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Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8577 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 Terapia ocupacional e práticas na Atenção Primária em Saúde: Revisão integrativa da literatura Occupational Therapy and practices in Primary Health Care: Integrative Literature Review DOI:10.34119/bjhrv4n2-374 Recebimento dos originais: 04/03/2021 Aceitação para publicação: 15/04/2021 Ana Maria Menezes de Souza Terapeuta Ocupacional, Especialista em Saúde da Família/Residência Multiprofissional UFS Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: anamariamenezesdesouza@hotmail.com Alana Lalucha de Andrade Guimarães Fisioterapeuta, Mestre em Ciências Aplicadas à Saúde - UFS Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: alanalalucha@yahoo.com.br Laís Melo Andrade Terapeuta Ocupacional, Especialista em Saúde da Família/Residência Multiprofissional UFS Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: laismeloandrade@gmail.com Janayna de Almeida Andrade Terapeuta Ocupacional, Especialista em Atenção Hospitalar a Saúde/Residência Multiprofissional UFS. Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: janaynadr@hotmail.com Taislayne Fraga da Cruz Terapeuta Ocupacional, Residente em Residência Multiprofissional em Saúde da Família-UFS, Pós graduanda em Saúde Coletiva. Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: tais.fraga2255@gmail.com Josefa Fernanda de Jesus Souza Carvalho Terapeuta Ocupacional - UFS. Pós graduação em Neuropsicologia e Psicomotricidade pela Pró Saber. Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: nnanda92@hotmail.com Joana Rabelo dos Santos Terapeuta Ocupacional - UFS. Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: joannarabello@gmail.com Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8578 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 Raphaela Schiassi Hernandes Terapeuta Ocupacional, Doutora em Saúde Coletiva pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP). Professora da Universidade Federal de Sergipe - UFS Endereço Institucional: Av. Governador Marcelo Deda, 13 Lagarto-SE E-mail: rapha_to@hotmail.com RESUMO Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada dos usuários ao Sistema Único de Saúde (SUS). Este, por sua vez, oferta cuidados multidisciplinares às comunidades por meio das Unidades Básicas de Saúde. Deste modo, o terapeuta ocupacional é um profissional que pode somar-se às equipes multiprofissionais que atuam na Atenção Primária de Saúde. Objetivo: Descrever, por meio da revisão Integrativa, a Atuação da Terapia Ocupacional na Atenção Primária em Saúde, com o intuito de entender a prática da terapia ocupacional nesse nível de atenção. Metodologia: Foram utilizadas as bases de dados LILACS, SCIELO e os três principais periódicos de Terapia Ocupacional com o foco nas publicações científicas dos anos de 2015 a 2021. Resultados: Foram encontrados 22 artigos, sendo que a maioria aborda estudos metodológicos qualitativos e descritivos com terapeutas ocupacionais inseridos na APS por meio de estágios e através do NASF-AB. Conclusão: O estudo apontou práticas diversas da terapia ocupacional na APS, com potencial significativo para desenvolver o trabalho em equipe neste nível de atenção à saúde. Assim, é de suma importância a luta por maior inserção desta categoria profissional em tal subsídio. Palavras-chave: Terapia Ocupacional,Atenção Primária em Saúde, Atenção Básica em Saúde, Prática profissional. ABSTRACT Background: Primary Health Care (PHC) is the gateway for users to the Unified Health System that offers multidisciplinary care to communities through Basic Health Units. Thus, the occupational therapist is a professional who can add to the multiprofessional teams that work in Primary Health Care. Aim: describe, through the integrative review, the Occupational Therapy Performance in Primary Health Care. In order to understand the practice of occupational therapy at this level of care. Methods: The LILACS, SCIELO databases and the three main Occupational Therapy journals were used and scientific publications between the years 2015 to 2021 were included. Results: 22 articles were found, most of them with qualitative and descriptive methodological studies with occupational therapists inserted mostly in PHC through internships and through the extended family health center - Primary care program. Conclusion: the study showed different occupational therapy practices in PHC, with significant potential to develop teamwork at this level of health care. Thus, the struggle for greater insertion of this professional category in Primary Health Care is extremely important. Keywords: Occupational Therapy, Primary Health Care, Primary health care, professional practice. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8579 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 1 INTRODUÇÃO No Brasil, ocorreram mudanças significativas no Sistema de Saúde e na Atenção Primária à Saúde a partir das influências da Declaração de Alma-Ata, da Reforma Sanitária e da realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde em 1986. Todo esse contexto resultou na construção do Sistema Único de Saúde (SUS), alicerçado também na Constituição Cidadã de 1988 (PAIM, 2013). Partindo de todo esse recorte e aporte histórico, a atual Política Nacional de Atenção Básica foi revisada e definida pela Portaria nº 2.436 que caracteriza a Atenção Primária em Saúde (ABS) como: Um conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária (BRASIL, 2017, p.1). Dessa forma, no Brasil, o ingresso do terapeuta ocupacional na atenção Primária à Saúde iniciou-se no final da década de 1970, com algumas atuações em serviços nas Unidades Básicas de Saúde e nos Centros de Saúde Escola ligados às universidades (EMMEL; CRUZ; FIGUEIREDO, 2015; ROCHA; SOUZA, 2011). Após uma década, no ano de 1980, as práticas de terapia ocupacional estavam envolvidas em um campo de interação entre as universidades por meio do curso de terapia ocupacional, dos Centros de Saúde Escola, das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos diversos equipamentos sociais e de saúde dos territórios (TOLDRA, CARVALHO; BALLARIN, 2008). A partir dos anos 2000, essa inserção se amplia com profissionais da área integrando equipes de Estratégia de Saúde (ESF) em algumas experiências no município de São Paulo (SP) (ROCHA; SOUZA, 2011). A ampliação dessa inserção se traduz na composição das equipes de Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB); Consultórios na Rua (CnR); Atendimento Domiciliar (AD)/ Programa Melhor em Casa (BRASIL, 2013) e Atenção Básica Prisional (ABP) (SILVA; OLIVER, 2016). Além disso, a terapia ocupacional se faz presente em espaços de gestão de serviços de APS (FURLAN; OLIVEIRA, 2017) e também pode compor a equipe da academia da saúde nas ações de promoção e educação em saúde. Para Nunes (2009), a terapia ocupacional na Atenção Primária à Saúde prioriza os contextos de vida dos indivíduos assistidos em suas intervenções. Sua inserção na Estratégia de Saúde da Família (ESF) se dá por meio do desenvolvimento de ações naBrazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8580 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 comunidade, domicílio e, primordialmente, nos dispositivos comunitários e sociais, o que colabora para a ampliação da promoção de saúde além dos limites físicos e institucionais. Nesse sentido, a atuação do terapeuta ocupacional na Atenção Primária à Saúde (APS) pode ocorrer de duas formas: a primeira com o núcleo de saber específico da terapia ocupacional e a segunda com o campo de conhecimento da saúde coletiva por meio da promoção à saúde, do fomento da participação social, do mapeamento do território, das práticas de educação em saúde e da educação permanente. Em suma, tudo aquilo que é comum e transversal à saúde coletiva (BELOTTI, 2020)1. Ressalta-se que a atuação do terapeuta ocupacional na APS, dependerá do mapeamento, das demandas que emergem no território e daquelas levantadas pelas equipes de Estratégia de Saúde da Família para que os atendimentos na UBS possam ser planejados (BELOTTI, 2020)2. A atuação da Terapia Ocupacional na APS, no seu núcleo de saber específico, poderá ocorrer por meio da confecção e treino de tecnologias assistivas - desde que se tenha estrutura e material disponível - reorganização do cotidiano, orientação de treinos de atividades de vida diária (AVD) e atividades instrumentais de vida diária (AIVD), realização de atividades, grupo de atividades, oficinas para participação social, ações no domicílio, realização de atividades para usuários e familiares: em sofrimento mental, pessoas com deficiência, crianças, adolescentes e idosos (BELOTTI, 2020)3. Portanto, a Atenção Primária em Saúde (APS) pode ser considerada um campo de atuação recente para a Terapia Ocupacional no Brasil. Além disso, com relação as sistematizações das práticas executadas na Atenção Primária em Saúde, nota-se que ainda estão em início a maioria dos trabalhos, pois a maior parte dos casos se relaciona à problemática da pessoa com deficiência física (BASSI; MALFITANO; BIANCHI, 2012). 1 Ideia retirada da live: a importância da terapia Ocupacional na atenção Básica citada pela doutora Meyrielle Belotti transmitido em 06 de agosto de 2020 https://www.youtube.com/watch?v=ZjYaq6mFKsc&t=3335s 2 Ideia retirada da live: a importância da terapia Ocupacional na atenção Básica citada pela doutora Meyrielle Belotti transmitido em 06 de agosto de 2020 https://www.youtube.com/watch?v=ZjYaq6mFKsc&t=3335s 3 Ideia retirada da live: a importância da terapia Ocupacional na atenção Básica citada pela doutora Meyrielle Belotti transmitido em 06 de agosto de 2020 https://www.youtube.com/watch?v=ZjYaq6mFKsc&t=3335s Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8581 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 Por fim, é importante identificar a prática da terapia ocupacional na APS, considerando a importância desse profissional nesse nível de atenção à saúde. 2 METODOLOGIA Este estudo é uma revisão integrativa da literatura, considerada uma abordagem metodológica de estudos relacionados à terapia ocupacional no âmbito da Atenção Primária em Saúde (APS) por meio de uma síntese baseada na Prática Baseada em Evidência (PBE). O método deste trabalho foi dividido nas seguintes etapas: a primeira consistiu na identificação do tema - Terapia Ocupacional e Práticas na Atenção Primária em Saúde: revisão integrativa da literatura. A segunda etapa baseou-se no estabelecimento da questão norteadora: "Quais são as práticas realizadas pela terapia ocupacional na Atenção Primária em Saúde?". Posteriormente, a terceira etapa consistiu no estabelecimento de fontes de informação: Literatura Latino Americana em Ciências da Saúde – LILACS e Scientific Electronic Library Online – SCIELO e dos três principais periódicos de Terapia Ocupacional: “Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo e Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional”, que estão indexados em tais bases de dados. Além disso, foram realizadas pesquisas em outros periódicos da saúde coletiva, sendo eles: Brazilian Journal of Development, Pimenta Cultural e Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde ABCS. Para realizar a pesquisa, foram utilizados os descritores presentes no DeCS com os termos: Terapia Ocupacional; Atenção Primária em Saúde; Atenção Básica em Saúde e Prática Profissional. O período de busca foi compreendido entre janeiro de 2015 e março de 2021, restringindo-se a artigos Brasileiros e de língua portuguesa, descrevendo estudos clínicos, epidemiológicos, estudos de caso, estudos qualitativos e descritivos, relatos de experiências e pesquisas exploratórias. Além disso, foram excluídos nessa pesquisa artigos que não abordam as práticas de terapia ocupacional junto a usuários na Atenção Primária à Saúde, ou seja, foram excluídas: revisão sistemática ou integrativas e narrativas com o intuito de delimitar o tema ao que vem sendo realizado na prática da terapia ocupacional. Ainda nessa etapa, os artigos fornecidos pelas bases de dados passaram por uma triagem por meio da leitura dos títulos e resumos. Assim, atendendo aos critérios de inclusão, foram estabelecidas as definições de informações a serem extraídas, selecionadas e categorizadas em uma tabela. Na quarta etapa, foi realizada a avaliação Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8582 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 dos estudos incluídos na revisão integrativa, com o intuito de avaliá-los minuciosamente para selecionar os que se adequavam aos critérios. Sendo assim, foi realizada a leitura destes textos na íntegra de forma crítica, considerando-se: o título, autor, revista, objetivo, inserção do terapeuta ocupacional no serviço, os aspectos metodológicos e a prática do terapeuta ocupacional. Na quinta etapa ocorreu a interpretação dos resultados e uma discussão a partir deles. Na sexta e última etapa verificou-se os resultados com o total de artigos identificados. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO No quadro abaixo, são apresentadas as informações dos artigos selecionados para essa revisão ilustrando o número do artigo, fonte, título, autores, periódicos, objetivo do estudo, inserção da terapia ocupacional, tipo de estudo e prática desenvolvida pelos terapeutas ocupacionais na APS. Quadro 1. Distribuição das referências bibliográficas obtidas nas bases de dados Lilacs, Scielo e periódicos segundo as palavras-chaves e incluídas na revisão integrativa selecionada, Brasil 2021 A r ti g o n º Título Autores/An o Periódico Objetivo do estudo Inserção da Terapia Ocupacional e Tipo de estudo Prática desenvolvida 01 Percepção dos gestores acerca da atuação e inserção de terapeutas ocupacionais na atenção básica à saúde. (MIRANDA , E. F. S.; AMADO, C. F.; FERREIRA, T. P. S. 2019) Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacion al Descrever a percepção dos gestores de saúde da Atenção Básica à Saúde acerca da atuação e inserção da terapia ocupacional. Atenção Básica pesquisa descritiva exploratória de abordagem qualitativa Reabilitação física e cuidado em saúde mental; grupos e tecnologias assistidas. 02 A interface das práticas de terapeutas ocupacionais com os atributos da atenção primária à saúde (SILVA, R. A. S.; OLIVER, F. C. 2020 Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacion al Identificar e analisar as práticas de terapeutas ocupacionais na APS e sua interface com os atributos essenciais e derivados desse nível assistencial Maioria dos profissionais NASF-AB Pesquisa de métodos mistos (sequencial explanatória)por meio de três fases: Atenção ao primeiro contato, longitudinalidade, integralidade, coordenação do cuidado, orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural. Apoio técnico- pedagógico, compartilhamentos de saberes e a construção de espaços coletivos de co- gestão da atenção à saúde, práticas de apoio clínico assistencial: atendimentos individuais e familiares na UBS e no domicílio, atividades coletivas (grupos) ações em rede, intersetoriais e territoriais. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8583 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 03 A corporeidade de mulheres gestantes e a terapia ocupacional: ações possíveis na Atenção Básica em Saúde (FERIGATO , S. H.; SILVA, C. R.; AMBROSIO , L. 2018) Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacion al Descrever e analisar a corporeidade de um grupo de gestantes Grupo gestante qualitativa do tipo pesquisa- intervenção. . Construção significativa da corporeidade e do cotidiano das mulheres gestantes. 04 A atenção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar: a construção de tecnologias de cuidado da terapia ocupacional na Atenção Básica em Saúde (OLIVEIRA, M. T.; FERIGATO, S. H. 2019) Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacion al Identificar e analisar práticas e tecnologias de intervenção terapêuticas ocupacionais na atenção a essas mulheres Terapeutas ocupacionais da AB O estudo, de caráter qualitativo pesquisa- intervenção, Atendimentos individuais e grupais, oficinas de geração de renda, atendimentos familiares, visitas/ atendimentos domiciliares, apoio matricial e acompanhamentos terapêuticos. 05 Terapia ocupacional e grupo hiperdia (SERPA, E. A.; LIMA, A. C. D.; SILVA, A. C. D. 2018) Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacion al Relatar o processo vivenciado enquanto estagiária de terapia ocupacional em um grupo hiperdia Estágio na APS Grupo (HiperDia) Trata-se de relato experiência. Rodas de conversas, dinâmicas grupais e pela arte 06 Comunidade de prática em terapia ocupacional para o cuidado em saúde mental na atenção básica em saúde: expectativas e impactos (MARCOLI NO, T. Q.; FANTINAT TI, E. N.; GOZZI, A. P. N. F.; CID, M. F. B. 2016) Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacion al Apresentar as expectativas das profissionais para participarem da CoP e suas percepções Comunidade de Prática (CoP) pesquisa-ação Reflexões sobre a prática no contexto da ABS, com foco nas ações de cuidado no campo da Saúde Mental. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8584 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 07 A terapia ocupacional na atenção primária saúde reinventando ações no cotidiano frente as alterações provocadas pela COVID- 19. (FALCÃO, I. V; JUCÁ.A. L. VIEIRA, S. G. 2020) Rev. Interinst. Bras. Ter. Ocup. Rio de Janeiro O objetivo é apresentar as experiências da Terapia Ocupacional no contexto da APS na pandemia da COVID-19. As experiências estão apresentadas como remotas e presenciais. O presente relato recorre à narrativa, observação e registros da experiência da APS. Teleconsulta, telemonitoramento e reuniões de equipes, grupos de promoção à saúde, informativos sobre a rede de saúde, orientações para isolamento domiciliar, atividades de autocuidado e funcionalidade para pessoas com deficiência e pessoas com transtorno mental Presencialmente, organizam ambientes de processo de trabalho, acolhimento, triagem e prioridade de atendimento, incluindo urgências por adoecimento mental, pânico e vivência do luto. Equipe com escuta qualificada e uso de práticas integrativas. 08 A Terapia Ocupacional em um processo de capacitação sobre vigilância do desenvolviment o infantil na atenção básica em saúde (BARBA, P.C.de S.D,; BARROS.V. de M.; MARQUES É.de A.; FARIAS, A. Z.; ANICETO, B.; MIYAMOT O E. E.2017) Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos. Fomentar ações voltadas ao desenvolvime nto infantil na atenção primária por meio da formação de alunos do curso de Terapia Ocupacional. Capacitações na Atenção Básica à Saúde Trata-se de um estudo de natureza qualitativa e descritiva de USF. Capacitação dos agentes comunitários de saúde e a replicação da capacitação com as famílias usuárias das Unidades de Saúde da Família 09 Atuação do terapeuta ocupacional no nasf: reflexões sobre a prática (CHAGAS, M. de F.; ANDRADE, M. F.L de O.2019) Rev. Interinst. Bras. Ter. Ocup. Rio de Janeiro. O objetivo deste trabalho é conhecer a atuação dos terapeutas ocupacionais nos NASFs do município de Maceió-AL, e suas reflexões sobre o trabalho desempenhado Atuação do terapeuta ocupacional no NASF. Trata-se de uma pesquisa qualitativa Visitas domiciliares, salas de espera e atividades em grupo foram identificadas como ações. 10 Saúde e redes vivas de cuidado integral na atenção básica: articulando ações estratégicas no território. (FERREIR A, T. P. da S. COSTA, C. T. 2017). Rev. Interinst. Bras. Ter. Ocup. Rio de Janeiro. Propõe um debate sobre o cuidado em saúde mental na atenção básica. Projeto de extensão, estudo qualitativo. A vivência e atuação no território se deram inicialmente pelo mapeamento das redes de cuidado territoriais, como também a problematização das ações de cuidado na atenção básica, com o intuito de ampliar o debate sobre o papel das redes vivas no cuidado em saúde. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8585 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 11 Processo de trabalho na atenção básica à saúde: a utilização do atendimento individual específico e articulação intersetorial por terapeutas ocupacionais e psicólogos. (SILVA, D. B. da MOREIRA , P. SANTOS, L. C. dos CAMARG O, M. J. G. de REIS, D. R. P. dos 2020) Rev. Ter Ocupacio nal. Univ. São Paulo. Identificar as ferramentas utilizadas por terapeutas ocupacionais e psicólogos da equipe do NASF-AB no processo de trabalho, junto às equipes de SF, para a assistência a população Atuação do terapeuta ocupacional no NASF. Para isto, foi realizada pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Utilizam como meios de produção, ferramentas tecnológicas e de cuidado, como o atendimento individual específico, com os objetivos de prevenir agravos e promover saúde física e psíquica para a população. 12 Atuação da terapia Ocupacional no consultório de Rua (PRODOCI MO,C. MILEK,G. FERIGATO , S. H. 2018) Revista Terapia Ocupacion al Univ. São Paulo O estudo teve como objetivo geral conhecer e analisar a atuação da Terapia Ocupacional no Consultório na Rua junto às equipes e usuários deste dispositivo Consultório na Rua O estudo tem como enfoque uma pesquisa de abordagem qualitativa com caráter exploratório através da análise de cinco entrevistas semiestruturad as realizadas em 2017 com terapeutas ocupacionais em três municípios do estado de São Paulo. I) ações do campo da Atenção básica e II) ações do núcleo da Terapia Ocupacional. Os terapeutas ocupacionais atuam principalmente proporcionando encontros,experimentações de si e do mundo por meio de atividades, frente as inúmeras possibilidades que a vida cotidiana na rua oferece. 13 A compreensão de profissionais da atenção primária à saúde sobre as práticas da terapia ocupacional no NASF (ANDRAD E, A. S. FALCÃO, I. V. 2017) Cad.Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos. O objetivo deste estudo foi analisar a compreensão dos profissionais da equipe de Saúde da Família e do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) quanto às práticas da terapia ocupacional na APS, como membro da equipe NASF NASF-AB Esta pesquisa caracteriza-se como exploratória, de campo qualitativo, com dados colhidos individualmen te, por meio de entrevista semiestruturad a, aplicada com profissionais de uma equipe de Saúde da Família e uma equipe NASF. Identificou-se que a compreensão das equipes sobre a atuação do terapeuta ocupacional é parcial, associando sua atuação basicamente à saúde mental e à reabilitação, confundindo suas práticas com as atribuições de outros profissionais da equipe Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8586 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 14 A atenção primária em saúde como serviço de cuidado em saúde mental: um relato de caso da terapia ocupacional ANDRAD E, L. M. HERNAN DES, R. S. CRUZ, T. F. da SOUZA, A. M. M. de RAMOS, L. F. S. S. GUIMAR ÃES, A. L. de A. Pimenta Cultural Relatar o acompanhamen to terapêutico ocupacional de uma usuária do serviço de saúde com hipótese diagnóstica de depressão. Residência na Atenção Básica Relato de caso Aproximação com o cotidiano de uma usuária para melhoria das relações em seu contexto familiar e consigo mesma, tendo devolutivas sobre esse tipo de cuidado e melhora da qualidade de vida. 15 A Trama da Vida: o cotidiano e o sofrimento psíquico de mulheres com depressão na perspectiva da terapia ocupacional ANDRAD E, L. M. HERNAN DES, R. S. CRUZ, T. F. da SOUZA, A. M. M. de RAMOS, L. F. S. S. GUIMAR ÃES, A. L. de A, 2019) Pimenta Cultural objetivo geral conhecer o perfil ocupacional de mulheres que possuem o diagnóstico de depressão Residência na Atenção Básica Trata-se de um estudo qualitativo e relato de experiência a partir da análise de conteúdo entrevistas e pinturas realizadas A terapia ocupacional por meio da atenção psicossocial, buscou ressignificar o cotidiano e o engajamento em atividades significativas, oportunizando trocas de saberes com a equipe e a família. 16 A Terapia ocupacional em um núcleo ampliado de saúde da família e atenção básica: um relato de experiência (SOUSA, I.F de; MAGALHÃ ES;F.L M. FIGUEIRED O;J.A. de SOUZA; A.Y da S COSTA; A.M da S LOPES; B. L. PINHEIRO; J.L.da Silva LIMA;T.C F DIAS;B.A C ROCHA; M.L C da. 2019) BrazilianJ ournal of Developm. Braz. J. of Develop., Objetivou relatar a experiência das ações realizadas em um NASF- AB pelas estagiárias de TO da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Estágio no NASF Trata- se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência . Prevenção, promoção e proteção da saúde nos contextos educacional, domiciliar e comunitário, assim como a realização de avaliações, reavaliações, orientações e encaminhamentos necessários. Além disso, estímulo ao desempenho ocupacional por meio de técnicas de educação em saúde, expressão corporal, jogos lúdicos e dinâmicas grupais. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8587 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 17 Terapia Ocupacional no núcleo de apoio à saúde da família: um olhar para a especificidade da profissão no contexto interdisciplina r (ONÓRIO, J. L. da S. SILVA, E. do N. BEZERRA , W. C. 2018) Rev. Interinst. Bras. Ter. Ocup. Rio de Janeiro Compreender como os profissionais do NASF entendem a especificidade da Terapia Ocupacional neste contexto interdisciplina r NASF-AB o um estudo de campo com abordagem qualitativa, Observou-se que a atuação dos terapeutas ocupacionais está pautada por atividades preventivas e do cotidiano dos sujeitos e que os demais membros da equipe demonstram dificuldades em reconhecer o papel da categoria no NASF, apesar de pontuarem algumas práticas gerais. 18 Identificação das ações de terapeutas ocupacionais na atenção primária à saúde no brasil ( SILVA, R. A. dos S. OLIVER, F. C. 2019) ) Rev. Interinst. Bras. Ter. Ocup. Rio de Janeiro. Identificar as ações e atividades realizadas por terapeutas ocupacionais em serviços de APS, no contexto brasileiro. Maioria dos profissionais no NASF- AB Trata-se de uma pesquisa do tipo Survey, de abordagem exploratória, Atendimento individual e grupal ; atenção domiciliar; apoio matricial; educação em saúde; promoção da saúde; prevenção de doenças; educação permanente e/ou continuada; participação em reuniões de planejamento dos serviços e de articulação com redes saúde. Também utilizam atividades, tecnologia assistiva e recursos terapêuticos em ações junto a pessoas com dificuldades na realização das atividades cotidianas 19 Terapeutas ocupacionais na gestão da atenção básica à saúde (FURLAN, P. G. OLIVEIRA , M. dos S. 2017) Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos. Caracterizar a atuação do terapeuta ocupacional no âmbito da gestão da atenção básica à saúde do Distrito Federal e identificar os conhecimentos do núcleo profissional aplicados. Terapeutas Ocupacionais na gestão Qualitativa, com referencial da etnografia para produção e análise dos dados, com observação, diário de campo, entrevistas semiestruturad as e revisão bibliográfica. A atuação do terapeuta ocupacional depende de seus conhecimentos do campo da gestão, do desenvolvimento de projetos coletivos e da integralidade do cuidado. Os terapeutas ocupacionais estudados estavam inseridos na gestão central e de programas assistenciais a populações específicas Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8588 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 20 Orientação teórica e os cenários de prática na formação de terapeutas ocupacionais na atenção primária à saúde: perspectivas de docentes (SILVA, R. A. dos S. OLIVERA, F. C. 2016) Cadernos de Terapia Ocupacion al da UFSCar Descrever e analisar a orientação teórica e os cenários de prática na formação de terapeutas ocupacionais na Atenção Primária à Saúde (APS) Estudante de T.Os em cenários de prática de estágio na APS. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que apresenta as perspectivas de 17 docentes de nove cursos de terapia ocupacional do Estado de São Paulo Na prática foi identificada uma pluralidade de serviços e desenhos de gestão, nos quais se desenvolvem as atividades teórico-práticas, o que apontou uma dificuldade para realizar a formação para esse campo profissional. 21 Experiência de um estágio curricular em Terapia Ocupacional na atenção primária: foco nas necessidades em saúde infantil (RUAS, T. C. B. LEITE, F. C. AKERMA N, M. GAGLIAR DO, H. R. 2015) Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde ABCS Apresentar uma experiênciade estagiários do quarto ano de Terapia Ocupacional da. Estágio com a experiência de alunos do quarto ano de Terapia Ocupacional (TO) — em uma unidade básica de saúde (UBS). Desenvolviment o de ações voltadas à atenção primária à saúde infantil em um estágio curricular obrigatório Foram enfocadas as atividades — guiadas pelo princípio metodológico reflexão-ação-reflexão — desenvolvidas na brinquedoteca e no acompanhamento do desenvolvimento infantil. 22 Prática de estágio em terapia ocupacional na comunidade. (ANVERS A, A. C. BORGES, J. M. 2016). Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos Dar maior visibilidade e expansão para a inserção da profissão nesta área, e discutir os desafios e potencialidade s do campo. Prática de estágio na ESF Trata-se de um relato. Conhecer, de fato, a realidade do sujeito, seu contexto social, seu cotidiano, seu modo organizacional. Ademais, o atendimento domiciliar propiciou uma relação mais estreita dos profissionais de saúde com o paciente e seus familiares. Fonte: própria da autora, 2021. 4 PRÁTICA DO TERAPEUTA OCUPACIONAL NO NASF-AB Considerando os estudos sobre a prática da terapia ocupacional no NASF-AB, segundo Silva e Oliver (2020), quanto a inserção do terapeuta ocupacional na Atenção Primária à Saúde, o NASF-AB conta com o maior número de terapeutas ocupacionais em suas equipes e o processo de trabalho ainda se encontra em construção e é realizado, Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8589 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 principalmente, por meio do suporte matricial via duas estratégias: clínico-assistencial e técnico-pedagógica. Assim, nos estudos pesquisados os terapeutas ocupacionais estavam inseridos no NASF-AB desde sua criação, pela portaria GM nº 154 de janeiro de 2008, que atualmente foi revogada em 2020. Essa revogação traz um retrocesso para o Sistema Único de Saúde, pois a equipe do NASF tinha como objetivo a ampliação, abrangência e o escopo das ações na Atenção Primária à Saúde. Há também prerrogativas como sua resolubilidade, apoiando a inserção da Estratégia de Saúde da Família na rede de serviços e lançando mão dos processos de territorialização e a regionalização, alicerçados no apoio matricial e no atendimento clínico assistencial às equipes de Saúde da Família (BRASIL, 2008). Essas mudanças no modelo assistencial e na gestão do cuidado atingem negativamente a APS, pois adota uma perspectiva apenas de enfoque curativo e a torna mais seletiva e restrita ao acesso da população, o que é um prejuízo para a qualidade de vida, condições de saúde e bem-estar da população (CUNHA, 2009). Chagas e Andrade (2019), também, apontaram como prática de terapia ocupacional, nesse serviço, as visitas domiciliares e salas de espera e atividades em grupo, apesar de haver dificuldades como falta de recursos materiais e de uma estrutura física adequada para os atendimentos. Já para Silva et al (2020), as ferramentas tecnológicas e de cuidado utilizadas por terapeutas ocupacionais são: prevenção de agravos e promoção de saúde física e psíquica da população. Em contrapartida, no artigo de Andrade e Falcão (2017) os autores identificaram que a compreensão das equipes sobre a atuação do terapeuta ocupacional é parcial, associando sua atuação basicamente à saúde mental e à reabilitação, confundindo suas práticas com as atribuições de outros profissionais da equipe. A dificuldade de reconhecimento do papel do terapeuta ocupacional também é vista no artigo de Onório, Silva e Bezerra (2018). 5 PRÁTICAS DE DISCENTES, RESIDENTES MULTIPROFISSIONAIS INSERIDOS NA APS POR MEIO DE PROJETOS DE EXTENSÃO, ESTÁGIOS, RESIDÊNCIAS E COMUNIDADE DE PRÁTICA A inclusão de discentes na Atenção Primária em Saúde, definiu-se pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para todos os cursos de graduação na área da saúde. Dessa forma, o curso de Terapia Ocupacional foi estabelecido em 2002 pela Resolução CNE/CES nº06. Essa resolução afirma que a formação do profissional terapeuta ocupacional precisa ser mais generalista, humanista, crítica e reflexiva. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8590 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 Deste modo, segundo os estudos, as práticas da terapia ocupacional na APS, realizadas por meio de estágios, residências e projetos são diversas como: rodas de conversas, dinâmicas grupais através da arte, o atendimento domiciliar, a prevenção, promoção e proteção da saúde no contexto educacional, domiciliar e comunitário. Assim como, a realização de avaliações, reavaliações, orientações, encaminhamentos necessários, estímulo ao desempenho ocupacional por meio de técnicas de educação em saúde, expressão corporal, jogos lúdicos, planejamentos, registros nos prontuários, atividades desenvolvidas na brinquedoteca e no acompanhamento do desenvolvimento infantil. Também foram relatadas práticas através da aproximação com o cotidiano dos usuários para melhora das relações em seu contexto familiar e a atenção psicossocial, oportunizando trocas de saberes com a equipe e a família e mapeamento das redes de cuidado territoriais, bem como, a problematização das ações de cuidado na atenção básica, com o intuito de ampliar o debate sobre o papel das redes vivas no cuidado em saúde. Por fim, a capacitação dos agentes comunitários de saúde e a replicação da capacitação com usuários e famílias. 6 PRÁTICAS DOS TERAPEUTAS OCUPACIONAIS PELO OLHAR DA GESTÃO E COM FOCO NA GESTÃO Para Miranda, Amado e Ferreira (2019), percebe-se que os gestores na atenção primária à saúde pesquisados, trazem nos relatos que compreendem a prática da terapia ocupacional voltada para as atividades cotidianas dos sujeitos, para a adaptação de utensílios, reabilitação física e cuidado em saúde mental, mas a confundem com a fisioterapia. Ainda na dimensão profissional, consoante Cruz (2018), afirma que os modelos biomecânicos e cinesiológicos utilizados por alguns terapeutas ocupacionais não abrangem a dimensão holística do olhar desse profissional para a vida e o cotidiano das pessoas, limitando assim o processo de trabalho. Nas ideias dos autores Furlan e Oliveira (2017), os terapeutas ocupacionais pesquisados estão inseridos na gestão e em programas assistenciais a populações específicas e sua prática depende de seus conhecimentos do campo da gestão, do desenvolvimento de projetos coletivos e da integralidade do cuidado. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8591 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 7 PRÁTICAS DOS TERAPEUTAS OCUPACIONAIS INDIVIDUAIS E GRUPAIS No estudo de Silva e Oliver (2020), as práticas são voltadas para pessoas, famílias e comunidades a partir de abordagens diversas. Também foi possível identificar a falta de indicadores de eficácia das práticas, a existência de lacunas na compreensão do escopo de prática dessa área profissional e a fragilidade teórico-técnica e conceitual para fundamentar a atuação nesse nível de atenção. As pesquisas nesse campo ainda são, em sua maioria, de estudos qualitativos, produzidas em realidades locais ou em um único serviço, cidade ou estado. Além disso, esses estudos descrevem os recursos que terapeutas ocupacionais utilizam e não como as práticas são realizadas na APS ( SILVA; OLIVER, 2020). Nesse mesmo âmbito, Cabral e Bragalda (2017) afirmam que os grupos e oficinas terapêuticas, as visitas domiciliares e o apoio matricial têm se apresentado como as formas mais recorrentes de atuação desses profissionais no campo. No contexto feminino, Bezerra et al. (2009) afirmam que os terapeutas ocupacionais,no atendimento à saúde da mulher, têm optado por abordagens grupais, a fim de ofertar apoio e encorajamento para as participantes, construindo uma rede de apoio entre elas. Para isso, utilizam atividades expressivas, oficinas terapêuticas e outras técnicas artísticas (desenho, pintura, colagem, etc.). Dessa forma, ressaltaram a proposta de potencializar no cotidiano, a expressão dos sentimentos, as trocas afetivas e de experiências, a autoestima e o autoconhecimento, abordando temas que se referem tanto ao cuidado de si quanto ao cuidado do bebê. Por fim, na publicação de Oliveira e Ferigato (2019) relacionado às práticas em terapia ocupacional os autores descrevem: atendimentos individuais e grupais, oficinas de geração de renda, atendimentos familiares, visitas/ atendimentos domiciliares, apoio matricial e acompanhamentos terapêuticos. 8 PRÁTICAS DA TERAPIA OCUPACIONAL COM FOCO NO CONSULTÓRIO DE RUA (CnR) O trabalho do terapeuta ocupacional no CnR fortalece seu espaço na ABS, antes restrito às Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF) e Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Assim, a Terapia Ocupacional tem como uma de suas potencialidades, o trabalho extra muros em diferentes âmbitos territoriais, em cenários concretos de vida. Nesses espaços, a relação com a realidade do sujeito em ação se apresenta como um dispositivo para o enfrentamento de estigmas e de problemáticas cotidianas nas quais o sujeito produz as potências de sua própria vida. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8592 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 Além disso, os terapeutas ocupacionais atuam principalmente proporcionando encontros, experimentações de si e do mundo por meio de atividades, frente às inúmeras possibilidades que a vida cotidiana na rua oferece (PRODOCIMO; FERIGATO, 2018). 9 PRÁTICAS DOS TERAPEUTAS OCUPACIONAIS POR ELES MESMOS Os autores Silva e Oliver (2020) trouxeram como prática de terapia ocupacional na APS, a orientação pelos atributos. Foram identificados: atenção ao primeiro contato, longitudinalidade, integralidade, coordenação do cuidado, orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural. Além disso, abordaram as práticas de apoio técnico- pedagógico, compartilhamentos de saberes, construção de espaços coletivos de co-gestão da atenção à saúde, práticas de apoio clínico assistencial: atendimentos individuais e familiares na UBS e, no domicílio, atividades coletivas (grupos) e ações em rede intersetoriais e territoriais (SILVA; OLIVER, 2020). 10 CONSIDERAÇÕES FINAIS A revisão de literatura mostrou um número crescente de publicações em relação à prática da terapia ocupacional na Atenção Primária à Saúde (APS), apontando práticas diversas e uma inserção maior de terapeutas ocupacionais nela através de estágios e por meio do NASF-AB. Além, de projetos de extensão e residências. Ressalta-se que é necessário mais estudos sobre a prática do Terapeuta Ocupacional nos Consultórios na Rua (CnR); Atendimento Domiciliar (AD)/ Programa Melhor em Casa e Atenção Básica Prisional (ABP) e na Equipe da Academia da Saúde. Ademais, constatou-se em alguns estudos, a dificuldade das outras categorias profissionais reconhecerem as práticas da terapia ocupacional neste serviço. Destaca-se também que com a extinção do NASF-AB a inserção do terapeuta ocupacional na APS poderá decrescer. Destaca-se que o terapeuta ocupacional é um profissional com uma formação generalista e interdisciplinar que estuda a ocupação humana/ atividades e a vida cotidiana podendo desenvolver ações no âmbito individual, coletivo, territorial e comunitário na Atenção Primária em Saúde. Por fim, observou-se práticas específicas e compartilhadas, com potencial significativo para desenvolver o trabalho em equipe nos serviços de APS. Conclui-se que o terapeuta ocupacional é um profissional que pode somar nas equipes multiprofissionais Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8593 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 que atuam na Atenção Primária de Saúde e precisa, enquanto categoria profissional, lutar mais para se inserir nesse espaço. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 8594 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.2, p. 8577-8598 mar./apr. 2021 REFERÊNCIAS ANDRADE, A.S.; FALCÃO I.V. A compreensão de profissionais da atenção primária à saúde sobre as práticas da terapia ocupacional no NASF. Cad Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos. 2017; 25(1): 33-42. . Acesso em: 10 de nov.2020. ANDRADE, L. M.; HERNANDES, R. S; CRUZ, T. F. da SOUZA, A. M. M. de RAMOS, L. F; GUIMARÃES, A. L. de A. A atenção primária em saúde como serviço de cuidado em saúde mental: um relato de caso da terapia ocupacional. 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