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Aulas 2 e 3 
A Rede de Atenção Psicossocial – RAPS: dispositivos de atenção à saúde mental 
Profª Mari Calabro
Rede de Atenção Psicossocial
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é constituída por um conjunto integrado e articulado de diferentes pontos de atenção para atender pessoas em sofrimento psíquico e com necessidades decorrentes uso prejudicial de álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com estabelecimento de ações intersetoriais para garantira integralidade do cuidado.
A assistência em saúde mental no Brasil envolve o Governo Federal, Estados e Municípios.
Os atendimentos em saúde mental, são realizados na Atenção Primária à Saúde (APS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que existem no país, onde o usuário recebe assistência multiprofissional e cuidado terapêutico conforme a situação de cada pessoa.
Em algumas modalidades desses serviços também há possibilidade de acolhimento noturno e/ou cuidado contínuo em situações de maior complexidade.
Serviços
e Programas
Os serviços e programas voltados para atenção em saúde mental, álcool e outras drogas, têm como propósito assegurar o acesso e oferecer cuidado integral e tratamento às pessoas em sofrimento psíquico, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas. 
Onde encontrar
O atendimento em CAPS pode ser iniciado por escolha própria (quando o usuário/a procura diretamente) ou por meio de encaminhamento proveniente de outros serviços da rede de saúde ou de setores interligados, como Assistência Social, Educação, Justiça e outros.
Serviços tais como Unidade de Acolhimento, Serviço Residêncial Terapeútico, Hospitais Gerais, necessitam de encaminhamento.
A RAPS tem como diretrizes:
O respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a liberdade das pessoas;
A promoção da equidade, reconhecendo os determinantes sociais da saúde;
O combate a estigmas e preconceitos; a garantia do acesso e da qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar;
A atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas;
O desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos, dentre outros.
A RAPS é formada pelos seguintes pontos de atenção
Unidade Básica de Saúde/Estratégia de Saúde da Família (UBS/ESF)
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
Unidades de Acolhimento (UA)
Serviços Residências Terapêuticos (SRT)
Programa de Volta para Casa (PVC)
Unidades de Pronto Atendimento (UA)
Consultório de Rua
SAMU
Hospitais Gerais
Centros de Convivência e Cultura.
A RAPS foi definida pela Portaria GM/MS 3.088/2011, incorporada na Portaria de Consolidação 03/2017.  Recomenda a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
A boa política de saúde mental é um dos pilares fundamentais para uma sociedade mais solidária, acolhedora, resiliente e justa. Compreender a relevância do cuidado em saúde mental é essencial para garantia da integralidade do cuidado à saúde.
Programa de Volta para Casa (PVC) 
O Programa de Volta para Casa (PVC) é uma estratégia de desinstitucionalização e política de inclusão social, criada pela lei federal 10.708 de 31 de julho de 2003, destinado às pessoas em pessoas com sofrimento psíquico, egressas de internação de longa permanência em hospitais psiquiátricos e de custódia.
O principal objetivo é promover a autonomia, auxiliar na construção de projetos de vida e ampliar a participação social e cidadania dos beneficiários.
Isso envolve também suas famílias e a comunidade.
PROGRAMA DE VOLTA PARA CASA
Para a atual equipe responsável pelo Programa no MS, o PVC é um marco na construção de uma política pública mais inclusiva e humanizada e deve ser prioritário para o Governo Federal.
A trajetória de sucesso do Programa de Volta para Casa ao longo desses anos é um exemplo de como é possível transformar vidas por meio de políticas públicas efetivas e comprometidas com a dignidade e a inclusão social.
A desinstitucionalização e o cuidado em liberdade permanecem como pilares fundamentais na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora para essas pessoas.
CENTROS DE CONVIVÊNCIA
CENTROS DE CONVIVÊNCIA
Esses espaços públicos acolhem pessoas com qualquer condição de saúde, incluindo aqueles que fazem tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
São pontos de atenção à saúde mental que fortalecem a desinstitucionalização, o cuidado em liberdade e a reabilitação psicossocial. 
CENTROS DE CONVIVÊNCIA
Com várias  atividades coletivas e individuais, são estruturados para ofertar oportunidades de geração de trabalho e renda, a partir de programas de economia solidária; produção de  cultura, como artesanato e música; e também ações de lazer, como passeios, visitas a espaços culturais. 
Os CECOs são programas que envolvem a arte, a cultura, a inventividade e a produção de sentidos de vida, o que ajuda na autonomia da pessoa em sofrimento psíquico. 
CENTROS DE CONVIVÊNCIA
“Trata-se do conceito de cuidado em liberdade e da busca pela autonomia e convívio em sociedade, permitindo que as pessoas se reconectem com os espaços de cuidado de si e do outro”
CENTROS DE CONVIVÊNCIA
Ao contrário dos equipamentos assistenciais, esses locais não realizam atendimento médico ou psicoterapêutico, mas estão disponíveis para todas as pessoas em sofrimento psíquico, incluindo aquelas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, atuando como pontos de articulação com a vida cotidiana e a cultura.
Mas, é importante ressaltar que, embora atendam principalmente pessoas com problemas de saúde mental severos e persistentes, esse ponto de atenção não se limita a essas condições de saúde, representando um espaço aberto para todos os cidadãos. 
Estratégias de desinstitucionalização 
Garantir às pessoas com transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, em situação de internação de longa permanência, o cuidado integral por meio de estratégias substitutivas, na perspectiva da garantia de direitos com a promoção de autonomia e o exercício de cidadania, buscando sua progressiva inclusão social.
Os serviços residenciais terapêuticos e o Programa de Volta para Casa são pontos de atenção deste componente.
O serviço residencial terapêutico (SRT) ou residência terapêutica ou simplesmente “moradia” são casas inseridas na comunidade, destinadas a acolher pessoas egressas de internação de longa permanência (dois anos ou mais ininterruptos), egressas de hospitais psiquiátricos e hospitais de custódia, entre outros.
O suporte de caráter interdisciplinar (seja o CAPS de referência, seja uma equipe da Atenção Básica) deverá considerar a singularidade de cada um dos moradores, e não apenas projetos e ações baseados no coletivo de moradores. O acompanhamento a um morador deve prosseguir, mesmo que ele mude de endereço ou eventualmente seja hospitalizado. 
SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS
O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) – ou residência terapêutica ou simplesmente "moradia" – são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não. 
São moradias inseridas na comunidade, destinadas a acolher e cuidar das pessoas em sofrimento psíquico graves e persistentes, egressas de internações psiquiátricas de longa permanência em hospitais psiquiátricos e hospitais de custódia, que não possuam suporte social e laços familiares.
SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS
As residências terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para um grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em hospitais psiquiátricos por não contarem com suporteadequado na comunidade.
Essas residências podem servir de apoio a usuários de outros serviços de saúde mental, que não contem com suporte familiar e social suficientes para garantir espaço adequado de moradia. 
SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS
A implantação de uma residência terapêutica exige pacto entre gestor, comunidade, usuários, profissionais de saúde, vizinhança, rede social de apoio, e cuidadoso e delicado trabalho clínico com os futuros moradores. 
SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS 
QUEM PODE SE BENEFICIAR? 
Portadores de transtornos mentais
Egressos de internação psiquiátrica em hospitais cadastrados no SIH/SUS, que permanecem no hospital por falta de alternativas que viabilizem sua reinserção no espaço comunitário. 
Egressos de internação em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em conformidade com decisão judicial (Juízo de Execução Penal). 
Pessoas em acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), para as quais o problema da moradia é identificado, por sua equipe de referência, como especialmente estratégico no seu projeto terapêutico.
Moradores de rua com transtornos mentais severos, quando inseridos em projetos terapêuticos especiais acompanhados nos CAPS. 
LEITO DE SAÚDE MENTAL EM HOSPITAL GERAL
Este é um serviço do componente de Atenção Hospitalar da RAPS, que oferece tratamento hospitalar para casos graves relacionados à problemas de saúde mental e a as necessidades decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas.
Atenção hospitalar 
Entre os pontos de atenção do componente atenção hospitalar destacam-se os leitos de saúde mental em hospital geral e o serviço hospitalar de referência para atenção às pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas no hospital geral. 
Os leitos de saúde mental em hospital geral oferecem tratamento hospitalar para casos graves relacionados aos transtornos mentais e ao uso de álcool, crack e outras drogas, em especial de abstinências e intoxicações severas. 
Já o serviço hospitalar de referência para Atenção às pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas oferece suporte hospitalar, por meio de internações de curta duração, com equipe multiprofissional e sempre acolhendo os pacientes em articulação com os CAPS e outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial para construção do Projeto Terapêutico Singular. Esse serviço deve funcionar em regime integral, durante 24 horas diárias, nos sete dias da semana, sem interrupção da continuidade entre os turnos. 
LEITO DE SAÚDE MENTAL EM HOSPITAL GERAL
Tem como finalidade assegurar a retaguarda clínica e psiquiátrica, especialmente, em situações de crise, abstinências e intoxicações severas.
Preconiza-se que as internações sejam de curta duração até a estabilização clínica, com a posterior coordenação e encaminhamento para cuidados contínuos em outros serviços extra-hospitalares da RAPS, seguindo um plano terapêutico personalizado.
A Atenção Básica, é composta por equipes como Saúde da Família, eMulti, Consultório na Rua, entre outras, é a ordenadora da rede de saúde e principal porta de entrada do SUS.
Seu objetivo é garantir o primeiro acesso à saúde, incluindo, também, cuidados em saúde mental.
São serviços de base territorial inseridos na comunidade, proximamente ao local de moradia das pessoas, que visam assegurar um conjunto de ações, de âmbito individual e coletivo, que inclui o acolhimento da pessoa em sofrimento, oferta de ações de promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver a atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades.
ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF) 
As equipes multiprofissionais na APS - eMulti são equipes compostas por profissionais de saúde, de diferentes áreas do conhecimento e categorias profissionais. Elas operam de maneira complementar e integrada às outras equipes que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS):
equipe de Saúde da Família - eSF;
equipe de Saúde da Família Ribeirinha - eSFR;
equipe de Consultório na Rua - eCR;
equipe de Atenção Primária - eAP;
equipe de Unidade Básica de Saúde Fluvial - UBSF.
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
Os pontos de Atenção de Urgência e Emergência são responsáveis, em seu âmbito de atuação, pelo acolhimento, classificação de risco e cuidado nas situações de urgência e emergência das pessoas com problemas de saúde mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas.
SAMU
UNIDADES DE ACOLHIMENTO (UA)
As Unidades de Acolhimento (UAs) são residências temporárias para pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, acompanhadas nos CAPS, em situação de vulnerabilidade social e/ou familiar e que demandem acolhimento terapêutico e protetivo.
Oferecem cuidados contínuos de saúde, com funcionamento 24h, em um ambiente de moradia inserido na comunidade, e de acordo com o projeto terapêutico singular elaborado e pactuado com a pessoa usuária e o CAPS de referência.
As Unidades de Acolhimento e o Serviço de Atenção em Regime Residencial são pontos de atenção do componente de Atenção Residencial de Caráter Transitório (BRASIL, 2017). 
As Unidades de Acolhimento oferecem cuidados contínuos de saúde, com funcionamento 24 horas, em ambiente residencial, para pessoas com necessidade decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, de ambos os sexos, que apresentem acentuada vulnerabilidade social e/ou familiar e demandem acompanhamento terapêutico e protetivo de caráter transitório cujo tempo de permanência é de até seis meses . 
UNIDADES DE ACOLHIMENTO (UA)
Existem UAs para adultos (maiores de 18 anos) e para crianças e adolescentes (de 10 a 18 anos incompletos).
As UA contam com equipe qualificada e funcionam exatamente como uma casa, onde o usuário é acolhido e abrigado enquanto seu tratamento e projeto de vida acontecem nos diversos outros pontos da RAPS.
CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são lugares onde oferecem serviços de saúde abertos para a comunidade. Uma equipe diversificada trabalha em conjunto para atender às necessidades de saúde mental das pessoas, incluindo aquelas que enfrentam desafios relacionados as necessidades decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas. Esses serviços estão disponíveis na região e são especialmente focados em ajudar em situações difíceis ou no processo de reabilitação psicossocial.
CONSULTÓRIO NA RUA
A estratégia Consultório na Rua foi instituída pela Política Nacional de Atenção Básica, em 2011, e visa ampliar o acesso da população em situação de rua aos serviços de saúde, ofertando, de maneira mais oportuna, atenção integral à saúde para esse grupo populacional, o qual se encontra em condições de vulnerabilidade e com os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados.
Chamamos de Consultório na Rua equipes multiprofissionais que desenvolvem ações integrais de saúde frente às necessidades dessa população.
Elas devem realizar suas atividades de forma itinerante e, quando necessário, desenvolver ações em parceria com as equipes das Unidades Básicas de Saúde do território.
A responsabilidade pela atenção à saúde da população em situação de rua como de qualquer outro cidadão é de todo e qualquer profissional do Sistema Único de Saúde, mesmo que ele não seja componente de uma equipe de Consultório na Rua (eCR).
Municípios ou áreas em que não haja eCR, a atenção deverá ser prestada pelas demais modalidades de equipes da Atenção Básica.
O cuidadoem saúde da população em situação de rua deverá incluir os profissionais de Saúde Bucal e os Nasf do território onde essas pessoas estão concentradas.
Entre as ações dessas equipes, incluem-se ações de redução de danos, em parceria com equipes de outros pontos de atenção da rede de saúde, como unidades básicas de saúde, centros de Atenção Psicossocial, prontos-socorros, entre outros.
OS CONSULTÓRIOS NA RUA SÃO FORMADOS POR EQUIPES MULTIPROFISSIONAIS, PODENDO FAZER PARTE DELAS AS SEGUINTES PROFISSÕES:
A: enfermeiro, psicólogo, assistente social ou terapeuta ocupacional;
B: agente social, técnico ou auxiliar de enfermagem, técnico em saúde bucal, cirurgião-dentista, profissional/professor de educação física ou profissional com formação em arte e educação.
As atividades devem ser realizadas de forma itinerante, com cumprimento de carga horária mínima semanal de 30 horas, porém seu horário de funcionamento deverá ser adequado às demandas das pessoas em situação de rua, podendo ocorrer em período diurno e/ou noturno, em todos os dias da semana.
No processo de trabalho, devem estar garantidas ações para o cuidado in loco, a partir da abordagem ampliada dos problemas de saúde e sociais, bem como ações compartilhadas e integradas às Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A depender da necessidade do usuário, essas equipes também devem atuar junto aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), aos serviços de Urgência e Emergência e a outros pontos de atenção da rede de saúde e intersetorial.
Diante das especificidades dessa população, a estratégia de redução de danos deverá ser transversal a todas as ações de saúde realizadas pelas equipes.
Todas as ações realizadas pelas eCR devem ser registradas no Sistema de Informação em Saúde para Atenção Básica (Sisab), por meio da Estratégia e-SUS AB.
OBRIGADA
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/agosto/saude-regulamenta-os-centros-de-convivencia-como-parte-da-rede-de-atencao-psicossocial
https://acervodigital.ufpr.br/xmlui/bitstream/handle/1884/69738/SAMU%20192%20e%20a%20Atenção%20em%20Saúde%20Mental.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/desmad/raps
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/120.pdf
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