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O QUE É CURRÍCULO? SEUS CONCEITOS E
ABORDAGENS
UNIDADE 1
CURRÍCULO E OS CENÁRIOS HISTÓRICOSCURRÍCULO E OS CENÁRIOS HISTÓRICOSCURRÍCULO E OS CENÁRIOS HISTÓRICOSCURRÍCULO E OS CENÁRIOS HISTÓRICOS
TÓPICO 3TÓPICO 3TÓPICO 3TÓPICO 3
1 INTRODUÇÃO1 INTRODUÇÃO1 INTRODUÇÃO1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, vamos percorrer a história do currículo por três principais cenários
que se influenciam e se distanciam em alguns momentos.
Inicialmente vamos conhecer o Currículo e Europa, depois Currículo e EUA e
também Currículo e Brasil. Em cada contexto, você conhecerá ideias que
permearam o currículo, contexto histórico e autores, pensamentos que nos
influenciam até hoje.
Estão aqui em seus estudos, algumas leis que são a base para a educação nacional
e que marcaram toda a caminhada e construção do currículo que temos hoje.
Vamos aos estudos!
2 CENÁRIO 1: CURRÍCULO E EUROPA2 CENÁRIO 1: CURRÍCULO E EUROPA2 CENÁRIO 1: CURRÍCULO E EUROPA2 CENÁRIO 1: CURRÍCULO E EUROPA
As mudanças ocorridas no contexto europeu influenciaram as ideias acerca dos
currículos, principalmente, no contexto das universidades. Dentre as mudanças,
destacamos especialmente, a expansão marítima, o mercantilismo, a Reforma
Protestante e a Contrarreforma que fizeram parte da conquista do século XV, que
deram início ao chamado Estado Moderno.INTERESSANT
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Unidade 1 - Tópico 3 
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A primeira constituição de universidade surgiu na Bolonha, norte da Itália,
em 1088, no século XI, seguida pela Sorbonne (Paris) fundada em 1150. O
termo universidade deriva do currículo da época, denominado “essências
universais”.
O pensamento educacional europeu sofreu grandes influências dos ideais
iluministas e pode ser identificado no pensamento do John Locke (1632-1704)
considerado um dos precursores do movimento, cuja obra, Alguns pensamentos
sobre educação traçou um novo modelo para o currículo. Nele, o latim se reduzia a
enfatizar as boas maneiras do indivíduo e o trabalho era visto apenas como um
hobby.
Locke colocou em destaque nos currículos o modelo de gentleman (CAMBI, 1999),
que atendia aos interesses da burguesia que se formava na época.
IDEAIS ILUMINISTAS: Pensamento europeu conhecido como Século das Luzes
(século XVIII), caracterizado pela ênfase na ciência e a recusa de outros tipos
de conhecimentos, sempre na procura de uma razão e uma racionalidade
universal para explicar os fenômenos ocorridos na natureza e na vida em
sociedade, podendo este ser identificado no comportamento dos indivíduos
até atualidade. Todos os tipos de conhecimento deveriam, a partir desse
momento, passar pela ‘esteira’ de comprovação do conhecimento científico.
Com o iluminismo, o ser humano passa a ser o centro da sua própria história
e da sua humanidade. Estabelece uma nova cultura pedagógica baseada na
formação do cidadão de bom senso, cuja educação estava submetida ao
estado e ao domínio da razão para desenvolvimento da identidade. Saiba
mais em: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/iluminismo.
O indivíduo a que Locke se referia era oriundo das classes abastadas, uma
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vez que a educação da época era destinada somente à elite, que tinha forte
inclinação a seguir carreira religiosa ou se diplomava para exercer profissões
tradicionais, como: direito, medicina e engenharia. Ou seja, a educação na
Universidade era privilégio de poucos.
FIGURA 14 – A IDEIA DO ILUMINISMO COMO PENSAMENTO ÚNICO ‘DANDO à
LUZ’ A OUTROS TIPO DE CONHECIMENTOS
FONTE: . Acesso em: 14
abr. 2021.
De posse do pensamento Iluminista, foram elaborados planos de estudo práticos e
científicos que rompiam com os modelos eruditos e literários elaborados pela
Igreja que difundiam uma pedagogia para controlar a moral por meio do ensino da
gramática, que servia para fornecer uma visão de obediência às leis, à retórica e à
didática.
Para Popkewitz (1997), o Iluminismo europeu, com início no século XVII, fazia uma
interação com a visão clássica, vinculando o progresso ao raciocínio e à autocrítica
do sujeito, realizando assim uma sistemática intervenção humana às instituições
escolares.
O século XVIII foi um divisor de águas entre o Estado moderno e o contemporâneo.
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Com a revolução industrial, as relações de trabalho são modificadas e um grande
número de pessoas deixa os campos para trabalhar nas fábricas à procura de
melhores condições de vida. Surge assim a classe dos trabalhadores assalariados.
O crescimento das cidades torna-se acelerado, assim como o avanço das
tecnologias que impulsiona uma nova ordem mundial: o capitalismo. Neste
movimento, cresciam também as desigualdades e as injustiças sociais decorrentes
das graves condições de pobreza da população, que permeavam o contexto
europeu no século XVIII. Assim, como os anseios da burguesia por maiores
participações nas decisões do governo contribuíram para que diversos
movimentos começassem a ocorrer em vários países da Europa.
Certa agitação e movimento surgem com ideias que se opunham ao absolutismo
real e da Igreja, que até então fornecia uma educação voltada para inculcar nos
estudantes um entendimento em relação ao mundo, onde o centro da criação era
Deus e o compromisso com os princípios religiosos, morais e sociais do
cristianismo.
O primeiro país a derrubar o absolutismo na Europa foi a Inglaterra (século
XVII) com a Revolução Gloriosa, seguido pela França (século XVIII) com a
Revolução Francesa.
As Revoluções Burguesas, a Revolução Industrial e o fortalecimento do Estado-
nação representaram transformações substanciais em nível político, social e
econômico. Os Estados europeus começaram também a se organizar em torno do
encargo estatal da escolarização de massa, aberta para todos, institucionalizada
nos últimos 200 anos.
Na esfera educativa, o movimento se dava em torno da incontestabilidade das
ciências, no fundamento da razão e no racionalismo. A especial atenção às línguas
modernas e às ciências duras baseava-se na crença de que a promoção do
progresso geraria harmonia social por meio da intervenção do Estado.
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RACIONALISMO: método baseado exclusivamente no uso da razão e com
relação ao pensamento cartesiano, ou seja, aquele que divide os
conhecimentos em partes e não faz mais a ligação entre eles. Pense como
isso influenciou no modo como a escola é configurada hoje, com disciplinas
segmentadas. Será que existe essa divisão nas nossas ações do cotidiano?
Reflita sobre isso. Saiba mais de racionalismo em:
https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/racionalismo.htm.
As alterações epistemológicas do currículo ocorreram na Europa Ocidental e mais
tarde nos Estados Unidos entre os séculos XVIII e XIX. A partir de Immanuel Kant
(1724-1804), surge também uma nova orientação para os currículos que
considerava a análise da linguagem, assim como a análise da história e da prática
social (POPKEWITZ, 1997).
É nitidamente perceptível que após três séculos, nossos currículos ainda
continuam enraizados no ideário Iluminista.
Em continuidade a esses pensamentos, o século XIX é marcado pelo pensamento
positivista que correspondia aos anseios da burguesia e foi determinante para os
referenciais organizadores da sociedade europeia e de seus currículos. O
Positivismo teve Augusto Comte (1798-1857) como um de seus principais
expoentes. Sua promessa era que a eficiência e a racionalidade levariam ao
progresso. Comte fundamentou sua teoria nos ideais da ciência considerando-a
como único conhecimento válido, descartando qualquer conhecimento que tivesse
baseado em crenças e tradições.
A expressão “Ordem e Progresso”, na bandeira do Brasil, representa o lema
político do Positivismo.
FIGURA 15 – AUGUSTO COMTE (1798-1857)
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FONTE: . Acesso em: 14 abr. 2021.
Para o Positivismo, leis universais regulam o funcionamento da vida, com
uma concepção de realidade absoluta, governada por leis imutáveis, que
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definem o conhecimento como sinônimo de exploração, experimentação e
descoberta de leis de causa e efeito, com vistas ao controle, transformação e
domínio do mundo natural. Neste pensamento, tinha-se a ideia de que seria
possível planejar o desenvolvimento da sociedade e do indivíduo com
critérios das ciências exatas e biológicas. Conheça mais em:
https://novaescola.org.br/conteudo/186/auguste-comte-pensador-frances-
pai-positivismo.
No século XIX, outras discussões começam a permear a história do currículo
baseada nas transformações dos princípios de uma democracia liberal e na
participação ativa dos cidadãos na sociedade. Neste período, o conhecimento
pedagógico moderno aliou alguns pontos de vista religiosos aos princípios
científicos e aos ideais democráticos liberais que circularam por toda Europa e o
norte da América, cabendo destaque para o pensamento de Émile Durkheim
(1938-1977), que apontava a missão da escola como civilizadora por meio da
mudança cultural nos modos de vida apregoados pelo iluminismo e positivismo.
A forma didática, a organização do conhecimento, os materiais instrutivos e a
organização do tempo na instituição escolar foram responsáveis por constituir
uma nova ideia de currículo (GOODSON 1987 apud POPKEWITZ, 1997). As
influências iluministas e positivistas no ensino dividiram o conhecimento em
disciplinas e distribuíram os estudantes em salas de aula com níveis
hierarquizados, com objetivos classificatórios, cujos resultados poderiam ser
verificados por meio de provas de rendimento escolar.
O século XX foi marcado por inúmeras reações acerca deste modelo de currículo.
Diferentes movimentos sociais e culturais começaram a se formar, a partir dos
anos 1960 e contribuíram para ampliar as críticas aos currículos, chamados de
tecnicistas. Na Europa, teóricos como Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron,
Christian Baudelot e Roger Establet iniciaram essa crítica, na França. De acordo
com Silva, M. (2006, p. 4810):
A escola, por intermédio do currículo, passa a ser tratada como parte do Aparelho
Ideológico do Estado (Althusser), reprodutora da estrutura social (Bourdieu e
Passeron), dual e orientada pelos interesses da classe capitalista (Baudelot e Establet).
Tais teorias, ao denunciarem, provocaram a abertura de novas perspectivas de estudos
de currículo.
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A organização curricular também foi criticada pela corrente marxista que
acreditava que o currículo poderia ser uma via para emancipação intelectual, por
meio das lutas da classe trabalhadora.
A partir da década de 1970, na literatura inglesa, surge a nova sociologia danova sociologia danova sociologia danova sociologia da
educaçãoeducaçãoeducaçãoeducação, e com ela, uma nova forma de pensar o currículo. O teórico precursor
desse movimento é Michael Young. Na França, esse movimento vinha acontecendo
também e foi defendido por Pierre Bourdieu e Louis Althusser.
3 CENÁRIO 2: CURRÍCULO E EUA3 CENÁRIO 2: CURRÍCULO E EUA3 CENÁRIO 2: CURRÍCULO E EUA3 CENÁRIO 2: CURRÍCULO E EUA
O século XIX foi especialmente significativo para o contexto estadunidense. Este
século teve grande representatividade relativa ao contexto político, social e
econômico do país. Em um curto período de tempo, a sociedade veio a
testemunhar grandes mudanças que tiveram implicadas no início da Era
Progressista (1880-1920), na ideia de soberania da americanização e na afluência
massiva de imigrantes.
A Era Progressista tinha a administração centrada no Estado, que desenvolveu
setores de transporte, agricultura, relações industriais e militares. A sociedade de
base industrial produziu condições para que seus cidadãos tivessem maior grau de
independência e o governo era agência indispensável no apoio à dignidade
individual.
Nesta época, os homens trabalhavam fora e agiam pela razão, as mulheres
complacentes cuidavam da casa. Essas relações de gênero também eram tomadas
no âmbito político e econômico. A crença de que a ciência produziria
melhoramento social foi um fator propulsor para a abertura da escola de massa.
O contexto americano pós-guerra apresentava-se voltado para a industrialização e
urbanização, com a substituição da mão de obra artesanal pela mão de obra
industrial, ou seja, a substituição das ferramentas manuais pelas máquinas,
havendo assim, uma grande absorção do êxodo rural no processo de
industrialização.
Uma afluência maciça de imigrantes chegava aos Estados Unidos e o problema da
americanização tornou-se soberano (POPKEWITZ, 1997). À medida que, por conta
da industrialização, as áreas urbanas foram sendo invadidas por essas populações
recém-chegadas, que falavam uma variedade de línguas, praticavam uma
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variedade de religiões e mantinham costumes culturais que ameaçavam as visões
dominantes. Nesse contexto, era preciso ensinar aos imigrantes a dinâmica da
industrialização, da cultura “oficial” e os comportamentos “dignos” de serem
adotados. Para isso, foi necessário considerar o currículo como elemento
excelência da escola, que teria o papel de se ajustar aos propósitos da economia,
dando ao seu currículo características de ordem, racionalidade e eficácia que
estavam direcionadas ao controle social e a eficiência industrial.
A escola de massa teve início em meados do século XIX e foi vista como uma
instituição que resolveria o problema da administração social do Estado moderno.
“A educação pública estava surgindo como uma importante instituição para a
transmissão das orientações culturais, valores e estilos das abordagens cognitivas
associadas à modernidade” (POPKEWITZ, 1997, p. 60).
A escola pública americana foi criada pelos privilegiados, para o ‘bem’ dos menos
privilegiados e também destinada à classe média. A instituição era dirigida pelo
Estado, na tentativa de encontrar um caminho para a redução do crime, dos
conflitos, da homogeneização da cultura e para que se introduzisse uma
tranquilidade e passividade interna nas cidades. A cidadania era ensinada de
acordo com os ideais iluministas, em que a razão e a racionalidade eram alavancas
para o progresso. Seus currículos profundamente americanos estabeleceram uma
linguagem nacional. A unificação da cultura da nova nação favorecia ainda às
metas individualistas de crescimento e avanço pessoal.
John Dewey foi a maior contribuição americana para filosofia (POPKEWITZ, 1997). O
autor fez severas críticas aos currículos da época, especialmente à metodologia da
memorização. Para o autor, o aluno deveria aprender fazendo. Sua teoria pregava
o autodomínio e o autogoverno.
A Pedagogia de Dewey deveria substituir costumes estabelecidos na
concepção humanista, por uma visão mais dinâmica de progresso e
harmonia social (POPKEWITZ, 1997). Dewey acreditava que a pedagogia
poderia contribuir para a industrialização, desenvolvendo o esclarecimento
moral e acreditando que a ciência e a tecnologia poderiam produzir a
reconstrução social (GOMES (2012).
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Líderes econômicos e políticos acreditavam que o pragmatismo progressista
eliminaria as ideias humanistas e as substituiriam pela democracia, racionalidade
científica e conceitos da civilidade. Ainda, a pedagogia seria também um
instrumento para eliminar as ideias socialistas e marxistas que estavam sendo
trazidas da Europa pelos novos imigrantes.
O pragmatismo na instituição escolar transformou-se em exercícios técnicos de
planejamento das unidades e um currículo centrado no aluno. Essas técnicas
aperfeiçoaram a educação pública na lida com os imigrantes que se concentraram
na nação. Em meados de 1920,os Estados Unidos iniciaram sua noção de currículo
baseados na concepção tecnicista, pensando em um currículo voltado para
desenvolver habilidades que contribuiriam na vida adulta (SCHMIDT, 2003). Esse
pensamento foi difundido por John Franklin Bobbitt (1876-1956), com uma visão
conservadora, que se preocupou com o currículo e escreveu o primeiro livro sobre
o assunto: The curriculum.
S
Interessante é esse caminho diretivo de formação pelo currículo escolar.
Estudaremos mais da visão conservadora de Bobbit no Tópico 4.
Caro acadêmico! Vamos refletir sobre a questão: você já se perguntou o porquê do
surgimento do currículo? Silva (2007, p. 22) nos indica alguns apontamentos:
A formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação; o
estabelecimento da educação como um objeto próprio de estudo científico; a extensão
da educação escolarizada em níveis cada vez mais altos a segmentos cada vez maiores
da população; as preocupações com a manutenção de uma identidade nacional, como
resultado das sucessivas ondas de imigração; o processo de crescente industrialização
e urbanização.
TEMPOS MODERNOS. CHARLES CHAPLIN, 1936
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FONTE: . Acesso em: 8 jul. 2021.
O Filme Tempos Modernos – um clássico de Charles Chaplin, que atuou
como diretor, roteirista, produtor e ator do filme – retrata, de maneira
satirizada, a forma tecnicista na qual é possível fazer uma reflexão e
aproximar o trabalho da indústria da escola. Assista ao filme completo em:
https://www.youtube.com/watch?v=3tL3E5fIZis.
Continuando...
Durante esse período, outros autores como Ralph Tyler, envolveram-se em
discussões sobre o currículo. Tyler (1949) realizou seus escritos e discussões no
período do fim da Segunda Guerra Mundial (por volta de 1950) e esteve localizado
também nos Estados Unidos. Apesar de influenciar diferentes países, é preciso
considerar que seu campo de estudo está localizado em um espaço histórico-social
específico.
As argumentações do desenvolvimento do currículo explanado por Tyler são
caracterizadas pela objetividade e concisão, na qual se preocupava em apresentar
um planejamento claro e objetivo, pela organização sistemática, selecionando
objetivos e estratégias de aprendizagem e pela prática diagnóstica, em que
considera o aluno, a sociedade e matéria.
Desse modo, de acordo com Tyler (1949), o currículo pretendia responder a
questões básicas que envolviam a seleção de objetivos de aprendizagem para o
currículo e a eficácia da avaliação.
Tyler, junto de Jerome Bruner, autor também norte-americano, preocupavam-se,
como a seleção e organização dos conteúdos, privilegiando a eficiência e a
racionalidade técnica e científica (SCHMIDT, 2003).
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A partir dos anos 1960, estudiosos da área iniciaram mudanças na concepção do
currículo entendendo que ele formaria os líderes e cientistas americanos. É
importante lembrar que o contexto da época era da Guerra Fria.
Talvez você lembre as características e motivos da Guerra Fria, que aprendeu
no Ensino Médio. Se quiser refrescar a memória, selecionamos um material
para você, acesse: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/guerra-fria.htm.
4 CENÁRIO 3: CURRÍCULO E BRASIL4 CENÁRIO 3: CURRÍCULO E BRASIL4 CENÁRIO 3: CURRÍCULO E BRASIL4 CENÁRIO 3: CURRÍCULO E BRASIL
Você lembra de sua formação na educação básica? Então pergunte aos seus
familiares ou amigos que possuam 20 anos a mais que você. Faça uma
comparação dos métodos de ensino, a avaliação, o espaço físico, a relação entre
professor-aluno e, se tiver oportunidade, do que sabia sobre o currículo.
Com certeza, muita coisa mudou. O entendimento e a prática curricular são
divergentes de tempos anteriores, principalmente, por influência dos movimentos
que ocorreram tanto por parte dos norte-americanos como europeus.
Um dos motivos a que se deve essa alteração, na atualidade, são as Leis de
Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e as orientações curriculares nacionais.
Assunto que mais tarde ganhará destaque em nossos estudos.
A Leis de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei n° 9.394, foi aprovada em
dezembro de 1996. Sua criação firmou algumas garantias da educação, como
o direito a todos de ter acesso à educação gratuita e de qualidade,
valorização dos profissionais da educação e deveres da União, do Estado e
dos Municípios com a educação pública. Para saber mais das Leis oficiais da
educação como a LDB e o Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014, acesse
: http://portal.mec.gov.br/index.php?
option=com_content&view=article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes.
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A importância de discutir e elaborar o currículo é fundamental para quem atua na
instituição escolar e ganha destaque entre os teóricos da área. Mas isso não quer
dizer que há um consenso. Todo país (como já percebemos nos itens anteriores) e
toda escola devem traçar seu currículo a partir das bases curriculares que regem
sua nação. Para entender a atualidade, é importante entender um pouco dessa
caminhada do currículo no Brasil.
S
Você já deve ter ouvido falar na BNCC, ou seja, na Base Nacional Curricular
Comum. Este é um documento norteador da educação escolar no Brasil e
será um dos conteúdos da Unidade 3. Aguardem!
Como marco, podemos indicar a década de 1920, como o início das discussões
sobre o currículo no Brasil, com influências do pensamento americano, a partir de
modelos com viés funcionalista. Nesse momento, o país vivia um processo tanto
de urbanização como de industrialização.
Nesse contexto, o movimento da Escola Nova iniciou reformas curriculares de
modo isolado na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, capital do Brasil na época.
Movimento que se baseou no modelo pragmatista de John Dewey. Seu intuito era
superar o pensamento tradicional, defendendo mudanças curriculares e
pedagógicas, como:
Do intelecto para o sentimento; do aspecto lógico para o psicológico; dos conteúdos
cognitivos para os métodos ou processos pedagógicos; do professor para o aluno; do
esforço para o interesse; da disciplina para a espontaneidade; do diretivismo para o
não diretivismo; da quantidade para a qualidade; de uma pedagogia de inspiração
filosófica centrada na ciência da lógica para uma pedagogia de inspiração experimental
baseada principalmente nas contribuições da biologia e da psicologia (SAVIANI, 1993, p.
20).
A Escola Nova foi um movimento de renovação da educação nacional. Neste
movimento, foi construído o Manifesto dos Pioneiros em 1932, que se tornou o
marco inaugural do projeto de renovação educacional.
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O intuito desse documento foi de universalizar a escola pública, laica e gratuita. Os
envolvidos eram, principalmente, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Lourenço
Filho e a poetisa Cecília Meireles.
Quer saber mais alguns pontos positivos e negativos e considerações deste
movimento? Acesse:
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/atualidades/historia-educacao-o-
manifesto-dos-pioneiros.htm.
Anísio Teixeira, educador engajado no movimento da Escola Nova, impulsionou
uma reorganização do currículo, passando a entendê-lo como um modo de
alcançar objetivos, que nesse caso foi de capacitar indivíduos a viver em sociedade.
Conforme indica Moreira (1990, p. 88), “tal concepção implicou a ênfase não só no
crescimento intelectual do aluno, mas também em seu desenvolvimento social,
moral, emocional e físico”. O pensamento de Teixeira recebeu influências de John
Dewey, considerando o currículo como o conjunto de ensinamentos para toda a
vida.
John Dewey e Anísio Teixeira tiveram seus pensamentos voltados para a
identificação e a proposição de uma educação a serviço do que eles entendem por
uma sociedade democrática e justa. Uma educação que se empenhe em formar o
ser humano e não apenas formar sujeitos que estão aptosa desempenhar papéis
instrumentais. Outra reforma, nessa mesma época, foi incitada por Fernando de
Azevedo. Sua intenção era também relacionada à aproximação da sociedade com
a escola.
Paralelo às ações nacionais, o INEP (Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos) e o
PABAEE (Programa de Assistência Brasileiro – Americana de Educação Elementar)
incentivaram experiências e pesquisas na educação, focando nos currículos as
necessidades sociais e capacidades individuais.
Os anos de 1930 e 1960 foram marcados por discussões, reformulações e
influências no currículo. Por um lado, a defesa de um currículo em que se
privilegiasse o ensino gratuito e obrigatório, e por outro, a perspectiva de um
currículo com base patriótica e ainda a imposição de um regime mais autoritário,
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com a presidência de Getúlio Vargas.
Em 1955, o primeiro livro sobre currículo foi publicado no Brasil pelo INEP,
escrito por João Roberto Moreira, intitulado Introdução ao Estudo da Escola
Primaria.
Após esse período, “com o golpe militar em 1964, todo o panorama político,
econômico, ideológico e educacional do país sofreu grandes transformações.
Diversos acordos foram assinados com os Estados Unidos visando à modernização
e racionalização do país” (MOREIRA, 1990, p. 83). Nesse ínterim, a influência
americana nos currículos nacionais ampliava-se nas próximas décadas,
fortalecendo-se com acordos entre MEC-USAID (United States Agency for
International Development).
O acordo MEC-USAID realizado visava estabelecer convênios de assistência técnica
e cooperação financeira à educação brasileira. Entre junho de 1964 e janeiro de
1968, período de maior intensidade nos acordos, foram firmados 12 acordos,
abrangendo desde a educação primária (atual Ensino Fundamental) ao Ensino
Superior. O último dos acordos firmados foi no ano de 1976. A discussão de uma
escola pública, gratuita e laica não era considerada nesse acordo. Outros
interesses perduravam nesse convênio. Sobre as disciplinas, por exemplo, foram
desconsideradas as disciplinas curriculares Filosofia, Latim e Educação Política e
incluído a Educação Moral e Cívica (EMC).
Quer explorar mais esse assunto, leia o artigo O Retrocesso na Educação,
disponível em: https://ditaduranuncamais.cnte.org.br/o-retrocesso-na-
educacao/. Ou ainda, conheça o acervo de fotos da USP que mostra alguns
movimentos contra o acordo MEC-USAID, em:
http://www2.eca.usp.br/eca50anos/pt-br/content/acordo-mec-usaid.
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RESUMO DO TÓPICORESUMO DO TÓPICORESUMO DO TÓPICORESUMO DO TÓPICO
As discussões sobre currículo se ampliavam no cenário nacional. Um exemplo
disso é a introdução da disciplina Currículos e Programas nas faculdades de
educação, com a entrada da Lei n° 5540, de 1968, na qual ainda se centrava em
uma visão tecnicista de currículo. A partir dos anos 1980, o pensamento sobre
currículo foi pensado de acordo com outras influências, tanto norte-americanas,
como europeias e, sobretudo, com pesquisas e estudos realizados na realidade
brasileira. Todo esse movimento aconteceu em decorrência da redemocratização
do Brasil e enfraquecimento da Guerra Fria. Nessa época, o pensamento curricular
voltou-se ao viés marxista, em uma visão mais política.
INTERESSANT
E
Que período conturbado! Com a Constituição Federal de 1988 teve-se a
possibilidade de discutir sobre a redemocratização no Brasil. Ela foi um dos
marcos da cidadania brasileira com o intuito de assegurar o exercício dos
direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a educação, a igualdade e a justiça. Leia o documento
completo, e ainda em vigor, em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm.
Lembre-se, esse documento é base para a construção de muitos outros
documentos nacionais.
Com influências múltiplas, vivências e discussões nacionais, a partir dos anos de
1990, o currículo foi tratado em uma perspectiva mais sociológica, pois até então
seu pensamento era mais focado na psicologia.
Já pelo viés sociológico, a discussão girava em torno do currículo e conhecimento,
na qual questões referentes às relações entre conhecimento científico,
conhecimento escolar, saber popular e senso comum eram centrais (BARRETO
apud LOPES; MACEDO, 2002), além dos processos de seleção dos conteúdos que
compõem o currículo.
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Na Europa, o pensamento iluminista rompeu com os modelos eruditos e
literários elaborados pela Igreja que apregoava uma pedagogia para
controlar a moral por meio do ensino da gramática, que servia para fornecer
uma visão de obediência às Leis, à retórica e à didática e defendia a verdade
encontrada nos textos. Na esfera educativa, o movimento se dava em torno
da incontestabilidade das ciências, no fundamento da razão e no
racionalismo.
No século XIX, as influências Iluministas e Positivistas do ensino dividiram o
conhecimento em disciplinas e distribuiu os educandos em salas de aula com
níveis hierarquizados, com objetivos classificatórios, cujos resultados
poderiam ser verificados por meio de provas de rendimento escolar.
O século XX foi marcado por inúmeras reações acerca deste modelo de
currículo. As críticas apontavam o currículo como transmissor de conteúdos
vazios, despreocupados com questões significativas à vida. A corrente
marxista defendia a emancipação intelectual do sujeito por meio das lutas
das classes trabalhadoras.
Nos EUA, a teoria pragmatista de John Dewey ofereceu um modelo de
currículo que pregava o autodomínio e o autogoverno no qual o estudante
deveria aprender fazendo. Em meados de 1920, os Estados Unidos iniciaram
sua noção de currículo baseados na concepção tecnicista, pensamento
difundido por John Franklin Bobbitt, autor com uma visão conservadora, que
se preocupou com o currículo e escreveu o primeiro livro sobre o assunto:
The curriculum. Posteriormente, Ralf Tyler (1949) desenvolveu um modelo de
currículo baseado na seleção de objetivos e experiências de aprendizagem
para e na eficácia da avaliação.
No Brasil, o movimento da Escola Nova baseou-se no modelo pragmatista de
John Dewey. Em 1932, foi escrito e divulgado o documento que se tornou o
marco inaugural do projeto de renovação educacional. O documento é
conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” e defendia a
concretização de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita.
A influência americana nos currículos nacionais fortaleceu acordos entre
MEC-USAID (United States Agency for International Development) conduzindo
um novo projeto econômico intencional brasileiro.
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, comoNeste tópico, você adquiriu certos aprendizados, comoNeste tópico, você adquiriu certos aprendizados, comoNeste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
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Com essas influências externas, as discussões sobre currículo se ampliavam
no cenário nacional. Um exemplo disso é a introdução da disciplina
Currículos e Programas nas faculdades de educação, com a entrada da Lei n°
5.540, de 1968, que, ainda se centrava em uma visão tecnicista de currículo.
AUTOATIVIDADESAUTOATIVIDADESAUTOATIVIDADESAUTOATIVIDADES
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Unidade 1 - Tópico 3
1    Procure refletir acerca dos modelos de currículos apresentados nos últimos
séculos. Sugerimos que pegue uma folha de papel grande. Nela, escreva os
principais fatores sociais, econômicos e políticos que determinaram a mudança
dos currículos entre os séculos XVIII, XIX e XX. Depois, cite os pontos de
convergência e divergência em relação ao nosso atual currículo nacional. Crie um
‘mapa’ e crie conexões entre as ideias. Registre suas reflexões!
2    A escola nova foi um dos temas desse tópico. Sabemos que essa concepção
teve forte influência sobre a discussão e organização do currículo. Anísio Teixeira
foi o educador e representante importante desse movimento, que até hoje
carregamalgumas referências em nossos currículos. Escreva quais as caraterísticas
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A) 
da Escola Nova.
3   John Franklin Bobbitt (1876-1956) desenvolveu uma discussão acerca do
currículo, que traz resquícios até hoje no modo como o construímos. Ele
fundamentou a ideia de um currículo tecnicista com marcas e características que
se conectavam a ideias sociais e econômicas daquele tempo. Sobre o exposto,
classifique em V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas.
(   )   Surgiu na década de 1920, nos Estados Unidos, pensado para desenvolver
habilidades na vida adulta.
(   )   Defendia uma visão conservadora, a seleção e organização dos conteúdos
com eficiência e a racionalidade técnica e científica.
(   )   Apesar de seus estudos serem sistematizados e bem organizados, nunca
foram escritos livros ou manuais sobre esse currículo.
(   )   Tinha um planejamento baseado na objetividade e na organização sistemática
em seus objetivos e estratégias.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:   
F – V – V – V.
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B) 
C) 
D) 
Responder
A) 
B) 
C) 
D) 
F – V – F – V.
V – V – F – V.
Todas estão corretas.
4   (2020 Prefeitura de Jacaraú – PB) Os estudos sobre currículo têm crescido ao
longo do tempo. Com relação aos estudiosos dessas áreas, é CORRETO afirmar
que:
Ralph Tyler e John Dewey foram contemporâneos e suas ideias sobre
currículo são convergentes na medida em que focam a resolução
dos problemas sociais.
Michael Apple trabalha com dois conceitos, hegemonia e ideologia,
para uma análise reprodutivista do currículo.
William Kilpatrick é apontado como o responsável pela
sistematização do método de projetos, que utiliza as ideias de Dewey
e Tyler.
Paulo Freire é um expoente representante da vertente pós-
estruturalista do currículo.
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E) 
Responder
A) 
B) 
C) 
D) 
Responder
Tópico 2  Tópico 4
Bobbitt e Michel Young são representantes da Nova Sociologia da
Educação.
5   (2019 Prova: UFG – IFGO – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
de Goiás – Pedagogo) A Escola Nova, de acordo com Gadotti (2003), representou
um dos movimentos mais vigorosos de renovação da educação depois da criação
da escola pública burguesa. O educador norte-americano John Dewey, integrante
do movimento escolanovista, propôs que o ensino deveria, prioritariamente, dar-
se pela        
Ação.
Instrução.
Repetição.
Memorização.
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Todos os direitos reservados © Ana Clarisse Alencar Barbosa
Juliana de Favere
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