tanto biodegradáveis como não
biodegradáveis, anula o processo de autodepuração, quebra o equilíbrio e deixa uma área contaminada que
dificilmente será recuperada, se não for feita lenta e/ou artificialmente, limitando todos os usos posteriores da
água ou causando efeitos negativos quando usados.
Além disso, muitos compostos como pesticidas,
fertilizantes, metais pesados, entre outros, não
desaparecem dos ambientes aquáticos. Eles apenas mudam
de lugar, acumulando-se no fundo dos rios e sendo
incorporados às plantas e cadeias tróficas, o que causa, a
médio e longo prazo, doenças na população.
Em termos gerais, existem diferentes tipos de poluição da
água. Veja!
Poluição pontual 
Refere-se à descarga direta de despejos
industriais e/ou domésticas em rios.
Exemplos: fábricas, tratamento de esgoto,
minas, poços de petróleo etc.
Poluição difusa (não pontual) 
Origina-se de fontes dispersas ao longo
do leito do rio, como erosão, fertilizantes
mobilizados pela chuva, despejo de
produtos químicos, terras agrícolas,
lotes de pastagem de gado, edificações,
fossas sépticas, entre outros.
Contaminação biológica
É produzida por microrganismos patogênicos (bactérias, vírus, protozoários, parasitas) em matéria
orgânica fermentável de esgoto, indústria de papel e agroindústria. Para se decompor em água,
demanda grandes quantidades de oxigênio, o que reduz o potencial da água e deteriora os
ecossistemas aquáticos. Também estão incluídos aqui os nutrientes das plantas que podem causar
crescimento excessivo de plantas aquáticas, que depois morrem e se decompõem, esgotando o
oxigênio na água e causando a morte de espécies marinhas (zona morta).
Contaminação química
Provém de produtos químicos de diferentes substâncias orgânicas e inorgânicas da indústria, esgotos
domésticos, da agricultura e atividades agropecuárias. As principais substâncias são: ácidos,
compostos de metais tóxicos (mercúrio, chumbo), petróleo, plásticos, fertilizantes, pesticidas,
desinfetantes, detergentes, agroquímicos, tintas e substâncias radioativas, que podem causar
defeitos congênitos e câncer.
Poluição física
Apesar de pequena, é muito perigosa, pois se constitui principalmente de sedimentos ou matéria em
suspensão e partículas insolúveis do solo que turvam a água. Impedem a passagem da luz solar e
causam danos aos organismos que dependem dela para sua sobrevivência, além de representar um
problema estético, em razão da água turva.
Poluição térmica
É formada pela circulação de águas com altas temperaturas e radiação, provenientes de indústrias
que utilizam altas temperaturas em seus processos produtivos. Isso diminui o teor de oxigênio e torna
os organismos aquáticos muito vulneráveis às mudanças de temperatura em seus hábitats.
Poluição difusa
De origem urbana, é outro tipo de poluição que afeta fortemente os recursos hídricos das bacias
hidrográficas e em geral os recursos naturais pertencentes a elas. Não é causada pelo uso em si, mas
devido às várias entradas de poluentes nos corpos d'água e processos e atividades poluidoras que
ocorrem nessas áreas.
Existem, ainda, várias fontes de poluição pontual associadas ao planejamento urbano, como erosão de áreas
permeáveis, poluição de escoamento, e poluentes domésticos, industriais e agrícolas.
Desmatamento e impactos do uso da terra agrícola
Entenda, neste vídeo, a ação do desmatamento e os impactos do uso das terras agrícolas nos corpos hídricos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Desmatamento
É o termo aplicadoao desaparecimento ou
diminuição de superfícies cobertas por
florestas e selvas. Trata-se de um processo de
deterioração ambiental que envolve a
destruição e remoção de vegetação em uma
área geográfica qualquer.
 
O desmatamento traz consigo outras
implicações, como a perda de recursos naturais
e a extinção da fauna e da vida selvagem,
aspectos que contribuem para a degradação
ambiental.
Entre as causas diretas mais importantes do
desmatamento estão:
Conversão de florestas para agricultura e pecuária.
Urbanização e construção de estradas.
Atividade madeireira.
Mineração.
Exploração de petróleo.
Construção de oleodutos e gasodutos.
Carcinicultura industrial (no caso de manguezais).
Construção de grandes hidrelétricas.
Confira agora as consequências mais impactantes do desmatamento.
Aumento da extinção de espécies
Novos espaços agrícolas costumam se estabelecer em locais essenciais para o desenvolvimento de
algumas espécies em vias de extinção, causando o aumento da extinção dessas espécies. Muitas
vezes, essas próprias florestas são uma importante fonte de água.
Redução da capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2)
Com o desaparecimento dos sumidouros de dióxido de carbono, reduz-se a capacidade do meio
ambiente de absorver quantidades de dióxido de carbono, que causa o efeito estufa, agravando o
problema do aquecimento global.
Impedimento do uso da água e encurtamento da vida de obras
O desmatamento modifica o regime dos rios, o que prejudica sua utilização para irrigação, energia e
abastecimento de água. Ainda, favorece a lavagem do solo durante as chuvas – os sedimentos que se
arrastam vão parar nos rios e encurtam a vida de obras caríssimas, quando, por exemplo, são
depositados em reservatórios hidrelétricos.
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Graves inundações e alterações florestais
A lavagem do solo, ocorrida por causa do desmatamento, também favorece o transbordamento de
pântanos e leitos dos rios, causando graves inundações. O clima do local é modificado; o resto da
selva ou floresta tem menos capacidade de reter umidade, o que causa um clima menos úmido,
prejudicando as plantações para as quais as árvores foram derrubadas.
No que diz respeito aos efeitos do desmatamento diretamente nas bacias hidrográficas, podemos destacar
estas severas consequências:
Perda total dos recursos e da cobertura vegetal florestal e da biodiversidade na área da bacia
hidrográfica.
Mudanças imprevisíveis no comportamento do ciclo hidrológico que afeta o abastecimento de água
para qualquer uso, uma vez que as bacias hidrográficas são a forma primária e principal de captação
de água.
Degradação do solo, que afetaria sua capacidade, influenciando o plantio e o progresso da lavoura.
Maior vulnerabilidade a riscos naturais, como deslizamentos de terra e inundações.
Impactos do uso da terra agrícola
A utilização da terra agrícola gera consequências nas relações entre os usuários e os usos das bacias
hidrográficas. Esses usos dependem de uma série de fatores naturais e socioeconômicos, como clima;
topografia e estrutura do solo; capacidade econômica e sensibilização dos agricultores; e práticas de gestão e
desenvolvimento de infraestruturas, por exemplo, a criação de estradas.
Esses impactos da atividade agrícola nos solos da bacia hidrográfica dividem-se em duas classes, como
veremos a seguir.
Impactos da utilização dos solos agrícolas no regime hidrológico
Dentro desses impactos, pode ser feita uma distinção entre impactos nas águas superficiais e nas águas
subterrâneas, confira!
Impactos do uso da terra agrícola na qualidade da água
As práticas de uso da terra podem ter impactos significativos e efeitos negativos na qualidade da água. Esses
impactos incluem mudanças na carga de sedimentos, nas concentrações de sais, metais, agroquímicos e
patógenos, bem como no regime térmico.
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Águas superficiais 
Impactos na disponibilidade de água em
geral ou no escoamento médio anual, e na
distribuição sazonal da água.
Águas subterraneas 
Efeito do uso da terra na recarga de
aquíferos.
As florestas impedem o impacto direto da água da chuva
sobre o solo, evitando a erosão. Sua proteção deve-se
principalmente à vegetação rasteira, aos restos vegetais e
ao efeito estabilizador da rede radicular.
Em encostas íngremes, o efeito líquido de estabilização das
árvores é geralmente positivo. A cobertura vegetal pode
prevenir a ocorrência de deslizamentos de terra, que podem
constituir uma maior contribuição de sedimentos.
Os sedimentos representam uma substância poluente do
ponto de vista físico e químico. Veja!
Contaminação física por sedimentos
Corresponde à turbidez (penetração limitada da
luz solar) e à sedimentação (perda da
capacidade de armazenamento dos
reservatórios, destruição de recifes de corais,
perda de locais de desova para certas espécies
de peixes).
Contaminação química por sedimentos
Inclui a absorção de metais e fósforo, bem
como a absorção de compostos orgânicos
hidrofóbicos.
Uma mudança no uso da terra pode alterar o teor de nutrientes das águas superficiais e subterrâneas, mais
especificamente os teores de nitrogênio (N) e fósforo (P). O desmatamento pode levar a altas concentrações
de nitratos (NO3) na água, por causa da decomposição do material vegetal, e uma redução da absorção de
nutrientes pela vegetação.
Atividades agrícolas
Podem levar a um aumento na entrada de
nitrogênio nos corpos d'água como resultado
de muitos fatores, incluindo aplicação de
fertilizantes, estrume da produção animal e lodo
de estações de tratamento de águas residuais.
Atividades de uso da terra
Podem afetar a qualidade bacteriológica da
água, criando problemas de saúde para os
usuários de água localizados na bacia. A
concentração de bactérias nas águas
superficiais pode ser aumentada como
consequência das atividades de pastoreio nas
margens ou da contribuição de resíduos da
produção pecuária.
Outro exemplo de impacto é a redução da vazão, em consequência do desvio de água para irrigação na bacia
alta, com a formação de pequenos reservatórios nos leitos dos rios, que constituem criadouros de vetores
transmissores de doenças, como a malária.
Geralmente, a aplicação de pesticidas
representa um perigo para os recursos hídricos
superficiais e subterrâneos, uma vez que essas
substâncias são tóxicas e persistentes. Em
humanos e animais, os pesticidas podem ter
efeitos agudos e crônicos. Além disso, o
armazenamento sem medidas de segurança
adequadas e o despejo de pesticidas velhos e
obsoletos pode causar graves danos às águas
superficiais e subterrâneas.
As atividades de irrigação e drenagem podem
levar a um aumento da salinidade nas águas superficiais e subterrâneas como consequência da evaporação e
lavagem de sais do solo. Esse é um problema particular em zonas áridas, onde a água de drenagem
subterrânea sempre tem uma maior concentração de sal, maior dureza e maior taxa de absorção de sódio do
que a água fornecida.
Nas áreas costeiras, a extração de água para atividades agrícolas pode contribuir indiretamente para a
salinização dos recursos hídricos. A extração de água subterrânea para irrigação, uso doméstico ou industrial
pode resultar na intrusão de água do mar no aquífero e, consequentemente, na salinização dos recursos
hídricos subterrâneos.
As práticas de uso da terra podem contribuir direta ou indiretamente para o aumento da concentração de
metais pesados nos recursos hídricos.
Contribuição direta
É a aplicação de esterco da atividade pecuária
e lodo de estações de tratamento de esgoto,
que podem ter altas concentrações de metais
pesados. Por exemplo, o esterco de porco
geralmente contém altas concentrações de
cobre.
Contribuição indireta
O uso da terra pode afetar as concentrações de
metais pesados nas águas superficiais e
subterrâneas, aumentando a mobilidade de
metais de origem humana ou geológica no solo.
Metais pesados no solo podem ser transferidos
para corpos d'água por meio de processos
erosivos.
O regime térmico das águas superficiais pode serafetado pelas práticas de uso do solo. Em pequenos
riachos, a retirada da mata ciliar pode causar aumento da temperatura da água (poluição térmica). O aumento
da temperatura leva a uma redução da solubilidade do oxigênio, o que pode afetar negativamente a atividade
biológica na água, bem como a capacidade de autodepuração do rio.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Embora conte com uma vasta extensão coberta por recursos hídricos, o Brasil enfrenta atualmente uma séria
crise de escassez de água, contrastando com sua reputação de potência hídrica. Quais dos seguintes fatores
explica essa situação?
A
O uso eficiente dos recursos hídricos na agricultura.
B
A promoção de programas de reutilização de água.
C
A preservação de áreas úmidas e ecossistemas aquáticos.
D
O incentivo ao desmatamento em bacias hidrográficas.
E
A perda de água devido à evaporação em regiões de elevada temperatura.
A alternativa D está correta.
O incentivo ao desmatamento em bacias hidrográficas contribui para a diminuição da capacidade natural de
regulação hídrica, resultando na perda de áreas de recarga de aquíferos e aumento do escoamento
superficial, o que pode agravar a escassez hídrica.
Questão 2
(FCC – 2016 – SEGEP-MA – Analista ambiental – Geólogo) A poluição das águas está intimamente associada
ao tipo de uso e ocupação do solo e pode ser de dois tipos: pontual e difusa. Como exemplo de fonte de
poluição difusa, tem-se
A
efluentes de esgoto tratado.
B
efluentes de resíduos de processos industriais.
C
escoamento urbano.
D
transbordamentos.
E
lançamentos deliberados.
A alternativa C está correta.
Na poluição pontual, a localização, a identificação e o monitoramento da fonte são simples: lançamento de
indústrias e de estações de tratamento de esgoto. Já as fontes de poluição difusa apresentam identificação
e tratamento mais complexos, uma vez que se dissipam ao longo da cidade e diversos fatores estão
ligados, como o escoamento superficial urbano ou de áreas agrícola e a poluição atmosférica.
2. Conservação dos recursos hídricos
Conservação da água
Assista a este vídeo e entenda a situação de escassez de água, bem como a demanda por medidas de
conservação da água e seus objetivos.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Escassez e necessidade de conservação da água
Compreenda, neste vídeo, as razões por trás da escassez de água e a necessidade de sua conservação.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A água é essencial para o nosso dia a dia. A água doce é um recurso limitado, tornando a conservação um
fator importante para o meio ambiente.
Com o crescimento populacional, a expansão industrial, os níveis crescentes de atividade de desenvolvimento
e o potencial para os impactos das mudanças climáticas, há uma pressão crescente sobre os recursos
hídricos. Com a diminuição da disponibilidade de água doce e o aumento da demanda, surgiu a necessidade
de conservar e gerenciar esses recursos.
Conservação significa manter ou proteger algo para que
não seja desperdiçado ou perdido. A conservação da água
corresponde a manter a água como um recurso natural e
garantir que não seja perdida, mas que esteja disponível
para nosso uso. Refere-se à preservação da água e seus
recursos por meio de planejamento, controle,
desenvolvimento e gerenciamento cuidadoso do recurso. Se
a água não for conservada, isso leva à escassez ou a sua
falta. 
A conservação inclui atividades e estratégias para proteger
a água da poluição e gerenciar a água doce para que seja
distribuída uniformemente para o acesso de todos. Também
abarca o uso eficiente da água, evitando o desperdício e
usos desnecessários. Seu foco é o uso sustentável, para atender às necessidades do presente, considerando
ao mesmo tempo as necessidades do futuro.
Razões por trás da escassez de água
Embora nosso planeta seja abundante em recursos hídricos, estamos enfrentando uma escassez do recurso.
Conheça a seguir algumas das razões por trás dessa escassez!
Mudanças climáticas, derrubada de árvores e florestas (desmatamento).
Aumento na população, com consequente aumento das demandas de água e,
portanto, o uso de água pelas pessoas.
Aumento da poluição nos corpos d'água por conta de atividades humanas, como a
industrialização.
Competição entre indústrias, cidades e produtores agrícolas pela aquisição de
recursos hídricos e corpos d'água.
Necessidade de conservação de água
Os recursos disponíveis nos ajudam na nossa sobrevivência; logo, proteger esses recursos também contribui
para a melhoria de nosso ecossistema e melhora nossa qualidade de vida. Nós, como seres humanos,
desempenhamos um papel vital no processo de conservação. Tal processo abrange várias políticas,
estratégias e atividades para usar a água doce como um recurso sustentável e para proteger o ambiente
aquático, mantendo um equilíbrio entre as demandas atuais e futuras de água.
É hora de encontrarmos maneiras de economizar água para estar disponível no futuro. Devemos pensar nas
novas gerações; se desperdiçarmos nossos recursos hídricos descontroladamente, é evidente que não
teremos um suprimento suficiente no futuro. Acompanha alguns motivos pelos quais precisamos economizar
água!
Garantir o abastecimento contínuo de água.
Conservar a água potável e, ao mesmo tempo, protegê-la da contaminação, pois
temos apenas uma quantidade finita de água doce no planeta.
Garantir a segurança alimentar de todos os organismos vivos da Terra. Sem água,
plantas e colheitas não podem crescer.
Medidas e objetivos de conservação de água
Você conhece as estratégias e os propósitos associados à conservação da água? Assista a este vídeo e
entenda melhor!
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Medidas de conservação da água
A conservação da água é necessária em todas as direções da vida. Devemos encontrar maneiras de
economizar água nos níveis doméstico, industrial e agrícola.
Conservação de água em usos domésticos
É muito importante que todos nós assumamos a responsabilidade pela conservação da água em nossas
tarefas domésticas, mesmo que não estejamos enfrentando escassez de água. Nesse sentido, considere
algumas dessas medidas para se adotar no dia a dia!
Não abuse da água para lavar roupas e pratos.
Feche as torneiras quando não precisar.
Verifique se há vazamentos em seus banheiros ou canos de cozinha.
Tome banhos com uma quantidade mínima de água necessária.
Use uma vassoura para limpar sua casa em vez de lavar o chão.
Desligue a água da torneira enquanto escova os dentes e faz a barba.
Lave seus veículos com uma quantidade mínima de água necessária.
Não regue as plantas desnecessariamente e use regadores ou canecas em vez de
usar canos de água corrente.
Métodos de irrigação que conservam a água
Veja agora os três tipos de irrigação mais comumente usados que auxiliam na conservação da água
Irrigação por gotejamento
É um tipo de sistema de microirrigação que tem a probabilidade de
economizar água e nutrientes ao permitir que a água goteje lentamente
direto para as raízes das plantas. O método fornece água diretamente na
zona da raiz das plantas e minimiza a evaporação. Assim, não há perda
de água por infiltração, escorrimento ou evaporação.
Irrigação por aspersão
A água é distribuída através de um sistema de tubulação, sendo
aspergida no ar e irrigada na maioria dos tipos de solo, pois possui uma
ampla faixa de capacidade de descarga.
Irrigação noturna
Durante a noite, a umidade é alta, o que resulta em uma taxa de
evaporação reduzida. Como não há sol, a radiação solar não contribui
para a evaporação da água, o que minimiza a perda.
Métodos de conservação de água
Captar água da chuva é um processo de coleta e armazenamento. A água da chuva pode ser armazenada
para uso futuro, pois é pura e fresca, e para fins domésticos, como limpeza, lavagem e jardinagem. A coleta
também controla o escoamento superficial da água e reduz a erosão do solo.
Proteger a água contra a poluiçãoenvolve a minimização do uso de fertilizantes, pesticidas e outros produtos
químicos na agricultura, pois a água de escoamento pode poluir os corpos d’água próximos a eles. A maior
parte da água escoada após o banho ou limpeza pode ser reutilizada para jardinagem. Mas a água de esgoto
pode ser reciclada e usada para irrigação após tratamento em estações, e então há a remoção de resíduos
sólidos, aeração, desinfecção e filtração.
A conservação das nascentes é outro ponto essencial para aumentar a disponibilidade de água em
quantidade e qualidade, com garantia de proteção às bacias hidrográficas e seus recursos naturais. As boas
práticas nessa área contribuem para a adaptação às alterações climáticas. Os benefícios são inúmeros,
confira a seguir.
 
Regulação da disponibilidade de água.
Aumento da infiltração de água no solo e redução da drenagem superficial.
Regularização de fluxo de nascentes e cursos d'água.
Manutenção e recarga de aquíferos.
Manutenção de propriedades físicas e químicas, bem como da qualidade biológica da água.
Contenção de processos erosivos.
Expansão da cobertura de silvicultura.
Adaptação e mitigação de mudanças climáticas.
Em uma área desmatada, a água da chuva forma facilmente correntes muito rápidas nos rios, que carregam
detritos e sedimentos. A velocidade dessas correntes, além de favorecer a erosão, dificulta a infiltração da
água no solo. Normalmente, essas águas terminam no mar ou em algum reservatório, onde muito se perde por
evaporação. 
A área com vegetação garante o melhor aproveitamento da água, pois favorece a penetração da água no solo.
A chuva cai sobre as folhas e penetra mais facilmente no solo, infiltrando-se e recarregando nascentes e o
sistema superficial de forma gradual e constante, o que garante seu abastecimento ao longo do tempo.
Mesmo no período seco, em áreas protegidas, ainda há água no subsolo, despejando-se nas nascentes e
atingindo os cursos d’água.
Objetivos da conservação da água
A conservação da água tem como objetivos os seguintes pontos:
Assegurar a disponibilidade de água para as gerações futuras. Para isso, a taxa de consumo de água
no ecossistema não deve exceder sua taxa de reposição.
Minimizar o consumo de energia em usinas de gerenciamento de água, em que a maior parte da
eletricidade é usada no bombeamento, na distribuição e no tratamento de águas residuais.
Reduzir o uso pessoal de água, ajudando a preservar a água para a vida selvagem local e hábitats
aquáticos. No entanto, a construção de infraestruturas de desvio de água, como barragens, deve ser
reduzida em alguma medida, pois pode perturbar a flora e a fauna locais.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Em relação à conservação dos recursos hídricos, assinale a alternativa que expressa corretamente um dos
objetivos principais dessa prática.
A
A conservação não tem relação direta com a disponibilidade de água para as gerações futuras.
B
A conservação visa apenas ao benefício econômico das indústrias.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
C
A conservação visa exclusivamente à manutenção dos habitats aquáticos.
D
A conservação busca o uso eficiente e sustentável da água.
E
A conservação não está relacionada à preservação do equilíbrio ambiental.
A alternativa D está correta.
A conservação dos recursos hídricos tem como um dos seus principais objetivos promover o uso eficiente e
sustentável da água, garantindo sua disponibilidade para as gerações presentes e futuras, além de
preservar os ecossistemas aquáticos.
Questão 2
(Adaptada de Ibade – 2019 – Depasa – AC – Leiturista) Entre os hábitos a seguir, qual pertence à lista dos que
contribuem para uma boa gestão dos recursos hídricos existentes?
A
Lavar automóvel.
B
Escovar os dentes com a torneira aberta.
C
Tomar banho demasiadamente demorado.
D
Recolher água da chuva para regar as plantas.
E
Fazer barba com a torneira aberta.
A alternativa D está correta.
As alternativas A, B, C e E descrevem contribuições para o desperdício de água e uma má gestão dos
recursos hídricos, uma vez que envolvem uso excessivo e inadequado da água. A alternativa D é uma
prática de conservação, uma vez que a água de fonte alternativa é reutilizada para regar plantas, reduzindo
a demanda por água potável.
3. Recuperação dos recursos hídricos
Técnicas de recuperação dos recursos hídricos
Veja, neste vídeo, as principais técnicas de recuperação dos recursos hídricos e as medidas para diminuir os
efeitos dos impactos ambientais.
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Rios poluídos podem ser recuperados de forma gradual e natural por organismos aquáticos como bactérias
decompositoras. Esse método é conhecido como processo de autopurificação. No entanto, se houver
quantidades excessivas de poluentes, esse processo é limitado, e as concentrações de poluição nos rios
aumentam.
Entender a ocorrência da autodepuração e da sua estimativa, com o objetivo de utilizar a capacidade de
assimilação dos rios, é importante para impedir o lançamento de rejeitos acima da capacidade de suporte do
corpo d’água. Para mitigar esse problema, conheça processos de recuperação frequentemente usados!
Tratamento dos esgotos.
Regularização da vazão do curso d’água.
Aeração do curso d’água.
Alocação de outros usos para o curso d’água.
Estudos de impacto ambiental e estratégias de intervenção para a conservação e recuperação de corpos
aquáticos naturais podem incluir várias técnicas de biomanipulação para melhorar aspectos, como processos
ecológicos, nível de biodiversidade, qualidade da água, entre outros.
As técnicas utilizadas para recuperação e manejo dos recursos hídricos são adequadas conforme o
diagnóstico ambiental do local para recuperação de área degradada. Confira outras técnicas a seguir!
Bacias de detenção
São estruturas projetadas para ajudar no
controle de enchentes e gerenciamento de
água. Podem assumir uma variedade de formas
e ser vistas em muitas regiões do mundo.
 
São frequentemente construídas durante
períodos de novos desenvolvimentos, quando a
quantidade de superfícies impermeáveis em
uma área aumenta, criando potencialmente um
risco de inundação que deve ser compensado
por uma bacia de retenção.
O objetivo de uma bacia de detenção é reter
temporariamente um transbordamento de água,
permitindo que se acumule em uma área segura e controlada se houver quantidades incomuns, e diminuir a
gravidade de cheias, erosão, assoreamento e poluição.
Essas estruturas podem ser úteis para o gerenciamento de inundações sazonais, bem como para a proteção
contra raras tempestades severas. São normalmente projetadas para encher e drenar com a ajuda da
gravidade, reduzindo a quantidade de manutenção necessária e garantindo que funcionem sem a
necessidade de sistemas elétricos ou mecânicos.
Bacias de retenção
Conhecidas como bacias de detenção úmidas
ou estendidas, permanecem úmidas o ano todo.
O nível da água na bacia de detenção pode
subir e descer ao longo do ano, mas sempre
sobra água.
Plantas de pântano também podem estar
presentes, criando hábitat para animais e
contribuindo para o controle de inundações,
pois as plantas têm a capacidade de absorver
grandes quantidades de água e armazená-las
em seus sistemas radiculares e tecidos.
Essa capacidade de armazenamento ajuda a
reduzir a quantidade de água que escoa diretamente para rios e cursos d'água, diminuindo o risco de
inundações em áreas adjacentes. Esse tipo de bacia de retenção também pode ser usado para gerenciar a
qualidade da água, retendo as impurezas antes que a água seja direcionada para outro local.
Canais verdes
Também chamados de canais secos ou com
lâminas de água, são canais superficiais largos,
projetados para que o escoamento circule
lentamente, promovendo infiltração, filtragem
de poluentes e sedimentação de partículas no
solo. É um bom sistema de transporte de
escoamento, pois proporciona uma melhoria na
qualidade da água.
Sistema de biorretenção
Composto de material drenante em sua base, o
substratode plantio com superfície vegetal aproveita a depressão topográfica, promovendo o controle dos
volumes do escoamento superficial a partir da infiltração e retenção temporária, evapotranspiração e remoção
de poluentes por mecanismos naturais como adsorção, filtração e fitorremediação. É um método tecnológico
de biorremediação que tem a vantagem de agregar à paisagem natural.
Bacias de infiltração
São depressões em um terreno nas quais ocorre a filtragem da água pluvial, reduzindo o volume das
enxurradas e removendo poluentes e os sedimentos. O resultado é uma remoção eficiente de sólidos
coloidais, que proporcionam a recarga de águas subterrâneas, aumentando as condições de armazenamento
e de infiltração da água na bacia.
Vala de infiltração
É um sistema de depressão linear com profundidade entre 1,0 e 3,5 m em terreno permeável e revestida com
uma manta geotêxtil. Sua função é a infiltração no solo, ou retenção, no leito da vala, da chuva caída em áreas
marginais, com o objetivo de retardar e/ou reduzir o escoamento pluvial.
Pavimento permeável
É um pavimento com camada de base porosa como reservatório. Tem a função de armazenamento temporário
da chuva no local do próprio pavimento, com a finalidade de reduzir o escoamento superficial e dos dutos de
drenagem.
Telhados verdes
São sistemas de multicamadas que cobrem os
telhados das edificações com vegetação, a fim
de interceptar e reter a precipitação, reduzindo
volumes de escoamento e atenuando os fluxos
máximos gerados no nível urbano, tudo através
da redução de superfícies impermeáveis. Além
disso, têm grande influência na melhoria do
meio ambiente, na biodiversidade, no conforto
térmico e na capacidade de isolamento
acústico.
Desassoreamento
Consiste na remoção de sedimentos que se acumulam no curso d’agua, para melhorar o escoamento no leito
do rio. Atualmente, no Brasil, as resoluções Conama nº 454/2012 e nº 420/2009 estabelecem diretrizes e
procedimentos para o gerenciamento do material a ser dragado, e orientação de valores de qualidade do solo
quanto à presença de substâncias químicas.
Fitorremediação
Concebida como uma técnica ambiental na
década de 1980, surgiu como um processo que
aproveita a capacidade de certas plantas e sua
biota de adsorver, acumular, metabolizar,
volatilizar ou estabilizar contaminantes
presentes no solo, no ar, na água ou em
sedimentos, com base em plantas macrófitas
emergentes.
Isso permite sua integração natural completa,
obtendo assim um impacto ambiental e
paisagístico positivo que purifica águas
eutróficas, ecológica e economicamente
sustentáveis.
As técnicas de recuperação dos recursos hídricos não devem ser utilizadas isoladamente. É necessária a
integração com serviços de limpeza para evitar depósitos de resíduos urbanos ou de limpeza urbana, a
reconstrução de hábitats para a biodiversidade, o replantio de mata ciliar, a conservação de áreas úmidas e a
construção de estações de tratamento de esgoto.
A prática de proteção e recuperação diz respeito a fazer escolhas sobre quais ferramentas aplicar e em quais
combinações. As ferramentas de proteção dos recursos hídricos são aplicadas de maneiras diferentes,
dependendo da característica local a ser protegida ou recuperada.
Verificando o aprendizado
Questão 1
(Adaptada de Fundatec – Pref. Cristinápolis-SE – 2020) O Manejo de águas pluviais urbanas é uma das
publicações do Programa de Pesquisa em Saneamento Básico, cujos participantes são instituições como
EPUSP, UFMG, UFPE, UFRN e UFRGS. Segundo essa publicação, os sistemas estruturais compõem uma
variedade de estruturas cuja finalidade é deter e/ou transportar os deflúvios gerados na bacia e também
propiciar a infiltração localizada. Essas obras têm o objetivo de reduzir os impactos provocados pela
urbanização. Sobre os sistemas estruturais utilizados para o manejo de águas pluviais urbanas, relacione a
coluna 1 à coluna 2.
Coluna 1
 
I. Pode se servir de superfícies permeáveis para promover a infiltração da água no solo, reduzindo o impacto
do escoamento a jusante. O escoamento na forma de lâmina sobre as superfícies vegetadas possibilita a
remoção de alguns tipos de poluentes. Podem funcionar secos ou com lâmina d’água.
II. Podem compor a paisagem natural da região. Em geral, localizam-se em baixios ou depressões, para onde
converge o escoamento gerado na bacia. Reproduzem o ecossistema natural no qual a atividade biológica
atua promovendo a filtragem da água.
III. Feitos para reter parte do volume escoado na bacia a montante, permitem amortecer a vazão máxima
escoada em decorrência da chuva na bacia. O objetivo é impedir a inundação de áreas situadas a jusante.
Esses sistemas são concebidos para funcionar “em série” com a rede de drenagem, esvaziando-se
completamente entre eventos.
IV. Consistem em valas escavadas no solo (profundidade entre 1,0 e 3,5 m), revestidas internamente com uma
manta geotêxtil. São preenchidas com brita e criam um reservatório subterrâneo em condições de reter o
deflúvio. A água armazenada vai se infiltrando no solo através do fundo e das paredes.
 
Coluna 2
( ) Bacias de detenção
( ) Sistemas de biorretenção
( ) Canais verdes
( ) Valas de infiltração
 
Qual é a ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo?
A
I – II – II – IV
B
II – I – IV – III
C
III – II – I – IV
D
IV – II – III – I
E
IV – I – II – III
A alternativa C está correta.
Os canais verdes promovem a infiltração da água no solo por meio de suas superfícies permeáveis, o que
reduz o impacto do escoamento a jusante. Com o escoamento na forma de lâmina sobre as superfícies
vegetadas, pode-se remover de alguns tipos de poluentes. Esses canais funcionam secos ou com lâmina
d'água.
O sistemas de biorretenção localizam-se geralmente em baixios ou depressões, para onde converge o
escoamento gerado na bacia, e compõem a paisagem natural da região. Esses sistemas replicam o
ecossistema natural em que a atividade biológica filtra a água.
As bacias de detenção têm como objetivo reter parte do volume da água que flui na bacia superior e
diminuir a vazão máxima de escoamento causado pela chuva, com o propósito final de evitar inundações
em áreas a jusante. Esses sistemas funcionam em conjunto com a rede de drenagem, esvaziando-se
completamente após cada evento de chuva.
A vala de infiltração é uma escavação no solo revestida internamente com uma manta geotêxtil, tendo uma
profundidade entre 1,0 e 3,5 metros. Ela é preenchida com brita e cria um reservatório subterrâneo para
reter o excesso de água. A água armazenada gradualmente infiltra no solo através do fundo e das paredes
da vala.
Questão 2
(Adaptada de UFMT – 2014 – Técnico administrativo) A urbanização intensa, ao longo da segunda metade do
século XX, evidenciou os limites das soluções clássicas de drenagem urbana no tocante a sua real eficácia.
Nas questões relativas à água no meio urbano, técnicas compensatórias de drenagem foram introduzidas para
minimizar os impactos da urbanização nos processos hidrológicos. Sobre essas técnicas, considere os
dispositivos descritos a seguir
 
I. Pavimentos porosos destinados ao armazenamento temporário e/ou infiltração, em áreas de estacionamento
e no sistema viário.
II. Impermeabilização de cursos d’água, com materiais que favoreçam o escoamento rápido das águas a
jusante.
III. Canalização de cursos d’água com técnicas que favoreçam o escoamento lento ou mesmo a detenção
temporária das águas.
IV. Bacias ou reservatórios de detenção, também conhecidos como bacias de amortecimento de cheias.
 
Assinale a alternativa que contempla as técnicas de drenagem mais adequadas.
A
I, II e IV.
B
I, III e IV.
C
I, II e III.
D
II, III e IV.
E
I e IV.
A alternativa B está correta.
Impermeabilizar o solo significa fazê-lo perder sua capacidade de absorver água. Essa impermeabilização
tem aumentado exponencialmente em decorrência do crescimento desordenado e sem planejamento das
cidades. Quanto mais escoamento superficial, mais chance de enchente.
4. ConclusãoConsiderações finais
A água é o recurso mais importante do planeta, fonte da vida e essencial para a sobrevivência da humanidade.
Infelizmente, graças à atividade humana, esse recurso foi seriamente afetado. A superpopulação, o
crescimento das áreas urbanas, o desenvolvimento industrial e o mau uso da terra têm gerado uma série de
agentes ambientais negativos. A disponibilidade de água torna-se prioritária ao observar que a fonte mais
importante de poluição é a falta de gestão e tratamento adequado de dejetos humanos, industriais e
agrícolas. Os resíduos são despejados nos rios ou no mar sem qualquer tratamento, o que causa sua
contaminação. 
É necessária uma ação concertada a fim de promover o princípio da gestão integrada dos recursos hídricos e
reverter as tendências atuais de consumo excessivo, poluição, deterioração dos ecossistemas aquáticos e da
biodiversidade relacionada, bem como os efeitos da mudança climática e a crescente ameaça de riscos
naturais, como inundações e secas.
É preciso um compromisso urgente por parte de governos, instituições financeiras e outras organizações
internacionais, bem como do setor privado, incluindo sociedades profissionais, universidades e organizações
não governamentais, para abordar esses problemas em uma ação coordenada.
Explore +
A Agência Nacional de Águas (ANA), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Companhia de Gestão dos
Recursos Hídricos desempenham papéis cruciais no enfrentamento dos impactos ambientais aos recursos
hídricos e na implementação de estratégias de conservação. Explore os sites desses órgãos e entenda melhor
suas funções específicas de gestão sustentável de recursos hídricos e proteção do meio ambiente.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS. ABAS. Águas subterrâneas. Revista Águas
Subterrâneas, v. 37, n. 3, maio 2023.
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RECURSOS HÍDRICOS. ABRH. Lista de discussão eletrônica da Comissão de
Gestão de Recursos Hídricos (CGE). Porto Alegre: ABRH, s. d.
 
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO. ANA. Plano de dados abertos (PDA). Brasília, DF:
ANA, 2023.
 
CRISTINA, L. Agropecuária é a atividade que mais consome água no Brasil, segundo relatório. Agência Brasil,
15 nov. 2006.
 
FARIA, E. F. de; ROCHA, R. M. L.; MONTEIRO, I. G. Os desafios da integração da gestão ambiental com a
gestão de recursos hídricos. In: Congresso Nacional do Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em
Direito - CONPEDI, 16., 2007. Anais [...]. Belo Horizonte, 2007.
 
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO. Emerging issues in water and infectious disease. Genève: WHO, 2023.
	Impactos ambientais aos recursos hídricos e estratégias de conservação
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	Conteúdo interativo
	1. Princípios e conceitos sobre impactos ambientais
	Impactos ambientais nos recurso hídricos
	Conteúdo interativo
	Problemas ambientais de bacias hidrográficas
	Conteúdo interativo
	Fatores antrópicos que determinam a degradação ambiental de bacias hidrográficas
	Crescente demanda de água para uso doméstico e industrial
	Descaso às bacias hidrográficas
	Monopolização do uso de água
	Ausência de sistemas de tratamento de esgotos lançados em corpos d'água
	Contaminação e esgotamento da água no subsolo
	Degradação da vegetação e expansão urbana nas encostas e bacias hidrográficas
	Poluição dos recursos hídricos
	Conteúdo interativo
	Contaminantes naturais
	Poluentes produzidos pelo homem ou de origem humana
	Biodegradáveis
	Não biodegradáveis ou permanentes
	Contaminação biológica
	Contaminação química
	Poluição física
	Poluição térmica
	Poluição difusa
	Desmatamento e impactos do uso da terra agrícola
	Conteúdo interativo
	Desmatamento
	Aumento da extinção de espécies
	Redução da capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2)
	Impedimento do uso da água e encurtamento da vida de obras
	Graves inundações e alterações florestais
	Impactos do uso da terra agrícola
	Impactos da utilização dos solos agrícolas no regime hidrológico
	Impactos do uso da terra agrícola na qualidade da água
	Contaminação física por sedimentos
	Contaminação química por sedimentos
	Atividades agrícolas
	Atividades de uso da terra
	Contribuição direta
	Contribuição indireta
	Verificando o aprendizado
	2. Conservação dos recursos hídricos
	Conservação da água
	Conteúdo interativo
	Escassez e necessidade de conservação da água
	Conteúdo interativo
	Razões por trás da escassez de água
	Necessidade de conservação de água
	Medidas e objetivos de conservação de água
	Conteúdo interativo
	Medidas de conservação da água
	Conservação de água em usos domésticos
	Métodos de irrigação que conservam a água
	Irrigação por gotejamento
	Irrigação por aspersão
	Irrigação noturna
	Métodos de conservação de água
	Objetivos da conservação da água
	Verificando o aprendizado
	3. Recuperação dos recursos hídricos
	Técnicas de recuperação dos recursos hídricos
	Conteúdo interativo
	Bacias de detenção
	Bacias de retenção
	Canais verdes
	Sistema de biorretenção
	Bacias de infiltração
	Vala de infiltração
	Pavimento permeável
	Telhados verdes
	Desassoreamento
	Fitorremediação
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

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