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A essa necessidade de compreensão, de estabelecer ligações explicativas entre fenômenos ocorridos em épocas diferentes, chama-se História Ela possibilita a refl exão sobre as formas de vida dos homens em todos os tempos e espaços, procurando compreender e explicar as relações entre os diversos fenômenos sociais e suas implicações. Por isso, o que orienta o estudo da História é o presente, não o passado. É a partir das preocupações do presente que os historiadores interrogam o passado você deve ter compreendido que não é somente o passado, que interessa à História. As investigações históricas são feitas a partir de um problema que tem sempre origem no presente. A partir do presente, o historiador olha para o passado buscando respostas para suas indagações. Como o objetivo desta atividade é fazer com que você compreenda, na prática, a questão da realidade e da subjetividade no conhecimento histórico, não existe uma resposta correta, apenas a constatação do argumento desenvolvido ao longo da aula. O mesmo raciocínio se aplica ao conhecimento histórico. Ele nunca será completo – os conteúdos descritos em um livro de História serão sempre uma versão sobre um determinado fato ou processo. Afi nal, o historiador nunca consegue reconstituir o passado tal qual aconteceu. O passado é sempre relatado por meio das informações que encontramos e a partir da perspectiva de quem o descreve. Por isso, o conhecimento histórico será sempre dotado de subjetividade O importante é que consiga perceber que, da mesma forma como todo episódio é descrito de formas diferentes por pessoas distintas, também o conhecimento histórico varia de acordo com a pessoa que o escreve, seus interesses e preocupações. Aula 2: A função básica da Educação não consiste em inserir o educando no mercado de trabalho e, sim, formar cidadãos capazes de serem autores da história de sua própria vida, função contrária aos interesses neoliberais atuais. Dessa forma, acreditamos que a Educação deva formar cidadãos autônomos, capazes de atuar como leitores e consumidores críticos no mundo. . Precisamos promover a formação do professor refl exivo, que faça da sua aula um espaço de investigação, de pesquisa, de crescimento de seus alunos e dele mesmo, onde a construção do conhecimento ocorra de forma dialógica, participativa, estabelecendo espaços de ensino-aprendizagem por meio do convívio democrático entre alunos e professores. A Educação deve ser capaz de formar cidadãos autônomos, conscientes de seus direitos e deveres na sociedade em que vivem, capazes de se indignar mediante as injustiças sociais, de serem cidadãos e consumidores críticos, LEITORES DO MUNDO. O estudo de História deverá permitir, através do conhecimento dos processos históricos, o entendimento da origem e do desenvolvimento desses processos pelas diferentes sociedades em tempos e espaços diferenciados, contribuindo, portanto, para a formação dessa consciência crítica por meio da análise de diferentes momentos históricos. Com a utilização de diversas metodologias em sala de aula – como, por exemplo, o uso de fi lmes, a análise de documentos de época, a observação refl exiva de ilustrações etc. –, o professor pode favorecer a aquisição de competências, tais como interpretar um texto, sintetizar, perceber mudanças e permanências em diferentes conjunturas, dentre outras, favorecendo, então, a formação desse pensamento crítico. O professor/educador deve acreditar no poder transformador da Educação e investir em sua formação continuada, reformulando, a todo momento, suas experiências em sala de aula, cuidando sempre do aprimoramento do seu saber docente, assim como de sua prática pedagógica. O papel da escola deve estar referido aos aspectos culturais universais, dos quais todos e todas devem se apropriar. A escola é o lugar da igualdade e da universalidade e não da diferença e das particularidades (CANDAU, Aula 3 O que nos interessa é refl etir sobre a importância da memória para o conhecimento histórico. Nesse sentido, nossa atenção está voltada especifi camente para a chamada memória coletiva, ou memória social, que é o conjunto de lembranças e referências culturais comuns a um grupo. Por isso, a memória é o suporte fundamental da identidade. Por meio da memória, as pessoas buscam salvar o passado do esquecimento, edifi cando o presente e colaborando para a formação da identidade individual e coletiva. A memória, portanto, é essencial na formação de nossas identidades, sejam estas individuais ou coletivas. Nós somos o que lembramos. Conservar memória é manter o passado vivo. Se um grupo deixa de existir, ou deixa de ter memória, o passado morre. Ele deixa de fazer parte do presente. Não é à toa que, hoje, esforça-se tanto por preservar memórias. Como já afi rmou Michel Pollack, (...)a memória, essa operação coletiva dos acontecimentos e das interpretações do passado que se quer salvaguardar, se integra, como vimos, em tentativas mais ou menos conscientes de defi nir e de reforçar sentimentos de pertencimento e fronteiras sociais entre coletividades de tamanhos diferentes: partidos, sindicatos, igrejas, aldeias, regiões, clãs, famílias, nações etc. A referência ao passado serve para manter a coesão dos grupos e das instituições que compõem uma sociedade (...). Manter a coesão interna e defender as fronteiras daquilo que um grupo tem em comum, em que se inclui o território (no caso de Estados), eis as duas funções essenciais da memória comum. O que signifi ca lutar pela recuperação de casarios antigos, criar centros de memória, instalar núcleos de documentação e pesquisa e se dedicar a projetos de revitalização de sítios históricos É preciso deixar claro que a memória é uma construção do presente, na medida em que ela serve para legitimar existências de grupos da mesma forma que é usada para reforçar posições políticas. Aula 4: Para entender o tempo, é necessário uma idéia básica: não podemos separar homem e Natureza e sim, entender o homem na Natureza. A noção de tempo é uma criação humana. O tempo, ou seja, o dia e a noite, é fruto da Natureza, mas todo o resto – a divisão do tempo em horas, dias, semanas, meses, anos, séculos – é fruto da criação do homem. O dia clareia e anoitece, e só. Todo o resto é invenção humana. Norbert Elias chega a dizer que a noção de tempo é a maior invenção do homem. O calendário é, então, a forma que o homem inventou para tentar domesticar o tempo. Por meio deste, as diferentes sociedades se organizam e organizam suas populações, daí termos diferentes calendários no mundo, como o judaico, o cristão, o muçulmano etc. Braudel e Le Goff. Assim sendo, Braudel fala-nos do tempo curto, da medida dos indivíduos, da vida cotidiana, de nossas ilusões, de nossas rápidas tomadas de consciência. Para ele, este seria o tempo do cronista, do jornalista. Portanto, há um tempo curto em todas as formas de vida econômica, social, literária, institucional, religiosa e mesmo geográfi ca e política: O tempo possui três dimensões importantes, segundo Braudel; são elas: o tempo curto, que é o tempo dos acontecimentos, do nosso dia-a-dia, do cotidiano etc.; o tempo de média duração, que diz respeito aos ciclos, ou interciclos históricos, e que se refere às décadas, no máximo a cinqüenta anos; por fi m, o tempo de longa duração, ou longuíssima duração, que se refere aos séculos ou aos milênios, esse tempo secular ou milenar cuja passagem, às vezes, nos parece imperceptível. Tempo de curta duração: “O PREFEITO DA CIDADE INAUGUROU UMA NOVA PRAÇA NA ZONA OESTE.” Aqui, podemos perceber um simples acontecimento da vida cotidiana de uma cidade qualquer, vivido por qualquer morador da cidade como um fato. Tempo de média duração: “BRASIL ESTABELECE CONVÊNIO COM FIRMA MULTINACIONAL PARA EXPLORAÇÃO DE ESTANHO ATÉ 2030.” Nesta manchete, podemos observar algo que vai durar mais tempo, mas que não passa de algumas décadas, não passa de meio século. Atinge as nossas vidas, mas às vezes não chegamos a vê-lo ocorrer em toda a sua dimensão, mas podemos até vê-lo... Tempo de longa duração: “OSBRASILEIROS CONTINUAM SE CASANDO NA IGREJA CATÓLICA.” Na longa duração, observamos o tempo das instituições como o casamento, o poder e infl uência da Igreja católica na vida dos brasileiros e do mundo etc. Koselleck, que nos diz que o contexto de um acontecimento pode ampliar-se no que é anterior e posterior, porém isto está sempre aderido ao curso do tempo. Fernand Braudel · Considera o tempo como categoria central para as ciências humanas. · Divide o tempo histórico em três dimensões: · Tempo curto: ligado aos acontecimentos, ao cotidiano, às narrativas rápidas (o tempo do cronista e do jornalista). · Tempo médio: relacionado às conjunturas e ciclos (décadas ou até meio século). · Tempo longo: associado às estruturas sociais, econômicas e culturais que se mantêm por séculos ou milênios (ex.: agricultura, instituições). · Para ele, é necessário olhar além do acontecimento imediato, compreendendo os tempos múltiplos que se entrelaçam. Reinhart Koselleck · Diferencia acontecimentos (produzidos ou sofridos por sujeitos determinados) de estruturas (supraindividuais, de longa duração). · Defende que acontecimentos e estruturas se explicam mutuamente — não se deve dar mais importância a um do que a outro. · As estruturas constituem condições de possibilidade para os acontecimentos. · O antes e o depois de cada fato são constitutivos, ou seja, todo acontecimento está inserido numa série temporal. · As dimensões temporais podem ser analisadas em curto, médio e longo prazo, cada uma com impacto específico na experiência e na projeção de futuro. Jacques Le Goff · Destaca o papel do calendário como objeto cultural e instrumento de poder. · O calendário é simultaneamente científico e cultural: organiza o tempo, regula a vida social e também reflete relações de poder (reis, padres e governantes controlavam o tempo). · Para ele, a história se organiza por meio da cronologia e da periodização, mas deve considerar também o tempo vivido, múltiplo e subjetivo (memória, duração, tempos simbólicos). · Ressalta que a distinção entre passado e presente é essencial para a concepção histórica. · Assim, o calendário não é apenas técnica de medir o tempo, mas forma de domesticar o tempo natural e inseri-lo na vida coletiva. Para Le Goff, o calendário é um objeto cultural, pois é algo criado pelos homens e, dependendo da cultura, diferente em seu funcionamento. Por isso, temos diversos calendários em diferentes sociedades, como a judaica, a muçulmana, a cristã etc Aula 5: globalização desenvolvida por MILTON SANTOS Para ele, o espaço geográfi co, que é chamado de Meio Técnico-científi co, é a resposta geográfi ca ao processo de globalização. Nesse sentido, o autor estuda a questão do tempo hoje em dia, ou seja, o que é o tempo nesse processo de globalização. Afi rma que vivemos a sensação de um presente que passa muito rápido, “quase fugindo de nós”, e, diz que a aceleração contemporânea é fruto de acelerações concomitantes, superpostas, por isso, temos tal sensação. A aceleração contemporânea impôs novos ritmos ao deslocamento dos corpos (por exemplo, o uso do avião), e ao transporte das idéias (por exemplo, o uso da internet) etc., também acabou acrescentando novos itens à História como: a explosão demográfi ca, a explosão do consumo, O tempo hegemônico é ditado pela ordem das instituições, do sistema político e econômico em que vivemos, como é o caso da hora para trabalhar e do dia da votação; já o tempo não-hegemônico ocorre com os grupos e indivíduos, que embora vivam no mesmo tempo físico, possuem ritmos, tempos diferentes etc., como é o exemplo do chopinho no fi nal de semana. A cidade possui diferentes temporalizações numa só paisagem. Segundo Santos, o espaço, ou melhor, a confi guração territorial apresentada em forma de paisagem ou não é a soma de pedaços de ações passadas ou presentes. Por exemplo: se estamos numa rua da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, ou de qualquer outra cidade do estado do Rio de Janeiro, podemos perceber diferentes tipos de construções de casas e prédios, assim como de tempos diversos em que foram construídos, com propósitos e estilos diferenciados. Logo, podemos observar numa mesma paisagem o espaço marcado por diferentes tempos históricos através de construções, estilos urbanísticos etc. No caso da Cinelândia, percebemos o prédio da Biblioteca Nacional com sua arquitetura grandiosa, o Teatro Municipal, o Bar Amarelinho, o moderno prédio da Justiça e outros bem mais modernos em sua arquitetura Aula 6: O estágio sensório-motor está ligado às primeiras experiências da criança de quando ela ainda era bebê. Não existe antes nem depois para o bebê; é como se houvesse sempre um presente contínuo . Já o estágio intuitivo ou pré-operacional se caracteriza pelo fato de as primeiras intuições temporais serem centradas sobre alguma relação privilegiada, ligada ao egocentrismo. Os momentos sucessivos do tempo ainda não se relacionam entre si. Para calcular o tempo, a criança se baseia na percepção espacial, fazendo associações do tipo: é mais velho quem é mais alto; correu mais quem demorou mais tempo. Age por tentativa e erro. Esses estágios que descrevemos anteriormente ocorrem até os nove e dez anos aproximadamente; a partir daí temos o estágio operatório, onde a criança passa a dominar o conjunto das relações de sucessão, simultaneidade e duração. Explique o que Piaget quis dizer quando nos falou que a idéia de tempo tem por base uma apreensão afetiva do mesmo. Dê um exemplo disso em sala de aula: O tempo, para Piaget, está ligado à nossa afetividade e à nossa subjetividade. Assim, se tivermos prazer no que estamos fazendo, acharemos que o tempo passará mais rápido, e teremos a impressão de que ele será mais lento ao realizarmos uma tarefa sem termos vontade de cumpri-la. Logo, vemos que o tempo psicológico se confunde com o tempo físico na criança. Percebemos isso durante as atividades de aula que passamos para os alunos. Por exemplo: se fazemos um jogo, que é uma atividade lúdica, os alunos acham que o tempo passa rápido. Por outro lado, se vamos ler um texto e explicá-lo, a percepção deles, em geral, é de que a aula demora mais para acabar. O tempo racional possui três atributos fundamentais: sua homogeneidade, sua continuidade e sua uniformidade. Este é o tempo do relógio. Percebemos então que, para Piaget, a noção de tempo é construída por meio do desenvolvimento, da maturidade e da vivência da criança. Primeiramente, ela percebe o tempo local, pessoal e subjetivo. Somente por volta dos nove-dez anos, a criança percebe a simultaneidade, a sucessão e a duração dos acontecimentos. Essas noções são fundamentais para o entendimento da noção de tempo histórico, que será apreendida a partir dos 10-12 anos.